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Antropologia e Internet - Pesquisa e Campo no meio virtual

• • • • • • Introdução A Internet como fonte de dados O "Campo" Virtual Observação Participante Citação das fontes Bibliografia

Rita Amaral Dra. em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo - NAU-USP

Introdução Durante a sessão de defesa de minha tese de doutorado sobre as festas brasileiras, um dos aspectos mais notados e comentados com grande curiosidade pela banca foi o uso ue fi! de dados coletados em fontes da "nternet e de conversas e entrevistas reali!adas em chats #conversas por computador, em tempo real$ com a finalidade de atuali!ar as informa%&es sobre as festas ue estudei nas cinco diferentes regi&es do pa's. Não se uestionava a validade ou não do uso destas fontes, ue a todos pareceu leg'timo, mas compreender mais profundamente de ue modo se insere um antrop(logo no )campo) virtual, onde categorias b*sicas do entendimento humano como tempo, espa%o, corpo etc, encontram-se )deslocadas) e as pessoas estão, de certa maneira, )homogenei!adas) em sua presen%a na tela do monitor do computador. Por esta ra!ão, apresento neste artigo algumas id+ias e informa%&es sobre as condi%&es de pes uisa utili!ando computadores e a rede "nternet. Se muitos antrop(logos ainda não consideram o computador como um instrumento de pes uisa, a maior parte de nossa )tribo) ,* utili!a com familiaridade seu computador pessoal como processador de te-to e boa parte dela tamb+m como via de acesso . "nternet para enviar mensagens eletr/nicas #e-mails$ para os colegas . 0em-se dei-ado, entretanto, de e-plorar os recursos do computador como instrumento de pes uisas, e não apenas para a organi!a%ão e an*lise estat'stica dos dados ue recolhemos em campo # uando dominamos a operacionali!a%ão dos programas -soft1ares- indicados para estas finalidades$. 2 ue pretendo levantar como tema de discussão a ui + o fato de ue, devido . imensa versatilidade advinda não apenas da simplifica%ão do uso dos programas, mas tamb+m das novas facilidades de acesso . rede "nternet, os computadores podem e devem ser usados efetivamente para a reali!a%ão de pes uisas ualitativas pelos cientistas sociais. 2 reconhecimento da pes uisa ualitativa como uma atividade sistem*tica e o desenvolvimento de programas de pes uisa interdisciplinares t3m chamado a aten%ão de alguns acad3micos #especialmente norte-americanos, para os uais o acesso . tecnologia inform*tica se deu bem mais cedo e certamente com custos muito menores$, para o uso do computador como um au-iliar tamb+m nas pes uisas na *rea de antropologia e em sua publica%ão, especialmente nos 4ltimos

pode-se sempre fa!er melhorias #upgrades$ num computador.e em dia dificilmente se pensa num tema sobre o ual não ha. o DebEuseum e alguns sites universit*rios. 56<68 =udson. A Internet como fonte de dados Um dos primeiros usos da rede "nternet numa pes uisa antropol(gica pode ser feito . Pode-se discutir se o uso do computador + poss'vel na fase de an*lise. o modo pelo ual a pes uisa ualitativa vem sendo feita e. depoimentos etc$. a digitali!a%ão de um uadro. para o computador pessoal. pensar na utilidade da discussão de nossas conclus&es com pes uisadores diversos via e-mail ou chat. os computadores podem transformar.om o desenvolvimento da rede "nternet o n4mero de bancos de dados vem aumentando rapidamente e ho. . ele pode usar a rede para consultar as v*rias bibliotecas do mundo e verificar o ue e-iste sobre seu tema de pes uisa.udar a solucionar alguns dos problemas pr*ticos durante as v*rias fases de uma pes uisa@ desde a coleta de dados at+ a apresenta%ão.hesebro.* durante a elabora%ão de um pro. at+ mesmo. 566?$ 2 tipo de dados # ualitativos$ nos uais um pes uisador pode estar interessado #te-tos. 566:8 . sugerir novas pes uisas sobre o pr(prio uso da "nternet como fonte de dados ou como espa%o de relacionamento entre grupos. sem precisar substitu'-lo. Bm outras pode-se simplesmente transferir. al+m de acrescentar novos acess(rios e aumentar a capacidade de arma!enamento de dados sempre ue necess*rio. um mapa antigo. 2 ue fa! do computador uma ferramenta importante para o pes uisador + principalmente sua capacidade de rearran.ornais eletr/nicos #do 0imes ao Ge Eonde. pass'veis de serem transmitidos via modem entre computadores. Se o pes uisador tem uma investiga%ão em mente. portanto. 56678 9ernard. ue não possa ser feito. por e-emplo. etc.om isso. 0endo transferido para seu pr(prio computador o ar uivo dese. at+. o ar uivo ue se encontra compactado e dispon'vel nas bibliotecas para isso. Bm outras fases da pes uisa. capta%ão de programas de televisão. m4sica. com o uso do computador.de! anos. . poupando meses. sem falar nas facilidades oferecidas pelos . uma ve! ue em minha pes uisa.a dados dispon'veis de alguma forma. debitando-se seu custo no cartão de cr+dito internacional.eto Cutemberg. esta discussão. filmes. livros- . Bm algumas bibliotecas + poss'vel solicitar o envio de c(pias pelo correio. a mais *rdua delas. de fato. por via telef/nica. falas. Alguns sites de institui%&es. com a e-pansão e populari!a%ão do acesso .os constantes@ os 4nicos limites são dados pelas caracter'sticas da m* uina e dos acess(rios ue ela possui #hard1are$ e.$ e seu papel na pes uisa vem se tornando menos o de uma m* uina de escrever sofisticada ou de uma calculadora e bem mais o de um ativo assistente de pes uisa. contudo. "nternet #Anderson. como o do Pro. ou postados e capturados na rede "nternet. na Net. esta fase não se fe!. B-istem p*ginas e p*ginas #sites$ sobre ual uer tema. tamb+m mant3m v*rios te-tos e digitali!a%&es das imagens dispon'veis para do1nload. Não creio ue possa responder a esta uestão neste artigo. segundo entendo. m4sicas.ado # ue pode ser uma tese. o ue tamb+m não significa. em alguns sentidos. fotografias e outros tipos de comunica%ão$ v3m se tornando cada ve! mais digitali!*veis e. F*rias novas fun%&es dos computadores estão sendo populari!adas #grava%ão de sons digitais.eto de pes uisa. o uso do computador pode ser de grande a. A partir de minha e-peri3ncia de pes uisa foi poss'vel constatar ue o uso do computador e da rede "nternet pode a. A poss'vel. Dei-o em suspenso.uda e não deve ser despre!ado. 2 pouco uso ue pes uisadores da *rea de ci3ncias humanas v3m fa!endo do computador e da "nternet como meio de acesso a fontes de dados talve! se deva ao fato de ue at+ bem recentemente não havia meios suficientes #e simples$ de locali!ar e coletar #transportar$ os dados. um livro. livros sagrados digitali!ados. basta descompact*-lo #os ar uivos são comprimidos para tornar sua transfer3ncia via modem mais r*pida$ e imprimi-lo. da Holha de São Paulo ao Di*rio de 9orborema$. na busca e a uisi%ão de um te-to ou ual uer outro dado. mesmo assim. imagens. via modem. 56678 >ones. desse modo.

e-tra'-los. chatea%ão #para o antrop(logo. o .. uando o provedor fecha ou o respons*vel pelo site simplesmente não uer mais pagar a hospedagem de suas p*ginas ou mesmo . esoterismos. pelo menos en uanto não entra em funcionamento a "nternet "" #de e-clusivo uso acad3mico$ . nas listas de discussão e a DDD #Dorld Dide Deb $. literatura. dados de (rgãos governamentais. al+m de v*rias outras institui%&es. mas + uase certo ue não poder* ver como as atitudes a respeito deste tema especifico mudaram em alguns anos. por e-emplo. semi(tica e outras. digamos.ad3N. + o de ue muitos destes dados te-tuais são ef3meros. Ouem acessa a "nternet fre Pentemente conhece o famoso )Brror :7:. por e-emplo. analis*-los e revelar sentidos. devido ao fato de ue os antrop(logos constituem um grupo muit'ssimo menor do ue o das *reas de e-atas e biol(gicas. . >* e-istem programas ue podem reali!ar algumas das tarefas )bra%ais) da pes uisa de certos aspectos da cultura. tendem a ser infestados de bugs #problemas de programa%ão$.ar uivos para serem copiados e impressos. como etnolingu'stica. assim. fotografia. encontrar todas as mensagens sobre certos assuntos #folclore. administr*-los. Bntidades financiadoras como a HAPBSP. dados. um pes uisador interessado em coletar dados e opini&es sobre assuntos espec'ficos não encontrar* grandes dificuldades. Altavista. 0odo tipo de informa%ão est* acess'vel na Net ou atrav+s dela. Eas podem constituir e-celente material de pes uisa em antropologia visual. nos 99Ss. t3m muito menos suporte #assist3ncia operacional$. uem come%a uma pes uisa procurando dados na "nternet deve . entretanto. museus com obras de artistas do mundo todo. das coisas )como elas são). poesia. interfaces #modo de opera%ão. administra%ão de dados das pes uisas de campo. Um dos problemas a serem enfrentados. pol'tica e milhares de outros$ ue foram trocadas nas redes de mensagens nos 4ltimos dias. Nos te-tos postados na Usenet . poupando tempo e dinheiro em uest&es burocr*ticas. entre centenas de outros. tornam poss'vel. e-peri3ncias multim'dia e outras ue tomam nosso tempo uando estamos em busca de algum dado espec'fico. 2s mecanismos de busca como Lahoo.programas de acesso .a mais mant3-la. como a pes uisa ualitativa tem necessidades especiais. pouca aten%ão para o feedbacK do usu*rio. Hound). não + gratuita.* não dese.NP . em casa. ate'smo. Bm ual uer caso. os bro1sers #p*ginadores-. redu!i-los.* um pouco antigos são pouco conhecidos no 9rasil e. "nternet$. neg(cios. . etnomatem*tica. a Hord Houndation. sites de letras cl*ssicas.* não pode ser encontrada. Bles em geral são escritos por pes uisadores solit*rios e não por e uipes de programadores profissionais e. para o publicit*rio$ de ter ue passar por p*ginas comerciais. apesar de não ser cara. acesso a fichas etc. etnobotInica etc. Não se pode fugir. e não de fotos documentais. universidades etc. incompatibilidades e necessidade de aperfei%oamento. contagens. e o custo para ar uivar tudo isso seria astron/mico. religi&es. disponibili!am informa%&es. por e-emplo. o pes uisador pode coletar tudo ue foi escrito sobre um determinado per'odo em ue est* acompanhando uma lista de discussão sobre homosse-ualismo. B ainda. o computador pode ser usado tamb+m para percorr3-los. 2utra situa%ão comum + as pessoas #especialistas ou não$ criarem sites com seus pr(prios te-tos e informa%&es na Net e ue desaparecem uando o site muda de endere%o #URG $. assim. Alguns pes uisadores americanos come%aram mesmo a desenvolver um corpus de conhecimento e soft1ares na 4ltima d+cada. na tela$ pobres e maiores per'odos sem atuali!a%&es do ue programas como. mitologias. A arma!enagem de dados para a infinidade de material postado na Net #bilh&es de palavras aparecem nas mais de cinco mil listas de discussão da Usenet por dia$. Uma ve! ue os dados estão digitali!ados e capturados. at+ onde pude saber. Nem todos eles são ar uivados pelos provedores e. programas como Btnograph e J1alitan. ue e-igem classifica%&es. mas não.* e-istem pelo menos dois programas especialmente desenvolvidos para responder a estas necessidades relacionadas . menos documenta%ão. padr&es. e at+ mesmo os formul*rios para do1nload e impressão em nossa impressora.Hile Not. ue indica ue alguma p*gina ue anteriormente se encontrava ali . e mesmo considerando o pe ueno mercado. Bstes programas apesar de . GMcos. Bstas p*ginas são compostas em geral de fotos trabalhadas ou com interfer3ncias criativas. doen%as.

At+ mesmo sebos puderam ser consultados online. ped(filos.* se discute este potencial. com dados ualitativos. and 1e maM be on the verge of an e-plosion of "nternet development. photographic archives. ue se apresentam e se comunicam globalmente atrav+s da Net. Crupos religiosos #budistas. se houver e o pre%o interessar. 0odas estas vias podem ser utili!adas. rastafaris. tamb+m constitu'am um dado importante. islamitas. em con. Givrarias online como a 9ooKnet. Bm minha pes uisa sobre festas no 9rasil. utili!ando estes recursos encontrei centenas de sites brasileiros sobre festas locais e de outros pa'ses. atestando a modernidade sendo absorvida at+ mesmo pelas religi&es mais tradicionais. pacifistas. negros. =avia ainda sites europeus sobre folclore e temas afins. um novo campo e novo meio de proselitismo. comunistas. evang+licos. idosos. in4meros Dicion*rios e Bnciclop+dias 2nline. 0odos estes recursos são bastante 4teis durante a elabora%ão e reali!a%ão de um pro. naturalistas e nudistas. #Sch1immer. brasileira. sambistas. sadomaso uistas. mulheres. por milh&es de p*ginas criadas por grupos de interesse e de identidade. como o Sebo 9randão. dados governamentais como os da Bmbratur e seus pro.ournals. afro-brasileiros.or institutions.etos de incentivo ao turismo atrav+s das festas e outros sites. =o1ever. com pagamento atrav+s de cartão de cr+dito. produ!idos pelos pr(prios )festeiros). darKs. necr(filos.osos. menos significativos. Bsportistas. 0his situation maM be temporarM. entregues em casa. uantitativos. e a Ama!on. and assigning and protecting academic credit for ne1 publication forms. para verificar a e-ist3ncia de dados.com a. punKs. acad3micos ou paralelos. nos meios acad3micos internacionais@ 0here are notablM no established electronic . or on-line courses or te-tbooKs. B-istem. solicitar o envio a ual uer parte do 9rasil ou do mundo. administrados por empresas de turismo ue contudo. ue se tornou. deste modo. ethnographic databases. .saber ue eles devem ser garimpados com a mesma paci3ncia de uem procura no sebo os livros )certos). gaining and ensuring access to ne1 resources.unto. several barriers confront future development. afro-cubanos. adolescentes. torcidas de futebol. artistas. fotos # ue pude inclusive usar em minha tese depois de pedir autori!a%ão. gaMs. 'ndios americanos. seem to be una1are of the ne1 possibilities for scholarlM communication. Antropologia. ro ueiros. O "Campo" Virtual 2 )campo virtual) + composto. via e-mail.eto de pes uisa e poupam tempo e dinheiro do pes uisador e da pes uisa. ao ual se pode consultar via e-mail sobre a e-ist3ncia ou não de um dado livro em seu esto ue e.udaram a conseguir livros dif'ceis de encontrar em São Paulo eQou 9rasil. atrav+s da rede. including the AAA and the =RAH. g(ticos. sKin-heads. ainda. B embora e-istam poucos sites efetivamente dedicados . por e-emplo. 9arnies e outras importantes livrarias internacionais tamb+m mant+m seus sites de venda online com cat*logos atuali!ados constantemente. 0hese include the problems of obtaining training and achieving proficiencM in ne1 sKills. mundialmente. para contatar informantes e outros pes uisadores etc. l+sbicas e bisse-uais. Ea. protestantes hist(ricos e outros$. deficientes. capoeiristas. ue podem fornecer dados de v*rias esp+cies. cat(licos. a pre%os vanta. a pertin3ncia de um problema proposto pela pes uisa. t3m seus sites na "nternet e dialogam com seus fi+is e outros. al+m dos sites especiali!ados. Callimard. neona!istas. portanto. aos 1ebmasters respons*veis$ e sons. . 566R@?RR$.

como algu+m ue troca id+ias ou apenas como leitor #chamados pelos grupos de lurKers$. A estes grupos. Não se pode modificar as uest&es da entrevista com base na resposta da pessoa. ou para navegar em busca de assuntos de seu interesse etc. ue funciona tamb+m em n'vel local$. ra%a. perde-se na interatividade ue uma entrevista informal. al+m de estudantes ue conectam de dentro de suas universidades. dentro de uma fai-a espec'fica de informantes com rela%ão a alfabeti!a%ão. dissid3ncias. uando abertos #pode-se optar por ter um grupo fechado$.ompuserv. conversar usando vo!. locali!a%ão geogr*fica etc. corredores. embora algumas se. A claro ue não se deve es uecer ue estas informa%&es estão classificadas.aponeses. pode-se usar o nome real ou um pseud/nimo. Por ser um espa%o virtual onde as pessoas estão minimamente identificadas. Eas tamb+m + poss'vel acessar servidores locais. em determinadas pes uisas + perfeitamente poss'vel estabelecer-se interlocu%&es produtivas com os usu*rios da "nternet. De ual uer modo. Neles. brasileiros ou . por e-emplo. entre outros. mas como este procedimento + assincr/nico. . como por e-emplo os de )campo). geralmente$ v3m tentando usar as listas de discussão para distribuir surveMs e uestion*rios. e toda a infinidade de categorias ue se possa imaginar são encontr*veis na Net. não permitem. africanos. ue o sistema não aceita. listas de discuss&es #mailing lists$ sobre seus temas prediletos e outros ue se refiram diretamente a eles. para citar um e-emplo brasileiro. não-estruturada pode ter. mas este procedimento parece pouco produtivo. )chegar ao campo). por e-emplo. como os franceses.hat . A claro ue o uso deste recurso como meio de investiga%ão re uer discuss&es e algumas reelabora%&es de conceitos antropol(gicos. parece claro ue o conceito de cultura se aplica a estes grupos ue se re4nem e mant+m uma vida em comum atrav+s da comunica%ão via "nternet. se se souber escrever no idioma nativo. A subscri%ão das lista em geral + gratuita. saber de onde partiu uma dada liga%ão. pois poucas pessoas respondem ou respondem apropriadamente. . e subscrev3-la. classe social #não + necess*rio ser o propriet*rio de um computador-.$. pois indicam publicamente o protocolo da cone-ão #n4mero ue indica o provedor de onde se est* conectando $ o ue permite. em caso de transgress&es ou problemas mais s+rios. Am+rica 2nline ou Universo 2nline.* ue não parece poss'vel. são tamb+m comuns dentro de cada categoria. 2s grupos de discussão ue se comunicam via mailing lists tamb+m podem ter um canal de conversa pr(prio.. em tempo real.muitas pessoas ue trabalham neles. devido ao e-cesso de nomes repetidos. de antemão. como uase tudo na "nternet. bastando para isso ue tenha instalado em seu computador o soft1are pr(prio de acesso ao "R. noite. o ue muitas ve!es se fa! necess*rio. g3nero.ada servidor de "R. em ve! de te-to. at+. via "R. conversar por "R. Para fa!er parte de uma lista. entre privativos e p4blicos. *rabes.am restritas a convidados. Nos servidores internacionais se )fala) ingl3s. 2s grupos geralmente mant3m tamb+m. + necess*rio ter o endere%o da lista escolhida #geralmente dispon'vel nos sites dos grupos ou facilmente locali!*vel em mecanismos de busca$. 2utros pes uisadores tamb+m t3m tentado usar o e-mail para condu!ir entrevistas. com um grupo pode ser um modo interessante de inser%ão na rede e de se conseguir informa%&es.bate-papo internacional. de )familiaridade com o grupo). Sites com a hist(ria de forma%ão dos grupos. al+m de suas p*ginas. Se o pes uisador e os entrevistados tiverem um microfone + poss'vel. o total anonimato dos usu*rios. pois permite uma conversa interativa em tempo real. tamb+m. . )dei-ar o campo) e. Alguns pes uisadores #soci(logos e psic(logos. afinal esta não + a finalidade primeira de uma lista de discussão. como acontece nos chats de empresas como a . novidades etc. Ainda assim. #"nternational RelaM . enviando-lhes um e-mail . estabelecem algumas pausas no trabalho para a troca de conversas e e-mails. principalmente. durante o dia ou .moto ueiros. ual uer pessoa tem acesso. 2 chat parece melhor para esta finalidade. o de intera%ão pes uisadorQpes uisado. o ue cada ve! + mais comum. 2s servidores de "R. entrevistar algu+m na "nternet sem ue este algu+m saiba e-atamente ual a finalidade da entrevista e de ue modo ser* usado seu depoimento. se subdivide em cerca de 5777 outros canais.

Não sei di!er se pes uisas sobre temas ue proponham aspectos em ue a intimidade dos informantes precise ser desvelada podem conseguir o mesmo retorno. . Se a pessoa se torna inconveniente durante uma conversa. vontade para falar. ue o acesso . pois não . Bsse procedimento + considerado um )batismo) e um teste para o senso de humor das pessoas. de reconhecimento e sem as press&es sociais e profissionais. cada um se torna aberto para se comunicar e transformar esses contatos em momentos de la!er e pra!er. eventos. tomar o tempo de algu+m. facilmente ser* ) uicada) #e-pulsa. pol'ticas etc. 0amb+m a teleconfer3ncia.s. dimens&es ue se perdem numa entrevista via "R.Por ue não. pode recuperar. ue favorece a e-plora%ão pessoal e grupal de emo%&es e identidades.ar uando se retorna ao canal. pelo ue pude entender.* come%a a ser usada por empresas. em alto grau. tive ue conversar muito sobre computadores. ue + inclusive o nome ue se d*.* ue uma cImera captura a imagem e. não sendo conveniente esbrave. todos se sentiam ualificados. no hor*rio mais conveniente. a cria%ão de )personas ) e de fantasias pessoais o ue. pois as pessoas ue se conhecem durante longos per'odos pela Net. gestos etc. minha vida pessoal. segundo penso. 2s internautas são. desconectada$ do chat. ue . 0amb+m no )mundo virtual) + preciso estabelecer rela%&es com as pessoas aos poucos. uma ve! ue a Net permite . tamb+m no )campo virtual) o antrop(logo deve ser cuidadoso ao entrar em contato com os informantes num canal de chat #e uivalente a uma )sala). como a e-pressão e a apar3ncia dos participantes. o som. Eais confort*vel ue o telefone. um microfone. rocK. propiciando inclusive o desenvolvimento de maior confian%a entre as pessoas.. No meu caso. embora o pes uisador deva considerar. entre outras vantagens. uando iniciei os contatos com pessoas ue moravam nas regi&es onde aconteciam as grandes festas ue estudei. por ue ra!ão ueria estudar festas etc. mitos. entretanto. capa! de criar novos comportamentos. autori!ados e. . as pessoas se tornam mais acess'veis. antes ue fosse poss'vel entrar no assunto como entrevista propriamente dita. pode constituir problema para algumas pes uisas. B como em ual uer campo. como os ti ues pessoais. lugares. em muitos "R. Storch #566R$ ass'dua internauta ue . "nternet + pago em n4mero de horas gastas pelos usu*rios8 portanto.riam-se la%os afetivos de fato. mesmo se apenas sobre temas de seu interesse. antropologia em geral. gente altamente informada. 2s )Snternautas) não estão dispon'veis a ual uer momento e a Net possui v*rios meios e crit+rios de inclusão e e-clusão. sempre.* por si de car*ter p4blico #e minhas perguntas versavam sobre os acontecimentos das festas. ou e-mail. Durante minha pes uisa. Percebe-se claramente uma certa )desconfian%a) no primeiro momento dos contatos. Acredito ue sim. apesar de bem raro entre as pessoas ue conheci nestes cinco anos de uso da rede. B como )viciados em informa%ão) tentam saber tudo ue puderem tanto sobre a pes uisa e suas implica%&es uanto sobre o interlocutor e sua vida pessoal. tornar-se parte do grupo. em geral. Pessoas ue estão navegando durante os fins de semana ou de madrugada. Bla tamb+m + usada sempre ue um )novato) entra num chat. a partir do encontro de afinidades. aos canais$ e introdu!ir perguntas estranhas ao ue est* sendo dito na uele momento pelos participantes. o ob. Eas o pes uisador ainda perder* a uela centena de sutile!as paralingu'sticas ue v3m da pessoa entrevistada. Segundo Suler #566R$.eto de meu estudo. revelando aspectos sens'veis e 'ntimos ue poucas ve!es se imagina conseguir fora da comunica%ão eletr/nica.untamente com um psic(logo escreveu um dos primeiros livros brasileiros sobre o mundo das rela%&es virtuais no 9rasil di!@ )Bm busca de aprova%ão. então.$. num futuro muito pr(-imo. o telefoneN Por ue o acesso "nternet permite falar de longas distIncias e internacionalmente pagando-se apenas tarifas locais. bem . a menos ue este se demonstre interessado no ue se pretende propor como tema de conversa não + de bom tom. a "nternet + um espa%o psicol(gico.s pessoas.om uma roupa confort*vel. ouvindo m4sica ou com o outro olho no aparelho de 0F. em geral estão dispostas a conversar. cativar sua confian%a e ser aceito por ele para ue as pessoas se disponham a perder seu tempo com voc3 e seus interesses. ue inclui esta possibilidade no menu. como se tratava de um assunto . tendem a falar sobre os temas de modo mais aberto. franco. .

m4sicas. fa!-se ironias.eti ueta da "nternet. para algu+m. de Pernambuco. apenas o relacionamento virtual pode não ser suficiente. .* não implica. mantendo contatos pessoais com seus interlocutores. o antrop(logo pode facilmente falar com sua fam'lia. considerando-se ue as pessoas ue se encontram na Net nem sempre estão no mesmo lugar ue as outras #a menos ue o grupo ue se estuda se.om um pe ueno cartão-modem inserido num palm-top + poss'vel o acesso .omo se v3. a usar o 0BGNB0 . e-pectativas pessoais. port*teis #lap-tops e palm-tops$ e poderosos em sua capacidade de comunica%ão e de arma!enamento de dados. . ainda. cidade onde vivo. atrav+s de um pe ueno microfone ou de um microfone e uma micro-cImera. criou v*rios tipos de rituais. especialmente se isso fa! parte dos h*bitos do grupo com os uais se relaciona. outros de Ama!onas.a conectado ao mesmo tempo. A necessidade de e-primir as emo%&es por escrito fe! surgir o ue os internautas chamam de emoticons #'cones de emo%ão$. pelas aus3ncias ou falta de comunica%ão. 2s internautas são imensamente pacientes em ensinar a lidar com o meio t+cnicovirtual. Santa . na era dos computadores. ue determina o ue + ade uado e o ue não + na troca de mensagens em tempo real ou não$ e do )internet3s). rede via telefone celular e. chocolates.omo os computadores t3m se tornado cada ve! mais leves. chateado.* diminui muito o stress inerente aos encontros pessoais) . o uso dos computadores e da Net na pes uisa de campo pode se mostrar relevante. sons e nem. ou. Observação Participante . um ar uivo ue voc3 comenta ue tem e o outro lhe pede.a local$. pois não + educado pedir o endere%o residencial de algu+m para enviar te-tos de papel. portanto. pois alguns eram do Par*. v3-los e ser visto. H0P e a conviver no mundo virtual em termos de suas categorias. !anga-se. aprendendo a fa!er o ue fa!em todos. mesmo estando num distante povoado onde a eletricidade e a telefonia ainda não chegaram. como Ealino1sKi entre os trobriandeses. No caso de minha pes uisa. Ri-se. e implicar a necessidade de algum grau de relacionamento fora da rede. de pessoas vivas ou emo%&es. Eesmo para pes uisas em *reas ind'genas ou rurais. tempo na "nternet.+ necess*rio ue o outro este. . como enviar via modem. poesias ou tamb+m v'rus uando as coisas )vão muito mal) entre as pessoas.ada um acessa no momento e no lugar ue escolher e s( isso . longe de sua cultura. tornam-se mais 4teis at+ mesmo para pes uisadores em campos long'n uos.arg&es e c(digos fa!endo com ue a inser%ão do antrop(logo nesta )sociedade virtual) impli ue o aprendi!ado destes c(digos #um deles chamado Neti ueta . a conectar seu computador com o do informante diretamente. imagens. ue constituem verdadeira pontua%ão nos te-tos da "nternet. . A preciso aprender a usar programas espec'ficos para fa!er coisas. Bnviam-se flores virtuais.omo em todas as sociedades e culturas. por e-emplo. necessariamente. Eas + preciso. estar isolado e emocionalmente fragili!ado. conforme lembra ao leitor nas primeiras p*ginas de )2s Argonautas do Pac'fico 2cidental). "RG #"n Real Gife$. aprender conceitos como os de privacidade na "nternet. fica-se envergonhado. Coi*s e nenhum de São Paulo. como se di! na Net. um encontro com os informantes da Net seria imposs'vel sem grandes deslocamentos de todos. amigos e colegas. B logo ser* necess*rio aprender a ane-ar ar uivos em mensagens. 2 antrop(logo . como em ual uer processo de observa%ão participante. a pes uisa ualitativa na "nternet não sofre. Bstar no campo. a )cultura cibern+tica) do mundo virtual.* não precisa estar isolado no campo. principalmente. de um ponto de vista pr*tico. cansado e chora-se por escrito. . 2 pes uisador deve considerar se isto + conveniente ou não no caso de sua pes uisa. lembrando ue este procedimento pode ser dispendioso e at+ impratic*vel. . da falta de te-tos. . Para algumas pessoas.atarina.

poucas ve!es eles mesmos sabiam uem era o autor da foto e sim a uem pertencia a c(pia digitali!ada. + poss'vel observar sem participar. Hurthermore.o URG + facilmente cit*vel. embora uase sempre ignorada$. desde ue consultados sobre se dese. anote-se o endere%o e a data em ue foram capturadas. 2utro caso + o de como citar informa%&es colhidas em mailings lists. Ao mesmo tempo em ue reconhece-se a e-trema importIncia da publica%ão em hiperte-to e multim'dia. produ!idas por profissionais competentes e parece haver consenso sobre a maioria dos crit+rios. no caso das p*ginas de sites $. 2bserva-se uma lista. inclusive@ )2n-line instructional material and research resources 1ill counteract the hierarchical professor-student relationship. the limitless potential for electronic distribution 1ill maKe it easier for Mounger scholars and even graduate students to publish. se a coleta de dados e as )etnografias) podem se valer de modo e-tremamente positivo da ri ue!a de informa%&es e-istentes na rede mundial "nternet e constituir uma t+cnica vi*vel para pes uisas antropol(gicas. socialmente positiva e +tica. .am sabendo com ue finalidade vai ser usada sua fala. na pr(pria Net. na Net. em muitos casos. como obter direitos autorais e na perda da autoridade profissional. 99S. sons. mensagens pessoais. de como citar fontes. Bntre outras coisas.ugada com outras. No entanto. Nem tanto com rela%ão aos sites.s e outros chats podem ser citados normalmente. uma das mais importantes e discutidas pelos acad3micos. A uestão +. filmes ou anima%&es uando elas não estão assinadasN B como lidar com o problema da retirada de uma certa p*gina do arN >* e-istem v*rias propostas. entretanto. F*rias outras propostas de normati!a%ão de fontes da "nternet podem ser encontradas na pr(pria rede. usandose os mecanismos de busca. a ne1 social order 1ill emerge marKed bM egalitarianism and collaborative scholarship) #Sch1immer. Para minha surpresa. Uma solu%ão utili!ada por mim foi a de enviar um e-mail ao respons*vel pela p*gina solicitando as fontes. "n sum. No entanto. como nas listas e chats p4blicos #como lurKer. cu. do enri uecimento das apresenta%&es. espreitador.omo se v3.Um dado interessante + ue. 2s informantes dos "R.o patrim/nio consiste. poucas ve!es assinados. 566R@?RR$. a pura observa%ão pode uma ser uma estrat+gia a ser con. autoria dos te-tos ue neles aparecem. pensa-se como evitar pl*gios. nas id+ias e publica%&es. de participa%ão direta. dos novos modos de publica%ão e mesmo suas influ3ncias sobre as carreiras do pes uisadores e dos modos de se aprender antropologia precisam come%ar a ser pensados a fim de se tornar esta pr*tica leg'tima. abordagens. . com rela%ão . Bibliografia . por e-emplo. da ampla divulga%ão das id+ias. Bntre os trabalhos de profissionais brasileiros ue indicam como citar estas fontes est* o de Cevil*cio Eoura ue elaborou uma proposta de normas para a Associa%ão 9rasileira de Normas 0+cnicas.omo indicar a autoria de fotos. Por esta ra!ão fui autori!ada a us*-las apenas na tese e não em futuras publica%&es em papel. eficiente. Citação das fontes Um problema ue se colocava at+ bem pouco tempo. cu. and facultM 1ill become mentors rather than authorities.s fontes de dados da "nternet. as v*rias dimens&es das pes uisas. e participase de um chat com os membros do grupo estudado. di!ia respeito a como cit*-los.am isto e este. e-atamente. o pes uisador ficar* restrito. categoria vista com desconfian%a. não dominar* o c(digo facilmente e provavelmente não entender* o ue constitui essa cultura intern+tica tão cheia de novos modos de relacionamentos. mas . Eoura recomenda ue se grave e imprima as p*ginas.

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