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FORMAÇÃO CONTINUADA EM HISTÓRIA

FORMAÇÃO DE PROFESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍFICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA

FORMAÇÃO CONTINUADA EM HISTÓRIA FORMAÇÃO DE PROFESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍFICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA PRÓ-REITORIA DE EXTENSÃO E CULTURA – PROEXC

COORDENAÇÃO E COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA

RITA PATA RACHE CARLA AMORIM GONÇALVES JÚLIA SILVEIRA MATOS

COORDENAÇÃO ADJUNTA DO CURSO

ADRIANA KIVANSKI DE SENNA ALESSANDRA LOBO DEROCINA ALVES CAMPOS SOSA GISLANIA CARLA POTRATS KRENISKI JÚLIA SILVEIRA MATOS LAISA DOS SANTOS NOGUEIRA LISIANE COSTA CLARO MICHELI BORGES MARTINS TICIANO PEDROSO

PROFESSORES E TUTORES PARTICIPANTES

Promoção

SECRETARIA DE EDUCAÇÃO BÁSICA - SEB UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE – FURG PRÓ-REITORIA DE EXTENSÃO E CULTURA – PROEXC

Júlia Silveira Matos Elisabete Zimmer Ferreira Flávia Liziane Gonzales Bandeira Marcelo França de Oliveira Maria Clara L. Hallal
ORGANIZADORES

E
FORMAÇÃO CONTINUADA EM HISTÓRIA

FORMAÇÃO DE PROFESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍFICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA
PESQUISADORES ANA PAULA DAS NEVES DIEGO FREITAS GARCIA ELISABETE ZIMMER FERREIRA FLÁVIA LIZIANE GONZALES BANDEIRA GLÁUCIA PERIPOLLI LUIANE SOARES MOTTA LEONARDO PARADEDA MEDEIRO MARCELO FRANÇA DE OLIVEIRA MARIA CLARA LYSAKOWSKI HALLAL MICHELE BORGES MARTINS RODRIGO DE ASSIS BRASIL VALENTINI TATIANA BRANDÃO DE ARAUJO PROGRAMA DE FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE RIO GRANDE 2012

© Júlia Silveira Matos, Elisabete Zimmer Ferreira, Flávia Liziane Gonzales Bandeira, Marcelo França de Oliveira, Maria Clara L. Hallal (orgs) 2012 Capa: Marcelo França de Oliveira Diagramação e formatação eletrônica: Pluscom Editora

F723f

Formação de professores : metodologia para a escrita de trabalhos científicos no ensino de história / organizado por Júlia Silveira Matos ...[et al.].- Rio Grande : [s.L.], 2012. 88p. ; 23cm. (Coleção Formação Continuada de Professores ; v.3) 1. Educação - História 2. Ensino Fundamental 3. Metodologia científica 4. Formação Continuada I.Ferreira, Elisabete Zimmer II. Bandeira, Flávia Liziane Gonzales III.Oliveira, Marcelo França de IV.Hallal, Maria Clara L. V.Título VI. Série CDU 93 : 37

Bibliotecária responsável pela catalogação: Jandira Maria Cardoso Reguffe - CRB 10 / 1354

Todas as informações e revisão dos textos publicados são de inteira responsabilidade dos autores.

................................................................48 Ensaio........10 A padronização da escrita científica: a ABNT e as Normas Técnicas....................................................................................................................................................................................................................43 Resumo...........54 Projeto de pesquisa...............................................................................................................................................FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 5 Sumário Apresentação........................................... .......53 Paper...............................................................76 ........................72 O livro e a difusão do conhecimento............................................45 Artigo.......................... ........................................................................................................................................................................58 Análise documental............................................................ ............................71 Trabalho monográfico ou Trabalho de Conclusão de Curso.38 Fichamento bibliográfico....................................................................................

6 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) .

Sendo assim. mas como o senhor (a) quer que façamos? O professor. da natureza e da apresentação do trabalho científico. Diante desse cenário. Não apenas nesse aspecto. o presente manual ainda propõe a padronização metodológica da apresentação. Isso. logo nas primeiras atividades avaliativas que lhes são cobradas. enfrentam as dúvidas a respeito da forma. assim como. Aqui objetivamos compor um manual que venha a auxiliar a vida acadêmica dos estudantes e principalmente os prepare para a vida fora da academia. porque trabalhos como artigos. uma grande consulta realizada através de web cast e entrevistas com alguns docentes da área. na presente obra apresentamos o resultado de uma pesquisa realizada em bibliografia adequada. com o intuito de desenvolver a qualidade dos cursos de graduação e pósLUNOS DE TODO O A . resenhas e ensaios não são cobrados apenas dentro das universidades. Não é raro os professores ouvirem de seus alunos ao cobrarem uma atividade. mas em todos os ambientes que preveem mesmo que mínima divulgação dos resultados de pesquisa científica.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 7 E Apresentação BRASIL ao ingressarem no ensino superior. elaboração e escrita dos trabalhos científicos dentro das universidades. na própria ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. como forma e hábito as mais diversas ciências cobram de seus profissionais a divulgação de suas pesquisas em revistas científicas e para tanto. A questão que se forma desse momento em diante é grave. pois cada professor formula suas próprias regras e isso causa uma verdadeira confusão mental nos alunos que precisam decorar os “gostos” metodológicos de cada professor. que muitas vezes não é especialista em metodologia da escrita do trabalho científico precisa articular certas regras de padronização para auxiliar seus alunos na elaboração do trabalho. é importante que os profissionais sejam preparados ainda na universidade para esses tipos de produções científicas.

não podemos perder de vista que todo o conhecimento científico é uma construção repleta de escolhas das fontes. o conhecimento mal compreendido pode arrastar ao descrédito. Essas oficinas foram oferecidas em turno inverso. “há séculos. Escrever com seriedade. porque escrever na verdade não é nada fácil. a partir da prática como pesquisadores. De acordo com Marc Bloch. o qual afirmou que. produzidos . Essa tarefa pode parecer simples nas palavras de Michel de Certeau. o presente livro frutificou da experiência vivida no projeto “Oficina de escrita da História”. Sendo assim. dentre os meses de outubro a dezembro de 2009.8 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) graduação da área de Ciências Humanas. a página” (2000:17). partimos da premissa que o aperfeiçoamento nas práticas da escrita não devem se fechar para a academia. Equívocos têm se construído e legitimado ao passar dos tempos devido a eventos conhecimentos muitas vezes mal escritos pelos. BLOCH. Esse projeto visava proporcionar aos alunos dos cursos de graduação de História. em nosso caso não apenas o fazer histórico remete à escrita. Sendo assim. oficinas de técnicas de escrita do trabalho científico histórico. qualquer evento pesquisado está incompleto até seu registro através da escrita. podemos perceber que. conforme discorreu de Certeau. cientistas. Licenciatura e Bacharelado. com duração de 12 horas aula. no período da noite. podemos discordar dessa simples afirmação do autor. promovido dentro do Programa de Práticas Alternativas de Ensino oferecido pela PROGRAD no ano de 2009. que se materializa no discurso científico. “Pouco a pouco ela (a boa escrita) substitui todos os mitos da antiguidade por uma prática mais significante” (2000:17). Afinal. escrever é construir uma frase percorrendo um lugar supostamente em branco. pois é inegável que o conhecimento acadêmico é construído e veiculado a partir da prática de escrita do trabalho científico. dos métodos e das teorias. mas todo o conhecimento científico. no Ocidente. ou seja. 1987:12). me parece que fazer a história remete à escrita” (2000:17). Foi formada uma turma. dos fenômenos. pois. como cita o autor. E ainda em suas palavras. Essa reflexão se faz fundamental no meio acadêmico e fora dele. Nessa perspectiva. que através da qual estudiosos de diversas áreas do conhecimento apresentam os resultados de suas pesquisas com o intuito de comunicar. No entanto. o mais bem compreendido (CF. Além disso. com clareza de comunicação é uma tarefa árdua e que se não for devidamente apreendida pelo jovem estudante pode levar a erros profundos. os alunos ainda receberam orientação e correção de seus trabalhos. narrados. mas devem principalmente atender as demandas da formação docente. “na sua forma mais elementar.

sob a orientação das professoras da equipe docente. JÚLIA SILVEIRA MATOs . Ao final de todo o conjunto dessas ações nascia o material que agora apresentados no presente livro. de Metodologia da escrita do trabalho científico. pelos bolsistas do presente projeto. com apoio do Edital 15 da CAPES. Desejamos a todos boa leitura. de segunda-feira a sexta-feira. também ofertada no Curso de formação de professores História do Brasil e do RS para as séries iniciais. Após essa experiência nas oficinas.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 9 durante a oficina. nos turnos da manhã e da noite. no formato EAD. semanalmente. ainda percebemos a grande necessidade de ampliação dos debates sobre a metodologia da escrita do trabalho científico para a formação de professores e a partir desse momento formulamos duas ações a primeira foi a criação da disciplina.

não é difícil identificar elementos textuais. a padronização pode ser descrita como uma estratégia para facilitar a identificação e compreensão de categorias de informação. Neste sentido. permitindo sua apresentação de modo sintético. etc. tais como títulos. informa sobre ele. ou categorias de informação. A padronização no Brasil No Brasil. Neste artigo apresentaremos um breve histórico da padronização no país e as normatizações reguladas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). referências.10 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) E A padronização da escrita científica: a ABNT e as Normas Técnicas Introdução Em um texto acadêmico. os parâmetros que determinam a padronização de textos acadêmicos são definidos através de Normas Técnicas (NT). Além disso. aplicáveis na grande maioria dos trabalhos acadêmicos. a racionalização. definindo parâmetros para a escrita científica no Brasil. a forma pela qual determinado texto se apresenta. . produzidas pela ABNT. a uniformidade dos meios de expressão e a comunicação. A NT é o documento técnico que fixa padrões reguladores visando garantir a qualidade de um determinado produto. citações. apresentaremos também as principais regras gerais. pois estes elementos são dispostos observando determinados padrões. previamente estabelecidos. palavraschave. Os padrões adotados fornecem modelos rapidamente identificáveis. como forma de sustentar e orientar o leitor com segurança no uso e correta aplicação das normas aqui explicadas. Em outras palavras.

ou para consultar a validade e/ou eventuais substituições destas basta acessar o sítio da entidade na internet. Participou ativamente da fundação da International Organization for Standardization (ISO) em 1947. A Resolução número 7 do Conselho Nacional de Metrologia.abntcatalogo. Normalização e Qualidade Industrial (CONMETRO).br 1. nos anos 1990. Também participou da criação da Comissão Pan-Americana de Normas Técnicas (COPANT) e do Comitê Mercosul de Normalização (CMN). . As normas de documentação que servem como ferramentas de apoio e padronização na elaboração de trabalhos acadêmicos. Contemplam os itens básicos que deverão constar em todos os textos solicitados na disciplina e também durante sua jornada acadêmica. no endereço www.com. foi se desenvolvendo ao longo do tempo em entidade normalizadora geral.Comitê Brasileiro de Informação e Documentação. Para adquirir as Normas da ABNT. sendo que estes comitês e organismos são orientados para atender ao desenvolvimento da tecnologia e a participação efetiva na normatização internacional e regional.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 11 A necessidade de haver uma entidade que uniformizasse normas e procedimentos. Inicialmente voltada à indústria. A ABNT está organizada em Comitês Brasileiros e Organismos de Normatização Setorial. sendo eleita para compor o primeiro Conselho daquela instituição. A entidade cresceu e se projetou em âmbito internacional. Regras de apresentação As instruções contidas neste tópico foram formuladas de acordo com a NBR 14724:2005 e orientam como ajustar o documento no programa Microsoft Word. referência nacional e internacional. fez o reconhecimento da entidade como único foro nacional de normalização. são estabelecidas pelo ABNT/CB-14 . padronizando processos. Os itens de padronização específicos serão apresentados em seus respectivos módulos. culminou com a criação da ABNT em 1940. Normas básicas As normas a seguir são as mais usadas na produção e apresentação de trabalhos acadêmicos.

As fontes que deverão ser utilizadas são a Times New Roman ou Arial (escolhendo apenas uma).12 1. 1. O recuo de parágrafo é de 1.25 cm (também padrão do Word) a partir da margem esquerda e justificado. Figura 1 . em tamanho 12 para parágrafo normal e tamanho 10 para citações longas. legendas das ilustrações e tabelas. digitado na cor preta.2 Margens As margens superior e esquerda devem ser de 3 cm e inferior e direita de 2 cm. notas de rodapé.1 Formato JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) Deve-se utilizar folha branca em tamanho A4 (210 X 297 mm).Margens Fonte: os organizadores .

Os subcapítulos ou subseções. O espaço simples.5. sumário. agradecimentos. devem ser digitados com somente a primeira letra maiúscula seguindo a regra da língua portuguesa e usar negrito para destacá-lo. deverá ser usado nas citações longas (ou seja. referências.5. Os capítulos ou seções são divisões principais de um texto. traço ou equivalente. alinhado à margem esquerda. resumo.5. As referências devem ser digitadas em espaço simples e separadas entre si por dois espaços simples. de tabelas.3 Espaçamento Deve ser utilizado entre as linhas o espaço 1. 1. iniciando sempre em folha própria e digitados todos em caixa alta (maiúsculas) e negrito. por sua vez. as legendas das ilustrações e/ou tabelas e a ficha catalográfica. Os títulos das seções (capítulos) devem ser separados do texto que os sucedem por dois espaços de 1. documentos consultados.4 Títulos não numerados Os títulos: errata. 1. aquelas que tenham mais de três linhas). por sua vez. separado por um espaço (equivalente a um caracter) e estar alinhado à margem esquerda.5 Títulos numerados O número do capítulo (seção) e subcapítulo (subseção) deve preceder o título. as notas de rodapé. apêndices e anexos devem ser centralizados sem numeração. digitados em negrito e em letras maiúsculas. lista de ilustrações. Para as seções não numeradas deve-se seguir o . 1.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 13 1. na mesma fonte utilizada no corpo do trabalho e em tamanho 12 alinhado à margem esquerda. de siglas. abstract. Os títulos das subseções (divisões do capítulo) devem ser separados do texto que os precedem e que os sucedem por dois espaços de 1. Não utilizar ponto.6 Numeração progressiva A numeração progressiva evidencia a sistematização do conteúdo do trabalho e deve ser utilizada conforme normatiza a NBR 6024:2003. de símbolos.

ou seja. centralizando-as. . 1. • c) o texto que a antecede deve terminar em dois pontos (:). A contagem das páginas tem início já na folha de rosto. • e) devem ser ordenadas por ordem alfabética. • b) com texto justificado. hífen. 1. exceto a última que termina em ponto (. indicada por uma letra minúscula e seguida de parênteses” (NBR 6024. ou seja. a 2 cm da borda. sequencial e progressiva do trabalho. A disposição gráfica das alíneas: • a) deve ser com recuo de 1. • d) o texto começa em letra minúscula e termina em ponto e vírgula (. 2003). mas ela só deverá ser visível a partir da primeira folha textual propriamente dita. até cinco subseções.5.25 cm. travessão ou qualquer sinal após o indicativo de seção ou de seu título” (NBR 6024:2003). e localizada no canto superior direito da folha.). Na leitura oral.8 Alíneas Alínea é “cada uma das subdivisões de um documento.7 Paginação A paginação refere-se à numeração. lê-se um cinco um. A paginação deve ser feita em algarismos arábicos. os pontos não devem ser pronunciados.14 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) formato de apresentação das seções primárias (negrito e maiúsculo). Usam-se alíneas para enumerar os diversos assuntos de uma seção que não possuem título. Todas as seções devem conter um texto relacionado a elas e não se deve utilizar “ponto. Em 1.).1. na introdução. Importante: Segundo esta norma deve-se limitar a numeração progressiva (subdivisão de seções) até a seção quinária.

ela garante respeito ao autor da ideia e ao leitor. seguida de seu número de ordem. as laterais não devem ser fechadas. também alinhada à esquerda. centro e rodapé.5. A ilustração e seu título devem ser centralizados. Entre o final do texto e o título da figura deve-se deixar um espaço de 1. Na apresentação das tabelas. deve conter a fonte de onde foi extraída. A citação pode ser utilizada para esclarecer. citação é a “menção de uma informação extraída de uma outra fonte”. • g) quando necessário. Na parte inferior. desenhos. longas (mais de três linhas). 1. precedida da palavra designativa. fotografias. restringindo-se o uso de linhas apenas para a separação do topo.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 15 • f) a segunda e as próximas linhas do texto da alínea começam sob a primeira linha do texto da própria alínea. Quaisquer dessas ilustrações devem ter seu título identificado na parte inferior. As tabelas apresentam informações tratadas estatisticamente. fluxogramas e outros (NBR 14724:2005). pode-se usar sub-alíneas e estas iniciam com hífen colocado abaixo da primeira letra do texto da própria alínea e terminam em vírgula. a segunda e as próximas devem iniciar abaixo da primeira letra do próprio título. diretas (cópia fiel do autor consultado) ou indiretas (texto baseado na ideia do autor consulado). ilustrar ou sustentar um determinado assunto. podem ser curtas (até três linhas). mapas. Devem apresentar o título na parte superior. em tipologia tamanho 10. As citações podem estar localizadas no texto ou no rodapé. Quando o título contiver mais de uma linha.9 Ilustrações e tabelas Consideram-se ilustrações: quadros. conforme as normas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). . sem negrito. gráficos. plantas. 1. apenas com a inicial maiúscula.10 Citações Segundo a NBR 10520:2002. O título não deve ultrapassar os limites da figura. A fonte da legenda e do título deve ser em tamanho 10.

“diziam respeito ao contexto do trabalho. p. Exemplo: Maximiano (2000. Toda citação deve vir acompanha da indicação de autoria. ou seja. às condições dentro das .16 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) Veja o seguinte esquema. que pode estar inclusa no texto (na sentença. Quando a autoria não fizer parte do texto. 42. frase) ou entre parênteses. ou seja. O ponto final deve ficar após o fechamento dos parênteses. R. “diziam respeito ao contexto do trabalho. deve aparecer entre parênteses. seguida do ano e paginação. Brasília: Faculdades SENAC. quando for possível identificar. pois a indicação da responsabilidade faz parte da sentença ou frase. 2009. 358) afirma que os fatores de manutenção ou aspectos insatisfatórios. Normas técnicas para apresentação de trabalhos acadêmicos. Exemplo: Os fatores de manutenção ou aspectos insatisfatórios. p. com as letras maiúsculas. sobre como se estruturam as citações: Figura 2 – Esquema das citações Fonte: SILVA. às condições dentro das quais o trabalho era realizado”. C.

310). e é influenciado pelo ambiente físico e social. As pessoas são diferentes entre si no que tange à motivação. 2000. 1. 1. Exemplo de citação longa direta: A motivação está relacionada ao sistema de cognição de cada um.10. As necessidades humanas que motivam o comportamento humano produzem padrões de comportamento que variam de indivíduo para indivíduo. com a mesma fonte do texto. precedidas ou sucedidas da indicação de autoria. As indiretas também devem ter a indicação da fonte consultada. em tamanho 10 e espaçamento simples.1 Citações curtas As citações curtas (até três linhas) diretas são incluídas no texto destacadas entre “aspas”. . p. 2000.2 Citações longas As citações longas (mais de três linhas) devem ser transcritas em bloco separado do texto. 310) “esses três fatores determinam a motivação do indivíduo para produzir em quaisquer circunstâncias em que se encontre”.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 17 quais o trabalho era realizado“ (MAXIMIANO. Chiavenato (2000. p. com recuo esquerdo de 4 cm a partir da margem. Ou Para Chiavenato (2000. p. onde este sistema inclui os valores pessoais. justificado. p. Exemplo de citação direta curta: “Esses três fatores determinam a motivação do indivíduo para produzir em quaisquer circunstâncias em que se encontre” (CHIAVENATO. 302) afirma: A motivação representa a ação de forças ativas e impulsionadoras: as necessidades humanas.10. 358).

p.3 Citação de citação É a menção de um documento ao qual não se teve acesso. desta forma. p. Algumas destas características afetam e dificultam seu trabalho. 1995. mas do qual se tomou Conhecimento por ter sido citado em outro trabalho. preservando de modo encapuçado na Carta de 1946” (VIANNA.. da ideia principal de um texto.. dentre outras). Exemplo: O trabalho dos profissionais da Informação é baseado no Conhecimento e no uso de fontes de Informações sobre a literatura científica. muitas organizações preocupam-se em descobrir como motivar seus funcionários para.... Ou “[. mais uma vez que a motivação é diferente para cada indivíduo.. 172 apud SEGATTO....”... Nesse caso. Deve ser evitado esse tipo de citação.. refletindo características próprias da Ciência e Tecnologia. procurando-se sempre consultar o documento original.. em outras palavras. também devem ser citadas as fontes consultadas e referenciá-las no final do trabalho. suporte e geográfica. p... a .. dentre as quais se destacam: a explosão bibliográfica.. 1999. 1. 3) “. a busca da eliminação de barreiras ao acesso (tecnológica. Devido a isto.. 214215). a aceleração do avanço do conhecimento com consequente obsolescência mais rápida das publicações... 1986..18 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) Confirma-se.11 Paráfrase (citação indireta) A paráfrase consiste na transcrição..10. Exemplo: Segundo Silva (1983 apud ABREU. 1.. Deve-se fazer uma leitura do texto e então esclarecer com suas próprias palavras. melhorar os serviços oferecidos...] o viés organicista da burocracia estatal e o antiliberalismo da cultura política de 1937...

procuram entender . 25) “atualmente as organizações estão preocupadas em como motivar sua equipe. sublinhado ou itálico).. 2000.. a expressão “grifo do autor”. p. 2004.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 19 ampliação da interdisciplinaridade. entre parênteses. 26 grifo nosso). 2004. Ao usar uma citação que contenha alguma expressão ou palavra destacada pelo autor usa-se.] buscavam explicar o desempenho do indivíduo nas organizações” (FICHT. 26. além da tendência à pesquisa em colaboração (MUELLER. p.”) no trabalho essa expressão ou palavra aparecerá entre aspas simples (‘.’).. acrescenta-se após a mesma a expressão “grifo nosso”. grifo do autor). Ao usar uma citação que contenha alguma expressão ou palavra entre aspas (“. p. No trabalho: Segundo Ficht (2004.. Exemplo de supressão e grifo do autor: “[. após a citação. 23-25). 1..12 Supressões. procuram entender porque alguns “colaboradores” dão o máximo de si enquanto outros fazem o mínimo possível pela Instituição.. entre parênteses. p. comentários (na citação) ou destaques (negrito. Exemplo: “Todas elas buscam explicar o desempenho do indivíduo nas organizações” (FICHT. comentários e destaques Em alguns casos o autor do trabalho poderá fazer supressões (omitir parte da citação). Exemplo: Texto original: Atualmente as organizações estão preocupadas em como motivar sua equipe. Caso o autor do trabalho queira destacar uma palavra ou expressão em uma citação.

observações ou aditamentos ao texto feitos pelo autor. As notas podem aparecer no texto ou em notas de rodapé. tradutor ou editor. c) notas explicativas: notas usadas para comentários.1 Notas de rodapé Deve-se utilizar o sistema autor-data para as citações no texto e o numérico para notas explicativas. que não possam ser incluídos no texto. e devem ser alinhadas a partir da segunda linha da mesma nota. As notas de rodapé podem ser usadas de duas maneiras: como notas explicativas ou para referência. b) notas de rodapé: indicações. São classificadas em: a) notas de referência: notas que indicam fontes consultadas ou remetem a outras partes da obra onde o assunto foi abordado. 1. abaixo da primeira letra da primeira palavra.13. podendo também aparecer na margem esquerda ou direita da mancha gráfica. 1. . esclarecimentos ou explanações. As notas de rodapé podem ser notas de referência e notas explicativas. sem espaço entre elas e com fonte menor. de forma a destacar o expoente.20 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) porque alguns ‘colaboradores’ dão o máximo de si enquanto outros fazem o mínimo possível pela Instituição”.13 Notas Devem ser separadas do texto por um espaço simples de entrelinha e um filete de 3 cm a partir da margem esquerda.

. As subsequentes citações da mesma obra podem ser referenciadas de forma abreviada. direitos sociais e justiça.. 2000. Exemplo: __________________ 8 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 1. A primeira citação de uma obra. p. em grande parte do estudo de Rahner (1962). 1989. Não se inicia a numeração a cada página. Exemplo: No rodapé da página: __________________ 8 FARIA.2 Notas de referência A numeração das notas de referência é feita por algarismos arábicos.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 21 Exemplos: _________________ 1 2 Veja-se como exemplo desse tipo de abordagem o estudo de Netzer (1976). devendo ter numeração única e consecutiva para cada capítulo ou parte. 19. 9 .). José Eduardo (Org.13. em nota de rodapé. Id. São Paulo: Malheiros. abreviadas quando for o caso: a) Idem – mesmo autor – Id. deve ter sua referência completa. utilizando as seguintes expressões. Direitos humanos. 1994. 9. p. Encontramos esse tipo de perspectiva na 2ª parte do verbete referido na nota anterior.

1925. Exemplo: __________________ 4 5 TOMASELLI... 1992. p. passim. 176. 40. TOMASELLI. em diversas passagens – passim. Ibid. . 38. 190. cit. 10 ADORNO. p. 33-46. GARLAND. Exemplo: __________________ 3 4 DURKHEIM.. PORTER. cit. Exemplo: __________________ 5 RIBEIRO... cit. p. 1997. 8 9 d) Passim – aqui e ali. p. 1996. p. loc. PORTER. 42-43. c) Opus citatum. 1990. opere citato – obra citada – op. e) Loco citato – no lugar citado – loc. Exemplo: __________________ ADORNO. op.22 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) b) Ibidem – na mesma obra – Ibid. p. cit.

p... ser usada no texto. confronte – Cf. o ato de ler envolve um processamento serial que começa com uma fixação ocular sobre o texto. A expressão apud – citado por. Exemplo: __________________ 7 FOUCAULT.. 214215). p. 1999.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 23 f) Confira. 1992. 172 apud SEGATTO. CALDEIRA. . 1995..] o viés organicista da burocracia estatal e o antiliberalismo da cultura política de 1937.] “[. p. também. 17 et seq. 1994. 1993). Exemplo: __________________ 3 Cf.. 3) diz ser [. segundo – pode. preservado de modo encapuçado na Carta de 1946. g) Sequentia – seguinte ou que se segue – et seq. prosseguindo da esquerda para a direita de forma linear. Exemplos: No texto: Segundo Silva (1983 apud ABREU. 1986.” (VIANNA.. p. conforme. No modelo serial de Gough (1972 apud NARDI.

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JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS)

No rodapé da página:

__________________
1

EVANS, 1987 apud SAGE, 1992, p. 2-3.

IMPORTANTE: as expressões constantes nas alíneas a), b), c) e f) de 1.13.2 só podem ser usadas na mesma página ou folha da citação a que se referem.

1.13.3 Notas explicativas
A numeração das notas explicativas é feita em algarismos arábicos, devendo ter numeração única e consecutiva para cada capítulo ou parte. Não se inicia a numeração a cada página. Exemplos: No texto: O comportamento liminar correspondente à adolescência vem se constituindo numa das conquistas universais, como está, por exemplo, expresso no Estatuto da Criança e do Adolescente.1 No rodapé da página:

_________________
Se a tendência à universalização das representações sobre a periodização dos ciclos de vida desrespeita a especificidade dos valores culturais de vários grupos, ela é condição para a constituição de adesões e grupos de pressão integrados à moralização de tais formas de inserção de crianças e de jovens.
1

FORMAÇÃO

DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE

HISTÓRIA

25

No texto: Os pais estão sempre confrontados diante das duas alternativas: vinculação escolar ou vinculação profissional.4 No rodapé da página:

_________________
4

Sobre essa opção dramática, ver também Morice (1996, p. 269-290).

1.14 Sistemas de chamada
A NBR 10520 (2002) apresenta dois sistemas de chamadas para citações: o numérico e o sistema autor/data. No sistema numérico, a indicação da fonte é feita por uma numeração única e consecutiva, em algarismos arábicos, remetendo à lista de referências ao final do trabalho, do capítulo ou da parte, na mesma ordem em que aparecem no texto. Não se inicia a numeração das citações a cada página. A indicação da numeração pode ser feita entre parênteses, alinhada ao texto, ou situada pouco acima da linha do texto em expoente à linha do mesmo, após a pontuação que fecha a citação (sobrescrito). Exemplos: Diz Rui Barbosa: “Tudo é viver, previvendo.” (15) Diz Rui Barbosa: “Tudo é viver, previvendo.” 15 NOTA: o sistema numérico não deve ser utilizado quando há notas de rodapé. No sistema autor/data a indicação é feita pelo sobrenome do autor ou pelo nome da entidade responsável até o primeiro sinal de pontuação (no caso de entidade), seguido da data de publicação do documento e da página onde estiver a citação.

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JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS)

1.14.1 Autor pessoa

Obra com 01 autor
“Esses três fatores determinam a motivação do indivíduo para produzir em quaisquer circunstâncias em que se encontre” (CHIAVENATO, 2000, p. 310).

Obra com 02 autores
“A teoria de Aldefer, como a de Maslow, é difícil de ser testada, o que torna difícil avaliar sua aplicação a situações organizacionais, à prática da administração ou até mesmo à realização pessoal dos empregados” (STONER; FREEMAN, 1994, p. 326). Quando houver dois ou três autores, deve ser utilizado ponto e vírgula (;) para separá-los, quando estiverem entre parênteses.

Obra com 3 autores
Segundo Andrade, Cardoso e Siqueira (1998, p. 54-57)... Ou (ANDRADE; CARDOSO; SIQUEIRA, 1998, p. 54-57)...

Obra com mais de 3 autores
Segundo Cordi et al (1994, p. 88) Ou (CORDI et al, 1994, p. 88)

FORMAÇÃO

DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE

HISTÓRIA

27

Vários documentos do mesmo autor, publicados no mesmo ano
(RICHARDT, 2000a, p. 12) ou Richardt (2000a, p. 12) (RICHARDT, 2000b, p. 15) ou Richardt (2000b, p. 15)

Vários documentos do mesmo autor
(RICHARDT, 1998, 1999, 2000) Ou Lopes (2000, 2001, 2003)

Dois autores com mesmo sobrenome
(SILVA, M., 1998, p. 23) (SILVA, J., 1998, p. 35) Ou Silva, M., (1998, p. 23) Silva, J., (1998, p. 35)

1.14.2 Autor entidade
(UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE, 2010, p. 65) (UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS, 2008, p. 76)

1.14.3 Autor evento
(CONGRESSO BRASILEIRO DE HISTÓRIA, 2006) (ENCONTRO NACIONAL DE OCEANOLOGIA, 9. 2008)

1.14.4 Documentos sem autoria
Quando o documento não possuir autoria, a indicação da

indica quais informações devem conter uma referência bibliográfica.. nunca ao artigo .. porém.1 Elementos essenciais de uma referência Toda e qualquer referência parte de uma estrutura básica.15 Referências No que toca à organização da informação. Este recurso.. 21) Se o título iniciar por artigo este deve ser incluído na indicação da fonte: (A CASA. nunca ao subtítulo. 1995.. A fonte deve ser tamanho 12 e o tipo deve ser o mesmo utilizado no texto.. p. 550) (HISTÓRIA. pois. Local: Editora. As referências devem ser alinhadas à margem esquerda do texto. que permite sua identificação individual” (NBR 6023:2002) e seu uso é obrigatório. p. 2003. NOTA: Os recursos negrito.. deve ser reservado somente ao título da obra.. itálico ou sublinhado devem ser uniformes em todas as referências... com essas informações é possível conhecer a fonte exata que serviu de base para a produção de determinado trabalho.. Título: subtítulo. Deve observar o destaque também para a obra geral.. p. as normas também servem para garantir a completude e a possibilidade de recuperação da informação. 1. 1987. Edição.. o “conjunto padronizado de elementos descritivos. 2003.28 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) citação deve ser feita pela primeira palavra do título seguido de reticências: (ANTEPROJETO. de maneira que se identifiquem individualmente com espaço simples e separadas umas das outras por dois espaços simples.15. com elementos essenciais para a identificação de uma obra: AUTORIA. p. 15) 1. retirados de um documento. A NBR 6023:2002. 4) (A FLOR. da ABNT. ano de publicação. Referência é.

Imagens do horror. Campinas: Editora da UNICAMP.2 Tipos mais recorrentes de uma referência 1. Francisco das Neves. como livro. In SELIGMANNSILVA.1 Referências em obras impressas Consideradas no todo. Campinas: Editora da UNICAMP. Artigo em revista: ALVES. às obras sem indicação de autoria. com exclusão de artigos (definidos e indefinidos) e palavras monossilábicas. Apresentaremos a seguir os tipos de referências mais utilizadas. . literatura: o testemunho na era das catástrofes. sempre em ordem alfabética.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 29 inserido nela. Isso não se aplica.15. folheto.15. ou de responsabilidade. 2005. guia. Biblos. literatura: o testemunho na era das catástrofes. O enaltecimento da Farroupilha versus o esquecimento da Federalista: um estudo de caso historiográfico. memória. 2003. memória. já destacado pelo uso de letras maiúsculas na primeira palavra. Márcio (org). nas três formas mais usuais: Livro com subtítulo: SELIGMANN-SILVA.2. 2003. A lista completa poderá ser consultada na Norma específica da ABNT (NBR 6023: 2002) 1. cujo elemento de entrada é o próprio título. História. Artigo em livro: CANGI. manual. História. Veja os exemplos de destaque abaixo. As referências podem aparecer em notas de rodapé. no fim do texto ou de capítulo e em listas de referências ao final do trabalho. 17: 103-20. Márcio (org). Rio Grande. Adrián. porém. Paixões tristes.

242 p. ed. Até 03 autores SOBRENOME. Richard.) Novo dicionário Folha Webster’s: inglês/português. ed. Leon C. Renan et al. HOUAISS. Páginas. São Paulo: FUNDAP. 82 p. 614 p.. Antonio (Ed. São Paulo: Harbra.30 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) catálogo. Administração: conceitos e aplicações. Donald C. Amado L. Rio de Janeiro: Ediouro. CERVO. Obra sem autoria PERFIL da administração pública paulista. Edição. dissertações e teses). GORDON. 5. ano. Paulo. Metodologia científica. dicionário. Cidade: Editora. MOSLEY. 1996. 1988. português/inglês.. . 223 p. 6. 4. 317 p. 2002. Título. 5. etc. enciclopédia. 1994. trabalhos acadêmicos (trabalhos de conclusão de curso. Co-editor: Ismael Cardim. PIETR JR. Mais de três autores e com subtítulo VEJA CANTOR. Pedro A. ed. organizador. MEGGINSON. 1996. Edição exclusiva para o assinante da Folha de S. A assustadora história da medicina.1998. ed. Nome. BERVIAN. Obra com editor. São Paulo: Folha da Manhã.. etc. Paul H. São Paulo: Prentice Hall. 12 de octubre de 1492: descubrimiento o invasión? Colômbia: Comité Pedagogico de la Campaña Autodescubrimiento.

São Paulo: Guará. 1997. Brasília.. Rio Grande: FURG. dissertações e teses LOPES. 319 p. 1996-. São Paulo. Neuza Aparecida.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 31 Manual. MUSEU DA IMIGRACÃO (São Paulo. 118 f. (Roteiros turísticos Fiat). Compartilhamento da informação e do conhecimento em bibliotecas especializadas. 1995. CMRV-PR CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA VETERINÁRIA. Bimestral. 1996. Programa. 41 p. roteiro. BRASIL: roteiros turísticos. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. A utilização de tecnologias de informação na biblioteca: o caso da PUC-PR. Eventos no todo ENCONTRO SUL-BRASILEIRO DE ESTUDANTES DE DIREITO. RAMOS. 91 f. CLÍNICA VETERINÁRIA. 1996. Dissertação (Mestrado) – Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Periódicos (revistas) no todo TÍTULO DA REVISTA. Trimestral. ed. Periodicidade. 1993. . Monografia (Especialização em Gestão do Conhecimento nas Organizações) . 2001. 16 p. Adriano. Rio Grande. 6 2001. DF: IBICT. Curitiba. 2005. Curitiba: CRMVPR. il. Museu da Imigração – S. e de encerramento. Curitiba. Paulo: catálogo. Cidade: Editora.. Ano de início da publicação. Inclui mapa. 2. Trabalhos de conclusão de curso. 2005.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. se houver. catálogo IBICT. São Paulo: Folha da Manhã. 2000. Manual de normas de editoração do IBICT. SP).

sociedade: livro de resumos. 1. Novos enfoques da pesquisa educacional. Edição. Aprendendo o caminho da pesquisa. Quando tratar-se da Constituição e de suas emendas. AUTORIA DA PARTE DA OBRA. Belém. 35-50. 1990. p. Local: Editora. I. Avaliação de processos de automação de bibliotecas universitárias. Poços de Caldas. Carlos et al. indústria. (Org. acrescenta-se a palavra Constituição. 14-16. entre a indicação da jurisdição e o título. O elemento mais importante dessa referência é a partícula In que será utilizada para indicar a obra da qual a parte foi retirada.32 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUÍMICA. M. 1990. v. numeração. 1992. Trabalho apresentado em evento FERNANDES. Química: academia..). título.. São Paulo: Sociedade Brasileira de Química. 1997. Parte de uma obra Essa referência é utilizada apenas quando uma parte identificável da obra foi utilizada. p. seguida do ano de sua promulgação. 20. data e dados da publicação. In: FAZENDA. Legislação Os elementos essenciais são: jurisdição. Título: subtítulo. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS. . ano. entre parênteses. 1997. Nesse caso deverá ser apresentada a parte utilizada e o número da página inicial e final da parte. Anais. Exemplo: LUDKE. Belém: MEC/SESU-PNUB. Página inicial-final da parte.. São Paulo: Cortez. Título da parte. 6. In: AUTORIA DA OBRA.

139. Poder Executivo. p. BRASIL. Súmula n. EXAME. Nome do autor. São Paulo. 34. de 1 de maio de1943. data de publicação. ago. 103. Jurisprudência BRASIL. 1997. Súmulas. São Paulo. p.569-9. v. 14 dez.452. São Paulo. 1994. 1. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. número. Doutrina BARROS. volume. Lex: jurisprudência do STF e Tribunais Regionais Federais. Revista Trimestral de Jurisprudência dos Estados. de 11 de dezembro de 1997. 14. 19. Três. Supremo Tribunal Federal. n. mar. Ed. In: _____. cidade. 1994. Lex: coletânea de legislação: edição federal. 7. SOBRENOME. n. Brasília. número. 5. v. jun. São Paulo. n. 181. Nome do autor. Nome da revista. São Paulo: Associação dos Advogados do Brasil. v. da 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. maio 1995. 2000. Cidade. 12. Habeas-corpus n. p. 53-72. Artigo e/ou matéria de revista SOBRENOME. 6 dez. Ministério Público: sua legitimação frente ao Código do Consumidor.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 33 BRASIL. 16. Seção 1. DF. Supremo Tribunal de Justiça. v. 29514. 1335. Título do artigo. Medida Provisória n. Decreto lei n. p. São Paulo: Abril. BRASIL. páginas.636-1. n. 236-240. 1998. 10. boletim TÍTULO DA REVISTA. Brasília. DF. volume. . 1943. Parte de periódico. data da publicação. Suplemento. Raimundo Gomes de. 1995. ISTO É.

inverno 1994. c1998. 1. Castro. Acesso em: 28 fev.l. Disponível em: <http://www.html>. n. In: DICIONÁRIO da língua portuguesa. Lisboa: Priberam Informática. Paulo. São Paulo.2. Artigo de revista VIEIRA.2 Referências de obras em meios eletrônicos Neste tópico será demonstrado como referenciar livros. 1999. 1999. Folha Turismo.). Cássio Leite. Navio Negreiro. [S.com.html> Acesso em: 10 jan. LOPES. Caderno 8. Disponível em: <http://priberam.pt/ diDLPO>. In: ENCICLOPÉDIA multimídia dos seres vivos. p. .]: Virtual Books. Antonio (Ed. A queda do cometa. 2.terra. LOPES JUNIOR. Aury Celso de Lima. ALVES. [S. 1999. Monografia no todo KOOGAN.com.]: Planeta DeAgostini. Acesso em: 08 mar. André. Rio de Janeiro. 1998.15. 1998.34 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) Artigo ou matéria de jornal NAVES. HOUAISS. Neo Interativa.jus. CD-ROM 9. 13. Parte de monografia MORFOLOGIA dos artrópodes. revistas e artigos de jornais disponíveis em meio eletrônico. Boletim Paulista de Direito.br/links/revista. Direção geral de André Breikmam. Folha de S. P. 1 CD-ROM.l. 28 jun. 2000. Enciclopédia e dicionário digital 98. Disponível em: <http://www. Marcelo.br/virtualbooks/freebook/ port/Lport2/navionegreiro. POLÍTICA. 5 CD-ROM. A prisão de Pinochet e a extraterritorialidade da lei penal. São Paulo: Delta : Estadão. Lagos andinos dão banho de beleza. 2002.

1996. Não é admissível. 1998. Disponível em: <http://www. O Estado de S.htm> Acesso em: 21 jan. Trabalho apresentado em evento GUNCHO. 1999. C. Ives Gandra da.ufpe. Recife: UFPe. 14.htm> Acesso em: 19 set. 1996. 19 set. BRASIL.. Fortaleza. Fortaleza. In: SISLEX: Sistema de Legislação. em razão da idade.br/epirio98/>. por ato administrativo. P. Documento jurídico BRASIL. Globalização e saúde: impacto nos perfis epidemiológicos das populações. Anais. 1998. 1998. Paulo. SABROZA.br/pena_morte_nascituro.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 35 Artigo de jornal SILVA. 10. 1999.html>. Recife. Disponível em: <http://www. Súmula n. Pena de morte para o nascituro.com. Regulamento dos benefícios da Previdência Social. Acesso em: 29 nov.truenetm. Acesso em: 17 jan. providafamilia. Jurisprudência e Pareceres da Previdência e Assistência Social. M. 1998. . restringir. Rio de Janeiro.. Anais eletrônicos. Anais eletrônicos. 1997.. Mesa redonda. 1998. TecTreina. com. [S..propesq. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE EPIDEMIOLOGIA. Eventos no todo CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UFPe.org. Disponível em: <http://www..br/jurisnet/sumusSTF. Rio de Janeiro: ABRASCO. R. In: SEMINÁRIO DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS. 4.. Supremo Tribunal Federal. 1998. 1998.br/anais/anais.l.. A educação à distância e a biblioteca universitária. Disponível em: <http://www.abrasco. 1 CDROM. São Paulo. 1 CDROM.]: DATAPREV. 4. inscrição em concurso para cargo público..

Fev.): Forma correta: jan. na mesma página. fev. Número de slides ou transparências. Normas para apresentação de trabalhos acadêmicos. Olympio. Apresentação em Power-point. José.normasparatrabalhos. (. Casa grande & senzala: formação da família brasileira sob regime de economia patriarcal. 2 v... transparências SOBRENOME. pode(m) ser substituído(s). Disponível em: <endereço completo>. o(s) nome(s) do(s) autor(es) de várias obras referenciadas sucessivamente. mar. na mesma página.) IMPORTANTE: Lembre-se de organizar as referências obedecendo à ordem alfabética. Além do nome do autor. NOTA: as abreviações dos meses devem seguir a norma padrão da língua portuguesa. o título de várias edições de um documento referenciado sucessivamente. Gilberto.) Forma errada: Jan.36 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) Slide de Power-point. ______ ..) Forma errada: Outub. SILVA.. Sobrados e mucambos: decadência do patriarcado rural no Brasil.com/ppt>. Eventualmente. 1943. Acesso em: 20 jan. Data. Nome. também pode ser substituído por um traço sublinear nas referências seguintes à primeira. Título. 1936.. São Paulo: Ed. grafam-se as três primeiras letras do mês correspondente. Exemplos: . 2007. Mar. (. Nacional.. Rio de Janeiro: J. Setem. Disponível em: <http://www. (. Exemplos: FREYRE. Notas complementares. sempre em minúsculo e seguido de ponto final (. 2006. nas referências seguintes à primeira. ou seja. por um traço sublinear (equivalente a seis espaços) e ponto.

2009. Normas de apresentação tabular. Informação e documentação – referências – elaboração. . Referências bibliográficas ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ed.______. 2002. Rio de Janeiro: ABNT. 410 p. _______. ______. 2005. SILVA. 2. NBR 14724:2005. São Paulo: Ed. NBR 10520:2002. Rio de Janeiro: ABNT. 1938. 1936. Brasília: Faculdades SENAC. 2002. C. 405 p. Informação e documentação – citações em documentos – apresentação. _______. Ed. Gilberto. 3. NBR 6023:2002. Nacional. São Paulo: Ed. 1993. R.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 37 FREYRE. Nacional. Informação e documentação – trabalhos acadêmicos – apresentação. Rio de Janeiro: ABNT. IBGE. Rio de Janeiro. Normas técnicas para apresentação de trabalhos acadêmicos. Sobrados e mucambos: decadência do patriarcado rural no Brasil.

todas com o objetivo central de extrair as ideias principais do texto estudado. ou seja. as citações apresentadas devem ser comentadas. A primeira natureza é analítica. é um material de arquivamento de dados e por isso deve apresentar estrutura e organização claras o suficiente para não inutilizar as informações ali distribuídas com o tempo. No entanto. artigos e trabalhos monográficos. fichamento se configura enquanto um método de estudos de análise textual. ou seja. principalmente nos cursos de graduação nas áreas de Humanas é o “fichamento”. ele pode ser categorizado em três naturezas. Por isso. logo a seguir.38 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) E Fichamento bibliográfico Uma das atividades ou exercícios acadêmicos mais solicitados pelos professores. de forma a esclarecer as ideias presentes no livro fichado. além da apresentação da referência bibliográfica logo no início. muito importante no processo de levantamento de dados para realização de pesquisas. fichar é transformar conhecimento em categorias de informação que possam ser consultadas em fichas. analisadas. A princípio parece algo muito simples: ler e extrair do texto as ideias principais e anotá-las em fichas para futura consulta. Dessa forma. Vejamos o exemplo: . o fichamento tem como função a consulta posterior aqueles dados. Conceitualmente. leitura e organização das informações. – pois não exige estudos contextuais da obra –. uma apresentação breve da obra. além de um instrumento de consulta a dados. O tipo analítico deve ser estruturado de forma que o autor do fichamento exponha os motes principais de ideias do texto e ao mesmo tempo insira seus comentários sobre o contexto de localização das citações extraídas.

o grande pregador jesuíta Emond Auger. também é preciso apresentar os dados . ao menos não como principal motivo. concordaria em que “os artesãos humildes e ignorantes” pudessem ler e criticar os evangelhos. sem perseguições contra seus membros. tese e etc. explicitando sobre a vida das pessoas comuns nesse contexto da França moderna. pois na concepção desses trabalhadores.. Pode ser muito útil no processo de levantamento bibliográfico para o desenvolvimento do tema do trabalho monográfico. ele também deve manter a característica de ser um material para consulta permanente e por isso tem que ter uma estrutura clara.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 39 Modelo de fichamento analítico: DAVIS. Natalie Davis nessa obra procurou explorar um outro lado da reforma francesa. Esse tem como função servir para consulta rápida a dados referentes a determinado tema dentro de uma pesquisa.e como viviam na França em tal período. sob a ótica da própria igreja reformada. por volta de 1572 ele estava quase concluído. acharam prudente voltar as suas “origens” católicas. O abandono da Igreja Reformada começou em 1566.. Grupo considerado radical e profano. Só que essa “ilusão” só trouxe problemas.) Podia-se. pelo menos. Tratou de evidenciar a vida do povo comum . ser Grifarrin e católico sem muitos problemas.1990. homens . Os oficiais gráficos cantadores de salmos tornaram-se. (. sendo protestantes poderiam ser reformadores. Nesse tipo de fichamento. mas não por convicção religiosa.12) Os oficiais gráficos a principio acharam que poderiam transformar a sociedade de sua época caso voltassem para o protestantismo. no final do século XVI. já que nem mesmo seu mais eficiente defensor.mulheres. “A única alternativa real era a Madre Igreja.”(p. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra. No entanto. pois não foram aceitos visto que criaram um grupo individual. mas sim para poderem viver em paz. dissertação. Outro tipo de fichamento é o temático. politiques que lamentavam o fato de que a França devesse dividir-se por causa da religião. Natalie Davis. Então. Culturas do povo – Sociedade e cultura no início da França moderna. conhecido como Companhia dos Griffarins. Eles voltaram para ela mais ou menos desenxabidos. artigo.

Ao apresentar essas características. cultura. A Dança dos Deuses: futebol. uma breve apresentação dos objetivos do livro fichado e por fim as citações extraídas e comentadas. o autor afirma que ambos baseiam-se em. 2007.25) . 1.. o autor desse tipo de fichamento não pode comentar as citações. Na mesma perspectiva. apenas deve referir a obra no início da primeira ficha e depois seguir com . Desta forma. supremacia do mais hábil. sociedade. competição. Síntese da Europa Industrial e colonialista Para relacionar o surgimento do futebol na sociedade do século XIX da Inglaterra. fixação de regras” (p. secularização. nessa modalidade não são obrigatórios os comentários. tanto na época de sua criação quanto nas décadas vindouras. Tanto nessa modalidade. porém poucos pensam sobre esta prática esportiva. Hilário. . o fichamento descritivo também visa extrair as ideias principais do texto fichado. o autor procura relacionálo com as próprias sociedades que o tornaram tão popular. Na verdade. especialização de funções. “.. no fichamento temático não é a ideia central do texto que é extraída em fichas e sim o tema que se busca para o desenvolvimento da pesquisa. Micro-História do mundo contemporâneo. no entanto. Hilário Franco Junior se dispõe a pensar o futebol. Vejamos o exemplo: Fichamento Temático: FRANCO Jr. já que acredita que muitos o praticam. São Paulo: Companhia das Letras. Franco Junior demonstra a razão pela qual é inegável que o surgimento do futebol moderno tenha sido na sociedade industrial oitocentista inglesa.40 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) bibliográficos da obra.Neste livro. igualdade de chances. A partir da história do esporte. quantificações de resultados. quanto na analítica as citações e comentários podem ser divididos de acordo com os títulos e subtítulos da obra e em ambos os casos a análise depois da citação é indispensável. Parte 1: Futebol. produtividade.

serem analisadas. mas a forma a qual o estudante ou pesquisador se adapta melhor. o jovem rei de 22 anos [Luís XIV] reuniu seus ministros e conselheiros e lhes comunicou que desde então ele seria o seu ‘primeiro-ministro’ e proibiu-lhes decidir e assinar qualquer coisa sem a sua ordem” (p. “A identificação do rei com o Estado fez que cada ato de sua vida adquirisse importância pública. mas qual é o mais correto? Nesses três. que podem ou não. apesar das diferenças de natureza. “Logo. Carl. Vejamos o exemplo: Fichamento descritivo: Fichamento do texto: GRIMBERG. 3-77.” (p.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 41 a ordenação das citações que sintetizam as ideias dos capítulos ou partes da obra fichada. pp. O SÉCULO DE LUÍS XIV Luís XIV. 1989. 4). apresentação breve da obra e as citações que sintetizam as ideias principais da obra ou do tema. . Lisboa: Publicações Europa América. Coleção História Universal. esse método de estudos é algo muito pessoal. não existe o tipo mais correto. Nesses três casos precisamos atentar para a sua estrutura mínima que se divide em: referência bibliográfica no início da primeira ficha. O Rei-Sol e sua corte 2. 3). depois da morte de Mazarino. Volume 17. uma coisa é central. depende do tipo de fichamento. “O Estado sou eu” 2. O século de Luís XIV. Ao vermos esses três exemplos de modelos de fichamento. podemos ao final nos perguntar.

fichamento é uma modalidade de extração da essência de um livro. Ver normas artigo. Os títulos dos capítulos ou subdivisões do texto devem ser citados separando as secções do fichamento. artigo ou texto. Mas. Sendo assim. Essas fichas deveriam facilitar o acesso à informação dos textos. No cabeçalho deve ser inscrito a bibliografia do texto fichado. margens superior e esquerda 3 cm. como o próprio nome expressa. como formas de citar. É importante que as citações apareçam no fichamento entre aspas e justificadas e abaixo delas. digitam no computador em arquivo word. os comentários com o devido parágrafo. o nome do autor e a data para facilitar futuras consultas.42 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) Normas ABNT para fichamentos: A Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. lembremos que um fichamento não deve ultrapassar 10% do tamanho total do texto fichado. notas. . letra Times New Roman ou Arial. Por fim. Nas demais normatizações. atualmente poucos ainda utilizam fichas para registrar seus fichamentos. bibliografia e etc. No entanto. podemos propor a formatação do fichamento em folhas A4. inferior e direita 2 cm. espaço simples. em citações anotadas em fichas. não apresenta em seus manuais nenhuma normativa voltada a modalidade de fichamentos. ao invés.

Esse fato leva muitos alunos a questionarem o que é uma resenha. É uma modalidade de análise textual. No entanto. normalmente voltada para publicação em jornais. sua autoria e contexto de produção. é uma análise interpretativa de um documento. Muitas vezes é exigida do aluno antes mesmo desse apreendê-la na disciplina de Metodologia da Pesquisa. aconselha-se a divisão do trabalho em duas partes. apesar de contemplar uma síntese das ideias relevantes não se limita a isso. etapas que auxiliam no processo de construção da pesquisa. também pode ser utilizada como método de leitura e fichamento. ou seja. Portanto.análise historiografica A resenha é uma das modalidades analíticas mais cobradas pelos professores dentro dos cursos superiores na área de Ciências Humanas. A resenha objetiva fornecer uma apreciação crítica sobre determinada obra. e a resenha científica que tem por objetivo empreender uma análise de cunho historiográfico. com vistas a perceber os intra-discursos e inter-discursos da obra. apesar de também exigir do resenhista que pesquise informações extratextuais. não é resumo. a resenha científica é o exercício que objetiva uma apreciação crítica e específica de uma obra no seu tempo. Para o melhor entendimento da produção de resenhas. Dessa forma. com estrutura entre 8 e 15 páginas. chamada release. sistematizamos a seguir um roteiro para construção da Resenha científica: . revistas ou cadernos de cultura. mesclando a descrição técnica da obra com a análise crítica propriamente dita. É importante termos em mente a diferenciação entre a resenha de divulgação dos lançamentos. no roteiro que aqui apresentamos visamos auxiliar os alunos que iniciam seus passos nos caminhos da pesquisa. o ponto forte de uma resenha é a visão crítica do intérprete e por isso. pois além do cuidado com esta síntese deve conter uma análise das estruturas ideológicas do texto. Segundo Silvana Drumond Monteiro (1998). Sendo assim. O texto deve ser objetivo. ou seja.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 43 E Resenha científica .

4) BIBLIOGRAFIA: Obras utilizadas como auxílio interpretativo para a produção da resenha. Deve-se perceber nesse ponto que tipo de relação o autor estabelece com os fatos destacados na obra. se essas são primárias. psicológico. identificar quais são os dados culturais mais destacados. . • Análise das fontes: analisar como o autor selecionou e interpretou as fontes para produção de sua obra. ou seja. mitológico. síntese do tema pela ótica do autor. secundárias.INTRODUÇÃO GERAL: do tema e apresentação dos objetivos da Resenha. público a que a obra é destinada. se são voltadas para a relação passadopresente. em ordem decrescente da mais importante para a menos. Ao final analisar os engajamentos teóricos ou políticos do autor e como esses influíram na construção de seu texto. • Hierarquização das ideias: discutir e analisar quais ideias o autor apresenta na obra e como ele hierarquizou-as. • Visão de História e universo ideológico: qual olhar sobre a História o autor apresenta na obra. ou seja. ou seja. se em ordem cronológica ou não. o motor da História. suas ênfases. em sua visão. linguagem aplicada na obra (o estilo de escrita do autor).44 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) 1) Parte A . como a sucessão de fatos é estabelecida. 3) Parte B . etc. qual é. se é materialista. o ponto desencadeador dos acontecimentos. Ainda se as utiliza como legitimadoras do discurso ou as critica e repudia em prol de seu argumento. 2) SISTEMATIZAÇÃO: vida e obra do autor (breve relato da vida do autor relacionado com a obra). a diacronia dos acontecimentos.ANÁLISE DO CONTEÚDO: • Periodização: analisar como o autor selecionou o período analisado na obra. divisão dos capítulos (resumo analítico dos capítulos). contextualização (momento de produção da obra). cultural.

UEL. Silvana Drumond. Elaboração de resumos e resenhas. MONTEIRO. (texto pessoal de aula). Roteiro para elaboração de resenha científica. . 1998.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 45 Referências bibliográficas: LOPES. Londrina. Ed. Marcos A.

sempre ter consciência que resumo não é cópia do texto analisado. livro ou tese. Passos para elaborar um bom resumo: 1. Para a ABNT “Um bom resumo deverá informar ao leitor finalidades. metodologia.46 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) E Resumo O que será o dito resumo? Este nada mais é do que uma síntese das principais ideias de um texto. Contudo. sintetizar. 2. pois cada um demonstra e encerra uma ideia diferente. Como organizar essas ideias? Primeiramente lendo o texto que deverá ser resumido. disciplina (se for o caso). 2.1). 3. resultados e conclusões do documento. Essa define o resumo como apresentação concisa dos pontos relevantes de um documento. contudo com as palavras do próprio aluno. Estrutura do resumo: 1. onde prevalecem as ideias do autor. marcar. sublinhando frases ou palavras importantes. p. aluno. após a leitura e releitura. fazer um resumo de cada parágrafo. dispensar a consulta ao original” (NBR 6028:2003. identificar as ideias principais. . seja este monografia. salientar as principais ideias do autor. de tal forma que este possa. A norma da ABNT que define as regras para o resumo é a NBR 6028. Segundo DMITRUK (2004: 51) na academia o resumo informativo é mais utilizado. ler mais de uma vez o texto. em um texto conciso estabelecer as principais ideias do autor analisado. inclusive. cabeçalho identificando instituição de origem.

Rio de Janeiro: ABNT. 2003. Quanto a sua extensão geralmente delimita-se o resumo por número mínimo e máximo de palavras. O tamanho varia da finalidade do resumo. teses.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 47 3. DMITRUK. se for para um Congresso. após realizado o texto. _______. estima-se entre 150 a 500 palavras. Cadernos Metodológicos: diretrizes do trabalho científico. Porém para monografias. colocar a fonte que está sendo estudada. . que devem estar logo abaixo do resumo. 2003. dissertações. Apresentação de relatórios técnico-científicos: Rio de Janeiro: ABNT. 2004. Hilda Beatriz (org.). Chapecó. SC: Editora Argos. por exemplo. NBR 6028:2003. inserir as palavras-chave. Informação e documentação – resumo – apresentação. a instituição provedora irá delimitar as palavras. Referências Bibliográficas: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 4.

ou realizar uma discussão historiográfica. o narrativo que visa a veiculação de determinado conteúdo em forma de narração. ou dissertativo. Não dê definições de conceitos que já são de senso comum da ciência. o texto dissertativo precisa ter introdução. e não devem simultaneamente serem submetidos a outra publicação. sua análise deve ser abordada de forma clara. crítica ou experiência de pesquisa. se o texto já foi publicado ou é resultado de palestra e etc. No entanto. com vistas à crítica e avaliação das ideias vigentes sobre determinado tema. a transmissão de determinado conhecimento. com personagens e eventos organizados. Entretanto. desenvolvimento e conclusão.48 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) E Artigo O artigo é uma importante modalidade de escrita acadêmica por se concentrar na apresentação dos resultados obtidos de pesquisa em andamento. Quando isso ocorrer. da mesma forma fazer uma crítica nova a um paradigma já estabelecido. visaria o convencimento sobre determinado argumento. Em seu artigo. . precisamos atentar para o fato de uma característica fundamental de um artigo científico que é a sua originalidade de teoria. Os trabalhos enviados para publicação precisam ser inéditos. conclusões ou experimentos que validem ou refutem teorias vigentes. análise. O artigo deverá sempre apresentar algo novo. É fundamental percebermos que no artigo podem ser empregados dois modos de escrita. fazer uma ampliação ou aprofundamento real a um conceito ou de uma visão historiográfica. ou seja. dissertados ou narrados no texto. que visa a apresentação de determinado assunto. o texto dissertativo pode também ser argumentativo e. devem ser explicitado em rodapé. Enquanto o texto narrativo necessariamente precisa apresentar personagens em movimento e um narrador dos eventos. por exemplo: propor uma “nova teoria”. apriorísticos ou conclusivos. quando se tratar da definição clássica que pode ser consultada em um dicionário ou enciclopédia. apontar novos caminhos. abordagem. nesse caso. Esses resultados podem ser parciais. tese.

Vejamos suas partes essenciais: 1.(Introdução. O ARTIGO sempre deve apresentar uma conclusão clara. o objeto de estudo. argumentativo ou narrativo e Conclusão/Considerações Finais). apresentação das fontes que serão analisadas. Palavras-chave (para periódicos). 4. Autor – nome completo. fontes auxiliares e referenciais bibliográficos. ou seja. deve ser gestado e apresentar o problema motivador. o . 7. 2. As partes do desenvolvimento devem contemplar: Introdução Na introdução devem-se expor os objetivos do trabalho de maneira que o leitor tenha uma visão geral do tema abordado. Conteúdo . Sua estrutura deve se fixar entre 10 e 20 páginas. b) a posição teórica selecionada pelo autor para tal análise. Epígrafe (facultativo) – frase ou citação que tenha relação com o tema geral do texto. Referências – podem se subdividir em fontes. Título – de forma que resuma a ideia a ser apresentada no artigo. 3. Resumo (para periódicos). A introdução deve apresentar: a) o tema estudado. suas justificativas. mesmo que breve. 5. das fontes utilizadas e da abordagem aplicada para alcance dos resultados.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 49 com apresentação conceitual dos objetivos do trabalho. c) uma pequena discussão historiográfica de trabalhos anteriores que abordam o mesmo tema. como em qualquer pesquisa. 6. Da mesma forma. deve apresentar uma. discussão historiográfica sobre seu tema. mas que será respondida no texto. d) O objetivo do estudo ali apresentado. O artigo é essencialmente veiculação de resultados da pesquisa e por isso. materializado em pergunta.somente para os enviados à periódicos. Desenvolvimento Textual. e-mail e universidade ou instituição a que pertence. Objetivos.

correspondentes aos objetivos e hipóteses do trabalho em desenvolvimento. No entanto. Desenvolvimento Parte principal e mais extensa do trabalho deve apresentar os resultados e discussões desses. a razão de escolha do método. o autor. Pode ser dividido em seções e subseções. ainda pode acrescentar itálico a elas com o intuito de destacá-las dentro do texto.7 cm). o método proposto. a ABNT indica que as citações de até 3 linhas devem ser apresentadas em corpo de texto entre aspas. Normas ABNT para artigo: A normatização do artigo é válida para todos os trabalhos acadêmicos. algumas questões podem ser regradas pelo autor. de forma a evidenciar sua fundamentação teórica e metodológica. O artigo deve ser apresentado graficamente em: • papel branco. No entanto. no entanto. pois prevê o regramento de toda a informação técnica do texto. a hipótese de estudo. com . cor preta. Formato A4 (21 cm x 29. Por exemplo. desde que apresentadas em todo o texto de forma igual.50 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) problema de pesquisa. b) deve ser breve e pode apresentar recomendações e sugestões para trabalhos futuros. Essa informação pode aparecer em nota explicativa na primeira citação apresentada em itálico. c) para artigos de discussão historiográfica não é preciso apresentar teoria e método. Conclusões: a) as conclusões devem responder aos problemas da pesquisa devidamente apresentados. aquilo que está regrado não deve ser alterado.

o espaçamento. os títulos e subtítulos das seções (capítulos) devem ser separados do texto que o sucede por 2 espaços duplos. citações maiores que três linhas. no entanto. As • • • • • • • • • . o espaço simples deve ser empregado na nota explicativa da folha de rosto. entre colchetes. na ficha catalográfica e nas legendas das ilustrações e tabelas. • a ABNT sugere e recomenda que se utilize a fonte Arial ou Times New Roman. o recurso itálico pode e deve ser utilizado para as palavras estrangeiras e para as citações. em todos esses casos. deve-se utilizar a mesma fonte empregada no texto.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 51 exceção para ilustrações. da mesma forma. nas referências.5 entre linhas em todo o trabalho. a partir da margem esquerda. as referências devem ser diagramadas em espaço simples e separadas entre si por espaço duplo. no resumo. o negrito é um recurso tipográfico que pode ser usado para destacar alguma parte do texto que mereça esse tratamento. conforme previsto pela ABNT pode ser duplo ou 1. tabelas. exceto naquelas em que o autor citado assim haja procedido. Os títulos devem aparecer em letra 14 e os subtítulos em letra 12. ambos em negrito. tamanho 12 em todo o corpo do trabalho. Enquanto que para títulos não necessita nenhuma indicação. incluindo títulos e subtítulos. as seções do texto podem ser primárias ou secundárias. legendas de ilustrações. nas citações maiores que três linhas. quando tratar-se de citação de obra de outro autor ou em nota de rodapé para destaque de ideias próprias. da mesma forma. desde que referenciado. mas no tamanho 10. nas notas de rodapé. nas notas explicativas da folha de rosto. sem abandonar as aspas. seguido da expressão “grifo nosso”. notas de rodapé. não esquecendo das notas explicativas que devem ser digitadas dentro das margens do trabalho. separadas do texto por um espaço simples de entrelinhas e por filete (traço) de 3 cm. paginação e ficha catalográfica.

as mesmas em terciárias. . por isso observe. superior – 3 cm. direita – 2 cm. mas respeitando a gramática e prevendo os devidos parágrafos. devem ser iniciadas em folha distinta. chamadas de capítulos. inferior – 2 cm. Lembre-se que o projeto gráfico está a cargo do autor do trabalho acadêmico apresentado.25cm na margem esquerda para o início do parágrafo. o parágrafo iniciado com recuo na primeira linha deve-se ter 1. Os parágrafos devem ser alinhados de forma justificada. que assim deve ser empregado em todo o texto. A ABNT recomenda que sejam limitadas o número de seções e subseções até a quinária. Assim.52 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) primárias são as principais divisões do texto de um documento e. que as margens devem ter: esquerda – 3cm.25 cm. com um espaço de 1. As seções primárias podem ser divididas em secundárias. as quais ainda podem ser subdividas em quaternárias e assim por diante.

visa sempre rever a produção sobre determinado tema. Por ter uma natureza historiográfica acaba por permitir-se um espaço maior de discussão. não exige comprovação de ideias. No entanto. . ou seja. no qual o autor apenas tem compromisso com suas próprias reflexões e com a realidade que ele vê e acredita. Sua estrutura é igual a do artigo e por isso. Por ser profundamente opinativo. É um tipo de texto que permite a livre criação. é o balanço referente a um conhecimento ou assunto representado e apresentado dentro de uma tradição do pensamento. muitas vezes são confundidos. mas objetiva o convencimento e por isso é de natureza argumentativa.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 53 E Ensaio O Ensaio enquanto modalidade de escrita acadêmica sempre é de cunho historiográfico ou revisionista. o ensaio pode ser encontrado nos editoriais dos jornais. por isso deve ter entre 15 e 30 páginas. o ensaio apenas se propõe a analisar aquilo que outros pesquisaram e não se propõem a discutir as fontes diretas sobre o tema tratado.

mas atualmente a academia se abre para outras formas de linguagem. O paper é um texto de estrutura igual a do artigo. com objetividade. ao contrário do artigo que visa à apresentação de resultados finais ou apriorísticos. pesquisado. mas dos Simpósios. Os objetivos de um paper são quase sempre os de formar um problema. cotejar dados. citações e pés de página. estudá-lo. prover uma metodologia própria e. Quanto à estrutura. 68) “Paper é texto escrito de uma comunicação oral. em discussões de especialistas. elaborado sobre determinado tema ou resultados de um projeto de pesquisa para comunicações em congressos e reuniões científicas. um posicionamento definido e a expressão dos pensamentos e resultados de análise de forma original. Espera-se em um paper que seu desenvolvimento seja a partir de um ponto de vista específico de determinado tema. Pode apresentar o resumo ou o conteúdo integral da comunicação e tem por objetivo sua publicação nas atas ou anais do evento em que foi apresentada”.54 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) E Paper A natureza do paper é a mesma do artigo: veicular resultados de pesquisa desenvolvida ou em desenvolvimento. concluir ou eventualmente recomendar. finalmente. adendos e referências. pode envolver fórmulas. p. Congressos e etc. sujeitas à sua aceitação por julgamento. como na 1ª pessoa do singular ou até do plural. gráficos. como um exercício de elaboração de trabalhos sob uma linguagem acadêmico-científica. Para ANDRADE (1995. É um texto pequeno elaborado a partir de um tema pré-escolhido. da mesma forma que no artigo. O objetivo do paper é estimular o pesquisador iniciante no aprofundamento de um assunto. No entanto. no qual o autor desenvolverá suas análises e argumentações. O paper é intrinsecamente técnico. anexos. mas voltado para a apresentação pública do tema pesquisado. seu espaço não é o das revistas acadêmicas. o paper é um pequeno artigo científico. Ou seja. adequar hipóteses. . deve seguir a da comunicação científica em 3ª pessoa. voltado para apresentação dos resultados de estudos ou de pesquisas científicas. amparando-se.

O paper não é: • um resumo de um artigo ou livro (ou outra fonte). reunir informações. psicológico. que se atente para a apresentação das opiniões do autor. • série de citações.. O texto deve ter uma aparência imparcial e distante. Passos para redigir um paper: • delimite o tema. mostrando que o pesquisador é parte da comunidade acadêmica. as crenças e as preferências do escritor. não demonstrada. • ideias de outras pessoas. objetiva. avaliação. Para a realização de um paper é necessário escolher um assunto. Vejamos suas estruturas: O paper é: • uma síntese de suas descobertas sobre um tema e seu julgamento. • cópia do trabalho de outra pessoa sem reconhecê-la.. avaliar o material e organizar as ideias. • apresente o problema que estará resolvendo e construa uma hipótese de trabalho. minimizando as subjetividades. .FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 55 É importante.). repetidas não criticamente. • um trabalho que deve reconhecer as fontes que foram utilizadas. matemático. histórico. • indique o objetivo do seu paper e desenvolva suas ideias apoiando-se em fontes dignas de crédito. com linguagem científica e que regularmente parte da experimentação de metodologias. Apresente bibliografia. O paper apresenta normalmente uma discussão experimental. filosófico. • um trabalho que deve apresentar originalidade quanto às ideias. que devem ser veladas. • defina uma perspectiva sob a qual você tratará o tema (sociológico. • opinião pessoal não evidenciada. interpretação sobre essas descobertas.

Você deve estar seguro de organizar o desenvolvimento de maneira que o leitor possa seguir facilmente seu pensamento. conclusão e referências bibliográficas. isto é.chave. • Desenvolvimento: esta é a situação atual. importância e porque se está escrevendo sobre o assunto. contendo citações diretas e/ou indiretas que reforcem os argumentos do aluno em relação ao tema em discussão. Assim como o artigo. • Palavras-chave: deve-se colocar de três a cinco palavras que sejam chaves no texto. . o paper deve conter em sua estrutura introdução. • Documentação (de acordo com as normas da ABNT). as palavras que mais aparecem no texto como um todo. tamanho de fontes e dados. • desenvolvimento. em outras palavras. • Conclusão: deve-se posicionar. • Documentação: incluindo citações e referências.56 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) O paper deve ser apresentado segundo as normas da ABNT. • Resumo: esta seção é um resumo de no máximo 1500 palavras no modo itálico e sem margem no parágrafo e espaçamento simples. • Cabeçalho: o objetivo desta seção é identificar o trabalho. • palavras. esta é a seção na qual você diz ao leitor alguma coisa. Estrutura do paper: Um paper deve ser redigido em sete seções: • cabeçalho. seguir o modelo em tudo. Informação básica. argumentar e sintetizar as ideias do texto. desenvolvimento. • introdução. • Introdução: o objetivo desta seção é introduzir o leitor na questão do tema ou assunto que será tratado no “paper”. • conclusão. • resumo.

Salvador : American World University Press. Apresentação de relatórios técnico-científicos: NBR 10719.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 57 Formato: • página: papel A4. Maria M. esquerda 3 cm e direita 2 cm. • letra: Times New Roman. Dionisio. • espaçamento entre linhas: 1. • número de páginas: no mínimo 3 e máximo 20. Metodologia científica para principiantes.5 cm. 1989. Rio de Janeiro: ABNT. • margens superior 3 cm. • Editor de texto: Word for Windows. de. Referências Bibliográficas: ANDRADE. São Paulo: Atlas. . CARMO-NETO. 1996. 3 ed. inferior 2 cm. 1997. 560 p. Como preparar trabalhos para os cursos de pós-graduação. (1995 : 68) ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS.

deve ser entendida a explicitação do caráter antecipatório de ações e. citados por Eco. Como previsão. no mínimo. A partir dessa percepção. Entende-se por planejamento da pesquisa a previsão racional de um evento. comportamento ou objeto que se pretende realizar a partir da perspectiva científica do pesquisador. apesar de considerarmos que o mesmo não garantirá o sucesso final do trabalho. p. . três esferas da análise: a técnica (regras científicas para a elaboração do trabalho). Os trabalhos de compilação. Para Alcyrus Barreto e Cezar Honorátio.58 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) E Projeto de pesquisa Ao iniciarmos qualquer pesquisa precisamos antes delimitar algumas questões. apenas assegura a organização dos passos que serão dados rumo a resolução do problema. Nessa mesma perspectiva. os caminhos adotados para abordar uma certa análise da realidade. o pesquisador ao elaborar um projeto estará trabalhando com. HONORATO. 1998. além de atender ao critério da coerência interna. como tal. deve prever rotinas de pesquisa que tornem possível atingir-se os objetivos definidos. como o tema. O projeto de pesquisa nada mais é do que o planejamento de uma pesquisa. atender a uma racionalidade informada pela perspectiva teórico-metodológica da relação entre o sujeito e o objeto da pesquisa. afinal eles somente se justificam se não foram realizados ainda dentro do tema abordado. planejamos nossas ações. devemos ter em mente a importância de planejarmos os passos de uma pesquisa. Mais ainda. sua definição. Toda pesquisa científica exige planejamento. 1999. atividade. O tema deve estar substanciado pelas fontes selecionadas e atentemos para o que afirmou Umberto Eco “Apenas uma coisa cumpre ter presente: um trabalho de compilação só tem utilidade científica se ainda não existir nada se parecido naquele campo” (ECO. de tal forma que se consigam os melhores resultados com menor custo (BARRETO. 59). A racionalidade deve-se manifestar através da vinculação estrutural entre o campo teórico e a realidade a ser pesquisada. Para isso. os objetivos e a abordagem teórico-metodológica. a ideológica (que são as suas escolhas. são aqueles que se amparam apenas em pesquisas bibliográficas e por isso devemos sempre questionar qual a sua validade histórico-científica. para Maria Cecília Minayo (1999). p. 22).

Este setor subdivide-se em 8 segmentos e excluindo-se o item 1. b) nome(s) do(s) autor(es). Partindo dessa delimitação trabalharemos sobre as técnicas de um projeto de pesquisa.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 59 determinadas por seu contexto histórico-ideológico) e a científica (verificação das hipóteses através de métodos científicos). No corpo de seu texto a norma estabelece a estruturação do Projeto apontando suas partes obrigatórias e opcionais. A primeira subdivisão é que estabelece os elementos “pré-textuais”. 1.2 (Lombada). a qual regulamenta a apresentação de um projeto de pesquisa. deixando as escolhas científicas e ideológicas ao seu critério. devem vir no corpo do texto na sequência que serão apresentados aqui. p. Para tanto iniciaremos com a apresentação da Norma NBR 15287:2005. c) título.1 Capa Configura elemento opcional. e) cidade da entidade onde deve ser apresentado. . “textuais” e “pós-textuais”. 1 Elementos pré-textuais São considerados elementos “pré-textuais” os “que antecedem o texto com informações que ajudam na identificação e utilização do trabalho” (ABNT NBR 15287:2005. mas quando realizada deve possuir as informações a seguir: a) nome da entidade a que é submetido o projeto (opcional).2). f) ano de entrega. da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). d) subtítulo (opcional): deve ser diferenciado do título pela utilização de dois pontos (:) ou tipologicamente.

3 Folha de rosto Elemento obrigatório e deve conter: .60 1. Apresenta-se como nos modelos a seguir: 1. que se aplicado deve seguir a ABNT NBR 12225:2004.2 Lombada JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) Elemento opcional.

3) 1. 1. esquemas. recomenda-se a elaboração de lista própria para cada tipo de ilustração (desenhos. se para obtenção de título. acompanhado do respectivo número da página. d) tipo de pesquisa e nome da entidade a que é submetido: especificar qual a natureza do projeto. e) cidade da entidade onde deve ser apresentado. “consiste na relação alfabética das abreviaturas e siglas utilizadas no texto. fotografias.4 Lista de ilustrações Elemento opcional. fluxogramas. conclusão de disciplina.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 61 a) nome(s) do(s) autor(es). acompanhado do respectivo número da página” (ABNT NBR 15287:2005. p. mapas.3). devem ser apresentados dados curriculares dos autores em folhas separadas. gráficos. quando optar por utilizá-la ela deve ser elaborada de acordo com a ordem apresentada no texto. a disciplina. A Norma traz a observação ainda de que quando exigido pela entidade. quadros. seguida das palavras ou . Quando necessário. com cada item designado por seu nome específico. quando optar por utilizá-la ela deve ser “elaborada de acordo com a ordem apresentada no texto. plantas. organogramas. logo após a folha de rosto. Sempre especificando qual o título. com cada item designado por seu nome específico. p. o edital ou outra finalidade a que sirva o projeto. concorrer a edital. f) ano de entrega.6 Lista de abreviaturas e siglas Elemento opcional. retratos e outros). b) título. 1.5 Lista de tabelas Elemento opcional. c) subtítulo (opcional): deve ser diferenciado do título pela utilização de dois pontos (:) ou tipologicamente. (ABNT NBR 15287:2005.

se houver. e outras separações necessárias. e os subtítulos. a qual o define como “Enumeração das divisões. 5.1 a 5. sucedem os indicativos das seções. Deve ser elaborado segundo a ABNT NBR 6027. 1. 5.4. com o devido significado” (ABNT NBR 15287:2005. referências.1 Os indicativos das seções que compõem o sumário. 5. na mesma ordem e grafia em que a matéria nele se sucede” (ABNT NBR 6027:2003.8 Sumário Elemento obrigatório. . se houver.1 A palavra sumário deve ser centralizada e com a mesma tipologia da fonte utilizada para as seções primárias.7 Lista de símbolos Elemento opcional. 5.3 Os elementos pré-textuais não devem constar no sumário.4. Para sua apresentação existem regras gerais as quais definem: 5.4.4. Recomenda-se que sejam alinhados pela margem do título do indicativo mais extenso. sucede(m) os títulos e os subtítulos.2).2 A subordinação dos itens do sumário deve ser destacada pela apresentação tipográfica utilizada no texto. 5.3). seguindo a sequência do texto. o qual se realizado deve ser elaborado “de acordo com a ordem apresentada no texto. devem ser alinhados à esquerda. subcapítulos.62 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) expressões correspondentes grafadas por extenso” (ABNT NBR 15287:2005.4.4 A ordem dos elementos do sumário deve ser conforme 5. sendo eles capítulos. seções e outras partes de uma publicação. 5. p.3). 1. conforme a NBR 6024. se houver. p.4. é a parte onde aparecem de forma ordenada. as divisões do texto de acordo com o seu conteúdo.3 O(s) nome(s) do(s) autor(es).2 Os títulos. p. Ou seja.

a primeira é a delimitação do objeto da pesquisa e a segunda a apresentação do conjunto de questões que guiarão a mesma. próprios de cada área do conhecimento. 64-70) A nós cabe destacar as especificações que contemplam o “projeto de pesquisa”. 2. É necessário que sejam indicados o referencial teórico que o embasa. 35-38.3) define que: Os elementos textuais devem ser constituídos de uma parte introdutória. 2 Elementos textuais A norma ABNT NBR 15287:2005 (p. a(s) hipótese(s). 64 ou 27-30. c) números das páginas em que se distribui o texto (exemplo: 27.1 Delimitação e problematização do tema Esse primeiro item é composto por duas partes. A seguir estabelecemos algumas sugestões visando facilitar a sua compreensão desta parte que deve ser a mais significativa do seu projeto. sendo necessária a revisão direta na ABNT NBR 6027:2003 para qualquer outro ponto referente ao sumário. a metodologia a ser utilizada. na qual devem ser expostos o tema do projeto.4. Devem ser estabelecidos de acordo com as intenções de sua pesquisa e preferencialmente em parceria com seu orientador. [grifo nosso]. quando couber(em). pois significa escolher um tema dentro de um .4 A paginação deve ser apresentada sob uma das formas abaixo: a) número da primeira página (exemplo: 27). bem como o(s) objetivo(s) a ser(em) atingido(s) e a(s) justificativa(s). A delimitação é o centro da pesquisa. Estes elementos são particulares. assim como os recursos e o cronograma necessários à sua consecução. o problema a ser abordado. b) números das páginas inicial e final.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 63 5. separadas por hífen (exemplo: 91-143). 35.

através de que fontes realizaremos o empreendimento de pesquisa. é o momento em que devemos explicar o que pesquisamos. em que data se localiza o objeto de estudo. as práticas de leitura escolar. No entanto. “O Mercosul”. documentos das fábricas. esses passos que visam um recorte mais concreto do tema. e por fim. deveríamos averiguar onde. Mas. são os limites temporais e geográficos do assunto estudado. . fotografias. A delimitação é o que chamamos de recorte temático. são fundamentais para a realização de uma pesquisa (MINAYO. o tema de pesquisa é uma área de interesse a ser abordada pelo pesquisador. 1998. p. Dessa forma. não tem como desenvolver qualquer pesquisa histórica sem uma pergunta para o passado. O motor de toda pesquisa é o conjunto de perguntas para a realidade a ser analisada que o 1  Evitar abordagens vagas e imprecisas. Segundo Minayo. HONORATO. a fala e a escrita no Brasil. o que é delimitar o tema? É o processo de especificação do que vamos pesquisar. a violência infantil. a literatura como representação do social. jornais. • memórias do desembarque no Brasil do século XIX: o diário de Carlota Joaquina. Outros exemplos1: • a representação das mulheres operárias na imprensa de Porto Alegre entre 1910 a 1920 – o caso do Correio do Povo. 1920.64 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) certo campo de estudo. • as práticas de leitura nas escolas públicas riograndinas na década de 1980. se o tema de nossa pesquisa fosse “as mulheres operárias no Brasil”. 1930. cartas. no Rio de Janeiro ou Porto Alegre. que precisam melhor o assunto a ser estudado. em que tempo pesquisamos e através de quais fontes realizaremos tal pesquisa. Alguns exemplos de temas: Exemplos: • • • • • as mulheres operárias no Brasil. diários e etc. o qual está ligado a uma grande área de conhecimento (BARRETO. aonde pesquisamos. 62). 1999). São as famosas perguntinhas que devem ser respondidas: O quê? Onde? Quando? e Como? Por exemplo. Por exemplo: “O novo Código Civil”.

historiográfica. pessoal/profissional. científica. É importante que na justificativa o pesquisador destaque a relevância do tema dentro de sua área de conhecimento e ainda aponte as contribuições para o campo científico a que se vincula sua pesquisa. Deve-se ainda ter em mente que as perguntas ou problemas a serem respondidos são delimitadores dos objetivos e das hipóteses. 88-89) como essenciais para o desenvolvimento da justificativa: a atualidade do tema. pois. que deve apontar como o tema selecionado pelo pesquisador já foi abordado em outras pesquisas. de forma a evidenciar a originalidade da abordagem delimitada. ou seja. p. Assim. Por isso.3 Objetivos O objetivo é a explicitação de forma resumida do propósito a ser alcançado pelo pesquisador. institucional ou social (as possíveis contribuições sociais).FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 65 pesquisador busca responder. ela aborda questões específicas de ordem teórica.2 Justificativa A justificativa em um projeto científico é útil para defender a necessidade da realização da pesquisa proposta. a formulação do problema está intrinsecamente ligada à delimitação do tema. que serão confirmadas ou não no decorrer da pesquisa. 1999). 2. as quais devem ser expressas . a originalidade ou ineditismo do assunto. são as ações para o alcance das respostas do(s) problema(s) exposto(s). enquanto as hipóteses são as respostas apriorísticas das perguntas. a relevância do tema dentro da tradição de estudos do mesmo e ainda a sua pertinência ou contribuição para a ampliação do debate na sua área de conhecimento. Para Rudio (apud MINAYO. Neste item cabe perguntar-se: por que pesquiso determinado assunto? para quê? de que maneira ele é relevante? que benefícios o resultado da pesquisa busca trazer? neste momento. algumas questões ainda devem ser feitas ao delimitarmos um tema: É original? É adequado para mim? Quais as possibilidades de execução? Há tempo para seu desenvolvimento? 2. A justificativa pauta-se numa ampla revisão bibliográfica. Alguns itens são apontados por Barral (2003. os objetivos são ações a serem realizadas pelo pesquisador para responder à problemática. se convence o leitor da importância do projeto.

deve apresentar como os pressupostos centrais da teoria auxiliarão no desenvolvimento da pesquisa. que podem ser expressos. perceber e etc. a ação a ser apresentada no objetivo deve sempre ser indicada por um verbo. E se subdivide em uma ação geral que envolve toda a pesquisa e o conjunto de ações menores. pois o objetivo é a expressão do que o pesquisador pretende executar (BARRETO. 2. assim como. Na mesma direção o pesquisador deve em consonância com o marco teórico selecionado. comparar. aquilo que se pretende analisar. O objetivo é a meta estabelecida para ser alcançada pelo pesquisador. apontar a metodologia a ser empregada na pesquisa ou seja. provar.66 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) de forma clara e concisa. mais específicas. 1998). 2. Dessa forma.1 Objetivo(s) geral(is) São as especificações das ações a serem realizadas para alcançar o resultado pretendido. precisa explicar como o mesmo auxiliará . Nessa perspectiva. HONORATO. 2. precisa detalhadamente apresentar sua aplicação prática na pesquisa. qual a premissa teórica que rege o trabalho. Deve ser expresso sempre por uma ação. pois não basta apontar o nome do método ou sua história.4 Fundamentação teórica e metodológica Nesse item o pesquisador deve apresentar o marco teórico selecionado para dirigir a visão histórica empregada na pesquisa. detalhes da problematização. na seleção e análise das fontes.3. conhecer. apontar os passos que guiarão o processo de seleção das fontes. É importante que o pesquisador perceba que não basta apontar o nome da escola teórica e descrever sua história. podemos afirmar que o objetivo está relacionado com a visão geral do tema. Segundo Barreto. conhecer. por classificar. análise das fontes e tratamento dos dados obtidos. ou seja.3. Da mesma forma. a metodologia também precisa ser descrita dentro de uma possibilidade de aplicação prática.2 Objetivos específicos São as indicações de partes da meta geral que levarão à realização dos objetivos gerais. de escolha bibliográfica.

2. Evidencia uma expectativa do possível resultado a ser encontrado ao longo da pesquisa. Ao mesmo tempo em que servirá para o orientador ou a agência financiadora acompanhar o andamento da pesquisa. Essa etapa envolve todos os recursos humanos e materiais utilizados ao logo da execução da metodologia delineada na pesquisa. segundo BARRETO e HONORÁTIO (1998). são respostas ainda não comprovadas que. ou seja. ainda não passaram por verificação científica. Exemplo: ATIVIDADES MESES 1 A B C D X 2 X X X X X X X X X X X X X 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 2.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 67 para o desenvolvimento e finalização da pesquisa histórica.7 Fontes Elenco de fontes citadas para a realização do projeto de . 2. No cronograma o pesquisador deverá fazer um planejamento das atividades ao longo do tempo que dispõe para a pesquisa.5 Hipótese(s) Hipótese é uma resposta apriorística aos problemas levantados na pesquisa. Sendo uma excelente ferramenta para controlar o tempo de trabalho e o ritmo de produção. incluindo-se o tempo gasto na aquisição material necessário ao desenvolvimento do projeto de pesquisa. Deve-se calcular o tempo que vai ser gasto em cada etapa do projeto.6 Cronograma Todo o trabalho científico pressupõe o planejamento de tempo e a previsão de quando se deseja realizá-lo.

Eduardo Alfonso Cadavid. Manual de sistematização e normalização de documentos técnicos.: BARRETO. Petrópolis: Vozes. 4. 3 Elementos pós-textuais 3. São Paulo: Saraiva. mas servem para auxiliar na leitura das fontes centrais da pesquisa. o aluno relacionará as referências bibliográficas necessárias para a realização do projeto de pesquisa. .8 Fontes auxiliares Elenco de fontes consultadas. Manual de sobrevivência na selva acadêmica. ed. BARROS. 2001. Cezar de Freitas. 2002. HONORATO. FACHIN. Rio de Janeiro: Objeto Direto. Exemplos.1 Referências Elemento obrigatório e deve ser configurada de acordo com a ABNT NBR 6023. 1999. 3. ed. Odília. Fundamentos de metodologia. 1998. GARCIA. Aidil de Jesus Paes de. específico ou pertinente ao campo de estudo. que não são as principais. Antonio Carlos. JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) 2. LEHFELD. Seja de uso metodológico.68 pesquisa. São Paulo: Atlas. 8. Alcyrus Vieira Pinto. Nesta seção. 1998. ed. Este item deve relacionar todos os autores que serviram para embasar o texto. São Paulo: Atlas. Como elaborar projetos de pesquisa. Projeto de pesquisa: propostas metodológicas. GIL. Neide Aparecida de Souza.

3. 2. 2002. Metodologia científica na era da informática. Propedêutica à teoria da história. 1999. Introdução ao projeto de pesquisa científica. 3.ação. São Paulo: Saraiva.3 Apêndice e Anexos Elementos opcionais “é(são) identificado(s) por letras maiúsculas consecutivas. João Augusto. 1994. Estera Muskat. Rio de Janeiro: Vozes. XXIII(1) – junho. e atual. Fábio José. 3. TRIVIÑOS. (Org. In: Estudos Ibero-Americanos. travessão e pelos respectivos títulos. MENEZES. 80 p. ed. 1995. RJ: Vozes. ed. SC: Nova Era. Metodologia da pesquisa e elaboração de dissertação. Metodologia da pesquisa . 2001. Eva Maria.2 Glossário Elemento opcional representa uma lista de palavras e/ou expressões as quais o significado não é de conhecimento comum. ed. Elementos de iniciação à pesquisa. MARCONI. S. utilizam-se letras maiúsculas dobradas na identificação dos apêndices. rev. Edna Lúcia da. RÜDIGER. Metodologia do trabalho científico.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 69 LAKATOS. 1998. Petrópolis. São Paulo: Atlas. São Paulo: Cortez. configurando termos técnicos de áreas específicas. expressões em outras línguas e etc. 1987. Marina de Andrade. N. Rio do Sul. RAUEN. método e criatividade. 1997 RUDIO. quando esgotadas as letras do . Florianópolis: Laboratório de Ensino à Distância da UFSC. Franz Victor. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. MÁTTAR NETO. 1986. Francisco R. ed. A. Maria Cecília de Souza et al. Se utilizado deve vir com as expressões/palavras em ordem alfabética seguidas de seus significados. SILVA.) Pesquisa social: teoria. 22. 2. MINAYO. São Paulo: Atlas . Michel. THIOLLENT. Excepcionalmente.

indicativos de seção.” JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) 3.70 alfabeto. citações. . notas de rodapé. devem seguir as regras apresentadas anteriormente nos demais temas de trabalho. tamanhos e estilo das fontes. elaborado segundo a ABNT NBR 6034. 4 Regras gerais de apresentação Quanto às margens. espacejamento. títulos numéricos e não numéricos.5 Índice Elemento opcional.

através de outras técnicas. e) análise temática dos documentos. O trabalho de análise documental sempre se inicia a partir da coleta de materiais. b) exposição dos questionamentos. O texto se divide em: a) introdução do tema. f) conclusão. a partir da coleta das informações. 1986). d) apresentação dos documentos analisados. o pesquisador pode desenvolver a percepção do evento estudado e pode. conceitos ou palavras que destaquem o tema discutido no documento. No entanto. documentos que venham corroborar com o assunto pesquisado. Vencida essa etapa. DIONE. ao elaborarmos uma análise documental precisamos problematizar. d) a explicação do tema analisado. Ela se divide nas seguintes etapas: a) leitura do documento. em duas esferas: uma completando informações levantadas. conforme (LUDKE e ANDRÉ. de acordo com LAVILLE. ou seja. b) eleição de ideias. . c) a contextualização do assunto tratado no documento. 1999. elaborar questões para o documento e definir o objetivo da análise.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 71 E Análise documental A análise documental é uma importante técnica de pesquisa qualitativa. de modo contextualizado. ser induzido pelas fontes a resultados da pesquisa. c) apresentação dos objetivos. e outra ocultando novos temas ou problemas. Tudo isto deve ser apresentado na introdução do texto de veiculação da análise.

textuais e pós-textuais. enquanto os textuais são a veiculação dos resultados propriamente ditos. divididos em capítulos e subcapítulos. são documentos que apresentam o resultado de uma pesquisa desenvolvida pelo aluno durante sua formação. Deve ser realizado sob orientação de um docente. estudo independente. por fim os pós-textuais formam as referências bibliográficas e os anexos do trabalho. compõe a apresentação do trabalho. Os elementos pré-textuais são parte externa da exposição da pesquisa. módulo. Podemos visualizar a seguir as partes que devem compor um trabalho monográfico: .72 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) E Trabalho monográfico ou Trabalho de Conclusão de Curso Segundo a Associação Brasileira de normas técnicas. que se divide em: elementos pré-textuais.NBR 14724:2005 Os trabalhos acadêmicos obedecem a uma ordenação técnica de apresentação. trabalho de graduação interdisciplinar – TGI. devidamente ligado a uma disciplina. trabalho de conclusão de curso de especialização e/ou aperfeiçoamento). programa e outros ministrados no decorrer da formação acadêmica. trabalhos acadêmicos (trabalho de conclusão de curso – TCC. Deve apresentar o conhecimento e os resultados do tema selecionado. curso. Apresentação de trabalhos acadêmicos .

f) resumo dos capítulos. c) trajetória de pesquisa. b) justificativa da delimitação do tema. Introdução Na Introdução o pesquisador deve apresentar os respectivos dados: a) tema estudado.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 73 Elementos Pré-textuais CAPA (obrigatório) FOLHA DE ROSTO (obrigatório) FICHA CATALOGRÁFICA (verso da folha de rosto) ERRATA (se necessário) FOLHA DE APROVAÇÃO (opcional) DEDICATÓRIA (opcional) AGRADECIMENTOS (opcional) EPÍGRAFE (opcional) RESUMO NA LÍNGUA PORTUGUESA (obrigatório) RESUMO NA LÍNGUA ESTRANGEIRA LISTA DE ILUSTRAÇÕES (opcional) LISTA DE TABELAS (opcional) LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS (opcional) LISTA DE SÍMBOLOS (opcional) SUMÁRIO (obrigatório) Elementos Textuais INTRODUÇÃO (obrigatório) DESENVOLVIMENTO (obrigatório) CONCLUSÃO (obrigatório) Elementos Pós-textuais REFERÊNCIAS (obrigatório) GLOSSÁRIO (opcional) APÊNDICE (S) (opcional) ANEXO (S) (opcional) ÍNDICES (S) (opcional) Dentre os elementos textuais devemos observar: 1. d) abordagem teórica. . e) escolha metodológica.

Na conclusão não devem aparecer citações. mas a referência aos resultados obtidos com toda a análise empreendida.1. ou seja. os resultados obtidos a partir da análise teórico-metodológica das fontes. No entanto. como no exemplo: SUMÁRIO INTRODUÇÃO 1 O CONTEXTO 1.74 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) 2. cada capítulo deve apresentar: a) introdução ao tema que será desenvolvido. pois é o olhar do pesquisador que deve guiar o fechamento do trabalho. as seções. Desenvolvimento No desenvolvimento deve ser apresentada a pesquisa propriamente dita. No início de um capítulo deve aparecer o indicativo numérico. Conclusão A conclusão é o momento de apresentação dos resultados totais do trabalho. separado por um espaço de caractere.1 Av. os capítulos devem ser grafados conforme apresentados no corpo do trabalho. d) conclusão dos resultados. b) objetivos. 3. No sumário.1 BALNEÁRIO CASSINO 1.1. e) apresentação do capítulo seguinte. Não é resumo do trabalho monográfico. Normas ABNT para Trabalho monográfico: O trabalho monográfico segue as mesmas normativas do artigo acrescidas de alguns cuidados a mais como veremos a seguir: O termo capítulo não deve ser acrescido ao título. Mas. seguido do título do capítulo. que podem ser expostas divididas tematicamente em capítulos. c) resultados. ATLÂNTICA . essa fórmula é pessoal.1 A CIDADE DO RIO GRANDE 1. ou seja.1.

epígrafe. mas não numeradas. Os elementos pré-textuais (folha de rosto.1. lista de símbolos e sumário) e os títulos dos elementos pós-textuais (referências. lista de abreviaturas e siglas devem ter seus indicativos apresentadas com o recurso de alinhamento centralizado. Conforme a lista a seguir: AGRADECIMENTOS DEDICATÓRIA RESUMO ABSTRACT LISTA DE ILUSTRAÇÕES LISTA DE TABELAS LISTA DE ABREVIATURAS. termo de aprovação. a ABNT recomenda que se empregue nas mesmas letras maiúsculas. SIGLAS E SÍMBOLOS SUMÁRIO REFERÊNCIAS 1. abstract. resumo. assim como. a partir da folha de rosto. resumo. Em caso de apêndices e anexos.1. lista de ilustrações. as suas folhas devem ser numeradas de maneira contínua e a paginação deve dar seguimento a do texto principal.1 AS DUNAS Esses indicativos devem ser apresentados centralizados e sem numeração. dedicatória. agradecimentos.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 75 Apenas as seções do sumário. apêndices e anexos) não devem ser numerados. lista de tabelas. pois a numeração somente deve ser colocada a partir da primeira folha da parte textual. lista de abreviaturas e siglas. em algarismos arábicos. no canto superior direito da folha. lista de ilustrações.1. todas devem ser contadas sequencialmente. abstract. agradecimentos. lista de tabelas. digitados em negrito. glossário. . A paginação deve contar todas as folhas.

suas perspectivas. conhecimento por meio de documentos”. etc. como bem afirmou Paul Veyne (2008. suas lendas. seja ele contemporâneo ou póstero. suas ciências. há cerca de 5 mil anos. Registrou fatos. baseada nos documentos escritos. em essência. constituindo-se em um dos grandes pilares da civilização. que pretende também fornecer elementos e mostrar caminhos de forma a orientar seu leitorestudante sobre como publicar um livro atualmente. A escrita abriu caminho para a criação e desenvolvimento de um dos mais eficientes meios de difusão do conhecimento . JORGE LUIS BORGES – EL LIBRO Introdução O desenvolvimento da escrita. a humanidade passou a registrar suas rotinas.76 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) E O livro e a difusão do conhecimento Dos diversos instrumentos do homem. . foi basilar na história da humanidade. pode estabelecer-se num contar e recontar. possibilitou desenvolver melhor o comércio entre os povos. Através da escrita. suas guerras. lendo e interpretando fatos há muito ocorridos e registrados pelos escribas de outrora pois. Mas o livro é outra coisa. o livro é uma extensão da memória e da imaginação. deu base para a criação de laços culturais e de identidade. sua popularização e transformação. valendo-se das facilidades decorrentes das mais diferentes plataformas de armazenamento e transmissão disponíveis. para a leitura própria ou do outro. sem dúvida. dados.apenas uma das suas tantas possibilidades e utilidades . bem como as possibilidades deste veículo. As características e definições do livro. A história. A partir dela. são a base da discussão do presente artigo. 18) “a história é. documentos de reis e estatísticas do povo. Os demais são extensões do seu corpo. rituais. p. o livro. o mais assombroso é. a comunicação tornou-se mais eficiente. suas crenças.já inventados pelo homem: o livro.

o poder de remodelar toda a nação [. a ideia de uma produção da sociedade por um sistema ‘escriturístico’ não cessou de ter como corolário a convicção de que.2 Se revolução de Gutenberg representou uma profunda ruptura na forma de produção e massificação do livro. despertando uma nova consciência. 2007. de ideias. com mais ou menos resistência. p. porém. O aparecimento do livro. Do lado da produção. uma vez que antes deste advento só era possível fazer sua reprodução por meio de cópias a mão. alfabetizado e apto por consumir produtos culturais. sobretudo) passaram a ter um custo 1  O termo é retirado do título de um capítulo de FEBVRE. Henri-Jean. informações. A ideologia das Luzes queria que o livro fosse capaz de reformar a sociedade. em um cenário onde o homem fez os livros. torna-se semelhante ao que recebe. O livro passa a ter um papel importante na construção da sociedade. mas também os livros fizeram o homem. com mudanças significativas e profundas aplicadas a partir de sua popularização. Para este estudo.. ao mesmo tempo portador e transmissor. se a difusão cobrisse todo o território. 260) classifica como “a ideologia da informação pelo livro”. cultura e também entretenimento. 2  A expressão é de Paul Chalus no prefácio de FEBVRE e MARTIN (1992). possibilitaram um aumento ainda mais formidável do que o experimentado há 500 anos.”1 pois possibilitou a criação de uma rede de negócios em seu redor. sobretudo nos últimos 500 anos.. Lucien e MARTIN. a libertação do meio físico (papel) também representou novas possibilidades de difusão do conhecimento. tal como conhecemos hoje. p. ainda que as formas de impressão convencional (tinta e papel. enfim. o livro também passou a fomentar ideias e posturas. no século XVIII. que a vulgarização escolar transformasse os hábitos e costumes. .] mas. no decorrer de toda essa evolução. São Paulo: UNESP. A Era do livro O livro. Segundo o autor. Enquanto “mercadoria. mas também se verificou o aumento expressivo de um público leitor. a partir da invenção da imprensa.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 77 1. o que Certeau (2007. teve papel destacado como principal veículo. Vivemos. interessa-nos em particular o caráter difusor de conhecimento do livro. 261). Não apenas criaram-se novas plataformas. deixa-se imprimir pelo texto e como o texto lhe é imposto (CERTEAU. as novas tecnologias desenvolvidas a partir da popularização dos computadores portáteis e o desenvolvimento das mais diferentes mídias de distribuição e armazenamento. que uma elite tivesse com seus produtos. o público é moldado pelo escrito (verbal ou icônico). 1992.

Constituído de primeira. e também recebem ISBN. e também a chamada “impressão sob demanda”. . não são consideradas livros. 2. de pequenas quantidades. livro é uma “publicação não periódica que contém acima de 49 páginas3. manteve-se a sigla inglesa em todos os países que adotam tal numeração.1 5  As determinações técnicas do itens 2.1 e suas subdivisões. excluindo as capas.78 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) bem mais reduzido com a implementação de novas tecnologias de impressão. Veja mais informações sobre este registro no item 2. terceira e quarta capas. no original em inglês. Divide-se em: 3  As publicações não periódicas com menos de 49 páginas. 3). Estas recebem a denominação de folheto. 2.1 Estrutura física do livro Quanto à estrutura. um livro ou folheto é composto pelas partes externa e interna5. significa International Standard Book Number.5-8. pp.1. e que é objeto de Número Internacional Normalizado para Livro (ISBN4)” (NBR 6029:2006. O livro: aspectos técnicos Antes de voltarmos à discussão das possibilidades do livro como agente de transmissão de conhecimento é necessário nos determos às especificações técnicas de um livro.1. Por questões de padronização e reconhecimento universal.1. constantes na NBR 6029:2006. segunda.1 Partes externas São consideradas partes externas: 2. p. 2. 4  A sigla ISBN. podendo atingir públicos específicos e demandando quantias menores tanto de matéria-prima quanto de investimentos por parte das editoras. foram extraídas da NBR 6029:2006. No Brasil.1 Capa Elemento obrigatório.2. excluídas as capas. é a Agência Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é quem normatiza estas especificações. Segundo a Norma.

5 Orelhas Elemento opcional.1. opcionalmente. No caso de ser utilizado. Opcionalmente podem constar a indicação de edição.1. e o nome da editora e/ou logotipo. Elaborada conforme a ABNT NBR 12225. p. local (cidade) e o ano de publicação.1.4 Lombada Elemento obrigatório.3 Folhas de guarda Elemento obrigatório nos livros ou folhetos encadernados com materiais rígidos e elemento opcional para os livros ou folhetos encadernados com materiais flexíveis. 2.1. 2.2 Quarta capa ou contracapa Deve ser impresso o ISBN. pode constar o resumo do conteúdo e o endereço da editora.1. deve conter os dados biográficos do(s) autor(es) e comentário(s) sobre a obra.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 79 • Primeira capa: devem ser impressos o(s) nome(s) do(s) autor(es). título. não deve conter textos nem material de propaganda. 2.1.1. por extenso. quando o livro ou folheto comportar. 2. conforme ABNT NBR 10521 e o código de barras. • Segunda e terceira capas: verso da capa e anverso da contracapa. 5) . (NBR 6028:2006.1. e subtítulo (se houver) da publicação. As folhas de guarda não devem conter texto. Podem constar público a que se destina e outras informações.

A obra em vários volumes deve ter um título geral. Além deste. de organizador(es). textuais e pós-textuais. c) indicação(ões) de edição e reimpressão – a edição deve ser indicada. precedendo o(s) nome(s) da(s) editora(s) a que se .80 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) 2.1. prefaciador(es). • Folha de rosto . e no verso. tradutor(es) etc. informações relativas à série a que pertence o livro ou folheto. de editor(es) responsável(eis). o título principal por extenso do livro ou folheto. No caso de ser utilizado. de coordenador(es). 2. de compilador(es). conforme a ordem abaixo: a) autor(es) . No seu anverso.a numeração do volume (se houver) deve ser apresentada em algarismos arábicos.2 Partes internas Na parte interna. O(s) título(s) e qualificação(ões) do(s) autor(es) podem ser incluídos.1.elemento opcional.2. b) título e subtítulo . e subtítulo (se houver) devem ser diferenciados tipograficamente. quando for o caso. devem ser impressos os seguintes elementos. ilustrador(es). pois servem para indicar sua autoridade no assunto. de entidade(s). cada volume pode ter um título específico.o título.o(s) nome(s) do(s) autor(es) individual(ais).o(s) local(is) de publicação deve(m) ser localizado(s) na parte inferior da folha-de-rosto.1 Elementos pré-textuais: A ordem dos elementos pré-textuais deve ser a seguinte: • Falsa folha de rosto .elemento obrigatório. deve conter: no anverso. da indicação de reimpressão e acréscimos. deverão constar os elementos pré-textuais. logo após seu(s) nome(s). d) numeração do volume . e) local(is) . seguida.

precedendo o ano de publicação. sem a prévia autorização deste órgão/entidade. o título original deve ser mencionado.devem ser registradas informações sobre autorização de reprodução do conteúdo da publicação. Exemplo: © 2005 Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).o ano de publicação. desde que citada a fonte. compreendendo o ano em que se formalizou o contrato de direito autoral. antecedido do símbolo de copirraite © e do detentor dos direitos. de acordo com o calendário universal (gregoriano). Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio. Todos os direitos desta edição estão reservados à Editora Esmeralda Ltda.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 81 refere(m). c) título original .o(s) nome(s) da(s) editora(s) deve(m) ser inserido(s) após o(s) local(is). • Verso da folha de rosto . Exemplos: Qualquer parte desta publicação pode ser reproduzida. deve ser apresentado em algarismos arábicos. g) ano de publicação . b) direito de reprodução do livro. d) outros suportes disponíveis . Exemplo: .devem ser registradas (se houver) informações sobre outros suportes disponíveis.os elementos devem ser impressos na seguinte ordem: a) direito autoral – deve ser localizado na parte superior do verso da folha de rosto.quando o livro ou folheto for uma tradução. f) editora(s) . folheto ou parte deles .

dedicatória7. f) créditos . 8  Também deve constar em página ímpar. créditos técnicos (projeto gráfico. de abreviaturas e siglas e de símbolos são elementos opcionais.2 Elementos textuais Parte em que é desenvolvido o conteúdo. comissão científica. ou ainda pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) para editoras associadas à entidade. opcionalmente. 2.1. este precede os anteriores.2. por prefácio e/ou apresentação. “Prefácio à 3ª edição”). O prefácio e/ou apresentação deve começar em página ímpar.82 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) Disponível também em: CD-ROM. • Sumário – elemento obrigatório e deve ser elaborado conforme a NBR 6027 Os elementos errata. órgão(s) de fomento e outras informações. indicando-se no título o número da edição correspondente (exemplo: “Prefácio à 7ª edição”. pelos sindicatos regionais de livreiros.1. entre outros). de tabelas. sem indicativo de seção. normalização. podendo integrar também a apresentação ou o prefácio.2. créditos institucionais. apresentados sequencialmente.3 Elementos pós-textuais A ordem dos elementos pós-textuais devem ser apresentados 6  Ficha normalmente elaborada por um bibliotecário. revisão. dos mais recentes aos mais antigos. epígrafe. e) dados internacionais de catalogação na publicação (CIP) – devem ser elaborados conforme o Código de Catalogação Anglo-Americano6. capa e ilustrações. copidesque. 2. técnica ou editorial. listas de ilustrações. 7  Quando constar.os elementos que compõem os créditos descritos a seguir podem ser dispostos a critério da editora: nome(s) e endereço(s) da(s) editora(s) (incluindo correio eletrônico e homepage). agradecimentos8. . antecedida. diagramação e formatação. deve ser apresentada em página ímpar. Em caso de novo prefácio para nova edição.

Distribuição e Comercialização do Livro”. travessão e pelo(s) respectivo(s) título(s).] O número referido no caput deste artigo constará da quarta capa do livro impresso”. Elaborado conforme a ABNT NBR 6034. Excepcionalmente utilizam-se letras maiúsculas dobradas. Deve começar em página ímpar. como o ISBN e o Depósito Legal. de 30 de outubro de 2003. travessão e pelo(s) respectivo(s) título(s). indicam-se os dados de todos eles.753. 9  A Lei nº 10. O(s) apêndice(s) é(são) identificado(s) por letras maiúsculas consecutivas. [. institui a “Política Nacional do Livro”. • Referências: as referências devem ser elaboradas conforme a ABNT NBR 6023. .. quando esgotadas as letras do alfabeto. Recomenda-se a indicação das especificações gráficas da publicação. Em especial o capítulo III . Excepcionalmente utilizam-se letras maiúsculas dobradas.. é obrigatória a adoção do Número Internacional Padronizado. • Glossário: elemento opcional. publicado no Brasil deverá observar os registros previstos em Lei9. • Índice: elemento opcional.“Da Editoração. • Colofão: elemento obrigatório. • Apêndice: elemento opcional. Deve começar em página ímpar após os elementos textuais.2 Registros Um livro ou folheto.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 83 conforme abaixo: • Pósfacio: elemento opcional. bem como a ficha de catalogação para publicação. na identificação dos anexos. onde o art. O(s) anexo(s) é(são) identificado(s) por letras maiúsculas consecutivas. na identificação dos apêndices. 2. quando esgotadas as letras do alfabeto. • Anexo: elemento opcional. No caso de a composição e a impressão serem executadas em mais de um estabelecimento. Localizado de preferência na última folha do miolo. 6º determina que “na editoração do livro.

composto de 13 números. No Brasil.2. o autor. Veja abaixo os números que compõe o registro. Também Pessoas Físicas podem registrar-se como autores independentes e obterem um ISBN. Qualquer editora cadastrada na Biblioteca Nacional pode efetuar o registro de obras editadas e.1 O ISBN JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) O International Standard Book Number. individualizando-os inclusive por edição. e 10  Para saber a relação completa de obras que recebem e que não recebem o ISBN.1.2. 2009 (7. Composição do ISBN (ISBN. 23-31 . o país e a editora.84 2. com a função de atribuir o número de identificação aos livros editados no país. a Fundação Biblioteca Nacional representa a Agência Brasileira desde 1978. Ed. p. é um sistema que identifica numericamente os livros segundo o título. O registro. consultar ISBN: manual do editor. que orienta e delega poderes às agências nacionais. que sairá com a menção “edição do autor”. ou ISBN. 23) 2. 2009. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional. foi criado em 1967 e oficializado como norma internacional no ano de 1972. o sistema é controlado pela Agência Internacional do ISBN. com isso.1 Atribuição do ISBN O ISBN deve ser atribuído10 às publicações impressas com no mínimo cinco páginas. No mundo.) pp. e sua significação: Figura 1. além de softwares e livros eletrônicos. obter um ISBN.

11 Cabe destacar que o ato de enviar a obra para registro no ISBN e no Depósito Legal. Há vários tipos de suportes físicos atualmente disponíveis. PDF. de 14/01/2010. seja grande ou específico. É preciso ter em mente que. HTML. até os contemporâneos meios eletrônicos em seus mais variados tipos.2. a guarda e a difusão da produção intelectual brasileira. como os formatos EPUB. etc. os sítios de Internet com armazenamento online. de 14/12/2004 e 12. DVD. e proceder os registros cabíveis. não asseguram os direitos autorais sobre o livro em questão. por qualquer meio ou processo. pp.2 Depósito Legal As leis 10. Cada vez mais graduados. aproveitando-se do veículo para disseminar seus conhecimentos para um público. desde o tradicional papel. como já dissemos. tratam da obrigatoriedade da remessa de um exemplar de todas as publicações produzidas em território nacional.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 85 também nos seguintes casos: • a cada volume com título independente. • a cada um dos volumes que integrem uma obra com mais de um volume e ao conjunto completo da obra (coleção). . havendo mais semelhanças e continuidades do que rupturas e distanciamentos. é necessário entrar em contato com o Escritório de Direitos Autorais. Publicando um livro Publicar um livro atualmente. visando à preservação e formação da Coleção da Memória Nacional”. EXE. Para isso. 2. Tal medida objetiva “assegurar a coleta. à Biblioteca Nacional. como bem observou Chartier (1999. 3. o livro continua sendo essencialmente veículo de difusão de conhecimento. seja ele um manuscrito ou o pós-moderno livro eletrônico.192.994. pósgraduandos e professores publicam seus estudos. os dispositivos CD-ROM. por si só. independente da plataforma escolhida e apesar das especificações de armazenamento e distribuição. também sob a tutela da Biblioteca Nacional. • a toda reedição. 7-12). disponível no endereço <http://www. deixou de ser um processo caro e difícil. 11  Conforme consta no sítio da BN na Internet.bn.br/ portal/?nu_pagina=22> acesso em 24/ago/2011.

direcionado a um público leigo. geralmente circunscritas às bibliotecas das instituições de ensino superiores. com o barateamento dos processos de produção. tamanho A4 (21x29. Neste caso. Neste último caso. aos cuidados do editor da casa publicadora escolhida12. há ainda três possibilidades: • clube de autores: nesta modalidade. 22-27. pp. Dentre as vantagens de se publicar uma obra própria. em muitos destes casos não há os registros como ISBN e Depósito Legal. Porto Alegre: AGE. ou um texto mais acessível. Porém. podemos elencar: • possibilidade de aprofundar e complementar a linha de investigação seguida pelo pesquisador. Henry. onde o autor contrata um 12  As recomendações são de SAATKAMP. ou b) publicar sua obra de maneira independente. digitado em papel branco. 1996. • tem um alcance consideravelmente maior do que os trabalhos de natureza monográfica. o autor deverá optar por dois caminhos não excludentes entre si: a) poderá apresentar seus originais para uma editora que tenha interesse em publicar determinado assunto. limitando-se o clube a apenas imprimir no formato livro. • micro e pequenas tiragens: editoras de pequeno e médio porte efetuam este tipo de serviço. valendo-se de informações técnicas/acadêmicas. tanto podendo ser direcionada aos pares.7cm) com folhas numeradas e que não devem ser encadernadas. o autor deve submeter uma cópia do seu original. O livro: preparação & revisão de originais. onde o título fica à disposição para a compra dos frequentadores do endereço. Normalmente não há tiragens mínimas contratadas.86 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) Desta forma. publicar um livro deve ser uma opção considerada como complementar à vida acadêmica. aliado as inúmeras possibilidades que a tecnologia atualmente proporciona de armazenamento. Para a publicação. o autor registra sua obra em um sítio na internet específico para este fim. • liberdade para adequar a linguagem/público de acordo com seus objetivos. sendo impressas somente as unidades efetivamente vendidas no sítio. mais amplo. dissertações ou teses não publicadas. divulgação e distribuição. .

• cerca de 15% a 20% é do distribuidor. como editoração eletrônica. livrarias virtuais. normalmente disponibilizam um espaço para o usuáriomembro cadastrar suas obras para venda eletrônica. quando se tratar de livros impressos em papel. por exemplo. o autor/ editora podem optar por redes de distribuição tradicionais. 4. etc. nos casos de suporte papel e em tiragens médias a grandes (acima de 500 exemplares). por exemplo. . A composição do preço final praticado pelas livrarias. limitados às zonas geográficas mais próximas do autor. ou somente da distribuição. Serviços como diagramação e projeto gráfico costumam ser incluídos no valor final cobrados por estas empresas. é ele quem paga e providencia todos os registros. Há também a possibilidade de. terceirizando apenas os serviços mais especializados. Depósito Legal. é feita da seguinte forma: • entre 40% e 50% do preço de capa é a margem de lucro da livraria. podendo o autor escolher se faz a distribuição gratuita ou se vende a obra produzida. blogues pessoais. disponíveis para download em um clique. quando disponibilizada apenas uma versão eletrônica. Também se encarrega da impressão e distribuição da obra. neste caso. como grandes livrarias ou centros de distribuição. como ISBN. criação de capas. Distribuindo o livro Se o livro editado for um e-book. Neste caso. páginas de redes sociais. alcançando lugares impossíveis de serem alcançados com a distribuição física convencional. no caso das pequenas ou microtiragens. • edição do autor: exige um pouco de conhecimento técnico por parte do autor. Também os sebos que aderiram ao universo virtual. a gama de canais de distribuição é virtualmente ilimitada de possibilidades. Mesmo os livros feitos em papel podem se beneficiar das facilidades da Internet. cadastrando suas obras diretamente em sítios como lojas virtuais. desde sítios especializados.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 87 número específico de exemplares (normalmente entre 50 e 100) e a editora efetua os registros necessários e imprime a tiragem escolhida. porém os custos são pagos pelo autor. diagramação. etc.

possibilidades de ligações internas e externas. Dentre as mais variadas formas e meios de distribuição do livro. Com o iminente incremento e popularização dos leitores de livros eletrônicos. adicionando ferramentas. cabe ao autor. massificando de vez este suporte. aliado à demanda pelo saber de uma sociedade cada vez mais disposta a adquirir produtos ditos culturais e valendo-se dos benefícios e facilidades das modernas técnicas de produção/distribuição de livros. de encontrar aquela que melhor atenda às necessidades específicas da obra. interatividades. etc. . para custeamento das impressões. objetivos. Publicar um livro. etc. ou em conjunto com a editora. saberes e reflexões. independente da forma e do meio. se for o caso de edição compartilhada. tiragens (se for o caso). De toda forma. sempre haverá espaço para o conteúdo. levando em conta o público a que se destina. Conclusão Com o crescente aumento do número de estudantes de graduação e pós-graduação no Brasil. de forma a compartilhar pesquisas. produzindo conhecimento a partir do aprendizado baseado no tripé ensino/pesquisa/extensão. se for empreendimento individual. divulgações. ou e-book readers. quando estes deixarem de emitir luz e passarem a refletir luz. ideais.88 JÚLIA SILVEIRA MATOS et al (ORGS) • entre 25% e 35% é da editora. • aproximadamente 5% é a remuneração do autor. mais do que nunca. certamente o papel encontrará rival (ou complemento?) a altura. revisões. barateando custos e alcançando níveis de distribuição até então inimagináveis. abrem-se caminhos para a difusão deste conhecimento. é e continuará sendo uma das maneiras mais eficazes de se difundir o saber.

1999. Roger. São Paulo: UNESP. Porto Alegre: AGE.br acesso em 23/ago/2011. Brasília: UnB. O aparecimento do livro.FORMAÇÃO DE PROfESSORES: METODOLOGIA PARA A ESCRITA DE TRABALHOS CIENTÍfICOS NO ENSINO DE HISTÓRIA 89 DOCUMENTOS: BRASIL. VEYNE. 2007. O livro: preparação & revisão de originais. ISBN: manual do editor. 1996.ed. 2009. Michel de. 2008. de 30 de outubro de 2003.bn. . Como se escreve a história. Henry.2003. São Paulo: UNESP/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Paul Marie.10. Foucault revoluciona a história.ed. FEBVRE.ed. SÍTIOS DA INTERNET: FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL disponível no endereço www. 13.753. A invenção do cotidiano: 1. 4. SAATKAMP. Artes de fazer. CERTEAU. Publicada no Diário Oficial da União de 31. CHARTIER. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABNT NBR 6029:2006 – Livros e folhetos – Apresentação. Dispõe sobre a política nacional do livro. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional. Petrópolis: Vozes. Henri-Jean. Lei nº 10. A aventura do livro: do leitor ao navegador. 7. Lucien e MARTIN. 1992.