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Olá José Saro!

Como “andorinha” em processo de aprendizagem na arte de voar pelas Bibliotecas


Escolares que me foram atribuídas, optei por comentar o teu trabalho. As razões da minha
escolha prenderam-se com o facto de sentir ainda alguma insegurança nas apreciações e/ou
percepções que tenho das BE que acompanho, visto que ainda não há dois meses que
desempenho as funções de CIBE e, consequentemente, não conheço profundamente os
contextos onde se inserem as BE (as que ainda não conhecia) nem o trabalho que aí é
desenvolvido. Assim, quis saber se as minhas conclusões diferiam muito das dos colegas com
vasta experiência no terreno, e tu foste o eleito!
Faço apenas um breve comentário a cada domínio e apresentarei uma pequena conclusão
final.
Competências do professor bibliotecário:
Neste ponto, parece-me que os pontos que referes como fraquezas (formação, liderança,
voluntarismo) são, de facto, factores que têm de ser melhorados para que o Professor
Bibliotecário possa desempenhar um trabalho de qualidade e atingir, com rigor, os objectivos da
BE. Contudo, alguns PB ainda mostram bastante resistência à mudança e ainda não criaram os
referidos hábitos de trabalho colaborativo. Assim, o trabalho dos Grupos de Trabalho Concelhios
tem um papel decisivo na implementação desse trabalho colaborativo entre os PB através da
troca de experiências, reflexões e planificação conjunta de várias actividades. Criando esses
hábitos de trabalho dentro dos GTC, o PB sentir-se-á, provavelmente, mais à-vontade para
adoptar o mesmo procedimentos com a equipa da(s) sua(s) BE e com os docentes em geral.
Organização e Gestão da BE:
Neste domínio, penso que a referência feita à “definição de áreas prioritárias como a
formação do utilizador” é fundamental. Tal como outros colegas referiram, os “dias
comemorativos” não são, nem devem ser, as prioridades das BE. Será através de uma verdadeira
e contínua formação de utilizadores que se conseguirá fazer que os alunos sejam verdadeiros
produtores de conhecimento. Essa formação de utilizadores não deverá ser pontual e todos os
docentes deveriam implementar estratégias/metodologias comuns nesse âmbito em contexto de
sala de aula. Para que esse trabalho seja conseguido, há que implementar o já referido trabalho
colaborativo, que será conseguido mais facilmente superando as fraquezas referidas (“pouca
valorização, fraca formação técnica e, principalmente, desconhecimento dos directores”) através
da definição de um Plano de Acção para a Escola e/ou Agrupamento.
Gestão da Colecção:
O reconhecimento das carências e a necessidade de avaliar a colecção constituem um
bom ponto de partida para uma boa gestão da colecção. Contudo, tal como referes, há que
receber a colaboração de todos através de processos de auscultação, para que se proceda ao
levantamento das necessidades, de acordo com o perfil dos utilizadores da BE. Para que se
consiga o referido acervo adequado aos utilizadores e com variedade de suportes, é
imprescindível que todas as BE tenham o seu orçamento anual.
A BE como espaço de conhecimento e aprendizagem. Trabalho colaborativo e articulado
com Departamentos e docentes:
Gostei bastante da referência a “planificação em soma e não em articulação” como uma
das ameaças neste domínio, pois considero ser um verdadeiro retrato do que se passa na maioria
das escolas em relação a este domínio. Como identificas, e muito bem, como acções a
implementar, a definição de conceitos e a identificação de boas práticas poderá ser um bom ponto
de partida para o desenvolvimento de um verdadeiro trabalho colaborativo e articulado com os
Departamentos e docentes.
Formação para a leitura e para as literacias / BE e os novos ambientes:
Também nestes domínios acrescentaria a definição de conceitos como acções a
implementar, face ao desconhecimento dos pressupostos deste domínio. Essa definição seria
possível através do referido Plano de Acção/Formação para utilizadores: professores, alunos e
comunidade, para que se fomentasse uma verdadeira articulação entre os diversos parceiros.
Gestão de evidências/ avaliação:
Começar de novo com um espírito de aberto ao erro e à melhoria. Não poderia concordar
mais com esta afirmação. Só assim será possível definir o tão referido Plano de Acção adequado
a cada realidade e ao actual contexto de mudança.
Por fim, gostaria de referir que apreciei a abordagem que fizeste no teu trabalho. Penso
poder concluir que a realidade que apresentas não diverge muito da que apresentei no meu
trabalho. Assim, poderemos ser nós, CIBEs, também verdadeiros agentes do trabalho
colaborativo, através da troca de experiências e boas práticas, para que possamos ser um bom
exemplo para as BE que acompanhamos e para que possamos prestar um apoio cada vez melhor
às “nossas” BE, para que superem todas as dificuldades/desafios que este contexto de mudança
lhes coloca.

Isabel Marques