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Mônica Barros de Lima Starling Nícia Raies Moreira de Souza

Fatores Condicionantes da Captação de Recursos via Lei Estadual de Incentivo à Cultura: Análise de Empreendedores e Projetos Culturais de Minas Gerais

Belo Horizonte Fundação João Pinheiro Agosto de 2004

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Cadernos do CEHC. Série Cultura, n. 10

Starling, Mônica Barros de Lima; Souza, Nícia Raies Moreira de. Fatores condicionantes da captação de recursos via Lei Estadual de Incentivo à Cultura: análise de empreendedores e projetos culturais de Minas Gerais. / Mônica Barros de Lima Starling e Nícia Raies Moreira de Souza – Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 2004. 62 p (Cadernos do CEHC. Série Cultura, n. 10) 1. Política Cultural – Minas Gerais. 2. Incentivo à Cultura – Minas Gerais. 3. Marketing Cultural – Minas Gerais. I. Nícia Raies Moreira de Souza. II Título. III. Série. CDU 008 (815.1)

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Apresentação
O décimo número do caderno do Cehc, Série Cultura, resulta do segundo ano de parceria entre a Fundação João Pinheiro e a Secretaria de Estado da Cultura, que, por intermédio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura e do patrocínio da Telemig Celular, vem desenvolvendo projetos de avaliação do instrumento de renúncia fiscal implementado no estado para o financiamento da cultura. O primeiro projeto - Prestando Contas aos Mineiros: Avaliação da Lei Estadual de Incentivo à Cultura - avaliou o desempenho da Lei em relação à apresentação, aprovação e realização de projetos culturais no período 1998 - 2001 (primeiro edital), identificando as principais áreas culturais beneficiadas, a distribuição dos projetos por regiões de planejamento e municípios e o volume de recursos investidos. A contextualização da implementação desse mecanismo foi obtida por meio da análise da evolução dos gastos públicos com cultura no estado e o impacto na geração de emprego e renda decorrente dos investimentos viabilizados pelos projetos culturais. O segundo projeto – Limites e potencialidades da renúncia fiscal como instrumento de incentivo à cultura: o caso da Lei 12 733 – tem por objetivo apontar e analisar os principais aspectos que condicionam a captação de recursos para a viabilização de projetos culturais por intermédio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Para a realização desse objetivo foram desenvolvidas ações de pesquisa em duas frentes: análise de empreendedores e projetos culturais e pesquisa com as empresas patrocinadoras de projetos culturais no estado de Minas Gerais. Este número traz os resultados da análise de empreendedores e projetos culturais. A análise das estatísticas relativas a projetos culturais apresentados, aprovados e incentivados no período 1998-2002 foi realizada de modo a identificar as características dos empreendedores culturais, observando-se sua distribuição espacial, seu grau de recorrência nas solicitações à lei e sucesso na aprovação e
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identificando os aspectos capazes de condicionar a captação de recursos. a divulgação e o debate sobre a cultura e os rumos da política cultural em nosso estado. Essa análise buscou identificar o perfil do projeto cultural mais adequado ao mecanismo de renúncia fiscal implementado no estado. compreensão e crítica. que viabilizou a realização deste trabalho. demonstrando mais uma vez seu pioneirismo em ações de patrocínio a projetos que contribuam para ampliar o conhecimento. 4 . propiciando sua difusão. Agradecemos especialmente o apoio da Telemig Celular. Agradecemos a Secretaria Executiva da Lei Estadual de Incentivo à Cultura pela disponibilização do banco de dados e presteza nas respostas às nossas solicitações. de forma a possibilitar a delimitação de estratégias que possibilitem seu aprimoramento e maior adequação aos objetivos de uma política pública de cultura. Esse quadro geral do desempenho da lei e de seus beneficiários foi ilustrado pela realização de estudo dos projetos aprovados e incentivados no primeiro edital de 2001.captação de recursos para seu empreendimento. Esperamos que os esforços de análise empreendidos para a construção de uma base de dados sobre a cultura contribua para o conhecimento dos resultados alcançados pela implementação do mecanismo fiscal no financiamento de projetos culturais do estado. Esperamos com isso conferir maior transparência a esse instrumento de política cultural.

.2....................2 Região de planejamento ..................1 Áreas culturais .......2 Perfil dos agentes culturais com projetos inscritos na Lei Estadual de Incentivo à Cultura ................2.............4 Tradição de realização .3 Natureza e objetivos do projeto cultural .................... 30 3 CAPTAÇÃO DE RECURSOS PARA O FINANCIAMENTO DE PROJETOS CULTURAIS: estudo dos projetos aprovados no primeiro edital de 200l ...............1 Estrutura para elaboração de projetos e captação de recursos ....1....................... 19 2... 54 3........... 14 2........................ 13 2......SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ....... 47 3..................................................... 19 2...... 57 3.................1.................................. 49 3..................5 Público-alvo do projeto cultural .......1 Caracterização dos projetos aprovados no primeiro edital de 2001 38 3...............................................................2..2 Fatores condicionantes da captação de recursos para o financiamento de projetos culturais ........................1.....................2 Natureza jurídica do empreendedor .........................3 A distribuição espacial dos projetos culturais em Belo Horizonte .......................... 15 2.... 29 2...................................................1 Empreendedores culturais mal sucedidos na captação de recursos ...2........................................1 Área cultural ..........2................. 57 5 ................1................ 44 3. 37 3.... 26 2............1 Caracterização da demanda potencial e realizada via lei de incentivo ......2...........................2 Empreendedores bem sucedidos na captação de recursos ................... 50 3...........2.............. 7 2 PROJETOS E EMPREENDEDORES CULTURAIS NA LEI ESTADUAL DE INCENTIVO À CULTURA .....................................

.........2............................................8 Reconhecimento público ou consagração de empreendedores culturais .................................................................................................. 78 Anexo B: Caderno de códigos ............. 76 6 ANEXOS Anexo A: Ficha de leitura de projetos culturais ...... 61 3.......2...................6 Plano de mídia .. 60 3...................................7 Carta de intenção de patrocínio .......................... 67 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......... 61 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS . 80 6 ........................3...........................................................................................2.

(Miranda. p. 7 ..36).. a universalização. Dentro dessa concepção.293). a descentralização e a diversidade cultural são dimensões fundamentais para qualquer política pública de cultura.. Entendida dessa forma.FATORES CONDICIONANTES DA CAPTAÇÃO DE RECURSOS VIA LEI ESTADUAL DE INCENTIVO À CULTURA: ANÁLISE DE EMPREENDEDORES E PROJETOS CULTURAIS DE MINAS GERAIS1 “Cultura não é algo a ser distribuído. a distribuição e o uso da cultura. 2 Mônica Barros de Lima Starling é mestre em Ciência Política pela UFMG e pesquisadora do Centro de Estudos Históricos e Culturais da Fundação João Pinheiro. é algo a ser vivido e a ser criado conjuntamente”. criação e fruição dos bens e serviços culturais. O fortalecimento das dinâmicas culturais depende da consolidação desses ideais. 1997. a política cultural se apresenta como o conjunto de iniciativas que pretende promover a produção. 2003.]cada um viva e realize a sua cultura[. 1 As autoras agradecem a leitura crítica e sugestões de Sylvana de Castro Pessoa Santana e Bernardo Novais da Mata-Machado.. 2003) Mônica Barros de Lima Starling2 Nícia Raies Moreira de Souza3 1 INTRODUÇÃO As políticas públicas de cultura visam a satisfazer as necessidades culturais da população e a criar condições para a produção. pesquisadores da Fundação João Pinheiro. a preservação e a divulgação do patrimônio histórico e o ordenamento do aparelho burocrático por ela responsável (COELHO. Um de seus papéis mais importantes é dar visibilidade e apoio às múltiplas criações culturais. 3 Nícia Raies Moreira de Souza é mestre em Sociologia pela UFMG e pesquisadora do Centro de Estudos Históricos e Culturais da Fundação João Pinheiro. possibilitando que cada vez mais “[. p.]” (FARIA.

as sociedades O direito autoral foi o primeiro direito cultural mundialmente regulado. Assim. 2000). difundir e fruir a cultura devem estar presentes em todo o território em que incide a política. o direito à cultura a toda população. e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais”. que reverta a tendência de a política cultural historicamente relacionar-se aos produtos e bens simbólicos produzidos pelos estratos privilegiados da população e direcionados a esses mesmos estratos (MACHADO. Nesse sentido. O princípio de cidadania cultural baliza as diversas práticas que possibilitam garantir. Esses são o direito autoral 4 . Esse último inclui três dimensões: o direito à livre criação. O Brasil incorpora o direito cultural como direito fundamental na Constituição de 1988. em todos os níveis.A universalização está intrinsecamente associada à noção de direitos culturais. que foi formalizada pelas Organizações das Nações Unidas em 1948 com a Declaração Universal dos Direitos Humanos. o direito à livre fruição e o direito à livre difusão dos bens culturais5 . A diversidade cultural brasileira é um aspecto essencial a ser levado em consideração na formulação das políticas culturais. O direito à participação na vida cultural implica a descentralização geográfica e administrativa da política cultural. 4 8 . Pressupõe-se que o reconhecimento e a universalização de direitos culturais abranjam os critérios necessários ao delineamento de uma política pública de cultura. que estabelece no artigo 215: “O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional. Sobre esta discussão de direitos culturais ver: Machado (2000) e Faria (2000). a descentralização das políticas culturais pressupõe uma abordagem “sociológica”. 5 Os direitos culturais elencados aqui se referem àqueles garantidos aos indivíduos. Machado (2000) trata também dos direitos assegurados aos povos que são o direito à identidade cultural e o direito-dever de cooperação cultural internacional. Em sua maioria. as condições de criar. e o direito à livre participação na vida cultural.

Considerando. etc. Esse. No Brasil. A uniformização cultural decorrente desses processos tende a comprometer a diversidade cultural encontrada tanto entre países quanto entre grupos culturais no mesmo território.” (MOISÉS. a pequena destinação de recursos ao setor cultural. Por fim. tais como as restrições orçamentárias do Estado. nas tradições e nos idiomas de cada coletividade e inclui uma ampla variedade de experiências que fundamentam a criatividade e a singularidade dos povos. por sua vez. a adoção de regras capazes de lidar com todas essas questões. p.contemporâneas são multi-culturais e multi-étnicas. encontra-se intrinsecamente relacionado ao direito à informação que demanda a democratização dos meios de comunicação. as intensas desigualdades sócioeconômicas que colocam parte da população em estado de ausência de condições mínimas de sobrevivência. Essa diversidade baseia-se na história. sd. O delineamento de políticas culturais pautadas na cidadania cultural sofre limitações de diversas ordens. o que indica uma diversidade de referências para definir formas de inserção nas sociedades e modelos de vida. a globalização dos mercados acabou por gerar uma tendência à padronização dos hábitos de consumo em escala mundial. A preocupação com a diversidade cultural exige.se que a formação da identidade dos povos passa necessariamente pelo processo de reconhecimento de suas particularidades.] a aceitação dos modos de ser dos outros opera como um elemento central do próprio processo de auto-identificação... juntamente com as transformações tecnológicas que possibilitaram uma redução do espaço e do tempo e com a fusão das indústrias culturais (como a do audiovisual e da informática). as ações estatais para o setor cultural têm como principal 9 .2) É fato que. “[. portanto. o direito à participação na vida cultural pressupõe a dimensão do direito à livre difusão dos bens culturais.

em 2001. estados e municípios como instrumento privilegiado de incentivo à cultura. ver: Moisés (1988). a renúncia fiscal vem sendo utilizada pela União. A partir de 1986.9 milhões. R$ 12. a Lei Estadual de Incentivo movimentou. publicitárias ou de retorno de imagem institucional.2). as leis de incentivo baseadas na renúncia fiscal têm sido alvo de controvérsias e debates sobre sua verdadeira contribuição para o desenvolvimento cultural. estadual e municipal têm sido o principal mecanismo de fomento ao setor. Desde sua implantação. pode-se inferir que os recursos destinados à promoção de atividades artísticas e culturais são bastante inferiores 6 Sobre financiamento da cultura e as leis de incentivo no Brasil. enquanto as empresas realizam o patrocínio cultural com finalidades promocionais. De fato. o volume de recursos que passou a ser injetado na área artística e cultural gerou certo dinamismo.4 milhões. levando ao crescimento do número de projetos culturais patrocinados e dos valores gastos com cultura. as leis de incentivo à cultura nos níveis federal. v. Esse instrumento baseia-se na dedução de imposto devido ao poder público por pessoas físicas e jurídicas que façam investimentos em atividades artísticas e culturais. Segundo pesquisa da Fundação João Pinheiro (1998. vale notar que. Tôrres (2001) 1 0 . com a chamada Lei Sarney. enquanto a execução orçamentária da Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais e das entidades por ela supervisionadas atingiu R$ 25.instrumento de política o patrocínio cultural via renúncia fiscal6. em valores correntes. para custeio. mediante o primeiro edital daquele ano. 72% foram empregados para o pagamento de pessoal. A título de exemplo. e 22%. O incentivo empresarial à cultura via renúncia fiscal consiste na transferência de recursos aos produtores culturais para a realização de seus projetos. Na medida em que desse total de R$ 25.9 milhões.

além de ter fornecido evidências importantes a respeito desse mecanismo.aos valores da renúncia fiscal orientados para o setor (FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO. 1 1 . principalmente em decorrência da escassez do apoio direto resultante da crise financeira do Estado brasileiro. buscou-se explorar as seguintes questões: quais características diferenciam os projetos que conseguem patrocínio daqueles que não conseguem? Qual é o perfil dos agentes culturais bem sucedidos no pleito desses benefícios e na captação de recursos? O modelo de financiamento à cultura via incentivo fiscal tem democratizado a utilização dos recursos públicos. foram realizados estudos a partir do banco de dados da Secretaria de Estado da Cultura. A pesquisa. Analisou-se ainda a evolução dos gastos públicos com cultura e a capacidade geradora de renda e empregos dos projetos beneficiados pela lei. estratificados de acordo com a área cultural. A demanda realizada corresponde ao volume de recursos captados pelos empreendedores. a avaliação do desempenho da lei está centrada na evolução do número de projetos apresentados. Na primeira. Na segunda etapa do processo de avaliação da lei. facilitando a livre participação na vida cultural. a magnitude deste valor demonstra que a renúncia fiscal pode ser considerada o braço principal da política pública de fomento ao setor artístico-cultural do estado. e buscou-se avaliar o desempenho da lei em relação à demanda potencial e à realizada7 no período 1998 a 2001 (primeiro edital). acabou por gerar novas indagações. atendendo à diversidade cultural de Minas Gerais e atingindo as várias regiões do estado? O estudo realizado para responder essas questões foi subdividido em duas partes. Assim. 2003). Na primeira etapa da avaliação da Lei Estadual de Incentivo à Cultura (FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO. 7 A demanda potencial corresponde ao total de recursos pleiteados pelos projetos culturais. aprovados e incentivados bem como do volume de recursos nessas três etapas. 2003).

esse processo ainda não havia se completado. O estudo tomou por base os projetos culturais aprovados no primeiro edital de 2001. A segunda parte do relatório baseia-se em uma análise do perfil do projeto cultural mais adequado9 ao mecanismo de incentivo fiscal implementado em Minas Gerais. analisar de forma sucinta as tendências delineadas. A pesquisa realizada com essa finalidade tomou por base o período 1998-20028 . assim. A adequação ao instrumento de incentivo fiscal foi analisada em função da capacidade de captação de recursos junto a empresas patrocinadoras. Com esse intuito. Na segunda etapa de avaliação da lei buscou-se. o sucesso no que diz respeito a sua capacidade de aprovação de projetos e captação de recursos para seu empreendimento.a natureza jurídica e a região de planejamento. por exemplo. sua distribuição espacial. a especificidade da atual pesquisa foi a leitura dos dados feita de modo a identificar as características do empreendedor cultural. estrutura profissional ou de apoio para 8 A análise do desempenho da lei foi objeto do projeto Prestando Contas aos Mineiros: Avaliação da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. por meio da atualização dos dados. Observa-se. uma vez que. reconhecimento público do artista ou sua notoriedade e legitimidade no campo de produção. objetivos do projeto cultural. tradição do projeto cultural. eventos ou manutenção de entidades artísticos culturais). natureza do projeto cultural (produto cultural. relacionar as informações dos projetos culturais com dados relativos aos próprios empreendedores. amoldado. 1 2 . Em relação àquela desenvolvida no projeto Prestando Contas aos Mineiros. foram estudadas as características dos projetos culturais com relação aos seguintes aspectos: área cultural. natureza jurídica do proponente. seu grau de recorrência nas solicitações à lei. ajustado à natureza do mecanismo de incentivo fiscal em estudo. Buscou-se. entretanto. Deve-se ressaltar. por época do levantamento dos dados. a parcialidade dos dados de captação para 2002. 9 O termo adequado foi utilizado no sentido de apropriado. público-alvo.

caracterizam-se os projetos inscritos na Lei Estadual de Incentivo à Cultura no período 1998-2002. elas não invalidam o esforço de análise executado e sua representatividade em relação aos demais editais. A hipótese é de que. especialmente em relação à captação de recursos. A justificativa para a escolha do primeiro edital de 2001 está relacionada à oportunidade de visualização do processo de enquadramento e realização de projetos à Lei de Incentivo como um todo – apresentação. A segunda seção apresenta um perfil dos agentes culturais que demandaram recursos à lei 10 Deve-se acrescentar ainda como justificativa para a escolha do 1º edital de 2001 o fato de que. variável-chave para a compreensão do perfil do projeto cultural e de sua adequação ao mecanismo de renúncia fiscal 10 . prévia articulação com o patrocinador (carta de intenção de patrocínio) e características dos planos de mídia e recursos de divulgação a serem utilizados. 2 PROJETOS E EMPREENDEDORES CULTURAIS NA LEI ESTADUAL DE INCENTIVO À CULTURA Esta parte foi subdividida em duas seções. 1 3 . os projetos deste edital encontravam-se disponíveis para a consulta da equipe técnica da Fundação João Pinheiro. por época do início dos trabalhos. observando-se a representação das áreas culturais. não haveria projeto algum em situação de pendência. A análise dos projetos culturais foi realizada a partir de um roteiro preestabelecido. a distribuição regional dos projetos e a distribuição espacial no município de Belo Horizonte. que serão apontadas posteriormente. de forma a assegurar um mínimo de padronização em sua leitura e seu fichamento (ANEXO A: Ficha para a Leitura de Projetos Culturais). aprovação e captação. Na primeira. em relação a esse período. Apesar de especificidades apresentadas por esse edital.elaboração e negociação do projeto. em abril de 2003.

o número de projetos inscritos permaneceu aproximadamente no mesmo nível. na primeira seção. 2. foram aprovados. os resultados e a análise são distintos de acordo com o referencial utilizado. 13 A taxa anual média de crescimento é estimada por r={[(Vn/Vi)1/n]-1}*100. os empreendedores.estadual do ponto de vista dos resultados alcançados na viabilização dos projetos culturais. Assim. Desta feita. a taxa média anual13 de crescimento totalizou 11% em todo o período. Vi: valor do ano inicial e n: número de editais no período considerado. em média. que sofreu redução no edital seguinte (14%) e voltou a apresentar forte elevação em 2002 (48. Foram aprovados 3 895 projetos. Nos três primeiros anos da série. no primeiro edital de 2001 houve um expressivo aumento da demanda em relação ao ano anterior (44. Assim. Vale notar que o número de projetos aprovados apresentou expressiva elevação no segundo edital de 2001 e em 2002. 56% e 51% dos projetos apresentados.2% dos projetos apresentados foram aprovados pela Os dados estatísticos que serviram de base a esse estudo são originários do banco de dados da SELEI antes de sua reorganização iniciada em abril de 2004. onde Vn: valor do ano final.2%). se o primeiro ou o segundo. 31%. 14 Em 1998. depois da inflexão observada no primeiro edital de 2001. respectivamente. o foco são os projetos culturais. 1 289.1 Caracterização da demanda potencial e realizada via lei de incentivo1 1 Nos seis editais da Lei Estadual de Incentivo à Cultura (1998-2002)12 foram apresentados 7 734 projetos artístico-culturais. na segunda. Esta distinção é necessária uma vez que cada empreendedor pode apresentar até dois projetos a cada edital da Lei. 64. No edital de 2002. na primeira seção o foco da análise são os projetos culturais enquanto na segunda são os empreendedores. Neste trabalho quando houver referência a este ano será discriminado o edital. Os demais editais se referem aos anos em que foram publicados. a cada edital. Entretanto. 1999 e 2000. 12 No ano de 2001 houve dois editais. 11 1 4 . em média de 649 por edital.6%).

1). Assim. 1 5 . 35. 68. A demanda potencial totalizou 1. 2003).6% no edital anterior. 2. que abarca 24. Assim. existem disparidades entre as diversas áreas culturais em relação à demanda por financiamento.4% dos projetos apresentados. A segunda área mais atendida pela lei é a de artes cênicas. foram aprovados 179 milhões e captados 77. constatou-se que as áreas com taxas anuais de crescimento mais elevadas foram a de seminários e cursos (22. Quanto à captação de recursos15 .4%). observou-se crescimento da quantidade de projetos efetivamente realizados com recursos da renúncia fiscal a uma taxa anual média de 21% em toda a série.3% dos aprovados e 32.12 bilhão.1. contra 26% no primeiro edital de 2001 14 .3% dos captados (graf.1% dos aprovados e 36% dos incentivados pertencem à área de música. artes cênicas (14. No tocante à apresentação de projetos. 33.7 milhões16 no período. Os dados de captação dos projetos aprovados do edital de 2002 são parciais. a taxa média anual de crescimento de projetos aprovados oscilou em torno de 25. 26.7%).1 Área cultural Como apontado em trabalho anterior (FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO. música (14. 15 16 Não foram considerados neste relatório os projetos que foram realizados com recursos de dívida ativa.1% dos projetos apresentados. ao volume de projetos aprovados e à sua realização via renúncia fiscal.3%) e folclore (14%).4% no período.Comissão Técnica de Análise de Projetos (CTAP).

7 . Nota: Sinal convencional utilizado: . 4 . vídeo. artes plásticas.design. 10 . 6 .dado numérico igual a zero não resultante de arredondamento. dança. Elaboração: Fundação João Pinheiro (FJP).bibliotecas. fotografia e congêneres. 2 . 9 .cinema.teatro. 3 . (2) No ano de 2001 houve dois editais.música.pesquisa e documentação. 8 preservação e restauração do patrimônio histórico e cultural. 5 . em estabelecimento de ensino sem fins lucrativos. . inclusive obras de referência. (1) Áreas Culturais: 1 .literatura.bolsas de estudo nas áreas cultural e artística. museus e centros culturais. à especialização e ao aperfeiçoamento de pessoal na área de cultura.seminários e cursos de caráter cultural ou artístico destinados à formação. Centro de Estudos Históricos e Culturais (CEHC). circo. APROVADOS E INCENTIVADOS PELA LEI ESTADUAL DE INCENTIVO À CULTURA POR ÁREA CULTURAL – MINAS GERAIS – 1998-2002 Tabela 1 Ver próxima página Fonte: Dados básicos: Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais (SEC/MG).folclore e artesanato.1 6 TABELA 1: PROJETOS CULTURAIS APRESENTADOS. revistas e catálogos de arte. filatelia e congêneres. ópera e congêneres. artes gráficas. arquivos. 11 .

...200101 02 62 8 7 86 20 7 2 9 12 3 10 226 120 24 12 176 20 7 2 7 17 15 400 2002 124 19 9 151 16 7 1 1 18 11 15 372 Total 495 96 51 553 103 42 11 39 76 16 49 1531 .......... 10 . 4 . 7 ..... 6 .. 11 .PROJETOS ÁREA (1) 1998 1 ................. Total .200101 02 84 16 15 151 47 7 8 21 22 3 12 386 231 95 18 368 51 13 14 22 34 1 27 874 2002 322 104 34 479 74 31 15 41 52 13 50 1215 Total 1026 360 152 1369 344 98 68 175 165 25 113 3895 1998 44 8 6 29 13 7 1 4 6 1 119 1999 58 10 5 40 16 6 2 8 12 1 6 164 Incentivados 2000 87 27 12 71 18 8 3 10 11 3 250 2001.. 202 168 57 315 106 25 33 37 43 7 22 1015 1999 218 140 55 338 123 25 34 47 35 6 27 1048 Apresentados 2000 251 124 72 334 96 23 22 44 43 2 15 1026 2001....200101 02 388 152 92 471 170 35 22 53 53 4 40 1480 347 138 52 426 100 27 32 38 63 3 47 1273 2002 460 187 60 702 148 55 53 68 71 14 74 1892 Total 1866 909 388 2586 743 190 196 287 308 36 225 7734 1998 92 21 26 77 40 18 2 23 10 2 2 313 1999 146 57 27 157 80 15 19 36 23 5 19 584 Aprovados 2000 151 67 32 137 52 14 10 32 24 1 3 523 2001........ 9 ..... 3 .... 5 .................. 8 ........... 2 ........

literatura.0 5.6%).9%).design.preservação e restauração do patrimônio histórico e cultural. pesquisa e documentação (39. Os resultados da captação de recursos disponíveis até o momento indicam uma taxa anual média de crescimento de 20.0 25. à especialização e ao aperfeiçoamento de pessoal na área de cultura.bolsas de estudo nas áreas cultural e artística.0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 % apresentados aprovados incentivados Fonte: Dados básicos: Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais (SEC/MG).seminários e cursos de caráter cultural ou artístico destinados à formação.0 0. bolsas de estudo (36. música (35. em estabelecimento de ensino sem fins lucrativos. arquivos. 6 . Áreas Culturais: 1 . 8 . 3 .6%). 7 .folclore e artesanato. biblioteca e centros culturais (31. filatelia e congêneres. 11 .bibliotecas. vídeo. artes gráficas.6%) e cinema (30. APROVADOS E INCENTIVADOS PELA LEI ESTADUAL DE INCENTIVO À CULTURA – MINAS GERAIS – 19982002 40.teatro.pesquisa e documentação.música.6%). 10 . As áreas que apresentaram taxa anual média de crescimento acima da média foram: seminários e cursos (71%). dança. ópera e congêneres.GRÁFICO 1: PARTICIPAÇÃO DE CADA ÁREA CULTURAL NO TOTAL E PROJETOS CULTURAIS APRESENTADOS. revistas e catálogos de arte. inclusive obras de referência. 5 . 2 . circo. As principais áreas responsáveis por esse aumento são a de seminários e cursos e a de bolsas de estudo.cinema. artes plásticas. fotografia e congêneres.0 15.0 20.0 35.0 10. museus e centros culturais. A primeira 1 7 .9%. 4 .0 30. Já a aprovação teve resultado distinto. Elaboração: Fundação João Pinheiro (FJP). Centro de Estudos Históricos e Culturais (CEHC). 9 .

APROVADOS E INCENTIVADOS PELA LEI ESTADUAL DE INCENTIVO À CULTURA SEGUNDO REGIÃO – MINAS GERAIS – 1998-2002 Central Demais Regiões 100. Centro de Estudos Históricos e Culturais (CEHC).0 1998 1999 2000 2002 1998 1999 2000 2002 1998 1999 2001-01 2001-02 2001-01 2001-02 N or oe s 2000 2001-01 APRESENTADOS APROVADOS INCENTIVADOS Fonte: Dados básicos: Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais (SEC/MG).0 80. Centro de Estudos Históricos e Culturais (CEHC). 1 8 2001-02 2002 o D oc e Su ld eM in as Tr iâ ng ul o Ri .0 0.0 0.0 70. Elaboração: Fundação João Pinheiro (FJP).0 60.0 20.0 60. Elaboração: Fundação João Pinheiro (FJP).0 40.0 20.0 30.0 30.0 50.0 70.0 50.0 10. GRÁFICO 3: EVOLUÇÃO DOS PROJETOS APRESENTADOS.0 80.0 90.0 Ce nt Ce ro -O nt ra es l te de Je qu M iti in nh as on ha /M uc ur i Pa ra na íb a ap resentados ap rovados incentivados % M at a te de M in as N or te de M in as A lto Fonte: Dados básicos: Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais (SEC/MG).0 40.0 10.GRÁFICO 2: DISTRIBUIÇÃO DOS PROJETOS APRESENTADOS. APROVADOS E INCENTIVADOS PELA LEI ESTADUAL DE INCENTIVO À CULTURA SEGUNDO REGIÃO DE PLANEJAMENTO – MINAS GERAIS – 1998-2002 90.

4% da aprovação em 1998 e passaram a responder por 73. A taxa anual de crescimento dos projetos das áreas de música e de artes cênicas perfaz uma média de.4% no edital de 200217 .5% dos projetos apresentados.6% e 18. respondiam por 85. nos editais posteriores. Em todo o período aumenta a participação do centro-oeste de Minas.2 Região de planejamento No período 1998-2002. Os projetos da região Central.1.6% dos incentivados. No primeiro edital de 2001.1% em 2002. do Triângulo. No entanto. verifica-se uma redução paulatina dos projetos dessaregião que demandam recursos da Lei em comparação às demais. 2. do Triângulo e da Zona da Mata. Na instância da aprovação também se constata uma relativa desconcentração. da Zona da Mata. 79. 17 1 9 .5% até o momento. com a região Central respondendo por 78. a participação dos projetos da região Central aumenta novamente e eles passam a representar 77.3 A distribuição espacial dos projetos culturais em Belo Horizonte Com o objetivo de verificar a distribuição espacial da produção cultural financiada com recursos públicos disponibilizados pela lei estadual. No entanto.6% dos aprovados e 75.1. verificou-se grande concentração na distribuição dos projetos apresentados por região de planejamento do estado.não apresentou projeto algum com captação no primeiro ano da lei e já possui 15 projetos no edital de 2002. respectivamente. Os projetos da região Central equivaliam a 90. do sul de Minas e do centro-oeste de Minas.6% dos projetos apresentados. 2. 31. a participação dos projetos das outras regiões de planejamento volta a se elevar. realizados com recursos da renúncia. Essa redistribuição foi em favor do Vale do Rio Doce. A segunda passou de um projeto realizado para 11 nesse período.6% do total de projetos apresentados em 1998 e declinam para 73. buscou-se. do Vale do Rio Doce.

já que seus endereços não constavam dos mapas pesquisados18 . e as demais. as diferenças encontradas entre as regiões do país são reproduzidas em Minas Gerais. leste. 48 empreendedores localizam-se em bairros cuja classificação por região foi impossível. no que diz respeito à utilização das leis federais de incentivo à cultura. Dois bairros merecem destaque por apresentarem um volume considerável de projetos culturais: a Floresta. o que gerou alguns problemas quando o bairro encontrava-se em mais de uma região administrativa.2% dos aprovados e 64. quase a metade dos projetos pertence aos agentes culturais da região centrosul. Esse recorte espacial constitui um exercício ilustrativo da centralização dos recursos em determinados locais. centro-sul. Interessante notar que. situá-lo nas nove regiões administrativas do município de Belo Horizonte.9% dos projetos apresentados. Assim. 2 0 . e Santa Efigênia. onde 80% dos projetos são de empreendedores da região Central do estado. As regiões administrativas são: Barreiro. 5 143 pertencentes ao município de Belo Horizonte. cuja área interna à Avenida do Contorno pertence à região centrosul. cuja área hospitalar pertence à região centro-sul. norte e Venda Nova. segundo os critérios da Prefeitura de Belo Horizonte. e as demais. Além disso. optou-se por considerar que os empreendedores localizados nesses bairros pertencem à região leste. o universo em que se trabalhou essa variável conta com 7 686 projetos. Em virtude das dificuldades de operacionalizar essas classificações.5% dos que captaram recursos – esse exercício é de suma importância para a compreensão da centralização de recursos. à região leste. A classificação teve como referência os bairros onde se localizavam os empreendedores. à região leste.a partir do endereço do empreendedor. 18 Isso pode ter ocorrido como resultado de problemas de endereço no banco de dados. oeste. Dado o peso da capital nas três instâncias do processo de renúncia fiscal – 66. 68. No que diz respeito ao município de Belo Horizonte. noroeste. Pampulha. nordeste.

No caso da região oeste. 19 2 1 . o que gerou uma estruturação do espaço socialmente segregada. ao invés de se considerar o número de projetos.3%.9%. da região leste e 11. indicando. 2003). A utilização do espaço responde à estratificação social. 0. SOUZA.5% são de empreendedores da região centrosul. Desde sua construção. um processo de periferização (TEIXEIRA. Venda Nova. somente 0. constata-se uma concentração nas regiões em que residem os estratos sociais mais elevados do município. e o município de Belo Horizonte possui características peculiares nesse sentido. o peso de bairros como Gutierrez (com características de região centro-sul) demonstra que a periferia da cidade participa muito pouco da demanda por recursos públicos para o patrocínio de projetos culturais. 15. já em sua formação. A área de residência pode ser considerada uma proxy de status sócioeconômico. da região oeste. e norte apresentaram. encontram-se os centros de serviços mais importantes.9% e 1. Nesse sentido. Além do núcleo planejado. constata-se que as regiões periféricas como Barreiro. Vale notar que a região leste possui grande peso de projetos que poderiam estar inseridos na região centro-sul. as distribuições geográficas são bem parecidas. percebe-se que 49. considerando somente os projetos cujos proponentes residem em Belo Horizonte.Assim. Isso indica que tanto esses quanto aqueles são predominantes na região centro-sul. for analisado o de empreendedores.7%. O que esses números indicam? Em primeiro lugar. respectivamente. no qual as classes mais privilegiadas puderam ocupar espaços com melhor infra-estrutura urbana. No núcleo central da cidade e também da região metropolitana. o que tende Se. dos projetos de Belo Horizonte19 .1%. concentrando os benefícios urbanos e as classes sociais dominantes. Na outra ponta. a cidade contou com um espaço de povoações descontínuas. foi marcado pelo forte controle do Estado sobre seu crescimento. vale fazer uma reflexão do que o local de residência demonstra em relação ao empreendedor.

A Pampulha é também um espaço da elite. simultaneamente. o bairro São Luiz. Assim. o processo de ocupação e elitização da Pampulha só assume sentido estruturante devido à característica de ser uma “[. Porém. os componentes desses grupos ou os trabalhadores dessas associações não residem necessariamente na região central. mas também do seu local de trabalho. os equipamentos e bens culturais tendem a se concentrar nas regiões centrais das cidades. como é nosso objetivo. Desse modo. de inclusão social. a análise da distribuição espacial desses grupos artísticos ou dessas instituições diz sobre a concentração21 dos bens e equipamentos culturais.]projeção de funções do Núcleo Central. favoreceram a periferização de seu entorno. tendem a ter sua sede nas áreas centrais da cidade.a reforçar a elitização de seu espaço. por exemplo. onde reside a população de poder aquisitivo mais elevado.. Considerando-se que as classes sociais20 estão distribuídas territorialmente. Segundo Teixeira e Souza (2003. em especial.24). No entanto. No entanto. embora estejamos cientes de que esses termos possuem significados diferentes nas teorias de estratificação social. estrato social e grupo populacional como sinônimos. p. maiores consumidores de arte e de bens culturais. Essa área corresponde àquela originariamente planejada. A região angariou investimentos públicos que a ela forneceram a função de espaço elitizado. Nesse último caso. mas não sobre o estrato social do empreendedor. os grupos artísticos ou as associações de amigos. os termos classe social. dentre outros. O endereço do empreendedor cultural apresentado anteriormente pode ser de sua residência. sem lhe ser contígua”. a fim de captar o status socioeconômico dos empreendedores culturais torna-se necessário considerar apenas aqueles cuja natureza jurídica Utilizam-se. 20 A desconcentração desses equipamentos e bens tem sido objetivo de diversas políticas públicas em direção à sua universalização. essa análise foge do objetivo deste estudo. neste estudo. ampliando-a em direção ao sul. 21 2 2 . São usados aqui no sentido de grupos populacionais com relativa homogeneidade em relação aos rendimentos e à escolaridade.. mas também de redução da criminalidade.

... Noroeste .........9 49...4 34........... 2 3 ..................0 52... Leste .......5 Fonte: Dados básicos: Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais (SEC/MG). Total .... Norte ..............2 48................... Pampulha . Elaboração: Fundação João Pinheiro (FJP).................................2002 2000 1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400 200 0 barreiro centro sul leste em número de projetos apresentados aprovados nordeste noroeste oeste pampulha norte venda nova Fonte: Dados básicos: Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais (SEC/MG). Elaboração: Fundação João Pinheiro (FJP)..........................................2 39........ Nordeste ...............1 48.....TABELA 2: DISTRIBUIÇÃO DOS PROJETOS CULTURAIS APRESENTADOS E APROVADOS POR PESSOA FÍSICA À LEI ESTADUAL DE INCENTIVO À CULTURA E ÍNDICE DE APROVAÇÃO SEGUNDO REGIÃO ADMINISTRATIVA – BELO HORIZONTE – 1998-2002 REGIÃO ADMINISTRATIVA APRESENTADOS (A) APROVADOS (B) ÍNDICE DE APROVAÇÃO (%) (B)/(A) Barreiro ... Venda Nova .................................9 50.....................8 45........................... GRÁFICO 4: DISTRIBUIÇÃO DOS PROJETOS CULTURAIS APRESENTADOS E APROVADOS POR PESSOA FÍSICA À LEI ESTADUAL DE INCENTIVO À CULTURA SEGUNDO REGIÃO ADMINISTRATIVA – MINAS GERAIS – 1998 . Centro de Estudos Históricos e Culturais (CEHC)................................... Centro-Sul ............... 43 1 867 609 217 331 488 292 71 63 3 981 18 974 293 106 152 247 129 28 22 1 969 42.................... Centro de Estudos Históricos e Culturais (CEHC)......... Leste .....6 44...............

contraria os limites da própria democracia brasileira. O endereço que consta no banco de dados é. na maior parte das vezes. 1. A elevada concentração espacial dos incentivos concedidos pelos mecanismos de incentivo à cultura do governo federal. à região leste e 12. no que tange aos rendimentos e à escolaridade. que condicionam a ação cultural regionalizada. segundo Mizziara (1997). Dessa feita. 22 2 4 . assim. como dito anteriormente.4% da região norte.9% do Barreiro.é de pessoa física22 .3%. os espaços culturais a serem criados pelas instituições públicas deverão ser construídos em função da possibilidade de a população ocupar esses espaços. a autora reivindica uma política cultural que “[. 1997). A cidade é um espaço de realização da economia e da política. à oeste. contra 0.3%. mas também um espaço de identidades. de memórias.1% da região de Venda Nova e 1.. 15. as características e peculiaridades do centro e da periferia. o local de residência pode ser considerado uma proxy de status sócioeconômico na medida em que a utilização do espaço das cidades tende a responder pelas divisões dos estratos populacionais. Nesse sentido. Como não existem variáveis sócioeconômicas no banco de dados. Aceitar que os direitos culturais incidam somente em algumas regiões é admitir que somente nelas há cidadãos.]salvaguarde tanto a diversidade quanto o acesso geograficamente democrático à cultura. o de sua residência. pois todos nós somos cidadãos. Nesse sentido. de encontros (FARIA.” No entanto. 47% dos projetos apresentados por pessoas físicas pertencem à região centro-sul. refletindo.. vale notar que a análise da região administrativa dos empreendedores culturais que atuam como pessoa física praticamente não apresentou diferença da realizada com o universo dos empreendedores culturais.

2 5 . conforme tabela 2. dá o aval aos projetos culturais para que possam ir ao mercado em busca de patrocínio. Apenas os empreendedores da região centro-sul e oeste apresentaram um indicador superior à média. o Estado. em última instância.5%). enquanto 52.9% dos projetos apresentados por empreendedores de Venda Nova o foram. o índice de aprovação gravitaria em torno da média (49. No entanto. Avaliando somente os empreendedores que procuraram o Estado. se todos os empreendedores tivessem a mesma chance de aprovação. somente 34. independentemente de sua localização. O índice de aprovação diminui na medida em que avançamos para a periferia da cidade. Nesse momento.A análise anterior refere-se à demanda potencial dos agentes culturais ao Estado. pretende-se considerar a aprovação dos projetos culturais pela CTAP . Para avançar em direção da compreensão do atendimento dessa demanda. constatase que.2% dos projetos de empreendedores localizados na região centro-sul foram aprovados.

O número de agentes culturais que apresentam projetos. pessoas jurídicas com e sem fins lucrativos e entidades públicas. A caracterização dos empreendedores culturais que demandam a viabilização de seus projetos mediante recursos públicos é a principal tarefa desta parte do trabalho. Entre 1998 e 2002. dentre pessoas físicas. Desse total de empreendedores. e 22.2. 20% (765) conseguiram viabilizar seus projetos por meio da renúncia fiscal. 41 agentes culturais apresentaram dez ou mais projetos. 2 6 . os 7 734 projetos apresentados pertencem a 3 825 empreendedores23 culturais. de um lado observa-se que 56.4%. sua recorrência na demanda por esse tipo de incentivo e alguns indícios de sua forma de atuação (a partir de variáveis que constam no banco de dados. A análise da quantidade de projetos inscritos por requerente indica as continuidades e descontinuidades no processo de realização dos projetos artísticos culturais com recursos de renúncia fiscal em Minas Gerais. 3) 23 Os termos empreendedores culturais e agentes culturais estão sendo utilizados como sinônimos neste estudo. como sua natureza jurídica. Assim.5% dos empreendedores apresentaram apenas um projeto à lei. De outro lado. apenas dois projetos. no período de 1998 a 2002. buscou-se analisar suas características e dos projetos por eles apresentados. o que perfaz 1. Pretendem indicar pessoas ou instituições que apresentam algum projeto à Lei Estadual de Incentivo à Cultura. que conseguem sua aprovação e daqueles que efetivamente realizam seus trabalhos são dimensões importantes nesta caracterização. as empresas que financiam seus projetos e as áreas dos projetos apresentados).2 Perfil dos agentes culturais com projetos inscritos na Lei Estadual de Incentivo à Cultura A fim de compreender os diferentes resultados alcançados pelos empreendedores culturais.1% do total de empreendedores (tab.

.....1 Total . 11 0.........1 03 ........ dando-lhes chance de viabilizar seus projetos por meio da renúncia fiscal.....4 22 1..1 07 ..........3 10 ...... A proporção de agentes culturais que apresentou apenas um projeto à lei estadual é de 56................1998-2002 EMPREENDEDOR CULTURAL QUANTIDADE DE PROJETOS Projetos Apresentados Projetos Aprovados Projetos incentivados Abs % Abs % Abs % 12 ...........1% dos que conseguiram captar recursos (tab..................................3 5 0. 3 825 100 2 055 100.......... 31 0................5 6 0.0 Fonte: Dados básicos: Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais (SEC/MG).1 11 ....5 6 0........................5%............... enquanto eles totalizam 60......4 389 18..... Centro de Estudos Históricos e Culturais (CEHC)..... 89 2........................6 27 3...3 3 0........7 05 ..................4 09 .........9 164 8............1 1 0...2 2 0......... 11 0.........4 1 0..................8 437 57...........0 02 .............0 765 100............. aprovação e captação de recursos)............0 21 2...................................1 5 0.. 19 0..8 9 0.......... 2 161 56............. Isso pode indicar um esforço da CTAP para estimular esses “novos” agentes no processo.... 95 2.................. 304 7.......5 54 2............8% dos que aprovaram projetos e 57...MINAS GERAIS .............................. 175 4............. 54 1........5 1 249 60. 856 22....5 04 . 3)................ Um ponto a destacar é a comparação entre a proporção de novos empreendedores (aqueles com um único projeto apresentado) dentre as três etapas do processo de incentivo fiscal (apresentação......3 01 ..TABELA 3: QUANTIDADE DE PROJETOS CULTURAIS APRESENTADOS APROVADOS E INCENTIVADOS PELA LEI ESTADUAL DE INCENTIVO À CULTURA POR EMPREENDEDOR CULTURAL ....2 47 6.... Elaboração: Fundação João Pinheiro (FJP)... Esse confronto indica uma aprovação superior desses projetos em relação ao seu peso dentre os apresentados..........3 5 0..............................3 3 0.................................3 41 2. 19 0.......0 61 8...... 2 7 .....9 155 20......6 107 5............................7 08 ....7 06 ..

....... 5 .......7 342 19... QUANTIDADE DE EMPREENDEDORES Abs............................................. 2 8 .......... % 1 0................. Elaboração: Fundação João Pinheiro (FJP)........ 4 .....................3 1 360 76...8 1 770 100 Fonte: Dados básicos: Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais (SEC/MG)........ 3 ................... Centro de Estudos Históricos e Culturais (CEHC)............................1 18 1......0 48 2....................................................................... Total ...........TABELA 4: DISTRIBUIÇÃO DE EMPREENDEDORES QUE APRESENTARAM PROJETOS À LEI ESTADUAL DE INCENTIVO À CULTURA E NÃO CONSEGUIRAM APROVAR NENHUM – MINAS GERAIS – 1998-2002 QUANTIDADE DE PROJETOS APRESENTADOS 6 .......................... 1 ..1 1 0............................................ 2 ..........................................................

mas não conseguiram sua viabilização por meio de patrocínio. seguido daqueles que tiveram dois projetos aprovados sem viabilizar nenhum (16. No grupo dos que aprovaram pelo menos um projeto pela lei e não viabilizaram nenhum destaca-se um empreendedor que apresentou 12 projetos. conforme indica a tabela 5. à área de literatura.1 Empreendedores culturais mal sucedidos na captação de recursos Dentre os 3 825 empreendedores alguns grupos se destacaram por não terem conseguido captar recursos para um único projeto apresentado à CTAP . mas não conseguiu patrocínio para nenhum. 4). Destarte. obteve aprovação para todos. que perfazem 77. um. A maioria (76.3% apresentaram dois projetos. Esse grupo se divide entre aqueles que não conseguiram aprovar projeto algum pela lei e aqueles que conseguiram aprovar pelo menos um projeto. Destacam-se dois empreendedores que apresentaram seis e cinco projetos e não conseguiram aprovação para nenhum (tab. mas não conseguiram patrocínio.6%). 2 9 . o que sugere que a não aprovação pode tê-los desestimulado a reinscrever seus projetos nos editais seguintes.8% do total. 11 pertencem à área de preservação do patrimônio. Desses projetos. realçam-se aqueles com um único projeto. b) Empreendedores que aprovaram pelo menos um projeto pela lei. nota-se que grande parte dos agentes culturais desse grupo procurou viabilizar seus projetos unicamente uma vez.2.8%) apresentou apenas um projeto à Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Ambos atuavam em diversas áreas. Da mesma forma que o grupo anterior.2. e 19. a) Empreendedores culturais que não conseguiram aprovar projetos pela lei O grupo de empreendedores que não conseguiu aprovar projeto algum pela lei é composto por 1 770 empreendedores.

a capacidade de captação se concentra no grupo de três a sete projetos incentivados.2 Empreendedores bem sucedidos na captação de recursos Os agentes culturais que conseguiram captar recursos no período totalizam 765. As informações de natureza jurídica revelam que as pessoas físicas têm presença menor dentre os empreendedores mais assíduos na captação de recursos. Grande parte dessas associações consegue realizar seus projetos ao longo do tempo.2 milhões.3%. Por último. A capacidade de captação das associações sem fins lucrativos pode ser vista pelo fato de agregarem quase um terço do total de projetos viabilizados. dentre aqueles com volume maior de projetos. embora representem somente 1/5 dos apresentados. A distribuição desses empreendedores é próxima da observada nos dois outros momentos (apresentação e aprovação) do processo de realização de projetos via renúncia fiscal: a maioria. há uma sobrerepresentação das associações sem fins lucrativos.1%. dois. somente 4. Três. criando expertise para lidar com o mecanismo de renúncia fiscal. embora ultrapassem numericamente os empreendedores que atuam com outras naturezas jurídicas. uma vez que os dados de 2002 são parciais24 . O que reforça essa habilidade é a demonstração de sua representação e de sua assiduidade. Assim. No topo.2. 20. 57. A análise da natureza jurídica dos agentes culturais que captaram recursos revela que. com 11 projetos cada. enquanto o banco de dados registrava 15. aproximadamente 76% do total. com dez projetos.9% dos empreendedores realizaram seis (média de um por edital) ou mais projetos com recursos da renúncia fiscal no período (tab 6). encontra-se um empreendedor que realizou 12 projetos. Os empreendedores que atuam como pessoa física só ultrapassam essas associações a partir do grupo daqueles que captaram recursos para cinco projetos. número que pode aumentar. com nove projetos. cinco.2. No caso daqueles cuja natureza jurídica é de direito privado com fins lucrativos. viabilizou apenas um projeto. Dois. 24 3 0 . O valor total disponibilizado para renúncia fiscal naquele ano girava em torno de 20 milhões.

......TABELA 5: DISTRIBUIÇÃO DE EMPREENDEDORES QUE TIVERAM PROJETOS CULTURAIS APROVADOS PELA LEI DE INCENTIVO À CULTURA MAS NÃO CONSEGUIRAM CAPTAR RECUROS PARA NENHUM – MINAS GERAIS – 1998-2002 QUANTIDADE DE PROJETOS APROVADOS 12 ....... 1 .............0 100.....1 2 0.6 72............0 100..........................9 51................................2 19.0 100.............. TABELA 6: EMPREENDEDORES QUE CAPTARAM RECURSOS E SUA NATUREZA JURÍDICA POR QUANTIDADE DE PROJETOS INCENTIVADOS PELA LEI ESTADUAL DE INCENTIVO À CULTURA – MINAS GERAIS – 1998-2002 EMPREENDEDOR CULTURAL QUANTIDADE DE PROJETOS INCENTIVADOS Quantidade (Abs......... 4 ....0 100........2 12.0 100..................4 21.... TOTAL .. 5 ....................0 100....1 1 0.................... 2 ................................ 9 .........9 58......2 0. 2 .........5 57......2 17 1.....................................................0 34.9 21............6 8.........0 80........0 20......6 31..............................7 4..) 1 2 3 5 1 5 21 27 47 61 155 437 765 Natureza Jurídica Direito Privado Direito Com fins Sem fins Público lucrativos lucrativos 100........................0 100................ 10 .................0 100............6 1 004 77..........................................3 51 3........................... QUANTIDADE DE EMPREENDEDORES Abs.....................0 33............0 100.....2 1..... 8 .........................5 20...................................0 42..0 100... 4 .4 20................4 7...... Total ........... Nota: Sinal convencional utilizado: .... Centro de Estudos Históricos e Culturais (CEHC)...............0 100................................................8 24... 1 .......... 11 .......0 40................. 6 .......3 58..... Elaboração: Fundação João Pinheiro (FJP)...7 70.... % 1 0........0 3.0 0......................................................0 100.........7 20.. 7 .........0 100.0 12 ...........0 Pessoa Física 100................... Centro de Estudos Históricos e Culturais (CEHC).................. 3 1 ... 3 .0 100....................... 6 .........................2 28....... 5 ...................................dado numérico igual a zero não resultante de arredondamento........7 8......8 1 290 100 Fonte: Dados básicos: Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais (SEC/MG)...9 214 16...................0 20................. 3 ...........................6 Total 100.......... Fonte: Dados básicos: Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais (SEC/MG)...................3 5.........3 0............ Elaboração: Fundação João Pinheiro (FJP)...

Por um lado. grupos e organizações construídos ao longo do tempo. podem ser construídas intencionalmente ou não. os agentes culturais que conseguiram captar recursos caracterizam-se por baixa assiduidade na lei. De forma geral. segundo Marques (1999). As redes sociais são campos que se estruturam mediante vínculos entre indivíduos. Por outro. As redes de relacionamento pessoal e organizacional podem ter vínculos de diversas naturezas. No entanto. Avaliar os grupos que mais se destacam neste processo é tarefa da próxima subseção. os que atuam como pessoa física encontram-se às vezes isolados na rede que se constrói em torno desse mecanismo de incentivo à cultura. a maioria desses vínculos se originam de relações herdadas de outros contextos. Isso vale para qualquer empreendedor. O índice de captação é a razão entre os projetos que foram aprovados pela CTAP e os que conseguiram captar recursos no mercado. 25 3 2 . mas. A análise dos empreendedores com índice de captação25 mais elevado demonstra resultado relativamente melhor dentre aqueles que tiveram mais projetos aprovados. Há uma proporção elevada daqueles que viabilizaram apenas um ou dois projetos.Uma explicação possível para este fato reside na consideração de que a captação de recursos depende de uma rede de relacionamentos entre os empreendedores e as empresas potencialmente investidoras em arte e cultura. pode indicar que os agentes culturais profissionalizamse e encontram formas mais eficazes de lidar com o processo de captação de recursos. A consideração da natureza jurídica desses agentes indica que os mais assíduos são geralmente as entidades sem fins lucrativos. As entidades sem fins lucrativos geralmente apresentam a tendência de serem mais estruturadas. isso reforça a idéia dessas redes de relacionamento.

cinco de direito privado com fins lucrativos e um de direito público. Viçosa e Coronel Fabriciano. 3 3 . cinco em Juiz de Fora. Ipatinga. ele totaliza 69 empreendedores. em Ipatinga e Coronel Fabriciano. 4º) No quarto subgrupo há nove empreendedores. cinco atuam como de direito privado sem fins lucrativos. Nesse encontram-se 21 empreendedores. 3º) O terceiro subgrupo é composto pelos empreendedores que captaram recursos para seis projetos. Sete empreendedores são de Belo Horizonte. em Uberlândia. o outro. sendo nove pessoa física. que aprovaram cinco projetos e captaram para todos (100% de captação). Cataguases. Um empreendedor possui projetos atuando como de direito público e também como entidade sem fins lucrativos. um. quatro. sete são pessoa físicas e dois de direito privado sem fins lucrativos. sete de direito privado sem fins lucrativos. três como pessoa física e dois como de direito privado com fins lucrativos. encontram-se aqueles que captaram recursos para dez a 12 projetos. Nesse encontram-se seis associações de direito privado sem fins lucrativos. No período analisado. em Barbacena. que podem ser divididos em cinco subgrupos: 1º) No primeiro. 2º) No segundo. encontram-se aqueles que captaram recursos para sete a nove projetos. Treze localizam-se em Belo Horizonte. Viçosa e Ipatinga. Sua localização é a seguinte: seis em Belo Horizonte. em Ouro Preto e Belo Horizonte. em Ipatinga. em Betim e um. de Ouro Preto. três. Vale notar que nesse grupo dois empreendedores possuem projetos em dois municípios: um. Os outros. em Viçosa. Dos 11 empreendedores desse subgrupo. e uma. cinco delas localizadas em Belo Horizonte. uma média de um projeto por edital.a) Subgrupos que se destacam entre os empreendedores bem sucedidos Entre os empreendedores bem sucedidos no processo de captação de recursos existe um grupo que se destaca por seu elevado índice de captação (relação entre os projetos que captaram recursos e os aprovados).

Governador Valadares. Mariana e Pouso Alegre. De certa forma. 3 4 . dois. Nesse figuram 22 empreendedores. eles se diferenciam (em relação à natureza jurídica. em Cataguases e os demais em Ipatinga. apesar da relativa homogeneidade dos empreendedores quanto ao índice de captação. Três Pontas. três. como de direito privado com fins lucrativos. por exemplo) de acordo com a quantidade de projetos incentivados. Localizam-se em Belo Horizonte 14 empreendedores. A divisão desses empreendedores em subgrupos seguiu a quantidade de projetos incentivados. Os dados indicam que. a maioria tem o mesmo “sucesso” no processo de captação de recursos na medida em que grande parte tem o mesmo índice de captação (100%). três.5º) O quinto subgrupo é composto pelos que aprovaram quatro projetos pela lei e captaram recursos para todos (100% de captação). como de direito privado sem fins lucrativos e um. em Viçosa. dos quais 18 atuam como pessoa física.

Grupo 5 – quatro projetos aprovados e realizados. Betim e Governador Valadares. Nota: Sinal convencional utilizado: ... Cataguases.. Ouro Preto........ TABELA 8: QUANTIDADE DE PROJETOS CULTURAIS APROVADOS E REALIZADOS DOS EMPREENDEDORES BEM SUCEDIDOS NO PROCESSO DE CAPTAÇÃO DE RECURSOS SEGUNDO ÁREA CULTURAL – MINAS GERAIS – 1998-2002 ÁREA CULTURAL DOS PROJETOS Artes cênicas Cinema Artes plásticas Música Literatura Folclore Pesquisa Patrimônio Centro cultural Bolsas de estudo Seminários e cursos GRUPO (1) 1 .....) Belo Horizonte Natureza jurídica Pessoa Física P....... Uberlândia.. (1) Grupo 1 – entre 10 e 12 projetos realizados... Grupo 3 – 6 projetos realizados. Grupo 2 – entre sete e nove projetos realizados.. 5 .. Grupo 5 – quatro projetos aprovados e realizados 3 5 .. Grupo 2 – entre sete e nove projetos realizados... Total 6 6 12 6 9 39 2 3 5 1 2 1 1 1 6 1 5 7 4 17 34 3 4 1 3 11 2 2 1 1 1 1 4 1 7 3 3 3 1 2 12 1 1 1 2 5 1 3 3 2 9 Fonte: Dados básicos: Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais (SEC/MG).... (1) Grupo 1 – entre 10 e 12 projetos realizados.. Pouso Alegre....... Barbacena.. 4 ....... 3 ...dado numérico igual a zero não resultante de arredondamento. sem fins lucrativos P. Coronel Fabriciano.... Ipatinga. Grupo 4 – cinco projetos aprovados e realizados.......... Total......... J.... Mariana.... Centro de Estudos Históricos e Culturais (CEHC)... 3 .. Três Pontas. 4 . 5 . Elaboração: Fundação João Pinheiro (FJP). Grupo 3 – 6 projetos realizados.... Elaboração: Fundação João Pinheiro (FJP).. com fins lucrativos Direito público Outros (2) 1 ...... Viçosa...... Nota: Sinal convencional utilizado: ......TABELA 7: MUNICÍPIO E NATUREZA JURÍDICA DOS EMPREENDEDORES BEM SUCEDIDOS NO PROCESSO DE CAPTAÇÃO DE RECURSOS DA LEI ESTADUAL DE INCENTIVO À CULTURA SEGUNDO QUANTIDADE DE PROJETOS APROVADOS E INCENTIVADOS – MINAS GERAIS – 1998-2002 EMPREENDEDORES GRUPO (1) Município Quantidade (Abs...... Grupo 4 – cinco projetos aprovados e realizados. (2) Juiz de Fora. 6 11 21 9 22 69 6 6 13 7 14 46 5 9 3 9 26 3 9 7 18 37 6 5 7 2 3 23 2 5 1 8 1 1 2 Fonte: Dados básicos: Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais (SEC/MG). 2 .....dado numérico igual a zero não resultante de arredondamento.... 2 . J.. Centro de Estudos Históricos e Culturais (CEHC)..

de sua autonomia. vale notar que os empreendedores que captaram recursos para muitos projetos também conseguiram aprovação para a quase totalidade dos projetos apresentados à lei.Por um lado. A maioria dos empreendedores bem sucedidos conseguiu patrocínio de mais de uma empresa. embora constituam a maioria dos empreendedores. Do ponto de vista da consolidação dos agentes culturais no mercado. 3 6 . essa relação é bastante positiva. o que lhes possibilita viabilizar seus projetos com o apoio de várias empresas. representado pela CTAP . A continuidade de viabilização dos projetos não depende de uma única empresa. no caso das associações sem fins lucrativos. Grande parte dos empreendedores busca realizar projetos em mais de uma área. o que aumenta suas chances de obter patrocínio a projetos futuros e de sua consolidação no mercado. a análise dos empreendedores bem sucedidos indica a tendência de atuação em diversas áreas de um mesmo empreendedor. Podem utilizar os recursos da renúncia fiscal para reformar suas sedes. Este grupo já adquiriu habilidade de lidar com os mecanismos de incentivo cultural que garantem sucesso ao lidar com o Estado. constata-se sobre-representação de associações sem fins lucrativos e sub-representação de empreendedores que atuam como direito privado com fins lucrativos. construir e/ou manter seus centros culturais. embora geralmente se especializem em uma atividade principal. com recorrência das áreas de artes cênicas e música. são também relativamente sub-representados no grupo de bens sucedidos. e com o mercado de patrocínio. Por fim. De forma geral. As pessoas físicas. representado pelas empresas que investem em arte e cultura.

O estudo dos projetos do primeiro edital de 2001 iniciou-se com a seleção dos projetos aprovados pela Comissão Técnica de Avaliação de Projetos (CTAP) que captaram ou não recursos para a sua viabilização. A codificação dos dados dos fichamentos (Anexo b: Caderno de Códigos) resultou na montagem de um banco de dados cujo cruzamento e análises de correlações originaram as conclusões contidas neste relatório A análise partiu da caracterização dos projetos aprovados. as principais conclusões do estudo realizado.3 CAPTAÇÃO DE RECURSOS PARA O FINANCIAMENTO DE PROJETOS CULTURAIS: ESTUDO DOS PROJETOS APROVADOS NO PRIMEIRO EDITAL DE 2001 A segunda parte do relatório encontra-se subdividida em três seções. 3 7 . O teste do qui quadrado foi o procedimento estatístico escolhido para verificar essas correlações. mas indicam a existência de associação entre as variáveis.155 não. para em seguida verificar os aspectos ou variáveis mais associados a sua capacidade de captação de recursos. público-alvo e estrutura profissional do empreendedor para responder às necessidades de elaboração do projeto e captação de recursos. apresentam-se as análises das correlações entre essas variáveis e o sucesso auferido na captação de recursos. 222 captaram. finalidades ou objetivos dos projetos culturais. Na primeira. A leitura dos projetos deu origem a um fichamento de seus aspectos principais de acordo com variáveis pré-identificadas na Ficha de Leitura de Projetos. apresentam-se as características dos projetos aprovados e incentivados no primeiro edital de 2001 quanto a variáveis área cultural. em linhas gerais. tradição de realização do projeto. natureza jurídica do empreendedor. Há que se ressaltar que as medidas de correlação não informam sobre a determinação dos fenômenos ou sua causalidade. Ao todo foram analisados 377 projetos. a última seção traça. Na segunda seção. Por fim.

Sofreram declínio também os projetos aprovados na área de cinema e artes plásticas.1% dos projetos aprovados pertenciam a essa área. no primeiro edital de 2001. em 2001. que juntas responderam por 61. Já com relação à área de artes cênicas. Os projetos da área de música passaram a abarcar quase 40% do total de aprovados. ante os aproximadamente 25% dos anos anteriores.3. contra 54. No primeiro edital de 2001. Esse movimento persistiu nos anos subseqüentes e também foi observado na captação de recursos. as duas áreas concentradoras de aprovação. Essa pequena diferença (9 projetos) não compromete a representatividade do estudo. Da mesma forma. no edital de 1999. aproximadamente 10% dos projetos aprovados eram da área de cinema e congêneres. apenas 4. A área de literatura também sofreu drástica redução no que diz respeito à aprovação dos projetos: 27.3 % da aprovação de projetos. como nos demais anos. uma redução relativa tanto na aprovação quanto na captação. entretanto.1 Caracterização dos projetos aprovados no primeiro edital de 2001 A distribuição dos projetos do primeiro edital de 2001.2%. Nos editais seguintes a proporção de projetos dessa área na aprovação e na captação voltou a se elevar. O total de projetos aprovados. O baixo índice de aprovação refletiu também uma forte elevação da demanda de projetos nessa área no primeiro edital de 2001. foi bastante semelhante à dos outros anos no que tange à demanda potencial. por área cultural. Nos três editais anteriores. segundo o banco de dados da Selei. Pode-se observar. foram música e artes cênicas. Dos 377 projetos aprovados pela CTAP26. e 65%. proporcionalmente a cada área. O total de projetos aprovados do primeiro edital de 2001 analisados neste estudo é de 377. uma vez que. Vale notar que esse declínio ocorreu somente naquele edital. foi de 386. a diferença observada é insignificante. algumas diferenças no que diz respeito à participação de cada área quando analisadas em relação aos demais editais. no edital anterior. observou-se. 26 3 8 .6%.

em detrimento da redução da participação das pessoas físicas. Já a captação de recursos permaneceu praticamente no mesmo nível em todos os anos. enquanto para as entidades de direito público. no entanto. a participação é de 10.9% no primeiro edital de 2001. aponta para a expressiva participação da categoria pessoa física. esse percentual é de 2. 6% dos projetos aprovados nos três primeiros editais da lei.6%. cuja participação no conjunto dos projetos aprovados foi de 23. Deve-se. ressaltar que aquelas com fins lucrativos tiveram uma maior participação naquele período.1%. No que diz respeito à pessoa jurídica com fins lucrativos. ao contrário do que ocorre com os de artes plásticas. A proporção de projetos de cinema volta aos níveis observados anteriormente nos dois editais seguintes.5%. contra 3. 3 9 .2% do total de projetos aprovados no período.1%. encontram-se os projetos apresentados por pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos. no período analisado. As artes plásticas abarcavam. A análise da natureza jurídica dos empreendedores que tiveram projetos aprovados no primeiro edital de 2001. em média. Em segundo lugar.por volta de 8% dos projetos que captaram recursos nos anos anteriores eram de cinema. que apresentou 64. o que significou melhor desempenho da captação no edital analisado. segundo apresentado na tabela 10. Os percentuais apresentados pelas diferentes naturezas jurídicas no primeiro edital de 2001 situam-se em torno da média para o período 1998-2002. contra 3.

....... para a realização de eventos artísticos-culturais (45%)............. Centro de Estudos Históricos e Culturais (CEHC) No que tange à natureza dos projetos culturais27............ limitada a sua realização ou exibição (shows......... % 242 64.........3 4 1...... comercialização ou distribuição gratuita........3 14 3.... (b) evento cultural ou acontecimento de caráter cultural....... na qual estão discriminados os vários A legislação de incentivo à cultura de Minas Gerais identifica a natureza do projeto cultural. reforma de edificações e construção.............. construção e aquisição de acervos representaram 17.. Total ......7 20 5......2 87 23............ Grupos Artísticos .. O detalhamento desses dados pode ser observado pela tabela 11................. Essa última categoria será identificada nesse relatório pelo termo manutenção. os aprovados no primeiro edital de 2001 orientavam-se......1 29 7.....8% do total........... Sociedade Civil ....1 6 1.... enquanto os que se orientavam para a manutenção de entidades........... (c) manutenção de entidades sem fins lucrativos.. Institutos Vinculado a Empresas.....1 377 100 Fonte: Projetos apresentados à Lei de Incentivo à Cultura/MG Elaboração: Fundação João Pinheiro (FJP).. aquisição de acervo ou equipamentos.....1 1 0............ predominantemente... Associações de Classes...... de acordo com a sua finalidade... em três categorias: (a) produto cultural ou elaboração de artefato cultural fixado em suporte material de qualquer espécie com possibilidade de reprodução............. Deve-se ressaltar também a importância dos projetos que visavam à realização de produtos culturais (37%)....... Entidades Religiosas .... Direito Privado Com Fins Lucrativos ................ 27 4 0 .. seminários.....3 40 10...............TABELA 9: DISTRIBUIÇÃO DOS PROJETOS CULTURAIS APROVADOS SEGUNDO A NATUREZA JURÍDICA DOS PROPONENTES – MINAS GERAIS – PRIMEIRO EDITAL DE 2001 NATUREZA JURÍDICA Pessoa Física ...... Associações de Bairros... PROJETOS APROVADOS Abs.. Direito Privado Sem Fins Lucrativos: Instituto/Org.....................6 5 1...... Sociedade de Amigos .................... etc).... espetáculos........... Entidade Orientada para Pesquisa .7 8 2...6 8 2........................... Direito Público .. reforma de edificações...............

5%) e a circulação de shows (12.8%) e formação e manutenção de acervos (1.9%). formação e qualificação artística (17. preservação e restauração do patrimônio (5. A diferença entre o número de objetivos apresentados (577) pelos 377 projetos indica que cerca de 53% dos projetos culturais apresentam mais de um objetivo. Os produtos culturais estão representados especialmente pela gravação e lançamento de CDs (25. manutenção de grupos artísticos (4.6%).9%).8%). Tomando como base de cálculo o total de projetos aprovados (377).5%) e produção editorial (19. no grupo dos eventos culturais. ressalta-se a importância dos espetáculos e shows (30. 4 1 . A área de manutenção de entidades está representada pela manutenção de entidades culturais (5.2%).8%).objetivos apresentados pelos projetos culturais do período.

........... semana cultural ..... concurso .......2 8........1 0.......................... Gravação e lançamento de CD ......0 11.8 25....... feira......................5 2.............9 1......1 2........................8 5.4 1.................. Mostra fotográfica........ Produção editorial ....... Preservação e restauração de patrimônio ........9 1...... Programa de TV ......................... Abs.9 17............6 3... Manutenção de grupos artísticos ........ cinema/vídeo..7 2............................2 0...0 30....... Festival.......................... Manutenção de entidades culturais ......1 16.. Formação e manutenção de acervos .........................6 5.5 12.......6 3...3 1................... Premiação................ As percentagens apresentadas na tabela 11 são calculadas sobre o total de objetivos apresentados (577) e sobre o número de projetos analisados (377).................. criação de espetáculo ...8 4........................4 8..TABELA 10: OBJETIVOS DOS PROJETOS CULTURAIS APROVADOS NA LEI ESTADUAL DE INCENTIVO À CULTURA – MINAS GERAIS – PRIMEIRO EDITAL DE 2001 OBJETIVOS DO PROJETO CULTURAL Espetáculo...................... show .....5 Fonte: Projetos culturais apresentados à Lei Estadual de Incentivo à Cultura/MG Elaboração: Fundação João Pinheiro (FJP).... Montagem....9 0..................7 0..0 5...8 152.4 3. 4 2 ...... em sua grande maioria.5 19.... Pesquisa e documentação ............. visam à realização de mais de um objetivo...6 1.............. Centro de Estudos Históricos e Culturais(CEHC) Nota: Os projetos culturais analisados............................ Circulação de show .................8 3...... Formação e qualificação artística ..5 100.........2 5.......6 13... Total ... Exposição de artes plásticas .....7 1.............. PROJETOS APROVADOS % objetivos % projetos 116 96 75 66 46 31 22 21 21 18 17 10 9 7 7 5 4 3 577 20.................2 1.....6 4... Produção cinematográfica e videográfica ............. Seminários e cursos ..............9 1........

. incluindo as escolas das redes pública e privada...8 20...........0 PÚBLICO ALVO Público geral ............PRIMEIRO EDITAL DE 2001 PROJETOS APROVADOS Abs.2 0.........5 100......4%.....3 100.7%)............. em 6.1 9..... Em segundo lugar... 29 Deve-se ressaltar... Já o segmento infanto-juvenil.. Público regional ............ orientamse para segmentos de público especializados...6 15............... que é comum que os projetos culturais apontem mais de um tipo de público como alvo de seus projetos....... 289 119 57 37 29 24 19 16 2 592 % público-alvo 48.6%).7 6...... a comunidade universitária........9 4... Comunidade universitária .0 % projetos 76..3 4... Total ........4 5.....MINAS GERAIS .2 2..1 9....7 31..... Escolas públicas e privadas... Em oposição a esses dois grupos. 4 3 .8% e as comunidades carentes.. Esse registro foi efetuado na segunda coluna da tabela 11 e os percentuais sobre o total de citações dos diferentes públicos estão apresentados na terceira coluna....1% dos projetos aprovados...No que diz respeito ao público-alvo.......... Fonte: Projetos culturais apresentados à Lei Estadual de Incentivo à Cultura Elaboração: Fundação João Pinheiro (FJP)........ Centro de Estudos Históricos e Culturais (CEHC) 28 Na categoria público regional estão incluídos os projetos que delimitam prioritariamente como público-alvo a população de municípios do interior.. TABELA 11: PÚBLICO-ALVO DOS PROJETOS CULTURAIS APROVADOS NA LEI DE INCENTIVO À CULTURA . 3ª idade ...7 0........... Comunidades carentes ...1 3..... Crianças......8 7.... entretanto. em 9.......0 4......... infanto juvenil ..... os próprios artistas...... Esse segundo grupo diz respeito.. esse por si só não é suficiente para delimitar como público-alvo do projeto a população daquele município e dos situados na redondeza... Classes A e B . ao próprio campo de produção artística e ao seu papel na legitimação da produção cultural do proponente............. portanto............. Público especializado em artes..... os projetos aprovados estão voltados fundamentalmente para o público em geral (76.. produtores culturais ou especialistas em áreas culturais (31.............. Embora o município sede do proponente seja uma referência importante dessa categoria....... o público regional 28 é citado como foco principal em 15...... representa o público preferencial em 12...7% dos projetos aprovados29 ............6 6.............

8% já haviam sido realizados com incentivo da lei estadual. Esses representam 9. Apenas 0. de remuneração da atividade de elaboração de projetos e captação de recursos levou à legitimação dessas funções e a uma progressiva contratação desses serviços. revelou que a maior parcela dos projetos (50. os empreendedores culturais passaram a se preocupar mais com sua formação e capacitação para responder às novas demandas do mercado.2% dos projetos foram apresentados pela primeira vez no primeiro edital. enquanto 20% indicavam a disponibilidade de recursos próprios ou de outras fontes de recursos. No que diz respeito à disponibilidade de recursos. A verificação desse aspecto. assim como com a contratação de profissionais cujo perfil se adeqüe à linguagem mercadológica que passou a predominar. no caso dos projetos do primeiro edital de 2001. A própria instituição. Uma outra categoria de projetos culturais aprovados naquele edital refere-se ao fato de já terem sido realizados outras vezes.5% afirmavam contar com recursos de outras leis.1.Outra variável estudada diz respeito às características dos projetos culturais quanto a sua tradição de realização (continuidade ou primeira apresentação). enquanto 12.1 Estrutura para elaboração de projetos e captação de recursos Uma das principais conseqüências do financiamento do setor cultural por meio de mecanismos baseados em incentivo fiscal é o estímulo à profissionalização do setor. A partir da implementação desses mecanismos. pela lei estadual. Os dados apontam que 64. com ou sem incentivos fiscais.4%) situa-se em uma categoria em que o próprio proponente se declara responsável pela elaboração ou não cita 4 4 . a grande maioria dos proponentes (66.3%) afirmava contar apenas com os recursos da lei para a realização de seus projetos culturais. 3.5% dos projetos.

portanto. Em segundo lugar. Nesse sentido. Os dados indicam. Centro de Estudos Históricos e Culturais (CEHC) 30 Embora o percentual de projetos que não citam o responsável pela elaboração seja significativamente maior (37.0 Próprio proponente/não cita contrata para elaboração e captação contrata exclusivamente para elaboração Fonte: Projetos culturais apresentados à Lei Estadual de Incentivo à Cultura Elaboração: Fundação João Pinheiro (FJP). 4 5 . encontram-se aqueles que contratam exclusivamente para a elaboração dos projetos (5%). os projetos culturais aprovados pela lei apresentavam uma divisão quase eqüitativa entre proponentes que montavam uma estrutura de profissionais especializados e aqueles que se responsabilizavam pela elaboração de projetos.4 5. optou-se por uma agregação das duas alternativas. que no primeiro edital de 2001.o responsável30 . encontramse aqueles que contratam agentes para as duas finalidades . representando 43.8 50. pressupõe-se que essa categoria abranja também os projetos cujo próprio proponente se responsabiliza pela elaboração.PRIMEIRO EDITAL DE 2001 43. apesar de não o explicitar. GRÁFICO 5: DISTRIBUIÇÃO DOS PROJETOS CULTURAIS DA LEI DE INCENTIVO À CULTURA SEGUNDO A RESPONSABILIDADE PELA SUA ELABORAÇÃO MINAS GERAIS . Por último.8% dos projetos.elaboração e captação de recursos. O gráfico 5 ilustra a relação entre projetos e responsabilidade pela elaboração.7%).

com 48.3 Não cita O proponente é o responsável agentes a definir/sem especificação Fonte: Projetos culturais apresentados à Lei Estadual de Incentivo à Cultura Elaboração: Fundação João Pinheiro (FJP). quando o montante de recursos aprovados para o projeto se torna conhecido. 6) GRÁFICO 6: DISTRIBUIÇÃO DOS PROJETOS CULTURAIS DA LEI DE INCENTIVO À CULTURA SEGUNDO A RESPONSABILIDADE PELA SUA CAPTAÇÃO MINAS GERAIS . não é possível inferir que a ausência de indicação signifique que o próprio proponente será responsável pela captação.3%. o primeiro edital de 2001 já evidencia uma tendência de profissionalização maior.3 10. em função das chances apresentadas pelo mercado e da exigüidade do tempo para a captação. A esse percentual pode-se somar 2.3% dos projetos indicando a contratação de agentes especializados para essa função.9% de projetos que propõem essa definição para a época de captação. o próprio proponente é apontado como responsável pela captação (graf. As dificuldades dessa etapa resultam em mudanças de estratégias.PRIMEIRO EDITAL DE 2001 2.5 % dos proponentes não há indicação do responsável31 .9 38.5 48.No tocante à estrutura para a captação de recursos. Centro de Estudos Históricos e Culturais (CEHC) Nesse caso. Em 38. 31 4 6 . Para 10.

Nesse percentual. cinema/vídeo. Os resultados dessa pesquisa são confirmados por acompanhamentos mais recentes efetuados pelo Ministério da Cultura sobre os investimentos em cultura realizados via leis Rouanet e do Audiovisual. No caso do Brasil. patrimônio histórico e cultural. a região Sudeste concentra 85% do total dos recursos fiscais viabilizados no período 19962002. Minas Gerais é responsável por apenas 5.6% desse montante (BRASIL. 42% são investidos em São Paulo e 36. Percebe-se. A literatura sobre o assunto.8%). Segundo esses dados. determinadas modalidades culturais e regiões geográficas. no Rio de Janeiro. teatro/circo/ópera/mímica e produção editorial. os dados da pesquisa realizada pela Fundação João Pinheiro (1998) sobre gastos culturais realizados por empresas públicas e privadas no período 1990 a 1997 revelam grande concentração nas áreas de música.1%. particularmente. 2002). 1998. as pesquisas realizadas em âmbitos federal e estadual (FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO.3.1%) e cinema/vídeo (52. portanto. A lógica de funcionamento desse mecanismo tende a se reproduzir em 4 7 . Destaca-se a participação percentual das empresas nas áreas de música (61. Às áreas mais incentivadas corresponde também um número maior de patrocinadores. que a desigualdade na distribuição dos recursos fiscais por meio desses dois mecanismos federais de financiamento constitui hoje um dos principais problemas dessa modalidade de incentivo à cultura. 2003) e os dados de acompanhamento do Ministério da Cultura apontam a tendência de concentração dos recursos de renúncia fiscal favorecendo.2 Fatores condicionantes da captação de recursos para o financiamento de projetos culturais A captação de recursos configura o procedimento seletivo final para a realização de projetos culturais. Como 74 % das empresas amostradas que efetivamente realizaram patrocínios culturais localizam-se no eixo Rio-São Paulo. é de se concluir a extrema concentração dos investimentos realizados nessa região do país.

por conseguinte. verificou-se também forte concentração nas áreas de artes cênicas e música. embora ainda não tenham sido estudados sistematicamente. no entanto. acabam sendo as principais favorecidas. aos quais as empresas preferem associar suas marcas. Não há dúvidas. Existem ainda críticas quanto à tendência de favorecimento de artistas profissionais e consagrados. os resultados da primeira etapa de avaliação da Lei Estadual de Incentivo à Cultura relativo ao período 1998 2001 (primeiro edital) denotam grande concentração de recursos e de projetos culturais incentivados na capital do estado.5% dos recursos captados. No que diz respeito às áreas culturais. Entretanto. fomentando a atividade artístico-cultural e gerando emprego e renda. quanto à capacidade desse instrumento de alocar recursos no setor. onde o adensamento da atividade econômica resulta na disponibilização de maior volume de renúncia fiscal e. As evidências denotam que esse processo ocorre em detrimento da produção cultural de conteúdo experimental e inovador ou de conteúdo sem visibilidade ou pouco comercial que. que juntas responderam por 62. o maior volume de recursos é canalizado exatamente para as regiões mais desenvolvidas. permitiu verificar algumas das principais hipóteses enunciadas para o perfil agudamente concentrador da distribuição dos recursos fiscais para a cultura. que já concentram maior população e dispõem de uma produção cultural mais expressiva. Assim. Os impactos sociais de projetos culturais. O estudo dos projetos aprovados no primeiro edital de 2001. essas regiões. Nesse sentido. também são progressivamente reconhecidos. potenciais empresas patrocinadoras. 4 8 . que captaram ou não recursos para a sua viabilização. contudo. para Minas Gerais. particularmente aqueles voltados para segmentos de população mais carentes.5% dos projetos incentivados e 52. tendo em vista o potencial retorno de imagem.âmbito estadual. pode representar inestimável interesse público.

4%).5% desse total33 . entretanto. 73. ressalta-se a pequena participação no total de projetos incentivados das áreas de pesquisa (1.2%). portanto. 32 O índice de captação é calculado pelo quociente percentual entre o total de projetos incentivados e o total de projetos aprovados.7%). No que diz respeito a sua participação no total de projetos incentivado.8% da área de música conseguiram captar recursos.2.4%). por um lado. Esses indicadores. a análise evidencia um percentual de captação bastante variado. 33 Os melhores índices de captação apresentados pela área de música no primeiro edital de 2001 deveramse também a uma elevação da proporção de aprovação nessa área relativamente à área de artes cênicas nesse edital. a maior facilidade de captação da área de bolsa de estudos (100%) e de folclore (85. devem ser relativizados pelo pequeno número de projetos pleiteados e aprovados em cada uma.3. Tomando por referência cada uma.5%). Ressalta-se. 13). indicando que a primeira respondeu por 37. 4 9 . Essas áreas representam. Dos projetos aprovados. contrariamente à dificuldade de obtenção de recursos para projetos de pesquisa (37.4%) e artes plásticas (46. artes plásticas (2.7%) folclore (2. as modalidades culturais que apresentaram as maiores chances de sucesso na captação de recursos (tab.1 Áreas culturais Os testes de correlação entre as variáveis áreas culturais e incentivo indicam que o índice de captação32 das áreas de artes cênicas e música é superior ao da maioria das áreas. Em oposição a essas duas áreas.7%) e cinema (3.8% do número de projetos incentivados e a segunda por 27. bolsa de estudos (1.6%). cinema (44. com exceção daquelas que pelo pequeno volume de projetos apresentados e aprovados alcançam um índice de captação também elevado. os dados do primeiro edital de 2001 confirmam a concentração em música e artes cênicas.5% da área de artes cênicas e 56.

..8 43. 9....... museus e centros culturais. biblioteca...1 100 58. 13 6 Música ..........3 100 37............1 100 Fonte: Projetos apresentados à Lei de Incentivo à Cultura/MG Elaboração: Fundação João Pinheiro (FJP)..4 47. 4.7 55.. seminários e patrimônio.. respectivamente.....PRIMEIRO EDITAL DE 2001 ÁREA APROVADO INCENTIVADO CULTURAL Artes cênicas .. Nesse grupo deve ser ressaltado o significativo sucesso de captação apresentado pelos projetos da área de seminários e cursos... 11 10 Total .7 14...6 100 100.... cujos percentuais de participação no número de projetos incentivados foram.....2 Natureza jurídica do empreendedor No que diz respeito à natureza jurídica do empreendedor.2 100 44... 8 3 Patrimônio .2... 83 61 Cinema ....... 5%.. dos quais 90... em tese...4 55..5 100 44....... 18 8 Artes plásticas ..0 – 100 90... 377 222 INCENTIVO (%) Sim Não Total 73.3 100 85..... 7 6 Pesquisa ...9% conseguiram captar recursos.... As demais áreas se caracterizaram por percentuais de captação abaixo da média observada no período (58....5 100 50.5% e 4.....2 53.....5 62. 18 9 Biblioteca .....6 100 46....5 26..TABELA 13: PROJETOS INCENTIVADOS PELA LEI DE INCENTIVO À CULTURA MINAS GERAIS ... 148 84 Literatura ... 3.. 3 3 Seminários . fator condicionante da captação de recursos para viabilização de projetos culturais...5%.9 41...9 9..... há que se chamar atenção para a expressiva vantagem apresentada pelos empreendimentos de pessoas jurídicas de direito privado com e sem fins lucrativos....1%. Esses responderam por percentuais elevados de captação relativamente ao próprio número de projetos apresentados e aprovados pela lei 5 0 . considerada.9%)... Centro de Estudos Históricos e Culturais (CEHC) Em patamar intermediário situam-se os projetos das áreas de literatura..8 100 56..... 47 21 Folclore ......0 50......... 21 11 Bolsa de estudo ...0 100 52......

o maior número de projetos contemplados por incentivo seja de pessoa física.5% e 64.2%) e pelos empreendimentos com fins lucrativos (11. No caso dessas últimas. a pessoa física. a Lei Estadual de Incentivo à Cultura permite que somente elas se beneficiem da modalidade de incentivos orientada 34 Essas vantagens decorrem da legislação do terceiro setor que permite a essas entidades. em termos absolutos. seguida pelas entidades sem fins lucrativos (25. Nesse sentido. o sucesso dos empreendedores de natureza jurídica com e sem fins lucrativos na captação de recursos pode associar-se à maior estruturação profissional do empreendimento e às vantagens conferidas pela própria legislação de incentivo às entidades sem fins lucrativos . As entidades de direito público respondem por 1. além de subvenções diretas do setor público. responsável. Embora.3%). A tabela 14 apresenta os indicadores da relação entre natureza jurídica e incentivo. pela maior demanda do setor artístico-cultural.7%). respectivamente. as empresas privadas com fins lucrativos e as entidades e organismos sem fins lucrativos conseguiram incentivo para 62.de incentivo. além das benesses tributárias conferidas pela legislação que regulamenta a atividade do terceiro setor34. 5 1 . ao longo do período de vigência da lei. A leitura da participação de cada categoria de natureza jurídica no número total de projetos incentivado indica que a pessoa física é responsável pela viabilização do maior percentual (61. Por outro lado.6% dos 242 projetos aprovados no primeiro edital de 2001. As entidades de direito público conseguiram captar recursos para a metade de seus projetos. institutos ou fundações a isenção de impostos. Apesar das evidências da distribuição de freqüência indicarem a possibilidade de uma correlação entre as duas variáveis – incentivo x natureza jurídica do empreendedor – os testes de associação entre variáveis não comprovaram a existência de uma associação estatisticamente significante. caso elas comprovem a sua utilidade pública.4% de seus projetos. conseguiu incentivo para 56.8% dos projetos incentivados.

MINAS GERAIS . TABELA 14: DISTRIBUIÇÃO DOS PROJETOS CULTURAIS INCENTIVADOS PELA LEI DE INCENTIVO À CULTURA SEGUNDO A NATUREZA JURÍDICA DO EMPREENDEDOR .9 INCENTIVO (%) Não 43..4 35.....PRIMEIRO EDITAL DE 2001 PROJETOS APROVADOS PROJETOS INCENTIVADOS Sim 56....0 57.8 10..5 50 62. que se caracteriza ainda pelo maior teto de incentivo permitido (R$ 400 mil)..........5 58.9 62..6 64.7 80 50 100 62........5 33......para a manutenção35 de entidades. 35 5 2 . Centro de Estudos Históricos e Culturais (CEHC) Apenas os projetos que têm como objetivo a manutenção de entidades podem apresentar como item de despesa os custos relacionados ao quadro fixo de pessoal e aos respectivos encargos....5 50 37..5 41..... 242 87 29 20 14 8 6 5 4 1 40 8 40 377 137 56 16 18 8 3 4 4 2 1 25 4 25 222 Fonte: Projetos culturais apresentados à Lei de Incentivo à Cultura/MG Elaboração: Fundação João Pinheiro (FJP)..4 55.0 42.....2 90.6 44... da Sociedade Civil Grupos Artísticos Sociedade de Amigos Entidade orientada para pesquisa Associação de Classe Instituto Vinculado a Empresa Entidades Religiosas Associações de Bairro Direito privado com fins luvcrativos Direito público Total.5 66.3 20 50 37.. Acredita-se que essas peculiaridades atuem como estímulos à captação de recursos para o desenvolvimento de ações na área cultural..1 Total 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 NATUREZA JURÍDICA Pessoa física Direito privado sem fins lucrativos Instituto/Org...1 37....

.. Total ............00 1..............2 41. Associação de bairros .......2% dos recursos disponibilizados pela renúncia fiscal para 56 projetos...0 13......... Fundação Belgo Mineira e Usicultura..048.....00 525.85 mil.......6 2...00 182..000. Entidade orientada para pesquisa ....6 1...... enquanto para as entidades sem 5 3 ..... Sociedade Civil .......044..000...400... A média de incentivo por projeto para pessoa física é de R$ 36.....PRIMEIRO EDITAL DE 2001 NATUREZA JURÍDICA Pessoa física ......75 1......9 4......691. Entidades religiosas .700......... Centro de Estudos Históricos e Culturais (CEHC) Reiterando esse argumento.. na área de museus....00 300..174.6 0.........0 2.000.295... é possível discernir..... Instituto/Org.. Direito público .. A análise do valor incentivado em relação à natureza jurídica confirma a vantagem do segmento sem fins lucrativos que capta 41.......0 100......00 346.. ao longo do período de vigência da lei de incentivo..54 % 43......200.... enquanto o segmento de pessoa física dispõe de 43..... um movimento dos empreendedores culturais de Minas Gerais para se constituírem como associações sem fins lucrativos..00 2......2 10..........179.... Instituto vinculado a empresas .00 232....75 1...595... Sociedade de amigos .......824...250.....7 10.....TABELA 15: DISTRIBUIÇÃO DOS RECURSOS INCENTIVADOS PELA LEI DE INCENTIVO À CULTURA SEGUNDO A NATUREZA JURÍDICA DO EMPREENDEDOR ..2% dos recursos para 137 projetos... Associação de classes ..MINAS GERAIS .. Observase essa tendência em empreendedores culturais da área de artes cênicas (grupos teatrais ou de dança)......0 Fonte: Projetos culturais apresentados à Lei de Incentivo à Cultura Elaboração: Fundação João Pinheiro (FJP)........824.. entre outras)......79 4.403. Direito privado com fins lucrativos ........... bibliotecas e centros culturais (associações de amigos) e em representantes de entidades públicas (Associação Pró-Cultura do Palácio das Artes) e de grandes empresas do estado (Fundação Acesita................000........000.00 1.. Direito privado sem fins lucrativos: Grupos Artísticos ....000.... VALOR R$ 5...5 3..00 11.0 8...........

entre outros) captaram recursos. em conjunto. conseguindo viabilizar incentivos para cerca de 75% dos projetos. Os eventos. teatro e circo.3 Natureza e objetivos do projeto cultural No tocante à natureza do projeto cultural – realização de eventos. pois. não se caracterizaram por oportunidades significativas de captação de recursos junto ao mercado de patrocínio.15). Os projetos que têm por finalidade a manutenção de entidades artísticoculturais. com maior freqüência) e pelas associações ou sociedades de amigos (de museus. indica que inexiste correlação entre essas variáveis: a probabilidade de o empreendedor obter ou não sucesso na captação de recursos para projetos com 5 4 . construção ou reforma de edificações e aquisição de acervos apresentam um índice de captação de 56. Para os produtos culturais. O teste de associação entre essas variáveis. teatros. que. portanto.2. a relação é oposta.9%). por exemplo. Nesse segmento. entretanto. que apresentam chance relativa maior de captação de recursos.15 mil.29 milhões (tab. bibliotecas ou centros culturais). 3. cinematográficos ou videográficos. uma correlação positiva em relação aos projetos que envolvem a realização de eventos. os testes de associação entre variáveis indicam a existência de uma correlação estatisticamente significante (nível de significância de 5%). ou R$ 2. percentual abaixo da média de captação observada (58. especialmente no que diz respeito a eventos e produtos culturais. devem ser ressaltados os benefícios auferidos pelas associações de grupos artísticos (dança. A comparação desses últimos percentuais com as médias gerais de captação observadas (58.16). demonstraram maior capacidade de captação. Existe. Os projetos com esse perfil.fins lucrativos a média de aplicação é de R$ 86.9%) leva a concluir que as expectativas de viabilização de recursos para esse tipo de projeto estão aquém da média (tab. respondem por 19.7%. Por outro lado. apenas 41% dos projetos que prevêem a produção de bens culturais (produtos editoriais.6% dos recursos. elaboração de produto cultural ou manutenção de entidades –.

... A média de captação observada para o período foi de 58....3 43. algumas das modalidades encontram-se correlacionadas negativamente: observa-se um índice de captação menor comparativamente à não captação.9 41....... os percentuais de captação para projetos observados foram.......8% e 100%. Por outro lado.... 84... Para essas modalidades. Manutenção.0 Eventos ....9 Fonte: Projetos culturais apresentados à Lei de Incentivo à Cultura Elaboração: Fundação João Pinheiro (FJP)..8%.. 71............. Centro de Estudos Históricos e Culturais (CEHC) 5 5 ........ Produto cultural .....MINAS GERAIS ...........0 100. formação e qualificação artística. 69.. as modalidades culturais que influenciam mais positivamente na captação de recursos são: espetáculos e shows....1 58..... circulação de show e exposição de artes plásticas.......... A análise da associação entre objetivos propostos pelos projetos culturais e incentivo cultural evidencia a existência de correlação para alguns desses objetivos....0 100..... .....PRIMEIRO EDITAL DE 2001 NATUREZA INCENTIVO (%) Sim Não 25....7 56.3 58.. Nesse grupo estão gravação e lançamento de TABELA 16: PROJETOS CULTURAIS INCENTIVADOS PELA LEI DE INCENTIVO À CULTURA SEGUNDO A NATUREZA DO PROJETO CULTURAL . ou responde a outros atributos do projeto cultural....... Total .. 80. 74........0 100......0 Total 100..... Conforme pode se observar pela tabela 17.essa finalidade é meramente casual....9% dos projetos.2%...7 41.......... festival/feira/semana cultural..6%. respectivamente...

........0 66.........1 40.. Formação e Qualificação Artística .0 75.0 100............... pesquisa e documentação e programa de TV.....2 100............1 100.....0 25......7 100... o teste de correlação não indicou associação entre as variáveis estudadas........ Para esse grupo....8 100.0 100.....0 50.............................0 71..........6 19................1 100....2 100.0 59...0 100........9 57... 54........TABELA 17: OBJETIVOS DOS PROJETOS CULTURAIS INCENTIVADOS PELA LEI DE INCENTIVO À CULTURA ..............9 57.............0 84....0 80... Produção Editorial .......... Semana Cultural .0 20...........8 15. Concurso .................0 100..... 80% e 100%................0 72.........0 0. Festival.............0 60...................... respectivamente............. INCENTIVO (%) Sim Não Total 100...............0 40..... produção cinematográfica e videográfica.......... Constituição de Acervos e Equipamentos.9 100...... produção editorial..0 100.... Para os demais objetivos culturais apresentados na tabela 17......0 55...............3 100.3 54................1%) observada para todas as modalidades..0 80...... Preservação e Restauração de Patrimônio .7 100.. Manutenção de Grupos Artísticos ......4 100........0 100............ Manutenção de Entidades Culturais ...... Pesquisa e Documentação ....... Montagem...0 42. Espetáculo.....7 33.....7%. Centro de Estudos Históricos e Culturais (CEHC) CD....0 50.8 100.... Os percentuais de não captação observados encontram-se muito acima da média (41. Criação de Espetáculo .. Show ... Produção Cinematográfica e Videográfica ..... menor probabilidade de captação no mercado de patrocínio.....3 64................ Premiação...0 Fonte: Projetos culturais apresentados à Lei de Incentivo à Cultura Elaboração: Fundação João Pinheiro (FJP)........ Seminário ............ 64..2 28.....PRIMEIRO EDITAL DE 2001 OBJETIVOS DOS PROJETOS CULTURAIS Exposição (artes plásticas) .. com base no primeiro edital de 2001.4 100.. Feira......0 100.....0 42. observou-se.......................... 5 6 .....0 69....... 50%................. cinema e vídeo) .0 35......... Gravação e Lançamento de CD .......2 27................. Mostra (fotografia..8 30.... São......0 45...7%. Circulação de show .....6 44....... portanto.................MINAS GERAIS ..0 0.. Programa de TV.

...3%). Sim INCENTIVO (%) Não Total 81......... Por outro lado......... Centro de Estudos Históricos e Culturais (CEHC) 3..............4 Tradição de realização Outra variável considerada relevante como condicionante da capacidade de captação diz respeito à tradição de realização do projeto cultural – suas características quanto ao fato de já ter sido realizado outras vezes.........8 22.1%).PRIMEIRO EDITAL DE 2001 TRADIÇÃO DO PROJETO CULTURAL Realizado com incentivo estadual ....5 100.9 100..........5 Público-alvo do projeto cultural A indicação do público-alvo pelos proponentes de projetos culturais é feita de forma genérica....................MINAS GERAIS .........5 38.........2.0 83....2.... Para essa questão.. sem um dimensionamento preciso dos diversos segmentos que o compõem......3 18.0 77.. TABELA 18: TRADIÇÃO DOS PROJETOS CULTURAIS INCENTIVADOS PELA LEI DE INCENTIVO À CULTURA .............. Realizado outras vezes sem incentivos .................0 61......8 100.......3 16.... os projetos apresentados pela primeira vez apresentam menores chances de captação (54..................0 Fonte: Projetos apresentados à Lei de Incentivo à Cultura Elaboração: Fundação João Pinheiro (FJP)...... os resultados estatísticos indicam que os projetos já realizados com incentivos da lei estadual têm maiores chances de captação (81..3..............0 54.. estadual ou federal...8%)............. Apresentado pela primeira vez .1 45............. Outros ..... em relação àqueles já realizados sem incentivos fiscais (77......... com ou sem incentivos fiscais de âmbito municipal..... Total .7 100.....2 100.. A análise dos projetos sob esse aspecto exigiu um esforço de interpretação de maneira que pudessem ser identificados os vários segmentos 5 7 ....

bibliotecas e centros culturais e aqueles que visam à revitalização. não se estendeu a classificação para a categoria público regional. os projetos de arte-educação ou de qualificação artística. portanto. 36 5 8 . restauração e reforma de patrimônios históricos e culturais sediados nesses municípios. A opção adotada foi a de registrar os vários segmentos apontados de forma não excludente. para a comunidade universitária e para o público geral. o público ao qual se orientam os projetos não define sua capacidade de captação de recursos. freqüentemente. Isso significa que. embora também apresentem como objetivo a circulação por municípios do interior. os projetos foram classificados também em público geral.de público que se beneficiariam com a sua realização. de projetos que se caracterizam por um apelo identitário com a população do município e sua região. para as populações de municípios do interior do estado. Na categoria público regional estão incluídos os projetos que envolvem ações sociais. Trata-se. 83. Assim. atingindo a capital ou outras regiões do estado36. a correlação observada ocorre em sentido negativo: um percentual mais elevado de projetos No caso de os benefícios extrapolarem o âmbito regional. artísticas e culturais voltadas. prioritariamente. O estudo de associação entre as variáveis indica não existir correlação entre as várias categorias de público e o incentivo captado. para aqueles projetos que têm como foco de atuação a população da capital do estado.3% dos projetos conseguem captar recursos. Apenas para as comunidades carentes e a comunidade universitária essa correlação é significativa. se o projeto se orienta para o público especializado em artes. Para a segunda. No caso das primeiras. Por outro lado. esses projetos ainda preservam seu foco de atuação centrado. naquela região. a manutenção de museus. registrou-se uma ocorrência em cada uma das três categorias de público. Inclui. prioritariamente. Embora os benefícios desses projetos possam extrapolar determinada região. de forma geral. abrangendo os municípios do seu entorno e da sua região de influência.

.0 100.....4 50.8 55..................8%).............6 40................................. Público regional ........2 43.0 100..2%)..... Classes A e B ...........7 73............. que os percentuais variam próximos à média de captação observada no período (57..6 45....................... em contraposição ao percentual de projetos que consegue se viabilizar (43........... Comunidade universitária .............. PÚBLICO ALVO Comunidades carentes ...PRIMEIRO EDITAL DE 2001.. cujos percentuais de captação verificados encontramse muito abaixo da média de captação do período... no caso dos públicos geral e regional..........0 50.... Deve-se chamar a atenção para alguns segmentos de público como as escolas......... Público especializado em artes.......0 50.........................0 100............................ Centro de Estudos Históricos e Culturais (CEHC) 5 9 ....3 59...0 100..........0 Fonte: Projetos apresentados à Lei de Incentivo à Cultura Elaboração: Fundação João Pinheiro (FJP).........5 40...... TABELA 19: PÚBLICO-ALVO DOS PROJETOS CULTURAIS INCENTIVADOS PELA LEI DE INCENTIVO À CULTURA MINAS GERAIS ............0 100.....0 100.......9%).....0 100.......8 57.......0 44..1 Total 100.............0 50... embora os testes de correlação não atendam ao limite de significância (5%).......................................................................... Público geral ...4 59. Total ...........orientados para esse segmento de público não consegue captar recursos (56........0 100....... Para os demais segmentos de público............... Crianças/Público juvenil ........... Sim INCENTIVO (%) Não 83............0 100.........7 26...........3 16....... 3ª idade ....2 56............................. os percentuais de captação indicam. o público de terceira idade e as classes sociais A e B............................5 54........ Escolas ..............9 42....

..... com 62..0 100.....7 Incentivo (%) Não 37.... Trata-se. Nesse momento.2. conforme apresentado à lei. o estudo da correlação entre incentivo e plano de mídia. Centro de Estudos Históricos e Culturais (CEHC) 6 0 . ao preparar seu projeto para a captação. com o projeto já aprovado pela lei de incentivo. Sim 62.3 Total 100........ Não ...6 Plano de Mídia Segundo a literatura especializada........ portanto.. o fato de não possuir plano de mídia também afetou negativamente a capacidade de captação.... Em sentido oposto. No caso dos projetos aprovados pelo primeiro edital de 2001..3% de projetos incentivados nesse conjunto.... o empreendedor cultural depara-se com o mercado de patrocínio.... o empreendedor cultural tenderá a direcionar seu plano de mídia à(s) empresa(s) à(s) qual(is) solicitará patrocínio.3 58.MINAS GERAIS PRIMEIRO EDITAL DE 2001... Esse aspecto torna-se ainda mais importante na etapa em que.. traduzindo-se em percentual de 41...0 Fonte: Projetos apresentados à Lei de Incentivo à Cultura Elaboração: Fundação João Pinheiro (FJP)........ mais particularmente ao seu público-alvo.......... indicou significativa associação entre as duas variáveis........ de momento decisivo para o planejamento de comunicação do projeto e de adequação às características mercadológicas da empresa ou de seus produtos e serviços.7 58.....3. Plano de Mídia Sim .3% dos projetos que apresentaram plano de mídia tendo conseguido viabilizar recursos..... o planejamento de mídia constitui também um importante condicionante da captação de recursos... Total . indicador bem aquém da média de captação TABELA 20: DISPONIBILIDADE DE PLANO DE MÍDIA NOS PROJETOS CULTURAIS INCENTIVADOS PELA LEI DE INCENTIVO À CULTURA ....3 41...0 100..7 41....

a carta de intenção é um indício da existência de um relacionamento de parceria entre empresa e produtor cultural ou de um processo de negociação em andamento.7%). 3.7 Carta de intenção de patrocínio A análise de correlação entre as variáveis verificou ainda a associação estatística entre captação de recursos e a disponibilidade.5% dos projetos do primeiro edital de 2001 que apresentaram carta de intenção conseguiram viabilizar recursos no mercado. A mídia espontânea foi citada em apenas 25% dos projetos.8% conseguiram captar. de forma a influenciar positivamente no momento de aprovação pela CTAP .observada para o período (58. de carta de intenção de patrocínio fornecida por empresa interessada em patrocinar o projeto cultural encaminhado à lei de incentivo.8 Reconhecimento público ou consagração de empreendedores culturais Uma das variáveis mais importantes para a análise efetuada diz respeito à consagração ou ao reconhecimento público do proponente de projetos culturais. e a análise da sua associação com a captação não apresenta significância estatística. Esse recurso vem se institucionalizando com a vigência da lei e tornou-se expediente importante para conferir credibilidade ao projeto cultural apresentado. percentual abaixo da média de captação observada para o período. A importância desse aspecto é ressaltada por hipóteses que condicionam o sucesso na captação de recursos à notoriedade ou ao reconhecimento público do artista 6 1 .1% para captação e 58. parece óbvio que a carta de intenção esteja associada positivamente à capacidade de captação no mercado. Nesse sentido. pelo empreendedor cultural. revelando percentuais semelhantes quanto às chances de viabilização ou não dos projetos (58. Os dados analisados confirmam essa relação e indicam que 81. No que diz respeito ao mercado de patrocínio.2.7% para não captação) 3. Dentre os que não apresentaram. 54.2.

e do seu trabalho. A complexidade e subjetividade desse aspecto exigiu um esforço de conceituação e detalhamento metodológico, conforme descrito a seguir. A variável consagração ou reconhecimento público do proponente foi avaliada no tocante a dois principais aspectos concernentes à atuação dos empreendedores culturais e a sua relação com o público e a classe artística: (a) notoriedade pública do artista ou produtor cultural, (b) legitimidade gerada e conferida no e pelo campo de produção cultural e artístico. Por natureza, a apreciação da obra de arte é subjetiva e depende fundamentalmente do seu campo de produção como espaço da criação e produção do bem cultural e da sua necessidade de consumo. A lógica de funcionamento do campo de produção artística e cultural é a da acumulação simbólica anterior à acumulação econômica. Nesse sentido, torna-se importante para a caracterização dos artistas e produtores culturais o discernimento de aspectos relacionados a sua notoriedade e seu reconhecimento público, além da legitimidade que conseguem auferir no campo de produção. A sua valorização pelo mercado é conseqüência da conjugação desses aspectos relacionados ao tempo, o que significa que os produtores culturais e artistas podem não desfrutar dos mesmos atributos ao longo de um período, e certos produtos podem perder legitimidade, enquanto outros ganham. Observa-se, portanto, a existência de concorrência entre os artistas em sua luta para auferir legitimidade gerada pelo campo de produção cultural. Teoricamente, portanto, é compreensível que o artista só desfrute de reconhecimento público e valor de mercado na medida em que seu currículo ateste inegável formação artística e experiência, tanto em termos de trabalhos realizados quanto de críticas positivas e prêmios obtidos. Variáveis como notoriedade e legitimidade do artista e do produtor cultural são difíceis de serem traduzidas quantitativamente Em função disso, o
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reconhecimento público e a legitimidade serão avaliados de acordo com informações disponíveis nos projetos culturais apresentados à lei estadual de incentivo. Esses atributos estão relacionados ao currículo do proponente, aos prêmios obtidos, à crítica e ao material de imprensa gerado por sua atuação. As ocorrências encontradas foram, em primeiro lugar, classificadas quanto à natureza jurídica do proponente: pessoa física, pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos, direito privado com fins lucrativos e empreendedor de direito público. A identificação das categorias de reconhecimento público e notoriedade em relação a cada uma das naturezas jurídicas, com exceção das entidades do setor público37, foi fundamental em função da grande variedade de situações apontadas pelos projetos culturais. De forma a facilitar a leitura dos dados, essas categorias foram agrupadas da conforme quadro 1:

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As entidades de direito público que aprovaram projetos no 1º edital de 2001 foram a Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop), a Fundação Clóvis Salgado (FCS); a Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg); o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha) e a Fundação João Pinheiro (FJP). Essas entidades, por sua especificidades, não foram classificadas quanto à sua consagração e reconhecimento público.

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QUADRO 1: CATEGORIAS DE NOTORIEDADE E RECONHECIMENTO PÚBLICO DO PROPONENTE DE ACORDO COM SUA NATUREZA JURÍDICA
NATUREZA JURÍDICA CATEGORIA • Reconhecimento Público: O proponente dispõe de legitimidade conferida pelo campo de produção ou pelo público SUBCATEGORIA a- conhecido do grande público mineiro b- pouco conhecido do grande público, mas já atuou com nomes consagrados do cenário artístico mineiro e brasileiro; c- tem extenso currículo na área cultural, protagonizando eventos consagrados pela crítica d- participação significativa em produções culturais de BH a- pouco conhecido do grande público mineiro; b- pouco conhecido do grande público, mas com considerável formação artística e/ou currículo na área cultural a- conhecido regionalmente; atuação no interior.

Pessoa física

• Baixa notoriedade ou insuficiente reconhecimento público

• Reconhecimento regional ou legitimidade conferida por sua atuação em municípios do interior do estado. • Reconhecimento público e/ou legitimidade conferida pelo campo de produção cultural

Pessoa jurídica de direito privado com fins lucrativos • Insuficiente reconhecimento público • Reconhecimento pela atuação regional ou em municípios do interior do estado • Reconhecimento público: . Os empreendedores ou entidades caracterizam-se por extenso currículo na área cultural, protagonizando eventos consagrados pela crítica ou alcançam visibilidade em função de suas atividades educativoculturais. • Insuficiente reconhecimento público ou pequena visibilidade na área cultural

aproponente tem amplo currículo na área de promoção, produção e organização de espetáculos, shows de musica, teatro, etc; b- produtor na área do audiovisual reconhecido em seu campo de atuação, com recebimento de prêmios. a - produtor cultural com atuação em BH, pouco conhecido do público a - produtor cultural com atuação regional. a- tem extenso currículo na área cultural, protagonizando eventos consagrados pela crítica b- tem extenso currículo em atividades educativo-culturais

Pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos

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• Proponentes são conhecidos regionalmente por sua atuação no interior do estado Fonte: Projetos culturais apresentados à Lei de Incentivo à Cultura Elaboração: Fundação João Pinheiro (FJP). Centro de Estudos Históricos e Culturais (CEHC)

a- pouco conhecidas do grande público mineiro b- atuação prioritária na área educacional a- conhecido regionalmente; atuação no interior.

Como último procedimento para a caracterização final dos empreendedores culturais quanto ao seu reconhecimento público ou notoriedade no campo de produção cultural. Nesse caso. os grupos de natureza jurídica foram agregados em três categorias. quanto a sua capacidade de promover maior universalização do atendimento das demandas oriundas das várias regiões. além da correlação guardada com a variável captação de recursos. A diferenciação entre capital e interior tornou-se necessária para identificar melhor as chances de captação em cada contexto. particularmente na capital do estado. o público preferencial dos seus projetos é a população de municípios e regiões do interior. A partir delas foi possível estimar a freqüência de ocorrência dos proponentes em cada uma. Essa categoria abrange os proponentes de projetos culturais pertencentes às três naturezas jurídicas consideradas e cujos reconhecimento e legitimidade são conferidos por sua atuação no interior do estado. notoriedade e legitimidade conferida pelo campo de produção artístico-cultural. 2º) Insuficiente reconhecimento público. Essa categoria abrange os proponentes de projetos culturais pertencentes às três naturezas jurídicas consideradas e cujos reconhecimento público e legitimidade são conferidos particularmente por sua atuação na capital do estado. As categorias identificadas com relação a reconhecimento público e notoriedade auferidos pela atuação no campo artístico cultural são as que se seguem: 1º) Reconhecimento público. 3º) Reconhecimento regional. 6 5 . Essa categoria abrange os proponentes de projetos culturais pertencentes às três naturezas jurídicas consideradas e que se caracterizam por insuficiente reconhecimento público e notoriedade quanto a sua atuação na área cultural. especialmente frente às já conhecidas limitações dos mecanismos de renúncia fiscal.

percentual semelhante ao da média de captação observada no período. portanto.7% de seus projetos.9%). dispondo. Assim. os produtores culturais que desfrutam de notoriedade e reconhecimento público conseguiram captar recursos para 70. A categoria de projetos culturais orientada para os interesses da população do interior do estado demonstra. Uma outra categoria de empreendedor cultural que tem sua atuação concentrada em municípios do interior do estado. indicador abaixo da média de captação observada no período (58. uma maior capacidade de captação de recursos frente aos projetos de empreendedores culturais que desfrutam de insuficiente reconhecimento público. enquanto os pouco conhecidos do público captaram recursos para 44. de acordo com a tabela 21.9%).9%. a maior adequação de seus projetos ao perfil da população e a existência de empresas patrocinadoras preocupadas em resgatar a sua imagem institucional e ampliar o seu envolvimento na comunidade onde se inserem. portanto. 6 6 . Entre os fatores que poderiam explicar essa ocorrência podem ser citados: a menor concorrência enfrentada pelos empreendedores do interior.A análise dos projetos do primeiro edital de 2001 confirma a hipótese de que a consagração ou o reconhecimento público do artista é uma condicionante importante para a viabilização dos projetos culturais por meio de patrocínio empresarial. de reconhecimento regional. também demonstra possuir maiores chances de captação (58.

3 41... Reconhecimento Público Reconhecimento / notoriedade Reconhecimento regional ..9 44. Centro de Estudos Históricos Culturais (CEHC) 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS O incentivo à produção artística e cultural via renúncia fiscal vem se apresentando como um mecanismo de suma importância para dinamizar e fortalecer o setor cultural no estado de Minas Gerais. O estudo analisou ainda a distribuição espacial na apresentação e aprovação de projetos na capital do estado. tendência de redução da participação dos projetos da região Central tanto na demanda quanto no seu atendimento. constatou-se uma clara..1º EDITAL DE 2001... A análise dos cinco anos de vigência da Lei Estadual de Incentivo à Cultura sinalizou a intenção governamental de descentralizar o apoio a projetos culturais e.. A abertura do incentivo às 11 áreas culturais definidas pela Lei indica um esforço de promoção da diversidade cultural. Total .... em decorrência.... No tocante a esse aspecto. com exceção do folclore e do 6 7 . os recursos canalizados para o setor.... Nesse sentido.0 100...... os dados indicam que a concentração espacial está relacionada aos espaços ocupados pelos estratos sociais mais abastados..1 55. melhoraram os índices de aprovação de praticamente todas as áreas..9 Não 29.. Insuficiente reconhecimento.0 100...9 58.0 100.7 58..........1 41...TABELA 21: DISTRIBUIÇÃO DOS PROJETOS INCENTIVADOS SEGUNDO O RECONHECIMENTO PÚBLICO DO PROPONENTE . verificando-se a concentração em bairros da região centro-sul.MINAS GERAIS .. Incentivo (%) Sim 70...0 Fonte: Projetos culturais apresentados à Lei de Incentivo à Cultura Elaboração: Fundação João Pinheiro (FJP).1 Total 100. embora tímida.... Desta feita...

Outras variáveis estudadas apresentaram correlações apenas para algumas das suas categorias. os empreendedores mal sucedidos na viabilização de projetos também constituem a maioria. aprovados e incentivados foi constante. em âmbitos nacional e estadual. essa reduzida assiduidade evidencia-se para aqueles empreendedores que apresentaram apenas um projeto em todo o período. Nesse caso se inserem as variáveis objetivos dos projetos culturais e público-alvo. Constatou-se. constata-se uma grande presença de entidades sem fins lucrativos que lidam com projetos em diversas áreas. No que tange à música. No entanto. Nesse grupo. O insucesso no processo de captação de recursos os desestimula na tentativa de viabilização de projetos por meio desse instrumento. consagração ou reconhecimento público do artista ou produtor cultural. carta de intenção de patrocínio. Dentre as variáveis estudadas. Na fase de captação. apesar de artes cênicas e música serem as mais freqüentes. No entanto. a expansão de sua participação no número de projetos apresentados. tradição de realização. a concentração dos projetos nas áreas de artes cênicas e de música permanece nos seis editais considerados neste estudo. conseguindo aprová-los e captar recursos. as que apresentaram correlação com o processo de captação foram: áreas culturais. Na primeira instância. O estudo dos projetos aprovados e incentivados no primeiro edital de 2001 identificou as variáveis com maior capacidade de influir no processo de captação de recursos de renúncia fiscal via Lei Estadual de Incentivo à Cultura. A correlação entre áreas culturais e captação de recursos confirma análises e pesquisas realizadas. que grande parte dos agentes culturais é pouco assídua na apresentação e na realização de projetos culturais. desestimulados por sua não aprovação e/ou pelos trâmites burocráticos legais. as quais indicam forte 6 8 . disponibilidade de plano de mídia.patrimônio. natureza do projeto cultural. verificou-se um núcleo de empreendedores que apresentou projetos em todos os editais. ainda.

É o caso das áreas de bolsas de estudo. Os que têm por finalidade manutenção de entidades artístico-culturais. festival/feira/semana 6 9 . verificou-se a existência de áreas caracterizadas também por altos índices de captação. formação e qualificação artística. Caracterizam-se. seminários e cursos de caráter cultural e folclore. possuem dimensões progressivamente valorizadas pelo meio cultural e pelo mercado empresarial. Com exceção da área de bolsas de estudo. as modalidades que influenciaram mais positivamente na captação de recursos foram: espetáculos e shows.concentração em modalidades culturais expressas prioritariamente por meio de eventos. Esses projetos. não se caracterizem por visibilidade no mercado ou na mídia. Setenta e cinco por cento dos projetos que objetivam a realização de eventos conseguem captar recursos. embora os testes de associação entre as variáveis não possuam significância estatística. apontou artes cênicas e música como as modalidades culturais que apresentam maiores chances de captação no mercado de patrocínio mineiro. contra 41% dos que prevêem a produção de bens culturais. embora. os testes de associação indicam correlação apenas para eventos e produtos culturais. embora o volume de projetos apresentados e aprovados não seja significativo. buscando resgatar comunidades ou segmentos de populações caracterizadas por baixos índices de qualidade de vida. portanto. de forma geral. No tocante à natureza do projeto cultural. No que diz respeito aos objetivos ou às finalidades dos projetos culturais. construção ou reforma de edificações e aquisição de acervos apresentam um índice de captação pouco abaixo da média do período. por maior visibilidade do mercado e da mídia. os projetos em questão procuram associar a arte e a cultura a valores sociais. Por outro lado. A análise da participação das áreas culturais no volume total de projetos incentivados. associada ao índice de captação por área cultural (volume incentivado/total aprovado).

8%). em relação aos já realizados sem incentivos fiscais (77. A análise associada dessas duas vertentes do projeto possibilitará chegar a conclusões mais aprofundadas sobre a questão. No tocante a essa variável. 7 0 .3%). Os resultados estatísticos indicam que os já realizados com incentivos da lei estadual têm maiores chances de captação (81. a violência doméstica etc. crianças e adolescentes que convivem com o narcotráfico. de uma relação de parceria com perspectivas duradouras. Por outro lado. Nessa categoria se incluem também os seminários e cursos que visam à qualificação profissional e artística. Essa modalidade pode contemplar ainda uma dimensão social.cultural. os resultados apontaram que as modalidades valorizadas pelo mercado pertencem à categoria de eventos culturais. voltando-se para públicos considerados em situação de risco social: comunidades carentes. os apresentados pela primeira vez apresentam menores chances de captação (54.1%). Esses dados abrigam vários sentidos que merecem ser apontados. Quais os objetivos visados pelos patrocinadores quando se envolvem com empreendedores culturais em uma parceria duradoura? A quais critérios o empreendedor cultural deverá responder para dar continuidade à parceria? Que chances têm os novos empreendedores de concorrerem com proponentes já estabelecidos no mercado? Esses aspectos poderão ser melhor delineados quando os dados desse estudo forem cotejados com os resultados da pesquisa com o setor empresarial patrocinador de projetos culturais no estado de Minas Gerais. pelo agente cultural e pela empresa patrocinadora. circulação de show e exposição de artes plásticas. a prostituição. A tradição de realização ou continuidade na execução de um projeto indica tendência de valorização. A tradição de realização do projeto cultural constitui também forte condicionante da captação de recursos para sua viabilização.

A correlação entre captação de recursos e os projetos direcionados para as comunidades carentes sinaliza a existência de uma política de patrocínios de conteúdo social na área cultural.3% dos projetos conseguem captar recursos. o público ao qual se orientam os projetos não define sua capacidade de captação de recursos. o resgate da auto-estima e a inclusão social.De forma geral. 7 1 . constituindo ações sociais conjugadas com trabalho artístico ou que partem da arte popular. Os projetos com essa finalidade. workshops. cursos de capacitação e seminários. Apenas para as comunidades carentes e a comunidade universitária essa correlação é significativa. voltam-se para a formação artística e cultural das comunidades por meio de oficinas. a correlação observada se dá em sentido negativo: um percentual mais elevado de projetos orientados para esse segmento de público não consegue captar recursos (56. visando a sua divulgação e à coesão e integração social das comunidades. visam a resgatar ou construir a imagem institucional da empresa em sintonia com as demandas da comunidade onde ela se insere ou de segmentos da população em precárias condições de vida. No caso das primeiras. Em outro formato.8%). não se observou uma associação estatisticamente significante. 83. No tocante aos demais segmentos de público. Os projetos culturais com esse perfil podem ainda se orientar para as comunidades de vilas e favelas. podem estar direcionados para atividades artísticas associadas à formação educacional do público infantil e juvenil. de forma geral. Nesse caso. a arte e a cultura são freqüentemente trabalhadas ou estimuladas como veículo para a construção da cidadania. Os projetos culturais com esse recorte. estimulando a reflexão crítica sobre o sujeito e a sua realidade. vinculados ou não a escolas de ensino fundamental e médio.2%). em contraposição ao percentual dos que conseguem se viabilizar (43. Para a segunda. freqüentemente.

A consciência da necessidade de associar a marca empresarial a projetos que visem a benefícios sociais apresenta-se como uma modalidade de incentivo cultural em crescente processo de valorização pelas empresas mineiras. sofisticação. elas objetivam a inclusão social de indivíduos marginalizados pela sociedade. Por meio do estímulo ao aprendizado de um ofício ou do potencial educativo e civilizador de práticas culturais. A identificação do público-alvo ao qual se orienta o projeto é etapa importante desse processo. Apesar disso. a apresentação ou não de um plano de mídia. A imprensa é um recurso importante no processo de consolidação e ampliação do público do bem cultural. O planejamento de mídia apresentado nos projetos do primeiro edital de 2001 caracterizou-se por grande generalidade. incluindo -se o desenvolvimento cultural. apresentou resultados significativos. quando correlacionada à captação de recursos. ampliando o seu acesso ao mercado de trabalho e à renda. as empresas estão interessadas em transferir para a sua marca valores relacionados ao bem cultural. prestígio e solidariedade para a marca patrocinadora ou seus produtos implica agregação de valor simbólico que amplia o valor de sua própria utilidade. esse comportamento é coerente com a busca do posicionamento da marca da empresa patrocinadora. torna-se essencial detalhar o plano de mídia para a divulgação dos produtos culturais. apresentando apenas princípios e idéias gerais sobre a forma de divulgação dos produtos. Nesse sentido. Ao investirem em projetos culturais. As empresas que desenvolvem ações com esse perfil são consideradas socialmente responsáveis e podem atuar em parceria com o Estado na implementação de políticas públicas na área social. Esses projetos associam o apoio às atividades artísticos-culturais a demandas de caráter coletivo das comunidades nas quais se inserem ou a metas sociais mais amplas. ousadia. A transferência de valores como beleza. uma vez que o produto cultural constitui uma fonte de interlocução com ele.Do ponto de vista da prática do marketing cultural. Verificou-se associação estatística entre as duas 7 2 .

Não é possível. os dados da pesquisa indicaram proporção similar entre os que montam uma estrutura profissional e aqueles em que o próprio proponente se responsabilizará por essas funções. traduzindo-se em percentual bem aquém da média de captação observada para o período.3% dos projetos que apresentaram plano de mídia tendo conseguido captar recursos.variáveis. Na verdade. pelo menos até o momento da elaboração do projeto. pois. favorecendo a viabilização de recursos no mercado. Em sentido oposto. Por fim.7% de seus projetos. o fato de não possuir plano de mídia afetou negativamente a capacidade de captação. esse é um fator que vem originando distorções e concentração na implementação do mecanismo fiscal para a cultura e dificultando a democratização dos recursos para o setor. a análise dos projetos do primeiro edital de 2001 confirmou uma das principais hipóteses orientadoras da pesquisa – a de que a consagração ou o reconhecimento público do artista é uma condicionante importante para a viabilização dos projetos culturais por meio de patrocínio empresarial. 7 3 . Essa dicotomia revelou-se essencialmente significativa e em concordância com análises anteriores que apontam a importância dessa circunstância para a viabilização dos projetos culturais em âmbito federal. Embora se observe ligeira superioridade do índice de captação quando há indicação do agente responsável por essa tarefa. concluir qual tipo de empreendimento – profissionalizado ou não profissionalizado – oferece maiores chances de captação de recursos. com 62. estadual ou municipal. Os pouco conhecidos do público ou que não desfrutam de notoriedade ou prestígio captaram para 44. Em relação à carta de intenção de patrocínio. pode-se concluir que se trata de variável estreitamente associada à capacidade de captação. os testes de associação entre as variáveis não atendem aos limites da significância. No tocante à estruturação profissional do empreendimento para elaboração e captação de recursos. Os produtores culturais de Minas Gerais que desfrutam de notoriedade e reconhecimento público conseguiram captar recursos para 70.9%.

publicada em 2001. que diagnosticou que a maioria das empresas brasileiras (60%) prefere atuar nas comunidades que vivem em seu entorno. O estímulo à produção cultural e a canalização de recursos para o setor são inquestionáveis. a democratização e a descentralização dos recursos disponíveis e o impulso à conscientização da sociedade sobre a necessidade de preservação e ampliação dos seus direitos culturais. Os resultados do estudo delimitam. O mecanismo de renúncia fiscal delega às empresas o poder de definição dos critérios que orientam a escolha dos projetos culturais a serem financiados. Nesse sentido. com alguma clareza. definindo uma dinâmica comandada por valores mercadológicos. Esse dado é consistente com Pesquisa do Ipea sobre ação social das empresas. Esses aspectos estão sendo trabalhados no segundo módulo do projeto a partir de uma pesquisa realizada com o setor empresarial de Minas Gerais que tem patrocinado projetos culturais por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Essa tendência é coerente com a valorização de projetos que se orientam pelo interesse coletivo. O mesmo se dá quando. aplicando aí significativos recursos. quando comparada ao grupo de não conhecidos. o empreendedor demonstra interesse em construir uma marca cultural que. agregue valor aos bens e serviços oriundos da atividade empresarial38 .9%).Por outro lado. atributos como notoriedade e prestígio do empreendedor são inevitavelmente valorizados. 38 7 4 . juntamente com a empresa patrocinadora. é ainda incipiente o alcance de metas mais amplas como o respeito à diversidade cultural. particularmente de comunidades situadas no entorno de empresas que já optaram por investir em projetos sócio-culturais como ferramenta de comunicação empresarial. outra categoria de empreendedor cultural com atuação concentrada em municípios do interior do estado e que dispõe de reconhecimento regional também demonstra possuir melhores chances de captação (58. as potencialidades e os limites do mecanismo de renúncia fiscal no financiamento à cultura. Entretanto. no longo prazo.

de forma abrangente e segmentada.Esses aspectos denotam a limitação desse mecanismo. não pode prescindir de uma ação reguladora do Estado que estabeleça estratégias e diretrizes de políticas que. responda pela orientação quanto aos vários conteúdos e repertórios da atividade artístico-cultural mineira. Esses aspectos reforçam a importância da formação de instâncias de interlocução em que atores do setor público. agentes culturais e consumidores possam ampliar os espaços de negociação. empresas. de forma a influir na formulação e implementação de uma política pública de cultura que atenda aos anseios e demandas da sociedade. A implementação desse mecanismo. restringindo seu escopo e abrangência em relação à amplitude da demanda cultural e à formulação de uma estratégia de desenvolvimento para o setor em sintonia com uma política de desenvolvimento econômico e social. portanto. 7 5 .

2002]. FARIA.]. Leonardo (Org. formação e venda de projetos. BRASIL. 1997. José Luís et al. CASANOVA. Marketing Cultural: um investimento com qualidade. 10 anos de mecenato cultural em Portugal. 2003. Políticas culturais. 2001. 1997. In: Antônio Franceschi [et al. As leis de incentivos fiscais à cultura. Constituição. Políticas públicas de cultura e desenvolvimento humano nas cidades. Revista Pólis. Isaura.br > Acesso em 26 mar. BRANT.gov. Barueri. Prestando contas aos mineiros: avaliação da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. 1998. São Paulo: Informações Culturais. Leonardo. (SP): Manole.O desenvolvimento cultural como desafio. São Paulo nº 36. ______. Revista Pólis. p. Belo Horizonte. 1998. 2004. 2003. 11-20. 11-22.92-101. ______.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BOTELHO. 1998.cultura. Hamilton. Mercado cultural: investimento social.35-51. BRASIL. São Paulo nº 28. José Teixeira. São Paulo: Iluminuras. FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO. [Brasília. p.). 2000. Disponível em:< www. Dicionário crítico de política cultural . p. 7 6 . gestão e patrocínio. política cultural. In: Investimentos em Cultura 1996-2002. Ministério da Cultura. São Paulo: Escrituras. COELHO. Uma política cultural para a cidade de São Paulo. Constituição da República Federativa do Brasil: 1989. p. Centro de Estudos Históricos e Culturais. Lisboa: Observatório das Atividades Culturais. In: BRANT.

Democratizar a cultura.FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO. Rosana. 2003. 36. MARQUES.br > Acesso em: 15 out.Escola de Governo. MIRANDA. velhas desigualdades. n. TÔRRES.gov. Revista Brasileira de Ciências Sociais. Diagnóstico dos investimentos culturais no Brasil. 1997. 2000. População. v. João Gabriel e SOUZA.). Diretrizes para o planejamento de uma política pública de cultura. n. Leonardo (Org. Jupira Gomes e GODINHO. n. Fundação João Pinheiro. José Moreira. São Paulo nº 28. Espaço e sociedade na Grande BH. Barueri. V. São Paulo. SP: Manole.ipea. TEIXEIRA. Revista Pólis. Disponível em: < http://www. Monografia . v. Revista Pólis. Seminário Experiência de descentralização em São Paulo: ação cultural regionalizada. HERSCOVICI. 2003. Belo Horizonte.1. set/dez. Belo Horizonte: PUC Minas. Alain. Maria Helena de Lacerda (Orgs.5. 41-54. Centro de Estudos Históricos e Culturais. p. MACHADO.1990. democratizar as culturas. Análise econômica das produções culturais. INSTITUTO DE PESQUISAS ECONÔMICAS E APLICADAS. MIZZIARA.3. Bernardo Novais da Mata. Eduardo César. Democratização da cultura: uma avaliação da lei estadual de incentivo. out 1999. p. In: BRANT. 87-107. 41. In: MENDONÇA. 7 7 . 2001. Belo Horizonte. Daniela Ramos. 2001. p.. Pesquisa ação social das empresas [Brasília:2001]. Análise e Conjuntura. Redes Sociais e instituições na construção do estado e a sua permeabilidade.2. 1998. 14. Danilo Santos de. Políticas Culturais v.). 110-133. espaço e gestão na metrópole: novas configurações.

7 8 Anexo A: Ficha de Leitura de Projetos Culturais Área Cultural Projetos Protocolo/empreendedor Características do produro cultural (produto cultural e outras ações culturaisou socioculturais) Público-alvo Reconhecimento público (currículo. crítica) Natureza jurídica . prêmios. material de imprensa.

outras fontes de recursos. histórico do projeto) 7 9 .Captação (sim/não) Empresa patrocinadora Carta de intenção (sim/não) Estratégias de mídia Responsabilidade pela elaboração/captação de recursos Observações (estabelecimento de parcerias.

Espetáculo. educativas e assistência social 4. coral 3. Objetivos do projeto cultural (ou Resultados pretendidos/Finalidade do projeto) 1. fundação ou organização da sociedade civil responsável por ações culturais. produtoras de cinema) 11. Associações de Bairro 5. Entidades religiosas 8. Instituto. Grupos artísticos: teatro. Montagem. Direito público (fundações e instituições vinculadas ao Estado) Características do produto cultural Q2. Sated. teatros. bibliotecas. Associações representativas de interesses de classe na área artística (Amparc.Anexo B . (especialmente grupos de teatro ou dança.Caderno de Códigos Q1. Movimento Teatro de Grupo) 10. etc) 6. coral) 8 0 . Natureza jurídica do empreendedor 1. Direito privado com fins lucrativos (produtoras de eventos. educativas e artísticas 7. Associação ou Sociedade de Amigos (de museus. criação de espetáculo 3. Associação Curta Minas. dança. Manutenção de grupos artísticos. Entidades orientadas para pesquisas vinculadas às universidades 9. show 2. Pessoa física Direito privado sem fins lucrativos: 2. Institutos vinculados a empresas voltados para ações sociais.

exibição de cinema e vídeo. Programa de televisão 12. manutenção administrativa e de programação de centros culturais. congresso. Eventos (espetáculo. catálogo. Pesquisa e documentação 14. turnê 16. Manutenção de entidades culturais. Premiação. show. reforma de edificações. Não prevê produto cultural específico (no caso de reforma de edificações e manutenção de entidades culturais pode não constar a apresentação de um produto específico) 19. Manutenção de entidade artístico cultural. feira. videoclipe. Natureza do projeto cultural 1. teatro (espaço físico) 5. (nulo) 20. (nulo) 18. Produção cinematográfica e videográfica. oficinas) 3. reforma de edificações 8. cursos) 6. aplicativo multimídia) 10. 8 1 . bibliotecas. mostra fotográfica 13. Mostra. Preservação e restauração de patrimônio histórico e artístico. Exposição. 9. livros e congêneres. Produto cultural ( CD. Formação e qualificação artística (oficinas. Seminário 17. festival. pesquisa e documentação) 2. filme.4. workshops. Festival. salão de artes plásticas 21. (nulo) 15. museus. exposição. Formação e manutenção de acervos 7. Gravação e lançamento de CD 11. revista eletrônica. vídeo. revistas. mostras e congêneres. semana cultural (grande evento reunindo diversas ações e atividades culturais) Q3. seminário. Produção editorial (livros. Circulação de show ou espetáculo. concurso 22.

De outras leis de incentivo 3. De outras fontes 4. apoio de órgãos da prefeitura.restauração patrimônio histórico e de obras de arte. Realizado outras vezes sem incentivos fiscais 4. Não se aplica (no caso de construções de espaços culturais. Sem informação (sem informação sobre a utilização da lei estadual ou outras leis) 5. Sem declaração Q7. apoio efetivo (inclusive com liberação de verbas). Apresentado pela primeira vez 2. arquivos. Tradição do evento 1. 4. Somente recursos da LEIC 5. aquisição de acervo e manutenção de museus. Próprios 2. Convênios de cooperação com outras entidades culturais 2. Convênios de cooperação com entidades educacionais 3. Não cita 8 2 . Possui parcerias? De que tipo? Sim 1. construção. Realizado outras vezes com incentivo da lei estadual 3. Cartas de apoio de prefeituras dos municípios que sediam o projeto. reforma de edificações ) 6. Reapresentado à lei estadual em função de não captação Q6. Conta com recursos: 1. bibliotecas e outras entidades artístico culturais sem fins lucrativos Q5.

Material gráfico (folder. cartaz. Sim 2. Outdoor 8 3 . Prevê a contratação de assessoria de imprensa? 1. Não 3. show beneficente. Sim 2. Internet 5. convite. Não se aplica (para quem não tem plano de mídia) 7. Camisetas promocionais 2. Impressa (revista. Televisão 4. Cinema Q12. Sim 2. Eventos públicos (show de lançamento. jornal) 2. Rádio 3. Não Q9. Não citou (inclusive para quem não especificou o tipo de mídia. Não cita Q10. mostra fotográfica. Mídia espontânea 3. lançamento de livros) 5. Ex: todos ou principais veículos de mídia do estado) 6.Mídia Q8. programa) 3. Tipo de mídia 1. Não Q11. Coquetel 4. Material ou recursos de divulgação 1. folheto. Conta com assessoria de imprensa? 1. Possui plano de mídia? 1. release. cartaz lambe-lambe.

Site 10. mas com considerável formação artística e/ou currículo na área cultural 3. Pouco conhecido do grande público. com recebimento de prêmios 12. Produtora de audiovisual reconhecida em seu campo. teatro. Vídeo 9. protagonizando ou produzindo eventos consagrados pela crítica 5. Distribuição de porcentagem do produto cultural à entidades culturais e ou educativas Reconhecimento público do proponente Q13. Carro de som 11. Produtor cultural com atuação regional 8 4 . atuação reconhecida no interior 7. Não prevê 8. Proponente tem amplo currículo na área de promoção. Não se aplica (para quem não tem plano de mídia) 7. Reconhecimento público: Pessoa física: 1. com baixa visibilidade de público (incluindo estúdios fonográficos e produtoras de vídeo) 10. Conhecido regionalmente. Participação significativa em produções culturais de BH 6. Conhecido do grande público mineiro Pessoa jurídica com fins lucrativos (produtor cultural) 8. etc 9. produção e organização de espetáculos. mas já atuou com nomes consagrados do cenário artístico mineiro e brasileiro 4. Tem extenso currículo na área cultural. shows de música. Produtor cultural com atuação em BH. Pouco conhecido do grande público. Pouco conhecido do grande público mineiro 2.6.

Entidades públicas 13 Faop 14 Fundação Clóvis Salgado 21 Uemg 22 Iepha 23 Fundação João Pinheiro Entidades sem fins lucrativos 15. Pouco conhecidas do grande público mineiro 16. Tem extenso currículo na área cultural, protagonizando eventos consagrados pela crítica; conhecido do público 17. Atuação prioritária na área educacional 18. Conhecidas regionalmente; atuação no interior 19. Extenso currículo em atividades educativos culturais ( reconhecimento público) 20. Serviços prestados à comunidade. Público-alvo Q14. Qual é o público-alvo do projeto? 1. Público em geral (indefinido) 2. Público segmentado e/ou especialistas em áreas culturais 3. Comunidade universitária 4. Comunidades carentes (crianças e adolescentes de baixa renda ou em situação de risco social) 5. Escolas públicas e /ou privadas (ensino fundamental e médio) 6. Público regional, comunidade local 7. Público das classes A e B (estratos de renda mais elevados) 8. Crianças (infanto - juvenil) 9. 3ª idade

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Elaboração e captação Q15. Responsável pela elaboração do projeto: 1. O próprio proponente 2. Contrata terceiros exclusivamente para a elaboração 3. Contrata serviços de terceiros para elaboração e captação 4. Não cita 5. As parcerias respondem pela elaboração Q16. Agentes captadores 1. Não cita serviços contratados para captação de recursos 2. O proponente é responsável pela captação 3. A definir após aprovação do Projeto 4. Serviço contratado, sem especificação de nome 5. Agência Paralelo 3 6. Alfa Consultoria e Marketing Cultural Ltda. 7. Ana Beatriz Fábregas Figueiredo 8. Angelina Gonçalves de Faria Pereira 9. Antônio Sérgio Moreira da Silva 10. Art. BHZ Produtora de Espetáculos 11. Arte Com Trato – Assessoria e Marketing Cultural Ltda. 12. Articular Comunicação, Projetos e Eventos Culturais. 13. Associação dos Amigos do Hospital João XXIII 14. Attílio Caratieiro Cultural e Eventos Ltda. 15. Banco Bonsucesso 16. Branca Maria de Paula 17. Brant Consultoria Ltda. 18. C/ Arte Projetos Culturais 19. Casa de Cultura Oswaldo França Junior 20. Cia Teatral Trupe Pierrot Lunar (Leonardo Augusto Silva e Simão) 21. Cláudia Lage M. 22. Cláudio de Oliveira Castanheira 23. Contare Ltda.
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24. Coradi Associados S/C Ltda. (Cristiana Bracks Coradi e Eder de Melo Coradi ) 25. Dalton Fernando de Miranda 26. Dois Pontos Consultoria Cultural e Propaganda 27. Daniel Vianna Ottoni de Siqueira 28. Djalma Ricardo Júnior 29. Dorotéa Fontana 30. Emerson Azambuja da Silva 31. Estúdio Via Sonora Ltda. (Flávio Henrique Alves de Oliveira) 32. Filmegraph Ltda. 33. Fundação Clóvis Salgado 34. Harmonia Cultural Ltda. 35. HGM Produções Ltda. 36. Homero Vianna 37. Iara Sofia Alves Esteves 38. Instituto Brasileiro de Difusão Universitária (IBDU) 39. Idear Produção, Comunicação e Marketing Ltda. 40. Iepha/MG Flávio de Lemos Carsalada 41. Interlúdio Consultoria, Assessoria e Promoção de Eventos Ltda. 42. JM Produções Ltda. (Eric Mardoché Belhassen ) 43. Juliana Ceolin Soares 44. Luís Ângelo da Silva Giffoni 45. Mara do Nascimento Fassy 46. Marcelo Renato Alves dos Santos 47. Marco Antônio Simão Amaral Reis 48. Marco Cultural Consultoria Ltda. 49. Maria Ângela Braga e Gaby de Aragão 50. Maria Aparecida de Souza Costa 51. Marilda Ramos Lyra Alves 52. Marina de Fátima Sepúlveda Soares 53. Mauro Lúcio Magela Ferreira 54. Mônica Cerqueira 55. Mult Cult Produção e Eventos Ltda. (Maria Alice Martins Alves Costa) 56. Multiarte Promoções Culturais Ltda.
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WR Malta – Marketing Cultural e Produções Ltda 79. Produtos e Eventos culturais 81.Projetos. Marcelo Pimentel 85. Rogério Munhoz Costa 67. Solange Luzia da Silva Gomes 72. Renata de Cabral Castro 62. Via Social projetos Culturais e Sociais 77. Ricardo Teixeira Félix 63. Titã Associados 74. Amaury Vieira Silva 88. Rômulo Duque 68. Tiogo Pimenta Bossi 73. Ivan Campos Chagas 82. Vânia Guedes da Silva 86. Ubiratan Fernandes de Souza Miranda 75. Veredas Produções e Edições Ltda. Paulo César Lima Filho 61. Nina Paula Produções Ltda. Roberta Machado Santos 64. Robson Geraldo Nóia de Assis 65. Yuri Simon da Silveira 80. Cultural & Negócio . 76. Patrícia Ferreira Tavares 83. Antônio Simão Amaral Reis 87. WebFlow Design Ltda 78. Simone Raquel Senra Silva 71. Rogério dos Santos 66. 69. Sílvio Alberto Sasdeli 70. Ômega Marketing Cultural 59. 58. Santa Rosa Consultoria Cultural Ltda. Matilde Campos de Oliveira 89. Patrícia Pitaluga 60.57. Kreiler Sena Barreira 84. Fabiola Penha Iglésias 8 8 .

não 8 9 . Rivadávia Drumond Neto Carta de intenção Q17 . Victor Fernando Melo de Aguiar Garcia 94.carta de intenção 1. Helcar Nunes Porfírio Santos 91.90. Buenos Dias Projetos e Produções Culturais 92. Guilardo Veloso de Andrade Filho 93. Nélida Schimidt Prado 96.sim 2. Eladir Lima Voigt 95.

monitoramento e avaliação de projetos e políticas culturais. urbanismo e meio ambiente. c) assessoramento na formulação. debates e grupos de trabalho no campo da cultura. linhas de financiamento e otimização dos recursos do setor cultural. estadual e federal. 9 0 . d) proposição de instrumentos de fomento. pesquisas e publicações voltados para a valorização e divulgação da história e da cultura mineira. g) apoio técnico aos diversos órgãos da administração pública na definição de diretrizes para o setor cultural. Entre suas linhas de atuação.Centro de Estudos Históricos e Culturais (CEHC) O CEHC tem como objetivo realizar estudos. bem como atuar na formulação. antropologia. b) divulgação da história e da cultura de Minas Gerais através das obras da Coleção Mineiriana e Centenário. f) participação na coordenação institucional dos diversos órgãos da administração estadual afetos aos assuntos culturais. sociologia e economia da cultura. destacam-se: a) realização de estudos e publicações nas áreas de história. e) promoção. organização e coordenação de seminários. acompanhamento e avaliação de políticas públicas culturais nas esferas municipal.

o pão: o mercado de trabalho da cultura na Região Metropolitana de Belo Horizonte Nº.fjp.Patrocínio Cultural em Minas Gerais: Análise Quantitativa das Empresas Investidoras em Cultura via Lei Estadual de Incentivo . 5 .1998-2001 Nº. 3 – Estatísticas básicas da Lei Estadual de Incentivo à Cultura: 1998-2001 Nº. 4 – Apontamentos sobre o ICMS patrimônio cultural Nº. 8 .Responsabilidade Social e Marketing Cultural Nº 9 . 7 .br 9 1 .Renúncias Fiscais: o segmento cultural numa abordagem comparativa Nº. 6 .Impactos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura na economia mineira: uma análise de insumo-produto Nº.mg.CADERNOS DO CEHC Série Cultura Nº. 1 – Além da diversão e arte. 2 – Pesquisa educação patrimonial: subsídios para elaboração de propostas de ação Nº.gov.Participação da Sociedade Civil e Democratização da Gestão Pública Disponível para download no endereço: www.

gov.C O N T E Ú D O: Apresenta um exame sistemático e exaustivo da Lei de Incentivo à Cultura de Minas Gerais.1998 e 2001 (1º edital).br 9 2 .5 cm. n° de páginas: 87 Preço: R$10. regiões e municípios do estado Formato: 21 x 29.mg. visando a dar transparência ao montante de recursos gastos e sua distribuição em face das diversas modalidades culturais. Avalia quantitativamente os resultados obtidos através da Lei.00 Disponível para download no endereço www. nos quatro primeiros anos de sua vigência .fjp.

br telefax: (31) 3448 9418 .Isabel de Carvalho Impresso na gráfica da Fundação João Pinheiro Tiragem: 100 exemplares Belo Horizonte julho de 2004 9 3 .Forma de aquisição das publicações do CEHC Fundação João Pinheiro Centro de Estudos Históricos e Culturais e-mail: Isabel.carvalho@fjp.gov.mg.