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EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA VARA CÍVEL DA COMARCA DE CURITIBANOS – SANTA CATARINA.

EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA VARA CÍVEL DA COMARCA DE CURITIBANOS SANTA CATARINA.

JUSTIÇA GRATUITA

XXXXXXXXXXXXX,

brasileira,

casada,

trabalhadora rural, portadora do RG. n. xxxxxx, inscrita no CPF n. xxxxxxxxxx, residente e domiciliada na xxxxxxxxxxxxxxx, neste ato representado por seu Procurador infra assinado, que esta subscreve, advogado inscrito na OAB/SC xxxx, com escritório profissional situado no

endereço infra impresso, local onde recebe intimações e demais correspondências de estilo, vêm, respeitosamente, perante Vossa Excelência, propor a presente

AÇÃO DE CONCESSÃO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO

em face do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS, ente autárquico federal, dotado de personalidade jurídica de direito público, representado através de sua procuradoria, estabelecido na Rua Felipe Schmidt, n. 12, Centro, Joaçaba - SC, (CEP 89600-000), consoante as razões de fato e de direito que passo a expor:

1. BREVE RESENHA FÁTICA: A parte Autora é segurada da previdência social, como demonstram os documentos
  • 1. BREVE RESENHA FÁTICA:

A parte Autora é segurada da previdência social, como demonstram os documentos anexos a presente exordial, tendo sido indeferido o seu pedido administrativo do benefício auxílio-doença (NB xxxxxxxxx).

Conforme as perícias realizadas, a parte Autora apresenta no ombro esquerdo TENDINOPATIA COM RUPTURA TOTAL DE FIBRAS DO SUPRA ESPINHAL ESQUERDA; BURSITE SUBACROMINAL/SUBDELTOIDEA; SÍNDROME DO IMPACTO (CID M75.1);

Ainda, conforme perícias médicas a parte problemas na região abdominal de ESTEATOSE HEPÁTICA GRAU II (CID 10 K74) e FÍGADO COM CISTO SIMPLES (CID 10 Q44).

Em razão dessas doenças, a parte Autora deu entrada com pedido administrativo de auxílio-doença o qual restou indevidamente indeferido pela Autarquia Federal.

Como de pronto, observa-se que a enfermidade perdura até o presente momento e a parte Autora não obteve a recuperação e os resultados desejados para seu retorno à atividade laboral.

A afirmação supra se faz comprovada por meio dos exames e laudos médicos atestado pelos médicos, Dra. xxxxxxx; Dra.

xxxxxx; Dr. xxxxxxxxx; os quais dirimem qualquer questionamento a respeito da real situação de saúde do

xxxxxx; Dr. xxxxxxxxx; os quais dirimem qualquer questionamento a respeito da real situação de saúde do mesmo.

Ressalta-se ainda que desde o indeferimento do benefício de auxílio-doença, a parte Autora tem passado por dificultosa situação financeira, em razão de não poder trabalhar e de não possuir outro meio de subsistência.

Vê-se, portanto, que o indeferimento do auxílio-doença pela Autarquia Ré é totalmente descabido, forçando o segurado ao retorno de suas atividades laborais, sem que, contudo este esteja apto ao exercício destas.

Desta forma, restando inexitosa toda e qualquer solução extrajudicial do litígio, tem-se a presente demanda como único meio útil e eficaz para dirimir a lide em voga.

  • 2. DO DIREITO

2.1. DO AUXÍLIO-DOENÇA

A Lei n. 8.213/91 estabelece, nos artigos 59 e 62, os requisitos para a concessão e manutenção do auxílio-doença:

Art. 59. O auxílio-doença será devido ao segurado que, havendo cumprido, quando for o caso, o período de carência exigido pela Lei, ficar incapacitado para o seu trabalho ou para a sua atividade habitual por mais de 15 (quinze) dias consecutivos.

Parágrafo único. Não será devido auxílio-doença ao segurado que se filiar ao Regime Geral de Previdência

Parágrafo único. Não será devido auxílio-doença ao segurado que se filiar ao Regime Geral de Previdência Social já portador da doença ou da lesão invocada como causa para o benefício, salvo quando a incapacidade sobrevier por motivo de progressão ou agravamento dessa doença ou lesão.

Art. 62. O segurado em gozo de auxílio-doença, insusceptível de recuperação para sua atividade habitual, deverá submeter-se a processo de reabilitação profissional para o exercício de outra atividade. Não cessará o benefício até que seja dado como habilitado para o desempenho de nova atividade que lhe garanta a subsistência ou, quando considerado não-recuperável, for aposentado por invalidez.

Conforme comprovam os laudos acostados a essa inicial, a parte Autora preencheu todos os requisitos necessários para a obtenção do auxílio-doença, como se depreende dos artigos supracitados. A incapacidade no presente caso impede o retorno às atividades habituais, sendo indispensável à continuidade do tratamento e o afastamento do trabalho, na busca de uma possível recuperação.

Caso

fique

constatada

a

impossibilidade

de

recuperação para a sua atividade habitual, deverá o segurado passar por um processo de reabilitação profissional e, se não conseguir êxito, ser aposentada por invalidez, conforme determina o art. 42 da Lei n. 8.213/91:

Art. 42. A aposentaria por invalidez, uma vez cumprida, quando for o caso, a carência exigida, será devida ao segurado que, estando ou não em gozo de auxílio-doença, for considerado incapaz e insusceptível de reabilitação para o exercício de atividade que lhe garanta a subsistência, e ser- lhe-á paga enquanto permanecer nesta condição.

Reitera-se que a parte Autora não tem condições para retornar às suas atividades habituais, em face

Reitera-se que a parte Autora não tem condições para retornar às suas atividades habituais, em face do agravamento que sua enfermidade apresentou. Tal quadro clínico é amplamente atestado nos documentos anexados a essa exordial, bem como serão devidamente comprovados pela perícia judicial.

Diante do exposto, conclui-se que a inadequação da conclusão da última perícia realizada pela Autarquia Ré e, estando os demais requisitos preenchidos para a concessão do benefício pleiteado, a parte Autora faz jus ao recebimento do auxílio-doença.

  • 3. DA TUTELA ANTECIPADA

O artigo 273 do Código de Processo Civil, com redação dada pela Lei n. 8.952/94, determina que o juiz pode, a requerimento da parte, antecipar, total ou parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, desde que, existindo prova inequívoca, se convença da verossimilhança da alegação e: I haja fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação; ou II fique caracterizado o abuso do direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório do réu.

A aparência do direito, que corresponde ao requisito legal da prova inequívoca e da verossimilhança da alegação, está presente nos fatos alegados e nas provas juntadas nesta inicial, formando o conjunto probatório necessário para a realização da cognição sumária, indispensável a essa tutela de urgência.

No caso em análise, deve-se observar, como dito alhures, o preceituado no art. 5º da Lei

No caso em análise, deve-se observar, como dito alhures, o preceituado no art. 5º da Lei de Introdução ao Código Civil (LICC), estabelecendo que o juiz deve aplicar a lei, atendendo aos fins sociais a que ela se dirige; e, como a finalidade do direito previdenciário é propiciar aos segurados e seus dependentes os meios indispensáveis à existência digna, a atitude do INSS em cancelar o auxílio-doença, antes do efetivo retorno da capacidade laborativa da parte Autora, fere frontalmente o sentido teleológico do Direito Previdenciário.

Tratando-se de benefício previdenciário, que tem caráter nitidamente alimentar, o fundado receio de dano irreparável decorre da própria condição dos beneficiários, que faz presumir inadiável a prestação jurisdicional postulada, ainda mais no presente caso, quando a segurada encontra-se impossibilitada de exercer suas atividades e de prover por sua subsistência e de sua família, tendo que viver de auxílio de terceiros.

A

situação

criada

pela

Autarquia

Ré,

ou

seja,

o

indeferimento do benefício de auxílio-doença, está pondo em risco a subsistência do Autor, tendo em vista a natureza alimentar do benefício.

Assim, impõe-se a designação de perícia médica, com urgência, a fim de que, após o laudo, possam ser antecipados os efeitos da tutela, como medida de salvaguarda à subsistência da Autora. Destaca-se que, em não sendo possível o agendamento de perícia de forma rápida, ainda assim seja concedida a antecipação da tutela, de forma a garantir a subsistência da segurada, bem como de sua família.

4. REQUERIMENTOS Em face do exposto e comprovado, requer-se digne Vossa Excelência a determinar a procedência

4. REQUERIMENTOS

Em face do exposto e comprovado, requer-se digne Vossa Excelência a determinar a procedência total da pretensão deduzida e:

  • a. Em caráter liminar:

  • a) a concessão da tutela antecipada, após a realização

de perícia médica, determinando-se ao INSS que inicie imediatamente o

pagamento das prestações do benefício previdenciário auxílio-doença, enquanto persistir a enfermidade ensejadora do benefício;

  • b) caso seja constatado, através do laudo pericial, a

condição de invalidez (incapacidade insuscetível de reabilitação para o exercício de qualquer atividade), requer a concessão da tutela antecipada, determinando-se ao INSS que inicie imediatamente o pagamento das prestações do benefício previdenciário de aposentadoria por invalidez, com fulcro no artigo 77 do Decreto n. 3.048/99, c/c arts. 62 e 101 da Lei n.

8.213/91;

  • c) a determinação do pagamento de multa a ser fixada

por este Juízo, com base no art. 273, § 3º, c/c 461, § 4º, do CPC, caso haja,

por parte da Autarquia Ré, o descumprimento da tutela a ser deferida;

b. Em caráter definitivo: a) a condenação do INSS ao pagamento das prestações previdenciárias de auxílio-doença,
  • b. Em caráter definitivo:

a) a condenação do INSS ao pagamento das prestações previdenciárias de auxílio-doença, devidas desde o requerimento administrativo do benefício, tornando definitiva a tutela antecipada deferida, acrescidas de correção monetária a partir do vencimento de cada prestação até a efetiva liquidação, respeitada a prescrição quinquenal, adotando-se os critérios da Lei n. 6.899/81, c/c Lei n. 8.213/91, mais juros de mora no percentual de 12% (doze por cento) ao ano, a partir da citação;

b) constatada por laudo pericial a condição de invalidez (incapacidade insuscetível de recuperação para o exercício de qualquer atividade), requer a condenação do INSS ao pagamento das prestações previdenciárias de aposentadoria por invalidez vencidas e vincendas, acrescidas de correção monetária a partir do vencimento de cada prestação até a efetiva liquidação, respeitada a prescrição quinquenal, adotando-se os critérios da Lei n. 6.899/81, c/c Lei n. 8.213/91, mais juros de mora no percentual de 12% (doze por cento) ao ano, a partir da citação;

c) a condenação do INSS ao pagamento das custas, despesas processuais e honorários advocatícios, devidamente atualizados, na base de 20% (vinte por cento) sobre o valor da condenação, apuradas em liquidação de sentença;

d) a nomeação

de perito, escolhido por este

MM.

Juízo, para realização da perícia médica, inclusive, se necessários, os

exames, além dos apresentados, que sejam considerados indispensáveis para a constatação da doença; e) a juntada

exames, além dos apresentados, que sejam considerados indispensáveis para a constatação da doença;

e)

a

juntada

pela

das

cópias

dos

processos

administrativos existentes em nome da parte Autora;

Informa-se

que

a

Autora

não

possui condições

financeiras para nomeação de assistente técnico, requerendo, desde já, a apresentação de quesitos suplementares.

  • c. Requerimentos finais:

  • a) a citação do Instituto Nacional do Seguro Social

INSS, no endereço preambularmente informado, para, querendo, responder à presente demanda, no prazo legal, advertindo-se que, em caso de inércia, presumir-se-ão aceitos como verdadeiros os fatos articulados pela Autora (art. 285, in fine do CPC);

  • b) para a prova dos fatos alegados, além do

conhecimento dos documentos que acompanham a presente ação, requer e protesta pela produção de todos os meios de prova admitidos em direito, em especial a perícia médica, sem exclusão de nenhum outro meio que se fizer

necessário ao deslinde da demanda;

  • c) por não estar em condições de pagar as custas do

processo e os honorários advocatícios, sem prejuízo próprio e de sua família, requer a concessão do Benefício da Justiça Gratuita, na forma do

artigo 4º, com redação imposta pela Lei n. 7.510/86, e artigo 9º da Lei n. 1.060/50.

artigo 4º, com redação imposta pela Lei n. 7.510/86, e artigo 9º da Lei n.

1.060/50.

VALOR DA CAUSA

Dá-se a causa o valor de R$ 1.000,00 (mil reais).

N. Termos. P. Deferimento.