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Cap´ıtulo 29 O Limite Indutivo de

Conteudo´

´

Algebras

Cap´ıtulo 29 O Limite Indutivo de Conteudo´ ´ Algebras amos neste cap´ıtulo apresentar uma constru¸c˜ao do

amos neste cap´ıtulo apresentar uma constru¸c˜ao do chamado limite indutivo de certas fam´ılias de algebras,´ em particular de algebras´ de Banach. Tal constru¸c˜ao ´e frequen¨ temente empre- gada, por exemplo na teoria das algebras´ C onde ´e usada na constru¸c˜ao de uma classe importante de algebras´ C , as chamadas algebras´ AF.

No caminho que seguiremos indicaremos primeiro como construir o chamado limite indutivo alg´ebrico, constru¸c˜ao essa que pode ser efetuada n˜ao s´o em fam´ılias de algebras,´ mas tamb´em em fam´ılias de gru- pos, de an´eis, de semi-grupos, de espa¸cos vetoriais etc. A seguir trataremos do caso de espa¸cos de fam´ılias de espa¸cos de Banach e construiremos o chamado limite indutivo de Banach de (A, φ).

O “Limite Indutivo Alg´ebrico” de uma Fam´ılia de

´

Algebras

Um conjunto I ´e dito ser um conjunto dirigido (“directed set”) se for dotado de uma rela¸c˜ao de ordem parcial, que denotaremos por “ ”, e se for dotado da seguinte propriedade: para quaisquer dois elementos a e b de I existe pelo menos um terceiro elemento c I tal que a c e b c.

Seja I um conjunto dirigido que trataremos aqui como um conjunto de ´ındices. Vamos estar aqui

com i j haja

um morfismo de algebra´

supondo que associada a cada i I haja uma algebra´

A i e que, para cada par i, j I

φ ij : A i A j satisfazendo os seguintes requisitos:

1. Para todo i, j, k I

2. Para todo i I, φ ii = id A i .

com i j k, φ ik = φ jk φ ij

A propriedade 1) acima ´e chamada de “coerˆencia”.

No que segue estaremos supondo que todas as algebras´

(por exemplo,

).

A i s˜ao algebras´

em rela¸c˜ao ao mesmo corpo

Uma cole¸c˜ao de algebras´

e morfismos de algebra´

com as propriedades acima ´e dito ser um sistema

indutivo de algebr´

as e denotaremos um tal sistema por (A, φ).

A t´ıtulo de ilustra¸c˜ao o leitor pode ter em mente o caso em que I =

e onde cada algebra´

A i

´e

uma sub-´algebra de A i+1 , φ i, i+1 sendo a inclus˜ao de A i em A i+1 e φ ij := φ i, i+1 φ i+1, i+2

para todos i, j

com i < j.

φ j1, j ,

Seja A = A i a uni˜ao disjunta das algebras´

iI

A i . Lembramos que a uni˜ao disjunta de uma fam´ılia

X i , i Λ, de conjuntos foi definida (p´agina 27) como

iΛ xX i

(x,

i).

Com o prop´osito de definir o

conceito de limite indutivo associado ao sistema indutivo (A, φ) vamos definir em A uma rela¸c˜ao de

1320

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Cap´ıtulo 29

equivalˆencia.

(k i) (k j) tal que

Sejam x

A i

e

y

A j .

Dizemos que x y se existir pelo menos um k

φ ik (x) = φ jk (y).

1321/1355

I

com 1

Vamos mostrar em primeiro lugar que tal realmente define uma rela¸c˜ao de equivalˆencia.

1. x x, x A i .

2. Se x y ent˜ao y x.

3. Se x y

Para tal tome-se k = i.

´

Obvio, pela defini¸c˜ao.

e y z

ent˜ao x z.

Sejam x A i , y A j

e z

A k .

(k i) (k j), (k j) (k k) com

Ent˜ao existem k e k tais que

φ ik (x)

= φ jk (y)

e

φ jk (y)

= φ kk (z).

Seja ent˜ao k I com (k k ) (k k ).

Teremos

φ ik (x) = φ k k φ ik (x) = φ k k φ jk (y) = φ jk (y) = φ k k φ jk (y) = φ k k φ kk (z) = φ kk (z).

Assim, φ ik (x) = φ kk (z) com (k i) (k k), provando que x z.

Isto posto, denotaremos por A φ a cole¸c˜ao das classes de equivalˆencia de A pela rela¸c˜ao :

A φ :=

A/ . Notemos que A φ depende da cole¸c˜ao {A i , i I} e dos morfismos φ ij usados.

Antes de prosseguirmos provemos o seguinte pequeno resultado, do qual faremos uso:

Lema 29.1 φ ik (a).

Para todo

i

I,

todo

a

A i

e todos k,

k

I

com k

i,

k

i,

tem-se que φ ik (a)

Prova.

Seja x φ ik (a) A k , y φ ik (a) A k

e seja k I com (k k) (k k ).

φ kk (x) = φ kk φ ik (a) = φ ik (a)

e

φ k k (y) = φ k k φ ik (a) = φ ik (a).

Logo, φ kk (x) = φ k k (y), provando que x y.

Temos que

φ k k ( y ), provando que x ∼ y . Temos que Este lema

Este lema diz que, para todo i I, todo a A i e todos k, k I

com k i, k i, tem-se que

[φ ik (a)] = [φ ik (a)],

o que tamb´em diz que i I, todo a A i e todo k I

com k i temos

[a] = [φ ik (a)].

1 Lembramos que os s´ımbolos e representam os conectivos l´ogicos “e” e “ou”, respectivamente.

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Em primeiro lugar, se [x] ´e a classe de equivalˆencia

associada a um elemento x, definimos α[x] := [αx]. Aqui α ´e um elemento qualquer do corpo de escalares das algebras.´

Podemos atribuir a A φ uma estrutura de algebra.´

´

E

preciso demonstrar a independˆencia dessa defini¸c˜ao dos representantes tomados na classe, mas

com (k i) (k j)

φ ik (x) = φ jk (x ). Logo, φ ik (αx) = φ jk (αx ), provando que (αx ) (αx), ou seja, que [αx ] = [αx].

isso ´e f´acil de se verificar, pois se x x com x A j

e x A i , existe k I

Sejam x A i , y A j

e (k i) (k j).

Definimos

com

[x] + [y]

:=

[φ ik (x) + φ jk (y)].

´

E preciso demonstrar a independˆencia dessa defini¸c˜ao dos representantes tomados, assim como do k

adotado.

tal que

(k k) (k k ). Denotando z 1 = φ ik (x) + φ jk (y) e z 2 = φ ik (x) + φ jk (y) teremos

A independˆencia de k ´e imediata, pois se (k

i) (k

j) ent˜ao tomemos k

I

φ kk (z 1 ) = φ ik (x) +

φ jk (y) = φ k k (φ ik (x) +

φ jk (y)) = φ k k (z 2 ),

mostrando que z 1 z 2 e que [φ ik (x) + φ jk (y)] = [φ ik (x) + φ jk (y)].

Vamos agora provar a independˆencia da defini¸c˜ao de [x] + [y] do representante tomado em [x]. A

I

independˆencia em rela¸c˜ao ao representante em [y] ´e an´aloga. com (k i) (k i ) (k j) e tal que φ ik (x) = φ i k (x ).

Seja x

A i

com x

x

e seja

k

Temos que

φ i k (x ) + φ jk (y) = φ ik (x) + φ jk (y).

Logo

[φ i k (x ) + φ jk (y)] = [φ ik (x) + φ jk (y)] = [φ ik (x) + φ jk (y)],

pela independˆencia em k, provando o que se desejava.

Notemos tamb´em que para todo y,

[0] + [y] = [φ ik (0) + φ jk (y)] = [φ jk (y)] = [y],

mostrando que [0] ´e o elemento neutro da adi¸c˜ao definida acima e que

[x] + (1)[x] = [x] + [x] = [φ ik (x) + φ ik (x)] = [φ ik (x) φ ik (x)] = [0].

As opera¸c˜oes de multiplica¸c˜ao por escalar e de soma em que foram definidas acima d˜ao a A φ uma estrutura de espa¸co vetorial. Vamos agora definir um produto em A φ . Definimos

[x][y] := [φ ik (x)φ jk (y)],

onde, novamente x A i , y A j

e k ´e tal que (k i) (k j).

´

E

preciso demonstrar a independˆencia dessa defini¸c˜ao dos representantes tomados, assim como do k

adotado. Para vermos a independˆencia em rela¸c˜ao ao k adotado, seja (k i)(k j) ent˜ao tomemos k I tal que (k k) (k k ). Denotando z 1 φ ik (x)φ jk (y) e z 2 φ ik (x)φ jk (y) teremos, usando o fato que os φ’s s˜ao morfismos de algebra,´

φ kk (z 1 ) = φ ik (x)φ jk (y) = φ k k (φ ik (x)φ jk (y)) = φ k k (z 2 ),

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mostrando que z 1 z 2 e que [φ ik (x)φ jk (y)] = [φ ik (x)φ jk (y)].

A

independˆencia em rela¸c˜ao ao representante em [y] ´e an´aloga. Seja x A i com x x e seja k I

com (k i) (k i ) (k j) e tal que φ ik (x) = φ i k (x ).

Vamos agora provar a independˆencia da defini¸c˜ao de [x][y] do representante tomado em [x].

Temos que

φ i k (x )φ jk (y) = φ ik (x)φ jk (y).

Logo

[φ i k (x )φ jk (y)] = [φ ik (x)φ jk (y)] = [φ ik (x)φ jk (y)],

pela independˆencia em k.

Notemos tamb´em, por fim, que para todo y,

[0][y] = [φ ik (0)φ jk (y)] = [0φ jk (y)] = [0].

O conjunto A φ , dotado da estrutura alg´ebrica definida acima, ´e chamado de limite indutivo alg´ebrico do sistema indutivo (A, φ).

Alguns Exemplos

Vamos ilustrar a constru¸c˜ao acima com exemplos. Seja I =

a algebra´

das matrizes complexas n × n.

com a ordem usual e A n = Mat(n,

H´a trˆes poss´ıveis morfismos de algebra´

de Mat(2) em Mat(3), como indicado abaixo:

φ

2, 3 a

c

1

d

b

:=

0

0

0

0

a

c

0

b

d

.

),

φ

φ

2, 3 a

c

2

3

2, 3

a

c

d

b

d

b

:=

:=

a

0

c

a

c

0

0

0

0

b

d

0

b

0

d

0

0

0

,

,

E. 29.1 Exerc´ıcio.

Mostre que os trˆes φ’s definidos acima s˜ao homomorfismos de A 2 em A 3 e que s˜ao

os unicos´

homomorfismos desse tipo.

H´a entre A n e A n+1 exatamente n + 1 homomorfismos. O exemplo acima ilustra como os mesmos

n+1 (a) ´e uma matriz (n + 1) × (n + 1) obtida inserindo-se

s˜ao obtidos: para uma matriz n × n a, φ n,

em a uma coluna na i-´esima posi¸c˜ao e uma linha na i-´esima posi¸c˜ao, ambas apenas com zeros:

i

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φ

i

n, n+1

a 1, 1

.

.

.

a n, 1

.

.

.

.

.

.

.

.

.

a 1, n

.

a n, n

:=

a 1, 1

.

.

.

a i1, 1

0

a i, 1

.

.

.

a n, 1

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

a 1, i1

.

a i1, i1

0

a i, i1

.

a n, i1

0

.

0

0

0

.

.

.

0

a 1, i

.

a i1, i

0

a i, i

.

a n, i

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

a 1, n

.

a i1, n

0

a i, n

.

a n, n

.

Uma poss´ıvel cole¸c˜ao de morfismos coerentes ´e dada da seguinte forma. Seja a cole¸c˜ao {i a , a

onde, para a, o ´ındice i a assume valores em {1,

φ

i n , n, m

,i

m1

:=

, a + 1}.

φ i

n

n, n+1

Sejam A n e A m , com n < m, e

φ

i

m1, m .

m1

}

Note-se por´em que morfismos com ´ındices {i n ,

que distingue os morfismos entre si ´e a localiza¸c˜ao das linhas e colunas nulas.

, i m } distintos podem ainda assim ser idˆenticos.

Cada cole¸c˜ao I = {i a ,

a

} caracteriza (n˜ao univocamente) um limite indutivo alg´ebrico A I .

O

E. 29.2 Exerc´ıcio.

Suponha que adotemos um sistema indutivo onde I = com a ordem usual,

A n = Mat(n, ) e onde os morfismos s˜ao dados por φ

m´aximo poss´ıvel (ultima´

n+1,

n, m

,m

, ou seja, com cada i a assumindo o valor

linha e coluna de zeros introduzida em cada etapa). Mostre que matrizes como

a

c

b

d

e

a

c

0

b

d

0

0

0

0

s˜ao equivalentes e que matrizes como

n˜ao s˜ao equivalentes.

a

c

b

d

e

0

0

0

0

a

c

0

b

d

,

Vamos considerar outro exemplo. Seja s

fixo, s

= 0, e I

= {2 n s,

n

} com a ordem usual.

Seja A n = Mat(2 n s,

) e seja φ n m definida da seguinte forma: para todo a Mat(2 n s, C),

φ n m (a) := a a 2 mn vezes

a ,

onde, para uma matriz N × N , a,

 

a a

=

onde 0 N ´e a matriz nula N × N

e

 

a a a

=

a 0 N

0 N

a

,

0 N 0 N a 0 N 0 N

0

a

N

0

N

a

,

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etc. Mais genericamente, para q

ordem usual, A n = Mat(q n s,

, q 2 e s

, s

= 0, podemos tomar I = {q n s, n

) e φ n m definida da seguinte forma: para todo a Mat(q n s,

φ n m (a) := a a q mn vezes

a .

} com a ),

O

limite indutivo alg´ebrico assim obtido ser´a caracterizado por q e s: A(q, s).

 

Vamos agora a mais um exemplo que, num caso especial, engloba o anterior. Seja {q i

,

q i

2,

i

} uma sequ¨ˆencia de numeros´

naturais positivos maiores ou iguais a 2 e s

,

s

= 0.

Seja

Q 0 = s e Q n := sq 1 · · · q n , n 1. Tomemos I = {Q n , n } com a ordem usual, e A n = Mat(Q n , )

, n 1, matrizes idempotentes (ou

e φ n m definida da seguinte forma. Sejam T n Mat(q n ,

seja, que satisfazem T

), n

2 = T n ) n˜ao nulas e definamos para todo a Mat(Q n ,

n

)

φ n, n+1 (a)

= a T n+1 .

E. 29.3 Exerc´ıcio.

Verifique que isso define um morfismo de ´algebra entre Mat(Q n ,

2 = T n ´e importante?

Por que raz˜ao a condi¸c˜ao de idempotˆencia T

n

) e Mat(Q n+1 , ).

Seja ent˜ao para todo m > n

φ n, m

:= φ n, n+1 ◦ · · · ◦ φ m1, m .

Pela defini¸c˜ao ´e claro que os φ’s assim definidos formam uma cole¸c˜ao coerente de morfismos. O limite indutivo alg´ebrico assim obtido ser´a aqui denotado por A({q}, s, {T }).

Verifique que o exemplo anterior, A(q, s), corresponde a tomar-se q n = 2 e T n = q ,

n .

E. 29.4 Exerc´ıcio.

Os exemplos acima ser˜ao discutidos com mais detalhe quando tratarmos das algebras´ AF. Passemos

agora a` seguinte discuss˜ao. Se as algebras´ A i , i I forem todas algebras´ de Banach estamos muitas

´

E preciso

para tal introduzir uma norma conveniente em A a partir das normas das algebras´ A i e construir seu

completamento. H´a para tal uma s´erie de problemas dos quais passaremos a tratar.

vezes interessados em construir um limite indutivo que seja tamb´em uma algebra´ de Banach.

O “Limite Indutivo de Banach” de uma Fam´ılia de

´

Algebras de Banach

Vamos considerar agora a situa¸c˜ao na qual as algebras´ A i s˜ao algebras´ de Banach com norma · i .

O sistema (A, φ) ´e dito ser um sistema indutivo normado se todos os φ i j forem cont´ınuos (ou seja,

limitados) e se tivermos

lim sup φ i j j

j

<

.

Pelo teorema de Banach-Steinhaus (A, φ) ´e um sistema indutivo normado se e somente se tivermos

lim sup φ i j (x) j

j

<

.

(29.1)

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Podemos fazer de A uma algebra´

semi-normada definindo

|||[x]||| := lim sup

j i

φ ij (x) j ,

Cap´ıtulo 29

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onde x A i ´e um representante de [x].

Precisamos mostrar que a defini¸c˜ao acima independe do representante tomado na classe. Para tal usaremos a propriedade que denominamos “Invariˆancia por Redu¸c˜ao Inicial do Dom´ınio” a` p´agina 1032.

Sejam x A i e x A i com x x e k I tal que (k i) (k i ) e

Definindo para n I

tem-se que

e

φ ik (x) =

φ i k (x ).

I n

:=

|[x] |

|[x ] |

{m I| m n},

=

=

lim sup φ ij (x) j

jI i

lim sup φ i j (x) j .

jI i

Nota: ´e um exerc´ıcio simples mostrar que I n s˜ao tamb´em conjuntos dirigidos. A defini¸c˜ao de lim sup pode ser encontrada na Se¸c˜ao 22.3, a` p´agina 1031.

Dado o conjunto I i escrevamos I i = I 0 J onde J := I k e I 0 := I i \ J. Vamos mostrar que os conjuntos I 0 e J satisfazem as condi¸c˜oes requeridas para a propriedade que denominamos “invariˆancia por redu¸c˜ao inicial do dom´ınio” a` p´agina 1032:

1. Para todo i 0 I 0 existe pelo menos um j J tal que i 0 j.

2. J ´e um conjunto dirigido pela mesma rela¸c˜ao de ordem .

3. Para todo j J vale que

se l j

ent˜ao l J.

J,

provando 3. Para provar 1 notemos que se i 0 I i ent˜ao, como I i ´e um conjunto dirigido deve existir

j I i tal que (j i 0 ) (j k).

A propriedade 2 j´a foi observada acima.

Se j

I k

e

l

j

ent˜ao l

k

e portanto l

I k

A condi¸c˜ao j k diz que j I k J, provando 1.

Pela propriedade de invariˆancia por redu¸c˜ao inicial do dom´ınio tem-se ent˜ao que

|[x] |

= lim sup φ ij (x) j

=

lim sup φ ij (x) j .

 

jI i

jI k

Mutatis mutantis temos tamb´em que

 

|[x ] |

=

lim sup φ i j (x ) j

=

lim sup φ i j (x ) j .

 

jI i

jI k

Por´em, para j I k

φ ij (x) = φ kj φ ik (x) = φ kj φ i k (x ) = φ i k (x ),

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provando finalmente que

|[x] |

=

|[x ] |.

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Uma vez estabelecido que |[x] | independe do representante tomado na classe [x] vamos agora provar que |||[x]||| ´e de fato uma semi-norma.

Proposi¸c˜ao 29.1 Para todas as classes [x] e [y] valem:

1. |||α[x]||| = |α| |||[x]|||;

2. |||[x] + [y]||| ≤ |||[x]||| + |||[y]|||;

3. |||[x][y]||| ≤ |||[x]||| · |||[y]|||.

A prova de 1 ´e elementar. Para provar 2 notemos o seguinte. Sejam x e y representantes

de [x] e [y], respectivamente, em A i e A j , respectivamente. Ent˜ao, existe k com (k i) (k j) de forma que

Prova.

|||[x] + [y]|||

=

|||[φ ik (x) + φ jk (y)]|||

 

=

lim sup φ k j (φ ik (x) + φ jk (y))

 

j

k

 

lim sup φ i j (x) + lim sup φ j j (y)

 

j

k

j

k

 

lim sup φ i j (x) + lim sup φ j j (y)

 

j

i

j

j

 

=

|||[x]||| + |||[y]|||.

A

prova de 3 ´e an´aloga. Sejam x, y, i, j como acima. Ent˜ao existe k tal que

|||[x][y]|||

=

|||[φ ik (x)φ jk (y)]|||

= lim sup φ k j (φ ik (x)φ jk (y))

j k

lim sup φ i j (x) φ j j (y)

j k

lim sup φ i j (x) lim sup φ j j (y)

j i

j j

= |||[x]||| · |||[y]|||.

( y ) j i j j = ||| [ x ] ||| · ||| [

limite indutivo normado de (A, φ) ´e ent˜ao definido tomando-se o cociente de A com os vetores

em A com semi-norma ||| · ||| igual a zero. Nesse novo espa¸co ||| · || induz uma norma que tamb´em denotaremos por ||| · |||.

O

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Cap´ıtulo 29

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O limite indutivo de Banach, ou simplesmente limite indutivo ´e definido tomando-se o completa-

´

mento do limite indutivo normado de (A, φ) na m´etrica definida pela norma ||| · |||.

constru¸c˜ao que a algebra´

E evidente pela

assim obtida, que denotaremos por A , ´e uma algebra´

de Banach.

C A ´e dita ser um limite indutivo das

algebras´ A i se existirem morfismos de algebra´ C f i : A i A para todo i I tais que iI A i seja

denso em norma em A.

Vamos no pr´oximo item mostrar uma situa¸c˜ao geral na qual o limite indutivo de uma fam´ılia de

algebras´

Seja A i , i I, uma fam´ılia de algebras´

C .

Uma algebra´

pode ser constru´ıdo.

O Limite Indutivo de

´

Algebras C

C e que os morfismos φ ij

sejam *-morfismos, ou seja, tais que para todo i, j Λ, i j, e todo a A i tenhamos φ ij (a ) = φ ij (a) . Naturalmente que

Vamos considerar agora o caso em que as algebras´

A i sejam todas algebras´

φ ij (a a) j = φ ij (a )φ ij (a) j = φ ij (a) φ ij (a) j = φ ij (a)

pela propriedade C das algebras´ A j .

2

j

Em um tal caso diremos que o sistema indutivo (A, φ) ´e um sistema indutivo C .

Definimos no limite indutivo alg´ebrico das algebras´ A i a opera¸c˜ao por [x] = [x ]. Vamos mostrar que essa defini¸c˜ao n˜ao depende do representante tomado na classe [x]. Seja para tal y [x] com x A i

e y A j e seja k Λ tal que (k i) (k j) e φ ik (x) = φ jk (y). Segue que φ ik (x ) = φ ik (x) = φ jk (y) = φ jk (y ). Isso mostra que x e y s˜ao equivalentes, que ´e o que se queria provar.

Desejamos agora provar a propriedade C da semi-norma ||| · |||. Para tal notemos que, como x e

x pertencem a` mesma algebra´

(digamos, A i ) temos [x][x ] = [x x ] (por que?) e assim

|||[x] [x]||| = |||[x x ]||| = lim sup φ ij (x x ) j = lim sup φ ij (x)

j i

j i

2

j

=

lim sup φ ij (x) j 2 = |||[x]||| 2 .

j i

Isso mostrou que a semi-norma ||| · ||| tamb´em satisfaz a propriedade C e que o limite indutivo de Banach de um sistema indutivo C ´e tamb´em uma algebra´ C , que denotaremos por A .

Vamos agora construir o sistema de morfismos f i de algebra´ C mencionado. Seja, para cada i Λ, f i : A i A , dado por A i x [x] A . Vamos verificar que, para cada i Λ, f i ´e de fato um morfismo de algebra´ C . De fato, para todo x, y A i temos f i (x+y) = [x+y] = [x]+[y] = f i (x)+f i (y) (por que? Justifique a segunda igualdade) e f i (xy) = [xy] = [x][y] = f i (x)f i (y) (por que? Justifique

a segunda igualdade). Fora isso, como j´a vimos, f i (x ) = [x ] = [x] = f i (x) . Notemos tamb´em que, por constru¸c˜ao, iΛ (A i ) ´e denso em A e assim A ´e um limite indutivo C da fam´ılia A i , i Λ.