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Escola Guignard

UEMG - Universidade do Estado de Minas Gerais

Domingo 01 de novembro de 2009

18/10/2009

Incêndio destrói centenas de obras de Oiticica

RIO - Um incêndio destruiu grande parte do acervo do artista plástico Hélio Oiticica
(1937-1980) que estava na casa de seu irmão, César, no Jardim Botânico, zona sul do Rio.
Segundo César Oiticica, que dirige o Projeto Hélio Oiticica, instituição criada em 1981 para
cuidar de trabalhos do artista, o acervo da casa destruída reunia mais de mil obras -
centenas foram queimadas. Ele estima a perda em US$ 200 milhões (R$ 342 mi). Não havia
seguro.

Conhecido e admirado internacionalmente, Hélio Oiticica é um dos mais importantes artistas


brasileiros do século 20. Ligado às tendências construtivas que o tornaram um dos
principais nomes do neoconcretismo entre o final dos anos 1950 e o começo dos 60, seus
trabalhos tinham ênfase entre arte e vida e pediam a participação do público.

A casa abrigava pinturas, desenhos e toda a obra concebida nos anos 1960. Parangolés,
bólides e bilaterais, um dos destaques da produção do artista, estão em estado
irrecuperável.

Os penetráveis, obras maiores de Oiticica, que integraram a exposição "Penetráveis", no


Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, no centro do Rio, permaneceram no espaço e foram
salvos. Os que estavam na casa foram destruídos parcialmente. Os desenhos foram
encontrados em bom estado.

O fogo começou por volta das 23h de sexta-feira. "Eu estava jantando com amigos quando
ouvimos um barulho estranho no primeiro andar da casa", disse César Oiticica. O Corpo de
Bombeiros chegou 20 minutos depois e só conseguiram apagar totalmente as chamas por
volta de 2h30 de sábado. As cinzas do primeiro andar estão sendo removidas para que os
danos possam ser avaliados.

> PROPOSTA: com o material recebido faça um trabalho que tenha como referência a
obra do artista. Se você não o conhecia crie a partir dos títulos de sua obra: Parangolés,
bólides, bilaterais, metaesquemas e penetráveis.

Artista plástico nascido na cidade do Rio de Janeiro em 1937, foi discípulo a partir de 1954
do artista plástico Ivan Serpa, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (Mam-RJ).
Juntamente com Serpa, Lygia Clark e Franz Weissmann, entre outros, integrou o Grupo
Frente, dentro dos princípios da arte concreta. Entre 1957 e 1958 desenvolve a série dos
metaesquemas, composições em guache sobre papel, nos quais quadrados e retângulos
recortados sobre fundo branco simulam mobilidade. Com o mesmo grupo, liga-se em 1959
ao neoconcretismo, participando de exposições em São Paulo, Rio e Salvador, inclusive na
Bienal Internacional de São Paulo.

Integrou também a representação do Brasil na exposição internacional de arte concreta


realizada em 1960 em Zurique, na Suíça. Participou das coletivas de vanguarda "Opinião
65" e "Opinião 66", "Nova Objetividade Brasileira" e "Vanguarda Brasileira", realizadas entre
1965 e 1967 no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, expondo ainda na Bienal de São Paulo
em 1957, 1959 e 1965, e na da Bahia em 1966. É o criador do termo "tropicália" -
concedido a uma instalação de sua autoria exposta no Mam-RJ em maio de 1967 - que veio
a ser adotado pelo movimento de grande influência na música popular brasileira no final da
década de 60.

Até 1959 Oiticica se conservava fiel aos veículos e suportes tradicionais da pintura.
Posteriormente, abandonando o quadro e adotado o relevo, explorou novos domínios para
chegar em seguida à arte ambiental. A partir de 1960 começa a realizar os penetráveis, que
propõem estabelecer uma relação interativa entre o observador e as cores organizadas em
forma de labirinto. Em 1961, cria seu primeiro projeto ambiental e, a partir de 1964, passa
a freqüentar a escola de samba da Mangueira, tornando-se passista da escola e integrando-
se à comunidade do morro, com a qual irá trabalhar em seguida em seus parangolés, a
primeira das manifestações ambientais do artista, utilizando capas, estandartes e tendas. A
partir daí surgem outras manifestações ambientais: uma sala de sinuca (1966), a instalação
"Tropicália’, um jardim com pássaros vivos entre plantas, lado a lado com poemas-objetos,
"Apocalipopótese" (1968), reunindo várias manifestações de outros artistas, no Aterro do
Flamengo, Rio de Janeiro. Esse conjunto de experiências serão objeto de importante
exposição realizada em 1969 na Whitechapel Gallery de Londres inaugurando, em suas
próprias palavras, "uma experiência ambiental (sensorial) limite".

Oiticica, que em 1970 tomou parte em Nova Iorque na mostra Information, organizada pelo
Museum of Modern Art (MoMA), recebeu nesse mesmo ano bolsa de estudo da Fundação
Guggenheim. Viveu nos Estados Unidos até 1978, quando regressou ao Brasil e de novo se
fixou no Rio de Janeiro, iniciando então a última fase de sua breve carreira.

Nos últimos anos, a importância de Hélio Oiticica como artista seminal dos novos
desdobramentos da arte ocidental de fins do século foi posta em destaque em exposições
internacionais realizadas entre 1992 e 1994, em Paris, Roterdã, Barcelona, Lisboa e
Mineápolis. Recebeu homenagem com uma sala especial na Bienal de São Paulo em 1994, e
suas obras integraram também as Bienais de 1996 e 1998. Ainda em 1996 foi criado no Rio
de Janeiro o Centro de Artes Hélio Oiticica, que abriga um conjunto de suas obras foram
reunidas e preservadas anos depois de sua morte, em 1980, pelo Projeto Hélio Oiticica.