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Universidade Salgado de Oliveira - Campus Goiânia

Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira

TÓPICOS ESPECIAIS DE DIREITO DE EMPRESA
“Não é sinal de saúde estar bem ajustado a uma sociedade profundamente doente” (Jiddu Krishnamurti)

I - TEORIA GERAL DOS CONTRATOS
1. CONCEITO: É todo acordo de vontades entre pessoas de direito privado que, em função de suas necessidades, criam, resguardam, transferem, conservam, modificam ou extinguem direitos e deveres de caráter patrimonial no dinamismo de uma relação jurídica (Ricardo Fiúza) 2. FORMAÇÃO DOS CONTRATOS 2.1. DIFERENTES PLANOS (DIMENSÕES) DO NEGÓCIO JURÍDICO 2.1.1. Plano da existência e seus pressupostos (elementos de existência) a) agente b) objeto c) forma d) vontade exteriorizada consciente
“Não existindo juridicamente, o negócio sequer precisará ser destituído judicialmente (como exigem os franceses), porque a inexistência é o “não ser”. Logo, não tendo vocação para produzir qualquer efeito, não há necessidade de declarar o negócio inexistente como tal. Excepcionalmente, apenas, é possível a declaração judicial da inexistência do negócio, em razão de efeitos indiretos gerados por ele. É o exemplo do casamento celebrado por um Delegado de Polícia ou por um Juiz do Trabalho. O ato em si é inexistente e, como tal, não se mostra necessária a propositura de uma ação para declará-lo como tal. Todavia, pode ser admissível o ajuizamento de ação para anular o registro público de casamento, se eventualmente foi assentado pelo Oficial.”1

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FARIAS, Cristiano Chaves de. Direito Civil: teoria geral. 4. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2006, p. 406.

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Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira 2.1.2. Plano da validade e seus requisitos: invalidade (nulidade e anulabilidade) do negócio jurídico (art. 104, CC) “... há certo paralelismo entre os elementos do plano da existência e os elementos do plano da validade, constituindo estes, de forma simples e direta, a qualificação, adjetivação, daqueles. Correspondem os requisitos do plano da validade às qualidades que os elementos estruturais (existenciais) devem ter.” 2 a) agente capaz b) objeto lícito, possível, determinado ou determinável c) forma prescrita ou não defesa em lei d) vontade exteriorizada conscientemente, de forma livre e desembaraçada. 2.1.2.1 Da invalidade dos negócios jurídicos a) Nulidade ou anulabilidade do contrato -> (arts. 166, 167, 171, CC). NULIDADE ABSOLUTA: 1. O ato nulo atinge interesse público; 2. Opera-se de pleno direito; 3. Não admite confirmação; 4. Pode ser argüida pelas partes, por terceiro interessado, pelo Ministério Público, quando lhe couber intervir, ou, até mesmo, pronunciada de ofício pelo Juiz; 5. A ação declaratória de nulidade é decidida por sentença de natureza declaratória de efeitos “ex tunc”; 6. A nulidade, segundo o novo Código Civil, pode ser reconhecida a qualquer tempo, não se sujeitando a prazo decadencial. NULIDADE RELATIVA (ANULABILIDADE): 1. O ato anulável atinge interesses particulares, legalmente tutelados; 2. Não se opera de pleno direito; 3. Admite confirmação expressa ou tácita; 4. Somente pode ser argüida pelos legítimos interessados; 5. A ação anulatória, a par de existir polêmica a respeito, é, conforme Pablo Stolze, decidida por sentença de natureza desconstitutiva de efeitos “ex tunc” (Art. 182 , CC). 6. A anulabilidade somente pode ser argüida, pela via judicial, em prazos decadenciais de 4 (regra geral) ou 2 (regra supletiva) anos, salvo norma específica em sentido contrário.

Sobre esta questão do efeito ex tunc ou ex nunc, na mesma linha de entendimento de Pablo Stolze, Cristiano Chaves de Farias e Nelson Rosenvald:

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FARIAS, C. C. op. cit. pg. 408

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A anulabilidade, pois, é reconhecida por meio de ação anulatória, ajuizada pelo interessado exclusivamente, cuja natureza é, induvidosamente, constitutiva negativa (desconstitutiva), produzindo efeitos ex tunc (retroativos), uma vez que, em conformidade com o art. 182 do Texto Codificado, também na anulação do negócio jurídico as partes deverão se reconduzidas ao estado que antes dele se achavam.” In: Direito civil: teoria ger al. Rio de Janeiro: Lumen Juris, p. 418.

Em sentido contrário: Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery:
Restituição ao estado anterior. A eficácia da sentença que anula o negócio jurídico é ex nunc, ou seja, produz efeitos apenas para o futuro. Com isso, todos os atos praticados como decorrência do ato anulável, o foram legitimamente, porque o ato anulável estava produzindo efeitos normalmente (CC 177). Por isso é que a sentença tem eficácia ex nunc e não pode revogar os efeitos produzidos pelo ato anulável. No tocante às partes, entretanto, deverão, sempre que possível, ser restituídas ao estado anterior. Caso isso não seja possível, a situação se resolve em perdas e danos. A solução dada pela norma comentada (perdas e danos) demonstra que a eficácia da sentença, notadamente perante terceiros, não é retroativa.” In: Código Civil comentado. São Paulo: RT, 2005, p. 264.

JURISPRUDÊNCIA: Órgão: 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais Classe :ACJ – Apelação Cível no Juizado Especial N. Processo: 2004.07.1.008971-7 Apelante(s): CONDOMÍNIO SAN FRANCISCO II Apelado(s): ADRIANA DE SOUSA BRINCK CERILO Relator(a) Juiz(a): ALFEU MACHADO EMENTA: CIVIL. PROCESSO CIVIL. CONDOMÍNIO IRREGULAR. PRELIMINAR REJEITADA. LEGITIMIDADE PASSIVA EVIDENTE. RESCISÃO DE CONTRATO. DEVOLUÇÃO DAS TAXAS CONDOMINIAIS. POSSIBILIDADE JURÍDICA. RETORNO AO “STATUS QUO ANTE”. 1 - Preliminar de ilegitimidade passiva que não se acolhe consoante os inúmeros recibos de cobrança de condomínio, evidenciando a relação jurídica existente. 2 - Se houve descumprimento contratual com a rescisão do contrato originário entre o instituidor do condomínio e a compradora, esta cumpridora de sua parte no ajuste, a situação deve retornar ao “status quo ante”. 3 - Deixa de existir a obrigação “propter rem”, vinculada ao imóvel (terreno), em função de que a anulação (desfazimento) do negócio possui efeitos “ex tunc” (art. 182, CCB/02). Se prevalecer a tese do apelante, configuraria enriquecimento sem causa, vedado pelo ordenamento vigente. 4 Recurso conhecido mas improvido. Sentença mantida. Unânime.

2.1.3. Plano da eficácia a) Condição (arts. 121 a 130) Nos termos do art. 121, caput, considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto.

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Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira Condição suspensiva: em conformidade com o art. 125, CC, subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa. Condição resolutiva: de acordo com o art. 127, CC, se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido.

b) Termo (arts. 131 a 135) Diz-se termo o acontecimento futuro e certo que suspende a eficácia do ato negocial, sem prejudicar a aquisisção de direitos, fazendo cessar os efeitos decorrentes do próprio negócio.3 O termo pode ser determinado (certo), quando a data já é preestabelecida, isto é, quando se referir a uma data do calendário (por exemplo, o contrato de prestação de serviços celebrado até o dia 31 de outubro), ou, ainda, indeterminado (incerto), se, contrariamente, o acontecimento futuro não tiver data fixada para se verificar (a morte de alguém, exemplificativamete).4 Para evitar controvérsias e dúvidas, melhor enxergar no termo um evento futuro e inevitável. Termo inicial (dies a quo) – evento futuro e inevitável que suspende o início da eficácia do ato. Termo final (dies ad quem) – caracterizado quando a eficácia do negócio expira com o advento daquela data. c) Modo ou encargo (arts. 136 e 137) É a determinação pela qual se impõe um ônus, uma obrigação, ao beneficiário de um ato gratuito, de uma liberalidade. Obrigação que poderá ter como beneficiário o próprio disponente, terceiros, uma generalidade de pessoas ou, ainda, a coletividade. Ex.: doação feita a alguém, com a imposição da obrigação de o donatário praticar um ato em favor do doador ou de terceiro por ele indicado. 2.2. DO DEFEITO DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS

a) Da lesão: é a obtenção por uma parte, em detrimento da outra, de vantagem exagerada incompatível com a boa fé ou a eqüidade (art. 157, CC).
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FARIAS, Cristiano Chaves de et ali. Direito Civil – Teoria Geral. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2006, p. 431. 4 Idem, p. 432.

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aplicação a todos os CONTRATOS firmados após a vigência da Lei n. São nulas de pleno direito. Faltando prova da adequação razoável do preço imposto. 156 do Código Civil. 2 – Dano moral resultante da apresentação e devolução do cheque.0000. (Apelação Cível Nº 70024412397. XXXV. se tornarem ""excessivamente onerosas"" (teoria da imprevisão).Recurso parcialmente provido.014-4 . Verificada a excessividade alegada.30. de cláusula abusiva de reajustamento – Necessária a redução do valor do preço de extirpação da cláusula abusiva para devolver o equilíbrio aos contratantes .01. 156. entre outras.01 . em razão de fatos supervenientes. o contrato passa a ser lesivo e ofende a ordem social.U.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. 115. UNÂNIME.) A Lesão no Código de Defesa do Consumidor: TJ/MG: Número do processo: 1. segundo o princípio consagrado de que as obrigações e CONTRATOS sujeitam-se à lei do tempo de sua formação. integrantes de classe pobre ou fabril Desproporcionalidade ao intuito de lucro -Desequilíbrio entre as partes . pois o título 5 . sem dúvida. da Constituição Federal. Relator: Otávio Augusto de Freitas Barcellos. AO APELO. Julgado em 08/10/2008) EMENTA: CHEQUE. Decisão reformada em parte. Décima Quinta Câmara Cível. resta minorada a fixação dos honorários. ainda. assim. Tribunal de Justiça do RS. ou a pessoa de sua família. Não é válida obrigação assumida em estado de perigo.V. Improcedência decretada em primeiro grau. VERBA HONORÁRIA. b) Estado de perigo: Configura-se o estado de perigo quando alguém.º 8. Emissão em caução. cumulada com pedido de indenização por danos morais. premido da necessidade de salvar-se. Inexigibilidade reconhecida.Configurada lesão aos compradores. competente segundo o artigo 5º. assim como das que. Na espécie.3ª Câmara de Direito Privado Relator: Ênio Zuliani . as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que estejam em desacordo com o sistema de proteção do consumidor. PRELIMINAR DE NULIDADE DA SENTENÇA. EMENTA: AÇÃO DE COBRANÇA. de grave dano conhecido pela outra parte. O esquema de forte e ostensiva tutela do consumidor tem. não podem ser alteradas ou restringidas pela convenção das partes. assume obrigação excessivamente onerosa (art. PRESTAÇÃO SERVIÇO HOSPITALAR.Universidade Salgado de Oliveira . Não configuração.078/90.306710-5/000(1) Relator: CARREIRA MACHADO Data do acordão: 07/08/2003 Data da publicação: 19/09/2003 EMENTA: As normas traçadas pela Lei n. Ausência de reflexos extrapatrimoniais. 8. EM PARTE. Indevida a dívida cobrada. CC). As instituições bancárias são regidas pela disciplina do Código de Defesa do Consumidor.00. previsto pelo art. a intervir na relação contratual para adequá-la a sua concepção social.078/90 são declaradamente de ordem pública e.Imposição. Ação anulatória. Aplicação dos princípios que regem situação de coação.São Paulo . para assegurar internação hospitalar de parente em grave estado de saúde. configurado vício de consentimento consistente na assinatura do contrato em estado de perigo. autorizando o Estado-juiz. (Apelação Cível n. O impacto principal do Código de Defesa do Consumidor sobre a força obrigatória do contrato operou-se pela adoção expressa da possibilidade de revisão das cláusulas contratuais que "estabeleçam prestações desproporcionais"" (teoria da LESÃO).Negócio efetuado por preço exorbitante . POR AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. sendo possível a revisão dos CONTRATOS sob sua ótica. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira EMENTA: COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA . REJEITARAM A PRELIMINAR E DERAM PROVIMENTO.

cartaz ou equivalente. de 7 de dezembro de 1940 . de 3 (três) meses a 1 (um) ano. como condição para o atendimento médico-hospitalar emergencial. sendo atacável apenas 5 Fraude de execução Instituto de direito processual Interesse do particular e do Estado-Juiz Não constitui defeito do negócio jurídico. da Comarca de São Paulo. 3 – Recurso da autora provido em parte” (Primeiro Tribunal de Alçada Civil do Estado de São Paulo. 135-A do Decreto-Lei no 2. op.Código Penal. p.Código Penal.” c) Fraude contra credores Art. passa a vigorar acrescido do seguinte art. 1º O Decreto-Lei no 2. como condição para o atendimento médico-hospitalar emergencial: Pena . como lesivos dos seus direitos. relator Campos Mello. com adaptações.detenção. nos termos do art.RN N. Quadro comparativo 5 Fraude contra credores Instituto de direito materaial Interesse puramente particular Constitui defeito do negócio Jurídico. Art. cit. 2º O estabelecimento de saúde que realize atendimento médico-hospitalar emergencial fica obrigado a afixar. 158. ou por eles reduzido à insolvência. nem foi intentada ação de cobrança.º 44. e até o triplo se resulta a morte. 135-A.848. poderão ser anulados pelos credores quirografários. de nota promissória ou de qualquer garantia. quando a insolvência for notória.Universidade Salgado de Oliveira . Apelação n. A pena é aumentada até o dobro se da negativa de atendimento resulta lesão corporal de natureza grave. 159. DE 24 DE JULHO DE 2003 e tipificada como crime no Código Penal: LEI Nº 12. de 7 de dezembro de 1940 . nota promissória ou qualquer garantia. 135-A: “Condicionamento de atendimento médico-hospitalar emergencial Art. se os praticar o devedor já insolvente. em antiga resolução: RESOLUÇÃO NORMATIVA . OBS: Vale lembrar que a emissão de “cheque-caução” é conduta proibida pela Agência Nacional de Saúde. Parágrafo único. 6 . Exigir cheque-caução. bem como do preenchimento prévio de formulários administrativos. em local visível. julgamento em 19/03/2004). e multa.” Art. gerando apenas a sua ineficácia em rala- Alienação de bem penhorado Instituto de direito processual Interesse público estatal e do particular Não constitui defeito do negócio. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira não foi protestado. apenas tornando ineficaz o ato em fraude em rela- Cf. 465. Serão igualmente anuláveis os contratos onerosos do devedor insolvente.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. ainda quando o ignore. ou houver motivo para ser conhecida do outro contratante.355-7. FARIAS.653. Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida.848.º 833. bem como o preenchimento prévio de formulários administrativos. com a seguinte informação: “Constitui crime a exigência de cheque-caução. 12ª Câmara. DE 28 DE MAIO DE 2012 Art.

JURISPRUDÊNCIA: ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL TRIBUNAL DE JUSTIÇA Apelação Cível: Décima Quinta Câmara Cível Nº 70027885383 Comarca de Caxias do Sul APELANTE/APELADO: RENY GUERRA APELANTE/APELADO: LORY LORANDI APELAÇÃO CÍVEL. concorrendo para que terceiros fossem prejudicados. par o seu reconheci. INTERPRETAÇÃO. Circunstâncias que recomendam análise cautelosa do contexto e não apenas do instrumento escrito. Apelo improvido. Não constitui crime Constitui crime e ato atentatório à dignidade da Justiça Atos praticados são Atos praticados são ineficazes anuláveis. FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO. pois o advogado teve participação efetiva no loteamento irregular de propriedade do réu.Universidade Salgado de Oliveira . Constitui crime e ato atentatório á dignidade da Justiça Atos praticados são ineficazes em relação ao credor lesado Dispensa a ação pauliana.podendo ser conhecida de mento ofício e nos próprios autos da execução Exige elemento obje. vem sendo interpretado o CPC. com ção ao credor sanção civil. podendo se conhecida de ofício e nos próprios autos de execução Não exige qualquer elemento. SENTENÇA EXTRA PETITA NÃO CONFIGURADA. LOTEAMENTO IRREGULAR. CONTRATO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. vo (conluio fraudulen. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira pelo interessado. 7 .Exige apenas o elemento obtivo (dano) e subjeti. PRINCÍPIOS QUE REGULAM OS CONTRATOS a) Princípio da autonomia da vontade (liberdade de contratar) . o STJ entende que deve haver a averbação da penhora. PACTA SUNT SERVANDA. Mas. Está limitado pela supremacia da ordem pública. AÇÃO DE COBRANÇA. No mesmo sentido.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp.jetivo (dano). entendendo pela preservação do interesse do terceiro de boa-fé. 3. Segundo a em relação ao credor lesado Lei Civil (embora alguns entendam ineficazes) Exige ação pauliana Dispensa a ação pauliana. os bons costumes e a função social dos contratos. ção ao credor. Sentença mantida pelos próprios fundamentos. Os honorários são inexigíveis no caso. A autonomia da vontade das partes encontra limites na função social do contrato. bastando a alienação de bem que sofreu constrição judicial.A jurisprudência vem relatito) vizando.

não se exime das dívidas sociais anteriores à admissão (art. não prejudicando ou beneficiando terceiros. na data aprazada. Isso posto.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. VISTO. demonstra a lealdade inerente à boa-fé objetiva e constitui ponto de partida para a perfeita coincidência entre o serviço oferecido e o efetivamente prestado. 393. impondo comportamentos aos contratantes.Impossibilidade de cumprimento por força maior ou caso fortuito (art. Cf. o que a forçou a retornar sozinha ao Brasil.025. CC) c) Força vinculante do contrato (obrigatoriedade das convenções). 416. e realizaram os procedimentos de check-in sem contratempo. usos e costumes).CC). PASSAGEM AÉREA.: o herdeiro que se obriga em relação aos contratos firmados pelo autor da herança (art. do CDC) que se mostra inadequado ao fim que razoavelmente dele se espera. A filha presenteou sua mãe com uma viagem de ambas à Europa. “tu quoque” (não faça com o outro o que você não faria contra si mesmo) e “venire contra factum proprium non potest” (não caia em contradição por conduta). . “surrectio” (surgimento de um direito por práticas. p. ex. p. d) Princípio da boa-fé objetiva6 (art. além de ser direito básico do consumidor.960/02”.Teoria da imprevisão . de lá. CC). nem sempre poderá ser tido como uma camisa de força. A correta prestação de informação. Parte do pressuposto de que o direito é uma técnica a serviço da ética. . Rosenvald. ao guichê da recorrida. por ser boliviana. único.792. “Por isto. STJ. 422. CC). nas seguintes situações: .flaviotartuce. Flávio Tartuce. Em regra os contratos produzem efeitos somente entre as partes. É impróprio o serviço (art. INF. Mas. no Aeroporto Internacional de São Paulo.Exceção. É a regra segunda a qual a partes se vinculam às clausulas estipuladas entre si. segundo regras de correção. 1. 478-480. pois a filha rumou a Paris por força de compromissos profissionais. Essa razoabilidade está intimamente ligada ao direito de informação do consumidor (art. foram surpreendidas com a informação de que a mãe não poderia embarcar rumo à França. Disponível em: < www. a informação prestada pelo fornecedor deve conter as advertências ao consumidor a respeito dos riscos que podem eventualmente frustrar a utilização do serviço contratado. como também o alerta acerca da 6 Relacionam-se com a boa-fé objetiva: “supressio” (perda de um direito pelo seu não exercício no tempo). 8 . Sócio admitido em sociedade já constituída. 41). CC). 6º. CC e art. na hipótese. CDC. In: “O princípio da boa-fé objetiva em matéria contratual. 20. daí a ação de indenização por danos morais e materiais. a Paris. 317.br/secoes/artigos/artigo-boaféTARTUCE. e p. 6º. III. . o que engloba não só advertências quanto ao horário de check-in. a boa-fé objetiva é fonte de obrigações.doc>. V. Para tanto adquiriu junto à companhia aérea recorrida as passagens com destino a Londres e. Ambas compareceram. que quer dizer o contrato deve ser cumprido. § 2º. do CDC). CDC). de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira b) Princípio da relatividade das convenções. 1.adv. O princípio é representado pelo adágio latino pacta sunt servanda. Além de clara e precisa.Universidade Salgado de Oliveira . Apontamentos em relação ao novo código civil e visão do projeto nº 6. faltavalhe necessário visto para ingresso no território francês. Já em solo inglês. caberia à companhia aérea ter-se pronunciado de forma escorreita a respeito das medidas que deveriam ser tomadas pelas passageiras para que se viabilizasse o sucesso da viagem. na conformidade do agir do homem comum daquele meio social (N.cláusula rebus sic stantibus: mesmo estado de coisas (art. pois. apesar do contrato fazer lei entre as partes.Resolução por onerosidade excessiva (art.

de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira necessidade de obtenção de prévio visto de ingresso no país estrangeiro. Função social do contrato.649 . RECURSO ESPECIAL Nº 476. d) Não se ferirem valores ambientais (art. além de propiciar e promover sua 9 .SP (2002/0135122-4) RELATORA : MINISTRA NANCY ANDRIGHI RECORRENTE : COLÉGIO MORUMBI SUL LTDA ADVOGADO : CENISE GABRIEL F SALOMÃO E OUTROS RECORRIDO : LEANDRO DE LIMA FERREIRA ADVOGADO : HAROLDO CASTELLO BRANCO JÚNIOR EMENTA Consumidor. CDC). um complexo de direitos e deveres fundamentais que assegurem a pessoa tanto contra todo e qualquer ato de cunho degradante e desumano. XIV.É aplicável aos contratos de prestações de serviços educacionais o limite de 2% para a multa moratória. 51.EMENTA / ACORDÃO . decisão da qual não houve recurso. 20 de novembro de 2003(Data do Julgamento) Documento: 940924 . do CDC. CF). § 1º. neste sentido. a Turma fixou a indenização dos danos morais em R$ 20 mil. Exemplificando. CF). CF). I. Multa moratória de 10% limitada em 2%. Aplicabilidade. 378-379).595-SP. Com esse entendimento. Rel. 52. § 1º. Anote-se que o pedido de indenização por danos materiais foi tido por improcedente pelas instâncias ordinárias. 1º. como venham a lhe garantir as condições existenciais mínimas para uma vida saudável. julgado em 19/11/2009. Eqüidade. 3º.DJ: 25/02/2004 f) Dignidade da pessoa humana: “Temos por dignidade da pessoa humana a qualidade intrínseca e distintiva de cada ser humano que o faz merecedor do mesmo respeito e consideração por parte do Estado e da comunidade. Todavia. CC). o contrato estará conformado à sua função social: a) Quando as partes se pautarem pelos valores da solidariedade (3ª geração) e da justiça social (art. 52. Brasília (DF). Contrato de prestações de serviços educacionais. Interpretação sistemática e teleológica. Nancy Andrighi. III. Recurso especial não conhecido. etc.Universidade Salgado de Oliveira . b) quando houver vantagem exagerada para uma das partes. .Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. Min. p. b) Quando for respeitada a livre iniciativa (art. REsp 988. c) quando quebrar-se o princípio da boa-fé (N. 170. e) Princípio da socialidade (função social do contrato) (art. do CDC. c) For respeitada a dignidade da pessoa humana (art. Mensalidades escolares. implicando. em harmonia com o disposto no § 1º do art. Art. 421.Site certificado . Nery Júnior. caput. haverá desatendimento da função social quando: a) a prestação de uma das partes for exagerada ou desproporcional.

etc. Dignidade da pessoa humana e direitos fundamentais. os gratuitos. Seguro. Por Adesão -> São aqueles em que todas as cláusulas estão pré-estabelecidas por uma das partes. locação. Ver: art. água. Lei 8.: Contrato de seguro. Ex. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira participação ativa co-responsável nos destinos da própria existência e da vida em comunhão dos demais seres humanos. Doação. Ex.: Contrato de locação. locação. 60. a incompetência relativa. que declinará de competência para o juízo de 7 SARLET.078/90. QUANTO A NATUREZA DAS OBRIGAÇÕES a) Contrato Unilateral -> quando da sua formação (aperfeiçoamento. comodato. Argúi-se. etc. etc. A outra parte somente adere ao contrato. pelo menos uma parte desconhece a sua prestação. c) Contratos Comutativos -> São aqueles que no momento da celebração ambas as partes conhecem a sua respectiva prestação. I.Universidade Salgado de Oliveira . CPC e Súmula 381. mútuo. Prestação de serviços: telefonia. 2006. prestação de serviços. Ingo Wolfgang. d) Paritários -> As partes estão em pé de igualdade e discutem na fase de puntuação (negociações preliminares) as cláusulas do contrato. depósito gratuito. 112. 54. etc. Ex. Contratos Gratuitos -> São os que geram um sacrifício patrimonial somente para uma parte.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. STJ Art. depósito gratuito. celebração) gera obrigações para apenas uma parte. p. etc. e. mútuo. Ex. CDC. Ex. comodato. Parágrafo único. CLASSIFICAÇÃO DOS CONTRATOS 4.único. etc (exceção:seguro e compra e venda aleatória) Contratos Aleatórios -> São aqueles que no momento da celebração. Porto Alegre: Livraria do Advogado. 10 . art. luz. compra e venda. doação. Ex. Álea = risco (desconhecimento da prestação). etc. Sinalagmáticos. p. etc.1. Ex. em contrato de adesão. enquanto a outra só se beneficia. por meio de exceção. Contrato Bilateral -> quando da sua formação geram obrigações para ambas as partes.: Compra e venda.: troca. 112.”7 4. não contrato. prestação de serviços. Obs: Testamento é negócio jurídico unilateral. b) Contratos Onerosos -> Ambas as partes sofrem um sacrifício patrimonial que corresponde a uma vantagem mútua (contraprestação). A nulidade da cláusula de eleição de foro. Ex. compra e venda de safra futura. pode ser declarada de ofício pelo juiz.

Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira domicílio do réu.: Todos os contratos na parte especial do C. Ex. 4. b) Reais -> Se aperfeiçoam com a entrega da coisa. Obs: Nos contratos reais a entrega da coisa está na fase de celebração.: Locação.: compra e venda à vista. Ex. QUANTO À SUA DENOMINAÇÃO a) Nominados (típicos) -> São aqueles que têm “nomem iuris”. -> Não existe contrato de compra e venda real. 425. QUANTO AO TEMPO DE SUA EXECUÇÃO a) Execução instantânea -> São os contratos que se cumprem imediatamente após terem sido celebrados. CC). Ex. QUANTO A FORMA: a) Consensuais -> São aqueles que se aperfeiçoam (celebram) com o simples acordo de vontades. etc. compra e venda de coisa móvel. O simples acordo de vontades é insuficiente para a sua celebração. Ex. da abusividade das cláusulas. contrato de depósito.4.280. de 2006) STJ. -> Compra e venda de móvel é tipo de contrato consensual. prestação de serviços.(Incluído pela Lei nº 11. Ex. comodato (só existe com a entrega da coisa).cessão de clientela. Súmula 381: Nos contratos bancários. b) Inonimados (atípicos) -> São os que não recebem da ordem jurídica uma regulamentação e uma denominação (Art. 4. Ex. 11 . é vedado ao julgador conhecer.C. c) Formais -> São aqueles que a exteriorização da vontade deve se dar mediante a utilização de uma forma especial. Fases importantes que devem ser identificadas nestes contratos: -> momento da celebração -> momento da execução 4.2. Recebem da ordem jurídica uma regulamentação e uma denominação.: compra e venda de imóveis Obs: -> Compra e venda de imóvel é tipo de contrato formal. Obs: Nos contratos consensuais a entrega da coisa está na fase de execução.3.: criado pelo princípio da autonomia da vontade das partes.Universidade Salgado de Oliveira . Ex. de ofício.

de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira b) Execução diferida -> São os contratos que se cumprem num só ato no futuro.5.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. Eletrônicos -> aqueles celebrados por meio eletrônico.: a pintura de um quadro por um determinado artista plástico. Ex. 684 e 688.6. b) Civis -> São aqueles cujas partes são pessoas físicas ou jurídicas. 4. dá-se da mesma forma exigida para o contrato. CC). DO DISTRATO E DA RESILIÇÃO UNILATERAL b) Distrato ou resilição bilateral -> Trata-se de um negócio jurídico com o objetivo de romper o vínculo contratual. etc. 682. 473. CC). QUANTO À PESSOA DO CONTRATANTE a) Intuitu personae ou pessoal -> São aqueles contratos em que a pessoa do contratante é considerada pelo outro como elemento determinante para o seu aperfeiçoamento. do CC.: prestadora de serviços que fez investimentos para adequar 12 . exigindo-se a declaração de vontade de ambas as partes. 5. a denúncia unilateral só produzirá efeito depois de transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto dos investimentos (art. 472. o distrato é a dissolução convencional do contrato.: a pintura de muro. único. c) Execução continuada -> São aqueles que se cumprem através de vários atos reiterados para o futuro.1. dada a natureza do contrato. Ex. Ex.: Fiança. c) Resilição unilateral -> É quando a extinção do contrato ocorre em decorrência da manifestação de vontade de apenas uma das partes (Ex. art.: revogação e renúncia do mandato. b) Impessoal -> São aqueles contratos em que a pessoa do outro contratante é juridicamente indiferente. DA EXTINÇÃO DO CONTRATO 5. quando colhida. de acordo com o art.: compra e venda à prazo. CC. OUTROS a) Principais -> São aqueles que não dependem de outro contrato para existir e gerar efeitos. Acessórios -> Os que dependem de outros para existir e gerar efeitos. Ex. É necessária a previsão legal ou contratual. O que caracteriza essa execução é a existência de um só ato no futuro. porém. 473.Universidade Salgado de Oliveira . I. Comerciais ->Não há relação de consumo e pelo menos uma parte é empresário. Opera-se através da denúncia. Ex. Ex.). Ex. Em suma. uma das partes houver feito investimentos consideráveis para a sua execução. ou seja. da notificação à outra parte (art.: entrega de uma safra de soja.: Praticamente todos. contrato de consórcio. pois o distrato. locação. De consumo -> quando uma das partes é consumidor. p. Se. 4.

antes de cumprida a sua obrigação. e) Da exceção do contrato não cumprido -> Implica em que nos contrato bilaterais. a dívida e constituído em mora o fiduciante. alegando a exceptio non adimpleti contratus como exceção de defesa. CC). não se pode tolerar que o credor queira resolver o contrato. dependendo de interpelação judicial (art. Obs. no prazo de quinze dias. quando a convenção estabelecer a revogação pelo inadimplemento.514/97: Art. Novo curso de direito civil – Contratos: parte geral. 252). nos termos deste artigo. reavendo bens alienados em prestações. p. o fiduciante. além das despesas de cobrança e de intimação. quando não consta na convenção a previsão de revogação pelo inadimplemento. a satisfazer. Obs. Admite-se também a exceptio non rite adimpleti contratus. pelo oficial do competente Registro de Imóveis. CDC) (Pablo Stolze Gagliano et al. Obs.: ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA. O ônus da prova é do contratante inadimplente. Indenização por perdas e danos -> A parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato ou exigir o seu cumprimento.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. Portanto. consolidar-se-á. Vencida e não paga. Pode ser expressa. pode exigir o implemento da do outro. operando-se de pleno direito ou tácita. das parcelas pagas” (art. os encargos legais. Lei 9. a prestação vencida e as que se vencerem até a data do pagamento. 475. será intimado. as penalidades e os demais encargos contratuais. STJ – Súmula 369: No contrato de arrendamento mercantil (leasing). reclamar a prestação prometida pelo outro. inclusive tributos. antes de prestar o que deve. 53. nenhum dos contratantes. defeituoso ou inexato da prestação por um dos contratan- 13 .: STJ – Súmula 72: a comprovação da mora e imprescindível a busca e apreensão do bem alienado fiduciariamente. 26. d) Cláusula resolutiva -> É a estipulação que permite o rompimento do vínculo contratual em razão da inexecução do contrato por uma das partes. os juros convencionais. se um dos contratantes. é necessária a notificação prévia do arrendatário para constituí-lo em mora. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira seu maquinário com o objetivo de prestar serviços específicos para determinada empresa. São Paulo: Saraiva.: “Ressalte-se que. embora inadimplente o devedor. De qualquer forma. no todo ou em parte. com as devidas compensações. IMÓVEL. quando se tratar de cumprimento incompleto. cabe indenização (art. 2009. as contribuições condominiais imputáveis ao imóvel. § 1º Para os fins do disposto neste artigo. 474). ou seu representante legal ou procurador regularmente constituído. este pode recusar a fornecê-la. ainda que haja cláusula resolutiva expressa. a requerimento do fiduciário. sem a devolução. a propriedade do imóvel em nome do fiduciário.Universidade Salgado de Oliveira .

Generalidades Regime jurídico: O regime jurídico da compra e venda mercantil. em razão da uniformidade legislativa do direito privado. poderá o devedor pedir a resolução do contrato. CC). Se no contrato as obrigações couberem a apenas uma das partes. a fim de evitar a onerosidade excessiva (art. permitindo ao outro se recusar a cumprir sua obrigação até que o primeiro a melhore ou a complete. f) Da resolução por onerosidade excessiva -> Nos contratos de execução continuada ou diferida. a alienação de debêntures ou ações e a cessão de quotas sociais. 480. Também incluem-se como mercantis os contratos de câmbio. se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa. poderá ela pleitear que a sua prestação seja reduzida.Universidade Salgado de Oliveira . Os efeitos da sentença retroagirão à data da citação (art.1. se obriga a pagar à primeira o preço entre elas acertado (CC. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira tes. CC). com extrema vantagem para a outra. 481). CC). a resolução poderá ser evitada (art. por sua vez.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp.COMPRA E VENDA MERCANTIL 1 Conceito: Compra e venda é o contrato em que uma pessoa ( vendedor) se obriga a transferir o domínio de coisa a outra (comprador). Aquisição de coisas que se incorporam ao ativo não circulante imobilizado configura compra e venda mercantil: máquinas. ou no elo final da cadeia (compra e venda entre empresário e consumidor).) para incorporação em processos produtivos e ou equipagem de estabelecimento empresarial. 479. energia. máquinas. ou alterado o modo de executá-la. art. É mercantil: A compra e venda de insumos (matéria-prima. 1. é o mesmo de qualquer outro contrato de compra e venda cível. instalações. em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis. 14 . etc. veículos. 478. Não são mercantis: Compra e venda fora da cadeia de circulação de mercadorias (entre empresários). II . etc. que. Se o réu aceitar modificar eqüitativamente as condições do contrato.

Jus Navigandi. Sujeição aos imperativos do mercado. 495.  Vulnerabilidade jurídica: Dificuldades que o consumidor enfrenta na luta para a defesa de seus direitos. malefícios.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp.br/revista/texto/8648>. a sua incolumidade física e patrimonial. 2011. se antes da tradição o comprador cair em insolvência. 17. tendo como único aparato a confiança na boa-fé da outra parte. Acesso em: 21 mar. Lei 11.uol. 15 . em contraponto ao aparato judicial que comumente possuem as empresas de grande porte. até que o comprador lhe dê caução de pagar no tempo ajustado. e benefícios dos produtos e/ou serviços adquiridos. Questão da vulnerabilidade 8 da empresa e aplicação subsidiária do CDC. Haroldo Augusto da Silva Teixeira. Disponível em: <http://jus. 8 BRITO. 29. Para os fins deste Capítulo e do seguinte. antes do requerimento da falência. ano 11. n. quer na esfera administrativa ou judicial. DUARTE. Precedentes do STJ: CDC: Art.101/05).com. Para os efeitos desta Seção. CC: Art. aplica-se a regra do art.Universidade Salgado de Oliveira . Alírio Maciel Lima de. 2006. colocando em perigo. Art. Dificuldade de visualizar quando determinado produto ou serviço apresenta defeito ou vício. 119. Não obstante o prazo ajustado para o pagamento. 15 jul. sem fraude. das propriedades. Vulnerabilidade Técnica: Ausência de conhecimentos específicos sobre os produtos e/ou serviços que está adquirindo. poderá o vendedor sobrestar na entrega da coisa. 495. se o comprador. Teresina. as tiver revendido. O princípio da vulnerabilidade e a defesa do consumidor no direito brasileiro: origem e conseqüências nas regras regulamentadoras dos contratos e da publicidade. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira Quando se tratar de compra e venda mercantil aplica-se a seguinte regra: “O vendedor não pode obstar a entrega das coisas expedidas ao devedor e ainda em trânsito. equiparam-se aos consumidores todas as pessoas determináveis ou não.  Vulnerabilidade Econômica e Social: É resultado das disparidades de força entre os agentes econômicos e os consumidores. Sendo civil a venda. entregues ou remetidos pelo vendedor” (art. I. equiparam-se aos consumidores todas as vítimas do evento. assim. expostas às práticas nele previstas. à vista das faturas e conhecimentos de transporte. 1109.

Ex. compondo o custo (e. ALCANCE. 3. dada a impossibilidade de atender ligações de potenciais clientes. REGRA. que legitima toda a proteção conferida ao consumidor. numa exegese restritiva do art. A contratação do serviço de telefonia não caracteriza relação de consumo tutelável pelo CDC. 1. Numa relação interempresarial. ser feita mediante aplicação da teoria finalista. para fins de tutela pela Lei nº 8. jurídica (falta de conhecimento jurídico. MITIGAÇÃO. Pela teoria finalista.Mais recentemente. fica excluído da proteção do CDC o consumo intermediário. contábil ou econômico e de seus reflexos na relação de consumo) e fática (situações em que a insuficiência econômica.078/90. sendo essencial à consecução do seu negócio. Hipótese em que revendedora de veículos reclama indenização por danos materiais derivados de defeito em suas linhas telefônicas. do CDC.conforme o caso. tem evoluído para uma aplicação temperada da teoria finalista frente às pessoas jurídicas. VULNERABILIDADE. consistente em se admitir que. A jurisprudência do STJ se encontra consolidada no sentido de que a determinação da qualidade de consumidor deve. considera destinatário final tão somente o destinatário fático e econômico do bem ou serviço. que.: contratos de adesão. Ainda assim. Jurisprudência: CONSUMIDOR. 7. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira Os agentes econômicos detêm condições objetivas de impor sua vontade através de diversos mecanismos.Também não se verifica nenhuma vulnerabilidade apta a equipar a empresa à condição de consumidora frente à prestadora do serviço de telefonia. física ou até mesmo psicológica do consumidor o coloca em pé de desigualdade frente ao fornecedor). a relação de dependência de uma das partes frente à outra pode. só pode ser considerado consumidor. DEFINIÇÃO. 257 do RISTJ.078/90. tornando inócuo o investimento em anúncios publicitários. fica mantida a condenação imposta a título de danos materiais. 4. A doutrina tradicionalmente aponta a existência de três modalidades de vulnerabilidade: técnica (ausência de conhecimento específico acerca do produto ou serviço objeto de consumo). CONSUMIDOR POR EQUIPARAÇÃO. num processo que a doutrina vem denominando finalismo aprofundado. em determinadas hipóteses. premissa expressamente fixada no art. caracterizar uma vulnerabilidade legitimadora da aplicação da Lei nº 8. I. Vale dizer. mitigando os rigores da teoria finalista e autorizando a equiparação da pessoa jurídica compradora à condição de consumidora. para além das hipóteses de vulnerabilidade já consagradas pela doutrina e pela jurisprudência. 29 do CDC. por apresentar frente ao fornecedor alguma vulnerabilidade. a pessoa jurídica adquirente de um produto ou serviço pode ser equiparada à condição de consumidora. pois o referido serviço compõe a cadeia produtiva da empresa. 5. aquele que exaure a função econômica do bem ou serviço. tem se incluído também a vulnerabilidade informacional (dados insuficientes sobre o produto ou serviço capazes de influenciar no processo decisório de compra). que constitui o princípio-motor da política nacional das relações de consumo. FINALISMO APROFUNDADO. 186 e 927 do CC/02 e tendo em vista a conclusão das instâncias ordinárias quanto à existência de culpa da fornecedora pelo defeito apresentado nas linhas telefônicas e a relação direta deste defeito com os prejuízos suportados pela revendedora de veículos. nos termos do art. A despeito da identificação in abstracto dessas espécies de vulnerabilidade. tomando por base o conceito de consumidor por equiparação previsto no art. à luz dos arts. seja ele pessoa física ou jurídica. portanto.Universidade Salgado de Oliveira . o preço final) de um novo bem ou serviço. A jurisprudência do STJ.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. a casuística poderá apresentar novas formas de vulnerabilidade aptas a atrair a incidência do CDC à relação de consumo. 2. 6. assim entendido como aquele cujo produto retorna para as cadeias de produção e distribuição. excluindo-o de forma definitiva do mercado de consumo. TEORIA FINALISTA. Daí a necessidade de uma maior presença do Estado no âmbito econômico para harmonizar essas relações de consumo. em regra. 2º do CDC. Recurso espe- 16 . mediante aplicação do direito à espécie. 4º.

sinalagmático.144. em alguns casos sujeito à forma prescrita em lei. oneroso.REsp: 1195642 RJ 2010/0094391-6. já que uma cópia será arquivada na Junta Comercial.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp.Universidade Salgado de Oliveira .: o contrato de trespasse9 possui regras específicas. DE NECESSIDADE DE REMESSA DOS AUTOS À COMARCA DE SÃO PAULO .DEFEITO NO MAQUINÁRIO QUE DESESTABILIZOU O FUNCIONAMENTO DA EMPRESA . devendo ainda ser a venda publicada na imprensa oficial (art.INSURGÊNCIA . a de entregar o preço. Data de Publicação: DJ: 1090 01/05/2013) 2 Natureza Jurídica: é espécie de negócio jurídico. a de transferir o domínio da coisa vendida.MITIGAÇÃO DA TEORIA FINALISTA .ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO DE CONSUMO E.AÇÃO DE INDENIZAÇÃO .Ação Civil de Improbidade Administrativa: 9780272 PR 978027-2 (Acórdão). (STJ . SE APRESENTA EM SITUAÇÃO DE EVIDENTE VULNERABILIDADE . Relator: Themis Furquim Cortes. AINDA QUE NÃO SEJA DESTINATÁRIA FINAL DO PRODUTO. basta a convergência da vontade das partes sobre preço e coisa (CC. visto que o comprador se priva do preço e o vendedor. 2 (TJ-PR . PORTANTO. 1. é comutativo: isto porque a estimativa da prestação a ser recebida por qualquer das partes pode ser feita no ato mesmo em que o contrato se aperfeiçoa. PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA Agravo de Instrumento n. DECISÃO ACERTADA.AQUISIÇÃO DE EQUIPAMENTO DE IMPRESSÃO A JATO DE TINTA SOLVENTE . em regra comutativo. T3 . independe de qualquer solenidade. Data de Julgamento: 13/11/2012. Data de Julgamento: 21/03/2013. 10ª Câmara Cível. 482). Para a produção de efeitos erga omnes é necessária a forma escrita.027-2 (fm) f. porém.CONSUMIDOR QUE DETÉM A FACULDADE DE MOVER A AÇÃO NO FORO DE SEU DOMICÍLIO. 17 .AGRAVADA QUE. a) É consensual: diferentemente dos contratos reais.TERCEIRA TURMA) AGRAVO DE INSTRUMENTO . 9 Trespasse é o contrato mercantil de compra e venda de estabelecimento empresarial. A compra e venda é contrato consensual. Recurso Conhecido e Desprovido. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira cial a que se nega provimento. aperfeiçoa-se independentemente da entrega do objeto. da coisa vendida. c) É oneroso: isto porque implica sacrifício patrimonial para ambos os contratantes. art. no mais das vezes. CC) b) É sinalagmático: porque envolve prestações recíprocas de ambas as partes: para o comprador. Obs. d) Regra geral.DECISÃO AGRAVADA QUE REJEITOU A EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA . para o vendedor.EMPRESA DE PEQUENO PORTE E CAPITAL SOCIAL . Relator: Ministra NANCY ANDRIGHI.º 978.EXISTÊNCIA DE RELAÇÃO DE CONSUMO .IMPOSSIBILIDADE .

Ex. ficam dependentes de um acontecimento incerto (C. legítima a emissão de duplicata representativa do débito. O contrato com o atacadista somente se aperfeiçoa quando algum consumidor se interessa por adquirir a coisa. Além disso.  “Uma vez celebrado um contrato estimatório. ou de consignação. não está o consignante obrigado a receber a coisa deteriorada. é regulado pelos arts. se não indenizado pelos danos. de Gaspar. faz a entrega a outra. v. São Paulo: Atlas. objeto e as condições do contrato.020417-0.cumpre ao consignatário pagar o preço ou restituir a coisa ao consignante. (Venosa. 534 a 537 do Código Civil. a qual pode ser encaminhada a protesto". Situações:  Consignação de mercadorias (contrato estimatório): a compra é condicionada à revenda.  De acordo com o art. Julgado em 12 de fevereiro de 2004). denominada consignante. 18 . p.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. se acaso ganhar na loto. inexistindo equivalência com a da outra parte. denominada consignatário. ao final do prazo fixado pelo pr oprietário para a venda dos produtos a terceiros. 1999. Não há obrigação a ser exigida enquanto não se verificar a condição. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira e) Pode ser aleatório: são aleatórios os contratos em que a prestação de uma das partes não é precisamente conhecida e suscetível de estimativa prévia. Destarte. mesmo que por fato a ele não imputável. uma parte. Ex. 535 o consignatário deve pagar o preço se a restituição da coisa for impossível.  “Pelo contrato de consignação ou estimatório.  Condição suspensiva: fatos que postergam a exigibilidade das obrigações. arts 458 e 459) 3 Elementos da compra e venda a) Condições: comprador e vendedor devem acertar quanto ao preço.: negócio condicionado à vigência de uso de marca ou patente. da Silva Pereira) (CC.Universidade Salgado de Oliveira . III. (TJSC . Relª Desª Maria do Rocio Luz Santa Ritta. sendo que consiste na entrega de coisa móvel a um consignatário para que este a venda de acordo com o prazo e o preço previamente estabelecido. Se assim não o fizer. 540). podendo exigir o preço". M.: A se compromete a adquirir o estabelecimento de B.  “O consignatário responde pela perda ou deterioração da coisa e continua obrigado pelo preço estimado. de coisas móveis.Contratos em espécie.  Condição resolutiva: fatos que desconstituem a exigibilidade das obrigações. como obrigação principal conforme estatui o artigo 535 do novo diploma legal.  O contrato estimatório. 537). Direito Civil . (Sílvio de Salvo Venosa. a fim de que esta conclua a venda em um prazo e preços fixados". p.Apelação Cível n. 2003.

Fernando Netto. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira  Venda a contento: em razão das particularidades da coisa. industrial e comerciante. 484. O comprador não precisa dar os motivos caso não queira ficar com o bem. configura-se vício de qualidade e o comprador tem o prazo decadencial de 30 dias 10. Comercial o prazo era de 10 dias. 19 . ainda que a coisa lhe tenha sido entregue. Nos precisos termos de SOARES DE MELO.: se as mercadorias não condizem com a amostra. Obs.068. Parágrafo único.Universidade Salgado de Oliveira . Art. A Lei n. o protótipo ou o modelo. O contrato de fornecimento a contento somente se aperfeiçoa após o teste. 1°. declarou como comerciais as empresas de construção. Art. protótipos ou modelos. pois. BOITEX. seus atributos somente podem ser aferidos em teste. b) Preço: deve ser em dinheiro. realizado pelo comprador antes ou depois da tradição. Art. São Paulo: Dialética. mercadoria “é bem corpóreo da atividade empresarial do produtor. Não havendo prazo estipulado para a declaração do comprador. judicial ou extrajudicialmente. 512. para rescindir a compra e venda ou exigir redução proporcional do preço. o vendedor terá direito de intimá-lo. 509. 13. Prevalece a amostra. tendo por objeto a sua distribuição para consumo. Contratos mercantis. e os imóveis construídos. art. 2001. Cf. e o vendedor não pode discutir ou impugnar essa manifestação. a contar do recebimento da coisa (CC. 445). compreendendo-se no estoque da em- 10 11 Na vigência do C. Se a venda se realizar à vista de amostras. enquanto o adquirente não manifestar seu agrado. c) Coisa: em regra o objeto da compra e venda mercantil é necessariamente uma mercadoria11. A partir dessa lei. e não se reputará perfeita. pois o comprador manifesta a aceitação aos termos do contrato no pressuposto de que as mercadorias adquiridas correspondem à que lhe é exibida pelo vendedor. a construção civil passa a ser considerada mercancia. quando destinados à alienação. 211.  Compra e venda por amostra: não é condicional.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. art. para que o faça em prazo improrrogável. portanto. de 09 de junho de 1962. se não o for.° 4. caracteriza-se o contrato de troca e não o de compra e venda. mercadorias. A venda feita a contento do comprador entende-se realizada sob condição suspensiva. p. sendo direito potestativo do comprador exercer esta cláusula. Ex: vendo um carro com prazo de alguns dias para o comprador experimentar o veículo. entender-se-á que o vendedor assegura ter a coisa as qualidades que a elas correspondem. se houver contradição ou diferença com a maneira pela qual se descreveu a coisa no contrato.

a fluência deste sem aceitação desobriga o proponente (Art. Este gera obrigação de fazer a transferência do domínio. a falta de aceitação imediata desobriga o proponente (Art. 428. distinguindo-se das coisas que tenham qualificação diversa. nem a entrega da coisa. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira presa. cumprir as obrigações do contrato deve responder por inexecução do contrato.geocities. se o oblato manifestar sua recusa em aceitar os termos da proposta. A compra e venda mercantil pode ter por objeto coisa futura. II. 428. Elaboração da proposta: situações que não vinculam o proponente (Art. Todavia. por razões de mercado. Disponível <http://br. .No caso da proposta elaborada com a fixação de prazo para a resposta. 4 Formação do contrato Por ser consensual o vínculo obrigacional se forma com o encontro de vontades sobre coisa. 84) 12 Apud André Santos Zanon. fechado o negócio. considera-se desobrigado (Art. .Se a proposta é feita a pessoa ausente. 428. IV). como é o caso do ativo fixo” 12.Universidade Salgado de Oliveira .Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp.Se a retratação do proponente chegar ao oblato antes da proposta ou simultaneamente a ele. CC) . se o vendedor não consegue. sem fixação de prazo para a resposta.Em qualquer caso. III. também cabe a reivindicação da coisa (CDC. Acesso em: 25 mar 2009. art. Se o vendedor não cumpre a obrigação de transferir o domínio da coisa ao comprador. CC). 5 Obrigações do vendedor a) Transferir o domínio da coisa objeto do contrato.htm>.com/get_es/get_es/artigos/icmsagua. Não é condição de constituição do contrato nem a instrumentalização do acordo em documento (escrito ou virtual). Tratando-se de relação de consumo. preço e condições. podendo ser compelido a indenizar o comprador pelos prejuízos decorrentes. 428. CC). em: 20 . A transferência do domínio dá-se com a tradição e não pelo contrato. sem prazo. 475. 428. este pode reivindicar a coisa adquirida (em execução específica do contrato) ou apenas indenização pelo descumprimento da obrigação contratual (art. CC): Quando a proposta é dirigida a pessoa presente. . segundo a ciência contábil. CC). sem a manifestação do oblato (Art. o proponente não mais estará obrigado se transcorrer prazo suficiente para a resposta.

Na Compra e Venda Mercantil o comprador não pode exigir a eliminação do vício ou a substituição da mercadoria viciada. Lei 11.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. ou de título representativo. à vista das faturas e conhecimentos de transporte. desde que este não tenha assumido a obrigação de entregá-las no estabelecimento do comprador. 21 . Sendo oculto o vício. d) Custear a tradição da mercadoria. III). 493). b) Responder por vícios: apresentando-se a coisa inapta ao uso que o comprador legitimamente poderia esperar. 490) e) O vendedor não pode obstar a entrega das coisas expedidas ao devedor e ainda em trânsito. art. O Código Italiano fala em “cose in viggato”. 445. 119. no lugar em que se encontravam ao serem vendidas (CC. arts. c) Responder por evicção (CC. Ação redibitória: o comprador tem o direito de desfazer o negócio. 18. salvo convenção diversa (CC. Omisso o contrato sobre o ato da tradição. por deficiência na qualidade ou quantidade. sem fraude. no local em que ela ocorre. se o comprador. § 1°. I. conta-se o prazo a partir de sua manifestação. se sabia que a coisa era alheia ou litigiosa. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira Tradição simbólica: o comprador recebe a fatura representativa da operação.101/2005) 6 Obrigações do comprador a) Pagar o preço: deverá ser feito contra a entrega da mercadoria (à vista). § 1°). I. somente nas relações de consumo (CDC. 447 a 457): consiste na perda da mercadoria adquirida do vendedor em razão de atribuição ou reconhecimento judicial da titularidade dela a terceiros. e 19.Universidade Salgado de Oliveira . art. antes do requerimento da falência. art. art. limitado a 180 dias da entrega da mercadoria (CC. O vendedor deve arcar com as despesas e encargos da defesa judicial Verificada a evicção o vendedor deve indenizar o comprador Não pode o comprador demandar pela evicção. 445). salvo convenção diversa. configura-se o vício. entregues ou remetidos pelo vendedor. (Art. mas as mercadorias encontram-se em trânsito ou com o vendedor. Prazo: o prazo e de 30 dias contado do recebimento das mercadorias (CC. art. as tiver vendido. O momento e o lugar da tradição são contratados pelas partes. arts. considera-se que ela ocorre no momento da entrega (real ou simbólica) das mercadorias. correm por conta do vendedor as despesas com a tradição (CC. 490). À falta de acordo entre as partes. Ação quanti minoris: o comprador pode optar pela redução proporcional do preço.

DJ 26/10/2005. 491). DJ 4/6/2007. a dificultar a propositura da ação no foro eleito. Rel. CC 92. . Fernando Gonçalves. O serviço de crédito tomado pela pessoa jurídica em questão (sociedade empresária) junto à instituição financeira foi. 9. REsp 541. independentemente da tradição efetiva do bem.A alienação fiduciária em garantia transfere ao credor o domínio resolúvel e a posse indireta da coisa móvel alienada.ex. 7 Contrato mercantil e contrato de consumo PESSOA JURIDICA. b) Receber a mercadoria no tempo. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira Nas vendas à vista cabe ao comprador cumprir inicialmente a sua obrigação (pagar o preço) (CC. Transferida a coisa sem que o comprador tenha cumprido com sua obrigação.318-RS.361 a 1. não se caracterizando como destinatária econômica final do bem ou serviço adquirido. cabe ao comprador providenciá-lo e pagar as despesas.368-A. O crédito pode estar representado por título executivo extrajudicial (P. Obs.519-SP. CPC.Universidade Salgado de Oliveira .514/97 e arts. Por isso. lugar e modo contratados. DJ 16/5/2005. a cláusula de eleição de foro posta no contrato de financiamento não pode ser considerada abusiva. Desse modo. DJ 9/10/2006.ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA (Lei n. dando ensejo à execução.666-SP. 112.° Dec.: nota promissória. relação de consumo entre as partes (teoria finalista ou subjetiva).: A decisão não levou em conta o par.-lei 911/69.911-RS. HIPOSSUFICIÊCIA. FORO. de certo modo. utilizado no fomento de sua atividade empresarial. no desenvolvimento de sua atividade lucrativa.728/65. salvo disposição diversa no contrato (art. CC). 4. e REsp 827. CC) 1.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. o vendedor pode exigir judicialmente o seu crédito. ELEITO. III . porquanto inexiste qualquer circunstância que evidencie a situação de hipossuficiência da autora. duplicata). não há.867-BA. sob pena de compensação de prejuízos. julgado em 16/2/2009. AgRg no REsp 927. de forma que a circulação econômica não se encerrou em suas mãos. tor- 22 . CONCEITO: .: aquisição de cotas de sociedade limitada ou de ações nominativas de uma sociedade anônima. Precedentes citados: CC 39. Ex. no caso.A alienação fiduciária é o contrato pelo qual uma das partes (fiduciante) aliena um bem para a outra (fiduciário) sob a condição de ele ser restituído à sua propriedade quando verificado determinado fato. Min. único do art. Se a completa eficácia da transferência do domínio da coisa depender de registro. art. 490. o que afasta a aplicação do CDC. 1.

conforme o entendimento compatível com a Súmula n. com anotação do gravame. uma vez que. DJ 11/5/1992.931/2004). ao disciplinar as regras de expedição dos Certificados de Registro de Veículo (arts. Min. c/c os arts.Considera-se fiduciária a propriedade resolúvel de coisa móvel infungível que o devedor. em se tratando de veículos. com escopo de garantia. Jurisprudência: Segunda Turma.503/1997. se a Lei não exige o prévio registro cartorial do contrato de alienação fiduciária para a expedição de CRV. Milton Luiz Pereira. não prevê como peça obrigatória a ser apresentada o contrato de alienação fiduciária registrado. O CNT. 66 da Lei n. – taxa de juros.361. . transfere ao credor (art. CC). Para as partes signatárias. VEÍCULO AUTOMOTOR. REsp 140.873-DF. REQUISITOS (Art. se ausente. 40/99).º 911/69. desse modo. a avença é perfeita e plenamente válida. VEÍCULO. julgado em 16/11/1999 (STJ – Informativo n.993-SP.362. Min. revogado pela Lei n. referente à necessidade da inscrição do instrumento de alienação fiduciária de veículo automotor no Registro de Títulos e Documentos para resguardar a boa-fé nas relações jurídicas. REsp 226.° 4. na repartição competente para o licenciamento. basta constar do Certificado de Registro a alienação fiduciária. Primeira Turma. 9. § 1°. e as demais comissões e encargos. art. não há como compelir a autoridade do Detran a proceder como quer o recorrente.299-SP.Constitui-se a propriedade fiduciária com o registro do contrato. § 1º. para fins de emissão do certificado de licenciamento. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira nando-se o alienante ou devedor em possuidor direto e depositário com todas as responsabilidades e encargos que lhe incumbem de acordo com a lei civil e penal (Art.Universidade Salgado de Oliveira .728/1965. Rel. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA.º 92-STJ de que não cabe ao Detran. 2. – a cláusula penal. – o prazo. DJ 21/11/1994.361. ou. 122 e 124). 66-B. PROVA E REGISTRO DO CONTRATO: . 66. do Decreto-Lei n.° 4. independentemente do registro que. CC e. CC). CRV. Lei n. afastar a exigência feita no art.957-SP. 2. 1. 122 e 124 da Lei n. fazendo-se a anotação no certificado de registro (art. ANOTAÇÃO. se houver. traz como única conseqüência a ineficácia do contrato perante o terceiro de boa-fé. no caso de veículo automotor. ou a época do pagamento.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. caput. Ao interpretar sistematicamente o dispositivo nos §§ 1º e 10 do art. 151/2002). 4.728/65.856-PB. DJ 15/12/1997.1. o índice de atualização monetária. – a descrição da coisa objeto da transferência. e prestigiando-se a ratio legis. resta plenamente atendido o requisito da publicidade. com os elementos indispensáveis à sua identificação. Precedentes citados: REsp 34. Rel. e REsp 19. 23 . 66. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. 1. A exigência de registro em cartório do contrato de alienação fiduciária não é requisito de validade do negócio jurídico. julgado em 15/10/2002 (STJ – Informativo n. Laurita Vaz. no Registro de Títulos e Documentos do domicílio do devedor. REGISTRO Provido o recurso. impende concluir que. se houver. Destarte. 1.728/65): – valor total da dívida ou sua estimativa. REsp 278. celebrado por instrumento público ou particular. da Lei n. que lhe serve de título. 10.

O instrumento público ou particular de alienação fiduciária deve ser arquivado no Registro de Títulos e Documentos do domicílio do devedor.O contrato de alienação fiduciária em garantia pode ter por objeto bem que já integrava o patrimônio do devedor. Min. – Tratando-se de veículo automotor.824-PR. .Súmula 92.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. PARTES : . do Dec. independente de comprovação de fumus boni juris ou de periculum in mora.Credor: Mutuante-fiduciário . Terceira Turma. . 106/2001) 24 . MORA E INADIMPLEMENTO: De acordo com o art. na medida em que há mora do devedor. (. 3. ao fundamento de que se discutia apenas a possibilidade de conferir-se ao credor liminar em ação de busca e apreensão para reaver o bem alienado fiduciariamente..) MC 3. é necessário consignar no próprio certificado de registro. independe de interpelação para o efeito de vencimento antecipado das parcelas vincendas. STJ .A terceiro de boa-fé não é oponível a alienação fiduciária não anotada no Certificado de Registro do veículo automotor. 4.Súmula 28. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira Obs. BUSCA E APREENSÃO.A alienação fiduciária somente se prova por escrito. A Turma julgou procedente a cautelar para destrancar o REsp retido. averbando-se no Detran. no caso. a critério do credor. a qual.Devedor: Mutuário-fiduciante . . além do arquivamento mencionado. Dependerá de interpelação somente como exigência de processamento da ação de busca e apreensão. DE 14 DE FEVEREIRO DE 2001. STJ . Rel. § 2º. Antônio de Pádua Ribeiro.-Lei 911/69: § 2º A mora decorrerá do simples vencimento do prazo para pagamento e poderá ser comprovada por carta registada expedida por intermédio de Cartório de Títulos e Documentos ou pelo protesto do título.. 2º.RESOLUÇÃO CONTRAN Nº 124. MC. se dá ex re. e portanto.: . julgada em 28/8/2001 (STJ – Informativo n. Trata-se de mora ex-re. LIMINAR.Universidade Salgado de Oliveira .

1. livre do ônus da propriedade fiduciária.A venda só pode ocorrer depois de consolidada a propriedade e a posse plena e exclusiva dos bens dados em garantia nas mãos do proprietário fiduciário. pleitear a resolução do contrato e a retomada do produto alienado. a aplicar o preço no pagamento de seu crédito e das despesas de cobrança. para venda e solução de seu crédito (Art. fica o credor obrigado a vender.-lei 911/69: Art 3º O Proprietário Fiduciário ou credor. consideram-se nulas de pleno direito as cláusulas que estabeleçam a perda total das prestações pagas em benefício do credor que. Dec.Art.-Lei 911/69). Lei 11. CC). cabendo às repartições competentes. bem como nas alienações fiduciárias em garantia. Dec. (Redação dada pela Lei 10. 1. os meios legais à disposição do credor são: Pode promover busca e apreensão do bem (Art. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira – Em caso de mora. e a entregar o saldo. 4. CDC . – Súmula 72 do STJ: a comprovação da mora é imprescindível à busca e apreensão do bem alienado fiduciariamente. a coisa a terceiro. poderá requerer contra o devedor ou terceiro a busca e apreensão do bem alienado fiduciàriamente. 85. 53. Art. desde que comprovada a mora ou o inadimplemento do devedor. quando for o caso.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. Adimplemento substancial Sobre o tema. 3°. Ação de depósito. No caso de falência do devedor. § 1o Cinco dias após executada a liminar mencionada no caput.931.1. CC: vencida a dívida. expedir novo certificado de registro de propriedade em nome do credor. se o bem não for encontrado (Art. . consolidar-se-ão a propriedade e a posse plena e exclusiva do bem no patrimônio do credor fiduciário. Dec. ao devedor.Universidade Salgado de Oliveira . se a dívida não for paga em seu vencimento (art.-lei 911/69). postular a restituição do bem.101/2005 e art. Dec.364. ou de terceiro por ele indicado. Execução do crédito (Art. Dec. se houver. 5°.-Lei 911/69). – É nula a cláusula que autoriza o proprietário fiduciário a ficar com a coisa alienada em garantia. a qual será concedida liminarmente. diz Pablo Stolze: 25 . de 2004).-Lei 911/69). 4°. . em razão do inadimplemento. 7º. e não paga.Nos contratos de compra e venda de móveis ou imóveis mediante pagamento em prestações.365. judicial ou extrajudicialmente.

o devedor fiduciante poderá pagar a integralidade da dívida pendente.931/2004).-lei 611/69.A resposta poderá ser apresentada ainda que o devedor tenha se utilizado da faculdade de pagar a integralidade da dívida. na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir. . Recurso não conhecido. Aldir Passarinho Junior e Barros Monteiro votaram com o Sr. posto não haja sido perfeita ou atingido plenamente o fim proposto. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira A doutrina do adimplemento substancial sustenta que não se deve considerar resolvida a obrigação quando a atividade do devedor. . relatados e discutidos estes autos. .O Proprietário Fiduciário ou credor. 5. Deferimento liminar. Busca e apreensão. expedir novo certificado de registro de propriedade em nome do credor. ocasionalmente. Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira. 26 . . 25 de março de 2003(Data do Julgamento). . não conhecer do recurso. Jurisprudência: RECURSO ESPECIAL Nº 469. quando for o caso. . poderá requerer contra o devedor ou terceiro a busca e apreensão do bem alienado fiduciàriamente. desde que comprovada a mora ou o inadimplemento do devedor. caso entenda ter havido pagamento a maior e desejar restituição. Adimplemento substancial. por unanimidade. segundo os valores apresentados pelo credor fiduciário na inicial.577 .SC (2002⁄0115629-5) RELATOR: MINISTRO RUY ROSADO DE AGUIAR RECORRENTE: BANCO BRADESCO S⁄A ADVOGADO: LINO ALBERTO DE CASTRO E OUTROS RECORRIDO: ENEZE APICULTURA E CONSERVAS LTDA EMENTA: ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA.O devedor fiduciante apresentará resposta no prazo de quinze dias da execução da liminar.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. Brasília (DF). alterado pela Lei 10. a qual será concedida liminarmente. livre do ônus da propriedade fiduciária.Universidade Salgado de Oliveira . ou de terceiro por ele indicado. Os Srs.Da sentença cabe apelação apenas no efeito devolutivo. O PROCEDIMENTO JUDICIAL E A BUSCA E APREENSÃO (Dec. consolidar-se-ão a propriedade e a posse plena e exclusiva do bem no patrimônio do credor fiduciário. Ministros Fernando Gonçalves. Ausente. Ministro-Relator. cabendo às repartições competentes. hipótese na qual o bem lhe será restituído livre do ônus. ACÓRDÃO: Vistos. nos termos do voto do Sr. Ministro-Relator.No prazo acima. Não viola a lei a decisão que indefere o pedido liminar de busca e apreensão considerando o pequeno valor da dívida em relação ao valor do bem e o fato de que este é essencial à atividade da devedora. aproxima-se consideravelmente do seu resultado final. o Sr. acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça.Cinco dias após executada a liminar mencionada.

na forma prevista no Capítulo II. sem aguardar o desfecho da lide. §§ 6º e 7º. a serem apuradas em procedimento específico.893-0/180 . RECURSO 'SECUNDUM EVENTUM LITIS'. III . com a alteração dada pela Lei nº 10.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. constitui processo autônomo e independente de qualquer procedimento posterior. haja vista que ao Poder Judiciário não é dada a atribuição de órgão consultivo. o agravo de instrumento é um recurso 'secundum eventum litis'. AÇÃO DE DEPÓSITO E PRISÃO DO DEVEDOR . decorrente de sentença de extinção do feito em razão da purgação da mora. do Título I. haja vista a possibilidade da conversão da obrigação em perdas e danos.A multa mencionada não exclui a responsabilidade do credor fiduciário por perdas e danos.Se o bem alienado fiduciariamente não for encontrado ou não se achar na posse do devedor. DEVOLUÇÃO DO BEM. caso o bem já tenha sido alienado. em ação de depósito.questionamento. o qual cinge-se à análise do acerto ou desacerto da decisão agravada. do Livro IV. a alienação porventura ocorrida pelo credor fiduciário não obsta o cumprimento do decisum. sem perder de vista a cominação da multa cominatória no importe de 50% do valor originalmente financiado. revelando-se defeso ao julgador da esfera 'ad quem' apreciar questões outras diversas do julgado recorrido. devidamente atualizado.A busca e apreensão. APLICAÇÃO DE MULTA E PERDAS E DANOS.Revela-se impróspero o pedido de pré. em favor do devedor fiduciante.(200804660080) COMARCA DE ANÁPOLIS AGRAVANTE: BANCO GE CAPITAL S/A AGRAVADA: VIVIANE BARROS GOMES EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO. nos mesmos autos. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira . do Código de Processo Civil. 17 de fevereiro de 2009. Assim. PURGAÇÃO DA MORA.O credor fiduciário que açodadamente aliena o bem. 27 .Universidade Salgado de Oliveira . 6.Na sentença que decretar a improcedência da ação de busca e apreensão. deve o credor fiduciário responder por perdas e danos. IV . o credor poderá requerer a conversão do pedido de busca e apreensão. AÇÃO JULGADA EXTINTA. o juiz condenará o credor fiduciário ao pagamento de multa. em casos como tais. na impossibilidade de se devolver o veículo. PRÉ-QUESTIONAMENTO. . efetiva providência por sua conta e risco. Goiânia. máxime quando advém sentença que comine pela improcedência do pedido ou extinção do feito pela purgação da mora.931/04.No cumprimento da determinação judicial de devolução do bem apreendido. VEÍCULO ALIENADO. neste caso. II . BUSCA E APREENSÃO. . I . AGRAVO CONHECIDO E IMPROVIDO. Veja o entendimento do TJGO sobre essa questão da multa: AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 68. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA.devidamente atualizado. do Dec-lei nº 911/69. nos termos do artigo 3º. sem prejuízo da multa. equivalente a cinqüenta por cento do valor originalmente financiado.Conforme cediço.

.Constituição Federal. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGENCIA NO RECURSO ESPECIAL 2005/0113445-0 Relator(a): Ministro GILSON DIPP (1111) Órgão Julgador: CE . 904. LXVII. bens do devedor quantos bastem para assegurar a execução. p.De outra forma. o réu será citado para. (superado) .Pacto de São José da Costa Rica. . . ainda. 652. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira . . AGRAVO INTERNO. § 2°. além da nulidade ou falsidade do título e da extinção das obrigações. segue-se o rito previsto nos arts. 328 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. CPC). item 7. DA PRISÃO CIVIL . art. depositá-la em juízo ou consignar-lhe o equivalente em dinheiro. PRISÃO CIVIL.Se contestar. 901 a 906 do CPC. APLICAÇÃO DA SÚMULA 168/STJ.De acordo com a lei processual civil.Código Civil. .Do pedido na Ação de Depósito poderá constar.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. feita a conversão.A admissão dos embargos de divergência no recurso especial impõe o confronto analítico entre o acórdão paradigma e a decisão hostilizada. CPC). poderá alegar.08. 255 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. o juiz ordenará a expedição de mandado de para entrega da coisa em 24h ou o equivalente em dinheiro (art.CORTE ESPECIAL Data do Julgamento: 07/06/2006 Data da Publicação/Fonte: DJ 01. em 5 (cinco) dias. a cominação da pena de prisão civil de até 1 (um) ano.Assim. 255 DO RISTJ. . art. nos termos do art. CPC). 904.Universidade Salgado de Oliveira . EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. (superado) . único. a fim de evidenciar a similitude fática e jurídica posta em debate. I . IMPOSSIBILIDADE. observar-se-á o procedimento ordinário (art. . DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA NOS TERMOS DO ART.1. ou para contestar a ação.Se o réu contestar.Julgada procedente a ação. CPC).2006 p. 902. 28 . as defesas previstas na lei civil (art. AGRAVO DESPROVIDO. entregar a coisa. . 5°. ENTENDIMENTO DA CORTE ESPECIAL. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA. 6. 903.Jurisprudência do STJ: Processo: AgRg nos EREsp 402042 / MG . art.Se o credor preferir. 7°. a critério do autor da ação. poderá recorrer à ação executiva onde serão penhorados. a prisão será decretada se o depositário não cumprir o mandado que determina a entrega da coisa (art. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO.

Gilmar Mendes no julgamento do RE 466343/SP. assim. D. conduz à inexistência de balizas visando à eficácia do que previsto no art.O presente recurso esbarra no óbice do verbete de Súmula 168/STJ do seguinte teor: "Não cabem embargos de divergência. abaixo relatado. Prevaleceu. 7). Ministro Ruy Rosado de Aguiar.Jurisprudência do STF: Informativo 531 PLENÁRIO Prisão Civil e Depositário Infiel .J. 477 e 498. Corte Especial.Desta forma. decretada em desfavor do paciente que. Ellen Gracie e Eros Grau. salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel. Cezar Peluso. 7º. que. quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado". a tese do status de supralegalidade da referida Convenção. Vencidos.3 Em conclusão de julgamento. deve prevalecer o entendimento prescrito pela Eg. .A Eg. não adimplira a obrigação contratual — v. inicialmente defendida pelo Min. o Tribunal concedeu habeas corpus em que se questionava a legitimidade da ordem de prisão.518/GO.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp.Universidade Salgado de Oliveira . em face da missão institucional deste Tribunal. da CF (“não haverá prisão civil por dívida. IV . Rel. quanto à uniformização da matéria infraconstitucional em sede de recurso especial. por 60 dias. intimado a entregar o bem do qual depositário. Corte Especial deste Tribunal já pacificou o entendimento no sentido de que não cabe a prisão civil do devedor que descumpre contrato garantido por alienação fiduciária (EREsp. III .”). 5º. de 28/02/2000). 149. no ponto. no julgamento. V . de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira II . com a introdução do aludido Pacto no ordenamento jurídico nacional. que a ela davam a qualificação constitucional. Concluiu-se. por fim.Agravo interno desprovido. Informativos 471. perfilhando o entendimento expendido pelo primeiro no voto que proferira nesse recur- 29 . os Ministros Celso de Mello. LXVII. que restringe a prisão civil por dívida ao descumprimento inescusável de prestação alimentícia (art. restaram derrogadas as normas estritamente legais definidoras da custódia do depositário infiel. Entendeu-se que a circunstância de o Brasil haver subscrito o Pacto de São José da Costa Rica.

da Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica). Tribunal Pleno. entendendo que. Inadmissibilidade reconhecida pelo acórdão impugnado. independentemente da propositura de ação de depósito”. qualquer que seja a modalidade do depósito. 5º. 6. o Habeas Corpus 87585. inc. 5º. Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos. 17. REsp 30 . Marco Aurélio. Extraordinário. o autor pode promover a execução nos próprios autos da ação de depósito. do STF. 7º. da CF. qualquer que seja a modalidade do depósito. 2º e 3º. art. neste caso.566. proveu parcialmente o recurso.965-SP. Insubsistência da previsão constitucional e das normas subalternas. Ao trazer o assunto de volta a julgamento. 1. EMENTA: PRISÃO CIVIL. 1. 186. 7º. no caso. julgado em 03/12/2008. em 23/12/2009 DOU de 23/12/2009. Apresenta repercussão geral o recurso extraordinário que verse sobre a questão de constitucionalidade das normas que dispõem sobre a prisão civil de depositário infiel . o que acabou ocorrendo. 906 do CPC. Recurso improvido.2008. art. Inadmissibilidade absoluta. p. § 7. LXVII e §§ 1º. revogou a Súmula 619. Depositário infiel. Entretanto. Relevância. n. Fonte de Publicação DJe nº 238. condenando-se o réu. o STF decidiu no mesmo sentido um terceiro processo versando sobre o mesmo assunto. como foi voto vencido. CEZAR PELUSO. julgado em 14/04/2008. Alienação fiduciária.2. p. DJe-172 DIVULG 11-09-2008 PUBLIC 12-09-2008 EMENT VOL-02332-05 PP-00983 ) Súmula revogada Também por maioria. Repercussão geral reconhecida. 2010. Para dar conseqüência a esta decisão. DJ 17/5/1999. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira so. art. ao pagamento do equivalente em dinheiro – valor do bem –. (HC 87585/TO. (RE 466343. Marco Aurélio. Prisão Civil.129-SP. DJ 3/5/1999. advertiu que.703 e dos HCs nº 87. José da Costa Rica). por maioria. 29-165) Súmula Vinculante 25 É ilícita a prisão civil de depositário infiel. Relator(a): Min. O Min. à luz do art. p. relativamente a essa questão. ex vi do art. e REsp 160. depois de pedir vista em março deste ano. LXVII e § 2º. Decretação da medida coercitiva.12. Relator(a): Min. (HC-87585) EMENTA: RECURSO. o Tribunal teria de revogar a Súmula 619. Depósito. DJe-104 DIVULG 04-06-2009 PUBLIC 05-06-2009 EMENT VOL02363-06 PP-01106 RDECTRAB v. Legislação: Constituição Federal de 1988. Julgamento conjunto do RE nº 349. Min. É ilícita a prisão civil de depositário infiel. Interpretação do art. Precedentes citados: REsp 156. § 7º. Depositário infiel. se absteve de pronunciamento.Universidade Salgado de Oliveira . Questão da constitucionalidade das normas infraconstitucionais que prevêem a prisão. A Seção. 3.585 e nº 92. segundo a qual “a prisão do depositário judicial pode ser decretada no próprio processo em que se constituiu o encargo.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de S. rel. CEZAR PELUSO. BEM DESTRUÍDO. ajuizada a ação de depósito decorrente de busca e apreensão e destruído o bem alienado fiduciariamente. (RE 562051 RG. 11. PERECIMENTO DO BEM ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. o ministro Carlos Alberto Menezes Direito defendeu a prisão do depositário judicial infiel.

Nada impede. DO CPC. estimar-se-á a avaliação do bem.293-SP. 369-STJ. 1. Lei 7. CPC. Fernando Gonçalves. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira 269. Rel.341 . sendo facultado ao arrendatário. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO.DECISÃO MANTIDA .309/96 . INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 655. é necessária a notificação prévia do arrendatário para constituí-lo em mora. Min. JURISPRUDÊNCIA: “EMENTA: ARRENDAMENTO MERCANTIL . Quinta Turma.Universidade Salgado de Oliveira . ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA.171. . (STJ – Informativo n. 7.INEFICÁCIA INOCORRENTE .DF (2009/0243850-3) RELATORA : MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI RECORRENTE : ERASMO TOKARSKI E OUTROS ADVOGADO : DEIRDRE DE AQUINO NEIVA CRUZ RECORRIDO : REGINA APARECIDA TEIXEIRA ADVOGADO : SEM REPRESENTAÇÃO NOS AUTOS EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. Felix Fisher. no qual à locação de coisas agrega-se uma opção de compra (W. 95/2001). por não integrar o patrimônio do devedor. POSSIBILIDADE. DIREITOS. ainda que haja cláusula resolutiva expressa. por tempo determinado. Efetuada a penhora. 31 . "O bem alienado fiduciariamente. financiamento e compra e venda.099/74. IV . misto de locação. Rel. unânime. No contrato de arrendamento mercantil (leasing). Recurso especial conhecido e provido. 594) Inteligência dos arts. DJ 17/12/2004 p.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. (REsp 679821/DF. 2. Min. julgado em 9/5/2001. que os direitos do devedor fiduciante oriundos do contrato sejam constritos.). não pode ser objeto de penhora.132/83. §§. Res.SÚMULA N.LEASING OU ARRENDAMENTO MERCANTIL (Lei 6. contudo.Natureza Jurídica: Trata-se de contrato complexo. um bem comprado pela primeira com as especificações ditadas pela segunda.RECURSO DESPROVIDO. 673. PENHORA. . Fázzio Jr. CONTRATO.NOTIFICAÇÃO PREMONITÓRIA .LIMINAR DEFERIDA . descontando-se o montante ainda pendente de pagamento junto à instituição financeira.BACEN) 1. XI. Min." 2. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA E PENHORA RECURSO ESPECIAL Nº 1. ao término do contrato. Conceito: É o contrato pelo qual uma pessoa jurídica (arrendador) entrega a outra pessoa física ou jurídica (arrendatário). Rel. 671. a compra do bem pelo preço residual.REINTEGRAÇÃO DE POSSE . previamente fixado. em 16/2/2009. Nancy Andrighi.

da Res. VI . para o arrendamento mercantil financeiro: a) a previsão de a arrendatária pagar valor residual garantido em qualquer momento durante a vigência do contrato. aplicável ao caso. uma vez sobrevindo o evento ao qual se subordinou a resolução. no contrato de leasing. a rescisão contratual opera-se de pleno direito. n° 2309/96 do Bacen: I . que melhor atendam as conveniências 32 . de acordo com o art. cláusula resolutiva expressa. basta.A notificação para a comprovação da mora é válida quando feita por carta registrada com AR. para a validade da notificação. 1° Câmara de Direito Civil). que a correspondência notificatória seja remetida ao endereço do devedor e lá recebida”.a concessão a arrendatária de opção de compra dos bens arrendados. e incisos.Encartada. quando o pagamento pode ser fixado por períodos não superiores a 1 (um) ano. VII . VIII . b) o reajuste do preço estabelecido para a opção de compra e o valor residual garantido. Trindade dos Santos. bem como o critério para seu reajuste. salvo no caso de operações que beneficiem atividades rurais.as condições para eventual substituição dos bens arrendados. por outros da mesma natureza.a forma de pagamento das contraprestações por períodos determinados. 14 da Lei 9. não sendo indispensável. Des. admitindo-se.as despesas e os encargos adicionais. a posse do arrendatário transmuda-se em posse injusta.o valor das contraprestações ou a formula de cálculo das contraprestações.o prazo de arrendamento. V . devendo ostentar os seguintes requisitos mínimos. inclusive na ocorrência de sinistro. a entrega pessoal à empresa destinatária. III .as condições para o exercício por parte da arrendatário do direito de optar pela renovação do contrato. IV . ainda. rel. inclusive despesas de assistência técnica. manutenção e serviços inerentes a operacionalidade dos bens arrendados. AgI 1998. não caracterizando o pagamento do valor residual garantido o exercício da opção de compra. para a sua eficácia. 2 Requisitos do Contrato: o contrato é solene e deve ser formalizado por instrumento público ou particular. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira . legitimando a utilização. da via possessória para a recuperação do bem. Tal como decorre do art. (TJSC. II . j. 23-2-1999. com todas as características que permitam sua perfeita identificação.492/97. pelo arrendante.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp.Universidade Salgado de Oliveira . 7°. devendo ser estabelecido o preço para seu exercício ou critério utilizável na sua fixação.a descrição dos bens que constituem o objeto do contrato.017814-2. não superiores a 1 (um) semestre. pela devolução dos bens ou pela aquisição dos bens arrendados. . Rescindido o ajuste e comprovada a mora.

de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira do arrendatário.a faculdade de a arrendatária transferir a terceiros no País. c) danos causados a terceiros pelo uso dos bens.as obrigações da arrendatária. al. 3 Partes: I .Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. 2006. d) ônus advindos de vícios dos bens arrendados.309/96. XI .as demais responsabilidades que vierem a ser convencionadas. em decorrência de: a) uso indevido ou impróprio dos bens arrendados. b) seguro previsto para cobertura de risco dos bens arrendados. os seus direitos e obrigações decorrentes do contrato. 750. da Lei 6.099/74: 13 BERTOLDI. M. limitada a multa de mora a 2% (dois por cento) do valor em atraso. III – Fornecedor do bem: é quem faz a venda do bem ao arrendante e que não participa necessariamente do negócio jurídico. 2º. Bacen) II – Arrendatário: pode ser pessoa física ou jurídica que fica na posse do bem arrendado. p. desde que haja anuência expressa da entidade arrendadora. b) destruição.Universidade Salgado de Oliveira . Curso avançado de direito comercial. constituída sob a forma de sociedade anônima.Arrendador: é uma sociedade empresária do tipo instituição financeira. em cuja denominação deverá constar a expressão arrendamento mercantil. optar por sua aquisição13. X . perecimento ou desaparecimento dos bens arrendados. 3.a faculdade de a arrendadora vistoriar os bens objeto de arrendamento e de exigir do arrendatário a adoção de providencias indispensáveis à preservação da integridade dos referidos bens. 3º e 4º. ed. M. Res. com ou sem co-responsabilidade solidária. devendo a substituição ser formalizada por intermédio de aditivo contratual. IX . 2. findo o contrato. 33 . et. LEASING E EFEITOS TRIBUTÁRIOS: Art. (Arts. XII . obrigatoriamente registrada no Banco Central. São Paulo: RT. pagando por ele uma quantia determinada e tendo a possibilidade de. nas hipóteses de: a) inadimplemento.

§ 1º O Conselho Monetário Nacional especificará em regulamento os casos de coligação e interdependência. e a data 14 Cf. Obs. Diz ainda o dispositivo que se presume influência significativa quando a investidora for titular de 20% (vinte por cento) ou mais do capital votante da investida. assim como o contratado com o próprio fabricante.Banco Central do Brasil. o arrendatário não pode deduzir o valor das parcelas a título de “despesas operacionais”.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. Obs.br/pre/bc_atende/port/leasing. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira Art 2º Não terá o tratamento previsto nesta Lei o arrendamento de bens contratado entre pessoas jurídicas direta ou indiretamente coligadas ou interdependentes. BACEN . Ou seja. sem controlá-la. 8°. A partir de então. Res.bcb. Incide IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) no arrendamento mercantil? Não. O imposto que será pago no contrato é o Imposto Sobre Serviços (ISS).404/76 ocorria sociedade coligada quando uma sociedade participava.gov. E para efeito legal. do capital da outra. por não se tratar de operação financeira. compreendidos entre a data de entrega dos bens a arrendatária. 4 Prazos (Art. que modificou os parágrafos do art. 2º) O Leasing Operacional em que o arrendador é o próprio fabricante do produto arrendado. O IOF não incide nas operações de leasing.asp 34 . § 2º Somente farão jus ao tratamento previsto nesta Lei as operações realizadas ou por empresas arrendadoras que fizerem dessa operação o objeto principal de sua atividade ou que centralizarem tais operações em um departamento especializado com escrituração própria. 243.: Não se enquadram no conceito tributário de Leasing: 1º) O Self-leasing: modalidade contratual em que as partes são coligadas: Sociedade coligada: De acordo com Lei 6. considera-se que há influência significativa quando a investidora detém ou exerce o poder de participar nas decisões das políticas financeira ou operacional da investida. Disponível em: http://www. consubstanciada em termo de aceitação e recebimento dos bens. sem controlá-la.para o arrendamento mercantil financeiro: a) Prazo mínimo 14 de 2 (dois) anos. sem controlá-la. Deverá recolher IR sobre as parcelas. com 10% (dez por cento) ou mais.941/2009. coligadas são as sociedades nas quais a investidora tenha influência significativa. Mas o conceito foi alterado pela Lei 11.Universidade Salgado de Oliveira . 2309/96): I .: As operações abaixo recebem o tratamento tributário da compra e venda a prazo.

II) Leasing operacional (Art. assistência técnica e serviços correlatos à operacionalidade do bem arrendado são de responsabilidade da arrendatária .099/74. II .Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. 16 Cf. fornecendo treinamento e reparando concertos e cuidando da manutenção periódica. para cada espécie de bem. § 3º Enquanto não forem publicados os prazos de vida útil de que trata o parágrafo anterior. OBS. 1º. n. porque o arrendante era o próprio fabricante dos bens arrendados e prestava assistência técnica ao arrendatário. adicionalmente. a) As contraprestações e demais pagamentos previstos no contrato.Universidade Salgado de Oliveira . o valor de mercado do bem arrendado. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira de vencimento da ultima contraprestação. obtenha um retorno sobre os recursos investidos” (art. 6°. Manual de direito comercial. n. b) Prazo mínimo de 3 (três) anos para o arrendamento de outros bens.° 2309/96) : Originalmente. § 2º A Secretaria da Receita Federal publicará periodicamente o prazo de vida útil admissível. prazo mínimo de 90 (noventa) dias.309/96): inexiste nesta modalidade a prestação de serviços pelo arrendante. I. Art. 15 Regras para definição de “vida útil” do bem: Lei 6. da Res. 12. O Conselho Monetário Nacional. 2. considera-o como a modalidade de arredamento mercantil em que “as contraprestações e demais pagamentos previstos no contrato. até mesmo. 5°. § 1º Entende-se por vida útil do bem o prazo durante o qual se possa esperar a sua efetiva utilização econômica. podendo ser.para o arrendamento mercantil operacional. Res. 2.: De acordo com o Art. assumindo inclusive os riscos tecnológicos à obsolescência e ao mercado16. o leasing operacional consistia numa uma locação de bens. W. 5 Modalidades: I – Leasing financeiro (Art. com cláusula de prestação de serviços. Res. Fázzio Jr. 10. 35 .309/1996 do CMN). sejam normalmente suficientes para que a arrendadora recupere o custo do bem arrendado durante o prazo contratual da operação e. São Paulo: Atlas. 8º deste Regulamento. quando se tratar de arrendamento de bens com vida útil15 igual ou inferior a 5 (cinco) anos. em condições normais. b) As despesas de manutenção. devidos pela arrendatária. 2003. c) O preço para o exercício da opção de compra é livremente pactuado. devidos pela arrendatária. A operação de arrendamento mercantil será considerada como de compra e venda a prestação se a opção de compra for exercida antes de decorrido o respectivo prazo mínimo estabelecido no art. geralmente uma instituição financeira. são suficientes para que a arrendadora recupere o custo do bem arrendado durante o prazo do contrato e obtenha retorno sobre os recursos investidos. Não havia intervenção de instituição financeira. a sua determinação se fará segundo as normas previstas pela legislação do imposto de renda para fixação da taxa de depreciação. ao regulamentar o leasing financeiro.

logo após a 2ª Guerra Mundial. da Resolução nº 2. 17 Esta operação permite ao empresário transformar seu ativo imobilizado em capital de giro. sendo estipuladas as seguintes regras: Art. IV .. a Xerox foi uma das precursoras dessa modalidade de leasing.o prazo contratual seja inferior a 75% (setenta e cinco por cento) do prazo de vida útil econômica do bem. al. Trata-se de operação comumente utilizada pelo empresário como opção de financiamento.099/74 vedou a concessão dos efeitos tributários (isenção tributária) ao leasing contratado com o próprio fabricante.as contraprestações a serem pagas pela arrendatária contemplem o custo de arrendamento do bem e os serviços inerentes a sua colocação a disposição da arrendatária. 47 18 BERTOLDI. (artigo alterado pela Resolução nº 2465. Parágrafo 2º No cálculo do valor presente dos pagamentos deverá ser utilizada taxa equivalente aos encargos financeiros constantes do contrato.as necessidades de capital de giro levaram as empresas a procurar esta categoria de negócios. 2. nos termos do art.2.Universidade Salgado de Oliveira . III . o que permitiu a obtenção de recursos sem precisar se desfazerem dos bens de produção”. mas que continua à sua disposição. só que a título de arredamento e não de propriedade. que o vende ao locador e em seguida o recebe em arrendamento. 3.. et. 2006. Arnaldo.: no Brasil. de 19. no leasing back o bem já pertence ao arrendatário.não haja previsão de pagamento de valor residual garantido.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. II . ed. não podendo o valor presente dos pagamentos ultrapassar 90% (noventa por cento) do custo do bem. São Paulo: RT. M.465/98. 6º Considera-se arrendamento mercantil operacional a modalidade em que: I . Parágrafo 1º As operações de que trata este artigo são privativas dos bancos múltiplos com carteira de arrendamento mercantil e das sociedades de arrendamento mercantil. 2000. De acordo com Arnaldo Rizzardo. a assistência técnica e os serviços correlatos a operacionalidade do bem arrendado podem ser de responsabilidade da arrendadora ou da arrendatária.18 17 RIZZARDO. 36 . 4. Curso avançado de direito comercial.o preço para o exercício da opção de compra seja o valor de mercado do bem arrendado. sem que tenha que se desfazer da posse do bem que antes era seu e que agora passa a ser do arrendante. o Banco Central resolveu dar um novo tratamento ao leasing operacional. 6º. 753. Parágrafo 3º A manutenção. “. ed. Como o art. 2º da Lei 6.309/96 alterada pela Res. p. Leasing – Arrendamento mercantil no direito brasileiro. p. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira Obs.98) III – Leasing Back: Ao contrário do que ocorre com o leasing tradicional. São Paulo: RT. como anteriormente. M.

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Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira IV - Self-leasing (leasing consigo mesmo): constitui o arrendamento mercantil contratado entre empresas pertencentes ao mesmo grupo financeiro. Basicamente, consiste em uma operação entre empresas ligadas ou coligadas. Este tipo de leasing foi excluído pela Lei nº 6.099/74, art. 2º, e Resolução BACEN nº 2.309/96, art. 28, III. 5º). Lei nº 6,099/74:
Art 2º Não terá o tratamento previsto nesta Lei o arrendamento de bens contratado entre pessoas jurídicas direta ou indiretamente coligadas ou interdependentes, assim como o contratado com o próprio fabricante. § 1º O Conselho Monetário Nacional especificará em regulamento os casos de coligação e interdependência. § 2º Somente farão jus ao tratamento previsto nesta Lei as operações realizadas ou por empresas arrendadoras que fizerem dessa operação o objeto principal de sua atividade ou que centralizarem tais operações em um departamento especializado com escrituração própria.

Mas, de acordo com Arnaldo Rizzardo,
A disposição importa em somente não se conceder os benefícios tributários da Lei 6.099. Em outros termos, não está proibida a prática, mesmo que sem o favorecimento das isenções instituídas pela lei.19

6 Valor Residual Garantido: Conceito: A Portaria n. 564/1978 do Ministério da Fazenda (referente à tributação das arrendadoras nas operações de arrendamento mercantil) definiu o VRG como:
Preço contratualmente estipulado para exercício da opção de compra, ou valor contratualmente garantido pela arrendatária como mínimo que será recebido pela arrendadora na venda a terceiros do bem arrendado, na hipótese de não ser exercida a opção de compra.

a) No leasing financeiro o pagamento do VGR pode ocorrer a qualquer momento sem configurar compra e venda, de acordo com a resolução (Art. 7°, VII, a e b, Res. 2309/96). b) A resolução prevê ainda a possibilidade de dissolução do VRG nas parcelas, sem descaracterização do Leasing (Art. 7°, VII, a). - Parte da jurisprudência vinha interpretando a antecipação do VRG como descaracterização do contrato de Leasing para contrato de compra e venda a prazo:
ORIGEM.....: 1A CAMARA CIVEL FONTE......: DJ 14822 de 18/08/2006 ACÓRDÃO....: 18/07/2006 PROCESSO...: 200601019100 COMARCA....: GOIANIA RELATOR....: DR(A). JEOVA SARDINHA DE MORAES

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RIZZARDO, Arnaldo. Op. Cit., p. 40.

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RECURSO....: 98303-8/188 - APELACAO CIVEL EMENTA.....: "APELACAO CIVEL. ACAO DE REITEGRACAO VALOR RESIDUAL GARANTIDO. A ANTECIPACAO DO VALOR RESIDUAL GARANTIDO DESCARACTERIZA O CONTRATO DE ARRENDAMENTO MERCANTIL PARA COMPRA E VENDA A PRESTACAO . ASSIM, A REINTEGRACAO DE POSSE DEVE SER JULGADA IMPROCEDENTE POR AUSENCIA DE ESBULHO, UMA VEZ QUE O COMPRADOR TEM A POSSE JUSTA DO BEM. APELACAO CONHECIDA E PROVIDA." DECISÃO....: "ACORDAM OS COMPONENTES DA QUARTA TURMA JULGADORA DA PRIMEIRA CAMARA CIVEL DO EGREGIO TRIBUNAL DE JUSTICA DO ESTADO DE GOIAS, A UNANIMIDADE DE VOTOS EM CONHECER DO APELO E LHE DAR PROVIMENTO, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR."

O STJ firmou jurisprudência sobre a matéria, editando a súmula 293 com o seguinte teor: A cobrança antecipada do valor residual garantido (VRG) não descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil.
ORIGEM.....: 1A CAMARA CIVEL FONTE......: DJ 14782 de 22/06/2006 ACÓRDÃO....: 16/05/2006 PROCESSO...: 200600623810 COMARCA....: ANAPOLIS RELATOR....: DES. LEOBINO VALENTE CHAVES RECURSO....: 97271-9/188 - APELACAO CIVEL EMENTA.....: "APELACAO CIVEL. ACAO DE REINTEGRACAO DE POSSE. CONTRATO DE LEASING. ANTECIPACAO DO VALOR RESIDUAL GARANTIDO. DESCARACTERIZACAO PARA COMPRA E VENDA. INDEFERIMENTO DA INICIAL. IMPOSSIBILIDADE. SUMULA 293 DO STJ. A ANTECIPACAO DO VALOR RESIDUAL GARANTIDO (VRG) NAO DESCARACTERIZA O CONTRATO DE ARRENDAMENTO MERCANTIL PARA COMPRA E VENDA EM PRESTACAO. ASSIM, INEXISTE QUALQUER OBICE AO CURSO DA ACAO DE REITEGRACAO DE POSSE, MORMENTE COM A EDICAO DA SUMULA 293 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTICA. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO." DECISÃO....: "ACORDAM OS COMPONENTES DA TERCEIRA TURMA JULGADORA DA PRIMEIRA CAMARA CIVEL DO EGREGIO TRIBUNAL DE JUSTICA DO ESTADO DE GOIAS, A UNANIMIDADE DE VOTOS EM CONHECER DO APELO E DAR-LHE PROVIMENTO, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR."

- A bem da verdade, em 2003 o STJ mudou seu entendimento, cancelando a súmula 263 cujo teor era pela descaracterização do contrato de Leasing em contrato de compra e venda. - Conseqüências jurídicas da mudança desse entendimento: - Havendo descaracterização de Leasing para Compra e Venda não seria possível o deferimento de reintegração de posse em caso de inadimplemento. - Com a descaracterização arrendatária não poderia deduzir as contraprestações como ‘despesas operacionais’, ou seja, deveria recolher o imposto de renda sobre as parcelas pagas (Art. 11, Lei 6.099/74)20.

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Art 11. Serão consideradas como custo ou despesa operacional da pessoa jurídica arrendatária as contraprestações pagas ou creditadas por força do contrato de arrendamento mercantil. § 1º A aquisição pelo arrendatário de bens arrendados em desacordo com as disposições desta Lei, será considerada operação de compra e venda a prestação.

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- Na dedução, os valores das prestações pagas (Leasing) não são considerados lucro tributável pelo imposto de renda. - Na operação de leasing, enquanto leasing, não incide ICMS:
REPETITIVO. ICMS. LEASING. AVIÃO. A Seção, ao apreciar recurso representativo de controvérsia (art. 543-C do CPC e Res. n. 8-2008-STJ), reiterou a jurisprudência deste Superior Tribunal com base no art. 3º, VIII, da LC n. 87/1996 quanto à não incidência de ICMS sobre operação de leasing em que não se efetivou a transferência de titularidade do bem. A incidência do ICMS pressupõe circulação de mercadoria (transferência da titularidade do bem) quer o bem arrendado provenha do exterior quer não. No caso dos autos, trata-se de importação de aeronave mediante contrato de arrendamento mercantil (leasing). Com esse entendimento, deu-se provimento ao recurso especial adesivo da companhia aérea, julgando prejudicado o recurso principal interposto pela Fazenda estadual. Precedentes citados do STF: RE 461.968-SP, DJ 24/8/2007; do STJ: AgRg no Ag 791.761-RS, DJe 9/3/2009; AgRg no REsp 969.880-SP, DJe 29/9/2008; REsp 337.433-PR, DJ 1º/12/2003; REsp 264.954-SE, DJ 20/8/2001; REsp 93.537-SP, DJ 16/2/1998, e AgRg nos EDcl no REsp 851.386-MG, DJ 1º/2/2007. REsp 1.131.718-SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24/3/2010.(Informativo n.º 428).

c) Inadimplência do devedor e VRG - Em caso de inadimplemento pelo arrendatário, cabe ação de reintegração de posse. Obs.: De acordo com o art. 14, é permitido a entidade arrendadora, nas hipóteses de devolução ou recuperação dos bens arrendados: I - conservar os bens em seu ativo imobilizado, pelo prazo máximo de 2 (dois) anos; II - alienar ou arrendar a terceiros os referidos bens. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se também aos bens recebidos em dação em pagamento. Em caso de retomada ou devolução do bem, como fica o VRG que já foi pago?

- De acordo com Pablo Stolze, resguardadas as devidas compensações, o devedor tem direito à devolução das parcelas pagas, in verbis:
Ressalte-se que, embora inadimplente o devedor, não se pode tolerar que o credor queira resolver o contrato, reavendo bens alienados em prestações, sem a devolução, com as devi-

§ 2º O preço de compra e venda, no caso do parágrafo anterior, será o total das contraprestações pagas durante a vigência do arrendamento, acrescido da parcela paga a título de preço de aquisição. § 3º Na hipótese prevista no parágrafo primeiro deste artigo, as importâncias já deduzidas, como custo ou despesa operacional pela adquirente, acrescerão ao lucro tributável pelo imposto de renda, no exercício correspondente à respectiva dedução. § 4º O imposto não recolhido na hipótese do parágrafo anterior, será devido com acréscimo de juros e correção monetária, multa e demais penalidades legais.

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das compensações, das parcelas pagas” (art. 53, CDC) (Pablo Stolze Gagliano et al. Novo curso de direito civil – Contratos: parte geral. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 252).

- No mesmo sentido da doutrina, o seguinte julgado:
EMENTA. RECURSO ESPECIAL – ARRENDAMENTO MERCANTIL – RESOLUÇÃO POR INADIMPLEMENTO - AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE - VALOR RESIDUAL GARANTIDO PAGO ANTECIPADAMENTE – DEVOLUÇÃO – POSSIBILIDADE. Diante da resolução do contrato de arrendamento mercantil por inadimplemento do arrendatário, é possível a devolução do chamado VRG, pago antecipadamente, à conta de ser uma conseqüência da reintegração do bem na posse da arrendante. Recurso especial não conhecido.” ( STJ, REsp Nº 470.512 - DF (2002⁄0119743-3), DJ, 22-3-2004, rel. MINISTRO CASTRO FILHO, j. 29-10-2003, 3° Turma).
ORIGEM.....: 4A CAMARA CIVEL FONTE......:DJ 164 de 29/08/2008 ACÓRDÃO....:07/08/2008 PROCESSO...:200802140704 COMARCA....:GOIANIA RELATOR....: DES. STENKA I. NETO RECURSO....: 126302-5/188 - APELACAO CIVEL EMENTA.....: "APELACAO. CONSUMIDOR. CONTRATO DE ARRENDAMENTO MERCANTIL. SENTENCA. NULIDADE. INOCORRENCIA. RELACAO CONTRATUAL. DESFAZIMENTO. VALOR RESIDUAL GARANTIDO (VRG). RESTITUICAO. DIREITO DA ARRENDATARIA. 1 - NO CONTRATO DE ARRENDAMENTO MERCANTIL A DEVOLUCAO DO BEM A ARRENDADORA POR INADIMPLENCIA DA ARRENDATARIA GERA O INCONCUSSO DIREITO DESTA A RESTITUICAO DO 'VALOR RESIDUAL GARANTIDO' PAGO ANTECIPADAMENTE, PELO QUE NAO HA FALAR EM SENTENCA EXTRA PETITA. 2 - DESFEITA A RELACAO CONTRATUAL (LEASING) POR INEXECUCAO CULPOSA DA ARRENDATARIA, INADIMISSIVEL A RETENCAO DO (VRG) PELA EMPRESA ARRENDANTE, SUPOSTO QUE PELOS DANOS OCASIONADOS PELO USO INDEVIDO DO BEM, RESPONDEM AS PRESTACOES PAGAS E VENCIDAS ATE A DATA EM QUE SE VERIFICOU SUA RETOMADA POR PARTE DESTA. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO." DECISÃO....: "ACORDAM OS INTEGRANTES DA QUINTA TURMA JULGADORA DA QUARTA CAMARA CIVEL DO EGREGIO TRIBUNAL DE JUSTICA DO ESTADO DE GOIAS, A UNANIMIDADE, EM CONHECER DO RECURSO E NEGAR-LHE PROVIMENTO, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR. CUSTAS DE LEI."

Todavia, decidiu recentemente o STJ em incidente de Recurso Repetitivo, portanto, com efeito para os demais casos, que o VRG somente deve ser devolvido na parte de sobejar o somatório do valor pago a título de VRG mais o valor pelo qual o bem foi vendido, in verbis:
DIREITO EMPRESARIAL. DEVOLUÇÃO DA DIFERENÇA ENTRE O RESULTADO DA SOMA DO VRG QUITADO COM O VALOR DA VENDA DO BEM E O TOTAL PACTUADO COMO VRG NO CONTRATO DE LEASING FINANCEIRO. RECURSO REPETITIVO (ART. 543-C DO CPC E RES. N. 8/2008-STJ). Nas ações de reintegração de posse motivadas por inadimplemento de arrendamento mercantil financeiro, quando o resultado da soma do VRG quitado com o valor da venda do bem for maior que o total pactuado como VRG na contratação, será direito do arrendatário receber a diferença, cabendo, porém, se estipulado no contrato, o prévio desconto de outras despesas ou encargos contratuais. No chamado leasing financeiro, o arrendador adquire o bem indicado pelo contratante sem nenhum interesse em mantê-lo em seu patrimônio após o término do contrato, de modo que a devolução do bem ao final da contratação levaria o produto à venda. Nessa modalidade, prepondera o caráter de financiamento na operação, colocado à disposição do particular, à semelhança da alienação fiduciária, como mais uma opção para a aquisição financiada de bem pretendido para uso, com custos financeiro-tributários mais atraentes a depender da pessoa arrendatária. Além disso, o Conselho Monetário Nacional, ao regulamentar o leasing fi-

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tudo a bem da construção de uma sociedade em que vigore a livre iniciativa. adicionalmente. 41 . cabendo. no caso de não exercida a opção de compra pelo arrendatário. Como consequência. quando o produto da soma do VRG quitado com o valor da venda do bem for maior que o total pactuado como VRG na contratação. julgado sob o rito do art. o STJ tem estabelecido o entendimento de que o VRG pago antes do término do contrato não constitui propriamente um pagamento prévio do bem arrendado. Restando ao credor a execução das parcelas restantes. para acórdão Min. DJ 16/11/2004. n. ainda.099. se estipulado no contrato. 543-C (Recurso Repetitivo) . o STJ vem entendendo que em situações em que o contrato se encontra praticamente adimplido. sejam normalmente suficientes para que a arrendadora recupere o custo do bem arrendado durante o prazo contratual da operação e. 1º.212/RJ. especialmente nos casos de elevada depreciação do bem. o que atentaria flagrantemente contra a função econômicosocial do contrato e terminaria por incentivar. conclui-se que somente será possível a devolução ao arrendatário da diferença verificada no caso em que o resultado da soma do VRG quitado com o valor da venda do bem tenha sido maior que o total pactuado como VRG na contratação. a inadimplência. seu. o arrendante não tem interesse necessidade de reintegração de posse. julgado em 27/2/2013. na hipótese de não ser exercida a opção de compra”. I. originário Min. com a entrega do bem. inerente à racionalidade econômica do leasing financeiro a preservação de um valor mínimo em favor do arrendador pelo produto financiado. considera-o como a modalidade de arredamento mercantil em que “as contraprestações e demais pagamentos previstos no contrato. portanto. deve-se observar que a integral devolução ao arrendatário do pagamento prévio (antecipado ou diluído com as prestações) do chamado valor residual garantido (VRG) pode fazer com que a arrendadora fique muito longe de recuperar ao menos o custo (mesmo em termos nominais) pela aquisição do produto. eximindo-se quase completamente do custo da depreciação. REsp 1. na medida em que.Universidade Salgado de Oliveira . Ricardo Villas Bôas Cueva. devendo o processo ser extinto sem resolução do mérito. sobretudo. a Portaria n. a servir-lhe de garantia (daí o nome: “valor residual garantido”). a minoração das taxas de juros e. Nesse contexto.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. inclusive. possa o arrendamento mercantil ter seu equilíbrio econômico-financeiro resguardado. Massami Uyeda. Rel. A propósito. É. será direito do arrendatário receber a diferença. de fato.309/1996 do CMN). do valor recebido com a venda do produto. teria o arrendatário muito mais a ganhar do que com o fiel cumprimento do contrato. Sendo assim. a depender. Nesse sentido. ou valor contratualmente garantido pela arrendatária como mínimo que será recebido pela arrendadora na venda a terceiros do bem arrendado. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira nanceiro. obtenha um retorno sobre os recursos investidos” (art. tem-se a redução dos custos financeiros e do spread bancário. d) Inadimplência do devedor e teoria do adimplemento substancial No mesmo sentido que vem acontecendo com o contrato de alienação fiduciária em garantia. Terceira Turma. Precedente citado: REsp n° 373. mas com justiça social. preservando sua função social como pactuação propícia à proteção da confiança. ficou assentado na decisão do REsp 1. 564/1978 do Ministério da Fazenda (referente à tributação das arrendadoras nas operações de arrendamento mercantil) definiu o VRG como o “preço contratualmente estipulado para exercício da opção de compra. o prévio desconto de outras despesas ou encargos contratuais". de forma deletéria. porém. da Res. cabendo. Rel.674/PR. que é. da boa-fé. observando-se fielmente a finalidade do VRG. Entende-se que assim. 2. Portanto. o desconto prévio de outras despesas ou encargos contratuais eventualmente estipulados pelo contrato.099. o incremento da atividade econômica em geral. a tese de que "nas ações de reintegração de posse motivadas por inadimplemento de arrendamento mercantil financeiro. pelo estímulo à adimplência e ao cumprimento dos contratos.212-RJ. mas sim um valor mínimo garantido ao arrendador no caso em que não exercida a opção de compra. devidos pela arrendatária.

RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. Nessa linha de entendimento. No caso em apreço. o pagamento das poucas parcelas restantes com resolução da propriedade em favor do arrendatário é-lhe mais favorável. a opção de compra se presumiria pelo pagamento diluído do VRG. É pela lente das cláusulas gerais previstas no Código Civil de 2002. APLICAÇÃO DA TEORIA DO ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL. em qualquer dos casos. sobretudo a da boa-fé objetiva e da função social. Antes da publicação do acórdão dos embargos declaratórios. deixando de se caracterizar como aluguel.44 de valor residual garantido". é de se aplicar a da teoria do adimplemento substancial dos contratos. a teoria do substancial adimplemento visa a impedir o uso desequilibrado do direito de resolução por parte do credor. objeto de contrato de "leasing". de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira Essa conclusão tem entendimento implícito de que o contrato se transmutou em compra e venda. que deve ser lido o art. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE. Doutrina e jurisprudência acerca do tema. se não preferir exigir-lhe o cumprimento. APLICAÇÃO DA TEORIA DO ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL E DA EXCEÇÃO DE INADIMPLEMENTO CONTRATUAL. CARRETAS. RESOLUÇÃO DO CONTRATO. TERCEIRA TURMA. (REsp 1200105/AM. após o pagamento de 30 das 36 parcelas ajustadas. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE. RECURSO ESPECIAL. com determinação de imediato cumprimento do julgado. com vistas à realização dos princípios da boa-fé e da função social do contrato. porquanto o réu pagou: "31 das 36 prestações contratadas. interposição de embargos infringentes. com um voto vencido que mantinha a sentença. 86% da obrigação total (contraprestação e VRG parcelado) e mais R$ 10. pois interpostos após a nova publicação do acórdão recorrido. Interposição de embargos declaratórios. MEDIDAS DESPROPORCIONAIS DIANTE DO DÉBITO REMANESCENTE. Determinação de renovação da publicação do acórdão dos embargos declaratórios para correção do resultado do julgamento. O reexame de matéria fática e contratual esbarra nos óbices das súmulas 05 e 07/STJ. MANEJO ANTERIOR DE MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA A DECISÃO. Ou seja. INOCORRÊNCIA DE AFRONTA AO PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE. Como os bancos adotaram a praxe de diluição do VRG no valor das parcelas. 2. consequente- 42 . a parte demandada extraiu cópia integral do processo e impetrou mandado de segurança. LEASING. Processo extinto pelo juízo de primeiro grau. TEMPESTIVIDADE. 1. DESCABIMENTO. que foram rejeitados. com fundamento no voto vencido dos embargos declaratórios. julgado em 19/06/2012. já que não cabível a reintegração de posse. em face da utilização do mandado de segurança com natureza cautelar para agregação de efeito suspensivo a recurso ainda não interposto por falta de publicação do acórdão. Tempestividade dos embargos infringentes. Força do princípio da função social dos contratos. Ação de reintegração de posse de 135 carretas. com a determinação de imediata reintegração de posse. sendo provida a apelação pelo Tribunal de Justiça. CORRETO O CONHECIMENTO DOS EMBARGOS INFRINGENTES. indenização por perdas e danos". Inocorrência de violação do princípio da unirecorribilidade. cabendo. preterindo desfazimentos desnecessários em prol da preservação da avença. PAGAMENTO DE TRINTA E UMA DAS TRINTA E SEIS PARCELAS DEVIDAS. segundo o qual "[a] parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato. julgando procedente a demanda. CONTRATO DE ARRENDAMENTO MERCANTIL PARA AQUISIÇÃO DE VEÍCULO (LEASING). DJe 27/06/2012) DIREITO CIVIL. 475. com aplicação da teoria do adimplemento substancial. 3. EMBARGOS INFRINGENTES. Após a nova publicação do acórdão.500.Universidade Salgado de Oliveira . Correta a decisão do tribunal de origem. Rel. O mencionado descumprimento contratual é inapto a ensejar a reintegração de posse pretendida e.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp.

5. DJe 05/09/2011) 7 Vedações para efeito de exclusão do benefício tributário: De acordo com o art. Se assim é. 2. Leasing: Arrendamento mercantil no direito brasileiro. certamente. p.. p. mais peremptoriamente veda a contratação de arrendamento mercantil com pessoas físicas ou jurídicas coligadas ou interdependentes. senão vejamos: 21 RIZZARDO. 53. mesmo no caso do LEASING financeiro. 2309/96 do Banco Central: Art. E conclui o autor: “A res. Apenas se afirma que o meio de realização do crédito por que optou a instituição financeira não se mostra consentâneo com a extensão do inadimplemento e. 28. a resolução do contrato de arrendamento mercantil. Arnaldo. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira mente. medidas desproporcionais diante do substancial adimplemento da avença. [. 43 . Vejamos o que diz a Lei 6. o que seria um convite a toda sorte de fraudes. por exemplo. QUARTA TURMA.Universidade Salgado de Oliveira . no art. 22 8. Res. com os ventos do Código Civil de 2002. 28. Pode. pois de acordo com Arnaldo Rizzardo. de resto. assim como o contratado com o próprio fabricante.. (REsp 1051270/RS. Não se está a afirmar que a dívida não paga desaparece.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. 51. 22 Idem. 28.309. Rel. 4ª ed.administradores da entidade e seus respectivos cônjuges e parentes ate o segundo grau III . Recurso especial não conhecido. Incidência de ISS A jurisprudência do STF se firmou no sentido de que é devido ISS nas operações de LEASING. II ..099/7421: Art 2º Não terá o tratamento previsto nesta Lei o arrendamento de bens contratado entre pessoas jurídicas direta ou indiretamente coligadas ou interdependentes. A vedação é relativa. julgado em 04/08/2011. como. 4. São Paulo: RT.”.] § 2º Somente farão jus ao tratamento previsto nesta Lei as operações realizadas ou por empresas arrendadoras que fizerem dessa operação o objeto principal de sua atividade ou que centralizarem tais operações em um departamento especializado com escrituração própria.. a execução do título. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO. o credor valer-se de meios menos gravosos e proporcionalmente mais adequados à persecução do crédito remanescente. não concede o benefício tributário nas operações entre tais entes. apenas não surtirá o efeito tributário da não incidência do IRPJ. As sociedades de arrendamento mercantil e as instituições financeiras estão proibidas de contratar operações de arrendamento mercantil com: I .o próprio fabricante do bem arrendado.pessoas físicas e jurídicas coligadas ou interdependentes.

art. E financiamento é serviço. No arrendamento mercantil (leasing financeiro). PONTO E SHOPPING CENTER 1 Conceito de ponto: ponto é o local em que se encontra o estabelecimento comercial. a) Contrato escrito. O arrendamento mercantil compreende três modalidades. do empresário relativo à permanência de sua atividade no local onde se encontra estabelecido. o núcleo é o financiamento. No primeiro caso há locação.245/91. A lei complementar não define o que é serviço. sobre o qual o ISS pode incidir. 51. EROS GRAU. 8. não uma prestação de dar. V . OPERAÇÃO DE LEASING FINANCEIRO. salvo se: 44 . com prazo de noventa dias para a desocupação. DIREITO TRIBUTÁRIO. E se o imóvel for alienado durante a locação? - O adquirente poderá denunciar o contrato. nos outros dois. c) Exploração da mesma atividade econômica por pelo menos 3 anos ininterruptos (Requisito Material). serviço. III. ARTIGO 156. DJe-040 DIVULG 04-03-2010 PUBLIC 05-03-2010 EMENT VOL-02392-04 PP-00857). com prazo determinado (Requisito formal). [i] o leasing operacional. art. resultando irrelevante a existência de uma compra nas hipóteses do leasing financeiro e do lease-back. Não o inventa. em decorrência da sua importância para o sucesso da empresa. 2 Direito de inerência ao ponto: é o interesse. [ii] o leasing financeiro e [iii] o chamado lease-back. b) Mínimo de 5 anos de relação locatícia (Requisito temporal). juridicamente protegido. ISS.LOCAÇÃO COMERCIAL.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. simplesmente descobre o que é serviço para os efeitos do inciso III do artigo 156 da Constituição. ARRENDAMENTO MERCANTIL. 51) para efeitos de inerência ao ponto. julgado em 02/12/2009. contrato autônomo que não é misto. 3 Requisitos da locação empresarial (Lei n.(RE 547245. Recurso extraordinário a que se dá provimento. § 1°). sendo objeto de proteção jurídica.Universidade Salgado de Oliveira . para os fins do inciso III do artigo 156 da Constituição. Relator(a): Min. apenas o declara.: O preenchimento dos requisitos garante ao empresário o direito à renovação compulsória da locação. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Tribunal Pleno. Obs. DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O direito é assegurado aos cessionários ou sucessores da locação (LL.

constatada a ciência inequívoca. de acordo com o art. com o prazo de 90 dias para a desocupação. II). julgado em 5/2/2013.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. qual seja. entre um contrato por prazo determinado e outro? a) Haveria interrupção. DENÚNCIA. em situações como a discutida. sem instrumento escrito. 57). art.245⁄1991.269. salvo se. senão vejamos: DIREITO CIVIL. com antecedência mínima de 30 dias (LL.Universidade Salgado de Oliveira . o locador pode denunciar o contrato mediante aviso escrito ao locatário. 8º da Lei n. a de trazer ao conhecimento do adquirente do imóvel a existência da cláusula de vigência do contrato de locação.  Se o contrato anterior é por prazo indeterminado? a) Não há vedação legal para que seja computado com o segundo contrato por prazo determinado para alcançar os 5 anos. em consonância com o princípio da boa-fé. há jurisprudência no sentido da aceitação da renovatória. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira a) a locação for por tempo determinado e b) o contrato contiver cláusula de vigência em caso de alienação e c) estiver averbado junto à matrícula do imóvel (LL. se por outro meio alcançouse a publicidade. além de se tratar de locação por tempo determinado. art. tem o adquirente a obrigação de respeitar a locação até o seu termo final. 8°). 8. art. foi alcançada a finalidade precípua do registro público. com prazo determinado. Ministra Nancy Andrighi. Prazo ininterrupto de 5 anos Soma de prazos determinados de contratos sucessivos ( accessio temporis) (LL.: o STJ tem mitigado a necessidade de averbação. 51. DE CONTRATO DE LOCAÇÃO AINDA VIGENTE. REsp 1. Todavia. O comprador de imóvel locado não tem direito a proceder à denúncia do contrato de locação ainda vigente sob a alegação de que o contrato não teria sido objeto de averbação na matrícula do imóvel se. tivera inequívoco conhecimento da locação e concordara em respeitar seus termos. Se o contrato é por prazo indeterminado. Obs. SOB A ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE AVERBAÇÃO DA AVENÇA NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. o adquirente poderá denunc iar o contrato. 45 .:  Se há interrupção. Obs. o contrato tiver cláusula de vigência em caso de alienação e estiver averbado junto à matrícula do imóvel. É certo que. a) Requisito formal: Contrato escrito. PELO COMPRADOR. há de se considerar que. c) Requisito material: Exploração da mesma atividade econômica por pelo menos 3 anos ininterruptos. Nessa situação. todavia. b) Requisito temporal: Mínimo de 5 anos de relação locatícia. apesar da inexistência de averbação. se o imóvel for alienado durante a locação. embora por outros meios. no momento da celebração da compra e venda.476-SP. Rel.

Uso próprio.Ulhoa). Insuficiência da proposta apresentada pelo locatário. 51. Todavia. já que a ação renovatória tem prazo decadencial nos seis primeiros meses do último ano do contrato. no mínimo. Obs. até seis meses. pertencente ao cônjuge. LL). de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira - É necessária a exploração. na hipótese do art. no máximo. ou que afastem o direito à renovação. ou a sociedade por ele controlada23. Proposta melhor de terceiros. por pelo menos 3 anos. que importem sua radical transformação. art.1 Renovação. 47. não sofrendo interrupção ou suspensão.: se não houver a propositura da ação e contrato tiver continuidade. notadamente as que proíbam a prorrogação prevista no art. e. § 5°).: tratando-se de locação em Shopping Center o locador não poderá recusar a renovação com este argumento (art. b) Prazo: o prazo é decadencial. que o valorizem. 51. ou que imponham obrigações pecuniárias para tanto. 52. 52 e 72. Nesse sentido. o contrato de locação não residencial com prazo inferior a um (1) ano pode ser considerado uma tentativa de afastamento do direito a renovação. a) Situações previstas na lei (Arts. na ação renovatória. anteriores à data da finalização do prazo do contrato em vigor (LL. O bem pode ser retomado mediante aviso com 30 dias de antecedência. 3.g..Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. a locação perde a sua natureza empresarial. e alcança o interregno de um ano. Por essa razão. § 2º. admite-se a exceção de retomada.Universidade Salgado de Oliveira . pretendidas pelo locador. São nulas de pleno direito as cláusulas do contrato de locação que visem a elidir os objetivos da presente lei. II. por exigência do Poder Público. na ação renovatória (F. Obs. - 5 Ação renovatória: a) Conceito: a ação renovatória é o instrumento processual do qual pode lançar mão o locatário para fazer valer o seu direito de inerência ao ponto. pelo locatário. ascendente ou descendente do locador. 4 Exceção de retomada: a renovação compulsória do contrato de locação empresarial não pode ser incompatível com o exercício do direito de propriedade. 23 46 . Reformas no imóvel. Regra de ordem pública: Art. III): Realização de obras no imóvel. Transferência de estabelecimento existente há mais de um ano. de uma mesma atividade econômica no prédio locado. prorrogar-se-á o vínculo. pelo locador. 45.

Indicação de novo fiador. O contrato de locação por prazo indeterminado pode ser denunciado por escrito. do CPC: . 57. 75. art. Ajuizamento da ação renovatória dentro do prazo. Se o locador demorou mais de 3 meses. Acolhimento da exceção de retomada. Insinceridade da exceção de retomada. . Exceção de retomada.Proposta de aluguel para o novo período locatício. para dar-lhe o destino alegado na exceção de retomada (LL. 6 Indenização do ponto a) Pressupostos para indenização pela perda do ponto: Caracterização da locação como empresarial. com outorga uxória. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira Art. d) O mérito da contestação do locador. 282. 71).Exato cumprimento do contrato em curso. pelo locador. art. . não sendo o mesmo. além do exigidos pelo art. Poderá alegar: Desatendimento dos requisitos da locação empresarial. será obrigado a restituir o indevidamente auferido. 52.Universidade Salgado de Oliveira . 47 . § 3°).Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. Art. 52. 72 (ter proposta de terceiro para a locação. em condições melhores). solidariamente devida pelo locador e o proponente. da entrega do imóvel. sendo casado. 884. C. . da mesma atividade do locatário. a sentença fixará desde logo a indenização devida ao locatário em conseqüência da não prorrogação da locação. inclusive quanto a quitação dos impostos e taxas que lhe cabia. o locatário poderá. Obs. feita a atualização dos valores monetários. 75).Preenchimento dos requisitos da locação empresarial. no imóvel. aceitar tais condições para obter a renovação pretendida. sem justa causa. b) Cabe a indenização nas seguintes hipóteses: Se a exceção de retomada foi a existência de proposta melhor de terceiro (LL. - Legislação pertinente: Art. provando a assunção dos encargos da fiança. § 3° e art. se enriquecer à custa de outrem. Perda do prazo decadencial. c) Requisitos da petição inicial (LL. em réplica. concedidos ao locatário trinta dias para a desocupação. Civil: Aquele que. Exploração.: Nessa hipótese. Lei de Locações: Na hipótese do inciso III do art. art.

Universidade Salgado de Oliveira . com o prazo de noventa dias para a desocupação. a denúncia deverá ser exercitada pelo novo adquirente do imóvel no prazo de noventa dias contados do registro da venda ou do compromisso. obrigando-o à preservação do contrato de aluguel firmado entre o locatário e o alienante do imóvel. após esse prazo. bem como por entidades religiosas devidamente registradas. estabelecimentos de saúde e de ensino autorizados e fiscalizados pelo Poder Público. e 2°) o contrato contiver cláusula de vigência em caso de alienação. . unidades sanitárias oficiais.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. d) Nas locações de imóveis utilizados por hospitais. Direito de inerência mesmo em caso de venda do imóvel (art. o adquirente poderá denunciar o contrato. se a renovação não ocorrer em razão de proposta de terceiro. Obs. c) Locação-gerência: é quando o proprietário do imóvel e do estabelecimento faz contrato de aluguel para continuidade da atividade empresarial. de um ponto de referência dos consumidores é o proprietário.nas hipóteses do art. Obs. nos termos do art. b) Quando o locatário não preencher estes requisitos. em melhores condições. 9º. mais aqueles referentes ao direito de inerência ao ponto dá ao locatário o direito de exercer Ação Renovatória contra o novo adquirente do imóvel.245/91: O locatário terá direito a indenização para ressarcimento dos prejuízos e dos lucros cessantes que tiver que arcar com mudança. salvo se: 1°) a locação for por tempo determinado. exige-se a averbação do contrato junto à matrícula do imóvel. 48 . após esse prazo. § 2º A denúncia deverá ser exercitada no prazo de noventa dias contados do registro da venda ou do compromisso.: bom lembrar que mesmo para o direito de preempção. Lei 8. presumindo -se. 8°) a) Se o imóvel for alienado durante a locação. asilos. perda do lugar e desvalorização do fundo de comércio.Não cabe indenização. no prazo de três meses da entrega do imóvel. 33 da lei. c) O preenchimento dos requisitos acima impede o locador de denunciar o contrato. caso este se recuse a renovar o aluguel. presumindo-se. a concordância na manutenção da locação. 8º. 52. não der o destino alegado ou não iniciar as obras determinadas pelo Poder Público ou que declarou pretender realizar. 53): I . a concordância na manutenção da locação. no local. O preenchimento destes requisitos. o contrato somente poderá ser rescindido (art. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira Art. e 3°) o contrato estiver averbado junto à matrícula do imóvel. ou se o locador.: Art. pois o responsável pela criação. 7. 3º.

esquivando-se de regulamentar a matéria: Art. Nas relações entre lojistas e empreenderes de shopping center. a seu critério exclusivo. promissário comprador ou promissário cessionário. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira II . licenciada ou reforma que venha a resultar em aumento mínimo de cinqüenta por cento da área útil. porquanto contém. Ações renovatórias e revisionais em Shopping Centers. corredores etc.) e/ou fazer quaisquer construções ou instalações nessas áreas. apurar o movimento de vendas impondo. edificação.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. 54. 8. mall. por qualquer forma e em qualquer tempo. 49 . pedir o imóvel para demolição. São Paulo: Saraiva.se o proprietário. e) Reservar-se o locador o direito de. a fim de examinar os livros contábeis do lojista. Referidos contratos possuem cláusulas próprias que. Mário.Universidade Salgado de Oliveira . sem restrição ou limitação alguma. alterar as partes comuns e de serviços gerais (garagens. c) Contribuição coercitiva para a Associação de Lojistas do empreendimento d) Contribuição para o fundo de promoção. com título registrado. depósitos. prevalecerão as condições livremente pactuadas nos contratos de locação respectivos e as disposições procedimentais prevista nesta lei. determinando a aplicação da Lei para eventuais demandas. 2003. em caráter irrevogável e imitido na posse. as seguintes condições: a) Aluguel percentual sobre o faturamento das vendas brutas ou a garantia de um aluguel mínimo.. que haja quitado o preço da promessa ou que. tendo em conta que o legislador relegou à livre pactuação entre lojistas e empreendedores. podendo criar novas uni24 CERVEIRA FILHO. seja autorizado pelo proprietário. O legislador se preocupou apenas com o direito instrumental. não teriam respaldo jurídico algum em outros instrumentos. a presença de fiscais de sua confiança junto à caixa registradora. fachadas. b) Auditoria por parte do empreendedor. tetos. ainda. A ATIPICIDADE DOS CONTRATOS DE LOCAÇÃO DE SHOPPING CENTERS24 É de primordial importância tecer algumas considerações sobre a atipicidade dos contratos de locação de shopping centers. no balcão de vendas etc. com certeza. entre outras. não o tendo feito. paredes.

do espaço comercial.Universidade Salgado de Oliveira . eventualmente. mesmo que eventual. extensões.1. quiosques. a distribuição das atividades dos lojistas (tenant mix) em shopping center. carrocinhas. coisas e áreas. a seu exclusivo critério e a qualquer tempo. sendo obrigatória essa i1uminação. extinguir. ou ainda de transferir seu contrato de locação sem a prévia anuência do empreendedor. dentro de um raio de____quilômetros contados do centro do terreno do shopping center. até mesmo no que tange a modificações dos locais determinados a estacionamento e acesso de veículos. exposição de mercadorias. direta ou indiretamente. locais exposições etc.955/94 1. m) Obrigar a locatária. como sendo da locatária qualquer estabelecimento do qual ela ou seus sócios participem. instalar vitrinas. sempre que julgar necessário. mesmo possuindo um fundo de comércio há mais de 5 (cinco) anos. j) Ter o locador assegurado o direito de. f) Total submissão do lojista ao empreendedor quanto à decoração interna. boxes. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira dades comerciais ou ampliar as já existentes. palcos. a seu exclusivo critério e desde que obedecidas as normas legais ap1icáveis. podendo criar.FRANQUIA Lei 8. salvo autorização por escrito do locador. stands. associado ao direito de distribuição exclusiva ou semi-exclusiva de produtos ou serviços e. g) Vedação do lojista de alterar o seu ramo de atividade. VI . que a critério seu não seja compatível com a estética geral do shopping center i) Ficarem as vitrinas e letreiros das lojas iluminadas durante os períodos determinados pelo locador. h) Ter o locador a faculdade de exigir a modificação ou a retirada de qualquer elemento colocado no interior da loja. e. em conseqüência. tablados. também ao direito de uso de tecnologia de implantação e administração de negócio ou sistema operacio- 50 . NOÇÕES GERAIS 1. balcões. alugar ou utilizar como desejar e pelo tempo e condições que quiser essas partes. Considera-se. remanejar. barracas. mesmo após a inauguração do shopping center. vitrinas. redistribuir. também. em qualquer época. l) Ser lícito ao locador. ampliar e reduzir áreas destinadas à lojas. carga e descarga de mercadorias. a não instalar ou manter outro estabelecimento (sede ou filial) com o mesmo ramo. ou com feitio ou ramo assemelhados aos da loja locada.. letreiros etc. alterar o projeto de construção. no mínimo.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. estabelecer e alterar. ou com o qual tenham qualquer tipo de vínculo. o qual possa ser visto pelas partes comuns. enquanto durar a locação. nos períodos em que o shopping estiver aberto ao público. Conceito: Franquia empresarial é o sistema pelo qual um franqueador cede ao franqueado o direito de uso de marca ou patente.

: forma escrita (art. Ex. 3. fique caracterizado vínculo empregatício (art. Lei 8.: postos de gasolina. 2.: cursos de inglês. sem que. a) Serviço: a franquia oferece ao franqueado uma forma original de prestação de serviços a serem. Parágrafo único.3. Ex. Lei 8.1. O INPI fará o registro dos contratos que impliquem transferência de tecnologia.2. Quanto ao grau de envolvimento entre franqueados e franqueadores a) Franquia de marca e de produto: concessão de uso de uma determinada marca para a venda de produto de maneira exclusiva e a ela relacionado. contratos de franquia e similares para produzirem efeitos em relação a terceiros. Quanto a atividade (desenvolvida pelo franqueador e levada em conta para a implantação do sistema). Contrato oneroso Obs.955/94) 3. mediante remuneração direta ou indireta. 6º.2. Contrato consensual 2. etc. contados da data do pedido de registro.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. A decisão relativa aos pedidos de registro de contratos de que trata este artigo será proferida no prazo de 30 (trinta) dias. 1.Universidade Salgado de Oliveira . MODALIDADES 3.: Mc Donald’s.1. Registro do contrato: Lei 9. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira nal desenvolvidos ou detidos pelo franqueador. com padrões determinados. 2º.3. b) Business format franchising: o franqueado sujeita-se a acatar irrestritamente uma série de normas convencionais que dão a formatação padrão do negócio desenvolvido pelo franqueador e que lhe são transferidas. 1.955/94). CLASSIFICAÇÃO 2. no entanto. Contrato bilateral 2. hotéis. Ex.2. 51 . Franquia Unitária e Franquia Master a) Franquia Unitária: não dá direito a subfranquia.279/96 Art. b) Franquia Master: dá direito ao franqueado de subfranquear. 211.

não há taxa explícita de royalties ou taxa inicial da franquia. envolvendo. com a concepção do produto. 25 Franquia de Distribuição . know-how) necessárias para que tenha ele condições de industrializar e distribuir determinada gama de produtos.1. d) Indústria: o franqueador disponibiliza ao franqueado toda uma série de informações (tecnologia. Nesta modalidade de franquia. Pela Lei. posteriormente. 52 ./conceitos/n_index&secao=outros . (Art. sob sua supervisão e nos termos em que ficar determinado pelo contrato. a COF deve ser entregue no mínimo dez dias antes da assinatura de qualquer contrato ou do pagamento de qualquer quantia. no controle da qualidade e na distribuição do produto. maiores taxas de impostos. dedutíveis para fins de apuração do lucro real do franqueado.955/94).: lojas de grife.php?pg=. publicidade.com. 4) TRIBUTAÇÃO .Na franquia de distribuição.Universidade Salgado de Oliveira . o franqueador seleciona uma coleção de produtos exclusivos. Ex. sendo que na maioria das vezes. Ex. devidamente corrigidas. aluguel de marca. de preferência com a ajuda de um advogado.É o documento fornecido pelo franqueador aos investidores interessados em adquirir e operar uma franquia de sua rede. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira b) Produção: o franqueador produz os bens que serão comercializados pela rede de franqueados mediante a utilização de uma ou várias marcas reconhecidas no mercado. a rede de franqueados e a empresa franqueadora. O franqueador passa a funcionar como um intermediário entre produtores e franqueados. cabendo-lhe papéis relevantes em dois momentos distintos: antes da produção. esses custos estão embutidos na receita do franqueado. onde além trazer várias informações sobre a franquia. 5) A COF – CIRCULAR DE OFERTA DE FRANQUIA 26 5.: Coca-cola.Deverá ser entregue ao candidato a franqueado no mínimo dez dias antes da assinatura do Contrato de Franquia (ou pré-contrato) ou ainda do pagamento de qualquer tipo de taxa sob a pena de este último poder requerer a anulação do contrato e exigir do franqueador a devolução de toda as quantias que já houver pago.br/n_index. e após a fabricação. e) Mista: quando envolver duas ou mais modalidades. pois desta forma o candidato tem tempo suficiente para analisar toda a documentação. Disponível em: http://www. são consideradas despesas operacionais.php?pg=.As despesas de Royalties. contém também uma minuta do contrato de franquia. de determinados produtos fabricados por terceiros que serão distribuídos pela rede de franqueados. fabricados por indústrias nacionais e estrangeiras que sua marca comercializa.com. além de perdas e danos.br/n_index. Lei 8. por parte do franqueador.sofranquias. Disponível em: http://www. Este é um documento formal. c) Distribuição25: caracteriza-se pela escolha. 26 Circular de Oferta de Franquia ou COF . Prazo para entrega da COF ./conceitos/n_index&secao=outros . 4°. de sistema de Know How e quaisquer outras pagas periodicamente ao franqueador.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp.sofranquias.

VII .pdf V .094. Isso porque. e c) valor estimado das instalações. incluindo na circular de oferta de franquia “informações técnicas e detalhadas a respeito da gestão de recursos do fundo de publicidade e propaganda que serão utilizados nas ações de marketing envolvendo a divulgação do negócio”.descrição detalhada da franquia. IV . e seus subfranqueadores.especificações quanto ao: a) total estimado do investimento inicial necessário à aquisição.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp.camara. questionando especificamente o sistema da franquia ou que possam diretamente vir a impossibilitar o funcionamento da franquia. as empresas controladoras e titulares de marcas.histórico resumido.indicação precisa de todas as pendências judiciais em que estejam envolvidos o franqueador. inciso IV. 3º Sempre que o franqueador tiver interesse na implantação de sistema de franquia empresarial. Disponível em: http://www. 53 . obrigatória ou preferencialmente. implantação e entrada em operação da franquia. segundo pesquisa. de 26 de março de 2008 (Deputado Carlos Bezerra PMDB/MT) propõe alterar o art. III .requisitos quanto ao envolvimento direto do franqueado na operação e na administração do negócio.955/94) Art.br/sileg/integras/547730.balanços e demonstrações financeiras da empresa franqueadora relativos aos dois últimos exercícios. por escrito e em linguagem clara e acessível. b) valor da taxa inicial de filiação ou taxa de franquia e de caução. 3º.2. equipamentos e do estoque inicial e suas condições de pagamento.955/1994. descrição geral do negócio e das atividades que serão desempenhadas pelo franqueado. deverá fornecer ao interessado em tornar-se franqueado uma circular de oferta de franquia. bem como os respectivos nomes de fantasia e endereços. patentes e direitos autorais relativos à operação. VI . nível de escolaridade e outras características que deve ter. Cláusulas que devem constar da COF (art. 3º.perfil do franqueado ideal no que se refere a experiência anterior. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira 5. Lei 8. somente 50% dos franqueadores tomam decisões quanto à utilização dos recursos do fundo junto com os franqueados.Universidade Salgado de Oliveira . II . da Lei nº 8. forma societária e nome completo ou razão social do franqueador e de todas as empresas a que esteja diretamente ligado.gov. contendo obrigatoriamente as seguintes informações: I . Obs: Projeto de Lei 3.

serviços ou insumos necessários à implantação. caso positivo. e e) outros valores devidos ao franqueador ou a terceiros que a ele sejam ligados. conteúdo e custos. XI . apenas de fornecedores indicados e aprovados pelo franqueador. XII . o seguinte: a) remuneração periódica pelo uso do sistema. c) treinamento do franqueado. d) seguro mínimo. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira VIII . e) manuais de franquia. c) taxa de publicidade ou semelhante. com nome. oferecendo ao franqueado relação completa desses fornecedores. especificamente. X . e b) possibilidade de o franqueado realizar vendas ou prestar serviços fora de seu território ou realizar exportações.informações claras quanto a taxas periódicas e outros valores a serem pagos pelo franqueado ao franqueador ou a terceiros por este indicados.relação completa de todos os franqueados.em relação ao território.indicação do que é efetivamente oferecido ao franqueado pelo franqueador. d) treinamento dos funcionários do franqueado.Universidade Salgado de Oliveira . b) aluguel de equipamentos ou ponto comercial. f) auxílio na análise e escolha do ponto onde será instalada a franquia. bem como dos que se desligaram nos últimos doze meses. IX . detalhando as respectivas bases de cálculo e o que as mesmas remuneram ou o fim a que se destinam. no que se refere a: a) supervisão de rede. e 54 . indicando. b) serviços de orientação e outros prestados ao franqueado. operação ou administração de sua franquia. da marca ou em troca dos serviços efetivamente prestados pelo franqueador ao franqueado (royalties).Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. subfranqueados e subfranqueadores da rede.informações claras e detalhadas quanto à obrigação do franqueado de adquirir quaisquer bens. em que condições o faz. especificando duração. endereço e telefone. deve ser especificado o seguinte: a) se é garantida ao franqueado exclusividade ou preferência sobre determinado território de atuação e.

Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira g) layout e padrões arquitetônicos nas instalações do franqueado. e b) implantação de atividade concorrente da atividade do franqueador.648/98. após a expiração do contrato de franquia. a 27 Disponível em: http://www.A franquia dos serviços postais. a Medida Provisória 1.situação do franqueado. Art.Em 2002. aprovando nova configuração da rede de atendimento da ECT.br/downloads/SCA_midia/maio_2008/Lei_das_Franquias_ Postais_Um_retrocesso_Invest_News_260508.Universidade Salgado de Oliveira .987/95.074/95). . 6.modelo do contrato-padrão e.) IV . transformada posteriormente na Lei nº 9..permissão de serviço público: a delegação. FRANQUIA DE SERVIÇOS POSTAIS27 . XIV ..Em 1998. No mesmo ano. . nova Instrução Normativa do MC revogou a anterior. considera-se: (. com texto completo. a título precário. Questão apreciada pelo TCU e considerada inconstitucional.com. 2º Para os fins do disposto nesta lei. a União não vinha respeitando o processo licitatório para escolha de franqueados. a ECT concluiu que não havia condições operacionais para realização de licitações ou para substituição imediata das Agências de Correios Franqueadas (ACFs) por agências próprias. inclusive dos respectivos anexos e prazo de validade.siqueiracastro. prorrogou o prazo dos contratos das ACFs até 31/12/2002. feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica que demonstre capacidade para seu desempenho.situação perante o Instituto Nacional de Propriedade Industrial . na ausência de lei específica. XIII . o Ministério das Comunicações (MC) publicou a Instrução Normativa nº 1. mediante licitação da prestação de serviços públicos.531-18. a ECT deu início ao processo de outorga de novas franquias. se for o caso.A seguir. aprovou nova configuração da rede de atendimento e cancelou licitações não homologadas.Todavia.pdf 28 LEI Nº 8. . 55 . por sua conta e risco. 9. Em 2001. também do pré-contrato-padrão de franquia adotado pelo franqueador. em relação a: a) know how ou segredo de indústria a que venha a ter acesso em função da franquia. . mas foram poucos os contratos celebrados (antigos franqueados impetraram ações judiciais para manter o status quo com receio de diminuição dos rendimentos).(INPI) das marcas ou patentes cujo uso estará sendo autorizado pelo franqueador. XV . Entretanto. vinha sendo regida pelo regime de permissão28 (Lei n.

de 22 de junho de 1978.Em 26/11/2007 foi editada a MP 403 que prorrogou por 18 meses os contratos das cerca de 1. sem que. a contar da publicação do Decreto Regulamentador (Art. em 2006. 2º da Lei nº 8. sendo que o prazo dado pela lei para a finalização das contratações é de 24 meses. .668.639/08. observado o disposto no § 3° do art. 7. CONTRATO DE FRANQUIA. também ao direito de uso de tecnologia de implantação e administração de negócio ou sistema operacional desenvolvidos ou detidos pelo franqueador. § 1° Sem prejuízo de suas atribuições. responsabilidades e da ampliação de sua rede própria. continuariam com eficácia aqueles firmados com as Agências de Correios Franqueadas que estivessem em vigor em 27 de novembro de 2007.805.577 prorrogou por mais 5 anos os contratos com as ACFs celebrados sem licitação e. . associado ao direito de distribuição exclusiva ou semi-exclusiva de produtos ou serviços e.639/08 em seu art.1. foi considerada inconstitucional pelo TCU.Universidade Salgado de Oliveira . 7°. IV. Responsabilidade Trabalhista: EMENTA: RECURSO DE REVISTA. todos os contratos firmados sem prévio procedimento licitatório pela ECT com as Agências de Correios Franqueadas. 6°.De acordo com o Decreto 6.1. 2° da Lei no 6. nos termos do art.Assim dispõe a Nova Lei sobre Franquia Postal: Art. fique caracterizado vínculo empregatício. . estabeleceu a nova Lei que até que entrassem em vigor os contratos de franquia postal celebrados de acordo com nova Lei. e em maio de 2008 foi editada a Lei nº 11.955/94.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. no entanto. art.Como norma de transição. HÁ RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE FRANQUEADO E FRANQUEADOR? 7. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira Lei nº 10. regulamentada pelo Decreto n. a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos . 9°.Já o Decreto 6. SÚMULA 331. Franquia empresarial. de 2009). 1° O exercício pelas pessoas jurídicas de direito privado da atividade de franquia postal passa a ser regulado por esta Lei.668/08). eventualmente. PRAZO DA FRANQUIA POSTAL . o prazo de vigência do contrato de franquia é de dez anos podendo ser renovado por uma vez. mediante remuneração direta ou indireta. . de pleno direito. por igual período. 6. Lei 11. A franqueadora não se assimila a empresa tomadora de serviços. é o sistema pelo qual um franqueador cede ao franqueado o direito de uso de marca ou patente. serão considerados extintos. (Redação dada pelo Decreto nº 6.ECT poderá utilizar o instituto da franquia de que trata o caput deste artigo para desempenhar atividades auxiliares relativas ao serviço postal.538. INAPLICABILIDADE. § 2° estabeleceu que: Após o prazo de 24 meses mencionado.500 ACFs.639/08. o que afasta a possibilidade de se lhe impor res- 56 . 6.

desconto e cessão de crédito. a possibilidade de pagamento do dano objetivamente sofrido. descabendo concluir pela legitimação passiva concorrente do agente. Relator Ministro: Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira. Esse mesmo dispositivo constitucional consagra. julgamento em 15-8-06. pelo qual uma empresa vende a outra seu faturamento a prazo. Ulhoa) - 57 . inconfundível e incompatível com a previsão constitucional de ressarcimento . Isto por ato ou omissão dos respectivos agentes. “É o contrato pelo qual um empresário (faturizador) presta a outro (faturizado) serviços de administração do crédito concedido e garante o pagamento das faturas emitidas (maturity factoring). total ou parcial. 7. (W. É comum. (F. Rel. ainda. em prol do servidor estatal. Com efeito.133. Min. DJE de 14-11-08) VII . nos moldes da Súmula nº 331. Data de Publicação: DJ 23/11/2007. praticamente certa. num operação de financiamento ( conventional factoring)”. Min. consistindo essa diferença em remuneração da empresa adquirente”. DJ de 8-9-06) Consoante dispõe o § 6º do artigo 37 da Carta Federal. sem garantir o pagamento dos créditos transferidos.Universidade Salgado de Oliveira . em favor do particular. julgamento em 9-9-08. 1. Júnior). de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira ponsabilidade subsidiária pelos débitos da franqueada. Outra garantia. também.FOMENTO MERCANTIL (FACTORING) ATENÇÃO: VER FOTOCÓPIA NA DOC-CENTER. que somente responde administrativa e civilmente perante a pessoa jurídica a cujo quadro funcional se vincular.” (STF RE 344.2. recebendo como preço valor menor que o daqueles. o contrato abranger a antecipação do crédito. CONCEITO: “É o contrato misto de compra e venda. objetivamente.8 Data de Julgamento: 24/10/2007. pela reparação de danos a terceiros. ou de direito privado que preste serviço público. no entanto. C. é que poderão responder. Marco Aurélio. nessa qualidade. IV.direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. 3ª Turma. F. (grifo) Processo: TST . agindo estes na qualidade de agentes públicos. Carlos Britto. em regra." (STF . e não como pessoas comuns.1356/2000-012-02-00.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. a franqueadora não interfere na gestão dos empregados da franqueada. possibilitando-lhe ação indenizatória contra a pessoa jurídica de direito público. em relação a seus empregados. causarem a terceiros. dupla garantia: uma. do TST.RR . Responsabilidade Civil: O § 6º do artigo 37 da Magna Carta autoriza a proposição de que somente as pessoas jurídicas de direito público. dado que bem maior.RE 327. respondem as pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos pelos danos que seus agentes. Recurso de revista conhecido e provido. Rel.904. ou as pessoas jurídicas de direito privado que prestem serviços públicos.

. mas desde 1989 liberou a atividade de fomento mercantil a qualquer sociedade empresária. III.o faturizador não é mandatário do faturizado. CC).Universidade Salgado de Oliveira . F. gestão de crédito. de prestação sucessiva. . MODALIDADES a) Conventional Factoring: a faturizadora garante o pagamento das faturas antecipando o seu valor ao faturizado. § 1°.249/95). b) Maturity Factoring: a faturizadora paga o valor das faturas ao faturizado apenas no vencimento. independente de autorização” (F. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira - Prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia. 2.a cessão de crédito não vale em relação ao devedor. (Art. CC). Cláusulas: 1°) cessão dos crétidos ao faturizador 2°) assunção dos riscos pelo faturizador . d. seleção de riscos. bilateral. 3.se o devedor não é notificado pode opor ao cessionário as eventuais exceções que tem contra o cedente (art. senão quando a este notificada (art. 377. CARACTERÍSTICA DO CONTRATO a) b) É consenso escrito. Ulhoa) b) Faturizado É o empresário ou sociedade empresária autorizado a emitir duplicata (cf. 15. administração de contas a pagar e a receber. . 3°) valor da remuneração devida ao faturizador 4°) faculdade do faturizador escolher os créditos a faturizar 5°) exclusividade 58 . mas sem financiamento. 290. Há prestação de serviços de administração do crédito e seguro. salvo em caso de nulidade ou vício do crédito. de exclusividade e sem forma legalmente determinada. Lei 9. oneroso. mercadológica. Júnior) Não 4. PARTES a) Faturizador “O Banco Central já considerou a faturização contrato bancário no início dos anos 1980. compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring).o faturizado não responde em garantia pelo pagamento dos títulos que transferiu.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp.

fazer captação de dinheiro no mercado e emprestar dinheiro. responde por um processo administrativo e por um processo criminal (Resolução 2144/95 do CMN). 59 . por conta e sob instruções ou ordens do comitente (art. Penalva. então se o devedor (emitente do cheque) não pagar a dívida (ex: o cheque não tinha fundos). 693-709. por lei. FACTORING só pode ter como cliente empresa (pessoa jurídica). a fraude na formação do crédito. O FACTORING é instituto do direito mercantil. mas não responde pela solvência do devedor. inclusive por via epistolar. A. e as relações entre comitente e comissário regem-se pelos princípios do mandato. que depende da autorização do Banco Central para funcionar. É o que ocorre nos contratos com as empresas de Factoring. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira 5) Cessão de crédito pro soluto e pro solvendo a) Pro soluto: na pro soluto o cedente responde pela existência e legalidade do crédito. b) Pro solvendo: Na cessão pro solvendo o cedente responde também pela solvência do devedor. Quem capta dinheiro e empresta dinheiro é BANCO. sem autorização do Banco Central. ao contrário da teoria do mandato sem representação. Os contratos mercantis à luz dos código civil. CC) SANTOS.Universidade Salgado de Oliveira . O contrato pode ser celebrado por qualquer forma de direito. ela tem todo o direito de agir contra a sua empresa-cliente. Quem pratica. p. 2006. Comissão mercantil O contrato de comissão tem por objeto a aquisição ou a venda de bens pelo comissário. Constatada. porém. o cessionário poderá executar o cedente. É uma compra definitiva em que a empresa de FACTORING assume riscos de insolvência. 74-80 1. Presta serviços e compra créditos (direitos) de empresas resultantes de suas vendas mercantis a prazo.CONTRATO DE COMISSÃO MERCANTIL (Arts. 693). São Paulo: Malheiros. VIII . J. Obs. qualquer atividade que legalmente é de banco. A transação "pro solvendo" inscreve-se no direito financeiro bancário.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp.: À empresa de FACTORING é proibido. que contrata em nome próprio. A transação do FACTORING é mercantil (pro soluto).

Evolução Histórica Em Roma. poupando despesas e frustrando a proibição de comércio por estrangeiros. 3. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira As relações entre comissário e comprador regem-se pelos princípios da compra e venda e da comissão. 1. e sua atividade envolve bens móveis. por ação ou omissão. que os recompensavam com uma porcentagem sobre os negócios concluídos. 697). ao passo que no mandato o mandatário atua em nome e por conta do mandante. ao mesmo tempo em que certos autores citam o ditado contrário: “Potest quis per alienum quod potest facere per se ipsum” . exceto se o comissário ceder seus direitos a qualquer das partes (CC. os Institutores colocados pelo Dominus à direção de seu estabelecimento teriam sido a origem remota da comissão mercantil. para os romanos. 696). O comitente nenhuma relação tem com o comprador. A comissão mercantil desenvolveu-se na Idade Média com a criação de filiais e agências. Era o procurador-geral do patrão ou dono do estabelecimento (Lauterbach). O comissário responde por qualquer prejuízo que. Por outro lado. O comissário é empresário (antigo comerciante) ou sociedade empresária. Os negociantes passaram a realizar negócios em seu nome e por conta de outrem — dos mandantes estrangeiros. ocasionar ao comitente. 60 . permitindo a direção unificada dos negócios. O Institutor era um indivíduo preposto que dirigia o negócio: “quod negotio gerendo insted” (L. mas não responde perante o comitente ou o comprador por inadimplência por motivo de insolvência (falência). não se pode esquecer que. Dig. Com a criação das corporações de oficio encarregavam-se os negociantes da praça de empreender certas negociações. com a ampliação dos meios de transporte e a possibilidade de conseguir notícias e informes seguros. Na Liga Hanseática tal tipo de negócios era freqüente no século XIII. diferenciando-se do segundo por ausência de representação. Para Waldemar Ferreira a comissão mercantil emergiu do conúbio entre a comenda marítima e o mandato. exceto em caso de culpa e no contrato de comissão constar a cláusula del credere (art. “per estraneus personam nihil adquiri”. art. 694).Universidade Salgado de Oliveira . salvo motivo de força maior (parágrafo único do art. Havia o ditado romano que dizia: “Qui loco potestatem habet omnia ad negotiatem pertinente expediendi” .1.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. embora atue o comissário em nome próprio por conta do comitente. de institutia actione).

Interessante pesquisa sobre o assunto pode ser encontrada no trabalho elaborado por Gerolamo Biscaro intitulado “La commissione nella pratica mercantile e nella dottrina giuridica dei Medievo” .) genus literarum mandatorum quod vulgo comíssionum appelatur” .. A maioria dos autores considera. porém pode ser admitida a aceitação lícita ou presumida.2 Celebração do contrato de comissão mercantil Não há necessidade de o comitente outorgar procuração ao comissário. O comissário pode servir-se de prepostos. Logo. No Brasil o contrato de comissão mercantil é uma forma derivada do mandato sem representação. Daí se extraí a conclusão de Carvalho de Mendonça no sentido de que o comissário não representa o comitente. documental. o comissário nada adquire para si.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. As origens da comissão mercantil podem ser encontradas com clareza na obra de Goldschmidt. no contrato de comissão. 61 . o comissário nada adquire para si. se o comissário é profissional. para distinguir a delegação da qual eram investidos certos magistrados. sobretudo porque o terceiro mantém relações diretas com este na execução da comissão. elemento deste. e as relações entre comissário e terceiro de caráter de comissão. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira Outro caminho na evolução da comissão mercantil pode ser encontrado no Direito Canônico. as relações entre cornitente e comissário de natureza do mandato. Geralmente celebra-se o contrato por via epistolar.se as regras do mandato.Universidade Salgado de Oliveira . conquanto seja um contrato autônomo. pois não contrata em seu nome. A aceitação é indivisível.. Embora o comitente seja o proprietário das mercadorias. a despeito de possuir privilégio para as coisas do comitente em seu poder. O próprio Straccha dizia: “(. nem de estabelecer poderes a fixar-lhes a extensão. 1. auxiliares e colaboradores para executar o encargo Convém notar que às relações entre comitente e comissário aplicam. não se verifica a transmissão da propriedade ao comissário. não se podendo dizer proprietário do que recebe em virtude da comissão. embora não seja raro o uso de escritura pública.

ao declarar o nome do comitente? A resposta envolve a questão relativa a se saber se o contrato de comissão fica mutilado em sua essência se o comissário conclui o negócio mercantil em nome do comitente. e. O comissário não tem necessidade de fazer esta indicação ou declaração. com a prática de outros negócios. Mesmo que o comissário revele o nome do comitente. Outra hipótese mostra que. No caso em exame. 175 e 179 do CCornercial. e cessam as relações entre o comissário e o terceiro? Exonera-se o comissário da responsabilidade. e não do mandato — responde Carvalho de Mendonça —. De comissão era o encargo que lhe fora confiado. se o comissário revela sua qualidade e declara o nome do comitente. tendo em vista que o contrato se passa entre o comissário e o terceiro. para assumir perante terceiros a responsabilidade da negociação. Pode haver tantas comissões quantas as operações realizadas por meio de outra pessoa. não porém para com o comitente. o comitente tem direito de aceitar o contrato transformado em mandato ou de impugná-lo. c) o comissário conclui negócios em seu nome. indicando-o ou mencionando-lhe o nome. envolvendo-o em relações jurídicas com terceiros. o fato de o terceiro saber da existência da relação entre comitente e comissário não 62 . pode exigir perdas e danos pelo não-cumprimento das ordens e instruções (excesso de mandato). do nome do A comissão transforma-se em mandato. d) o comissário não deve pôr o comitente em contato com o mundo exterior. a responsabilidade é do comissário. 1. sobretudo porque não estava na intenção do comitente aceitar a relação jurídica direta com o terceiro. assim. a meu ver. pelo comissário.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. perante o terceiro.Universidade Salgado de Oliveira . Por outro lado. b) alcança somente bens móveis.3 Características do contrato de comissão mercantil São as seguintes as características do contrato de comissão mercantil: a) qualidade de comerciante (empresário do comissário). a declaração acima não basta para romper o vínculo entre o comissário e o terceiro. em qualquer dos casos. se não aceitar a nova forma que ao contrato deu o comissário. com quem contratou. obrigando-se perante as pessoas com quem contratar. porque não o representa. o terceiro sabia da qualidade do comissário.4 comitente Problema referente à indicação. transformando-o em mandato. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira 1. pode ter interesse em manter seu nome oculto relativamente a terceiro. Ademais disso. nem por isso deixa de agir em nome próprio. a distantia loci não é elemento indispensável da comissão. porque celebra sempre o contrato em seu nome. salvo nos casos dos arts.

terceiro. daí resulta que. como não se trata de risco de insolvência ou de impontualidade do terceiro. que se o comissário não contratar em seu nome. e vice-versa. segundo Carvalho de Mendonça.6 Compensação Entre comissário e terceiro pode dar-se a compensação do quanto aquele deva a este. obrigaria o mandante diretamente para com o terceiro. salvo se o comissário ceder seus direitos a qualquer das partes” 1.Universidade Salgado de Oliveira . ao agir o comissário como mandatário. b) pela mora no pagamento do preço pelo terceiro. ao se converter a comissão em outra figura jurídica — segundo o douto Mestre. 1. “O comissário fica diretamente obrigado para com as pessoas com quem contratar. no caso de inadimplência causada por insolvência daquele. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira modifica a natureza da relação entre ele. sem que estas tenham ação contra o comitente. exonera-se da obrigação. no mandato. ao receber uma comissão maior do que a normal. Pelo art. A compensação não se percebe entre comitente e terceiro e deste para aquele. contratando com pessoas inidôneas ao tempo do contrato. 1. nem este contra elas. d) segundo Carvalho de Mendonça. porque. não responde pela negociação perante o comitente. despe-se das vestes que assumira. 1. nem tampouco os atos necessários para o mandato. o comissário não deve responder. perante o comitente. o insigne autor assim entende. e o comissário — relação de comissão. Logo. o comissário não responde: a) pela falta de comprador.7 Cláusula “del credere” É uma cláusula inserida no contrato de comissão pela qual o comissário. mas de fato imputável ao comitente. se o comissário obrar em nome do comitente. nem seria justo — agrega o preclaro comercialista — que a obrigação del credere assumida pelo comissário se convertesse em causa de lucro para o comitente.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. Entendem alguns.1 Responsabilidade do comissário “del credere” Salvo se o comissário agir com dolo ou culpa. como seu representante.5 Morte do comitente ou sua incapacidade civil A morte do comitente não prejudica a validade dos atos praticados pelo mandatário até que receba a notícia.7. se obriga solidariamente junto com o comprador. se o vendedor não lhe fizesse a tradição. 63 . c) nem estaria obrigado a entregar ao comprador as mercadorias por sua conta compradas. 994 do CC/2002. se o comissário descobrir vício oculto na mercadoria por ele vendida.

1.7. salvo se se tratar de del credere. 167 do CComercial). segundo o magistério de Carvalho de Mendonça.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. conquanto lhe seja permitido o exercício de outras funções. mesmo quando não causados por sua culpa. a inadimplência e a insolvência. 698 do novo CC verifica-se que o dispositivo não menciona sua parte principal. sem prejuízo das relações entre eles.7. 1. dizendo ser sua “obligatio principalis remedio excussionis”. e os terceiros só se obrigam perante ele. DOCUMENTOS IMPORTANTES: Acesse os documentos pressinonando a tecla Ctrl e clinando sobre o link: 64 .4 Natureza jurídica do “del credere” Ansaldo de Ansaldis e Sraffa inserem-na como garantia de fiança. logo. na estipulação do del credere entre comitente e comissário o terceiro é estranho.7. porque há uma coisa segurada. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira 1. a despeito de sua redação deficiente. Daí se conclui que o comissário responde pela inadimplência do terceiro devedor e também pela sua insolvência. Perante terceiros o comissário age como dominus.Universidade Salgado de Oliveira . Na interpretação do art.3 Funções do “del credere Ajustado o del credere. Casaregis definiu a posição do comissário. de Viena. A estrutura da comissão mercantil mereceu a atenção de Grünhut. enquanto Lyon Caen e Renault equiparam-na ao seguro. não importando que o contrato ainda não tenha sido executado por terceiro. A omissão não o torna inaplicável. ou seja. Responde também o comissário pelo não-pagamento do preço e pelo nãorecebimento da mercadoria comprada. o comissário torna-se — segundo Carvalho de Mendonça — o devedor principal e pessoal do comitente. o comitente não tem ação contra o terceiro e este contra ele (art. por ser responsável pela execução integral da dívida contraída pelo terceiro e pela solvência deste.2 Origem da comissão “del credere Sraffa considerava evidente o significado da expressão “tomar -se garante do crédito dado por terceiro” em virtude da significação atribuída à palavra credere: ter confiança — conforme ensina Lyon Caen e Renault. Outra vedação refere-se à proibição de o comissário especular.

65 . em comentário ao Decreto-lei n° 178/86. mas não de mediação. É essencialmente um contrato de intermediação. 20. em direito.com. 1984.br/jurisprudencia/9052120/recurso-especial-resp-787052-al2005-0168123-8-stj/inteiro-teor REsp 617244 MG 2003/0231215-7: http://www.br/cartas_comerciais/cartas_comerciais/conso38a166. os que se incumbem de pôr duas ou mais partes em contato para a conclusão de negócios. São Paulo: Dialética. Noção A representação comercial autônoma também é conhecida como contrato de agência. p. Contrato de agência. p. Contratos mercantis.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. 29 No dizer de Pontes de Miranda. Revista dos Tribunais.07/05/2007): http://www. Nesse sentido é que. nome pelo qual o contrato de representação comercial está regulado no Código Civil de 2002. 43.jusbrasil.com.php Exemplo de contrato de comissão mercantil: venda de passagens aéreas.Universidade Salgado de Oliveira . é interessado 29. ao passo que o intermediário é parcial. nega ao agente a qualidade de mediador.. dado que o mediador é desinteressado. 243. Fernando Netto.topgyn. 233 e segs. e não participa do contrato que vier a ser celebrado.REPRESENTANTE COMERCIAL AUTÔNOMO BOITEUX.jusbrasil.com. p. Tratado de direito privado. São Paulo. 1. 1987.br/jurisprudencia/busca?q=REsp+762773&s=jurisprudencia REsp 787052 AL 2005/0168123-8: http://www.jusbrasil. Coimbra. São intermediários. REsp 762773 (2005/0106539-0 .br/jurisprudencia/7165624/recurso-especial-resp-617244-mg2003-0231215-7-stj/inteiro-teor IX . de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira Modelo de contrato de comissão mercantil: http://downloads. 2001.com. no direito português. Almedina. António Pinto Monteiro. v. 213-229. especialmente p.

886/65. como o contrato de representação comercial contém todos os elementos do contrato de trabalho. 2. Relator Ministro Ives Gandra Martins Filho. A delimitação da área de atendimento do representante comercial e das metas e diretrizes de sua atuação pela empresa representada. t. 2. Traité élémentaire de droit commercial. 27 e 28. LGDJ. razão pela qual o vínculo de emprego deve ser afastado. decisão de 23 de agosto de 2000. pois. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira sem serem dependentes ou empregados de nenhuma delas 30.p. No entanto. O Tribunal Superior do Trabalho teve oportunidade de fixar as semelhanças e determinar a distinção entre ambos os contratos.. para obterem a indenização prevista na legislação trabalhista. Entre representante comercial autônomo e empregado O próprio nome “representação comercial autônoma” exclui a relação de emprego. Vale dizer que o intermediário pode ser representante voluntário. por exemplo) de uma das partes. 31 Recurso de revista conhecido em parte e provido. Quarta Turma. ressaltando que o contrato de representação comercial contém todos os elementos do contrato de trabalho. não há que se falar em existência de vínculo de emprego entre as Partes. em verdade. consoante o disposto nos seus arts. o de trabalho e o de representação comercial autônoma. Paris. atinente ao contrato de representação comercial. são relativamente freqüentes as tentativas dos representantes comerciais de se intitularem empregados. à exceção da subordinação. inclui o agente entre os intermediários comerciais. a partir das premissas fáticas delineadas pelo Regional. Terceira Região. A inexistência de subordinação entre o representante comercial autônomo e a empresa que ele representa torna a posição de representante comercial autônomo incompatível com a de empregado. à exceção da subordinação.” 30 René Roblot. Inexistente. tem-se justamente neste aspecto o traço distintivo dos pactos citados. ioa ed. de Georges Ripert. 66 . Distinção entre Contratos Afins 2.1. bem como a sujeição de cadastros de clientes ao crivo desta. Assim sendo. 563.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. 31 Tribunal Superior do Trabalho. não configuram a existência de subordinação hierárquica e jurídica própria da relação de emprego. Decorrem. A Lei n° 4.Não-Configuração da Subordinação Hierárquica e Jurídica Própria do Contrato de Trabalho.886/65 . 557. p.Universidade Salgado de Oliveira .886/65. de previsão inserta na Lei n° 4. a subordinação hierárquica. 1986. é intermediário também o corretor. Além do representante comercial autônomo. publicado no Diário da Justiça de 22 de setembro de 2000. Transcrevemos a ementa: “Contrato de Representação Comercial Autônoma . mas não preposto ou representante necessário (diretor.Lei n° 4. reafirma essa característica. de 1998. Recurso de Revista n° 459009. artigo lº.

p. Entre representante comercial e corretor A doutrina tem feito a distinção entre mediador. Contratos. 50581. Esta doutrina foi adotada por Rubens Requião. além de contar com os outros fatores caracterizadores da relação de emprego”. 44. p. cit. induzindo o julgador a entender que existe a subordinação que caracteriza o contrato de trabalho. o representante comercial fornece. Revista do Superior Tribunal de Justiça n° 101.. Registro n° 95. de 1995. “a característica básica da corretagem é a sua transitoried ade”. Contrato de agência. de 1985. decisão de 27 de novembro de 1996.Universidade Salgado de Oliveira . Segunda Região.. Por outro lado.33 2. Relator Ministro Leonaldo Silva. por exemplo. que age como representante comercial.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. 43. 23a ed. não se submete às determinações da empresa mas às disposições do contrato. sem que isto impli32 que em subordinação.. qual o material a ser empregado. já na representação comercial o autor ressalta “a permanência de sua relação com a representada”36 2. pessoalidade. Tratado de direito privado. Forense. publicado no Diário da Justiça de 13 de dezembro de 1996.. entendendo que a habitualidade é necessária à configuração do agente35. Entre representante comercial e distribuidor Ambos os contratos são semelhantes. reafirmada. para Rubens Requião. como deve fazê-lo. ainda que receba orientação sobre o serviço a fazer. n° 84/90.. exclusividade. O trabalhador autônomo. informações detalhadas sobre o andamento dos negócios a seu cargo. 233 e segs. corretor34. 39 e segs.. Assim.192-RS.0027743-3. Por seu turno. Relator Ministro Marco Aurélio. 33 Tribunal Superior do Trabalho. Revista do Superior Tribunal de Justiça.486-7-RS. 3. quando solicitadas. 32 Tribunal Superior do Trabalho.2. Recurso de Revista n° 9978. entendeu o mesmo Tribunal que fica caracterizada a relação de emprego quando a prestação de serviços: “ocorreu com subordinação. procurou determinar quais características distinguem o contrato de trabalho do de representação comercial autônoma. 365 e segs. com António Pinto Monteiro. Transcrevemos parcialmente a ementa: “. 20. 2001. Rio de Janeiro. Recurso de Revista n° 193404. 35 Orlando Gomes. transcrição de fis. O mesmo no direito português. v. em outro acórdão. cit. 67 . janeiro de 1998. Quarta Turma. para normal controle de sua atividade. decisão de 5 de agosto de 1986. Primeira Turma.3. a ponto de o legislador no Projeto do Código Civil ter tratado o contrato de agência (representação comercial) como gênero. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira O mesmo Tribunal Superior do Trabalho. p. e representante comercial. p. atual. p. acórdão publicado no Diário da Justiça de 24 de outubro de 1986. acórdão n° 7996. 34 Pontes de Miranda. 36 A citação do autor foi tomada como motivo de decidir no Recurso Especial n° 67. no Recurso Especial n° 53.

portanto. Exercício Regular da Representação Comercial Autônoma 37 38 Claudineu de Melo. e o agente intermedeia a venda de produtos de terceiros 39. notadamente para a conclusão dos negócios. o representante comercial autônomo pode ser mandatário de seus representados. agenciando propostas ou pedidos. Contrato de distribuição. Por outro lado. caput. l . 44. os preceitos próprios da legislação comercial”. o contrato de distribuição pressupõe a compra e venda continuada para revenda. O distribuidor não goza da proteção que a lei garante ao representante comercial autônomo. Saraiva. serão aplicáveis. São Paulo. a distribuição caracteriza-se quando o agente tiver à sua disposição a coisa a ser negociada 38. praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios. Assim. 1987. Parágrafo único.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. como um de seus requisitos. que desempenha. de 1994. como o preposto ou o diretor. São Paulo. no Projeto de Código Civil. Função do Contrato Função do representante comercial autônomo é colaborar na comercialização dos produtos ou mercadorias da empresa representada ou no agenciamento de propostas de compra ou prestação de seus serviços. Saraiva. mas não necessariamente. Nessa qualidade. artigo 1° (Regula as Atividades dos Representantes Comerciais Autônomos). A Lei n° 4. Ele não é. quanto ao exercício deste.Universidade Salgado de Oliveira . define a representação comercial autônoma da seguinte forma: “Art. mas colaborador autônomo. Quando a representação comercial incluir poderes atinentes ao mandato mercantil. o agente as realiza por conta e ordem do agenciado. integrante da empresa. sem relação de emprego. Contrato de distribuição. 1987. p. Em suma: o distribuidor revende produtos de sua propriedade. o que não ocorre na representação comercial ou agência. 68 . que pode ser pactuada entre dois comerciantes. em caráter não eventual por conta de uma ou mais pessoas. o contrato de distribuição impõe. 46. Projeto de Lei da Câmara . p. Enquanto o distribuidor realiza vendas a terceiros por conta própria. sendo que o agente compra o produto para revendê-lo em uma determinada zona.Exerce a representação comercial autônoma a pessoa jurídica ou a pessoa física.886/65. 3.PLC n° 118. Na realidade. artigo 710. para transmiti-los aos representados. 39 Claudineu de Melo. oriundas de terceiros interessados. que uma das partes contratantes seja o fabricante do produto. a mediação para a realização de negócios mercantis. 4. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira do qual a distribuição é espécie 37.

que a leitura da Lei deve ser a de que a atividade de representação comercial autônoma. de 9. 2000. ou não. especificando inclusive a indenização devida ao representante na falta de contrato escrito. A redação do caput do artigo 40 da Lei n° 4. previa um prazo dentro do qual os contratos existentes na data de sua promulgação deveriam ser reduzidos a escrito. 8a ed. artigo 82). Todavia. por sua vez.886.420/92. 40 41 Rubens Requião. Waldirio Bulgarelli. São Paulo. Visando a uma interpretação sistemática de nosso direito. como lembra Rubens Requião40. determinando os requisitos que devem estar obrigatoriamente presentes no contrato. p. todavia. Nosso direito não exige. suprimiu a ressalva. nem para os contratos comerciais. 57. A Lei n° 8. Forma de Contratação A legislação jamais determinou com clareza se o contrato de representação comercial deveria ser escrito. Assim o exercício regular da representação comercial exige a inscrição no Conselho Regional dos Representantes Comerciais do Estado em que está domiciliado.. deve ser contratada por escrito.12.Universidade Salgado de Oliveira .886/65. e essa restrição deve ser expressa.420. A falta de registro impede o representante de invocar em seu favor os preceitos da Lei n° 4. se era um contrato solene. Rio de Janeiro. determinava os elementos que deveriam constar “obrigatoriamente” do contrato.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. que alterou a redação de alguns dispositivos da lei anterior. pois. que afirma41: “penso. seguindo os ditames determinados por elas”.65 alterada pela Lei 8. inclusive do artigo 27. 5. Lei 4.886 criou o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Representantes Comerciais. Na posição oposta coloca-se Waldirio Bulgarelli. Forense. 163 e segs. forma escrita para os contratos em geral (Código Civil. nem do sistema de nosso direito comercial. 69 . o direito de uma irá representar uma restrição ao direito da outra parte.5. p.92”. até mesmo porque influi na segurança de terceiros com que qualquer uma das partes venha a contratar. de 8. Efetivamente. 1995. por escrito. ou seja. já no parágrafo previa a possibilidade de as partes não usarem dessa “faculdade”.886/65 (artigo 5°). “Aspectos jurídicos do sistema de distribuição de produtos no mercado. ou não. ainda no regime da lei atual. que a forma escrita seja requisito de validade do contrato. O artigo 27 da mesma lei. sendo o registro dos representantes obrigatório. Entre esses requisitos encontra-se a indicação dos produtos ou artigos objeto da representação e a exclusividade. Questões atuais de direito empresarial. segundo entendemos. colocamo-nos em posição intermediária. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira A Lei n° 4. Do representante comercial. Malheiros. não se pode deduzir dos termos da legislação em vigor. para ser reconhecida pelas duas leis específicas que a regulam. e esse é o principal argumento adotado por Rubens Requião para sustentar a possibilidade de contratação verbal. em regra. se pactuada a exclusividade em favor de qualquer das partes. mas apenas “quando celebrado por escrito”.

julgamento unânime em 14 de outubro de 1999. Todavia.886/65. além dos elementos comuns e outros a juízo dos interessados. h) obrigações e responsabilidades das partes contratantes. ou por certo prazo. pelo exercício da representação. Terceira Turma Cível. p. obrigatoriamente: a) condições e requisitos gerais da representação. dependente da efetiva realização dos negócios. transcrevemos os elementos que devem constar do contrato de representação comercial (artigo 27 da Lei n° 4. e) garantia ou não. d) indicação da zona ou zonas em que será exercida a representação.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. No sentido de que a exclusividade no contrato verbal não se presume decidiu o Tribunal de Justiça do Distrito Federal 42.Universidade Salgado de Oliveira . entendemos que o contrato de representação comercial será válido. cujo montante não será inferior a 1/12 (um doze avos) do total da retribuição auferida durante o tempo em que exerceu a representação. com a redação dada pela Lei n° 8. Relator Wellington Medeiros.420/92. 42 Tribunal de Justiça do Distrito Federal. multiplicada pela metade dos meses resultantes do prazo contratual. Diário da Justiça do Distrito Federal de 24 de novembro de 1999.886/65): “Art. pelo representado. ambas previstas no artigo 27 da Lei n° 4. as cláusulas restritivas de direitos de quaisquer das partes só serão válidas se contratadas por escrito. i) exercício exclusivo ou não da representação a favor do representado. f) retribuição e época do pagamento. j) indenização devida ao representante pela rescisão do contrato fora dos casos previstos no art. porque o regime das nulidades visa a proteção de terceiros. g) os casos em que se justifique a restrição de zona concedida com exclusividade. b) indicação genérica ou específica dos produtos ou artigos objeto da representação. constarão. que poderiam ser prejudicados. § 1° Na hipótese de contrato a prazo certo. Apelação Cível n° 522049-DF. 70 . Atendidas a estas considerações. da exclusividade de zona ou setor de zona. c) prazo certo ou indeterminado da representação. que não existe no caso. parcial ou total. dos valores respectivos. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira Dentro desse sistema. Isto porque a nulidade decorre da contrariedade a dispositivo de lei. ou não. e recebimento.Do contrato de representação comercial. a indenização corresponderá à importância equivalente à média mensal da retribuição auferida até a data da rescisão. 35. ainda que contratado verbalmente. 27 . 27. É o que irá ocorrer com a exclusividade de zona (a favor do representante) e com o exercício exclusivo da representação (a favor do representante).

expandir os negócios do representado e promover os seus produtos (artigo 28). a atual veda expressamente essa possibilidade (artigo 43). ainda que não estivesse especificada na lei.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira § 2° O contrato com prazo determinado. uma vez prorrogado o prazo inicial. ficando impedido.prestar informações pormenorizadas sobre o andamento dos negócios a seu cargo (artigo 28). torna-se a prazo indeterminado § 3° Considera-se por prazo indeterminado todo contrato que suceder. dentro de seis meses.tomar conhecimento das reclamações atinentes aos negócios. . com ou sem determinação de prazo. Obrigação Específica do Representado 71 . de conceder vantagens sem autorização. . descontos ou dilações. pela solvência das pessoas com quem vier a contratar em nome do representado. essa obrigação continuaria a existir. solidariamente.não conceder abatimentos. que se caracteriza quando o representante assume a responsabilidade de responder. que poderá aceitá-las. tácita ou expressamente. devendo agir no interesse do mandante. portanto. Essas obrigações são consideradas de meios ou de simples diligência. simplesmente. . ou não. sendo o dispositivo supérfluo. não obrigações de resultado e decorrem da própria relação de intermediação.” 6. é de se notar que a possibilidade de conceder essas vantagens a terceiro só irá ocorrer quando o representante for mandatário do representado. descontos ou dilações.886/65 previa a possibilidade de inserção nos contratos de representação comercial da cláusula del credere. Portanto. Quanto à obrigação de não conceder abatimentos. caso contrário a sua atividade consistirá. 7. A redação primitiva da Lei n° 4.Universidade Salgado de Oliveira . se não autorizado expressamente pelo representado (artigo 29). no agenciamento das propostas que serão devidamente examinadas pelo representado. Se o representante for também mandatário estará sujeito às regras do mandato. transmitindoas ao representado e sugerindo as providências acauteladoras do interesse deste (artigo 30). Obrigações Específicas do Representante São obrigações do representante comercial autônomo: . a outro contrato.

além de não se caracterizar a violação contratual pelo exercício de um direito previsto em lei. por negócios realizados por ele. Resilição do Contrato por Prazo Indeterminado Em se tratando de contrato por prazo determinado.1. em relação à indenização devida pela rescisão do contrato a lei estabelece uma maior proteção para o representante que para o representado. exclusivamente ao representante. nos três últimos meses (Lei n° 4. a lei exige da parte que pretender denunciá-lo a concessão de aviso prévio à outra com antecedência mínima de trinta dias. artigo 34). de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira O representado deve pagar as comissões a que fez jus o representante. A redação do artigo 34 induz a pensar que o legislador está dando tratamento equivalente a ambas as partes no caso da rescisão do contrato que esteja vigendo por prazo indeterminado. A lei prevê.2. A afirmação não nos parece lógica.886/65. 8. p. Entende Rubens Requião que esta indenização “possui um sentido remuneratório salarial” e a indenização “tem a natureza compensatória de perdas e danos pela violação contratual”43. sem causa justificada. 72 .Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. pois. caso não o faça. 32 e 33). sem prejuízo de outras garantias previstas no próprio contrato ou. no entanto. neste ponto. que essa indenização deve ser paga também pelo representante que pretende a resilição do contrato sem justa causa. o que não é verdade. a possibilidade de denúncia do contrato (declaração de rescisão) que esteja vigendo por prazo indeterminado. 8. Indenização Em outro dispositivo (artigo 27. um equilíbrio entre os direitos e obrigações de ambas as partes. a lei prevê o pagamento de indenização. Aviso prévio Se o contrato estiver vigendo por prazo indeterminado e tiver vigorado por mais de seis meses. alínea “j”). Portanto. ou em sua zona de exclusividade (Lei n°4..Universidade Salgado de Oliveira . portanto. o pagamento do valor equivalente a um terço das comissões auferidas pelo representante. 8. Do representante comercial.886/65. 216. no valor equivalente a um doze avos do total da remuneração auferida durante o tempo em que exerceu a representação. artigos 31. É de se entender. o fim do prazo é o modo normal de extinção das obrigações e não exige comentários. como passamos a examinar. cit. por qualquer das partes (artigo 34). revelando-se. a inexistência de subordinação do representante ao representado exclui qualquer natureza trabalhista do 43 Rubens Requião. sempre que a rescisão do contrato se der sem qualquer dos motivos para justa causa previstos no artigo 35.

letra j. A cumulatividade da indenização com o direito ao aviso prévio é amplamente reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça. Denúncia do Contrato. são motivos para a rescisão do contrato pelo representado. prevendo que: 44 Superior Tribunal de Justiça. Para compatibilizar os diversos dispositivos legais vem entendendo o Tribunal que o legislador se equivocou na redação da lei e que esse equívoco deve ser corrigido por via de interpretação44. a lei prevê as causas de rescisão. Quarta Turma. Recurso Especial n° 9144-MG. julgamento unânime em 10 de junho de 1991. 34. e provido”.Universidade Salgado de Oliveira . no caso de omissão do contrato. b) a prática de atos que importem em descrédito comercial do representado.SP. Relator Ministro Fontes de Alencar. Recurso Especial n° 4474-SP. entendimento mantido. E de ter. Segundo o disposto no artigo 35. Recurso especi al conhecido. uma ressalva.886/65). Relator Ministro Nilson Naves. e sempre. e. a indenização devida ao representante. no caso de sua rescisão. 45 Superior Tribunal de Justiça. Registro 199300220454.128.1. pelo representado: a) a desídia do representante no cumprimento das obrigações decorrentes do contrato. Portanto. prevê a possibilidade de o representado reter os valores das comissões devidas ao representante com o fim de ressarcir-se dos danos por este causados. no entanto. em precedente mantido por ambas as Turmas45. 35 (RE-81. 9. Quarta Turma. Constituem motivos justos para rescisão do contrato de represent ação comercial. RTJ-75/619). Terceira Turma. por justa causa. 9.886/65. mais recentemente. em diversos acórdãos. 35. Indenização. por ambas as alíneas. no Recurso Especial n° 37. Relator Ministro Athos Carneiro.620.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. com amparo em precedente do Supremo Tribunal Federal e a seguinte ementa: “Representação Comercial (Lei n° 4. aplica-se o parágrafo único do art.se por equivocada a referência ao art. portanto. não podendo ser confundida com direitos trabalhistas inexistentes. Por inadimplemento do representante A rescisão por inadimplemento do representante vem regulada nos artigos 35 e 37 da Lei n° 4. O contrato dessa espécie há de prever. mas por expressa previsão legal. 34. Registro 199000077656. contida no art. c) a falta de cumprimento de quaisquer obrigações inerentes ao contrato de representação comercial. trata-se aqui do inadimplemento por justa causa. Registro 199100047414. No primeiro. julgamento unânime em 4 de junho de 1991. Resolução por Inadimplemento (Justa Causa) Diversamente do título anterior. salarial.” O disposto no artigo 45 estabelece. tanto pelo representante como pelo representado. no segundo. 73 . d) a condenação definitiva por crime considerado infamante. sem Motivo Justo. a indenização é devida. a referência é ao art. os seguintes: “Art. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira contrato. O pré-aviso não exclui a indenização devida ao representante. e) força maior. 27.

Constituem motivos justos para rescisão do contrato de representação comercial. d) o não-pagamento de sua retribuição na época devida. 9. mas a simples publicidade em torno dos fatos que levaram à abertura de um processo penal pode levar ao descrédito comercial do representado. com a necessidade de estar a sentença criminal passada em julgado para que se caracterize a justa causa para rescisão.2. em si. Prescrição 46 Rubens Requião. cit. pois são crimes que. 45.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. Por inadimplemento do representado No artigo 36 estão presentes os motivos que caracterizam a justa causa para a rescisão do contrato pelo representante. roubo. podem provocar o descrédito comercial do representado46. lenocínio ou crimes também punidos com a perda do cargo público como a melhor interpretação para esse dispositivo legal. apropriação indébita. 222. 36. da exclusividade. de rescisão do contrato por justa causa. contrabando. razão pela qual Rubens Requião enumera os crimes de falsidade.” 10. b) a quebra. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira “Art. p. estelionato. com o exclusivo escopo de impossibilitar-lhe ação regular. c) a fixação abusiva de preços em relação à zona do representante. causa. Se ela existir. Não podemos concordar. sem dúvida. com o que concordamos.Universidade Salgado de Oliveira .” Não reconhece o moderno direito penal o crime considerado infamante. por inadimplemento do representado. 74 . será uma causa objetiva para justificar a rescisão. direta ou indireta. furto. e) força maior. pelo representante: a) redução de esfera de atividade do representante em desacordo com as cláusulas do contrato. que são (artigo 36): “Art. A maior diferença entre ambas residirá na necessidade de prova do prejuízo. no segundo caso. inteiramente. se prevista no contrato. no entanto. Não constitui motivo justo para rescisão do contrato de represent ação comercial o impedimento temporário do representante comercial que estiver em gozo do benefício de auxílio-doença concedido pela Previdência Social. Do representante comercial.

886. No entanto. 757. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira O prazo prescricional. 10 anos a partir do novo Código Civil). Conceito O art. Da definição legal depreende-se a existência de duas partes: o segurador e segurado. uma vez que pode surgir a figura do beneficiário. ensejará o cumprimento da contraprestação de "indenizar" por parte do segurador. entende Waldirio Bulgarelli que a ação do representado contra o representante. ou seja.CONTRATO DE SEGURO 1. p. Nesse contexto. não são as únicas. define este contrato como aquele pelo qual "o segurador se obriga. Este estaria contido na expressão "interesse legítimo do segurado". contra riscos predeterminados". de 9.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. parágrafo único). relativo a pessoa ou a coisa. a garantir interesse legítimo do segurado. 64. terceiro que receberia a indenização no caso de seguros de vida e obrigatório contra acidentes de trabalho em que resultasse a morte do segurado. que. segurado e segurador. ou seja. Temas para Estudos Complementares Tanto a representação comercial autônoma quanto a comissão mercantil são contratos que podem servir para a distribuição de produtos no mercado. evento futuro e incerto.420. 75 . mediante o pagamento do prêmio. sendo de 20 (vinte) anos47 (Rectius.12. Lei 4. O objeto do contrato de seguro é o risco. em se concretizando. 2.5. 11.. há reciprocidade de obrigações. CC. no entanto. obedece à regra geral do artigo 442 do Código Comercial. “Aspectos jurídicos do sistema de distribuição de produtos no mercado. As partes. aponte as semelhanças e diferenças entre ambos. o qual. são sujeitos de direitos e deveres: um tem como uma de suas prestações a de pagar o prêmio e o outro tem como 47 Waldirio Bulgarelli.Universidade Salgado de Oliveira . por falta de norma legal específica. X .92”. é de 5 anos (artigo 44. de 8. Características a) BILATERALIDADE ou SINALAGMÁTICO: é bilateral devido aos efeitos por ele gerados que é a constituição de obrigações para ambos os contraentes. no que se refere ao direito do representante de reclamar a retribuição que lhe é devida.65 alterada pela Lei 8. cit.

a tendência legislativa é de favorecer o segurado. mas ao número de segurados). A equivalência ou não das obrigações fica a cargo da álea (sorte) que. Enquanto o contrato estiver vigente. Tal situação não se deve apenas ao fato do segurador. Elementos como mutualidade e os cálculos de probabilidades (fundamentais ao seguro) são necessários para definir o prêmio.Universidade Salgado de Oliveira . muitas vezes. b) ONEROSIDADE: o seguro traz vantagens a ambos os contraentes. ou seja. CC. não lhe cabendo outra alternativa a não ser aderir às condições estabelecidas pelos seguradores. de antemão. f) CONSENSUAL: grande parte da doutrina afirma que o contrato de seguro está perfeito e acabado quando se der o acordo de vontades (consenso das partes). Numa pri- 76 . em suprimir os efeitos de um fato danoso. frente a um sacrifício patrimonial de parte a parte: o segurado passa a desfrutar de garantia no caso de sinistro e o segurador recebe o prêmio. O fato da não ocorrência do sinistro. podendo assim impor sua vontade. Já existe um posicionamento mais inovador (Fábio Coelho Ulhoa) que aponta o caráter comutativo do contrato de seguro. uma vez que se encontra numa posição de inferioridade frente a seguradora. O art. não descaracterizaria a onerosidade. ser economicamente superior ao segurado. a indenização e os riscos a serem cobertos e não permitem que com cada segurado seja celebrado um contrato distinto. ao menos quanto ao seu conteúdo econômico. dever-se-á adotar a interpretação mais favorável ao aderente". traz a disposição expressa de que "Quando houver no contrato de adesão cláusulas ambíguas ou contraditórias. e) DE EXECUÇÃO CONTINUADA: o seguro é feito para ter uma certa duração. ainda assim o segurado desfrutará da vantagem de gozar de proteção patrimonial. Dessa forma. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira contraprestação pagar a indenização em se concretizando o risco (ocorrência do "sinistro"). visto que. d) DE ADESÃO: com a expansão do campo de atuação dos seguros (não só no que diz respeito aos interesses protegidos. em última análise. ao longo da qual se protegerá o bem ou a pessoa. c) ALEATÓRIO: é impossível. o segurador é obrigado a garantir os interesses do segurado. apenas caberá ao segurado aderir ao que lhe é proposto. Devido a sua natureza de contrato de adesão. proceder-se a qualquer avaliação quanto às prestações devidas de parte a parte. afirmando que a contraprestação da seguradora é certa e que consiste na garantia. caso em que o segurador não teria que pagar a indenização. este contrato passou a ter cláusulas e condições pré-estabelecidas impossibilitando o debate e transigência entre as partes. no momento de sua celebração.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. baseado no qual se pagará a indenização. 423. determinará a ocorrência ou não do sinistro e sua extensão.

neste último caso. O Decreto-lei nº 73/66.190. cujas operações serão reguladas por legislação especial. assume o risco e passa a ter como contraprestação pagar a "indenização" no caso da ocorrência do sinistro. 757: "Somente pode ser parte.063/40: Art. A forma: apenas pessoas jurídicas podem ser seguradoras.1. (Redação dada pela Lei nº 10. 765. ou quando houver fundados indícios da ocorrência de crime falimentar. por sociedades anônimas. cuidou da matéria da seguinte forma: Art 24. 26. 1º do Decreto-lei 2. se decretada a liquidação extrajudicial. no território nacional.” 3. como segurador. 1º A exploração das operações de seguros privados será exercida. mediante o recebimento do prêmio. de saúde e de acidentes do trabalho*. no contrato de seguro. A pessoa jurídica dever ser sociedade anônima ou cooperativa. percebe-se facilmente que o documento exigido não faz parte da substância do ato.Universidade Salgado de Oliveira . 758. As Sociedades Cooperativas operarão unicamente em seguros agrícolas. g) DE BOA-FÉ: de acordo com o art. possuindo apenas caráter probatório. tanto a respeito do objeto como das circunstâncias e declarações a ele concernentes. poder-se-ia concluir que o seguro seria formal devido à necessidade do documento. Todavia. mútuas e cooperativas. Poderão operar em seguros privados apenas Sociedades Anônimas ou Cooperativas. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira meira análise do art. “o segurado e o segurador são obrigados a guardar na conclusão e na execução do contrato a mais estrita boa-fé e veracidade. As sociedades cooperativas terão por objeto somente os seguros agrícolas. Sujeitos a) Segurador48 O segurador é a parte no contrato de seguro que. de 2001) 77 . CC. Parágrafo único. devidamente autorizadas. Elementos e Requisitos 3.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. 48 Decreto-Lei no 73. mediante prévia autorização do Governo Federal. De acordo com o art. CC. salvo. de 21 de novembro de 1966. Parágrafo único. De acordo com o parágrafo único do art. de maneira que pessoas físicas somente podem figurar no pólo de segurado do contrato. o ativo não for suficiente para o pagamento de pelo menos a metade dos credores quirografários. entidade para tal fim legalmente autorizada". Art. As sociedades seguradoras não poderão requerer concordata e não estão sujeitas à falência.

Fiscalização: sujeita-se à fiscalização da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). o valor deste. Contudo. perda de faculdades humanas etc. se ao tempo do contrato o segurado era separado judicialmente. isto é.814. O cosseguro pode ser definido como a simultaneidade de seguros sobre o mesmo objeto. 78 . pode acontecer de uma pluralidade de seguradores dar cobertura. b) Segurado O segurado é a pessoa física ou jurídica "que tem interesse direto e legítimo na conservação da coisa ou pessoa. 757 enuncia que a entidade deve estar legalmente autorizada. falência.. desde que não ultrapassem. de maneira que várias seguradoras dividirão o valor do bem.Universidade Salgado de Oliveira . configurando-se a multiplicidade de seguros. a concubina não pode figurar como beneficiária em contrato de seguro de vida.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. Obs. o que consiste em ter a autorização do Ministério da Fazenda." Ou seja. abalroamento.: Também não poderá ser instituído como beneficiário aquele que estiver incapacitado de suceder (art. indenizá-lo pelos danos sofridos c) Beneficiário O beneficiário é uma figura que exsurge nos contratos de seguro de vida e no obrigatório de acidentes pessoais em que ocorrer morte por acidente e que consiste na pessoa a quem é pago o valor do seguro.: A atividade seguradora contra acidentes do trabalho foi absorvida pelo Estado. em troca do risco que o segurador assumirá de. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira *Obs. 1. naufrágio. a garantia prometida não pode ultrapassar o valor do interesse segurado no momento da conclusão do contrato. acidente. em caso de incêndio. ou já se encontrava separado de fato. simultaneamente. furto. somados. segurando parte desse valor.. Não é qualquer pessoa que pode figurar como beneficiário: Art. 793: "É válida a instituição do companheiro como beneficiário. A autorização: O parágrafo único do art.. a um mesmo risco. fornecendo uma contribuição periódica e moderada. o prêmio. a "indenização". morte. 778 dispõe que "Nos seguros de dano. CC) d) Co-segurador No caso de seguros vultosos. o art.".

Isto se dá. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira Dessa maneira. que pode contratar mais de um seguro sobre o mesmo interesse.Universidade Salgado de Oliveira . No entanto. o capital segurado é livremente estipulado pelo proponente. 4. pois o contrato não é instrumento de lucro. ou "um seguro mediato". uma vez que é o segurador que transfere a sua responsabilidade. com a finalidade de distribuir para mais de um segurador a responsabilidade pelo adimplemento da contraprestação. esta espécie de multiplicidade de seguros é fraudulenta. e. 789). Dessa forma. 4. tudo que puder ser passível de apreciação econômica (quer seja coisa. Para tanto. como a vida. admite-se como objeto de seguro. No caso. o ressegurador não deixa de prestar uma garantia indireta frente ao segurado de uma relação negocial ressegurada. A atividade resseguradora apresenta forte intervenção estatal a fim de permitir o pleno funcionamento do sistema securitário nacional. permanecendo o segurador como responsável exclusivo frente ao segurado. O resseguro consiste no "seguro do seguro". Objeto 4. Risco 79 . o IRB é considerado litisconsorte necessário em liquidações judiciais em que tiver responsabilidade nos valores reclamados.. importante: No que diz respeito aos "seguros de pessoas. art. O segurado não mantém nenhuma relação direta com o ressegurador. Ou seja. Obs. os relativos a atos dolosos ou ilícitos e os de valor superior ao do bem. em ocorrendo o sinistro. com exceção dos excluídos pela lei.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. tais como. com o mesmo ou diversos seguradores" (CC. sujeita inclusive a sanções de ordem penal. e) Ressegurador A figura do resseguro consiste na transferência de parte ou toda a responsabilidade do segurador para o ressegurador. Praticamente todos os interesses são passíveis de cobertura. já que concede maiores possibilidades para o pagamento da indenização pelo segurador. na medida que é um seguro assumido entre o segurador e a resseguradora. Inclusive o próprio resseguro pode ser ressegurado. atividade humana ou pessoa) e até aquilo que não o pode.2. foi criado o Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) com a finalidade de dar cobertura automática de resseguro aos seguradores aqui sediados.1. pelos mesmos riscos de maneira que. é defeso ao segurado celebrar mais de um contrato relativo ao mesmo bem.g. Interesse segurável Trata-se de qualquer relação econômica ameaçada ou posta em risco. receba-se a indenização integral de todos os seguradores.

REsp 780. arts. geralmente em razão de atos dos próprios segurados nos seus normais e corriqueiros afazeres do dia a dia. CC: "Nulo será o contrato para a garantia do risco proveniente de ato doloso do segurado. admite também como instrumentos do seguro a proposta e o bilhete do seguro. Quanto maior a probabilidade de ocorrência do sinistro. uma vez que não basta cláusula prevendo que a embriaguez exclui a cobertura do seguro. A legitimidade da recusa ao pagamento do seguro requer a comprovação de que houve voluntário e consciente agravamento do risco por parte do segurado. O Decreto-lei 73/66. O contrato de seguro prova-se com a exibição da apólice ou do bilhete do seguro.757-SP. Forma O art. do beneficiário. Este pode ser substitutivo da apólice quando a lei o permitir. com a consequente exoneração do pagamento da indenização prevista no contrato. 758. na falta deles. 762. a técnica securitária o denomina sinistro. STJ. Logo. Rel. SEGURO. revestindo-se o ato como condição determinante na configuração do sinistro para ensejar a perda da cobertura securitária. mormente por não exercer o álcool influência idêntica em diferentes indivíduos. julgado em 1º/12/2009. de fato. Assim. 418. ou de representante de um ou de outro".Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. e. 80 . VIDA. quanto ao caráter probatório deste instrumento: Art. Disposições de caráter excludente no que tange ao risco: Art. ocorrer. por documento comprobatório do pagamento do respectivo prêmio. Min. a simples relação entre o estado de embriaguez e a queda fatal como causa para explicar o evento danoso. suscetível de causar dano. a prova da concentração do teor alcoólico no sangue não se mostra suficiente para indicar a causalidade com o dano sofrido. EMBRIAGUEZ. logo. Quando este evento ocorre. maiores as chances da seguradora vir a pagar a indenização. CC trata da importância da apólice. de maneira que este acontecimento torna-se essencial. 5. 758. por si só. só obriga a seguradora a pagar a indenização quando o risco se concretiza. 9º e 10. O contrato de seguro de vida destinase a cobrir danos decorrentes de possíveis acidentes. A obrigação de garantia contida no seguro. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira É o acontecimento futuro e incerto previsto no contrato. João Otávio de Noronha. O risco é baseado nas estatísticas e cálculos de probabilidade que podem constatar quais as chances de determinado evento danoso vir a.Universidade Salgado de Oliveira . maiores terão de ser seus fundos e maiores serão os prêmios. não é suficiente para elidir a responsabilidade da seguradora. INF.

se outra forma não foi convencionada. Relator(a): José Volpato de Souza. obriga o fornecedor que a fizer veicular ou dela se utilizar e integra o contrato que vier a ser celebrado". 81 . Nos seguros pessoais a indenização será paga pela importância constante da apólice.ato praticado pelo segurado com dolo e culpa grave . CC). minorar o dano ou salvar a coisa (art. 49 Apelante: Marco Aurélio Bianchini.O segurador se exime do pagamento provando que houve dolo do segurado quanto ao sinistro (art. suficientemente precisa. sem prejudicar a inclusão de juros de mora (art. ou das circunstâncias do caso". de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira A proposta é considerada instrumento do seguro baseado na Teoria Geral dos Contratos (art.causa excludente da obrigação pactuada .colisão . da Capital. por sua vez. Publicação: Apelação cível n. 766. 772. o prejuízo resultante do evento danoso (art.010199-6. Inclui-se na garantia todos os prejuízos resultantes ou conseqüentes do risco.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp.Universidade Salgado de Oliveira . sendo esta o limite da cobertura. A mora do segurador em pagar o sinistro enseja correção monetária. Órgão Julgador: Primeira Câmara de Direito Civil – TJSC. deverá pagar em dinheiro. CC). Nos seguros de bens materiais a indenização não terá de corresponder à quantia declarada. CC)49. 427. uma vez que assumiu o risco na apólice. amplia o alcance da proposta em seu art.1.negativa de cobertura . pois o seguro não tem finalidade lucrativa (vedação do sobre-seguro: aquele que vai além do valor do efetivo prejuízo). Julgamento: 05/11/2002. CC) quando se afirma que "a proposta de contrato obriga o proponente. Obrigações e Direitos 6. Apelada: Companhia Paulista de Seguros S/A. porque os bens cobertos são inestimáveis. o segurador. O valor a ser pago dependerá de apuração real do prejuízo. veiculada por qualquer forma ou meio de comunicação com relação a produtos e serviços oferecidos ou apresentados. 781. 6. Apelação cível .prova robusta . ocasionados para evitar o sinistro. 2002.automóvel . Do Segurador Ocorrido o sinistro. A seguradora não está obrigada ao pagamento da indenização nos seguintes casos: .cobrança . O Código de Defesa do Consumidor.desobrigação da seguradora. CC). da natureza do negócio. 779.seguro . 30 dispondo que "toda informação ou publicidade. se o contrário não resultar dos termos dela.

pelo que efetivamente pagou. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira .Inexistência de cobertura para o sinistro ocorrido. sob pena de rescisão contratual ou a caducidade da apólice. CC.Segundo seguro da mesma coisa pelo mesmo risco e valor (art. nos direitos e ações que competirem ao segurado contra o autor do dano". CC. a menos que de maneira diversa haja sido acordado. Já se o segurado intencionalmente agrava o risco perderá o direito à garantia (art. exclui da garantia o sinistro decorrente de vício intrínseco da coisa segurada (defeito próprio da coisa. A não verificação do risco previsto no contrato não exime o segurado do pagamento do prêmio (art. o segurador sub-roga-se. determina que "paga a indenização. . Se a redução do risco for considerável. . O § 1º do artigo 786 enuncia uma exceção ao caput. 770. nos limites do valor respectivo. a falta de comunicação do agravamento dos riscos e de ocorrência do sinistro. Do Segurado Cabe ao segurado pagar o prêmio acordado no ato de receber a apólice ou conforme tenha sido ajustado. CC). dentre as quais. Súmula 188 do STF: "O segurador tem ação regressiva contra o causador do dano. caberá ao segurado exigir revisão do contrato ou resolvê-lo.O art. que não se encontra normalmente em outras da mesma espécie). 6. A diminuição do risco no curso do contrato.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. prevendo que "salvo dolo. 763. Direito de sub-rogar-se: . CC). a subrogação não tem lugar se o dano foi causado pelo cônjuge do segurado. 764. 768. até o limite previsto no contrato". 784.O art. . consangüíneos ou afins". CC). seus descendentes ou ascendentes. . CC).2. 786. 778.Caducidade da apólice pelo não-pagamento do prêmio.Universidade Salgado de Oliveira . 82 . Não terá o direito de indenização o segurado que estiver em mora no pagamento do prêmio em ocorrendo o sinistro antes que ela seja purgada (art.Descumprimento de obrigações por parte do segurado. CC). não acarreta redução do prêmio estipulado (art.

83 . O segurado deverá informar o segurador. E. mas. é um dos principais riscos cobertos pela apólice. mesmo assim quando se tratar de dolo ou má-fé. Entendo. Não havendo má-fé o segurador terá a opção de resolver o contrato ou cobrar a diferença do prêmio mesmo depois de ocorrido o sinistro. segundo Sérgio Cavalieri Filho: Somente o fato exclusivo do segurado pode ser invocado como excludente da responsabilidade do segurador. A culpa. 222). JURISPRUDÊNCIA SEGURO. buscando sua máxima efetividade. não exclui direito à indenização securitária. 769. que a culpa do segurado. a limitação acabaria excluindo a maior parte dos riscos que o segurado deseja ver cobertos.Cláusula restritiva. . No caso de omissão.e nem o deveria . qualquer que seja sua gravidade. (Programa de responsabilidade Civil. . de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira Obrigação de fazer declarações (informar) exatas e completas. (REsp 774035/MG. No caso da ocorrência do sinistro. CLÁUSULA LIMITATIVA DO DIREITO DO CONSUMIDOR.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. tornando o seguro desinteressante. normalmente. Ademais. Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS. 54 deve ser feita com o espírito protecionista. ao consumidor. TERCEIRA TURMA. CC implica na perda ao direito de receber a indenização. . deve ser redigida com destaque a fim de se permitir. COMPROVAÇÃO. NEXO DE CAUSALIDADE. O descumprimento desta determinação trazida no art. a culpa grave do segurado também excluiria a responsabilidade do segurador. se o segurador provar que oportunamente avisado poderia ter evitado o sinistro.A lei não prevê . Assim. o mais prontamente possível. por si só. Para alguns. ao dar cobertura à culpa do segurado. produzindo sempre resultado não desejado. Malheiros. 7. a interpretação do Art. § 4º. sua imediata e fácil compreensão. Rel. assim. sem razão. poderá se exonerar. não seria possível introduzir distinção entre os diversos graus ou modalidades de culpa. qualquer que seja o seu grau. em negrito. p. 1997. não exonera de responsabilidade o segurador. Além da dificuldade para se avaliar a gravidade da culpa. não é suficiente para se atender à exigência do Art. ACIDENTE DE TRÂNSITO. 766. CC). EMBRIAGUEZ. Quem faz seguro. quer também se prevenir contra seus próprios descuidos eventuais. julgado em 21/11/2006. do CDC. Todavia. DJ 05/02/2007 p. A inobservância deste preceito por má-fé do segurado o faz perder o direito à garantia além de obrigá-lo a pagar o prêmio vencido. caracteriza-se pela involuntariedade incerteza. contida em contrato de adesão. O fato de a cláusula restritiva estar no meio de outras.Universidade Salgado de Oliveira .o modo como tais cláusulas deverão ser redigidas. permitindo-o tomar as providências imediatas para evitar ou minorar as conseqüências. em nosso entender. sobre incidente que possa agravar o risco coberto.A embriaguez do segurado.292). 54. incluindo todas as "circunstâncias que possam influir na aceitação da proposta ou na taxa do prêmio" (art. o segurado fica obrigado a informá-lo o quanto antes ao segurador.

QUARTA TURMA. PARAPLEGIA. PROMESSA DE COMPRA E VENDA. revestindo-se seu ato condição determinante na configuração do sinistro. Precedentes do STJ. porquanto não basta a presença de ajuste contratual prevendo que a embriaguez exclui a cobertura do seguro. 1. MORTE DO SEGURADO. CLÁUSULA LIBERATÓRIA DA OBRIGAÇÃO DE INDENIZAR. RESPONSABILIDADE DA SEGURADORA. suficiente para elidir a responsabilidade da seguradora. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA. julgado em 01/12/2009. DANO MORAL EXCLUÍDO. 768. II. a cobertura securitária ante a paraplegia decorrente da queda.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. A culpa do segurado. devendo o juiz. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. AGRAVAMENTO DO RISCO NÃO CONFIGURADO. para efeito de caracterizar desrespeito ao contrato. que restam afastados. por si só. LAZER DO SEGURADO PARA TER ACESSO A VISTA PANORÂMICA. 5. A simples relação entre o estado de embriaguez e a queda fatal.454 E 1. observar critérios de eqüidade. trilhas íngremes. QUEDA DE ALTA TORRE METÁLICA. como também acontece com escalada de árvores.Universidade Salgado de Oliveira . IV. (REsp 780757/SP. 3. OMISSÕES INOCORRENTES. PROVA DO TEOR ALCÓOLICO E SINISTRO. RESCISÃO CONTRATUAL C/C REINTEGRAÇÃO DE POSSE. com prevalecimento da cláusula liberatória da obrigação de indenizar prevista na apólice. com a consequente exoneração de pagamento da indenização prevista no contrato. CC ANTERIOR. a prova do teor alcoólico na concentração de sangue não se mostra suficiente para se situar como nexo de causalidade com o dano sofrido. pedras. notadamente por não exercer influência o álcool com idêntico grau de intensidade nos indivíduos. nos seus normais e corriqueiros afazeres do dia-adia. AUSÊNCIA DE NEXO DE CAUSALIDADE. mas de fácil acesso. 4. ATRA- 84 . entretanto. CONTRATO DE SEGURO. CC ATUAL.456 DO CÓDIGO CIVIL DE 1916. DISCUSSÃO CINGIDA AO CUMPRIMENTO DO CONTRATO. QUARTA TURMA. 1. e coisas semelhantes. 1. 2. ART. Rel. AGRAVAMENTO DO RISCO NÃO-COMPROVADO. ART. Ministro ALDIR PASSARINHO JUNIOR. Recusa da seguradora. 1. não chegando a caracterizar má-fé por parte da ré a ensejar indenização por danos morais. como única forma razoável de explicar o evento. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira DIREITO CIVIL. ESTADO DE EMBRIAGUEZ. Não padece de nulidade o acórdão estadual que enfrenta suficientemente as questões essenciais ao deslinde da controvérsia. que se insere no âmbito da discussão do contrato. na aplicação do art. Destinando-se o seguro a cobrir os danos advindos de possíveis acidentes. exige a plena demonstração de intencional conduta do segurado para agravar o risco objeto do contrato. Recurso especial provido. FALECIMENTO DO SEGURADO. DJe 14/12/2009) CIVIL E PROCESSUAL. V. Rel. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. NULIDADE AFASTADA. para efeito de dar ensejo à perda da cobertura securitária. III. A legitimidade de recusa ao pagamento do seguro requer a comprovação de que houve voluntário e consciente agravamento do risco por parte do segurado. Devida. DJe 19/04/2010) RECURSO ESPECIAL.454. Recurso especial conhecido em parte e parcialmente provido. (REsp 795027/RS. INEXISTÊNCIA DE MÁ-FÉ NA RECUSA. apenas que trazendo conclusões adversas aos interesses da parte irresignada. geralmente oriundos de atos dos próprios segurados. 1. Não consubstancia situação de agravamento de risco o ato do segurado que sobe em torre metálica elevada. julgado em 18/03/2010.454 do Código Civil de 1916. ARTS. atentando-se para as reais circunstâncias que envolvem o caso (art. portanto. porquanto constitui comportamento aventureiro razoável e previsível na vida das pessoas. não se mostra. I. ACIDENTE PESSOAL. para descortinar vista panorâmica. ACÓRDÃO ESTADUAL.456 do mesmo diploma). IMPOSSIBILIDADE DE ELISÃO.

na extensão. 4. o atraso no pagamento do prêmio não é óbice intransponível à cobertura securitária. uma vez que sua responsabilidade está limitada à quantia segurada. Rel. 316. reconhecendo a quitação decorrente da cobertura securitária. mediante interpelação" (REsp n. Muito embora não seja desinfluente o pagamento realizado pelo segurador diretamente à vítima.155/SP. SUBSISTE. QUARTA TURMA. 3. para o que se exige. É pacífica a jurisprudência da Casa segundo a qual o "mero atraso no pagamento de prestação do prêmio de seguro não importa em desfazimento automático do contrato.Campus Goiânia Departamento de Ciências Jurídicas Tópicos Esp. NOTIFICAÇÃO ACERCA DA MORA EFETUADA APÓS O FALECIMENTO. RESPONSABILIDADE DO SEGURADO. A alegação genérica de ofensa ao art.552/SP. porquanto não se equipara o instituto da sub-rogação à cessão de crédito. Recurso especial parcialmente conhecido e.04. QUE. não é esse fato apto a afastar por completo a responsabilidade civil do causador do dano. sem participação do segurado. diretamente aos familiares das vítimas do acidente. eventual sub-rogação operada com o pagamento pela seguradora.2004) ". DJe 02/02/2010) 85 . CAUSADOR DO ACIDENTE. 1. 6. Min. (REsp 403. A circunstância de ter o acórdão se baseado no parecer do Ministério Público estadual e nas razões do recorrido não lhe acoima com pecha de nulo. tendo em vista que a interpelação realizada pelo agente financeiro somente ocorreu após o falecimento do mutuário. partindo-se desse raciocínio. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO. QUARTA TURMA. Recurso especial não conhecido. PROVIDO. Rel. 3. julgado em 01/12/2009. NA EXTENSÃO. DJe 30/06/2009) RESPONSABILIDADE CIVIL. ao menos.Universidade Salgado de Oliveira . 535 do CPC inviabiliza o conhecimento do recurso especial. não se deve ter por extinta toda e qualquer responsabilização do segurado pelos danos advindos do acidente automobilístico. São inaplicáveis à espécie os dispositivos do Código de Defesa do Consumidor. tampouco obsta a instauração do processo em face deste. EM TESE. Aldir Passarinho Junior. não abarca necessariamente todo o crédito decorrente do infortúnio. LIMITAÇÃO AO VALOR DA APÓLICE. Rel. 4. não havia mora constituída quando do sinistro (óbito). Com efeito. a prévia constituição em mora do contratante pela seguradora. julgado em 18/06/2009. 2. Tendo em vista que a indenização por dano moral deve ser ampla. para. julgar improcedentes os pedidos deduzidos na inicial da ação de rescisão contratual c/c reintegração de posse. 5. (REsp 506917/MG. provido. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO. COBERTURA SECURITÁRIA RECONHECIDA. 2. como reiteradamente vem entendendo essa Corte. porquanto o contrato em exame foi celebrado antes da vigência deste Diploma. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E. por incidência da Súmula 284/STF. 1. uma vez que não poderia mesmo a seguradora transacionar valores além da apólice. DJU de 12. uma vez que. Com efeito. de Direito de Empresa Professor: Carlos Rubens Ferreira SO NO PAGAMENTO DO PRÊMIO DO SEGURO. TRANSAÇÃO EXTRAJUDICIAL PERFECTIBILIZADA ENTRE VÍTIMAS E SEGURADORA.