Debate com Duguin - II

Olavo de Carvalho
6 de abril de 2011
“Prestad noblemente vuestro auxilio
a los que son los menos
contra los que son los más.”
(José ORTEG ! G""ET# $onsel%o & Juventude Es'an%ola(
) *. +ossas miss,es res'ectivas neste debate
) -. .a ar/umenta01o & 2o2oca 'ura e sim'les
) 3. O $ons4rcio
) 5. Por que o $ons4rcio dese6a o socialismo
) 7. .e que lado estou
) 8. 9ndividualismo e coletivismo
) :. O sentimento de solidariedade comunitária nos E;
) <. =aldades com'aradas
) >. Geo'ol?tica e @ist4ria
) *A. O verdadeiro a/ente %ist4rico 'or trás do eurasismo
§ 1. Nossas missões respectivas neste debate
A ciência política, como já afirmei, nasceu no instante em ue !lat"o e Arist#teles distin$uiram
entre o discurso dos a$entes políticos em conflito e o discurso do observador científico ue tenta
compreender o ue se passa entre eles% & certo ue com o tempo os a$entes políticos podem
aprender a usar certos instrumentos do discurso científico para seus pr#prios fins' ( certo
tamb(m ue o observador científico pode ter preferências pela política deste ou dauele a$ente%
)as isso n"o muda em nada a validade da distin*"o inicial+ o discurso do a$ente político visa a
produ,ir certas a*-es ue favore*am a sua vit#ria, o do observador científico, a obter uma vis"o
clara do ue está em jo$o, compreendendo os objetivos e meios de a*"o de cada um dos
a$entes, a situa*"o $eral onde a competi*"o se desenrola, uais seus desenvolvimentos mais
prováveis e ual o sentido dos acontecimentos no uadro mais amplo da e.istência humana%
A fun*"o do observador científico torna/se ainda mais distinta da dos a$entes uando ele n"o
uer nem pode tomar partido de nenhum deles e se mant(m 0 dist1ncia necessária para
descrever o uadro com o má.imo de realismo ao seu alcance%
2esde o início desta troca de mensa$ens com o prof% 2u$uin, procurei dei.ar claros estes dois
pontos+
1% 3le ( declaradamente um a$ente político, e toda a descri*"o ue apresenta do estado de
coisas ( determinada pelos objetivos práticos ue pretende alcan*ar% & natural, portanto, ue ele
veja o mundo dividido em dois, um lado bom e um lado mau, procurando an$ariar simpatias para
o lado ue ele considera bom e lan*ar contra o lado ue lhe parece mau a má.ima uantidade
de #dio ue se encontre disponível na pra*a%
2% )inha descri*"o do uadro, ao contrário, apresenta um mundo dividido entre três for*as
principais em disputa, nenhuma das uais conta com a mais mínima simpatia da minha parte,
embora, em termos de peri$o físico imediato para a esp(cie humana, uma delas já tenha
demonstrado uma superioridade arrasadora em face das outras duas% )atando em poucas
d(cadas um total apro.imado de 140 milh-es de pessoas, mais do ue todas as $uerras,
epidemias e catástrofes naturais de toda ordem haviam matado pelo menos desde o início da
3ra Crist", russos e chineses já provaram ter um $rau de truculência, de maldade, de
desrespeito pela vida humana, ue transcende as possibilidades do mais odiento homem/bomba
isl1mico ou do mais frio e mauiav(lico banueiro ocidental% 5sso ( um fato puro e simples, e
nem toda a ta$arelice eurasiana do mundo pode ameni,ar o esc1ndalo de duas hordas de
assassinos ue, em ve, de pa$ar pelos crimes ue cometeram contra seus pr#prios povos,
reivindicam a$ora, com ares de inocência, de santidade e at( de autoridade divina, uma chance
de ampliá/los em escala mundial% Apesar disso, as outras duas correntes $lobali,antes n"o me
parecem di$nas de maior admira*"o e respeito // no mínimo, no mínimo, por haverem se
acumpliciado ao $enocídio russo/chinês, um entre os anos 60 e 60, favorecendo com dinheiro a
$ranel e paternais concess-es diplomáticas a constru*"o das duas tiranias mais mortíferas de
todos os tempos, o outro a$ora mesmo, andando de m"o,inhas dadas, no 7#rum 8ocial )undial
e em toda parte, com os porta/vo,es ostensivos ou camuflados de uma ideolo$ia ue a sua
pr#pria reli$i"o condena%
As foto$rafias ue, a título de condensa*"o humorística, ane.ei 0 minha primeira mensa$em,
documentam toda a diferen*a entre o a$ente político investido de planos $lobais e meios de
a*"o em escala imperial e o observador científico n"o s# desprovido de uma coisa e da outra,
mas firmemente decidido a rejeitá/las e a viver sem elas at( o fim dos seus dias, já ue s"o
desnecessárias e inconvenientes 0 miss"o de vida ue ele escolheu e ue (, para ele, a 9nica
justificativa ra,oável da sua e.istência% :1;
§ 2. Da argumentação à fofoca pura e simples
3ssa assimetria dos pap(is respectivos do a$ente político e do observador científico reflete/se,
em se$uida, nas descri*-es ue ambos fa,em da situa*"o mundial, o primeiro desenhando/a
como uma luta entre o <em e o )al e, mui modestamente, reivindicando para si o papel de
encarna*"o do <em' o se$undo apresentando/a antes como uma disputa entre três males
pestíferos e n"o alimentando muitas ilus-es uanto ao ue da sua concorrência possa resultar
para a humanidade nas pr#.imas d(cadas%
=anto eu uanto o prof% 2u$uin estamos desempenhando nossas tarefas respectivas com o
má.imo de dedica*"o, seriedade e honestidade% )as essas tarefas n"o s"o a mesma% A dele (
recrutar soldados para a luta contra o Ocidente e a instaura*"o do 5mp(rio 3urasiano universal% A
minha ( tentar compreender a situa*"o política do mundo para ue eu e meus leitores n"o
sejamos redu,idos 0 condi*"o de ce$os em tiroteio no meio do combate $lobal' para ue n"o
sejamos arrastados pela vora$em da >ist#ria como folhas na tempestade, sem saber de onde
viemos nem para onde somos levados%
A diferen*a entre as miss-es ue nos propusemos determina a dos meios intelectuais e verbais
usados nas nossas respectivas e.posi*-es% 3le empre$a todos os instrumentos usuais da
propa$anda política+ a simplifica*"o maniueísta, a rotula*"o infamante, as insinua*-es p(rfidas,
a indi$na*"o fin$ida do culpado ue se fa, de santo e, last not least, a constru*"o do $rande
mito soreliano ? ou profecia auto/reali,ável ?, ue, simulando descrever a realidade, er$ue no ar
um símbolo a$lutinador na esperan*a de ue, pela ades"o da plat(ia em massa, o falso venha a
se tornar verdadeiro% 3u, da minha parte, tudo o ue posso fa,er ( usar os meios de
esclarecimento analítico criados pela filosofia ao lon$o dos milênios ? a come*ar pela pr#pria
distin*"o entre os discursos do a$ente e do observador ?, aplicando/os a uma multid"o de fatos
colhidos nas mais variadas fontes, inclusive remotas e mal conhecidas do p9blico, e n"o nas da
mídia popular, ue refletem antes o esfor*o persuasivo e manipulat#rio de um dos a$entes do
ue um intuito s(rio de apreender a realidade% @"o ( coincidência ue o meu oponente apele
sobretudo 0 credibilidade dessa mídia, jo$ando com o poder ma$n(tico dos lu$ares/comuns
consa$rados ? Ao mundo unipolarB, Aa a$ressividade americanaB, Ao imperialismoB, a Aanaruia do
livre mercadoB, Ao individualismoB etc% ?, sem reparar em dois detalhes+ C1D 3sses topoi s"o
postos em circula*"o pela mesma mídia pertencente 0 elite $lobalista ocidental, e ao usá/los
como bases do seu esfor*o persuasivo o prof% 2u$uin aceita como jui, supremo da realidade
auele mesmo inimi$o ue ele pr#prio rotula de ori$em do mal e pai da mentira% C2D Ao respaldar
o seu anti/americanismo no da mídia $lobalista, ele milita implicitamente, mas com a veemência
e.plosiva das contradi*-es reprimidas, contra a sua ale$a*"o e.plícita Ca ual comentarei mais
adianteD de ue $lobalismo ( americanismo, de ue o objetivo da elite $lobal ( aumentar o poder
e a $l#ria dos 3EA%
@"o di$o, ( claro, ue o prof% 2u$uin seja desonesto% )as ele está se devotando honestamente
a um tipo de combate ue, por defini*"o e desde ue o mundo ( mundo, ( a encarna*"o da
desonestidade por e.celência% 3m vista disso, n"o ( de estranhar ue ele tente remanejar a
pr#pria situa*"o de debate para for*á/la a tomar partido dele no $rande combate tal como ele o
concebe%
!ara tanto, ele tem de falsificar, em primeiríssimo lu$ar, a posi*"o do seu contendor, fa,endo de
mim o porta/vo, e adepto do $lobalismo ocidental, contra o ual, n"o obstante, tenho escrito
pá$inas e mais pá$inas na mídia brasileira, ao ponto de ser acusado, por isso, de Ate#rico da
conspira*"oB, o r#tulo infamante padroni,ado ue a elite $lobalista usa com mais freFência para
intimidar os ue ousem investi$á/la%
@"o contente com isso, ele tem de jo$ar contra mim a hostilidade de meus compatriotas,
insinuando ue, por morar nos 3EA e ter escrito al$umas coisas em favor do conservadorismo
americano, sou al$o assim como um traidor da pátria%
Gejamos como ele reali,a esse tour de force+
“...a mérica Batina e o Crasil em 'articular# tDm al/umas di2eren0as sociais e culturais em
rela01o &s sociedades e culturas euro'éias ou norteEamericanas. +o caso do Pro2. $arval%o# o
2ato de que ele viva nos E;# tem um 'a'el im'ortante. +1o di/o sua residDncia /eo/rá2ica#
mas sua identi2ica01o cultural. 9sso é con2irmado 'elos textos do Pro2. $arval%o que conse/ui ler.
Eles testemun%am sua ades1o & tradi01o norte americana (em sua vers1o “tradicionalista” ou de
“direita”( e sua distFncia das 'rinci'ais caracter?sticas da atitude cultural cr?tica brasileira 'ara
com os Estados ;nidos. Estando 'oliticamente & direita# eu su'on%o que o Pro2. $arval%o
re'reenda o “esquerdismo” latino e brasileiro. =in%a sim'atia nesse caso está do lado da
mérica Batina. "endo eu um cr?tico dos E; e da $iviliGa01o Ocidental como um todo# eu
encontro caracter?sticas (eurasianas( nas sociedades da mérica $entral e do "ul. Portanto# de
certa 2orma# eu sou muito mais 'r4ECrasil do que o Hbrasileiro 'uroI Pro2. $arval%o que de2ende
certos as'ectos (conservadores( dos E; e o Ocidente como um todo.”
3sse pará$rafo ( de uma incoerência ma$istral% 8e o ue importa n"o ( minha Aresidência
$eo$ráficaB e sim minha Aidentifica*"o culturalB, o fato de eu viver nos 3EA ou na H1mbia n"o
pode fa,er aí a menor diferen*a% 3 se o prof% 2u$in menciona o meu local de residência ao
mesmo tempo ue afirma ue n"o ( disso ue se trata, para ue serve ent"o essa men*"oI
8erve apenas como e.cipiente para a insinua*"o venenosa ue vem em se$uida+ por ser t"o
anti/americano uanto a esuerda brasileira, ele seria Amuito mais pr#/<rasilB do ue eu, como
se o esuerdismo ue vi$ora no <rasil fosse a mais pura e.press"o da cultura patri#tica e n"o o
en.erto importado ue realmente (% Ao ualificar o esuerdismo brasileiro de AeurasianoB o prof%
2u$uin mostra, ademais, n"o saber praticamente nada da situa*"o brasileira% Juem uer ue
tenha acompanhado as $randes mudan*as na política econKmica, jurídica e cultural do <rasil
nos 9ltimos vinte anos, sabe ue todas elas vieram prontas das centrais $lobalistas ? O@E,
O)8, E@38CO, <ilderber$, LocMefeller, 7unda*"o 7ord, Neor$e 8oros, etc% 3m política
econKmica, os 9ltimos $overnos brasileiros nada mais fi,eram ue se$uir fielmente as instru*-es
do <anco )undial% @o campo da sa9de, todas as reformas adotadas foram recomenda*-es
e.pressas da O)8% Os princípios Apoliticamente corretosB impostos pelo $overno a toda a
sociedade brasileira foram impostos a esse $overno, por sua ve,, pela O@E e pelas funda*-es
bilionárias% 3 nem preciso mencionar a ale$ria obscena com ue o $overno Oula cedeu at(
mesmo partes do territ#rio brasileiro 0 administra*"o internacional, contra a vontade e.pressa da
popula*"o local% =udo isso ( arui/sabido no <rasil, mas as notícias parecem n"o ter che$ado 0
L9ssia%
Jue t"o abjeta subserviência venha acompanhada de demonstra*-es histriKnicas de anti/
americanismo ( a prova mais evidente de ue se pode estar contra os 3EA e a favor da elite
$lobalista ao mesmo tempo% Como haveria de ser de outro modo, se desde há meio s(culo o
anti/americanismo mundial ( amplamente financiado por essa mesma eliteI
8e o prof% 2u$in me citar um 9nico projeto de lei aprovado no <rasil, ao lon$o dos 9ltimos vinte
anos, ue tenha sido inspirado por ele e n"o por al$um LocMefeller ou 8oros, admitirei ue o
<rasil ( AeurasianoB%
8ua ale$a*"o de ser Amais pr#/<rasilB do ue eu ( apenas uma fofoca, uma tentativa pueril de
jo$ar contra mim os meus compatriotas, pintando/me como americanista e anti/brasileiro% @a
verdade, tenho sido, na $rande mídia brasileira praticamente o 9nico colunista a protestar contra
a prepotência $lobalista ue se considera dona do nosso territ#rio%
@"o hesito em di,er ue nas 9ltimas d(cadas o nacionalismo brasileiro, de nobre tradi*"o, se
de$radou ao ponto de transformar/se num anti/americanismo histriKnico usado para encobrir o
sacrifício da soberania nacional 0s e.i$ências do $lobalismo% @esse sentido, o prof% 2u$in está
do lado de um <rasil de papier mach(, enuanto eu, com os modestos instrumentos de ue
disponho, me incumbo de defender a pátria real contra inimi$os de carne e osso%
8e, por um lado, ele fin$e minimi,ar a import1ncia do meu local de residência, ao mesmo tempo
em ue o enfati,a para insinuar ue sou um americanista anti/brasileiro, s# tenho a declarar ue
a contradi*"o mesma do seu discurso nesse ponto revela auele jo$o de esconde/esconde,
típico da rotula*"o dema$#$ica% 2evo lembrar ao prof% 2u$in ue o fundador mesmo do
@acional/<olchevismo, 3duard Oimonov, morou nos 3EA at( por mais tempo do ue eu' ademais
escreveu um romance ue se passa nos 3EA% !or ue, no caso dele, n"o vale o mesmo crit(rio
de Aidentifica*"o culturalB usado para mimI Ap#s ter confundido posi*"o social e cren*a
ideol#$ica, o prof% 2u$uin confunde esta com residência $eo$ráfica, 0 ual, ao mesmo tempo e
parado.almente, ne$a toda import1ncia% 8eria bom se ele decidisse por ual meio planeja
ueimar a minha reputa*"o+ apelando a duas insinua*-es contradit#rias ele s# mostra a
vacila*"o característica do fofoueiro tímido ue di, o mal e ao mesmo tempo jura n"o estar
di,endo nada% @"o tomo nada disso como ofensa ? n"o conhe*o alma mais lenta em ofender/se
do ue a minha ?, apenas jul$o ue o problema ue estamos discutindo já ( complicado o
bastante sem essas fintas e rodeios ue s# servem para confundir os leitores%
=amb(m n"o fa, sentido pintar/me como defensor do AOcidente como um todoB, uando estou
justamente enfati,ando a divis"o desse Ocidente e, nela, tomando partido dos ue n"o detêm no
momento o poder de 3stado nem nos 3EA nem na 3uropa% 8e dissesse ue defendo metade do
Ocidente contra a outra metade e ue acuso esta 9ltima de cumplicidade com o eurasismo, o
prof% 2u$in estaria mais pr#.imo da verdade% :2;
§ . ! "ons#rcio
8e falsifica at( mesmo a identidade do seu contendor neste debate, com uanto mais empenho
n"o o fará o prof% 2u$uin com a da sua bête noire, o $lobalismo ocidental, ue ele procura
deliberadamente confundir com o poder nacional americanoI
A elite $lobalista n"o ( apenas uma va$a classe social de capitalistas e banueiros% & uma
entidade or$ani,ada, com e.istência contínua há mais de um s(culo, ue se re9ne
periodicamente para asse$urar a unidade dos seus planos e a continuidade da sua e.ecu*"o,
com a min9cia e a precis"o científica com ue um en$enheiro controla a transmuta*"o do seu
projeto em edifício%
A e.press"o mesma Aelite $lobalB, ue tenho usado, n"o dá uma id(ia e.ata da nature,a dessa
entidade% )uito melhor ( o nome su$erido no título do livro de @icholas >a$$er, =he 8Pndicate%
:6; 8# n"o a copio ipsis litteris porue sua euivalente brasileira denota or$ani,a*-es
trabalhistas, ue em in$lês n"o se chamam AsindicatosB e sim unions, enuanto 8Pndicate se usa
mais para associa*-es comerciais e patronais, dando o sentido preciso do ue >a$$er pretende
di,er% Contorno portanto essa dificuldade adotando o termo ACons#rcioB, ue será usado daui
por diante%
O Cons#rcio ( a or$ani,a*"o de $randes capitalistas e banueiros internacionais, empenhados
em instaurar uma ditadura mundial socialista Cjá veremos por ue socialistaD% 8"o tantos os
documentos e estudos ue descrevem meticulosamente sua ori$em, sua hist#ria, sua
constitui*"o e modus operandi, ue nenhuma desculpa se pode admitir para o desconhecimento
da mat(ria, sobretudo em pessoas ue pretendem opinar a respeito% @"o, isto n"o ( uma
insinua*"o contra o prof% 2u$uin% 3le está perfeitamente informado a respeito, e se erra nas
conclus-es ue emite n"o ( por i$nor1ncia, ( porue a índole essencialmente belicosa do seu
enfoue o impele a dividir o panorama em duas metades simetricamente opostas, falsificando o
uadro todo e mandando para o limbo da ine.istência todos os fatos ue impu$nam essa
simplifica*"o maniueísta%
="o abundante ( a biblio$rafia sobre o Cons#rcio, ue toda tentativa de resumi/la aui seria v"%
8# o ue cabe fa,er ( indicar al$uns títulos essenciais, ue o leitor citados aui e ali ao lon$o
desta e.posi*"o, e destacar al$uns pontos indispensáveis 0 compreens"o deste debate+
1% O Cons#rcio formou/se há mais de cem anos, por iniciativa dos Lothschild, uma família
multipolar, com ramifica*-es na 5n$laterra, na 7ran*a e na Alemanha desde o s(culo QG555 pelo
menos%
2% O Cons#rcio re9ne al$umas centenas de famílias bilionárias para a consecu*"o de planos
$lobais ue asse$urem a continuidade e e.pans"o do seu poder sobre todo o orbe terrestre%
3sses planos s"o de lon$uíssimo pra,o, transcendendo o tempo de dura*"o das vidas dos
membros individuais da or$ani,a*"o e mesmo o da e.istência hist#rica de muitos 3stados e
na*-es envolvidos no processo%
6% O Cons#rcio ( uma or$ani,a*"o dinástica, cuja continuidade de a*"o ( asse$urada pela
sucess"o de pais a filhos desde há muitas $era*-es% Geremos adiante CR S, ANeopolítica e
>ist#riaBD ue esse tipo de continuidade ( o fator ue distin$ue entre os verdadeiros sujeitos
a$entes do processo hist#rico e as forma*-es aparentes, veneráveis o uanto sejam, ue se
a$itam na superfície das (pocas como sombras chinesas projetadas na parede%
4% O Cons#rcio atua por meio de uma multiplicidade de or$ani,a*-es subsidiárias espalhadas
pelo mundo todo, como por e.emplo o Nrupo <ilderber$ ou o Council on 7orei$n Lelations, mas
n"o tem ele pr#prio uma identidade jurídica% 5sso ( uma condi*"o essencial para a sua atua*"o
no mundo, permitindo/lhe comandar inumeráveis processos políticos, econKmicos, culturais e
militares sem poder jamais ser responsabili,ado diretamente pelos resultados Cou pela iniFidade
dos meiosD, seja ante os tribunais, seja ante o jul$amento da opini"o p9blica% =endo a$entes
fidelíssimos espalhados em vários $overnos ? e no comando de al$uns deles ?, ( sobre esses
$overnos ue recai, no debate p9blico, a responsabilidade pelas decis-es e a*-es do Cons#rcio,
fa,endo com ue os 3stados e na*-es usados como seus instrumentos se tornem tamb(m,
automaticamente e sem a menor dificuldade, seus bodes e.piat#rios% & esta a e.plica*"o de ue
tantas decis-es políticas manifestamente contrárias aos interesses e at( 0 sobrevivência das
na*-es envolvidas sejam depois, parado.almente, atribuídas a ambi*-es nacionalistas e
imperialistas fundadas no Ainteresse nacionalB% Os e.emplos hist#ricos s"o muitos, mas, para
ficarmos no presente, basta notar ue o presidente Obama, not#rio servidor do Cons#rcio,
$astou em apenas uma semana T00 milh-es de d#lares num esfor*o de $uerra destinado a
entre$ar o $overno da Oíbia a fac*-es políticas declaradamente anti/americanas, podendo ser
ent"o acusado de imposi*"o tir1nica do poder americano no instante mesmo em ue debilita
esse poder e o p-e a servi*o de seus inimi$os, tornando/se alvo da f9ria Aanti/imperialistaB
destes 9ltimos no ato mesmo de ajudá/los paternalmente a demolir a for*a e o prestí$io dos
3EA% @"o fe, outra coisa o presidente OPndon Uohnson uando enviou os soldados americanos
0 $uerra ao mesmo tempo ue lhes amarrava as m"os para ue n"o pudessem vencê/la de
maneira al$uma, tornando/se assim, ante a mídia de esuerda, o supremo a$ressor imperialista,
uando era na verdade o melhor ami$o secreto dos vietcon$ues% )esmíssima des$ra*a
produ,iu o presidente Clinton uando, ao fornecer ajuda 0 ColKmbia para ue combatesse o
com(rcio de dro$as, impKs como condi*"o para isso ue Aas or$ani,a*-es políticasB envolvidas
no narcotráfico fossem dei.adas inc#lumes+ o narcotráfico n"o diminuiu, apenas seu controle foi
transferido das uadrilhas apolíticas para as 7arc, ue, enriuecidas e livres de concorrentes,
puderam ent"o financiar a constru*"o do 7oro de 8"o !aulo e a transforma*"o da Am(rica
Oatina uase inteira numa fortale,a do anti/americanismo militante% 2uplamente presenteada, a
esuerda latino/americana pKde assim beneficiar/se de um fabuloso acr(scimo de poder e ao
mesmo tempo protestar, com ares de indi$na*"o, contra a Ainterven*"o imperialistaB 0 ual
deviam o mais $eneroso dos favores% Os e.emplos poderiam multiplicar/se ad infinitum% :4; 3sse
( o modo de a*"o característico do Cons#rcio+ usar os $overnos como instrumentos de planos
ue prejudicam as suas na*-es, e depois ainda acusá/los de prepotência nacionalista e
imperialista%
T% O Cons#rcio ( uma entidade característicamente supra/nacional, formada de famílias de
nacionalidades diversas, independente e soberana em face de ualuer interesse nacional
possível e ima$inável% Em breve e.ame da lista dessas famílias basta para demonstrá/lo com
evidência sobrante% 8upor ue os Onassis, os 2upont, os A$nelli, os 8chiff, os Varbur$, os
Lothschild, o príncipe <ernhard e a rainha <eatri. da >olanda, o rei Uuan Carlos da 3spanha, o
rei >arald G da @orue$a sejam todos patriotas americanos, empenhados em e.altar o poder e a
$l#ria dos 3EA, ( uma hip#tese t"o boba, t"o pueril ue nem merece discuss"o% A identifica*"o
do poder $lobalista com o interesse nacional americano ? como outrora com o 5mp(rio <rit1nico
ou variados colonialismos ? ( apenas a camufla$em de pra.e com ue essa entidade
onipresente confere a si pr#pria as vanta$ens e confortos de uma relativa invisibilidade, batendo
e roubando com m"o alheia para n"o ueimar os dedos nas fo$ueiras ue vai ateando pelo
mundo Ce contando, para isso, com a colabora*"o servil da mídia internacional, ue pertence a
membros do pr#prio Cons#rcioD%
§ $. %or &ue o "ons#rcio dese'a o socialismo
=oda a biblio$rafia e.istente sobre o Cons#rcio atesta ue o objetivo dele ( a instaura*"o de uma
ditadura socialista mundial% )as pessoas ue desconhecem essa biblio$rafia, e ademais est"o
acostumadas a raciocinar com base nos si$nificados usuais das palavras, sem ter em conta a
tens"o dial(tica entre estas e os objetos reais ue desi$nam, encontram uma dificuldade
medonha em entender ue capitalistas e banueiros possam desejar o socialismo% Afinal,
socialismo n"o ( propriedade estatal dos meios de produ*"oI Capitalismo n"o ( propriedade
privadaI Como haveriam os capitalistas de uerer ue o 3stado tomasse suas propriedadesI
<aseadas nesse mimoso raciocínio, ue um pro$rama de computador faria t"o bem uanto elas
se alimentado com as defini*-es dos termos respectivos, auelas criaturas ent"o ne$am ue o
Cons#rcio e.ista ou afirmam resolutamente ue ele ( pr#/capitalista, anticomunista,
americanista, anti/russo, antichinês e anti/isl1mico% 7eito isso, est"o prontas para admitir ue a
divis"o do mundo tal como a delineia o prof% 2u$uin ( a pura e.press"o da realidade%
@o entanto, a t(cnica filos#fica milenar, ue auelas pessoas desconhecem por completo, ensina
ue as defini*-es de termos e.pressam apenas essências $erais abstratas, possibilidades
l#$icas e n"o realidades% 2e uma defini*"o n"o se pode jamais dedu,ir ue a coisa definida
e.iste% !ara isso ( preciso uebrar a casca da defini*"o e analisar as condi*-es reueridas para
a e.istência da coisa% Caso essas condi*-es n"o se revelem autocontradit#rias, e.cluindo in
limine a possibilidade da e.istência, ainda assim essa e.istência n"o estará provada% 8erá
preciso, para che$ar a tanto, colher no mundo da e.periência dados factuais ue n"o somente a
comprovem, mas ue confirmem sua plena concord1ncia com a essência definida, e.cluindo a
possibilidade de ue se trate de outra coisa bem diversa, coincidente com auela t"o/somente
em aparência%
Juem uer ue tente fa,er isso com a defini*"o de AsocialismoB che$ará a conclus-es ue, para
o raciocinador mec1nico e leitor devoto da mídia popular, parecer"o chocantes e aterradoras%
2esde lo$o, ue ( Apropriedade dos meios de produ*"oBI @"o ( mera posse, ( propriedade
le$al, ( reconhecimento, pela autoridade estatal le$ítima, do direito ue o proprietário tem de
dispor da sua propriedade como bem entenda, dentro, ( claro, dos limites da lei% A!ropriedade
privada dos meios de produ*"oB si$nifica ue o 3stado $arante esse direito a cidad"os
particulares ricos o bastante para ter uma fábrica, uma fa,enda, um banco ? os chamados
Abur$uesesB' Apropriedade estatal dos meios de produ*"oB si$nifica ue o $arante somente para
si mesmo, depenando os bur$ueses%
Acontece ue, desde o ponto de vista do mar.ismo, ue criou esses termos e a interpreta*"o
correspondente, a no*"o mesma de Apropriedade le$alB ( uma invencionice bur$uesa destinada
a encobrir a crua e brutal domina*"o de classe% O mundo inteiro das constitui*-es, leis e
decretos (, se$undo o mar.ismo, uma Asuperestrutura ideol#$icaB ue n"o fa, nenhum sentido
em si mesma e s# se e.plica como adorno en$anoso usado para le$itimar a e.plora*"o dos
pobres pelos ricos% !or trás da id(ia de Apropriedade le$alB ( preciso portanto investi$ar e
descobrir as condi*-es de controle real, prático ? a estrutura de poder, em suma% O bur$uês n"o
det(m o controle dos meios de produ*"o por ter Adireito le$alB a eles, mas por ter a seu servi*o
todo um aparato de repress"o, intimida*"o, mar$inali,a*"o e at( liuida*"o física de uem
ponha a sua propriedade em risco, real ou hipoteticamente% A estrutura do poder ? a ordem do
terror ? ( a realidade por trás da camufla$em le$al%
5sso uer di,er, desde lo$o, ue a passa$em do controle dos meios de produ*"o, da classe
bur$uesa para a van$uarda revolucionária, n"o pode jamais, em hip#tese al$uma, ser uma
transferência le$al de propriedade% 3ssa transferência pressuporia a e.istência de uma ordem
le$al ue a le$itimasse, e a revolu*"o socialista n"o pode destruir somente a propriedade
privada+ tem de ne$ar e destruir a ordem le$al inteira% !ior+ ao criar a nova ordem le$al ue a
substitui, n"o pode, como os bur$ueses, fin$ir acreditar ue ela ( uma realidade em si% =em de
admitir francamente, ostensivamente, ue n"o se trata de uma ordem le$al, mas do poder nu e
cru da for*a revolucionária% @o socialismo, n"o há ordem le$al acima do poder do !artido% 5sso
n"o s# ( assim na realidade, mas os socialistas revolucionários têm or$ulho em proclamar ue (
assim%
Ademais, no conte.to bur$uês, a propriedade implica al$uma responsabilidade le$al% O
proprietário capitalista responde ante a autoridade estatal pelo mau uso ue fa*a da sua
propriedade ? sen"o contra os proletários, ao menos contra os outros bur$ueses% )as ante
uem há de responder uma autoridade ue está acima da pr#pria ordem le$alI O $overno
revolucionário n"o pode ser um AproprietárioB no sentido em ue o eram os bur$ueses% 3stes
eram proprietários para a ordem le$al, $arantidos por ela e responsáveis diante dela% O $overno
socialista n"o ( um proprietário+ ( um controlador absoluto, independentemente e acima de
ualuer ordem le$al%
)uitas d(cadas atrás os maiores c(rebros do campo socialista já perceberam ue isso os
colocava diante de uma escolha incontornável+ ou criavam lo$o uma ditadura implacável,
totalitária, san$renta, da ual n"o poderiam se livrar jamais e ue acabaria por mandar ao
cárcere ou ao pelot"o de fu,ilamento os revolucionários mesmos, como de fato veio a acontecer
em todos os lu$ares onde se optou por essa alternativa' :T; ou, ao contrário, seria preciso
implantar o socialismo por m(todos $raduais e incruentos, usando como instrumento o pr#prio
aparato jurídico/político da sociedade bur$uesa e conservando, na medida do possível, a uota
mínima de direitos e responsabilidades le$ais necessária para prote$er, se n"o a popula*"o em
$eral, ao menos a pr#pria elite revolucionária%
Jual dessas vias foi escolhidaI As duas, apenas com uma distin*"o territorial+ nas áreas onde
fosse possível tomar o poder pela violência, a ditadura era a 9nica via admissível' nos demais
países, era preciso promover a ascens"o pro$ressiva do controle estatal da economia, sem fa,er
do 3stado o proprietário le$al direto dos meios de produ*"o, o ue o tornaria sujeito a
responsabilidades jurídicas e cobran*as ue poderiam retardar e obstaculi,ar a pr#pria
caminhada rumo ao socialismo%
@ote/se, portanto, ue em nenhum dos dois casos se tratava de Apropriedade estatal dos meios
de produ*"oB% @a ditadura socialista, havia o controle brutal, direto, imune 0s responsabilidades
le$ais de um proprietário% O pr#prio Warl )ar. chamara a isso Acapitalismo cruB ? al$o muito mais
cruel e arbitrário do ue auilo ue mais tarde receberia o r#tulo de Acapitalismo selva$emB% @os
demais países, onde vi$orasse a estrat($ia ApacíficaB, o 3stado se esuivava das
responsabilidades diretas de um proprietário, ao mesmo tempo ue subju$ava os proprietários
le$ais por meio de controles fiscais, trabalhistas, sanitários, t(cnicos etc%, at( o ponto em ue os
capitalistas se tornariam simples $erentes a servi*o do 3stado, arcando, ao mesmo tempo, com
as responsabilidades le$ais 0s uais o 3stado se furtava% Warl )ar. previra tamb(m essa
possibilidade, ao ensinar ue a transi*"o da propriedade da bur$uesia para o 3stado devia ser
lenta e $radual, efetuando/se atrav(s de instrumentos indiretos como o imposto de renda
pro$ressivo%
Apesar de conflitos esporádicos, as duas estrat($ias sempre trabalharam em sentido
conver$ente% A colabora*"o foi t"o estreita ue a 8ociedade 7abiana, a encarna*"o má.ima da
Avia pacífica para o socialismoB no Ocidente, recebia instru*-es diretamente do $overno
sovi(tico, no momento mesmo em ue este, na L9ssia, implantava a ferro e fo$o a estati,a*"o
militari,ada dos meios de produ*"o%
Com o tempo, por(m, os adeptos da estrat($ia radical tiveram ue acabar concordando ue o
crescimento e aperfei*oamento do aparato estatal moderno de controle social e econKmico ? sob
a inspira*"o, aliás, do pr#prio socialismo ? tornava inviável a tomada do poder por via
insurrecional% 2aí por diante s# eram possíveis as Arevolu*-es desde cimaB ? as revolu*-es
diri$idas pelo pr#prio 3stado, por via administrativa, le$al, fiscal e policial%
Ademais, a estati,a*"o completa dos meios de produ*"o mostrou/se inviável, n"o s# na prática
como at( na teoria% 3m 1S22 o economista OudXi$ von )ises e.plicou ue, eliminado o livre
mercado, todos os pre*os teriam de ser determinados pelo 3stado% )as, de um lado, o n9mero
de produtos em circula*"o a ualuer momento era $rande demais para ue um #r$"o estatal
pudesse calcular seus pre*os antecipadamente% 2e outro lado, para controlar os pre*os o
$overno precisaria tamb(m ter o conhecimento antecipado de todos os recursos financeiros 0
disposi*"o do p9blico em cada momento% 3m suma+ o controle dos pre*os subentendia o
controle total da economia, ue por sua ve, tinha de come*ar pelo controle dos pre*os% 8# uma
inteli$ência divina poderia superar esse círculo vicioso% 8endo impossível o controle dos pre*os,
n"o havia controle $eral da economia, portanto n"o havia socialismo nenhum% O má.imo ue se
conse$uiria fa,er seria um socialismo nominal, com uma vasta liberdade residual de mercado
ue n"o poderia ser e.tinta nunca% 3mbora uns poucos te#ricos do socialismo estrilassem, como
por e.emplo 3duard Wardelj, ministro da 3conomia da 5u$oslávia, a maioria, rosnando entre
dentes, admitiu ue von )ises tinha ra,"o% At( o fim, todas as economias comunistas do mundo
tiveram de suportar um capitalismo clandestino ue acabou por se revelar uma condi*"o sine
ua non da sobrevivência do re$ime%
2aí, duas conseFências decorriam incontornavelmente+
1D O socialismo dei.ava de ser um Are$imeB, um Aestado de coisasB para se tornar um AprocessoB%
@"o havia um A3stado socialistaB a ser atin$ido de uma ve, para sempre, mas apenas um
A3stado sociali,anteB condenado a apro.imar/se do socialismo sem jamais alcan*á/lo, como
numa assíntota% =odos os 3stados socialistas ue já e.istiram foram assim, e os ue vierem a
e.istir ser"o assim eternamente% A defini*"o do socialismo como propriedade estatal dos meios
de produ*"o ( autocontradit#ria, e toda tentativa de reali,ar na prática uma teoria
autocontradit#ria acaba por $erar contradi*-es reais insol9veis% Conclus"oI O ue se acaba
reali,ando ( al$uma coisa de bem diferente do ue estava definido de início% =al ( a dial(tica
fatal das rela*-es entre pensamento e realidade% Os belos raciocinadores mec1nicos ue
mencionei no início deste pará$rafo n"o v"o entender isso nunca%
2D Y medida ue os controles estatais iam crescendo em n9mero e comple.idade, as peuenas
empresas n"o tinham recursos financeiros para atendê/los e acabavam falindo ou sendo
vendidas a empresas maiores ? cada ve, maiores% Lesultado+ o AsocialismoB tornou/se a mera
alian*a entre o $overno e o $rande capital, num processo de centrali,a*"o do poder econKmico
ue favorece a ambos os s#cios e n"o arrisca jamais desembocar na completa estati,a*"o dos
meios de produ*"o%
Os $randes beneficiários dessa situa*"o s"o, de um lado, as elites intelectuais e políticas de
esuerda' de outro, aueles a uem chamei AmetacapitalistasB+ capitalistas ue enriueceram de
tal modo no re$ime de liberdade econKmica ue já n"o podem continuar se submetendo 0s
flutua*-es do mercado+
A8e o sistema medieval havia durado de, s(culos, o absolutismo n"o durou mais de três% )enos
ainda durará o reinado da bur$uesia liberal% Em s(culo de liberdade econKmica e política foi
suficiente para tornar al$uns capitalistas t"o formidavelmente ricos ue eles já n"o uerem
submeter/se 0s veleidades do mercado ue os enriueceu% Juerem controlá/lo, e os
instrumentos para isso s"o três+ o domínio do 3stado, para a implanta*"o das políticas estatistas
necessárias 0 eterni,a*"o do oli$op#lio' o estímulo aos movimentos socialistas e comunistas
ue invariavelmente favorecem o crescimento do poder estatal' e a arre$imenta*"o de um
e.(rcito de intelectuais ue preparem a opini"o p9blica para di,er adeus 0s liberdades
bur$uesas e entrar ale$remente num mundo de repress"o onipresente e obsediante
Cestendendo/se at( aos 9ltimos detalhes da vida privada e da lin$ua$em cotidianaD, apresentado
como um paraíso adornado ao mesmo tempo com a abund1ncia do capitalismo e a Zjusti*a
social[ do comunismo% @esse novo mundo, a liberdade econKmica indispensável ao
funcionamento do sistema ( preservada na estrita medida necessária para ue possa subsidiar a
e.tin*"o da liberdade nos domínios político, social, moral, educacional, cultural e reli$ioso%
ACom isso, os metacapitalistas mudam a base mesma do seu poder% Uá n"o se ap#iam na
riue,a enuanto tal, mas no controle do processo político/social% Controle ue, libertando/os da
e.posi*"o aventurosa 0s flutua*-es do mercado, fa, deles um poder dinástico durável, uma neo/
aristocracia capa, de atravessar inc#lume as varia*-es da fortuna e a sucess"o das $era*-es,
abri$ada no castelo/forte do 3stado e dos or$anismos internacionais% Uá n"o s"o
me$acapitalistas+ s"o metacapitalistas ? a classe ue transcendeu o capitalismo e o transformou
no 9nico socialismo ue al$um dia e.istiu ou e.istirá+ o socialismo dos $r"o/senhores e dos
en$enheiros sociais a seu servi*o%B :6;
O Asocialismo sociali,anteB, destinado a tomar para sempre o lu$ar de um impossível Asocialismo
sociali,adoB pode ser o inferno da maioria dos empresários, mas ( o paraíso dos capitalistas
maiores ? as dinastias bilionárias ue formam, precisamente, o Cons#rcio% 3ternamente
$arantidos pela burocracia estatal contra a liberdade de mercado e pela inviabilidade intrínseca
do socialismo contra a estati,a*"o definitiva dos meios de produ*"o, ainda s"o ajudados nos
dois sentidos por um aliado fiel+ a tecnolo$ia, ue, de um lado, aprimora os instrumentos de
controle social ao ponto de poder determinar at( a conduta privada dos cidad"os sem ue estes
possam nem mesmo perceber ue s"o manipulados e, de outro, insufla criatividade no livre
mercado de modo ue este possa continuar crescendo mesmo sob o controle estatal mais
opressivo%
Assim entende/se claramente por ue as me$afortunas do Cons#rcio têm estimulado e
subsidiado o socialismo e a subvers"o esuerdista de maneira t"o universal, obsessiva e
sistemática, pelo menos desde os anos 40%
& fato ine$ável ue a constru*"o do parue industrial sovi(tico, bem como da sua for*a militar,
foi devida substancialmente a dinheiro americano Cde membros do Cons#rcioD ue para lá fluiu
sem e.pectativa de retorno% Juem tenha al$uma d9vida a respeito, ue consulte os três volumes
do estudo clássico do economista brit1nico AntonP 8utton, Vestern =echnolo$P and 8oviet
=echnolo$ical 2evelopment C>oover 5nstitution !ress, 8tanford EniversitP, 1S6\/1S]6D, bem
como seus livros @ational 8uicide+ )ilitarP Aid to the 8oviet Enion CArlin$ton >ouse, 1S]4D, Vall
8treet and the <olsheviM Levolution C<uccaneer <ooMs, 1SSSD e =he <est 3nemP )oneP Can
<uP COibertP >ouse, 1S\6D%
O livro de Len( A% Vormser, 7oundations+ =heir !oXer and 5nfluence CCovenent >ouse <ooMs,
1SS6D relata os trabalhos da Comiss"o Leese do Con$resso Americano, ue já nos anos T0
evidenciou a colabora*"o ativa das $randes funda*-es bilionárias com movimentos comunistas e
anti/americanos por toda parte% Jue as descobertas da Comiss"o n"o resultassem em nenhuma
medida, seja punitiva, seja destinada a estancar o flu.o de dinheiro para a subvers"o, ( a prova
mais evidente do poder do Cons#rcio para manipular recursos americanos contra os mais #bvios
interesses nacionais dos 3EA%
!or fim, o florescimento industrial da China desde os anos S0, e sua transfi$ura*"o de favela
continental no mais poderoso inimi$o potencial dos 3EA seria impensável sem os investimentos
dos 3EA e sem a autodestrui*"o planejada do parue industrial americano%
& verdade ue, ap#s as reformas econKmicas liberali,antes do $overno ^eltsin, a L9ssia entrou
numa decadência econKmica acelerada, da ual al$uns capitalistas americanos se beneficiaram
um bocado% !or(m, uê esperavam os líderes russos depois da e.tin*"o do re$ime comunistaI
8er premiados com um pro$resso econKmico fantásticoI O normal seria ue, em ve, disso, a
na*"o fosse posta a trabalhar duro, com salários de fome, para pa$ar indeni,a*-es aos
familiares dos sessenta milh-es de vítimas do comunismo, como fi,eram e fa,em os alem"es
com os das vítimas do na,ismo% Juem impediu ue isso acontecesseI O Cons#rcio% Oeiam em
Gladimir <uMovsMi, Uu$ement 0 )oscou+ a $rande mídia e os or$anismos internacionais ? dois
bra*os do Cons#rcio ? opuseram tanta resistência 0 investi$a*"o judicial dos delitos sovi(ticos,
ue, de todos os países e$ressos do comunismo, s# um, o Camboja, conse$uiu instalar um
tribunal para o jul$amento dos crimes do re$ime comunista, e mesmo assim o fe, com atraso
formidável, $ra*as ao boicote promovido pela O@E contra o empreendimento%
Os russos, responsáveis maiores pelo advento do comunismo, foram tratados nas 9ltimas
d(cadas com uma $enerosidade escandalosa, e ainda reclamam de ue, e.tinto o re$ime
assassino, n"o $anharam tanto dinheiro uanto ueriam, n"o receberam por seus crimes
hediondos o prêmio ue esperavam do Ocidente%
§ (. De &ue lado estou
5sso n"o uer di,er, evidentemente, ue eu n"o seja a favor de nada, nem veja for*as positivas
em a*"o no mundo% )as, precisamente, essas for*as n"o se contam entre os a$entes principais
em disputa e n"o têm, ao menos no momento, nenhum plano ou estrat($ia $lobal ue possa
neutrali,ar ou desarmar os três monstros% 3ntre elas, eu destacaria+ C1D as comunidades crist"s,
cat#licas ou protestantes, de todos os países' :]; C2D a na*"o judaica' C6D o nacionalismo
conservador americano% @enhuma das três está lutando para dominar o mundo% Ao contrário+ por
um decreto un1nime dos blocos $lobalistas, as três est"o marcadas para morrer%
8e para al$u(m v"o as minhas simpatias, ( para esses três condenados 0 morte% @"o ue eu
pretenda opor, aos três projetos de domina*"o $lobal, três projetos alternativos presentemente
anêmicos% Caso houvesse planos para a instaura*"o de uma ditadura mundial crist", judaica ou
rednecM, eu estaria entre os primeiros a denunciá/los, como denuncio os militaristas russo/
chineses, os oli$arcas ocidentais e os ap#stolos do Califado Eniversal% )as esses planos n"o
e.istem% A luta das três fac*-es desavantajadas ue mencionei n"o ( pelo poder mundial+ ( pela
sobrevivência pura e simples%
Jue a e.tin*"o do cristianismo cat#lico/protestante, do 3stado de 5srael e da Am(rica
nacionalista está no pro$rama dos três $randes blocos $lobalistas, ( coisa ue n"o precisa ser
provada, t"o patente ( o assalto cultural, midiático, político e jurídico ue se move contra essas
entidades desde três dire*-es diversas e conver$entes Cvoltarei a isto numa das pr#.imas
mensa$ensD%
=amb(m n"o ( preciso provar, por demasiado evidente, ue at( a$ora essas três comunidades
s# têm respondido ao ataue mediante rea*-es pontuais, esporádicas e totalmente incone.as,
sem ualuer articula*"o de conjunto, seja dentro de cada um desses campos, seja, mais ainda,
entre os três% Ema frente unida mundial crist", judaica e nacionalista americana n"o seria má
id(ia, mas, por enuanto, n"o vejo sinal ue acene nessa dire*"o% !arece at( ue os
representantes das três comunidades têm medo de pensar nisso, antevendo ima$inariamente a
rea*"o brutal de seus inimi$os%
!or outro lado, ( sabido ue a L9ssia e a China s"o os maiores fornecedores de armas para
movimentos terroristas% !or ue o $overno americano n"o o denuncia e n"o for*a as duas
potências, sob pena de san*-es econKmicas, a parar com issoI & simples+ o Cons#rcio n"o
dei.a% @in$u(m, na elite $lobalista, aceita defender seu país contra os mais danosos AaliadosB
ue a Am(rica já teve%
!or fim, n"o ( preciso enfati,ar todas as iniciativas tomadas por or$anismos internacionais e por
vários $overnos do Ocidente ? a come*ar pelo da 5n$laterra ? para favorecer a invas"o isl1mica
e debilitar, ao mesmo tempo, a tradi*"o crist" ue seria, obviamente, a 9nica resistência cultural
possivelmente efica, contra o avan*o do islamismo militante na 3uropa e nos 3EA%
8e, diante de todos esses fatos, o prof% 2u$uin ainda insiste ue o Cons#rcio ( o $rande inimi$o
dos blocos russo/chinês e isl1mico, s# pode ser por um de dois motivos+ C1D o eurasismo, como o
esuerdismo, ( mais um truue com ue o Cons#rcio se fortalece por meio de um inimi$o
fin$ido' C2D o movimento eurasista ( $enuíno, mas nasce dauela neurose típica do pobre
or$ulhoso, ue, ante a ajuda recebida, sente antes inveja e rancor do ue $ratid"o e, em ve, de
retribuir $enerosidade com ami,ade, s# pensa em destruir o benfeitor, tomar o seu lu$ar e depois
contar a hist#ria 0s avessas, fa,endo/se de vítima em ve, de beneficiário% :\;
Ainda ( cedo para saber ual das duas hip#teses ( a verdadeira% )as uma coisa ( certa+ n"o há
uma terceira hip#tese%
§ ). Individualismo e coletivismo
Comecei a minha mensa$em inau$ural apontando a assimetria entre o observador isolado, ue
fala apenas em seu pr#prio nome, e o líder ue e.pressa a vontade política de um partido, de um
movimento, de um 3stado ou de um $rupo de 3stados%
O prof% 2u$uin viu aí a cristali,a*"o simb#lica da oposi*"o entre individualismo e coletivismo,
Ocidente e Oriente%
3ssa n"o me parece ser uma aplica*"o correta das re$ras do simbolismo, ue tanto ele uanto
eu aprendemos em Len( Nu(non%
Em simbolismo $enuíno deve respeitar as fronteiras entre distintos planos de realidade, em ve,
de confundi/los% Onde o prof% 2u$uin viu um símbolo, eu vejo apenas uma metáfora, e aliás
bastante for*ada%
O individualismo como nome de uma corrente ideol#$ica ( uma coisa' outra completamente
diversa, sem nenhuma cone."o com ela, ( a posi*"o de um ser humano na base, no meio ou no
topo da hieraruia de comando% 2esta n"o pode se dedu,ir auela, nem ver na posi*"o social de
um indivíduo um AsímboloB da sua identidade ideol#$ica real ou suposta% Caso contrário, todo
escritor sem suporte numa or$ani,a*"o política seria necessariamente um adepto do
individualismo ideol#$ico, incluídos nisso os fundadores do nacional/bolchevismo, Oimonov e
2u$uin, no tempo em ue come*aram, solitários e i$norados do mundo, a especular suas
primeiras id(ias% 8er um indivíduo isolado ( uma coisa' ser um individualista ( outra, uer
tomemos a palavra AindividualistaB no sentido de um hábito moral ou de uma convic*"o
ideol#$ica% A dedu*"o implícita no AsimbolismoB ue o prof% 2u$uin acredita ter encontrado ( um
perfeito non seuitur% O simbolismo autêntico, se$undo Len( Nu(non, deve ir para al(m e para
cima da l#$ica, em ve, de ficar abai.o das suas e.i$ências mais elementares%
)ais ainda, em ve, de colar 0 for*a na minha lapela o distintivo de adepto do individualismo
ocidental, o prof% 2u$uin poderia ter per$untado o ue penso a respeito% Afinal, a liberdade de
e.press"o num debate n"o consiste apenas no poder ue cada um dos debatedores tem de
responder . ou P a uma uest"o dada, mas tamb(m, e eminentemente, na sua possibilidade de
rejeitar a formula*"o da per$unta e recolocar a uest"o toda desde seus fundamentos, conforme
bem lhe pare*a%
@a minha modestíssima e individualíssima opini"o, AindividualismoB e AcoletivismoB n"o s"o
nomes de entidades hist#ricas substantivas, distintas e independentes, separadas como entes
materiais no espa*o, mas r#tulos ue al$uns movimentos políticos usam para carimbar/se a si
pr#prios e a seus adversários% Ora, a ciência política, como já afirmei, nasceu no momento em
ue !lat"o e Arist#teles come*aram a entender a diferen*a entre o discurso dos vários a$entes
políticos em conflito e o discurso do observador científico ue tenta entender o conflito Cue mais
tarde os a$entes políticos aprendessem a imitar a lin$ua$em da ciência n"o invalida em nada
essa distin*"o inicialD% Oo$o, nossa principal obri$a*"o num debate intelectualmente s(rio (
analisar os termos do discurso político, para ver ue a*-es reais se insinuam por bai.o deles, em
ve, de tomá/los in$enuamente como tradu*-es diretas e francas de realidades efetivas%
Com toda a evidência, os termos AindividualismoB e AcoletivismoB n"o e.pressam princípios de
a*"o lineares e unívocos, mas dois fei.es de tens-es dial(ticas, ue se manifestam em
contradi*-es reais cada ve, ue se tente levar 0 prática, como se isto fosse possível, uma
política linearmente AindividualistaB ou AcoletivistaB%
2esde lo$o, e para ficar s# nos aspectos mais simples e banais do assunto, cada um desses
termos evoca de imediato um sentido moralmente positivo junto com um ne$ativo, n"o sendo
possível, nem mesmo na esfera da pura sem1ntica, separar um do outro para dar a cada um dos
termos uma conota*"o invariavelmente boa ou má%
O AindividualismoB su$ere, de um lado, o e$oísmo, a indiferen*a ao pr#.imo, a concentra*"o de
cada um na busca de seus interesses e.clusivos' de outro lado, su$ere o dever de respeitar a
inte$ridade e a liberdade de cada indivíduo, o ue automaticamente proíbe ue o usemos como
mero instrumento e coloca portanto limites 0 consecu*"o de nossos prop#sitos e$oístas%
O AcoletivismoB evoca, de um lado, a solidariedade, o sacrifício ue cada um fa, de si pelo bem
de todos' de outro lado, evoca tamb(m o esma$amento dos indivíduos reais e concretos em
nome de benefícios coletivos abstratos e hipot(ticos%
Juando vamos al(m da mera sem1ntica e observamos as políticas autonomeadas
AindividualistasB e AcoletivistasB em a*"o no mundo, notamos ue a duplicidade de sentido
embutida nos termos mesmos se transmuta em efeitos políticos parado.ais, inversos aos bens
ou males subentendidos no uso desses termos como adornos ou esti$mas%
O velho >e$el já ensinava ue um conceito s# se transmuta em realidade concreta mediante a
invers"o do seu si$nificado abstrato%
3ssa transmuta*"o ( uma das mais notáveis constantes da hist#ria humana%
O coletivismo, como política da solidariedade $eral, s# se reali,a mediante a dissolu*"o das
vontades individuais numa hieraruia de comando ue culmina na pessoa do $uia iluminado, do
Oíder, do 5mperador, do 7Fhrer, do !ai dos !ovos% @ominalmente incorporando na sua pessoa as
for*as transcendentes ue unificam a massa dos jo-es/nin$u(ns e le$itimam uantos sacrifícios
a ela se imponham, essa criatura, na verdade, n"o s# conserva em si todas as fraue,as,
limita*-es e defeitos da sua individualidade inicial, mas, uase ue invariavelmente, se dei.a
corromper e de$radar ao ponto de ficar abai.o do nível de inte$ridade moral do indivíduo
comum, transformando/se num doente mental despre,ível% >itler rolando no ch"o em transes de
mania persecut#ria, 8talin deleitando/se de pra,er sádico em condenar 0 morte seus ami$os
mais íntimos sob a ale$a*"o de crimes ue n"o haviam cometido, )ao 2,edon$ abusando
se.ualmente de centenas de meninas camponesas ue prometera defender contra a lubricidade
dos proprietários de terras, mostram ue o poder político acumulado nas m"os desses indivíduos
n"o aumentou de um s# mili$rama o seu poder de controle sobre si mesmos, apenas colocou 0
sua disposi*"o meios de impor seus caprichos individuais 0 massa de s9ditos
desindividuali,ados% A solidariedade coletiva culmina no imp(rio do A5ndivíduo AbsolutoB% :S; 3
esse indivíduo, ue a propa$anda recobre de todas as pompas de um enviado dos c(us, n"o (
jamais um e.emplo de santidade, virtude e heroísmo, mas sim de maldade, abje*"o e covardia%
O absoluto coletivismo ( o triunfo do 3$oísmo Absoluto%
O individualismo tomado em sua acep*"o ne$ativa, por seu lado, n"o somente n"o pode ir at(
0s suas 9ltimas conseFências políticas, mas n"o tem seuer como ser levado 0 prática na
esfera das a*-es individuais mais modestas% O total desamor aos semelhantes, a devo*"o
e.clusiva 0 busca de vanta$ens individuais, e.clui por hip#tese o desejo de reparti/las com
outras pessoas% 8one$ando ao pr#.imo os benefícios obtidos na atividade e$oísta, esse
hipot(tico individualista e.tremado se subtrairia a si pr#prio de todo convívio humano e cairia na
mais ne$ra solid"o, tornando/se ipso facto impotente para ualuer atividade social, portanto
tamb(m para a consecu*"o de seus objetivos e$oístas% O tipo do usurário misantropo, ue
fu$indo a todo contato humano se fecha no seu cofre/forte para desfrutar so,inho a posse de
riue,as ue n"o pode usar ( talve, um bom persona$em de contos de fadas ou hist#rias em
uadrinhos, mas n"o pode e.istir na vida real% @a mais arrojada das hip#teses o pra,er e$oísta
ue ele poderia alcan*ar seria o de masturbar/se no banheiro, recusando/se a tomar como
objeto de sua fantasia er#tica sen"o a sua pr#pria pessoa e nin$u(m mais% & da nature,a das
coisas ue o coletivismo possa ser levado at( auele ponto e.tremo em ue se converte no seu
oposto ? o reino do 5ndivíduo Absoluto ?, ao passo ue o individualismo e$oísta s# pode ser
praticado dentro de limites estritos ue n"o lhe permitem ir muito al(m da afeta*"o e da pose% O
individualismo e$oísta n"o ( uma linha de a*"o prática' ( a justifica*"o fin$ida com ue um
sujeito nem mais nem menos e$oísta do ue a m(dia da humanidade se fa, de tou$h $uP% 3 (
#bvio ue mesmo o mais empedernido tou$h $uP prefere desfrutar de pra,eres em companhia
de ami$os, de parentes, de uma amante, em ve, de trancar/se no banheiro com a sua pr#pria
pessoa s# para n"o ter de admitir ue fe, al$um bem ao pr#.imo%
Juanto ao individualismo tomado no sentido do respeito e devo*"o 0 inte$ridade dos indivíduos,
sua prática n"o s# ( viável como constitui a 9nica base sobre a ual se pode criar auele
ambiente de solidariedade humanitária ue ( a meta proclamada ? e jamais alcan*ada ? do
coletivismo%
§ *. ! sentimento de solidariedade comunit+ria nos ,-.
@"o ( coincidência ue o país onde mais se cultivou a liberdade dos indivíduos seja tamb(m
auele em ue a participa*"o em atividades comunitárias de índole caritativa e humanitária seja
a maior do mundo% 3ste tra*o da vida americana ( amplamente i$norado fora dos 3EA Ce
totalmente ocultado pelo anti/americanismo militante de >ollPXoodD, mas n"o vejo motivo para
acreditar antes nas opini-es deformadas e fantasias odientas da ind9stria internacional de mídia
do ue nauilo ue vejo com meus pr#prios olhos todos os dias e ue pode ser confirmado a
ualuer momento com dados uantitativos substanciais% 3is al$uns+ :10;
1% Os americanos s"o o povo ue mais contribui para obras de caridade no mundo%
2% Os 3EA s"o o 9nico país do mundo onde as contribui*-es populares para obras de caridade
superam o total da ajuda $overnamental%
6% 3ntre os do,e povos ue mais doam em contribui*-es voluntárias ? 3EA, Leino Enido,
Canadá, Austrália, _frica do 8ul, Lep9blica da 5rlanda, >olanda, 8in$apura, @ova Hel1ndia,
=uruia, Alemanha e 7ran*a ?, as contribui*-es americanas s"o mais ue o dobro das do
se$undo colocado CLeino EnidoD% 8e al$um en$ra*adinho uiser depreciar a import1ncia desse
dado, ale$ando A3les d"o mais porue s"o mais ricosB, esue*a+ as contribui*-es n"o est"o aí
classificadas em n9meros absolutos, mas em porcenta$em do !@<% Os americanos
simplesmente arrancam mais do pr#prio bolso para socorrer pobres e doentes, mesmo em
países inimi$os% As solidaríssimas L9ssia e China nem entram na lista dos contribuintes%
4% Os americanos adotam mais crian*as #rf"s ? inclusive de países inimi$os ? do ue todos os
outros povos do mundo somados%
T% Os americanos s"o o 9nico povo ue, em cada $uerra de ue participam, reconstroem a
economia do país derrotado, mesmo ao pre*o de fa,er dele um concorrente comercial e um
inimi$o poderoso no campo diplomático% Comparem o ue os 3EA fi,eram na 7ran*a, na 5tália,
na Alemanha e no Uap"o com o ue os chineses fi,eram no =ibete ou a L9ssia no Afe$anist"o
Cdetalhes nas mensa$ens subseFentesD%
6% Os americanos n"o oferecem aos pobres e necessitados somente o seu dinheiro% 2"o/lhes o
seu tempo de vida, sob a forma de trabalho voluntário% O trabalho voluntário ( uma das mais
velhas e s#lidas institui*-es da Am(rica% )etade da popula*"o americana dedica o seu tempo a
trabalhar de $ra*a para hospitais, creches, orfanatos, presídios etc% Jue outro povo, no mundo,
fe, da compai."o ativa um elemento essencial do seu estilo de e.istênciaI
]% )ais ainda, o valor ue a sociedade americana atribui 0s obras de $enerosidade e compai."o
( tanta, ue nenhum potentado das finan*as ou da ind9stria pode se esuivar de fa,er
anualmente imensas contribui*-es a universidades, hospitais, etc%, pois caso se recuse a fa,ê/lo
será imediatamente rebai.ado do estatuto de cidad"o honrado ao de inimi$o p9blico%
O prof% 2u$uin op-e o individualismo americano ao AholismoB russo/chinês% 2i, ue no primeiro
as pessoas s# a$em se$undo suas preferências individuais, enuanto no se$undo elas se
inte$ram em objetivos maiores propostos pelo $overno% )as, com toda a evidência, os $overnos
da L9ssia e da China têm/lhes proposto antes matar os seus semelhantes do ue socorrê/los+
nenhuma obra caritativa, na L9ssia e na China, jamais teve as dimens-es, o custo, o poder e a
import1ncia social do Nula$, do Oao$ai e das polícias secretas, or$ani,a*-es tentaculares
incumbidas de controlar todos os setores da vida social mediante a opress"o e o terror%
3m se$undo lu$ar, ( verdade ue os americanos n"o fa,em o bem porue a isso s"o for*ados
pelo $overno, mas porue s"o estimulados a fa,ê/lo pelos valores crist"os em ue acreditam% A
liberdade de consciência, em ve, de descambar em pura anaruia e luta de todos contra todos,
( moderada e canali,ada pela unidade da cultura crist" ue, mal$rado todos os esfor*os da elite
$lobalista para mar$inali,á/la e destruí/la, ainda ( he$emKnica nos 3EA% Uohn Adams, o
se$undo presidente dos 3EA, já di,ia ue uma Constitui*"o como a americana, asse$urando
liberdade civil, econKmica e política para todos, s# servia para um povo moral e reli$ioso e para
nenhum outro% A prova de ue tinha ra,"o ( ue, t"o lo$o os princípios da moral crist"
come*aram a ser corroídos desde cima, pela a*"o do $overno aliado 0s for*as $lobalistas e 0
esuerda internacional ue o prof% 2u$uin tanto pre,a como reserva moral da humanidade, o
ambiente de honestidade e ri$ide, puritana ue prevalecia no mundo americano dos ne$#cios
cedeu lu$ar a uma epidemia de fraudes como nunca se vira antes na hist#ria do país% O
fenKmeno está amplamente documentado no livro de =amar 7ranMel, =rust and >onestP+
America`s <usiness Culture at a Crossroad CO.ford EniversitP !ress, 2006D%
O ue di$o n"o se baseia s# em estatísticas% Givo há seis anos neste país e aui sou tratado
com um carinho e uma compreens"o ue nenhum brasileiro, russo, francês, alem"o ou ar$entino
Cpara n"o falar de cubanos ou chinesesD desfrutou jamais na sua pr#pria terra% ="o lo$o me
instalei neste mata$al da Gir$ínia, vieram vi,inhos de todos os lados, tra,endo doces e
presentes, oferecendo/se para levar as crian*as 0 escola, para nos apresentar 0 i$reja da nossa
preferência, para nos mostrar os lu$ares interessantes da re$i"o, para nos ajudar a resolver
problemas burocráticos, e assim por diante% Nood nei$hborhoord n"o ( slo$an de propa$anda% &
uma realidade viva% & uma institui*"o americana, n"o e.iste em nenhum outro lu$ar do mundo e
n"o foi o $overno ue a criou% Gem desde os tempos da ColKnia de UamestoXn C1602D% 3mbora
eu e minha família sejamos cat#licos, o primeiro lu$ar ue visitamos aui foi a 5$reja )etodista, a
mais pr#.ima da minha casa% Che$amos lá, e ue estavam fa,endo os crentesI Ema coleta de
dinheiro para os meninos de rua%%% do <rasila Coleta acompanhada de discursos e e.orta*-es de
partir o cora*"o% 8enti ver$onha de contar 0uela $ente ue, se$undo estudos oficiais, a maior
parte dos Ameninos de ruaB brasileiros têm casa, pai e m"e, e s# est"o na rua porue $ostam% A
compai."o americana i$nora a mentira e a safade,a de muitos de seus beneficiários
estran$eiros+ nasce da cren*a in$ênua de ue todos os filhos de 2eus s"o, ao menos no fundo,
fi(is ao !ai%
Os americanos s"o tímidos e têm sempre a impress"o de ue est"o incomodando% Oo$o ap#s a
recep*"o inicial, preferem manter dist1ncia, n"o se meter na sua vida% 8# che$am perto se você
os convida% A5 don[t Xant to imposeB ( uma frase uase obri$at#ria uando visitam al$u(m% )as
tenha al$um problema, sofra al$uma dificuldade, e eles vir"o correndo para ajudá/lo, com a
solicitude de velhos ami$os% 3 isso n"o ( s# com os rec(m/che$ados% Ys ve,es os pr#prios
americanos, acostumados a ouvir falar mal do seu povo, se surpreendem ao descobrir a
ines$otável reserva de bondade nos cora*-es de seus compatriotas% Oeiam este depoimento de
<ruce Vhitsitt, um campe"o de artes marciais ue de ve, em uando escreve para o American
=hinMer+
“Cot% be2ore and a2ter .ad died# /ood "amaritans came out o2 noJ%ere to o22er aid and com2ort.
9 discovered t%at mK 'arents Jere surrounded bK nei/%bors J%o %ad LnoJn t%em and cared
about t%em 2or manK KearsM
2ter it Jas all over# 9 Jas strucL bK t%e unbelievable Lindness o2 everKone J%o %el'ed.
t t%e end o2 t%e daK# t%is tra/edK reo'ened mK eKes to t%e dee'Erunnin/ /oodness o2
mericans. "o manK 'eo'le in t%is countrK are decent and /ood sim'lK because t%eK %ave
/roJn u' in t%e ;nited "tates o2 merica# a societK t%at encoura/es c%aritK and nei/%borliness.
.ecencK is not an accidentN in countries suc% as t%e old "oviet ;nion# indi22erence Jas ram'ant
and Lindness rare because virtue Jas crus%ed at everK turn. merica# on t%e ot%er %and# %as
cultivated 2reedom and virtuous be%avior# J%ic% alloJs /oodness to 2louris%. Even in Bos n/eles
O t%at citK o2 2allen an/els# t%e last 'lace on eart% J%ere 9 Jould %ave ex'ected it O 9 ex'erienced
com'assionate /oodness 2irst%and.
Goodness is not somet%in/ t%at a bene2icent /overnment can bestoJN it 2loJs 2rom t%e %earts o2
2ree citiGens reared in a tradition o2 moralitK# inde'endence# and resource2ulness.” P**Q
A na*"o americana foi fundada na id(ia de ue o princípio unificador da sociedade n"o ( o
$overno, a burocracia estatal armada, mas a pr#pria sociedade, na sua cultura, na sua reli$i"o,
nas suas tradi*-es e nos seus valores morais% O prof% 2u$uin, ue n"o parece conceber outro
modelo de controle social sen"o a teocracia imperial russa, onde a polícia e a 5$reja Cmais tarde
o !artidoD a$em de m"os dadas para acorrentar o povo, s# pode mesmo ima$inar os 3EA como
uma selva selva$$ia de e$oísmos em conflito, provando ue nada sabe da vida americana%
@"o há talve, outro país no mundo onde o senso de comunidade solidária seja t"o forte uanto
nos 3EA% Juem uer ue tenha vivido aui por al$um tempo sabe disso, e no mínimo se
surpreende ante a presun*"o de ue a China ou a L9ssia sejam, sob esse aspecto, modelos
ue os americanos devessem copiar%
=amb(m ( certo ue esse senso comunitário s# pode florescer num ambiente de liberdade, onde
o $overno n"o imponha 0 sociedade nenhum modelo AholísticoB de bondade oficial% A maior
prova disso ( o conflito aberto ue hoje e.iste entre auilo ue )arvin OlasMP, num livro clássico,
chama de Acompai."o anti$aB e a caridade estatal ue há uatro d(cadas vem tentando tomar o
seu lu$ar% Onde uer ue esta 9ltima tenha prevalecido, aumenta a criminalidade, as famílias se
dissolvem e o individualismo e$oísta sufoca o espírito de bondade inerente ao individualismo
libertário tradicional% :12; @"o foi s# em livros como o de OlasMP ue aprendi isso% Gejo/o todos
os dias com os meus pr#prios olhos% @a Gir$ínia, onde a popula*"o de ne$ros ( t"o $rande
proporcionalmente uanto no <rasil, a diferen*a de conduta entre os ne$ros velhos e os jovens
dá na vista de cada visitante% Aueles s"o as pessoas mais $entis do mundo, têm uma esp(cie
de ele$1ncia natural ue ( o euilíbrio e.ato entre a humildade e a altive,% Os jovens s"o
irritadi*os, arro$antes, prontos a e.ibir uma superioridade ue n"o e.iste, a sentir/se ofendidos
por ualuer boba$em e a chamar os brancos para bri$a sem o menor motivo% 2e onde vem a
diferen*aI Os velhos foram criados no ambiente da compai."o anti$a, os jovens no do
assistencialismo estatal ue os envenena de ressentimento Apoliticamente corretoB%
A vida no interior dos 3EA ( a melhor prova de ue a solidariedade comunitária tem nada a ver
com coletivismo estatal e ( mesmo o contrário dele% Juanto mais interven*"o AholistaB aparece,
mais os la*os naturais se desfa,em, mais as pessoas se afastam umas das outras, mais a
Asociedade de confian*aB de ue falava Alain !ePrefitte :16; se dei.a substituir pela sociedade da
suspeita, da hostilidade m9tua, do #dio e do e.clusivismo $rupal% & o caminho ue leva, em
9ltima inst1ncia, ao 3stado !olicial% O prof% 2u$uin sabe perfeitamente disso, tanto ue sua
defesa do AholismoB contra o AindividualismoB culmina na apolo$ia aberta e franca do re$ime
ditatorial como modelo para o mundo inteiro%
§ /. 0aldades comparadas
O prof% 2u$uin di, tamb(m ue e.ponho suficientemente os pecados da WN<, do !artido
Comunista e da Al/Jaeda, mas n"o menciono os crimes da Am(rica, como Aa infantaria imperial,
>iroshima e @a$asaMi, a ocupa*"o do 5raue e do Afe$anist"o e o bombardeio da 8(rviaB% 3le
cobra de mim o ue tenho a di,er sobre isso%
Ora, o ue tenho a di,er s"o duas coisas+
!rimeira+ 7a*a as contas% ? 8e$undo o prof% L% U% Lummel, ue ( provavelmente o mais
respeitado estudioso da mat(ria, o n9mero de vítimas somadas de todas as a*-es violentas em
ue o $overno americano esteve envolvido de 1122 a 11/* ( de 1%664%000 pessoas Cisso inclui
duas $uerras mundiais, com >iroshima e @a$asaMi de uebra, mais a $uerra do Gietn" e todas
as interven*-es militares no e.teriorD% A EL88, num período menor, de 111* a 11/*, matou
61%S11%000 pessoas, e a China, de 11$1 a 11/* apenas, matou ]6%]02%000% & uma uest"o de
aritm(tica elementar concluir ue os individualistas americanos, na pior das hip#teses, s"o cem
ve,es menos assassinos do ue os solidários russos e chineses% @enhum c(rebro humano em
seu funcionamento normal pode jul$ar ue os níveis de periculosidade sejam i$uais de parte a
parte% @a ordem das amea*as mortíferas ue pesam sobre a esp(cie humana, a China vem em
primeiro lu$ar, a L9ssia em se$undo, os 3EA em cent(simo% Juando a humanidade tiver se
livrado de noventa e nove de seus inimi$os armados, come*arei a me preocupar com a t"o
propalada Aa$ressividade americanaB% O prof% 2u$uin busca atrair aten*"o para ela, inflando/a
mediante palavras, para inverter a hieraruia das precau*-es ra,oáveis e tentar encobrir as
a*-es dos verdadeiros $enocidas, dos verdadeiros inimi$os da esp(cie humana%
8e$unda+ Olhe o mapa% ? A totalidade das vítimas feitas pelos 3EA constitui/se de estran$eiros,
mortos em combate em solo inimi$o% @a conta$em das vítimas da China e da L9ssia, e.cluí de
prop#sito as bai.as militares+ s"o todas civis desarmados, assassinados em tempo de pa, por
seus pr#prios $overnos% Juando o $overno dos 3EA, em tempo de pa,, come*ar a matar
cidad"os americanos aos milh-es, por motivo de mera discord1ncia política, ficarei t"o
preocupado com isso uanto o prof% 2u$uin deveria estar a$ora com os tibetanos, assassinados
a $ranel pelos chineses e proibidos de praticar livremente sua reli$i"o nacional%
§ 1. 3eopol4tica e 5ist#ria
)ais adiante, o prof% 2u$uin defende a Neopolítica contra a minha ostensiva demonstra*"o de
pouco/caso para com essa ciência, ou pseudociência% Com justa ra,"o, ele cobra de mim uma
e.plica*"o a respeito% Oá vai ela+
)eu problema com a $eopolítica ( ue, fornecendo uma descri*"o relativamente correta do
estado de coisas a cada momento, ela encobre as causas decisivas do acontecer hist#rico sob
uma fantasma$oria de entidades $eo$ráficas revestidas de uma aparência de vida pr#pria%
As fi$uras ue o praticante de $eopolítica projeta no mapa, com nomes de na*-es, 3stados,
5mp(rios, ,onas de poder etc%, dando a impress"o de ue essas entidades a$em e constituem os
verdadeiros persona$ens da >ist#ria, s"o apenas o resultado cristali,ado das a*-es de for*as
hist#ricas muito mais profundas e duradouras% Auelas fi$uras movem/se na tela como sombras
chinesas, dando a impress"o de ue têm vida pr#pria, mas s"o apenas nomes e camufla$ens de
a$entes bem diferentes delas%
Uá e.pliuei esse ponto nas minhas apostilas AO m(todo nas ciências sociaisB e AJuem ( o
sujeito da >ist#riaB, e aui n"o posso sen"o resumi/las de maneira drástica e um tanto $rosseira%
As per$untas básicas s"o+ C1D Jue ( a a*"o hist#ricaI C2D Juem ( o sujeito da >ist#riaI
A*"o ( a mudan*a deliberada de um estado de coisas% =oda a*"o subentende CaD a continuidade
temporal do sujeito' CbD a unidade e continuidade das suas inten*-es, tais como se revelam na
seFência ue vai de um plano aos seus efeitos consumados% =odas as transforma*-es no
cenário hist#rico resultam de a*-es humanas, mas essas a*-es se mesclam, se obstaculi,am,
se neutrali,am e se modificam mutuamente, de modo ue nin$u(m controla o processo% As
a*-es mescladas n"o têm um sujeito a$ente determinado, já ue resultam precisamente da
impossibilidade de al$um a$ente fa,er prevalecerem os seus objetivos sobre os dos demais% 8"o
transforma*-es, mas n"o s"o propriamente a*-es% 8# podemos falar de Aa*"o hist#ricaB, em
sentido estrito, uando um a$ente determinado conse$ue controlar na medida do possível a
situa*"o como um todo e, se$uindo uma linha identificável de continuidade, impor ao processo
um rumo deliberado%
3.emplos de a*"o hist#rica s"o a travessia do )ar Germelho pelos judeus, a cristiani,a*"o da
3uropa pela 5$reja Cat#lica, a Leforma !rotestante, a Levolu*"o 7rancesa, a Levolu*"o Lussa
e a Levolu*"o Chinesa% 3m todos esses casos um determinado a$ente conse$uiu controlar o
processo, impedindo ue suas a*-es fossem neutrali,adas pela interferência de outros a$entes,
e che$ar portanto a resultados apro.imadamente idênticos aos desejados%
A >ist#ria comp-e/se de dois tipos de processos+ controlados e n"o controlados% 8# os primeiros
s"o a*-es hist#ricas e têm um a$ente determinado% Os se$undos têm sujeitos m9ltiplos, n"o
se$uem um rumo predeterminado e nin$u(m pode ale$ar ser o autor dos resultados ue
produ,em%
3m se$undo lu$ar, s# se pode chamar a*"o hist#rica auela ue produ,a resultados duradouros
para al(m da dura*"o da vida dos a$entes individuais envolvidos% A durabilidade no tempo ( a
marca da a*"o hist#rica% O ue uer ue se desfa*a no ar antes da morte do a$ente individual
s# entra na >ist#ria, precisamente, como a*"o frustrada, dissolvida na pasta $eral das a*-es
concomitantes ou supervenientes e incapa, de impor um rumo aos acontecimentos%
A$ora, a se$unda per$unta+ Juem pode ser a$ente da a*"o hist#ricaI Os 3stadosI As na*-esI
Os imp(riosI & claro ue n"o% 3ssas entidades resultam da combina*"o de for*as hetero$êneas
ue lutam para dominá/las desde dentro% @"o têm vontade pr#pria, mas refletem, a cada
momento, a vontade do $rupo dominante, ue pode ser substituído por outro $rupo no instante
se$uinte% Em 3stado, uma @a*"o, um 5mp(rio, ( um a$ente aparente manejado por outros
a$entes mais duradouros, mais estáveis, capa,es de dominá/lo e usá/lo para seus objetivos, ue
com freFência transcendem o pra,o mesmo de dura*"o das forma*-es nacionais, estatais e
imperiais das uais se serviram% Ema e.press"o como A>ist#ria do <rasilB ou A>ist#ria da
L9ssiaB ( apenas uma metonímia, ue denomina como sujeito da a*"o a mera área $eo$ráfica
onde a a*"o se desenrolou% & claro ue, se$uindo a narrativa ao lon$o de vários s(culos, (
possível captar al$umas constantes, ue dar"o uma aparência de unidade de a*"o ao ue (
apenas a recorrência de causas mistas, impessoais, ue est"o acima do controle de uem uer
ue seja% @"o se trata de Aa*"oB, mas do simples resultado impremeditado de milhares de a*-es
e rea*-es hetero$êneas e incone.as% !or e.emplo, observa/se ue desde a Levolu*"o de 1]\S
a 7ran*a veio perdendo prestí$io e poder, mas isso decerto n"o estava nos planos nem da
monaruia, nem dos revolucionários, nem dos $overnos republicanos ue se sucederam desde
ent"o% 3sse processo, como outros similares, n"o ( uma a*"o, n"o tem um sujeito, tem apenas
objetos passivos, ue o sofrem sem poder controlá/lo e no mais das ve,es sem nem
compreender a linha das causas e conseFências ue os arrastam como folhas levadas pelo
vento%
Com toda a evidência, a a*"o hist#rica n"o pode ser compreendida pelos mesmos m(todos ue
usamos para estudar um processo causal impremeditado% @o caso deste, ( preciso reconstituir
as várias a*-es incone.as e averi$uar como vieram a produ,ir um resultado ue nin$u(m podia
controlar% @o caso da a*"o hist#rica, há no início do processo um projeto deliberado, na dura*"o
do seu curso uma seFência coerente de a*-es, de ajustes e de reajustes ue levam o processo
a um fim determinado% A racionalidade da a*"o hist#rica ( a de meios e fins, a dos processos
incontrolados ( uma conjetura interpretativa montada a posteriori por um historiador, muitas
ve,es tentando dar um sentido ao ue n"o tem sentido al$um% @este processo, o int(rprete dos
acontecimentos hist#ricos pode ser levado a atribuir unidade substancial, e portanto capacidade
de a*"o hist#rica, a pseudo/a$entes comp#sitos, sem vontade unificada, como as na*-es, os
3stados, as classes sociais e at( acidentes $eo$ráficos%
2o mesmo modo ue as na*-es, as Aclasses sociaisB n"o podem ser a$entes hist#ricos%
@enhuma delas teve e jamais terá uma unidade de prop#sitos apta a se$uir um plano de a*"o
coerente ao lon$o de duas, três, uatro $era*-es%
!ara ser um a$ente hist#rico, o $rupo ou entidade tem de+
CaD Acalentar objetivos permanentes ou de lon$o pra,o%
CbD 8er capa, de prosse$uir a consecu*"o desses objetivos para al(m da dura*"o de seus
a$entes individuais, para al(m da dura*"o do estado de coisas presente e para al(m da dura*"o
at( mesmo dos 3stados, na*-es e imp(rios envolvidos%
CcD 8er, portanto, capa, de reprodu,ir a$entes individuais aptos a prosse$uir a a*"o ao lon$o dos
s(culos e adaptar os planos ori$inários 0s diferentes situa*-es ue se apresentam, sem perder
de vista as metas iniciais%
8omente as se$uintes entidades obedecem a essas condi*-es+
C1D As $randes reli$i-es universais%
C2D As or$ani,a*-es iniciáticas e esot(ricas%
C6D As dinastias reais e nobiliáruicas e suas similares%
C4D Os movimentos e partidos ideol#$icos revolucionários%
CTD Os a$entes espirituais+ 2eus, anjos e demKnios%
=udo, absolutamente tudo o ue acontece no cenário hist#rico, ou vem de uma dessas for*as, ou
( resultado de uma combina*"o descontrolada de for*as% A pr#pria forma*"o e dissolu*"o das
na*-es, 3stados e imp(rios vem disso ? o ue si$nifica, em 9ltima análise, ue essas entidades
n"o s"o sujeitos a$entes, mas resultados, e por isso mesmo tamb(m instrumentos, das a*-es
de for*as ue as transcendem, abran$em e determinam, sendo essas for*as constituídas ou
pelos a$entes hist#ricos $enuínos ou pela combina*"o descontrolada de a*-es diversas%
Uá na primeira pá$ina de sua clássica =eoria Neral do 3stado, o $rande Neor$ UellineM ensinava+
AOs fenKmenos da vida social humana dividem/se em duas classes+ aueles ue s"o
essencialmente determinados por uma vontade diretri,, e aueles ue e.istem ou podem e.istir
sem uma or$ani,a*"o devida a atos de vontade% Os primeiros est"o submetidos
necessariamente a um plano, a uma ordem, emanados de uma vontade consciente, em
oposi*"o aos se$undos, cuja ordena*"o repousa em for*as muito diferentes%B :14;
2essa advertência devem dedu,ir/se al$umas re$ras metodol#$icas incontornáveis+
1D Uamais confundir os dois tipos de processos, nem aplicar indistintamente a um os conceitos
e.plicativos desenvolvidos para o outro%
2D @"o esuecer ue os processos incontrolados tamb(m resultam, ao menos em parte, de
a*-es deliberadas, por(m parciais, ue se mesclam e se modificam umas 0s outras sem um
controle $eral%
5nfrin$ir a re$ra n9mero 1 ( a ocupa*"o primordial dos int(rpretes mencionados acima,
sobretudo aueles ue procuram identificar, sob a massa heter#clita de acontecimentos, um
Asentido da >ist#riaB% Ao mais mínimo sinal de uma coerência, de uma similaridade, de uma
repeti*"o anal#$ica nos resultados de lon$o pra,o das a*-es incontroladas, esses metafísicos
do pseudo/ser est"o prontos a aí descobrir premedita*-es insconscientes, inten*-es coletivas e,
enfim, a atribuir a unidade de a*"o dos verdadeiros sujeitos a fantasmas coletivos, a abstra*-es
e entes de ra,"o%
§ 12. ! verdadeiro agente 6ist#rico por tr+s do eurasismo
Em e.emplo de for*a hist#rica ue transcende infinitamente as fronteiras e a dura*"o de
3stados e 5mp(rios ( a 5$reja Ortodo.a, da ual o prof% 2u$in se di, um crente% 7oi ela ue deu
unidade e conte9do cultural ao imp(rio de Wiev% 8obreviveu a ele uando o centro de poder
moscovita instaurou um novo imp(rio% 8obreviveu 0 ueda desse imp(rio e 0s seis d(cadas de
terror ue se se$uiram, e saiu inc#lume ao ponto de poder inspirar ao prof% 2u$in um novo
projeto imperial russo% As sucessivas forma*-es nacionais e estatais ue apareceram e
desapareceram do mapa russo ao lon$o dessa hist#ria s"o apenas sombras ue o corpo
$i$antesco da 5$reja Ortodo.a projeta sobre o mundo oriental, conservando sua unidade de
prop#sitos enuanto as for*as políticas sur$em e se desfa,em no ar como bolhas de sab"o%
!rof% 2u$in+ olhe para a sua 5$reja, e saberá o ue ( um a$ente hist#rico% As unidades
$eopolíticas nascem da iniciativa dos a$entes hist#ricos e s# parecem a$ir por si pr#prias porue
os a$entes $enuínos, al(m de discretos por nature,a, atuam num ritmo de fundo, mais lento do
ue a pr#pria forma*"o e dissolu*"o das unidades $eopolíticas%
A for*a da 5$reja Ortodo.a como a$ente hist#rico penetrou fundo no c(rebro do pr#prio prof%
2u$in, moldando a sua no*"o AholistaB do imp(rio teocrático% 3le n"o concebe o imp(rio sen"o
como estrutura emanada da 5$reja e unida a ela, simbolicamente, na pessoa do =,ar% @uma
entrevista dada em 1SS\ a uma revista polonesa, :1T; ele ualifica de AheresiaB a distin*"o de
5$reja e 5mp(rio ue moldou a civili,a*"o do Ocidente% )as, sem essa separa*"o, a 9nica
hip#tese ue resta ( de as fronteiras da e.pans"o reli$iosa coincidirem milimetricamente com o
mapa do 5mp(rio% Ora, os vários imp(rios ou na*-es imperiais e.istentes na hist#ria sempre
tiveram fronteiras bem definidas ue os separavam de outros imp(rios e das na*-es
independentes% @este caso, a reli$i"o imperial torna/se apenas uma reli$i"o nacional ampliada%
Jue ( ent"o o =,arI 2as duas uma, ou ele ( o chefe de uma mera reli$i"o nacional sem
possibilidade de e.pandir/se para al(m das suas fronteiras e olhando com mortal inveja a
e.pans"o da sua concorrente ocidental, ou ent"o, se uer ue sua reli$i"o se imponha como
cren*a universal, tem de invadir todos os países e tornar/se imperador do mundo% =anto o projeto
@acional/<olcheviue uanto a sua vers"o eurasiana nascem de uma contradi*"o interna da
reli$i"o imperial russa% O projeto eurasiano ( a 9nica saída ue a 5$reja Ortodo.a tem se n"o
uiser ficar confinada aos limites da na*"o russa, falhando 0 sua miss"o declarada de reli$i"o
universal% A 5$reja Cat#lica Lomana, enuanto isso, pode e.pandir/se confortavelmente at( as
9ltimas fronteiras do !ara$uai e da China sem precisar levar nas costas um imp(rio% 7oi isso, de
fato, o ue aconteceu, enuanto a 5$reja Ortodo.a, atrav(s do prof% 2u$in, ainda está buscando
uma saída para o mundo e n"o vê outro meio de encontrá/la sen"o constituir/se em 5mp(rio
)undial% =odo o mundo de id(ias do prof% 2u$in ( um refle.o de um drama interno, estrutural, da
5$reja Ortodo.a% =oda a conversa sobre fronteiras $eopolíticas ( apenas um arranjo estrat($ico
para tentar, uma ve, mais, reali,ar o sonho impossível desse $rande e portentoso a$ente
hist#rico ue, ao escolher ser reli$i"o imperial, se condenou a ficar preso dentro de fronteiras
nacionais ou partir para uma $uerra mundial%
@otas+
1% >ouve, entre os leitores, al$uns ? poucos, feli,mente ? ue foram idiotas o bastante para
interpretar auelas fotos como captatio benevolentiae, sem reparar ue elas s"o a tradu*"o
humorística mas e.ata e realista de um fato puro e simples Cue por sua ve, ilustra sem a mais
mínima ênfase ret#rica a distin*"o platKnico/aristot(lica fundamentalD, e at( como sintoma de
autopiedade, como se eu estivesse lamentando, e n"o a$radecendo aos c(us, a nulidade do
meu estoue de armas de destrui*"o em massa e outros instrumentos de a*"o b(lica e política
ue abundam nas m"os do meu oponente% !er$unto/me onde eu poderia esconder, no jardim da
minha casa, um arsenal de bombas atKmicas e al$umas toneladas de armas uímicas, e a uem
eu poderia vender essa tralha toda no caso de a $uerra mundial n"o se reali,ar% :voltar;
2% & certo ue ele di, ue, se e.istem duas Am(ricas, uma delas, auela ue defendo, (
Apuramente virtualB, e s# a outra tem a*"o política si$nificativa% )as uanto vale esse raciocínio,
ele mesmo o demonstra mais tarde, ao di,er ue, dos três $rupos $lobalistas ue distin$ui, s#
um ( politicamente ativo e relevante, enuanto os outros dois s# tratam, coitadinhos, de se
defender% 8e estar limitado a atitudes de defesa ante um poder maior ( o mesmo ue ser apenas
virtual, ent"o esse raciocínio n"o deveria aplicar/se somente 0 Am(rica conservadora, mas aos
blocos russo/chinês e isl1mico% @o meu entender, o poder menor ue uma fac*"o desfruta n"o a
torna meramente virtual, pois ( das fac*-es mais fracas ue advêm, no curso do tempo, as
$randes mudan*as hist#ricas% 8e os dois blocos anti/ocidentais est"o lutando para desalojar um
inimi$o mais poderoso, isso ( o mesmo ue está fa,endo a Am(rica conservadora, hoje
constituída por pelo menos metade do eleitorado dos 3EA% 8eria #timo se o prof% 2u$in usasse
os termos ArealB e AvirtualB com mais seriedade, em ve, de empre$á/los para fa,er desaparecer
do uadro os fatores ue debilitam o seu ar$umento% :voltar;
6% @icholas >a$$er, =he 8Pndicate% =he 8torP of the Comin$ Vorld Novernment, LopleP, >ants
CEWD, O/<ooMs, 2004% :voltar;
4% 3 n"o s"o s# e.emplos pontuais% 2estruir o poder, a economia e a soberania dos 3EA por
meio de medidas ue depois ser"o atribuídas 0 motiva*"o e.atamente oposta e imputadas 0
Avoracidade imperialista ianueB, tal tem sido a estrat($ia $eral do Cons#rcio nas suas rela*-es
com o $overno americano há muitas d(cadas% Gejam por e.emplo a sucess"o de acordos
monetários $lobais celebrados desde <retton Voods C1S44D% =odos eles s"o e.plicados como
lances de um processo de domina*"o da economia mundial pelos 3EA% & uma interpreta*"o,
nada mais, mas uma interpreta*"o ue, de t"o repetida, encobre e torna invisível o fato bruto de
ue, uando esses acordos come*aram, os 3EA eram o maior credor do mundo' hoje s"o o
maior devedor, 0 beira da falência% 8e ( verdade ue Apelos frutos os conhecereisB, a verdade
#bvia ( ue o poder do Cons#rcio e o dos 3EA n"o crescem em propor*"o direta, mas inversa%
:voltar;
T% A ual acarretava ademais a cria*"o de uma classe dominadora mais poderosa e indestrutível
do ue a pr#pria bur$uesia jamais fora% :voltar;
6% Olavo de Carvalho, A>ist#ria de uin,e s(culosB, Uornal da =arde C8"o !auloD, 1] de junho de
2004, reprodu,ido em XXX%olavodecarvalho%or$bsemanab04061]jt%htm% :voltar;
]% 3specialmente as da _frica e da _sia, ue hoje refluem para a 3uropa e a Am(rica do @orte,
num esfor*o her#ico de recristiani,ar uem um dia os cristiani,ou% <P the XaP, o padre da
par#uia ue freFento ( um ne$ro u$andense% :voltar;
\% )ais e.plica*-es sobre este e outros t#picos desta mensa$em foram dadas na minha aula
n9mero SS do 8eminário de 7ilosofia C26 de mar*o de 2011D, cuja transcri*"o se encontra nos
sites XXX%seminariodefilosofia%or$ e XXX%olavodecarvalho%or$% :voltar;
S% O termo ( de Uulius 3vola, mas usado aui num sentido ue n"o ( necessariamente o dele%
:voltar;
10% G% =he Center on !hilantropP, 5ndiana EniversitP, Nivin$ E8A 2010% =he Annual Leport on
!hilantropP for the ^ear 200S, Nivin$ E8A 7oundation, 2010' =he Center for Nlobal !rosperitP,
>udson 5nstitute, =he 5nde. of Nlobal !hilantropP and Lemittances, >udson 5nstitute, 2010'
Charities Aid 7oundation, 5nternational Comparisons of Charitable Nivin$, 2006' Gir$inia A%
>od$Minson at al%, Nivin$ and Golunteerin$ in the Enited 8tates% 7indin$s from a @ational 8urveP
Conduced bP =he Nallup Or$ani,ation, Vashin$ton 2% C%, 5ndependent 8ector, 1SSS' Oori
Caran$elo, =he Eltimate 8earch <ooM+ VorldXide Adoption, Nenealo$P and Other 8ecrets,
<altimore C)2D, Clearfield, 2011% :voltar;
11% A=he $reat $oodness of AmericaB, em
http+bbXXX%americanthinMer%comb2011b01bthec$reatc$oodnesscofcamericac1%html% :voltar;
12% G% )arvin OlasMP, =he =ra$edP of American Compassion, Vheaton, 5O, CrossXaP <ooMs,
1SS\ Creed% 2002D% :voltar;
16% Alain !ePrefitte, Oa 8ociet( de Confiance% 3ssai sur les Ori$ines et la @ature du
2(veloppement, !aris, Odile Uacob, 1SST% :voltar;
14% Neor$ UellineM, =eoría Neneral del 3stado, trad% 7ernando de los Lios, )(.ico, 7C3, 2004, p%
TT% :voltar;
1T% 3ntrevista a Nr,e$or, N#rnP, 7ronda CGars#viaD, 11/12, 1SS\% :voltar;

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