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Avaliação dos Métodos de Cálculo de Potência Elétrica em Soldagem a Arco e as Conseqüências sobre as Previsões Geométricas, Térmicas e Metalúrgicas da Junta

(Assessment of Electrical Power Calculation Methods in Arc Welding and the Consequences on the Joint Geometric, Thermal and Metallurgical Predictions)

Alexandre Saldanha do Nascimento 1 , Marcio de Andrade Batista 1 , Vinicius Castanheira do Nascimento 1 , Américo Scotti 1 1 Universidade Federal de Uberlândia - UFU, Laboratório para o Desenvolvimento de Processos de Soldagem - LAPROSOLDA, Uberlândia, Minas Gerais, Brasil, saldanha77@yahoo.com.br, engandrade10@yahoo.com.br, vcnascimento@hotmail.com, ascotti@mecanica.ufu.br

Resumo

A potência elétrica em soldagem é classicamente definida como o produto da tensão pela corrente, a partir da qual se determina

a energia imposta e se fazem previsões dos ciclos térmicos e das conseqüentes alterações metalúrgicas e geométricas da união.

No entanto, na literatura são apresentados diferentes métodos de cálculo para este parâmetro, desconsiderando muitas vezes uma fundamentação teórica que balize a escolha. Os métodos mais utilizados na prática são o da Potência Média Aritmética e

o da Potência Eficaz. Outro método é o da Potência Instantânea. Finalmente, existiria ainda o método da Potência Instantânea

RMS, proposto pelos autores. Desta forma, neste trabalho objetivou-se avaliar comparativamente os quatro métodos e justificar as

diferenças entre eles e, ainda, as conseqüências sobre os cálculos de energia imposta e de rendimentos térmicos. Para tal, foram feitas soldas MIG/MAG em 2 níveis de energia de soldagem, mas variando-se os modos de transferência entre curto-circuito, globular, goticular e pulsado. Calculou-se a Potência elétrica de soldagem pelos quatro métodos, justificando as diferenças pelo uso da ferramenta denominada Teorema da Esperança. Seções transversais dos cordões foram medidas e os rendimentos térmicos e as energias de soldagem calculadas e comparadas entre si. Verificou-se a variância e o grau de correlação entre os sinais de tensão e corrente para os quatro modos de transferência metálica. Conclui-se que os dois métodos mais utilizados na prática são os menos indicados por não serem genéricos. Os outros dois métodos foram considerados os mais coerentes para qualquer modo de transferência metálica. No entanto, ainda restou o desafio para definir qual deles representa de maneira mais apropriada o fenômeno físico de aporte de calor em soldagem.

Palavras-chave: Potência de Soldagem, Teorema da Esperança, Transferência Metálica, energia de soldagem.

Abstract: Electric Power in welding is classically defined as the product of voltage and current, from which the welding energy

is determined. From the energy values, predictions of thermal cycle, and the consequences on the metallurgical and bead geome-

try modifications, are taken. The main issue is that different methods of calculating this parameter are found in the specialized literature. The most popular ones are the Arithmetical Average Power and the RMS Power. Another method is the Instantaneous Power. Finally, there would be yet the Instantaneous RMS Power. Thus, in this work it was proposed to assess the four methods and to justify the differences amongst them and the consequences on the heat input and thermal efficiency calculations. For that, MIG/MAG welding were carried out at the same power (2 levels), yet varying the metal transfer modes, covering short- circuiting, globular, spray and pulsed. Welding Electric Powers were calculated using the four methods and, for justifying the differences, the Expectance Theorem was employed. Transverse sections of the beads were measured and the calculated thermal efficiencies and welding energy were found and compared. Variance and correlation indexes between voltage and current signals were obtained. It was inferred that the most used methods are the less indicated for being no generic. The others were considered as the most coherent ones because they can be applied to all metal transfer modes. However, a challenge to define the method between them that represents better the physical problem of heat input in welding was left behind.

Key-words: Welding Electric Power, Expectance Theorem, Metal Transfer, welding energy.

1. Introdução

O aporte térmico em soldagem é uma variável de funda- mental importância para o controle da qualidade da solda,

(Recebido em 03/09/2006; Texto Final em 09/04/2007). Artigo baseado em versão apresentada no XXXII CONSOLDA Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, 02 a 05 de Outubro de 2006.

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influenciando diretamente na microestrutura da zona fundida e da zona termicamente afetada pelo calor, nas propriedades mecânicas e na geometria do cordão. Para o cálculo do aporte térmico, é necessário o conhecimento da potência do arco, que por sua vez é obtida através dos valores de corrente de soldagem e tensão do arco. Na literatura especializada, tem- se encontrado divergências entre autores sobre o método a ser utilizado para o cálculo da potência do arco. O método mais

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comum é o da Potência Média Aritmética, no qual o cálculo

é feito através do produto dos valores médios de tensão e

corrente (P arit = U arit x I arit ). Um segundo método (Potência Eficaz) utiliza a média dos valores RMS de tensão e corrente (P RMS = U RMS x I RMS ). Outro método, menos aplicado é o da Potência Instantânea, sendo adotada, neste caso, a média aritmética da multiplicação da tensão pela corrente feita pontualmente (P inst = (Σ U i x I i )/n). BOSWORTH [1] aponta que a diferença entre os resultados usando os três métodos acima chega a ordem de 30%. Finalmente, mesmo que não encontrado na literatura de soldagem, mas sugerido pelos autores deste artigo, seria o método da Potência Instantânea RMS, obtida através do valor RMS do produto da tensão e corrente pontuais (P InstRMS = (Σ (U i x I i ) 2 /n) 1/2 ). A maioria das máquinas de soldagem possui medidores, analógicos ou digitais, que fornecem leituras eficazes (RMS) da corrente e tensão de soldagem, sejam calibradas para on- das senoidais ou ondas aleatórias, estas últimas chamadas de “true RMS” (apesar de muitos usuários acharem que estão

lendo os respectivos valores médios). Alguns pesquisadores

têm usado estes valores RMS de corrente e tensão para definir

a potência, sem discutir a conseqüência desta abordagem

sobre seus resultados (erros apreciáveis). Sabe-se que o valor RMS só é igual ao valor médio quando o sinal for constante (sem oscilações, o que aconteceria, por exemplo, quando a resistência e/ou sinal da fonte não variam no tempo). No entanto, segundo NEEDHAM [2], o arco de soldagem não obedece a lei de Ohm e a tensão do arco não é proporcional

a corrente de soldagem. Em outras palavras, o arco em-

bora tenha uma carga resistiva, não exibe uma resistência constante. DILTHEY e KILLING [3], ao estudar o calor imposto em soldagem com corrente constante, senoidal e

pulsada, concluiu que os valores médios aritméticos e valores efetivos apresentaram diferenças tanto para corrente, como para tensão. Entretanto, de acordo com BOSWORTH [1],

o valor RMS pode ser satisfatório para muitas aplicações de

soldagem onde o aporte térmico não precisa ser controlado ou especificado. Mas, quando o material a ser soldado é sensível ao efeito do calor, como aços tratados termicamente, o aporte térmico precisa ser corretamente definido e controlado para evitar possíveis perdas de propriedades mecânicas, alterações metalúrgicas e geométricas da união. Já para NEEDHAM [2], subentendendo estar falando de processos MIG/MAG com fonte do tipo tensão constante, a potência do arco deve ser calculada pelo produto da média dos valores de tensão, que são praticamente constantes, pela média dos valores de

corrente sobre o tempo de interesse, ou seja, a Potência Média Aritmética. Por sua vez, nos trabalhos de BOSWORTH [1]

e JOSEPH [4], fazendo uso de calorimetria e calculando a

eficiência térmica, foi concluído que a potência instantânea é

o método mais apropriado para determinar o aporte térmico.

Entretanto não tentam justificar este achado. Como se vê, mesmo nos dias de hoje, existem divergên- cias sobre um assunto que por parecer simples é tratado de forma trivial. Desta forma, neste trabalho se propôs estudar os métodos de cálculo de potência usados pelos usuários de soldagem e as conseqüências sobre os cálculos de energia

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imposta (os quais afetam as previsões das modificações meta- lúrgicas, da geometria do cordão, etc.), mas, principalmente, tentando esclarecer as razões para diferenças entre resultados de diferentes métodos e, assim, fornecer aos usuários os fundamentos para a escolha do método mais adequado.

2. Metodologia e Procedimento Experimental

Com o objetivo de se levantar os dados para avaliar os métodos de cálculo, foram realizados cordões de solda utilizando o processo MIG nos modos convencional (tensão constante) e pulsado, trabalhando em dois níveis de energia de soldagem. Denomina-se aqui energia de soldagem a razão

potência do arco (UxI) pela velocidade de soldagem (V sol ),

a qual não deve ser confundida com calor imposto, que

também leva em consideração ainda o rendimento térmico.

A velocidade de soldagem foi escolhida como variável de

controle para manter constante o valor de energia de solda- gem, por ser o parâmetro de mais fácil manipulação e de

menor influência na estabilidade do arco. O metal de adição utilizado foi o da classe AWS ER70S- 6, de 1,2 mm de diâmetro, e como gás de proteção foi utilizada a mistura comercial de Argônio-5%O 2 (valor no- minal), com vazão de 15 L/min. Os cordões de solda foram depositados em 12 placas de teste de aço carbono ABNT 1020 de mesmas dimensões, com 4,8 x 51,5 x 200 mm, em simples deposição sobre chapa, através de um sistema mecanizado de condução da tocha (velocidade de soldagem calibrada). Foi feito apenas um cordão por placa de teste

para evitar efeitos de pré-aquecimento e calor diferenciado sobre a geometria do cordão a ser formado, sendo que se tentou manter o mesmo comprimento do cordão em todas

as amostras, com valor aproximado de 150 mm. Procurou-se

assim, garantir termicamente as condições mais similares possíveis. A Tabela 1 apresenta os parâmetros utilizados em corrente pulsada e na Tabela 2 as regulagens utilizadas nos modos convencionais, destacando-se que se procurou trabalhar com 2 níveis de energia similares em cada versão do processo (pulsado, curto-circuito e vôo livre). É importante apontar que foram realizados dois cordões de soldas com

cada parâmetro, para verificar a repetibilidade dos resultados. Foi possível se obter os dois níveis de energia desejados inicialmente com transferência pulsada, o mesmo ocorrendo para o modo curto-circuito (agora variando-se a velocidade de soldagem), mantendo-se o mesmo tipo de transferência nos dois níveis. Porém, não se conseguiu manter o mesmo modo de transferência (goticular) nos dois níveis de energia para a versão vôo livre, mesmo ajustando-se a velocidade de soldagem, sendo que para o nível mais baixo a transferência foi globular e para o nível mais alto goticular (spray). Para monitorar os valores instantâneos de corrente e tensão, foi utilizado um sistema de aquisição de dados, com freqüência de aquisição 13,6 kHz e um tempo de aquisição de 4 segundos, obtendo-se 54571 dados por soldagem. A resolução da aquisição com 12 bits é de 0,05 V para a tensão

e 0,24 A para a corrente. Os dados de tensão e corrente ob-

tidos foram gravados, tratados e utilizados para os cálculos

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Tabela 1. Parâmetros de Regulagem para as soldagens no modo Pulsado.

Parâmetros de Regulagem para as soldagens no modo Pulsado. Tabela 2. Parâmetros de Regulagem para as

Tabela 2. Parâmetros de Regulagem para as soldagens no modo Convencional.

de Regulagem para as soldagens no modo Convencional. e c omparação da significância da potência dos

e comparação da significância da potência dos arcos pelos

quatro métodos (como não foi utilizado multímetro para se medir os valores através do seu visor, não se incorreu em erros intrínsecos de leituras por ser humano), a saber:

- Potência Média Aritmética, no qual o cálculo é feito

através do produto dos valores médios de tensão e corrente de uma dada amostragem, conforme Equação 1.

- Potência Eficaz (RMS), no qual o cálculo é feito através

do produto da média dos valores RMS do sinal de tensão e corrente de uma dada amostragem, conforme Equação 2.

- Potência Instantânea Média, sendo adotada neste caso,

a média aritmética dos resultados do produto da tensão pela corrente feitos pontualmente em uma dada amostragem.

Pode ser descrita também como a média de todos os valo- res instantâneos de potência medidos durante uma solda, conforme Equação 3. - Potência Instantânea RMS, obtida através do valor RMS do produto de todos os valores instantâneos de tensão e corrente medidos durante uma solda de uma dada amostragem, conforme Equação 4. Como em soldagem é muito comum se usar o valor da potência para simulações de ciclos térmicos, de geometrias e até de tensões residuais, torna-se importante avaliar a conseqüência do uso das diferentes formas de cálculos, já que de cada uma se obtém resultados numericamente diferentes. O exemplo escolhido neste trabalho foi o cálculo

P Arit = U Arit x I Arit ,

onde:

P RMS = U RMS x I RMS , onde:

P inst

=

n

i

=1

U

i

×

I

i

n

,

U

Arit

U

RMS

=

=

n

i =

1

U

i

n

n 2 U ∑ i n i = 1
n
2
U
i
n
i
= 1

e

e

I

I

RMS

Arit

=

=

n

i = 1

I

i

n

n 2 I ∑ i n i = 1
n
2
I
i
n
i = 1

onde n é o número de amostras da aquisição.

(1)

(2)

(3)

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2  n   ∑ ( U × I )  i i 
2
n
(
U
× I
)
i
i
i = 1
=
,
P instRMS
n

onde n é o número de amostras da aquisição.

(4)

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do rendimento térmico (η) como indicador. Para o cálculo, usou-se a Equação 5, fruto de um rearranjo algébrico de equações de um modelo proposto por Rosenthal, citado em EASTERLING [5]. É importante mencionar que para aplicar esta equação deve-se estar ciente de que os cordões devem possuir formato semelhante a um semicírculo e depositado em chapas finas (condições não concordantes com este trabalho). Mas como o objetivo no momento é de apenas demonstrar as conseqüências e não quantificá-las, qualquer método de previsão de rendimento serviria como indicador, inclusive o proposto com os erros esperados. Nota-se que na equação é necessário entrar com o produto da tensão pela corrente, ou seja, valor de potência, com isso quatro valores de rendimento térmico são calculados pelos diferentes métodos.

η =

[(

T f

T

o

) .

V

s

.

d

.

ρ .

c

.2.

r

] (5)

1 2   2       . π e .
1
2
  2  
 
.
π e
.

U I

.

 

,

Sendo T f – Temperatura de fusão do material da chapa em Kelvin e T 0 – Temperatura ambiente em Kelvin;

V

s – Velocidade de soldagem em mm/s;

d

– Espessura da placa de teste em mm;

ρ – Densidade do material em kg/mm³ e c – Calor específico do material em J/kg.K;

r – Metade da largura do cordão de solda em mm; U – Tensão em Volts e I – Corrente em Ampere.

em mm; U – Tensão em Volts e I – Corrente em Ampere. Figura 1. Forma

Figura 1. Forma de medição dos parâmetros geométricos.

Mas para se aplicar a Equação 5, é necessário se conhecer antes o valor da largura do cordão de solda. Assim, prepa-

ração macrográfica foi realizada para medir os parâmetros

geométricos da zAC e do cordão de solda de cada amostra. Para isso, os corpos de prova foram transversalmente corta- dos na região central da chapa e as seções foram lixados até se conseguir uma superfície adequada. As seções transver- sais foram atacadas pelo método de imersão usando como reagente Nital 10% por um tempo de aproximadamente 15 segundos. As medições lineares da largura, penetração e reforço e das áreas fundida e de reforço do cordão e da área da zAC foram realizadas utilizando-se um equipamento comercial de captura e tratamento de imagens. A Figura 1 ilustra estes parâmetros geométricos.

Tabela 3. Valores de Potência calculados pelos 4 métodos em função do tipo de transferência para os níveis de energia de soldagem 1 e 2 (valores médios das réplicas experimentais para cada condição).

médios das réplicas experimentais para cada condição). Soldagem Insp. São Paulo, Vol. 12, No. 2, p.97-106,

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3. Resultados e Discussões

3.1 Análise Matemática

A Tabela 3 apresenta os resultados dos cálculos de po- tência pelos quatro métodos citados, em função do tipo de transferência metálica. As Figuras 2 a 5 ilustram de forma gráfica as diferenças de valores de cada cálculo (os pontos fo- ram interligados por curvas de tendência apenas para facilitar a visualização das diferenças entre valores calculados). Através do gráfico apresentado na Figura 2, que corresponde aos valores de potência calculados para o modo curto-circuito de transferência, verifica-se uma grande variação entre os valores obtidos pelos diferentes métodos, coerentemente nos dois níveis de energia de soldagem uti- lizados. Para os modos de transferência globular e goticular (“spray”) apresentados na Figura 3, não se observou muita variação nos resultados dos cálculos de potência e as curvas se apresentaram praticamente lineares, principalmente no modo de transferência goticular. No gráfico apresentado na Figura 4, referente aos cálculos de potência no modo pulsado, observou-se um comportamento similar ao verificado para curto-circuito, ou seja, com variações significantes entre

curto-circuito, ou seja, com variações significantes entre Figura 2. Método de cálculo x Potência para

Figura 2. Método de cálculo x Potência para transferência em curto-circuito.

cálculo x Potência para transferência em curto-circuito. Figura 4. Método de cálculo x Potência para

Figura 4. Método de cálculo x Potência para transferência em corrente pulsada.

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os diferentes métodos de cálculo. Este comportamento cíclico da corrente ortogonalmente ao da tensão (inde- pendência) afeta significativamente o valor da potência calculado pelas diferentes formas, apresentando as maiores diferenças nos resultados quando o modo de transferência é em corrente pulsada. A Figura 5 apresenta uma comparação entre todos os métodos de cálculo de potência em todos os modos de transferência metálica estudados. Através da análise do gráfico, pode-se verificar que a curva referente ao cálculo da potência instantânea se mantém sempre entre os valores da curva de potência média e potência RMS. Na região onde o modo de transferência predominante é globular ou spray, as curvas apresentam-se sobrepostas, indicando pouca influência dos métodos para o cálculo da potência. Observa-se também nos modos de transferência por curto-circuito que os métodos de cálculo Potência Mé- dia e Potência Instantânea apresentam valores próximos e as curvas estão sobrepostas. A avaliação da Figura 5 também mostra que a curva referente ao método chamado potência instantânea RMS fornece os maiores valores de potência obtidos. Em condições onde o aporte térmico deve ser rigorosamente definido, essa diferença pode

deve ser rigorosamente definido, essa diferença pode Figura 3. Método de cálculo x Potência para

Figura 3. Método de cálculo x Potência para transferência em vôo livre (globular e goticular).

para transferência em vôo livre (globular e goticular). Figura 5. Comparação entre os diferentes métodos de

Figura 5. Comparação entre os diferentes métodos de cálculo da potência.

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Nascimento, A. S.; Batista, M. A.; Nascimento, V. C.; Scotti, A.

Tabela 4. Diferença nos métodos de cálculo em relação à Potência instantânea.

métodos de cálculo em relação à Potência instantânea. levar a equívocos na determinação dos parâmetros

levar a equívocos na determinação dos parâmetros utilizados, gerando até mesmo defeitos como falta de penetração ou de

neira independente e com igual importância, neste caso U e I teriam uma distribuição normal. Pode-se, assim, admitir que

fusão quando a previsão for fundamentada com o método

a

distribuição de probabilidade conjunta (P) da Tensão (U)

de cálculo inadequado.

e

da Corrente (I) segue a condição expressa pela Equação 6

A Tabela 4 apresenta os valores da diferença entre os

[7], denominada Distribuição de Probabilidade Conjunta:

métodos de cálculo de potência em relação ao método da Potência Instantânea (que foi escolhido como o de referência devido à bibliografia consultada e experiência adquirida), para os diferentes modos de transferência metálica. Pode-se notar que as menores diferenças, qualquer que seja o método de cálculo, se deram para as transferências em vôo livre, principalmente em goticular. Mas chama-se atenção também

Desta maneira, é possível afirmar que a Tensão (U) e Corrente (I) são variáveis aleatórias independentes se, e somente se, obedecerem a Equação 6; Segundo SOARES [8], a média de uma variável alea- tória X n é também chamada de Valor Esperado, Esperança Matemática ou Esperança de X n ; Admitindo que a Tensão (U) e Corrente (I) obedecem

para o fato de no modo de transferência por curto-circuito a diferença entre Potência Instantânea e Potência Média ter sido muito pequena, justificando, a princípio, neste caso, utilizar esses dois métodos para o cálculo de potência. Já no modo pulsado, foram quase sempre obtidas as maiores variações entre os métodos, alcançando um máximo para o cálculo referente à potência instantânea RMS de 36,6%.

Equação 6 (estatisticamente independentes), é possível demonstrar de acordo com HOFFMANN [9] que a Esperança da Potência (E) é o produto da Esperança da tensão (E(U)) pela Esperança da Corrente (E)(I), como mostra a Equação 7, ou seja, E (Potência) é igual ao produto dos valores médios individuais de U e I (maiores detalhes do desenvolvimento matemático podem ser encontrados em ALLARD [7] - pp

a

Na tentativa de se explicar os resultados acima e para

49-51).

suportar a análise da diferença entre os métodos, foi utilizado o Teorema da Esperança, o qual pode ser aplicado com as seguintes condições:

O teorema estatístico do limite central afirma que “se a

flutuação total numa certa variável for o resultado da soma das flutuações de muitas variáveis independentes (no estudo

em questão são duas, Tensão (U) e Corrente (I)) e de impor- tância iguais, a sua distribuição tenderá para a normalidade, não importando qual seja a natureza das distribuições das variáveis individuais” [6];

Fazendo uma hipótese de que tanto a Tensão (U) como

a Corrente (I) em processos de soldagem “flutuam” de ma-

Portanto, pela Equação 7 todos os métodos de cálculo de

potência estariam corretos se, e somente se, as duas variáveis fossem independentes. De acordo com MONTGOMERY

e RUNGER [10], duas variáveis (neste caso, tensão e cor-

rente) são independentes se a distribuição dos dados for normal bidimensional e ainda apresentar um coeficiente de correlação nulo, o qual indica a independência das variáveis. Entretanto, em soldagem normalmente estas variáveis são dependentes, em maior ou menor grau em função do modo de transferência metálica. Em princípio, percebe-se que para o modo de transferên- cia por vôo livre (globular e goticular) as variáveis tensão e

P (V= ν n , I=i k ) = P (V= ν n ) . P (I = i k )

(para todo n e k)

(6)

E(Potência) = E (V.I) = E (V) . E (I)

(para todo n e k)

(7)

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corrente não apresentam grande dependência. Portanto, neste caso é possível se calcular a potência por qualquer um dos métodos apresentados, justificando os resultados da Tabela

covariância apresentam maiores valores, bem mais distantes de zero, ou seja, as variáveis nestes casos são dependentes e justificam os resultados da Tabela 4. Já nos modos de

4. As diferenças não teriam sido totalmente nulas devido a

transferência por curto-circuito, globular e goticular, tanto

a

correlação como a covariância assumem valores baixos

algumas ondulações mínimas que ocorrem nos sinais como resultado do comportamento do arco e das características elétricas das fontes de soldagem. Porém, no modo de

transferência onde se utiliza a corrente pulsada, no qual há uma forte dependência entre as variáveis tensão e corrente, justifica-se a grande diferença entre os valores de potência calculados pelos diferentes métodos. Já no modo de transferência por curto-circuito, a primeira vista se esperava que as variáveis tensão e corrente fossem dependentes (pelo comportamento de suas curvas, na qual a corrente cresce sempre que a tensão reduz). No entanto, os valores de potência calculados pelo método Potência Média

bem próximos de zero, significando que as duas variáveis tensão e corrente nestes casos são linearmente independentes (justificando novamente os resultados da Tabela 4). No caso do curto-circuito, apesar de estatisticamente elucidado, não se encontrou uma explicação física para se ter sinais com aparente dependência, porém independentes entre si. Com base nesses resultados, conclui-se que os métodos de cálculo mais vistos em artigos (Potência Média Aritmé- tica e Potência Eficaz) possuem aplicação segura limitada aos modos de transferência cujos sinais elétricos (tensão e corrente) são independentes. Portanto, o uso destes méto-

3.2 Análise Experimental

e

Potência Instantânea apresentaram valores bem próximos,

dos de cálculo não são indicados por não possuírem caráter

o

que levaria a supor que as variáveis fossem independentes.

genérico. Ainda pela metodologia de análise utilizada,

Por achar infundada esta suposição, fez-se as análises de cor- relação e covariância entre as variáveis. Porém, em situações, onde as variáveis envolvidas não têm seu comportamento descrito de maneira “suave”, ou seja, quando os índices de variações envolvidos em cada uma delas se assemelham a problemas rígidos, onde as variáveis mudam com passos de integração diferentes, recomenda-se que seja feita a norma- lização ou admensionalização dos dados a serem apurados.

notou-se que os métodos de cálculo denominados Potência Instantânea e Potência Instantânea RMS são os mais indica- dos para o cálculo de potência, pois não necessitam de um estudo preliminar do grau de dependência das variáveis na sua essência de cálculo, podendo, desta forma, ser utilizado para qualquer modo de transferência metálica.

Estas técnicas permitem que variáveis que possuem faixas de variação com diferenças significativas sejam avaliados com os mesmos “pesos”, ou seja, pode-se buscar uma correlação e co-variância mais precisas e eficazes entre as diversas

Concorrentemente à análise matemática, as característi- cas geométricas dos cordões de solda, definida pela largura (L), penetração (P) e reforço (R), além das áreas fundida

variáveis envolvidas no processo estudado. Como no caso estudado as variáveis apresentam dimen- sões diferentes, foi necessário fazer uma normalização dos dados, dividindo cada valor pontual pelo valor médio. A Ta- bela 5 apresenta os coeficientes de correlação e de covariân- cia entre os sinais de tensão e corrente, nos diferentes modos

(A Fun ), da zAC (A zAC ) e do reforço (A Ref ) foram obtidas nos diferentes modos de transferência metálica e os resultados estão apresentados na Tabela 6. Como proposto no item de Metodologia, foi possível prever o rendimento térmico do processo através da Equação 5, tomando r = L/2, assumindo ρ = 7,87 g/mm 3 [11], c = 0,486 J/gK [11], Tf = 1800 K, To

de transferência e em seus dois níveis de energia. Nota-se

=

300 K; e substituindo U x I pelas potências calculadas

que para o modo de transferência pulsado, a correlação e a

nos 4 métodos. Os resultados são apresentados na Tabela 7.

Tabela 5. Coeficiente de Correlação e Covariância.

7. Tabela 5. Coeficiente de Correlação e Covariância. 103 Pode-se observar nesta tabela que os valores

103

Pode-se observar nesta tabela que os valores de rendimentos, mesmo que com alguma coerência com o esperado, não pode ser usado com absoluto, uma vez que, como explicado a razão de se usar a Equação 5 no item da metodologia, é de se esperar erros por não ser esta equação a mais adequada. O objetivo de usá-la foi apenas indicativo. Observa-se também diferentes valores de acordo como o método de calculo da potência e os usuários destes cálculos devem ficar atentos para isto, principalmente ao se comparar dados obtidos por diferentes métodos de cálculos. Uma outra abordagem para apresentar as diferenças do método de cálculo foi tentar achar uma relação entre a Energia de Soldagem (usando as velocidades de soldagem

e

os valores de potência calculados pelos quatro métodos)

e

a soma da área fundida com a área da zAC (o ideal seria

usar a Energia Imposta, mas para isto seria necessário se conhecer o rendimento térmico verdadeiro e não o mos- trado na Tabela 7, já que este, além de não ser preciso, foi calculado usando as mesmas Energias de Soldagem, e o

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Nascimento, A. S.; Batista, M. A.; Nascimento, V. C.; Scotti, A.

Tabela 6. Resultados das características geométricas.

A. Tabela 6. Resultados das características geométricas. Tabela 7. Rendimentos térmicos estimados (Equação 5)

Tabela 7. Rendimentos térmicos estimados (Equação 5) usando diferentes formas de calcular potência do arco (valores apenas relativos e não absolutos, ou seja, podem conter erros)

relativos e não absolutos, ou seja, podem conter erros) resultado ficaria recorrente, ou seja, para todos

resultado ficaria recorrente, ou seja, para todos os casos a energia imposta seria a mesma). A Tabela 8 apresenta os valores obtidos, destacando-se o fato de que os valores de energia de soldagem obtidos por cada método se diferem para um mesmo tipo de transferência, mas a diferença entre eles para uma mesma condição, por exemplo, entre CC1 e CC2, é praticamente a mesma. Além disto, a Figura 6 ilustra uma relação direta entre a faixa de energia imposta calculada pelos quatro métodos e a soma das áreas fundida e da zAC em relação aos dois níveis de energia.

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3.3 Análise Global

Os resultados da análise experimental (item 3.1) fazem sugerir que usuários possam utilizar métodos de cálculo diferentes e conseguir tirar conclusões adequadas se manti- verem o mesmo método em seus cálculos. Porém, é como se estivesse trabalhando com um erro sistemático, acres- centando ou reduzindo um valor na resposta. Mas esses mesmos resultados não enfraquecem a conclusão da análise matemática (item 3.2) de que só os cálculos de potência pela

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Avaliação dos Métodos de Cálculo de Potência Elétrica em Soldagem a Arco e as Conseqüências sobre as Previsões Geométricas, Térmicas e Metalúrgicas da Junta

Tabela 8. Energia de Soldagem calculada pelos quatro métodos e valor da área fundida mais a área da zAC.

métodos e valor da área fundida mais a área da zAC. Figura 6. Relação entre energia
métodos e valor da área fundida mais a área da zAC. Figura 6. Relação entre energia

Figura 6. Relação entre energia de soldagem calculada pe- los quatro métodos e a área fundida mais a área da zAC, em dois níveis de energia.

média do produto de U e I (as Potências Instantâneas Média e RMS) são recomendáveis por serem genéricos, devendo- se evitar os cálculos pelo produto das médias de U e I (as Potências Aritmética e Eficaz). Entretanto, como o método pela Potência Instantânea RMS não é difundido no meio, pode ficar a sugestão de se usar o método de cálculo pela Potência Instantânea Média, mas não sem deixar o desafio para se definir qual deles representa de maneira mais apro- priada o fenômeno físico de aporte de calor do arco para a chapa em soldagem a arco.

4. Conclusões

As principais conclusões relativas ao trabalho desen- volvido foram:

Existem diferenças significativas nos valores de potência calculados por diferentes métodos;

A diferença dos resultados entre os métodos é constante, independente do modo de transferência e do nível de energia de soldagem, significando um erro sistemático nos resultados caso se esteja usando o método que não

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seja o mais exato. O erro sistemático pode ser maior ou menor, até nulo, dependendo do modo de transferência (comportamento dos sinais de tensão e corrente). Assim, pode-se utilizar até, por exemplo, os valores de leitura de corrente ou tensão direto dos aparelhos de medida

(amperímetros e voltímetros) para se calcular a Potência, se, e somente se, for aceita a incorporação desse erro sistemático e não forem comparados com dados em que se usaram outros métodos de calculo de potência;

A

presença de dependência ou independência entre as

variáveis tensão e corrente (U e I) mostrou-se um fator importante na tomada da decisão sobre o melhor método de cálculo;

Através de uma análise estatística pelo coeficiente de correlação e/ou pela covariância é possível identificar as relações de dependência entre as variáveis U e I nos diferentes métodos de transferência, inclusive naqueles que por sentimento poderia se achar o contrário (como no caso dos sinais serem independentes em soldagem por curto-circuito);

É possível afirmar que para os modos de transferência

em que o coeficiente de correlação e a covariância as- sumem valores próximos de zero a potência pode ser calculada por todos os métodos de cálculo;

Porém, pôde-se demonstrar e concluir matematicamente, pelo Teorema da Esperança, que dos quatro possíveis métodos de cálculo de potência, os mais indicados

a

serem utilizados são o da Potência Instantânea e o

Potência Instantânea RMS, pois estes métodos podem ser aplicados mesmo que as variáveis tensão e corrente sejam dependentes.

Finalmente, é importante ressaltar que se acredita for- temente haver uma dependência física de corrente e tensão (U e I) na soldagem por curto-circuito. No entanto, como os métodos estatísticos utilizados (que estabelece uma re- lação apenas linear) não foram capazes de identificar essa dependência e como foge ao escopo do trabalho o uso de

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Nascimento, A. S.; Batista, M. A.; Nascimento, V. C.; Scotti, A.

ferramental estatístico “mais refinado”, os presentes autores apresentam como sugestão para trabalhos futuros o desafio de se justificar a independência dos sinais de I e U em soldagem com transferência por curto-circuito (a qual foi encontrada através do coeficiente de correlação - valor este próximo de zero) ou, ainda, apresentar uma outra abordagem para análise de dependência de variáveis que mostre resultado contrário (o qual seria o esperado pelo sentimento físico do processo). Os autores ainda sugerem que seja desenvolvida uma me- todologia para a indicação do melhor e mais representativo método de cálculo de Potência e que melhor caracterize o fenômeno físico de aporte de calor.

5. Agradecimentos

Os autores deste trabalho agradecem: a equipe téc- nica do LAPROSOLDA, pela realização dos testes de solda- gem; aos professores Dr. Luis Cláudio de Oliveira Lopes e Dr Marcos Antônio de Souza Barrozo, do Departamento de En- genharia Química da UFU, e a professora Aurélia Aparecida de Araújo Rodrigues, da Faculdade de Matemática da UFU, pelas contribuições matemáticas e estatísticas; à CAPES e CNPq pela concessão de bolsas de estudos; e à FAPEMIG pelo apoio financeiro através do projeto “Estudo da Física do Arco Aplicado à Soldagem visando Desenvolvimentos de Processos”, Proc. TEC 604/2005. Sem estas contribuições, não seria possível a realização do presente trabalho.

6. Referências Bibliográficas

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