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METROLOGIA

TÉCNICAS E INSTRUMENTOS

UFCD: 5311

AUTOR: JOSÉ PEREIRA GUERRA

1.

GRANDEZAS E UNIDADES DE MEDIDA

1.1. SISTEMA INTERNACIONAL DE UNIDADES

1.1.1. GRANDEZAS FUNDAMENTAIS E UNIDADES DE BASE

1.1.2. UNIDADES DERIVADAS

1.2. UNIDADES DE MEDIDA NÃO SI

1.2.1. INTRODUÇÃO

1.2.2. CONVERSÃO DE UNIDADES

2. MEDIÇÃO DE GRANDEZAS

2.1. INTRODUÇÃO

2.2. CONCEITOS DE METROLOGIA

3. ERROS DE MEDIDA

3.1. INCERTEZA, ERRO E CORRECÇÃO

3.2. TIPOS DE ERRO

3.3. ANÁLISE DOS ERROS SISTEMÁTICOS

3.4. ANÁLISE DA INCERTEZA

4. INSTRUMENTOS DE MEDIDA

4.1. CARACTERÍSTICAS DOS INSTRUMENTOS DE MEDIDA

4.2. QUALIDADE DE MEDIDA DOS INSTRUMENTOS

5. REGRAS DE ESCRITA E REPRESENTAÇÃO DAS

UNIDADES

5.1. NOME E SÍMBOLO DAS UNIDADES

5.2. PRODUTO E DIVISÃO DAS UNIDADES

5.3. NOME E SÍMBOLO DOS MÚLTIPLOS E SUBMÚLTIPLOS DAS UNIDADES

5.4. UTILIZAÇÃO DOS ALGARISMOS SIGNIFICATIVOS

1. GRANDEZAS E UNIDADES DE MEDIDA

Para quantificar o valor de uma grandeza é necessário considerar uma unidade para essa grandeza.

Exemplo:

Comprimento de uma sala de aula: grandeza.

Definindo uma unidade de comprimento, (um metro, por exemplo), podemos quantificar o valor, (dez unidades, por exemplo),

da grandeza (comprimento) que queremos medir.

É fundamental que as unidades, sejam utilizadas e aceites em todo o

mundo, daí a necessidade da existência de um sistema universal, normalizado, de unidades de medida, que permita medir qualquer grandeza física.

1.1. SISTEMA INTERNACIONAL DE UNIDADES

O Sistema Internacional de Unidades – SI, adoptado em 1960, veio

substituir todos os sistemas anteriores vigentes, por um único sistema.

O Sistema Internacional define sete unidades de base, para normalizar sete

grandezas fundamentais.

A partir das unidades de base do SI definem-se todas as outras unidades,

designadas por unidades derivadas, e respectivas grandezas.

1.1.1. GRANDEZAS FUNDAMENTAIS E UNIDADES DE BASE

As Grandezas fundamentais e Unidades de Base do SI, são as seguintes:

 

UNIDADES BASE

GRANDEZA

nome

símbolo

Comprimento

metro

m

Massa

quilograma

kg

Tempo

segundo

s

Corrente Eléctrica

ampere

A

Temperatura Termodinâmica

kelvin

K

Quantidade de Matéria

mole

mol

Intensidade Luminosa

candela

cd

Tabela 1: Grandezas Fundamentais e Unidades de Base do SI

1.1.2. UNIDADES DERIVADAS

A partir das unidades de base é possível definir todas as unidades derivadas. As unidades derivadas são expressas a partir de relações de dependência com as unidades de base.

Algumas unidades derivadas do SI têm um nome especial e um símbolo particular, sendo utilizadas para expressar unidades de medida de grandezas utilizadas frequentemente.

A tabela seguinte apresenta algumas das unidades derivadas do SI mais

relevantes:

 

UNIDADE SI DERIVADA

GRANDEZA

NOME

Símbolo

Superfície

metro

m

2

quadrado

 

velocidade

metro por

m/s

segundo

Temperatura

grau Célsius

ºC

Pressão

pascal

Pa

Intensidade de Radiação Solar

watt por metro quadrado

W/m 2

Diferença de potencial eléctrico, tensão

volt

V

Resistência eléctrica

ohm

Ω

Potência

watt

W

Frequência

hertz

Hz

Tabela 2 : Grandezas e Unidades Derivadas do SI

O SI define ainda duas unidades suplementares *

 

Unidade Suplementar

GRANDEZA

nome

símbolo

Ângulo Plano

metro

rad

Ângulo Sólido

esterradiano

sr

* Unidades Suplementares SI: só para conhecimento ( sai fora do âmbito desta unidade de formação)

1.2. UNIDADES DE MEDIDA NÃO SI

1.2.1. INTRODUÇÃO

Existem além das Unidades do Sistema Internacional outras unidades de medida. Por razões históricas, por razões de ordem prática ou simplesmente pela necessidade de utilização de instrumentos que medem ainda nessas unidades, indicamos de seguida as unidades frequentemente utilizadas, relevantes para o curso (não pertencentes ao SI), e o seu instrumento de medida:

Grandeza

Instrumento de Medida

Unidade

Velocidade

velocímetro

Km/h

Temperatura

Termómetro

ºC

Energia

Contador de Energia Eléctrica

kW.h

Frequência

Conta rotações

r.p.m.

Tabela 3: Unidades Comuns não SI

1.2.2. CONVERSÃO DE UNIDADES

Dada a sua importância, é apresentada uma tabela de conversão de algumas unidades para Unidades base do SI. Estas unidades não pertencem ao SI, mas desempenham um importante papel e/ou são largamente utilizadas no âmbito deste módulo de formação:

Grandeza

Unidade

 

Valor

 

Nome

Símbolo

Correspondente no SI

Tempo

minuto

min

1 min = 60 s

 

hora

h

1 h = 3600 s

Ângulo plano

grau

º

1º = ( / 180) rad

 

minuto de

`

1`= (/10800) rad

ângulo

Volume

litro

l, L

1 l = 1 dm 3 =

1 l = 10 -3 m 3

Massa

tonelada

t

1 t = 10 3 kg

Pressão

bar

bar

1 bar = 10 5 Pa

Temperatura

grau

ºC

T ºC = (T+273.15) K

Célsius

0 K

= -273,15 ºC

Velocidade

quilómetro

km/h

1 km/h = 0,277 m/s

por hora

1 m/s

= 3,6 km/h

Energia

quilowatt-

kW.h

1 kW.h = 3,6 MJ

hora

Tabela 4: Conversão de Unidades

Sempre que aconselhável deve converter-se as unidades para o SI.

2. MEDIÇÃO DE GRANDEZAS

2.1.

INTRODUÇÃO

A metrologia é a ciência da medida, desenvolvendo novos métodos e meios

de medida, estabelecendo normas e padrões de medida.

Um dos principais problemas da metrologia é verificar a precisão dos

instrumentos e meios de medida e testá-los para um funcionamento fiável.

A qualidade dos produtos e dos serviços prestados e o aumento da

rentabilidade da produção dependem da qualidade da medida efectuada no controlo do processo ao longo de toda a cadeia, desde o projecto á

instalação.

2.2. CONCEITOS DE METROLOGIA

Medida Conjunto de operações que tem por objectivo determinar um valor de uma grandeza.

Resultado da Medida Obtido por comparação entre a grandeza, sujeita a medida e um certo valor adoptado como unidade de medida de referência.

É um valor numérico concreto, indicando quantas vezes a unidade de medida está contida na grandeza medida.

Grandeza = Valor numérico x Unidade de medida

Medida Directa

É aquela cujo resultado é obtido directamente dos dados experimentais.

Medida Indirecta

É aquela cujo resultado é obtido através de medições directas de outras grandezas, ligadas por uma dependência conhecida com a grandeza procurada.

Princípio de Medição Conjunto de fenómenos físicos sobre os quais é baseada cientificamente a medição.

Método de Medida

Sequência lógica de operações, relacionadas com a aplicação dos princípios

de medida, usadas na execução das medições.

Procedimentos de Medida Conjunto de operações, descritas especificamente, usadas na execução de medições particulares, de acordo com um dado método, regista ou documento.

Verdadeiro Valor da Grandeza

O verdadeiro valor de uma grandeza seria o valor obtido numa medida

perfeita, num ambiente ideal, com instrumentos de medida e equipamentos

ideais que não introduzissem erros de medida, obviamente que no mundo real, isso não é possível.

O verdadeiro valor da grandeza é indeterminável por natureza (no mundo

real), pelo que se recorre ao valor convencionalmente verdadeiro, também

chamado frequentemente de “valor atribuído” ou “melhor estimativa” que substitui num dado contexto o verdadeiro valor da grandeza.

3. ERROS DE MEDIDA

3.1. INCERTEZA, ERRO E CORRECÇÃO

Os conceitos de incerteza e erro da medida estão muito relacionados. Para os perceber é necessário ter a noção de verdadeiro valor da grandeza

e de valor convencionalmente verdadeiro de uma grandeza, conforme descrito anteriormente.

Incerteza da Medida Parâmetro, associado ao resultado da medida, que caracteriza o grau de confiança que se tem nas medições efectuadas, sendo uma indicação dos limites máximos (superior e inferior) dos erros que se supõe possam ter sido cometidos na medida. Não sendo possível determinar qual o sinal de tais erros, a incerteza é sempre indicada como `± `.

Exemplo:

Suponha que mede uma resistência com um multímetro digital a funcionar como ohmímetro e obtém o valor de R = 101,3 Ω.

Determina-se a incerteza e o resultado é 2 Ω.

O

resultado da medida seria apresentado da seguinte forma:

R

= 101,3 Ω ± 2 Ω

Erro de Medida

O erro de medida resulta da diferença entre o valor real da grandeza

(verdadeiro mas indeterminado) e o valor resultante da medida. Erro grave é aquele que supera em muito o erro estimado para determinadas condições. Se o valor da medida contém um erro grave deve ser imediatamente rejeitado, eliminada a causa do erro grave e repetida a medida.

Existem diversas fontes de incerteza que provocam erros numa medida, e que não podem ser eliminados, nomeadamente:

Instrumento de medida utilizado

Operador, que executa a medida

Método de Medida utilizado para determinar o valor da grandeza

Condições ambientais (temperatura, humidade, interferências electromagnéticas, ruído térmico, etc.)

Os erros que não podem ser eliminados devem ser determinados e sempre que sejam conhecidos os seus valores devem ser corrigidos.

Correcção da Medida Valor adicionado á medida, a fim de se eliminar o valor do erro conhecido.

3.2. TIPOS DE ERRO

Uma vez que qualquer medida tem sempre associado um erro de medida é importante um estudo dos erros, quer para se encontrar meios e formas para os reduzir, quer para avaliar até que ponto se pode confiar no resultado da medida.

Quanto ao Valor: consideram-se dois tipos de erro: absoluto e relativo.

1- Erro Absoluto

É a diferença entre o valor obtido durante a medida e o “verdadeiro valor da medida”.

É indicado em valor absoluto.

Exemplo:

Obtivemos um valor medido de R = 501,8 Ω Consultando a folha de características da resistência verificamos que foi medida anteriormente em laboratório, á mesma temperatura com o valor de R = 500,001 Ω ± 0,001 Ω

Valor medido: R = 501,8 Ω Valor “convencionalmente” verdadeiro da medida: R = 500,001 Ω

Erro absoluto: εa = 501,8 Ω – 500,0 Ω = 1,8 Ω

2- Erro Relativo

É a razão entre o erro absoluto e o valor verdadeiro da medida.

É indicado em percentagem.

Exemplo:

Erro absoluto: 1,8 Ω Valor verdadeiro da medida: 500,001 Ω

Erro relativo: εr = 1,8 Ω / 500,001 Ω = 0,36 %

Quanto á Forma como afectam o valor da medida, os erros podem ser de dois tipos: aleatórios e sistemáticos.

3- Erros Aleatórios Variam aleatoriamente ao repetir-se uma mesma medida. Devem-se a factores não determinísticos e sobre os quais é impossível um controle rígido. Variam tanto em valor como em sentido ao repetir-se a medida. Não podem ser determinados e provocam uma incerteza no resultado da medida. A única forma de diminuir o efeito do um erro aleatório é aumentar o número de medidas e efectuar posteriormente uma análise estatística das medidas, de modo a obter um valor de medida mais próximo do valor real, calculando o valor médio da medida e a sua variância.

4- Erros Sistemáticos Permanecem constantes ou variam de uma forma previsível ao repetir-se a mesma medida. Estes erros podem ser determinados e corrigidos. Dada a sua importância vamos analisar mais em detalhe este tipo de erros.

3.3. ANÁLISE DOS ERROS SISTEMÁTICOS

Como referido os erros sistemáticos podem ser determinados. Após determinados devem ser corrigidos. Existem diversas formas de corrigir: diminuir ou eliminar, o valor do erro sistemático, dependendo a forma a adoptar do tipo de erro existente da medida. Após determinar ou calcular, e corrigir, o valor do erro, deve ser reanalisada a medida.

Os tipos de erros sistemáticos são os seguintes:

3.3.1- Erros Instrumentais Dependem dos Instrumentos de medida utilizados. A qualidade do instrumento de medida utilizado vai condicionar o valor do erro de medida. A utilização e as alterações das propriedades de alguns dos materiais constituintes provocam o desregulamento ou desgaste do instrumento de medida, influenciando também o valor de medida.

Exemplo: O efeito de carga no circuito de um voltímetro ou amperímetro.

Correcção:

Calibrar, Verificar ou Ajustar o Instrumento de medida.

3.3.2- Erro do Método de medida Decorre do método de medida utilizado. Surge com frequência ao serem empregues novos métodos, bem como ao serem aplicadas equações aproximadas da dependência real entre as grandezas. Para evitar ao máximo estes erros devemos procurar utilizar métodos directos, sempre que possível e adequado.

Exemplo:

Medir a resistência eléctrica através da Ponte de Wheatstone * é um método mais preciso que medir através do voltímetro e amperímetro.

Correcção:

Utilizar o método mais preciso.

*consiste em variar uma ou mais resistências (variáveis) conhecidas até se atingir o equilíbrio, (corrente igual a zero), situação em que se determina o valor da resistência desconhecida.

3.3.3- Erros Ambientais Diversos factores relacionados com o meio ambiente no local onde se efectua a medida contribuem para este tipo de erros. As condições ambientais podem influenciar o valor da grandeza a medir, nesse caso deverão ser indicadas as condições em que a medida foi efectuada.

Exemplo de variáveis ambientais que podem influenciar uma determinada medida:

Temperatura

Pressão

Humidade

Correcção:

Para reduzir os seus efeitos deve-se:

Manter quanto possível as condições ambientais ideais para o equipamento. Efectuar correcções nos valores das medições sempre que exista informação da forma como afectam o valor da medida.

3.3.4- Erros Subjectivos Devem-se ás particularidades do Operador.

Exemplo: Leitura atrasada, interpolação incorrecta, erro de paralaxe.

Leitura atrasada:

No caso de medições que envolvam o tempo pode haver uma antecipação ou atraso nas leituras por parte do operador.

Interpolação incorrecta:

no caso de instrumentos analógicos (de ponteiro) e quando o valor da medida se encontra entre dois valores consecutivos da menor divisão da escala do instrumento, o operador mede o valor da grandeza por interpolação, se a sua interpolação for incorrecta pode introduzir um erro.

Erro de paralaxe:

Ocorre em instrumentos analógicos ao observar o ponteiro do instrumento num ângulo inclinado relativamente á superfície do visor do instrumento.

Correcção:

Para corrigir os erros subjectivos, (ou de operador) é necessário repetir a mesma medida por vários operadores diferentes.

3.3.5- Erro de Instalação Ocorre devido á instalação incorrecta do instrumento ou dos seus ajustes.

Exemplo:

Utilização na vertical de um Instrumento que deve ser usado na horizontal.

Correcção:

Utilizar o instrumento de acordo com o seu manual de utilização.

3.4.

ANÁLISE DA INCERTEZA

Como referido uma medição é um valor numérico, aproximado, de um valor real da grandeza física medida.

O erro de medida pode ser maior ou menor que a representação somente

através do último dígito significativo.

O

resultado de uma medição deve ser expresso na forma:

X

± ∑ AMI

X

–> valor da medida

∑ AMI –> incerteza da medida

A incerteza é um número que depende de um conjunto de variáveis e/ou

correcções que podem influenciar o resultado final da medida.

Incerteza para medidas de grandezas que variam aleatoriamente:

Neste caso, a melhor estimativa da incerteza é a média aritmética das várias (n) medidas efectuadas.

Esta expressão de incerteza é mais flexível que a convenção dos algarismos significativos porque não se restringe a ± 5 no último digito significativo.

É conveniente realizar uma análise preliminar das incertezas verificadas em medidas semelhantes anteriores para estimar o valor da incerteza da medida.

4. INSTRUMENTOS DE MEDIDA

4.1. CARACTERÍSTICAS DOS INSTRUMENTOS DE MEDIDA

O manual do instrumento de medida indica os valores das características do instrumento, e permite ao utilizador analisar se determinado instrumento é adequado para o fim em vista, adequado ao tipo de medida e ao erro máximo admissível da medida que se pretende efectuar. Essas características são:

Legibilidade Indicativo (qualitativo) da distância em que a escala do instrumento pode ser lida.

Resolução

Menor variação no valor da grandeza medida, detectada pelo instrumento. No instrumento digital corresponde a uma unidade do dígito menos significativo.

É expresso em valor absoluto.

Em termos práticos está directamente ligada ao número de algarismos significativos com que é possível efectuar a leitura.

Sensibilidade Razão entre a resposta linear ou angular de um instrumento e a variação da grandeza medida que provocou esta resposta.

Fim de escala Valor máximo que pode ser medido pelo instrumento.

Precisão Erro máximo admissível do instrumento na medida de uma grandeza. Define os limites dos erros instrumentais cometidos quando o instrumento é utilizado em condições normais. Normalmente é expresso em % do fim de escala.

Gama de medida Intervalo de valores que podem ser medidos pelo instrumento.

Alcance

Intervalo entre os valores mínimo e máximo medidos pelo instrumento.

É expresso em valor absoluto.

Repetibilidade Capacidade do instrumento de medida para dar, em condições de utilização idênticas, valores iguais, quando se mede repetidamente o mesmo valor da grandeza.

Histerese Diferença máxima dos valores medidos pelo instrumento para o mesmo

valor da grandeza, quando se percorre a escala do instrumento nos sentidos ascendente e descendente.

A histerese pode ser resultado de atrito mecânico, efeitos magnéticos,

deformação elástica ou efeitos térmicos.

Fidelidade Capacidade do instrumento para dar indicações isentas de erro sistemático. Um instrumento é fiel desde que as suas indicações só dependam da grandeza a medir, e não de outro tipo de grandezas (temperatura, interferências electromagnéticas, etc.)

Classe de Precisão

A Classe de Precisão de um Instrumento de Medida é um número que

mostra o seu limite superior de erro instrumental em valor relativo (%), sob

condições normais de operação. Todos os instrumentos de medida estão em uma das seguintes classes de precisão: 0.2, 0.5, 1.0, 1.5, 2.0, 2.5, 3.0, 4.0.

Os instrumentos das classes 0.5 a 2.0 são os mais utilizados. Os instrumentos das classes 2.5 a 4.0 praticamente já não são fabricados, devido à sua pouca precisão.

Exemplo: Para um Instrumento com Classe de Precisão de 2, o seu máximo erro instrumental é 2%.

4.2.

QUALIDADE DE MEDIDA DOS INSTRUMENTOS

Para garantir e certificar a qualidade de medida, os instrumentos de medida são periodicamente submetidos a ensaios num laboratório credenciado para o efeito. Dependendo do tipo de instrumento de medida os ensaios podem consistir em: Calibração, Verificação ou Ajuste.

Calibração Determinação da correlação entre o valor real da grandeza medida e o valor indicado pelo instrumento de medida. A calibração pode ser feita de modo directo ou indirecto.

Verificação Ensaio e certificação de instrumentos de medida segundo normas e exigências legais, por uma entidade credenciada para o efeito. Através da verificação é determinado se o instrumento se encontra a medir dentro dos limites aceitáveis pelas normas.

Ajuste Regulação do sistema de medida com o objectivo de fazer coincidir, da melhor forma possível, o valor medido com o valor real da grandeza medida.

Após calibração, (ou verificação ou ajuste) é emitido pelo laboratório um certificado de calibração que aprova o instrumento para serviço, admitindo- -se que assim permanecerá sob condições normais de uso, até á próxima data de calibração.

5. REGRAS DE ESCRITA E REPRESENTAÇÃO DAS UNIDADES

5.1. NOME E SÍMBOLO DAS UNIDADES

Nome Os nomes das unidades devem ser escritos com caracteres minúsculos, mesmo que derivem de nomes (de cientistas). Exemplo: metro, segundo, ampere, watt, hertz Excepção: grau Célsius Os nomes das unidades admitem plural, só passando a plural a partir de dois, inclusive. Exemplo: 0,47 metro; 1,99 watt; 2 amperes; 50 hertz; 500 ohms

Símbolo

Os símbolos das unidades são escritos em caracteres minúsculos. No entanto, se o nome da unidade deriva de um nome próprio, a primeira letra do símbolo será maiúscula. Exemplo: m (metro); s (segundo); W (watt); N (newton); Pa (pascal) Os símbolos das unidades são invariáveis, mesmo no plural, e nunca seguidos de um ponto Exemplo:

Correcto: 12 m ;

Errado: 12m. ; 12 ms; 12 mts

5.2.

PRODUTO E DIVISÃO DE UNIDADES

O produto ou divisão de duas Unidades c e d pode ser representado das

seguintes formas:

Produto: Correcto: c.d ; c d ; cxd ; Errado: cd Divisão: Correcto: c/d; c.d -1 ;

5.3. NOME E SÍMBOLO DOS MÚLTIPLOS E SUBMÚLTIPLOS DAS UNIDADES

O SI define os prefixos para múltiplos e submúltiplos de unidades.

Nome

O nome de um múltiplo (ou submúltiplo) de uma unidade obtém-se

acrescentando ao nome do prefixo apropriado, o nome da unidade. Exemplo: centímetro (10 -2 m); quilowatt (10 3 W); microampere (10 -6 A)

Os nomes dos prefixos SI e da unidade escrevem-se em caracteres seguidos, sem espaço entre os nomes dos prefixos e das unidades. Exemplo: deve escrever-se microampere e não micro ampere.

Nota 1: Entre as unidades de base do SI, a unidade de massa é a única cujo nome (quilograma) contém por razões históricas, um prefixo. Tal facto é uma excepção; os nomes e símbolos dos múltiplos ( e submúltiplos) da unidade SI de massa são formados pela junção dos prefixos á palavra “grama” e dos símbolos convenientes ao “g”. Nota 2: A palavra “grama “ é, neste contexto, um substantivo masculino, é incorrecto dizer “duzentas gramas”, devendo antes dizer-se “duzentos

gramas”

Símbolo

O símbolo de um múltiplo (ou submúltiplo) de uma unidade obtém-se

acrescentando ao símbolo do prefixo apropriado o símbolo da unidade.

Exemplo: cm; kW; µA

Os símbolos dos prefixos SI e da unidade escrevem-se em caracteres seguidos, sem espaço entre os símbolos do prefixo e o símbolo da unidade. Exemplo: deve escrever-se km e não k m

Um prefixo não pode ser empregue sem uma unidade. Exemplo: deve escrever-se µA e não µ

Não se empregam prefixos compostos, isto é, prefixos formados pela associação de dois ou mais prefixos. Exemplo: Correcto: GW (gigawatt) ; Errado: kMW ;

O conjunto formado pela junção do símbolo de um prefixo ao símbolo de

uma unidade constitui um novo símbolo inseparável, que pode ser elevado

a uma potência (positiva ou negativa) sem necessidade de parêntesis. Exemplo: cm 2 significa sempre (cm) 2 = (10 -2 m) 2 = 10 -4 m 2

nunca: c (m 2 )

ou nunca : 10 -2

m 2

5.4. UTILIZAÇÃO DOS ALGARISMOS SIGNIFICATIVOS

Embora muitas vezes não nos apercebamos, é frequente depararmo-nos com situações do género:

Ao medir a tensão e a corrente aos terminais de uma resistência, o amperímetro digital indica 12,5 mA e o voltímetro digital indica 4,5 V. Ao dividir a tensão pela corrente, para obter a resistência, quantos algarismos vamos reter no resultado? A situação agrava-se quando utilizamos máquinas de calcular, que é o caso mais frequente, hoje em dia. É então fundamental, principalmente na área técnica, quando se efectuam medições e cálculos associados a essas medições, ter um conhecimento básico sobre algarismos significativos (AS).

Algarismos Significativos: AS São todos os Algarismos de 1 a 9, e os zeros á direita.

Algarismos Significativos da Medição São todos os algarismos, exceptuando os zeros á esquerda, que foram obtidos na medida, e por isso, devem ser mantidos no registo da medida, incluindo os zeros à direita.

Exemplos:

Resultado de uma medida ou de um cálculo

Número de Algarismos Significativos

10,1

3

5,2500

5

0,0015 = 1,5 x 10 -3

2

0,001500 = 1,500 x 10 -3

4

Algarismos Significativos de Contagens Os números resultantes de contagens, ao contrário dos que se obtêm nas medições, são naturalmente exactos, têm um número infinito de AS.

Como se pode compreender, a posição do ponto decimal não afecta o número de AS (se um zero se utiliza meramente para localizar o ponto decimal, ele não é um AS).

Algarismos Significativos de Cálculos Quando efectuamos cálculos, devemos rejeitar os algarismos não significativos. Isso evita que tiremos falsas conclusões, dado que algarismos “a mais” implicam uma exactidão maior do que aquela que os cálculos têm. São a seguir enunciadas três regras que devem ser respeitadas quando se efectuam operações básicas (adição/subtracção e multiplicação/divisão):

1- Adição e Subtracção de Algarismos Significativos Nas adições e subtracções, não se deve levar o resultado para além da 1ª coluna (posição) que contém um algarismo duvidoso. Como regra geral, todos os algarismos para a direita da última coluna (posição) em que todos os algarismos são significativos, devem ser excluídos.

Exemplo 1:

R1 e R2 em série Rtotal = R1 + R2 = ? R1 = 18.6 R2 = 3.234

1 8 . 6 + 3 . 2 3 4 2 1 . 8 3
1
8 .
6
+
3 . 2
3
4
2
1
.
8
3
4

Manter até á última coluna com Algarismo Significativo

Rtotal = 21.8 (aproximado):

Exemplo 2:

Sendo 25 um número exacto: 47,816 - 25 = 22,816

Conclusão:

É importante notar que nas adições e subtracções, o que conta são as casas decimais (não o número de AS).

2- Multiplicação, Divisão e Radiciação de Algarismos Significativos Nas multiplicações, divisões e radiciação, devem reter-se apenas tantos AS quantos os da quantidade menos exacta (com menor número de AS).

Exemplo 1:

R = 18.2

I = 7.238 A

V

= ?

V

= R x I = 18.2 x 7.238 = 131.7316 (3AS) x (4AS) = (3AS) –> Deve manter-se apenas 3 AS

Resultado: V = 132 V (arredondado e aproximado)

Exemplo 2:

8,416 x 50 = 420,8 (se 50 for um número exacto)

Exemplo 3:

1,648 / 0,023 = 72

Exemplo 4:

(38,7) = 6,22

Conclusão:

Pode deduzir-se que, nas multiplicações e divisões, apenas se deve manter

o número de AS, da quantidade que tiver o menor número de AS.

3- Arredondamento dos Resultados Ao excluir os Algarismos não Significativos: (A não S)

Analisar os Algarismos não Significativos: (A não S excluídos) Se o primeiro Algarismo não Significativo excluído (mais à esquerda) é < 5:

então manter o último AS (mais à direita) senão incrementar último AS de 1

Análise do último AS, após análise de 1º A não S:

Se AS = 0

4

então mantém AS

senão AS = 5

9

então incrementa AS

Ex: 131.7316 (manter apenas 3 AS)

AS = 131 A não S = 7316

Analisar (A não S) : 7316

Como 1º (A não S) AS = AS +1

≥ 5

Resultado: 132

então incrementar último AS de 1

Normalmente, numa medida com um instrumento digital, os dígitos que conseguimos visualizar no mostrador consideram-se significativos. É de esperar que exactidão associada às grandeza e alcance utilizados seja suficientemente grande para que isso seja verdade, isto é, a incerteza associada a essa medida não deve provocar que nenhum dígito (algarismo) deixe de ser significativo. Ou seja, apenas pode haver incerteza no algarismo menos significativo.

Quando nada é especificado acerca do resultado de uma dada medida, considera-se que a incerteza é de mais ou menos meia unidade do algarismo menos significativo.

Exemplo 1:

Supondo que se determinou com rigor uma altura como sendo 1,75 metro, isso significa que o seu valor verdadeiro está compreendido entre 1,745 m e 1,754 m.