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XIV Congreso Internacional del CLAD sobre la Reforma del Estado y de la Administración Pública, Salvador de Bahia, Brasil, 27 - 30 oct.

2009

Tecnologia da informação verde: o que podem fazer os governos para reduzir


o impacto ambiental das tecnologias da informação e comunicação

Rafael Setúbal Arantes

1. Uso do Poder de Compra do Estado para a indução da Eficiência Energética dos


Bens e Serviços de Tecnologia da Informação – TI Verde
As tecnologias da informação e comunicação - TIC representam um grande avanço na
proteção ao meio ambiente, tendo em vista que são muito menos poluentes do que o uso
dos meios tradicionais para armazenar, gerenciar e transportar informações e bens. Com as
tecnologias da informação, aperfeiçoa-se a gestão de processos, primando pela redução de
custos e a diminuição dos recursos materiais necessários à sua execução. Evita-se ou reduz
consideravelmente a necessidade de deslocamento de pessoas, diminuindo assim a emissão
de poluentes dos meios de transporte.

Entretanto, ao mesmo tempo em que reduz o impacto ambiental de processos, os bens e


serviços de TIC geram danos ambientais em função de seus processos de fabricação e de
descarte dos equipamentos obsoletos ou irrecuperáveis e do aumento dos níveis de
consumo de energia elétrica com a sua utilização.

A APEL - Gestão de Projetos esclarece que:


“enquanto um veículo consome duas vezes seu peso em matérias primas e insumos, um
microcomputador com periféricos e peso médio de 24 quilos demanda nada menos do que
1,8 tonelada em recursos naturais e peças para ser fabricado.

O processo de produção do microcomputador exige 10 vezes seu peso em combustíveis


fósseis e 1,5 mil litros de água para ser concluído. Apenas um chip de memória randômica
consome 1,7 quilos de combustível fóssil ou inacreditáveis 400 vezes seu peso.

Os computadores apresentam partes e peças com metais pesados (chumbo, mercúrio,


cádmio, arsênico) que, uma vez lançados em aterros, contaminam lençóis freáticos e
expõem as pessoas a riscos de envenenamento. Mesmo metais leves como o belírio,
presentes nas ligas de metal, também apresentam alto índice de toxicidade.

Outros elementos perigosos são os fios de PVC e retardantes de chamas (chamados BRT).
Todos esses componentes estão presentes na produção de micros, aparelhos celulares,
televisores e baterias. Em busca de estabelecer os três Rs fundamentais da sustentabilidade
(Reduzir, Reutilizar e Reciclar), a Febraban espera que o workshop sirva para produzir idéias
e propor medidas que ajudem a atenuar a questão”1.

A IBM, por sua vez, ressalta que:


“Os CIOs devem perceber gradualmente que TI verde não é só equipamento, mas sim a
forma de gestão de desempenho do hardware e mesmo serviços agregados capazes de
trazer, por exemplo, economia com energia.
1
http://www.convergenciadigital.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=12675&sid=16.
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Os datacenteres consomem atualmente o dobro de energia de cinco anos atrás. Esse


volume deverá dobrar novamente nos próximos quatro anos.

Ao longo da próxima década o número de servidores deverá crescer em seis vezes,


enquanto o de storage deverá ser 69 vezes superior ao volume registrado hoje. Isso
representa um incremento notável no consumo de energia caso nenhuma ação preventiva
seja realizada.

Entre as etapas e serviços para a criação de um data center verde estão análise da eficiência
energética, estabelecimento de métricas para comparação e criação de estratégia de
consolidação.

A idéia do Big Green é adicionar novos produtos e serviços que reduzam o consumo de
energia nos data centers da IBM e de seus clientes”2.

Pode-se constar, portanto, que o uso progressivo de TIC e interconexão de computadores


em rede têm gerado expansão da demanda de energia, principalmente nos grandes centros
urbanos. É importante lembrar ainda que o desenvolvimento econômico e social e a inclusão
digital das camadas mais pobres da população pressionarão ainda mais a demanda de infra-
estrutura de TIC e de energia.

O pesquisador da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp, Gilberto Januzzi


esclarece que “Não existe geração de energia sem impacto ambiental. Esse impacto só será
reduzido, se diminuirmos o consumo”3.

A redução dos níveis de consumo de energia torna-se uma das prioridades de governo, tanto
pelos gastos que acarreta, quanto pelos impactos ambientais. Não é preciso lembrar que em
passado recente o Brasil sofreu a ameaça de apagão elétrico, tendo realizado política de
racionamento de energia.

É no sentido de evitar nova crise energética e reduzir o impacto ambiental dos produtos
eletro-eletrônicos que “o Governo Federal tem conduzido medidas importantes para
promover a efetividade da Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia, a
que faz menção a Lei no 10.295, de 17 de outubro de 2001. De acordo com nota do
Ministério de Minas e Energia, várias são as ações especificamente voltadas para assegurar
a conservação dos recursos energéticos e a eficiência indispensáveis à utilização desses
recursos, com ganhos significativos para a preservação do meio ambiente. Dentre essas
ações, merecem especial destaque:

• Programa Brasileiro de Etiquetagem – PBE: promove a conservação de energia por


meio da Etiqueta Nacional de Conservação de Energia - ENCE, a qual provê informações ao
consumidor quanto à eficiência energética dos principais equipamentos consumidores de
energia no país. O PBE é coordenado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e
Qualidade Industrial  INMETRO;

2
http://computerworld.uol.com.br/negocios/2007/09/12/idgnoticia.2007-09-12.0352255334
3
http://www.comciencia.br/reportagens/2004/12/12.shtml. 15 de julho de 2009
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• Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica - PROCEL: promove a


conservação de energia elétrica junto aos setores industrial, de saneamento ambiental,
público, residencial etc., além de medidas estruturais educacionais, de comunicação e
marketing. O PROCEL, cuja Secretaria-Executiva é exercida pela Eletrobrás, é coordenado
pelo Ministério de Minas e Energia  MME;
• Programa Nacional de Racionalização do Uso dos Derivados do Petróleo e do Gás
Natural – CONPET: promove o uso racional de combustíveis fósseis por meio de ações junto
aos setores de transportes de cargas e passageiros, industrial e agropecuário, além de
medidas estruturais educacionais, de comunicação e marketing. O CONPET, cuja Secretaria-
Executiva é exercida pela Petrobras, é coordenado pelo Ministério de Minas e Energia 
MME;
• Selo de Eficiência Energética: instituído por Decreto Presidencial de 8 de dezembro de
1993, o Selo reconhece, por meio de diploma ou similar, os equipamentos que apresentam
os melhores níveis de eficiência energética;
• Lei no 9.991, de 24 de julho de 2000: dispõe sobre realização de investimentos em
eficiência energética por parte das empresas distribuidoras de energia elétrica; e
• Lei no 10.295, de 17 de outubro de 2001 – chamada Lei de Eficiência Energética:
dispõe sobre a Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia, que visa à
alocação eficiente de recursos energéticos e a preservação do meio ambiente. No escopo
dessa Lei, são estabelecidos índices mínimos de eficiência energética para equipamentos
consumidores de energia e para edificações”.

Entretanto, em que pese a relevância dessas ações, percebe-se a necessidade premente de


que os governos estabeleçam medidas adicionais de indução da redução do impacto
ambiental dos bens e serviços de Tecnologia da Informação, em que discutiremos aqui o uso
do poder de compra do Estado como instrumento de indução à eficiência energética desses
bens e serviços.

O Uso do Poder de Compra do Estado como instrumento de desenvolvimento sustentável é


uma política relativamente recente no Brasil. Embora existissem experiências pontuais em
determinados setores da economia ou grupos hiposuficientes, como na área de informática e
automação (Lei n° 8.112, de 1991), e para o apoio a entidades de portadores de deficiência e
ex-presidiários (Lei n° 8.666, de 1993, art. 24, incisos XIII e XX), é só a partir de dezembro de
2006, com a publicação da Lei Complementar n° 123 (Lei Geral das Microempresas e
Empresas de Pequeno Porte – MPE’s), que o Brasil estabelece uma política consistente de
uso do poder de compra do Estado, tendo como principal público alvo as microempresas e
empresas de pequeno porte.

Esclarecemos que, de acordo com definição do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e


Comércio, o uso do poder de compra do Estado significa:

“Direcionar a demanda por bens e serviços do Estado para desenvolver a economia local,
micros e pequenas empresas e setores sensíveis da economia ou de interesse estratégico,
gerando emprego e renda e primando pelo desenvolvimento econômico sustentável”.

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Justifica-se essa nova política quando se constata que o direcionamento do poder de compra
do Estado, por sua própria natureza e flexibilidade, tem todos os atributos necessários para
gerar impacto na competitividade industrial e tecnológica, já que o Estado, enquanto
consumidor em grande escala de bens e serviços, está em posição ideal para implantação
de sistema de indução de produtividade, controle de qualidade, e transferência de tecnologia.

Assim, na medida em que o Estado, enquanto grande consumidor de bens e serviços, passa
a exigir nas suas contratações que os bens fornecidos estejam dentro de padrões de
eficiência energética, faz com que o setor produtivo se adapte a essas exigências, já que
essa se torna uma condição imprescindível para a participação no mercado das compras
públicas.

É nesse sentido que vários países do mundo vêm implementando o uso do poder de compra
do Estado, para diversos fins, sendo a proteção ao meio ambiente um dos objetivos
consagrados internacionalmente, já que as compras verdes, como são conhecidas, têm se
mostrado um fator de indução de novos mercados de tecnologias de menor impacto
ambiental, e sinalizam para as empresas a necessidade de adaptação de seus processos
produtivos aos novos padrões ambientais, sob pena de exclusão do mercado das compras
públicas e perda da competitividade internacional.

Nos últimos anos, têm-se multiplicado as experiências de compras sustentáveis em âmbito


internacional e nacional, especialmente visando atender aos acordos e recomendações das
Conferências das Nações Unidas relacionadas ao Meio Ambiente e ao Desenvolvimento Hu-
mano. No plano internacional as iniciativas de licitações sustentáveis foram introduzidas, ini-
cialmente, como programas de adoção de boas práticas ambientais, entre elas o acesso às
informações sobre produtos e serviços sustentáveis, mecanismos legais para garantir a pre-
ferência aos produtos sustentáveis e a capacitação dos agentes públicos.

Como exemplo dessa política, trazemos as justificativas e orientações para as contratações


públicas sustentáveis apresentadas no manual de compras públicas do Governo dos Estados
Unidos da América1 (FAR):

“Preço: Há uma percepção de que os produtos sustentáveis são mais caros do que as
alternativas convencionais. Isto é verdadeiro em alguns casos, particularmente onde o custo
do desenvolvimento se reflete no preço; entretanto, freqüentemente não há nenhuma
diferença significativa. O problema real pode simplesmente ser que os produtos estão sendo
requisitados em quantidades pequenas, ou não estão disponíveis localmente.

Às vezes um produto sustentável pode ter um preço de compra um pouco mais elevado, mas
custa menos sobre sua existência. Por exemplo, uma alternativa não tóxica a um produto
tóxico custará menos ao transporte, armazenagem, seguro, e descarte. Requererá poucas
licenças, menos treinamento para a equipe de funcionários, e as conseqüências de um
acidente serão significativamente reduzidas.

Similarmente, um produto que use menos embalagens e que seja facilmente reciclado ou

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reutilizável carrega um custo mais baixo de eliminação/descarte.


Falta do compromisso incorporado: Para que uma organização execute um programa de
compras sustentáveis, deve ter o compromisso de todos os níveis, inclusive da gerência
superior e dos agentes. Uma indicação de política que esboça o compromisso incorporado
para compras sustentáveis pode ajudar.

Conhecimento insuficiente: Muitas organizações desconhecem o conceito de licitações


sustentáveis ou as opções disponíveis. Para que uma organização participe, deve ter uma
compreensão dos conceitos, do vocabulário e dos termos.

Disponibilidade: Freqüentemente, os distribuidores locais não estocam produtos verdes, ou o


fazem somente em pequenas quantidades. Isto pode acarretar em atraso na obtenção do
produto. A demanda crescente do mercado ajudará a superar este obstáculo.

Nenhuma alternativa aceitável: Uma outra barreira às compras públicas sustentáveis pode
ser simplesmente uma falta de alternativas aceitáveis ao produto atual. O aumento da
demanda estimula o desenvolvimento de novos e melhores produtos “verdes”.

Nenhuma especificação: É importante que os fornecedores estejam preparados para


fornecer as especificações ambientais dos produtos que estão oferecendo. Os compradores,
na mesma maneira, devem claramente definir suas necessidades e exigências.

Comprando hábitos: a mudança de comportamentos e quebra de paradigmas podem ser


uma postura mental difícil de superar”.

No Brasil, não obstante os compromissos assumidos e a importância de algumas


experiências, as iniciativas dos governos federal, estaduais e municipais são ainda tímidas,
dispersas, e carecem de sistematização e conjugação de esforços para serem multiplicadas
em larga escala, preservando as condições de isonomia entre os entes da Federação frente
aos interesses dos agentes de mercado.

Destaca-se que o uso do poder de compra do Estado representa um novo paradigma nas
compras públicas brasileiras. Originalmente, o processo de compra pública tinha como
objetivos exclusivos a obtenção da melhor relação custo-benefício (eficiência, eficácia e
economicidade), e a garantia do maior controle possível (publicidade, vinculação ao
instrumento convocatório, e rigidez formal dos procedimentos).

Podemos denominar esse paradigma de paradigma da Eficiência/controle, tendo sido


constituído pela junção da Lei nº 8.666, de 1993 (Lei Geral das Licitações), cujo foco era o
controle das licitações, tendo como fundamento teórico o modelo burocrático weberiano (foco
nos processos e rigidez procedimental), e da Lei nº 10.520, de 2002 (Lei do Pregão), que
tem como fundamento o modelo gerencial de administração pública, na visão bresseriana4
(foco na gestão por resultados, flexibilização e modernização da Administração Pública).

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Luiz Carlos Bresser Pereira, ex-ministro da Administração e Reforma do Estado – MARE.
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Entretanto, com o fracasso do modelo neoliberal de Estado mínimo, e a necessidade de uma


ação estatal mais contundente e eficiente de intervenção no domínio econômico, surge a
necessidade de revisão do paradigma até então vigente das compras públicas. Era preciso
fortalecer e ampliar a ação do Estado, que precisava crescer para atender às novas
demandas democráticas e para assumir o papel de principal agente para o desenvolvimento
sustentável do país.

Assim, era preciso agregar às licitações a função de desenvolvimento econômico, social e


ambiental, transformando as compras públicas de uma simples área meio, cuja
responsabilidade se limitava em trazer os bens, serviços e obras necessários ao seu
funcionamento, para se transformar também em uma área finalística, fazendo das compras
públicas um instrumento de implementação de políticas públicas, já que não importava mais
apenas contratar pelas melhores condições possíveis, mas também contratar mais com
aqueles setores e grupos sociais considerados estratégicos, relevantes ou sensíveis para o
desenvolvimento sustentável do país.

O novo modelo de organização e gestão pública do Estado contemporâneo busca retomar


valores do Estado de bem-estar social, mas procura priorizar formas de intervenção
econômica indiretas, como é o caso do uso das compras públicas como instrumento de
desenvolvimento sustentável, que significa incluir considerações sociais, ambientais e de
desenvolvimento econômico nas licitações.

Percebeu-se, portanto, que a ações do Estado deveriam ser harmônicas e coesas, não
fazendo sentido que a demanda por bens, serviços e obras da Administração não
observasse os mesmos princípios e finalidades da atuação do Estado.

É importante esclarecer ainda que o novo modelo brasileiro de compras públicas que aqui se
defende, e que passa a incluir o uso do poder de compra do Estado, não entra em
contradição com o paradigma do controle e eficiência, pois no momento em que se diminuem
os custos burocráticos dos procedimentos licitatórios, facilitando a participação e o controle
social, agilizando as contratações e os pagamentos, coibindo as fraudes e desvios, e
garantindo a impessoalidade e a competição dos procedimentos licitatórios, estar-se-á,
indiretamente, favorecendo e permitindo um uso mais adequado do poder de compra do
Estado, que praticamente fica inviabilizado quando se tem procedimentos licitatórios
complexos, custosos, lentos, obscuros, ou viciados.

A partir dessa premissa, não se abdica do paradigma do controle/eficiência nas contratações,


de modo que cada vez mais o governo brasileiro tem priorizado iniciativas de governo
eletrônico nas compras governamentais, em especial o pregão eletrônico, que se tornou a
modalidade de licitação obrigatório em agosto de 2005, com a publicação do Decreto nº
5.450, 2005.

Entretanto, quanto ao resultado final da licitação, busca-se desenvolver instrumentos que


garantam um papel redistributivo às compras públicas sem que se afete a competitividade e
a economicidade das contratações.

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A opção pelas compras eletrônicas em relação aos processos tradicionais de contratação,


um dos pilares da eficiência nas compras públicas brasileiras, passa também a ser um dos
pilares da nova política do uso do poder de compra do Estado, já que com a aplicação de
recursos de tecnologia da informação nas contratações garante-se a lisura dos processos, de
modo a permitir que as políticas de indução possam alcançar resultados efetivos, com maior
flexibilidade, confiabilidade e melhor gerenciamento. E como já destacado, as tecnologias da
informação contribuem para a redução do consumo de recursos materiais dos processos em
que são aplicadas, reduzindo o gasto de papel e o deslocamento de bens e pessoas.

Embora se mantenha a preocupação com a eficiência das compras públicas, a partir da


adoção do uso do poder de compra do Estado interfere-se na lógica mercadológica, por meio
de um processo indutivo, o que em um primeiro momento pode trazer um amento de custos
das contratações públicas. Toda ação de fomento, ainda que por meio das compras públicas,
implica na necessidade de um processo de ponderação entre o papel redistributivo e
eficiência da contratação, o que é um ponto central no debate econômico, de modo que a
transformação do sistema de compras brasileiro em um instrumento redistributivo enfrenta o
desafio de provar que os benefícios da política serão maiores do que os seus custos.

Entretanto, os ganhos das políticas de redução do consumo de energia de bens e serviços


de TIC são facilmente identificáveis, por terem valor econômico, havendo justificativa clara
para que as entidades públicas compradoras implementem ações para adquirirem produtos
de menor impacto ambiental. Mas para tanto é preciso alterar a cultura de que as vantagens
econômicas de uma contratação pública são medidas apenas no momento da aquisição.
Essa cultura, historicamente arraigada no Brasil, deve ser substituída por uma que considere
o custo-benefício da contratação em relação a todo o ciclo de vida do bem, assim como as
suas externalidades positivas ou negativas, como, por exemplo, os eventuais custos com
políticas de reparação de dano ambiental que eventualmente o Estado terá que implementar
para sanar os danos ambientais desses produtos.

Contudo, a mudança de cultura esbarra, em um primeiro momento, nas normas em vigor. As


licitações públicas, como mercado regulado, obedecem ao princípio da legalidade estrita, na
visão tradicional do Direito Administrativo brasileiro, em que só é permitido ao administrador
fazer aquilo que a Lei expressamente autoriza.

Assim, ainda que existam Leis, e a própria Constituição Federal, no artigo 227, determinando
a proteção ao meio ambiente como um dos deveres do Estado, a ausência de regras
específicas para as licitações públicas tem impedido ou reduzido consideravelmente as
ações de uso do poder de compra do Estado para a proteção ao meio ambiente.

A necessidade de alteração da legislação mostra-se, portanto, imprescindível, e tem antes de


tudo o papel de induzir uma mudança cultural, já que traz segurança para o administrador,
que poderá estabelecer exigências de sustentabilidade ambiental nas licitações sem o risco
de sofrer a crítica por parte dos órgãos de controle.

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Cabe aqui esclarecer que entendemos que a alteração na legislação ora proposta poderá
ocorrer apenas no nível normativo infralegal, já que a Constituição Federal e as leis
brasileiras, em um sentido estrito, já amparam propostas normativas que tragam a exigência
da observância de critérios ambientais nas licitações, faltando apenas a regulamentação
para a orientação e o detalhamento dos procedimentos e regras a serem adotados.

Ressaltamos que o poder público tem a prerrogativa de escolher as características dos bens
e serviços que melhor atendem às suas necessidades, podendo, portanto, optar por aqueles
que tenham um menor consumo de energia elétrica, haja vista os custos indiretos com a sua
utilização e o seu impacto ambiental. É preciso apenas que o poder público justifique as
razões da sua escolha em razão do interesse público, mostrando as vantagens em termos de
funcionalidades, durabilidade, custos indiretos (consumo de energia, manutenção e
descarte), impacto ambiental etc.

Tal prerrogativa fundamenta-se no art. 3º da Lei nº 8.666, de 1993 que determina que “a
licitação destina-se a garantir o princípio da isonomia e a selecionar a proposta mais
vantajosa para a Administração (...)” (Grifos nossos).

A partir da análise do referido art. 3º, constata-se que para selecionar a proposta mais
vantajosa ao interesse público, a Administração deve em primeiro lugar selecionar os bens e
serviços cujas características atendam a esse interesse, isto é, cujas especificações sejam
adequadas tanto em termos de qualidade e funcionalidade, quanto dos princípios e deveres
do Estado, definidos na Constituição Federal.

Assim, a Administração tem o dever de selecionar os bens, serviços e obras que sejam
vantajosos em um sentido amplo, considerando não apenas o preço, mas a qualidade, custo
com a utilização e a conformidade com o dever do Estado de proteção ao meio ambiente,
que hoje se traduz em uma política de desenvolvimento sustentável, ou seja, um
desenvolvimento que garanta uma sociedade forte, saudável e justa, e que observe os
limites do meio ambiente, sem comprometer o bem estar das gerações futuras.

E não há que se falar aqui em infração ao princípio da isonomia nas licitações, já que
isonomia significa tratar os iguais como iguais e os diferentes como diferentes, na exata
medida em que se desigualam, como ensinou o grande mestre Rui Barbosa. A regra da
isonomia serve justamente para isso, evitar o tratamento igual de bens e pessoas que
estejam em uma situação de desigualdade e também evitar o tratamento diferenciado de
bens e pessoas que estejam em uma situação de igualdade.

É nesse sentido que bens, serviços e obras que observem regras e práticas de
sustentabilidade ambiental não podem ser considerados iguais a outros que desrespeitem
essas regras, até porque, ainda que o preço desses produtos seja eventualmente menor,
existirão prejuízos para a sociedade, presente e futura, transformando um pretenso menor
preço em maior no curto, médio e longo prazo.

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Assim, o uso do poder de compra do Estado representa uma mudança de perspectiva em


relação à eficiência e economicidade das compras públicas, já que até então, a eficiência e
economicidade das contratações são avaliadas a partir de uma perspectiva de curto prazo,
imediata, tendo como critério a obtenção do menor preço no momento da licitação, sem que
sejam considerados os custos decorrentes da utilização e do desfazimento dos bens.

Nesse sentido, é cada vez mais corrente na seara internacional buscar atrelar eficiência e
economicidade das compras ao conceito de “Best Value”, em que a contratação mais
econômica é alcançada por meio da obtenção da melhor relação custo-benefício,
considerando-se todo o processo de contratação, que inclui a pré-contratação (com a
seleção dos bens e materiais que são mais vantajosos para a Administração), a contratação
(em um procedimento célere, transparente, competitivo e seguro) e pós-contratação (com
uma gestão e fiscalização eficientes da contração e do patrimônio público).

Uma contratação pelo menor preço nem sempre será a contratação mais econômica quando
se verificam os custos que estão envolvidos na utilização e no desfazimento do bem, como é
o caso dos produtos que consomem energia. Produtos como esses implicarão
necessariamente em gastos adicionais com a sua utilização, e a depender do nível de
consumo de energia poderão trazer grande prejuízo ao erário e ao meio ambiente, sendo,
portanto, necessário que a Administração tome precauções para obter os produtos que
sejam mais eficientes energeticamente.

Cabe ainda analisarmos qual deve ser o papel da legislação na mudança cultural necessária
ao uso do poder de compra do Estado, já que existem duas possibilidades em um sistema
descentralizado de contratações públicas como é o caso do Governo Federal brasileiro. Em
uma primeira via, as normas podem servir apenas como um permissivo, cabendo aos
agentes públicos responsáveis pela gestão da política a tarefa de convencerem os órgão e
entidades compradores a implementarem as prerrogativas legais. A segunda via, contudo, é
quando as normas não apenas permitem mas obrigam ao administrador público que
implemente ações de uso do poder de compra do Estado.

A primeira opção traz a vantagem de ser mais flexível, passível de ser implementada
gradualmente, e não gera a rejeição da política por não ter sido imposta ao agente público.
Mas tem a desvantagem de necessitar de uma política continuada e intensiva de
conscientização, mobilização e capacitação para lograr resultados, que dificilmente
acontecem em um curto ou médio prazo.

A segunda opção tem a vantagem de forçar o administrador a se adaptar, que


necessariamente buscará se capacitar para aplicar corretamente a legislação, sob risco de
sofrer a responsabilização por descumprimento das normas. Os resultados acabam surgindo
em um curto prazo, mas tem as desvantagens de gerar a rejeição da política por parte dos
compradores públicos, o que reduz a eficácia das ações, e de ocasionar problemas de
aplicação incorreta das normas, por agentes ainda não devidamente capacitados.

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Consideramos que a experiência brasileira mostra que o melhor caminho é o da


obrigatoriedade da utilização do uso do poder de compra do Estado. Políticas de indução
baseadas apenas em ações de capacitação e conscientização têm tido um baixo índice de
eficácia no Brasil. Como exemplo, citamos o caso do Pregão eletrônico, que desde quando
surgiu, em 2000, até julho de 2005, era facultativo, mas muito pouco utilizado, já que até esta
data o pregão eletrônico representava apenas 5% de todas as licitações do governo federal,
apesar de todas as ações de incentivo e capacitação realizadas pela Secretaria de Logística
e Tecnologia da Informação, enquanto órgão central de licitações e contratos do Governo
Federal.

Entretanto, em agosto de 2005 o Governo Federal lançou o Decreto n° 5.450, de 2005,


tornando obrigatório o pregão eletrônico para a aquisição de bens e serviços comuns, o que
fez com que o pregão eletrônico passasse a ser mais de 60% de todas as licitações
realizadas no âmbito da Administração Pública Federal.

Outro exemplo que pode ser citado é o da Agenda Ambiental da Administração Pública
Federal, a A3P, que tem como premissa a ação voluntária por parte dos órgãos e entidades
públicas. Embora a Agenda tenha logrado bons resultados, algumas áreas dentro da política
de sustentabilidade ambiental ficaram praticamente esquecidas ou com ações fragmentadas
e incipientes, sem nenhum impacto efetivo. A eficiência energética nas compras públicas é
um desses casos.

É fato que as ações de eficiência energética nas compras públicas, pelo potencial de
redução de gastos e de proteção ao meio ambiente que representam, não devem ficar sob a
discricionariedade do administrador público. Mas cabe esclarecer que não se advoga aqui
que a obrigatoriedade poderá prescindir de uma política de capacitação e conscientização, já
que os riscos de descumprimento da lei em razão da rejeição cultural continuarão a existir,
sem contar que os erros e excessos na aplicação das normas deverão ser identificados e
corrigidos.

Tendo como base essas premissas, o Governo Federal está em vias de publicar um Decreto
que passará a exigir o selo de eficiência energética Procel para um conjunto de produtos,
que constarão do anexo desse futuro Decreto, nas compras públicas. A iniciativa em questão
resulta de uma parceria entre o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e do
Ministério de Minas e Energia, e até a presente data aguarda apenas a aprovação da Casa
Civil e do Presidente da República para a sua publicação.

De acordo com nota expedida pelo Ministério de Minas e Energia, a proposta de Decreto em
questão “tem por objetivo definir medidas complementares às ações inerentes à Política
Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia, no que tange à aquisição de
equipamentos, bem como à contratação de serviços de promoção da eficiência energética. O
Decreto toma como base as recomendações decorrentes do Programa Brasileiro de
Etiquetagem  PBE e dos Selos de Eficiência Energética  Selo PROCEL e Selo CONPET,
além da sistemática da celebração de contratos de desempenho.

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O Decreto irá instituir a obrigatoriedade de que, nas aquisições dos equipamentos listados no
Anexo I realizadas com recursos oriundos da Administração Pública Federal, se requeira a
qualificação com o Selo de Eficiência Energética, ou a classificação A, segundo os critérios
do PBE. Para equipamentos de iluminação e ar-condicionado ainda não contemplados pelo
PBE, instituem-se configurações mínimas obrigatórias, na forma dos Anexos II e III,
respectivamente. A atualização desses anexos será de incumbência do Ministério de Minas e
Energia. A tabela a seguir ilustra alguns exemplo do impacto da adoção desses critérios
sobre a aquisição e uso de alguns equipamentos.Tabela 1: Estimativas de economia de
energia e recursos monetários em função da aquisição de equipamentos eficientes

Lâmpada: aparelho de aparelho de


refrigerador
fluorescente ar-condicionado ar-condicionado
1 porta
compacta: 25 W ou tipo janela tipo split hi-wall
260 litros
incandescente: 100 W 10.000 BTU/h 12.000 BTU/h
equipamento com
Selo de Eficiência
920,00 15,00 1.040,00 1.490,00
Energética:
preço unitário [R$]
equipamento sem
Selo de Eficiência
870,00 2,00 1.030,00 1.440,00
Energética:
preço unitário [R$]
número de unidades
1.000 5.000 1.000 1.000
adquiridas

economia anual de
energia 84.800 540.000 370.620 165.120
[kWh/ano]
valor da energia
economizada 25.200,00 160.300,00 110.000,00 49.000,00
[R$/ano]

tempo de retorno
23 meses 4 meses 1 mês 12 meses
simples

vida útil do
60 meses 24 meses 60 meses 60 meses
equipamento

O investimento mais elevado para a aquisição de equipamentos mais eficientes encontra


retorno, em curto período de tempo, em decorrência da economia de energia. Em uma
inferência prospectiva, a aquisição de 50 mil lâmpadas fluorescentes compactas de 25 W em
substituição a lâmpadas incandescentes de 100 W levaria à economia anual de 5.500 MWh e
R$ 1,6 milhão. A diferença no custo de aquisição das lâmpadas eficientes é de R$ 650 mil, o
que permite o retorno do investimento em 4 meses.
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O requisito do Selo de Eficiência Energética ou, supletivamente, da classificação A segundo


os critérios do PBE, não traz favorecimento a marca específica de produtos listados no
Anexo I do Decreto, conforme se observa na tabela a seguir. Em todas as categorias de
produtos, com exceção de congeladores verticais frost-free, há pelo menos duas marcas que
dispõem de produtos classificados com o Selo de Eficiência Energética.

No caso único de congeladores verticais frost-free, há 16 modelos de duas marcas, dentre os


quais, 13 classificados com o Selo de Eficiência Energética. Uma das marcas dispõe de
apenas 1 modelo, enquadrado na classe D, segundo os critérios do PBE.

Tabela 2: Levantamento do número de marcas disponíveis e das marcas com Selo de


Eficiência Energética em cada categoria de produto listado no Anexo I do Decreto”

número de
número de
marcas com Selo
Categorias marcas
de Eficiência
disponíveis
Energética
aquecedor de água a gás instantâneo 18 16
coletor solar plano – aplicação banho 28 13
coletor solar plano – aplicação piscina 14 7
condicionador de ar monobloco, de janela ou parede, de
7 7
corpo único
Condicionador de ar tipo split hi-wall 33 17
congelador horizontal 7 2
congelador vertical 6 4
congelador vertical frost-free 2 1
fogão doméstico a gás com forno 19 16
fogão doméstico a gás de mesa cooktop 33 27
forno doméstico a gás 9 9
lâmpada fluorescente circular 7 2
lâmpada fluorescente compacta 65 58
lavadora de roupas automática 7 3
lavadora de roupa semi-automática 23 9
motor elétrico de indução trifásico  alto rendimento 6 5
motor elétrico de indução trifásico  padrão 6 5
reator eletromagnético para lâmpada de vapor de sódio 16 13
refrigerador combinado 8 8
refrigerador combinado frost-free 8 7
refrigerador compacto 6 4
refrigerador de uma porta 11 9
reservatório térmico para coletor solar  alta pressão 6 3
reservatório térmico para coletor solar  baixa pressão 21 16
ventilador de teto 10 5

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Os produtos dispostos pela lista anexa da minuta de Decreto em questão são aqueles que já
são avaliados em sua eficiência energética pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem e,
portanto, já seriam viáveis de serem adquiridos pela Administração. A proposta prevê ainda a
possibilidade de alteração dessa lista anexa por Portaria do Ministério de Minas e Energia,
de modo a que se possa incluir novos bens na medida em que forem sendo analisados
quanto aos níveis de consumo de energia e garantir a atualização das tecnologias de menor
consumo de energia.

É nesse sentido que em um segundo momento se objetiva a inclusão na referida lista dos
bens e serviços de TIC, assim que houver a classificação da eficiência energética desses
bens e serviços pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem – PBE.

Em outra proposta de Decreto, para substituir o Decreto nº 1.070, de 1994, que regulamenta
a contratação de bens e serviços de TIC, o Governo Federal prepara-se para exigir na fase
de habilitação, de certificações emitidas por instituições públicas ou privadas credenciadas
pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial – Inmetro, que
atestem, conforme regulamentação específica, a adequação dos seguintes requisitos:

a) segurança para o usuário e instalações;


b) compatibilidade eletromagnética; e
c) consumo de energia.

Enquanto essa política não é estendida para os bens e serviços de TIC, o Governo Federal
padronizou as especificações dos microcomputadores de mesa e portáteis, primando pela
eficiência energética, em que, como exemplo, os monitores de LCD foram selecionados
como padrão em detrimento dos monitores tradicionais, que embora mais baratos, possuem
um consumo de energia muito superior que primeiros. Essas especificações padrão podem
ser obtidas no endereço eletrônico http://www.comprasnet.gov.br/Portalcompras/tic.asp.

Conclui-se, portanto, que com as contratações públicas sustentáveis, o Estado participa do


mercado tanto como consumidor quanto como regulador, utilizando-se do poder de compra
do Estado como instrumento de justiça social e ambiental. A partir do uso do poder de com-
pra, o Estado passa a incentivar a produção de bens, serviços e obras sustentáveis, de modo
que as compras públicas tornam-se um instrumento de fomento de novos mercados, gerando
emprego e renda, e servem para preparar a economia nacional para a competição internacio-
nal em uma área considerada estratégica no novo cenário econômico mundial, conforme já
previsto no Protocolo de Kyoto.

O uso do poder de compra da Administração Pública Federal constitui importante instrumen-


to, com enormes potencialidades econômicas, sociais e políticas, podendo desempenhar um
papel de destaque na orientação dos agentes econômicos, quanto aos padrões do sistema
produtivo e do consumo de produtos e serviços ambientalmente sustentáveis, incluindo o es-
tímulo à inovação tecnológica.

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Tal fato significa que além da promoção do desenvolvimento sustentável, favorecendo a con-
servação dos recursos naturais e a qualidade do meio ambiente, será capaz de promover a
melhoria da qualidade de vida, incentivando arranjos produtivos locais, e se alinhando às di-
retrizes e prioridades das políticas públicas de combate às desigualdades sociais e regionais,
e de inclusão e geração de trabalho e renda.

2. Referência Bibliográfica
http://www.convergenciadigital.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?
infoid=12675&sid=16. 20 de julho de 2009.
http://computerworld.uol.com.br/negocios/2007/09/12/idgnoticia.2007-09-
12.0352255334/. 20 de julho de 2009.
http://www.comciencia.br/reportagens/2004/12/12.shtml. 15 de julho de 2009.

3. Resenha Biográfica
Cargo: Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental e Coordenador de
Elaboração e Orientação Normativa.

Dependência: Coordenação-Geral de Elaboração e Orientação Normativa - CGEON


Departamento de Logística e Serviços Gerais – DLSG
Secretatia de Logística e Tecnologia da Informação – SLTI
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão – MP

Endereço: Esplanada dos Ministérios, bloco C, sala 354.


Telefone: +55 61 2020 1429
E-mail: rafael.arantes@planejamento.gov.br

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