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CURSO DE ENGENHARIA CIVIL CAMPUS SANTO AMARO DISCIPLINA: FUNDAÇÕES E OBRAS DE TERRA NOTAS DE

CURSO DE ENGENHARIA CIVIL CAMPUS SANTO AMARO DISCIPLINA: FUNDAÇÕES E OBRAS DE TERRA NOTAS DE AULA

FUNDAÇÕES PROFUNDAS

1.0

Introdução

No projeto de uma fundação profunda o engenheiro deve se preocupar não só com a segurança em relação à perda de capacidade de carga, mas, e também (embora em menor grau) com a avaliação dos recalques que podem ocorrer sob as cargas de trabalho. Serão estudados neste capítulo os métodos estáticos e dinâmicos utilizados para cálculo ou estimativa da capacidade de carga de estacas e tubulões, para o caso de cargas axiais.

2.0 Capacidade de Carga de Estacas

Em se tratando de capacidade de carga de uma estaca, a primeira coisa a verificar é sua capacidade de resistir aos esforços atuantes sem sofrer fissuras ou se romper. É sua resistência estrutural. Neste caso, de acordo com suas dimensões e do material utilizado, cada tipo de estaca tem uma capacidade de carga estrutural. A Tabela 7.1, extraída do livro de Velloso e Lopes (2002), mostra a capacidade estrutural e também a tensão máxima (σ) para estacas prémoldadas de concreto.

Tabela 7.1 – Capacidade de carga estrutural de estacas prémoldadas de concreto (Velloso e Lopes,

2002).

de estacas prémoldadas de concreto (Velloso e Lopes, 2002). Uma vez satisfeita sua capacidade estrutural, um

Uma vez satisfeita sua capacidade estrutural, um sistema estaca-solo submetido a uma carga vertical resistirá a essa solicitação parcialmente pela resistência ao cisalhamento gerada ao longo de seu fuste e parcialmente pelas tensões normais geradas ao nível de sua ponta. Portanto, podemos definir como capacidade de carga de um sistema estaca-solo (Q r ) a carga que provoca a ruptura do conjunto

formado pelo solo e a estaca. Essa carga de ruptura pode ser avaliada através dos métodos estáticos, dinâmicos e das provas de carga. Por sua vez, os métodos estáticos se dividem em:

i) métodos racionais ou teóricos: utilizam soluções teóricas de capacidade de carga e parâmetros do solo;

ii) métodos semi-empíricos: se baseiam em ensaios in situ de penetração, como por exemplo, o SPT e o CPT.

estimar,

grosseiramente, a capacidade de carga de uma estaca ou tubulão com base apenas na descrição das camadas atravessadas.

Poderia

se

falar

ainda

dos

métodos

empíricos,

a

partir

dos

quais

se

pode

também

2.1 Conceituação Básica da Capacidade de Carga de Estacas Isoladas

Nos métodos estáticos, parte-se do equilíbrio entre a carga aplicada mais o peso próprio da estaca ou tubulão e a resistência oferecida pelo solo, conforme mostrado na Figura 7.1. O equilíbrio é expresso com a seguinte equação:

Q r + W = Q p + Q l

(1)

em que Q r = capacidade de carga total da estaca. W = peso próprio da estaca. Q p = capacidade de carga de ponta (de base). Q l = capacidade de carga do fuste (atrito/adesão lateral).

Na maioria absoluta dos casos, o peso próprio é desprezível em virtude da sua pouca representação em relação às cargas atuantes sobre a estaca, de tal forma que a Equação 1 pode ser reescrita introduzindo-se as resistências unitárias (q p e q l ), da seguinte maneira:

ou

Q

Q

r

r

em que

=

=

A

A

p

p

q

q

p

p

+

+

U

L

0

q dz

l

U

q

l

l

(2)

(3)

A p = área da ponta da estaca (base) q p = resistência de ponta unitária U = perímetro da estaca q l = resistência lateral unitária l = trecho do comprimento da estaca ao qual se refere q l .

A Equação 3 deve servir de premissa para todos os métodos de capacidade de carga de estacas e

tubulões. Evidentemente, o tipo de estaca e o perfil do terreno determinarão para cada caso quem prevalece na capacidade de carga total, se a resistência de ponta ou o atrito lateral ou ambos. Para efeitos de melhor compreensão, a Figura 7.1 será denominada estaca de referência ou padrão, que é de deslocamento, de concreto armado e seção circular, com diâmetro B.

de concreto armado e seção circular, com diâmetro B. Figura 7.1 – Estaca padrão submetida a

Figura 7.1 – Estaca padrão submetida a carga de ruptura de compressão.

2.2 O Conceito de Ruptura

O autor deste trabalho considera de suma importância deixar claro o conceito de ruptura, visto que,

conforme lembrado por Décourt et al. (1998), as teorias de capacidade de carga se referem a ruptura sem muitas vezes serem discutidas as deformações necessárias para atingi-la. As verificações experimentais de capacidade de carga são interpretadas em termos de curva carga- recalque, em que a inexistência de condições claras de ruptura é quase sempre a regra geral. Daí, a necessidade de se ter uma definição de ruptura. De Beer (1988) apresenta os conceitos de ruptura

física e ruptura convencional, conforme definições que seguem.

Ruptura física (Q UU ) : é definida como o limite da relação do acréscimo do recalque da ponta da estaca (SB ) pelo acréscimo de carga (Q), tendendo ao infinito, ou seja:

Q

UU

=

Q

para

SB ∆
SB

Q

≡ ∞

(4)

Décourt (1996) propõe definir a ruptura física a partir do conceito de rigidez. Para o autor, a rigidez de uma fundação qualquer (R) expressa a relação entre a carga a ela aplicada e o recalque produzido (s). Portanto, nesta conceituação, a ruptura física acontece quando o valor da rigidez se torna nulo, ou seja:

Q UU = limite de Q quando s ⇒ ∞. Portanto,

R =

Q

s

0

(5)

Ruptura convencional (Q UC ): é definida quando existe uma carga correspondente a uma deformação da ponta (ou do topo) equivalente a um percentual do diâmetro da estaca, sendo 10% de B, no caso de estacas de deslocamento e de estacas escavadas em argila, e 30% no caso de estacas escavadas em solos granulares.

2.3 Métodos de Previsão de Capacidade de Carga de Estacas

2.3.1 Fórmulas Teóricas (Racionais) para Resistência de Ponta

Segundo Velloso e Lopes (2002), as primeiras fórmulas teóricas foram desenvolvidas no início do século XIX. Serão apresentadas inicialmente as formulações para resistência de ponta, que se baseiam na Teoria da Plasticidade e, em seguida, são desenvolvidas as teorias usadas para cálculo da resistência de atrito lateral.

i) Solução de Terzaghi

É a mesma teoria desenvolvida para a capacidade de carga de fundações superficiais. Neste caso, a ruptura do solo abaixo da ponta da estaca, não pode ocorrer sem deslocamento de solo para baixo e para cima, conforme mostrado na Figura 7.2.

para baixo e para cima, conforme mostrado na Figura 7.2. Figura 7.2 – Configurações da ruptura

Figura 7.2 – Configurações da ruptura para fundações profundas: (a) Terzaghi; (b) Meyerhof.

Se ao longo do comprimento L da estaca o solo é bem mais compressível que o existente abaixo da base, as tensões cisalhantes (τ l ) provocadas ao longo do fuste pelos deslocamentos são desprezíveis.

Assim, a influência do solo que envolve a esta é semelhante à de uma sobrecarga (q = γ.L), e a resistência de ponta será calculada por uma das fórmulas usadas em fundações superficiais:

q

p rup

,

=

1,2

cN

c

+

LN

γ

q

+

0,6

γ

B

2

N

γ

para estacas de base circular e diâmetro B, ou

q

p rup

,

=

1,2

cN

c

+

LN

γ

q

+

0,8

γ

B

2

N

γ

para estacas de base quadrada, de lado B.

(6)

(7)

Em argilas homogêneas, em condição não drenada (φ = 0°), a resistência de ponta se torna praticamente constante para valores de L/D acima de 4, podendo ser admitida iguala 9S u , portanto, independente das dimensões da estaca, como sugere Skempton (1951). Na Tabela 7.2 são apresentados os valores dos fatores de capacidade de carga N c , N q e N γ , para o caso de ruptura geral, e

c , N´ q e N´ γ , para o caso de ruptura localizada.

Tabela 7.2 – Fatores de capacidade de carga propostos por Bowles (1968).

Fatores de capacidade de carga propostos por Bowles (1968). ii) Solução de Meyerhof É análoga à

ii) Solução de Meyerhof

É análoga à solução de Terzaghi, tendo a seguinte diferença: enquanto na solução de Terzaghi o solo situado acima do nível da base da fundação é substituído por uma sobrecarga frouxa γL, onde as linhas de ruptura são interrompidas no plano BD, na solução de Meyerhof essas linhas de ruptura são levadas ao maciço situado acima de tal plano, conforme mostrado na Figura 7.2b. Meyerhof (1953) propôs um procedimento relativamente simples para o cálculo da capacidade de carga de estacas, sendo a resistência de ponta obtida de:

q

p rup

,

=

cN

c

+

LN

K

γ

s

q

+

γ

B

2

N

γ

(8)

em que K S = coeficiente de empuxo do solo contra o fuste na zona de ruptura próxima à ponta e N c N q e N γ = fatores de capacidade de carga, que dependem de φ e da relação L/B.

Os valores de K S , empuxo do terreno contra o fuste, na vizinhança da ponta de uma estaca cravada situam-se em torno de 0,5 (areias fofas) e 1,0 (areias compactas), conforme resultados obtidos de ensaios de laboratório e de campo (Velloso e Lopes, 2002). No caso de fundações profundas, o valor da relação L/B é muito grande. Por essa razão, despreza-se a última parcela da Equação 8, ficando:

q

p rup

,

= cN

c

+ K γLN

s

q

(9)

onde os fatores N c e N q são obtidos dos ábacos da Figura 7.3, para o caso de estacas de seção circular ou quadrada e para valores comuns de φ´.

Capacidade de carga de estacas em solos argilosos: como neste caso, φ = 0, a Equação 9 é reescrita:

q

p rup

,

= 9,5

S

u

L

+ γ

(10)

onde N c está entre 9 e 10, e de acordo com a Teoria da Plasticidade, N q = 1 e K S é aproximadamente igual à unidade. Exige-se que a ponta da estaca penetre na camada argilosa pelo menos 2B. Para penetrações menores, valor de N c diminui quase linearmente até 2/3 do seu valor quando a base se apóia no topo da camada argilosa.

valor quando a base se apóia no topo da camada argilosa. Figura 7.3 – Fatores de

Figura 7.3 – Fatores de capacidade de carga propostos por Meyerhof (1953).

Capacidade de carga de estacas em solos granulares: como neste caso, c = 0, a Equação 9 fica:

q

p rup

,

= K γLN

s

q

(11)

É necessário que a ponta da estaca penetre pelo menos 2B na camada de base. Para penetrações

menores que 2B, serão utilizados os valores de N q e N γ que correspondam à penetração real, introduzindo-os na Equação 8, com c = 0.

Capacidade de carga de estacas em solos estratificados: para uma estaca instalada em perfil de solo estratificado, pode-se considerar a resistência por atrito lateral total como sendo a soma das resistências individuais de cada camada atravessada. Já a resistência de ponta é, inevitavelmente, determinada pela camada na qual está fincada a ponta da estaca, conforme as Equações 10 e 11.

iii) Solução de Berezantzev

A solução de Berezantzev contempla a capacidade de ponta de estacas em solos arenosos. De acordo

com essa solução, a parcela correspondente à dimensão da estaca (B) não é desprezada, obtendo-se a

seguinte expressão:

q

p rup

,

=

A

k

B

γ

+

B

k

α

T

L

γ

(12)

em que os valores do coeficiente α T são obtidos da relação L/B e do ângulo φ, conforme mostrado na

Tabela 7.3. Os valores de A K e B K são também funções de φ, sendo obtidos das curvas da Figura 7.4.

De acordo com essa formulação, a tensão horizontal contra o fuste da estaca cravada não cresce linear

e indefinidamente com a profundidade, contrário ao que intuitivamente se poderia pensar.

Tabela 7.3 – Valores de α T para aplicação do método de Berezantzev et al (1961), citados por Velloso e

Lopes (2002).

7.3 – Valores de α T para aplicação do método de Berezantzev et al (1961), citados
Figura 7.4 – Fatores de capacidade de carga propostos por Berezantzev et al. (1961). iv)

Figura 7.4 – Fatores de capacidade de carga propostos por Berezantzev et al. (1961).

iv) Solução de Vésic

Nas formulações das soluções clássicas, a resistência de ponta de uma estaca é função apenas da resistência do solo. Cabe ressaltar, todavia, que a rigidez do solo desempenha um papel fundamental, visto que o mecanismo de ruptura é função dessa rigidez. Daí, a introdução de soluções baseadas na teoria de expansão de cavidades em um meio elasto-plástico, conforme esquematizado na Figura 7.5. Na proposta de Vésic (1972), a resistência de ponta de uma fundação profunda pode ser obtida da seguinte equação:

em que

q

p,rup

=

cN

c

+

σ

σ

o

=

1 + 2 K

o

3

σ´

v

0

N

σ

(13)

(13A)

K 0 = coeficiente de empuxo no estado de repouso. σ´ v = tensão vertical efetiva no nível da ponta da estaca.

N c , N σ = fatores de capacidade de carga (Tabela 7.4), relacionados pela expressão:

N

c

=

(

N

σ

)

1 cot

φ

(13B)

Para entrada na Tabela 7.4, é necessário, além do ângulo φ, do Índice de Rigidez (I r ), que pode ser calculado com a seguinte equação:

I r

E G

=

(

2 1

+

ν

)

c

+

σ

´

φ(

tg

=

c σ tgφ )

+

´

(13C)

N c são os valores superiores, enquanto N σ são os números inferiores em cada linha corresponde a cada valor de φ mostrados na Tabela 7.4. Da Equação 13 se observa que Vésic expressa a resistência de ponta em função da tensão normal média (σ´ v ) atuando no nível da ponta da estaca.

média ( σ ´ v ) atuando no nível da ponta da estaca. Figura 7.5 –

Figura 7.5 – (a) Analogia entre a ruptura de ponta de uma estaca e a expansão de uma cavidade esférica; (b) mecanismo de expansão de uma cavidade esférica (Velloso e Lopes, 2002, apud Vésic, 1972).

Tabela 7.4 – Fatores de capacidade de carga N c e N σ propostos por Vésic.

e Lopes, 2002, apud Vésic, 1972). Tabela 7.4 – Fatores de capacidade de carga N c

2.3.2 Fórmulas Teóricas (Racionais) para a Resistência de Atrito Lateral

A segunda parcela da capacidade de carga de uma estaca é a resistência de atrito lateral, conforme foi mostrado nas Equações 2 e 3. O tratamento teórico aplicado ao atrito lateral unitário (q l ) é análogo ao usado para analisar a resistência ao deslizamento de um sólido em contato com o solo. Dessa forma, seu valor é, usualmente, considerado como a soma de duas parcelas:

q

l , rup

=

c

a

+

σ tgδ

´

h

=

c

a

+

K

s

σ tgδ

´

v

=

c

a

+

K

s

γ

´

L tgδ

(14)

em que c a é a aderência entre a estaca e o solo, σ´ h é a tensão horizontal média atuando na superfície

lateral da estaca na ruptura e δ é o ângulo de atrito entre a estaca e o solo. Os valores de c a e δ podem, em determinados casos, serem determinados através de ensaios de laboratório, executando-se ensaios de resistência ao cisalhamento na interface entre o material da estaca e o solo, porém, esse processo está sujeito a limitações (p. ex., o nível de tensão horizontal na superfície de contato). Por isso, q l,rup é comum e preferencialmente estimado com base em dados empíricos oriundos de observações de campo. Outro aspecto importante lembrado por Velloso e Lopes (2002) é fato comprovado: “medições em estacas instrumentadas cravadas em solos granulares parecem mostrar que o atrito lateral não cresce com a profundidade abaixo de certa profundidade, denominada crítica, assumindo daí para baixo um valor constante”.

a) Fórmula de Terzaghi:

Terzaghi (1943) apresenta a parcela de resistência correspondendo ao efeito de profundidade da

, onde γ 1 seria o peso específico majorado, obtido com o seguinte raciocínio: na

seguinte forma:

γ

1

LN

q

ruptura, a área anelar BD, da Figura 7.2a, tende a subir, o que faz surgir uma força resistente dada por:

L


(

n

2

1 )

π B

2

4

B

γ +π

τ

l

+ n

B

π

τ


(15)

em que nB é o diâmetro externo da área anelar e τ a resistência ao cisalhamento do solo. Por unidade

de área, tem-se:

onde

q

1

γ

1

=

=

L

(

n

2

1

)

B

4

π

2

γ

+

B

π

τ

l

+

n

B

π

τ

 

(

n

2

 

)

B

π

2

 
 

1

 

4

 

τ

l + n

τ

 

γ

+ 4

(

B n

2

1)

 

=

γ

1

L

(16)

(17)

adotando-se para n o valor que torna mínima a capacidade de carga da estaca.

A maior limitação do uso da Equação 17 (e também 18) refere-se às incertezas sobre o valor de τ, pois

as tensões de cisalhamento ao longo da superfície DE, na Figura 7.2a, são muito dependentes da compressibilidade do solo. Sendo o solo pouco compressível (areias compactas), as tensões cisalhantes na região DE são muito significativas. Em contrapartida, no caso de solos fofos (areia fofa muito compressível), essas tensões cisalhantes ao longo de DE são inexpressivas, visto que o movimento necessário a uma penetração da fundação para baixo pode ser produzido por uma compressão lateral da areia localizada abaixo de BD e a tendência para levantar areia acima da base

da estaca é, certamente, insignificante. Portanto, quando se escolhe um valor de τ para a Equação 17,

deve-se supor uma mobilização incompleta da resistência ao cisalhamento do solo ao longo da superfície cilíndrica DE. Em todo caso, a compressibilidade do solo deve ser levada em consideração pelo fato dela influenciar decisivamente na capacidade de carga da fundação.

b) Fórmula de Meyerhof:

Tendo como base a Equação 14, Meyerhof propõe as seguintes expressões para cálculo do atrito lateral unitário de estacas:

σ h =

K

S

L

γ

2 cos

δ

(18)

para solos granulares (c a = 0), sendo δ o ângulo de atrito solo-estaca e

K

S o coeficiente de empuxo

médio ao longo de todo o fuste.

O

atrito lateral unitário da estaca, obtido em consonância com a Equação 18, será dado por:

q

l rup

,

=

K

S

L

γ

2

tg

δ

(19)

O

valor médio de K S ( K

S ) pode ser determinado a partir de ensaios de penetração estática, analisando-

se os valores da resistência lateral; K S seria obtido no trecho inferior (2B a 4B) da haste de ensaio e

K

S obtida a partir da média dos K S obtidos em diferentes profundidades. Na Tabela 7.5, de Broms

(1966), são apresentados valores de K S para fins de estimativas do atrito lateral unitário. Para δ sugere- se os seguintes valores (Velloso e Lopes, 2002 apud Aas, 1966):

Estacas de aço:

Estacas de concreto:

Estacas de madeira:

δ = 20° 3φ δ = 4 2φ δ = 3
δ = 20°
δ =
4
δ =
3

Tabela 5 – Valores de K S (Broms, 1966).

Tipo de Estaca

Areia fofa

Areia compacta

Metálica (aço)

0,5

1,0

Concreto

1,0

2,0

Madeira

1,5

3,0

Observações:

i) se a ponta da estaca estiver apoiada numa profundidade L´, abaixo do lençol freático, a capacidade

de carga total da estaca (Q r ) deverá ser reduzida pela aplicação do seguinte coeficiente multiplicador:

´ L´

1

γ

γ

L

1 − 

em que γ´é o peso específico do solo submerso.

(20)

ii) para solos argilosos (φ = 0), Meyerhof propõe a seguinte expressão para a aderência lateral:

q

l rup

,

= c

a

(21)

em que c a é a coesão do solo, que depende do processo executivo da estaca e da sensibilidade da argila. Para uma estaca cravada em uma argila pouco sensível, pode-se adotar c a = S u (resistência ao cisalhamento não drenada), com limite superior aproximado da ordem de 100 kPa. O fato da resistência lateral crescer e atingir um valor máximo da resistência não drenada da argila, levou os pesquisadores a comparar estas duas resistências por uma expressão do tipo:

q

l rup

,

=αS

u

(22)

em que α é um coeficiente que pode variar de 0,2 a 1,25, de acordo com o tipo de estaca e o tipo solo, conforme mostrado na Figura 7.6.

de estaca e o tipo solo, conforme mostrado na Figura 7.6. Figura 7.6 – Valores do

Figura 7.6 – Valores do coeficiente de adesão α para atrito lateral de estacas.

c) Fórmula Geral para Solos Arenosos:

Foi visto que q l,rup depende de duas parcelas: i) aderência (c a ), a qual independe da tensão normal efetiva (σ´ h ) que atua contra o fuste e ii) a parcela de atrito, que aí sim, é proporcional a essa tensão. A

experiência adquirida com estacas de rugosidade normal permite adotar tg δ = tg φ´, sendo φ´ o ângulo de atrito interno do solo amolgado em termos de tensões efetivas. Como a tensão normal atuando contra o fuste é normalmente relacionada à tensão vertical efetiva na profundidade correspondente,

através de um coeficiente de empuxo K S , pode-se reescrever a Equação 14, para solos granulares (c a =

0) da seguinte forma:

q

l , rup

=

K σ tgφ

s

,

v

,

(23)

Segundo Velloso e Lopes (2002), o coeficiente K S é afetado pelo comprimento e forma da estaca, principalmente se for cônica. Em estacas escavadas e jateadas, K S é igual ou menor que K 0 (coeficiente de empuxo no repouso). Em estacas cravadas com pequeno deslocamento, ele é um pouco maior, porém, raramente excedendo 1,5, mesmo em areias compactas. Para estacas cravadas curtas e de grande deslocamento, instaladas em areia, K S pode se aproximar do coeficiente de empuxo passivo, dado por K p = tg 2 (45° + φ/2).

d) Métodos para Solos Argilosos:

d.1) Método α: nos solos argilosos, a resistência lateral tem sido relacionada á resistência ao

cisalhamento (coesão) não drenada, conforme visto na Equação 22. Os valores de α: são apresentados na Figura 7.7, cujas curvas levam em consideração a natureza da camada sobrejacente e a resistência não-drenada da argila antes da instalação da estaca.

d.2) Método β: De acordo com discussões apresentadas em Velloso e Lopes (2002), Burland (1973) sugeriu que o atrito estaca-solo não fosse associado à resistência ao cisalhamento não-drenada, mas sim às condições de tensões efetivas, de cuja proposta são tiradas as seguintes considerações:

i) Antes do carregamento, os excessos de poropressão gerados na instalação da estaca estão completamente dissipados;

ii) Uma vez que a zona de maior distorção em torno do fuste é delgada, o carregamento ocorre em condições drenadas;

iii) Em decorrência do amolgamento causado durante a instalação, o solo não terá coesão efetiva, razão pela qual o atrito lateral em qualquer ponto será dado por:

q

l rup

,

=

σ tgδ

,

h

(24)

onde σ´ h é a tensão horizontal efetiva que atua na estaca e δ o ângulo de atrito efetivo entre a argila e o fuste da estaca.

iv) Admite-se que a tensão horizontal efetiva é proporcional à tensão vertical efetiva inicial, σ´ v :

σ

,

h

= Kσ

,

vo

(25)

Figura 7.7 – Curvas para obtenção do coeficiente α (Velloso e Lopes, 2002, apud Tomlinson,

Figura 7.7 – Curvas para obtenção do coeficiente α (Velloso e Lopes, 2002, apud Tomlinson, 1994).

Com relação à Equação 25, há que se ter bastante cuidado para não confundir K com o coeficiente de empuxo do solo no repouso, K 0 , visto que o valor de K é muito dependente do processo de instalação da estaca no solo, que pode ser muito diferente da situação original. Com a Equação 25, pode-se reescrever a Equação 24 da seguinte forma:

q

l rup

,

=

Kσ

,

v

0

tgδ

(26)

Da Equação 26, o produto Ktgδ pode ser substituído pelo símbolo β, resultando em:

β

=

q

l rup

,

,

σ v 0

=

Ktg

δ

(26A)

Valores médios de β podem ser obtidos empiricamente, a partir de provas de carga, desde que se tenha deixado passar algum tempo entre a instalação da estaca e a realização do ensaio, e que o ensaio seja realizado de forma lenta.

Valores de β para argilas moles normalmente adensadas:

β

=

1sen

φ

,

a

tgφ

,

a

(26B)

onde φ´ a é o ângulo de atrito do solo amolgado e drenado, que estima-se se situar entre 20° e 30°.

Valores de β para argilas rijas:

A resistência lateral de argilas rijas é muito difícil de se avaliar. Para uma estaca ideal, cuja instalação

não provoque grandes perturbações no terreno, é razoável admitir-se que a resistência lateral total seja dada por:

Q

l , rup

=

B

π

L

0

σ

,

v 0

K

0 tg

δ

L

(27)

onde B e L são o diâmetro e o comprimento da estaca, respectivamente.

O valor médio de q l,rup da resistência unitária da estaca seria dado por:

q

l rup

,

=

Q

l rup

,

1

=

BL

π

L

L

σ

0

,

v 0

K tg

0

δ

L

(27A)

Método λ: Nesta abordagem, expressa-se a resistência lateral em função da tensão vertical efetiva e da resistência não-drenada da argila. Por isso, o método recebe também a denominação de “enfoque misto”. Neste caso, a resistência lateral pode ser calculada por:

q

l rup

,

=

λ σ

,

v 0

+

2S

u

(28)

em que λ é um coeficiente que depende do comprimento da estaca, o qual varia de 0,1 para estacas com mais de 50m de comprimento a 0,3 para estacas menores de 10m.

Evolução da Resistência com o Tempo após a Cravação da Estaca

Pesquisas têm revelado que após a cravação de uma estaca em um depósito de argila mole há um aumento considerável da resistência lateral com o decorrer do tempo. Esse aumento na resistência está associado à migração de água dos poros, causada pelo excesso de poropressão gerado durante a cravação da estaca. Vários pesquisadores têm confirmado essa ocorrência (Velloso e Lopes, 2002), dos quais pode-se destacar Soderberg (1962), o qual propõe uma equação para previsão do tempo (t) necessário para o desenvolvimento da máxima capacidade de carga da estaca a partir da cravação. Conforme visto na Equação 29, esse tempo é proporcional ao quadrado do diâmetro ou raio da estaca (r). Neste caso, o ganho de resistência com o tempo seria controlado pelo fator tempo (T h ), definido por:

T h

=

C

h

t

r

2

(29)

onde C h é coeficiente de adensamento horizontal do solo.

Vésic (1977) observou experimentalmente que estacas cravadas de até 35cm de diâmetro atingem a capacidade de carga máxima ao final de um mês, ao passo que estacas com 60cm de diâmetro podem levar até um ano para atingir essa capacidade de carga (Velloso e Lopes, 2002). No caso de estacas cravadas em argilas rijas, pode haver diminuição das poropressões na argila ao redor do fuste, como conseqüência da cravação. Neste caso, haveria uma migração da água dos poros, contrária à referida anteriormente, provocando uma espécie de amolecimento da argila numa região anelar no entrono do fuste, tendo como conseqüência uma redução da capacidade de carga da estaca com o decorrer do tempo, a partir da cravação.

2.3.3 Fórmulas Semi-Empíricas que Empregam o SPT

Os métodos teóricos e experimentais e os ensaios de laboratório são imprescindíveis para estabelecer a influência relativa de todos os parâmetros envolvidos nos cálculos de capacidade de carga. Todavia, a utilização dos métodos teóricos na prática da engenharia de fundações é, extremamente restrita, uma vez que a maioria dos parâmetros do solo necessários a essas análises é, muitas vezes, de difícil determinação. Em contrapartida, correlações entre tensões correspondentes a estados-limites de ruptura e dados de resistências à penetração obtidos de ensaios “in situ”, são simples e fáceis de serem estabelecidas. As fórmulas semi-empíricas são oriundas de ajustes estatísticos feitos com equações de correlação que têm embutido em sua essência os princípios definidos nos métodos teóricos e/ou experimentais. No Brasil, dos métodos utilizados para o dimensionamento de fundações em estacas, dois são reconhecidamente os mais empregados: o método de Aoki e Velloso (1975) e o de Décourt e Quaresma (1978). Há ainda métodos desenvolvidos para tipos específicos de estacas, a exemplo do de Velloso (1981) e o de Cabral (1986), este último empregado exclusivamente para estaca-raiz.

2.3.3.1 Método de Aoki e Velloso (1975)

Esse método foi desenvolvido a partir de um estudo comparativo entre resultados de provas de carga em estacas e de SPT, mas pode ser utilizado também com dados do ensaio de penetração do cone (CPT). A expressão da capacidade de carga foi concebida relacionando-se a resistência de ponta e o atrito lateral da estaca à resistência de ponta (q c ) do CPT. Para levar em conta as diferenças de comportamento entre a estaca (protótipo) e o cone (modelo), os autores propuseram a introdução dos

coeficientes F 1 e F 2 , ou seja:

q

q

p

l

=

=

q

c

F

1

q c

F

2

(30)

(31)

Introduzindo-se correlações entre o SPT e o CPT

(cone holandês, mecânico), e o coeficiente α

estabelecido por Begemann (1965) para

correlacionar o atrito lateral do cone com

ponteira Begemann com a tensão de ponta, q c ,

tem-se:

q c = k.N

(32)

para a resistência de ponta da estaca, e

q c = αk.N

(33)

para a resistência lateral da estaca.

Logo, a capacidade de carga total da estaca

será:

Q

r

=

A

p

kN

α

kN

U

l

F

1

F

2

+

(34)

Os valores de k e de α são apresentados na Tabela 7.6, enquanto os valores de F 1 e F 2 constam na

Tabela 7.7.

Tabela 7.6 – Valores de k e α (Aoki e Velloso, 1975).

Tipo de solo

k (kgf/cm 2 )

α (%)

Areia

10,0

1,4

Areia siltosa

8,0

2,0

Areia silto-argilosa

7,0

2,4

Areia argilo-siltosa

5,0

2,8

Areia argilosa

6,0

3,0

Silte arenoso

5,5

2,2

Silte areno-argiloso

4,5

2,8

Silte

4,0

3,0

Silte argilo-arenoso

2,5

3,0

Silte argiloso

2,3

3,4

Argila arenosa

3,5

2,4

Argila areno-siltosa

3,0

2,8

Argila silto-arenosa

3,3

3,0

Argila siltosa

2,2

4,0

Argila

2,0

6,0

Tabela 7.7 – Valores de F 1 e F 2 (Aoki e Velloso, 1975;

Velloso et al., 1978).

Tipo de estaca

F

1

F

2

Franki

2,50

5,0

Metálica

1,75

3,5

Premoldada de concreto

1,75

3,5

Escavada

3,00

6,0

valor de N será o

Para

encontrado na cota de apoio da estaca,

enquanto que para o atrito lateral, o valor de

N corresponde à camada de espessura l.

O método de Aoki e Velloso (1975) foi

adaptado, posteriormente, para aplicação em

estaca tipo raiz, hélice e ômega. Nestes

casos, sugere-se valores de F 1 = 2,0 e F 2 =

4,0.

Outras contribuições foram incorporadas ao

método original de Aoki e Velloso (1975),

sendo a última atribuída a Monteiro (1997),

inclusive adicionando outros tipos de estacas,

conforme apresentado nas Tabelas 7.8 e 7.9.

o

cálculo

de

q p ,

o

Recomendações para aplicação do método

de Aoki e Velloso, modificado por Monteiro:

i) valor de N é limitado a 40;

ii) para o cálculo da resistência de ponta,

q l,rup , deverão ser considerados valores ao

longo de espessuras iguais a 7e 3,5 vezes o

diâmetro da ponta, para cima e para baixo da

profundidade da base (ver Figura 7.8). De

acordo com a Figura 7.8, o valor de q p,rup a

ser adotado será dado pela Equação 35:

Tabela 7.8 – Valores de k e α (Monteiro, 1997). Tabela 7.9 – Valores de
Tabela 7.8 – Valores de k e α (Monteiro, 1997).
Tabela 7.9 – Valores de F 1 e F 2 (Monteiro
1997).
Tipo de solo
k (kgf/cm 2 )
α (%)
Tipo de estaca
F 1
F 2
Franki fuste apiloado
2,30
3,0
Areia
7,3
1,4
Franki fuste vibrado
2,30
3,2
Areia siltosa
6,8
2,0
Metálica
1,75
3,5
Areia silto-argilosa
6,3
2,4
Premoldada de concreto*
2,50
3,5
Areia argilo-siltosa
5,7
2,8
Premoldada de concreto**
1,20
2,3
Areia argilosa
5,4
3,0
Escavada com lama
3,50
4,5
Silte arenoso
5,0
2,2
Raiz
2,20
2,4
Silte areno-argiloso
4,5
2,8
Strauss
4,20
3,9
Silte
4,8
3,0
Hélice Contínua
3,00
3,8
Silte argilo-arenoso
4,0
3,0
* cravada a percussão
** cravada por prensagem
Silte argiloso
3,2
3,4
Argila arenosa
4,4
2,4
Argila areno-siltosa
3,0
2,8
Argila silto-arenosa
3,3
3,0
Argila siltosa
2,6
4,0
Argila
2,5
6,0

Figura 7.8 – Proposta para determinação da resistência de ponta de estacas (Monteiro, 1997).

q

p rup

,

=

q

ps

+

q

pi

2

(35)

No caso de estacas Franki, a área da ponta é calculada com o volume da base alargada (V b ), admitida

superfície de forma esférica:

A

p

=

2  3V  3 b π   4 π  
2
 3V
3
b
π
 
4
π
 

(36)

2.3.3.2 Método de Décourt e Quaresma (1978)

Esses autores apresentaram uma proposta para estimativa da capacidade de carga de estaca com base nos valores do N do SPT. O método foi originalmente desenvolvido para estacas de deslocamento, mas, a exemplo do método de Aoki e Velloso, tem passado por modificações para contemplar outros tipos de estacas. O método de Décourt e Quaresma tanto usa dados do SPT quanto do SPT-T. Desse último, se pode obter o N eq (N equivalente), que segundo Décourt (1991), é o valor do Torque, em kgf.m, divido por 1,2, conforme a Equação 37. O N eq assim calculado corresponde a um valor do N do SPT obtido sob um nível de eficiência da ordem de 72%. Entenda-se como eficiência (η),

o valor da energia efetivamente usada para cravar o amostrador no solo dividida pela energia potencial do martelo (de 65 kgf) no instante em que o mesmo é erguido até uma altura igual a 0,75 m.

N eq =

T

1,2

a) Resistência de ponta

A resistência de ponta da estaca é obtida da equação 38:

q p,rup

= C.N

(37)

(38)

onde C é apenas função do tipo de solo, conforme mostrado na Tabela 7.10, e só para estaca cravada.

Tabela 7.10 – Valores de C para o método de Décourt e Quaresma (1978).

Tipo de solo

Estaca cravada

tf/m 2

kN/m 2

Argilas

12

120

Siltes argilosos

20

200

Siltes arenosos

25

250

Areias

40

400

O valor

da estaca, o imediatamente abaixo e o imediatamente acima desta.

N a ser usado na Equação 38 corresponde à média de três valores de N: o do nível da ponta

b) Atrito lateral

São considerados os valores do N ao longo do fuste, sem levar em conta aqueles utilizados no cálculo da resistência de ponta, os menores que 3 e os superiores a 50. Dessa forma, obtém-se a média e, com auxílio da Equação 39, estima-se o valor do atrito médio, em kN/m 2 , ao longo do fuste da estaca.

(39)

10

_

N

3

+ 1

q l,rup

=

2.3.3.2.1 Método de Décourt e Quaresma para outras tipos de Estacas

Para contemplar outros tipos de estacas, diferentes da estaca padrão, definida como uma estaca

cravada no solo (de deslocamento) e cilíndrica, no ano de 1996 Décourt sugeriu incluir na equação de

capacidade de carga coeficientes de ponderação para a ponta (α) e para o atrito lateral (β), obtendo

assim a seguinte equação:

Q

r

ou ainda,

Q

r

q

= α

A

p

p

=

_

CN

α

p

q A

+ β

l

l

A

p

+

10β

_

N

l

3

+ 1

(40)

(41)

em que

ao longo do fuste, ressaltando que no caso do valor de N ser menor que 3, o valor adotado deve ser

L corresponde à média de N

N

p

é a resistência à penetração na região da ponta da estaca e

N

igual a 3, usando-se o mesmo critério para N 15 (adota-se N = 15) para estacas escavadas. Os

coeficientes α e β são sugeridos na Tabela 7.11. Cabe lembrar que a ruptura aqui definida, quando a

mesma não é indicada, corresponde à carga que provoca um recalque no topo da estaca de 10% do

seu diâmetro.

O

coeficiente de segurança da norma brasileira é global e igual a 2,0. Entretanto, no método de Décourt

e

Quaresma são propostos valores de FS parciais para a resistência de ponta (FS p = 4) e para o atrito

lateral (FS l = 1,3). Assim a carga admissível da estaca (Q adm ) será o menor dos dois valores calculados

conforme exposto a seguir:

Q

adm

=

Q

p,rup

Q

l,rup

+

4,0

1,3

e

Q

adm

=

Q

r

2,0

(42)

Tabela 7.11 – Valores de α e β propostos por Décourt e Quaresma (1978).

   

Tipo de estaca

Tipo de solo

Escavadas em

Escavada

Hélice contínua

Estaca-raiz

Injetada sob

geral

(bentonita)

altas pressões

   

α 0,85

0,85

0,30*

0,85*

1,00*

Argilas

β 0,80

0,90*

1,00*

1,50*

3,00*

Solos

 

α 0,60

0,60

0,30*

0,60*

1,00*

intermediarios

β 0,65

0,75*

1,00*

1,50*

3,00*

   

α 0,50

0,50

0,30*

0,50*

1,00*

Areias

β 0,50

0,60*

1,00*

1,50*

3,00*

* valores apenas orientativos, diante do reduzido número de dados disponíveis.

2.3.3.3 Método de Velloso (1981)

Pedro Paulo da Costa Velloso (Velloso, 1981) apresentou um critério para o cálculo da capacidade de

carga de estacas e de grupos de estacas, com base no CPT. Para uma estaca, de comprimento L, fuste

de diâmetro B e ponta B p , a capacidade de carga pode ser obtida da seguinte equação:

Q

r

=

Q

p rup

,

+

Q

l rup

,

=

Q

r

onde A p = área da ponta da estaca

=

A

p

αβ

q

p rup

,

+

αλ

U

q

l rup

,

l

i

(43)

α = fator da execução da estaca (α = 1, estaca escavada, α = 0,5 para estacas cravadas)

λ = fator de carregamento (λ = 1 para estacas comprimidas e, λ = 0,7 para estacas tracionadas)

β = fator de dimensão da base

β =

1,016

0,016

B

p

b

b

β = 0 para estacas tracionadas e B p = B.

(44)

em que b = diâmetro da ponta do CPT (= 3,6cm para o cone padrão)

q l,rup = atrito lateral médio em cada camada de solo atravessada pela estaca

q p,rup = resistência de ponta da estaca.

Observações:

a) Dispondo-se apenas de resultados de sondagem com SPT, para o método de Velloso (1981), pode-

se adotar:

q

p rup

,

= aN

b

q

l , rup

= a , N

b

´

(45)

(46)

onde N é a resistência à penetração do SPT e os parâmetros a´, b´, a e b, são obtidos de correlações

entre o SPT e o CPT, cujos valores são fornecidos na Tabela 7.12.

Tabela 7.12 – Valores aproximados dos fatores a, b, a´, b´ (Velloso, 1981).

 

Ponta

Atrito lateral

TIPO DE SOLO

a

b

(kPa)

(kPa)

(kPa)

(kPa)

Areias sedimentares submersas

600

1

5,0

1

Argilas sedimentares submersas

250

1

6,3

1

Solos residuais de gnaisse areno- siltoso submerso

500

1

8,5

1

Solos residuais de gnaisse silto- arenoso submerso

400

1

8,0

1

2.3.3.4 Método de Teixeira

Este método de previsão de capacidade de carga de estacas foi apresentado no 3º Seminário de Engenharia de Fundações Especiais e Geotecnia (SEFE III), realizado em São Paulo (Teixeira, 1996). Pelo método de Teixeira, a capacidade de carga à compressão de uma estaca pode ser obtida a partir da equação geral (Equação 47), introduzindo-se os parâmetros α e β, apresentados na Tabela 7.13.

em que

Q

r =α

N

b

A

b

+

β

U

N L

L

(47)

N

b = valor médio do N SPT medido no intervalo de 4B acima da base da estaca e 1B abaixo da base da estaca

N

L = valor médio do N SPT medido ao longo do fuste da estaca

A b = área da base da estaca (ponta)

L, B = comprimento, diâmetro da estaca, respectivamente.

O parâmetro α é função da natureza do solo, enquanto β é função do tipo de estaca, conforme Tabela 7.13. Vale lembrar que os dados da tabela são válidos para valores de 4 < N SPT < 40. Os dados da Tabela 7.13 não se aplicam ao cálculo de estacas premoldadas de concreto, cravadas em argilas moles sensíveis. Também, para as estacas dos tipos I,II e IV, o coeficiente de segurança deve ser o da norma, ou seja, 2, enquanto que para as estacas escavadas, do tipo III, recomenda-se para a ponta FS = 4,0, e para o atrito lateral, FS =1,5.

Tabela 7.13 – Valores dos fatores α e β, propostos por Teixeira (1996).

 

Observação

Solo

 

Tipo de estaca

 
 

I

II

III

IV

 

Argila siltosa

11

10

10

10

Silte argiloso

16

12

11

11

Valores de α (tf/m 2 ) válidos para N SPT na faixa de 4 a 40

Argila arenosa

21

16

13

14

Silte arenoso

26

21

16

16

Areia argilosa

30

24

20

19

 

Areia siltosa

36

30

24

22

Areia

40

34

27

26

Areia com pedregulhos

44

38

31

29

Valores de β (tf/m 2 ) em função do tipo de estaca

0,4

0,5

0,4

0,6

I = estaca premoldada de concreto e perfis metálicos

II = estaca tipo Franki IV = estacas raízes

 

III

= escavadas a céu aberto

2.3.3.5 Métodos para Casos Particulares de Estacas

São mencionados neste item alguns métodos de autores brasileiros apresentados para tipos exclusivos de estacas.

a) Para Estacas Escavadas

Trata-se de um método proposto por Alonso (1983) para estimativa do comprimento de estacas escavadas. Nesta proposta, se U é o perímetro da estaca, se os valores do N SPT são determinados a cada metro (é o comum) e se Q l,rup é a parcela de resistência lateral da estaca, tem-se:

ou

N

Q l ,rup

=

ξ

Q

l ,rup

U

=

U

N

ξ

(48)

(49)

onde o somatório é realizado ao longo do fuste da estaca. O valor mais provável de ξ é igual a 3. Coeficiente de segurança: para estaca escavada, a norma brasileira estabelece FS igual a 2,0, em relação à soma das cargas de ponta e lateral. Além disso, deve ser atendido o seguinte critério:

Q trab 0,8.Q l,rup

b) Para Estacas Tipo Raiz

(50)

Foi apresentado um método por Cabral (1986), no qual a capacidade de carga de uma estaca tipo raiz, com um diâmetro final B 45cm, injetada com uma pressão p 4 kg/cm 2 , pode ser estimada com:

Q

r

=

U

β β

0

1

N

L

+

β β

0

2

N

p

A

p

(51)

onde L = espessura de solo caracterizado por N SPT N p = N SPT no nível da ponta da estaca β 0 = fator que depende do B da estaca (em cm) e da pressão de injeção (em kgf/cm 2 ), conforme

apresentado na Tabela 14. β 0 também pode ser calculado:

β

0

=

1

+

0,11p

0,01B

(51A)

β 1 , β 2 = fatores dependentes do tipo de solo, conforme Tabela 7.15.

Tabela 7.14 – Fator β 0

Tabela 7.15 – Fatores β 1 e β 2 (Cabral, 1986).

7.15 – Fatores β 1 e β 2 (Cabral, 1986). c) Para Estaca Hélice Contínua Alguns
7.15 – Fatores β 1 e β 2 (Cabral, 1986). c) Para Estaca Hélice Contínua Alguns
7.15 – Fatores β 1 e β 2 (Cabral, 1986). c) Para Estaca Hélice Contínua Alguns

c) Para Estaca Hélice Contínua

Alguns métodos apresentados em itens anteriores incorporam coeficientes para contemplar a capacidade de estacas hélice contínua, a exemplo do método de Aoki e Velloso (1975) e Décourt e Quaresma (1978). O primeiro, apresenta previsões seguras para cargas de até 250 tf, enquanto o segundo pode prever seguramente a capacidade de carga desse tipo estaca com cargas maiores.

c1) Método de Antunes e Cabral (1996)

O método de Antunes e Cabral (1996) também permite obter previsões bastante seguras de capacidade de carga de uma estaca hélice contínua, com valores até maiores que 250 tf, de acordo com a seguinte equação:

Q

r

=

U

β

,

1

N

L

+ β

,

2

N

p

A

p

(52)

onde β´ 1 , β´ 2 = fatores dependentes do tipo de solo (Tabela 7.16).

c2) Método de Alonso (1996)

Este autor propõe o uso do SPT-T (SPT com a medição do Torque) para estimativa da capacidade de carga de estacas hélice contínua a partir da fórmula geral da capacidade de carga. A resistência de atrito lateral é obtida por:

q l,rup =0,65f 200 kPa

com

f =

100T

0,41h

0,032

onde T = torque (kgf.m) h = comprimento cravado do amostrador.

(53)

(54)

A resistência de ponta é obtida por:

em que

q

p

"

= β

T

( 1 )

min

(

2

)

+ T min

2

(55)

(

min

)

1

T

(

min

)

1

T

= média aritmética dos valores de torque mínimos (kgf.m) ao longo de 8B acima da ponta

da estaca.

= média aritmética dos valores de torque mínimos (kgf.m) ao longo de 3B abaixo da ponta

da estaca.

O valor do parâmetro β” depende do tipo de solo, conforme mostrado na Tabela 16.

Tabela 7.16 – Fatores β´ 1 , β´ 2 e βpara estaca hélice contínua.

 

β´ 1

β´ 2

β

Tipo de solo

(%)

(kPa/kgf.m)

Areia

4,0 a 5,0

2,0 a 2,5

200

Silte

2,5 a 3,5

1,0 a 2,0

150

Argila

2,0 a 3,5

1,0 a 1,5

100

2.3.4 Fórmulas Semi-Empíricas que Empregam o CPT

2.3.4.1 Método de Philipponnat

É um método francês, baseado no CPT, que passou a ser difundido em nosso país a partir da tradução

do trabalho original feita por Godoy e Azevedo Júnior (1986). Deste método, a resistência de ponta

pode ser obtida da seguinte expressão:

q

p

= α

p

q

c

(56)

sendo α p um coeficiente que depende do tipo de solo (Tabela 7.17). O valo de q c a ser introduzido na

Equação 56, deverá ser a média obtida numa faixa de profundidade correspondente a 3B acima e 3B

abaixo da ponta da estaca.

O atrito lateral unitário, q l , é calculado da seguinte equação:

q

l

=

α

F q

c

α s

(57)

Os valores dos coeficientes α F e α S são fornecidos nas Tabelas 17 e 18, respectivamente. Observa-se

que o valor de α F depende apenas do tipo de estaca.

Tabela 7.17 – Valores dos coeficientes α P e α S em função do tipo de solo (Décourt et al. 1998).

Tipo de solo

α

p

α

S

 

q c < 8MPa

0,40

100

Areia

8MPa < q c < 12MPa

0,40

150

q c >12MPa

0,40

200

Silte

0,45

60

Argila

0,50

50

Tabela 7.18 – Valores dos coeficientes α F e q S,máx em função do tipo de estaca (Décourt et al. 1998).

     

q l, máx

Interface solo-estaca

Tipo de estaca

α

F

(kPa)

Concreto

Premoldada, Franki, Injetada

1,5

120

Concreto

Escavada: D 1,5m

0,85

100

Escavada: D > 1,5m ; Barrete

0,75

80

Metálica

Perfil: H ou I (perímetro externo)

1,10

120

2.3.4.2 Método de Holeyman

Do método de Holeyman et al. (1997), a parcela da carga de ponta de uma estaca pode ser obtida de:

Q

p,rup

= β

q

p

A

p

= βα

b

F

b

q

(

p

m

)

A

p

(58)

onde β = fator de forma da base da estaca (para estacas de base nem quadrada nem circular), função da largura B e do comprimento L:

β =

1+ 0,3B/L

1,3

(58A)

α b = fator empírico para levar em conta o processo executivo da estaca e a natureza do solo F b = fator de escala, função das características de resistência ao cisalhamento do solo. q p (m) = resistência de ponta homogeneizada, calculada pelo método de De Beer.

O cálculo da parcela de atrito lateral pode ser feito por um dos três métodos disponíveis (Velloso e Lopes, 2002), sendo o mais empregado o que se apresenta a seguir:

Q l,rup

=

U ξ

u

f

Q

c

U

l

u

=

ξ

f

i

Q

c

l

i

(58)

em que U = perímetro da estaca u = perímetro da seção transversal da haste do cone ξ f = fator empírico para levar em conta os efeito do processo de execução (α s ), o material e

rugosidade do fuste (β S ) e efeitos de escala da estrutura do solo (ε S ), conforme Tabela 7.19.

(Q l c ) i = acréscimo da resistência lateral do cone na i-ésima camada.

Tabela 7.19 – Valores do fator ξ f em função do tipo de estaca e do solo (Velloso e Lopes, 2002).

Tipo de estaca

ξ

f

De grande deslocamento

Em areias

0,60 a 1,60

Em argilas

0,45 a 1,25

De pequeno deslocamento

0,60 a 0,85

Escavadas

0,40 a 0,60

2.3.4.3 Método de Almeida et al. (1996) – CPTU (Piezocone)

O ensaio de cone padrão (CPT) tem passado por diversos aperfeiçoamentos, sendo os mais recentes relativos à medição da poropressão na ponta do cone, recebendo, por isso, o nome de Piezocone ou CPTU (ver Figura 7.9). No Brasil, foi desenvolvido um método de previsão de capacidade de carga com base no Piezocone, para estacas instaladas em argilas (Almeida et al., 1996). Por esse método, as resistências de ponta e de atrito lateral podem ser obtidas das seguintes expressões:

e

onde

e

k

k

q p,rup

=

q

c

σ

v

0

k

2

q l,rup

1

=

12 +

=

q

c

σ

v

0

k

1

14 , 9

log


q

c

σ

v 0

,

σ v 0

2

=

N

kt

9

(60)

(61)

(62)

(63)

em que N kt é um fator de cálculo da resistência não drenada (S U ) no ensaio CPTU. No cálculo do N kt emprega-se a resistência de ponta corrigida, q T , ao invés do q c do CPT (Lunne et al, 1985), conforme mostrado na Equação 64.

N

kt

=

q

t

σ

v 0

S

u

N kt = q t − σ v 0 S u (64) Figura 7.9 – Principais

(64)

Figura 7.9 – Principais posições onde o elemento poroso é instalado no CPTU.

2.3.5 Execução de Provas de Carga Estáticas

Na realização de provas de carga sobre estaca ou tubulão busca-se um dos seguintes objetivos:

a) aferir o comportamento previsto em projeto tanto da capacidade de carga quanto do recalque;

b) definir com segurança a carga de trabalho em casos nos quais não se pode fazer uma previsão.

A grande quantidade de métodos de previsão de capacidade de carga e recalques disponíveis no meio técnico de fundações, alguns muito confiáveis, permite dizer que as provas de carga são executadas mais por força do motivo citado no item a. Sobre esse assunto, a norma de fundações brasileira prevê a redução no valor do coeficiente de segurança de obras controladas por provas de carga, desde que os testes tenham sido feitos num número representativo de estacas, que seria da ordem de 1% de todo o estaqueamento, preferencialmente começando as provas de carga pelas primeiras estacas da obra. Como os custos envolvidos na execução de uma prova de carga estática são relativamente altos, a prática mostra a execução de 1 a 2 provas de carga por obra, podendo ser até maior esse número, a depender do seu porte. Como alternativa, se pode complementar a verificação com a realização de provas de carga dinâmica, que são custo unitário relativamente menor. As provas de carga estáticas são normalizadas pela NBR 12131 (1989). O teste é feito geralmente sob carga controlada, aplicada em incrementos de igual valor, com as leituras dos recalques sendo feitas em intervalos de tempo pré-determinados. Quanto à velocidade do carregamento, a prova de carga estática pode ser classificada como lenta – SLOW MANTAINED LOAD (SML) ou rápida – QUICK MANTAINED LOAD (QML).

2.3.5.1

Prova de carga lenta (SML)

O ensaio lento é o que melhor reproduz o carregamento imposto à estaca pela estrutura futura nos

casos mais correntes (edifícios, silos, pontes, etc.). Como a estabilização dos recalques só se completaria a tempos muito longos, a norma fixa um critério convencional, no qual se considera que o recalque estabilizou quando o seu valor lido entre dois tempos sucessivos não ultrapassa 5% do

recalque total do estágio de carga. As leituras são feitas em tempos dobrados (1min, 2min, 4min, 8min, 15min, 30min, etc.), sendo que mesmo que a estabilização aconteça nas primeiras leituras, o tempo mínimo para aplicação de um novo estágio é 30 minutos. O carregamento incremental é aplicado até que se atinja o dobro da carga de trabalho da estaca. A norma ainda recomenda que último estágio de carga seja mantido por pelo menos 12 horas antes do descarregamento, que deverá ser efetuado em 4

a 5 estágios iguais.

A prova de carga lenta é preferida quando se deseja obter informações mais detalhadas sobre os

recalques da estaca. Por outro lado, quando a principal informação a ser obtida do teste é o valor da carga de ruptura ou dispõe-se de pouco tempo para execução do teste, pode-se optar pela realização

da prova de carga tipo rápida.

2.3.5.2 Prova de carga rápida (QML)

Neste caso, cada estágio de carga é mantido por apenas 5 minutos, fazendo-se as leituras no início e no final do estágio. O carregamento total, geralmente em 10 estágios, prossegue até o dobro da carga de trabalho prevista para a estaca. Neste caso, o descarregamento é efetuado logo após o último estágio de carga.

2.3.5.3 Montagem de uma Prova de Carga

Nas provas de carga a compressão, o carregamento é feito por um macaco hidráulico munido de bomba, reagindo contra um sistema de reação, conforme o modelo disposto na Figura 7.10. Para medir

a carga efetivamente aplicada ao topo da estaca é comum a utilização de uma célula elétrica de carga,

enquanto para medição dos recalques são empregados extensômetros (relógios comparadores) fixados em vigas de referência. O sistema de reação optado é função, dentre outras coisas, da carga máxima a aplicar, podendo ser desde plataformas com peso (cargueiras), a vigas presas a estacas vizinhas à que será testada. Neste último caso, há que se ter o cuidado de não danificar estruturalmente a estaca usada como reação, caso ela faça parte do estaqueamento definitivo da obra. Quando se deseja conhecer o modo de transferência de carga da estaca para o solo, deve-se instrumentar o fuste desta com um ou mais dos seguintes sistemas:

defôrmetros colados na face da estaca ou em barras de armaduras (definitivos)

defôrmetros de contato, removíveis, instalados na estaca através de parafusos

células de carga integrada ao fuste

Figura 7.10 – Sistemas de medição para realização de uma prova de carga de compressão

Figura 7.10 – Sistemas de medição para realização de uma prova de carga de compressão em estaca.

2.3.5.4 Extrapolação e Interpretação de uma Curva Carga - Recalque

a) Extrapolação

Conforme bem lembrado por Velloso e Lopes (2002), a interpretação de uma prova de carga pode gerar controvérsias pelas diferentes visões que se pode ter de ruptura. Esses autores foram muito oportunos ao citarem Davison (1970): “ Provas de carga não fornecem respostas, apenas dados a interpretar”. Quando uma prova de carga não é levada à ruptura ou um nível de recalque que não caracterize a ruptura, pode-se tentar uma extrapolação da curva carga-recalque. Para isso, existem vários métodos disponíveis na literatura, sendo o mais usual no meio técnico brasileiro o critério de Van der Veen (1953). A extrapolação de van deer Veen (Figura 7.11a) baseia-se numa equação matemática (exponencial), que é ajustada ao trecho que se dispõe da curva carga-recalque:

Q

=

Q

rup

1

e

α

w

(65)

Q = Q rup    1 − e − α w   

Figura 7.11 – Extrapolação da curva carga-recalque pelo método de van der Veen (1953).

A carga de ruptura é obtida experimentando-se diferentes valores para estaca carga até que se obtenha

uma reta no gráfico –ln(1-Q/Q rup ) versus w (recalque), conforme mostrado na Figura 7.11b . Na aplicação do método de van der Veen, Aoki (1976) verificou que a reta obtida não passava pela origem dos eixos, apresentando um intercepto. Por isso, Aoki propôs a inclusão do intercepto daquela