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Junto ao rio Tâmega, a cidade de Amarante desperta lentamente numa manhã fria de

Inverno. É o nosso ponto de partida para conhecer as magníficas paisagens do Parque


Natural do Alvão

Textos e Fotos João Nunes da Silva

No vale da campeã, uma castanha espreita do seu ouriço, à


espera de ser recolhida.
A apanha de castanhas nos soutos, durante o Outono,
constitui uma das muitas actividades agrícolas tradicionais
que ainda encontramos nesta região de fronteira entre o

Minho, o Douro e Trás-os-


Montes.

Com um relevo variado, o


parque natural do alvão
apresenta definidas duas
importantes áreas: uma zona
mais alta (que chega aos 1339 metros de altitude),
abrangendo a serra do Alvão e o planalto de Lamas de Olo, e
uma zona basal (até aos 250 metros), onde estão localizadas
as povoações de Ermelo e de Fervença e os vales por onde
corre o rio Olo.

Nesta zona de montanha, os rigores do inverno são bastante


pronunciados. Pelo menos uma vez por ano, todo o parque se
cobre com um enorme manto branco. Como que por magia,

uns ramos de vidoeiro


embrulham-se durante a noite
no gelo, proporcionando uma
imagem de rara beleza.

Na primavera, no verão e no
outono, as áreas florestais do
alvão pintam-se de cores
quentes. Com uma enorme biodiversidade florística, entre várias espécies raras ou endémicas
como o cravo-dos-alpes ou a açucena-brava, encontramos carvalhos, vidoeiros, azevinhos,
castanheiros, pilriteiros e muitas outras espécies de flora.

Criado em 1983, o Parque Natural do Alvão - uma área


protegida relativamente pequena entre os concelhos de Vila
Real e Mondim de Basto - é um refúgio fulcral para várias
espécies. Outrora, entre as zonas mais elevadas do sistema
montanhoso do Alvão e do Marão, era possível avistar com
frequência a emblemática águia-real, hoje praticamente
extinta. Actualmente, subsistem no interior do parque diversas
espécies faunísticas, típicas de montanha. É o caso do lobo,
do gato-bravo, da toupeira-de-água e do falcão-peregrino,
entre outras.
À medida que subimos pela serra, desencantam-se vales
profundos, com pequenos retalhos verdes em socalcos,
característica da paisagem rural desta área protegida. A
utilização dos lameiros pelo gado maronês é outras das
particularidades associadas às pequenas comunidades de

montanha. A criação desta raça


é, aliás, uma das actividades
económicas mais importantes
das populações da região.

Ao fim do dia, as silhuetas


montanhosas que constituem o
Alvão e o Marão delimitam o parque. Numa zona de transição incerta, de um lado, a Ocidente,
fica a região do Douro e do Minho; do outro, a Leste, estão as
terras longínquas de Trás-os-Montes, que, como o próprio
nome indica, era outrora sinónimo de distância e isolamento.

Na aldeia de lamas de olo não há pressas e os dias passam


devagar. O recolher do gado ao fim do dia é uma das tarefas
rurais, a par de muitas outras, como as malhas do centeio, do
milho e do feijão, as desfolhadas e as vessadas (em que se
prepara a terra para as próximas sementeiras). A matança do

porco, a confecção do fumeiro e


o fabrico do pão completam o
dia-a-dia dos seus habitantes.

Protegida pela encosta da


serra, a aldeia de Fervença
recebe os últimos raios de sol de
um dia de Inverno. Aqui e nas
aldeias de Lamas de Olo, Ermelo e Barreiro ainda é possível encontrar casas tradicionais
construídas em xisto, colmo e granito, muitas das quais recuperadas com a colaboração dos
serviços do Parque Natural.

Como que numa corrida desenfreada, os cursos de água das


zonas mais elevadas do parque correm por entre gargantas e
vales apertados. Alguns acabam parte do seu percurso em
precipício, como é o caso da queda de água do Moinho de
Galegos da Serra ou, como é mais conhecida nessas
paragens, as Fisgas do Ermelo. Esta última, com um desnível
vertiginoso de cerca de 250 metros e uma beleza singular,
algo misteriosa, é o símbolo do parque, pelo que constitui uma
das paragens obrigatórias para quem visita o Alvão pela
primeira vez.

Guia de Viagem

Como ir
O Parque Natural do Alvão localiza-se no Norte de Portugal, no distrito
de Vila Real, e abrange os concelhos de Mondim de Basto e Vila Real. Para lá chegar terá de
tomar a IP4 e depois a EN 304 que liga Vila Real
a Mondim de Basto e que atravessa todo o parque. De Lisboa a Vila Real são cerca de 400 km;
Porto-Vila Real, 116 km; Faro -Vila Real, 660 km. De Vila Real a Mondim de Basto são 33 km.

Informações úteis
Antes de se deslocar ao Parque Natural do Alvão, e dado que se trata
de uma área natural, aconselhamo-lo a programar a sua viagem. A reserva de
alojamento no interior do Alvão deve ser feita com alguma antecedência.
Existem vários livros e guias que podem ajudá-lo a preparar melhor a sua viagem. Para tal,
pode contactar com a sede do Parque Natural
do Alvão (Largo dos Freitas, 5000-528 Vila Real, Tel.: 259 302830; Fax: 259 302831; E-mail:
pnal@icn.pt), a delegação em Mondim de Basto (Lugar do Barrio, Sítio do Retiro, 4880-164
Mondim de Basto, Tel.: 255 381209) e o Centro de Interpretação do Parque Natural do Alvão.
Para conhecer melhor os diferentes aspectos que caracterizam o diverso património existente
dentro da área do parque, o
visitante pode deslocar-se ao
Centro de Interpretação localizado
em Mondim de Basto (Lugar do
Barrio - Sítio do Retiro, 4880-164
Mondim de Basto, Tel. 255
381209)

Cuidados especiais
Porque é uma zona de montanha,
a região do Alvão é especialmente
fria, mesmo durante a Primavera.
Em alturas de mau tempo, com
chuva e neve, não se aventure por
locais que desconhece. Nas
Fisgas do Ermelo deve ter-se uma
atenção redobrada, dado tratar-se
de uma zona perigosa, onde já
ocorreram alguns acidentes. Procure sempre informar-se antecipadamente junto dos serviços
do parque. Se pretende caminhar, leve calçado apropriado. Com a utilização de binóculos e a
ajuda de guias de campo (de fauna e flora) poderá observar e identificar com maior facilidade
algumas das espécies do parque, sobretudo aves.

Onde ficar
Inúmeros locais permitem ao visitante pernoitar nesta visita ao Parque Natural do Alvão. Aqui
ficam algumas sugestões:
Pousada de São Gonçalo
Amarante - Tel. 255 460 030; Fax: 255 461 353
A pousada no Marão é o local ideal para desfrutar das magníficas paisagens da montanha e do
vale do Tâmega. Quarto duplo a partir de € 92 (domingo a segunda) e de €101 (de sexta a
sábado), incluindo pequeno-almoço.
Casa da Calçada
Largo do Paço, 6, 4600-017 Amarante,
Tel. 255 410 830; reservas@casadacalcada.com; www.casadacalcada.com
Casa senhorial com 30 quartos, situada em pleno centro histórico da cidade de Amarante, junto
à ponte velha. Quarto duplo a partir de €118,50 por noite.
Centros de acolhimento
Para quem o desejar, o Parque Nacional do Alvão dispõe de uma casa-abrigo no interior do
parque, a Escola Ecológica do Alvão, com quatro quartos e 12 camas individuais, que pode ser
alugada (até mesmo para grupos) e que apresenta as condições necessárias para passar uns
dias em pleno contacto com a natureza. Para reservas contactar: Largo dos Freitas,
5000-443 Vila Real; Tel.: 259 324 138; Fax: 259 373 869; E-mail: pnal@icn.pt
Mais informações em: www.icn.pt

Onde comer
No Parque Nacional do Alvão existem vários locais onde pode matar a fome e tomar contacto
com a gastronomia regional. Antes de partir para a serra, pode parar em Amarante, no
Restaurante Zé da Calçada (Rua 31 de Janeiro, Amarante, Telefone 25 5426814; E-mail:
zedacalcada@sapo.pt) e em Mondim
de Basto (Adega 7 Condes, Rua Velha, Tel.: 255 382 342).

Onde comprar
Em visita a esta área protegida poderá adquirir algum artesanato na Romarigues Artesanato,
um centro de produção, promoção, divulgação e
comercialização de artesanato regional. Este centro produz materiais em linho, madeira e
cestaria, entre outros.

Percursos pedestres
No interior do Parque Natural do Alvão existem dois percursos pedestres que o visitante pode
efectuar, se se aconselhar previamente junto das delegações
do parque:
Galegos da Serra-Arnal
(início em Agarez, na saída para Galegos da Serra).
Extensão: 5 Km; Duração: três horas;
Grau de dificuldade: fácil
Interesse: Vista panorâmica sobre Vila Real e amplos horizontes para as serras circundantes.
Mondim de Basto/PN Alvão
(início no Centro de Interpretação)
Extensão: 50 Km; Duração: dois dias;
Grau de dificuldade: médio
Interesse: paisagem diversa com campos agrícolas, Fisgas de Ermelo, Rio Olo, artesanato.

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