Você está na página 1de 35

PROCESSO PENAL I

PROF. GUILHERME ABREU SUJEITOS NO PROCESSO PENAL

A RELAÇÃO PROCESSUAL
 O processo é uma relação jurídica, em que os sujeitos processuais se relacionam mutuamente, seguindo a tramitação regrada pelo CPP.  Portanto, os sujeitos no processo penal são todas as pessoas que atuam no processo: juiz, partes, auxiliares do Juízo, testemunhas, etc.

JUIZ
 O órgão incumbido de conduzir o processo, proferindo a decisão final.  O juiz deve ser imparcial.  Art. 251. Ao juiz incumbirá prover à regularidade do processo e manter a ordem no curso dos respectivos atos, podendo, para tal fim, requisitar a força pública.

252. o juiz está impedido de atuar (exercer jurisdição) no processo em que: . Lembrando: nos termos do art.

Ex: Juiz é impedido de atuar no processo em que seu filho é advogado.  Ele próprio tiver desempenhado qualquer dessas funções ou servido como testemunha. em linha reta ou colateral até o 3º grau inclusive. antes de passar no concurso. consanguíneo ou afim. auxiliar da Justiça ou perito. como defensor ou advogado. autoridade policial. Ex: Juiz é impedido de atuar em processo no qual era advogado. . Tiver funcionado seu cônjuge ou parente. órgão do MP.

Ex: Juiz é impedido de atuar em processo no qual seu irmão é réu ou ofendido. de fato ou direito. consanguíneo ou afim. Tiver funcionado como juiz de outra instância. sobre a questão. pronunciando-se. for parte diretamente interessada no feito.  Ele próprio ou seu cônjuge ou parente. Ex: Desembargador não pode atuar em processo do qual foi juiz. em linha reta ou colateral até 3º grau inclusive. .

como Tribunais. . A imparcialidade é estendida aos juízos coletivos. já que não podem servir no mesmo processo juízes que forem entre si parentes até o 3º grau.

poderá ser recusado por qualquer das partes. quando: . existem hipóteses de suspeição. que estão sujeitas à preclusão temporal. se não o fizer. estando previstas no art. de modo que o juiz dar-se-á por suspeito e. Além das causas de impedimento. 254.

 Ele. tutor ou curador de qualquer das partes.  For credor. For amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer das partes. seu cônjuge.  Ele. ou parente consanguíneo ou afim. . Isso para não formar jurisprudência viciada acerca do tema. ascendente ou descendente estiver respondendo a processo por fato análogo. em linha reta ou colateral até o 3º grau inclusive. bem como sócio ou administrador de sociedade interessada no processo. sustentar demanda ou responder a processo que tenha de ser julgado por qualquer das partes. sobre cujo caráter criminoso haja controvérsia. devedor.  Tiver aconselhado qualquer das partes. seu cônjuge.

. A suspeição não poderá ser declarada nem reconhecida. Lembrando: Art.  Obs: Percebe-se que se for o advogado amigo ou inimigo do juiz. Ex: Juiz e advogado discutem e brigam em uma audiência. não há qualquer efeito. Após. na continuação do processo. pois esta só ocorre em relação às partes e o juiz. quando a parte injuriar o juiz ou de propósito der motivo para criá-la. 256. não há qualquer suspeição.

não está o MP obrigado a oferecer a denúncia ou pedir a condenação do acusado quando não existam elementos para tanto. Por isso. mas tal atribuição não exclui a sua função também de fiscal da lei. no âmbito da ação penal condenatória. .MINISTÉRIO PÚBLICO  O MP é o titular da ação penal pública.

 Art. e  II . privativamente. a ação penal pública. Ao Ministério Público cabe:  I . 257. na forma deste Código.promover.fiscalizar a execução da lei. .

até o 3º grau inclusive. no que lhes for aplicável. ou parente. . o CPP se preocupa com uma atuação descomprometida do Parquet. as prescrições relativas à suspeição e aos impedimentos dos juízes. consangüíneo ou afim.  Art. 258. de modo que o art. 258 prevê que as disposições acerca de suspeição e impedimento lhes são aplicáveis. e a eles se estendem. no que for cabível. em linha reta ou colateral. Da mesma forma como ocorre com o juiz. Os órgãos do MP não funcionarão nos processos em que o juiz ou qualquer das partes for seu cônjuge.

 O MP não deve ser visto como órgão de acusação. de modo que não está obrigado a oferecer a denúncia ou pugnar pela condenação do réu nas situações em que não entender como plausível. chega-se à conclusão de que o MP deve buscar a Justiça. mas sim como órgão legitimado para a acusação nas ações penais públicas.  Neste sentido. .

FUNCIONÁRIOS DO PODER JUDICIÁRIO  Os servidores da justiça são funcionários públicos pagos pelo Estado e a serviço do Poder Judiciário. . oficiais de justiça. 274. como os escrivães. auxiliares e escreventes.  Art. As prescrições sobre suspeição dos juízes estendem-se aos serventuários e funcionários da justiça. As regras de suspeição do juiz estendem-se aos funcionários. no que lhes for aplicável.

a depender do posto ocupado pelo funcionário. dizendo que os funcionários da justiça não exercem qualquer ato decisório de repercussão para a parte no bojo do processo. de modo que não haveria sentido no art. Guilherme de Souza Nucci critica o artigo acima. .  Já o Professor Távora pensa de forma diversa. 274. haja vista que. há sim como ele interferir no andamento do processo.

sendo assim os peritos e os intérpretes. . não sendo servidores. colaboram com o juiz nos pontos em que este precisa de esclarecimentos especializados.AUXILIARES DO JUÍZO  Auxiliares do juízo são aqueles que.

salvo escusa. Os peritos e os intérpretes podem ser oficiais ou ad hoc. e a partir daí passando a estar sujeito à disciplina judiciária. sendo o perito escolhido obrigado a aceitar o encargo. sem que as partes nela intervenham. Assim. ao juiz caberá a respectiva nomeação. . onde não houver quadro de peritos e intérpretes judiciais.

. 278. ainda quando não oficial. estará sujeito à disciplina judiciária. 276. a autoridade poderá determinar a sua condução.  Art. No caso de não-comparecimento do perito.  Art. O perito. Art. As partes não intervirão na nomeação do perito. 275. sem justa causa.

 Por fim. para todos os efeitos.  Art. no que lhes for aplicável. É extensivo aos peritos. 281. .  Art. Os intérpretes são. o disposto sobre suspeição dos juízes. 280. de modo que a perícia seja realiza com lisura e sem desvios de conduta. vale dizer que aos peritos e intérpretes são aplicáveis as hipóteses de suspeição previstas para os juízes. equiparados aos peritos.

. devemos atentar para o fato de que estão tacitamente revogadas as normas que preconizam a necessidade de nomeação de curador para o menor de 21 anos. 259-267 do CPP. ao analisarmos os art. haja vista a mudança da menoridade trazida pelo Código Civil de 2002.ACUSADO E DEFENSOR  Primeiramente.

não obstante ser o sujeito ativo na relação material penal. O acusado é o sujeito passivo da relação processual penal. Pois bem. pois é em tese o autor de uma infração penal. está no polo ativo. tais como capacidade de ser parte (sujeito de direitos e obrigações). ou seja. capacidade processual (18 anos) e legitimidade passiva ad causam (pertinência causal).  Para que alguém seja sujeito passivo de uma relação processual penal. . no Direito Penal. é necessário o preenchimento de certos requisitos.

caso tenha habilitação. ressalvado o seu direito de. Ao acusado é garantido o direito à ampla. na qualidade de advogado. ou a si mesmo defender-se. assim. arbitrados pelo juiz. . nomear outro de sua confiança. ao réu será nomeado um. ser-lhe-á nomeado defensor pelo juiz. mesmo que não queira defensor. será obrigado a pagar os honorários do defensor dativo.  Art. a todo tempo.  Parágrafo único. O acusado. que não for pobre. sendo este um direito indisponível. a menos que ele esteja se defendendo em causa própria. Se o acusado não o tiver. 263.

não obstante ser facultativa a figura da autodefesa. Parágrafo único. no processo penal o defensor é uma garantia impostergável do acusado. 261.  Art. ainda que ausente ou foragido. Nenhum acusado. que juntas compõem a ampla defesa do acusado. Portanto. . será processado ou julgado sem defensor. de modo que a defesa técnica é obrigatória. quando realizada por defensor público ou dativo. A defesa técnica. será sempre exercida através de manifestação fundamentada.

procurador e curador. . a figura do curador é para acusados maiores de 18 anos com problemas mentais. enquanto quando indicado por procuração ou no interrogatório. Isso. A seu turno. Há na doutrina divergências quanto as figuras do defensor. pois defensor seria somente aquele nomeado pelo juiz em virtude da não indicação pelo acusado. seria correto falarmos em procurador.

cabendo a este provar o impedimento até a abertura da audiência. se o defensor não puder comparecer por motivo justificado. essa justificação pode ser feita de forma simples. dispõe o CPP que a audiência poderá ser adiada. Ocorrendo a ausência do advogado. . até mesmo por telefone. já que ocorrerá normalmente em situação de imprevisto. Logicamente.

. 252. não sendo outro constituído pelo réu. sendo que.  Art. 267. no mínimo 10 dias depois. o que ocorrerá somente uma vez. o fato será comunicado à OAB. Nos termos do art. para que o Defensor Público possa se preparar. a falta injustificada do advogado implica adiamento da sessão. No Júri. indicando-se data para nova sessão. não funcionarão como defensores os parentes do juiz.

um ofendido. o crime deve ter um sujeito passivo determinado. para tanto. já que. .ASSISTENTE DO MP  Não são todos os crimes que admitem a figura do assistente de acusação.

recebendo ele a causa no estado em que se achar. não sendo admitida a intervenção do corréu como assistente do MP no mesmo processo.  Ademais. a intervenção do assistente será possível enquanto não transitar em julgado a sentença. o CPP prevê que. ascedente. . em todos os termos da ação penal pública. poderá intervir como assistente do MP o ofendido ou seu representante legal. Dessa forma. ou na falta deste o cônjuge. descendente ou irmão (CADI).

obviamente devendo constar nos autos o pedido e a decisão. sempre será ouvido o MP acerca do mesmo. não cabendo recurso contra a decisão que o admitir ou não no processo. No que tange ao pedido de habilitação do assistente nos autos. .

273. O Ministério Público será ouvido previamente sobre a admissão do assistente. constar dos autos o pedido e a decisão. . entretanto. mesmo havendo a previsão de sua irrecorribilidade. 272.  Alguns doutrinadores entendem pela possibilidade de mandado de segurança contra a decisão sobre o pedido de assistência.  Art. devendo. Art. Contra o despacho que admitir ou não o assistente não caberá recurso.

O assistente poderá interpor recursos:  Contra a sentença absolutória. como aquela que reconhece a prescrição. . de modo que fique bem claro quais são as funções por ele exercidas no curso do processo penal. inclusive de impronúncia ou absolvição sumária. Cabe agora trazer uma compilação das situações em que será possível a atuação do assistente do MP.  Contra a sentença que julgar extinta a punibilidade.

 Contra a sentença proferida no Tribunal do Júri. salvo em caso de decisão concessiva de habeas corpus. desde que não interposta apelação pelo MP (aqui. ainda que não esteja habilitado nos autos).  Recurso extraordinário ou especial. o assistente só pode apelar supletivamente. .

configura-o como verdadeiro assistente da defesa. tendo repercussão direta na situação jurídica do infrator penal. conduzindo a composição dos danos.ASSISTENTE DE DEFESA  A análise da Lei 9099/95 permite afirmar que a efetiva atuação do responsável civil. que poderá acarretar na extinção da punibilidade. caso aceita a composição. .