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Sistemas de Custeio

Yumara Vasconcelos

2010

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V 331s Vasconcelos, Yumara. / Sistemas de Custeio. / Yumara Vasconcelos. — Curitiba : IESDE
V 331s
Vasconcelos,
Yumara.
/
Sistemas
de
Custeio.
/
Yumara
Vasconcelos. — Curitiba : IESDE Brasil S.A., 2010.
232 p.
ISBN: 978-85-387-1250-3
1. Gestão de Custos. 2. Contabilidade de Custos. 3. Planejamento.
I. Título.
CDD 658.151

Capa: IESDE Brasil S.A.

Imagem da capa: IESDE Brasil S.A.

Todos os direitos reservados.

Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 Batel – Curitiba – PR 0800 708 88 88 – www.iesde.com.br
Batel – Curitiba – PR 0800 708 88 88 – www.iesde.com.brAl. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200

IESDE Brasil S.A.

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Yumara Vasconcelos

Yumara Vasconcelos Doutora em Administração pela Universi- dade Federal da Bahia (UFBA). Mestre em Con- tabilidade

Doutora em Administração pela Universi- dade Federal da Bahia (UFBA). Mestre em Con- tabilidade pela Fundação Visconde de Cairu (FVC). Graduada em Ciências Contábeis pela Universidade Católica de Salvador (UCSAL). Es- critora. Possui grande experiência na coordena- ção acadêmica de cursos a distância, dirigindo projetos nessa modalidade.

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Contabilidade de custos e seus conceitos básicos

13 Contabilidade de custos e seus conceitos básicos 13 | Considerações gerais 17 | Contabilidade de

13

| Considerações gerais

17

| Contabilidade de Custos e Contabilidade industrial

17

| Origem da Contabilidade de Custos

18

| Terminologia básica em Contabilidade de Custos

Custos e sua classificação

33

em Contabilidade de Custos Custos e sua classificação 33 33 | Considerações gerais 35 | Classificação

33

| Considerações gerais

35

| Classificação dos custos quanto à natureza ou identificação no objeto de custos

44

| Classificação dos custos quanto ao volume

53

| Outros conceitos e classificações

Sistemas de custeio variável e por absorção

67

| Considerações gerais

78

| Custeio variável

Técnica de rateio

89

gerais 78 | Custeio variável Técnica de rateio 89 67 89 | Considerações gerais 91 |

67

78 | Custeio variável Técnica de rateio 89 67 89 | Considerações gerais 91 | Funções

89

| Considerações gerais

91

| Funções do rateio

91

| Rateio, subjetividade e o uso de recursos estatísticos

92

| Contabilização e aplicação da técnica do rateio

97

| Influência dos custos fixos e variáveis

Custeio ABC

103

| Influência dos custos fixos e variáveis Custeio ABC 103 103 | Considerações gerais 106 |

103

| Considerações gerais

106

| Conceitos preliminares

113

| Direcionadores de custos

114

| Comentários finais sobre o custeio ABC

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sobre o custeio ABC Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais

Custo padrão

125

Custo padrão 125 125 | Considerações gerais 126 | Custo padrão: conceito, modalidades e características

125

| Considerações gerais

126

| Custo padrão: conceito, modalidades e características

130

| Análise das variações

132

| Benefícios informativos do custo padrão (gerenciais)

136

| Custo padrão e custo meta

136

| Custeio padrão

Sistemas de acumulação de custos

145

| Custeio padrão Sistemas de acumulação de custos 145 145 | Considerações gerais 149 | Sistema

145

| Considerações gerais

149

| Sistema de acumulação por ordem

153

| Sistema de acumulação por processo

Custos para tomada de decisão: margem de contribuição

161

Custos para tomada de decisão: margem de contribuição 161 161 | Considerações gerais 163 | Índice

161

| Considerações gerais

163

| Índice de margem de contribuição

166

| Aplicações gerenciais do conceito

167

| Margens de contribuição e limitação da capacidade produtiva

169

| Margens de contribuição e gastos fixos identificados

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177

Custos para tomada de decisão: ponto de equilíbrio

177 Custos para tomada de decisão: ponto de equilíbrio 177 | Considerações gerais 178 | Ponto

177

| Considerações gerais

178

| Ponto de equilíbrio

189

| Aplicações do conceito de ponto de equilíbrio

193

| Restrições da análise do ponto de equilíbrio

194

| Medidas complementares à análise do ponto de equilíbrio

Custos: aplicação em decisões táticas

205

de equilíbrio Custos: aplicação em decisões táticas 205 205 | Considerações gerais 206 | Análise

205

| Considerações gerais

206

| Análise diferencial

208

| Situações gerenciais

216

| Medidas importantes para análises de curto prazo

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de curto prazo Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações
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Sistemas de Custeio

Apresentação

Sistemas de Custeio Apresentação Sistemas de Custeio é um livro que trata de temas importantes relacionados

Sistemas de Custeio é um livro que trata de temas importantes relacionados à gestão e Contabilidade de Custos. Corresponde a uma obra didática, com linguagem objetiva, voltada para o suporte ao pro- cesso decisório e implementação de sistemas de custeio. Ao longo dos capítulos foram realizadas revi- sões de literatura (conteúdo técnico) com vistas a apresentar o status dos assuntos abordados em cada um deles. Buscou-se no preparo destes, clare-

za didática, qualidade do referencial teórico e profun- didade de abordagem

A obra compõe-se por dez capítulos.

O primeiro capítulo apresenta os conceitos básicos relacionados à Contabilidade de Custos. Trata-se de um capítulo-base; dito de outra forma, de referência. Nele, inicialmente, conceitua-se Con- tabilidade de Custos, destacando-se a diferença

entre ela e outras especialidades da Contabilida- de. O capítulo mostra ainda o histórico da Conta- bilidade de Custos e a terminologia usualmente empregada.

O segundo capítulo traz as diferentes classifica-

ções usadas para categorizar os custos, enfatizan- do a importância de cada uma para o processo de custeamento e de tomada de decisão. Trata-se de um capítulo rico em exemplos de custos. O terceiro capítulo destaca dois dos principais sistemas de custeio, por absorção e variável, des-

tacando as diferenças entre eles e os reflexos da adoção destes para a qualificação da informação gerencial e, consequentemente, para o processo decisório. O destaque deste capítulo é a explicação detalhada sobre a prática de contabilização dos custos.

O quarto capítulo apresenta a técnica de rateio

(conceito, funções, orientação de cálculo e restri- ções). Explica aspectos de sua aplicação, detalhan- do as limitações inerentes a ela. O diferencial deste

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Sistemas de Custeio

Sistemas de Custeio capítulo é o emprego de diálogos corporativos (técnica facilitadora do processo ensino-aprendi-

capítulo é o emprego de diálogos corporativos (técnica facilitadora do processo ensino-aprendi-

zagem, visto que aproxima o leitor da realidade de mercado dos discursos empresariais) para ilustrar os problemas ocasionados pelo uso do rateio.

O quinto capítulo apresenta o custeio por ativi-

dade: conceito, diferenciais em relação aos demais, aplicação e implementação.

O sexto capítulo tem como ênfase uma impor-

tante função da análise de custos, o controle, posto que trata do custo padrão.

O sétimo capítulo apresenta de forma didática e

objetiva os sistemas de acumulação de custos (por ordem e por processo), ressaltando aspectos de sua operacionalização e principais diferenças.

O oitavo, nono e décimo capítulos são capítulos

de convergência, pois todos os conceitos apresen- tados anteriormente são apontados e utilizados ao

longo deles.

O capítulo oito traz o conceito de margem de

contribuição e suas aplicações gerenciais, medida

amplamente utilizada no dia a dia da administra- ção das entidades.

O capítulo nove apresenta o conceito de ponto

de equilíbrio e seus diferentes tipos, enfatizando a interpretação das medidas, benefícios informati-

vos e restrições de sua aplicação.

O capítulo dez se baseia na análise de situações

gerenciais, onde os conceitos e medidas apresenta- dos neste livro são utilizados de modo muito natu- ral. Trata-se de um capítulo “prático”, direcionado à vivência gerencial e, por isso, de leitura instigante. Neste trabalho buscou-se dar ênfase à análise de custos e seu suporte à prática gerencial, de pla- nejamento e controle, sem perder de vista a neces- sidade de compreender o processo de custeamen- to dos objetos de custos.

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Contabilidade de custos e seus conceitos básicos Considerações gerais A Contabilidade de Custos corresponde à

Contabilidade de custos e seus conceitos básicos

Considerações gerais

A Contabilidade de Custos corresponde à especialidade da Contabilidade que trata da gestão econômica de custos.

Leone (2000, p. 19-20) define Contabilidade de Custos:

A Contabilidade de Custos é o ramo da Contabilidade que se destina a produzir

informações para os diversos níveis gerenciais de uma entidade, como o auxílio às

funções de determinação de desempenho, de planejamento e controle das operações e

de tomada de decisões.

O autor enfatiza, nessa definição, a importância da Contabilidade de Custos para o processo de planejamento das ações na organização e respec- tivo controle, bem como o suporte ao processo decisório.

Maher (2001, p. 38) apresenta uma definição mais pragmática da Conta- bilidade de Custos:“Ramo da Contabilidade que mede, registra e relata infor- mações sobre custos.”

De fato, com o objetivo maior de adicionar valor a usuários de informa- ções contábeis, a Contabilidade de Custos desenvolve as seguintes funções:

coleta de dados, classificação, registro das operações e geração de informa- ções por meio da organização e tratamento dos dados coletados.

Os propósitos da Contabilidade de Custos são determinados com base nas necessidades sinalizadas pelos diferentes níveis gerenciais, como por exemplo:

obter o custo de cada produto, bem ou serviço;

contribuir para a determinação da rentabilidade e lucratividade do negócio;

ensejar controles operacionais em níveis diversos;

auxiliar programas de minimização de custos;

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Yumara Vasconcelos.

Contabilidade de custos e seus conceitos básicos

facilitar a alocação eficiente de recursos;

fornecer, por meio de suas informações, elementos que fundamentem o processo decisório e auxiliem na prática do planejamento.

São vários os objetos da Contabilidade de Custos, inexistindo uma quan- tidade determinada. Essa característica torna amplo o universo ou campo de atuação dessa especialidade. Leone (2000, p. 21) destaca:

Os objetos mais conhecidos são os seguintes: a entidade, como um todo, seus compo- nentes organizacionais (administrativos e operacionais), os produtos e bens que fabrica para si própria e para a venda e os serviços, faturáveis ou não, que realiza.

O objeto de custo corresponde àquilo para o qual se deseja mensurar

os custos. Dessa forma, existem outros objetos: projetos, estudos, estoques, campanhas promocionais, canais e segmentos de distribuição, atividades etc.

A Contabilidade de Custos é empregada para concretizar os objetivos de

custeio, alimentando com seus dados e informações tanto a Contabilidade Geral ou Financeira como a Contabilidade Gerencial. A diferença é que, ao fornecer dados para a Contabilidade Geral, estes devem obedecer rigorosa-

mente aos princípios da Contabilidade. As informações geradas para a Con- tabilidade Gerencial não obedecem necessariamente aos princípios. Existe liberdade na definição de critérios (figura 1).

Contabilidade de Custos

Diálogo entre os ramos
Diálogo
entre os
ramos

Obediência aos

princípios

da Contabilidade

Liberdade no uso de critérios

Contabilidade Geral

Contabilidade Gerencial

Figura 1 – Destinação dos dados e informações da Contabilidade de Custos.

A Contabilidade Gerencial engloba dados da Contabilidade de Custos ex-

clusivamente para atender às demandas informativas da administração da entidade, produzindo relatórios customizados (sob medida para o usuário).

A Contabilidade Geral ou Financeira lida com o preparo e comunica-

Geral ou Financeira lida com o preparo e comunica- 14 Este material é parte integrante do

14 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Contabilidade de custos e seus conceitos básicos

ção dos relatórios oficiais para o público externo, formado por investido- res, órgãos governamentais, bancos, enfim, toda a sociedade, cenário que requer informações baseadas em critérios uniformes, ou seja, em formatos padronizados (figura 2).

Como as necessidades de informações desse grupo de usuários externos são muitas,

e já que as informações precisam ser altamente confiáveis, o sistema de Contabilidade Financeira é projetado de acordo com regras e formatos contábeis claramente definidos

]. [

(HANSEN; MOWEN, 2001, p. 28)

A Contabilidade Gerencial traduz ou converte os dados contábeis em

informações úteis ao processo decisório, atendendo aos usuários internos. Essa característica impõe uma sistemática de trabalho mais flexível. “A conta- bilidade gerencial se preocupa especificamente com a forma como informa- ções sobre custos e outras informações financeiras e não financeiras devem ser usadas para o planejamento, controle e tomada de decisão” (HANSEN; MOWEN, 2001, p. 28).

O universo de dados com o qual a Contabilidade Gerencial lida é variado,

não se restringindo aos custos.

O emprego das informações geradas pela Contabilidade Gerencial for-

talece tecnicamente a administração, profissionalizando-a, visto que enseja um melhor aproveitamento das oportunidades de negócios.

Comissões constituídas Instituições Gestores Acionistas internamente governamentais das áreas Usuários
Comissões
constituídas
Instituições
Gestores
Acionistas
internamente
governamentais
das áreas
Usuários
Usuários
externos
internos
Credores
Grupos de
Público em geral
Proprietários
trabalho
Informações de
Demonstrações
contábeis
padronizadas em
relação ao formato.
alcance variado.
Reporte em
diferentes formatos.
Yumara Vasconcelos.

Figura 2 – Relação das especialidades com seus usuários.

As características da Contabilidade Gerencial podem variar entre as or- ganizações, pois estas são fortemente influenciadas pelas necessidades da administração.

É importante destacar que a Contabilidade de Custos integra um todo que é a Contabilidade, não possuindo autonomia como área de conhecimento.

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de conhecimento. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Yumara Vasconcelos.

Contabilidade de custos e seus conceitos básicos

Ratifica essa afirmação o fato de que, na medida em que a administra- ção emprega as demonstrações contábeis divulgadas em análises gerenciais para coordenar operações no presente e no futuro, as duas áreas sobrepõe-- se (WARREN et al., 2001). “Deve ser enfatizado que o sistema de informações da gestão de custos e o sistema de informações da Contabilidade Financeira fazem parte do sistema total de informações contábeis” (HANSEN; MOWEN, 2001, p. 28).

Os produtos gerados pelos sistemas contábeis de custos são direciona- dos tanto para a Contabilidade Geral ou Financeira como para a Contabili- dade Gerencial.

O quadro 1 esquematiza as características e os respectivos elos entre a

Contabilidade Geral, de Custos e Gerencial.

Quadro 1 – Contabilidade Geral, Gerencial, e Custos e seus elos

 

Contabilidade Geral

Ocupa-se da geração das Demonstrações Contábeis para públicos externos (acionistas, governo, credores e sociedade em geral).

As divulgações obedecem a critérios legais e aos princípios de Contabilidade.

As comunicações são restritas e pouco flexíveis em razão das exigências normativas.

Toma por base dados passados (fatos já ocorridos).

 

Contabilidade Gerencial

Ocupa-se do direcionamento dos dados contábeis à tomada de decisão.

As divulgações alcançam apenas o âmbito interno da organização, muitas vezes, restritas à ad- ministração.

Produz relatórios específicos às necessidades decisórias.

Utiliza tanto dados históricos como projetados, conforme as necessidades – flexibilidade.

O

foco é a preocupação com o futuro.

Fornece medidas objetivas relativas a operações passadas e estimativas de operações futuras (WARREN et al.; 2001).

 

Contabilidade de Custos

Alimenta com seus “produtos” (dados e informações) a Contabilidade Geral e Gerencial.

Identifica, coleta, mensura, organiza e classifica dados relativos a custos e os reporta, amparando

o

planejamento, controle organizacional e o processo de tomada de decisão.

A segregação da Contabilidade em áreas tem caráter didático e, ao mes-

mo tempo, prático, sendo essencial à compreensão do todo.

mo tempo, prático, sendo essencial à compreensão do todo. 16 Este material é parte integrante do

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Contabilidade de Custos e Contabilidade industrial

Contabilidade de custos e seus conceitos básicos

A Contabilidade aplica-se tanto à área de serviços como à área industrial.

É comum, todavia, a adoção do gênero no lugar da espécie. Como a Contabilidade de

serviços é pouco estudada e aplicada em nosso país, é habitual o uso da expressão “Contabilidade de Custos” no sentido de gastos relativos à atividade industrial somente. (FERREIRA, 2007, p.1)

De fato, a abordagem usual da Contabilidade de Custos é muito dirigida para a indústria.

A Contabilidade de Custos aplicada à área de serviços trata dos custos in-

corridos no processo de prestação de serviços; na indústria, trata dos custos vinculados à produção. A diferença reside basicamente nas características do processo. Na área de serviço o processo diz respeito à prestação de ser- viços (intangível); na indústria o processo é basicamente a produção de um bem (tangível).

Origem da Contabilidade de Custos

Antes da Revolução Industrial a Contabilidade era essencialmente finan- ceira. Com o crescimento do número de empresas industriais, os procedi- mentos contábeis tiveram que ser adaptados à nova demanda informativa.

Nas operações comerciais, os bens eram apenas revendidos, partindo-se de um custo de aquisição claramente definido.

Nas operações industriais, para suporte adequado tornava-se necessário levantar o custo unitário desse produto, gerado internamente por meio do processo produtivo.

Da adaptação e definição de procedimentos surgiu a Contabilidade de Custos. Viceconti e Neves (p. 6, 1998) destacam:

A Contabilidade de Custos, nos seus primórdios, teve como principal função a avaliação

de estoques em empresas industriais, que é um procedimento muito mais complexo do que nas comerciais, uma vez que envolve muito mais que a simples compra e revenda de

mercadorias. São feitos pagamentos a fatores de produção tais como salários, aquisições

e utilização de matérias-primas etc.

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etc. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br 17

Contabilidade de custos e seus conceitos básicos

De fato, a Contabilidade de Custos, em um primeiro momento, limitava-se à função de avaliar os estoques dessas indústrias. Com a complexidade das operações, algo próprio da evolução natural dos sistemas organizacionais, a Contabilidade evoluiu, ganhando outras funções. Os negócios cresciam em tamanho e ganhavam novas necessidades gerenciais. Até a Revolução In- dustrial (século XVIII), quase só existia a Contabilidade Financeira (ou geral), que, desenvolvida na Era Mercantilista, estava bem estruturada para servir as empresas comerciais” (MARTINS, 2001, p. 19).

Antes da revolução industrial, o procedimento de apuração do resultado (lucro ou prejuízo) de cada período era algo relativamente simples. Para fazê- -lo, bastava inventariar os estoques (operação de contagem física) e proce- der ao cálculo abaixo:

Estoque inicial

(+) Compras

(-) Estoques finais (obtido na contagem física)

=

Custo das Mercadorias vendidas (CMV)

O custo das mercadorias vendidas obtido, para atingir o resultado, era

confrontado com a receita auferida no período.

Receita de Vendas

(-) Custo das Mercadorias vendidas

(-) Despesas diversas (comerciais, administrativas, financeiras)

=

Resultado (lucro ou prejuízo)

Como se vê, o surgimento da Contabilidade de Custos foi importante porque ampliou a abordagem da Contabilidade.

O desenvolvimento da especialidade ensejou um melhor aproveitamen-

to das informações produzidas em outros campos, além do industrial (MAR- TINS, 2001).

Terminologia básica em Contabilidade de Custos

Os termos gastos, custo, despesa e perda são muito utilizados no dia a dia das organizações e, algumas vezes, muito confundidos. Conhecer a dife-

e, algumas vezes, muito confundidos. Conhecer a dife- 18 Este material é parte integrante do acervo

18 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Yumara Vasconcelos.

Contabilidade de custos e seus conceitos básicos

rença entre esses termos constitui condição essencial ao entendimento das informações gerenciais obtidas por meio da Contabilidade de Custos.

Comecemos pelo conceito mais abrangente: o de gasto.

O gasto representa um sacrifício financeiro com o qual arca a entidade

para obter um produto, bem ou serviço. Esse sacrifício é representado pela entrega de ativos ou promessa de entrega destes (geralmente dinheiro). Sig- nifica que a contrapartida de um gasto pode ser à vista ou a prazo, conforme a transação (figura 3).

Aquisição / consumo / utilização de recursos

Aquisição / consumo / utilização de recursos Gasto A prazo Aumento do “Contas a pagar”. À

Gasto

A prazo Aumento do “Contas a pagar”. À vista Diminuição do saldo de caixa. Variações
A
prazo Aumento
do “Contas a pagar”.
À vista
Diminuição
do saldo de caixa.
Variações patrimoniais
qualitativas
e quantitativas.

Figura 3 – Gastos.

Leone (2000, p. 53) conceitua gasto enfatizando o compromisso financei- ro que a entidade assume na transação (obtenção de um bem ou serviço) e a variação patrimonial resultante. “Vamos entender por gasto o compromisso financeiro assumido por uma empresa na aquisição de bens ou serviços, o que sempre resultará em uma variação patrimonial [ ].”

O conceito é amplo, aplicando-se a um universo de transações:

compra de mercadorias para revenda;

aquisição de máquinas e equipamentos;

contratação de serviços diversos;

compra de material de escritório para uso imediato etc.

Todas essas situações representam gastos. De fato, os gastos dizem res- peito à utilização ou consumo genérico de recursos (bens ou serviços).

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19

ou serviços). Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Contabilidade de custos e seus conceitos básicos

Os gastos podem ser categorizados em:

investimento;

custo;

despesa;

perda.

Investimentos

Os investimentos são gastos ativados em decorrência de seu potencial prolongado de benefícios ou mesmo sua vida útil. Esses gastos correspon- dem aos ativos de uma entidade.

Investimentos correspondem ao conjunto de meios à disposição da ad- ministração da entidade para consecução dos objetivos institucionais. Assim, são aqueles elementos patrimoniais que se traduzem em benefícios futuros esperados, direitos adquiridos.

Exemplos:

compra de matéria-prima.

A matéria-prima adquirida é inicialmente estocada para utilização futura,

portanto, enquanto permanecer em estoque será um ativo denominado de estoque de matéria-prima;

aquisição de máquinas e equipamentos, móveis e utensílios.

Esta categoria de bens é adquirida em caráter permanente, para suporte às atividades empresariais. Têm vida útil prolongada e um grande potencial de benefícios atribuíveis a períodos futuros (ativo).

Custo

O custo representa o gasto relacionado ao uso de recursos empregados

na produção de outros bens ou serviços.

Diz respeito ao consumo de bens ou utilização de serviços necessários ao processo produtivo; dito de outra forma, recursos (bens ou serviços) em- pregados no processo para gerar outro bem ou serviço. “Custo é o somatório

para gerar outro bem ou serviço. “Custo é o somatório 20 Este material é parte integrante

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Contabilidade de custos e seus conceitos básicos

dos bens e serviços consumidos ou utilizados na produção de novos bens ou serviços, traduzidos em unidades monetárias” (NASCIMENTO, 2001, p. 26).

Exemplos de custos:

matéria-prima consumida no processo;

consumo de materiais auxiliares;

utilização de mão de obra no processo de produção;

uso de embalagens;

aluguéis das instalações de fábrica;

utilização de serviços de suporte à administração;

consumo de energia elétrica no processo;

contratação de seguro fabril;

manutenção de máquinas e equipamentos de fábrica, controle de qualidade etc.

Para que o gasto se configure como custo, é preciso ocorrer o consumo do bem ou utilização de serviço.

A classificação como custo requer o uso dos fatores de produção. Por

exemplo, quando adquirida, a matéria-prima é estocada. À medida que a área de produção a requisita para uso em processo, e se dá o consumo, o valor correspondente deve ser tratado como custo.

Despesa

A despesa é um gasto relacionado ao consumo de bens ou utilização de

serviços com a finalidade de gerar receita.

Trata-se de um gasto intencional que contribui direta ou indiretamente para a obtenção de receita.

Exemplos:

taxa cobrada pelas administradoras de cartões de crédito (despesa de vendas);

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21

de vendas); Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Yumara Vasconocelos.

Contabilidade de custos e seus conceitos básicos

gastos de distribuição;

gasto com salários do pessoal da área administrativa;

gasto com promoção do produto;

gasto com comissão de vendedores;

juros passivos etc.

As despesas são sempre gastos necessários à manutenção dos negócios da entidade. Caracterizam-se por não estarem associadas ao processo pro- dutivo (gasto de natureza não fabril). Estão sempre relacionadas a gastos ad- ministrativos, com vendas e incidência de juros (operações financeiras).

Façamos uma analogia entre custos e despesas (quadro 2).

Quadro 2 – Analogia entre custos e despesas

Custos

Despesas

Gastos necessários à obtenção do pro- duto, bem ou serviço.

Gastos necessários à gestão geral financeira, comercial ou de vendas.

Possuem natureza fabril.

Dizem respeito ao consumo ou utilização de bens e/ou serviços.

São reconhecidos quando os fatores de produção são utilizados.

São necessárias à disponibilidade do produto no mercado.

São levados a resultado quando em- pregados no processo.

São levadas integralmente ao resultado no pe- ríodo em que forem registradas (temporais). São contabilizadas no período em que aconte- cem.

Repercutem no resultado quando os produtos são vendidos.

Repercutem no resultado no período em que ocorrem.

Enquanto as despesas estão relacionadas ao período em que ocorrem, os custos se associam exclusivamente ao emprego dos recursos em processo, independente do fator tempo. O termo processo foi aplicado anteriormen- te em sentido amplo (compreendendo tanto a produção de bens como de serviços).

É comum escutarmos a frase: “Os custos vão para as prateleiras”. De fato, enquanto os produtos estão estocados, os gastos relacionados são ativados (saldo presente no balanço patrimonial). À medida que são disponibilizados aos clientes e vendidos (analogia da prateleira), comporão o resultado (saldo presente na demonstração do resultado do exercício).

presente na demonstração do resultado do exercício). 22 Este material é parte integrante do acervo do

22 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Contabilidade de custos e seus conceitos básicos

Estoque Balanço patrimonial

Custo dos produtos vendidos Demonstração do resultado do exercício

Perdas

Existem dois tipos de perdas: as normais e as extraordinárias.

As perdas normais são sempre esperadas. Estão vinculadas ao processo. Na verdade, são inerentes a ele.

Em razão dessa característica, essa perda é considerada custo (tratamen- to contábil destinado).

As perdas extraordinárias ou anormais, como o próprio nome sugere, são

eventuais, involuntárias, desnecessárias e contribuem para a ocorrência de prejuízo.

A perda é um gasto que expira sem proporcionar qualquer benefício

(LINS; SILVA, 2005).

Perez Júnior et al. (2001, p. 17) apresenta o seguinte conceito para as

perdas extraordinárias: “[

um novo bem ou serviço e tampouco receita e são apropriadas diretamente no resultado do período em que ocorrem.”

gastos anormais ou involuntários que não geram

]

As perdas dessa natureza não possuem relação alguma com o desenvol- vimento normal do processo (algo esperado). Não são regulares. Decorrem de eventos não previstos, ou seja, de eventualidades prejudiciais vivenciadas pela organização como um todo.

São exemplos de eventos que provocam perdas:

deterioração de itens de estoque;

ocorrência de defeitos irreversíveis em máquinas e equipamentos;

materiais estragados em razão da ocorrência de enchentes;

destruição de bens por incêndio;

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por incêndio; Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Contabilidade de custos e seus conceitos básicos

obsoletismo em itens de estoque;

material com prazo de validade expirado;

greves;

paradas não previstas;

falta de material para reposição de peças das máquinas;

vazamento em tubulações industriais etc.

As perdas são também gastos. Ocorre que, nesse caso, o consumo de re- cursos é indesejado em razão das consequências financeiras.

A perda extraordinária é sempre atípica, não se confundindo com o con- ceito de custos ou despesas.

Não se pode afirmar tratar-se de um sacrifício porque esta modalidade de perda é involuntária. Não acontecem com o propósito de gerar receita; pelo contrário, contribuem para a geração de prejuízo.

Despesa Geração de receita

Perda extraordinária Geração de prejuízo

As perdas involuntárias de pequeno valor (imateriais) na prática são in- corporadas aos custos e despesas, conforme o caso. Esse procedimento é permitido em razão da pouca representatividade do valor envolvido em relação ao custo total. Entretanto, tratando-se de valores materiais, ou seja, significativos, o procedimento correto é tratar o gasto correspondente como perda, lançando-o diretamente contra o resultado do período.

As perdas normais (aquelas inerentes ao processo) são também denomi- nadas de perdas produtivas ou técnicas.

As perdas extraordinárias são conhecidas como perdas improdutivas (figura 4).

são conhecidas como perdas improdutivas (figura 4). 24 Este material é parte integrante do acervo do

24 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Yumara Vasconcelos.

Yumara Vasconcelos.

Contabilidade de custos e seus conceitos básicos

Perdas Produtiva Improdutiva Decorre da Gasto não atividade normal intencional. da empresa. Decorre da
Perdas
Produtiva
Improdutiva
Decorre da
Gasto não
atividade normal
intencional.
da empresa.
Decorre da
influência
de fatores
fortuitos.
Lançar no custo
de produção.

Lançar contra

resultado.

Figura 4 – Tipos de perdas.

A figura 5 ilustra o alcance do conceito de gasto.

Diminuição do

Caixa

Gasto
Gasto

Aumento do

passivo (Contas

a Pagar)

Investimentos

Investimentos Consumo de bens ou
Investimentos Consumo de bens ou

Consumo de bens ou

(aplicações)

utilização de serviços.

Custo Despesa
Custo
Despesa

Variação patrimonial

Perdas
Perdas

Perdas

Perdas

Figura 5 – Alcance do conceito de gasto.

É a destinação dos recursos e a sua natureza que fazem o conceito de cada elemento do gasto.

Se a intenção do gestor é adquirir bens de vida útil prolongada, esse

gasto será tratado como ativo (natureza e destinação de recursos); se o gasto vincular-se ao processo será um custo (natureza e destinação de recursos)

e se for de natureza não fabril (natureza e destinação de recursos), uma despesa.

O ciclo da transação é simples: inicialmente assume-se o compromisso financeiro – gasto. Posteriormente se dá a entrega e utilização dos recursos.

O desembolso pode ocorrer antes, durante ou após o processo, dependendo

das condições de negociação. Nem todo gasto repercute no caixa.

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no caixa. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Contabilidade de custos e seus conceitos básicos

Desembolso

O desembolso é um evento financeiro. Corresponde ao pagamento de um bem ou serviço, independente do momento do consumo. É fundamen- tal destacar que os eventos são contabilizados pelo regime de competên- cia. Como consequência, as despesas são registradas, independente do pagamento.

Ampliando seus conhecimentos

Importância gerencial da Contabilidade de Custos

(VASCONCELOS, 2009)

O alcance gerencial da informação referente a custos é amplo. Grande número de decisões para serem implementadas requerem conhecimento dos conceitos básicos de custos. As aplicações variam. Algumas se vinculam ao planejamento, outras ao controle e gestão financeira. Acrescente ainda aque- las vinculadas ao desempenho.

Enumeremos algumas das funções da Contabilidade de Custos:

avaliação de estoque e do custo dos produtos vendidos: a avaliação dos estoques corresponde a um dos aspectos mais destacados na lite- ratura técnica como função da Contabilidade de Custos. Variações nos estoques impactam no resultado e, consequentemente, no desempe- nho de uma empresa. Esse efeito, por exemplo, repercute no valor a ser recolhido dos impostos sobre lucro;

avaliação de imobilizações próprias: em algumas realidades, a pró- pria empresa produz seus bens, aqueles que serão integrados ao imo- bilizado (móveis, utensílios e até equipamentos);

elaboração do orçamento, plano de vendas e produção: a informa- ção custo integra o orçamento de resultado, servindo de base para a definição de metas, não somente de custos, mas igualmente de vendas e produção em curto prazo, uma vez que influencia esses valores;

em curto prazo, uma vez que influencia esses valores; 26 Este material é parte integrante do

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Contabilidade de custos e seus conceitos básicos

preparo de estudos de viabilidade econômica: os estudos de viabili- dade econômica representam o nascedouro de muitos empreendimen- tos. Neles a informação custo é fundamental, base de muitas análises. Qual o custo desse projeto?

formação do preço de venda: essa é a aplicação mais conhecida da Contabilidade de Custos. Apesar do preço de venda não ser formado exclusivamente em função do custo, o preço continua sendo uma im- portante referência, embora devam ser considerados outros fatores de influência. O custo, nesse universo de fatores, constitui um piso abaixo do qual o preço não poderá ser praticado;

medição do desempenho: a informação custo pode ser empregada gerencialmente para avaliar o desempenho. Quanto menor o nível ou carga de custos, tanto melhor será para a empresa, desde que a quali- dade dos produtos não seja comprometida.

Apesar de ser um elemento importante na avaliação de desempenho, o custo representa somente uma face da performance, que é um conceito plural. Desempenho em relação a qual base ou critério?

O custo não é o único alvo a ser monitorado pela administração. Por exem- plo, no atual contexto de mercado é cada vez mais expressiva a participação das despesas de distribuição, até mesmo pela evolução e alcance do marke- ting. Esses gastos são, algumas vezes, maiores do que os próprios custos de produção. Todavia, mesmo assim, o custo deve receber atenção especial por parte do gestor.

Atividades de aplicação

1. Marque a alternativa falsa.

a) A perda corresponde a um gasto que expira sem gerar receita ou qualquer outro benefício.

b) Os investimentos são gastos cujo benefício alcança, geralmente, mais de um período (benefício prolongado).

c) A perda anormal não representa um sacrifício voluntário.

d) Perda e despesa são sinônimos.

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são sinônimos. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Contabilidade de custos e seus conceitos básicos

2. Sobre perdas é correto afirmar:

a) a perda normal representa um gasto não intencional, sempre rela- cionado a fatores fortuitos, alheios à atividade normal da empresa.

b) a perda extraordinária deve ser contabilizada como custo, indepen- dente da materialidade do valor envolvido.

c) a perda normal é regular, calculada, previsível, por essa razão deve ser contabilizada como custo.

d) as perdas extraordinárias enquadram-se como despesas ou custos, conforme a situação.

3. Marque a alternativa verdadeira.

a) Os gastos ocorrem sempre com desembolso.

b) Os gastos podem se dar à vista ou a prazo, conforme as bases de negociação (condições).

c) Todo gasto é um custo com desembolso.

d) Todo gasto é uma despesa, mas nem toda despesa é um gasto (so- mente aquelas à vista).

4. Classifique as operações em investimento quanto a: custo, despesa, perda e desembolso.

a) Transferência de matéria-prima requisitada pela fábrica.

b) Pagamento do prêmio de seguro do parque fabril (instalações).

c) Transferência de materiais secundários para a área fabril (utilização imediata).

d) Deterioração de itens de estoque em razão de condições inadequa- das de armazenagem.

e) Vazamento em uma das tubulações da fábrica.

f) Defeito irreparável de máquinas e equipamentos, os quais estão fora de linha, sem qualquer chance de reposição.

g) Gastos com divulgação do produto em seu mercado. Aquisição das instalações da fábrica.

em seu mercado. Aquisição das instalações da fábrica. 28 Este material é parte integrante do acervo

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Contabilidade de custos e seus conceitos básicos

5. Atribua V às assertivas verdadeiras e F às falsas.

(

)

O custo somente influenciará o resultado quando o produto for vendido.

(

)

A despesa influenciará diretamente o resultado.

(

)

As despesas são sempre voluntárias e necessárias, apresentando regularidade.

(

)

O custo influencia o resultado independentemente da venda.

6. Marque a alternativa verdadeira.

a) As despesas compreendem gastos pós-produção, aqueles neces- sários à colocação dos produtos no mercado (gestão, distribuição

e

venda).

b) Contabilidade de Custos aplica-se exclusivamente às indústrias.

A

c) As despesas são gastos registrados independentemente do perío- do em que ocorrem.

d) O custo é incorporado ao produto pelo seu total independente da venda.

Gabarito

1.

B

2.

C

3.

B

4.

 

a)

Custo

e) Perda

b)

Desembolso

f) Perda

c)

Custo

g) Despesa

d)

Perda

h) Investimento

5.

V, V, V, F

6.

A

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V, F 6. A Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais

Contabilidade de custos e seus conceitos básicos

Referências

FERREIRA, Ricardo. Contabilidade de Custos. Rio de Janeiro: Ferreira, 2007.

HANSEN, Don R.; MOWEN, Maryanne. Gestão de Custos. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2001.

LEONE, George Sebastião G. Curso de Contabilidade de Custos. São Paulo: Atlas.

2000.

LINS, Luiz S.; SILVA, Raimundo Nonato Sousa. Gestão Empresarial com Ênfase em Custos. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005.

MAHER, Michael. Contabilidade de Custos: criando valor para a administração. São Paulo: Atlas, 2001.

MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. São Paulo: Atlas, 2001.

NASCIMENTO, Jonilton Mendes do. Custos: planejamento, controle e gestão na economia globalizada. São Paulo: Atlas, 2001.

PEREZ JÚNIOR, José Hernandez et al. Gestão Estratégica de Custos. São Paulo:

Atlas, 2001.

VASCONCELOS, Yumara L. Importância Gerencial da Contabilidade de Custos. Disponível em: <http://yvasc.blogspot.com/>. Acesso em: 11 dez. 2009.

VICECONTI, Paulo Eduardo V.; NEVES, Silvério das. Contabilidade de Custos: um enfoque direto e objetivo. São Paulo: Frase, 1998.

WARREN, Carl S. et al. Contabilidade Gerencial. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2001.

Gerencial . São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2001. 30 Este material é parte integrante do acervo

30 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

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Custos e sua classificação Considerações gerais Os diferentes tipos de gastos em uma organização apresentam

Custos e sua classificação

Considerações gerais

Os diferentes tipos de gastos em uma organização apresentam natureza variada, o que requer uma classificação adequada.

Esses gastos respondem a uma vasta gama de objetivos no processo pro- dutivo e decisório.

Para adequado suporte ao processo de tomada de decisão, fazem-se ne- cessárias informações sobre custos, recursos empregados, características de processo e serviços etc.

A gestão de custos requer tratamento contábil distinto para os gastos.

Padoveze (2003, p. 38) adverte: “Não se pode fazer uma gestão de custos tratando todos os gastos de uma forma única, assim como é muito difícil uma administração com boa relação custo/benefício tratando cada custo de forma individualizada.”

A classificação em custos tem a finalidade de agrupar custos com nature-

za e propósitos similares em categorias para facilitar a gestão e a realização das atividades, contribuindo para o processo decisório.

Existem diferentes critérios e classificações, onde serão enfatizadas duas:

classificação dos custos quanto à natureza ou objeto a ser custeado:

custos diretos e indiretos.

classificação dos custos quanto à quantidade de produção (volume):

custos fixos, variáveis e mistos.

Para gerir os custos de uma entidade e proceder ao controle operacional,

é necessário conhecer a terminologia de custos e suas classificações. Essa“fa- miliarização” é crucial ao processo de atribuição de custos aos seus objetos

e utilização dos dados no processo decisório. “Um objeto de custo é qual-

quer item, como produtos, clientes, departamentos, processos, atividades, e

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Custos e sua classificação

assim por diante, para o qual os custos são medidos e atribuídos” (HANSEN; MOWEN, 2001, p. 61).

O objeto de custos consiste no elemento que se almeja mensurar os custos, podendo ser: produtos (mais empregado ou requerido), serviços, ati- vidades, processos, recursos e até mesmo o setor de uma empresa.

A atribuição de custos é uma tarefa essencial nessa especialidade contá- bil. Por exemplo, suponhamos que o gestor deseje saber qual o custo de cada departamento. O objeto de custos, no exemplo citado, é o departamento.

Uma atividade também pode ser um objeto de custos. Trata-se da unida- de básica de trabalho realizada numa organização. Corresponde a um con- junto de ações úteis à tomada de decisão, operacionalização de objetivos e planejamento e controle.

As atividades, no contexto atual de acirrada competitividade, represen- tam um objeto de custos muito importante, posto que evita a manutenção, pelos gestores, de atividades que não agregam valor.

São exemplos de atividades:

inspecionar processos;

realizar pedidos;

suprir estoques;

faturar clientes etc.

Uma atividade é representada por um verbo: comprar, estimar, faturar, projetar etc.

Os objetos de custos são alvos de medição em razão de interesse gerencial.

Uma das funções da Contabilidade de Custos é atribuir custos aos obje- tos com o maior grau de precisão possível. Deve-se, nesse intento, buscar critérios lógicos, racionais de atribuição. “O objetivo é medir e atribuir, tão acuradamente quanto possível, os custos dos recursos consumidos por um objeto de custos” (HANSEN; MOWEN, 2001, p. 62).

Naturalmente, alguns critérios são mais acurados do que outros.

alguns critérios são mais acurados do que outros. 34 Este material é parte integrante do acervo

34 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Yumara Vasconcelos.

Custos e sua classificação

Quando atribuímos custos aos objetos de custos sem um critério lógico, pode-se tomar decisões equivocadas. Lembre-se: o gestor precisa primeiro avaliar para depois agir.

Custos superestimados podem levar o gestor a interromper atividades proativas, economicamente interessantes.

Custos subestimados podem iludir o gestor, levando-o a posturas otimis- tas, confiantes.

É importante estabelecer uma ligação entre o custo e seu objeto. Essa re- lação deve ser explorada para aumentar a precisão na atribuição de custos.

O processo de atribuição requer domínio da classificação de custos.

Classificação dos custos quanto à natureza ou identificação no objeto de custos

A classificação dos custos em diretos e indiretos é a mais antiga.

Os custos estão direta ou indiretamente relacionados aos seus objetos, o que fundamenta sua classificação em custos diretos e indiretos.

Os custos são distribuídos aos seus objetos mediante a identificação de um elo entre um e outro.

Alguns profissionais denominam essa busca pela identificação de ras- treamento. Utilizam o termo rastreabilidade para definir essa capacidade de identificação.

Os custos podem ser rastreados direta ou indiretamente.

A rastreabilidade é a capacidade de atribuição de um custo ao seu objeto,

de modo viável, por meio de uma relação causal.

Custos Relação causal
Custos
Relação
causal

Objetos de custos

Rastreamento

Figura 1 – Técnica de rastreamento.

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de rastreamento. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Yumara Vasconcelos.

Custos e sua classificação

O rastreamento direto corresponde ao processo de identificar e atribuir

custos aos objetos de modo objetivo. Custo e objetos estão nitidamente re- lacionados, específica ou fisicamente. Essa identificação algumas vezes pode ser feita por meio da observação física (HANSEN; MOWEN, 2001).

Esses custos são denominados de custos diretos.

Martins (2001) faz uma gradação de conceitos tomando por base a facili- dade de atribuição de custos (precisão):

alocação direta;

rastreamento;

rateio.

Assim, para o autor, em vez de falar em rastreamento direto, deve-se dizer alocação direta. Dessa forma, segundo sua orientação, podemos dizer que custos diretos são aqueles que podem ser alocados diretamente ao objeto, sem o uso de artifícios; dito de outra forma, são aqueles que podem ser atri- buídos ao objeto de custos de modo inequívoco (figura 2).

Alocação

direta

Rateio

Alocação direta Rateio Rastreamento Identificação clara, objetiva, inequívoca do custo ao objeto. Busca uma
Alocação direta Rateio Rastreamento Identificação clara, objetiva, inequívoca do custo ao objeto. Busca uma
Alocação direta Rateio Rastreamento Identificação clara, objetiva, inequívoca do custo ao objeto. Busca uma
Alocação direta Rateio Rastreamento Identificação clara, objetiva, inequívoca do custo ao objeto. Busca uma

Rastreamento

Identificação clara, objetiva, inequívoca do custo ao objeto. Busca uma relação causal entre custo e
Identificação clara,
objetiva, inequívoca
do custo ao objeto.
Busca uma
relação
causal entre
custo e objeto.
+ fácil
Facilidade de atribuição

- fácil

e objeto. + fácil Facilidade de atribuição - fácil Empregado quando as outras alternativas de atribuição

Empregado quando as outras alternativas de atribuição não são possíveis.

Figura 2 – Escala de atribuição.

A diferença de abordagem não tem consequências práticas para a

classificação.

Em resumo, Hansen e Mowen (2001) apresentam o conceito de rastrea- mento direto ao invés de alocação direta. Ao contrário, Martins (2001) propõe essa escala de precisão na atribuição de custos, critério mais utilizado na prá- tica (figura 2).

custos, critério mais utilizado na prá- tica (figura 2). 36 Este material é parte integrante do

36 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Yumara Vasconcelos.

Custos e sua classificação

Note que a técnica de rateio é a última opção mais empregada, em face das dificuldades de atribuição dos custos indiretos aos produtos. No rateio os custos são atribuídos aos objetos por meio de critérios ou parâmetros. É importante ressaltar que não existem critérios de rateio que sejam válidos para todas as situações e empresas. A definição dos critérios de distribuição requer uma análise do processo, do produto; de modo mais amplo, requer análise do objeto de custos e da relevância do valor em questão, por isso é mais complexa. A qualidade do rateio depende muito do bom senso do pro- fissional da área de custos. Mesmo assim, os critérios são subjetivos e, muitas vezes, arbitrários.

De qualquer forma, sabe-se que quanto maior o número de custos ras- treáveis (direta ou indiretamente aos objetos de custos) tanto maior será a precisão na atribuição de custos (figura 3).

Rastreabilidade

Rastreabilidade
Rastreabilidade

Facilidade de atribuição usando uma relação causal

Figura 3 – Rastreabilidade e atribuição de custos.

O ideal seria que todos os custos fossem facilmente rastreáveis ao seu objeto, o que nem sempre é possível. Isso obriga a administração a tomar critérios muitas vezes arbitrários de atribuição.

Apresentaremos algumas definições de custos diretos:

“São os custos que podem ser quantificados e identificados no produto ou serviço e valorizados com relativa facilidade” (PEREZ JÚNIOR, 2001, p. 23).

] [

economicamente identificados ao objeto de custeio, sem qualquer rateio – entende-se por rateio a distribuição dos custos que não são diretamente identificados e apropriados aos objetos de custeio. (CARDOSO et al.; 2007, p. 44)

são os custos diretamente relacionados a esse objeto, isto é, que podem ser fácil e

“[

]

são aqueles identificados, algumas vezes até associados fisicamente

ao objeto de custos” (VASCONCELOS, 2009).

Uma característica distintiva dos custos diretos é a sua identificação com o objeto. Alguns deles integram a composição (estrutura) dos produtos, ainda que nem sempre seja visível essa participação em sua estrutura. É o caso do conhecido custo de matéria-prima.

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matéria-prima. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br 37

Vasconcelos.

Yumara

Custos e sua classificação

Esse caráter torna os custos diretos específicos ao objeto.

Com base na análise das definições apresentadas, são exemplos de custos diretos:

matéria-prima consumida e demais materiais diretos;

mão de obra direta etc.

Os materiais diretos são exemplos clássicos de custos diretos.

De fato, nem todo custo direto compõe a estrutura do produto. Nem todo material direto pode ser visualizado no produto.

A indústria alimentícia utiliza em seu processo leveduras e outros insu-

mos, os quais apesar de compor sua estrutura, não são visíveis nos produtos gerados.

A indústria de fundição traz um exemplo interessante: os materiais (resi-

nas) são consumidos no processo sem que sua visualização seja possível.

Quadro 1 – Exemplos de materiais diretos

Atividades

Exemplos de materiais diretos

Fabricação de móveis

Madeiras diversas, compensados, estofamento, couro etc.

Atividades gráficas

Papéis de diferentes tipos, tintas etc.

Quando os materiais diretos são requisitados, o objeto de utilização fica explícito em razão da indicação da destinação no documento de requisição.

Os materiais diretos são relacionados de forma clara e objetiva aos produtos, compondo sua estrutura

Em outras palavras, via de regra, ao emitir a requisição do material para o almoxarifado, o responsável pela produção já indica, na requisição, o destino do material, ou seja, para qual produto acabado será utilizado, o que facilita sobremaneira a posterior apropriação do custo à produção específica. (PEREZ JÚNIOR, 2001, p. 24)

Existem custos cujo consumo ou em-

prego de recursos vincula-se às necessi- dades de geração de produto (figura 4). Exemplos: energia elétrica consu- mida na fabricação de um único produto, locação de equipamentos usados na produção de determinado bem, serviços de engenharia específicos a um produto, consultoria de processo.

específicos a um produto, consultoria de processo. 38 Este material é parte integrante do acervo do

38 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Os materiais diretos compõem-se de:

matéria-prima;

embalagem;

materiais auxiliares etc.

Custos e sua classificação

De fato, são materiais diretos as matérias-primas; materiais secundários as embalagens, componentes e outros materiais utilizados na produção (do acabamento à apresentação final do produto ao público-alvo).

A mão de obra direta compõe-se dos seguintes elementos: salários e en- cargos dos profissionais que trabalham no processo produtivo daquele pro- duto, manipulando direta ou indiretamente o produto final ou seus interme- diários. O que caracteriza a mão de obra direta é a possibilidade de aferir os esforços de cada trabalhador em um processo. Em geral essa aferição toma por base o tempo demandado por estes profissionais em cada processo.

Um custo pode ser classificado como direto se for:

possível estabelecer uma relação direta com o produto final (consumo ou utilização dos recursos vinculado ao produto);

economicamente identificável;

visível no produto ou se o recurso compor a especificação, a estrutura do produto;

específico do produto final;

mensurável sua participação no produto.

Para que um custo seja direto, as condições não precisam ser obedecidas simultaneamente.

Materiais diretos Estrutura do produto
Materiais
diretos
Estrutura do
produto
Recursos consumidos Consumo vinculado à geração do produto Yumara Vasconcelos.
Recursos
consumidos
Consumo
vinculado à
geração do
produto
Yumara Vasconcelos.
vinculado à geração do produto Yumara Vasconcelos. Relação direta e específica Figura 4 – Custos diretos.

Relação direta e específica

Figura 4 – Custos diretos.

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Custos diretos. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Custos e sua classificação

Os custos de difícil atribuição aos objetos são distribuídos com base em direcionadores, baseando-se na relação de causa e efeito. ”Direcionadores são fatores que causam mudanças no consumo de atividade, nos custos e nas receitas” (HANSEN; MOWEN, 2001, p. 63).

Os custos indiretos são aqueles não identificáveis ao objeto, não sendo apropriáveis a estes de modo direto, objetivo, claro. Dessa forma, esses custos não são fáceis de serem distribuídos, rastreados, identificados ao objeto de custos.

Vejamos algumas definições de custos indiretos:

“São aqueles que, para serem apropriados ao produto, dependem de cál- culos e estimativas por meio de critérios de rateio” (FERREIRA, 2007, p. 48).

São os gastos que não podem ser alocados de forma direta e objetiva aos produtos ou a outro segmento ou atividade operacional e, caso sejam atribuídos aos produtos, serviços ou departamentos, esses gastos o serão por meio de critérios de distribuição (rateio, alocação, apropriação são outros termos utilizados. (PADOVEZE, 2003, p. 42)

“Os custos indiretos são aqueles cujo consumo (ou utilização) relacionado

é compartilhado entre diferentes objetos de custos, tendo, portanto, caráter genérico, comum” (VASCONCELOS, 2009).

Todo e qualquer gasto que a empresa tenha para a fabricação do pro- duto, que não esteja conceitualmente enquadrado como custo direto, são custos indiretos de fabricação. Esses custos recebem outras denominações, como custos gerais de fabricação e custos gerais de produção.

Apesar da denominação custos gerais ser muito empregada para fazer re-

ferência aos custos indiretos, alguns custos considerados gerais são diretos. Suponha, por exemplo, uma indústria que possua medidores que permitam

a mensuração do consumo de energia de cada produto. Esse custo é consi-

derado por muitos como geral, mas é direto (quando o controle assim per- mite). Por isso a expressão custo geral deve ser empregada com cuidado, sem generalizações.

A grande maioria dos custos gerais, todavia, é de difícil atribuição aos produtos.

Custos Indiretos de Fabricação (CIF) é uma expressão consagrada no meio contábil-gerencial, mais apropriada para definir a natureza desses custos.

Com base na análise da definição apresentada, são exemplos de custos indiretos:

definição apresentada, são exemplos de custos indiretos: 40 Este material é parte integrante do acervo do

40 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

materiais indiretos;

mão de obra indireta:

Custos e sua classificação

remuneração da gerência/diretoria da fábrica;

remuneração da equipe de supervisores etc.

seguro fabril;

energia elétrica (considerando a não separação do consumo por pro- duto);

depreciação (considerando o uso compartilhado das instalações):

depreciação do imóvel da fábrica;

depreciação das instalações de uso comum;

depreciação de móveis e utensílios, máquinas e equipamentos.

aluguel da fábrica etc.

Comentaremos alguns exemplos de custos indiretos.

Depreciação: é comum encontrarmos referências bi- bliográficas que classifiquem

a depreciação, amortização e

exaustão como custos indire- tos. Todavia, se deve analisar as características do proces- so, a forma como os bens são alocados entre outros aspec- tos. Se os bens depreciados forem utilizados no processa- mento de um único produto,

a depreciação será um custo

direto. A classificação da de-

preciação como custo direto

ou indireto depende das ca- racterísticas de uso, condições de medição, tecnologia etc. Grande parte das

depreciações são custos indiretos.

Os custos indiretos se caracterizaram por serem

comuns, compartilhados (nenhum objeto é exclusivamente responsável por eles), genéricos, desprovidos de especificidade em relação a qualquer objeto de custo. A sua relação com

o produto, por exemplo, é simplesmente indireta

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indireta Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br 41

Custos e sua classificação

Materiais indiretos: são aqueles consumidos, empregados em ativida- des indiretas, de suporte apenas. São exemplos de materiais indiretos:

materiais consumidos/utilizados na manutenção de todas as máqui- nas e equipamento fabris e em imóveis:

material de limpeza;

material destinado à conservação;

peças de reposição;

lubrificantes etc.

materiais consumidos para apoiar as operações:

moldes e modelos;

ferramentas;

materiais higiênicos;

material de expediente;

material de segurança do trabalho.

O nível e o processo de consumo dos materiais indiretos podem variar entre as organizações, posto que os processos são diferentes. Parte desses insumos são imediatamente utilizados, e de modo constante; outros não.

Alguns desses materiais possuem durabilidade superior a 12 meses, outros duram bem menos. É o caso de algumas ferramentas, moldes e mo-

delos. É comum nesses casos surgir a dúvida: se têm durabilidade superior a um ano, não seria melhor ativar o gasto em lugar de contabilizá-lo como custo? Quando o valor dos itens for imaterial e seu uso, contínuo, ainda que tenham durabilidade média de um ano, podemos classificá-lo como custo, sem prejuízo da informação.

Todos os materiais utilizados na condução das atividades indiretas serão classificados, automaticamente, como indiretos.

A mão de obra indireta é, geralmente, o inverso da mão de obra cujos profissionais têm contato direto com máquinas, equipamentos e produtos finais específicos de um processo particular

e produtos finais específicos de um processo particular 42 Este material é parte integrante do acervo

42 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

São exemplos de atividades indiretas:

atividades de suporte à fábrica;

atividades gerenciais e comerciais.

Custos e sua classificação

Mão de obra indireta: a mão de obra indireta diz respeito ao pessoal de chefia/coordenação da mão de obra direta, ou ainda funcionários usados em diferentes processos. Geralmente essa mão de obra é formada por pes- soas que não trabalham diretamente com esse ou aquele produto, ou outro objeto de custos; que não manipulam materiais, equipamentos ou proces- sos. Compõe-se de salários e encargos.

A mão de obra indireta atua como apoio ou suporte aos processos como

um todo. Padoveze (2003, p. 50) salienta que:

Algumas especializações como modeladores, ferramenteiros, modelistas, apesar de trabalharem muito próximos dos produtos finais e com atividades muito semelhantes às desenvolvidas pela mão de obra direta, participam apenas de atividades antecedentes à produção.

Essa mão de obra, apesar da proximidade dos processos, é tratada como indireta em razão da natureza de sua relação com estes e os respectivos pro- dutos finais.

Lembre-se: as atividades diretas são repetitivas; as indiretas, na maioria das vezes, não.

Em geral, a maior parte dos custos em uma indústria tem natureza indire- ta. Cada vez mais os recursos tendem a ser compartilhados, até mesmo em razão da necessidade de economicidade no uso dos recursos.

A classificação quanto à natureza também pode alcançar as despesas.

As despesas diretas são aquelas facilmente associáveis às receitas. “Ana- logamente aos custos diretos, as despesas diretas são as que podem ser fa- cilmente quantificadas e apropriadas em relação às receitas de vendas e de prestação de serviços” (PEREZ JÚNIOR, 2001, p. 25).

São exemplos de despesas diretas:

impostos incidentes sobre faturamento;

despesas de fretes;

despesa de seguro de transporte etc.

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transporte etc. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Custos e sua classificação

As despesas indiretas são aquelas difíceis de serem associadas a esse ou aquele produto. A atribuição dessas despesas aos produtos é imprecisa. “Ge- ralmente, são consideradas como despesas do período e que não são distri- buídas por tipo de receita” (PEREZ JÚNIOR, 2001, p. 26).

São exemplos de despesas indiretas:

impostos sobre lucro;

encargos financeiros;

despesas administrativas em geral.

Classificação dos custos quanto ao volume

Os custos (diretos e indiretos) quanto ao volume podem ser classificados em fixos, variáveis ou mistos.

A referência dessa classificação é o comportamento dos custos em rela- ção à quantidade produzida.

Os custos fixos são aqueles mantidos estáveis dentro de uma determi- nada faixa de produção. Acima dessa faixa, os custos ascendem a um novo patamar e voltam à estabilidade. Essa transição de faixa de produção tem relação com a saturação ou esgotamento da capacidade instalada.

Suponhamos que você é proprietário de uma instituição de ensino supe- rior (IES) com capacidade instalada plenamente utilizada pelos cursos auto- rizados pelo MEC.

Considerando que a capacidade está saturada, o que ocorrerá se a admi- nistração dessa IES resolver ofertar novos cursos?

Certamente terá que realizar novos investimentos estruturais, pois segun- do informações, a capacidade está saturada. Novos investimentos serão ne- cessários. Essas ações elevarão o custo fixo total a um novo nível, em razão, por exemplo, do(a):

aluguel de novo espaço físico (campus).

compra de máquinas e equipamentos, móveis e utensílios (investi- mento que elevará o saldo de depreciação).

(investi- mento que elevará o saldo de depreciação). 44 Este material é parte integrante do acervo

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Custos e sua classificação

contratação de seguro fabril para as novas instalações.

contratação de coordenadores e de equipe de apoio (biblioteca, secre- taria) para os novos cursos.

Essa relação de ações e custos relacionados a Investimentos não é exaustiva.

Como se nota, os custos fixos não são indefinidamente fixos. São, na ver- dade, escalonados. Crescem ou decrescem em degraus. Talvez fosse mais apropriado usar o termo estável no lugar de fixo para não dar essa falsa co- notação de estaticidade.

Níveis de gastos fixos diferentes capacidades Gastos fixos Volume Desinvestimento Gastos fixos Volume Yumara
Níveis de gastos fixos
diferentes capacidades
Gastos fixos
Volume
Desinvestimento
Gastos fixos
Volume
Yumara Vasconcelos.

Figura 5 – Custos fixos e capacidade.

Quando investimentos estruturais são realizados, os custos fixos se elevam.

Suponhamos que o gestor de determinada empresa resolva expandir sua capacidade produtiva para abraçar uma fatia maior de mercado. Para tanto, terá que adquirir novas máquinas, equipamentos, mais um imóvel, alugar um galpão, contratar supervisores de produção etc.

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produção etc. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Custos e sua classificação

Ao comprarmos máquinas e equipamentos geramos um custo fixo deno- minado de depreciação.

Ao adquirirmos mais um imóvel (ou qualquer outro componente do ativo imobilizado) cresce o valor destinado ao imposto territorial urbano, que é um custo fixo.

O aluguel do galpão e a remuneração de supervisores também são custos fixos.

Ao desinvestir, ou seja, desfazer-se de bens, o nível de custos fixos tende a cair pelas mesmas razões.

Os custos fixos não variam em determinado intervalo de tempo, nem a capacidade instalada, qualquer que seja a quantidade produzida.

Os custos fixos permanecem estáveis apenas dentro de uma faixa ou in- tervalo relevante de volume.

Faixa relevante corresponde ao limite de volume dentro da qual um rela- cionamento específico pode ser considerado válido. “Intervalo relevante é a faixa de atividade dentro da qual são válidas as hipóteses sobre custos variá- veis e fixos” (GARRINSON; NOREEN, 2001, p. 38).

Eles existirão ainda que o volume de produção seja igual a zero.

Alguns profissionais categorizam os custos fixos em:

de capacidade;

operacionais;

programados.

Essa classificação dos custos fixos alcança a sua diversidade.

Os custos fixos de capacidade compreendem aqueles relacionados ao uso das instalações, dos recursos que representam a capacidade de produ- ção de uma fábrica.

Exemplos: depreciação, amortização, aluguel da fábrica, de equipamen- tos etc.

Os custos fixos operacionais são aqueles essenciais à operação das ins- talações fabris.

aqueles essenciais à operação das ins- talações fabris. 46 Este material é parte integrante do acervo

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Custos e sua classificação

Exemplos: seguro fabril, imposto predial, gasto com supervisão de fábri- ca, remuneração da diretoria de produção etc.

Os custos fixos programados são aqueles não diretamente associados às operações em curso, ou mesmo à capacidade da fábrica, com os quais a administração se comprometeu.

Exemplos: gastos com pesquisa para o estudo de modificações no pro- cesso, gasto com modernização de processo etc.

Os custos fixos têm as seguintes principais características:

a) o valor total permanece constante dentro de determinada faixa da produção;

b) o valor por unidade varia à medida que ocorre variação no volume de produção, por

tratar de um valor fixo diluído por uma quantidade maior;

c) sua alocação para os departamentos ou centros de custo necessita, na maioria das

vezes, de critérios de rateios determinados pela administração;

d) a variação dos valores totais pode ocorrer em função de desvalorização da moeda ou

por aumento ou redução significativa no volume de produção. (PEREZ JÚNIOR, 2001, p.

20)

De fato, o custo fixo unitário, razão entre o custo total e a quantidade pro- duzida, decresce à medida que a produção aumenta, o que é lógico já que as unidades adicionais produzidas diluem os custos fixos totais (quadro 2).

Os custos fixos também podem ser categorizados em custos fixos com- prometidos e custos fixos discricionários.

Os custos fixos comprometidos representam um nível mínimo de recur- sos. Estão relacionados à estrutura mínima da entidade.

Os custos fixos comprometidos geralmente surgem da posse de instalações, equipamentos

e de uma organização básica. Eles constituem grandes parcelas indivisíveis do custo que

a organização está obrigada a incorrer, em geral, não consideraria eliminar. (HORNGREN et al.; 2004, p. 75)

Somente mudanças na filosofia de processo e escopo de operações tendem a modificar tais custos, mas não imediatamente.

Os custos fixos discricionários estão relacionados a objetivos específi- cos, não guardando relação com a capacidade produtiva. Esses custos são geralmente oriundos do planejamento.

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do planejamento. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Custos e sua classificação

Alguns custos são fixos em certos níveis porque a gestão decidiu que esses níveis de custos seriam incorridos para satisfazer objetivos da organização. Esses custos fixos discricionários não têm um relacionamento óbvio com os níveis de capacidade ou de atividade de produção, mas são determinados como parte de um processo de planejamento periódico. (HORNGREN et al., 2004, p.75)

Esses custos poderão ser alterados mais facilmente ainda que o perío- do orçamentário esteja em curso, o que não ocorre com os custos fixos comprometidos.

Apesar de ter sido usada a expressão custos fixos comprometidos e discri- cionários, raciocínio análogo se aplica às despesas.

Exemplos:

despesa de propaganda e de promoção;

despesa de relações públicas;

despesa de pesquisa operacional;

doações com finalidades filantrópicas;

despesas de capacitação;

despesa de serviços (consultoria) etc.

Os custos variáveis (totais) são aqueles que variam na mesma proporção do volume de produção. Os custos variáveis e a produção caminham em har- monia. Quanto maior for o volume produzido, maiores serão esses custos. O custo variável unitário é constante (quadro 2).

Os custos variáveis têm as seguintes características:

a) seu valor total varia na proporção direta do volume de produção;

b) o valor é constante por unidade, independentemente da quantidade produzida;

c) a alocação aos produtos ou centros de custos é, normalmente, feita de forma direta,

sem a necessidade de utilização de critérios de rateio. (PEREZ JÚNIOR, 2001, p. 22)

Os custos mistos são aqueles que apresentam os dois tipos de compor- tamento, sendo composto por uma parcela fixa e outra variável.

Analisemos o exemplo da conta telefônica, que tem uma parcela fixa e outra variável. A parcela fixa corresponde à assinatura e minutos de franquia. A parcela variável depende da utilização do serviço.

A parcela variável depende da utilização do serviço. 48 Este material é parte integrante do acervo

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Custos e sua classificação

Alguns autores denominam os custos mistos de semivariáveis ou semifi- xos, atribuindo conceito particular a estes.

Um exemplo de custo misto usualmente citado na literatura técnica é o custo de energia elétrica.

É comum as empresas contratarem a aquisição de energia elétrica sob duas modalidades:

demanda e consumo. A aquisição por demanda implica na compra de uma determinada quantidade de quilowatts-hora (KW/h) por mês, de forma que a fábrica paga à concessionária distribuidora de energia elétrica um determinado valor (fixo) por mês, mesmo que o consumo efetivo seja inferior ao contratado. Quando o consumo efetivo ultrapassa a quantidade de KW/h comprada por demanda, a fábrica paga o excedente em função do consumo efetivo (variável), de forma semelhante ao consumidor residencial. (CARDOSO et al., 2007, p. 53)

A figura 6 ilustra o comportamento dos custos mistos.

$

Ponto da Parcela virada variável Parcela fixa Custo misto total = parcela fixa + parcela
Ponto da
Parcela
virada
variável
Parcela fixa
Custo misto total
= parcela fixa +
parcela variável
Volume
Yumara Vasconcelos.

Figura 6 – Composição dos custos mistos.

Os custos mistos podem ter suas parcelas separadas.

Suponhamos que você alugue um equipamento industrial e que esse alu- guel tenha um componente fixo e outro variável. Até determinado nível de produção o custo é fixo e acima dele será variável.

Nas análises gerenciais é desejável que os custos mistos sejam segrega- dos em suas parcelas.

O método alto-baixo é aplicado para atingir esse objetivo. Vejamos o passo a passo:

1.º: obtenha a quantidade produzida considerando um determinado pe- ríodo. Organize esses dados em uma tabela.

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em uma tabela. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações

Custos e sua classificação

2.º: indique o custo total correspondente a cada nível de produção.

Período

Produção (unidades)

Custo total (R$)

O método trabalha os níveis de atividade mais alto e mais baixo e os custos correspondentes para estimar as parcelas.

Custo Misto Total = Parcela Fixa + Parcela Variável

Parcela Fixa = Custo Total – Parcela Variável

3.º: indique o nível de atividade mais alto e mais baixo.

Vejamos um exemplo:

Período (meses)

Produção (unidades)

Custo total (R$)

1

2 000

20.000

2

1 500

15.000

3

1 000

10.000

4

4 500

50.000

5

2

000

20.000

6

 

500

15.000

Nível mais alto: 4 500 unidades

Nível mais baixo: 500 unidades

Diferença de volume: 4 000 unidades

Custo total mais alto: R$50.000,00

Custo total mais baixo: R$15.000,00

Diferença de custo total: R$35.000,00

Como o custo unitário variável é constante, temos que:

Custo variável unitário = Diferença de custo total/ Diferença de volume = R$35.000,00/4 000 unidades = R$8,75

Como os custos fixos não variam dentro de determinado intervalo de volume, a diferença entre o custo total e a parcela variável será o custo fixo.

o custo total e a parcela variável será o custo fixo. 50 Este material é parte

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Custos e sua classificação

Custo misto total = Parcela fixa + Custo variável unitário . Volume

Nível mais alto:

Custo misto total = Parcela fixa + Parcela variável

Sendo: parcela variável = Custo variável unitário . volume

R$50.000,00 = Parcela fixa + R$8,75 . 4 500 unidades

Parcela fixa = R$10.625,00

Nível mais baixo:

Custo misto total = Parcela fixa + Parcela variável

R$15.000,00 = Parcela fixa + R$8,75 . 500 unidades

Parcela fixa = R$10.625,00

Observe que a parcela fixa é a mesma para o nível mais alto e mais baixo.

Existem outros caminhos para separação. A escolha cabe ao profissional de Contabilidade, o que também depende dos recursos à sua disposição.

A análise dos custos fixos, variáveis e mistos é essencial em estudos

prospectivos.

Até esse ponto fez-se referência apenas aos custos fixos, variáveis e mistos. Mas essa classificação também alcança as despesas.

As despesas fixas são aquelas que não se alteram dentro de determina- da faixa de atividades geradoras de resultado. Essas despesas não guardam relação com o volume de vendas ou de serviços prestados. Uma modifica- ção no resultado não provoca qualquer modificação no valor total dessas despesas.

São exemplos de despesas fixas: despesas financeiras, salário do pessoal da administração, despesa de aluguel da área administrativa, seguro patri- monial dos escritórios etc.

As despesas variáveis são aquelas que se alteram de modo proporcional

às vendas (receita gerada).

São exemplos de despesas variáveis: comissões pagas a vendedores, im- postos sobre faturamento (PIS, COFINS) etc.

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COFINS) etc. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Vasconcelos.

Yumara

Custos e sua classificação

As despesas mistas são aquelas que, analogamente aos custos mistos, possuem duas parcelas: uma fixa e outra variável.

Enquanto o direcionador dos custos fixos, variáveis e mistos é o volume, no caso das despesas é a receita gerada.

Um direcionador de custos ou receita corresponde ao fator causador da atividade responsável pelo custo ou receita.

Quadro 2 – Tipos de gastos

Categoria de gasto

Gasto total

Gasto unitário (por unida- de de volume)

Gastos fixos

Não se altera

Diminui ou aumenta

Gastos variáveis

Diminui ou aumenta

Não se altera

Talvez fosse mais apropriado usar o termo gasto em lugar de custo ou despesa para essa classificação.

Os gastos (especificamente custos e despesas) podem ser classificados em fixos, variáveis e mistos. O critério é a mudança no direcionador.

Custo: volume, quantidade produzida.

Despesa: vendas, atividades geradoras de receitas.

Reescrevendo as definições de modo abrangente, enquanto o gasto va- riável é aquele que muda segundo as variações do direcionador, o gasto fixo mantém-se estável, não se influenciando por variações no nível do direcionador.

Lembre-se: um direcionador é o fator que causa o consumo de recursos.

Uma entidade possui diversos direcionadores.

A estabilidade dos custos fixos, por exemplo, depende de mudanças na estrutura produtiva (variação de capacidade).

Como se pode verificar, a classificação dos gastos em variáveis, fixos e mistos é difícil porque, muitas vezes, estes não se comportam de modo linear, uma vez que são influenciados por outros direcionadores.

Classificar custos como fixos ou variáveis depende da situação de decisão. Mais custos são fixos e menos são variáveis quando as decisões envolvem extensões de tempo muito curtas e pouquíssimas mudanças no nível de atividade. (HORNGREN et al., 2004, p. 39)

no nível de atividade. (HORNGREN et al ., 2004, p. 39) 52 Este material é parte

52 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Yumara Vasconcelos.

Custos e sua classificação

Nessa classificação consideramos um único direcionador, que é o volume.

É como se isolássemos os demais direcionadores, mas eles existem.

Os custos fixos, por exemplo, permanecerão estáveis em relação ao volume, a menos que seja influenciado por outro direcionador ou fator exter- no (GARRINSON; NOREEN, 2001).

Outros conceitos e classificações

Os gastos podem ser classificados, segundo a elaboração das demons- trações contábeis para fins externos em: gastos do produto e gastos do período.

Os gastos do período são aqueles levados diretamente a resultado.

Os gastos do produto, especificamente os custos, são aqueles inventari- áveis, ou seja, são inicialmente acumulados em uma conta de estoque inter- mediária denominada de estoque de produtos em elaboração, para que, à medida que as unidades do produto forem concluídas, serem transferidas para a conta de estoque de produtos acabados. Quando vendidas, o custo correspondente será transferido à conta CPV (Custo dos Produtos Vendidos).

Estoque de Estoque de Gastos produtos em produtos CPV (custos) elaboração acabados Gastos (despesas e
Estoque de
Estoque de
Gastos
produtos em
produtos
CPV
(custos)
elaboração
acabados
Gastos (despesas
e custos em
situações especiais)

Figura 7 – Gasto do produto e gasto do período.

Apuração

do

resultado

Apuração do resultado Apuração do resultado

Apuração

do

resultado

Segundo a tomada de decisão, os custos podem ser classificados em:

custo diferencial;

custo irrecuperável;

custo de oportunidade.

As decisões, de modo geral, envolvem escolhas de alternativas (análise de opções). Cada uma delas possui vantagens e desvantagens, as quais devem ser cuidadosamente analisadas. Essa análise requer comparação. Como ava- liar algo sem comparar?

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sem comparar? Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Custos e sua classificação

O custo diferencial, também conhecido como custo incremental, repre-

senta a diferença entre duas alternativas em estudo.

Ao calcularmos a diferença entre duas receitas relacionadas a duas opções decisórias, obtemos a receita diferencial. Custo diferencial é um termo geral, que engloba tanto os aumentos (custos incrementais) quanto as reduções (custos decrementais) dos custos das alternativas” (GARRINSON; NOREEN, 2001, p. 39).

O conceito de custo diferencial é aplicado muito naturalmente pelo gestor.

Ao avaliar decisões possíveis, inevitavelmente os profissionais calculam o custo de cada uma e apuram diferenças, simulando situações diversas.

Os custos irrecuperáveis, também denominados de sunk costs, ou ainda, de custos empatados, são aqueles que já foram incorridos, não sendo possí- vel alterá-los em razão de qualquer decisão, atual ou futura.

Esses custos não poderão ser modificados por qualquer escolha, deven- do ser ignorados ao se tomar decisões.

Vejamos um exemplo: a empresa Modelo alguns anos atrás adquiriu um equipamento de produção, atualmente completamente obsoleto, sem mer- cado ou condições de uso.

Em razão da sua desatualização, não poderá mais ser vendido, embora se lamente o investimento ou se tenha chegado à conclusão que a melhor alternativa decisória naquele momento era arrendá-lo, e não comprá-lo. Essa reflexão não importa mais porque não se poderá retroagir à decisão.

Esse gasto, é portanto, um custo irrecuperável, irrelevante para decisões futuras. Por essa razão é que ele também é conhecido como custo perdido, afundado ou enterrado.

Custos perdidos são valores já gastos no passado e que, mesmo que ainda não contabilizados totalmente como custos, o serão no futuro, por isso são irrelevantes para uma série de decisões, a não ser no que diz respeito a seus efeitos sobre o fluxo de caixa, principalmente por sua influência na distribuição do imposto de renda ao longo dos exercícios. (MARTINS, 2003, p. 243)

No exemplo citado, os custos irrecuperáveis correspondem aos recursos empregados na compra (poderia ter sido na formação de ativos) que não

compra (poderia ter sido na formação de ativos) que não 54 Este material é parte integrante

54 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Custos e sua classificação

possuem mais, em razão de fatores específicos, utilidade, ou seja, potencial de serviço. Não são mais fonte de “benefícios futuros”.

Vejamos mais um exemplo: Eva adquiriu considerável volume de um determinado produto, a fim de ganhar condições para atender a pedidos potenciais. A medida não precedeu qualquer estudo de mercado. Com essa ação, manteve temporariamente estoques acima da quantidade usual. A previsão otimista da gestora não se concretizou. A receita não era gerada, mas os custos continuavam ali.

Para diminuir os custos de manutenção dos estoques, a única alternativa era promover cada vez mais o produto para que o mesmo “girasse” e o exce- dente de estoque fosse desovado.

Ocorreu que o produto tornou-se obsoleto e saiu de linha. Com isso as vendas, que já não estavam lá grande coisa, caíram significativamente.

Os gastos incorridos na compra do produto, na manutenção do estoque do produto e na promoção do mesmo são exemplos de sunk costs. Essas par- celas de gastos não poderão ser recuperadas.

O custo de oportunidade é consequência da existência de vantagem vinculada a uma alternativa decisória abandonada. Trata-se de um custo im- plícito, imputado.

Um custo imputado é aquele que, embora relevante para fins decisórios, não é registrado contabilmente.

Esses custos não são reportados pela Contabilidade (sistema de informa- ções), não figurando, portanto, nos registros. Apesar disso, é empregado nas decisões com habitualidade, ainda que, intuitivamente, toda escolha decisó- ria tenha um custo de oportunidade. “Custo de oportunidade é a vantagem potencial de que se abre mão quando uma alternativa é escolhida em vez de outra” (GARRINSON; NOREEN, 2001, p. 39).

Como se vê, é um conceito de natureza econômica.

Para Martins (2003, p. 234): “Representa o custo de oportunidade o quan- to a empresa sacrificou em termos de remuneração por ter aplicado seus recursos numa alternativa ao invés de outra.”

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de outra.” Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Custos e sua classificação

É a tradução literal do ônus da renúncia (o que se deixa de ganhar) em razão da escolha decisória.

“Os custos de oportunidade referem-se a quanto se deixa de ganhar, em prol do investimento, se, em vez de aplicados no projeto, os recursos fossem aplicados em alternativas de risco similar” (SAMANEZ, 2007, p. 77).

Na verdade, é importante esclarecer que esse custo corresponde ao que a entidade deixa de ganhar por não ter escolhido a melhor opção entre aque- las disponíveis e economicamente viáveis (restrições que devem ser consi- deradas na definição). Não adianta listar opções que, naquele momento e contexto, não estão disponíveis, muito menos que não são economicamente viáveis.

A análise do custo de oportunidade depende do potencial de utilização

ou emprego dos recursos, da disponibilidade efetiva das opções decisórias e respectivas viabilidades. É função, ainda, do tempo em que estas alternativas

estarão concretamente disponíveis.

Martins (2003, p. 234) enfatiza a dificuldade da análise comparativa das alternativas: “Normalmente, esse tipo de comparação tende a ser um pouco difícil, em função principalmente do problema do risco.”

Cada alternativa possui um nível de risco, o que gera necessariamente retornos diferentes.

A análise do custo de oportunidade é importante porque ajuda o gestor

a avaliar suas próprias decisões.

O conceito é muito útil e é empregado no estudo de viabilidade de pro-

jetos, decisões. Apesar dos benefícios informativos, deve-se ressaltar que a análise impõe dificuldades, todas de ordem prática.

Os custos, segundo os propósitos da decisão, podem ser relevantes ou irrelevantes

Os custos relevantes são aqueles cuja análise é importante para que de- terminada decisão seja tomada.

Os custos irrelevantes são aqueles cuja análise não importa à determi- nada decisão.

cuja análise não importa à determi- nada decisão. 56 Este material é parte integrante do acervo

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Custos e sua classificação

O critério de relevância não é estático, e sim, dinâmico. Um custo não será

indefinidamente relevante ou irrelevante, posto que sua importância é rela- tiva, ou seja, depende da decisão.

Assim, um custo poderá ser relevante para uma decisão e não sê-lo para outras. A referência da relevância é a natureza da decisão.

A empresa Modelo está estudando a possibilidade de terceirizar seu pro-

cesso produtivo. Quais seriam os custos relevantes? São exemplos de custos relevantes para essa decisão em particular: custo de materiais diretos e demais insumos produtivos, de mão de obra direta etc.

Segundo a facilidade de eliminação, os custos podem ser categorizados em elimináveis e não elimináveis.

Os custos elimináveis são aqueles que podem ser eliminados em um curto prazo em decorrência da decisão da administração. São custos flexí- veis. Assim, caso a administração da entidade opte por encerrar temporaria- mente as atividades, esses custos poderão ser eliminados.

Os custos não elimináveis são aqueles que não poderão ser eliminados, mesmo com a total suspensão das atividades.

Essa classificação ganha maior importância quando se avalia a possibili- dade de suspensão temporária de atividades.

Os custos podem ser desembolsáveis e não desembolsáveis.

Os custos desembolsáveis são aqueles que obrigam ao desembolso, no presente ou no futuro.

Os custos não desembolsáveis são aqueles que não geram desembolso, ou seja, saída de caixa.

Segundo o parâmetro controle, os custos podem ser classificados em controláveis e não controláveis.

Os custos controláveis são aqueles que podem ter seu comportamento influenciado pelas decisões da administração.

Os custos não controláveis são aqueles que a administração não conse- gue influenciar o comportamento, não tendo qualquer controle sobre ele.

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sobre ele. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Custos e sua classificação

Quanto à ocorrência, os custos podem ser categorizados em:

custos primários ou básicos;

custos de transformação ou conversão;

custo fabril;

custo dos produtos fabricados;

custo dos produtos vendidos.

O

custo primário, também denominado de custo básico, relaciona-se ao

consumo de materiais diretos e utilização da mão de obra. Esses itens são considerados custos primários (condição sine qua non de produção).

Alguns autores consideram como custos primários apenas a matéria- -prima consumida e mão de obra utilizada.

Materiais diretos consumidos = Materiais diretos consumidos + Mão de obra empregada no processo.

Muitas vezes, os conceitos de custos primários e diretos são confun-didos.

O custo primário é parte do custo direto. Existem outros custos diretos

além de materiais e mão de obra.

O custo de transformação, também denominado de custo de conversão,

relaciona-se ao esforço efetivo de fabricação. Compreende todos os custos, exceto custo de matéria-prima e outros insumos comprados e usados sem qualquer transformação.

Custo de transformação = Mão de obra direta + Gastos gerais de fabricação

O custo fabril ou de produção do período compreende a soma dos

custos incorridos em determinado período.

O custo dos produtos fabricados ou custo da produção acabada equi-

vale ao custo fabril ajustado pelo saldo de estoque de períodos anteriores.

O custo dos produtos vendidos (CPV) corresponde aos custos das uni-

dades efetivamente comercializadas no período.

das uni- dades efetivamente comercializadas no período. 58 Este material é parte integrante do acervo do

58 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Yumara Vasconcelos.

Yumara Vasconcelos.

Custos e sua classificação

Quadro 3 – Custos segundo sua ocorrência

Composição do custo e fluxo de produção

(+) Estoque inicial de materiais diretos

(+) Aquisições de materiais diretos

(–) Estoque final de materiais diretos

(=) MATERIAL CONSUMIDO

(+) Mão de obra direta

(=) CUSTO PRIMÁRIO

(+) Outros insumos diretos

(=) CUSTO DIRETO

(+) Gastos gerais de fabricação (mão de obra indireta, depreciação, aluguel, energia, combustível etc.)

(=) CUSTO DA PRODUÇÃO

(+) Estoque inicial de produtos em elaboração

(–) Estoque final de produtos em elaboração

(=) Custo dos produtos fabricados

(+) Estoque inicial de produtos acabados

(–) Estoque final de produtos acabados

(=) CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS (CPV)

O quadro 3 mostra como os custos são calculados ao longo do processo produtivo.

Estoque de materiais diretos

Por meio de requisições

Estoque de produtos em elaboração

Estoque inicial

+ Compras

Materiais requisitados

Estoque inicial Materiais consu- midos Mão de obra Outros custosEstoque inicial + Compras Materiais requisitados Produtos concluídos Custo dos produtos vendidos Estoque

Produtos concluídos

Custo dos produtos vendidos

Estoque

inicial

+ Produtos

vendidos

Figura 8 – Ciclo contábil.

inicial + Produtos vendidos Figura 8 – Ciclo contábil. Estoque de produtos acabados Estoque inicial +

Estoque de produtos acabados

Estoque inicial Figura 8 – Ciclo contábil. Estoque de produtos acabados + Produtos concluídos Produtos vendidos Este material

+ Produtos

concluídos

Produtos vendidos

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Produtos vendidos Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Custos e sua classificação

A figura 8 ilustra a dinâmica do processo produtivo (registros e con- troles).

Ampliando seus conhecimentos

Custo de oportunidade

(VASCONCELOS, 2009)

O conceito de custo de oportunidade possui relevância econômica. Trata-

-se de um termo inicialmente utilizado por Friedrich von Wieser (1851-1926) para aferir o valor econômico dos fatores de produção.

Para o autor, o custo de oportunidade consiste na renda líquida produzida por esse fator em seu melhor uso, entre as alternativas relacionadas economi- camente viáveis.

Pereira e Oliveira (2001, p. 388) definem custo de oportunidade da seguin- te maneira:

O custo de oportunidade corresponde ao valor de um determinado recurso em seu melhor uso alternativo. Representa o custo da escolha de uma alternativa em detrimento de outra capaz de proporcionar um maior benefício, ou seja, e o custo da melhor oportunidade a que se renuncia quando da escolha de uma alternativa.

De fato, a escolha de alternativas é o problema fundamental do gestor, o que destaca a importância do conceito.

Decisões que envolvem o custo de oportunidade necessariamente reque- rem a análise dos benefícios de cada alternativa. “Assim, o resultado de uma decisão decorre do confronto entre o benefício gerado pela alternativa esco- lhida é o benefício que seria obtido pela escolha da melhor alternativa aban- donada (custo de oportunidade)” (PEREIRA; OLIVEIRA, 2001, p. 388).

Vamos exemplificar:

Considere as alternativas 1 e 2.

A alternativa 1 produz um benefício de R$500,00 e a alternativa 2, um be-

nefício de R$550,00.

O custo de oportunidade da escolha da alternativa 1, em detrimento da

alternativa 2 é de R$50,00 (R$550,00 - R$500,00).

da alternativa 2 é de R$50,00 (R$550,00 - R$500,00). 60 Este material é parte integrante do

60 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Custos e sua classificação

O custo de oportunidade, na verdade, representa o real valor de uma de-

cisão, uma vez que reflete o sacrifício da escolha, em razão da melhor escolha preterida.

O conceito ampara decisões como:

estudo do uso de alternativas de recursos;

análise de desempenho.

É importante destacar que são condições essenciais à aplicação do conceito:

as alternativas devem ser viáveis e possíveis operacionalmente;

o mercado desempenha papel crucial na determinação do custo de opor- tunidade;

a análise das alternativas deve contemplar a leitura do estado atual e fu- turo (previsto) da situação sob exame.

Atividades de aplicação

1. Assinale a alternativa correta.

a) São materiais diretos todas as matérias-primas utilizadas no processo.

b) São materiais diretos: matérias-primas; materiais secundários, emba- lagens, componentes e outros materiais utilizados na produção (do acabamento à apresentação final do produto ao público-alvo).

c) Os materiais diretos são os únicos custos diretos.

d) Parte dos materiais diretos é atribuível indiretamente ao produto.

2. Marque a alternativa correta.

a) Os materiais indiretos são aqueles empregados em atividades de apoio à produção.

b) Os materiais indiretos são aqueles empregados nas atividades princi- pais de produção, ou cujo relacionamento com a produção seja signi- ficativo.

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signi- ficativo. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Custos e sua classificação

c) Os materiais indiretos são alocados de modo objetivo em razão de relacionamento com o produto.

d) Os materiais indiretos podem ser atribuídos diretamente ao pro- duto.

3. Aponte a alternativa que contém custos indiretos.

a) Lixas, parafusos, graxas, lubrificantes usados de modo comparti- lhado.

b) Refeições da mão de obra, ferramentas com vida útil superior a um ano, seguro fabril contra incêndio.

c) Equipamento de proteção individual, lixas, material de limpeza de fábrica, graxas (a empresa produz um único produto).

d) Lixas, parafusos, graxas, lubrificantes, material de conservação (a empresa produz um único produto).

4. Defina custo de oportunidade.

5. Por que os custos irrecuperáveis não devem ser considerados nas de- cisões?

6. Defina custos relevantes.

7. Atribua verdadeiro (V) ou falso (F) às assertivas apresentadas.

(

)

Os custos fixos crescem em degraus, segundo as variações implementadas na capacidade instalada.

(

)

Todos os custos primários são diretos.

(

)

O custo de transformação reflete o esforço efetivo de produção (trabalho empregado para gerar o produto).

(

) Os custos fixos são aqueles que não variam dentro de um intervalo de volume relevante, segundo sua capacidade instalada.

(

)

Nem todos os custos diretos são primários.

(

)

Todo custo primário é direto, mas nem todo custo direto é primário.

primário é direto, mas nem todo custo direto é primário. 62 Este material é parte integrante

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Custos e sua classificação

(

)

Os custos diretos e indiretos podem ser fixos ou variáveis.

(

)

Todos os custos indiretos são fixos.

(

)

Todos os custos diretos são variáveis.

(

)

Os custos mistos são também denominados de híbridos, semifixos ou semivariáveis.

(

) Como não existe um método que separe as parcelas fixas e variáveis dos custos mistos, a regra é registrá-los sempre como fixos.

(

)

O valor absoluto dos custos variáveis unitários se eleva à medida que o nível de atividade aumenta.

(

)

Entende-se por intervalo relevante de volume a faixa de produção dentro da qual os problemas de produção são mínimos, ao menos controláveis.

(

)

O valor absoluto dos custos variáveis se eleva à medida que o nível de atividade se eleva.

(

)

Os custos fixos são aqueles que não variam (permanecendo constantes indefinidamente), independentes do volume e de outros fatores.

Gabarito

1. B

2. A

3. A

4. Corresponde ao ônus relativo à melhor oportunidade rejeitada, entre outras disponíveis e economicamente viáveis. É o que se deixou de ganhar em razão de uma escolha decisória.

5. Porque são custos já incorridos, que não poderão ser recuperados.

6. São custos cuja análise é importante para a tomada de determinada decisão. A análise de opções decisórias requer estudo, o que demanda dados. Nem todos os dados servem a todas as decisões. Não existem “dados genéricos”. Assim, de modo natural, o gestor seleciona aqueles

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seleciona aqueles Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Custos e sua classificação

dados que dão visibilidade às consequências da decisão que deseja tomar. É feita uma cuidadosa triagem para dosar o volume de dados à informação que será elaborada e que fundamentará ou explicará a decisão. No caso dos custos, estes são chamados de custos relevantes.

7. V, V, V, V, V, V, V, F,

F, V, F, F, F, V, F

Referências

CARDOSO, Ricardo Lopes et al. Contabilidade Gerencial: mensuração, monitora- mento e incentivos. São Paulo: Atlas, 2007.

FERREIRA, José Antônio Stark Ferreira. Contabilidade de Custos. São Paulo: Pe- arson Prentice Hall, 2007.

GARRINSON, Ray H.; NOREEN, Eric W. Contabilidade Gerencial. Rio de Janeiro:

LTC, 2001.

HANSEN, Don R.; MOWEN, Maryanne. Gestão de Custos. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2001.

HORNGREN, Charles T. et al. Contabilidade Gerencial. São Paulo: Prentice Hall,

2004.

MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. São Paulo: Atlas, 2001.

PADOVEZE, Clóvis Luís. Curso Básico Gerencial de Custos. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2003.

PEREIRA, Carlos Alberto; OLIVEIRA, Antonio Benedito Silva. Preço de transferên- cia: uma aplicação do conceito de custo de oportunidade. In: CATELLI, Armando (Org.). Controladoria: uma abordagem da gestão econômica GECON. São Paulo:

Atlas, 2001.

PEREZ JÚNIOR, José Hernandez et al. Gestão Estratégica de Custos. São Paulo:

Atlas, 2001.

SAMANEZ, Carlos Patrício. Gestão de Investimentos e Geração de Valor. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007.

VASCONCELOS, Yumara L. Custo de Oportunidade. Disponível em: <http:// yvasc.blogspot.com>. Acesso em: 21 dez. 2009.

yvasc.blogspot.com>. Acesso em: 21 dez. 2009. 64 Este material é parte integrante do acervo do IESDE

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Custos e sua classificação

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classificação Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br 65
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Sistemas de custeio variável e por absorção Considerações gerais O método de custeio tem a

Sistemas de custeio variável e por absorção

Considerações gerais

O método de custeio tem a função, na Contabilidade de Custos, de atribuir

custos aos objetos de custos. Na verdade, os métodos oferecem caminhos di- ferentes para se cumprir o objetivo de estabelecer os custos de cada objeto (produtos, grupo de produtos, atividades etc.) – propósito de “apropriação” de custos.

Um método de custeio prevê o que deve ser levado em consideração no cômputo do custo do objeto de custos. Dentro dessa orientação é que se des- creverá como a aplicação de cada método será operacionalizada.

São dois os métodos de custeio mais conhecidos e tradicionais: custeio por absorção e custeio variável. Os métodos se diferenciam entre si pelo modus de apropriação.

O custeio por absorção, também denominado de custeio pleno, é o método

em que todos os custos são apropriados à produção do período, fixos e variáveis.

Outras denominações do custeio por absorção: custeio total, custeio inte- gral, custeio global, custeio convencional.

O custeio variável apropria à produção do período somente os custos variáveis.

A escolha do método de custeio traz repercussões gerenciais, que serão

apresentadas nos próximos tópicos.

Custeio por absorção

O método de custeio por absorção apropria tanto os custos fixos como os

custos variáveis aos produtos finais, ou seja, por esse método os produtos fabri- cados absorvem a totalidade dos custos do período (parcelas que lhes cabem).

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que lhes cabem). Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações

Sistemas de custeio variável e por absorção

Preço de venda = Custo total + Margem de lucro

O ponto crítico desse método de custeio é a separação dos gastos, espe-

cificamente dos investimentos, custos e despesas. Essa separação é relevan-

te porque os custos e despesas recebem tratamentos contábeis distintos. As despesas não são apropriadas aos objetos, apenas os custos.

As

período.

despesas

são

levadas

direta

e

imediatamente

ao

resultado

do

Os custos são acumulados na conta Estoque de produtos em elaboração

e quando a produção é concluída esses custos (parcela correspondente aos

produtos acabados) são transferidos para a conta Estoque de produtos acaba-

dos e lá permanecem até serem vendidos. Esses custos somente são levados

a resultado à medida que as unidades são vendidas.

O esquema didático a seguir ilustra o fluxo dos dados contábeis com base

no custeio por absorção.

Aquisição de materiais diretos, desconsiderando os tributos incidentes sobre compras para fins de simplificação:

Estoque de materiais diretos

Débito

Crédito

Saldo inicial

X(1)

Fornecedores e/ou Bancos

Débito

Crédito

X(1)

Requisição de materiais pela planta industrial:

Estoque de materiais diretos

Débito

Crédito

Saldo inicial

Y(2)

X(1)

Estoque de produtos em elaboração

Débito

Crédito

Saldo inicial

Y(2)

produtos em elaboração Débito Crédito Saldo inicial Y(2) 68 Este material é parte integrante do acervo

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Sistemas de custeio variável e por absorção

Compra de materiais indiretos (diversos):

Custos indiretos de fabricação (CIF)

Débito

Crédito

Saldo inicial

W(3)

Fornecedores e/ou Bancos

Débito

Crédito

 

X(1)

 

W(3)

Enquanto os materiais diretos são contabilizados em conta de estoque, as compras de materiais indiretos são inicialmente debitadas na conta CIF para, posteriormente, serem transferidas à conta Estoque de produtos em elaboração.

Reconhecimento da mão de obra direta:

Estoque de produtos em elaboração

Débito

Crédito

Saldo inicial

Y(2)

J(3)

Salários a pagar

Débito

Crédito

J(3)

Reconhecimento da mão de obra indireta:

Custos indiretos de fabricação (CIF)

Débito

Crédito

Saldo inicial

W(3)

P(4)

Salários a pagar

Débito

Crédito

J(3)

P(4)

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J(3) P(4) Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Sistemas de custeio variável e por absorção

Os descontos legais sobre folha são feitos na sequência. Não tratados nesta obra.

Transferência dos valores acumulados na conta CIF para a conta Esto- que de produtos em elaboração:

Custos indiretos de fabricação (CIF)

Débito

Crédito

Saldo inicial

W(3)

P(4)

H (saldo)

H (5)

Estoque de produtos em elaboração

Débito

Crédito

Saldo inicial

Y(2)

J(3)

H

(5)

Conclusão da produção e transferência da parcela correspondente dos custos das unidades produzidas para a conta Estoque de produtos aca- bados:

Estoque de produtos em elaboração

Débito

Crédito

Saldo inicial

 

Y(2)

 

J(3)

 

H

(5)

 

V (saldo acumulado)

V (6) (transferência da parcela de custos das unidades concluídas)

 

Estoque de produtos acabados

Débito

Crédito

Saldo inicial

 

V (6)

 
Crédito Saldo inicial   V (6)   70 Este material é parte integrante do acervo do

70 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Venda dos produtos:

Sistemas de custeio variável e por absorção

Estoque de produtos acabados

Débito Saldo inicial V (6) K (saldo acumulado)

Crédito

K(7)

Custo dos produtos vendidos (CPV)

Débito

Crédito

K(7)

O custeio por absorção se dá em etapas.

1.ª etapa – separação dos gastos em custos, despesas e investimentos.

As despesas são levadas a resultado no período em que acontecem.

Os investimentos são ativados e os custos são apropriados aos objetos de custos.

2.ª etapa – classificação dos custos em diretos e indiretos.

Os custos diretos são aqueles que, por meio de medições de consumo, são apropriados aos objetos de custos com facilidade, uma vez que possuem ligação direta com o objeto. Esses custos são apropriados de forma objetiva e economicamente viável. Quando não for possível uma alocação ao objeto de custos por meio de medidas objetivas ou quando a atribuição do custo for economicamente inviável, o custo será indireto.

Os custosindiretos são aqueles distribuídos aos produtos por meio de rateio (técnica de distribuição de custos que se baseia em suposições, critérios).

“Portanto, não basta que alguns custos possam ser identificados como as- sociados a determinado objeto de custeio para serem tratados como custo direto. É necessário, também, que sua alocação seja viável economicamente” (FERREIRA, 2007, p. 52).

Valores imateriais identificados diretamente no objeto de custos, apesar de possuírem natureza direta, são tratados como indiretos porque o benefí- cio resultante da informação produzida, ou seja, do esforço de classificação dessa parcela de custo, não é superior ao trabalho necessário para obter a informação.

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