Você está na página 1de 91
UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

EXECUÇÃO

I- REGRAS GERAIS SOBRE EXECUÇÃO

1. Conceito:

- É o conjunto de atos, praticados no processo judicial, que têm por finalidade a efetivação das determinações constantes na sentença condenatória ou no título executivo extrajudicial. - É o conjunto de atos estatais através de que com ou sem o concurso da vontade do devedor (e até contra ela), invade-se seu patrimônio para, à custa dele, realizar-se o resultado prático desejado concretamente pelo direito objetivo material (C. Rangel Dinamarco, apud A. F. Câmara).

2. Partes na Execução

2.1. Credor a quem a lei confere título executivo. Também chamado de exeqüente;

2.2. Devedor quem deverá cumprir a obrigação prevista no título executivo. Chamado

também de executado.

3. Legitimação Ativa

Podem promover a execução forçada todas as pessoas designadas nos artigos 566 e 567 do CPC.

Art. 566. Podem promover a execução forçada:

I - o credor a quem a lei confere título executivo;

II - o Ministério Público, nos casos prescritos em lei.

Art. 567. Podem também promover a execução, ou nela prosseguir:

I - o espólio, os herdeiros ou os sucessores do credor, sempre que, por morte deste, lhes for transmitido o direito resultante do título executivo;

1

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

II - o cessionário, quando o direito resultante do título executivo lhe foi

transferido por ato entre vivos 1 ; Ver arts. 41 a 43, CPC.

III - o sub-rogado, nos casos de sub-rogação legal ou convencional. Arts. 346 e

347, Código Civil.

Sobre cessão e substituição das partes, estipulam os arts. 41 e 42 do CPC:

Art. 41. Só é permitida, no curso do processo, a substituição voluntária das partes nos casos expressos em lei.

Art. 42. A alienação da coisa ou do direito litigioso, a título particular, por ato entre vivos, não altera a legitimidade das partes.

1 o O adquirente ou o cessionário não poderá ingressar em juízo, substituindo o alienante, ou o cedente, sem que o consinta a parte contrária. (Ver nota de rodapé nº 1)

§

§

assistindo o alienante ou o cedente.

3 o A sentença, proferida entre as partes originárias, estende os seus efeitos ao adquirente ou ao cessionário.

§

2 o O adquirente ou o cessionário poderá, no entanto, intervir no processo,

Já a regra que autoriza o MP a propor a execução é idêntica a do processo de

conhecimento (art. 81, CPC).

Ou seja, onde a lei prever que o MP tem legitimidade para propor a ação de conhecimento, o terá também para propor a ação de execução.

A Lei que regula a ação popular (Lei n. 4.717, de 29/06/1965) repassa ao MP a obrigação de promover a execução da sentença condenatória, caso o autor ou terceiro não o faça (art. 16 da Lei 2 ).

1 REsp 726535/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/04/2007, DJ 30/04/2007 p. 301: PROCESSUAL CIVIL EXECUÇÃO DE SENTENÇA CESSÃO DE CRÉDITO PRECATÓRIO PEDIDO DE HABILITAÇÃO DO NOVO CREDOR DESNECESSIDADE DA ANUÊNCIA DO DEVEDOR. 1. Os arts. 41 e 42 do CPC, que dizem respeito ao processo de conhecimento, impuseram como regra a estabilidade da relação processual e, havendo cessão da coisa ou do direito litigioso, o adquirente ou o cessionário somente poderão ingressar em juízo com a anuência da parte contrária. 2. No processo de execução, diferentemente, o direito material já está certificado e o cessionário pode dar início à execução ou nela prosseguir sem que tenha que consentir o devedor. 3. Os dispositivos do Código Civil (art. 290 do CC/2002 e 1069 do CC/1916), que regulam genericamente a cessão de crédito como modalidade de transmissão das obrigações, não se aplicam à espécie, mas o Código de Processo Civil, que é norma especial e dispôs diversamente quando se trata de cessão de crédito sub judice. 4. Recurso especial improvido.

2 Lei 4.717; “Art. 16. Caso decorridos 60 (sessenta) dias da publicação da sentença condenatória de segunda instância, sem que o autor ou terceiro promova a respectiva execução, o representante do Ministério Público a promoverá nos 30 (trinta) dias seguintes, sob pena de falta grave.”

2

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

Todavia, é necessário ficar atento à legitimidade do MP para a Ação ex-delicto (art. 68, CPP) e o entendimento do STF (RE135328/SP) que optou pela inconstitucionalidade progressiva”:

EMENTA: LEGITIMIDADE - AÇÃO "EX DELICTO" - MINISTÉRIO PÚBLICO - DEFENSORIA PÚBLICA - ARTIGO 68 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL - CARTA DA REPÚBLICA DE 1988. A teor do disposto no artigo 134 da Constituição Federal, cabe à Defensoria Pública, instituição essencial à função jurisdicional do Estado, a orientação e a defesa, em todos os graus, dos necessitados, na forma do artigo 5º, LXXIV, da Carta, estando restrita a atuação do Ministério Público, no campo dos interesses sociais e individuais, àqueles indisponíveis (parte final do artigo 127 da Constituição Federal). INCONSTITUCIONALIDADE PROGRESSIVA - VIABILIZAÇÃO DO EXERCÍCIO DE DIREITO ASSEGURADO CONSTITUCIONALMENTE - ASSISTÊNCIA JURÍDICA E JUDICIÁRIA DOS NECESSITADOS - SUBSISTÊNCIA TEMPORÁRIA DA LEGITIMAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO. Ao Estado, no que assegurado constitucionalmente certo direito, cumpre viabilizar o respectivo exercício. Enquanto não criada por lei, organizada - e, portanto, preenchidos os cargos próprios, na unidade da Federação - a Defensoria Pública, permanece em vigor o artigo 68 do Código de Processo Penal, estando o Ministério Público legitimado para a ação de ressarcimento nele prevista. Irrelevância de a assistência vir sendo prestada por órgão da Procuradoria Geral do Estado, em face de não lhe competir, constitucionalmente, a defesa daqueles que não possam demandar, contratando diretamente profissional da advocacia, sem prejuízo do próprio sustento (STF RE 135328/SP, DJ 20-04-2001 PP-00137).

4. Legitimação Passiva

No pólo passivo da execução deve figurar ou o obrigado principal e originário ou o responsável pelo cumprimento da obrigação (art. 568 do CPC).

Art. 568. São sujeitos passivos na execução:

I - o devedor, reconhecido como tal no título executivo;

II - o espólio, os herdeiros ou os sucessores do devedor;

III - o novo devedor, que assumiu, com o consentimento do credor, a obrigação resultante do título executivo; IV - o fiador judicial; Ex.: art. 601, p. único, CPC.

V

- o responsável tributário, assim definido na legislação própria.

O

responsável pela obrigação será sempre a pessoa a ser acionada no processo

executivo, ou seja, no pólo passivo deverá sempre figurar algumas das pessoas

indicadas no art. 568 do CPC.

A responsabilidade patrimonial poderá atingir terceiros cujos bens são sujeitos à

execução, mas não estão esses terceiros obrigados pelo pagamento e não figuram como

sujeitos passivos da execução (art. 592, CPC):

3

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

Art. 592. Ficam sujeitos à execução os bens:

I - do sucessor a título singular, tratando-se de execução de sentença proferida

em ação fundada em direito real;

II - do sócio, nos termos da lei;

III - do devedor, quando em poder de terceiros;

IV - do cônjuge, nos casos em que os seus bens próprios, reservados ou de sua

meação respondem pela dívida (Arts. 1643, I, II e 1644,CC);

V - alienados ou gravados com ônus real em fraude de execução.

5. Da Competência para a Execução

5.1. Competência na execução Fundada em Título Judicial (art. 475-P, CPC)

a) Tribunais (Art. 475-P, I, CPC) a execução processar-se-á perante o tribunal

que foi competente para a ação, originariamente.

- Veja, e.g., a competência para execução da decisão em ADI. Quando é de competência

do STF, também é deste a competência para a execução. Se versar sobre competência dos Tribunais de Justiça dos Estados (violação da constituição estadual), será destes a competência. O mesmo se dá com a Ação Rescisória.

b) Juízo de primeiro grau (Art. 475-P, II, CPC) se a ação iniciou-se em primeiro

grau de jurisdição, o juízo de primeiro grau é o competente para a execução.

- Neste caso, é preciso ficar atento à regra do parágrafo único do art. 475-P, pois quando se tratar de decisão a ser cumprida no juízo que processou a causa no primeiro grau de jurisdição o exequente poderá optar pelo juízo do local onde se encontram bens sujeitos à expropriação ou pelo do atual domicílio do executado, casos em que a remessa dos autos será solicitada ao juízo de origem. A competência é funcional, mas neste caso, é relativa.

c) Juízo cível competente (Art. 475-P, III, CPC) quando o título executivo for

sentença penal condenatória ou sentença arbitral ou de sentença estrangeira.

1º) Sentença penal condenatória transitada em julgado

É competência territorial e segue a regra do parágrafo único do art. 100, CPC:

Foro do domicílio da vítima (exequente) ou do local do fato;

Também é competente o foro do domicílio do executado por força do art. 94, CPC.

A competência para executar sentença penal condenatória oriunda da Justiça Federal, quanto aos efeitos cíveis, é da Justiça Estadual, ressalvada a hipótese de

4

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

o exequente ser um daqueles entes enumerados no art. 109, CF/88 3 . Ressalte-se que a Constituição determina a competência desta jurisdição apenas para o âmbito criminal, que não pode ser estendida para os efeitos civis da sentença. Ex.: art. 109, V, IX, CF/88.

E quando se tratar de crime contra a organização do trabalho, de competência da Justiça Federal (art. 109, VI, CF/88)? De acordo com Didier a ação ex delicto será da competência da Justiça do Trabalho (por força do art. 114, I e VI, CF/88) que é competente para examinar a existência e a extensão dos danos sofridos pela vítima (trabalhador). Exemplos:

TÍTULO IV DOS CRIMES CONTRA A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO Atentado contra a liberdade de trabalho Art. 197 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça:

I - a exercer ou não exercer arte, ofício, profissão ou indústria, ou a trabalhar ou não trabalhar durante certo período ou em determinados dias:

Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência; II - a abrir ou fechar o seu estabelecimento de trabalho, ou a participar de parede ou paralisação de atividade econômica:

Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência. Atentado contra a liberdade de contrato de trabalho e boicotagem violenta Art. 198 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a celebrar contrato de trabalho, ou a não fornecer a outrem ou não adquirir de outrem matéria-prima ou produto industrial ou agrícola:

Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência. Atentado contra a liberdade de associação Art. 199 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a participar ou deixar de participar de determinado sindicato ou associação profissional:

Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.

A sentença penal condenatória, em regra, deve ser submetida à liquidação para apuração do valor dos prejuízos decorrentes do delito.

2º) Sentença arbitral

Aplicam-se as regras de competência territorial do CPC, inclusive em relação à prevalência de eventual foro contratual, fixado na convenção de arbitragem. Não havendo convenção, a competência é do domicílio do executado (art. 94, caput, CPC) ou do lugar da localização dos bens sujeitos à expropriação (art. 475-P, par. único, CPC).

De acordo com Didier, não há prevenção do juízo que porventura tenha julgado alguma demanda relacionada à convenção de arbitragem (instituição de arbitragem, nomeação de árbitro, medidas cautelares, etc.) 4 .

3 DIDIER, Fredie Jr. Curso de direito processual civil: execução. v. 5. Salvador: Jus Podium, 2009, p.

228.

4 DIDIER. Op. cit. p. 226.

5

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

Conforme Nelson Nery Júnior:

“não há juízo cível anterior nos casos de sentença penal condenatória e de sentença arbitral como títulos executivos judiciais. Dessa forma, a elas não se pode aplicar a regra da competência do juízo que proferiu a sentença exeqüenda. Determina-se a competência pelo lugar do domicílio do executado ou do lugar da localização dos bens sujeitos à expropriação (CPC 475-P, par. ún.). Estes, concorrentemente, são os juízos cíveis competentes” 5 .

3º) Sentença estrangeira

O juízo cível para a execução é sempre federal de primeira instância, por força do inciso X do art. 109, CF/88.

Aplicam-se as regras de competência territorial, inclusive quanto a prevalência do domicílio do réu como regra geral (art. 94, CPC).

Também se aplica o benefício de escolha de foros concorrentes, previsto no parágrafo único do art. 475-P.

Não há regra que permita a execução de sentença estrangeira perante juiz estadual, no caso de não haver juízo federal na comarca. Não se aplica o §3º do art. 109, CF/88.

5.2. Competência para a execução fundada em título extrajudicial (art. 576, CPC 6 )

a) Generalidades

Esta execução é fundada em título extrajudicial, ou seja, aquele que não passou por processo anterior. Ela se inicia diretamente, sendo instruída com um título executivo extrajudicial (cheque, duplicata etc).

Neste caso, como não há processo anterior que possa fixar a competência, esta será determinada pelas regras gerais relativas ao processo de conhecimento (art. 88/124, CPC).

1º) Cláusula de eleição de foro

2º) Se não houver eleição de foro: local de cumprimento da obrigação indicado no título.

5 NERY JÚNIOR, Nelson. Código de Processo Civil Comentado, p. 760. 6 CPC: “Art. 576. A execução, fundada em título extrajudicial, será processada perante o juízo competente, na conformidade do disposto no Livro I, Título IV, Capítulos II e III.”

6

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

3º) Se não houver eleição de foro nem local de cumprimento da obrigação: local de domicílio do executado.

.:da obrigação: local de domicílio do executado. concreto pelas partes. Ou se não houver exceção de

concreto pelas partes. Ou se não houver exceção de competência haverá prorrogação de competência.

a competência é sempre relativa. As regras podem ser modificadas no caso

.: o protesto do título executivo não afeta a competência da execução. É atoé sempre relativa. As regras podem ser modificadas no caso meramente administrativo, não afetando o aspecto

meramente administrativo, não afetando o aspecto jurisdicional.

b) Foro competente para processar a execução fundada em letra de câmbio ou nota

promissória (Decreto nº 57.663/66, anexo I, art. 2º, §2º).

Havendo a indicação do local do pagamento, aplica-se o disposto no art. 100, IV, d, do CPC, devendo a execução ser proposta no foro do local do pagamento. Não fixado o local do pagamento, é tido como local do pagamento aquele indicado ao lado do nome do sacado. Também poderá a execução ser proposta no foro do domicílio do sacado, se este não coincidir com o local indicado abaixo ou ao lado de seu nome. Se não houver aceite do sacado, e a letra tiver circulado sem aceite, deverá o portador do título escolher o local em que a letra foi sacada ou o local em que o portador tenha recebido o título das mãos do endossante. Na falta de qualquer referência, a execução haverá de ser intentada no foro do domicílio do sacador.

Eis então a ordem:

1º) fixação do local de pagamento; 2º) sem fixação do local de pagamento => local indicado ao lado do nome do sacado; 3º) local indicado não coincide com endereço do sacado => domicílio do sacado; 4º) ausência de aceite => local em que foi sacada ou em que o portador tenha recebido o título por endosso; 5º) ausência de qualquer referência => foro do domicílio do sacador.

c) Foro competente para processar a execução fundada em cheque

É competente o foro do local do pagamento, indicado ao lado do nome do sacado, sempre a instituição financeira. Consiste no endereço da agência bancária. Com a padronização dos cheques pelo BACEN, o cheque sempre vem com o endereço do sacado. Se eventualmente não aparecer o endereço da agência, a execução será proposta no foro do local no qual o cheque foi emitido 7 .

7 DIDIER. Op. cit. p. 236.

7

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

d) Foro competente para processar a execução fundada em debênture

A competência é do foro da sede, em território nacional, da companhia que a emitiu. Aplica-se o disposto no art. 100, IV, a, CPC:

Art. 100. É competente o foro:

IV - do lugar:

a) onde está a sede, para a ação em que for ré a pessoa jurídica;

e) Foro competente para processar a execução fundada em documento público ou

particular.

De acordo com o art. 585, II do CPC, são títulos executivos extrajudiciais “II - a escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor; o documento particular assinado pelo devedor e por duas testemunhas; o instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública ou pelos advogados dos transatores”.

Quando estiver lastreada num desses títulos, e não havendo foro de eleição, a execução haverá de ser proposta no foro do lugar de cumprimento da obrigação. Nos termos do art. 100, IV, d, CPC:

Art. 100. É competente o foro:

IV - do lugar:

d) onde a obrigação deve ser satisfeita, para a ação em que se lhe exigir o

cumprimento;

Não havendo essa indicação, deverá ser cumprida no foro do domicílio do devedor (art. 94).

f) Foro competente para processar a execução fundada em contrato garantido por hipoteca, penhor, anticrese ou destinada a cobrar crédito decorrente de foro ou laudênio.

Execução hipotecária: Arakem de Assis, Vicente Greco Filho, dizem que para a execução hipotecária é determinada pelo art. 95 do CPC. Este art. trata da competência para as ações reais imobiliárias. É competência absoluta do local do imóvel. Já Dinamarco, Teori Zawaski, entendem que não se aplica o art. 95 do CPC, pois a execução hipotecária não é ação real imobiliária, é ação pessoal, em razão de ser ação de pagar quantia certa. O objeto é o dinheiro e não o imóvel. A garantia para receber o dinheiro é feita pelo imóvel. Nesta execução o exequente não quer o imóvel, quer o dinheiro 8 .

8 Cf. Daniel Assumpção. Execução. Goiânia: LFG. Aula proferida em 10 out. 2009.

8

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

Conforme Didier, “o imóvel em garantia consiste, apenas, no objeto instrumental da execução, sendo um meio para a satisfação da obrigação, mediante expropriação e entrega do dinheiro ao executado. a possibilidade de adjudicação do bem hipotecado não faz da execução uma ação real imobiliária, eis que se trata de um evento a que está sujeita toda execução, e não apenas a execução hipotecária” 9 .

Portanto, a regra é a seguinte: 1º) competência do foro do local do pagamento (art. 100, IV, d) ou, 2º) à falta de estipulação, no foro do domicílio do executado (art. 94), não se aplicando a regra do art. 95 do CPC.

g) Foro competente para processar a execução de crédito de serventuário da

justiça, de perito, de intérprete ou de tradutor.

A execução deve ser intentada e processada no foro onde tramitou o processo do qual adveio o título, perante o mesmo juízo que expediu o documento 10 .

h) Opção entre o foro do lugar do cumprimento da obrigação e o do domicílio do

executado.

Se a ação de execução for proposta no domicílio do devedor este não terá interesse processual (interesse utilidade) para se insurgir contra a competência do juízo do foro do seu domicílio.

i) Títulos de crédito emitidos no exterior

Para a ação ser intentada no Brasil este deve ser mencionado no título como lugar de cumprimento da obrigação de acordo com o art. 585, §2º, CPC.

Contudo, se indicar o Brasil, mas não indicar o lugar no território nacional, a competência é do foro do domicílio do executado (art. 88, I, CPC).

Se o executado não tiver domicílio no Brasil, a competência é do foro do domicílio do exequente (art. 94, §3º, CPC).

Se o exequente também não tiver domicílio no Brasil, a execução será intentada em qualquer foro (art. 94, § 3º, CPC).

6. Títulos Executivos Judiciais (art. 475-N, CPC 11 )

9 DIDIER. Op. cit. p. 237. 10 DIDIER. Op. cit. p. 238. 11 Art. 475-N. São títulos executivos judiciais:

I - a sentença proferida no processo civil que reconheça a existência de obrigação de fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar quantia; II - a sentença penal condenatória transitada em julgado;

9

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

I. A sentença proferida no processo civil que reconheça a existência de obrigação de fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar quantia.

A sentença que obriga a parte a fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar quantia, uma vez não cumprida voluntariamente pode ser executada pelo credor, a fim de obter o cumprimento forçado da obrigação (art. 475-N, I, CPC).

- Aqui há polêmica sobre a exequibilidade ou não da sentença declaratória. Nery Júnior afirma que: “o texto do CPC 475-N I, que constou da publicação oficial da L 11232/05, é inconstitucional porque foi alterado no Senado Federal, sob a rubrica de “emenda de redação”, e não voltou para a reapreciação da Câmara dos Deputados. A redação originária, aprovada pela Câmara dos Deputados era a seguinte: “a sentença condenatória proferida no processo cível”. O texto modificado no Senado Federal, travestido de emenda redacional era o seguinte: “a sentença proferida no processo cível que reconheça a existência de obrigação de fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar quantia”. Vê-se claramente que não se tratava de mera correção redacional, mas de preceito que altera radicalmente o texto, o sentido e o espírito da norma aprovada na Câmara dos Deputados. O projeto deveria ter retornado àquela casa para reexame 12 . Como isso não ocorreu, porque o texto do Senado foi sancionado pelo Presidente da República e publicado como L 11232/05, houve violação frontal ao CF 65 par. ún. e o CPC 475-N I é irremediavelmente inconstitucional”.

Fredie Didier conhece a alegação de inconstitucionalidade, mas entende que se trata de reforma não substancial do texto pelo Senado Federal, não obrigando à remessa do texto da lei para votação na Câmara Federal. Isto, porque a exeqüibilidade da sentença declaratória já era acolhida pela jurisprudência do STJ, mesmo antes da alteração do texto legal polêmico que a possibilitou. Portanto, proclama a possibilidade de execução de sentença declaratória. (Ler texto do autor intitulado: A sentença meramente declaratória como título executivo aspecto importante da última reforma processual civil brasileira).

Jurisprudência do STJ:

III - a sentença homologatória de conciliação ou de transação, ainda inclua matéria não posta em juízo;

IV a sentença arbitral;

V o acordo extrajudicial, de qualquer natureza, homologado judicialmente;

VI - a sentença estrangeira, homologada pelo Superior Tribunal de Justiça;

VII o formal e a certidão de partilha, exclusivamente em relação ao inventariante, aos herdeiros e aos sucessores a título singular ou universal.

Parágrafo único. Nos casos dos incisos II, IV e VI, o mandado inicial (art. 475-J) incluirá a ordem de citação do devedor, no juízo cível, para a liquidação ou execução, conforme o caso. 12 CF. Art. 65. O projeto de lei aprovado por uma Casa será revisto pela outra, em um só turno de discussão e votação, e enviado à sanção ou promulgação, se a Casa revisora o aprovar, ou arquivar, se o rejeitar. Parágrafo único. Sendo o projeto emendado voltará à Casa iniciadora. Obs.: Violado este preceito estará configurada inconstitucionalidade formal.

10

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

REPETITIVO. EFICÁCIA EXECUTIVA. SENTENÇA. OBRIGAÇÃO. PAGAMENTO. QUANTIA CERTA. Trata-se de recurso julgado sob o regime do art. 543-C do CPC e Res. n. 8/2008-STJ em que o recorrido, na origem, propôs ação com o objetivo de declarar nula a cobrança da fatura de energia elétrica e obstar o corte no fornecimento. No caso, a sentença é expressa em reconhecer a legalidade do débito discutido pela parte consumidora, de modo que incide o art. 475-N, I, do CPC (atribui eficácia executiva às sentenças que reconhecem a existência de obrigação de pagar quantia certa) na parte em que reconhece a legalidade do débito impugnado, embora declare inexigível a cobrança de custos administrativos de 30% do cálculo de recuperação de consumo elaborado pela concessionária recorrente e discrimine os ônus de sucumbência. O teor da sentença que se pretende executar é claro, uma vez que o magistrado não se limitou a reconhecer a fraude no medidor, mas a validar parcela da própria cobrança extrajudicial levada a cabo pela concessionária. REsp 1.261.888-RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 9/11/2011.

SENTENÇA DECLARATÓRIA. EFICÁCIA EXECUTIVA. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Tem eficácia executiva a sentença declaratória que traz a definição integral da norma jurídica individualizada. No caso, na ação declaratória, houve pedido expresso de repetição ou compensação tributária. Portanto, se a sentença apresentou todos os elementos identificadores da obrigação (sujeitos, prestação, liquidez e exigibilidade), não há necessidade de submetê-la a um novo juízo de certificação antes da execução. Assim, é possível apurar, em sede de liquidação judicial, o quantum a ser posteriormente compensado na via administrativa, tendo em vista o reconhecimento de indébito tributário em ação declaratória. Precedentes citados: EREsp 609.266-RS, DJ 11/9/2006, e REsp 602.469-BA, DJ 31/8/2007. REsp 1.100.820-SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 18/9/2012.

II. Sentença Penal Condenatória Transitada em Julgado

De acordo com o art. 91, I, do Código Penal Brasileiro, a condenação torna certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime:

CAPÍTULO VI DOS EFEITOS DA CONDENAÇÃO Efeitos genéricos e específicos Art. 91 - São efeitos da condenação: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

O credor da obrigação constante desse título (art. 475-N, II, CPC) é o ofendido,

seu representante legal ou seus herdeiros (art. 63, CPP).

O Código de Processo Penal estabelece que transitada em julgado a sentença

condenatória, poderão promover-lhe a execução, no juízo cível, para o efeito da reparação do dano, o ofendido, seu representante legal ou seus herdeiros (art. 63).

11

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

Prescreve ainda que a execução poderá ser efetuada pelo valor mínimo fixado pelo juiz criminal para reparação dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido.

Todavia, nada impede que os legitimados exijam liquidação para a apuração do dano efetivamente sofrido (Dicção dos arts. 63, 387, par. único, CPP, com redação dada pela Lei 11.719/08).

Portanto, a novidade é a possibilidade da sentença penal condenatória transitada em julgado se constituir, no próprio juízo criminal, como título executivo judicial líquido.

De acordo com o art. 475-I, § 2º “quando na sentença houver parte líquida e outra ilíquida, ao credor é lícito promover simultaneamente a execução daquela e, em autos apartados, a liquidação desta”.

De acordo com a Lei 8.009/1990 que institui a impenhorabilidade do bem de família como instrumento de tutela do direito fundamental à moradia, “a impenhorabilidade é oponível em qualquer processo de execução civil, fiscal, previdenciária, trabalhista ou de outra natureza, salvo se movido por ter sido adquirido com produto de crime ou para execução de sentença penal condenatória a ressarcimento, indenização ou perdimento de bens(Art. 3º, VI). (REsp 1.021.440-SP, Min. Rel. Luis Felipe Salomão, julgado em 2/5/2013).

III. A sentença homologatória de conciliação ou de transação, ainda que inclua matéria não posta em juízo;

O art. 475, III, do CPC elenca mais este título executivo judicial.

Sabe-se que o ato do juiz que homologa a transação ou a conciliação é sentença de mérito (art. 269, III, do CPC 13 ), possuindo, portanto força executiva.

Ainda que essa sentença de homologação verse sobre matéria que não foi objeto do pedido inicial, nem mencionada na contestação e nem em outra fase antes dessa sentença, não a desconstitui como título executivo judicial.

As partes podem aproveitar o ensejo, desde que o juízo seja competente, para transigirem quanto a outros conflitos existentes entre si, ainda não postos em juízo, e receberem a tutela jurisdicional homologatória.

13 CPC: “Art. 269. Há resolução de mérito:

[ ] III - quando as partes transigirem;”

12

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

É o melhor sentido para a jurisdição como pacificadora dos conflitos, permitindo

que as partes discutam e requeiram homologação de matérias que não foram objeto do

pedido inicial.

IV. A sentença arbitral (Lei 9.307/96)

De acordo com o art. 31, da Lei n.° 9.307/96, a sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário e, sendo condenatória, constitui título executivo.

Sobre essa sentença é importante destacar que o árbitro é juiz de fato e de direito, e a sentença que proferir não fica sujeita a recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário (art. 18).

Esse preceito feriria o princípio da inafastabilidade do poder judiciário? Art. 5°, XXXV: a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito.

O STF se pronunciou a respeito do assunto em decisão homologatória de sentença estrangeira, no seguinte sentido:

Constitucionalidade declarada pelo plenário, considerando o Tribunal, por maioria de votos, que a manifestação de vontade da parte na cláusula compromissória, quando da celebração do contrato, e a permissão legal dada ao juiz para que substitua a vontade da parte recalcitrante em firmar o compromisso não ofendem o artigo 5º, XXXV, da CF”. (SE-AgR 5206 / EP ESPANHA, DJ 30-04-2004 PP-00029).

É o direito constitucional que assiste ao cidadão de não submeter a lide ao órgão

jurisdicional quando, é claro, se tratar pessoas capazes e versar sobre direito patrimonial disponível. É o teor do art. 1° da Lei 9307/96: As pessoas capazes de contratar

poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis.

Por fim, atenção ao art. 31 da Lei: A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário e, sendo condenatória, constitui título executivo.

V. O acordo extrajudicial, de qualquer natureza, homologado judicialmente.

A Lei dos Juizados Especiais Cíveis (Lei 9.099/95) já previa a possibilidade do

pedido homologatório em seu art. 57: o acordo extrajudicial, de qualquer natureza ou

valor, poderá ser homologado, no juízo competente, independentemente de termo, valendo a sentença como título executivo judicial.

13

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

Trata-se de título executivo judicial não oriundo da propositura de ação de conhecimento, mas de homologação pelo juízo competente do que foi requerido pelas interessados. Se a homologação for proposta nos Juizados Especiais, prevalecem as normas a respeito do jus postulandi, nos limites ali estipulados quanto ao valor. No juízo comum, obrigatoriamente deverão se fazer representar por advogados, nos termos do art. 133, da Constituição Federal.

A Lei 11.232/2005 esclarece agora o status de título executivo judicial

concedido a tais decisões homologatórias, não deixando dúvidas quanto a possibilidade do pedido homologatório. É bom lembrar que o juiz somente poderá homologar pedido que verse sobre direitos disponíveis.

VI. Sentença Estrangeira Homologada pelo Superior Tribunal de Justiça

A sentença estrangeira pode ser executada no Brasil. Deve, entretanto, ser

primeiramente homologada pelo STJ (e não mais pelo STF), na forma do art. 105, I, “i”, da Constituição Federal, (redação dada pela EC 45, de 8/12/2004) que revogou tacitamente o art. 483 14 do CPC, do art. 15, da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro, antiga LICC (Lei de Introdução ao Código Civil), e da RESOLUÇÃO n.º 9, de 04/05/05 do STJ.

A competência para a execução é do Juiz Federal nos termos do art. 109, X, da

CF.

Apesar da Lei 11.232/05 ter revogado expressamente os arts. 589 e 590, CPC, que versavam sobre a carta de sentença, manteve menção no art. 484 15 . Todavia, a lei dispensou a confecção de carta de sentença, simplificando o procedimento no art. 475- O, §3º, inc. I-V do CPC.

Enquanto o Regimento Interno do STJ não trouxer previsão 16 , prevalecerão as regras dos arts. 216/224 do Regimento Interno do STF 17 . Havendo regência ainda pelo

14 CPC: “Art. 483. A sentença proferida por tribunal estrangeiro não terá eficácia no Brasil senão depois de homologada pelo Supremo Tribunal Federal. Parágrafo único. A homologação obedecerá ao que dispuser o Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal.”

15 CPC: “Art. 484. A execução far-se-á por carta de sentença extraída dos autos da homologação e obedecerá às regras estabelecidas para a execução da sentença nacional da mesma natureza.”

16 O RISTJ foi atualizado em 2010, mas ainda não trouxe previsão sobre o procedimento para homologação de sentença estrangeira. 17 RISTF: “Art. 216. Não será homologada sentença que ofenda a soberania nacional, a ordem pública e

os bons costumes.

Art. 217. Constituem requisitos indispensáveis à homologação da sentença estrangeira:

I haver sido proferida por juiz competente;

II terem sido as partes citadas ou haver-se legalmente verificado a revelia;

14

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

art. 15 da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro, no que não contrariar a CF/88 e diretrizes dadas pela RES. N.º 9 do STJ.

VII. O formal e a certidão de partilha, exclusivamente em relação ao inventariante,

aos herdeiros e aos sucessores a título singular ou universal.

Elencados no inciso VII do art. 475-N do CPC estão o formal e a certidão de partilha como títulos executivos judiciais.

O formal de partilha é o documento extraído do inventário com as formalidades do art. 1.027 18 do CPC.

III ter passado em julgado e estar revestida das formalidades necessárias à execução no lugar em que foi

proferida;

IV estar autenticada pelo cônsul brasileiro e acompanhada de tradução oficial.

Art. 218. A homologação será requerida pela parte interessada, devendo a petição inicial conter as

indicações constantes da lei processual, e ser instruída com a certidão ou cópia autêntica do texto integral

da sentença estrangeira e com outros documentos indispensáveis, devidamente traduzidos e autenticados.

Art. 219. Se a petição inicial não preencher os requisitos exigidos no artigo anterior ou apresentar defeitos

ou irregularidades que dificultem o julgamento, o Presidente mandará que o requerente a emende ou

complete, no prazo de dez dias, sob pena de indeferimento. Parágrafo único. Se o requerente não promover, no prazo marcado, mediante intimação ao advogado, ato

ou diligência que lhe for determinado no curso do processo, será este julgado extinto pelo Presidente ou

pelo Plenário, conforme o caso. Art. 220. Autuados a petição e os documentos, o Presidente mandará citar o requerido para, em quinze dias, contestar o pedido.

§ 1º O requerido será citado por oficial de justiça, se domiciliado no Brasil, expedindo-se, para isso, carta

de ordem; se domiciliado no estrangeiro, pela forma estabelecida na lei do País, expedindo-se carta

rogatória.

§ 2º Certificado pelo oficial de justiça ou firmado, em qualquer caso, pelo requerente, que o citando se

encontre em lugar ignorado, incerto ou inacessível, a citação far-se-á por edital. Art. 221. A contestação somente poderá versar sobre a autenticidade dos documentos, a inteligência da sentença e a observância dos requisitos indicados nos arts. 217 e 218.

§ 1º Revel ou incapaz o requerido, dar-se-lhe-á curador especial que será pessoalmente notificado.

§ 2º Apresentada a contestação, será admitida réplica em cinco dias.

§ 3º Transcorrido o prazo da contestação ou da réplica oficiará o Procurador-Geral no prazo de dez dias.

Art. 222 - Se o requerido, o curador especial ou o Procurador-Geral não impugnarem o pedido de homologação, sobre ele decidirá o Presidente. Parágrafo único. Da decisão do Presidente que negar a homologação cabe agravo regimental. Art. 223 - Havendo impugnação à homologação, o processo será distribuído para julgamento pelo Plenário. Parágrafo único. Caberão ao Relator os demais atos relativos ao andamento e à instrução do processo e o

pedido de dia para julgamento. Art. 224 A execução far-se-á por carta de sentença, no juízo competente, observadas as regras estabelecidas para a execução de julgado nacional da mesma natureza.” 18 CPC: “Art. 1.027. Passada em julgado a sentença mencionada no artigo antecedente, receberá o

herdeiro os bens que lhe tocarem e um formal de partilha, do qual constarão as seguintes peças: I - termo

de inventariante e título de herdeiros; II - avaliação dos bens que constituíram o quinhão do herdeiro; III -

pagamento do quinhão hereditário; IV - quitação dos impostos; V - sentença. Parágrafo único. O formal

de partilha poderá ser substituído por certidão do pagamento do quinhão hereditário, quando este não

exceder 5 (cinco) vezes o salário mínimo vigente na sede do juízo; caso em que se transcreverá nela a sentença de partilha transitada em julgado.”

15

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

O formal pode ser substituído por certidão do pagamento do quinhão hereditário, se este não exceder cinco vezes o salário mínimo vigente na sede do juízo.

A execução do formal ou da certidão pode ser exercida apenas contra o inventariante, os herdeiros e os sucessores a título universal ou singular. Se os bens estiverem em mãos de terceiros, que não foram parte no inventário, o caso não é de execução, mas de ação de conhecimento para a reivindicação do bem.

7. Títulos Executivos Extrajudiciais

Consoante disciplina o art. 585 do CPC, são título executivos extrajudiciais:

I. A letra de câmbio 19 , a nota promissória 20 , a duplicata 21 , a debênture 22 e o cheque 23 ;

II. A escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor; o documento particular assinado pelo devedor e por duas testemunhas; o instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública 24 ou pelos advogados dos transatores;

III. Os contratos garantidos por hipoteca, penhor, anticrese 25 e caução, bem como de

seguro de vida;

IV. O crédito decorrente de foro 26 e laudêmio 27 ;

19 Título de crédito formal, consistente numa ordem escrita de pagamento, de um emitente ou sacador, a outrem, chamado aceitante ou sacado, para que pague a um terceiro, denominado tomador, determinada importância em local e data determinados. Prevista no Anexo I do Dec. n. 57.663, de 24/01/1966.

20 Nota promissória é um documento financeiro que obriga o emitente (subscritor) ao pagamento de seu valor ao beneficiário no prazo nela estipulado. Regulada pelo Decreto n. 2.044, de 31/12/1908, que também define a letra de câmbio e regula as operações cambiais.

21 Duplicata é bum título de crédito, expedido com o objetivo de garantir e documentar a promessa de pagamento de mercadorias (compra e venda mercantil) ou a prestação de serviços. O valor de emissão da duplicata deverá ser exatamente ao da relação comercial, ou seja, coincidente com o valor da fatura que originou o débito. Prevista na Lei n. 5.474, de 18/07/1968.

22 Debênture é um título de dívida da S.A. que gera um direito de crédito ao credor da sociedade. É uma forma da sociedade capitalizar-se mediante o lançamento desses títulos que, dependendo dos acionistas em deliberação em Assembléia Geral, poderão ser conversíveis em ações. Prevista nos art. 53/74 da Lei 6.404, de 15/12/1976 (Lei das S/A.).

23 O cheque é título de crédito com ordem incondicional à instituição financeira para pagar quantia determinada à vista ao sacado. Previsto na Lei n. 7.357, de 02/09/1985. 24 LC 80/94, Art. 4º, § 4º O instrumento de transação, mediação ou conciliação referendado pelo Defensor Público valerá como título executivo extrajudicial, inclusive quando celebrado com a pessoa jurídica de direito público. (Incluído pela Lei Complementar nº 132, de 2009).

25 Anticrese é um contrato pelo qual o devedor entrega ao credor um imóvel, dando-lhe o direito de receber os frutos e rendimentos como compensação da dívida. É uma consignação de rendimentos. Esse contrato deve ser lavrado por escritura pública e transcrito no Registro Geral de Imóveis. Prevista nos arts. 1.419 e seguintes do CC.

16

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

V - O crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de imóvel, bem

como de encargos acessórios, tais como taxas e despesas de condomínio;

VI. O crédito de serventuário de justiça, de perito, de intérprete, ou de tradutor, quando

as custas, emolumentos ou honorários forem aprovados por decisão judicial;

Obs.: apesar desse documento ter origem judicial, é considerado extrajudicial.

VII. A certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, Estado, Distrito Federal, Território e Município, correspondente aos créditos inscritos na forma da lei;

VIII. Todos os demais títulos, a que, por disposição expressa, a lei atribuir força executiva.

II - EXECUÇÃO DE OBRIGAÇÃO POR QUANTIA CERTA CONTRA DEVEDOR SOLVENTE FUNDADA EM TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL (Lei n. 11.232/2005)

1. Liquidação de Título Judicial

1.1. Conceito

A liquidação de sentença tem lugar quando a sentença não determinar o valor devido (art. 475-A).

a) sentença líquida a que encerra no seu dispositivo o quantum debeatur da obrigação ou a individualização do objeto que se deve entregar, permitindo com isso sua imediata execução;

26 Foro designa a pensão que é devida pelo enfiteuta ou foreiro ao senhorio direto do prédio emprazado ou aforado, pelo gozo do domínio útil, que lhe é atribuído. Enfiteuse contrato pelo qual o proprietário de terreno alodial cede a outrem o direito de percepção de toda utilidade do mesmo terreno, seja temporária ou perpetuamente, com o encargo de lhe pagar uma pensão ou foro anual e a condição de conservar para si o domínio direto. Ver art. 2.038, CC. Alodial é o terreno ou imóvel livre de encargos. 27 Laudêmio é o pagamento devido ao senhorio direto, quando da transferência do domínio útil de propriedade imobiliária usufruída em regime de enfiteuse. Pagamento que o proprietário de um imóvel à venda deve fazer ao proprietário com direito real. É feito, por exemplo, na venda de imóveis que originariamente pertencem à União, como todos os que se localizam na orla marítima.

17

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

b) sentença ilíquida é aquela em que se sabe qual a condenação, mas não o montante nem o objeto que será individualizado. Para ser encontrado este resultado é necessário proceder à liquidação da sentença, conforme exige o art. 475-A, caput, do CPC.

1.1.1. Generalidades

Quando a sentença é proferida no cível, o exequente requererá ao juiz a intimação 28 do devedor, através de seus advogados (art. 475-A, §1°).

Se houver pendência de recurso (mesmo com efeito suspensivo), a liquidação será processada em autos apartados, no juízo de origem, cumprindo ao liquidante instruir o pedido de liquidação com cópia das peças processuais pertinentes (art. 475-A, § 2°).

No procedimento sumário (art. 275), nos casos de pedido de ressarcimento por danos causados em acidente de veículo de via terrestre e cobrança de seguro, relativamente aos danos causados em acidente de veículo, obrigatoriamente, o juiz deverá proferir sentença líquida (art. 475-A. § 3°).

Quando se tratar de sentença penal condenatória, transitada em julgado, sentença arbitral, ou sentença estrangeira, homologada pelo STJ, o credor ao ingressar com o pedido de liquidação no cível, requererá ao juiz a citação 29 do devedor.

Encerrada a liquidação por decisão do juiz, caberá agravo de instrumento 30 , em regra, sem efeito suspensivo, como é próprio ao recurso (arts. 475-H e 527, III). Neste caso, não cabe conversão em agravo retido (art. 527, II), por faltar oportunidade para pedido de apreciação do retido em preliminar da apelação.

Após a liquidação, o devedor terá prazo de quinze (15) dias para cumprir voluntariamente a sentença, sob pena de responder por multa de 10% sobre o valor da causa.

28 Intimação é o ato pelo qual se dá ciência a alguém dos atos e termos do processo, para que faça ou deixe de fazer alguma coisa (art. 234, CPC).

29 Citação é o ato pelo qual se chama a juízo o réu ou o interessado a fim de se defender (art. 213, CPC).

30 ACP. LIQUIDAÇÃO. SENTENÇA. RECURSO. O recurso cabível contra a decisão que homologou a liquidação de sentença proferida em ação civil pública (ACP) é o agravo de instrumento, e não a apelação (art. 475-H do CPC). No caso, destaca-se que a decisão impugnada foi proferida e publicada quase dois anos após a alteração promovida pela Lei n. 11.232/2005, uma das mais discutidas no meio jurídico, o que denota a impossibilidade de aplicar a fungibilidade recursal. Precedentes citados: REsp 1.131.112- ES, DJe 14/9/2009; REsp 1.044.074-PR, DJe 4/2/1009; AgRg no Ag 946.131-RS, DJe 5/8/2008, e REsp 1.118.249-ES, DJe 25/11/2009. REsp 1.130.862-ES, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 1º/6/2010. (Informativo n.º 437).

18

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

A liquidação da sentença pode ser feita de três maneiras distintas: por cálculo aritmético, por arbitramento ou por artigos.

1.2. Liquidação Aritmética

Conforme o caput do art. 475-B do CPC, quando a determinação do valor da condenação depender apenas de cálculo aritmético, o exeqüente requererá o cumprimento da sentença (art. 475-J), instruindo o pedido com a memória discriminada e atualizada do cálculo.

a) Dados em Poder do Devedor ou de Terceiro

Quando o cálculo depender de dados que se encontram em poder do devedor ou de terceiro, o juiz, a requerimento do exeqüente, poderá requisitá-los, fixando prazo de até trinta dias para o cumprimento da diligência.

Se os dados, injustificadamente, não forem apresentados pelo devedor, reputar- se-ão corretos os cálculos apresentados pelo exeqüente, e, se não o forem pelo terceiro, configurar-se-á a situação prevista no art. 362, ou seja, o terceiro incorrerá em crime de desobediência.

b) Cálculo com Excesso Aparente

Quando a memória de cálculo apresentada pelo exeqüente aparentemente exceder os limites da decisão exeqüenda e, ainda, nos casos de assistência judiciária, o juiz poderá valer-se do contador do juízo.

Se o exeqüente não concordar com o demonstrativo da contadoria judicial, a execução seguirá pelo valor originariamente pretendido, mas a penhora será feita com base no cálculo do contador.

1.3. Liquidação por Arbitramento

Conforme comando do art. 475-C do CPC, faz-se a liquidação por arbitramento quando: a sentença o determina 31 ou é convencionado pelas partes, ou também quando o exigir a natureza do objeto da liquidação.

31 STJ - Súmula 344. A liquidação por forma diversa da estabelecida na sentença não ofende a coisa julgada.

19

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

Exemplo: sentença que condena o requerido a indenizar os lucros cessantes ao autor, que não puderam ser aferidos no processo de conhecimento porque ainda não haviam alcançado o valor global.

O art. 475-D, parágrafo único, do CPC estabelece que o juiz nomeará o perito e fixará o prazo para entrega do laudo, após o que as partes poderão manifestar-se no prazo de 10 dias. Em seguida ou o juiz profere sentença ou designa audiência de instrução e julgamento, se necessário.

Inércia da parte na fase de liquidação em apresentar provas do dano:

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. PROVA DE PARTE DO DANO. IMPOSSIBILIDADE SEM CULPA DAS PARTES. LIQUIDAÇÃO IGUAL A ZERO. Não é possível ao juízo promover a liquidação da sentença valendo-se, de maneira arbitrária, de meras estimativas, na hipótese em que a sentença fixa a obrigatoriedade de indenização do dano, mas as partes sem culpa estão impossibilitadas de demonstrar a sua extensão. Assim, por falta de previsão expressa do atual CPC, deve-se, por analogia, aplicar a norma do art. 915 do CPC/1939, extinguindo-se a liquidação sem resolução de mérito quanto ao dano cuja extensão não foi comprovada, facultando-se à parte interessada o reinício dessa fase processual, caso reúna, no futuro, as provas cuja inexistência se constatou. A norma do art. 915 do CPC/1939 preconiza que, se as provas não oferecerem elementos suficientes para que o juiz determine o valor da condenação, o liquidante será condenado nas custas, procedendo-se à nova liquidação. Ademais, o CPC/1973 não autoriza, fora das hipóteses do art. 475-B, §§ 1º e 2º, a utilização de presunções para estabelecer o montante da indenização devida. Portanto, não sendo possível apurar, na liquidação, o montante devido pela parte da condenação, sem culpa das partes, extingue-se o processo sem resolução do mérito, facultando-se à parte reiniciar a liquidação no futuro, caso reúna, com novos elementos, provas suficientes para revestir de certeza seu direito à reparação. REsp 1.280.949-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 25/9/2012.

1.4. Liquidação por Artigos

Será

feita

a

liquidação

por

artigos

quando,

para

determinar

o

valor

da

condenação, houver necessidade de alegar e provar fato novo (art. 475-E).

O procedimento a ser adotado será o comum (art. 272), ordinário ou sumário, dependendo do caso (art. 475-F).

Isto quer dizer que, tratando-se de procedimento ordinário, após a intimação do devedor, segue-se o oferecimento de prazo para contestação, impugnação à contestação, audiência de conciliação, produção de provas e audiência de instrução e julgamento.

20

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

Tratando-se de procedimento sumário, o juiz designará audiência de conciliação, à qual deverá comparecer o devedor, sob pena de confissão, na qual deverá, desde já, apresentar contestação, com rol de testemunhas, formulação dos quesitos, e indicação de assistente técnico, sob pena de preclusão.

Para a melhor doutrina, pois, o que qualifica o fato como “novo” não é o momento em que surge no mundo fenomênico, mas sim o momento em que é trazido à cognição judicial. Assim, seria fato novo, capaz de ser alegado e provado em liquidação por artigos, o fato que tenha surgido antes de ajuizada a demanda condenatória, e que nela não tenha sido alegado; o fato surgido no curso do processo condenatório, mas que nele não tenha sido levado em consideração; o fato surgido após a formação da sentença condenatória, mas antes do ajuizamento da demanda de liquidação; e, por fim, o fato superveniente à própria instauração do processo de liquidação de sentença. Desde que tal fato diga respeito ao quantum debeatur, revelar-se-á adequada a liquidação por artigos 32 .

São devidos honorários advocatícios na fase de liquidação? Vejamos o entendimento do STJ:

LIQUIDAÇÃO. SENTENÇA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. A Turma reiterou o entendimento de que são devidos honorários advocatícios em liquidação de sentença, em que pese o acórdão paradigma tratar de liquidação por artigos e o aresto recorrido, de liquidação por arbitramento, sem desconsiderar a existência de julgados desta Corte que não fixam honorários em liquidação por arbitramento, eis que deve ser aplicada à espécie solução semelhante à liquidação por artigos, conforme o julgado paradigma da CE. Também pacífico o entendimento do STJ de que, inexistindo condenação, os honorários advocatícios são fixados com base no art. 20, § 4º, do CPC. Precedentes citados: EREsp 179.355-SP, DJ 11/3/2002; REsp 592.832-PR, DJ 30/11/2004; REsp 783.245-RN, DJ 2/6/2008, e REsp 772.436-SC, DJ 9/6/2008. REsp 978.253- SE, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 16/9/2008.

2. Do Cumprimento da Sentença

2.1. Conceito

Com a nova sistemática introduzida pela Lei 11.232/2005, a execução deixa de ser um processo autônomo para se constituir em apenas um incidente processual. No caso da sentença proferida no cível, apenas uma fase seguinte a do processo de conhecimento.

2.2. Execução Definitiva

Já definia o art. 587, primeira parte, que “A execução é definitiva, quando

fundada em sentença transitada em julgado ou em título extrajudicial; [

]” .

32 CÂMARA, Alexandre Freitas. Lições de direito processual civil. 2. v. 7. ed. Rio de Janeiro: Lumem Júris, 2003, p. 233-234.

21

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

Agora o art. 475-I, §1º, CPC, também define que: É definitiva a execução da sentença transitada em julgado e provisória quando se tratar de sentença impugnada mediante recurso ao qual não foi atribuído efeito suspensivo.

a) Sentença Transitada em Julgado

É aquela que forma a chamada coisa julgada material, tornando “imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário” (art. 467, CPC).

b) Forma da Execução Definitiva

A execução da sentença judicial transitada em julgado será pleiteada nos próprios autos, como incidente processual na fase de conhecimento, quando se tratar de sentença resultante de processo de conhecimento originária do próprio juízo.

Ou iniciará como processo autônomo quando se tratar de sentença penal condenatória, transitada em julgado, sentença arbitral, ou sentença estrangeira, homologada pelo STJ.

c) Efeito da Execução Definitiva

Tratando-se de sentença condenatória (transitada em julgado), ao exequente cabe o pedido de cumprimento da sentença, nos termos dos arts. 475-A a 474-R, CPC. Onde requererá ao juiz a expedição de mandado de penhora e avaliação, indicando, desde já, sobre quais bens deverá a mesma recair.

d) São devidos honorários advocatícios no caso de não ser paga espontaneamente a

dívida após decorrido o prazo previsto no art. 475-J do CPC

HONORÁRIOS

ADVOCATÍCIOS.

SENTENÇA.

CUMPRIMENTO.

A

Turma

reiterou que são devidos honorários advocatícios no caso de não ser paga espontaneamente a dívida

após decorrido o prazo previsto no art. 475-J do CPC. A nova sistemática prevista na Lei n. 11.232/2005, na alteração da natureza da execução de sentença, que deixou de ser processo autônomo

e passou a ser mera fase complementar do mesmo processo em que o provimento é assegurado, não

traz nenhuma modificação no que tange aos honorários advocatícios. A interpretação literal do art. 20,

§ 4º, do CPC não deixa dúvidas, tanto que, conforme a expressa dicção do referido dispositivo legal,

os honorários são devidos nas execuções, embargadas ou não. Ademais, pelo art. 20, § 4º, do CPC, a execução comporta o arbitramento de honorários e se, de acordo com o art. 475-I do CPC, o

cumprimento da sentença é realizado via execução, por força desses dois postulados, são devidos os honorários na fase de cumprimento da sentença, pois os fixados na fase de cognição referem-se apenas ao trabalho realizado pelo advogado até então. Precedentes citados: REsp 1.028.855-SC, DJe 5/3/2009; REsp 1.084.484-SP, DJe 21/8/2009; AgRg no Ag 1.012.843/RS, DJe 17/8/2009; REsp 1.054.561-SP, DJe 12/3/2009, e AgRg no REsp 1.036.528-RJ, DJe 3/2/2009. REsp 1.165.953-GO, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24/11/2009. (Informativo 417, STJ).

22

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

3. Execução Provisória

O art. 475-I, §1º, define que: É definitiva a execução da sentença transitada em julgado e provisória quando se tratar de sentença impugnada mediante recurso ao qual não foi atribuído efeito suspensivo.

3.1. Sentença Impugnada por Recurso Recebido só no Efeito Devolutivo

Como já estudado, o recurso de apelação contra a sentença normalmente é recebido no duplo efeito (art. 520, primeira parte, CPC), o que impede que a sentença seja executada, ou seja, nesse caso não se pode exigir o que nela foi determinado até que transite em julgado (até que contra ela não caiba mais recurso nenhum).

Contudo, há casos especiais em que mesmo que contra a sentença tenha sido interposto recurso, ela poderá ser executada provisoriamente (desde que o recurso tenha sido recebido no efeito meramente devolutivo), mediante cópia dos documentos arrolados no art. 475-O, § 3°, incisos I-V.

Relembre-se que vários são os casos em que o recurso não será recebido no efeito suspensivo, mas apenas no devolutivo, como já estudado no Sistema Recursal do Processo Civil.

3.2. Requisitos para a Execução Provisória

Logo que recebido o recurso só no efeito devolutivo, o interessado poderá providenciar cópia dos seguintes documentos, os quais poderão ser autenticados pelo próprio advogado (art. 475-0, § 3º, CPC), para instruir o pedido de cumprimento da sentença:

a)

sentença ou acórdão exeqüendo;

 

b)

certidão de interposição do recurso não dotado de efeito suspensivo;

 

c)

procurações outorgadas pelas partes;

 

d)

decisão de habilitação, se for o caso;

e)

facultativamente,

outras

peças

processuais

que

o

exeqüente

considere

necessárias.

3.3. Efeito da Execução Provisória

A execução provisória da sentença é feita do mesmo modo que a definitiva (art. 475-O, incisos, CPC), com algumas diferenças essenciais, como, por exemplo:

23

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

a) Corre por iniciativa, conta e responsabilidade do exeqüente, que se obriga, se

a sentença for reformada, a reparar os prejuízos que o executado venha a sofrer;

b) Fica sem efeito, sobrevindo acórdão que modifique ou anule a sentença objeto

da execução, restituindo-se as partes ao estado anterior e liquidados eventuais prejuízos nos mesmos autos, por arbitramento; se a sentença provisória for modificada ou anulada apenas em parte, somente nesta ficará sem efeito;

c) O levantamento de depósito em dinheiro e a prática de atos que importem

alienação de propriedade ou dos quais possam resultar grave dano ao executado dependem de caução suficiente e idônea, arbitrada de plano pelo juiz e prestada nos próprios autos;

Obs.: A caução poderá ser dispensada:

a) Quando, nos casos de crédito de natureza alimentar ou decorrente de ato ilícito, até o limite de sessenta vezes o salário mínimo, o exeqüente demonstrar situação de necessidade;

b) Nos casos de execução provisória em que penda agravo 33 junto ao STF ou

STJ (art. 544), salvo quando da dispensa possa manifestamente resultar risco de grave dano, de difícil ou incerta reparação.

3.4 Execução provisória e multa do art. 475-J, CPC:

EXECUÇÃO PROVISÓRIA. MULTA. (Inf. Nº 421). Embora haja execução provisória, no que couber, de acordo com o disposto no art. 475-O, caput, do CPC, é inaplicável a multa do art. 475-J, que é endereçada exclusivamente à execução definitiva, uma vez que se exige, para aplicá-la, o trânsito em julgado do pronunciamento condenatório. No caso dos autos, trata-se de REsp em execução provisória de sentença na parte específica da condenação em verba de honorários advocatícios enquanto pendente julgamento de agravo de instrumento. Com esse entendimento, a Turma deu provimento ao recurso. O Min. Luis Felipe Salomão acompanhou esse entendimento, mas ressalvou que o REsp 1.059.478-RS foi remetido à Corte Especial para que ela se pronuncie sobre a matéria. Precedente citado:

REsp 1.100.658-SP, DJe 21/5/2009. REsp 979.922-SP, Rel. Min. Aldir Passarinho Junior, julgado em 2/2/2010.

STJ. EXECUÇÃO PROVISÓRIA. MULTA. ART. 475-J CPC. Trata-se de REsp em que se discute o cabimento da multa prevista no art. 475-J do CPC em execução provisória ou cumprimento provisório de sentença. A Turma reiterou que, na execução provisória, não incide a multa prevista no art. 475-J do CPC. Precedentes citados: REsp. 1.059.478- RS, DJe 11/4/2011; AgRg no REsp 1.076.882-RS, DJe 8/10/2008; AgRg no REsp 995.804- RJ, DJe 17/12/2008, e AgRg no Ag 1.046.147-RS, DJe 6/10/2008. REsp 1.116.925-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 20/9/2011 (Vide Informativo n. 460).

33 Agravo alterado pela Lei n.º 12.322/2010.

24

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

3.5 Execução provisória e arbitramento de honorários. Descabimento.

Processo: REsp 1252470 RS 2009/0122994-7 Relator(a): Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO Julgamento: 06/10/2011 Órgão Julgador: T4 - QUARTA TURMA (STJ) Publicação: DJe 30/11/2011 Ementa: PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO PROVISÓRIA. ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS EM FAVOR DO EXEQUENTE. DESCABIMENTO. 1. A execução provisória, por expressa dicção legal, "corre por iniciativa, conta e responsabilidade do exeqüente" (art. 475-O,inciso I, do CPC). Portanto, pendente recurso "ao qual não foi atribuído efeito suspensivo" (art. 475-I, § 1º, do CPC), a lide ainda é evitável e a "causalidade" da instauração do procedimento provisório deve recair sobre o exequente. 2. Com efeito, por ser a iniciativa da execução provisória mera opção do credor, descabe, nesse momento processual, o arbitramento de honorários em favor do exequente. 3. Posteriormente, convertendo-se a execução provisória em definitiva, nada impede que o magistrado proceda ao arbitramento dos honorários advocatícios, sempre franqueando ao devedor, com precedência, a possibilidade de cumprir, voluntária e tempestivamente, a condenação imposta e também elidir a multa prevista no art. 475-J, CPC. 4. Recurso especial provido.

4. Execução da parte líquida da sentença

Quando na sentença houver uma parte líquida e outra ilíquida, ao exeqüente é lícito promover simultaneamente a execução daquela e, em autos apartados, a liquidação desta (art. 475-I, § 2°).

5. Procedimento para o cumprimento da sentença

5.1. Do requerimento (art. 475-J)

Condenado o devedor ao pagamento de quantia certa, ou já fixada em liquidação de sentença, o devedor terá o prazo de 15 dias, a partir do transito em julgado, para cumprir voluntariamente a condenação, incorrendo em multa de 10% sobre o valor da causa, caso não o faça (caput).

Se o pagamento for parcial, a multa incidirá apenas sobre o restante (§ 4°).

Diante da inércia do devedor, o exeqüente requererá ao juiz a expedição de mandado de penhora e avaliação, indicando os bens sobre os quais recairá a penhora (§

3°).

Seriam devidas custas judiciais para o requerimento de Cumprimento de Sentença? O nosso Tribunal de Justiça firmou entendimento por suas quatro Câmaras

25

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

Cíveis de que não são devidas custas judiciais (1ª CAMARA CIVEL - 66743-9/180 - AGRAVO DE

INSTRUMENTO; 2ª CAMARA CIVEL - 66513-0/180 - AGRAVO DE INSTRUMENTO; 3ª CAMARA CIVEL - 66205-7/180 - AGRAVO DE INSTRUMENTO; 4ª CAMARA CIVEL - 66707-6/180 - AGRAVO DE INSTRUMENTO 34 ).

Em 2011/12 esse entendimento do TJGO ainda se mantinha pelas 1ª, 2ª, 4ª e 6ª Câmaras, apesar da Portaria nº 159/2009 do Diretor do Foro de Goiânia no sentido da exigência de custas 35 :

AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. LEI Nº 11.232/2005. PROCESSO SINCRÉTICO. CUSTAS INICIAIS. DESNECESSIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. DESPESAS PROCESSUAIS. DISTINÇÃO. PROVIDÊNCIAS NECESSÁRIAS PARA O CURSO DO PROCEDIMENTO. ADIANTAMENTO. I- Diante das modificações impostas pela Lei nº 11.232/05, que transformaram o processo de execução de sentença em mera continuidade do processo cognitivo, ou seja, contemplando o sincretismo processual; e, lado outro, inexistindo previsão legal para a cobrança de custas iniciais nesta fase de cumprimento de sentença, merece reforma a decisão judicial que impõe o seu recolhimento, ressalvado, no entanto, o recolhimento devido a título de despesas processuais por superveniente exigência de pagamento com vistas a realização de ulteriores atos processuais, como diligências,

34 4ª Câmara Cível - 66707-6/180 - Agravo de Instrumento. EMENTA: Agravo de instrumento. Cumprimento de sentença. Desnecessidade de recolhimento de custas processuais. Com o advento da lei 11232/2005, eliminou-se a necessidade de propositura de nova ação para a satisfação da obrigação reconhecida por sentença, razão pela qual, o cumprimento do 'decisum' deve ser processado através de simples petição atravessada nos autos, dispensando-se o pagamento de novas custas. Agravo conhecido e provido.

35 Diretoria reafirma pagamento de custas em cumprimento de sentença. 27/fev/2009. Pela Portaria nº 0159/2009, expedida hoje (27), o diretor do Foro de Goiânia, juiz Ronnie Paes Sandre, determinou ao Protocolo Judicial de Goiânia que somente receba pedidos de cumprimento de sentença (execução de sentença) mediante pagamento de custas. Ficaram ressalvados apenas os casos em que houver pedidos de concessão dos benefícios da assistência judiciária. A medida foi tomada considerando o Ofício Circular 008/2009, por meio do qual o corregedor- geral da Justiça, desembargador Felipe Batista Cordeiro, encaminhou aos juízes do Estado cópia de decisão proferida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no ano passado, que, mantendo provimento baixado pelo então corregedor Floriano Gomes, reconheceu a exigibilidade de custas em processos de execução. Conforme já noticiado neste blog, as custas eram cobradas nas execuções de sentença mas provimento baixado em 2006 as tornou inexigíveis. Com sua revogação, em 2007, quando Floriano Gomes reexaminou a matéria por meio do Provimento nº 04/2007, surgiram divergências a respeito e um grupo de advogados, formado por Marcos André Gomides da Silva, Murilo Miranda e Thiago Henrique Atavila, propôs procedimento de controle administrativo no CNJ, solicitando a revogação do provimento. Em decisão monocrática publicada em 11 de abril do ano passado, o conselheiro Rui Stoco não conheceu do pedido, mantendo o provimento. O grupo havia alegado que, após a reforma processual que definiu o início do processo de execução como sendo imediatamente após o trânsito em julgado da ação de conhecimento, não há um processo de execução “propriamente dito”, o que inviabiliza legalmente, segundo eles, a cobrança de novas custas. Discordando do grupo, o conselheiro observou que, apesar das mudanças no processo, os procedimentos e atos de execução, mesmo não se configurando novo processo, continuaram gerando despesas. ”Em outras palavras, os atos necessários à execução ou cumprimento da sentença permanecem demandando dispêndios, quer sejam realizados em um processo autônomo, quer ocorram na fase final do processo de conhecimento, o que justifica a cobrança das custas processuais”, salientou o conselheiro na decisão. Nesse sentido houve decisões do juiz Eudélcio Machado Fagundes, da 7ª Vara Cível de Goiânia, lembrando decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de que em tal procedimento, há incidência de honorários advocatícios a justificar a de custas, pelo princípio da sucumbência.

Fonte: < http://www.tjgo.jus.br/bw/?p=7700>

26

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

avaliações, intimações, etc., extremamente necessários no decorrer da demanda, com vistas ao desiderato processual, nos termos do art. 19 do CPC. II- A inexigibilidade do pagamento das custas iniciais não significa dizer que a parte requerente esteja isenta do adiantamento de eventuais despesas necessárias à execução dos atos processais, já que ambas possuem natureza completamente distinta. Se não é cobrável o pagamento de custas iniciais por falta de previsão legal, por outro lado, mostra-se pertinente a cobrança por diligências necessárias (despesas processuais) para ultimação do desiderato processual. AGRAVO DE INSTRUMENTO CONHECIDO E PROVIDO. (TJGO, AGRAVO DE INSTRUMENTO 252275-33.2011.8.09.0000, Rel. DES. LUIZ EDUARDO DE SOUSA, 1A CAMARA CIVEL, julgado em 22/11/2011, DJe 956 de 07/12/2011)

APELAÇÃO CÍVEL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. RECOLHIMENTO DE RECOLHIMENTO DE CUSTAS INICIAIS. DESNECESSIDADE. SENTENÇA TERMINATIVA. CASSAÇÃO QUE SE IMPÕE. I - A Lei 11.232/2005, editada para dar celeridade e efetividade aos processos, extinguiu o processo autônomo de execução de sentença, passando esta a ser uma fase do processo de conhecimento. II - Conforme precedentes desta Corte, em função dos princípios da legalidade e da anterioridade, é indevido o recolhimento de custas iniciais na fase de cumprimento de sentença, ante a inexistência de lei, no âmbito do Estado de Goiás, que disponha sobre esse assunto. APELAÇÃO CÍVEL CONHECIDA E PROVIDA. SENTENÇA CASSADA. (TJGO, APELACAO CIVEL 115380-81.2010.8.09.0006, Rel. DR(A). CARLOS ROBERTO FAVARO, 2A CAMARA CIVEL, julgado em 27/09/2011, DJe 952 de

01/12/2011)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL. SIMPLES REQUERIMENTO. CUSTAS INICIAIS. TAXA. INEXIGIBILIDADE. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. ANALOGIA. VEDAÇÃO. 1- Com a entrada em vigor da Lei nº 11.232, de 22/12/2005, a qual expungiu a autonomia da ação de execução de sentença condenatória, deve o réu ser instado a cumprir o comando judicial no bojo dos próprios autos (CPC, art. 475-I e seguintes). 2- Mostra-se inexigível o recolhimento de custas iniciais para a instauração da fase de cumprimento de sentença, haja vista inexistir prestação extraordinária de serviço judicial por parte do Ente Estatal, ante a simples apresentação de requerimento naquele sentido. Ademais, por serem consideradas taxas (tributo), denota-se indispensável a específica previsão legal para a cobrança de custas judiciais, em festejo ao princípio constitucional da legalidade tributária, estatuído no art. 150, inciso I, da CF (STF, Tribunal Pleno, Adi nº 1444/PR, publicado no DJ de 11/04/2003, Rel. Min. Sydney Sanches). 3- Não dá ensejo à aplicação analógica in casu do Anexo II, Tabela III, n. 23, do Regimento de Custas e Emolumentos do Estado de Goiás, que prevê a aludida exigência em ações de execução de sentença, porquanto a legislação pertinente, qual seja, o art. 1º da Lei Estadual nº 14.376/02, veda o uso desse instituto de integração normativa em hipóteses tais. 4- O Provimento nº 04/07, emanado da Corregedoria Geral de Justiça, não possui força normativa estrito sensu a fim de obrigar ao pagamento de custas iniciais na fase em comento. 5- AGRAVO DE INSTRUMENTO CONHECIDO E PROVIDO. DECISÃO REFORMADA. (TJGO, AGRAVO DE INSTRUMENTO 29823-76.2012.8.09.0000, Rel. DES. KISLEU DIAS MACIEL FILHO, 4A CAMARA CIVEL, julgado em 16/02/2012, DJe 1021 de 12/03/2012).

AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. DESNECESSIDADE DE RECOLHIMENTO DE CUSTAS INICIAIS. As reformas trazidas pela Lei nº 11.232/05 visaram simplificar o processo, eliminando a necessidade de propositura de nova ação para a satisfação do credor da obrigação e de nova citação, mantendo a mesma relação jurídica processual, sendo desnecessário o recolhimento de custas iniciais para cumprimento da sentença. AGRAVO CONHECIDO E PROVIDO.

27

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

(TJGO, AGRAVO DE INSTRUMENTO 363066-69.2011.8.09.0000, Rel. DR(A). GERSON SANTANA CINTRA, 6A CAMARA CIVEL, julgado em 22/11/2011, DJe 56 de 23/01/2012).

Já a 3ª Câmara havia mudado o seu entendimento:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO ANULATÓRIA. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. PAGAMENTO DE CUSTAS. Malgrado as alterações trazidas pela Lei nº 11.232/05, unificando os procedimentos executório e de conhecimento com vistas a garantir a agilidade e simplificação no tramite processual, desmerece reparo a decisão hostilizada, mormente considerando a orientação emanada da Corregedoria Geral de Justiça (Ofício 008/2009) que, em atenção a decisão proferida pelo Conselho Nacional de Justiça, considerou legal o pagamento de custas para o requerimento de cumprimento de sentença. Recurso conhecido e desprovido. (TJGO, AGRAVO DE INSTRUMENTO 363097- 89.2011.8.09.0000, Rel. DES. WALTER CARLOS LEMES, 3A CAMARA CIVEL, julgado em 31/01/2012, DJe 1006 de 16/02/2012).

Em março de 2012 a Corte Especial do Tribunal, em uniformização de jurisprudência entendeu pelo não cabimento da exigência de custas no cumprimento de sentença:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. CUSTAS INICIAIS. CORTE ESPECIAL. UNIFORMI-ZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. I - As custas processuais, por possuírem natureza tipicamente tributária, necessitam de prévia autorização legal para que possam ser cobradas. II - Não tendo sido editada lei dispondo sobre o assunto, no âmbito do Estado de Goiás, não é devida a imposição do pagamento desse encargo, sob pena de ferir os princípios da legalidade e da anterioridade. Precedente da Corte Especial no julgamento proferido no Incidente de Uniformização de Jurisprudência nº 59353-62.2011.8.09.0000 (201190593530), DJ nº 1.031 de 26/03/2012. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. (TJGO, AGRAVO DE INSTRUMENTO 93179-45.2012.8.09.0000, Rel. DES. ALAN S. DE SENA CONCEICAO, 5A CAMARA CIVEL, julgado em 02/08/2012, DJe 1134 de 29/08/2012)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. CUSTAS PROCESSUAIS. LEI Nº 11.232/2005. A par da decisão proferida pela Corte Especial deste e. Tribunal de Justiça, em sede de uniformização da jurisprudência, unificado se tem o entendimento de que não se apresenta cabível o recolhimento das custas judiciais na fase de cumprimento de sentença. Diante disso, curvo-me a linha de raciocínio ali estabelecida, no sentido de adotá-la. AGRAVO CONHECIDO E PROVIDO. (TJGO, AGRAVO DE INSTRUMENTO 359263-15.2010.8.09.0000, Rel. DR(A). MAURICIO PORFIRIO ROSA, 5A CAMARA CIVEL, julgado em 21/06/2012, DJe 1110 de 25/07/2012)

Finalmente em uniformização de jurisprudência o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, por sua Corte Especial entendeu pelo não cabimento de custas em razão de ausência de lei estadual, sumulando a matéria:

Súmula nº 4

28

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

Inexistindo nas leis tributárias do Estado de Goiás previsão expressa de incidência de tributos tendo como fato gerador a fase de cumprimento da sentença e excetuando-se as despesas processuais, é vedada a cobrança de custas judiciais e taxa judiciária, sob pena de desobediência ao princípio constitucional da legalidade. Data de Aprovação Sessão da Corte Especial de 23/05/2012 Processo Originário Resultante do incidente de Uniformização de Jurisprudência nº 59353- 62.2011.8.09.0000 (201190593530), da Comarca de Goiânia. Referência Legislativa Constituição Federal de 1988, artigos 24, inciso IV; e 150, inciso I. Precedentes Julgados nºs: 434155-55.2011.8.09.0000; 363066-69.2011.8.09.0000; 252275- 33.2011.8.09.0000; 321302-06.2011.8.09.0000; 275503 37.2011.8.09.0000; 393460- 93.2010.8.09.0000; 239115-38.2011.8.09.0000; 195885-43.2011.8.09.0000; 155365- 41.2011.8.09.0000; 170807-47.2011.08.09.0000; 155361-04.2011.8.09,0000; 433237- 85.2010.8.09.0000; 411187-65.2010.8.09.0000; 427416-03.2010.8.09.0000; 393459-

11.2010.8.09.0000

Indexação CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. ANTECIPAÇÃO DE CUSTAS INICIAIS. TAXA. INEXIGIBILIDADE. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. Des. LEOBINO VALENTE CHAVES Presidente

5.2. Da intimação do devedor (art. 475-J, § 1°) ou citação

a) Da intimação

A intimação do devedor será feita em regra na pessoa do advogado constituído nos autos, bastando a publicação da intimação no órgão oficial, quando no Distrito Federal e nas Capitais dos Estados.

Pesava sobre esse assunto dúvida quanto ao temo inicial para a incidência da multa de 10% prevista no art. 475-J. Havia divergência interna no STJ sobre o tema. Todavia, a matéria foi levada à Corte Especial que, por ora, pacificou o assunto:

CORTE ESPECIAL. CUMPRIMENTO. SENTENÇA. INTIMAÇÃO. Tratou-se de REsp remetido pela Terceira Turma à Corte Especial, com a finalidade de obter interpretação definitiva a respeito do art. 475-J do CPC, na redação que lhe deu a Lei n. 11.232/2005, quanto à necessidade de intimação pessoal do devedor para o cumprimento de sentença referente à condenação certa ou já fixada em liquidação. Diante disso, a Corte Especial entendeu, por maioria, entre outras questões, que a referida intimação deve ser feita na pessoa do advogado, após o trânsito em julgado, eventual baixa dos autos ao juízo de origem, e a aposição do “cumpra-se”; pois só após se iniciaria o prazo de quinze dias para a imposição da multa em caso de não pagamento espontâneo, tal como previsto no referido dispositivo de lei. Como destacou o Min. João Otávio de Noronha em seu voto vista, a intimação do devedor mediante seu advogado é a solução que melhor atende ao objetivo da reforma processual, visto que não comporta falar em

29

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

intimação pessoal do devedor, o que implicaria reeditar a citação do processo executivo anterior, justamente o que se tenta evitar com a modificação preconizada pela reforma.

Aduziu que a dificuldade de localizar o devedor para aquela segunda citação após o término

do processo de conhecimento era um dos grandes entraves do sistema anterior, por isso ela

foi eliminada, conforme consta, inclusive, da exposição de motivos da reforma. Por sua vez, o Min. Fernando Gonçalves, ao acompanhar esse entendimento, anotou que, apesar de impor-se ônus ao advogado, ele pode resguardar-se de eventuais acusações de

responsabilidade pela incidência da multa ao utilizar o expediente da notificação do cliente acerca da necessidade de efetivar o pagamento, tal qual já se faz em casos de recolhimento

de preparo. A hipótese era de execução de sentença proferida em ação civil pública na qual

a ré foi condenada ao cumprimento de obrigação de fazer, ao final convertida em perdas e danos (art. 461, § 1º, do CPC), ingressando a ora recorrida com execução individual ao requerer o pagamento de quantia certa, razão pela qual o juízo determinou a intimação do advogado da executada para o pagamento do valor apresentado em planilha, sob pena de incidência da multa do art. 475-J do CPC. Precedentes citados: REsp 954.859-RS, DJ

27/8/2007; REsp 1.039.232-RS, DJe 22/4/2008; Ag 965.762-RJ, DJe 1º/4/2008; Ag 993.387-DF, DJe 18/3/2008, e Ag 953.570-RJ, DJ 27/11/2007. REsp 940.274-MS, Rel. originário Min. Humberto Gomes de Barros, Rel. para acórdão Min. João Otávio de Noronha, julgado em 7/4/2010. (STJ. Informativo nº 0429. Período: 5 a 9 de abril de

2010).

Resta ainda observação quanto a multa de 10% quando se tratar de réu revel. Vejamos e entendimento do STJ:

CUMPRIMENTO. SENTENÇA. RÉU REVEL. MULTA. O curador de ausentes, dadas

as condições em que admitido no processo, não conhece o réu, nem tem acesso a ele, bem

como não detém informações exatas sobre os fatos narrados na petição inicial, tanto que o art. 302, parágrafo único, do CPC não o sujeita à regra da impugnação específica, mas lhe

faculta a apresentação da defesa por negativa geral. Uma vez que a própria lei parte do pressuposto de que o réu revel, citado por hora certa ou por edital, não tem conhecimento

da ação, determina-se que lhe seja dado um curador especial e, em razão da absoluta falta

de comunicação entre o curador e o réu revel, não há como presumir que o revel tenha ciência do trânsito em julgado da decisão que o condena; consequentemente, não há como impor-lhe, automaticamente, a multa do art. 475-J do CPC. Para que incida o referido

artigo, não se deve considerar suficiente a ciência do curador especial sobre o trânsito em julgado da condenação, não em razão apenas da mencionada falta de comunicação entre ele

e o réu revel, mas também porque a multa constitui sanção imposta àquele que

voluntariamente deixe de cumprir a sentença, comportamento que não pode ser atribuído ao curador de ausentes, visto que o réu revel mantém sua capacidade material, isto é, sua livre manifestação de vontade, bem como sua condição de parte substancial no processo. Nas hipóteses em que o cumprimento da sentença volta-se contra réu revel citado fictamente, a incidência da multa do art. 475-J do CPC exigirá sua prévia intimação nos termos do art.

238 e seguintes do CPC. REsp 1.009.293-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em

6/4/2010.

Em se tratando de comarca do interior, onde não houver Diário Oficial, a intimação do advogado será feita pessoalmente, se o mesmo tiver domicílio na sede do

30

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

juízo, ou por carta registrada, com aviso de recebimento, quando domiciliado fora do juízo (art. 237).

Na falta de advogado, a intimação se dará na figura do representante legal. Caso em que a intimação deverá ser feita pessoalmente, por mandado ou pelo correio.

Presumem-se válidas as comunicações e intimações dirigidas ao endereço residencial ou profissional declinado na inicial, contestação ou embargos, cumprindo às partes atualizar o respectivo endereço sempre que houver modificação temporária ou definitiva. (P. único do art. 238, Incluído pela Lei nº 11.382, de 2006).

b) Da citação

A citação será obrigatória quando se tratar de sentença penal condenatória, em liquidação, pois a sentença penal sempre será ilíquida; sentença arbitral (Lei 9.307/96), em liquidação ou cumprimento, dependendo se a sentença for ilíquida ou líquida, respectivamente; sentença estrangeira homologada pelo STJ, em liquidação ou cumprimento, dependendo se a sentença for ilíquida ou líquida, respectivamente (art. 475- N, p. único).

5.3. Nomeação de avaliador (475-J, § 2°)

Se a avaliação dos bens depender de conhecimentos especializados, o juiz, de imediato, nomeará avaliador, assinando-lhe prazo razoável para a entrega do laudo.

5.4. Arquivamento dos autos por inércia da parte

Se a execução não for requerida no prazo de seis meses, o juiz determinará o arquivamento dos autos, podendo os mesmos ser desarquivados a pedido da parte.

Mas por quanto tempo os autos poderão ficar arquivados?

Em razão da ausência de previsão legal expressa a doutrina tem se debruçado sobre a melhor saída, já que por força do princípio constitucional da segurança jurídica, não se admite a perpetuação das demandas.

31

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

O Supremo Tribunal Federal apontou luz instituindo a Súmula n. 150 36 , no sentido de que a execução prescreve no mesmo prazo da ação de conhecimento, mas não se pronunciou sobre a prescrição intercorrente.

Em interessante artigo publicado na Revista Dialética de Direito Processual n. 37 37 , os autores sugerem a aplicação subsidiária do § 4°, do art. 40, da Lei n. 6.830/80, Lei de Execução Fiscal, que dispõe: se da decisão que ordenar o arquivamento tiver decorrido o prazo prescricional, o juiz, depois de ouvida a Fazenda Pública, poderá, de ofício, reconhecer a prescrição intercorrente e decreta-la de imediato. O dispositivo foi introduzido pela Lei n. 11.051/2004 38 .

Primeiramente, o Juiz suspende o curso da execução, enquanto não for localizado o devedor ou encontrados bens sobre os quais possa recair a penhora, e, nesses casos, não correrá o prazo de prescrição (Art. 40, caput, Lei 6.830/80).

Decorrido o prazo de um ano de suspensão do curso da execução, sem que seja localizado o devedor ou encontrados bens penhoráveis, o juiz determina o arquivamento dos autos (§ 2º do art. 40, Lei 6.830/80).

Esta decisão demarca o termo inicial para a prescrição intercorrente (§ 4º do art. 40, Lei 6.830/80).

A matéria foi sumulada pelo STJ, súmula n. 314: Em execução fiscal, não localizados bens penhoráveis, suspende-se o processo por um ano, findo o qual se inicia o prazo da prescrição quinquenal intercorrente.

A hipótese refere-se ao caso de suspensão do processo e arquivamento em razão da inexistência de bens do devedor em matéria de execução fiscal. Na ausência de previsão legal para a execução em geral e em razão de ser hipótese próxima, a doutrina e a jurisprudência tem se inclinado à sua aplicação por analogia.

JURISPRUDÊNCIA:

APELAÇÃO CÍVEL. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. NOTA DE CRÉDITO RURAL. EXTINÇÃO DO PROCESSO POR INÉRCIA DO AUTOR. Correta a extinção da execução quando, por inércia do credor, fica arquivada administrativamente por mais de quatro anos. Verifica-se até mesmo a ocorrência da prescrição intercorrente. Apelo improvido.

36 STF Súmula nº 150 - 13/12/1963 - Súmula da Jurisprudência Predominante do Supremo Tribunal Federal - Anexo ao Regimento Interno. Edição: Imprensa Nacional, 1964, p. 84. Execução e Ação - Prazo de Prescrição. Prescreve a execução no mesmo prazo de prescrição da ação.

37 ASSIS, Carlos Augusto de; COMINALE, Flávia Saes. Suspensão do processo de execução por falta de bens penhoráveis. In: Revista Dialética de Direito Processual, São Paulo, n. 37, abr. 2006, p. 28-45. 38 BARBOSA, Hélio de Oliveira. A prescrição intercorrente no processo de execução. In: COLEN, Guilherme Coelho et. al. (Coord.). Direito Processual Atual A produção científica da PUC- MINAS/BETIN. Belo Horizonte: Mandamentos, 2002, p. 115-130.

32

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

(Apelação Cível Nº 70014500169, Décima Quinta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Paulo Roberto Felix, Julgado em 23/08/2006). GRIFEI

NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. ARQUIVAMENTO REQUERIDO PELO CREDOR. NÃO INDICAÇÃO DE BENS PASSÍVEIS DE PENHORA. INÉRCIA DE MAIS DE 6 ANOS; PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Ocorre a prescrição intercorrente por ultrapassado o prazo de 3 anos, que é o da prescrição da nota promissória executada. Notável desídia do credor, que, ele próprio, pugnara pelo arquivamento para diligenciar na busca de outro bem penhorável, tendo discordado da indicação do devedor. Apelo IMPROVIDO. (Apelação Cível Nº 70023366677, Décima Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: José Francisco Pellegrini, Julgado em 16/09/2008). GRIFEI

Processo: APL 9059671882006826 SP 9059671-88.2006.8.26.0000 Relator(a): Castilho Barbosa Julgamento: 10/05/2011 Órgão Julgador: 1ª Câmara de Direito Público Publicação: 18/05/2011 Ementa: Apelação - Execução de Sentença - Prescrição intercorrente - Ocorrência - Exequente que deixou de dar andamento aos autos por quase oito anos - Sentença mantida - Recurso improvido.

Processo: APL 991070069997 SP Relator(a): Campos Mello Julgamento: 10/03/2010 Órgão Julgador: 22ª Câmara de Direito Privado Publicação: 29/03/2010 Ementa: EXECUÇÃO DE TÍTULOS EXTRAJUDICIAIS. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. CHEQUES. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. DECISÃO REFORMADA. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE CONFIGURADA. DEMANDA PARALISADA À ESPERA DE ALGUMA PROVIDÊNCIA A CARGO DA EXEQÜENTE POR PRAZO SUPERIOR AO PREVISTO NO ART. 59, CAPUT. DA LEI 7.357/85. RECURSO PROVIDO.

Lembre-se, ademais, que a Lei 11.280/2006 alterou o § 5°, do art. 219, CPC passando a permitir ao juiz declarar a prescrição de ofício, mesmo tratando-se de direitos patrimoniais. A prescrição adquiriu status de natureza pública.

6. Da Impugnação (art. 475-L)

6.1 Natureza Jurídica:

C.f. Nelson Nery Junior, misto de ação e de defesa, a impugnação caracteriza-se como incidente ao cumprimento de sentença. É ação porque o impugnante tem pretensão declaratória (v.g. inexistência da citação, inexigibilidade do título, ilegitimidade das partes, prescrição) ou desconstitutiva da eficácia executiva do título exeqüendo (v.g. nulidade da citação, excesso de execução) ou de atos de execução (v.g. penhora incorreta, avaliação errônea). (op. cit. p. 738-739).

33

6.2 Prazo UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos

6.2 Prazo

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

Prazo de quinze (15) dias. Termo inicial.

O STJ fixou o entendimento de que o prazo de 15 dias para a IMPUGNAÇÃO

começa a correr a partir da segurança do juízo.

Se o devedor efetuar o depósito para se defender, não necessidade da sua intimação (STJ).

Caso contrário, se a segurança do juízo se der por penhora, há a necessidade de intimação da penhora (art. 475-J, § 1º) para que comece a correr o prazo de 15 dias.

A intimação se dá na pessoa do advogado, ou, na falta deste, o seu representante

legal, ou pessoalmente, por mandado ou pelo correio (art. 475-J, § 1º).

Entendimento jurisprudencial (STJ):

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO ESPECIAL. 475-J, § 1º, CPC. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. IMPUGNAÇÃO. PRAZO. INÍCIO. DEPÓSITO. GARANTIA DO JUÍZO. PRECEDENTES. 1. O STJ pacificou o entendimento no sentido de que o prazo para oferecimento de impugnação ao cumprimento de sentença, nos termos da Lei nº 11.232/2005, se inicia quando realizado o depósito judicial para a garantia do juízo. Precedentes.(EDcl no REsp 1084305/RS, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 05/04/2011, DJe 08/04/2011)

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. IMPUGNAÇÃO DO DEVEDOR. GARANTIA DO JUÍZO. PRECEDENTES DO STJ. I. Está consolidado na jurisprudência do STJ o entendimento de que "no cumprimento de sentença, realizado o depósito judicial em dinheiro para a garantia do juízo, desta data começa a fluir o prazo de 15 (quinze) dias para a apresentação de impugnação, revelando-se desnecessárias a lavratura de termo de penhora e intimação do devedor para início da contagem do prazo" (AgRg no AREsp .746/DF, Rel. Ministro ALDIR PASSARINHO JUNIOR, QUARTA TURMA, julgado em 22/03/2011, DJe 25/03/2011)

PROCESSUAL CIVIL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. TERMO INICIAL PARA A IMPUGNAÇÃO DO DEVEDOR. DATA DO DEPÓSITO, EM DINHEIRO, POR MEIO DO QUAL SE GARANTIU O JUÍZO. - No cumprimento de sentença, o devedor deve ser intimado do auto de penhora e de avaliação, podendo oferecer impugnação, querendo, no prazo de quinze dias (art. 475-J, §1o, CPC). - Caso o devedor prefira, no entanto, antecipar- se à constrição de seu patrimônio, realizando depósito, em dinheiro, nos autos, para a garantia do juízo, o ato intimatório da penhora não é necessário. - O prazo para o devedor impugnar o cumprimento de sentença deve ser contado da data da efetivação do depósito judicial da quantia objeto da execução.(REsp 972.812/RJ, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 23/09/2008, DJe 12/12/2008)

PROCESSUAL CIVIL. SENTENÇA. LIQUIDAÇÃO POR CÁLCULOS DO CREDOR. LIMITES. HONORÁRIOS. TRÂNSITO EM JULGADO. FIXAÇÃO. LIMITES. 1. O fato de os cálculos aritméticos serem de alguma complexidade e de resultarem em valor significativo, por si só, não impede a liquidação na forma do art. 475-B do CPC, cujo §3º autoriza o Juiz a se valer do contador do juízo sempre que "a memória apresentada pelo

34

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

credor aparentemente exceder os limites da decisão exequenda". 2. O Capítulo que trata da liquidação de sentença (arts. 475-A a 475-H do CPC) não prevê a possibilidade de o executado se insurgir contra os cálculos apresentados pelo credor antes de garantida a execução, providência que, em princípio, só poderá ser adotada em sede de impugnação. 3. Assim, até a concretização da penhora, via de regra não se aceita a insurgência do devedor contra o débito exequendo. Essa assertiva é confirmada pela redação do art. 475-J, § 1º, do CPC, que condiciona o oferecimento da impugnação à constrição de bens do devedor. Tanto é assim que o excesso de execução é expressamente previsto no art.475-L, V, do CPC como uma das matérias em que pode se fundar a impugnação à execução de título judicial. 4. Excepcionalmente, pode o devedor fazer uso da exceção de pré-executividade, fruto de construção doutrinária, amplamente aceita pela jurisprudência, inclusive desta Corte, como meio de defesa prévia do executado, independentemente de garantia do juízo. Todavia, não se trata de medida a ser obrigatoriamente utilizada pelo devedor, que pode optar por se defender mediante prévia garantia do juízo. (REsp 1148643/MS, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 06/09/2011, DJe 14/09/2011)

6.3 Matérias alegáveis pelo devedor em sede de Impugnação (Art. 475-L, incisos):

a) Falta ou nulidade da citação, se o processo correu à revelia:

Trata-se de nulidade absoluta que poderá se alegada pela parte e declarada pelo

juiz.

EMBARGOS À EXECUÇÃO. REVELIA. RÉU PRESO. NOMEAÇÃO. CURADOR ESPECIAL. Trata-se, na origem, de ação de reparação de danos proposta pelo recorrido em face do ora recorrente, que, citado pessoalmente, deixou transcorrer in albis o prazo destinado à apresentação de defesa. O juiz de primeiro grau decretou a revelia e julgou antecipadamente o feito, condenando o recorrente ao pagamento de indenização e honorários de sucumbência. Transitada em julgado, procedeu o recorrido à execução da sentença, com a penhora de bens. Irresignado, o recorrente manejou embargos à execução de sentença, aduzindo, em síntese, que foi citado na ação principal e, durante o decurso do prazo para resposta, foi recolhido à prisão. Sustentou que, não obstante sua prisão, não lhe fora nomeado curador especial à lide principal, correndo à revelia a ação indenizatória, razão pela qual haveria nulidade absoluta da ação executiva, uma vez que não lhe teria sido garantido o direito de defesa. A Turma deu provimento ao recurso por entender que o recolhimento do recorrente a estabelecimento prisional após a sua citação pessoal, porém antes do término do prazo para a contestação, constituiu caso fortuito que impossibilitou a apresentação de resposta perante o juízo cível. E a omissão do juiz a quo em nomear curador especial culminou na nulidade da execução e da ação de indenização desde a citação do ora recorrente, devendo ser-lhe restituído o prazo para a apresentação de defesa. REsp 1.032.722-PR, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 28/8/2012.

b) Inexigibilidade do título:

35

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

A execução deve ser fundada em título executivo que represente crédito certo, líquido e exigível.

O título não será exigível, e. g., se a sentença que se pretende executar estiver pendente de recurso recebido no efeito suspensivo.

b.1) Alguns exemplos de títulos inexigíveis

- Não verificação da condição ou termo (Art. 572, CPC);

- Excesso de execução nas hipóteses dos incisos IV e V do art. 743, CPC;

- Sentença estrangeira sem homologação pelo STJ (Art. 105, I, i, CF/88);

- Sentença submetida a recurso com efeito suspensivo (Art. 475-I, § 1°, CPC);

- Sentença rescindida.

b.2) Sentença individual inconstitucional

De acordo com o § 1° do art. 475-L, será também considerado inexigível o título

judicial se estiver fundado em lei ou ato normativo declarados inconstitucionais pelo

Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou ato normativo tidas pelo Supremo Tribunal Federal como incompatíveis com a Constituição Federal.

Este instituto já tinha sido introduzido no âmbito dos Embargos à Execução pela Medida Provisória 2.180-35, convertida na Lei 11.232/05 que acrescentou o Parágrafo Único ao art. 741, CPC.

o

entendimento no STF no sentido de que a declaração de

inconstitucionalidade implica a nulidade da lei. Portanto, as sentenças proferidas com

fundamento em lei declarada inconstitucional podem ser objeto de Ação Rescisória, no prazo de 2 anos a contar do trânsito em julgado da sentença.

Já possibilidade de rescisão de sentença inconstitucional através de Impugnação e dos Embargos à Execução é bastante polêmica. Neste sentido, tenhamos em conta que tramitam no STF duas ADI’s interpostas pelo Conselho Federal da OAB questionando a sua constitucionalidade (ADI n. 2.418 e ADI n. 3.740).

O Conselho Federal da OAB alega violação dos princípios da segurança

jurídica e da autoridade do Poder Judiciário. Justamente por desrespeitar a coisa julgada material 39 .

Antes da criação de tais dispositivos o STJ e o STF haviam firmado o entendimento de que a sentença inconstitucional poderia ser objeto de Ação Rescisória dentro do prazo decadencial dos 2 (dois) anos (art. 485, V, e 495, CPC).

39 LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 204)

36

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

O STF decidindo Reclamação Constitucional (Rcl n. 2.600) entendeu pelo cabimento de Ação Rescisória para desconstituir sentença inconstitucional, determinando a suspensão dos efeitos do Acórdão em Rescisória que não acatou o pedido de rescisão da sentença inconstitucional, senão vejamos:

EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. Julgamento. Sentença de mérito. Oponibilidade erga omnes e força vinculante. Efeito ex tunc. Ofensa à sua autoridade. Caracterização. Acórdão em sentido contrário, em ação rescisória. Prolação durante a vigência e nos termos de liminar expedida na ação direta de inconstitucionalidade. Irrelevância. Eficácia retroativa da decisão de mérito da ADI. Aplicação do princípio da máxima efetividade das normas constitucionais. Liminar concedida em reclamação, para suspender os efeitos do acórdão impugnado. Agravo improvido. Voto vencido. Reputa-se ofensivo à autoridade de sentença de mérito proferida em ação direta de inconstitucionalidade, com efeito ex tunc, o acórdão que, julgando improcedente ação rescisória, adotou entendimento contrário, ainda que na vigência e nos termos de liminar concedida na mesma ação direta de inconstitucionalidade. (Rcl 2600 AgR, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, Tribunal Pleno, julgado em 14/09/2006, DJe-072 DIVULG 02-08-2007 PUBLIC 03-08-2007 DJ 03-08-2007 PP-00031 EMENT VOL- 02283-02 PP-00349) (Grifado) 40 .

Acontece que a partir da criação do parágrafo único ao art. 741, CPC e do § 1° do art. 475-L, admite-se a rescisão através de embargos, no primeiro caso e, no segundo, através de impugnação. Portanto, o legislador concedeu força rescisória (poder de rescindir sentença) tanto aos embargos opostos pela Fazenda Pública, quanto à impugnação oposta nas execuções de títulos executivos judiciais.

Atente-se para o art. 27, da Lei 9.868/99 que regulamentou a ADIN e ADC, que prevê a modulação de seus efeitos.

Pois, o STF ao declarar a inconstitucionalidade de lei, poderá, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos da declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. Ou seja, o STF pode entender pela preservação das relações jurídicas materiais constituídas na vigência da lei declarada inconstitucional.

Sendo assim, pode ocorrer do STF declarar lei inconstitucional e fixar seus efeitos para o futuro, não atingindo as relações jurídicas anteriores. Neste caso, seria impossível de se cogitar da rescindibilidade das sentenças proferidas com fundamento numa lei julgada inconstitucional nestas circunstâncias.

Portanto, é preciso ficar atento se a decisão de inconstitucionalidade atinge ou não a sentença prolatada com fundamento na lei declarada inconstitucional.

40 http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/visualizarEmenta.asp?s1=000346349&base=baseAcordaos

37

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

c) Penhora incorreta ou avaliação errônea:

É momento para o devedor alegar, e. g., que a penhora recaiu sobre bem de família, protegido pela Lei n. 8.009/90. Ou discutir o laudo apresentado pelo avaliador nomeado pelo juízo.

d) Ilegitimidade das partes:

Na relação processual as partes já ficaram definidas, não se admitindo na fase de cumprimento da sentença que se acresçam novos sujeitos ativos ou passivos na relação processual.

Todavia, há exceções como a responsabilização do sócio da empresa em caso de desconsideração da personalidade jurídica, ou de sucessão processual (e.g. sucessão mortis causa).

e) Excesso de execução (Art. 743, I, IV e V, CPC):

No procedimento para execução de obrigação por quantia certa, ocorre excesso de execução:

1°) Quando o credor pleiteia quantia superior à do título; 2°) Quando o credor, sem cumprir a prestação que lhe corresponde, exige o adimplemento da do devedor; 3°) Se o devedor não provar que a condição se realizou.

Quando o executado alegar que o exeqüente, em excesso de execução, pleiteia quantia superior à resultante da sentença, cumprir-lhe-á declarar de imediato o valor que entende correto, sob pena de rejeição liminar dessa impugnação (art. 475-L, § 2°).

f) Qualquer causa impeditiva, modificativa ou extintiva da obrigação, como pagamento, novação, compensação, transação ou prescrição desde que superveniente à sentença:

As causas anteriores à sentença já foram ou deveriam ter sido objeto de apreciação. Se não houve alegação, estão afastadas por força da preclusão máxima. Já as causas supervenientes à sentença, como pagamento, novação, etc., (que aparecem aqui apenas exemplificativamente) são suscetíveis de apreciação.

6.4. Efeitos da impugnação (art. 475-M, §§ 1°, 2°, 3°)

38

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

Em regra a impugnação não terá efeito suspensivo, porém, poderá o juiz atribuir- lhe tal efeito desde que: a) haja requerimento; b) os fundamentos sejam relevantes e o prosseguimento da execução seja manifestamente suscetível de causar ao executado grave dano de difícil ou incerta reparação; c) tenha ocorrido penhora (Art. 739-A, § 1°, CPC).

Mesmo que o juiz tenha concedido efeito suspensivo à impugnação, a execução poderá prosseguir, desde que o exeqüente ofereça caução suficiente e idônea, arbitrada pelo juiz e prestada nos próprios autos.

Deferido o efeito suspensivo, a impugnação será instruída e decidida nos próprios autos e, caso não deferido o efeito suspensivo, em autos apartados.

Quando não for concedido efeito suspensivo à impugnação a mesma será autuada em apenso aos autos principais para não tumultuar o andamento normal do processo (Art. 475-M, § 2º, CPC).

Da decisão que resolve a impugnação cabe o recurso de agravo de instrumento, todavia, se a decisão do juiz importar em extinção do processo, caberá apelação (475-M, § 3º, CPC).

Esta hipótese de agravo de instrumento não comporta a conversão em agravo retido (art. 527, II), pois não haverá a oportunidade de pedido de apreciação do recuso em preliminar de apelação.

7. Indenização por ato ilícito que inclua prestação de alimentos (art. 475-Q, §§ 1° a

5°)

O juiz poderá ordenar ao devedor que constitua capital, cuja renda assegure o

pagamento do valor mensal da pensão, que poderá ser fixada com base no salário mínimo.

O

capital será inalienável e impenhorável enquanto durar a obrigação.

O

juiz poderá, ex officio, determinar a substituição do capital pela inclusão do

beneficiário da pensão em folha de pagamento de entidade de direito público ou de direito privado que tenha notória capacidade econômica.

Ou, a requerimento do exequente, poderá substituir a constituição de capital por fiança bancária ou garantia real, em valor que deverá ser arbitrado pelo juiz.

A decisão não terá força de coisa julgada, podendo a prestação ser alterada para

mais ou para menos, se houver modificação nas condições econômicas.

39

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

Cessada a obrigação de prestar alimentos, o juiz mandará liberar o capital, cessar

o

desconto em folha ou cancelar as garantias prestadas.

8.

Aplicar-se-á subsidiariamente ao cumprimento da sentença, no que couber, as

normas que regem o processo de execução de título extrajudicial (art. 475-R, CPC).

III - EXECUÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER E NÃO FAZER

1. FUNDADA EM SENTENÇA

1.1. Introdução

1.1.1. Generalidades

- O art. 461, CPC, disciplina o que a doutrina convencionou chamar de tutela específica, entendida como a maior coincidência possível entre o resultado da tutela jurisdicional pedida e o cumprimento da obrigação caso não houvesse ocorrido lesão ou, quando menos, ameaça de direito no plano material 41 .

- Frustrada ou impossível a obtenção da “tutela específica”, é dado ao julgador, mesmo sem pedido, buscar o “resultado prático equivalente”.

- O art. 461 descreve tanto as atividades jurisdicionais voltadas à constituição de um

título executivo judicial, quanto as atividades jurisdicionais voltadas à realização

concreta do direito nele consubstanciado.

- Quando se tratar de obrigação de fazer e de não fazer consubstanciadas em título executivo extrajudicial, o regramento legal é o dos arts. 632 a 643, CPC.

1.1.2. Espécies de tutela jurisdicional

Conceito de tutela: é o resultado jurídico-substancial almejado, a atuação do direito material com a entrega do bem da vida em si (tutela como sinônimo de resultado ou tutela jurisdicional em sentido estrito). 42

A) Tutela inibitória:

ilícito ocorra. Atua no intuito de obstrar, evitar, prevenir a prática do ato contrário ao

é uma tutela dirigida contra o ilícito. Ela visa impedir que o

41 C.f. BUENO, Cássio Scarpinella. Curso Sistematizado de Direito Processual Civil. v. 3. São Paulo:

Saraiva, 2008, p. 407.

42 DIDIER, Fredie et all. Curso de direito processual civil: execução. v. 5. Salvador: jus podium, 2009, p.

403.

40

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

direito ou, quando antes já praticado, impedir sua reiteração ou continuação. Trata-se, pois, de tutela preventiva, que encontra respaldo constitucional no inciso XXXV do art. 5° da CF/88, que garante o acesso à justiça em razão de ‘ameaça de violação a direito’.

43

Independe da alegação de dano, sendo necessário demonstrar a ameaça de dano.

Ex.: pedido para não incluir o nome de alguém no cadastro de maus pagadores (Serasa, SPC, etc.).

volta-se contra o ilícito já praticado

(olha par o passado, diferentemente da inibitória que se volta ao futuro). Pouco importa a culpa, pouco importa o dano. Enquanto a tutela inibitória visa impedir que o lícito seja praticado, a tutela reintegratória visa impedir que o ilícito continue; ela visa a removê- lo, apagá-lo, fazê-lo desaparecer. Busca a reintegração do direito violado, seja com o retorno ao estado de licitude antes vigente, seja com o firmamento do estado de licitude que deveria estar vigendo.44

B) Tutela reintegratória (remoção do ilícito):

Ex.: pedido de retirada da circulação de produtos que utilizam indevidamente marca registrada no INPI; pedido de retirada do nome de alguém do cadastro de maus pagadores, etc.

C) Tutela ressarcitória: “É a tutela contra o dano. O seu objetivo é promover a reparação do dano já causado, recompondo o patrimônio jurídico do ofendido à sua situação anterior. Trata-se, portanto, de tutela repressiva, eis que se dirige contra o dano já consumado”. 45

Pode ser específica ou pelo equivalente em pecúnia.

Exemplo de tutela ressarcitória específica: pretensão ao custeio de uma prótese para o empregado que perdeu a perna em acidente de trabalho; o reflorestamento no em caso de crime ambiental de desmatamento indevido, etc.

1.2. Classificação das sentenças 46

a) Sentenças declaratórias: O interesse do autor pode se limitar a que o juiz declare a

existência ou inexistência de uma relação jurídica, ou a autenticidade ou falsidade de um documento (art. 4º, I, II, CPC). Nestes casos, o juiz proferirá sentença meramente declaratória.

43 DIDIER, op. cit. p. 410.

44 DIDIER, op. cit. p. 412.

45 DIDIER, op. cit. p. 424.

46 C.f. WANBIER, Luiz R. Curso Avançado de Processo Civil. v. 2. São Paulo: RT, 2004, p. 291.

41

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

b) Sentenças constitutivas: Não possuem conteúdo só declaratório, pois alteram a relação jurídica, objeto de julgamento, estabelecendo um novo status jurídico. Ex.: a sentença que decreta o divórcio.

c) Sentenças condenatórias: Declaram a existência de um direito a uma prestação e

condenam o réu nesta prestação, constituindo-se em título executivo judicial. Ex.:

sentença que declara a existência de uma obrigação de pagar, condenando o réu ao pagamento.

d) Sentenças mandamentais: Tais sentenças contêm ordem para o réu, a ser atendida

sob pena de ser-lhe imposta alguma medida coercitiva (Ex.: multa), além de incorrer em

crime de desobediência (art. 330, CP). Ex.: sentença que determina a uma pessoa jurídica a não jogar detritos no rio sem tratamento prévio.

1.3. Tutela específica e resultado prático equivalente (art. 461)

a) Tutela específica: consiste na busca do resultado final através da própria conduta do

devedor;

b) Resultado prático equivalente: consiste na busca do resultado final mediante meios

substitutivos da conduta do devedor.

Obs.:

- A determinação mandamental surge do próprio comando da sentença.

- Nesse procedimento não há oportunidade para o devedor oferecer embargos.

1.4. Conversão da obrigação em perdas e danos (art. 461, § 1º e 2º)

- A obrigação somente se converterá em perdas e danos se o autor o requerer ou se impossível a tutela específica ou a obtenção do resultado prático equivalente.

- Se a obrigação é impessoal, sendo passível de execução por pessoa diversa, a obrigação somente se converterá em perdas e danos se o autor o requerer; todavia, tratando-se de obrigação personalíssima, em razão da natureza da obrigação (Ex.: um Show de Reginaldo Rossi), ou do contrato (tratando-se de execução de título extrajudicial), o pedido de reparação é tido como subsidiário, estando implícito. 47

1.5. Antecipação dos efeitos da tutela (art. 461, § 3º)

47 C.f. DOS SANTOS, Ernani Fidelis. Manual de Direito Processual Civil. v. 2. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 106.

42

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

- Sendo relevante o fundamento da demanda e havendo justificado receio de ineficácia

do provimento final, é lícito ao juiz conceder a tutela liminarmente ou mediante justificação prévia, citado o réu. A medida liminar poderá ser revogada ou modificada, a qualquer tempo, em decisão fundamentada.

- A tutela antecipada difere das cautelares 48 (protetivas da efetividade do processo) por

antecipar ao autor a satisfação de sua pretensão contida no pedido, enquanto aguarda o proferimento da decisão final. A tutela pode se concedia in limine, ou seja, no início, inaudita altera pars, sem ouvir a outra parte, até mesmo antes da citação, ao despachar a inicial. Todavia, poderá convocar audiência de justificação prévia para ouvir o autor e suas testemunhas, e após o convencimento, conceder ou não a tutela antecipada.

1.6. Imposição de multa diária (art. 461, § 4º e 6º)

- Determinado o cumprimento da obrigação, seja através de antecipação dos efeitos da

tutela, seja através de sentença, o juiz poderá impor multa diária ao réu, independentemente de pedido do autor, se for suficiente ou compatível com a obrigação, fixando-lhe prazo razoável para o cumprimento do preceito.

- O juiz poderá, de ofício, modificar o valor ou a periodicidade da multa, caso verifique que se tornou insuficiente ou excessiva (art. 461, § 6º).

- Esta multa não se confunde com aquela prevista no inciso V, art. 14, e par. ún., CPC.

Trata-se de sanção processual em caso de descumprimento dos provimentos mandamentais, ou de criação de embaraços à efetivação de provimentos judiciais, de natureza antecipatória ou final. Este comportamento do devedor constitui ato atentatório ao exercício da jurisdição. Neste caso o juiz aplicará multa não superior a 20% sobre o valor da causa (em favor da Fazenda Pública).

1.7. Medidas autorizadas pelo art. 461, § 5º. Mitigação do princípio da congruência e do ne procedat judex ex officio (Arts. 2°, 128 e 460, CPC)

- Para a efetivação da tutela específica ou a obtenção do resultado prático equivalente, poderá o juiz, de ofício ou a requerimento, determinar as medidas necessárias, tais

48 A tutela cautelar se caracteriza, em regra, por se prestarem à garantia da efetividade do processo. Portanto, são protetivas da efetividade do processo, por exemplo, uma cautelar de arresto, para indisponibilizar bens do devedor que garantirão a efetividade de uma execução por quantia certa. Pode ser proposta de forma autônoma ou incidentalmente, ou seja, no curso de um processo. Já a antecipação dos efeitos da tutela, é apenas um pedido no bojo de um processo que tem como objetivo a antecipação da satisfação do direito material, consubstanciado no pedido.

43

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

como: a imposição de multa 49 por tempo de atraso, busca e apreensão, remoção de pessoas e coisas, desfazimento de obras e impedimento de atividade nociva, se necessário com requisição de força policial.

- “Bastante ilustrativa a este respeito a circunstância de o § 4° do art. 22 da Lei n.

11.340/2006, a chamada “Lei Maria da Penha”, que “cria mecanismos par coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher”, dentre outras providencias, prevê expressamente que, para a realização de “medidas protetivas de urgência que obrigam o agressor”, o referencial a ser adotado pelo juízo (mesmo que criminal, como se lê do art. 33 do mesmo diploma legal) é o do caput e o dos §§ 5° 6° do art. 461”. 50

1.8. Extensão do regime ao art. 461 às obrigações de entrega de coisa (art. 461-A)

- Obs.: serão estudadas mais adiante.

2. FUNDADA EM TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL

2.1. Introdução

2.2. Ação de execução

> Citação do devedor:

- quando o objeto da execução for obrigação de fazer, o devedor será citado para

satisfazê-la no prazo que o juiz lhe assinar, se outro não estiver determinado no título executivo (art. 632).

- Ao despachar a inicial o juiz fixará multa por dia de atraso no cumprimento da obrigação e a data a partir da qual será devida (art. 645).

2.3. Atitudes possíveis do réu, após a citação

a) Primeira o devedor atende ao mandado, cumprindo a obrigação:

49 Súmula 410, STJ. Ementa. A prévia intimação pessoal do devedor constitui condição necessária para a cobrança de multa pelo descumprimento de obrigação de fazer ou não fazer. 50 BUENO, Cássio Scarpinella. Curso Sistematizado de Direito Processual Civil. v. 3. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 413.

44

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

- Após o pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios, o processo será extinto;

- Não sendo pagos, o exeqüente poderá prosseguir a execução, adotando o procedimento

da Lei 11.232/2005, ou seja, pedido o cumprimento de sentença em relação às referidas verbas.

b) Segunda o devedor propõe embargos à execução (art. 738, IV):

- Recebidos os embargos, em regra não haverá suspensão do processo (art. 739-A, Lei

11.382/06);

- Todavia, o juiz poderá, a requerimento do embargante, atribuir efeito suspensivo aos

embargos quando, sendo relevantes seus fundamentos, o prosseguimento da execução manifestamente possa causar ao executado grave dano de difícil ou incerta reparação, e

desde que a execução já esteja garantida por penhora, depósito ou caução suficientes 51 .

- Rejeitados os embargos, o processo retoma seu curso normal;

- O executado, independentemente de penhora, depósito ou caução, poderá opor-se à

execução por meio de embargos 52 . (Art. 736, com redação dada pela Lei nº 11.382, de

2006).

c) Terceira - O devedor não cumpre a obrigação e nem propõe embargos:

- A execução prosseguirá, incidindo, a partir da data fixada pelo juiz, a multa diária.

- A partir desse ponto, os caminhos variarão, dependendo da natureza da obrigação ou da vontade do credor.

- Se a obrigação for intuitu personae, em razão da sua natureza ou do contrato, haverá

conversão em perdas e danos;

- Se a obrigação for impessoal, o credor poderá requerer a conversão em perdas e danos

ou requerer ao juiz a instauração de concorrência pública;

- Adotada a conversão em perdas e danos, haverá apuração do valor por liquidação (arts. 475-A a 475-H), prosseguindo-se através do pedido de cumprimento da sentença (arts. 475-I a 475-R).

- Adotada a concorrência pública, seguem-se os procedimentos que passa a expor.

2.4. Da prestação do fato por terceiro

1º) Se o fato puder ser prestado por terceiro, é lícito ao juiz, a requerimento do exeqüente, decidir que aquele o realize à custa do executado.( Art. 634, com redação dada pela Lei nº 11.382, de 2006).

2º) O exeqüente adiantará as quantias previstas na proposta que, ouvidas as partes, o juiz houver aprovado.

51 § 1º do art. 739-A, incluído pela Lei nº 11.382, de 2006.

52 Obs.: essa alteração esvaziou, de certa forma, a chamada exceção de pré-executividade.

45

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

3º) Prestado o fato, o juiz ouvirá as partes no prazo de 10 (dez) dias; não havendo impugnação, dará por cumprida a obrigação; em caso contrário, decidirá a impugnação (Art. 635);

4º) Se o contratante não prestar o fato no prazo, ou se o praticar de modo incompleto ou defeituoso, poderá o credor requerer ao juiz, no prazo de 10 (dez) dias, que o autorize a concluí-lo, ou a repará-lo, por conta do contratante (Art. 636.);

5º) Ouvido o contratante no prazo de 5 (cinco) dias, o juiz mandará avaliar o custo das despesas necessárias e condenará o contratante a pagá-lo;

6º) Se o credor quiser executar, ou mandar executar, sob sua direção e vigilância, as obras e trabalhos necessários à prestação do fato, terá preferência, em igualdade de condições de oferta, ao terceiro (Art. 637);

7º) O direito de preferência será exercido no prazo de 5 (cinco) dias, contados da apresentação da proposta pelo terceiro (art. 634, parágrafo único).

V EXECUÇÃO DAS OBRIGAÇÕES DE NÃO FAZER

1. Introdução

2. Ação de Execução

a) Citação: o devedor é citado para não fazer, sob pena de incorrer em multa diária (art.

645).

b) E se o devedor já praticou o ato?

- Neste caso, o credor requererá ao juiz que assine prazo para o devedor desfazer o ato (art. 642).

c) E se houver recusa ou mora do devedor?

- O credor requererá ao juiz que mande desfazer o ato à sua custa, respondendo o devedor por perdas e danos (art. 643);

- Não sendo possível desfazer o ato, a obrigação resolve-se em perdas e danos (art. 643, p. único).

VI - EXECUÇÃO DAS OBRIGAÇÕES DE ENTREGAR COISA

46

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

1. FUNDADA EM TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL

1.1. Introdução

1.2. Concessão da tutela específica

- Na ação que tenha por objeto a entrega de coisa, o juiz, ao conceder a tutela específica, fixará o prazo para o cumprimento da obrigação, sob pena de multa diária.

- A tutela específica poderá ser concedida em antecipação dos efeitos da tutela, ou em sentença.

1.3. Petição inicial

- Entrega de coisa determinada pelo gênero e qualidade: o credor a individualizará

na petição inicial, se lhe couber a escolha; cabendo ao devedor escolher, este a entregará individualizada, no prazo fixado pelo juiz.

1.4. O devedor não cumpre a obrigação no prazo estabelecido pelo juiz

- Coisa móvel: expedir-se-á mandado de busca e apreensão em favor do credor;

- Coisa imóvel: expedir-se-á mandado de imissão na posse em favor do credor.

1.5. Conversão da obrigação em perdas e danos

- Mesmas regras previstas para a obrigação de fazer com base em sentença.

2. FUNDADA EM TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL

2.1. Localização no Código Civil

As obrigações de dar coisa certa estão compreendidas nos artigos 233/242 e as de dar coisa incerta nos artigos 243/246, todos do Código Civil.

47

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

A coisa incerta é aquela determinada pelo gênero e pela quantidade (art. 243 do

Código Civil 53 ), faltando apenas ser individualizada.

Promovida a execução para determinação da coisa incerta, consoante ditames dos artigos 629 54 e 630 55 do CPC, segue-se o procedimento para a execução da coisa certa, a seguir disposto.

2.2. Citação para Satisfação da Obrigação ou Embargar

2.2.1. Da citação

De acordo com o art. 621 e seu parágrafo único 56 , do CPC, na execução para a entrega de coisa certa, o devedor, constante de título extrajudicial, será citado para, em 10 dias, satisfazer a obrigação, ou seguro o juízo, apresentar embargos, podendo o juiz fixar-lhe multa (astreinte) por dia de atraso.

A Lei 11.382/06, dentre outras mudanças, alterou o prazo dos embargos de 10

(dez) para 15 (quinze) dias (art. 738). Todavia, o legislador esqueceu-se de fazer a correção no capítulo da execução para entrega de coisa.

2.2.2. Da segurança do juízo e dos embargos

De acordo com a alteração do CPC, o executado, independentemente depósito ou caução, poderá opor-se à execução por meio de embargos. (Art. 736, redação dada pela Lei nº 11.382, de 2006). Apesar disso, o legislador manteve a redação do art. 622, estabelecendo que o devedor poderá depositar a coisa, em vez de entregá-la, quando quiser opor embargos.

Isso apenas demonstra o descuido do legislador que, ao alterar o instituto dos embargos esqueceu-se de fazer as alterações no restante do Código.

53 CC: “Art. 243. A coisa incerta será indicada, ao menos, pelo gênero e pela quantidade.”

54 CPC: “Art. 629. Quando a execução recair sobre coisas determinadas pelo gênero e quantidade, o devedor será citado para entregá-las individualizadas, se lhe couber a escolha; mas se essa couber ao credor, este a indicará na petição inicial.”

55 CPC: “Art. 630. Qualquer das partes poderá, em 48 (quarenta e oito) horas, impugnar a escolha feita pela outra, e o juiz decidirá de plano, ou, se necessário, ouvindo perito de sua nomeação.” 56 CPC: “Art. 621. O devedor de obrigação de entrega de coisa certa, constante de título executivo extrajudicial, será citado para, dentro de 10 (dez) dias, satisfazer a obrigação ou, seguro o juízo (art. 737, II), apresentar embargos. (Redação dada pela Lei nº 10.444, de 7.5.2002) Parágrafo único. O juiz, ao despachar a inicial, poderá fixar multa por dia de atraso no cumprimento da obrigação, ficando o respectivo valor sujeito a alteração, caso se revele insuficiente ou excessivo.”

48

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

2.2.3. Dos embargos de retenção por benfeitorias

É

lícito

ao

devedor alegar em seus embargos

retenção

por benfeitorias 57

necessárias ou úteis, nos casos de título para entrega de coisa certa (art. 745);

Nos embargos de retenção por benfeitorias, poderá o exeqüente requerer a compensação de seu valor com o dos frutos ou danos considerados devidos pelo executado, cumprindo ao juiz, para a apuração dos respectivos valores, nomear perito, fixando-lhe breve prazo para entrega do laudo (art. 745, § 1 o );

2.2.4. Da imissão na posse através de caução ou depósito

O exeqüente poderá, a qualquer tempo, ser imitido na posse da coisa, prestando

caução ou depositando o valor devido pelas benfeitorias ou resultante da compensação

(art. 745, § 2 o ).

2.2.5. Da sentença nos embargos

Conforme art. 739-A, os embargos não possuem efeito suspensivo, portanto, os embargos não suspenderão a exigência de multa fixada pelo juiz no despacho inicial (art. 621, p. único, CPC).

A cobrança da multa será promovida no próprio processo de execução, em autos

apensos, operando-se por compensação ou por execução (art. 739-B).

Da sentença que rejeitar liminarmente os embargos ou julgá-los improcedentes, cabe apelação, todavia, será recebida apenas em seu efeito devolutivo (art. 520, V, CPC).

Enquanto tramita a Apelação a execução prossegue de forma (art. 587 c/c 739, §§, CPC):

- Definitiva: se os embargos foram recebidos sem efeito suspensivo e julgados improcedentes;

57 Art. 96, §§, CC: Benfeitorias voluptuárias: são as de mero deleite ou recreio, que não aumentam o uso habitual do bem, ainda que o tornem mais agradável ou sejam de elevado valor; Benfeitorias úteis:

são as que aumentam ou facilitam o uso do bem; Benfeitorias necessárias: são as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore.

49

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

- Provisória: se os embargos foram recebidos com efeito suspensivo, mas julgados improcedentes.

- A regra está consubstanciada no caput do art. 587, com a alteração dada pela Lei n. 11.382/06: É definitiva a execução fundada em título extrajudicial; é provisória enquanto pendente apelação da sentença de improcedência dos embargos do executado, quando recebidos com efeito suspensivo.

- Neste caso, o recebimento da apelação, por força do art. 520, V, CPC, deverá

ser recebida em seu efeito meramente devolutivo. Mas, apesar disso, tem o condão de impedir a satisfação plena do credor, já que a execução, neste caso, será provisória.

- Isto implica em que, apesar de a coisa estar depositada em juízo, o juiz não

poderá determinar a sua liberação ao credor, sem que o mesmo ofereça caução idônea, a

ser arbitrada pelo juiz e prestada nos próprios autos (art. 475-O, III).

-Todavia, a caução poderá ser dispensada nos casos em que penda agravo de instrumento junto ao STF ou ao STJ interposto da decisão do presidente do Tribunal que negou seguimento ao Recurso Especial ou ao Extraordinário. Isto se entender o juiz que a da dispensa não haja risco de grave dano, de difícil ou incerta reparação.

2.3. Entrega da Coisa

Se o executado entregar a coisa, será lavrado termo de entrega e será dada por finda a execução, a menos que esta tenha que prosseguir para o pagamento de frutos ou ressarcimento de prejuízos (art. 624, CPC 58 ).

2.4. Depósito da Coisa

Diz o art. 622 do CPC que se o devedor quiser opor embargos, deverá, em vez de entregar a coisa, depositá-la em juízo 59 , após o que o exeqüente não poderá levantá-la antes do julgamento dos embargos (art. 623, CPC 60 ).

Todavia, a Lei 11.382/06, revogou o art. 737, II, que estabelecia o depósito da coisa como requisito de admissibilidade dos embargos, nessa modalidade de execução. Alterou ainda a redação do art. 736 que determina agora que o executado,

58 CPC: “Art. 624. Se o executado entregar a coisa, lavrar-se-á o respectivo termo e dar-se-á por finda a execução, salvo se esta tiver de prosseguir para o pagamento de frutos ou ressarcimento de prejuízos.”.

59 CPC: “Art. 622. O devedor poderá depositar a coisa, em vez de entregá-la, quando quiser opor embargos.”.

60 CPC: “Art. 623. Depositada a coisa, o exeqüente não poderá levantá-la antes do julgamento dos embargos.”.

50

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

independentemente de penhora, depósito ou caução, poderá opor-se à execução por meio de embargos.

2.5. Coisa não Entregue e nem Depositada

Conforme redação do art. 625 do CPC 61 , se a coisa não for entregue, não for depositada e nem admitidos embargos suspensivos da execução, será expedido, em favor do credor, mandado de imissão na posse (se imóvel a coisa) ou de busca e apreensão (se móvel).

A mesma observação acima vale aqui para o depósito.

Se a coisa não lhe for entregue, tiver deteriorado ou não for encontrada, o credor tem direito a receber, além de perdas e danos, o valor da coisa (art. 627, CPC 62 ).

2.6. Alienação da Coisa Litigiosa

Conforme o art. 626 do CPC 63 , se a coisa litigiosa for alienada será expedido mandado contra o terceiro adquirente, o qual somente será ouvido depois de depositar a coisa.

O terceiro deverá depositar a coisa. Não o fazendo, o juiz expedirá mandado de imissão na posse ou busca e apreensão, conforme se trate de bem imóvel ou móvel. Não sendo ele o executado, não poderá ingressar com embargos do devedor, mas poderá manifestar-se através dos embargos de terceiro (art. 1046, CPC) 64 . Poderá alegar, e.g., que não se trata do bem litigioso.

Todavia, tratando-se de alienação do bem litigioso, ou seja, alienação do bem objeto da lide, tal alienação é considerada fraude de execução (art. 593, incisos, CPC).

Conforme Alexandre Freitas Câmara 65 , na fraude de execução o ato é, originariamente, ineficaz. Não se faz necessário, pois, ajuizar-se demanda destinada ao

61 CPC: “Art. 625. Não sendo a coisa entregue ou depositada, nem admitidos embargos suspensivos da execução, expedir-se-á, em favor do credor, mandado de imissão na posse ou de busca e apreensão, conforme se tratar de imóvel ou de móvel.”.

62 CPC: “Art. 627. O credor tem direito a receber, além de perdas e danos, o valor da coisa, quando esta não lhe for entregue, se deteriorou, não for encontrada ou não for reclamada do poder de terceiro adquirente.”. 63 CPC: “Art. 626. Alienada a coisa quando já litigiosa, expedir-se-á mandado contra o terceiro adquirente, que somente será ouvido depois de depositá-la.”

64 E. Fidelis dos Santos. Manual de direito processual civil. v. 2. 10.ed. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 95.

65 A. F. Câmara. Lições de direito processual civil. v. 2. 7. ed. Rio de Janeiro: Lumem Juris, 2003, p. 220.

51

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

reconhecimento da fraude, como ocorre na fraude contra credores, em que é necessário ajuizar a Ação Pauliana.

Na fraude de execução o ato fraudulento é incapaz de ser oposto ao credor desde o momento em que é praticado e não impedirá que a atividade executiva incida sobre o bem alienado ou onerado fraudulentamente, dispensando, ademais, a necessidade de se provar má-fé do terceiro adquirente 66 . Este, se não desejar ficar no prejuízo, terá a opção de demandar o seu contratante.

2.7. A coisa não é entregue, se deteriorou, não foi encontrada ou não foi reclamada

do poder de terceiro adquirente.

Nestes casos, o credor tem o direito de receber, além de perdas e danos, o valor da coisa.

O valor da coisa e os prejuízos serão apurados em liquidação.

Veja-se que a obrigação que originariamente era de entregar coisa, transmutou- se em obrigação de pagar quantia certa. Sendo assim, o procedimento a ser adotado necessariamente deverá ser o introduzido pela Lei 11.232/2005, pedindo-se o cumprimento de sentença (art. 475-J, CPC).

VII - EXECUÇÀO CONTRA DEVEDOR SOLVENTE FUNDADA EM TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL

1. REQUISITOS DO PROCESSO DE EXECUÇÃO

1.1. Pressupostos processuais e condições da ação

1.1.1. Pressupostos processuais

- Capacidade de ser parte e de estar em juízo 67 ;

- Representação por advogado;

- Ausência de impedimento do juiz;

66 STJ. Súmula 375. Órgão Julgador: CORTE ESPECIAL. Data da Decisão: 18/03/2009. Ementa. O reconhecimento da fraude à execução depende do registro da penhora do bem alienado ou da prova de má-fé do terceiro adquirente. 67 Toda pessoa que se acha no exercício dos seus direitos tem capacidade para estar em juízo (art. 7º, CPC).

52

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

- Ausência de incompetência do juízo 68 ;

- Petição apta.

1.1.2. Condições da ação

- Interesse processual;

- Possibilidade jurídica;

- Legitimidade das partes.

1.2. Requisitos específicos do processo de execução

1.2.1. Título executivo

a) Conceito: É o documento representativo de ato ou negócio jurídico, necessário e

suficiente, por si só, para ensejar a atuação executiva.

b) Títulos executivos extrajudiciais (art. 585, incisos, CPC)

1.2.2. Liquidez, certeza e exigibilidade (art. 586, CPC) 69 , sob pena de nulidade da

execução (Art. 618, I, e art. 745, I, CPC)

a) Certeza: ocorre a certeza em torno de um crédito quando, em face do título, não há

controvérsia sobre sua existência (Calamandrei, apud H. Theodoro Júnior).

b) Liquidez: há liquidez quando é determinada a importância da prestação (quantum)

(Calamandrei, apud H. Theodoro Júnior). c) Exigibilidade: há exigibilidade quando o seu pagamento (do título) não depende de termo ou condição, nem está sujeito a outras limitações (Calamandrei, apud H. Theodoro Júnior).

Obs.: “Art. 618. É nula a execução: I - se o título executivo extrajudicial não corresponder a obrigação certa, líquida e exigível (art. 586); (Redação dada pela Lei nº 11.382, de 2006).

68 Aqui trata-se da incompetência absoluta, pois somente esta poderá gerar nulidade processual acaso não seja declarada, de ofício ou a requerimento da parte interessada.

69 O legislador reformista procurou deixar claro que certeza, liquidez e exigibilidade não são atributos do título executivo, mas sim da obrigação que está consubstanciada no título. C.f. HERTEL, Daniel Roberto. Lineamento da reforma da execução por quantia certa de título executivo extrajudicial: comentários às principais alterações realizadas pelo lei n. 11.382/06. In: Revista Dialética de Direito Processual n. 47, São Paulo: 2006, p. 23.

53

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

1.2.3. Inadimplemento da obrigação (art. 580 a 582, CPC).

- A necessidade de comprovação da inadimplência remete à questão do interesse

necessidade.

- Assim, e. g., o credor de obrigação consubstanciada em um cheque não terá interesse

processual de exigir o cumprimento da obrigação (o pagamento) se não comprovar que o título fora depositado e devolvido pela instituição bancária, ou comprovar o protesto da nota promissória vencida e não paga, etc.

2. AÇÃO DE EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL

a) Conceito: É o direito ao exercício da atividade jurisdicional ou o poder de exigir esse exercício, provocando-se a jurisdição para a instauração de um complexo de atos processuais tendentes a promover a expropriação dos bens do executado para satisfação do crédito do exeqüente 70 .

2.1. Competência (Execução fundada em título extrajudicial art. 576, CPC)

- Foro do domicílio do réu, pessoa física (art. 94, CPC);

- Sede da pessoa jurídica (art. 100, IV, “a”)

- Sucursal, quanto às obrigações que esta contrai (art. 100, IV, “b”);

- Onde exerce a sua atividade principal, para a ação em que for ré a sociedade, que carece de personalidade jurídica (art. 100, IV, “c”);

- Foro do local de cumprimento da obrigação (art. 100, IV, “d”);

- Eleição do foro (art. 111, 2ª parte, CPC).

2.2. Efeitos da propositura da ação executiva (art. 219 e 617, CPC)

- Reza o art. 617 que a propositura da execução, deferida pelo juiz, interrompe a

prescrição, mas a citação do devedor deve ser feita com observância do art. 219. A citação retroage à data da propositura da ação, não ficando prejudicada pela demora imputável exclusivamente ao serviço judiciário.

- Mas, quando a ação é considerada proposta? Reza o art. 263 que considera-se proposta

a ação, tanto que a petição seja despachada pelo juiz, ou simplesmente distribuída, onde houver mais de uma vara. A propositura da ação, todavia, só produz, quanto ao réu, os efeitos mencionados no art. 219 depois que for validamente citado.

70 Conceito adaptado a partir de Ada P. Grinover et al. Teoria Geral do Processo, p. 148.

54

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

2.2.1. Averbação de certidão do ajuizamento da execução

- Com a Lei 11.382/2006, art. 615-A, o exeqüente poderá obter certidão comprobatória

do ajuizamento da execução para efeito de averbação no registro de imóveis, registro de veículos ou registro de outros bens sujeitos à penhora ou arresto.

- A alienação ou oneração de bens efetuado após a averbação presume-se em fraude de execução (art. 615-A, §3º).

2.3. Citação e possíveis condutas do devedor

a) Citação através de oficial de justiça (arts. 222, d, 224 e 652, § 1º, CPC):

- É vedada a citação pelo correio nos processos de execução (art. 222, d, CPC);

b) Citação por edital (art. 654, CPC)

- Dá-se a citação por edital na seguinte situação: o oficial não encontra o devedor,

mas encontra bens, os quais são arrestados; após 10 (dez) dias do arresto procura o devedor por 3 (três) vezes em dias distintos. Não o encontrando, certifica o ocorrido. O credor tem 10 (dez) dias a contar da intimação do arresto para promover a citação por

edital.

SÚMULA 196 (STJ). Ementa: AO EXECUTADO QUE, CITADO POR EDITAL OU POR HORA CERTA, PERMANECER REVEL, SERA NOMEADO CURADOR ESPECIAL, COM LEGITIMIDADE PARA APRESENTAÇÃO DE EMBARGOS.

c) Citação e nomeação de bens à penhora (art. 652, §§ e 653, CPC)

- O executado é citado para, no prazo de 3 dias, efetuar o pagamento da dívida (art.

652);

- Modelo de despacho judicial:

“Cite-se a parte executada para efetuar o pagamento do débito exequendo, no prazo de três dias, ou para oferecer embargos, no prazo de quinze dias, nos termos dos artigos 652 e 738 do CPC. Fixo honorários em 10% (dez por cento) sobre o valor do débito, valor este que será reduzido à metade caso o pagamento seja realizado no prazo anteriormente mencionado (art. 652-A, parágrafo único do CPC)”.

55

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

- Não efetuado o pagamento, munido da segunda via do mandado, o oficial de justiça

procederá de imediato à penhora de bens e a sua avaliação, lavrando-se o respectivo auto e de tais atos intimando, na mesma oportunidade, o executado (art. 652, § 1 o ).

-

O credor poderá, na inicial da execução, indicar bens a serem penhorados (art. 652, §

2

o );

-

O juiz poderá, de ofício ou a requerimento do exeqüente, determinar, a qualquer

tempo, a intimação do executado para indicar bens passíveis de penhora (art. 652, § 3 o );

- A intimação do executado far-se-á na pessoa de seu advogado; não o tendo, será intimado pessoalmente (art. 652, § 4 o );

- Se

detalhadamente as diligências realizadas, caso em que o juiz poderá dispensar a

oficial certificará

não

localizar

o

executado

para

intimá-lo

da penhora,

o

intimação ou determinará novas diligências (art. 652, § 5 o ).

d) Citação e pagamento da dívida

- Conforme o art. 652-A, ao despachar a inicial, o juiz fixará, de plano, os honorários de advogado a serem pagos pelo executado (art. 20, § 4 o );

- No caso de integral pagamento no prazo de 3 (três) dias, a verba honorária será reduzida pela metade.

d) Arresto (pré-penhora) de bens do devedor

- Não encontrado o devedor para a citação, seus bens serão arrestados (art. 653). Isto, após diligências para encontrá-lo (art. 652, § 2º);

- Nos 10 (dez) dias seguintes o oficial procurará o devedor por 3 (três) vezes em dias distintos. Não o encontrando, certificará o ocorrido;

- O credor é intimado para em 10 (dez) dias requerer a citação por edital;

- Findo o prazo 71 do edital, o devedor tem prazo de 3 dias para pagar;

- Se não pagar, converte-se o arresto em penhora;

- Não comparecendo nos autos, o juiz nomeará ao devedor curador especial para oferecer embargos em 15 dias (art. 9º, c/c arts. 598 e 738, CPC).

STJ - Súmula 196 - Ao executado que, citado por edital ou por hora certa, permanecer revel, será nomeado curador especial, com legitimidade para apresentação de embargos.

71 Prazo: 1º) Prazo máximo de 15 (quinze) dias para publicar uma vez no órgão oficial e pelo menos duas vezes em jornal local, onde houver (art. 232, III). Somente no órgão oficial, se a parte for beneficiaria da assistência judiciária (art. 232, § 2º). 2º) O juiz estipulará prazo entre 20 e 60 dias em que a citação será considerada perfeita (art. 232, IV).

56

3. Penhora UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos

3. Penhora

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

3.1. Penhora: conceito, natureza e efeitos

a) Conceito: é ato executivo que afeta determinado bem à execução, permitindo sua

ulterior expropriação, e torna os atos de disposição do seu patrimônio ineficazes em face do processo 72 .

b) Natureza:

- É ato público e estatal, praticado pelo oficial de justiça como longa manus do juiz;

- Não tem caráter contratual;

- Não se confunde com direitos reais de garantia (penhor, hipoteca, etc);

- Tem natureza executiva;

- Tem função conservativa, mas não é ato de natureza cautelar.

c) Efeitos:

- Vincula bem específico à execução (art. 612);

- Presta-se à conservação do bem que foi individualizado, retirando-o da posse do

devedor ou mantendo-o em sua posse, caso em que fica responsável por sua guarda e

conservação.

3.2. Indicação de bens à penhora pelo credor

- De acordo com o § 2 o do art. 652, o credor poderá, na inicial da execução, indicar bens a serem penhorados.

3.3. Indicação de bens à penhora pelo devedor

- De acordo como § 3 o do art. 652, o juiz poderá, de ofício ou a requerimento do

exeqüente, determinar, a qualquer tempo, a intimação do executado para indicar bens

passíveis de penhora.

- A penhora pode ser feita a qualquer tempo, pois não é mais pressuposto para a

interposição dos Embargos do Devedor. O art. 736, determina que o executado poderá

opor-se à execução por meio de embargos, independentemente de penhora.

72 WAMBIER, Luiz Rodrigues. Curso de direito processual civil. v. 2. São Paulo: RT, p. 186.

57

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

- Todavia, o § 1 o do art. 656 impõe que é dever do executado (art. 600), no prazo

fixado pelo juiz, indicar onde se encontram os bens sujeitos à execução, exibir a prova de sua propriedade e, se for o caso, certidão negativa de ônus, bem como abster-se de qualquer atitude que dificulte ou embarace a realização da penhora (art. 14, parágrafo único).

- Ao intimar o executado, o juiz lhe concederá o prazo de 5 dias para indicar quais são

e onde se encontram os bens sujeitos à penhora e seus respectivos valores (art. 600, IV).

Caso o devedor desrespeite a determinação:

- Poderá incorrer em multa de até 20% sobre o valor da execução. Multa que reverterá em favor da Fazenda Pública (art. 14, parágrafo único, CPC).

- Estará incorrendo em ato atentatório à dignidade da justiça (art. 600). O que

implicará em sanção de multa não superior a 20% do valor da execução. Multa que reverterá em favor do credor.

- Mas, o juiz relevará a pena (neste último caso), se o devedor se comprometer a não

mais incorrer em atos atentatórios à dignidade da justiça e der fiador idôneo, que responderá ao credor pela dívida principal, juros, despesas e honorários advocatícios (art. 600, p. único).

- O fiador mencionado é fiador judicial, que passará a ser considerado sujeito passivo na execução, conforme art. 568, IV.

- Poderá ter outros efeitos, pois o inciso II, do art. 94, da Lei n. 11.101/05, Lei de falências estabelece que:

II - Será decretada a falência do devedor que: executado por qualquer quantia líquida, não paga, não deposita e não nomeia à penhora bens suficientes dentro do prazo legal.

3.4. Penhora feita ex-officio pelo oficial de justiça

- Ao ser citado o executado terá o prazo de 3 dias para efetuar o pagamento da dívida. Não efetuando o pagamento, munido da segunda via do mandado, o oficial de justiça procederá de imediato à penhora de bens e sua avaliação (art. 652, §1º).

3.5. Penhora on-line

- A Lei 11.382/2006 em seu art. 655-A e §§ regulamentou a penhora on-line que já vinha sendo adotada pelos órgãos jurisdicionais.

58

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

- Como a ordem de preferência de penhora coloca o dinheiro em primeiro lugar (art.

655, I), o credor pode requerer a penhora on-line, desde já, na peça inicial da execução.

- Se a penhora recair sobre bem diverso de dinheiro, o exeqüente poderá requerer a substituição de penhora, requerendo que seja efetivada on-line.

- Poderá se manifestar nesse sentido no prazo de 3 dias quando intimado para se manifestar sobre a penhora (art. 657).

3.6. Averbação da penhora

Art. 659. § 4 o A penhora de bens imóveis realizar-se-á mediante auto ou termo de penhora, cabendo ao exeqüente, sem prejuízo da imediata intimação do executado (art. 652, § 4 o ), providenciar, para presunção absoluta de conhecimento por terceiros, a respectiva averbação no ofício imobiliário, mediante a apresentação de certidão de inteiro teor do ato, independentemente de mandado judicial. (Redação dada pela Lei nº 11.382, de 2006).

A averbação da penhora é ônus do credor. E seu objetivo é dar publicidade perante terceiros (efeito erga omnes). Caso não o faça, e ocorrendo de o bem ser alienado após a penhora, a fraude à execução ficará condicionada à demonstração pelo credor de que o terceiro adquiriu a coisa com a intenção de prejudicá-lo, ou seja, agiu de má-fé.

Portanto, a simples alienação da coisa penhorada no curso do processo, ausente

a averbação, não presume a fraude à execução. Neste caso é ônus do credor demonstrar

a má-fé do terceiro adquirente.

Leia o entendimento do STJ a respeito:

FRAUDE À EXECUÇÃO. BOA-FÉ. REGISTRO. PENHORA. A questão posta no REsp cinge-se em saber se constitui fraude à execução a simples existência, ao tempo da alienação de imóvel de propriedade do devedor, de demanda em curso em desfavor dele, capaz de reduzi-lo à insolvência, bastando sua citação válida no feito, sendo, assim, despicienda a existência de registro da penhora sobre o imóvel alienado. A Turma entendeu que, nos termos do art. 659, § 4º, do CPC, na redação que lhe foi dada pela Lei n. 8.953/1994, era exigível a inscrição, hoje averbação (Lei n. 11.382/2006), da penhora no cartório de registro imobiliário para que passasse a ter efeito erga omnes e, nessa circunstância, fosse eficaz para impedir a venda a terceiros em fraude à execução. Dessa forma, inexistindo registro da penhora sobre bem alienado a terceiro, incumbia à exequente e embargada fazer a prova de que o terceiro tinha conhecimento da ação ou da constrição judicial, agindo, assim, de má-fé. Ressaltou-se que, in casu, a alienação do bem objeto da constrição judicial operou-se antes do registro dela, razão pela qual descabido presumir a má-fé ou o prévio conhecimento do terceiro adquirente quanto ao gravame. Em verdade, o ônus da prova de que o terceiro tinha conhecimento da demanda ou do gravame transferiu-

59

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

se para a credora, que dela não se desincumbiu. Desse modo, presume-se a boa-fé (ausência de registro) que merece ser prestigiada, não havendo, portanto, falar em fraude à execução na espécie (Súm. n. 375-STJ). Diante desses fundamentos, deu-se provimento ao recurso. Precedentes citados: REsp 113.666-DF, DJ 30/6/1997; REsp 494.545-RS, DJ 27/9/2004; REsp 742.097-RS, DJe 28/4/2008; REsp 493.914-SP, DJe 5/5/2008, e REsp 1.046.004-MT, DJe 23/6/2008. REsp 753.384-DF, Rel. Min. Honildo Amaral de Mello Castro (Desembargador convocado do TJ-AP), julgado em 1º/6/2010. (Informativo nº 437).

Obs.: a regra também é válida para os bens penhoráveis, cuja natureza exige registro, tais como: automóveis órgão de registro: DETRAN; quotas de sociedades empresariais (art. 655, VI e 685, § 4º, CPC) órgão de registro: JUC; ações nominativas registro no livro de ações nominativas 73 .

3.6. Substituição de penhora

a) Pedido do exeqüente

- No prazo de 3 dias da intimação do exeqüente (art. 657). As hipóteses estão previstas nos incisos do art. 656.

b) Pedido do executado

- No prazo de 10 dias da intimação da penhora (art. 668).

- Em regra a substituição está condicionada à comprovação de que não trará prejuízo

para o exeqüente e que será menos onerosa para ele devedor (art. 668). Devendo obedecer às determinações do parágrafo único do art. 668, ao nomear novos bens à penhora.

- Exceção é a possibilidade da penhora ser substituída por fiança bancária ou seguro

garantia judicial, desde que em valor acrescido de 30% do débito (art. 656, § 2º) ou por dinheiro que ocupa o primeiro lugar na ordem.

3.7. Modificações da penhora: a penhora poderá ser:

73 Lei 6.404/76. Art. 31. A propriedade das ações nominativas presume-se pela inscrição do nome do acionista no livro de "Registro de Ações Nominativas" ou pelo extrato que seja fornecido pela instituição custodiante, na qualidade de proprietária fiduciária das ações. (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001). § 2º A transferência das ações nominativas em virtude de transmissão por sucessão universal ou legado, de arrematação, adjudicação ou outro ato judicial, ou por qualquer outro título, somente se fará mediante averbação no livro de "Registro de Ações Nominativas", à vista de documento hábil, que ficará em poder da companhia.

60

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

a) Aumentada, se os bens penhorados são insuficientes para cobrir o débito (art. 667, II

e 685, II);

b) Diminuída, se os bens têm valor maior que o débito (art. 685);

c) Substituída, nas duas hipóteses anteriores, para um bem de valor maior ou menor,

respectivamente (art. 685, I e II);

d) Substituída, se a primeira foi anulada (art. 667, I);

e) Substituída, se o credor desistir dela porque os bens são litigiosos ou já estão

onerados por algum outro motivo (art. 667, III);

f) Substituída por dinheiro, a requerimento do devedor, a qualquer tempo (art. 668);

g) Substituída por dinheiro resultante da alienação antecipada dos bens (art. 670);

h) Cabe nova penhora se o produto da alienação dos bens penhorados não foi

suficiente para satisfação do crédito (art. 667, II).

3.8. Penhora de bens em outra comarca

- Com exceção do § 5º 74 , do art. 659, a penhora de bens situados em outra comarca será feita mediante carta precatória (art. 658);

- Não se aplica a regra do art. 230 75 .

3.9. Hipóteses especiais de penhora

a) Penhora sobre crédito do executado junto a terceiros (art. 671 e segs.);

b) Penhora no rosto dos autos (art. 674);

c) Penhora de empresa ou de outros bens que ensejam administração (art. 677, caput e

§§);

d) Penhora de empresas concessionárias ou permissionárias de serviço público (art.

678);

e) Penhora de navios e aeronaves (art. 679).

3.10. Procedimento e aperfeiçoamento da penhora

a) Atos de documentação

Por termo nos autos

74 Art. 659, § 5º: No caso do § 4º (penhora de imóvel), quando apresentada certidão da respectiva matrícula, a penhora de imóveis, independentemente de onde se localizem, será realizada por termo nos autos, do qual será intimado o executado, pessoalmente ou na pessoa de seu advogado, e por este ato constituído depositário.

75 Art. 230: Nas comarcas contíguas, de fácil comunicação, e nas que se situem na mesma região metropolitana, o oficial de justiça poderá efetuar citações ou intimações em qualquer delas.

61

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

- Se houver nomeação de bens pelo devedor e for deferida, o escrivão lavra termo nos

autos (art. 657, CPC);

- Tratando-se de imóvel, apresentada a certidão de matrícula, realiza-se a penhora por termo nos autos (art. 659, § 5º, CPC).

Por auto de penhora

- Se não houver nomeação ou se, havendo, for indeferida, realiza-se por auto de penhora, através de oficial de justiça (art. 665);

- Resistência do devedor (art. 660 a 663).

b) Apreensão e depósito do bem (art. 664)

c) Atos subseqüentes à penhora. Da penhora devem ser intimados:

- O credor, se for o caso, abrindo-se-lhe prazo de 3 (três) dias para manifestação (art.

657)

- O devedor, abrindo-se-lhe prazo de 10 para requerer substituição (arts. 652, § 5º e

668);

- O cônjuge do devedor, se a penhora recair sobre imóvel (art. 655, §2º);

- Os terceiros proprietários ou co-proprietários do bem penhorado;

- Os terceiros credores do executado que detenham direitos reais (hipoteca ou penhor) de garantia sobre o bem penhorado (art. 615, II e 619).

Observações IMPORTANTES:

De acordo com o art. 619, do CPC:

Art. 619. A alienação de bem aforado ou gravado por penhor, hipoteca, anticrese ou usufruto será ineficaz em relação ao senhorio direto, ou ao credor pignoratício, hipotecário, anticrético, ou usufrutuário, que não houver sido intimado.

De acordo com o Código Civil:

Art. 333. Ao credor assistirá o direito de cobrar a dívida antes de vencido o prazo

II - se os bens, hipotecados ou

estipulado no contrato ou marcado neste Código: (

empenhados, forem penhorados em execução por outro credor;

)

Art. 1.499. A hipoteca extingue-se: (

)

VI - pela arrematação ou adjudicação.

Art. 1501. Não se extinguirá a hipoteca, devidamente registrada, a arrematação ou adjudicação, sem que tenham sido notificados judicialmente os respectivos credores hipotecários, que não foram de qualquer modo partes na execução.

3.11. Bens impenhoráveis

62

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

- Art. 649, incisos.

Ver Súmula 364, STJ.

Pequena propriedade (art. 649, VIII, CPC): de área compreendida entre 1 (um) e 4 (quatro) módulos fiscais (art. 4º, II, a, Lei 8.629/93);

- Exemplo de impenhorabilidade em legislação especial -> Decreto Lei 167/67, art. 69:

Art 69. Os bens objeto de penhor ou de hipoteca constituídos pela cédula de crédito rural não serão penhorados, arrestados ou seqüestrados por outras dívidas do emitente ou do terceiro empenhador ou hipotecante, cumprindo ao emitente ou ao terceiro empenhador ou hipotecante denunciar a existência da cédula às autoridades incumbidas da diligência ou a quem a determinou, sob pena de responderem pelos prejuízos resultantes de sua omissão.

4. Depósito, avaliação e alienação antecipadada dos bens penhorados

4.1. Do depositário (art. 666, incisos). Se o credor não concordar que o devedor

fique como depositário, segue a regra:

a) Quantia em dinheiro, pedras e metais preciosos, papéis de crédito: no Bco do

Brasil, na CEF ou Bco de que o Estado-membro da União possua mais de metade do capital social integralizado. Na falta, em qualquer estabelecimento de crédito designado

pelo Juiz;

b) Móveis e imóveis urbanos: em poder do depositário judicial;

c) Demais bens: depositário particular.

4.2. Alienação antecipada (art. 670)

a) Bens sujeitos a deterioração;

b) Houver manifesta vantagem.

4.2.1. Necessidade de contraditório (art. 670, p. único).

4.3. Da avaliação (arts. 680 e segs.)

63

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

4.3.1. Nomeação de perito avaliador (art. 680)

- Laudo. Prazo de 10 dias (art. 681)

4.3.2. A avaliação será repetida quando (art. 683, incisos):

a) Qualquer das partes argüir, fundamentadamente, a ocorrência de erro na avaliação ou

dolo do avaliador;

b) Se verificar, posteriormente à avaliação, que houve majoração ou diminuição do valor dos bem;

c) Houver fundada dúvida sobre o valor atribuído ao bem pelo executado (art. 668, p.

único, V).

4.3.3. Não se procede à avaliação (art. 684):

a) Se o exeqüente aceitar a estimativa feita pelo executado;

b) Se tratar de títulos ou de mercadorias que tenham cotação em bolsa comprovada por

certidão ou publicação oficial;

4.3.4. Providências após a avaliação, a requerimento do interessado, respeitado o

contraditório (art. 685):

a) Redução da penhora aos bens suficientes ou a sua transferência para outros de

menor valor;

b) Ampliação da penhora, ou sua transferência para outros bens mais valiosos, se o

valor dos penhorados for insuficiente.

4.3.5. Início dos atos de expropriação de bens (art. 685, p. único).

- Poderá ocorrer: adjudicação, alienação por iniciativa particular ou alienação em hasta pública, como será visto adiante.

5. Da expropriação de bens

64

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

5.1. Da Adjudicação

a) Conceito:

- A adjudicação é ato de expropriação dos bens penhorados do executado, em contrapartida do oferecimento de preço não inferior ao da avaliação. Podendo ser requerida pelo exeqüente, pelo credor com garantia real, pelos credores concorrentes que hajam penhorado o mesmo bem, pelo cônjuge, pelos descendentes ou ascendentes do executado (art. 685-A, §2º).

b) Concorrência na adjudicação:

- Havendo mais de um pretendente, proceder-se-á entre eles à licitação; em igualdade de oferta, terá preferência o cônjuge, descendente ou ascendente, nesta ordem.

c) Penhora de quota de sociedade (art. 685-A, § 4º, CPC)

5.2. Alienação por iniciativa particular

a) Sistemática:

- Não realizada a adjudicação dos bens penhorados, o exeqüente poderá requerer sejam

eles alienados por sua própria iniciativa ou por intermédio de corretor credenciado

perante a autoridade judiciária (Art. 685-C).

- O juiz fixará o prazo em que a alienação deve ser efetivada, a forma de publicidade, o preço mínimo (art. 680), as condições de pagamento e as garantias, bem como, se for o caso, a comissão de corretagem (§ 1 o ).

- A alienação será formalizada por termo nos autos, assinado pelo juiz, pelo exeqüente,

pelo adquirente e, se for presente, pelo executado, expedindo-se carta de alienação do imóvel para o devido registro imobiliário, ou, se bem móvel, mandado de entrega ao adquirente (§ 2 o ).

- Os Tribunais poderão expedir provimentos detalhando o procedimento da alienação

prevista neste artigo, inclusive com o concurso de meios eletrônicos, e dispondo sobre o

credenciamento dos corretores, os quais deverão estar em exercício profissional por não menos de 5 (cinco) anos (§ 3 o ).

5.3. Alienação em hasta pública

65

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

5.3.1. Conceito: é forma de expropriação executiva pela qual os bens penhorados são

transferidos por procedimento licitatório realizado pelo juízo da execução.

5.3.2. Espécies de hasta pública

a) Leilão: é conduzido por leiloeiro público indicado pelo exeqüente (art. 706) entre

aqueles legalmente habilitados. Ocorre onde estão os bens ou no local em que o juiz

designar (art. 686, § 2º e 705, II, CPC); Obs.: os bens móveis submetem-se a leilão (art. 704), exceção feita a determinados títulos cuja alienação deve ocorrer em bolsa de valores.

O juízo não está vinculado à escolha do leiloeiro pelo exequente, podendo rejeitá-la de forma fundamentada, decidiu o STJ, in verbis:

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO DO JUIZ À INDICAÇÃO DE LEILOIERO REALIZADA NA FORMA DO ART. 706 DO CPC. O juiz pode recusar a indicação do leiloeiro público efetivada pelo exequente para a realização de alienação em hasta pública, desde que o faça de forma motivada. Infere- se, a partir do art. 706 do CPC, a possibilidade jurídica de indicação de leiloeiro público pelo exequente, o que não implica afirmar que o exequente tenha o direito de ver nomeado o leiloeiro indicado por ele. Por sua vez, o CPC confere ao magistrado a competência para a direção do processo (art. 125), inclusive no âmbito da execução (art. 598), além do poder de determinação dos atos instrutórios (art. 130) necessários ao processamento da execução de forma calibrada, justa, de modo a não impor desnecessários sacrifícios ao devedor. Por conclusão, tem o juiz poderes para exercer controle sobre a idoneidade da indicação do exequente para fins de realização da alienação judicial em hasta pública da maneira mais adequada e consentânea aos fins da tutela executiva. REsp 1.354.974-MG, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 5/3/2013.

b) Praça: é dirigida pelo oficial porteiro, no átrio do edifício do fórum (art. 686, § 2º,

CPC); Obs.: os bens imóveis são levados à praça (art. 686, § 2º, CPC), exceto quando alienados antecipadamente, caso em que será utilizado o leilão (art 670 c/c os arts. 1.113 e 1.117). c) Alienação em bolsa de valores (Resol. N. 238/72, BACEN e art. 704, CPC).

5.4. Atos preparatórios da alienação judicial

5.4.1. Avaliação (já estudada)

66

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

5.4.2. Publicação de editais (art. 686)

a) Conteúdo do edital (art. 686, incisos e §§);

b) Forma de publicação e prazo (art. 687, §§).

5.4.3. Intimações

a) Intimação do executado (Forma: art. 687, § 5º);

b) Intimação de outros credores que detenham garantia real sobre os bens penhorados

(arts. 619 e 698);

Obs.: a não intimação do credor hipotecário implica em não extinção da hipoteca (art. 1.501, CC), pela adjudicação ou arrematação.

c) Intimação do exeqüente para retirar os editais

(Obs.: Estava previsto no art. 685, p. único. O procedimento deverá ser mantido por

razão lógica).

5.4.4. Legitimidade para arrematar (condições subjetivas):

a) Legitimidade

- Todo aquele que estiver na livre administração de seus bens (art. 690-A), inclusive o exeqüente (art. 690-A, p. único).

b) Rol de impedidos

- Os tutores, curadores, os testamenteiros, os administradores, os síndicos, ou liquidantes, quanto aos bens confiados à sua guarda e responsabilidade; os mandatários, quanto aos bens de cuja administração estejam encarregados; o juiz, o escrivão, o depositário o avaliador e o oficial de justiça (art. 690-A, I, II e III, CPC);

- O arrematante remisso e seu fiador (art. 695, caput, CPC).

5.4.5. Condições objetivas do rito de arrematação

a) Pagamento do lanço

67

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA Departamento de Direito Direito Processual Civil III Prof.: Carlos Rubens Ferreira

Obs.: Este material constitui apenas um roteiro de estudos e será complementado em sala de aula.

- O pagamento do lanço deve ser feito à vista ou em 15 (quinze) dias, com caução

idônea (art. 690,