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CORPO ARTE E CLÍNICA:

variações na pesquisa como resistência e diferenciação

Tania Mara Galli Fonseca

Psicóloga, Professora dos programas de Pós-graduação em Psicologia Social e Institucional e Informática Educativa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Patrícia Gomes Kirst

Psicóloga, Doutora em Informática na Educação (UFRGS), Professora da ULBRA Guaíba, Coordenadora do Pós-graduação em Psicologia Social e Instituições em Análise/ESADE.

Fernanda Spanier Amador

Psicóloga, Doutora em Informática na Educação (UFRGS) e Pós-Doutoranda em Educação (UFRGS). Professora do Departamento de Psicologia Social e Institucional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Resumo

O presente artigo inicia-se com os sentidos de nossa pesquisa “Corpo, Arte e Clinica nos Modos de Trabalhar e Subjetivar” como depositário de múltiplas traduções dos temas de seu título e implicada com potencias de resistência. A pesquisa poderia, pois, adentrar, certos acontecimentos e cartografá-los conforme o limite de nosso corpo-pensamento. Desnaturalizar as práticas e os corpos e não traduzi-los em interpretações, mas na duração dos encontros, tem sido nossa insistência.

Esta escrita apresenta algumas entradas do projeto, como por exemplo, sua face no contexto da reforma psiquiátrica, no qual nos foi possibilitado, empreender análises sobre os efeitos do asilamento em sujeitos ditos loucos. Suas formas de expressão nos foram possíveis através de nossa presença na Oficina de Criatividade do Hospital Psiquiátrico São Pedro na qual aparece certa insurgência frente aos golpes de normalização.

Outro importante nó de nossa rede está relacionado ao mundo do trabalho e suas instancias de subjetivação e saúde. Estamos pesquisando o trabalho de agentes penitenciárias e nosso problema varia em torno da seguinte questão: Como poderiam tais trabalhadoras virem a ser abaladas na estabilidade de seus hábitos frente a imagens que elas próprias viriam a produzir na prisão? E desta pergunta empreendemos nossa última paisagem para outro projeto que relaciona imagem fotográfica e política. Nele a fotografia é entendida como possibilidade de descoberta do mundo em uma cena, no sonho de ultrapassamento do olhar passageiro. Nas possibilidades de viabilização de um olhar menor nos dobramos a pensar em sentidos para uma fotografia política.

Nestes platôs apresentaremos alguns espaços-tempo de nossa pesquisa que olha o mundo desde dentro e que tenta durar em seus prismas sem pressas para uma formatação. Queremos retirar a razão do centro lançando-nos ao disjuntivo para enfrentar a História.

Palavras-chave: pesquisa; resistência; implicação.

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Abstract

This article emerges from the senses of our research “Body, Art and Clinics in the Ways We Work and Subjectivize” as a deposit of multiple explanations to the themes of its own title and implied with powers of resistance. The research could, therefore, go into specific happenings and make a map out of it according to the limit of our body and mind. We have persisted in making the practices and bodies unnatural and avoiding translating them into interpretations, but in the duration of our meeting.

This work presents some guidelines of the project such as its face towards the context of the psychiatrict reform which made it possible for us to attempt analysis about the effects of the enclosure of individuals refered as insane. Their forms of expression came to sight due to our presence at the Creativity Workshop at São Pedro Psychiatrical Hospital where we could notice some insurgence facing the strokes of normalization.

Another very important aspect of our network is related to the world at work and its instances of subjectivity and health. We have been researching the work of penitenciary agents and our problem varies around the following issue: how could such laborers be disturbed in the stability of their habits facing the images that they themselves would come to produce in prison?

And from this question we expose our last picture to another project that relates photographic images and politics. In this project photography is understood as a possibility of discovery of the world in a specific scene, in the dream of the surpassing instantaneous look. In the possibilities of making a smaller look feasible we get to think in senses for a political photography.

In these terms we will present some time-spaces of our research that sees the world from within and that tries to last within its points of view without the affliction to format. We intend to withdraw reason from its center pondering the disjunctive to come face to face with History.

Keywords: research; resistance; implication.

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Em nossa pesquisa no campo da imagem e da subjetivação, consideramos fundamental recuperar o acontecimento como objeto do pensamento a partir da assunção de uma sensibilidade política. Para tanto, torna- se importante saber que “ l'absence d'émotion n'est pas à l'origine de la rationalité

ce qui s'oppose à l'“émotionnel”, ce n'est en aucune

façon le “rationnel” quel que soit le sens du terme, mais bien l'insensibilité qui est fréquemment un phénomène pathologique, ou encore la sentimentalité qui représente une perversion du sentiment”. (Arendt, 1972, p. 173).

O espaço de visibilidade não existe como cena: ele depende dos gestos que o fazem, da implicação daqueles que o habitam. Nossos percursos conduzem- nos a considerar que existem lugares que são inexplicáveis e que resistem à descrição. O intolerável que os habita exerce a função de atrator de nosso olhar e somos fisgadas pelas forças que atravessam aquelas paisagens humanas, em que homens e mulheres deslocam-se, como que “separados do mundo, cada um com a sua noite, cada um com sua morte”. (Celan, 1996, p. 59)

Nossa pesquisa, portanto, tem sido sempre agenciada pelas forças que atravessam nossos próprios corpos. Não passamos por ela incólumes ao que, ao final, ela nos tem a dizer. Buscamos torná-la uma prática de visibilização, de vidência mesmo para aquilo que estando aí, afigura-se sob mil aparências e revela-se como um depositário de muitas traduções possíveis. Não nos move a busca da verdade, pois acreditamos que este caminho conduz à intolerância para com o múltiplo e para com a pluralidade dos possíveis. Buscamos o regresso do OUTRO, ali mesmo onde ele foi apagado pelos ímpetos da ordem perfeita e impossível. Buscamos fundar, no próprio ato de pensar, uma espécie de não- lugar, a partir do qual possamos expor lógicas de devastação e ruína que, assumindo configurações diversas, enunciam histórias de medo, espera e resistência. O não-lugar de nossa pesquisa posiciona-se, assim, como passível de ser conectado a todos os outros lugares, pois se trata de contradizê-los, de agir- lhes a contrapelo. Escovar a história a contrapelo, como nos ensinou Benjamin, para que se venha visualizar no presente - aparentemente sedentário -, as forças que o nomadizam e que possuem potência de deslocá-lo. Espaço de heterotopias, como nos diria Michel Foucault: “Des lieux réels, des lieux effectifs, des lieux qui

sont dessinés dans l'institution même de la société, et qui sont des sortes de contre- emplacements, sortes d'utopies effectivement réalisées dans lesquelles les

emplacements réels [

sont à la fois représentés, contestés et inversés, des

sortes de lieux qui sont hors de tous les lieux, bien que pourtant ils soient effectivement localisables”. (Foucault, 1994, p. 756).

et ne peut la renforcer. [

]

]

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Não seria conveniente espantarmo-nos pelo fato de serem ainda possíveis em nossa atualidade acontecimentos que se traduzem como vergonha de sermos homens. Giorgio Agamben em “Lo que queda de Auschwitz” (Agamben, 2005) e Primo Levi em “Si esto es un hombre” (Levi, 1987), nos levam a mergulhos em um campo de exceção que nossa língua não tem palavras para expressar a grande ofensa de aniquilação de um homem. Remetem-nos a um acontecimento que não cabe nas palavras, nem nas imagens, e que, segundo Pélbart (2000, p. 213), “logo desatará num tremor incontrolável”.

De nosso lado, em nossa pesquisa, buscamos também cartografar certos estados de exceção. Não por sentimentalismo ou estetização do mal, tampouco como carpideiras ou guardiãs de cemitérios. Buscamos, justamente, recolher o resíduo, levar conosco aquele impalpável da vergonha e do intolerável dos acontecimentos, a aura que os anima, para escapar à sua assombração, emitir

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outras vozes, outras histórias, novas utopias. Exercícios cartográficos constantes e obstinados para flagrar a tempo o insuportável que nos ronda. Não significa um culto ao horror e tampouco uma monumentalização da tragédia, miseribilismo ou vitimação. Trata-se de ultrapassar a catástrofe e circular por entre os restos que resistem à ruína total.Algo insiste, subsiste e prolonga a vida por outros meios; algo que nos atrai para o tempo da duração, para a imagem-tempo (Deleuze, 1990) do mundo, para o seu impalpável déjà lá et jamais vu, em permanente estado de oferecimento, à espera de enganches e atualizações; algo que nos possibilita fazer do pensamento uma cartografia do tempo e do espaço e que nos enraíza na não- evidência das paisagens e que nos põe em combate contra a espessura da matéria de que são feitos o mundo e o nosso próprio pensamento.

Buscamos penetrar a impenetrabilidade dos corpos, afirmar-nos na posição singular que ocupamos fazendo-a viver articulada com outros processos de singularização e resistentes aos empreendimentos de nivelamento e homogeinização, pois “em qualquer escala que essas lutas se expressem ou se agenciem, elas têm um alcance político”. (Guattari e Rolnik, 1999, p. 50).

Sabemos que em todo acontecimento existe realmente o momento presente de sua efetuação, em que o acontecimento se encarna em um estado de coisas, um indivíduo, uma pessoa. Mas, como nos ensina Deleuze, “há de outro lado, o futuro e o passado do acontecimento tomado em si mesmo, que esquiva todo o presente porque ele é livre de limitações, de um estado de coisas, sendo impessoal e pré-individual, neutro, nem geral, nem particular, eventum tantum [ ]; ou melhor, que não há outro presente além daquele do instante móvel que o representa, sempre desdobrado em passado-futuro, formando o que é preciso chamar de contra-efetuação”. (Deleuze, 1988, p. 154).

A partir daí, podemos dizer que, em nossa pesquisa, sentimo-nos impulsionadas a dar ao acontecimento a chance de não se confundir com sua efetuação, chance aos seus interstícios, às fissuras de suas figurações, para que assim, talvez, possamos ir mais longe do que teríamos acreditado poder.

116 Cartografar o meio, o liso que insiste em meio às estrias das racionalidades, esse “entre” as palavras e as coisas, para convertê-lo em potência que as desamarra, as alivia de suas tramas e as ilumina de uma transparência interior até fazê-las explodir e dispersarem-se nos domínios do inimaginável.

Acreditando que a cada imagem corresponde uma sombra que nos impede de vê-la, buscamos através de nossos conceitos e ferramentas maquínicas, sangrar os corpos para desnaturalizá-los e fazê-los diferir, desbloquear sua espessura e opacidade, operar com um pensar que não se traduz por interpretações associadas ao cortejo significante e memorial. Pensar por maquinação, pois o pensamento é sempre fruto de um encontro com o exterior e esse exterior não corresponde à realidade empírica. Ele concerne às forças do Fora que, como nos mostra François Zourabichvili (1994), não são assim chamadas porque vêm de fora, mas porque colocam o pensamento em estado de exterioridade, jogando-o num campo de singularidades em estado de agitação, cujas conseqüências correspondem a uma abertura para o futuro e para a resistência a um estado de coisas.

Como dar visibilidade aos corpos que não possuem outra escrita senão a de sua própria história concreta?

Nossa pesquisa, abrigada sob título “Corpo, Arte e Clínica nos modos de trabalhar e subjetivar” abre-se, no momento, para múltiplas direções, diversas em

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sua geografia mas convergentes em seus propósitos. O projeto “Modos de Trabalhar, Modos de Subjetivar no contexto da Reforma Psiquiátrica” (Fonseca et al., 2007) tem nos possibilitado desenvolver análises sobre os efeitos da psiquiatrização da loucura sobre sujeitos portadores de sofrimento psíquico que se viram, por grande parte de sua existência, marcados pelo asilamento, pelo exílio e exclusão sociais. (Fonseca e Costa, 2005; Costa, Mizoguchi e Fonseca, 2005; Fonseca, Janeira e Costa, 2006). No contexto manicomial, observamos homens e mulheres marcados pela experiência que pretendia sua “cura e tratamento”e que lhes foi arbitrada em nome da razão e da ordem. São corpos extenuados e sem caminho, mas que, sob a aparência de ocos e sem alma, ainda podem nos surpreender. Sua expressividade é oblíqua e se denota através da Oficina de Criatividade (Fonseca, 2005), ambiente terapêutico que freqüentam com regularidade diária. Cercados de materiais plásticos, falam através de seus pincéis, de seus bordados e escritos. Algo neles nos mostra que uma vida está em toda a parte, em todos os momentos, mesmo naqueles da desesperança. Algo neles resiste aos anos de captura de seus corpos e de suas singularidades e explode em cores e formas, em sentido, revelando-se como uma sombra que se insurge do corpo entorpecido e anestesiado. Algo como um resíduo que se manteve mesmo frente aos golpes dos processos de sua normalização. Trata-se, em geral, de corpos muito marcados e que se afastam dos padrões da boa forma. Neles predomina a estética dos sobreviventes e tornam-se, por isso, indícios também de sua prolongada dor. Em seus gestos, em suas falas e murmúrios, nos detalhes de seus rostos, cabelos, pés, mãos e modo de andar encontramos a possibilidade de expor o espaço íntimo de sua memória. Aqui, os acontecimentos adquirem um volume carnal, pois os homens e mulheres que dele fazem parte conferem corpo à sua dor e seu corpo se torna uma ferida exposta, corpo- testemunha que mesmo não falando ainda possui voz. E, então, assim que os vemos, podemos tremer, porque aqueles corpos são eles mesmos acontecimentos capazes de ferir.

No que diz respeito a outro projeto de pesquisa que nos ocupa, voltamo- nos ao mundo do trabalho. Saímos do mundo da loucura para adentrar um outro, marcado pela ordem, pela racionalidade, pela hierarquia e disciplina. Podemos mesmo vir a pensar que neste mundo, mundo da economia, da produção, do “progresso material” e das avançadas tecnologias, as marcas nos humanos seriam amenas, que ali reinariam a consciência, a sabedoria e a boa vontade. Mas, sabemos não ser este o caso. Em nossos estudos sobre o mundo do trabalho e suas relações com a subjetivação e saúde, temos insistido em afirmar a característica subjetivante dos modos de trabalhar.

Insistimos mesmo em demonstrar as estreitas relações entre trabalhadores e organização do trabalho (Fonseca, 2002; Fonseca e Engelman, 2004; Barros e Fonseca, 2004; Fonseca, 2006). Aqui, os aspectos da ordem e da disciplina do trabalho comparecem como ferros em brasa para conferir forma àquela força empregada para produzir. Trata-se de subordiná-la, de forma real e efetiva, aos desígnios de um poder capital externo aos sujeitos, de um tempo

capital e de uma lógica capitalística. Dizer tal subordinação implica reconhecer que

a disciplina do trabalho e da produção adentra os corpos e deve somatizar-se.

Homens e mulheres produzem e são, por sua vez, produzidos pelo modo como produzem. Podemos reconhecer um camponês apenas pela visão de corpo; também um soldado. O arbitrário que rege a racionalidade técnica do trabalho

desfere golpes irreversíveis nos corpos dos trabalhadores para capturá-los desde

o seu próprio consentimento. Transformada em virtude a ser concretizada em

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desempenho produtivo, a disciplina se traduz em modos de ver, sentir, apreciar e agir, fazendo de sua presa o seu próprio agente. No campo da “livre iniciativa” e do “trabalho livre”, conta-se com a capacidade de prometer do animal humano, devendo-se transformar em culpa a responsabilidade não cumprida, devendo-se erigir seu corpo docilizado segundo preceitos e padrões de um dever-ser, guardião da ordem estabelecida. Isso se passa nas fábricas, nos escritórios, nas prisões e mesmo junto aos home- workers. Algo heterônomo os controla e os aprisiona. Devem permanentemente algo a alguém, mesmo que não saibam a quem. Neste modo de produção da sociedade capitalista, tornamo-nos sujeitos de uma extensa dívida social que nos curva de responsabilidades, deveres e obrigações.

Nas prisões, a situação do carcereiro é paradoxal. Ele mesmo prisioneiro da ordem, passa a vigilante daqueles desordeiros. O bem e o mal sempre na divisa de seu olhar, buscando separar o que pode deixar passar e o que deve ser intolerado. Guardiões da ordem nas prisões! Saberiam, tais trabalhadores, do paradoxo que habitam ou expulsariam a equivocidade de sua função através de modos de trabalhar retos, diretos, afiados, unívocos? Que homem ou mulher pode

vir a se constituir como efeito deste modo de dobrar a própria força? Para vigiar o outro, antes vigiar-se do outro em si, cortar-se, dissimulando-se como totalidade coerente, erguendo-se como montanha frente ao “estrume” delinqüente ao seu redor. O que encontrar no fundo desta aparência bem vestida, armada, aparentemente sintonizada com as formas jurídicas da verdade? Talvez venhamos

a nos surpreender

Nossa pesquisa ainda engatinha neste aspecto. Precisamos

saber o que pode a produção de imagens do cotidiano de seu trabalho transtornar o olhar de agentes penitenciárias ou mesmo denunciar outros olhares ali mesmo onde tudo nos parece calmo, plano, liso e sem relevo? Poderiam tais trabalhadoras virem a ser abaladas na estabilidade de seus hábitos, de seus dias, de seu olhar para si e para os outros, frente a imagens que elas próprias viriam a produzir de seu cotidiano laboral junto à prisão da qual são nomeadas carcereiras?

Multiplicações de um certo combate: corpo e fotografia
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Os olhos são fundadores/dobradores do mundo, sendo através deles que, em primeiro lugar, somos tomados por sua materialidade: canais fundamentais de apropriação do fora, sendo chamados por alguns de “janelas da alma”. Em uma ponta, a percepção, com suas deformações, defesas, filtragem, sua influência, sua memória e, de outro, o percepto, o mundo que adentra todas as janelas do corpo, influindo e tornando-se subjetividade.

A subjetividade é fotográfica, na medida em que, de sua escuridão,

Pode lançar,

revela, declara, conhece e deixa entrar/deixa dobrar os mundos

para o espectador, a questão: que posso ser diante desta fotografia? Ou quem era

o sujeito do momento do disparo? Ou como cada um vai incorporar o mundo através do fotográfico?

Não é possível ao sujeito redobrar o mundo ou acolhê-lo em sua dobra

sem que isto seja produzido através de algo.Adobra gerada pelo artifício fotográfico

é a retenção da passagem de algum aspecto deste pequeno mundo: ele implica a

sobre-vida de um passado não extinto e a fixação de um entretempo que se atualiza

quando a cena perde seu território real e toma o território da tela ou do papel.

Fazer fotografia é querer descobrir mais sobre o mundo em uma cena,

através da possibilidade de reconstruí-la e depois contemplá-la. Se tudo estivesse

à disposição do olhar no momento da visualização, se a memória fosse precisa e não realizasse fuga, os olhares perderiam a incompletude do humano, seriam

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olhos- cyborg. A fotografia sonha com a superação do olhar passageiro, da matéria em movimento, do transitório: é quando a imagem pede por memória. Fotografia é memória do mundo.

Uma das formas de não banir a complexidade da fotografia é pensá-la como máquina, tendo incorporadas a emergência, a finitude, a criação, a produção/destruição. Não está ligada, portanto, à vontade racional fixa, unívoca e representacional, mas ao inconsciente, que se estende por sobre tudo, para além da História que conhecemos em direção à gênese mais remota do humano.

O maquínico fotográfico assim se caracteriza não somente porque faz retornar o mundo em forma de ficção, mas porque este mundo recriado adentra o sujeito e pode modificá-lo. Diz respeito a imagens sobreviventes de mundos e estas sobrevivem porque operam pontos de vista. “encorpam-se”, tornam-se subjetivas, sobrevivendo porque operam pontos de vista. No maquínico da fotografia, encontramos além de um olho indiscreto e raro, um enorme abismo negro pronto a deixar-se imprimir de atribuições de olhos. Ao se acoplarem, deixam a marca de um “destino passado”.

Neste sentido, o fotográfico se configura, como uma máquina de tipo exopoiético, pois produz mundos e redes de significações. Também pode ser considerado como máquina heteropoiética, pois se produz através de uma dobra, ou seja, como efeito da subjetividade que registra a imagem adentrando a dobra do espectador assim como a do referente. Desdobramentos e redobramentos, gerados pelo fotográfico, podem aproximá-lo de seu papel no engendramento das subjetividades. Fotografar é, pois, redobrar o referente, selecionar seus fluxos através da objetiva. Contemplar fotografias é redobrar a obra do fotógrafo através das lentes nada uniformes da percepção. O mundo passa através do pensamento, dos olhos, das lentes que são disparadas quando o fotógrafo supõe que certo objeto deve ser mostrado a alguém que não estava ali no momento do disparo. Neste sentido, tudo é dobra por dentro de dobra: pensamentos, sentidos, tecnologias, todo alvo de tradução, enfim, cada porosidade por onde o mundo penetra.

Dentro e Fora atravessam o fotográfico: pelo exterior, temos a infinita passagem de cenários e personagens e, pelo interior, todos aqueles que foram tomados pelas tantas mensagens da fotografia e “presos” nas malhas do desejo de alguém que fotografou.

A fotografia funciona com um duplo-estrangeiro ou amálgama de diferença, um pequeno sonho de papel do si e do fora. Sua duplicidade, de tão familiar, pode causar inquietação, em relação àquilo que resiste em ser velado no reflexo e que, ao mesmo tempo, está ali, sobre a pele/sobre o mundo, pedindo a vez, saudando o perdido

Nesta saudação, ela pode denotar-se como fotografia política, quando engendra potência perceptiva aos corpos, não bordeja a interpretação e sim o ultrapassamento do corpo na tentativa de mostrá-los como certo convite a alguma resistência à instituição, à lei, à repetição e talvez ao esperado.

Tal imagem fotográfica torna-se acontecimento por refazer a conjunção de forças sobre os sujeitos. Neste sentido, fotografar refere-se a um mergulho na luta que nos habita, constituindo-se, como nos mostra Foucault (1984), em um acontecimento, que significa sempre uma ruptura evidente – a emergência de uma singularidade – e, ao mesmo tempo, uma ruptura de evidências. Falamos, pois, de uma fotografia-acontecimento que, irrevogavelmente, remete-nos a uma problematização. Assim, o acontecimento torna a linguagem possível com suas

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cargas apreendidas, com seu potencial de fazer enunciar, com a sedução que vai conduzindo o desejo e transmutando-o em palavra e em conceito e, finalmente, em suporte para que o objeto possa constituir-se na tessitura da problematização.

Acontecimentalizar a fotografia, refere-se ao que Michel Foucault (2003, p. 339) considera como um procedimento analítico e de produção de conhecimentos

implicado a uma posição teórico-política de desnaturalização. Para o autor, a acontecimentalização aponta para uma ruptura evidente com a tendência de busca de uma constante histórica ou um traço antropológico ou ainda uma evidência se impondo da mesma maneira para todos. “Ruptura das evidências, essas evidências

sobre as quais se apóiam nosso saber, nossos conceitos, nossas práticas. (

Consiste em reencontrar as conexões,os encontros, os apoios, os bloqueios, os jogos de força, as estratégias, etc. que, em dado momento, formaram o que em seguida funcionará como evidência, universalidade, necessidade”.

Procedimento de desmultiplicação causal que consiste não em analisar as práticas como um fato de instituição ou efeito de ideologia, mas desde os múltiplos processos de práticas simultâneas que concorreram para criar as condições de sua emergência.

Torna-se necessário aquele olhar que leva em consideração a contínua erosão das regras sociais, não por macro-guerras de Estado, mas por práticas referidas como microbianas e que se referem aos sujeitos como terminais de consumo da rede de poderes-saberes, sujeitos que se encontram alocados no social como pontos moleculares a partir dos quais alguma fissura se alarga, outra é vedada, na interminável e impossível tarefa de estabelecimento do controle social a partir de um centro irradiador.Antes do que uma ampla e reta estrada, um labirinto de muitas entradas, muitos feixes em bifurcação, impulsionados por um modo rizomático de expansão.

O que está em pauta no ato fotográfico é denotar a resistência e resistir no

encontro dos corpos, na troca de olhares no corpo-a-corpo. A fotografia política convida à maquinação diferentemente da interpretação. Através de sua força, ela

pode transmitir uma energia capaz de ultrapassar o plano da representação.

)

Abtrair pela imagem o sofrimento ou exercício oriundo da resistência, da reinvenção do corpo desterritorializado que busca acomodação-sentido e para isto luta, armado, inspirado e violento, é produção política. Por ser e mostrar-se como novo é um efeito de acumulação de repetições que vão saturando e indicando um modo de agonia e também de contágio.

O contágio dá-se em razão da imagem do corpo arcar com seus atos e

seus fazeres contendo seu passado e seu futuro na sua apresentação, virtualizando-se, inventando-se e contrariando singularmente o adestramento e a disciplina. Outros corpos poderão ser tomados pela tênue alegria que primeiro toma a lente fotográfica e depois parte pelo mundo: alguém, finalmente, levanta-se. Nietzsche (1995), em seus estudos relativos ao corpo, percebeu a definição da vida como excitação ou como irritação, mas inicialmente passiva no sentido que sua matéria é reativa.

No pensamento de Nietzsche como no de Gilles Deleuze, como nos mostra David Lapoujade (2002), a afirmação do corpo parte da afirmação do próprio sofrimento e seu ultrapassamento. Majoritariamente, o corpo protege-se da dor por fugas, defesas ou pela passividade. A questão voltada à reversão do corpo na dor é que a exposição ao sofrimento pode vir a aumentar sua potência de ação. Aqui, então, o corpo sai do mero campo reativo e parte para uma linha de fuga

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inventiva. A resistência, portanto, corresponde ao exercício da manutenção da sensibilidade e da abertura às feridas sutis e a fraqueza reside em sentir o menos possível controlando ao máximo o grau de exposição.

O perigo é o intolerável na captura da própria diferença. Imagem que faz

valer a intensidade da procura talvez em um pequeno gesto, em uma parte do corpo, em um suspiro, com o vislumbrar de um sujeito que possui a marca de

contra-fluxo e de seu caráter extemporâneo. Enquadrar aquilo que escapa, mostrar

o outro de nós não seria a conjuminação da resistência ao EU e às pequenas ansiedades narcísicas cheias de culpa e apego?

O ato fotográfico pode voltar-se para fazer visível um estado tensão

interna do corpo com o socius e retribuir a opressão de forma a não posicionar o olhar com ressentimentos, passividade e queixa. Poderá corporificar invenção e sopro fresco de liberação de saúde; exercitar a coragem, expor-se ao limite da aceitação e aproximar-se dos tantos inimigos das afirmações de força do corpo. Tal aproximação faz-se necessária na convocação de tal pequena guerra, pois para que a resistência seja vivida é preciso sentir certo peso do mundo, certa ofensa do fora e certo vislumbre da existência insidiosa do pathos.

Talvez, uma das principais importâncias da fotografia política consista na revelação da força do adversário e suas formas de coerção e, em algumas delas, a descoberta por onde corroê-lo, como no caso de Luis Guides que, ao viver mais de 30 anos em um manicômio transforma sua pintura em expressão de um tempo próprio da instituição, a cada pincelada a denuncia de momentos sem ponteiros, outro cronos que vem carregado de cor e lucidez.

Estar à altura do inimigo sem tocar a vitimização que espreita, estar atento, de olhos abertos prontos para disparar a vida. Assim é a fotografia política, ela precisa de provocação, de violência, de pontos de opressão. Para que o click seja disparado, o fotógrafo precisa ser afetado para que desvele seu olhar, para que o encontro possa ser, posteriormente, mostrado como espaço de “outramento” para que outros desejem ver.

Fotografar corpos políticos e suas cenas é forma de integrar certas lutas,

multiplicar a resistência fazendo-a adentrar em outras retinas e rebrilhar o exercício micropolítico de renovação da face do mundo. Que este mostrar possa ser de forma a não banalizar e que as defesas à diferença possam ser tratadas vigorando

o desejo de aproximação.

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Práticas do olhar e política

Resta, por fim, determo-nos um pouco mais numa das vias às quais nos entregamos para incursionar sobre o tema da potência política das imagens fotográficas: a das práticas do olhar.

Operando uma espécie de torção em nossos próprios corpos enquanto pesquisadoras, deslocamo-nos, com insistência, do território das imagens enquanto produto que se dá aos nossos olhos, talvez, acompanhadas de um sedutor apelo a nossos esforços de significação e de busca por um Tempo Redescoberto (Deleuze, 2006), para situar-nos, especialmente, na precariedade da processualidade imagética.

Precariedade que pode conduzir a uma zona de distância entre coisas contíguas, lançando-nos à experiência de um Tempo Perdido ao invés de

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reencontrado; a um tempo intervalar, com espaço para a dissonância e para a ressureição de destroços que insistem em escapar das lógicas objetificantes e totalizantes.

Detemo-nos, assim, não nas imagens enquanto o que se dá à visão por carregar uma forma em contornos e em suporte tecnológico, tais como lápis, pincel, mãos (no caso da escultura), máquinas fotográficas, videográficas, cinematográficas e computadores e sim, na dimensão imagética que tem seu suporte no corpo, caracterizando-se como trajeto entre as coisas e as representações que temos delas, valendo-se da memória como travessia e do olhar como veículo.

Para tanto, seguimos um curso de viagem por um caminho paradoxal:

aquele marcado pela instabilidade transitória entre os enunciados e as visibilidades (Deleuze, 1988b) que acompanham as imagens, e suas vibrações: seus vibratos como propõe Godard , elementos de um proto-olhar; de uma região de transe para qual não cabe regredir e sim, agenciar.

Pelo pólo das enunciabilidades e das visibilidades, produzem-se olhares que tudo almejam ou pensam ver. Olhares que por certos procedimentos entram num jogo em que visibilizar pode produzir coisas não-vistas do ponto de vista das formas visuais, porém funcionais em determinados regimes de luminosidade ligados ao poder. Assim, por tais práticas do olhar opera-se uma política ; aquela a serviço de uma espécie de anátomo-estratégia ligada ao treinamento dos corpos e a processos de normalização.

Por outro lado e, ao mesmo tempo, pelo pólo dos vibratos, produzem-se olhares que seduzidos por uma espécie de cegueira, conseguem acessar um plano visionário, o da imaginação criadora e prenhe de potência para a operação de uma certa política. Nesse último caso, uma política de resistência à captura da vida e à influência normativa no social; uma espécie de potência de vida face aos poderes que tentam aplicar-se sobre ela.

Assim, sorvendo de Foucault em suas reflexões acerca do Biopoder e da 122 Biopolítica (Foucault, 1996; Foucault, 1997), pensamos as imagens e as práticas do olhar como habitantes de uma zona ambígua: transitando por entre aprisionamentos da imagem em excessos de luminosidade e sua liberdade conquistada no vazio de uma espécie de escuridão.

Duremos, então, um tanto mais nessa última esfera: a do vazio das imagens acompanhadadepráticas de olharcego, parausar a expressãodeGodard.

A expressão olhar cego instiga-nos a pensar que além de cego, ele também é mudo. Mudo porque tal olhar vem acompanhado de uma espécie de abandono da linguagem; de desprendimento do discurso. O que se põe em cena nesse caso, não é nem o que está fora de nós e que vemos, nem o que está dentro de nós e que projetamos sem, muitas vezes, ver; mas o corpo. Corpo que enquanto instância não intencional , refere-se a um plano de afectos e perpectos (Deleuze e Guattari, 1992) anteriores a qualquer forma-sentimento ou forma-percepção ligadas a contornos imagéticos.

Trata-se de corpo que invade a cena; que invade a imagem; que invade a fotografia. Que invade a consciência que podemos ter delas fazendo-as devir(ar). Contudo, esse corpo não gravita solto no espaço: ele é datado, atravessado por forças de toda ordem, torneado, muitas vezes, por linhas de captura que o fazem desfalecer enquanto força biopolítica, ao mesmo tempo que robustecer enquanto força a serviço do biopoder.

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O desafio é inverter ao máximo esse movimento: fazer ganhar em

vitalidade, a força a serviço da vida por práticas do olhar que não temem o abandono de si mesmo, nem das racionalidades que auxiliam a objetificar o mundo, num movimento em que se amalgamam corpo e pensamento.

Amálgama que como matéria-prima assume, nesse movimento, ares de obra de arte. Que dá asas à imaginação criando possibilidades de uma estético- política na qual a vida em toda sua potência de variação torna-se o centro para operações de escape aos poderes subjetivantes que a atravessam.

Olhar o mundo participando dele em seu movimento e nele durando sem pressa de (con)formá-lo para apenas num segundo momento, lançar mão das práticas do olhar que objetificam. Tal (des)ordem retira o primado da razão do centro da produção de si e do mundo, lançando-nos às forças do disjuntivo, do dislógico, do dissonante como vias para enfrentar a história.

Ir ao prisma, aquele que explodindo em múltiplos raios coloridos, se oferece como travessia para uma zona balbuciante onde se pode desfrutar das delícias de brincar de esconde-esconde. Raios que possibilitam encontros com o inaudito e com o não-visto e, assim, ainda, com o Outro. Um Outro que como alteridade nos dá chances de ver-nos a nós mesmos e ao mundo, diferentemente, colocando-nos em movimento: a nós e às coisas que vemos.

Permanecer o quando for possível nos vibratos da imagem para depois

regressar às formas estáveis da percepção objetiva que sempre se faz outra, esse

é um caminho para fazer política pela imagem à serviço da vida.

Ir e vir entre elas é uma contingência da existência que coloca na

simplicidade de um elemento da condição humana, a capacidade de ver - quer seja pelos olhos, pelo tato, pelo olfato – uma potente ferramenta a serviço da resistência contra às táticas de assujeitamento. Assim, é a consciência que é tomada pelas vibrações do corpo, em lugar da tomada de consciência pelo exercício das racionalidades, que se afirma como caminho de mudança social.

Ir e vir entre práticas do olhar que objetificam e que vibram para deixar-se levar por suas rajadas e relâmpagos, liberando-se das visibilidades que nos individualizam e aumentando a distância entre o pensamento e a imagem objetificada, entre o pensamento e a palavra, entre ver e falar para abrir uma chance ao desmascaramento da vontade de verdade que reverbera por imagens, aos nossos próprios olhos.

Também, assim, entendemos ser necessário escrever sobre a imagem:

escapando de seus contornos definitórios que nos façam afirmar, num desejo de

poder, verdades sobre seu conceito. Por isso, deixamos aqui alguns rastros, à nós

e aos leitores em forma de indagações: o que é a imagem?; aquilo que se dá a ver

aos nossos olhos através de uma materialidade do objeto e do nervo ótico?; aquilo que se dá a nós pela imaginação por uma via incorpórea?; aquilo que em sentido pejorativo designa falsidade, precariedade de um desacordo entre o que se revela

e o que realmente é?; ou ainda, aquilo que é fugidio, falseante e que assume ares de sonho?

Imaginemos então

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NOTAS

1 Ver site www.corpoarteclinica.cjb.net

2 Luis Guides é portador de sofrimento psíquico, morador do Hospital Psiquiátrico São Pedro de Porto Alegre;RS/Brasil há mais de 30 anos. Freqüenta assiduamente a Oficina de Criatividade daquele hospital onde produz obras de significativo valor artístico. Seus trabalhos compõem uma grande coleção que leva o seu nome e que, em freqüentes ocasiões, tem sido levada a exposições em museus e galerias da cidade e do Estado.

3 Entrevista concedida por Hubert Godard à Suely Rolnik e publicada sob o título Olhar Cego, no catálogo Ligia Clark: da obra ao acontecimento. Somos o molde.Avocê cabe o sopro (2006).

4 Definimos política enquanto potencial ou prática relativa à dimensão da existência chamada coletiva. Não entendemos o coletivo a partir de critérios quantitativos e personalizados – como conjunto numericamente estabelecido – mas enquanto zona de multiplicidades e de impessoalidade produzindo subjetividades. Para tanto, baseamo-nos na leitura do texto de René Sherér. (2000). Homo Tantum. O Impessoal: uma política. In. EricALLIEZ (org). Gilles Deleuze: uma vida filosófica. São Paulo: Editora 34.

5 Entrevista concedida por José Gil à Suely Rolnik e publicada sob o título Olhar Cego, no catálogo Ligia Clark:

da obra ao acontecimento. Somos o molde.Avocê cabe o sopro (2006).

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