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Grupo Parlamentar

APRECIAÇÃO PARLAMENTAR N.º 8/XI


8/XI

Decreto-
Decreto-Lei n.º 317/2009, de 30 de Outubro, que “n
“noo uso da autorização
legislativa concedida pela Lei n.º 84/2009,
84/2009, de 26 de Agosto, aprova o regime
jurídico relativo ao acesso à actividade das instituições
instituições de pagamento e à
prestação de serviços de pagamento, transpondo para a ordem jurídica interna
a Directiva n.º 2007/64/CE,
2007/64/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 13 de
Novembro”
Novembro”

A Directiva n.º 2007/64/CE, sobre Serviços de Pagamentos, acaba de ser


transposta para a ordem jurídica interna, através do Decreto-Lei nº 317/2009, de
30 de Outubro, prevendo a possibilidade de cobrança de taxas sobre
pagamentos electrónicos.

A DECO - Associação de Defesa dos Consumidores, alertou já para os efeitos


perversos da aplicação desta taxa, e sustentou que esta alteração irá retirar
transparência ao acto de compra e que o regresso ao uso do dinheiro em vez
dos cartões, poderá incentivar a fuga aos impostos.

Várias associações de comerciantes a nível Europeu já manifestaram a sua


oposição à entrada em vigor deste diploma.

O Bloco de Esquerda considera que a aprovação deste diploma, prevendo a


cobrança de encargos adicionais, carece de justificação económica e baseia-se
num conjunto de escolhas absolutamente desadequados a uma política
transparente de regulação dos sistemas de pagamentos. A oposição do Bloco de
Esquerda baseia-se em três ordens de razões:

1. A introdução destas taxas cria um precedente na ordem jurídica nacional que


é a introdução do princípio do pagamento de encargos em pagamentos
electrónicos. Parece claro que esse precedente não ficará por aqui e visa a
possibilidade de introdução de taxas similares em todas as operações
realizadas, por exemplo, através do sistema Multibanco, à semelhança do que
tem sido reivindicado pelo sector financeiro.

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2. A aplicação da referida taxa permite repercutir sobre os consumidores mais
uma despesa administrativa, facto que implica, na prática um aumento das
despesas suportadas pelas famílias portuguesas. Este aumento constitui um
ataque adicional ao poder de compra dos consumidores e um factor de
agravamento das dificuldades que estes enfrentam.

3. Finalmente, esta medida introduz um elemento de desincentivo aos


pagamentos electrónicos em benefício dos pagamentos em “dinheiro vivo”,
com prejuízo para o registo automático das transacções. Este desincentivo vai
contra o que toda a teoria fiscal tem advogado no sentido de encorajar as
formas de pagamento que facilitem o combate à fraude fiscal, combatendo
a informalidade.

Nestes termos, ao abrigo do disposto na alínea c) do artigo 162.º e do artigo 169.º


da Constituição da República Portuguesa e ainda do artigo 189.º do Regimento
da Assembleia da República, as Deputadas e os Deputados abaixo assinados, do
Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, vêm requerer a Apreciação
Parlamentar do Decreto-Lei n.º 317/2009, de 30 de Outubro, que “no uso da
autorização legislativa concedida pela Lei n.º 84/2009, de 26 de Agosto, aprova o
regime jurídico relativo ao acesso à actividade das instituições de pagamento e à
prestação de serviços de pagamento, transpondo para a ordem jurídica interna
a Directiva n.º 2007/64/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 13 de
Novembro”.

Assembleia da República, 2 de Novembro de 2009

As Deputadas e os Deputados,