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A cobardia é uma coragem inacabada

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I - RANCOR

Tamanho rancor tem uma simples razão de ser; levaram


quem eu mais amava e queria proteger. Com um invisível
estalar de dedos, fizeram-na desaparecer. Em menos de duas
semanas, a minha pequena filha, que ainda não tinha chegado
ao seu sétimo ano de vida, definhou e morreu. Levada por uma
doença que nenhum médico foi capaz de compreender.
Foi o sinal que me faltava, para entender.
Nos seus últimos instantes de vida olhou-me nos olhos
para se despedir, uma tristeza amedrontada que pedia perdão ao
seu pai por aquilo que estava a acontecer, e que me fez revoltar
as entranhas, vomitar, odiar, ter vontade de matar. Procurei em
vão, durante o resto da minha vida, o pescoço do responsável
para estrangular. Só já muito velho me convenci que não há; no
seu lugar só existe ar. Depois de morta e de ter ido a enterrar,
afagaram-me as costas com o conforto dos inúteis. Disseram-
me que dizia palavras injustas e até de profanação, que Deus
tinha um plano maior que nos cabia respeitar e que não éramos
capazes de entender, que na nossa insignificância devíamos
apenas seguir e aceitar o caminho que nos tinha sido traçado,
para percorrer.
Mas o ódio não desapareceu.
Posso ser insignificante na escala do tempo e da matéria,
mas sou. E ser é a razão de toda a complicação. Ser é a pequena
palavra que encerra o poder infinito que transforma um simples
átomo de matéria na vontade de se conhecer. Ser é a força
omnipotente que me permite elevar nos céus, acima de

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qualquer deus, e esmagar todo aquele que se atreva a aparecer.


Mas o meu poder infinito é de estranho formato; que podendo
dar cabo do autor não é capaz de eliminar o seu efeito.
Agarro-me a ela num último e inútil movimento, esperando
que uma qualquer propriedade de absorção a possa salvar,
transportando para mim o mal que alguém lá fez nascer. Choro
sangue quando ela se despede com o seu último olhar, fechando
os olhos para a eternidade e deixando-me vivo para sofrer.
Sofrer até ao fim; agarro-me ao sofrimento, pois mais nada
sobrou.
A minha sina; a minha salvação.

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II – O SILÊNCIO DOS PÁSSAROS

Depois da morte da minha filha, escorracei com vil prazer


todos aqueles que viviam à minha volta. Achava que esse acto
rude, que usei para afastar a minha mulher e a minha família
para longe de mim, era o acto natural de quem não está certo de
ter ficado vivo depois do acto que o consumiu.
Na verdade, a morte de Joana levou-me o amor e a
emoção, mas deixou-me para trás. Deixou-me para trás sem
saber porque não fui eu também a enterrar.
Vivia na cidade, como sempre vivi desde que nasci; e o
ruído da cidade sempre me ocultou a verdade; mesmo quando o
ruído é composto por silêncio absoluto. Nos recantos mais
escondidos da cidade não existe sinal de vida; nem o mais
pequeno canto de pássaro se houve; nem o esvoaçar da mais
pequena mosca. É o silêncio da morte que se espalha em torno
de tudo aquilo em que a humanidade toca. Na cidade, o silêncio
absoluto é ensurdecedor.
Um dia, sem mais, e para surpresa minha, fiz uma viagem
às montanhas. Foi aí, numa encosta monumental, que me
apercebi; faltava-me o silêncio dos pássaros. O silêncio dos
pássaros permite-nos ouvir coisas impensáveis, coisas que já
foram esquecidas pela humanidade e ofuscadas pelo ruído e
silêncio mortal da cidade.
O silêncio dos pássaros dá-nos um dom especial de visão; a
contemplação do recorte das cadeias de montanhas

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sobrepostas, o horizonte manchado pelo céu vermelho e azul


de um pôr-do-sol, as árvores, infinitas, que preenchem o
mundo e que acenam, ao vento, às nuvens tranquilas que
navegam lá em cima e anunciam a noite. O silêncio dos
pássaros é a tranquilidade que permite reduzir o tamanho do
mundo para metade. Ouvimos as palavras de uma criança que
ao longe parecem perto, escutamos o ladrar do cão que ressoa
nas montanhas e o faz triplicar, sentimos o peso da caruma que
se parte como ossos debaixo dos nossos pés, arrepiamo-nos
com o frio da neblina que inicia o seu deitar, somos assaltados
pelo perfume da floresta que nos invade por dentro, escutamos,
sentimos, arrepiamo-nos e vivemos com o palpitar do sangue
que passa na veia junto à minha orelha; que o ouço; que me
ouço. O silêncio dos pássaros fez-me ser e pertencer, permitiu-
me ver e sentir. Multiplicou-me por mil. Tirou-me do torpor do
vazio e devolveu-me a razão. Compreender e até perdoar. Sim,
perdoei-Lhe. Porque olhando aquela imensidão de mundo que
se debruava a meus pés, percebi que o acto ignóbil que levou a
minha filha não era ignóbil.
O grande mistério do universo não é saber que deus manda
no mundo. O grande mistério é descobrir; Deus não sabe que
existe.
Sim, fiquei por lá.

E sendo isto tudo verdade ou não, o que importa é que


esta é a razão que permite manter-me são. E daqui não me irei
mover, nem à bala de canhão.

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III – O 7º DIA

Abandonado.
Foi assim que me senti, muito anos depois, ao fim de meia
vida a viver nas montanhas, fingindo amigos e amores
convenientes. Conversava com eles; conversava com os
pássaros; conversava com as montanhas; conversava com a
minha filha; conversava comigo. Um dia essas conversas
terminaram abruptamente, sem direito a despedida, e fiquei
novamente por minha conta. Talvez fosse a chegada da velhice.
Por um momento, afligi-me com a lembrança de um passado
longínquo que novamente ameaçava tomar-me de assalto. Mas
era apenas medo, nada mais. Por essa altura, embora ainda não
a sentisse, já a velhice se tinha entranhado. A memória era
apenas memória. Já havia subido os degraus necessários para
poder olhar para baixo e perceber que o passado não se
atreveria a sair desse lugar antigo.
Convenci-me.
Protegido agora do passado, não sabia o que fazer com o
futuro. O que era um luxo. A maior parte das pessoas não pode
sonhar com tamanha sorte, pois o destino esperto artilha a vida
do homem com compromissos eternos. Fruto do acaso e da
tragédia pessoal, fruto do meu convencimento, podia agora
fazer o que me desse na veneta. Mas tal campo aberto é sempre
difícil de percorrer, porque sem ponto de referência para nos
guiar é difícil escolher. O que era uma contradição.

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Ao fim de uma semana a pensar no assunto, cheguei à


conclusão que não precisava de guias para poder ver. Tinha de
ser capaz de escolher, e para isso, em vez de abrir os olhos tinha
de os fechar.
Entreguei-me a essa tarefa de corpo e alma. Preparei
estrategicamente uma bateria de bebida e comida à mão de
semear, vendei os olhos e tapei os ouvidos com algodão, arejei a
casa para expurgar qualquer cheiro que por ali pudesse andar, e
assim fiquei, num vazio tão vazio quanto pude arranjar, e
prometi a mim mesmo que só dali sairia quando soubesse o que
fazer com esse futuro que sempre chega e não temos maneira
de evitar. Ali ficaria, à espera ou a pensar (não sabia bem que
estratégia escolher), nem que para isso tivesse de morrer à fome
e à sede depois de acabar a comida que tinha posto logo ali ao
lado na mesa de comer.
No primeiro dia nada aconteceu. Era uma calmaria nos
sentidos, como a imobilidade deixada para trás pela passagem
da tempestade. Foi um dia de habituação que se prolongou pelo
início do segundo dia. Mexia-me cada vez menos, como se o
corpo não tivesse razões para se movimentar, e passei o dia
imóvel no sofá, sem saber o que pensar.
No segundo dia senti uma ansiedade que não era capaz de
compreender. Tinha vontade de voltar a ver e a ouvir, e por
mais de uma vez levei as mãos aos olhos para retirar a venda e
desistir. Mas, por uma razão que nunca cheguei a compreender,
nesses momentos de quase desistência o coração acelerava de
repente e quase que me faltava o sincronismo da respiração.
Imagino que fosse a ansiedade da ansiedade, e com isso
aguentei durante o dia dois e três. No final desse terceiro dia
vomitei, e os desejos de retirar a venda desapareceram e não
mais voltaram. Mas se a partir do quarto dia deixei de ter sinal
do corpo, como se este tivesse ido dormir deixando-me
acordado para trás, numa estranha inversão da ordem natural,
de repente e sem aviso voltaram imagens do passado para me

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atormentar. E agora não tinha a escapatória do sono para me


fazer esconder. Como já disse, o corpo foi embora sem me
levar com ele, e a verdade é que desde esse quarto dia não me
lembro de ter ido alguma vez dormir. Só dava pelos dias a
passar através do relógio interno do estômago, que é impossível
de enganar, mesmo que ausente, e que exigia as três refeições
diárias a que estava habituado. Mas esse quarto dia foi uma
tormenta para a consciência. Foi a repetição lenta da minha vida
e do sofrimento que não se quer esquecer; a minha sina, a
minha salvação. A minha filha veio visitar-me. Chorei de
alegria, e as lágrimas humedeceram a venda que agora não
queria mais retirar. A visão era tão real que me deixei levar,
queria acreditar que ela estava ali comigo a brincar e a falar.
Nunca senti em toda a minha vida, com tamanha intensidade,
tão forte aperto daquele pequeno corpo que vinha abraçar-me e
reconfortar-me. Roguei a Deus (sim, admito) que nunca mais
me tirasse a venda dos olhos e que procedesse de imediato à
multiplicação dos pães, ou à eliminação da fome e da sede, pois
queria ficar ali para sempre até morrer, porque agora, de olhos
vendados e ouvidos tapados, era novamente feliz, junto de
quem amava num amor verdadeiro, como é impossível de haver
a não ser entre um filho e um pai. Queria a perenidade, e gritei
de raiva quando o quarto dia chegou ao fim e a imagem da
minha filha começou a desvanecer, até ao ponto em que deixei
de acreditar que ela estava ali, e a ilusão de que aquilo tudo
poderia ser o futuro que queria escolher me era novamente
roubado, cinicamente roubado. Voltei a maldizer os deuses da
Terra e do Céu, e jurei que no dia seguinte iria sonhar com o
deus maior, trazê-lo à tribuna da minha mente, condená-lo de
imediato e proceder à sua execução.
No início do quinto dia doía-me toda a carne do corpo,
lembrança de que afinal ele ainda estava por ali e não se tinha
ausentado, mas não sabia se a dor era o resultado do
desconforto das entranhas pelo meu contorcido desespero, do

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dia anterior, ou apenas o cansaço da imobilidade a que tinha


sido subjugado. O quinto dia foi, concluí posteriormente, uma
espécie de castigo divino por ter importunado e ameaçado os
deuses que silenciosamente e sorrateiramente comandam o
destino. De repente e sem aviso, olhei para o lado e estava tudo
encarnado. Não sabia ou reconhecia exactamente que objectos
eram aqueles, não sabia ou não era capaz de entender a sua
função ou até o seu contorno, apenas sabia que estavam ali e
eram muitos, e todos cobertos de um líquido pastoso
encarnado e reluzente que escorria sem nunca acabar, de baixo
para cima e ao mesmo tempo da esquerda para a direita.
Quando tudo ficou coberto por aquela pasta líquida, do chão ao
tecto, nada mais havia para além desse encarnado reluzente e
eu. Então, senti o meu corpo abrir, embora não seja capaz de
descrever como e em que parte, e de lá de dentro também
começou a jorrar a mesma pasta encarnada que, saindo, foi
envolvendo o meu corpo por fora, agarrando-se à minha pele
como se quisesse tomar conta de mim, subindo e cobrindo-me,
até que chegou ao meu pescoço sem dar sinal de parar, entrou
boca adentro e cortou-me a respiração. Sustive a respiração,
mas era inútil. Entrou-me pelos ouvidos também, tapou-me os
olhos e deixei de ver. Era como ter uma segunda venda por
cima daquela que tinha posto por minha própria iniciativa.
Fiquei sem saber o que fazer. Queria descobrir o caminho que
devia seguir e agora estava perdido num mar incolor e sem
sentido. Sim, incolor, pois ter uma única cor para ver é como
não ter nenhuma, é como viver no escuro. Ao fim de um
tempo, senti-me no centro de uma esfera perfeita que se
expandia e deixava perceber, lá em baixo, no fundo, um mar de
fogo igualmente encarnado, e que sendo exactamente da mesma
cor da pasta reluzente não entendia como o conseguia
identificar; como o conseguia ver. Senti o calor a crepitar por
baixo de mim, e o meu corpo, que se afastava na esfera perfeita
que crescia para o infinito, ardia com as chamas desse fogo.

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Mas quem sofria era eu, minúsculo e imóvel no centro,


sentindo essa dor, enquanto a esfera de carne ou sangue (não
sei bem o que era), fugia para longe dali. Foi uma dor tão
intensa e prolongada que acabei por me habituar; tornou-se
banal. A única coisa que notei, nesta condição, foi que tinha o
pensamento menos lesto, como que dormente pela dor desse
calor abrasador. E continuando isto por uma eternidade de
tempo que me era impossível de medir, que pode ter durado o
tempo infinito ou até ter dado a volta ao tempo do universo,
ter-se este extinguido e de novo recomeçado, uma vez e
infinitas vezes, até ao ponto em que me apanhou novamente
numa repetição, e por aí ficou à espera de saber o que vou eu
fazer a seguir. E o que fiz foi simplesmente abrir os olhos, sem
saber que os tinha fechados, sem saber que os queria abrir, e
assim que isso aconteceu tudo desapareceu, e fiquei novamente
na negridão da primeira venda, sentindo o corpo todo dorido
por uma imobilidade que durava há um tempo sem
possibilidade de medição.
O sexto dia foi estranho no formato e na dimensão.
Pareceu-me que à medida que os dias iam passando os cenários
iam ficando cada vez mais estranhos, fugidos da realidade que
conhecia, vividos apenas da maneira que lhes apetecia, e eu,
contemplando tal facto que não podia negar e só aceitar, sentia-
os, nos calores e nos frios, na dor e na alegria, e à medida que
me afastava para esses cenários cada vez mais estranhos, a
realidade ocultada pela venda de pano deixava de ser a realidade
que conhecia e, cada vez mais, passava a ser um sonho
alternativo àqueles que eu tinha, um dia atrás do outro.
Pensava eu, nesse sexto dia, que provavelmente cada um
desses dias era um cenário alternativo que me era apresentado
para poder avaliar, e que no fim poderia accionar a manivela
respectiva e decidir, e assim, finalmente, poderia desaparecer da
minha vida antiga e emigrar para esse novo lugar. Mas se assim
fosse, verdade seja dita, também assim estaria a faltar com a

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minha promessa, pois tinha vendado os olhos para deixar de


ver as paredes que guiam o meu destino; eu não queria
simplesmente escolher um corredor, mas sim designar o
trajecto que iria ser construído.
E agora? O que fazer com o novo e fantástico cenário que
me era apresentado? Azul e branco imaculado. O calor leve do
sol e vento fresco massajando-me a face. Uma música divinal
emanada de um instrumento que não é possível reconhecer.
Não se via o chão. Na verdade não havia. Nem chão, nem céu.
Nem horizonte, nem nada próximo que pudesse agarrar. Estava
ali a flutuar, no divino conforto do prazer, que existe apenas
para satisfazer. Mas ao mesmo tempo que não tinha nenhum
medo ou desconforto que me impelisse a mover, a sair dali e
fugir se tal me apetecesse, a verdade é que também não seria
capaz. Podia bater as asas da mão, espernear, tentar nadar, dar
cambalhotas ou naturalmente andar que nada acontecia,
continuava a flutuar sem sair do lugar. Era como estar
aprisionado num espaço sem tamanho e ao mesmo tempo de
tamanho infinito.
Convenci-me.
Achei que aquilo tudo era um engano, que a venda que
tinha colocado nos olhos tinha sido um erro, e que todas
aquelas coisas que me foram oferecidas ao longo de todos
aqueles dias eram presentes envenenados, enganos dolorosos
ou incómodos confortos que, na verdade, eram muros de
caminhos que era obrigado a aceitar; a escolher (apenas).
Belisquei-me com toda a força que consegui arranjar e a dor fez
tudo desaparecer. Desapareceram todas aquelas coisas e voltei
ao ponto de partida, que pelas minhas contas era agora o sétimo
dia, sentido agora o suor já putrefacto debaixo dos meus
sovacos, da linha de cintura e do papo do pescoço, e que de
suor já tinha pouco, parecia pus e fazia bolhas quando me
mexia.

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Estava de volta. Os olhos agora já só viam negro. As


orelhas já só ouviam o roçar da venda. Tinha dado a volta ao
universo sem sair do sofá. Apeteceu-me terminar por ali aquela
experiência exotérica, que se fosse escrita (como foi), podia ser
lida e dada como lírica ou simplesmente uma falácia, ou mais
comodamente como um devaneio de um louco abandonado,
que não tendo mais nada para fazer fazia aquilo; ficar sozinho
com ele próprio e juntar-se a si mesmo para tentar descobrir a
verdade que o rato que vive na roda da gaiola jamais poderá
descobrir.
Mas não é assim tão simples. Posso-o dizer agora, neste
preciso momento de convencimento, que quem pensar isso
estará enganado, na mesma medida que julga que eu o estou.
Mas as palavras não me deixam dizer o que aconteceu dentro
de mim no momento em que o sétimo dia se fechou. Quero-
vos dizer e não consigo. Não sei que letra hei-de usar para
começar. Não sei que palavra montar e que sequência construir
para dizer essa verdade que só se pode sentir. Queria dizer-vos
mas nada consegue sair. E esta experiência exotérica, tão
exotérica quanto a minha alma ou qualquer outra, é uma
experiência tão simples de fazer, de se experimentar, mas tenho
a mais absoluta certeza que nunca mais ninguém, em toda a
história do universo (excluindo as suas repetições), a voltou a
executar. Fiquei esse sétimo dia assim, no ponto de partida, mas
ao mesmo tempo num novo mundo, porque quando retirei a
venda dos olhos e a luz do Sol me inundou com toda a potência
do universo, Eu respondi-Lhe de volta;
«Sei quem tu és e por isso sei quem eu sou. Compreendi
que as paredes que me emparedam o caminho são apenas actos
de conforto, de dor e talvez até de carinho. Mas eu não as
quero. Prefiro percorrer a planície vazia de olhos vendados».

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