Conversão Retrospectiva de Registros Bibliográficos
CONVERSÃO RETROSPECTIVA
DE
REGISTROS BIBLIOGRÁFICOS
– 2002 –
1
Edwin Hübner
Conversão Retrospectiva de Registros Bibliográficos
-
RESUMO
Mostra que a conversão retrospectiva ainda é uma necessidade nacional e que através de metodologia apropriada consegue-se colocar os acervos de uma Biblioteca em meio magnético em relativamente curto espaço de tempo. Considera que o serviço de conversão deve caminhar em paralelo com a automação da Biblioteca. Indica os diversos tipos de materiais que pode ser convertidos. Destaca a necessidade de usar fontes onde podem ser encontrados registros de boa qualidade. Enfatiza a importância de se adotar um formato padrão para o qual os registros devem ser convertidos. Indica alternativas e formas de execução de serviços de conversão. Evidencia que a relação custo- benefício é muito favorável para as bibliotecas
2
Conversão Retrospectiva de Registros Bibliográficos
ABSTRACT
It shows that the retrospective conversion is still a national necessity and that through appropriate methodology it is possible to put the catalog of a Library on magnetic media Considers that the conversion service must worked out in parallel with the Library automation. Indicates the different types of materials that can be converted. Highlights the necessity to use sources where records of good quality can be found. Emphasizes the importance of using a standard format to which the records should be converted. Indicates alternatives for the execution of the conversion services. Evidences that the cost-benefit relation is very favorable for the libraries.
3
Conversão Retrospectiva de Registros Bibliográficos
I. Introdução
|
II. |
Registros em meio não magnético ou de forma inadequada |
|
III. |
Automação de Bibliotecas e Conversão Retrospectiva |
|
IV. |
O Projeto para um Serviço de Conversão Retrospectiva |
|
V. |
As fontes de Registros Bibliográficos para Conversão |
|
VI. |
Conversão e Formato Padrão |
|
VII. |
Alternativas para execução |
|
VIII. |
Custo-Benefício para as Bibliotecas |
|
IX. |
Conclusão |
4
Conversão Retrospectiva de Registros Bibliográficos
I Introdução
|
Conversão |
retrospectiva |
– |
também conhecida |
pela |
sigla |
RECON, |
|||
|
abreviação |
dos |
termos |
em inglês: |
REtrospective CONversion |
– |
designa |
a |
||
atividade de converter registros bibliográficos a partir de fichas, ou de qualquer
outro suporte, para registros em meio magnético, legíveis por computador.
Ou
então, conforme Beaumonte & Cox, 1989, conversão retrospectiva de catalogação
de registros
bibliográficos refere-se à
transformação de catálogos já existentes
em bibliotecas em formato de fichas, num catálogo em formato legível por
máquina, de acordo com normas e padrões estabelecidos.
Pode-se ainda fazer
uma
distinção
entre
catalogação
retrospectiva
e
conversão
retrospectiva
(Campbell, 1994). Este autor mostra que, enquanto a catalogação retrospectiva
enfatiza a qualidade dos registros, podendo-se declarar propriedade aos registros
assim criados, a conversão busca a incorporação da totalidade dos registros dos
acervos das bibliotecas aos catálogos online, e desta forma eliminar o problema
de ter que conviver com catálogos manuais e automatizados ao mesmo tempo,
situação esta que ainda é encontrada em muitas bibliotecas.
|
Utilizando metodologias |
adequadas, |
é possível |
converter |
registros |
|||||
|
bibliográficos para |
o |
formato |
padrão MARC, |
em |
um |
espaço |
de |
tempo |
|
relativamente curto e a um custo acessível.
5
Conversão Retrospectiva de Registros Bibliográficos
II. Registros em meio não magnético ou de forma inadequada
Estima-se que o total do acervo brasileiro gira em torno de 15.000.000 de
títulos e que mais de 50% ainda não está no formato padrão MARC ou sequer se
encontra em meio magnético. Um percentual elevado ainda se encontra em
catálogos de fichas ou não catalogado e, portanto, não acessível ou no mínimo de
difícil acesso para os usuários. Diante deste quadro, os projetos de conversão
retrospectiva de acervos bibliográficos podem ser uma excelente solução para as
bibliotecas, no sentido de disponibilizar os seus acervos através de sistemas de
automação em um espaço de tempo relativamente curto.
III. Automação de Bibliotecas e Conversão Retrospectiva
O projeto de RECON de uma biblioteca deve ser desenvolvido em paralelo
com o de automação da biblioteca. Tenho presenciado o processo de automação
de muitas bibliotecas. Muitas vezes observa-se que é dedicado muito tempo e
esforço na escolha de um software, com grandes investimentos para a instituição.
Tem-se a impressão que o software é considerado o mais importante e que irá
resolver todos os problemas, quando na realidade não é o software o mais
importante e sim os dados, isto é, os registros bibliográficos que irão alimentar o
software. Os sistemas (software) que hoje estão em evidência, amanhã podem
estar obsoletos e sendo superados por outros. O software que não sofre constante
atualização, terá sua vida útil encurtada, devido à rápida evolução tecnológica. Por
outro lado, os registros bibliográficos, as informações, guardados e manipulados
pelo software, são permanentes. Não devem estar sujeitos à vida de um sistema
6
Conversão Retrospectiva de Registros Bibliográficos
de computador que hoje pode ser o melhor do mundo, mas não se sabe o que
será dele amanhã. A partir destas considerações, vale observar duas coisas:
a)
Não adianta a biblioteca fazer altos investimentos em software, se não tem os
registros bibliográficos para “povoar” o sistema. Daí a necessidade de tratar,
juntamente com o projeto de seleção e aquisição de software, do projeto de
conversão retrospectiva dos registros bibliográficos, caso estes ainda não estejam
em meio magnético. b) Os registros devem ser convertidos para um formato
padrão tal que garanta a portabilidade dos mesmos, sem perda de informação,
como é o caso do formato MARC, em caso necessidade de migração para outro
software.
IV. O Projeto para um Serviço de Conversão Retrospectiva
O sucesso de um serviço de conversão retrospectiva certamente depende,
em grande parte, de um projeto bem planejado. Deve ser feito um levantamento
do acervo que deve ser contemplado pelo projeto para determinar claramente a
quantidade e tipo de material a ser convertido; determinar a quantidade de títulos
catalogados
e
não
catalogados,
se
existirem;
qual
o
suporte
em
que
se
encontram, isto é, catálogos de fichas, listagens, meio magnético, etc. Deve-se
relacionar e tabular todos os detalhes com os totais de cada caso. É importante
determinar a prioridade, ou seja, qual acervo deve ser tratado em primeiro lugar,
pois caso os recursos não forem suficientes, será tratado o que for mais
necessário.
7
Conversão Retrospectiva de Registros Bibliográficos
É desejável que, antes de partir para o projeto propriamente dito, fazer um
teste ou um projeto piloto, usando uma amostra de acordo com o levantamento
feito, para estimar o percentual que poderá ser encontrado nas fontes disponíveis.
Isto ajudará no planejamento da execução do serviço e na determinação dos
custos envolvidos. Serve também para testar a metodologia e o fluxo das diversas
etapas sucessivas envolvidas no processo.
V. As fontes de Registros Bibliográficos para Conversão
Até pouco tempo atrás não se dispunha no Brasil de fontes de registros
bibliográficos que justificassem projetos de RECON, visto que o percentual
conversível era muito baixo. Só no exterior, particularmente nos Estados Unidos,
existiam grandes bancos de dados, chamados de “Utilidades Bibliográficas”, como
o WorldCat da OCLC e o Catálogo da RLIN (Research Libraries Information
Network) do RLG (Research Library Groups). A escolha de uma boa fonte de
registros bibliográficos é uma etapa fundamental para um projeto de conversão
retrospectiva (MORRIS, 1990). Hoje, além das fontes internacionais, como as
citadas e outras, já dispomos no Brasil de registros bibliográficos, não só em
quantidade, mas em qualidade, onde por meio de metodologias adequadas é
possível converter registros para o formato padrão MARC. É importante, antes de
empreender um projeto de RECON, verificar as possíveis fontes e o acesso às
mesmas, se são de acesso livre ou não, se permitem a cópia de registros no
formato MARC, quais a facilidades que oferecem, etc.
8
Conversão Retrospectiva de Registros Bibliográficos
VI. Conversão Retrospectiva e Formato Padrão
O formato para o qual os registros devem ser convertidos é de suma
importância.
Um
projeto
de
conversão
retrospectiva
não
deve
se
limitar
a
converter os catálogos de fichas em catálogos automatizados em computador. É
preciso verificar se o sistema que é adotado pela biblioteca, ou que será adotado,
implementa um formato tal que preserve a integridade das informações em caso
de migração. O ideal é que o projeto de RECON seja planejado junto com
processo de seleção de software, como já foi alertado no item III, para que a
compatibilidade seja garantida. A maioria dos grandes catálogos online, que são
fornecedores ou fontes para conversão retrospectiva, mantém seus registros no
formato MARC. Então, o ponto número um é que os registros convertidos devem
estar neste padrão, em arquivos ISO-2709, pois isto facilita na hora da escolha do
software de automação, visto que hoje a maioria dos sistemas disponíveis no
mercado, implementam o formato MARC e importam arquivos ISO-2709.
Vale lembrar, porém, que a decisão de que o registros bibliográficos devem
ser produzidos em formato MARC/ISO-2709 não é tudo. Mesmo sendo o MARC
um formato padrão, ele permite variações, decorrendo daí que cada sistema tem
as suas peculiaridades na implementação do MARC. É necessário, pois, verificar
as particularidades do sistema que irá receber os registros convertidos e as
necessidades da biblioteca, em termos de campos obrigatórios, campos locais
específicos, se o sistema controla ou não catálogo de autoridades, isto é, nomes e
assuntos padronizados e hierarquizados, etc.
9
Uma vez “com a mão na massa”,
Conversão Retrospectiva de Registros Bibliográficos
deve-se
produzir
registros
o
mais
completo
possível,
porém
sem
ser
perfeccionista, para não encarecer demais o projeto.
VII. Alternativas para execução
A execução de um projeto de RECON pode ser de vários formas. Cabe
identificar as alternativas disponíveis e viáveis. As principais alternativas que
devem ser consideras são: execução local ou interna pela própria biblioteca ou
terceirização dos serviços, sendo que a terceirização pode ser de forma completa
ou parcial.
1. Execução interna. Nesta modalidade os maiores problemas estão
relacionados com a disponibilidade de pessoal. Normalmente, o pessoal técnico
da biblioteca é em número reduzido e mal dá conta do acervo corrente. Se for
executar um projeto de RECON internamente, via de regra, será necessário
contratar pessoal qualificado por tempo determinado, prover equipamento e
espaço físico para o trabalho.
2. Terceirização completa – A terceirização de serviços de conversão
retrospectiva requer a escolha e uma empresa devidamente qualificada para este
trabalho, caso contrário pode haver surpresas desagradáveis. Na modalidade
"terceirização completa"
a contratante entrega o seu catálogo à contratada e
recebe os registros prontos.
10
Conversão Retrospectiva de Registros Bibliográficos
3. Terceirização parcial - Esta é a forma geralmente adotada, onde
parte do trabalho é realizado localmente e parte pela empresa contratada. Nesta
modalidade
a tarefa de seleção, verificação, identificação e preparação do
material é feito pela equipe da contratante. O material poderá ser enviado em
etapas ou por lotes à contratada que, à medida que for concluindo os lotes, remete
os registros produzidos para que seja feita a verificação final e dado o devido
encaminhamento.
Cada uma das alternativas deve ser avaliada, determinando as etapas e o
fluxo
dos
serviços
envolvidos,
estimando
o
custo
de
cada
alternativa.
Normalmente a falta de pessoal e/ou os custos são determinantes para a decisão
de qual das alternativas a ser adotada. No caso de terceirização de um projeto de
RECON, é preciso definir claramente que parte do processo caberá à contratada e
que parte à contratante e de que forma e em que suporte o material deverá ser
encaminhado,
quais
os
produtos
que
deverão
ser
devolvidos,
periodicidade da remessa dos arquivos, etc.
forma
e
VIII. Custo-Benefício para as Bibliotecas
Na avaliação do custo-benefício de um projeto de conversão retrospectiva
deve-se levar em conta não só o aspecto financeiro, mas também o quanto a
comunidade, os usuários, vão se beneficiar com isto. Muitas bibliotecas tem parte
do acervo automatizado e uma grande parte ainda em catálogos tradicionais ou
não catalogado. O material que ainda não está no catálogo automatizado tende a
ficar esquecido na prateleira.
Devido às metodologias hoje disponíveis para
11
Conversão Retrospectiva de Registros Bibliográficos
conversão
retrospectiva,
acelerando
significativamente
o
processo
de
informatização da biblioteca, com registros de boa qualidade, maximizando o
acesso através de um sistema de busca eficiente, certamente irá gerar satisfação
e beneficiará o usuário, que deve ser o objetivo da biblioteca. Se for analisado o
custo-benefício de um projeto RECON do ponto de vista financeiro, certamente
também será favorável, principalmente se for executado em uma das modalidades
de terceirização. Isto se justifica pelo fato de uma empresa qualificada já ter uma
metodologia testada, experiência acumulada e pessoal técnico treinado para o
trabalho o que possibilita um custo final menor em função do aumento da
produtividade.
IX.
Conclusão
Diante
do
exposto
podemos
concluir
que
um
projeto
de
conversão
retrospectiva, se bem planejado e executado, é altamente vantajoso para a
biblioteca, pois é uma forma rápida e eficiente para incorporar ao catálogo online
centralizado os registros que se encontram em catálogos manuais ou dispersos
muitas vezes em diversas bases provisórias de soluções locais. Vale à pena
investir em projetos de RECON, pois o retorno será positivo em termos de
projeção da biblioteca, melhoria na qualidade dos serviços e
usuário.
12
satisfação do
Conversão Retrospectiva de Registros Bibliográficos
Referências bibliográficas
1. BEAUMONT, J.; COX, J.P. Retrospective conversion; a practical guide for libraries. Westport: Meckler, 1989. 198p. (Suplements to Computers in
Libraries,7)
2. CAMPBELL, TONY. Special Issue on Retrospective Conversion, Retrospective Cataloguing and Retrospective Bibliography. IFLA Journal:
v.16, n.1, p.27-36,.1990.
3. MORRIS, Leslie R., Morris, Sandra C., Russell, Moira. Choosing a Bibliographic Utility. Neal-Schuman Publishers, 1990.
13
Muito mais do que documentos
Descubra tudo o que o Scribd tem a oferecer, incluindo livros e audiolivros de grandes editoras.
Cancele quando quiser.