Educar com

ocoração
Artigo
Armando Ribeiro das Neves Neto
Parafraseando o filósofo Aristóte-
les, poderíamos dizer que “É fácil
(educar-se), todos são capazes disso,
mas não é absolutamente fácil e, sobre-
tudo, nem todos são capazes de (edu-
car-se) com a pessoa certa, na medida
certa, no modo certo, no momento cer-
to e por uma causa justa”. Recente-
mente, assisti à vinda do Prof. Eric
Mazur, de Harvard, para falar do mé-
todo de “instrução em pares”, porque
segundo ele os alunos da mais presti-
giada universidade do mundo sofrem
de desmotivação com os métodos de
ensino tradicionais, inclusive uma
pesquisa (desenvolvida pelo MIT -
Massachussets Institute of Technolo-
gy) aponta que muitos alunos dor-
mem mais nas aulas do que em seus
dormitórios! Como educador brasilei-
ro, suspeito que isso não seja um pro-
blema apenas de Harvard ou do MIT.
O que aprendemos na escola leva-
remos para a vida. Mas nossas institui-
ções ainda são voltadas na sua maioria
para o acúmulo de informações e da-
dos, uma instituição secular que de-
mora a se adaptar às novas demandas
do século 21.
Um levantamento da Fundação
Dom Cabral, realizada com 1,2 mil
profissionais de nível gerencial de em-
presas brasileiras, mostrou que aque-
les que ocupam cargos de liderança
são reconhecidos pelo QI (quociente
de inteligência), mas são vulneráveis
emocionalmente, ou seja, incompatí-
veis com os cargos que ocupam!
O psicólogo e pesquisador Daniel
Goleman é enfático ao pronunciar
que “as admissões acontecem pelo QI
e as demissões pela IE (inteligência
emocional)”.
Como professor do Instituto de
Ensino e Pesquisa Insper, considera-
do uma das melhores instituições de
negócios do país, em 2012 lancei-me
ao desafio de levar o cérebro e o cora-
ção para as aulas de Psicologia Aplica-
da à Administração. Sim, conhecer co-
mo o cérebro aprende se torna cada
vez mais essencial no mundo atual e
tambémcomo as emoções afetamnos-
sas decisões e a própria percepção da
realidade.
A minha experiência do ensino
centrado no aluno, com enfoque nas
neurociências e também da Psicolo-
gia Positiva, virou artigo no blog da
Harvard Business Review – Brasil.
Aprendemos que não basta mais sa-
ber apenas conceitos e definições,
pois educar, segundo o Dalai Lama, é
“ensinar primeiro ao coração e depois
ao cérebro...”, já que “as palavras só
têm sentido se nos ajudam a ver o
mundo melhor. Aprendemos pala-
vras para melhorar os olhos”, conclui
o escritor Rubem Alves.
Essas experiências em sala de aula
possibilitaram que eu falasse direta-
mente com mais de 2 mil educadores
emumevento internacional de educa-
ção, realizado em São Paulo (SP), Be-
lo Horizonte (MG) e Salvador (BA).
A educação atual adoece os professo-
res, inclusive com altos índices de es-
tresse ocupacional, depressão e bur-
nout. Ensinar é apenas facilitar a
aprender! Na era do conhecimento, a
única certeza que temos é que apren-
der a aprender é para a vida toda.
Como educadores centrados no
aluno, o objetivo principal deixa de
ser o conteúdo e passa a ser o desenvol-
vimento de habilidades e competên-
cias. Otreinamento das funções execu-
tivas do cérebro, que envolve desde a
prática da “atenção plena” até a
autorregulação das respostas emocio-
nais e da resiliência, prepara os alunos
para além das notas das provas e con-
cursos, mas para desenvolverem uma
vida cheia de sentido e propósito, pa-
ra aquilo que Aristóteles já denomina-
va de “eudaimonia”, ou seja, “cada
umé feliz na medida que faz e cumpre
a sua missão; a felicidade só resulta do
cultivo da virtude.” I
Armando Ribeiro das Neves Neto é
psicólogo, palestrante e educador.
Site: www.armandoribeiro.com
Aeducação baseada nas virtudes humanas e que promove
a inteligência emocional ainda é umgrande desafio
Quem é
DIÁRIO DA REGIÃO São José do Rio Preto, 4 de maio de 2014 / 3

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