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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

FACULDADE DE DIREITO – UFRGS
DEPARTAMENTO DE DIREITO PÚBLICO E FILOSOFIA DO DIREITO
INTRODUÇÃO À FILOSOFIA DO DIREITO – DIR03002
PROFESSORES: CEZAR SALDANHA SOUZA JUNIOR
JOÃO PAULO TAGLIARI – 218239
O6/09/2012
RESUMO DA ‘INTRODUÇÃO’ E DO CAPÍTULO IV ‘O PROBLEMA COSMOLÓGICO’ DO
LIVRO “INTRODUÇÃO À FIOSOFIA, B. MONDIN”

INTRODUÇÃO

A introdução do livro trata dos seguintes assuntos:
-Conceito da palavra filósofo:
O homem, em geral, é filósofo (filo - amigo + sofia - sabedoria) por natureza. Como disse
sabiamente Aristóteles em sua obra Metafísica: "Todo homem deseja, por natureza, conhecer". Assim,
o homem não se contenta em viver o presente sem questionar o dado sensitivo. Ele busca a “verdade”
que está para além do sensível. Todavia, os verdadeiros filófos são aqueles que dedicam toda a sua
existência à procura de conclusões para os questões que instigam a mente humana.
- Objetos material e formal da Filosofia:
O campo de competência da filosofia, diferente daquilo a que ordinariamente chamamos
ciência, abrange a totalidade das coisas. É claro que o objeto da filosofia não é tudo em todos os
aspectos, mas sim uma espécie de abstração daquilo que consiste a essência do ser; o ser em si (tode ti
ou substância primeira como referiu Aristóetesl na obra Categorias. Falando de modo simples e sem as
especificações modernas, teríamos a seguinte situação: a biologia estuda o ser enquanto vivo; a física
estuda o ser enquanto dotado de movimento e propriedades a ele relacionadas; a filosofia, por sua vez,
estuda o ser enquanto ser. Desse modo, temos citações de vários filósofos que definem a filosofia ora
como estudo de valor do conhecimento, ora como investigação dos primeiros princípios e dos últimos
fins ou também como o estudo da linguagem, do ser, da história, da arte, da cultura, da política, enfim,
de tudo; buscando adquirir informações válidas, rigorosas e ordenadas.
Deste modo, os homens, os animais, as plantas, a matéria, apesar de já terem sido estudados
por muitas ciências, também podem ser investigados pela filosofia. A diferença é que, enquanto as
ciências estudam todas as coisas do ponto de vista dos fenômenos, a filosofia enfrenta problemas
relacionados, por exemplo, com “o que seja o existir”. O próprio homem é estudado pelas ciências em

a liberdade e a lei moral. utilizando principalmente procedimentos indutivos e dedutivos. tema tratado pelo autor neste capítulo. há uma divergência entre os cientistas e os filósofos. Tales já usa conceitos da filosofia para responder “qual a causa última. pois o trabalho verdadeiro e próprio da investigação filosófica é cumprido somente pelo raciocínio puro. tal distinção dos discursos filosóficos e científicos só foi feita com o surgimento das ciências experimentais. O método da filosofia é essencialmente raciocinativo. -Modalidades de Introdução da Filosofia: Podemos aprender filosofia de duas maneiras: estudando um ou mais autores e tomando-os como mestres. etc. o princípio supremo . É a filosofia que se ocupa de tais problemas. mas sim pesquisar a verdade em si mesma. os deuses são apresentados juntamente com os homens como parte do mundo e todos os fenômenos provêm dessas divindades. Tentando encontrar soluções para os problemas supracitados. os filósofos estudam estes mesmos fenômenos do universo em uma interpretação geral. diferente das ciências que estudam campos específicos da realidade. procurando retornar aos primeiros princípios e iluminar os fatos. gerou todas as outras coisas. • O PROBLEMA COSMOLÓGICO A palavra cosmológico significa “estudo do mundo”. para compreendê-los melhor. antropológico. o homem buscava respostas na Mitologia. tentando ordená-los e buscando leis para seu funcionamento. Refletindo sobre as questões que cercam este problema. contando também com uma centena de fichas biobibliográficas dos filósofos mais representativos. O problema cosmológico foi um dos primeiros com os quais o homem deparou-se. O livro em questão opta pela segunda modalidade. mas elas não encaram problemas como o valor da vida. O único objetivo da filosofia é o conhecimento. em sua totalidade. e Eros (o amor). Segundo a explicação de Hesíodo.múltiplos aspectos. tais como: origem. segundo critérios lógicos. gnosiológico. o mundo é uma realidade problemática sobre vários aspectos. político. Mesmo os sentidos e a imaginação servem apenas na fase inicial de pesquisa e análise. Enquanto os primeiros ocupam-se em analisar o mundo principalmente sob o ponto de vista dos fenômenos. não busca vantagens e satisfação de interesses. a Géia (Terra) foi gerada a partir do Caos. indicando suas origens. Entretanto. metafísico. Segundo Mondin. Ela estuda a realidade. Cada capítulo segue de um breve roteiro para revisão. analisando sua natureza essencial e seu fundamento último. Em seus poemas. -Qualidades que dão ao saber filosófico um caráter próprio: O instrumento de trabalho dos filósofos é tão somente a razão. depois. duração e seu fim último. explicando em termos simples o problema lógico. estético. Homero e Hesíodo usavam o mito para dar explicações cosmológicas.. desenvolvimento e as soluções sugeridas pelos filósofos. dispensando máquinas e aparelhos eletrônicos modernos. elementos constitutivos fundamentais. ou fazendo um apanhado geral dos problemas filosóficos e dos sistemas que têm sido elaborados para resolvê-los. no século XVII.

As leis propostas por estes cientistas alcançaram tal importância que são usadas até hoje como base em muitas ciências. A investigação científica não se importava com a essência das coisas e seus fins últimos. Os pensadores cristãos. Lavoisier. ao se separarem. o mundo não tem origem nem fim. por rarefação. pois confundia o problema metafísico e cosmológico. o que ajudou muito na compreensão dos fenômenos do universo. Galileu. a visão de Tales sobre o problema cosmológico. Mas não é imóvel. Para Aristóteles. os atomistas defendiam a tese de que o mundo é constituído por elementos fisicamente invisíveis de dimensões extremamente pequenas. pois assim exige a natureza mutável das coisas. Isto leva o filósofo a reconhecer e existência de um Motor imóvel que ocasiona todos os fenômenos e todos os movimentos do mundo. entretanto é a causa do movimento de todo o universo. é eterno. era ambígua. compostas por matéria (de natureza corruptível) e forma (razão da distinção das coisas em espécies diferentes). Depois de do formar o mundo. porém que foram suas hipóteses que abriram espaço para a criação de uma nova cosmologia firmada na pesquisa científica mais do que na especulação filosófica. Newton. Ainda em Aristóteles. eterno e único.de todas as coisas?”. chamados átomos. o Demiurgo inspirou-se nas Ideias (eternas e imutáveis) para criar a matéria que compõe os seres reais (sombras imperfeitas). O Demiurgo infunde nele uma alma universal. em partes. conservada durante três séculos. e apresenta uma resposta ingênua: dentre os quatros elementos constitutivos de todas as coisas. Tomás de Aquino. Cabe ressaltar. Este Motor não está sujeito a nenhuma forma de movimento. Esses átomos. Einstein e tantos outros conseguiram. Ele distingue dois planos da realidade: o mundo material (o qual habitamos) e o plano das Ideias. mas que oferece segurança e estabilidade. vemos que as coisas estão em devir em direção a um fim e é exatamente o fim que as induz a transformarem-se. ao se ligarem. todavia. desenvolver tais leis. sua destruição. Segundo ele. é também inextenso. Segundo Agostinho. entretanto. sujeita a movimentos e mutações. defende a noção bíblica da criação. pois é perfeito. Deus. Segundo o autor. por condensação. as explicações dos pensadores dessa época não passa de mera fantasia não muito distante dos gregos que os inspiravam. derivando dela a terra. Tales concebe o mundo como uma casa. e o ar e o fogo. produziriam o nascimento de corpo e. sendo superior a todo o mundo da matéria e da extensão. Esse devir perene também se deve a constituição das coisas. Também se questiona sobre a possibilidade de a realidade derivar de um único princípio supremo. O interesse pelo problema cosmológico aumenta na época do Humanismo e do Renascimento. já que Deus poderia tê-lo criado desde sempre. A distinção entre esses problemas é feita por Platão. mas concentrava sua atenção nos fenômenos e nas leis de funcionamento do universo. que o conserva vivo. não exclui a possibilidade da existência eterna do mundo. Contemporâneos de Platão. por sua vez. na medida em que se mantém em direção à sua meta última. a água seria o principal. O autor também fala da visão que Aristóteles tinha sobre os quatro reinos terrestres e sobre os quatros tipos principais do devir. na qual o mundo nasceu do nada pela vontade de Deus. o mundo foi criado no tempo. .

é uma comunicação limitada. mas que. No entender de muitos filósofos. através do ato da Criação (termo que evidencia a inexistência total do mundo antes de sua produção pelo Ser subsistente). O mundo está a caminho de Deus. que originou e mantém a vida no universo. segundo a qual houve uma explosão originária de um universo superdenso. Foi Galileu também quem deu origem a outro elemento característico da cosmologia: o mecanicismo. a explicação vitalista das coisas desse mundo (segundo a qual o fundamento dos fenômenos vitais é uma força vital que não depende de mecanismos físico-químicos. O autor tenta esclarecer os problemas cosmológicos da origem e do fim do mundo apoiado nesta filosofia do ser: Deus é. o autor opina sobre a filosofia que ele considera apta a dar uma resposta válida a este problema: a filosofia de ser. apesar de ter decaído. este Ser doa-se de forma generosa. mas constata que no mundo essa perfeição se realiza de modo limitado. e a teoria molecular. mesmo assim. Assim. Entretanto. o homem conseguiu grandes feitos científicos que ajudam a elucidar o problema cosmológico: individualizou os elementos constitutivos da matéria. Contudo. pois o faz de uma perspectiva de fácil compreensão: a dos problemas. sua duração e o momento de seu fim. a finitude e a contingência das coisas deste mundo nos fazem compreender a exigência da realidade de um Ser infinito. mas a razão nunca chegará a medi-la. pois o mundo não iguala a perfeição de Deus e muito menos se identifica com sua realidade. Esta é uma distância finita. na qual o sol seria o centro do universo (heliocentrismo). que considerava a terra como sendo o centro (geocentrismo). ao mesmo tempo. a alma). de Ptolomeu. não é possível encontrar uma resposta conclusiva às interrogações da cosmologia se seguirmos a distinção kantiana entre realidade fenomênica e realidade numênica (essência do ser que é incognoscível). Logo em seguida são apresentadas duas teorias atuais sobre as razões do inicio do universo. que verifica o movimento desordenado das partículas dos gases. decifrou a complexa estrutura das células e chegou a alcançar corpos celestes muito distantes da terra. como a teoria cinética. A teoria do estado estável. Nesta parte final do capítulo. sendo possível aplicar leis de cálculo e probabilidade nessa desordem. Fica a dúvida sobre quanto tempo o mundo irá percorrer até alcançar o ponto Ômega. e a velocidade de expansão irá diminuir constantemente. diferente da crença da época. Desse modo podemos conhecer . a respeito da estrutura da matéria se originar de uma agregação de átomos. com o auxílio da razão humana e da especulação filosófica se pode afirmar também que o problema cosmológico não seja de tal modo insolúvel. afirmam os cientistas. e a teoria evolucionária. Mondin explica que é no mecanicismo que se inspiram importantes hipóteses científicas. nunca foi extirpada por completo. que pressupõe uma criação contínua de matéria e a expansão contínua do universo. Por meio da criação. Essa filosofia intui a perfeição do ser.Galileu causou uma revolução em seu tempo ao divulgar a visão de mundo copernicana. Graças ao desenvolvimento de instrumentos de pesquisas. A tensão permanente do mundo para voltar ao Ser subsistente explicaria a constante transformação que o anima. Compreende-se dessa forma a afirmação do autor de que o mundo originase em Deus. O presente livro obtém sucesso no objetivo de introduzir a filosofia aos principiantes. o Alfa (início) e o Ômega (fim).

O Problema Gnosiológico O problema gnosiológico ou do conhecimento pode ser dividido em três aspectos: origem e estruturação (abordado pela psicologia). Assim. que podem ser da ordem científica. é natural que o homem se pergunte quem criou tudo aquilo ou o que gerou este universo maravilhoso. Cabe ao filósofo responder qual é o gênero destes conhecimentos e a que esfera eles pertencem. Os filósofos vão muito além da descrição dos fenômenos: buscam o que está por trás e o que está além desses fenômenos. 1. diferente de como as recebemos pela experiência. O problema cosmológico é uma ótima forma de introdução à disciplina da filosofia. Todavia. olfato. mas pode ser usada para explicar a causa primeira desta criação e o seu fim último. as primeiras que aguçaram a razão humana. etc). Essa perspectiva também nos permite estabelecer comparações entre as teorias desenvolvidas pelos mais diferentes filósofos a respeito de um mesmo problema. será analisado o aspecto crítico e o psicológico. fazendo com que nós mesmos nos aproximemos mais da “verdade” e do conhecimento buscados pela filosofia. sem ser necessário que as tenhamos visto de fato. como: sensibilidade (visão. valor (abordado pela crítica). bem como os métodos usados por eles para apresentar respostas que lhes parecessem conclusivas. e funcionamento correto (abordado pela lógica). Esta última capacidade é a que faz com que imaginemos coisas de forma original. penso eu. Os principais problemas de ordem psicológica referem-se às formas e à origem do conhecimento humano. temos diversos tipos de conhecimentos. Ao olhar para o cosmo infinito. Estas questões também nos impelem a pensar. É interessante notar como o autor aponta claramente os objetivos da filosofia em contraste com os interesses da ciência. memória (que nos permite trazer à mente informações do passado) e a fantasia. Nesse capítulo. pois as questões relacionadas à origem do universo e à constituição de todas as coisas foram.simultaneamente os principais problemas que a filosofia tem se ocupado ao longo do tempo e as formas como vários filósofos de épocas diferentes encararam tais problemas. instintivamente. ao invés de estudarmos os filósofos isoladamente. como seres humanos. no caso. existem conhecimentos diferentes dos obtidos através dos sentidos e da imaginação. audição. que a resposta defendia pelo autor para o problema cosmológico é válida. quase todos os filósofos concordavam com a existência de pelo menos duas ordens de . religiosa. As Formas do Conhecimento Humano Nós. A filosofia do ser não entra em divergência com a ciência sobre as certezas que esta já obteve no estudo da criação do universo. moral ou até mesmo estética. Durante o período clássico. O problema gnosiológico já era debatido entre os filósofos pré-socráticos. Deus.

conhecimento: a dos sentidos e a do intelecto. Rosmini. Malebranche. formado por objetos universais e necessários. A partir de Descartes o problema gnosiológico ganha importância. Em Hume. os conhecimentos factuais seriam fruto da ação da . mas diverge afirmando que elas seriam infundidas em nossa mente por Deus. Assim. Acredita que o conhecimento intelectivo se dá por meio do sujeito. Gioberti. através de da sua ação iluminadora. São Tomás discorda da teoria de Santo Agostinho porque esta desconheceria o intelecto humano. e os que defendem a existência de formas de conhecimento intelectiva. Platão diz que todo conhecimento dependeria do objeto. no presente. que possui uma potência própria (intelecto) por meia da qual ele analisa os dados fornecidos pela experiência para chagar ao elemento essencial. os positivistas e os neopisitivistas). a teoria aristotélica. então. Ante o problema dos tipos de conhecimentos (tanto no período moderno quanto no clássico). temos o conhecimento fundamentado na sensação. Surgem então três hipóteses em relação à origem do conhecimento: fruto da ação do objeto sobre nós (ou vice-versa). resultado da ação do sujeito ou ação conjunta do sujeito e do objeto. se elas são criações de nossa mente ou se são reproduções de objetos externos a nós. Origem do Conhecimento Os filósofos também tentam entender de onde provêm as ideias que temos. Desse modo. Em Berkeley temos que as ideias são todas particulares e sua origem é o próprio Deus. Na linha aristotélica seguem filósofos como Locke e os neotomistas. os filósofos dividem-se em duas grandes ordens: os que admitem tanto o conhecimento sensível e o intelectivo (os racionalistas) e os que aceitam somente o conhecimento sensível (os empiristas. 2. postulava a existência do mundo das Ideias. como Descartes. Nessa linha seguem alguns filósofos modernos. que não pertence à ordem sensível. Para explicar a origem do conhecimento intelectivo. cada filósofo adapta a origem das ideias à sua teoria da forma de conhecimento existente (sensível ou intelectiva). Este problema não alcançará uma solução conclusiva devido às divergências entre os que acreditam numa forma de conhecimento sensível. pois se baseiam somente nas experiências imediatas. como é o caso do conhecimento científico e religioso. estaríamos apenas tomando consciência daquilo que a alma teria experimentado no Hiperurânio. quando conhecemos as verdades absolutas. Aristóteles não concorda com a teoria platônica. Santo Agostinho concorda com Platão no ponto das verdades eternas serem produzidas em nós do exterior. que estariam em contato com a alma humana antes de ela entrar no corpo. Repropõe. Entretanto havia divergências entre os pensadores de origem platônica e aristotélica quanto à subdivisão destas formas de conhecimento.

o pai da filosofia moderna. Sua explicação. e um ideal. Wolff). o homem possui outros conhecimentos. portanto penso. pois o plano ideal é imutável). Já os sofistas acreditam apenas no sensorialismo (relativismo e ceticismo). justiça e verdade. Para eles. Com o passar do tempo. penso. Berkeley. subconscientes e instintivos. Kant faz uma síntese para explicar o conhecimento sensível e o intelectivo: propõe que o objeto provê a matéria (elemento a posteiori). Leibnitz. Aristóteles concorda com Sócrates e Platão. como as ideias de bondade. a forma (elemento a priori). porém. podemos citar: tradicionais. o sensível gera apenas opiniões. A solução conclusiva deste problema se dará na harmonização de todos esses fatores com os dois coeficientes indispensáveis. Daí surge o ceticismo. mas depois dela ressurge o Ceticismo. histórico e linguístico. Julgava ter resolvido o impasse entre racionalistas e empiristas. social. logo existo. foi rejeitada pelos idealistas. Malenbranche. Sócrates diz que além do conhecimento sensorial. 3. até hoje. Após estes filósofos.fantasia. o sujeito e o objeto. está em debate. o único conhecimento era o dos sentidos. antes dele se converter ao catolicismo. que seria conhecido pelos sentidos (sujeito a erros. Valor do Conhecimento O problema sobre o valor do conhecimento humano é um dos primeiros a ser enfrentado pelos filósofos. Contudo. e o sujeito. Ele faz isso por meio da “dúvida”: duvido. surge uma corrente contrária a Descartes: o grupo dos empiristas (Locke. . o ceticismo passou a tomar conta da mente de muitos pensadores. A Escolástica reafirma o valor do conhecimento humano. pois o plano material é corruptível). A verdade entre as ideias e as coisas não existiria (recaíam no Ceticismo). é quem resgata os conhecimentos de ordem intelectiva (também os de ordem sensível). conhecido pelo intelecto (absoluto. divergindo neste no tocante que a essência das coisas estaria não estaria separada das coisas. O intelecto humano chegaria à verdade abstraindo tal essência. Juntamente com Descartes estão muitos outros filósofos que defendem o valor do conhecimento intelectivo. muitos fatores são propostos para o problema da origem do conhecimento. incluindo Santo Agostinho. e. Platão divide a realidade em dois planos: um físico. Descartes. que excluem qualquer contribuição do objeto à formação do conhecimento. Para Parmênides somente o conhecimento intelectivo pode atingir a verdade. os racionalistas (Spinoza. Hoje. segundo o qual o homem não poderia mais alcançar a verdade com segurança. propiciando motivos para questionar o valor da razão humana. os quais ou negam toda forma de conhecimento intelectivo ou rejeitam sua utilidade. mas em um núcleo fundamental dentro das mesmas. Hume). que possuem valor absoluto. o sistema metafísico sofre um abandono.

desse modo. as ciências experimentais tomam uma visão dinâmica. Sócrates. e não uma filosofia. enquanto o lógico ocorre independentemente dos conteúdos. o problema do método se dá na proposição de encontrar um caminho que dê garantias para atingir a verdade. mas através da práxis. assim. Hoje. A diferença se dá porque. A Filosofia da Ciência (Problema Epistemológico) Comte negou à filosofia um domínio próprio e confiou-lhe como tarefa específica o estudo das ciências. mas que este só alcançaria a verdade no conhecimento dos fenômenos. considera-se que o único método válido seja a práxis (baseado na ação e na vida das pessoas no mundo concreto se valida uma teoria). A epistemologia tem um desenvolvimento em nosso século. todavia. Surgiu no século XVII com o aparecimento de um sereno ceticismo e uma crítica nos confrontos do conhecimento científico. probabilística e relativista das leis da natureza. pois. ressalta-se a importância de não filosofar com um objetivo claro de mudar a realidade. Dessa forma. Hoje. O Método Muito parecido com o problema lógico. dado os êxitos das ciências experimentais. Tomás de Aquino) foi após o sucesso das ciências experimentais que surgiu a ideia de se construir um método para que a filosofia pudesse aspirar a resultados análogos. o do método é específico a eles. a tendência filosófica é voltada ao ceticismo.Para Kant o problema precisaria ser resolvido de modo positivo. e os que procuram achar a verdade não na especulação. dando origem à epistemologia. as ciências naturais deixam de ser considerado um conhecimento absoluto. 4. A epistemologia propõe-se a responder o que é o conhecimento científico. nunca alcançaria o númeno. da ação. Mas. mesmo assim. usando somente de métodos das ciências humanas ou experimentais para descobrir a verdade. Embora a filosofia tenha tidos métodos em seu princípio (com Platão. a ânsia de mudar se torna uma ideologia. Desde então os filósofos dedicaram sua atenção sempre mais à ciência. obteve: matemática e geometria passam a ser consideradas construções formais (ciência do possível). Reconhecia o conhecimento intelectivo. seguindo duas tendências: a ideia de que se deve excluir a metafísica de processos cognoscitivos. o filósofo perderia a liberdade e perturbaria o momento da contemplação. Como resultados. surgiram vários métodos que transferiam à pesquisa filosófica os mesmos métodos da ciência e da matemática ou novos métodos foram inventados. 5. originando três movimentos: .

Conclusão A razão humana não conseguiu chegar a uma conclusão satisfatória na epistemologia.Interpretação metafísica: só através da metafísica a ciência encontrará seu fundamento último.Racionalismo Científico: a ciência é obra da razão humana. Karl Popper. Para Gaston Bachelard a filosofia da ciência contemporânea deve colocar-se num meio termo entre realismo e idealismo e põe o binômio experiência-razão no topo do conhecimento humano. mesmo que os resultados do futuro sejam tão alternativos quanto os do passado. regras para utilização dos símbolos e ordenação das proposições) e experimentais (que podem ser comprovadas empiricamente). pois o ser humano é filósofo por natureza. universais e exatas.. destaca também as leis epistemológicas (leis necessárias. e dotado de razão para achar uma explicação profunda das coisas. A ciência é investigação de hipóteses. o controle das teorias é obtido pelo processo da falsificabilidade: uma teoria pode ser considerada científica se puder ser falsificável e se não tiver sido ainda provada como falsa de fato. . já seria impossível. cuja ideia central é expressa pelo seletivismo subjetivo. . Eddington. O interesse da interpretação metafísica dirigia-se à infraestrutura ontológica da ciência. deles surgem as hipóteses e as conjunturas. esse ato. Na realidade. rejeita o empirismo em face de certa espécie de racionalismo. o princípio na construção da ciência são os problemas (não as observações). por si próprio. Para ele. . ao passo que ainda discutem-se alternativas clássicas: "idealismo ou realismo? racionalismo ou positivismo?" Mesmo assim. Para Popper. semelhante à Gaston. É preciso filosofar. ao passo que pode ser totalmente falsificada”.Neopositivismo: divide as ciências em dois ramos: lógico-matemáticas (constituídas de proposições analíticas. Um defensor válido dessa teoria foi Arthur S. que constituem o elemento a priori das ciências experimentais). “Uma lei científica jamais poderá ser inteiramente confirmada. não devemos abandonar as pesquisas filosóficas.