Você está na página 1de 4

Como funciona o lobo-guará

Autor: Erli Costa

O lobo-guará é o maior canídeo (animal da família dos cães e dos lobos) da América do Sul, pode

ter até 1m de altura e pesar entre 20 e 30kg. Este animal é altivo, esguio e extremamente elegante. Apesar da aparência agressiva, que dá medo, ele tem mandíbulas fracas e não caça presas grandes. O lobo-guará é de uma rara beleza sendo considerado um dos mais belos mamíferos do cerrado brasileiro.

Embora não seja uma espécie exclusivamente brasileira é no Brasil que o lobo-guará tem a maior parte de sua população e a maior área de ocorrência.

A espécie está classificada pela União Internacional para a Natureza como “quase ameaçada” e como

“vulnerável” na lista do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis/Ministério do Meio Ambiente (Ibama/MMA). Vamos descobrir neste artigo porque o maior lobo da América do Sul está quase ameaçado de extinção. Você vai ver queele não é tão mau quanto pintam na história e não foi ele quem comeu a vovó da Chapeuzinho Vermelho. Características gerais

Moacir Silva Lobo-guará no Jardim Zoológico do Rio de Janeiro.

Moacir Silva Lobo-guará no Jardim Zoológico do Rio de Janeiro.

As patas do lobo-guará são longas e finas, seus pêlos longos são laranja-avermelhados e suas orelhas são grandes. Possui pêlos negros no dorso, no focinho e na metade inferior das patas. Tem branco na garganta, nas orelhas e na ponta da cauda. Seu corpo tem até 1,30 m de comprimento e sua cauda relativamente curta para um canídeo, mede até 40 cm.

Ficha Técnica

Ordem: Carnivora Família - Canidae Nome científico - Chrysocyon brachyurus (Illiger, 1815) Nomes comuns - Lobo-guará, lobo-de-crina, lobo-vermelho, aguará, aguaraçu, jaguaperi. Nome em inglês - Maned wolf Habitat - Cerrado, savana, pampas, pântanos e áreas semelhantes (paisagem campestre) Distribuição - América do Sul (Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai, Peru e Uruguai)

Longevidade - cerca de 15 anos

Maturidade - 1 ano

Período reprodutivo - abril-Junho

Gestação - cerca de 65 dias Nº de filhotes - de 1 a 5, sendo 2 o número médio.

Como o solitário lobo sul-americano se alimenta, vive e se reproduz

Autor: Erli Costa

Diferentemente dos lobos da América do Norte que têm características gregárias e vivem em matilhas, o lobo-guará vive, no máximo, em casais, principalmente na época do acasalamento. São animais tímidos

e solitários, que têm hábito noturno. Territorialistas, cada animal pode andar por áreas de 25 a 110 km² durante a noite em busca de alimento. Os animais marcam seus territórios com fezes e urina e se comunicam através de sonorização (uivos). Evitam a presença humana e

áreas urbanizadas. São animais monogâmicos estáveis e o encontro dos pares acontece apenas para o período de reprodução, entre os meses de abril a junho. A comunicação entre os indivíduos neste período ocorre através de uivos característicos dentro de seus territórios. Os filhotes do lobo-guará nascem entre junho e setembro. Nos primeiros dias após o nascimento dos filhotes a fêmea fica na toca amamentando-os e o macho é quem traz comida para a mãe. Os filhotes nascem pretos, com a ponta da cauda branca, geralmente dois por gestação (podendo chegar a cinco ou seis filhotes em casos mais raros). Eles pesam entre 340 gramas e 410 gramas e o crescimento é muito rápido. Em 10 semanas, a coloração já mudou e em 15 semanas eles já têm o tamanho de um lobo-guará adulto. São amamentados por cerca de quatro meses. Os jovens começam a se reproduzir com um ano de idade. Alimentação

Moacir Silva Lobo-guará no Jardim Zoológico do Rio de Janeiro.

Moacir Silva Lobo-guará no Jardim Zoológico do Rio de Janeiro.

Apesar do grande porte, os lobos-guará não caçam presas grandes. Suas mandíbulas são fracas e não servem para esta função. Estes animais são onívoros, têm um hábito alimentar bem variado. Eles se alimentam de

frutos tais como lobeira, manga, goiaba, mamão e banana; ovos, insetos, pequenos e médios vertebrados como ratos e tatus, aves terrícolas e pequenos répteis.

A dieta do lobo-guará pode variar bastante de um período do ano para outro, de acordo com a

disponibilidade dos itens que ele consome.

Principais ameaças ao lobo-guará

Autor: Erli Costa

Apesar de sua aparência de força e independência, o lobo-guará é um dos animais ameaçados de extinção no Brasil. Segundo De Paula et al. (2008), as principais ameaças que colocam este animal na lista de espécies ameaçadas são:

A destruição ou fragmentação do ambiente ocasionada pela expansão agrícola e urbana ou por incêndios acidentais reduz a qualidade das áreas de ocorrência do animal, provocando a redução de alimentos, de água e de áreas para proteção e abrigo. Além disto, as populações podem ficar muito isoladas, distantes umas das outras não havendo cruzamento entre animais de diferentes áreas. Isto pode provocar redução da diversidade genética e comprometer a sobrevivência da espécie.

O contato dos lobos-guarás com as comunidades humanas e com os animais domésticos é um aspecto não muito estudado. Este contato pode ser responsável pela transmissão de doenças desconhecidas para os lobos ou pela intoxicação dos animais com produtos agrícolas e venenos utilizados para exterminar pragas como ratos.

Atropelamentos, comércio ilegal e a caça, tanto esportiva quanto por motivos culturais, são outras ameaças à espécie. O lobo é visto como um caçador de galinhas e filhotes de outros animais domésticos. Sua pele é altamente valorizada em países como a Argentina e em algumas regiões seus olhos e sua cauda são usados como amuletos.

Moacir Silva Lobo-guará no Jardim Zoológico do Rio de Janeiro.

Moacir Silva Lobo-guará no Jardim Zoológico do Rio de Janeiro.

Ainda segundo de Paula et al. (2008), é importante que os países que têm o lobo-guará vivendo em seu território tenhampolíticas públicas direcionadas a conservação dos ambientes em que os lobos vivem. Além disto, há a necessidade de planos de ação que incentivem a pesquisa científica sobre a biologia geral e a ecologia da espécie e a educação ambiental. Segundo os mesmos autores, é o Brasil que tem o maior número de lobos-guará em seu território. Acredita-se que dos 25 mil indivíduos que existem no mundo cerca de 22 mil estejam em território brasileiro. Mesmo assim, a espécie é classificada na Lista Nacional das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção do IBAMA/MMA como vulnerável. Isto porque, segundo estudos científicos, há uma grande possibilidade de que o lobo-guará esteja extinto do ambiente natural em até 100 anos.

O papel de dispersor de sementes e outras curiosidades sobre o lobo-guará

Autor: Erli Costa

Algumas curiosidades sobre os lobos-guará.

O nome científico do lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) significa "cachorro dourado de rabo curto", do grego "chryso" (dourado) e "cyon" (cão), e do latim "brachy" (curto) e "urus" (cauda).

Quando se aproxima de fazendas e áreas agrícolas, o lobo-guará quase sempre é caçado e morto, porque os fazendeiros acreditam que ele é um insaciável devorador de galinhas. Na realidade, a cada galinha que o lobo-guará mata para se alimentar ele consome entre 50 a 70 ratos, o que ajuda no controle de

pragas. Além disto, a preferência alimentar deste animal é por frutos e animais pequenos, uma vez que ele não é dotado de mandíbulas poderosas. Estudos científicos já comprovaram que os frangos e galinhas entram na dieta do animal em apenas 0,1% a 1,9% das vezes, e, quase sempre, porque ele não encontra

outra opção

Não parece ser o lobo que está no lugar errado, mas o galinheiro

A dieta do lobo-guará é estudada através de coleta de fezes porque é muito difícil capturar os indivíduos ou acompanhá-los em seu ambiente natural. Os pesquisadores fazem um verdadeiro trabalho de Sherlock Holmes, tentando descobrir o que foi consumido pelo lobo através da análise dos restos que encontram em suas fezes.

O lobo-guará é considerado um dispersor de sementes, uma vez que ele consome muito frutos em sua alimentação. Depois de passarem pelo aparelho digestivo do lobo-guará as sementes são liberadas intactas pelas fezes e germinam. As sementes realmente fazem uma “viagem” dentro do aparelho digestivo do animal. Como ele se movimentam muito (às vezes mais de 100 km diários) as sementes são levadas de um lugar para o outro, o que chamamos de dispersão.