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Jornal do
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ANO 3 Nº 019 - Jornal Editado pelo Site www.casaca.com.br - Distribuição interna - Agosto de 2005

Vasco 107 anos!

No mês em que o clube comemora 107 anos, inicia as obras do Centro de
No mês em que o clube comemora 107
anos, inicia as obras do Centro de
Treinamento das divisões de base do
futebol na sede da Rodovia Washing-
ton Luiz em Duque de Caxias.
Páginas 8 e 9

Jornal do

Jornal do Distribuição interna editado pelo site www.casaca.com.br Conselho Editorial Eduardo Lopes Eduardo Maganha

Distribuição interna editado pelo site www.casaca.com.br

Conselho Editorial Eduardo Lopes Eduardo Maganha Fabio Ferreira Fernando d´Arribada João Carlos Nóbrega Leandro Cardoso Leonardo Grillo Luiz Cosenza Paulo Miller Paulo Vianna Rafael Fabro

Editor Responsável Ubiratan Solino MTPS 11.169/62

Editor Gráfico Marcus Assunção

Colaboradores Fernando Lopes Paulo Fernandes

Fotos Eduardo Maganha Osmar Aloise Galart Paulo Fernandes

As opiniões assinadas são de responsabilidade do autor. Permitida a reprodução total ou parcial, desde que citados autor e veículo.

Contato:

jornal@casaca.com.br

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Vasco, 107 anos, rumo ao século XXII

E mbora muitos não queiram, ou- tros ajam para impedir, terceiros tentem denegrir, o Vasco vai fin-

cando os alicerces para seguir como uma das potências esportivas deste país. Ao com- pletar 107 anos e dar início às obras do Centro de Treinamento na Rodovia Wa- shington Luiz, compra-se o bilhete defini- tivo rumo ao século XXII, viagem que o clu- be pretende realizar ao futuro com cem anos de antecipação. Caem as fronteiras físicas: com sedes na Zona Norte, Zona Sul, Centro, Zona Oeste e Baixada Fluminense, a pluralidade his- tórica se concretiza no patrimônio. Caem as fronteiras sociais: o clube se estabelece em espaços de miséria e flagelos da mes- ma forma que está presente nas ilhotas de abastados do Grande Rio. Caem as frontei- ras da irresponsabilidade, inclusive ambi- ental, belíssimo sinal de como os habitan- tes deste planeta terão que viver no século XXII, onde estamos chegando bem antes: o Vasco não poupará esforços para a ocupa- ção do espaço de forma adequada, evitan- do o comprometimento da área de mangue presente no terreno e imaginando transfor- má-la num pequeno parque ambiental. Caem, novamente, através de esforços vas- caínos, as fronteiras do preconceito, levan- do o clube a dar oportunidade a pobres como pode dar a ricos, a negros como pode dar a brancos, a craques de bola e atletas

de ponta como dá àqueles que não chega- rão lá, mas que terão, por certo, uma for- mação humana com o selo de qualidade Vasco. Em contrapartida, o Vasco irá desfrutar de muitos talentos que poderiam seguir aprisionados nos guetos de pobreza e vio- lência, caso não tivessem a oportunidade oferecida por uma instituição do tamanho da nossa. Talvez este seja o capítulo prin- cipal e motivador do sonho: ajudar para que o abismo social se torne, em algum momento, não mais do que mero meio-fio. O esforço sobre-humano de quem so- nhou e tornou real o sonho começa a ser recompensado neste domingo, 21 de agos- to de 2005, quando será lançada a pedra fundamental do Centro de Treinamento na Rodovia Washington Luiz. Em parceria com a prefeitura de Caxias, um novo es- paço vascaíno começa a surgir. Junto a ele, uma nova perspectiva na formação de atle- tas e, principalmente, na formação de pes- soas, objetivo do qual o Vasco “amador” jamais de distanciou: 107 anos de um clu- be sem medo de enfrentar os desafios so- ciais que sempre se apresentaram diante dos vascaínos. Senhores vascaínos que acreditam, acre- ditaram e continuarão acreditando, senho- res vascaínos que evitam dar ouvidos aos “encostos” de sempre: tomem seus lugares, as amarras já foram soltas, a caravela vai partir de novo. O rumo é o século XXII. Para nós, ele já começou.

Equipe CASACA! João Carlos Nóbrega

ele já começou. Equipe CASACA! João Carlos Nóbrega 2 Agosto de 2005 / Jornal do CASACA!

A recuperação no Brasileiro

A volta por cima nos braços do povo

Ubiratan Solino

N os braços da torcida o Vasco vem realizando uma campanha de recuperação no Campeonato Brasileiro 2005. Desacreditado no início da competição, o Gigante da Colina está mostrando que é

o verdadeiro time da virada e desde a chegada do técnico Renato Gaúcho subiu sete posições na tabela e almeja agora a vaga na Copa Sul- Americana de 2006. A torcida cruzmaltina vem comparecendo em massa nos jogos em São Januário e o clube é detentor da quinta melhor média de público no tor- neio: 18.002 torcedores por partida em casa até a 20ª rodada. Os fiéis vasca- ínos não estão gastando tanto para acompanharem o time de perto, pois todos os jogos em “São Janu” são promocionais. Em certas partidas há a promoção da Nestlê “Torcer pelo seu time faz bem”, onde o torcedor doa uma lata de Nescau e ganha o ingresso em troca. Nas demais partidas, a promoção é o “Gol de Placa” do Governo do Estado do Rio de Janeiro, onde o vascaíno adquire o ingresso após pagar 1 real e apresentar notas fiscais que totalizem 50 reais em compras. Graças à participação maciça da torci- da nos jogos, o time vem recebendo o apoio que precisava para virar parti- das difíceis. Além da presença sempre marcante do “Baixinho” Romário, o atacante Alex Dias tem feito a alegria da galera vascaína nesta temporada. No Brasi- leirão, o artilheiro “pantaneiro” participou de todas as partidas do Vasco e marcou 12 gols até o momento, dividindo a artilharia com Fred, do Cruzei- ro e Marcinho, do Palmeiras. Municiando o ataque surgem duas revelações: Fernandinho e Morais. Recém-chegado do Criciúma, Fernandinho estreou marcando um gol na vitória contra o Santos e, desde que foi efetivado como titular, o time ainda não perdeu. Formado em São Januário, Morais saiu do clube em 2004 e voltou este ano como principal contratação para o meio-campo. Apesar do gol de peito em sua estréia contra o Cruzeiro, no Mineirão, o meia chegou a ser criticado em algumas partidas, mas deu a volta a por cima com as exce- lentes atuações nas vitórias sobre Paysandu e Atlético-MG, conseguindo se firmar na equipe titular. Os volantes Ygor, Osmar e Ives, oriundos das categorias de base do clube, dão a força e marcação no meio. Destaque do time em 2004, Ygor voltou a ganhar confiança com a chegada de Renato Gaúcho. O jovem Osmar, que chegou aos juniores do Vasco vindo do Madureira, também começa a se firmar após três partidas consecutivas como titular. Ives é outro volante que ganhava seu espaço, até sofrer uma contusão no ombro. Nas laterais, Renato Gaúcho conta com jovens e promissoras opções. Na direita, Wagner Diniz, contratado junto ao Treze-PB, e Claudemir, formado em São Januário, lutam pela camisa dois. Na esquerda, Diego está mais solto com a chegada do novo treinador e tornou-se uma grande opção ofen-

siva para a equipe. A defesa, antes criticada por todos, começa a ganhar segurança. Renato Gaúcho tem dado ritmo de jogo à dupla Ciro e Éder, vinda do Americano, e ao bom zagueiro Luciano, que veio do Criciúma. Para reforçar ainda mais o setor, o chileno Adán Vergara estava aprimorando a parte física e já está liberado para jogar. Após muitas tentativas, o Vasco parece ter um encontrado o seu camisa 1. Roberto, também contratado ao Criciúma, assumiu a posição após a derrota para o Atlético-PR em Curitiba e não largou mais. Nas últimas quatro parti- das com Roberto no gol, o Vasco teve três vitórias e somente uma derrota. Nomes como os atacantes Ânderson e Elber e do meia Abedi costumam marcar presença durante as partidas, sendo consideradas peças importan- tes pelo treinador vascaíno. Em meio às críticas de alguns eternos descon- fiados, mas com a força e apoio dos verdadeiros vascaínos, a nau cruzmalti- na segue seu caminho rumo às novas glórias, visando recolocar o Vasco no cenário do futebol mundial.

visando recolocar o Vasco no cenário do futebol mundial. Agosto de 2005 / Jornal do CASACA!

Campeonatos Brasileiros

Romário: O segundo maior goleador

Rafael Fabro

L á se vão mais de 130 gols. Por enquanto, até o fecha- mento deste jornal, uma conta exata de 138 gols de Ro- mário em Campeonatos Brasileiros. Ele deixou para

trás muitos artilheiros. O último a ser ultrapassado foi Zico,

com um gol contra o Fluminense, no Estádio da Cidadania, em Volta Redonda, no dia 4 de agosto. À frente do Baixinho, apenas um, também vascaíno, Roberto Dinamite, com 190 gols. O Vasco pode se orgulhar de ter gerado em casa os dois mai- ores artilheiros de todos os Brasileirões. E são tantos gols para serem ultrapassados, que passarão várias gerações até que se encontre feito igual (isto a partir de um cálculo oti- mista). Sendo realista, é uma proeza que nunca será copiada. Se for, só mesmo com jogadores do berço de São Januário. Romário fez e faz gols de todos os tipos, para todos os gos-

OSOSOSOSOS MAIORESMAIORESMAIORESMAIORESMAIORES ARTILHEIROSARTILHEIROSARTILHEIROSARTILHEIROSARTILHEIROS DOSDOSDOSDOSDOS CAMPEONATOSCAMPEONATOSCAMPEONATOSCAMPEONATOSCAMPEONATOS BRASILEIROSBRASILEIROSBRASILEIROSBRASILEIROSBRASILEIROS

JOGADORJOGADORJOGADORJOGADORJOGADOR

GOLSGOLSGOLSGOLSGOLS

PERÍODOPERÍODOPERÍODOPERÍODOPERÍODO

JOGOSJOGOSJOGOSJOGOSJOGOS

MÉDIAMÉDIAMÉDIAMÉDIAMÉDIA

1 Roberto Dinamite*

190

71-92

1326

0,58

2 ROMÁRIO

138**

85-05

225**

0,61

3 Zico

135

71-89

248

0,54

4 Túlio

129

88-05

238

0,54

5 Serginho

125

74-90

191

0,65

6 Edmundo*

116

92-05

220

0,52

7 Dario

113

71-85

237

0,48

8 Evair*

101

86-02

239

0,42

9 Reinaldo

93

73-85

177

0,53

10 Careca

92

78-86

130

0,71

* Ex-jogadores do Vasco. ** O jogo e o gol contra o Brasiliense, no Campeonato Brasileiro de 2005, não entram no cálculo.

tos. Porém, primou pela obviedade ululante do gol simples e didático. Para muitos que não entendem de futebol, tentos fáceis de fazer, “que até eles fariam”. Quem já não escutou tamanha blasfêmia contra o “gênio da pequena área”? Pois é, eles não sabem mesmo o que dizem. Não sabem que os gols aparentemente fáceis assim parecem por ser o executor deles um professor. Um professor na arte de ensinar cotidianamen- te como o futebol pode ser encantador com um simples toque. O primeiro gol em Brasileiros foi feito lá nos idos de 86, no

dia 5 de outubro, em São Januário, diante de 5.632 pagantes. O adversário era o Operário-MT e Romário fechou a goleada vas- caína de 6x0, aos 39 minutos do segundo tempo. Naquele mo- mento, se forjava uma história brilhante. Quem não lembra, por exemplo, dos três gols diante do Bahia e outros três diante do Corinthians na Copa União de 87? E da temporada espetacular de 2000 em que ajudou o clube cruzmaltino a levantar

o

tornou o emblema da conquista con- tra o São Caetano. 2001 também foi pra-

da conquista con- tra o São Caetano. 2001 também foi pra- quarto caneco? Fez um golaço

quarto caneco? Fez um golaço que se

to cheio para o artilheiro. Três gols diante do Cruzeiro de Edmundo em São Januário, num dia em que duas idolatrias apaixonadas se encontra- ram. E as goleadas contra o Guara- ni (quatro gols dos sete), o Flamen- go (três dos cinco) e o São Paulo (três dos sete), quem esquece? Ah, que delícia rememorar os gols do Baixinho. E melhor ainda

é

artilheiro dos Brasileiros ainda está aí, correndo e ávido por gols. Afinal, mesmo com 39 anos e com uma imprensa cega lhe pressionando, mantém sua média tradicional de 0,61 gols por jogo no Brasileiro deste ano. Continua o mesmíssimo em aproveitamento. Po r t a n t o , c a r o t o rc e d o r, aproveite e aplauda de pé Ro- mário.

saber que o segundo maior

Entrevista

Alex Dias

Fernando Lopes

lhor. Acreditei que poderia vir aqui e jogar. Crise todo mundo fala, mas você estando bem, o time estando bem, nada seria crise. O importante é que estou feliz aqui, espero fazer o melhor no Campeonato Brasileiro.

E sse sul-matogrossense de 33 anos, chegou ao Vasco com a fama de ser o atual vice-artilheiro do Campeonato Brasileiro e, em três meses, conquistou o coração da torcida cruzmaltina. Alex Dias conversou exclusivamente com site oficial do clube.

Site Oficial: Alex, apesar de ser sul-matogrossense, você começou a carreira como jogador profissional no Remo. Como se deu essa sua ida ao Pará e aonde você deu os primeiros passos como joga- dor de futebol?

Você conseguiu cativar a torcida do Vasco em pouco tempo. Quais são as suas expectativas a partir de agora?

Eu acho que foi o trabalho, com seriedade e honestidade. Graças a Deus fui feliz e tenho carinho pela torcida. Mas sei que, a partir de agora, tenho que estar sempre fazendo gols, pois se começar a jogar mal e não fizer os gols, a torcida pode esquecer e começar a pegar no pé. Mas eu espero fazer por onde, dar o meu melhor dentro de campo, para continu- ar tendo meu nome aclamado pelos torcedores.

Qual a maior alegria da sua carreira?

Alex Dias: Era um sonho desde criança ser jogador de futebol e na mi- nha cidade (Rio Brilhante-MS) já tinham dois jogadores como profissio- nais, o Cléber e o Chicão, centroavante, e além disso sempre joguei mi- nhas peladas. Foi quando tive a oportunidade, através de uma pessoa que era de Rio Brilhante mas estava morando em Belém e me levou para fazer um teste em 1992, quando consegui me profissionalizar no Remo e dar início a minha carreira, superando muitas dificuldades e com muita seriedade e persistência.

Já é um sonho ser profissional, poder jogar uma partida e isso eu já rea- lizei. Já conheço o futebol mundial, brasileiro e o esporte me deu essa oportunidade de poder estar conhecendo pessoas importantes. Estou fe- liz e só tenho alegrias no futebol.

Dê uma mensagem para a torcida vascaína.

Peço aos torcedores que continuem comparecendo para nos prestigiar. Nós jogadores sempre entramos em campo para dar alegria à torcida, mas infelizmente não é sempre isso que acontece. Estou feliz de estar aqui vestindo essa camisa maravilho- sa e sei que vários jogadores queriam estar no meu lugar.

sa e sei que vários jogadores queriam estar no meu lugar. Você teve duas passagens distintas

Você teve duas passagens distintas na Europa. A primeira em Por- tugal e a segunda na França. Como você avalia essas experiênci- as, tanto profissionalmente quanto na sua vida particular?

A

Portugal, foi uma coisa boa mas eu era muito menino, muito inexperien-

te

Depois voltei ao Brasil, atuei pelo Goiás, consegui uma maior estabili- dade, consegui ter uma seqüência de jogos, me destaquei e fui vendido para a França. Foi uma experiência excelente, junto com Aloísio fui considerado uma grande contratação e fiz um ótimo papel tanto no Saint- Etienne quanto no Paris Saint-Germain.

ainda. Tinha um contrato de 4 anos, mas só fiquei um ano e seis meses.

minha primeira passagem pela Europa, que aconteceu no Boavista de

FICHA TÉCNICA - ALEX DIAS

Posição:Posição:Posição:Posição:Posição: Atacante

Nome:Nome:Nome:Nome:Nome: Alex Dias de Almeida Nascimento: 26/05/1972 (33 anos)

Naturalidade:Naturalidade:Naturalidade:Naturalidade:Naturalidade: Rio Brilhante-MS

Altura:Altura:Altura:Altura:Altura: 1,75m

Peso:Peso:Peso:Peso:Peso: 74kg

Carreira:Carreira:Carreira:Carreira:Carreira: Começou no Remo-PA em 1992. Jogou também no Boavista (Portugal), Goiás-GO, Saint-Étienne (França), Pa- ris Saint-Germain (França) e Cruzeiro- MG. Está no Vasco desde o início de

2005.

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Embora você sempre tenha marcado gols, custou um pouco a ser visto como um grande jogador no futebol brasileiro. Por que acha que isso aconteceu?

O

com o jogador que está se destacando numa grande equipe, em um gran- de centro, mas sempre por onde passei fui vitorioso, campeão, artilhei- ro e tive meu nome na história desses clubes. Graças a Deus aqui no Vasco estou dando continuidade e espero poder, a cada ano e a cada jogo, fazer o meu melhor.

Brasil é cheio de grandes jogadores, todo mundo se preocupa mais

Muito se fala sobre crise no futebol carioca. Como você rece- beu a proposta do Vasco e a possibilidade de jogar no Rio de Janeiro?

É

um futebol charmoso, onde eu tinha de tudo para fazer o meu me-

um grande centro, o Rio de Janeiro está na mídia sempre, aqui é

Agosto de 2005 /Jornal do CASACA!

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Fábrica de talentos

Segue sua gloriosa

Fernando Lopes

nicialmente fundado para a prática do remo, o Club de Re- gatas Vasco da Gama aos poucos foi se fazendo representar

por outros esportes. Não fugindo às origens, o Vasco com- pleta 107 anos como referência nacional na formação de

atletas nos mais diversos esportes e também no futebol.

O clube foi um celeiro para diversos atletas importantes na his-

tória do esporte nacional. O mais célebre atleta do Vasco foi o bi- campeão olímpico de salto triplo em 1952 e 1956, Adhemar Ferreira da Silva. Mais recentemente, o Vasco acolheu centenas de atletas, alguns de renome internacional: Gustavo Borges - nadador com 4 medalhas em 3 Olimpíadas; Róbson Caetano e Zequinha Barbosa - lendas do atletismo nacional; Pretinha - maior artilheira do futebol feminino do país; Manoel Tobias - campeão mundial de futsal pela seleção brasileira e eleito melhor jogador do mundo. O basquete, que sempre deu muitos títulos ao clube, se destaca pelo coletivo, e o treinador do time masculino do Vasco e da seleção brasileira, Hélio Rubens, foi uma figura marcante desse esporte dentro do clu- be. Graças ao Vasco, o pivô Nenê alcançou a NBA. No basquete fe- minino, destacam-se a treinadora Maria Helena Cardoso e a joga- dora Janeth. Tudo isso sem citar os inúmeros nomes que passaram pelo fute- bol do clube e foram importantíssimos para a história do esporte

nacional e internacional. Vale o destaque para os 2 maiores arti- lheiros do Campeonato Brasileiro: Romário e Roberto Dinamite, ambos revelados pelo Vasco. Em 2005, a trajetória de títulos segue plena e irretocável. Com as divisões de base do futebol, os vascaínos podem ter a certeza de um futuro vitorioso. A equipe de Juniores conquistou a Taça Rio e é vice-líder da Copa Cultura Rio-São Paulo de Juniores, além de re- velar nomes como Ives, Júnior, Gustavo Corrêa e Bruno Meneghel que frequentemente integram o elenco profissional, além do late- ral-esquerdo Hugo, recém-convocado para a Seleção Brasileira

Sub18.

Os mais jovens também têm feito a cruz-de-malta brilhar nos gra- mados pelo Brasil. Os times Infantil e Juvenil terminaram a fase classificatória do Campeonato Estadual na primeira posição e com mais de 70% de aproveitamento. A garotada do Mirim vem fazendo um campeonato de recuperação e, com vitórias expressivas como a de 4x2 sobre o Flamengo e 10x0 sobre a Friburguense, classifican- do-se para o Octogonal Final. Embora não tenha feito uma campanha positiva na Liga Nacional

adulta, o Futsal do Vasco voltou a se destacar na formação de atle- tas. No Campeonato Carioca, o Gigante da Colina chegou a quatro finais em cinco categorias disputadas, ficando com o título no Mi- rim (invicto) e na classe Fraldinha.

O tradicional Remo vascaíno, 45 vezes campeão carioca, lidera o

Campeonato Estadual 2005 desde a primeira regata. Entre as estre- las cruzmaltinas destaque para a bela Fabiana Beltrame, única re- madora brasileira a participar de uma Olimpíada (Atenas 2004). No Sul-Americano de Remo, disputado em São Paulo, os remadores do

I

Vasco ajudaram o Brasil a conquistar o título faturando sete meda- lhas (4 de ouro, 1 de prata e 2 de bronze). O destaque foi Gibran Vieira da Cunha, que subiu duas vezes ao degrau mais alto do pódio. No Atletismo, o clube continua produzindo talentos para o Bra- sil. Entre as promessas está Thiago de Jesus Sales, quarto lugar no Pan-Americano Juvenil do Canadá. Na categoria Infanto-Juvenil destacam-se Luana Martins Correia (100m e 100m com barreiras) e Leonardo Lopes (110 com barreiras e 400 com barreiras). O Basquete vascaíno também segue o caminho das vitórias. Na categoria Juvenil, o clube fez a melhor campanha da 1ª fase do Es- tadual. Destaque para o ala / armador Marcellus, que ainda tem idade de Infanto-Juvenil, e inclusive faz parte da Seleção Brasilei-

A bicampeã mundial Ciça e parte da campeoníssima equipe de karatê do Vasco
A bicampeã mundial Ciça e parte da campeoníssima equipe de karatê do Vasco

trajetória de títulos

ra nesta categoria. A equipe de São Januário lidera de forma invic- ta os Estaduais Mirim e Infanto-Juvenil, além de realizar boa cam- panha na categoria Infantil. Treinados pelo Professor Nemo, os atletas do Boxe Olímpico do Vasco também buscam seu lugar ao sol. Entre os principais nomes do esporte está o super pesado Fábio Batista.

O ano de 2005 tem sido inesquecível para a equipe de Futebol de

Mesa, que faturou a Taça Rio e as Copas Geraldo Décourt e Guana- bara na categoria Máster, o Carioca na modalidade 3 Toques e di- versas outras taças nas Modalidades Pastilha, Dadinho e 12 Toques. Sucesso entre a garotada, o Handebol vascaíno é um dos princi- pais fornecedores de atletas para a Seleção Brasileira Feminina na categoria Cadete. Amanda Evangelista, Amanda Felicíssimo, Da- niele Galvão, Desiree Domingos e Raiane Vieira foram convocadas para testes visando o Pan-Americano da categoria. Antes do Esta- dual, as meninas de São Januário faturaram o Torneio de Petrópo- lis e mais dois torneios de Handebol Cadete, além do Festival In- fantil.

No Judô, o meio-pesado Renato Carvalho tem colocado o Vasco no lugar mais alto do pódio. Em Santa Maria (RS), o atleta faturou o bicampeonato Sul-Americano na Classe Máster e de quebra con-

quistou a prata na Classe Sênior. Ainda em 2005, Renato conquistou

o hexacampeonato carioca e o Torneio Abertura da Liga de Judô do

Estado do Rio de Janeiro. Sob coordenação do Professor Manoel Varella, o Karatê é um dos esportes que mais títulos trouxe a São Januário nos últimos anos.

Hexacampeão carioca nas categorias Adulto, Júnior, Juvenil e In- fantil, o Vasco mantém sua hegemonia no Estado do RJ e conta com os principais karatecas do país: Ciça, Alessandro Gualberto, Si- drack Netto, Maicon Medeiros e Fernanda Monturil. Entre os mais

jovens, destaque para as conquistas internacionais de Caio Duprat

e Micaella Dantas (atleta de Roraima).

A Natação vascaína também continua com a saga de formar novos

talentos. Na categoria Infantil, Mariana Lopes e Victor Augusto Soa- res são promessas para o futuro do esporte brasileiro. A juvenil Dan- dara Mendes também é a revelação que já virou realidade, nadando no mesmo estilo (borboleta) da consagrada Ivi Monteiro, figurinha certa nas Seleções Brasileiras principais. Um importante status foi conquistado também fora das piscinas em 2005. O diretor da natação do clube, Ricardo de Moura, teve seu trabalho reconhecido e foi in- dicado para integrar o Comitê Técnico da Federação Internacional de Natação, que irá dirigir e programar todas as atividades técnicas da natação mundial durante o período de 2005 a 2009. Uma das maiores duplas da história do Vôlei de Praia mundial, Adriana Behar / Shelda continua levando a cruz de malta às qua- dras de todo o planeta. Bicampeã do mundo e tetracampeã do Cir- cuito Mundial, a dupla foi forçada a uma separação temporária de- vido ao estiramento no quadrado lombar sofrido por Shelda. No entanto, os laços familiares não foram rompidos e Adriana Behar tem participado das competições do Circuito Mundial ao lado de Shaylyn, irmã de Shelda. Com a mistura de jovens talentos e experientes atletas, o Vasco

da Gama chega aos 107 anos com a promessa de continuar como fá- brica de talentos e principal potência de esportes do Brasil.

Fabiana Beltrame, única remadora olímpica na história do Brasil
Fabiana Beltrame, única
remadora olímpica na história do Brasil
Ivi Monteiro, segurando uma homenagem do Vasco
Ivi Monteiro, segurando uma
homenagem do Vasco

Aniversário

Vasco 107 anos:

A base ganha o seu CT

Ubiratan Solino e Paulo Vianna

A História terá muito a comemorar nesses 107 anos que o Vasco completa em 21 de agosto, pois o clu-

be estará fincando marcas permanentes nos três pilares que o sustentam desde a fundação: no religioso, com a entrega da remodelada e majestosa (em sua sim- plicidade) capela de Nossa Senhora das Vitórias, que com- pletou 50 anos de sagração dia 15 de agosto; e nos campos esportivo e social, com o lançamento das pedras funda- mentais, em parceria com a Prefeitura de Duque de Caxi- as, do Centro de Treinamento das divisões de base do futebol vascaíno e do Hospital Dr.Moacir Rodrigues do Carmo, no terreno da rodovia Washington Luiz. Com o CT na Baixada Fluminense, o Vasco é o único clube carioca a ter presença física em todas as áreas do Grande Rio: na Zona Norte, com o Estádio Vasco da Gama (São Januário); no Centro, com o Calabouço; na Zona Sul, com a sede da Lagoa; e na Zona Oeste, com o Vasco Bar- ra, única unidade ainda não incorporada definitivamen- te ao patrimônio do clube, mas está arrendada com op- ção de compra, o que provavelmente será feito em breve, para dar continuidade à Academia de Esportes. A reabertura da capela, com a volta da imagem da pa- droeira a seu nicho durante missa em ação de graças à qual estiveram presentes a diretoria administrativa e re- presentantes de todos os poderes do clube, é o reconheci- mento do Vasco, Comenda da Ordem Militar de Cristo, à sua padroeira, que lhe dá aquela “força invisível” de que fala o presidente Eurico Miranda para suplantar e atra- vessar tormentas, verdadeiras ou criadas muitas vezes por tripulantes ou mercenárias sublevados, mas que o Vasco sempre soube superar em sua história. No campo esportivo, a pedra fundamental do Centro de

Obras na área destinada aos campos de futebol
Obras na área destinada aos campos de futebol
Vista noturna da Capela de Nossa Senhora das Vitórias
Vista noturna da Capela de Nossa Senhora das Vitórias

Treinamento é o primeiro passo físico para a realização do antigo sonho de abrigar todas as categorias de base do clube. Inicialmente, serão três a quatro campos de treinamento, vestiários, alojamentos, uma área adminis- trativa, que já estarão em funcionamento ainda este ano. Mais tarde virá toda estrutura complementar, com inves- timentos a serem delineados nos próximos orçamentos do clube. Dito assim, parece fácil, mas é uma história tão sofri- da e vencedora quanto o próprio Vasco. O terreno da Wa- shington Luís foi doado pela União, na gestão do Presi- dente Ernesto Geisel e por interferência do então presi- dente da CBF, almirante Heleno Nunes, e confirmada pos- teriormente pelo Presidente Fernando Henrique Cardo- so, graças às gestões do então deputado federal Eurico Miranda, hoje Presidente do Vasco. A certidão definitiva da cessão está registrada em car- tório com todos os documentos legais, inclusive as certi- dões negativas (e não apenas positivas, com efeito de ne- gativas) de quitação de todos os impostos federais e con- tribuições previdenciárias. O que era simples complicou quando o clube foi tomar posse da terra: nos quase 500 mil metros quadrados do terreno, 48% constituíam áre- as de manguezais, que o Vasco se obrigou a preservar, e ainda pior: na outra praticamente metade, havia possei- ros e grileiros em cerca de 17 lotes, que o Vasco foi obri- gado a indenizar para que deixassem o local, alguns me- diante acordo, outros com ações na Justiça. Prazos e oportunidades foram perdidos, óbices de todo tipo foram criados, com objetivos políticos e eleitoreiros, até que o Vasco encontrou no prefeito de Duque de Caxi- as, o vascaíno Washington Reis, um parceiro ideal: como a Prefeitura precisava de terreno para a construção de um hospital público de nível internacional, e como uma das prioridades do Vasco é o social, uniram-se os esfor- ços, para que os dois empreendimentos tivessem sua pe- dra fundamental lançada na mesma data: o dia do ani- versário do Vasco. Para isso, foram feitos o manilhamento e a canalização de riachos e córregos que cortavam o terreno, com tubos de dois metros de diâmetro, e toda a terraplanagem da área, para que ficasse acima da Rodovia Washington Luiz. Para tanto, foram colocados ali cerca de 10 mil ca- minhões de entulho. Paralelamente, e bem antes do acordo com a Prefeitu- ra, o Vasco desenvolveu o Parque de Preservação e Edu- cação Ambiental, na área de manguezais, com a partici- pação da ONG Mundo da Lama, de renome internacional, promovendo a erradicação de ervas daninhas e o plantio de mudas próprias a manguezais.

O Hospital

Idealizado pelo prefeito Washington Reis e com apoio do Governo do Estado, o proje- to do Hospital Municipal Dr. Moacir Rodri- gues do Carmo representa um complexo hospitalar com capacidade para 924 cirur- gias por mês e 43.119 consultas por ano na unidade de consultas trauma/pré-hospitalar. Destina-se principalmente ao atendimento às populações de Caxias e da Baixada Flu- minense, mas também de bairros mais pró- ximos da cidade do Rio de Janeiro. Esse complexo inclui também unidades de Imagem com Tomografia,Radiologia, Endos- copia e Ultra-sonografia e de Método Gráfi- co, com laboratórios de Análises Clínicas e de Anatomia Patológica. Sua área construída será de 17,6 mil me- tros quadrados (dos 38 mil metros quadra- dos cedidos pelo Vasco) e terá 221 leitos, quatro unidades para tratamento intensivo (doenças do coração, queimados, neonatal e geral) e ambulatório com capacidade para mais de 470 consultas por dia.

queimados, neonatal e geral) e ambulatório com capacidade para mais de 470 consultas por dia. Vista

Vista aérea do hospital

Entrevista - Presidente Eurico Miranda

Amar e Servir

Trechos da entrevista do Presidente Eurico Miranda concedida especialmente ao JORNAL DO CASACA!

C hegamos aos 107 anos com a constatação de que o Vas- co só admite dois sentimentos dos vascaínos: amar e

servir. Desde a sua fundação, em sua gloriosa traje- tória, o Vasco tem superado todos os obstáculos. Particular- mente nos últimos anos, não-vascaínos infiltrados em nossa família tem colocado novas barreiras no vitorioso caminho do Vasco da Gama. Elas foram de tal forma lesivas ao nosso clube que não tenho outra alternativa senão classifica-los e julga-los como não vascaínos, vascaínos de ocasião. ( ) O desejo destas pessoas, que certamente não se concretiza- rá, é tomar o poder a qualquer custo. ( ) Não gosto de adjetivar o vascaíno, nem de falar em vascaí- nos verdadeiros ou falsos. Mas como o Vasco só admite o amar e o servir, é inadmissível que alguém que agrida o clube como estes indivíduos, tente se rotular como vascaíno. Buscando todos os meios, tentam se aproveitar de qualquer momento em que o Vasco abra o seu flanco para ferir de morte a Insti- tuição. Acontece, que mesmo com as constantes pressões des- tes não-vascainos junto às repartições governamentais exi- gindo que o Vasco sofra devassas em seus assuntos internos de competência exclusiva de seus poderes, estes objetivos são inatingíveis. ( ) Nesses 107 anos, o Vasco é uma instituição forjada no amor. E nós não vamos mudar os nossos caminhos, em respeito prin- cipalmente aos nossos fundadores e aos nossos antecessores, que construíram um clube para permitir oportunidades aos menos favorecidos, e disso o Vasco não abre mão, independen- temente dos governos, das suas políticas e dos modismos. Em segundo lugar, é preciso mostrar a todos e ao mundo que o Vasco tem algo que é buscado pela grande maioria, mas que muito poucos podem ter, que é a competência. O Vasco tem competência para enfrentar na água, nas quadras e nos campos os seus adversários. A mensagem que quero colocar nesses 107 anos é que o Vasco não abre mão um milímetro sequer desses princípios que coloquei. E a propósito, enquanto eu for vivo, independentemente de ser ou não presidente do clube, vou lutar com todas as

minhas forças para impedir que o Vasco mude seus objeti- vos. E o que eu quero dizer com isso? Está em moda hoje o chamado clube-empresa, uma “modernidade” que é transfor- mar essas instituições centenárias em empresas. E qual é a finalidade da empresa? É o lucro. E a busca do lucro passa por cima dos nossos objetivos, supera os nossos objetivos. O

Vasco é uma entidade sem fins lucrativos e vai continuar as- sim, enquanto eu tiver forças. É um dever para aqueles que nos antecederam, principalmente os nossos fundadores. O lu- cro do Vasco será sempre as suas conquistas, as oportunida- des que o clube abre aos menos favorecidos. ( ) Este aniversário é também importante porque nos permi- te entregar, restaurada, a capela de Nossa Senhora das Vitó- rias, que está completando 50 anos e é um marco irremoví- vel de nossa história. Também é importante porque algo que nós perseguimos há algum tempo estamos vendo se trans- formar em realidade, que é o Centro de Treinamento da Bai- xada, que vem ao encontro daquelas oportunidades aos menos favorecidos para as quais o Vasco foi criado. Outro motivo importante para comemorarmos é a confirmação do intocável patrimônio físico do Vasco, que não é só aumentado: é aumentado com o carinho como se fosse humano, como se tivesse vida. É cimento, é areia, mas é também um algo mais, que só o Vasco entende. E porque enten- de, trata, con- serva, apri- mora, am-

plia

que é funda-

mental.

Isso é

Futebol

Cultura popular ou mercadoria?

Rafael Fabro

O Vasco está fazendo 107 anos de vida muito bem vivida. Vida cheia de lutas em que representou sempre a tolerância ra- cial, a igualdade social e a dignidade. Foi pioneiro em mui-

tos atos e feitos. Desde a afirmação dos negros no futebol, passando pela construção de um estádio com recursos próprios e títu- los nunca conquistados por clubes brasileiros até chegar aos dias de hoje, o clube cruzmaltino foi vencedor e causou admiração. Admira- ção de muitos, inveja de alguns desafortunados. Tais infelizes que teimam em não entender o que significa o Club de Regatas Vasco da Gama têm algumas cismas. No início, perseguiam o clube por este trazer a um jogo até então de elite cidadãos que eram barrados nos outros três clubes da cidade. Não suportavam ver um clube nascido de raízes miscigenadas crescer tanto tendo na vitrine negros. Depois, passaram a usar outras armas. O Vasco necessitava de um estádio para se adequar aos ditames impostos. Pois bem, mesmo com todas as dificuldades, a instituição cruzmaltina levantou um monu- mento à solidariedade de anônimos, o Estádio de São Januário. Desde sua fundação, o estádio recebe críticas as mais variadas, mesmo sen- do o único dos quatro clubes grandes da cidade realmente apto para receber jogos de médio e grande porte. O que faz a inveja, não? Vieram vitórias e mais vitórias com a época estrondosa do Expres- so da Vitória. Silêncio sepulcral na imprensa, com tímidas comemo- rações quando, de vez em quando, vencia um clube da zona mais abas- tada da cidade. Foi a época áurea (1945 a 1951) em que o Vasco ficou seis anos ou vinte jogos sem perder do Flamengo. Mesmo assim, mui- tos para encontrar modos de criticar o Vasco, conseguiram culpar jo- gadores vascaínos pela perda do título da Copa do Mundo no Maraca- nã, em 1950 (ou então, confessaram abjetamente que nem torceram pela seleção por esta ter em sua maioria jogadores cruzmaltinos; para quem não lembra, falo de Armando Nogueira). Veio a década de 60 e uma época de seca de títulos e de grandes times. Ditadura militar, Fla, Flu e Bota em alta dividindo os holofotes da imprensa. Para o Vasco, deboches, piadas e até fingida compaixão. O Vasco se reergueu com times aguerridos na década de 70 e foi o primeiro carioca a vencer um Brasileiro, em 1974. Chegaram as décadas vitoriosas de 80 e 90, com timaços de encan- tar meio mundo. Tudo isso baseado num trabalho de base brilhante misturado com grandes contratações de jogadores gabaritados. A im- prensa resolveu encontrar outros modos de criticar. Achou Eurico Miranda, figura emblemática do clube (até seus opositores reconhe- cem isso, não falo mais que o óbvio ululante, me desculpem), que transformou a maneira de se ver o Vasco da Gama. Quem debochava, passou a ter raiva e inveja por tantas conquistas em vários esportes e

até fora de campo. O Vasco virou objeto das mais fundas obsessões e taras. Muitos críticos até hoje passam o dia buscando uma forma de bradar contra o clube, gozando um prazer fetichista todo particular. No fim dos anos 90, com o começo de uma nova era do futebol, cheia de clichês modernos como “profissionalismo”, “estrutura”, “planeja- mento” e “clube-empresa”, o Vasco foi o primeiro a se bater contra tal panacéia. Via que era importante progredir, mas sabia do grave erro que começava a ser gerado sob o nome “Lei Pelé”, a pedra funda- mental para os clichês modernos começarem a saltar todos os dias nos cadernos esportivos. O que era visto como remédio para todos os males do futebol brasileiro, hoje já recebe desconfianças até de jor- nalistas que na época aplaudiram de pé tamanho ataque à base do futebol brasileiro: os clubes. Diante de tantos problemas com empre- sários, valores confusos em transações, jovens de menos de 20 anos

indo aos montes para Europa e Ásia, fica fácil criticar. O Vasco viu o problema uns cinco ou seis anos antes. Pioneiro mais uma vez.

O Club de Regatas Vasco da Gama e qualquer pessoa sensata que

goste de futebol entende que o futebol é paixão que transcende mari-

nheiros marqueteiros de primeira viagem ou mercadores de jogado-

res, bandeiras, ingressos, biscoitos, camisas, bonés e chaveirinhos.

O futebol para o clube que faz 107 anos sempre foi visto como cultura

popular, arte, movimento social, espaço para aglutinação de comuni- dades, qualquer coisa bem diferente de veículo para lucro. Como exemplo dessa gente que pensa que futebol foi feito para ser gerido como uma boutique de luxo (no Primeiro Mundo, a coisa fica bem mais fácil, né?), cito o ex-jogador Leonardo (que passou por Flamengo, São Paulo, Milan, entre outros) e atualmente é alto exe- cutivo do A.C.Milan. Numa conversa com Renato Maurício Prado (ou R.M.Pink, se preferirem), publicada no O Globo de 14 de agosto, ele diz: “O futebol, no mundo todo, é um produto vendido para a classe A. É claro que atinge também as classes C e D. Mas quem paga

a conta mesmo, quem mantém toda aquela formidável estrutura é a

classe A. No Brasil, o futebol é feito somente para as classes C e D”. Nota-se, claramente, o discurso marginalizante que se vê muito por

aí em outras bocas tidas como sábias. Um discurso que até usa eufe- mismos do tipo “é claro que atinge também as classes C e D”, para não ficar tão perverso socialmente, mas que, ao fim e ao cabo, quer

tornar o futebol popular algo destinado aos gostos da elite. O torce- dor comum? Pode ficar vendo televisão, afinal não tem mesmo como pagar a conta alta.

O futebol como cultura popular não dá lucro para os empresários e

executivos. Para entrarem na brincadeira, querem mudar as regras do jogo de todos os jeitos. Já conseguiram mudar bastante. Mudarão mais e mais? O futebol para eles há de abolir essa relação doentia e

chata entre torcedor apaixonado e clube. Para eles, vale mais um con- sumidor ávido com bolso cheio do que a lógica insensata da paixão.

O Vasco continuará incompreensível para os que teimam em ver o

futebol com olhos sem paixão. Por outros 107 anos.

O Vasco e a Timemania

Em mar revolto, bóia para quem precisa

João Carlos Nóbrega

E nquanto alguns megalômanos navegavam em seus transatlânticos, o almirante, que conhece algumas das

agruras do mar, vinha no seu barquinho a remo. O Titanic do futebol brasileiro, por uma série de questões, cho- cou-se com pequenos icebergs, sofreu escoriações, mas seguiu seu rumo, enquanto a água já ia invadindo-o através de fratu- ras imperceptíveis. No entanto, após colidir com o maior ice- berg de todos os tempos, a Lei Pelé, não resistiu e foi a pique. Homens ao mar; clubes ao mar; bóias ao mar. O governo Federal atirou-as recentemente, aguardando a aprovação do Congresso Nacional. A Timemania é a tábua de salvação de 99% destes clubes que, sufocados na própria me- galomania e agredidos pela legislação oficial, puseram-se de joelhos. Efeito colateral da catástrofe legislativa do doutor Aran- tes, a nova loteria chega para a retumbante maioria dos clubes

pouco antes da extrema-unção; e para setores da mídia e$portiva e do empre$ariado, que aguardavam à espreita com as mandíbulas escancaradas há anos, como e$perança num fu- turo pró$pero. O projeto dessa turma é claro em relação aos clubes: sucateamento e falência, obrigatoriedade de transfor- mação em empresa, aquisição de instituições centenárias pe- los espertalhões a preço de banana, novo mercado de trabalho para a “turma dos ilibados e entendidos”, que habitam as re- dações de jornais e outros poleiros. Assim, defendem voraz- mente quer a contrapartida da Timemania seja a transforma- ção compulsória dos clubes em empresas. O que desmoraliza o argumento dos jornaleiros é exatamen- te o barquinho a remo que vem surgindo lá no horizonte na hora do pôr do sol. Enquanto alguns ainda procuram bóia que sirva na cintura, perto de onde o transatlântico afundou, o ve- lho almirante vem no seu bote, saudável, obrigações renegoci- adas, sem necessidade de colete salva-vidas e, muito menos, de se tornar empresa para andar na linha. De novo, o pionei- rismo vascaíno, agora manifestado pelo esforço fiscal que se por um lado manteve o remo como propulsor do barco, por outro lhe diminuiu o peso por não necessitar de equipa-lo com bóias, sobressai em águas turbulentas. É lógico que o pró- ximo projeto é comprar um motor de popa. No entanto, não deixa de ser uma bênção de Netuno que se tenha optado pelo remo, pelo barco pequeno e pela ausência de bóias emprestadas. Isso significa o seguinte: o Vasco não tem nenhuma urgência em aderir a Timemania. Caso o Governo Fe- deral ache por bem que a marca do Vasco esteja pre- sente na nova loteria, que arrume uma forma de com- pensar decentemente a sua cessão, e, com isso, premiar o esforço do clube em manter sua austeridade fiscal. Ou que estipule regras claras e específicas para quem vem cumprin- do obrigações (sem ser empresa), remando com dificuldade e eco- nomizando para depois, talvez, adquirir novamente um motor.

nomizando para depois, talvez, adquirir novamente um motor. 12 Agosto de 2005 / Jornal do CASACA!

Contra tudo e contra todos

Oportunistas do caos

João Carlos Nóbrega

A té bem pouco tempo atrás, o Vasco era o últi- mo dos cariocas no Campeonato Brasileiro

2005. Cumpria uma campanha muito ruim, da qual, agora, tenta se livrar. Freqüentou a zona do re- baixamento, foi lanterna. Três vitórias consecutivas

e outras esporádicas levaram-no ao décimo quinto lu-

gar, empurrando, dentre outros, o Flamengo para bai- xo, hoje na zona de rebaixamento. Neste interim, a imprensa esportiva, alimentada pelo um determinado grupo oposicionista, deu asas ao projeto “oportunidade de ouro” (faça-se justiça, o pa-

drinho de batismo do projeto foi um dos iluminados que comemoram derrotas do Vasco dizendo-se vascaí- no). Aproveitando a fase difícil, tentaram dar fôlego ao empreendimento. Muito se fez: dossiês, denuncis- mos, mentiras, baboseiras. Foram ouvidos especialis- tas em marketing, em psicologia, em administração, em direito, em contabilidade, dentre outros profissi- onais, desde que suas falas seguissem um script pré- definido: porrada no Vasco, o clube-retrocesso, brin- des ao clube-empresa, aquilo que muitos deles nem sabem do que se trata. Enxergaram nesse momento de- licadíssimo a chance de deflagrar a “oportunidade de ouro” que, dentre outras distorções, pretende trazer

a discussão da política interna do clube para já, um

ano e meio antes das próximas eleições. Tudo parecia se encaixar muito bem. Enquanto cho- viam agressões, o time de futebol não conseguia res- ponder em campo, tornando cíclica a questão: derro- tas motivam a oposição, que alimenta a mídia sempre contra, que abusa da canalhice gratuita nas reporta- gens, que diminui a moral do time, que não jogava nada, que perdia, o que motiva a oposição que torce contra e por aí vai. Por outro lado, é curioso observar a reação da mes- ma mídia esportiva em relação ao Flamengo. A situa- ção esportiva e política é exatamente a mesma que a do Vasco há dias atrás: zona de rebaixamento, eleições

no final de 2006. A situação conjuntural, muito pior:

clube endividado até a testa, com o triplo de ações tra- balhistas que tem o Vasco, insolvência fiscal, patri- mônio inexistente, jogadores de vitrine cujos contra- tos não prevêem nem multa por rescisão. Nenhuma linha questionando gestão. Nenhuma edi- torial falando em eleição 2006. Nenhum grupo de opo- sição opinando ao sabor dos ventos. Nenhum profis- sional arejado dando pitacos acadêmicos. Nenhum dossiê. Enfim, um cuidado solene que vale como um recado passado pela imprensa esportiva a nós: “Vas- co em baixa, martelada na cabeça; Flamengo em bai- xa, cama elástica”.

O alvo dessa diferenciação é facilmente identifica-

do. Ataca-se um modelo dito “retrógrado” por não ad- mitir o clube-empresa, o que contraria diversos inte- resses de alguns espertalhões, enquanto se preserva um discurso, o discurso do atual presidente do Fla- mengo, defensor aparente do clube-empresa, muito embora nem o senhor Márcio Braga e nem os acadê- micos consigam explicar para nós como seria a mági- ca de fazer uma empresa nascer quebrada. Vida que segue.

A turma da “oportunidade de ouro” já está contan-

do com a ajuda significativa da imprensa, que faz uma campanha direcionada clara. Assim continuará a ser no próximo ano, ano eleitoral. Ao vascaíno comum vale a análise fria dos fatos com alguns questionamen- tos: Por que é assim? Quais as verdadeiras intenções de quem está por trás disso? Por que a discriminação entre Vasco e Flamengo num tratamento que deveria ser pautado pela isonomia? As respostas não virão com palavras, virão com a identificação que devemos fazer dos intere$$e$ que motivam todo o jogo de cena.

“A turma da “oportunidade de ouro” já está con-

tando com a ajuda significativa da imprensa, que

faz uma campanha direcionada clara. Assim conti-

nuará a ser no próximo ano, ano eleitoral.”

O Alex nosso de todos os Dias Fernando D’Arribada O vascaíno é antes de tudo
O Alex nosso de todos os Dias
Fernando D’Arribada
O vascaíno é antes de tudo um inveterado
apaixonado pelo clube. A grande presença
da torcida nos jogos do atual campeonato
brasileiro, apesar dos seguidos insucessos do time,
não deixa dúvida sobre a força desse sentimento. Se
nem o desânimo causado por derrotas vexatórias
conseguiu afastar a torcida, bastaram apenas duas
vitórias consecutivas sobre Figueirense e Paysan-
du para adicionar à fidelidade dos torcedores o tem-
pero da euforia.
Mas, sensatos, os vascaínos ainda hesitam antes de sonhar com algo
mais na competição. Uma vaga na Libertadores parece muito difícil, e o
título, por ora, impossível. Contudo, mesmo aqueles que andavam afasta-
dos da Colina já começam a percorrer o caminho de volta.
Alô, Fernando! A lata de Nescau tá na mão, pra gente ver o Vascão
depenar o Galo!
-
Depois de ouvir aquela voz há muito ausente, boquiaberto, perguntei:
-
Você tá vivo
Vai mesmo?
O
empolgado do outro lado da linha, respondeu: “claro, pô!”.
Os egressos do sofá me fizeram refletir sobre as razões de tamanho entu-
siasmo, já que o futebol do Vasco vive tempos difíceis, de alegrias escassas
como doses homeopáticas de um remédio que pinga com a pequena fre-
qüência permitida por um conta-gotas de orifício obstruído. Esse entusi-
asmo atende pelo nome de Alex Dias. O artilheiro tem sido um antidepres-
sivo farto e eficaz para mitigar a tristeza do torcedor cruzmaltino. O Panta-
neiro consegue honrar a tradição de artilheiros do clube na história do
Brasileirão, fazendo gols que refrescam e arrebatam a alma como pingos
abundantes de uma forte chuva no escaldante verão.
Por isso, se coletivamente o time ainda deixa muito a desejar pelos cons-
tantes enxertos e amputações no elenco ao longo do campeonato, uma ci-
randa que tem se repetido nos últimos anos e compromete o sonho de con-
quistas maiores, o vascaíno tem motivos de sobra para torcer e se entusi-
asmar com os gols do indefectível Alex Dias, que assim evitará o pesadelo
da segunda divisão e fará com que o clube tenha pela sétima vez, em 35
anos de disputa, o artilheiro da competição, escrevendo seu nome numa
seleta galeria, ao lado de Roberto (74-84), Paulinho (78), Bebeto (92), Ed-
mundo (97) e Romário (2001) o que seria um recorde absoluto, uma vez que
o concorrente mais próximo do Vasco é o Atlético Mineiro, clube que fez o
goleador em cinco ocasiões.
O
indefectível, aquele que nunca nos deixa em falta, o nosso Alex de
todos os Dias, sempre presente de corpo, alma e gols, transpirando garra e
suor em todas as partidas do time, sem falhar uma única vez, é mais um dos
nossos ídolos de todos os anos, é a cereja no bolo de aniversário do nosso
amado Club de Regatas Vasco da Gama, que chega aos 107 anos, no dia 21/
08/05, como o clube que, nas últimas décadas, mais premiou a sua torcida
com jogadas e gols de ídolos que alcançaram consagração nacional e inter-
nacional, uma lista interminável como rezar um terço.
Então, certos de que São Januário intercederá pelo perdão da nossa he-
resia, rezemos todos juntos antes de cada partida:
Alex Dias que estais no campo
Abençoadas sejam as vossas conclusões
Venham a nós os vossos gols
Sejam feitos segundo a sua vontade
Assim na cabeça como nos pés
Os pontos nossos de cada rodada nos dai hoje
Perdoai-nos as nossas ofensas ao time, assim como nós perdoamos a en-
carnação dos torcedores alheios que nos tem ofendido
E não nos deixeis cair em depressão, mas livrai-nos das derrotas
Amém!
Depois segue-se o mantra: AAAAA-LÉÉÉÉÉ-XÊÊÊÊÊ
DIAS! DIAS!
10 Razões pra pensar em Copa Internacional em 2006 Fábio Barbosa 1 - O maior
10 Razões pra pensar em
Copa Internacional em 2006
Fábio Barbosa
1 - O maior problema das equipes do Cam-
peonato Brasileiro (como em todo o fute-
bol mundial) é ataque. Uma equipe sem
ataque dificilmente consegue chegar longe em al-
guma competição. O Vasco possui um dos artilhei-
ros do campeonato (Alex Dias) e Romário o segue
de perto. Temos o quarto ataque mais positivo.
2 - Não sentimos mais a falta de um camisa 10. Com Morais e Fer-
nandinho, o ataque fica bem municiado, como podemos verificar
nos gols a favor.
3 - Uma defesa pode ser arrumada e corrigida no decorrer de um campe-
onato. Como é um setor que depende muito mais de colocação tática,
trabalho de treinador e treinamento do que a fina flor do talento (não
quero dizer a histórica frase de que “beque qualquer um serve”). Porém,
é natural que uma boa defesa dependa muito mais de fatores coletivos do
que somente o talento individual do atleta.
4 - O campeonato está “perde e ganha”. O próprio líder do campeona-
to tem 11 vitórias mas tem mais da metade em derrotas (6). No mo-
mento o último classificado pra Sul-Americana conseguiu apenas 50%
dos pontos disputados.
5 - Os salários estão em dia. Essa informação dispensa maiores co-
mentários.
6 - Comissão técnica e jogadores estão unidos. Esse é o princípio
fundamental para a formação do que se pode chamar de grupo. Dessa
forma o trabalho se desenvolverá muito mais rápido e com muito
mais qualidade.
7 - As condições de treinamento oferecidas pelo Vasco estão entre as
primeiras do Brasil. Com isso qualquer trabalho bem executado trará
conseqüências positivas rapidamente.
8 - A diretoria continua buscando reforços de qualidade para o setor de-
fensivo, que é o mais carente do time. Junto a um bom trabalho, solucio-
naremos esse problema rapidamente.
9 - A torcida acordou. Por causa da ameaça precoce de rebaixamento a
torcida resolveu se fazer presente. São Januário cheio, mesmo entre pro-
testos e incentivos, é São Januário cheio, repleto de vascaínos, como
uma grande corrente a favor e que mexe com os brios dos atletas.
10 - O Vasco é o time da virada!
no Rádio Segunda-feira - 20h - Rádio Bandeirantes AM 1360 kHz
no Rádio
Segunda-feira - 20h - Rádio
Bandeirantes AM 1360 kHz

O programa esportivo 101% vascaíno . Entrevistas exclusivas com jogadores, técnicos e dirigentes.

Apresentação: Eduardo Lopes

A oposição AO Vasco Eduardo Maganha D e alguns anos pra cá, o movimento de
A oposição AO Vasco
Eduardo Maganha
D e alguns anos pra cá, o movimento de
oposição do Vasco vem desenvolvendo
na imprensa um trabalho extremamen-
te nocivo ao clube. O objetivo é construir e sus-
tentar uma imagem negativa da instituição, fa-
zendo com que empresas desistam de assinar
parcerias ou patrocínios com o Vasco, inviabi-
lizando-o financeiramente.
A
tática utilizada é jogar no ventilador meias
verdades ou mentiras completas para a mídia divulgar, sempre di-
recionando o ataque à administração do presidente Eurico Miran-
da. Depois, na maior cara de pau, utilizam o discurso que "o Vasco
tem uma imagem negativa por causa do Eurico".
Esse CRIME contra o Vasco começa no campo político e acaba
enfraquecendo os cofres do clube, afetando seu desempenho espor-
tivo. A conseqüência desse trabalho de "assessoria de imprensa anti-
Vasco" prestado pela oposição é o verdadeiro responsável por não
termos patrocínios desde o ano 2000.
Mesmo com o grande mercado publicitário voltado para o estado
de São Paulo, a marca Vasco continua despertando interesse. Empre-
sas como a Volskwagen, Siemens, TIM, entre outras, chegaram a ne-
gociar patrocínios com o clube nos últimos meses. Mas sempre que o
contrato estava prestes a ser assinado, uma capa de jornal do O GLO-
BO, ou O DIA, ou LANCE, ou JB, se utilizando dos serviços prestados
pela oposição, afastava qualquer chance do acordo ser firmado.
Ano após ano, o Vasco vem tendo a maior ou uma das maiores
exposições de mídia do futebol brasileiro. Com isso, Diretores /
Superintendentes / Vice-Presidentes de Marketing de grandes em-
presas visualizam a oportunidade de anunciar suas marcas ou pro-
dutos na camisa cruzmaltina e procuram o Vasco. As negociações
seguem até a primeira bomba de notícia negativa ser lançada na
imprensa: “EURICO DEPÕE NA POLÍCIA FEDERAL”, “FRAUDE
NAS ELEIÇÕES DO VASCO”, ou “BALANÇO DO VASCO SOB IN-
VESTIGAÇÃO”.
Com isso, o tal responsável pela área de Marketing da potencial
patrocinadora pula fora. Mesmo que ele seja vascaíno, não tem co-
ragem de sentar na sua reunião de Diretoria e informar que está
fechando um negócio de meio milhão de reais por mês com um clu-
be que acaba de aparecer com manchetes garrafais sensacionalis-
tas nos jornais. Não importa se o que foi veiculado é verdade ou
mentira, pois o povo brasileiro não questiona o que sai na impren-
sa. Acredita e pronto!
A
turma da oposição, que diz querer tirar o clube dessa situação, é
justamente a responsável por inviabílizá-lo financeiramente. A ima-
gem negativa do Eurico foi criada pela Globo em 2001, mas é o movi-
mento de oposicionistas que teima em alimentá-la dia após dia. Com
isso, patrocínios não são fechados e o clube não tem dinheiro para
contratar 5 ou mais jogadores acima da média, sem poder repetir as
“Sele-Vasco´s” que o Eurico montou nas últimas décadas.
A
intenção dos oposicionistas é enfraquecer o Eurico ao máximo,
para derrotá-lo nas próximas eleições. Só que para enfraquecerem
o Eurico, eles vêm prejudicando o Vasco através da imprensa. Será
que nas eleições de 2006, a maioria do quadro social do Vasco vai
dar a presidência do clube para esse grupo oposicionista que traba-
lhou CONTRA O VASCO nos últimos anos? Será que esse é o prêmio
para qualquer um que decidir ficar repetindo mentiras na impren-
sa? Se a maioria dos sócios entender que essa oposição não é digna
da presidência do clube, será que o MUV vai partir para mais 3
anos de linchamento do Vasco na mídia?
Entendo, e até aceito, que essa gente não esteja disposta a colabo-
rar com o clube. Afinal, eles têm toda a liberdade para não querer
ajudar. Porém, não têm o direito de atrapalhar!
Um fenômeno chamado fidelidade João Carlos Nóbrega U m número recente causou surpresa. Ele foi
Um fenômeno chamado fidelidade
João Carlos Nóbrega
U m número recente causou surpresa.
Ele foi pouco divulgado porque não
atende aos interesses e objetivos de
quem deveria divulgar por obrigação profis-
sional. A pouca divulgação na imprensa con-
vencional vem acompanhada de susto. Aque-
les que se arriscaram a buscar respostas esta-
vam, em pouco tempo, envoltos com máqui-
nas de calcular e teorias sociológicas. Não é
tão simples explicar o sétimo lugar parcial do Vasco em média de
público no Brasileiro de 2005. É ainda mais difícil entender e
justificar que o Vasco esteja à frente de muitos dos "trens paga-
dores" cantados em prosa e verso pela mídia especializada.
No ano passado, bem como no ano retrasado, as teses multipli-
caram-se. Todas elas apontavam numa direção: “time ruim não
leva público, diretoria retrógrada não merece apoio, clube deca-
dente perde torcida”. Em nenhum momento foram levados em
consideração dois aspectos que, em combinação, poderiam dar
origem aos resultados fracos em relação à presença da torcida
vascaína nos jogos. A conseqüência disso é o esboço de mais um
“mico” da imprensa esportiva na análise afoita (e revanchista)
dos fatos.
O primeiro destes aspectos nunca considerado é elementar. Boa
parte do turno do Campeonato Brasileiro 2005 não teve rodadas
intermediárias. Tanto em 2004 quanto em 2003, o Vasco mandou
seus jogos no Rio de Janeiro preponderantemente nos meios de
semana, à noite. A influência disso numa cidade sitiada como
esta é inegável.
O outro aspecto é, de certa forma, conseqüência do primeiro.
Baratearam os ingressos. O futebol a um real, subsidiado pelo
Governo do Estado, não deixa de ser uma resposta sincera, um
mea culpa de quem é incapaz de garantir segurança ao cidadão
comum. Oferece-se, então, algo semelhante a um seguro de vida
onde a apólice vale nove reais. Com o ingresso a dez, ninguém
saía de casa. Com o ingresso a um, já vale o risco para muitos. Os
caminhos podem ser tortuosos, a estratégia populista, a visão
limitada, mas não se pode negar: surte efeito.
E assim, com jogos em fins de semana e parcela de ingressos a
um real, o Vasco desmonta, e é isso o que vale aqui, as teorias dos
sabichões. Os problemas não são “time ruim, diretoria retrógra-
da, clube decadente”. A paixão do verdadeiro torcedor impede
que ele se afaste do estádio por causa, apenas, de circunstâncias
passageiras. Afinal, amanhã as vitórias voltam e tudo passa a ser
maravilhoso novamente. Ao contrário, em tempos difíceis, mui-
tos se negam a abandonar a sua paixão, querem estar próximos,
como se esta proximidade fosse capaz de evitar a crise, o resulta-
do ruim, a queda na tabela. O que afasta o torcedor é o medo do
ônibus, do túnel, da blitz falsa, da bala perdida, do assalto e da
violência estúpida, exatamente no dia em que ele saiu de casa
para se divertir, possibilidade cada vez mais rara no Rio de Janei-
ro. E pagar para se arriscar só faz sentido, às vezes, se for pouco.
Trabalho de casa, portanto, para a imprensa esportiva: o time
do Vasco, que passou por seríssimas dificuldades no certame de
2005, dificuldades ainda maiores do que em 2003 e 2004, anos-
base das estatísticas dos "doutores", leva mais público ao está-
dio do que a maior parte dos grandes clubes brasileiros, muitos
deles em posição muito melhor na competição. Fator de comple-
xidade: mesmo levando torcida ao estádio, o Vasco é o segundo
na venda de pacotes de PPV, o que parece uma contradição. Fa-
vor explicar as informações supracitadas. Como o trabalho é de
casa e, conseqüentemente, é com consulta, segue a referência:
www2.uol.com.br/cbf/2005/brasileiro/doca/estatísticas.htm.

Fotogaleria

Vitor Pinheiro, Carolline e Camille (Kearny, New Jersey - EUA)
Vitor Pinheiro, Carolline e Camille (Kearny, New Jersey - EUA)
Thiago, Marisa, Fabiana e Rodrigo (Brasilia-DF)
Thiago, Marisa, Fabiana e Rodrigo (Brasilia-DF)
Marcos Júnior, Renta Assef e Gulherme - Natal-RN
Marcos Júnior, Renta Assef e Gulherme - Natal-RN
Dirigentes do futsal do Vasco com o artilheiro Felipe do futsal Mirim
Dirigentes do futsal do Vasco com o artilheiro Felipe
do futsal Mirim
Rafael Accacio (Vista Alegre-RJ)
Rafael Accacio (Vista Alegre-RJ)
Pai Santana, sempre presente em São Januário
Pai Santana, sempre presente em São Januário