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FE D E R A Ç Ã O E S P Í R I T A B R A S I L E I R A

DEUS, CRISTO

E

CARIDADE

Ano 127 • Nº 2.161 • Abril 2009

ISSN 1413 - 1749

R$ 5,00

Primórdios do Espiritismo Convulsionários: religião, fanatismo ou charlatanismo? Sono e sonhos

Expediente

Sumário
4 Editorial O Centro Espírita – Unidade Fundamental do Movimento Espírita 11 Entrevista: Oceano Vieira de Melo Uso de DVDs para a Difusão do Espiritismo 13 Presença de Chico Xavier 3o Congresso Espírita Brasileiro focalizará obra de Chico Xavier 21 Esflorando o Evangelho Hegemonia de Jesus – Emmanuel 32 A FEB e o Esperanto “Uma história do mundo espiritual” – Affonso Soares 33 Reaparece “La Evangelio la9 Spiritismo” – Affonso Soares Nova Lumo / Nova Luz – Abel Gomes 42 Seara Espírita

Fundada em 21 de janeiro de 1883 Fundador: A UGUSTO E LIAS DA S ILVA

Revista de Espiritismo Cristão Ano 127 / Abril, 2009 / N o 2.161 ISSN 1413-1749 Propriedade e orientação da FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA Diretor: NESTOR JOÃO MASOTTI Editor: ALTIVO FERREIRA Redatores: AFFONSO BORGES GALLEGO SOARES, ANTONIO CESAR PERRI DE CARVALHO, EVANDRO NOLETO BEZERRA E LAURO DE OLIVEIRA SÃO THIAGO Secretário: PAULO DE TARSO DOS REIS LYRA Gerente: ILCIO BIANCHI Gerente de Produção: GILBERTO ANDRADE Equipe de Diagramação: SARAÍ AYRES TORRES, AGADYR TORRES PEREIRA E CLAUDIO CARVALHO Equipe de Revisão: MÔNICA DOS SANTOS E WAGNA CARVALHO REFORMADOR: Registro de publicação o n 121.P.209/73 (DCDP do Departamento de Polícia Federal do Ministério da Justiça) CNPJ 33.644.857/0002-84 • I. E. 81.600.503 Direção e Redação: Av. L-2 Norte • Q. 603 • Conj. F (SGAN) 70830-030 • Brasília (DF) Tel.: (61) 2101-6150 FAX: (61) 3322-0523 Home page: http://www.febnet.org.br E-mail: feb@febnet.org.br Departamento Editorial e Gráfico: Rua Sousa Valente, 17 • 20941-040 Rio de Janeiro (RJ) • Brasil Tel.: (21) 2187-8282 • FAX: (21) 2187-8298 E-mails: redacao.reformador@febrasil.org.br feb@febrasil.org.br PARA O BRASIL Assinatura anual R$ 39,00 Número avulso R$ 5,00 PARA O EXTERIOR Assinatura anual US$ 35,00 Assinatura de Reformador: Tel.: (21) 2187-8264 • 2187-8274 E-m mail: assinaturas.reformador@febrasil.org.br Projeto gráfico da revista: JULIO MOREIRA Capa: AGADYR TORRES PEREIRA

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Primórdios do Espiritismo – Juvanir Borges de Souza Frustrações angustiantes – Vianna de Carvalho É preciso coerência – Jorge Leite de Oliveira Visitando Chico Xavier – Therezinha Radetic No paraíso já – Richard Simonetti Convulsionários: religião, fanatismo ou charlatanismo? – Christiano Torchi Jesus e Kardec – Mário Frigéri Os efeitos do álcool na sociedade e no Espírito imortal (Capa) – Roberto Carlos Fonseca Em dia com o Espiritismo – Sono e sonhos – Marta Antunes Moura Mensagem consoladora aos pais – Clara Lila Gonzalez de Araújo Aos Colaboradores População do Brasil – Em 2050 ultrapassará 250 milhões – Gerson Simões Monteiro Cristianismo Redivivo – Caminho para Deus – Haroldo Dutra Dias Retorno à Pátria Espiritual – Antonio de Souza Lucena O ícone da liberdade – Wellington Balbo Sejamos bons alunos – Mauro Paiva Fonseca

Editorial O Centro Espírita
Unidade Fundamental do Movimento Espírita

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m outubro de 1977 o Conselho Federativo Nacional (CFN) da Federação Espírita Brasileira (FEB) aprovou um dos primeiros e mais abrangentes trabalhos sobre o Centro Espírita, publicado em Reformador de dezembro do mesmo ano.

Esse trabalho, intitulado A adequação do Centro Espírita para o melhor atendimento de suas finalidades, foi elaborado pelo Movimento Espírita brasileiro, através dos Conselhos Zonais do CFN, então existentes, com a participação de dirigentes e trabalhadores espíritas de todas as partes do País, no período de abril de 1975, quando o assunto foi escolhido pelo CFN para análise nos referidos Conselhos Zonais, até outubro de 1977, quando o Conselho Federativo Nacional aprovou o texto final. Esse texto, publicado como Anexo I do opúsculo Orientação ao Centro Espírita,1 destaca: o que é ou como entender o Centro Espírita; qual a sua importância para o estudo, a difusão e a prática da Doutrina Espírita e para o atendimento às necessidades espirituais, morais e materiais do ser humano; e o que, basicamente, cabe ao Centro Espírita realizar. Como escola de ensinos morais e espirituais, como oficina de trabalho voltado ao bem do próximo, como templo de oração e como “pronto-socorro” espiritual, o Centro Espírita se destaca na condição de posto avançado na difusão do Evangelho à luz da Doutrina Espírita, tendo por referência as primeiras casas do Cristianismo nascente, que marcaram a sua ação pela prática do bem incondicional. Diante dos constantes desafios que os dirigentes e trabalhadores dos centros espíritas enfrentam na execução e na manutenção de suas nobres atividades, entendemos oportuno destacar a permanente atualidade do referido texto – assim como a versão atualizada de Orientação ao Centro Espírita, que o desdobra – como ajuda a todos os que nos encontramos nesse trabalho, visando a preservação de suas diretrizes, o apoio nas suas provas e o fortalecimento na sua ação.
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FEB – CFN – Orientação ao Centro Espírita – Ed. FEB.

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Reformador • Abril 2009

Primórdios do Espiritismo
J U VA N I R B O R G E S
DE

SOUZA
quiano”, que se inicia com O Livro dos Espíritos, em 18 de abril de 1857, e termina com A Gênese, em 6 de janeiro de 1868, a Espiritualidade superior julgou útil chamar a atenção de grande parte da população terrena para manifestações ostensivas do mundo espiritual. Essas demonstrações começaram com os fenômenos de Hydesville, nos Estados Unidos da América, em 1848, espalhando-se posteriormente pelo mundo ocidental, através das “mesas girantes”, que se tornaram uma diversão na Europa, antes dos estudos sérios, para que se pudesse entender toda aquela fenomenologia intrigante, propositalmente provocada pelo mundo espiritual. Todas as classes sociais interessaram-se por aqueles acontecimentos inexplicáveis, em que os objetos comuns pareciam ter adquirido movimentos autônomos, independentemente da intervenção humana. As experiências inusitadas com as mesas girantes tornaram-se divertimento comum na França, Alemanha, Inglaterra, Itália, Espanha e em outros países.
Abril 2009 • Reformador

A

Terceira Revelação, a Doutrina Espírita, é impessoal e tem um sentido universalista, pelas verdades e certezas que encerra. O Codificador da Doutrina, que se preparou por mais de uma encarnação a fim de se tornar a personalidade confiável para dar ao seu trabalho a segurança e o crédito que só a Verdade pode oferecer, é o primeiro a reconhecer que o Espiritismo representa, em sua essência, os ensinos dos Espíritos superiores, à frente o Espírito de Verdade, referido pelo Cristo quando prometera enviar o Consolador para relembrar seus ensinos e trazer conhecimentos novos à Humanidade. Assim, tanto Allan Kardec quanto os médiuns que serviram à intermediação para o conhecimento, pelos homens, da Doutrina Consoladora, conscientizaram-se de que foram eles os instrumentos escolhidos para servirem a uma grande missão, mas os verdadeiros autores da grande Revelação foram os

Espíritos superiores, a serviço do Cristo. A Doutrina dos Espíritos foi revelada aos homens pelas Inteligências que se manifestaram através de diversos médiuns, que se colocaram a serviço de uma grande causa, sob a orientação e supervisão de Allan Kardec. Mas, é o próprio Codificador da Doutrina que esclarece, na “Introdução” de O Livro dos Espíritos (Ed. FEB, item XVII):
[...] Não produzisse este livro outro resultado além do de mostrar o lado sério da questão e de provocar estudos neste sentido e rejubilaríamos por haver sido eleito para executar uma obra em que, aliás, nenhum mérito pessoal pretendemos ter, pois que os princípios nela exarados não são de criação nossa. O mérito que apresenta cabe todo aos Espíritos que a ditaram. [...]

Ilustração: Fonte – Allan Kardec: o educador e o codificador, Zêus Wantuil e Francisco Thiesen, v. 1, p. 259. Ed. FEB.

É interessante lembrar que, antes de se dedicar à organização e publicação das obras que constituem a base do Espiritismo, o denominado “pentateuco karde-

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Sem compreender o motivo de sua escolha para tal missão. O Livro dos Médiuns (1o/8/1861). A Gênese (6/1/1868).. Após as mesas girantes. teve o Codificador a confirmação. mas de temperamento calmo. 1 Finda a grande missão que lhe fora atribuída e integralmente cumprida. Cesare Lombroso. com suas próprias mãos. que resultaria na modificação do pensamento religioso. entre as quais se encontram as cinco que constituem a base fundamental da Doutrina Espírita: O Livro dos Espíritos (18/4/1857). como consequência natural ao fato de que a Doutrina não é estática no tempo. Percebeu ele que. Camille Flammarion. W. Ernesto Bozzano. Roustan. pelos novos conhecimentos que traria à Humanidade. Japhet. que vão sendo descobertos. v. e retificando erros milenares de concepções e de interpretações. foram fenômenos muito mais convincentes e expressivos. sempre apoiada em novos aspectos da verdade. Gabriel Delanne. José Lapponi. nas quais se podia identificar a presença e a manifestação dos Espíritos comunicantes. nos quais podemos perceber a segurança e o método do Codificador. Alfred Erny. porém. tratar-se de um Espírito [. 6 124 Reformador • Abril 2009 . cumprida integralmente com todo êxito. Albert de Rochas. escolhido pelo Alto para a difícil missão. em casa de seu amigo. filosófico e científico.Foram as mesas girantes que chamaram a atenção do professor Hippolyte Léon Denizard Rivail para os fenômenos espíritas. pouco depois substituídas pela escrita diretamente elaborada pelos médiuns. por trás daqueles fatos aparentemente inexplicáveis.] ativo e tenaz. J. O Céu e o Inferno (1o/8/1865). Freire. toda discrição e informando-o de que. entre os quais se inscrevem Léon Denis.. Ed. o que realmente aconteceu. O Evangelho segundo o Espiritismo (abril de 1864). desencarnou o missionário em 31 de março de 1869. pelo Espírito Verdade. do que já lhe havia sido informado. através da médium Srta. que trariam aos observadores estudiosos a certeza da existência de um mundo espiritual paralelo ao mundo material em que vivemos. que aceitaram o Espiritismo.  Das cinco obras escritas por Kardec. A escrita mediúnica e a palavra dos médiuns. Gustave Geley. visando sempre mostrar a verdade e a realidade dos fatos. Zêus Wantuil e Francisco Thiesen. o estudioso e preparado missionário. acima mencionadas. 273. J. Arthur Findlay e outros. Sr. surgiram manifestações escritas com um lápis que se prendia a uma cesta de vime. sem a interferência de ideias inferiores ou inexatas. ou Espiritismo.. Rochester.. FEB. a primeira delas. Toda uma vasta literatura espírita iniciou-se com os denominados clássicos. escritora inglesa que teve com ele relacionamento pessoal. mais tarde. trouxeram diversos subsídios à obra do Codificador. resultaram várias obras. Dos trabalhos coordenados e dirigidos por Allan Kardec. 2. p. mas sim evolutiva. e que constituem a fundamentação do Espiritismo. Daí para a frente Allan Kardec. Arthur Conan Doyle. recomendando-lhe. tomaria conhecimento de muitas outras coisas importantes. existia uma causa desconhecida que deveria ser investigada. Sobre a personalidade do Codificador.]1 A primeira revelação sobre a missão que lhe cabia desempenhar chegou ao professor Rivail em 30 de abril de 1856. usada na época. cético por natureza e por educação [. Allan Kardec: o educador e o codificador. no que foi sempre apoiado pela Espiritualidade superior. Paul Gibier. Muitos homens notáveis e estudiosos. escreveu Anna Blackwell. Alexander Aksakof. precavido e realista até quase à frieza. Antonio J. seria o principal instrumento dos Espíritos superiores para a formulação da Doutrina Espírita. verificados e interpretados inteligentemente.

não somente dos que reencarnam neste país – Pátria do Evangelho – mas de todos os que. [. exposta com clareza e acessível a todas as inteligências. para só citar os mais conhecidos. Mas o tempo é aliado da Verdade e dia virá em que essa minoria se transformará em maioria absoluta. sinteticamente. Yvonne do Amaral Pereira. a doutrina não é letra morta. sejamos dignos dos bons Espíritos. o Consolador prometido por Jesus. essa “couraça do bem contra o mal”. a riqueza de ensinamentos chegados através de notáveis médiuns. Para comprovação da continuidade das comunicações preciosas. O Consolador prometido continua entre os homens. Chico Xavier. não só na França. dispomos não só das obras básicas. Abril 2009 • Reformador 125 7 . publicado em 18 de abril de 1857. justas e infalíveis. para bem conhecermos o Espiritismo. aspiram e procuram a verdade e um melhor entendimento da vida. por toda parte. em todos os seus aspectos e fundamentos. sobre diferentes assuntos. são uma minoria no mundo em que vivemos. chegou a publicar 412 livros. é a base e o apoio de todas as demais. jul. basta observar-se. que ampliou o conhecimento trazido pelos Espíritos superiores. É uma síntese filosófica refletindo a realidade da vida. número que é incomum entre os maiores escritores de todos os tempos. com a abordagem de outros aspectos que eles encerram sem prejuízo do que já era conhecido. Esforcemo-nos por dar o exemplo e mostremos que.. em sua colaboração com Allan Kardec e os médiuns que com ele trabalharam. os Princípios da Doutrina Espírita.2 A vasta literatura espírita torna possível aprofundar-se o homem no conhecimento da Doutrina. através de diversas editoras. O bem é uma couraça contra a qual virão sempre quebrar-se as armas da malevolência. Os que tomaram conhecimento do Espiritismo.. já que toda sua vida foi dedicada ao bem. p. são responsáveis por inúmeros desdobramentos dos ensinos e revelações antes abordados pelos Espíritos reveladores. porque nele se encontram. entre o mundo invisível e o mundo das formas visíveis. Revista Espírita. no Brasil. que dedicaram suas vidas à grande causa da renovação espiritual. especialmente no Brasil. que desenvolvem partes específicas da obra básica. mas também da literatura clássica acima indicada. numa demonstração de como o Espiritismo pode influir sobre quem o aceita e vivencia. a vida presente e a futura. ano 2.O Livro dos Espíritos. mas em outros países da Europa e das Américas. em seu frontispício. 2 Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. para só citar o que ficou escrito pelo médium. Ed. Na atualidade. Divaldo Pereira Franco. enriquecido por novas comunicações da Espiritualidade e novos médiuns dedicados à renovação dos que o aceitarem. 274. conforme está expresso. FEB. enriquecendo assim o conhecimento de inúmeros assuntos. Desse livro originam-se os outros quatro. Essa obra correspondeu plenamente ao objetivo dos Espíritos encarregados de universalizar as verdades que os homens desconheciam e de retificar os enganos e erros que as religiões e filosofias propagaram por séculos. se quisermos que eles nos assistam. para nós.] A finalidade do Espiritismo [conforme o pensamento de Kardec] é tornar melhores os que o compreendem. dentre as quais está a lei do Progresso. Espíritos encarnados. Numa palavra. a imortalidade da alma. 1859. José Raul Teixeira. Francisco Cândido Xavier. O êxito inicial de O Livro dos Espíritos foi surpreendente. em decorrência das leis divinas. sobre a natureza dos Espíritos e seu relacionamento com os homens. pelo Codificador e por escritores e pesquisadores diversos. as leis morais e o porvir da Humanidade.

que abandonaram o politeísmo em relação aos deuses-lares e aos do Olimpo. em toda parte. ceifando vidas ou mutilando as esperanças. angustiantes alguns deles. levando-o ao triunfo contra o seu maior inimigo. os apóstolos e os mártires. porém. antes povoados pelos deuses ora em decadência. no dia 13 de junho de 313.. como gratidão aos Céus pela ajuda que recebera. que o tempo transcorreu na sua marcha inexorável. havendo desaparecido as perseguições que vitalizavam a fé nobre e pura... substituídos pelo Incomparável Mestre. trocando-os por Jesus e Sua doutrina. tornava-se uma afronta à pul- 8 126 Reformador • Abril 2009 . espalhou-se a mensagem com arroubos e festas. dando lugar ao orgulho e à prepotência que. o genial vencedor proclamou o Edito de Milão.. surgindo os cultos externos extravagantes e as festas ruidosas quão insensatas. a fim de preservarem a vida austera e a meditação. À medida. A pompa e o poder temporal tomaram o lugar da simplicidade e da abnegação. Nessa ocasião. começaram a surgir as rusgas e disputas por privilégios sociais e governamentais.. Embora a nobreza da iniciativa.Frustrações L ogo depois da retumbante vitória do imperador Constantino contra Magêncio na batalha próxima à ponte Mílvia sobre o rio Tibre. medraram os pródromos do que seria mais tarde o monacato com todos os seus tormentos. e o entusiasmo pelo amor e a caridade passou a ceder lugar à vulgaridade. tornando o Cristianismo tolerado em todo o Império. se transformariam em adaga perversa a serviço do crime e da hediondez.. semelhantes às pagãs que ressurgiam. quase à indiferença. Aceito pelas multidões sedentas de inovações. mais tarde. inspirado nos ascetas egípcios que buscavam as furnas no refúgio das montanhas ou o silêncio absoluto no deserto.. em 312. Maria Santíssima. Rapidamente os evangelizadores multiplicaram-se e a difusão da nova religião ergueu santuários faustosos..

Diferindo daqueles seres espirituais que afligiam o infeliz. esses demônios da acídia eram internos. Multiplicaram-se os lugares para a fuga aos enfrentamentos humanos. que se permitiram a estranha conduta. O mundo. de caridade e de misericórdia. constituíam um séquito semelhante a Legião. de enfrentar a multiplicidade de ideias que seleciona e desenvolve como expressão da inteligência. tornando-os mais combativos e. e. que consideravam perturbador. a existência contemplativa e ociosa. portanto. permitindo-lhes as vitórias sobre os esforços desprendidos. deveria servir de oficina enriquecedora de experiências para a aquisição das virtudes essenciais. e às suas insinuações que tinham em conta de tentações da carne. para a inutilidade. desde as ambições tormentosas. firmada numa filosofia existencial de amor e de perdão. que passam por crises existenciais em determinados períodos.critude da mensagem cristã e aos exemplos de dinamismo de Jesus e dos Seus discípulos. ensejando harmonia e plenitude. em si mesmo. Por efeito danoso. Esse fenômeno passou a ser denominado como o demônio-do-meio-dia. Sem dúvida. adaptando-as aos seus interesses inconfessáveis. a loucura e o suicídio infelicitaram aqueles Espíritos enganados. a horda que atormentava o obsesso gadareno. negando o mundo para o qual se encontravam em serviço de iluminação. a conquista do infinito e jamais para a paralisia. terminava por produzir o estado de akedía ou acídia. ou inutilidade. que os viveu e os venceu com estoicismo e valor. que se fixava em forma de evasão da realidade e reação a ela com o decorrente sentimento de animosidade contra os demais membros da comunidade no monacato onde buscavam refúgio. a multiplicação e preservação das suas forças e possibilidades. O corpo é concedido ao Espírito para a ação. que jamais cultivaram a ociosidade a pretexto de busca de elevação. O ser humano existe para fomentar e acompanhar o desenvolvimento intelecto-moral. insatisfeito por considerar que foram quase inúteis os seus dias. com a descoberta da perda de sentido psicológico. naquela ocasião. de objetivo. A monotonia mântrica e a das jaculatórias criam um estado orgânico e psicológico de apatia. aliada à astúcia de alguns teólogos inescrupulosos. de verdadeiro pecado mortal. A função da reencarnação é a de propiciar ao Espírito depurar-se das mazelas que o impedem de Abril 2009 • Reformador 127 9 . por ser de inspiração demoníaca. representando as necessidades das massas infelizes. A doutrina do Rabi galileu é uma proposta renovadora de valores. naquelas mentes vazias. depressivo. distante dos desafios propostos por Jesus. das necessidades biológicas à força submetidas. a deserção dos claustros. pela forma como se apossa do indivíduo. Como era inevitável. essa acídia. como reação decretaram que se tratava. viviam homiziados no âmago dos seres que preferiam ignorá-los. mediante cuja conduta alteram-se as sombrias paisagens morais. O século. senão conforme aqueles que o habitam e que dele fazem o que lhes é peculiar. ou marasmo. renunciando ao mundo. A ignorância medieval. nunca porém. empurrando o ser para a incompletude. que adulteraram as lições de Jesus. A akedía passou a significar-lhes esse estado melancólico. oprimidas e necessitadas. às paixões asselvajadas. Qual ocorre com todas as vidas. objetivando arrancar as almas que aspiravam ao Céu pela negação do mundo para os abismos infernais. dos conflitos psicológicos mal disfarçados. dos religiosos especialmente. A mente não pode parar de pensar. os demônios das paixões mal administradas. ao invés de perigoso campo minado pelo Tentador e seus asseclas. onde são trabalhadas as batalhas do autoaprimoramento e da iluminação interior. de distanciamento da ação. quando o indivíduo faz uma avaliação do que realizou e sente-se incompleto. por mais que se apresentasse de início atraente e bela. A nova onda sensibilizou muitos Espíritos ingênuos que desejavam ser fiéis à doutrina. não é mau nem é bom. gerando sofrimentos insuportáveis.

Mas a voz. Quando buscou o deserto. Bahia. Que. Não há. Jesus fazia E nisso estava toda a sua Ciência. jamais se permitindo a inutilidade. Em bela noite. Então compreendeu o que não via: Ninguém alcança a luz sem persistência. a presciência.. Se o mais das vezes. como conciliar a ação do Evangelho libertador com a inútil existência monacal ou a fuga para regiões distantes da comunhão com os demais seres humanos. Tão bem quanto saber. ó Deus.. Eu bem sei disso. em Salvador. a fuga da realidade e da responsabilidade.. fê-lo por um breve período preparatório para a incomparável saga da Sua entrega de amor a todas as criaturas. Jesus é sempre o exemplo em todos os Seus passos.avançar no rumo da Grande Luz. o conhecimento que decifra os enigmas existenciais e a caridade que dignifica e proporciona a paz entre todos. Pois. insistia: É preciso coerência. o interior. Essa tarefa grandiosa. passo a passo. a sós. na sessão mediúnica da noite de 9 de julho de 2008. elucida e desenvolve-a o Espiritismo. portanto. ajudando-se o ser humano a ser feliz e ajudando-se a si mesmo a encontrar a harmonia entre o ser que se apresenta e aquele que se é. implacável. tanta teoria? E ouviu de novo a voz.) 10 128 Reformador • Abril 2009 .. mas o que queria Para. no Centro Espírita Caminho da Redenção. envolvendo todos num abraço. antes do ministério. Poder lhes alertar sobre o que via.. Vianna de Carvalho (Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco. falo o que não faço? Então ouviu a voz que lhe dizia: É preciso coerência. lhe repetia: É preciso coerência. É ter. É preciso coerência Jorge Leite de Oliveira Ao contemplar a vastidão do espaço. que bem sabia Provir de sua própria consciência. conclamando o ser humano à autoiluminação e à libertação da ignorância generalizada. lapidando as arestas morais que permanecem desde o passado no seu processo de evolução. E disse ao vento com estardalhaço: De que me vale. um sábio refletia: De que me vale toda esta ciência. para orar e jejuar.. É preciso coerência. para alguém segui-lo. como Jesus. mediante o trabalho eficaz. de trabalhar-se. Serve-se a Deus. novamente.

Precisamos transmitir para as futuras gerações que fomos contemporâneos de Chico Xavier. quando disponibilizamos ambos para o grande público. em parceria com a Federação Espírita Brasileira e o Conselho Espírita Internacional. Eurípedes Barsanulfo – Educador e Médium e Divaldo Franco – Humanista e Médium Espírita . Reformador: Esses DVDs estão chegando ao meio leigo? Oceano: Nossos maiores clientes são lojas. produzir e dirigir os filmes Chico Xavier – O Grande Médium Espírita . essa produção se transforma num filme 100% espírita. o qual foi realizado por produtores que desconhecem o Espiritismo. responsável por disponibilizar o Espiritismo em DVDs. que testemunhamos sua humildade e grandiosidade como homem e como médium espírita. livrarias e sites não-espíritas. Reformador: Para o Centenário de Chico Xavier surgirão outros DVDs? Abril 2009 • Reformador 129 11 . em 2004. de “Espiritismo – De Kardec aos Dias de Hoje” e da recuperação do “Pinga-Fogo I e II”. Relata preparativos para o Centenário de Chico Xavier Reformador: Como surgiu a motivação para a divulgação do Espiritismo por DVDs? Oceano: A partir do lançamento. Algumas livrarias espíritas que divulgam o Espiritismo por meio digital também são nossos clientes.Entrevista O C E A N O V I E I R A DE M E LO Uso de DVDs para a Difusão do Espiritismo Oceano Vieira de Melo é pesquisador e documentarista espírita. filme que confirma caso verídico de reencarnação por pessoa não-espírita. tais como “Saulo Gomes entrevista Chico Xavier” e “Pinga-Fogo”. Reformador: Qual sua avaliação dos DVDs recentes. que lançou. Reformador: Há alguns registros marcantes de DVDs espíritas que fizeram sucesso? Oceano: O DVD duplo com os históricos programas “Pinga-Fogo I e II” e o de Minha vida na outra vida. sobre Chico Xavier? Oceano: Envolvo-me emocionalmente como espírita e como pesquisador. Ao acrescentarmos extras espíritas.

de Pedro Leopoldo.) 12 130 Reformador • Abril 2009 . pelo Sr. Amenizando a dor. Pereira. Teu mandato nos prova que há verdade em tuas mãos. tão plenas de clemência. que a vida além da morte é claridade brilhando na sublime quintessência. em Campos. através da psicofonia de Chico Xavier. pertencentes ao Espiritismo e à Humanidade. a desventura que o mundo sofre sem poder contê-las tu brilharás. Visitando Chico Xavier Therezinha Radetic Vim me banhar no eflúvio de bondade que no teu coração se faz essência. Batuíra. no Estado do Rio de Janeiro. Beijo-te a face quase como um sonho! Neste pequeno verso que componho deixo-te o coração. Humberto de Campos/Irmão X e Yvonne A. junto com a FEB estamos produzindo um documentário sobre o Centenário de Chico Xavier. Reformador: Qual a sua mensagem para os leitores de Reformador ? Oceano: Que leiam e estudem mais as obras da Codificação Espírita e as de Emmanuel. Também estamos restaurando as gravações em áudio que deram origem aos livros Instruções Psicofônicas e Vozes do Grande Além. André Luiz. fundado por Chico Xavier e seu irmão José. em 1954 e 1955. realizadas em Pedro Leopoldo. quero aprender contigo a caridade que espalhas a mãos cheias na existência. Cairbar Schutel. entre as estrelas! (Este soneto foi escrito quando de uma visita nossa ao querido médium. fundada por Clóvis Tavares. Até abril de 2010. e a Escola Jesus Cristo. Reformador: Que sugestões tem para o melhor aproveitamento dos DVDs espíritas nos centros espíritas? Oceano: Recomendamos que eles sejam exibidos como documentos educativos e históricos. minha ternura.Arnaldo Rocha. teremos também um filme sobre o Centro Espírita Luiz Gonzaga.Oceano: Sim. um dia. Dias da Cruz e outros Espíritos. Será um DVD com vídeo e um CD com áudio de 35 mensagens com duração de cerca de cinco horas. Iremos ouvir as vozes de Emmanuel. André Luiz.

Compreensão da Justiça Divina – Consolo e esperança. Orientações para a infância e para a juventude nas obras psicográficas de Chico Xavier. Amor – Fonte de vida. para lançamento no 3o Congresso Espírita Brasileiro. Contribuição das obras de Chico Xavier para a Doutrina e para o Movimento Espírita. Apresentação de números artísticos com base na obra psicográfica de Chico Xavier. e) Destacar nas edições de Reformador. O programa desse Congresso estará subordinado aos seguintes objetivos: dar foco nas obras de Chico Xavier. Missão do Brasil na ótica de livro de Humberto de Campos. Abril 2009 • Reformador o 131 13 . em Brasília. nas dependências do Centro de Convenções Dr.Presença de Chico Xavier 3 Congresso Espírita Brasileiro focalizará obra de Chico Xavier O Conselho Federativo Nacional da FEB aprovou. destacar o exemplo de vida de Chico Xavier. consequentemente. as obras psicográficas de Chico Xavier e lançar uma Edição Especial desta revista em abril de 2010. Terá como tema central: “Chico Xavier: Mediunidade e Caridade com Jesus e Kardec”. André Luiz e o Mundo Espiritual. Ulysses Guimarães. conforme decisão da Reunião do CFN de novembro de 2007. respeitar o direito à privacidade pessoal e espiritual de Chico Xavier. destacar as obras de Emmanuel e de André Luiz. Atualidade da obra psicográfica de Chico Xavier – Antecipação de informações científicas. em Brasília. Momento Lírico com Base em Parnaso de Além-Túmulo. d) Providenciar o lançamento de Selo Personalizado comemorativo. Contribuições às provas da imortalidade da alma. em Reunião ocorrida em novembro de 2008. Chico Xavier e o trabalho de unificação. f) Elaborar e disponibilizar às Entidades Federativas Estaduais um encarte sobre o Centenário de Chico Xavier para eventual circulação na imprensa espírita e leiga na 1a semana de abril de 2010. para lançamento no 3o Congresso Espírita Brasileiro. Proposta educacional nas obras psicográficas de Chico Xavier. b) Providenciar uma edição especial comemorativa da primeira obra psicográfica de Chico Xavier – Parnaso de Além-Túmulo –. Coerência entre as obras da Codificação e de Chico Xavier. destacar a influência da obra psicográfica de Chico Xavier no Movimento Espírita Brasileiro e no Mundo. O CFN também já aprovou um rol de temas para o programa do Congresso: Chico Xavier – Mediunidade e Caridade com Jesus e Kardec. O evento está previsto para os dias 16. Como ações deste Projeto estão previstos eventos e promoções: a) Realizar o 3o Congresso Espírita Brasileiro. que inclui a realização do 3 o Congresso Espírita Brasileiro em 2010 O “Projeto Centenário de Chico Xavier” abrange várias ações e tem por objetivo enfatizar a obra de Chico Xavier e contribuir com a preservação de sua memória. Coerência entre a vida e a obra de Chico Xavier. o “Projeto Centenário de Chico Xavier”. A interpretação do Evangelho nas obras de Emmanuel. para lançamento no 3o Congresso Espírita Brasileiro. c) Preparar a elaboração de DVD e de livro que sintetizem as obras e as ações de Chico Xavier. destacando o Centenário de Nascimento de Chico Xavier. Os preparativos para a realização do 3o Congresso Espírita Brasileiro já se encontram em andamento. O Livro Espírita – Orientação para uma Nova Era. A vida moral nas obras de Emmanuel. As cartas familiares. 17 e 18 de abril de 2010. durante o ano de 2010. da Doutrina Espírita. g) Estimular a realização pelas Entidades Federativas Estaduais de eventos regionais e estaduais para ampliar a divulgação da obra de Chico Xavier e. Bezerra de Menezes.

– Por favor. por favor. Pela manhã. Estou com pressa! Mal dera alguns passos e logo a consciência cobrou o cumprimento de sua resolução na véspera: O que gostaria que fizessem por ele se tentasse falar com alguém? Voltou e dispôs-se a ouvir o homem que o abordara. a sós no escritório. Onofre lia O Evangelho segundo o Espiritismo.. – Perdoe incomodá-lo. A Terra seria promovida a paraíso. a tal respeito.. O pobre homem. Joana conteve o impulso de colocar a mão em sua testa. – Acompanhe-me. em lágrimas.  Interrompendo a leitura. dizendo que a amava e desejando-lhe um sono tranquilo. Bem. meu bem. que tomar para padrão. Não estava habituada à colaboração do marido nos contratempos do cotidiano. margarina. Tenho quatro filhos pequenos. em sua casa. ante a súbita afetividade do marido. aquilo que para nós desejamos. do que devemos fazer aos outros. No capítulo XI. senhor… Cortou a conversa. item 4. mas minha situação é desesperadora! Estou desempregado há um ano. querida. Irei à padaria buscar os pães. coletivamente os homens estavam longe dessa meta maravilhosa. expressão sofrida. Ganhando a rua. Onofre foi abordado por um homem de aparência humilde. queijo e alguns litros de leite. porque resume todos os deveres do homem para com o próximo. é a expressão mais completa da caridade. beijou. Ele se adiantou: – Pode deixar. Não podemos encontrar guia mais seguro. Onofre? – Não. Decidiu enfrentar o desafio de amar o próximo como a si mesmo e fazer por ele o que gostaria de receber. bem sei! Nunca aconteceu comigo. A Maria está atrasada. na sala de refeições. – Sinto muito. Joana avisou: – Espere um pouco. Eu vou rapidinho. É vergonhoso. a esposa já acomodada no leito. O que teria aprontado o marido? Aquela manifestação inusitada de carinho estava cheirando a dor de consciência… – Há algo que você queira dizer-me. Na padaria. a esposa está doente e não há o que comer em casa… Com a sensibilidade dos que se compadecem e a lucidez dos que sintonizam com bons Espíritos. No quarto. Onofre convenceu-se de que ele estava falando a verdade. a ver se estava com febre. Joana endereçou-lhe um olhar desconfiado. apenas exprimi meu desejo de que você sonhe com os anjos. providenciou para ele pães.No paraíso já RICHARD SIMONETTI P ouco antes de se deitar. querida. Querida! – espantou-se a esposa. deteve-se em oportunos comentários de Allan Kardec: “Amar o próximo como a si mesmo: fazer pelos outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós”. carinhoso. Onofre pôs-se a imaginar como a Humanidade seria feliz se a Lei de Amor fosse plenamente cumprida. mas nada o impediria de atingi-la no plano individual. Não obstante. agradeceu: – Deus lhe pague! O senhor salvou-me a vida! As pessoas me tra- 14 132 Reformador • Abril 2009 . aconchegou-se a ele e dormiu feliz.

ouviu o noticiário. Onofre preocupou-se com aquela menção ao suicídio. Está desempregado. Há gente boa neste mundo. – Se é assim… – começou Onofre. Conhecedor do assunto. que injetara solidariedade em suas veias!  Reflexo rápido. Uma multidão cercava a residência do assassino! Falava-se em linchamento! Ele deveria pagar com a vida por sua crueldade! E seria bem merecido! – concordou Onofre. A mãe. O Mestre situava aqueles que se comprometem com o mal como Tão logo entrou em sua empresa. A frase ficou em suspenso. sem governo sobre suas ações? E se estivesse sob grave influência obsessiva? Em qualquer dessas situações. reticente: – Se é assim… – Podemos dispensá-la? –…vamos conversar com ela. Repetiu. Reconhecia que seus problemas estavam afetando a atividade profissional e pedia um pouco de Abril 2009 • Reformador 133 15 . perturbando-o? Talvez um familiar gravemente enfermo… De qualquer forma. Joana estranhou sua demora. veio a lembrança: “Amar o próximo como a si mesmo: fazer pelos outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós”. doentes que precisam de tratamento. – Pelo amor de Deus. Onofre brecou incontinenti. família numerosa… sua situação é desesperadora. Modificando a reação inicial. O subordinado espantou-se. O marido a abandonara com dois filhos. ante a lembrança de que era preciso colocar-se no lugar do outro. ela entrava na sala. viúva. De retorno ao lar. já o orientei e lhe dei o endereço do Centro. como exemplificara Jesus. Joana ficou a cismar: Decididamente. com meia dúzia de palavrões e o impertinente vá para o diabo que o carregue!. era um irmão comprometido naquele momento com a agressividade. Melhor orar do que amaldiçoar. No entanto. Parecia outra pessoa… Certamente algum bicho o mordera.  No trânsito. Em lágrimas. não de execração. Levei-o até a padaria e lhe entreguei provisões. – É que encontrei um infeliz a pedir auxílio. considerou sabiamente. o chefe da contabilidade veio solicitar-lhe a demissão de uma secretária. E se o motorista imprudente estivesse com grave problema a esquentar seus miolos. chefe? Já lhe disse que é caso para demissão! – É funcionária antiga. a história de colocar-se no lugar do outro. o marido estava mudado. Ligando o rádio. enquanto o autor da proeza o agredia com xingamentos. neutralizando o impulso agressivo. prometendo que ali teria o apoio de que carecia. Argumentou que ela já fora boa funcionária. seria digno de piedade.tam como se eu fosse um bandido.  A recomendação de Jesus refrescou-lhe o cérebro. Vamos ver o que está acontecendo. E se o criminoso fosse um alienado. um motorista imprudente cortou-lhe a frente. Pouco depois. O pior é que andou pensando em suicídio… Incrível como a gente não tem ideia do que se passa na cabeça das pessoas! – Conversou com ele? – Sim. necessitava de seus cuidados. como se o erro fosse dele. Sumira no mundo. Antes que o fizesse. o fez pensar. Em breves momentos. Sentiu o sangue subir à cabeça e teve ganas de retrucar no mesmo diapasão. – Conversar para quê. Ando desesperado! Cheguei a pensar em me matar! Agora sinto que nem tudo está perdido. concordando com o subordinado. Abençoado bicho. jamais permita que essa ideia malfazeja o envolva! É saltar da frigideira para o fogo… Passou-lhe algumas informações sobre as consequências funestas do suicídio e lhe deu o endereço do Centro Espírita que frequentava. explicou que atravessava um momento muito difícil. paciente terminal. mas andava displicente e faltando muito. Crime tenebroso mobilizava a opinião popular. Onofre partia. orou pela vítima e pelo algoz.

mas porque ele resolvera o problema maior – sua inadequação aos valores do Evangelho. que pretendem sejam originais e decisivas para ensinar as pessoas a serem felizes. a cura de nossos males. com uma única lição. buscando traçar caminhos para a cura de transtornos da emoção e do pensamento. Ligou o rádio.. nosso herói dirigia o automóvel. Toneladas de tinta são usadas para a publicação de incontáveis manuais de autoajuda. de retorno ao lar. Ah! se todos fossem iguais a Jesus. que costumava irritar-se naquela situação.  Vai tua vida Teu caminho é de paz e amor A tua vida é uma linda canção [de amor Abre os teus braços e canta A última esperança A esperança divina de amar em [paz Se todos fossem iguais a você Que maravilha viver… Após o expediente. 16 134 Reformador • Abril 2009 . As escolas psicológicas devassam a personalidade humana. emocionado. Reconheceu que tivera um dia maravilhoso. Compadecido.  Onofre enxugou os olhos. O emprego lhe era indispensável. ajudando-a em suas dificuldades. em complicadas lucubrações. O trânsito estava terrível. em poucas palavras. Alguém cantava a música famosa de Tom Jobim e Vinícius de Morais: que ensinou e exemplificou – cuidar do próximo. extremamente moroso. indica-nos o caminho para o equilíbrio. que longe dele estamos.paciência aos seus superiores.. que infelicitam os pacientes. em que os autores traçam extensas orientações. mas iguais na vivência do amor maior Uma característica do Espírito superior é a sua capacidade de síntese e a clareza de suas ideias. surpreendentemente sentia-se calmo. com a promessa de que teria toda a assistência da empresa. não pela ausência de problemas. Onofre providenciou para que ela entrasse em férias. Lembrou os últimos acontecimentos. A psiquiatria prescreve fortes medicamentos. No entanto. Jesus... a conquista da felicidade: simplesmente fazer ao semelhante todo o bem que desejaríamos receber dele. que interferem na química cerebral para neutralizar disfunções que produzem desequilíbrios e perturbações. Onofre. não na grandeza espiritual.

Edemilton Cabral de. quis nomeá-lo cura dessa paróquia. aos 37 anos.. mas sobreveio um obstáculo imprevisto. morto em 1727. cujo túmulo era visitado por peregrinos que ali eram tomados por convulsões. confinou-se numa casa do subúrbio de São Marcelo. Na Revista Espírita. ano 2. morreu nesse asilo. 21(305)-23(307). daremos ênfase a outros aspectos singulares despertados por essa mesma questão. O abade Pâris consagrou-se inteiramente ao retiro. cit.. Depois de ter experimentado diversos eremitérios. Preferiu. famoso diácono de Paris. out. Rio de Janeiro: FEB. p. Após 2 SOUZA. 455-457.cit. daí o nome “convulsionários”. 1. na França. Os jansenistas eram adeptos da doutrina religiosa sobre a graça. Aos mais curiosos. Op.. Os convulsionários de Saint-Médard. muito difundida no seio do catolicismo.2 de outubro de 1985. no presente trabalho. 2005. abraçar a carreira eclesiástica. no entanto. 3 a morte do pai.3 Kardec reproduz um fato que se tornou símbolo do jansenismo. era o filho mais velho de um conselheiro do Parlamento. 3. encarregando-se da direção dos clérigos e fazendo-lhes conferências. Fazia meias para os pobres.. O Cardeal de Noailles. a quem naturalmente devia suceder no cargo. recomendamos a leitura do excelente artigo sob o título “Os convulsio1 nários e sua história”. isso porque. nov. a cuja causa estava ligado.879. o qual auxilia a compreender melhor a origem dos convulsionários: Notícia – François Pâris. às práticas mais rigorosas da penitência e ao trabalho manual. Eclesiástico abaixo dos sacerdotes. Lá se entregou sem reserva à prece. é preciso conhecer um pouco da história do diácono1 jansenista François Pâris. ed. deixou os bens para o irmão e. durante algum tempo. Allan. KARDEC. entre os séculos XVII e XVIII. 1985. Op. Para entendê-lo melhor. fanatismo ou charlatanismo? C H R I S T I A N O TO RC H I N as questões 481 a 483 de O Livro dos Espíritos. Kardec tratou de um tema pouco estudado entre os espíritas: “os convulsionários”. n. que considerava como seus irmãos. [. publicado na revista Reformador. seguidores do bispo e teólogo católico holandês Cornélio Jansênio (1585-1638). que tem por função ajudar o celebrante no altar.] Tendo seu irmão mandado erigir-lhe um túmulo no pequeno cemitério de Saint-Médard. ensinou catecismo na paróquia de São Cosme. o livre-arbítrio e a predestinação. p. os Abril 2009 • Reformador 135 17 .Convulsionários: religião. 1859.

que se apresentou em Paris. A cura dos doentes se operava pelo simples toque da pedra tumular ou pela poeira que encontravam à sua volta e que tomavam com alguma bebida ou aplicavam sobre as úlceras.. por efeito do magnetismo. determinando o fechamento do cemitério no dia 27 de janeiro de 1732. tornando-se mais ligadas a uma seita capaz de produzir tais maravilhas. Kardec menciona. a tudo suportavam sem sentir qualquer dor. seita religiosa espalhada na África.] A insensibilidade física produzida pelo êxtase deu lugar a cenas atrozes. no passado. em que os adeptos. e depois na sala da arena atlética da rua Le Peletier. 37-43. um desdobramento extraordinário da inteligência: os mais ignorantes entre eles improvisaram discursos sobre a graça. mencionado no mesmo número da Revista Espírita. 2006. 1868. também. Rio de Janeiro: FEB. cujo articulista testemunhou. Houve curas que pareceram maravilhosas e convulsões que foram consideradas perigosas e ridículas.5 Entre os fenômenos estranhos apresentados pelos Convulsionários de Saint-Médard citam-se: a faculdade de resistir a golpes tão terríveis que os corpos deveriam ficar triturados. Como eram Espíritos de pouca elevação aqueles que concorriam para tais fatos. em Paris. favoreciam o contágio coletivo no seio dos que eram simpáticos a tais ideias. que degeneravam em crueldades e indecência. Há diferentes histórias desse diácono. Graças à 6 KARDEC. o fim 4 do mundo etc. Mas algumas pessoas julgaram ver o dedo de Deus. os males da igreja.. um artigo publicado em Monde Illustré. são registrados vários casos. diversos eventos. E estas vítimas [. isto é. as pessoas que se entregavam a certos tipos de práticas. a faculdade de ler o pensamento. jan. na Argélia. sobre os árabes da tribo dos Aïssaouas.pobres socorridos pelo piedoso diácono. de 30/9/1867).. Bastante numerosas. de 19/10/1867. que registraram os fatos sem saber a que os atribuir. p. 18 . ed. Na opinião de muita gente. o túmulo do diácono Pâris foi o túmulo do jansenismo. invigilantes e permissivas. apresentavam dores no mesmo local daqueles que os consultavam. Além dos convulsionários de Saint-Médard. da exaltação religiosa ou do pensamento. Em outro relato jornalístico (Petit Journal. designadas entre os Convulsionários pelo nome de grande socorro. alguns ricos que ele havia edificado e algumas mulheres que tinha instruído para lá se dirigiam. Os convulsionários davam-se a histerias. [. a fim de fazer preces. entre eles os dos engolidores de brasas acesas. Op.. Os aïssaouas. a de falar línguas ignoradas ou esquecidas. (Grifo nosso. muitas das quais são homens de ciência. convulsionários era o nome pelo qual eram conhecidas. 2. A loucura chegou a ponto de realmente crucificarem vítimas infelizes.. fenômenos esses produzidos pelos integrantes da “companhia Aïssoua” (corpo de balé muçulmano). Taumaturgo: pessoa a quem se atribui a autoria de milagres. no fundo incrédulos.) Representante da administração do Cemitério de Saint-Médard. entre eles a faculdade de ler pensamentos e a insensibilidade à dor. em meio aos quais eclodiam. de 29/7/1867. estas curas foram atestadas por milhares de testemunhas. espetáculo que também recebeu a cobertura do Moniteur. Allan. postos em contato com os doentes. A autoridade4 viu-se enfim obrigada a fazer cessar esse espetáculo.. certos fenômenos. cit. Então os mesmos entusiastas foram provocar suas convulsões em casas particulares. que se encontravam na mesma sintonia. chegando muitos deles a se autoflagelarem em espetáculos públicos. na Revista Espírita6 de janeiro de 1868.] solicitavam as terríveis torturas. ano 11. no teatro do Campo de Marte. as pessoas que a eles se entregavam. do qual talvez jamais teriam falado se não o houvessem querido transformar num taumaturgo. 136 Reformador • Abril 2009 5 Enfim. a fazer-lhes sofrer todos os detalhes da Paixão do Cristo. submetidos às mais cruéis mortificações corporais. os dos comedores de vidro e de serpentes.

que podem gerar lamentáveis desvirtuamentos. antes de tudo. os coadjuvantes desses fenômenos ficaram conhecidos como os “convulsionários da rua Le Peletier”. sem exame. mas nem por isso devemos tachar todos os fenômenos de fraudulentos pelo simples fato de que alguém abusou das coisas mais respeitáveis. em 1978. O charlatanismo sempre existiu. Quando o homem se conduz com fanatismo e com fins escusos ou fúteis. como também em todos os segmentos da sociedade. sem dúvida. e. é algo deplorável e leva as pessoas. muitas vezes. os piores propagadores.enorme repercussão. e recomenda. De triste lembrança é o episódio ocorrido na Guiana. À parte toda a questão da boa-fé. observa com frieza e calma. como em todas as coisas. cerca de 900 pessoas suicidaram-se. é a maior garantia contra o charlatanismo. evita ser vítima de ilusões e mistificações. quando. inclusive nos meios científicos. são. Kardec lembra que o desinteresse absoluto. o observador novato deve. a assumirem comportamento mórbido. porque a facilidade com que. Em busca de solução mágica dos problemas. atrai a presença de Espíritos inferiores. abrindo brechas ao charlatanismo. estarrecendo o mundo. em geral. na vã crença de que as leis divinas podem ser revogadas ao seu bel-capricho. desperta desconfiança. não só nas religiões. encontram-se entusiastas e exaltados. circunstância que contribui muito para fomentar desequilíbrios. Abril 2009 • Reformador 137 19 . induzidas por um fanático. inclusive no esporte e na política. por meio de engodos e mentiras. na prática do bem. aos espíritas: 92. enfático. Ressalvando a questão cultural e outras motivações aqui não abordadas. aceitam tudo. O espírita esclarecido repele esse entusiasmo cego. relativamente a esses costumes. O fanatismo existe em todas as religiões e até fora delas. Entre os adeptos do Espiritismo. assim. creio não haver exagero algum em classificar estas e outras condutas extremistas no rol do fanatismo que. muitos indivíduos sujeitam-se a ser enganados. que consiste na exploração da credulidade pública.

como.atender à gravidade do caráter daqueles a quem se dirige. – Kardec esperta a Razão. a nota de Kardec à questão 483 de O livro dos espíritos. P. especificamente.8 Muitos cristãos. para quem se importa Em abrir da mente o leque – Jesus Cristo é a Porta. Mário Frigéri Vencendo a adversidade. Trazendo conceito novo – Jesus consola os aflitos. Pelo Espírito Emmanuel. Ambos agem com proveito – O Cristo. p. psicografada por Francisco Cândido Xavier. Fonte de consulta: Página “O Mestre e o Apóstolo”. cap. mostrando-os como fatos regidos por leis natuXAVIER. – A Chave é Allan Kardec. Ed. levados ao KARDEC. sem convenção. Cap. 2. à Caridade. Francisco C. In: Opinião espírita. em Reencarnação. ed. do bom senso e do equilíbrio. 4. 8 7 martírio.” – JESUS. – Kardec.10 A fé cega cada vez mais vem cedendo espaço à fé raciocinada. que oferece ensanchas de cultivarmos os bons sentimentos por meio do estudo. Há dois mil anos. O que é o espiritismo. especial. 2007. ed. Ao semear as virtudes Do Reino Espiritual – Jesus reclama atitudes. ed. de Emmanuel. Por fim. FEB. 9 rais. 320. 10 Ver. eles permitem tirar conclusões interessantes sobre a independência entre o espírito e a matéria. suportaram heroicamente as torturas físicas e psicológicas. Jesus e Kardec “Eu vos enviarei o Consolador e ele vos conduzirá a toda a Verdade. item Charlatanismo. Allan. que nos preservam da exposição ao ridículo e dos extremismos que nos alheiam da realidade. Kardec sofre o combate Dos que rastejam na treva. No campo sério de estudo Da obra codificada – Kardec e Jesus são tudo À compreensão almejada. 2008. Revelando o vir-a-ser Que rege a humana ascensão – Jesus fala em Renascer. nos casos da insensibilidade à dor. Rio de Janeiro: FEB. Allan. 14. CEC. 2008. – Kardec esclarece o povo. 9. 55. Na área da Educação. Entre dramas e conflitos. A gênese. E sob o áureo fulgor Que desce da Eternidade – Jesus convida ao Amor E Kardec. Jesus foi – de prélio em prélio E de cidade em cidade – Pregando em fuga o Evangelho. ed. muitas vezes desconhecidas das ciências ordinárias. Desde o primeiro rebate Contra a missão que se eleva. 52. aprumo mental. 5. Rio de Janeiro: FEB. “porque o brando anestésico das potências divinas lhes balsamizou o coração dorido e dilacerado no tormentoso momento”. 2. item 29.9 O Espiritismo oferece explicações racionais que retiram de tais eventos a crença no maravilhoso e no milagre. 20 138 Reformador • Abril 2009 . 2. KARDEC. do discernimento e da prática do bem. por exemplo. reimp. – Kardec. – Kardec. Cap. 23.7 Apesar dos aspectos bizarros dos fenômenos relatados. Levando a todo momento Reconforto à multidão – Jesus vibra o Sentimento. Rio de Janeiro: FEB. p. sem preconceito. nos circos romanos.

é diversa. lançados ao movimento da evolução terrestre. Abril 2009 • Reformador 139 21 . A localização histórica de Jesus recorda a presença pessoal do Senhor da Vinha. o Tutor Amoroso e Sábio. o Cristo já era o luminoso centro das realizações humanas. Os filósofos e amigos ilustres da Humanidade falaram às criaturas. todavia. revelando em si uma luz refratada. De sua misericórdia partiram os missionários da luz que. Em sua Presença Divina temos a fonte da verdade positiva. ed. 133. veio abrir caminhos novos e estabelecer a luta salvadora para que os homens reconheçam a condição de eternidade que lhes é própria. como a do satélite que ilumina as noites terrenas. 1. em verdade vos digo que.) impossível localizar o Cristo na História. Fonte: XAVIER. cumpriram. Cap. ou precedendo os grandes vultos da sabedoria e do amor na História mundial. verdade e vida 28. A vinda do Cristo. Caminho. antecedendo as eternas edificações do Evangelho. 2008. A divina revelação de que foi Emissário Excelso e o harmonioso conjun- to de seus exemplos e ensinos falam mais alto que a mensagem instável dos mais elevados filósofos que visitaram o mundo.” (JOÃO. Antes de Abraão. porém. nunca se furtam à mescla de sombras. a tarefa redentora que lhes competia entre as criaturas. os apelos desses embaixadores dignos e esclarecidos são formosos e edificantes. reimp. 8:58. antes que Abraão existisse. mais ou menos bem. à maneira de qualquer personalidade humana.Esf lorando o Evangelho Pelo Espírito Emmanuel Hegemonia de Jesus É “Disse-lhes Jesus: Em verdade. Rio de Janeiro: FEB. o sol que resplandece. O Enviado de Deus. eu sou. Francisco C.

torna-se loquaz. no Egito. o álcool serve de símbolo para muitas religiões. Com a Revolução Industrial. gerando inúmeros malefícios ao corpo humano. Efeitos no cérebro Acreditar que o álcool é somente um estimulante é um gran- de engano. de forma diferenciada. do árabe al-kuhl (essência) é uma das drogas mais antigas da Humanidade. demonstrando que o seu consumo é ancestral. No início. Inicialmente se acreditava que teria surgido em 6000 a. via de regra. pois acreditava-se que elas facilitavam o contato com os deuses. descontrole emocional e agressividade. Se era quieto.Capa Os efeitos do álcool na sociedade e no Espírito imortal R O B E RTO C A R LO S F O N S E C A 1. foram desenvolvidas bebidas destiladas como o uísque (usquebaugh – água da vida). O alcoolismo decorre do uso prolongado. modificando sobremaneira seu comportamento social. perde seu senso moral. podem ocorrer falta de coordenação motora. aumentando o número de dependentes em álcool. passa a se soltar. descontrole dos reflexos. geralmente entre 20 e 25 anos. o hábito de consumir a bebida já está relacionado ao ritmo de vida do indivíduo. pesquisadores descobriram vestígios de uva apodrecida em locais habitados por homens pré-históricos. Acompanhando a Revolução Industrial. a qual tinha em torno de 5% de teor alcoólico. Ainda hoje.. Seus efeitos podem ser observados em três fases: Na primeira. num primeiro momento. Se tinha comportamento tímido. desinibe o indivíduo. Isto 22 140 Reformador • Abril 2009 . seus medos e inibições. Ele. onde foram encontradas ruínas de uma fábrica de cerveja. mas sua principal característica é provocar a depressão. 2. Nesta fase. recentemente. sendo muito difícil convencê-lo a parar de ingeri-la. ao agir diretamente no lobo frontal do cérebro.C. Introdução O álcool. Outro sentido para o uso de alcoólicos era a sua utilização tanto como dissipador de preocupações e dor quanto como elemento abortivo. principalmente em relação ao sexo oposto. passando a se comportar conforme pendores íntimos que estavam reprimidos por medo das Leis do Estado e pelos costumes vigentes no grupo social em que se relaciona. a utilização de bebidas alcoólicas pelas sociedades estava muito ligada à prática religiosa. as bebidas fermentadas também passaram a conter um grau etílico maior. o indivíduo. Na segunda. as quais possuem um teor extremamente alto. Porém. de substâncias alcoólicas.

sono. mal-estar geral. alucinações e convulsões. Este sentimento de fracasso é agente impulsionador do comportamento suicida. quando o consumo é interrompido. seduz. insônia. tem sua capacidade mental reduzida. possui inúmeras doenças atreladas ao seu uso abusivo. Inicialmente. como se fosse impossível conversar. o homem não se dá conta de que o álcool é um dos maiores males que existem na face da Terra. trai. sem estar com um copo na mão. tomar decisões na vida particular ou em sociedade. caracterizada pelo consumo compulsivo de álcool. tornando-o uma droga acessível a qualquer grupo social. aceleração cardíaca. coma etc. O álcool e a sociedade Impulsionado pelos costumes sociais. e normalmente extravasa suas angústias por meio de lágrimas. que fazem uso de alcoólicos. e está entranhado em quase todas as ocasiões em que um grupo humano se reúne. com progressiva tolerância à intoxicação produzida pela droga e desenvolvimento de sintomas de abstinência. Muitos pais de família. sendo tratado como um ser de personalidade fraca. aos poucos. A terceira é caracterizada pela depressão. Esta fase é mais perigosa. ao retornarem à realidade. do salário. percebem que não conseguiram ficar sem a bebida. Num estado mais avançado. É agente impulsionador da violência. cau- sando confusão mental. Recuperação e Prevenção de Dependentes Químicos 3. dores de cabeça. Mas. A dependência Denomina-se alcoolismo a dependência à bebida alcoólica. O indivíduo. trocar ideias. com o avanço da Ciência e dos tratamentos. pela tradição das festas e comemorações múltiplas. sob risco de retornar todo o prazer em sorver os alcoólicos. a fim de que jamais ocorra novamente o consumo. chegou-se à conclusão de que o alcoolismo é uma doença. Fonte: Palestra realizada pela Fundação Universidade Federal do Rio Grande – Centro Regional de Estudos. ao retornarem ao lar acabam por extravasar seus pendores de violência na esposa e nos filhos. o que existe é um tratamento ininterrupto. visualizada geralmente quando ocorrem atos de violência após o consumo de bebidas alcoólicas. Ocorrem também problemas digestivos como: vômitos. náuseas e vômitos. Os sintomas mais comuns no caso de uma crise de abstinência são sudorese. o alcoolista era discriminado. condição em que o indivíduo reclama de tudo e de todos. 4. diarreias. e às políticas de governo pouco Abril 2009 • Reformador 141 23 . colocando a perder todo o tratamento já realizado. principalmente em alcoolistas que.Capa explica a mudança brusca de comportamento. Aliado ao baixo custo de produção. pela perda dos neurônios. O alcoolismo gera deterioração psicológica e física. ela se caracteriza como delirium tremens. da vida. rouba. Para esta doença não há cura. torna-se impontual e tem a concentração nas atividades corriqueiras limitada. que faz de tudo para ter satisfeita a sua vontade de beber: mente. pois a depressão alcoólica pode levar ao suicídio. descuida-se da sua apresentação. potencialmente forte e destruidora do caráter do indivíduo.

1985. instrumento de trabalho da alma reencarnada. 8. Enfatiza que a viciação alcoólica inicia-se pelo aperitivo inocente. As lesões do corpo físico refletem-se no corpo espiritual. p.Capa eficazes no combate ao seu consumo indiscriminado. sendo aceito como hábito social. O perispírito imprime as lesões nas futuras organizações fisiológicas. de carreiras e da sociedade. 9. Alerta também que a desencarnação se dá através do suicídio indireto. Na fase da dependência. devolve à terra após o desenlace. amigos e especialistas. FRANCO. Salvador (BA): LEAL. ele se torna um verdadeiro destruidor de vidas. A maior dificuldade de se combater o uso abusivo de alcoólicos está em ser o álcool uma droga socialmente aceita. O álcool e o Espírito imortal Joanna de Ângelis nos alerta que o uso de alcoólicos reflete o declínio dos valores espirituais da sociedade.1 Os efeitos do consumo desta substância transcendem os umbrais da morte. Viciação alcoólica. a morte. vão além dos danos causados ao corpo físico. que se refletirão na próxima encarnação. Da análise do texto de Manoel P. Nem todo bebedor social vai ser um bebedor dependente. 24 142 Reformador • Abril 2009 . Divaldo P. graças à sobrecarga destrutiva que o dependente de álcool depõe sobre o corpo físico. A maioria das pessoas tem o seu primeiro contato com o álcool dentro do próprio lar. Considerações Se o indivíduo bebe uma vez por semana. é um bebedor excessivo. Insensibilidade ao tratamento espiritual. 3. ed. impõe-se aos poucos como necessidade e converte-se em dominação absoluta pela dependência. 5. 6. psicografia de Divaldo P. repete-se através do hábito social. 6. se de três a quatro vezes. Após a tempestade. Cap. mas se bebe todos os dias. Introduz impurezas amortecendo as vibrações. porém todo dependente. 49. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. A dependência prossegue depois da morte. 2. ele dificilmente sairá sem ajuda. podemos concluir que a intoxicação alcoólica traz os seguintes prejuízos a quem dela se torna dependente: 1. de Miranda no livro Nas Fronteiras da Loucura. 4. já foi bebedor social. é considerado bebedor dependente. Esta substância deixa inúmeras marcas no perispírito e na mente do dependente alcoólico. que o 1 5. Franco. 7. é preciso solicitar auxílio a parentes. é um bebedor social. Libera toxinas que impregnam o perispírito. Entorpecimento psíquico. um dia.

11. no livro O Consolador.2 Se pudéssemos visualizar um ambiente onde se consomem substâncias alcoólicas. e que o tratamento ambulatorial jamais deve ser interrompido. SANTOS. Rosa Maria Silvestre. sessão. para usufruir das mesmas inalações inebriantes. 8. tendo em vista não ser possível ao Espírito desencarnado o consumo direto da substância. onde a criatura deve receber as bases do sentimento e do caráter. de Miranda. deixando o viciado enfermiço. uma festa ou no próprio lar. as reuniões de desob- Idem. através de um processo de simbiose em níveis vibratórios. Cap. Emmanuel nos esclarece que: O viciado ao alimentar o vício dessas entidades que a ele se apegam. Salvador. Sites pesquisados: <www. as preces e os ensinamentos. pois alimenta a si mesmo e a dois tipos de entidades que o obsidiam: os viciados. coleta em seu prejuízo as impregnações 2 fluídicas maléficas daqueles. estaríamos a observar diversas entidades espirituais viciadas em álcool a sorverem fluidos alcoólicos que saem das vísceras dos bebedores. seja um bar. O perispírito plasma no novo corpo físico a predisposição orgânica. com base no Evangelho de Jesus. Palestra realizada pela Fundação Universidade Federal do Rio Grande – Centro Regional de Estudos. PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. e os que se aproveitam da fraqueza do obsidiado. Como se manter longe das drogas? Cultive um bom ambiente familiar. para que estas terapias. grosseiro. Neste contexto. oferece-lhe ajuda através da Casa Espírita.epm. Segundo Emmanuel. Brasília: 2008. p. que se alimentam dos alcoólicos. a água fluidificada.. Ed. VILELLA. tenha em seu lar a visualização de um local de aprendizado para a vivência no mundo exterior.Capa 8. Recuperação e Prevenção de Dependentes Químicos. “Drogas”. pois há um Espírito induzindo-o constantemente ao consumo. infeliz. <www. Abril 2009 • Reformador 143 25 . Secretaria Nacional Antidrogas. n. Lembrando sempre que é imprescindível o acompanhamento médico. Ana Luisa Miranda. Prevenção ao uso indevido de drogas: Curso de Capacitação para Conselheiros Municipais. “A prevenção de drogas à luz da ciência e da doutrina espírita – Reflexões para jovens e educadores”. [. ano 22.br>. Pelo Espírito Manoel P.. ago. preso à vontade de entidades inferiores. Nas fronteiras da loucura. o qual somente desta forma consegue ter sua vontade saciada.senad. São Paulo: Editora Abril S/A.] a melhor escola [de preparação das almas reencarnadas na Terra] ainda é o lar. Efeitos das drogas. Por isso é que muitas vezes a propensão para começar ou continuar a beber é extremamente forte. 1982. encaminhando-o a uma instituição especializada no tratamento de alcoolistas. 2008.br>. Apostila. Bibliografia: Inteligência. BA: LEAL. Qual o tamanho da sua? Revista Superinteressante. Apostila. tais como: o passe. triste. onde ele poderá encontrar diversos tratamentos que o conduzirão a uma posição favorável ao não prosseguimento do uso.cebrid. Se conheces alguém que faça uso abusivo ou é dependente de álcool. o alcoolista se transforma em perigoso instrumento dos Espíritos inferiores. Segundo o autor espiritual. sem o domínio da consciência dos seus verdadeiros desejos.gov. 88. na vida em sociedade. em conjunto. FEB. consigam auxiliá-lo em sua recuperação. questão 110.

da mesma forma que as sacudidelas do balão abalam o poste. igualmente importantes: O corpo repousa durante o sono. atuando em outro nível de existência. não precisando o corpo de sua presença.] o Espírito jamais está inativo. respiratória e da pressão sanguínea. ocorridas durante o sono. então. por sua vez. Ora.] o Espírito se acha preso ao corpo qual balão cativo ao poste. O sono foi dado ao homem para reparação das forças orgânicas e morais. Durante o sono.3 M A RTA A N T U N E S M O U R A Os estudos acadêmicos e as pesquisas científicas relacionam uma série de possíveis causas que justificariam essas e outras alterações fisiológicas. como as do HC (hormônio do crescimento). aumento do metabolismo e fluxo sanguíneo no cérebro.. pressão arterial. Enquanto o corpo recupera os elementos que perdeu por efeito da atividade de vigília. frequência cardíaca e respiratória. transmite ao veículo somático as impressões. reações bioquímicas) indicam que durante o sono ocorrem mudanças fisiológicas significativas: queda da temperatura corporal. conforme a natureza das 26 .Em dia com o Espiritismo Sono e E m termos biológicos. A hipótese da existência da alma.. vindas do Espírito. do cortisol e da prolactina. ainda não é cogitada. boas ou más.2 Kardec faz outras considerações. Exames específicos (atividade elétrica cerebral e muscular. diminuição na produção da urina. do ACTH (adenocorticortrópico). variações da frequência cardíaca.. afrouxam-se os laços que o prendem ao corpo e. modificações das taxas usuais de alguns hormônios. não há dúvida: “[. a explicação espírita é mais viável entre elas. sono é um estado comum a todos os animais vertebrados. mas o Espírito não tem necessidade de repousar. a alma afasta-se do seu corpo físico. mas a ele permanece ligada por meio do perispírito. Enquanto os sentidos físicos se acham entorpecidos. manifestado na forma do ciclo sono–vigília que. o Espírito vai retem- Nesta situação. no homem. Importa considerar que “[. o qual. a atividade do Espírito reage sobre o corpo e pode fatigá-lo”.1 144 Reformador • Abril 2009 sonhos atividades que ele desenvolve na outra dimensão. do HL (hormônio luteinizante). a alma se desprende parcialmente da matéria e goza das suas faculdades de Espírito. é acompanhado por graus variáveis de inconsciência e de relativa inatividade. ativação das funções nervosas autônomas. Contudo.. o Espírito se lança no espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos”.

É o período no qual. ao despertar. É o prisioneiro restituído momentaneamente à liberdade. É a volta temporária do exilado à sua verdadeira pátria. em vez de procurar a companhia de Espíritos bons. artistas. consciência. contudo. antes de construí-los. em 1619. mais tarde. no que ouve e nos conselhos que lhe dão. durante os quais as ondas cerebrais diminuem de intensidade até atingir um estado de relaxamento profundo. Admite-se que nas quatro fases. linguagem.. determina que o sonho é uma espécie de imaginação. divulgadas por diferentes escolas. a ocorrência de ideias. atenção. René Descartes (1596-1650) sonha com um sistema filosófico que desenvolveria. mas abordagens bem fundamentadas. Mas. acontece que nem sempre o Espírito aproveita esse momento de liberdade para seu adiantamento. literatos etc. Naquilo que vê. propriamente dito. por exemplo. haure ideias que. em geral. algumas específicas. geralmente. Thomas Edison. consequente de ação no hipotálamo – importante área do cérebro. Tais conceitos não explicam. Na quinta fase. Alguns neurocientistas defendem a tese de que o sonho seria o trânsito de informações necessárias à manutenção das funções cerebrais e mentais. demonstrado por um relaxamento corporal profundo. ligada ao estado de consciência. emoções e sensações percebidas durante o sono. designada por REM. Se conserva instintos maus. rica de neurônios. benéfico ou Abril 2009 • Reformador 145 27 . lógicos e objetivos que muitos cientistas. como as relacionadas à memória. A Psicologia ensina que é a forma do inconsciente expressar-se. há uma transição. A Medicina. entre a vigília e o sono. busca a de seus iguais e vai visitar os lugares onde possa dar livre curso às suas inclinações. a pessoa sonha e. sonhos nítidos. com o nome de Discurso do Método. ocorre o sono. lhe surgem em estado de intuição. Durante uma viagem à Alemanha. tiveram.4 O conhecimento atual sobre os mecanismos do sono revelam que este passa por cinco estágios ou fases. local de realização de funções complexas como memória. efetivamente. e no córtex cerebral – camada mais externa do cérebro. recorda o que sonhou. base da metodologia científica dos séculos seguintes. percepção e pensamento. inventores. reguladora de processos metabólicos e autônomos do organismo –. O sonho apresenta cunho místico e premonitório. conhecidas como não-REM (Rapid Eyes Moviment – Movimentos Oculares Rápidos). sonhou com o fonógrafo e outros inventos. O conceito de sonho não apresenta consenso científico. cada vez mais profunda. como se dá com o presidiário perverso.perar-se entre os outros Espíritos.

como pode parecer à primeira vista. São Paulo: Ed. formam esses conjuntos bizarros e confusos. 3:5-15). 28. 412. É preciso analisar com senso crítico a interpretação dos sonhos que. fica evidente que há dois tipos de sonhos: os incoerentes e os coerentes. corriqueira nas Escrituras e nos tempos antigos. 401. que se torna mais independente pela suspensão da vida ativa e de relação. nem sempre bem intencionados. que parecem não ter sentido ou ligação. Entretanto. 1634. 1:18-25 – O nascimento de Jesus Cristo. 2007. algo mais: a atividade da alma nos momentos do sono e a existência de faculdades do Espírito. tal como acontece com as demais faculdades psíquicas. ainda no útero materno. Rio de Janeiro: FEB. Daí uma espécie de clarividência indefinida. assim como os de Salomão (1Reis. 2: 19-21 – A volta do Egito. Tra- dução de Evandro Noleto Bezerra. da qual se truncassem frases ou trechos ao acaso: reunidos depois. também. sonham. Refletindo sobre as orientações que os Espíritos transmitiram sobre o tema. 3. Mateus. A extravagância das imagens do que se passa ou se passou em mundos desconhecidos. que se estende aos lugares mais distantes ou que jamais se viu. É preciso cautela. 2008. Até os bebês. Kardec esclarece: “Os sonhos são efeito da emancipação da alma. que recebe avisos do anjo Gabriel: Mateus. muito ao gosto na população. Os primeiros são utilizados por adivinhos. 28 146 Reformador • Abril 2009 .maléfico. Q. Revelam. Todos os indivíduos sonham. que o vestiram de roupagem científica. e algumas vezes até a outros mundos. No Novo Testamento. quase todos os profetas possuíam a capacidade de prever acontecimentos por meio dos sonhos. ed. os fragmentos restantes perderiam qualquer significação racional”. pelo Espiritismo. cairíeis em contradições e em erros que seriam funestos à vossa fé”. O livro dos espíritos. em geral. ed. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. produzindo logro e explorando a boa-fé dos que lhes fazem consultas. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2 KARDEC. ______. 3. Mas. Rio de Janeiro: FEB. Comemorativa do Sesquicentenário. Ambos os resultados – banalização e cientificação do significado dos sonhos – indicam que o assunto não é tão simples. Tradução de Fernando Gomes do Nascimento. considerado Pai da Psicanálise. sem isso. O evangelho segundo o espiri- tismo. para a maioria das tradições religiosas. Manole. Dicionário médico en- ciclopédico taber. Q. sonhar é inerente à natureza humana. 2007. 17. Mateus. seguindo este conselho dos orientadores da Codificação Espírita: “Procurai distinguir bem essas duas espécies de sonhos. tomou dois rumos: um banal e supersticioso. Cap. e outro restrito aos estudiosos e à elite intelectual. Os segundos servem de apoio a práticas psiquiátricas e psicoló- gicas. como o demonstram pesquisas científicas recentes. ______. Podemos ilustrar com os sonhos proféticos e as interpretações oníricas de Daniel (7:1-28). 2:13-14 – A fuga para o Egito. destaca-se a figura de José. 2000. 402. e o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875-1961). Allan. no meio acadêmico e no religioso. muitas delas desconhecidas ou ignoradas. ed.5 Na verdade. 5 ______. item 38.5 Referências: 1 THOMAS. em especial com os trabalhos de dois médicos: o austríaco Sigmund Freud (1856-1939). Seria algo como uma narração. O livro dos espíritos. pelo exercício e pelo estudo. 3 4 ______. desenvolver mais ponderação a respeito do significado dos sonhos. a capacidade de sonhar pode ser aperfeiçoada e ampliada. p. entre aqueles de que vos lembrais. mesmo que não se recordem dos acontecimentos ou dos detalhes. Rio de Janeiro: FEB. Comemorativa do Sesquicentenário. entremeados de coisas do mundo atual. No Velho Testamento. A incoerência dos sonhos ainda se explica pelas lacunas produzidas pela lembrança incompleta daquilo que nos apareceu em sonho. Daí também a lembrança que traz à memória acontecimentos verificados na precedente existência ou em existências anteriores. Tais atributos do Espírito são faculdades denominadas emancipação da alma. Q. Clayton.

conforme afirma o escritor. a generosa guardiã: [. dota-nos de uma liberdade. 147 29 .. após a morte do pequeno corpo. na imortalidade do Espírito! Allan Kardec. entretanto. acertadamente: [. criada para ser escola de mães e domicílio das crianças que retornam da esfera carnal. De um. dedicada seareira a serviço da infância.3 Trata-se de uma importante colônia educativa. que permanecem a indagar. ao ouvir as explicações de Blandina. desafiando a coragem e a fé dos que acreditam na Justiça Divina. seja qual for a escala de sua posição social [. sob os meus cuidados. naquele abençoado refúgio. responsável pela autoria de vários livros. Léon Denis (1846-1927). de André Luiz. permanecem apenas doze. Xavier. escritor francês.] em nada muda a nossa natureza espiritual.. elucida. e nos cabe conhecer as condições e vivências encontradas no plano invisível. surge como “abençoada e colorida colmeia de amor. de O Céu e o Inferno. considera: O homem. impassível e silencioso. tal como se apresenta em nosso meio. sou mera servidora. Somos um grande conjunto Abril 2009 • Reformador diz-lhe a intuição que a morte não é a última fase da existência e que aqueles cuja perda lamentamos não estão irremissivelmente perdidos.1 Referindo-se ao fenômeno da morte. é preciso encarar a morte como simples passagem para a verdadeira vida. causando-nos amargas aflições e deixando-nos atônitos diante do doloroso testemunho de vermos partir aqueles que mais amamos. psicografados por Francisco C.] Tenho tarefas variadas aqui e alhures. sem palavras. a facilidade de adiantar-nos. aos olhos do preclaro autor espiritual.Mensagem C errar os olhos dos filhos amados. noticiadas pelos próprios Espíritos. Entretanto. destaca-se a instituição Lar da Bênção que.2 Cientes da veracidade desta proposição... cuja extensão se mede pelo nosso grau de adiantamento. consoladora CLARA LILA GONZALEZ DE aos pais ARAÚJO ao se utilizarem dos meios de comunicação de que dispõem. apenas nos torna mais livres. O nosso educandário guarda mais de duas mil crianças. os nossos caracteres. o que constitui o nosso verdadeiro “eu”. Diz. temos a possibilidade de fazer o bem ou o mal. é preciso crer... como do outro lado. que nos orientam sobre a contextura dos fatos ocorridos entre os dois mundos. mas. de reformar-nos. médico desencarnado. dilacera a ternura dos pais.. Na obra Entre a Terra e o Céu. incessantemente. A evidência da morte torna-se um fato cruel e inexorável.] tem o sentimento inato do futuro. no capítulo II. fervoroso divulgador do Espiritismo. harmonioso casario”. especialmente os que desencarnam ainda crianças. para onde seus entes queridos se dirigem. de progredir.] A morte [. Haverá algo mais desalentador do que a ideia da destruição absoluta dos filhos que criamos com tanto desvelo? Esta e outras indagações surgem no momento derradeiro..

carinhosas e dedicadas ao serviço do bem. ao desencarnar.].. de O Livro dos Espíritos.] grandes almas que renasceram na Terra por brevíssimo prazo. como Espírito. Entretanto. relacionada com o tema. Relata o infante: Tanta serenidade infundiu-me confiança.5 Os Espíritos que já alcançaram elevada classe evolutiva. desveladas. oferecendo conhecimentos valiosos sobre as impressões de um menino. senão quando se tenha completamente separado daquele envoltório. registra... são ministrados cuidados especiais.. afirma conhecer [. atendidas por mães substitutas. de nome Carlos. logo após o serviço levado a efeito. aclara-nos sobre a criança. compreendendo as razões da desencarnação prematura.] e conosco multidões de meninos encontram abrigo para o desenvolvimento que lhes é necessário [. A resposta à questão 381. Nesses locais. adquirem o poder de facilmente desprender-se do corpo material. não prescindem do período de recuperação. no livro Mensagem do Pequeno Morto. desde os primeiros momentos de seu desenlace do corpo físico e das particularidades ocorridas durante o seu processo de adaptação na Espiritualidade. citada. companheiras abnegadas. O estimado Benfeitor. indispensáveis à melhoria dos meninos e meninas que lá aportam. quando mais nenhum laço exista entre ele e o corpo”. Xavier. através da mediunidade de Francisco C. depois de sua morte. sua interlocutora.4 As crianças. de forma sensível. a respectiva apresentação que lhes era costumeira. Contudo.6 A dor é o grande e abençoado remédio7 e é sempre o elemento amigo e indispensável de que dispomos para o aprendizado de comportamentos morais mais sublimes. pois que se vê desembaraçado de seu invólucro corporal. o seu precedente vigor: “Assim tem que ser. Por que motivo escutava semelhantes vozes da 30 148 Reformador • Abril 2009 . O Espírito Neio Lúcio. ao readquirir.. os gritos que eu ouvia perturbavam-me o equilíbrio. isto é. no período inicial de sua chegada à instituição que o acolheu. amparado por familiares que lhe precederam na passagem pela sombra do túmulo. as dificuldades vividas pelo Espírito. de posse do seu equilíbrio mental. Blandina. dedica páginas singelas aos mais jovens. são encaminhadas para as inúmeras unidades infantis existentes no mundo espiritual. não readquire a anterior lucidez.. Na obra de André Luiz. recobrando.de lares [. simplesmente com o objetivo de acordar corações queridos para a aquisição de valores morais.

P. Rio de Janeiro: FEB. seus pensamentos vos protegem. digitadas no programa Word. A lei circular. p. continuam vivos no mundo espiritual. 2008. 1. 13. 10. Tradução de Guillon Ribeiro. e sim com um cântico de vida. 2. edição. a missão do século XX. Op. a lembrança que deles guardais os transporta de alegria [. de preferência. e que possamos continuar unidos na tarefa de divulgação da Doutrina Espírita. Q. mais facilmente. 3 XAVIER. 7 8 grande viagem. Allan.]9 para que não se deixem extenuar pelo excessivo sofrimento. item 15. deve conter: até 30 linhas (1 página). reimp. justificado. 8. ______. item 21. Francisco C. estão muito perto. p. 2007. P.. O evangelho segundo o Referências: 1 espiritismo. p. Abril 2009 • Reformador 149 31 . Em face da grande quantidade de artigos recebidos. eternizando-o. 30. O texto. Cap. p. dos últimos laços que o acorrentam à Terra. até 80 linhas (2 páginas) e até 110 linhas (3 páginas).. 123-124.10 (Grifo nosso. como Léon Denis. Francisco C. com um hino fúnebre que devemos acolher a morte. item 21. Precisamos adquirir convicção inabalável a respeito dessa realidade e de sua grandeza! O conhecimento da sobrevivência do Espírito é extremamente importante à compreensão de todos os familiares. seus corpos fluídicos vos envolvem. 6 XAVIER. Pelo Espírito Neio Lúcio. do des- Aos Colaboradores Aos nossos prezados colaboradores solicitamos o obséquio de enviarem suas matérias. 2 DENIS. mas a estrela radiosa da verdadeira manhã. E. 11. soltar-se. arquivando os não publicados. p. Nossos filhos.. Cap. Allan. régua 15. cap. Rio de Janeiro: FEB. título da obra. O problema do ser. Mensagem do pequeno morto: a 70-71. cit. O livro dos espíritos. Rio de Janeiro: FEB. sim. Allan. 4 5 ______.. p. Nas citações. 10. reimp. 2006. 1. Agradecemos o apoio e a compreensão de todos. KARDEC. que eu sentia anteriormente. em atitude de resignação. Tradu- ção de Manuel Justiniano Quintão. cap. espíritas.______. Léon. Rio de Janeiro: FEB. ed. mencionar as respectivas fontes (autor. 9 KARDEC. Tradução de Guillon Ribeiro. O grande enigma. 3. item 1. 213. 2. sabeis que a alma vive melhor quando desembaraçada do seu invólucro corpóreo. pois. Carinho e conforto. 59. tamanho de fonte 12. publicadas em O Evangelho segundo o Espiritismo. ele nos aconselha: [. p. O céu e o inferno. 2008. Com a luz divina no coração.. para atenuar esses instantes e permitir. elevemos a nossa visão imaterial para os novos e mais sublimes horizontes na vida do Infinito. p. Pelo Espírito André Luiz. 2008. Mães. local. pois. de bolso. 21. 91. ali. ed. 2008. cap. Rio de Janeiro: FEB. capítulo V. 8. capítulo e página).] Vós. 75.) tino e da dor. a Redação não se compromete com a publicação de todos. 183-184. porém.8 O Espírito tem consciência dos pensamentos que se lhe dirigem e nossos esforços devem ser no sentido de transmitir vibrações afetuosas. independentemente de comunicação aos seus autores. Rio de Janeiro: FEB. De forma dulcíssima. P. Todas as dores. ed. proclamemos: Não é.______. ed. Entre a terra e o céu. 381. ex-membro da Sociedade Espírita de Paris. 5. onde não tinham razão de ser? Imenso mal-estar apoderou-se de mim. sabei que vossos filhos bem-amados estão perto de vós. Cap. fonte Times New Roman. O lenitivo chega por meio das palavras benevolentes do Espírito Sanson. 147. 10 KARDEC. para ser devidamente ilustrado. Rio de Janeiro: FEB. ao ser que parte. 1. 2008. Edição de bolso. editora. esp. DENIS. 10. Léon. regressaram ao meu corpo. Cap. ed. 1. ______. porque não é o astro da tarde que se ergue cruel. em nota de rodapé ou referência bibliográfica.mamãe.

Quem leu Memórias de um Suicida.A FEB e o Esperanto “Uma história do mundo espiritual” A F F O N S O S OA R E S nenhum esperantista-espírita passará despercebido o conteúdo do opúsculo Uma história do mundo espiritual. onde aqueles Espíritos reencarnariam para o desempenho de tarefas nas quais também o esperanto entraria como ferramenta de trabalho. como. Pereira. nascido da inspirada sensibilidade de Cecília Rocha e Clara Araújo e recentemente publicado pela FEB Temos ali. mas finalizamos. ditada por célebre romancista português à médium Yvonne A. pôde informar-se sobre a existência de uma Universidade Esperantista. com o facilitar-lhes a comunicação sem os entraves da diversidade linguística. expressando a esperança de que essa larga visão dos benefícios do uso do esperanto e da prática do Esperantismo na educação das crianças venha a ter fecunda influência no enriquecimento do conteúdo dos currículos da evangelização infanto-juvenil. a muitas instituições congêneres do além-túmulo. a particularidade da feliz concepção de Cecília Rocha e Clara Araújo reside no fato de que a Colônia é esperantista. Muito mais poderíamos falar sobre a bela e simples produção de Cecília Rocha e Clara Araújo. Outra particularidade da instituição registrada pela sensibilidade de Cecília Rocha e Clara Araújo é que de lá. inclusive aquelas destinadas ao acolhimento e tratamento de suicidas. os Espíritos se encaminham para outros educandários do plano espiritual. sediada em alta esfera do mundo espiritual. temas do Esperantismo e do Espiritismo harmoniosamente entrelaçados e solidamente embasados em realidades da vida do mundo espiritual. Aqui tomamos a liberdade de avançar que tais educandários se situariam em regiões espirituais de diversos países. como as conhecemos pelas revelações trazidas por eminentes autores desencarnados através de médiuns respeitáveis. após aprenderem a Língua Internacional Neutra. Um dos pontos altos do texto está na ênfase com que as autoras se referem ao idioma como fator de aproximação das crianças do mundo inteiro. a descrita pelo Espírito Irmão Jacob na obra Voltei. em abordagens adequadas ao público infanto-juvenil. abriga Espíritos de crianças de nacionalidades diferentes que para ali vão aprender o esperanto. psicografada por Francisco Cândido Xavier. o que nos autoriza a crer na existência de colônias de diferente natureza. como vemos concebida na obra em foco. Mas. cujas atividades se estendem a outras regiões do mundo invisível. dirigidas por aquela Universidade. na essência. assim contribuindo para o estabelecimento da fraternidade universal. A história se desenrola numa Colônia destinada a acolher Espíritos que desencarnaram na idade infantil. A sob a direção da Colônia Maria de Nazaré. semelhante. 32 150 Reformador • Abril 2009 . por exemplo.

.. Lumo sankta de la Sankta Dio! Disflui1as tute la mistero Sub la forto de l’Evangelio. Nun popoloj /iuj vidos klare. Para longe a treva! Tudo se aclara! Ganha vida nova a palavra Do eterno Mestre. desde o seu lançamento em 1947. Nova Lumo Nova lumo venis al la Tero. Dion bonan dankos. ocasião em que os Espíritos Cruz e Souza e Abel Gomes saudaram a bela iniciativa. Todos os povos verão com clareza. constante da obra Mediuma Poemaro e psicografada em 1/11/1947.. Entenanta ombron de l’Nescio. Três edições a antecederam. Se reunirão para entoar um novo canto! Abril 2009 • Reformador 151 33 . Resta apenas pó. e. com a respectiva versão em prosa. Em que se encerra a sombra da Ignorância. em massa. For mallumo! hela estas /io! Vivon novan nun ricevis vorto De l’eterna Majstro el la forto De la flora lingvo Esperanto. pela força Da florescente língua Esperanto. Luz sagrada do Deus santo! Dissipa-se completamente o mistério Sob a força do Evangelho.. Nun la pordoj bronzaj de l’karcero... Caem fragorosamente. Agradecerão ao bom Deus. ditando sonetos. Reproduzimos abaixo a peça de Abel Gomes.Reaparece “La Evangelio la 9 Spiritismo” Acaba de ser publicada pela FEB uma edição especial de O Evangelho segundo o Espiritismo. Restas nur polvero. Agora. aos médiuns Francisco Cândido Xavier (em português) e Luís da Costa Porto Carreiro Neto (em esperanto). respectivamente. Falas brue.. kaj grandare Kolekti1os por la nova kanto! Nova Luz Uma nova luz veio à Terra.. as portas brônzeas do cárcere. na Língua Internacional Neutra.

nações esbanjando conforto e riqueza. enquanto os países ricos são responsabilizados por muitos males que ameaçam o futuro do nosso planeta. revela que até a metade deste século o Brasil deverá ter 254. entre eles o de proporcionar a encarnação de outros seres humanos para a perpetuação da espécie. O estudo mostra ainda que o País encerrou o ano de 2008 com 194. O conflito se estabelece porque vemos nos países pobres o aumento da miséria. A nosso ver. Porém. Estados Unidos e Indonésia.2 milhões de pessoas. encabeçada hoje por China. mas evidencia os compromissos que o Espírito assume ao encarnar. De um lado. o primeiro lugar deverá ser ocupado pela Índia. com tudo isso. na reportagem “Brasil terá população de 254.1 milhões em 2050”. Aliás.74 bilhões de pessoas para 9. 34 152 Reformador • Abril 2009 .19 bilhões. que passará do atual 1. amargando a fome e as doenças decorrentes da desnutrição. em face da responsabilidade da reprodução. este é o problema do crescimento demográfico.População do Brasil Em 2050 ultrapassará 250 milhões Crescimento demográfico – Miséria e desnutrição – Controle da natalidade GERSON SIMÕES MONTEIRO U m estudo do Fundo da Organização das Nações Unidas para a População. De acordo com o mesmo estudo. o Brasil ainda está longe de chegar ao topo da lista.6 bilhão. famílias e indivíduos. divulgado na primeira quinzena de novembro de 2008. da fome e das epidemias associado ao seu crescimento populacional. o que o colocará na quinta posição entre os maiores do mundo em termos demográficos. um contingente populacional vivendo em plena miséria. Em síntese. o que não pode haver é o controle do crescimento demográfico que venha a ferir as liberdades individuais. até 2050 o mundo passará dos atuais 6. in- dissociável da distribuição planetária da riqueza. No entanto. de Recife. A Doutrina Espírita não prega a procriação descontrolada ou o sofrimento como meta. ultrapassando a China.1 milhões de habitantes. a magna questão está na busca de soluções e políticas que promovam o desenvolvimento humano e o esclarecimento às populações. Índia.1 bilhão para 1. da camada de ozônio e da biodiversidade. como a destruição das florestas. As informações foram divulgadas na Internet pelo Jornal do Commercio. Do outro. onde o necessário para viver é ultrapassado pelo supérfluo em consequência da onda avassaladora do consumismo.

já em 1961 alcançava a casa dos três bilhões. cit. transporte. como podemos constatar nos dados a seguir. 2008. em sua obra La Población Mondial 1 enfatiza que. Hoje se estima a cifra de 6. 2 KARDEC. Trad. assistência médica etc. ou seja. reimp. que era de 500 milhões de habitantes. Essa posição contra o aborto é alicerçada na sua filosofia espiritualista e reencarnacionista. muitas delas não se detêm no aspecto moral para a solução do controle da natalidade. ao escrever Um Ensaio sobre o Princípio da População. mas sim como haveremos de fazer para vivermos com tanta gente demandando alimento. Madrid: Alianza Editorial. 1. 3 Op. A população mundial estimada até 1500. 344. isto é. ao considerar que a vida já começa desde a concepção. é compreensível que as autoridades de cada nação estejam cada vez mais preocupadas com o estabelecimento do equilíbrio entre a produção e o consumo. bem como por razões econômicas ou de má formação dos fetos. no entanto.2 e rejeita-o nos casos de estupro. O livro dos espíritos. inclusive dos anencéfalos. baseiam-se na tese defendida em 1798 pelo inglês Thomas Robert Malthus (1766-1834). Segundo ele. ao passo que o aumento populacional segue o ritmo de uma progressão geométrica. Malthus preconizou que as populações desapareceriam se não se impusesse um controle à sua multiplicação. ibidem. Q. Rio de Janeiro: FEB. vem criando formas de produção necessárias à sua manutenção no orbe terrestre. 129. a produção dos recursos essenciais à sobrevivência do homem cresce em uma progressão aritmética. a fim de passar pelas provas necessárias ao seu progresso espiritual. a de dez bilhões de pessoas no ano de 2050. A espécie humana. Diante desse quadro. Idem. Entretanto. Neste sentido. o maior desafio da Humanidade não será quantos nós seremos no futuro próximo. por impedir a volta do Espírito reencarnante à Terra. 26 anos depois. embora seja conseguida a estabilização do crescimento populacional. a uma velocidade que poderá ser insustentável em virtude do crescimento populacional já existente. 358 e 359. com o objetivo de evitar o caos social. com relação às políticas governamentais que favorecem o aborto e outras medidas antinaturais. Q. roupa. o mundo comemorou a casa dos cinco bilhões. calçado.Os que advogam o controle da natalidade. Abril 2009 • Reformador 153 35 . Guillon Ribeiro. A Doutrina Espírita só endossa a prática do aborto quando não há outro meio de salvar a vida da gestante. em razão do aumento demográfico. 1995. 91. No dia 13 de agosto de 1987. a preocupação dos espíritas é justa. usando a inteligência de que é dotada. p. mesmo na forma mais otimista. utilizando a prática do aborto. Allan.3 e que sua interrupção se constitui num crime. ed.5 bilhões. Con1 tudo. elas esbarram em um obstáculo difícil de ser superado: o consumo das riquezas do Planeta aliado à saturação de detritos. moradia. Jacques Vallin.

surgira para a Humanidade o luminoso caminho entre o coração humano e o Pai. elaborada no século II a. trizes do trabalho apostólico e consolando o coração aflito e temeroso dos seus seguidores. 14:6. 1879. São Paulo: PAULUS. dirige ou marcha. 3.C. estabelecia o sublime roteiro.Cristianismo Redivivo Caminho para Deus “Eu sou o Caminho. a Verdade.. conhecida como Septuaginta ou Versão dos Setenta (LXX). significando “medidas. Porém. A comunidade cristã primitiva. incluindo os apóstolos. João. revelando os ásperos testemunhos que os aguardavam.1 O emissário celeste. desde a Antiguidade. Ninguém vem ao Pai a não ser por mim”. 2004. Na Septuaginta. e a Vida.” 1 HAROLD O DUTRA DIAS s vésperas da sua prisão no Getsêmani. com vistas à implantação do Reino de Deus no mundo. entregaria o Cristo aos homens a revelação inesquecível acerca da sua pessoa e missão: “Eu sou o Caminho. ed. A comunhão da criatura com o Criador tornara-se uma realidade. vencendo gigantesco abismo. procedimentos. a expressão é empregada em sentido figurado. consubstanciado no seu Evangelho de Amor. p. o vocábulo grego hodos (caminho) traduz a palavra hebraica derek (caminho). o Mestre reuniu a pequena comunidade dos seus discípulos diletos. para revelar e provar a bondade e a misericórdia infinitas de Deus. com desvelado carinho. No sentido comum. Naquele momento. o meio de atingir o alvo. A presença do Cristo no Orbe era prova de que o Céu descera à Terra. apontando as dire1 À Bíblia de Jerusalém. costumava utilizar em suas citações do Antigo Testamento uma versão grega. esse termo indica o lugar no qual se anda. Pelo trabalho infatigável de suas mãos augustas. o estilo e 36 154 Reformador • Abril 2009 .

ou ainda “o modo pelo qual se vive”. e também. [. 8:58). mais do que em Deus. para avaliar o caminho que o homem segue. 55:7). 25:5. a forma como a vida é conduzida (Êxodo. a fim de que a Humanidade siga retamente no seu verdadeiro caminho para Deus. e eles próprios instituem as tarefas contra os desvios das criaturas humanas. ou nos seus aspectos individuais. estatutos e ordenanças (1Reis. focalizam os prejuízos do mal com a força de suas responsabilidades educativas. no Antigo Testamento. 2:8). A vida como um todo. Isaías. considerando os filhos transviados como incursos em vastas experiências. e os Profetas se esforçam para convencer as pessoas da necessidade de sua observância. É nesse sentido que pode ser entendido o trabalho de João Batista como precursor. Assim. 6:16. Pelo Espírito Emmanuel. a vida de uma pessoa pode ser qualificada de um modo positivo (Jeremias. ele apenas segue um caminho que escolheu para si (Jeremias. 5:4). Rio de Janeiro: FEB. Se o homem permite que a vontade Divina seja o fator determinante das suas ações. pode ser chamada “um caminho” (Salmos. aquele que prepara o caminho para Jesus. asseverou o Benfeitor Emmanuel: Se o determinismo divino é o do bem. Expressando esse ângulo do ensinamento. Considerando-se as enormes dificuldades encontradas para manter-se fiel aos desígnios divinos. Todavia.] O Criador é sempre o pai generoso e sábio. Malaquias. 1. pode-se entender a eufo2 XAVIER. mediante o chamamento ao arrependimento. que é o “caminho dos pecadores” (Salmos. 32:8. ou seja. porque Israel sucumbe. 2:3. Q. que é a do amor para a comunidade universal.o modo de realizar algo”. ed. Francisco C. Abril 2009 • Reformador 155 37 . Eis o resgate. justo e amigo.. à tentação de evitar as admoestações Divinas (Êxodo. efetuando. Nesse contexto. 135. 119:105. reimp. 28. O consolador. 53:6). Por esta razão. 8:13). desse modo. Provérbios. hodos (caminho) pode significar os atos ou o comportamento dos homens. Isaías. Caso contrário.) Não é por outra razão que a expressão “andar nos caminhos do Senhor” significa. quem criou o mal? – O determinismo divino se constitui de uma só lei. 8:20) ou de um modo negativo (Jeremias. 18:20). agir de acordo com a vontade de Deus. o homem transforma a sua fragilidade em foco de ações contrárias a essa mesma lei. Urge recompor os elos sagrados dessa harmonia sublime. Mas. confiando em si mesmo. uma intervenção indébita na harmonia divina. 7:23-24). revelada em seus mandamentos. Eis o mal. A lei de Deus é chamada “o caminho do Senhor” (Jeremias. Provérbios. vezes sem conta.2 (Grifo nosso. no Antigo Testamento. significa que anda no caminho de Deus. 1:1). O ponto de referência.. 2008. como Jesus e os seus prepostos são seus cooperadores divinos. os textos dos Profetas constituem um verdadeiro chamamento ao arrependimento dos maus caminhos (Jeremias. é a vontade de Deus. 25:5. mediante o anúncio da vinda do Messias.

Publicou dois livros: Personagens do Espiritismo (Edições FEESP) e. Idem. Pioneiros do Espiritismo. Ao seareiro do Consolador. Emmanuel esclarece o tema: 5 Junto dele seguem. em testemunho sublime do seu inexcedível amor pelos rebeldes tutelados. sem qualquer reprovação aos seus algozes. no Evangelho de João. aderentes sinceros ao roteiro santificador. Foi. um dos signatários. com Deolindo Amorim e outros confrades.. o confrade Antonio de Souza Lucena. da ata de fundação do Lar Fabiano de Cristo. deixando-se imolar. O discípulo amado registra para a posteridade as suaves exortações do Senhor. Rio de Janeiro: FEB. tomando a cruz da ignomínia sem uma queixa. Pelo Espírito Emmanuel.4 Jesus é o nosso caminho permanente para o Divino Amor. 2. e gravadoras como a RCA e a CBS. a palavra hodos (caminho) se aplica à pessoa de Jesus. em 1958. onde residia. esperançosos. exemplificava a sua fidelidade a Deus. Atuou na formação de várias casas espíritas e. Emmanuel. na fundação da Associação Brasileira de Jornalistas e Escritores Espíritas (Abrajee). Conceituado repórter fotográfico. 25. Cap. Reformador • Abril 2009 4 Fonte: Sei – Serviço Espírita de Informações –. coroado de espinhos. nos últimos instantes de sua presença física entre eles. e do Instituto de Cultura Espírita do Brasil (ICEB). verdade e vida. 18:21). p. em seu retorno à Pátria Espiritual. no Rio de Janeiro (RJ). Rio de Janeiro: FEB. trabalhou para as rádios Tupi. participou do I Congresso de Mocidades Espíritas do Brasil. ainda jovem. 28. caminha humilde. Dessa via bendita e eterna procedem as sementes da Luz Celestial para os homens [. também. 29. Caminho. 2008. 3 Idem. em 1948. por parte de todos nós. ainda. aceitando serenamente os desígnios do Céu. 282. todos os espíritos de boa vontade.]5 Não podemos nos esquecer. 21. Cap. Nessa linha interpretativa. O Enviado de Deus. veio abrir caminhos novos e estabelecer a luta salvadora para que os homens reconheçam a condição de eternidade que lhes é própria. relata: A localização histórica de Jesus recorda a presença pessoal do Senhor da Vinha. ed. Cap.500 biografias e fotos de trabalhadores espíritas. 133. Nacional e Mayrink Veiga. em parceria com Paulo Alves Godoy. rogamos as bênçãos de Jesus.. o Tutor Amoroso e Sábio. do Museu Espírita (na extinta Liga Espírita do Brasil). ibidem. reimp. Retorno à Pátria Espiritual Antonio de Souza Lucena Desencarnou em 26 de janeiro deste ano. ensinando a renúncia por amor ao Reino de Deus. natural da cidade de Recife (PE). de 7/2/2009. 38 156 . Lucena conseguiu reunir um acervo de cerca de 2. Emmanuel assim se expressa: A vida deveria constituir. revelando à Humanidade o caminho da redenção. na qual nasceu em 22 de abril de 1922.132. Na hora sombria da cruz.3 Por fim. de modo sem igual no Novo Testamento. enfocando essa nuance do ensino. n. Pelo Espírito Emmanuel. Do cimo do madeiro.ria do salmista: “Guardei os caminhos do Senhor” (Salmos. Tornando-se espírita. Pão nosso. Idem. 1. 2008. doado ao ICEB. atual Associação Brasileira dos Divulgadores do Espiritismo (Abrade). ed. Mais uma vez. É por essa razão que vemos o Messias coroando sua obra com o sacrifício extremo. no bairro de Botafogo. e da Mocidade do Centro Espírita Cristófilo. rigorosa observância dos sagrados interesses de Deus.

contudo. transborda- Notável! A liberdade. novelista. desde que não ultrapasse os limites do bom senso e não traga prejuízo a outrem. tais como: Benjamin Franklin. de escolher nossos destinos! Temos o inalienável direito de discordar e o inalienável dever de. pronunciando frases do tipo: Não faça isso! Não faça aquilo! Não diga isso! Não me contrarie! Faça como eu faço! Pense como eu penso! Abril 2009 • Reformador 157 39 . mesmo em pleno século XXI. sem sofrer retaliações e constrangimen- tos por pensar de forma oposta. que o cântico de liberdade ecoou através das vozes esclarecedoras dos Espíritos. Mais que isso. respeitar! Porém. James Madison. seu pensamento livre de preconceitos e alicerçado na liberdade de expressão influenciou decisivamente grandes figuras da Humanidade. belas. E foi na França de Voltaire.O ícone da liberdade W E L L I N G TO N B A L B O E xuberante escritor. Era ele um genuíno democrata! Atribui-se ao célebre filósofo a seguinte frase: “Não concordo com uma só palavra do que dizes. filósofo. foi o personagem mais relevante do renascimento francês. sentindo-se menosprezado. o cavaleiro.. pais autoritários e amigos intransigentes se familiarizassem com as ideias de Voltaire. sua eloquência deu-lhe a vitória no embate verbal. Ah! como seria útil se cônjuges ciumentos. poeta. que abririam oportunidades de instrução para todos os educandos da Terra. Kardec indaga dos mentores que o assistem: A obrigação de respeitar os direitos alheios tira ao homem o de pertencer-se a si mesmo? “De modo algum. escreveu contos. sagaz.. perspicaz. Inteligente. mas defenderei até o último instante teu direito de dizê-la”. mandou dar-lhe uma surra e prendeu-o novamente na Bastilha. Versátil. humilhar.. Thomas Jefferson. alguns agem como se fossem donos do semelhante. sua irreverência o colocou várias vezes na prisão.” Voltaire O também democrata Allan Kardec compilou sem preconceitos aquelas teorias novas. é direito sagrado do ser humano. va agora nas páginas de O Livro dos Espíritos. Na questão 827. que tanto pregava Voltaire. muitos não se dão conta disso e tentam constranger. A liberdade com respeito. Em lamentável esquecimento das individualidades. peças de teatro e livros de Filosofia e História. porquanto este é um direito que lhe vem da natureza. Seus ideais de liberdade e tolerância religiosa mostram a faceta nobre e digna de sua alma. o ser humano tinha o direito de se expressar e mostrar a todos sua visão da vida. impor. cartas. Certa feita. o cavaleiro de Rohan. Sua produção literária ultrapassa as 30. Temos o inalienável direito de comandar as nossas vidas. sublimes. mesmo discordando. novelas.000 páginas. Para Voltaire. O francês Voltaire (1694-1778). se indispôs com jovem aristocrata.. suas ideias foram de grande importância para a Revolução Francesa de 1789.

que se traduz em exploração de pessoas que trabalham em regime de semiescravidão em troca de ínfimos recursos. Encarcerados estavam todos aqueles que o prendiam. E a luz faz-se cada vez mais esplendorosa onde há liberdade às formas de pensar. que se faz através da imposição de teorias e doutrinas que incutem o medo e impedem o livre pensar. somos companheiros de viagem. no entanto. E por falar em desejos. só há trevas onde se ignora a luz. Michael H. Manipular. 2008. eram prisioneiros da ignorância. de sentimento e de pensamento do ser humano. p. Pensemos nisso! Bibliografia: HART. por mais que os amemos e lhes queiramos bem. produzir. 827. Rio de Janeiro: Difel. Trad. ed. com o pensamento livre para criar. 91.Hoje. tudo porque quando criança fora por várias vezes admoestado pelo pai por chorar em público ou dar demonstrações públicas de afeto. um de seus poemas mais aplaudidos – “Henriade” –. ed. A violência psicológica. Espíritos viajores do Universo que aprendem nessa intensa troca de experiências. O livro dos espíritos. Inexiste liberdade sem respeito! O respeito jamais se fará através da violência. tolher.. 1. o que fazia o garoto de errado para que o pai lhe chamasse a atenção? Ah! o respeito. ricos discriminando pobres. Rio de Janeiro: FEB. inteligentes desdenhando obtusos. é salutar darmos a eles a liberdade de se comportarem de acordo com seu estágio evolutivo. KARDEC. 2002. agarra-se à violência em suas mais tristes formas: A violência física. A ignorância é um dos grandes cárceres da Humanidade. Só há o mal onde se ignora o bem. só há o ódio onde se ignora o amor. servindo de parâmetro para que vejamos como éramos e como estamos hoje.. foi produzido justamente à época em que estava preso. As cem maiores personalidades da história. podar. Ora. as aptidões e damos liberdade àqueles que caminham conosco no cenário do mundo? Será que não tolhemos sua liberdade de expressão? É imperioso que não algememos nossos afetos do coração. Antonio Canavarro Pereira. A violência econômica. 5. e a Humanidade não se libertará do jugo da ignorância enquanto houver fortes oprimindo fracos. será que respeitamos os desejos. Lembro-me de um amigo que tinha enormes dificuldades de exteriorizar seus sentimentos. o filósofo estava solto. Todas essas facetas tolhem a liberdade de expressão. Faltou ao pai respeitar os sentimentos do filho. 417-422. não se recorre à prisão como se fazia à época de Voltaire. todavia. pobres coitados. com medo até mesmo de se apaixonar por alguém. aos desejos. Voltaire era preso e jogado na Bastilha. 40 158 Reformador • Abril 2009 . que se materializa na leviandade da intriga. Em realidade. vivia travado. devem ficar apenas nos livros de História. este anda lado a lado com a liberdade. às limitações. Allan. A violência verbal. que se exprime através da agressão. reimp. dando-lhe liberdade de expressão.. Q. às individualidades..

que é a vida na matéria. o orgulho. Os prazeres materiais são ilusões temporárias que logo se desvanecerão. e o esforço para conquistarmos a vitória após o período da existência material precisa ser feito já! Agora! Conta-se aos milhões o contingente de decepcionados que aportam ao plano espiritual revoltados e arrependidos por não haverem aproveitado a oportunidade da reencarnação otimizando o tempo.) Abril 2009 • Reformador 159 41 . constituindo-se em luz que lhe definirá a posição no concerto universal.Sejamos bons alunos M AU R O P A I VA F O N S E C A A Terra é uma escola de Deus. este mestre do nosso progresso e verdugo da nossa inércia. a traição. Por isso. cedendo à inferioridade. A morte nada mais é que a continuação da vida. carregando a intensidade de luz que criou para si mesmo ou a treva que conquistou. Não permitamos que o lazer. Não devemos imaginar que. sem nos deixarmos contaminar por esses vírus que se constituem em chagas da alma. presos que ficam. a vaidade. nos transformaremos em “anjos” ou “santos”. ao desencarnar. viemos aprender no convívio com os irmãos ainda tão imperfeitos quanto nós a suportar-lhes o egoísmo. Procuremos vivê-la com a visão voltada para o progresso do Espírito. onde além dos sofrimentos causados pelas enfermidades. abençoada oportunidade redentora. O período da vida material é um átimo ante a eternidade da espiritual. Cada Espírito. Deveremos dar à nossa vida um sentido superior. sentenciou o Meigo Nazareno: “A cada um. mas o resultado concreto da semeadura do bem é conquista definitiva e eterna da alma. (Mateus. apenas por termos despido a indumentária física. aos interesses da vida material. gravita automaticamente para a situação que lhe seja peculiar. Somente o esforço coroará de êxito nosso período reencarnatório. anestesiando-nos a consciência e o coração. com elevadas prerrogativas de poder e liberdade. dificultando-nos a ascensão às esferas espirituais superiores. o ciúme. a prepotência. Não desperdicemos esta dádiva. entendendo que as conquistas originadas do nosso esforço serão patrimônio eterno do Espírito! A importância exagerada que dermos aos atrativos e prazeres da vida material adensará a natureza do nosso perispírito. os gozos materiais e as paixões mundanas se tornem forças impeditivas do nosso progresso. a falsidade. conforme suas obras”. a indiferença e a ignorância. por longo período durante a erraticidade. Isto é o que acontece com a grande maioria dos desencarnados. A situação que nos aguardará na verdadeira vida estará a depender do quanto nos esforcemos para superar as imperfeições e fraquezas que ainda nos prendem à inferioridade moral. 16:27. cujo objetivo é o nosso aperfeiçoamento. A ação dessas forças é sutil e elas se instalam com raízes tanto mais profundas quanto maior a importância que lhes dispensemos. Lancemo-nos no combate sem trégua para vencer as imperfeições que ainda nos mantêm cativos da inferioridade moral.

No dia 15 de março. com atuação de Célia Maria Rey de Carvalho e Antonio Cesar Perri de Carvalho (FEB).br tadual sobre o Idoso na Casa Espírita” e. o evento contou com a participação do expositor Aluisio Almeida (PA). dentro do programa do INTECEPE – Integração dos Centros Espíritas de Pernambuco –. dentro da programação de Reunião Zonal realizada na cidade de Guaiúba. em sua sede. Informações: use@use-sp. houve seminário sobre o tema “Centro Espírita – Finalidades e Atividades”. desenvolveu-se o seminário “Dimensões Espirituais do Centro Espírita”. Informações: www. ocorreu nos dias 21 a 24 de fevereiro. nos dias 18 e 19 de abril. desenvolvido por Maria Euny Herrera Masotti (FEB). 15 de Novembro s/n o. Nos dias 14 e 15 de março. e participação de Roberto Fuina Versiani e Edmar Cabral Júnior. coordenado por Júlia Nezu Oliveira. O evento destina-se a 500 participantes com idade mínima de 15 anos.com. No dia 15.feeb. coordenada pelo secretário-geral da USE-SP. realizou-se na sede da USE Municipal de Bauru reunião de esclarecimentos e preparativos para implantação do Curso “Gestão de Centros Espíritas”. no dia 28 de fevereiro.org. Com o tema “Do outro lado da vida. um curso sobre passe. A Caravana é realizada pelas Coordenadorias Regionais e Distritais. Indulgência e Perdão) como Métodos Terapêuticos”.br Ceará: Seminário sobre Centro Espírita A Federação Espírita do Estado do Ceará promoveu.br Pernambuco: Cursos e Encontros A Federação Espírita Pernambucana realizou nos dias 7 e 8 de março.br Bahia: Caravana da Fraternidade Nos dias 27. Cuiabá – o Seminário “A Oração e a Trilogia da Caridade (Benevolência. nos dias 21 e 22 de março.miep. e compreende visita às instituições espíritas do Estado da Bahia a fim de fortalecer os vínculos de fraternidade e união entre estas e a FEEB. Informações: www. no dia 1o de março.br Amazonas: Confraternização das Mocidades No período de 21 a 25 de fevereiro foi promovida a 27a Confraternização das Mocidades Espíritas do Amazonas.com.ame-mt.com. Informações: www. Informações: fe_espirita@yahoo.com. Coordenadoria Espírita de Borborema e instituições espíritas de Campina Grande.federacaoespiritape. no SENAI PORTO – Av. um projeto voltado para a união e unificação das instituições espíritas e o fortalecimento do Movimento Espírita na Bahia.org Mato Grosso: Seminário da AME-MT A Associação Médico-Espírita de Mato Grosso realiza.feamazonas. na referida cidade. o 36o Movimento de Integração do Espírita Paraibano. a vida continua”. Informações: www. Edvaldo Roberto de Oliveira (RJ) e Roberto Lúcio Vieira de Souza (MG). Informações: www. em sua sede. a Federação Espírita do Estado da Bahia desenvolveu a Caravana Baiana da Fraternidade.Seara Espírita São Paulo: Eventos sobre o ESDE e Centros Espíritas A União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo promoveu o Curso de Preparação de Monitores e Coordenadores para o ESDE. 28 e 29 de março. com a participação de Marco Leite e Edimilson Nogueira. que constituem a estrutura organizacional da Federação Espírita do Estado da Bahia.br Paraíba: Movimento de Integração Contando com realização conjunta da Associação Municipal de Campina Grande. Bovino. Paschoal A. na Capital. o seminário “Centro Espírita: Finalidades e Atividades”. em Nazaré da Mata. da equipe da Secretaria-Geral do CFN. ocorreu o “Encontro Es- 42 160 Reformador • Abril 2009 .org. da equipe da Secretaria-Geral do CFN. na USE Municipal de Araçatuba. com os expositores João Neves (BA).