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ATIVIDADES FINANCEIRAS DO ESTADO

Conceito

“É a atuação estatal voltada para obter, gerir e aplicar os recursos financeiros necessários à consecução das finalidades do Estado que, em última análise, se resumem na realização do bem comum.” Kiyoshi Harada.

É o conjunto de atos voltados para a obtenção, gestão e aplicação de recursos pecuniários , nos fins perseguidos pelo poder público. São algumas responsabilidades estatais que demandam recursos pecuniários:

manutenção da ordem

solução de litígios

fiscalização de atividades

realização de ações sociais nos campos da saúde e educação

prestação de outros serviços públicos

Objetivos Fundamentais do Estado

São objetivos fundamentais do estado brasileiro:

construção de uma sociedade livre, justa e solidária

desenvolvimento nacional

erradicação da pobreza e marginalização

redução das desigualdades sociais e regionais

promoção do bem estar da coletividade

OBS: as três esferas de poder executam inúmeras e diversificadas atividades, como se colhe do simples exame de matérias previstas na Constituição Federal, concernentes aos 3 poderes da república.

Execução das Atividades Estatais

A

execução das atividades estatais implica em:

utilização de pessoal (funcionários públicos, autônomos)

aquisição de bens (veículos, materiais, imóveis, mobiliário, etc)

realização de outros investimentos (estradas, hospitais, escolas, etc)

E

demanda um procedimento de autêntica gestão financeira:

manuseio de valores atinentes a receitas, despesas

elaboração de orçamentos

Gestão Financeira do Estado

É toda a atividade de administração da receita frente às despesas, seguindo normas

constitucionais, administrativas, contábeis, orçamentárias e específicas de direito financeiro.

Receita

Receita é a entrada monetária que ocorre em uma entidade (Contabilidade) ou patrimônio (Economia), em geral sob a forma de dinheiro ou de créditos representativos de direitos. Na administração pública brasileira, as receitas se dividem em receitas correntes e de capital, receitas orçamentárias e extraorçamentárias. Como receitas orçamentárias, aquelas que são incluidas na lei (anual) orçamentária do exercício. Todavia, as receitas orçamentárias são consideradas realizadas quando arrecadadas (regime de caixa), se diferenciando nesse ponto das receitas realizadas das empresas privadas.

Classificação da receita pública

A receita pública se divide em dois grandes grupos: as receitas orçamentárias e as extra

orçamentárias.

Receita orçamentária

Receitas orçamentárias são aquelas que fazem parte do orçamento público estabelecidos na LOA.

1Receitas Correntes destinadas a cobrir as despesas orçamentárias que visam a manutenção das atividades governamentais:

receita tributária — é a proveniente de impostos, taxas e contribuições de melhorias;

receita de Contribuições — é a proveniente das seguintes contribuições sociais(previdência social, saúde e assistência social), de intervenção domínio econômico(tarifas de telecomunicações) e de interesse das categorias profissionais ou econômicas(órgãos representativos de categorias de profissionais), como instrumentos de intervenção nas respectivas áreas;

receita patrimonial rendas obtidas pelo Estado quando este aplica recursos em inversões financeiras, ou as rendas provenientes de bens de propriedade do Estado, tais como aluguéis;

receita agropecuária — é a proveniente da exploração de atividades agropecuárias de origem vegetal ou animal;

receita de serviços — é a proveniente de atividades caracterizadas pelas prestações de serviços financeiros, transporte, saúde, comunicação, portuário, armazenagem, de inspeção e fiscalização, judiciário, processamento de dados, vendas de mercadorias e produtos inerentes a atividades da entidade entre outros ;

receita industrial resultante da ação direta do Estado em atividades comerciais, industriais ou agropecuárias;

transferências correntes — recursos financeiros recebidos de outras entidades públicas ou privadas e que se destinam a cobrir despesas correntes;

outras receitas correntes provenientes de multas, cobrança da dívida ativa, indenizações e outra receitas de classificação específica;

2receitas de capital provenientes de operações de crédito, alienações de bens, amortizações de empréstimos concedidos, transferências de capital e outras receitas de capitais:

operações de crédito — oriundas da constituição de dívidas (empréstimos e financiamentos);

alienação de bens provenientes da venda de bens móveis e imóveis e de alienação de direitos;

amortização de empréstimos concedidos retorno de valores anteriormente emprestados a outras entidades de direito público;

transferência de capital recursos recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, destinados à aquisição de bens;

outras receitas de capital classificação genérica para receitas não especificadas na lei; também classifica se aqui o superávit do orçamento corrente (diferença entre receitas e despesas correntes), embora este não constitua item orçamentário.

Receita extra orçamentária

Receitas extra orçamentárias são aquelas que não fazem parte do orçamento público. Como exemplos temos as cauções, fianças, depósitos para garantia, consignações em folha de pagamento, retenções na fonte, salários não reclamados, operações de crédito a curto prazo e outras operações assemelhadas. Sua arrecadação não depende de autorização legislativa e sua realização não se vincula à execução do orçamento.

Tais receitas também não constituem renda para o Estado, uma vez que este é apenas depositário de tais valores. Contudo tais receitas somam se às disponibilidades financeiras do Estado, porém têm em contrapartida um passivo exigível que será resgatado quando da realização da correspondente despesa extra orçamentária.

Em casos especiais, a receita extra orçamentária pode converter se em receita orçamentária. é o caso de quando alguém perde, em favor do Estado, o valor de uma caução por inadimplência ou quando perde o valor depositado em garantia. O mesmo acontece quando os restos a pagar têm sua prescrição administrativa decorrida. É importante frisar que cauções, fianças, e depósitos efetuados em títulos e assemelhados quando em moeda estrangeira são registrados em contas de compensação, não sendo, portanto considerados receitas extra orçamentárias.

Despesa

Despesa, para a Contabilidade, é o gasto necessário para a obtenção de receita. As Despesas são gastos que não se identificam com o processo de transformação ou produção dos bens e produtos. Por outro lado, despesa pública é o conjunto de dispêndios realizados pelos entes públicos para custear os serviços públicos (despesas correntes) prestados à sociedade ou para a realização de investimentos (despesas de capital). As despesas públicas devem ser autorizadas pelo Poder legislativo, através do ato administrativo chamado orçamento público. Exceção são as chamadas despesas extra orçamentárias.

As despesas públicas devem obedecer aos seguintes requisitos:

utilidade (atender a um número significativo de pessoas)

legitimidade (deve atender uma necessidade pública real)

discussão pública (deve ser discutida e aprovada pelo Poder Legislativo e pelo Tribunal de Contas)

possibilidade contributiva (possibilidade da população atender à carga tributária decorrente da despesa)

oportunidade

hierarquia de gastos

deve ser estipulada em lei

Classificação da despesa pública

A despesa pública se divide em dois grandes grupos: as despesas orçamentárias e as extra

orçamentárias.

Despesas orçamentária

É aquela que depende de autorização legislativa para ser realizada e que não pode ser efetivada sem a existência de crédito orçamentário que a corresponda suficientemente.

Classificam se em categorias econômicas, também chamadas de natureza da despesa e tem como objetivo responder à sociedade o que será adquirido e qual o efeito econômico do gasto público. Dividem se, segundo a lei 4.320/64, art. 12, conforme o esquema abaixo:

1

Despesas correntes:

Despesas de custeio: destinadas à manutenção dos serviços criados anteriormente à Lei Orçamentária Anual, e correspondem entre outros gastos, os com pessoal, material de consumo, serviços de terceiros e gastos com obras de conservação e adaptação de bens imóveis;

Transferências correntes: são despesas que não correspondem a contraprestação direta de

bens ou serviços por parte do Estado e que são realizadas à conta de receitas cuja fonte seja transferências correntes. Dividem se em:

o

Subvenções sociais: destinadas a cobrir despesas de custeio de instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, desde que sem fins lucrativos;

o

Subvenções econômicas: destinadas a cobrir despesas de custeio de empresas públicas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril.

2 Despesas de capital:

Despesas de investimentos: despesas necessárias ao planejamento e execução de obras, aquisição de instalações, equipamentos e material permanente, constituição ou aumento do capital do Estado que não sejam de caráter comercial ou financeiro, incluindo se as aquisições de imóveis considerados necessários à execução de tais obras;

Inversões financeiras: são despesas com aquisição de imóveis, bens de capital já em utilização, títulos representativos de capital de entidades constituídas (desde que a operação não importe em aumento de capital), constituição ou aumento de capital de entidades comerciais ou financeiras (inclusive operações bancárias e de seguros). Ou seja, operações que importem a troca de dinheiro por bens.

Transferências de capital: transferência de numerário a entidades para que estas realizem investimentos ou inversões financeiras. Nessas despesas, inclui se as destinadas à amortização da dívida pública. Podem ser:

o

Auxílios: se derivadas da lei orçamentária;

o

Contribuições: derivadas de lei posterior à lei orçamentária.

As categorias econômicas dividem se em elementos que se separam em subelementos, estes por sua vez bifurcam, por fim, em rubricas e sub rubricas.

Despesa extra orçamentária

Constituem despesa extra orçamentária os pagamentos que não dependem de autorização legislativa, ou seja, não integram o orçamento público. Se resumem a devolução de valores arrecadados sob título de receitas extra orçamentárias.

Receita tributária

São os ingressos provenientes da arrecadação de impostos, taxas e contribuições de melhoria. Dessa forma, é uma receita privativa das entidades investidas do poder de tributar: União, Estados, Distrito Federal e os Municípios.

O Código Tributário Nacional define tributo no art. como “toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada” e define suas espécies da seguinte forma:

Impostos conforme art. 16, “imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte”;

Taxa – de acordo com o art. 77, “as taxas cobradas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, têm como fato gerador o exercício regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição”;

Contribuição de Melhoria segundo o art. 81, “a contribuição de melhoria cobrada pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, é instituída para fazer face ao custo de obras públicas de que decorra valorização imobiliária, tendo como limite total a despesa realizada e como limite individual o acréscimo de valor que da obra resultar para cada imóvel beneficiado”.

Receita de Contribuições

É o ingresso proveniente de contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de intervenção nas respectivas áreas. Apesar da controvérsia doutrinária sobre o tema, suas espécies podem ser definidas da seguinte forma:

Contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social, compreendendo a previdência social, a saúde e a assistência social;

Contribuições de Intervenção no domínio econômico deriva da contraprestação à atuação estatal exercida em favor de determinado grupo ou coletividade.

Contribuições de Interesse das categorias profissionais ou econômicas destinadas ao fornecimento de recursos aos órgãos representativos de categorias profissionais legalmente regulamentadas ou a órgãos de defesa de interesse dos empregadores ou empregados.