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RELATÓRIO DE VISITA E AVALIAÇÃO DO ACIDENTE AMBIENTAL


NO RIO PARAÍBA DO SUL,
TRECHO ENTRE SÃO FIDÉLIS E SÃO JOÃO DA BARRA

Apresentação
A Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro – FIPERJ, apóia e
desenvolve políticas públicas para o desenvolvimento da aqüicultura e pesca,
representando o Governo do Estado do Rio de Janeiro junto ao setor pesqueiro. Vinculada
à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento, atua em todo o
estado, e trabalha com o objetivo de promover a utilização racional dos recursos aquáticos
e fomentar a pesca e aqüicultura para um público de pescadores artesanais, aqüicultores e
ribeirinhos, e suas famílias e respectivas organizações.

O Rio Paraíba do Sul


O Rio Paraíba do Sul nasce na Serra da Bocaina, no Estado de São Paulo, e
percorre um trajeto de 1120 km até a foz, em Atafona, no Norte Fluminense. A sua bacia
hidrográfica é considerada uma das três maiores do Brasil, com uma área aproximada de
57.000 km².
No Estado do Rio de Janeiro, o Rio Paraíba do Sul percorre 37 municípios, ao longo
de 500 Km de extensão. Por ser fonte de abastecimento de água para mais de 12 milhões
de habitantes da Região Metropolitana, além de fornecer pescado e ser utilizado na
agricultura e pecuária das regiões de seu entorno, o rio apresenta grande importância para
a população fluminense.
Às margens do trecho entre os municípios de Resende, Barra Mansa e Volta
Redonda, a ocupação é predominantemente industrial, encontrando-se indústrias
siderúrgicas, químicas e alimentícias. Além disso, o rio é margeado por importantes
rodovias federais, como a BR-101 (Rodovia Presidente Dutra) e BR-393 (Volta Redonda –
Três Rios) e por uma significativa malha ferroviária.

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Figura 1: Mapa do Rio Paraíba do Sul e seus afluentes nas regiões afetadas (cedido pela Superintendência
de Desenvolvimento Sustentável – SDS/Geoprocessamento da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Pesca e
Abastecimento - SEAPPA do Estado do Rio de Janeiro). Elaboração: Fabrício Pimenta da Cunha.

Histórico do acidente
Pelas características de ocupação que a Bacia do Rio Paraíba do Sul apresenta,
está sujeita a acidentes ambientais que comprometem tanto os ecossistemas como as
pessoas que deles dependem. O histórico de acidentes é antigo, vários deles não
aconteceram diretamente no Rio Paraíba do Sul, mas em seus afluentes. Diante deste
quadro já foram elaborados vários planos de Recuperação para o Rio Paraíba do Sul,
sendo que o primeiro data de 1982, através do Decreto Nº 87.561 de 13 de setembro de
1982, em anexo.
Entre os desastres ambientais citamos:
• 1982 - Vazamento da Cia. Paraibuna de Metais, com o rompimento de um dique de
contenção de rejeitos no Rio Paraibuna, que carreou resíduos de metais pesados
(cromo e cádmio) e outras substâncias tóxicas, contaminando o Rio Paraíba do Sul
desde a confluência com o Paraibuna até a foz;

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• 1984 – Acidente rodoviário em que um caminhão despejou 30 mil litros de ácido


sulfúrico no Rio Piabanha;
• 1988 – Vazamento de óleo ascarel contido em 3000 litros de água utilizada para
apagar o incêndio de transformadores na Thyssen Fundições;
• 1989 – Acidente com um caminhão tanque de metanol que despejou o produto no
rio, na altura de Barra do Piraí;
• 2003 - Vazamento de mais de 20 milhões de litros de soda cáustica no Rio Pomba,
provenientes da Indústria Cataguazes de Papel. Acidentes de menores proporções
ocorreram também em 2006 e 2007, sob a responsabilidade da mesma indústria.

Em 18 de novembro de 2008, o Rio Pirapetinga, afluente do Rio Paraíba do Sul, foi


atingido por um vazamento de produto químico. Desta vez a empresa SERVATIS S.A.,
localizada no município de Resende, foi a responsável. A empresa, fundada em 1957, se
chamava Cyanamid Química do Brasil Ltda. Em 2001, foi adquirida pela BASF S.A. e
fechou em 2005. No mesmo ano os funcionários a compraram através de empréstimo do
BNDES e rescisões contratuais, e passaram a denominá-la SERVATIS S.A. Apesar de a
empresa contar com uma moderna infra-estrutura, incluindo estação de tratamento de
efluentes, incinerador de resíduos químicos líquidos, como consta na sua página da
internet (http://www.servatis.com.br), vazaram cerca 8 mil litros de um produto chamado
Endosulfan.
O vazamento ocorreu por conta de uma falha em um dique de contenção. Conforme
divulgado pela imprensa local, um caminhão que entregava o material na empresa, onde
seria usado como matéria-prima, foi para um dique de contenção, que naquele momento
recebia também água de intensas chuvas que caíam na região. Em princípio, o dique
deveria ter retido todo o material, mas uma válvula ligada a ele estava mal fechada e
permitiu que cerca de 8 mil litros do produto chegassem ao rio Pirapetinga, e dali, ao
Paraíba do Sul. Esse dique foi construído de acordo com uma especificação antiga, e por
isso continha essa válvula.
O Endosulfan é um organoclorado, usado na produção de pesticidas e inseticidas.
Cabe ressaltar que os compostos organoclorados foram proibidos no Brasil pela Portaria
Nº 329 de setembro de 1985 (Brasil, 1985), devido a sua alta persistência e toxicidade.
Porém, ainda são utilizados em alguns segmentos industriais. O Endosulfan possui
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ecotoxidade letal para peixes expostos a concentrações menores que 0,01 ppm, sendo 10
vezes mais tóxico para peixes do que para microcrustácios (0,12 ppm).

Figura 2: Fachada da agroindústria Servatis no Município de Resende, Estado do Rio de Janeiro.

A mortandade de peixes foi o primeiro sinal de um acidente ambiental. Não há


números exatos sobre a quantidade de peixes mortos, mas os indícios levam a concluir
que este desastre foi pior do que aquele causado pela empresa Cataguazes de Papel, em
2003.
Conforme divulgado pela imprensa regional no dia 20 de novembro, as comportas
da Represa do Funil, localizada em Itatiaia, foram abertas para ajudar na diluição do
Endosulfan. Com o aumento da vazão da água o produto foi levado pela correnteza de
Resende para as cidades de Barra Mansa e Volta Redonda, atingindo as regiões Norte e
Noroeste do estado, após uma semana. Como a quantidade do produto que vazou foi

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elevada e a sensibilidade dos peixes é maior que a de outros organismos, a taxa de


mortalidade foi alta, desde o local do acidente até a foz do rio.
No primeiro momento a empresa divulgou que vazaram 1.500 litros da substância, e
ainda informou que o Endosulfan, ao entrar em contato com a água, sofre hidrólise
(decomposição pela água), não oferecendo risco de contaminação aos seres humanos.
Apesar disso, constam nas informações técnicas sobre o produto que o mesmo tem efeitos
adversos à saúde humana.
Entre outras adversidades, o Endosulfan causa problemas neurológicos
(hiperirritabilidade, convulsões, dor de cabeça, vertigem), irritação na pele, nos olhos, no
trato respiratório, além de problemas no fígado e rins. Em termos ambientais, o produto
também é tóxico. As orientações técnicas informam que ao acontecer um vazamento do
produto em cursos de água, deve-se interromper a captação para o consumo humano e
animal e contactar o órgão ambiental responsável.
Nesse sentido, a captação de água foi interrompida tanto pela CEDAE quanto pelas
Concessionárias, sendo que vários municípios tiveram o abastecimento de água
comprometido. Em Campos dos Goytacazes a captação de água foi paralisada no dia 26
de novembro, portanto, 9 dias após o acidente.
A Secretaria Estadual do Ambiente – SEA, realizou uma vistoria na empresa
observando irregularidades, principalmente no armazenamento dos produtos. Na sexta
feira, dia 21 de novembro, a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente –
FEEMA, interditou a sede da SERVATIS, deixando muitos trabalhadores sem trabalhar até
que a situação se defina. A empresa foi multada em R$ 33 milhões pela Comissão
Estadual de Controle Ambiental - CECA. A SEA, a FEEMA e o IBAMA estão articulados
para elaborar os laudos sobre os impactos do acidente. A FIPERJ também está engajada
nas discussões apoiando os pescadores, haja vista os impactos extremamente danosos
sobre os organismos aquáticos, sobretudo para a população de peixes .
Os pescadores vinculados às Colônias de Pescadores, Associações de Pesca e
todos os grupos que vivem da atividade foram muito prejudicados. Cerca de uma semana
após o vazamento, os municípios do Norte e Noroeste Fluminense, como Itaocara, São
Fidelis e Campos, já sentiam os efeitos do Endosulfan, com a presença de toneladas de
peixes mortos. As principais espécies afetadas foram piabanha, curumatã, piau branco,
piau vermelho, robalo, tainha, lambari e bagre. O acidente ocorreu em plena época da
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PIRACEMA, que começou em 01 de novembro de 2008 e vai até 28 de fevereiro de 2009,


e que tem como finalidade a proteção da migração dos peixes que sobem o rio para
reproduzir. Devido a isso, a maioria dos peixes encontrados se apresentava em estágio
reprodutivo, indicando que possa haver uma quebra na reposição dos estoques
pesqueiros que povoam o Rio Paraíba do Sul. O pescado recolhido foi incinerado na
Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em Volta Redonda, pois não é recomendado que
ele seja enterrado, pelo risco de contaminação do solo e, conseqüentemente, do lençol
freático.
A FIPERJ deslocou técnicos para as regiões sul e Norte/Noroeste do estado para
acompanhar os resultados do acidente e, para dar suporte e orientação às comunidades
pesqueiras destas regiões. A seção seguinte é destinada a relatar a situação sócio-
ambiental encontrada e relatada pelos pescadores das regiões afetadas.

Acompanhamento in situ
A maioria dos pescadores artesanais e suas representações, através de presidentes
de colônias e associações, apresentou opinião muito similar a respeito do desastre
ambiental causado pelo vazamento de Endosulfan da Indústria SERVATIS no Rio Paraíba
do Sul. A preocupação com o período seguinte à piracema é grande, quando os
pescadores não mais receberão o Seguro Desemprego, pois poderão voltar a exercer a
atividade de pesca. Porém, se acredita que não haverá peixes em quantidade suficiente no
rio para a sobrevivência das comunidades pesqueiras.
A confiabilidade no consumo de pescado de água doce, mesmo que não
provenientes das áreas contaminadas, é uma outra preocupação das lideranças da pesca.
Parte da população que foi informada sobre os riscos de consumo desse pescado vai
rejeitá-lo até que resultados confiáveis sejam divulgados. Entre as espécies afetadas
existiam peixes que não eram comumente encontrados, como a carapeba, o pintado e a
pirarara, e também peixes de pesagem muito alta, não avistados há muito tempo no rio
pelos pescadores.
Com o intuito de preservar as áreas de margem do rio e suas ilhas, os pescadores
se organizaram em mutirão para realizar a limpeza dessas áreas, coletando alguns
espécimes para análises em laboratório da FEEMA e em outros possíveis laboratórios que
se interessem pelo caso, como universidades e centros de pesquisa.
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A primeira visita dos técnicos da FIPERJ nas regiões Norte e Noroeste fluminense
ocorreu no dia 26 de novembro em Campos dos Goytacazes, durante manifestação na
Praça São Salvador, em frente ao Ministério Público e do escritório do IBAMA, onde
pescadores artesanais levaram um barco guinchado a um veículo com diversas espécies
de peixes do Rio Paraíba do Sul mortas pelo organoclorado. Estiveram presentes os
presidentes das seguintes associações: Associação de Pescadores Artesanais da Lagoa
de Cima – APALC, Associação de Pescadores Artesanais do Rio Paraíba do Sul –
APARPS, e Associação de Pescadores Artesanais de Parque Prazeres – APAPP.

Figura 3: Manifestação dos pescadores na Praça São Salvador em Campos dos Goytacazes com o pescado
intoxicado, em 26 de novembro de 2008.

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Figura 4: Manifestação dos pescadores na Praça São Salvador em Campos dos Goytacazes com o pescado
intoxicado, em 26 de novembro de 2008.

Figura 5: Manifestação dos pescadores na Praça S. Salvador em Campos dos Goytacazes com o pescado
intoxicado, em 26 de novembro de 2008.

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Figura 6: Manifestação dos pescadores na Praça São Salvador em Campos dos Goytacazes com o pescado
intoxicado, em 26 de novembro de 2008.

Figura 7: Manifestação dos pescadores na Praça São Salvador em Campos dos Goytacazes com o pescado
intoxicado, em 26 de novembro de 2008.

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Figura 8: Manifestação dos pescadores na Praça São Salvador em Campos dos Goytacazes com o pescado
intoxicado, em 26 de novembro de 2008.

As lideranças da Associação de Pescadores Artesanais da Coroa Grande – APACG


e da Associação de Pescadores Artesanais de Parque Prazeres – APAPP, não foram
contatados pessoalmente, apenas por telefone, e colaboraram com esse relatório como as
demais representações da classe, apresentando as suas insatisfações e angústias em
relação ao episódio da alta mortandade de peixes e suas preocupações com o futuro do
pescador artesanal do Rio Paraíba do Sul.
O presidente da APACG sinalizou a necessidade de se capacitar o pescador
artesanal em técnicas de criação de peixes nativos em cativeiro, com doação da infra-
estrutura para se iniciar o cultivo pelos órgãos públicos, bem como a assistência técnica,
para garantir ao pescador a sua sobrevivência com a venda de pescados, diminuindo
assim a dependência das intempéries do Rio Paraíba do Sul e seus afluentes.
Assim como os demais pescadores visitados em outros municípios, os pescadores
de Campos dos Goytacazes sentiram ardência em regiões da pele que ficou em contato
com a água contaminada quando entraram no rio para coletar os peixes mortos. Também
relataram que a maioria das espécies encontradas eram matrizes e estavam prontas para

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a desova. No desembarque pesqueiro da APACG pode ser observado o cenário da


contaminação.

Figura 9: Desembarque pesqueiro da Associação de Pescadores Artesanais da Coroa Grande em Campos


dos Goytacazes durante o acidente, em 27 de novembro de 2008.

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Figura 10: Rio Paraíba do Sul na altura de Campos dos Goytacazes com diversas espécies de peixes
boiando no leito do rio, em 27 de novembro de 2008.

Todas as associações de pescadores de Campos dos Goytacazes foram


contatadas pela imprensa (rádios, jornais e televisão) para darem suas declarações sobre
a contaminação do rio Paraíba do Sul e seus efeitos para a pesca artesanal no município.
No que se refere às instituições públicas, contactaram com as associações a Analista
Ambiental do IBAMA do escritório de Campos dos Goytacazes e os técnicos da FIPERJ.
Na visita realizada pelos técnicos da FIPERJ a São Fidélis no dia 26 de novembro,
as lideranças da Colônia de Pescadores Z-21 relataram o que ocorreu nos primeiros dias
de contaminação, nos municípios de Santo Antônio de Pádua, Aperibé, Itaocara e
Cambuci, que se encontram na área de abrangência da colônia.
Segundo depoimentos, foram retiradas das margens do rio cerca de 42 espécies
nativas e exóticas afetadas pelo Endosulfan, destacando-se: dourado, tilápia, pirarara,
tambaqui, pacu, carpa-capim, carpa cabeça grande, pirapetinga, tucunaré, matrinxã,
pintado, robalo, piau-vermelho, curimatã, caximbau, tainha, duiá, piaba, lambari, sarapoa,
acará, piabanha, lagosta, piapara, peixe-rei, jundiá, mandiaçú, camarão, moréia,

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curimbatá, carapeba, urutu, cambuatá, manjuba, cumbaca, caximbau-viola, corvina, peixe-


espada, piauçu e mandi.
A quantidade de pescado morto retirado do rio foi de cerca de 4 toneladas,
transportadas em sacos plásticos e enviadas de caminhão para incineração em Volta
Redonda na Companhia Siderúrgica Nacional - CSN, segundo orientação de técnicos da
FEEMA, que descartaram a hipótese de enterrar o pescado intoxicado para evitar
contaminação do lençol freático.

Figura 11: Espécies retiradas do Rio Paraíba do Sul pelos pescadores em São Fidélis. Foto cedida pelo
presidente da Colônia Z-21.

Para evitar a contaminação de uma lagoa abastecida pelo Rio Paraíba do Sul em
São Fidélis, os pescadores fizeram uma barragem de terra com o apoio da prefeitura, para
resguardar o berçário conhecido como laguna, na região.

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Figura 12: Trator da Prefeitura de São Fidélis realizando a barragem da laguna. Foto cedida pelo presidente
da Colônia Z-21.

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Figura 13: Peixes ensacados para serem transportados em caminhão até a CSN em Volta Redonda. Foto
cedida pelo presidente da Colônia Z-21.

O presidente da Colônia de Pescadores Z-21 orientou a população e os pescadores


a não consumirem e comercializarem o pescado, através de rádios, TVs e jornais de
circulação na região, aclamando também o auxílio das comunidades na limpeza do rio.
Também em parceria com a colônia Z-21, a FIPERJ deu entrevista à rádio local e visitou
as comunidades de pescadores de São Fidélis e Cambuci coletando os dados para este
relatório e conscientizando sobre os riscos do consumo do pescado.

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Figura 14: Técnica da FIPERJ com as representações da colônia Z-21 na rádio local da cidade de São
Fidélis alertando a população a não consumir e comercializar o pescado afetado pelo endosulfan.

Figura 15: Pescadores artesanais de Cambuci visitados durante a estada dos técnicos da FIPERJ na região.

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Figura 16: Pescadores de São Fidélis retirando o pescado morto preso nas margens do Rio Paraíba do Sul.

Os pescadores da Colônia de Pescadores Z-21 reivindicam a agilidade nas análises


laboratoriais do pescado contaminado, a antecipação do pagamento do seguro-defeso, a
doação de peixes nativos para o repovoamento do Rio Paraíba do Sul e seus afluentes, a
fiscalização eficiente dos órgãos ambientais competentes nos afluentes Dois Rios, Muriaé,
Pomba e do Colégio, onde vários cardumes foram procurar refúgio, e apoio das entidades
relacionadas à pesca artesanal nas três esferas de governo.
No dia 27 de novembro, os técnicos da FIPERJ visitaram o município de São João
da Barra, sendo convidados para participarem da reunião da Prefeitura com os Secretários
de Pesca e de Meio Ambiente e seus assessores, para discutirem o relatório do impacto
ambiental e social à população pesqueira do município. A prefeitura coletou amostras de
peixes, camarão-sete barbas e caranguejos para análises nos laboratórios da FEEMA,
UENF e UFRRJ, e demonstrou grande preocupação com os efeitos a curto, médio e longo
prazo do Endosulfan no meio ambiente (ictiofauna, substratos e manguezais) e para a
economia do pescador artesanal. Relataram também que tomaram as medidas cabíveis
junto à imprensa em alertar a população.

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Figura 17: Reunião entre os Secretários de Pesca e Meio Ambiente da Prefeitura de São João da Barra e a
equipe técnica da FIPERJ, em 27 de novembro de 2008.

No mesmo dia os técnicos da FIPERJ visitaram o presidente da Colônia de


Pescadores Z-02, que relatou ter sofrido queimações na pele ao retirar os peixes mortos
das áreas afetadas no Município de Campos dos Goytacazes. Mesmo com a retirada das
40 toneladas de pescado morto enviados para a CSN, ainda restavam cerca de 20
toneladas na Ilha da Convivência, situada próximo à foz do Rio Paraíba do Sul,
pertencente ao Município de São Francisco do Itabapoana. Os pescadores que atuam na
pesca marítima, a cerca de 2 km da costa, avistaram centenas de sardinhas mortas, e
constataram a morte de uma tartaruga marinha, um golfinho e diversas espécies de peixes
marinhos, como o linguado.

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Figura 18: Diretor Técnico da FIPERJ com o Presidente da Colônia Z-02 e pescadores de São João da Barra
na Ilha da Convivência, em 27 de novembro de 2008.

Figura 19: Mortandade de peixes na Ilha da Convivência, em São Francisco do Itabapuana, em 27 de


novembro de 2008.

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Figura 20: Mortandade de peixes causada pelo vazamento de Endosulfan na Ilha da Convivência, em São
Francisco do Itabapuana, em 27 de novembro de 2008.

Figura 21: Caminhão com cerca de 5 toneladas de peixes mortos em São João da Barra, em 27 de
novembro de 2008.

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Figura 22: Diretor Técnico da FIPERJ acompanhando a saída do caminhão que transportou cerca de 5
toneladas de peixes mortos em São João da Barra, em 27 de novembro de 2008.

Como as demais Colônias de Pescadores, a Z-02 divulgou pela imprensa local o


acontecido na região, e se mostrou muito preocupada com a população, e não só com os
pescadores artesanais. O presidente da colônia relatou que além da falta de água devido à
suspensão do abastecimento, diversas famílias carentes não podem comprar outra fonte
de proteína animal e continuam pescando, ficando vulneráveis à contaminação pelo
pescado. Sugeriu ainda que pelo menos 1% dos royalties do petróleo que o Município de
Campos dos Goytacazes deveria ser direcionado ao pescador artesanal.

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Figura 23: Desembarque pesqueiro em São João da Barra, em 27 de novembro de 2008.

Outra sugestão da Colônia de Pescadores Z-02 foi a antecipação do defeso do


camarão sete-barbas, justificando que os manguezais, que servem de berçário para
diversas espécies, foram as zonas mais afetadas, onde observou-se grande mortalidade
de pós-larvas. Os manguezais devem ser repovoados com suas espécies nativas assim
como o Rio Paraíba do Sul.

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Figura 24: Barcos pesqueiros na foz do Rio Paraíba do Sul em São João da Barra, e ao fundo o manguezal
atingido, em 27 de novembro de 2008.

No dia 29 de novembro, duas equipes técnicas da FIPERJ estiveram presentes nos


municípios de São Francisco do Itabapoana e Resende. Em São Francisco do Itabapoana,
cidade com menor índice de desenvolvimento humano – IDH do Estado do Rio de Janeiro,
foi contatado o presidente da Colônia de Pescadores Z-01, que também fez apelo através
da rádio local para que autoridades retirassem o pescado deteriorado das praias e
manguezais do município. Revoltado, o presidente da colônia disse que até a visita da
FIPERJ não havia recebido apoio de outras instituições.

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Figura 25: Vista da Ilha da Convivência, em São Francisco do Itabapoana, em 29 de novembro de 2008.

Figura 26: Presidente da Colônia Z-01 de Gargaú, em São Francisco do Itabapoana, na frente do prédio da
colônia.

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O presidente da Colônia de Pescadores Z 01 salientou a necessidade do


repovoamento do Rio Paraíba do Sul, e que deveriam ser proibidas as instalações de
indústrias de produtos químicos, potencialmente agressores aos organismos aquáticos, à
beira de um manancial hídrico de suma importância para o Estado do Rio de Janeiro.
Ressaltou ainda que as demais indústrias de produtos químicos, que se encontrem à beira
de rios, como a Servatis, deveriam ser proibidas de funcionar.

Figura 27: Praia de Santa Clara no Município de São Francisco do Itabapoana, em 29 de novembro de 2008.

No mesmo dia, no Município de Rezende, o Diretor-Presidente da FIPERJ foi ao


encontro do Presidente da Colônia de Pescadores Z-25, onde visitou as margens dos rios
Pirapetinga e Paraíba do Sul para discutirem os acontecimentos do desastre ambiental.

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Figura 28: Peixes mortos no Rio Paraíba do Sul, no Município de Barra Mansa, em 29 de novembro de 2008.

Figura 29: Peixes mortos no Rio Paraíba do Sul, no Município de Resende, em 29 de novembro de 2008.

O presidente da Colônia de Pescadores Z-25 questionou o licenciamento da


SERVATIS, citando a proximidade de 100 metros de distância entre agroindústria e a
margem do leito do Rio Pirapetinga. Relatou ainda, que a Usina Hidrelétrica do Funil, de
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FURNAS, abriu suas comportas para aumentar o nível e a correnteza das águas do rio
para dissipar mais rápido o organoclorado, e que além de espécies de peixes também
foram encontrados mortos jacarés, capivaras e rato do banhado. Segundo pescadores
locais, deve ser feito um trabalho de educação ambiental com as comunidades do entorno
dos rios, iniciando-se pelas escolas.

Figura 30: Presidente da Colônia Z-25 às margens do Rio Paraíba do Sul no Município de Porto Real, em 29
de novembro de 2008.

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Figura 31: Empresa instalada 25 às margens do Rio Paraíba do Sul no Município de Resende com potencial
poluidor, em 29 de novembro de 2008.

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Figura 32: Pescado deteriorado às margens do Rio Paraíba do Sul no Município de Quatis, em 29 de
novembro de 2008.

De acordo com as informações apresentadas na tabela a seguir, das sete


representações de pescadores, foram retirados pelo menos 94 toneladas de pescado, que
afetarão diretamente 3.710 pescadores artesanais da região que dependem da
piscosidade do Rio Paraíba do Sul para o sustento de suas famílias.

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Tabela 1: Informações fornecidas pelas representações de pescadores dos municípios afetados pelo vazamento de Endosulfan proveniente
da Indústria Servatis.
Número de pescadores artesanais Quantidade de pescados
Representações de Municípios de abrangência das
Presidência vinculados às representações de coletados, segundo as
pescadores representações de pescadores
pesca, afetados pelo acidente representações de pescadores
Colônia de Pescadores Joacy Ferreira São Fidélis, Cambuci, Itaocara, Aperibé,
600 4 toneladas
Z 21 Gonçalves Santo Antônio de Pádua e Cantagalo

Associação de
Pescadores Artesanais Jorge
Campos dos Goytacazes 100 -
do Rio Paraíba do Sul Carvalho Cruz
APARPS

Associação de
Elenílson
Pescadores Artesanais
Espírito Santo Campos dos Goytacazes 120 -
da Coroa Grande
Dias
APACG

Associação de
Pescadores Artesanais Waldemir
Campos dos Goytacazes 140 -
de Parque dos Prazeres Alves
APAPP

Colônia de Pescadores Willian da


São João da Barra 1100 40 toneladas
Z 02 Silva Pereira

Colônia de Pescadores José Geraldo


São Francisco do Itabapoana 1600 50 toneladas
Z 01 Soares
Roberto Resende, Porto Real, Quatis, Barra
Colônia de Pescadores
Rodrigues Mansa, Volta Redonda, Pinheiral, Barra 50 -
Z 25
Rocha do Piraí e Piraí

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Sugestões dos pescadores


Algumas medidas de emergência para amenizar os efeitos da devastação foram
sugeridas pelos pescadores, e estão sintetizadas abaixo:
• Repovoamento com estudo da ictiofauna e cadeia trófica do Rio Paraíba do
Sul e seus afluentes, com espécies de peixes nativos;
• Aumento do período de defeso (piracema) dos peixes e do seguro-defeso
pago pelo Ministério do Trabalho, para garantir a recuperação dos estoques
pesqueiros e sobrevivência das comunidades de pescadores;
• Agilidade no diagnóstico da ictiofauna afetada, contemplando a identificação
das espécies encontradas mortas e análise da qualidade do pescado para
fins de liberação para consumo humano;
• Reversão de parte da multa a ser paga pela empresa agroquímica Servatis
para benefícios ou indenização aos pescadores, diferente do que ocorreu no
último desastre ecológico no Rio Paraíba do Sul pela indústria de papéis
Cataguazes;
• Capacitação e assistência técnica e extensão em piscicultura para
pescadores;
• Fiscalização contínua e eficiente nos afluentes do Rio Paraíba do Sul;
• Repasse de recursos de royalties do petróleo para os pescadores artesanais
atingidos.

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Recomendações da FIPERJ
Do cenário deste acidente, nunca antes presenciado pelas comunidades pesqueiras
do Rio Paraíba do Sul, conclui-se que o tempo de recuperação do meio ambiente diante
do altíssimo impacto a que foi submetido é difícil de ser mensurado. A economia local que
depende da produção de pescado e o turismo serão certamente afetados nas regiões,
bem como a saúde pública da população, que de algum modo teve contato com a
contaminação seja pelo uso da água ou consumo desse pescado.

A FIPERJ sugere algumas ações para mitigar os efeitos do acidente:


• Aperfeiçoamento da fiscalização de renovação das Licenças de Operação
das indústrias ao longo da bacia hidrográfica do Paraíba do Sul.
• Extensão do peíodo de defeso.
• Atendimento dos pescadores diretamente prejudicados pelo acidente, através
da implementação de programas governamentais de segurança social
familiar.
• Implantação de estações de monitoramento sistemático da qualidade da
água, distribuídas ao longo do Rio Paraíba do Sul e seus afluentes;
• Alocação de recursos emergenciais do Fundo Estadual de Controle
Ambiental – FECAM, especificamente direcionados para a criação de uma
rede integrada de estações de reprodução de peixes, incluindo a
reestruturação e a adequação das unidades e centros de produção de
alevinos atualmente existentes para produção de espécies nativas do Rio
Paraíba do Sul, visando um esforço contínuo para reforço de povoamento.
• PRINCIPAIS CENTROS DE REPRODUÇÃO DE PEIXES ATUALMENTE
EXISTENTES NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO:

1. Estação Experimental de Aqüicultura Interior – FIPERJ, localizada em


Campos dos Goytacazes;
2. Estação de Piscicultura de Santo Antônio de Pádua – município
3. Estação de Piscicultura de Casimiro de Abreu – município

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4. Centro de Treinamento em Aqüicultura do Sul Fluminense, em Rio das Flores


– EMATER-RIO e Prefeitura de Rio das Flores;
5. Colégio Agrícola Ildefonso Bastos Borges, em Bom J. Itabapoana - UFF;
6. Colégio Agrícola Nilo Peçanha, em Pinheral - UFF;
7. Demais estações de produção de alevinos do Estado do Rio de Janeiro.

Figura 33: Placa à beira do Rio Paraíba do Sul no Município de Resende, em 29 de novembro de 2008.

FIPERJ – Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro


Estado do Rio de Janeiro, 12 de dezembro de 2008.

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