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Econet - Cursos e Treiname ntos 13º CURSO INTE NSIVO DE CONTABIL IDADE Prof. Julio
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13º CURSO INTE NSIVO DE CONTABIL IDADE
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Prof. Julio Ce sar Heyda

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ÍNDICE

A Contabilidade e o Usuário da Contabilidade Parte I

1. A CONTABILIDADE E O CONTADOR

01

2. Estudo e Controle do Patrimônio

01

3. A Contabilidade na História

02

4. Evolução da Ciência Contábil

03

5. SIMBOLOGIAS DA CONTABILIDADE

12

6. Exercícios de fixação

15

7. A Contabilidade na tomada de decisão

15

8. Função do contador

16

9. Objetivos e finalidades da contabilidade

16

10. CENÁRIOS CONTÁBEIS

19

11. Exercícios de fixação

21

12. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE CONTABILIDADE NO BRASIL

22

13. Patrimônio da Empresa

25

14. Exercícios de fixação

26

15. Contas Contábeis

27

16. Exemplos de Contas Contábeis

29

17. BALANÇO PATRIMONIAL - GRUPOS DE CONTAS

30

18. Noções Introdutórias Sobre Balanço Patrimonial

30

19. Exercícios de fixação

32

20. Origens e Aplicações de Recursos

33

21. ALTERAÇÕES OCORRIDAS A FORMA DE APRESENTAÇÃO DO BALANÇO

34

22. RELATÓRIOS CONTÁBEIS – Noções Introdutórias

35

23. Requisitos do Balanço Patrimonial

38

24. CONTAS DO BALANÇO PATRIMONIAL

41

25. Exercícios de Fixação

56

26. REGIMES DE CONTABILIDADE - APURAÇÃO DE RESULTADOS

57

27. Considerações Sobre Receita

59

28. Considerações Sobre Despesa

60

29. Correlação Entre Receita e Despesa

60

30. Opção Pelo Regime de Caixa e Competência

60

31. DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO (DRE)

61

32. Exercícios de Fixação

63

Fundamentos e Desenvolvimento Prático da Contabilidade Parte II

1. Fundamentos da Contabilidade

63

2. ATOS ADMINISTRATIVOS E FATOS CONTÁBEIS

71

3. Exemplificação de lançamentos contábeis

72

4. SINALIZAÇÃO DOS LANÇAMENTOS

74

5. Exercícios de Fixação

76

6. BALANÇO PATRIMONIAL

77

7. Exercícios de Fixação

79

8. BALANCETE DE VERIFICAÇÃO E SUAS DEFINIÇÕES

82

9. Apuração do Resultado do Exercício

87

10. Exercícios de Fixação

90

11. LUCRO OU PREJUÍZO NO EXERCÍCIO

91

12. ENCERRAMENTO DAS CONTAS DE DESPESAS E RECEITAS

93

13. Exercícios de Fixação

100

14. REGISTRO DAS OPERAÇÕES NO DIÁRIO (LANÇAMENTO)

101

15. Exercícios de Fixação

105

16. PEÇAS CONTÁBEIS

107

17. NOTAS EXPLICATIVAS AO BALANÇO

117

18. Exercícios de Fixação

122

Abordagem das Transações Comerciais, Exemplos de Apuração dos Impostos e sua Contabilização Parte III

1. TRANSAÇÕES COMERCIAIS E INDUSTRIAIS

125

2. ESTOQUE E CONSIDERAÇÕES

122

3. ESCRITURAÇÃO DO LIVRO REGISTRO DE INVENTÁRIO

126

i

4. COMPOSIÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO

126

5. ITENS INTEGRANTES DOS ESTOQUES

127

6. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL

127

7. PROVISÃO PARA AJUSTE DO ESTOQUE AO VALOR DE MERCADO

129

8. PROVISÃO PARA PERDAS EM ESTOQUES

130

9. IMPOSTOS PAGOS NA AQUISIÇÃO

130

10. CUSTEIO DE VENDAS

130

11. ESTOQUE DE PRODUTOS RURAIS

130

12. PROVISÃO PARA PERDAS EM ESTOQUES

131

13. MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DO ESTOQUE

131

14. RESULTADO COM MERCADORIAS – RCM

133

15. AVALIAÇÃO DOS PRODUTOS EM PROCESSO E ACABADOS

135

16. QUEBRAS E PERDAS DE ESTOQUE

137

17. SUCATAS E SUBPRODUTOS

137

18. SIGNIFICADO DE AUMENTO DE ESTOQUE

138

19. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL

138

20. ADIANTAMENTO A FORNECEDORES

140

21. IMPOSTOS PAGOS NA AQUISIÇÃO

140

ii

PARTE I

A CONTABILIDADE E O USUÁRIO DA CONTABILIDADE

1. A CONTABILIDADE E O CONTADOR

O que seria Contabilidade?

A Contabilidade é um dos conhecimentos mais antigos da humanidade e não surgiu em função

de qualquer tipo de legislação fiscal ou societária. Seu surgimento é devido à necessidade prática do próprio gestor do patrimônio, normalmente seu proprietário, preocupado em elaborar um instrumento que lhe permitisse, dentre outros benefícios, conhecer, controlar, medir os resultados, obter informações sobre produtos mais rentáveis, poder fixar preços e analisar a evolução de seu patrimônio. Para conseguir estes resultados o gestor passou a criar rudimentos de escrituração que viessem a atender a tais necessidades. Uma tira bastante interessante dos procedimentos mais rudimentares para controlar seus bens, está relacionada aos pastores que acumulavam pedras que correspondiam ao numero de animais que possuíam. Tomemos como exemplo um pastor de ovelhas, onde toda manhã quando elas saiam para pastar, ele ia colocando num buraco ou local seguro uma pedra correspondente a cada ovelha que saía e quando voltavam da pastagem, ele retirava as pedrinhas uma a uma para corresponder a cada animal que retornasse. Se sobrasse alguma pedra, é porque tinha faltado ovelha e ele então voltava para procurar. Este método também serviria para verificar a quantidade de animais, em relação ao aumento por novas crias.

de animais, em relação ao aumento por novas crias. 2. ESTUDO E CONTROLE DO PATRIMÔNIO 2.1.
de animais, em relação ao aumento por novas crias. 2. ESTUDO E CONTROLE DO PATRIMÔNIO 2.1.

2. ESTUDO E CONTROLE DO PATRIMÔNIO

2.1. Estudo e Controle do Patrimônio

DO PATRIMÔNIO 2.1. Estudo e Controle do Patrimônio A Contabilidade é a ciência que tem por

A Contabilidade é a ciência que tem por objetivo o estudo e controle do Patrimônio das

Entidades Administrativas. Ela cumpre sua função mediante o registro e demonstração

expositiva, bem como a interpretação dos fatos nela ocorridos.

“Contabilidade é a ciência que estuda, registra e controla o patrimônio e as mutações que nele operam os atos e fatos administrativos, demonstrando no final de cada exercício social o resultado obtido e a situação econômico-financeira da entidade”.

Conforme a doutrina oficial brasileira - organizada pelo Conselho Federal de Contabilidade, a contabilidade faz parte das ciências sociais, da mesma forma que a economia e a administração.

A finalidade destas demonstrações será para oferecer informações ao usuário, sobre a sua

composição e suas variações, bem como sobre os resultados econômicos decorrentes da

gestão da riqueza patrimonial, oferecendo subsídios para a tomada de decisão.

1

Inicialmente, a finalidade da Contabilidade seria para utilização como instrumento que

permitisse recordar facilmente as variações sucessivas de determinadas grandezas na linha do tempo, para que em qualquer momento pudesse saber a sua dimensão. Esta função perdeu-se

a partir do momento que se tornou obrigatório para o empresário ter conhecimento de em

tempo real dos valores transacionados na empresa para serem utilizados como uma fonte de informações na medida em que pode facultar a qualquer momento o conhecimento da situação da empresa e o andamento dos seus negócios.

2.2. Técnica de Gestão

A contabilidade é também considerada uma técnica de gestão, que tem como finalidade

principal a determinação da situação patrimonial das empresas e dos seus resultados.

Hoje a empresa não se interessa apenas com o registro histórico dos fatos patrimoniais. A maior defesa do empresário, na gestão moderna é a previsão do futuro. A contabilidade não deve ser vista apenas como um elemento que simplesmente recolha e interprete dados históricos, mas como uma técnica eficiente de gestão.

A gestão moderna não deve se limitar simplesmente a conhecer o passado e o presente da

entidade. Pois fatores relevantes como concorrentes diretos, fornecedores, logística, por exemplo, torna necessário, cada vez mais, conhecer e prever o futuro, a fim de estabelecer diretrizes para efetuar o melhor planejamento mediante uma seleção prévia das diversas alternativas possíveis. Para isso são necessários elementos de diversos tipos que fundamentem essas escolhas. Os dados fornecidos pela contabilidade constituem um importante auxiliar no fornecimento destes elementos de tomada de decisão. Estabelecido os objetivos e formulado o planejamento, há ainda a necessidade de estabelecer formas de controlar a gestão, sendo a contabilidade um importante auxiliar no fornecimento dos elementos indispensáveis a esse controle.

INSTRUMENTO

INSTRUMENTO

INSTRUMENTO
INSTRUMENTO
dos elementos indispensáveis a esse controle. INSTRUMENTO INFORMAÇÕES ÚTEIS TOMADA DE DECISÃO 3. A CONTABILIDADE

INFORMAÇÕES ÚTEIS

INFORMAÇÕES ÚTEIS
INFORMAÇÕES ÚTEIS
INFORMAÇÕES ÚTEIS

TOMADA DE DECISÃO

3. A CONTABILIDADE NA HISTÓRIA

3.1. História da Contabilidade em Relação ao Tempo

Se observarmos na linha do tempo, veremos que a história da Contabilidade é tão antiga, quanto à história da própria humanidade, aparecendo até em passagens Bíblicas. Seu surgimento é devido à necessidade de convivência do homem em sociedade, a partir do momento em que o homem também tem necessidade de controlar seus bens e sua riqueza.

A Contabilidade está diretamente ligada à necessidade social, servindo como instrumento de

controle e proteção das posses, com finalidade de perpetuação e interpretação de fatos

ocorridos com os bens possuídos e as transações em relação a estes bens.

No decorrer da história da humanidade, o homem foi abandonando a caça, voltando-se para a organização da agricultura e pastoreio, onde foi obrigado a ter certo controle sobre suas posses. Como o homem passou a se agregar em comunidade, tendo como finalidade principal sua proteção, o direito sobre o uso do solo acarretou em certa individualidade em relação à propriedade, surgindo divisões e o senso de propriedade, criando cada pessoa sua riqueza individual. O pensamento do futuro levou o homem aos primeiros registros com a finalidade de conhecer as possibilidades de uso, de consumo, de produção, dentre outros.

Esta riqueza acumulada no decorrer da vida, não se extinguia com a morte de seu proprietário. Ao morrer, o legado deixado, passava como herança aos filhos ou parentes. Esta herança recebida dos pais denominou-se patrimônio. Esta é uma variação do termo latim de pater ou patris, que era o mais elevado estatuto familiar (status familiae) na Roma Antiga, sempre uma posição masculina. O termo é Latim e significa, literalmente, "pai da família". O termo

2

patrimônio passou a ser utilizado para quaisquer valores, independentemente de ser ou não originado de herança.

3.2. Relação da Contabilidade com Práticas do Comércio

Observa-se ainda como origem da Contabilidade a necessidade de registros dos atos praticados no comércio. Historicamente os primeiros registros de cidades comerciais apontam para os Fenícios. A prática do comércio não era pratica exclusiva deste povo, sendo exercida nas principais cidades da Antiguidade.

Com a complexidade das operações econômicas, o controle se das operações tem grandes melhoramentos. Como exemplo disto, temos As escritas governamentais da República

Romana, datando por volta de 200 a.C

Nestas escriturações já era possível encontrar

receitas de caixa que eram classificadas em classificadas como rendas e como lucros, As despesas eram encontradas nos itens como salários, festejos, gastos.

A igreja também foi um grande precursor das bases da contabilidade. No período medieval,

surgiram diversas inovações na contabilidade que foram introduzidas por governos locais e pela própria igreja devido ao grande crescimento de seus bens e das propriedades. Mas é somente na Itália que surge o termo Contabilitá e é esse o primeiro país a fazer restrições à prática da Contabilidade por um indivíduo qualquer.

LOPES DE SÁ, em seu Dicionário de Contabilidade ensina que a historia da contabilidade se divide em 5 eras, a saber:

- Era empírica da contabilidade (8.000 AC/1202 DC);

- Era da sistematização contábil (1202/1494) - escolas de ábaco

- Era da literatura contábil (1494/1840) O método das partidas dobradas - frei Luca Pacioli;

- Era da contabilidade científica (1840/ 1950)

- Era do período filosófico (1950/

)

4. EVOLUÇÃO DA CIÊNCIA CONTÁBIL

Contabilidade no Mundo Antigo - período que se inicia com as primeiras civilizações e vai até 1202 da Era Cristã, quando apareceu o Liber Abaci , da autoria Leonardo Fibonaci, o Pisano.

Contabilidade no Mundo Medieval - período que vai de 1202 da Era Cristã até 1494, quando apareceu o Tratactus de Computis et Scripturis (Contabilidade por Partidas Dobradas) de Frei Luca Paciolo, publicado em 1494, enfatizando que à teoria contábil do débito e do crédito corresponde à teoria dos números positivos e negativos, obra que contribuiu para inserir a contabilidade entre os ramos do conhecimento humano.

Contabilidade no Mundo Moderno - período que vai de 1494 até 1840, com o aparecimento da Obra "La Contabilità Applicatta alle Amministrazioni Private e Pubbliche", da autoria de Franscesco Villa, premiada pelo governo da Áustria. Obra marcante na história da Contabilidade.

Contabilidade no Mundo Científico - período que se inicia em 1840 e continua até os dias de hoje.

4.1. Período Antigo

A contabilidade empírica, que foi praticada pelo homem antigo, já tinha como objeto principal o

controle do Patrimônio, que era representado pelos rebanhos e outros bens nos seus aspectos quantitativos de sua riqueza, sendo os primeiros registros contábeis feitos de forma rudimentar, geralmente na memória do homem, que devido à grande dificuldade de controle, logo encontrou formas mais eficientes de processar os seus registros, com a utilização de

3

gravações e outros métodos alternativos para manter por mais tempo o arquivo destes registros para consultas e comparações.

A contagem era o método usualmente adotado para o controle dos bens Neste caso, o

inventário exercia um importante papel, no controle de bens, que eram classificados segundo sua natureza: rebanhos diversos, metais, escravos, etc. A palavra "Conta" designa o agrupamento de itens da mesma espécie. São aceitos como primeiros escritos contábeis alguns registros encontrados em escavações que datam do término da Era da Pedra Polida, momento em que o homem passou a registrar os seus primeiros desenhos e gravações. Este é um fato histórico, podendo a título de interpretação, ser considerado como outro momento o início de registros contábeis.

Os primeiros controles eram estabelecidos pelos templos que acumulavam grandes riquezas e necessitavam ter um acompanhamento dos valores que transacionava, este fato perdurou por vários séculos.

A contabilidade foi criada em uma época em que ainda não existia a escrita. Sabemos que em determinados períodos era usada a técnica das fichas de barro, couro, papiro e depois de muita evolução a técnica contista para a marcação do eventos que eram controlados. Os sumérios e babilônicos, assim como os assírios, faziam os seus registros em peças de argila, retangulares ou ovais, ficando famosas as pequenas tábuas de Uruk – com inscrições cuneiformes, usadas para representar o controle patrimonial, estas peças mediam aproximadamente 2,5 a 4,5 centímetros, tendo faces ligeiramente convexas. Os registros combinavam o figurativo com o numérico. Por exemplo, gravava-se a cara do animal cuja existência se queria controlar e o numero correspondente às cabeças existentes (tratava-se de uma forma rudimentar de inventário).

(tratava-se de uma forma rudimentar de inventário). Tábuas de Uruk – Com Inscrições Cuneiformes Para
(tratava-se de uma forma rudimentar de inventário). Tábuas de Uruk – Com Inscrições Cuneiformes Para

Tábuas de Uruk – Com Inscrições Cuneiformes

Para realizar o controle nessas placas, desenhava-se na placa o tipo de bem que se estava controlando, e depois para cada unidade desse bem se atribuía um furo na argila. Por exemplo,

se tivéssemos um rebanho com 5 cabras, desenhava-se a cabra ou a cabeça do animal em um

canto da placa de argila, e eram feitos 5 furos na placa, correspondendo cada furo a um animal

do rebanho.

Embora bastante rudimentar estes registros, assemelhava-se muito em sua forma ao que é processado atualmente. O nome da conta, "Matrizes", por exemplo, substituiu a figura gravada, enquanto o aspecto numérico se tornou mais qualificado, com o acréscimo do valor monetário ao quantitativo. Esta evolução permitiu que, paralelamente à "Aplicação" do controle, se pudesse demonstrar, também, a sua "Origem" deste controle.

Na cidade de Ur, na Caldéia, onde viveu Abraão, personagem bíblico citado no livro de Gênesis, foram encontrados em escavações, importantes documentos contábeis: tabela de escrita cuneiforme, onde estão registradas contas referentes á mão-de-obra e materiais, que indicam um controle de Custos Diretos. Percebe-se que, há 5.000 anos antes de Cristo, o homem já considerava fundamental apurar os seus custos.

4

4.2. Contabilidade nos Tempos da Bíblia

Até mesmo na Bíblia encontramos relatos interessantes sobre controles contábeis, conforme relatado em Lucas capítulo 16, versículos 1 a 7; em Gênesis capítulo 41 versículo 49; em Jó capítulo 1, versículo 3 e capítulo 42, versículo 12; em 1º Reis capítulo 4 versículos 22 à 26 e capítulo 10 versículos 14 à 17, em Mateus capítulo 18 versículo 23 à 27. Estas são algumas passagens onde pode ser observada a contabilidade como método de mensuração e controle de bens.

Passagens Bíblicas citadas no texto:

Lucas capítulo 16, versículos 1 a 7

O negociante esperto

) (

1 E dizia também aos seus discípulos: Havia um certo homem rico, o qual tinha um mordomo; e este foi acusado perante ele de dissipar os seus bens.

2 E ele, chamando-o, disse-lhe: Que é isso que ouço de ti? Presta contas da tua mordomia, porque já não poderás ser mais meu mordomo.

3 E o mordomo disse consigo: Que farei, pois que o meu senhor me tira a mordomia? Cavar não posso; de mendigar tenho vergonha.

4 Eu sei o que hei de fazer, para que, quando for desapossado da mordomia, me recebam em suas casas.

5 E, chamando a si cada um dos devedores do seu senhor, disse ao primeiro: Quanto deves ao meu senhor?

6 E ele respondeu: Cem medidas de azeite. E disse-lhe: Toma a tua conta e, assentando-te já, escreve cinqüenta.

7 Disse depois a outro: E tu quanto deves? E ele respondeu: Cem alqueires de trigo. E disse-lhe: Toma a tua conta e escreve oitenta.

) (

Gênesis capítulo 41 versículo 49:

O sonho de Faraó

(

)

49 Assim, ajuntou José muitíssimo trigo, como a areia do mar, até que cessou de contar, porquanto não havia numeração.

) (

Jó capítulo 1, versículo 3 e capítulo 42, versículo 12

Capítulo 1

O carácter e a riqueza de Job

) (

5

3 E era o seu gado sete mil ovelhas, e três mil camelos, e quinhentas juntas de bois, e quinhentas jumentas; era também muitíssima a gente ao seu serviço, de maneira que este homem era maior do que todos os do Oriente.

) (

Capitulo 42

Deus Restaura a prosperidade de Job

) (

12 E, assim, abençoou o SENHOR o último estado de Jó, mais do que o primeiro;

porque teve catorze mil ovelhas, e seis mil camelos, e mil juntas de bois, e mil jumentas.

) (

1º Reis capítulo 4 versículos 22 à 26 e capítulo 10 versículos 14 à 17

Capítulo 4

Os oficiais e governadores de Salomão

) (

22 Era, pois, o provimento de Salomão, cada dia, trinta coros de flor de farinha e

sessenta coros de farinha;

23 dez vacas gordas, e vinte vacas de pasto, e cem carneiros, afora os veados, e as

cabras monteses, e os corços, e as aves cevadas.

24 Porque dominava sobre tudo quanto havia da banda de cá do rio Eufrates, de Tifsa

até Gaza, sobre todos os reis da banda de cá do rio; e tinha paz de todas as bandas

em roda dele.

25 Judá e Israel habitavam seguros, cada um debaixo da sua videira e debaixo da sua figueira, desde Dã até Berseba, todos os dias de Salomão.

26 Tinha também Salomão quarenta mil estrebarias de cavalos para os seus carros e

doze mil cavaleiros.

) (

Capitulo 10

O esplendor de Salomão

(

)

14

E era o peso do ouro que se trazia a Salomão cada ano seiscentos e sessenta e

seis talentos de ouro,

15 além do dos negociantes, e do contrato dos especieiros, e de todos os reis da

Arábia, e dos governadores da mesma terra.

16 Também o rei Salomão fez duzentos paveses de ouro batido; seiscentos siclos de

ouro mandou pesar para cada pavês;

6

17

fez também trezentos escudos de ouro batido; três arráteis de ouro mandou pesar

para cada escudo; e o rei os pôs na casa do bosque do Líbano.

) (

Mateus capítulo 18 versículo 23 à 27

A ilustração do servo sem misericórdia

) (

23 Por isso, o Reino dos céus pode comparar-se a um certo rei que quis fazer contas

com os seus servos;

24 e, começando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos.

25 E, não tendo ele com que pagar, o seu senhor mandou que ele, e sua mulher, e

seus filhos fossem vendidos, com tudo quanto tinha, para que a dívida se lhe pagasse.

26 Então, aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso

para comigo, e tudo te pagarei.

27 Então, o senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe

a dívida.

) (

4.3. Contabilidade no Período Medieval

Estudavam-se, nesta época, técnicas matemáticas, pesos e medidas, câmbio, entre outros assuntos, tornando o homem mais evoluído em conhecimentos comerciais e financeiros. Na Itália, em 1202, foi publicado o livro "Liber Abaci", de Leonardo Pisano, também conhecido como Fibonacci. No Liber Abaci, Fibonacci apresenta o chamado modus Indorum (método dos hindus), hoje conhecido como algarismos arábicos (Sigler 2003; Grimm 1973). O livro defendia a numeração com os dígitos 0-9 e a notação posicional, esclarecendo o sistema de posição árabe dos números, incluindo o número zero. O livro mostrou a importância prática do novo sistema numeral, aplicando-o à contabilidade comercial, conversão de pesos e medidas, o cálculo de juros, taxas de câmbio e outras aplicações. O livro foi bem recebido em toda Europa educada e teve um impacto profundo no pensamento europeu. Esse elegante sistema de sinais numéricos, em breve, substituiria o não mais oportuno sistema de algarismos romanos.

Os sumérios e os babilônicos, com o desenvolvimento da escrita cuneiforme contribuíram grandemente como o inicio dos registros contábeis. A escrita cuneiforme, grande realização sumeriana, usada pelos sírios, hebreus e persas, surgiu ligada às necessidades de contabilização dos templos. Era uma escrita ideográfica, na qual o objeto representado expressava uma idéia. Os sumérios e, mais tarde os babilônicos e os assírios, que falavam acadiano fizeram uso extensivo da escrita cuneiforme. Mais tarde, os sacerdotes e escribas começaram a utilizar uma escrita convencional, que não tinha nenhuma relação com o objeto representado. Os Egípcios representaram um papel de extrema importância para essa primeira evolução da contabilidade, pois, asseguram-se, que foram os primeiros povos a utilizar um valor monetário em seus registros. As escriturações eram feitas em papiros, e o sistema contábil tornava-se dinâmico com registros diários. Os escribas representam os primeiros contadores. Eram encarregados de registrar nas folhas de papiro, os movimentos da produção agrícola, armazenamento da produção, cobrança de impostos e taxas entre outras movimentações. Podemos dizer que era o surgimento do Livro Contábil. Os escribas eram fiscalizados pelo Fisco Real o que tornava os escriturários mais sérios e zelosos no exercício de sua profissão.

7

Outro grande avanço dos Egípcios foi em relação a analise do patrimônio e na distribuição das despesas por centros de aplicação. Por volta de 2000 a.C., os livros e documentos comerciais eram obrigatórios, mostrando ênfase no aspecto econômico. No decorrer do tempo os egípcios que utilizavam figuras e símbolos para demonstrar a escrituração de seu patrimônio, passaram

a utilizar sinais gráficos, diminuindo assim, substancialmente o tempo para elaboração de registros administrativos, que se tornaram cada vez mais volumosos.

Os Gregos evoluíram a forma de contabilizar dos Egípcios, em 2000 a.C. já havia apuração do

saldo com a confrontação de contas de Custos e Receitas e estenderam a escrituração

contábil para a administração pública e bancária.

No Período Medieval, que foi denominada como “Era Técnica” devido às grandes invenções, houve o aperfeiçoamento e o crescimento da contabilidade, por causa do advento do capitalismo, juntamente, neste período, iniciava-se o trabalho assalariado, tornando a contabilidade mais complexa, onde surge pela primeira vez a conta “Capital”. Nessa época havia de maneira rudimentar as figuras do Débito e o Crédito.

O método das Partidas Dobradas teve origem na Itália, surgindo como conseqüência e

necessidade da Contabilidade de Custos. Nessa mesma região surgia uma das principais, talvez a principal, escola de contabilidade, sendo esta a Escola Italiana, que será abordada no segundo tópico desse artigo.

A obra de Frei Luca Pacioli, denominada "Summa de Arithmetica, Geometrica, Proportioni et

Proportionalitá" era um tratado matemático que incluía uma seção denominada "Tratactus de Computis et Scripturis" (Contabilidade por Partidas Dobradas). Nessa seção, Luca Pacioli apresenta o sistema de escrituração por partidas dobradas e o raciocínio dos lançamentos contábeis, tendo como base os débitos e os créditos. O Principio das partidas dobradas é um método, segundo o qual, todo lançamento a crédito em uma conta, faz com que surja outra

conta com a mesma importância a débito. Historicamente, Pacioli é considerado o pai da Contabilidade, e muitos atribuem a ele a criação

do método das Partidas Dobradas. Porém esta não é a realidade histórica dos fatos, viso que o

método da Partidas Dobradas já era utilizado na Itália, principalmente em Toscana, desde o Século XIV.

na Itália, principalmente em Toscana, desde o Século XIV. FREI LUCA PACIOLI escreveu: Tratactus de Computis

FREI LUCA PACIOLI escreveu: Tratactus de Computis et Scripturis (Contabilidade por Partidas Dobradas), publicado em 1494. O quadro acima "Ritratto di Luca Pacioli", de Jacopo de' Barbari, atualmente no acervo do Museo di Capodimonte, em Nápoles, na Itália.

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Frade, matemático e professor de aritmética comercial italiano nascido em Sansepolcro, que escreveu (1487)

e publicou (1494) Summa de arithmetica, geometrica, proportioni et proportionalita, a primeira e

revolucionária obra sobre álgebra publicada na Europa. Filho de Bartolomeo Pacioli, foi criado pela família Befolci, em Sansepolcro. Discípulo de Piero della Francesca teve forte influência deste mestre. Ainda jovem mudou-se para Veneza, onde empregou-se no comércio de Antonio Rompiansi e tornou-se tutor dos filhos do patrão, enquanto ampliava seus conhecimentos de matemática com Domenico Bragadino. Assim, ao mesmo tempo, ganhou experiência como comerciante, professor, tutor e matemático e escreveu seu primeiro trabalho em matemática, que dedicou ao seu patrão, em agradecimento ao apoio deste em suas atividades de estudante e pesquisador (1470). Logo depois Rompiansi morreu e ele deixou Veneza e foi para Roma, onde trabalhou temporariamente para o secretário papal, Leone Battista Alberti. Além de religioso, Alberti era um excelente professor de matemática e durante a convivência convenceu-o a estudar teologia, chegando a levá-lo para a Ordem Franciscana. Também trabalhou para Federico da Montefeltro, duque de Urbino, e desistindo da vida monástica (1477) começou uma vida errante durante a qual escreveu outros trabalhos e ensinou matemática

em várias universidades, particularmente aritmética, dentro e fora da hoje Itália, entre elas na Universidade

de

Perugia (1477-1480), Zara, hoje na Croácia, novamente Perugia, Nápoles e Roma (1487-1489). Depois

de

Roma voltou para Sansepolcro, onde manteve-se em atividades e saía para trabalhos temporários em

outras localidades. Lá escreveu sua principal obra, Summa de arithmetica, geometria, proportioni et proportionalita, que ele dedicou a Guidobaldo, duque de Urbino, e publicou em Veneza (1494). Depois manteve contatos com Leonardo da Vinci e foi nomeado professor de geometria na Universidade de Pisa, em Florença (1500-1506). Deixou Florença, e voltou a Veneza onde publicou os três volumes de Divina proportione (1509). Retornou para ensinar em Perugia (1510) e depois para Roma (1514). Com a saúde abalada, retornou para Sansepolcro, onde morreu (1517) deixando pronto mas não publicado o que seria seu

maior trabalho: De viribus amanuensis. no qual contou com a participação de Leonardo da Vinci.

4.4. Período Moderno

O período moderno foi a fase da pré-ciência. Devem ser citados três eventos importantes que

ocorreram neste período:

em 1453, os turcos tomam Constantinopla, o que fez com que grandes sábios bizantinos emigrassem, principalmente para Itália;

em 1492, é descoberta a América e, em 1500, o Brasil, o que representava um enorme potencial de riquezas para alguns países europeus;

em 1517, ocorreu a reforma religiosa; os protestantes, perseguidos na Europa, emigram para as Américas, onde se radicaram e iniciaram nova vida.

A Contabilidade tornou-se uma necessidade para se estabelecer o controle das inúmeras

riquezas que o Novo Mundo representava.

A introdução da técnica contábil nos negócios privados foi uma contribuição de comerciantes

italianos do séc. XIII. Os empréstimos a empresas comerciais e os investimentos em dinheiro

determinaram o desenvolvimento de escritas especiais que refletissem os interesses dos credores e investidores e, ao mesmo tempo, fossem úteis aos comerciantes, em suas relações com os consumidores e os empregados.

O

aparecimento da obra de Frei Luca Pacioli, contemporâneo de Leonardo da Vinci, que viveu

na

Toscana, no século XV, marca o início da fase moderna da Contabilidade.

4.5. Período Científico

Nessa época, na Itália, a Contabilidade já chegara à universidade e a Contabilidade começou a ser lecionada juntamente com a aula de comércio da corte, em 1809.

O Período Científico apresenta, nos seus primórdios, dois grandes autores consagrados:

Francesco Villa, escritor milanês, contabilista público, que, com sua obra "La Contabilità Applicatta alle administrazioni Private e Plubbliche", inicia a nova fase; e Fábio Bésta, escritor veneziano.

9

4.5.1. Escolas do Pensamento Contábil

Os estudos envolvendo a Contabilidade fizeram surgir três escolas do pensamento contábil: a primeira, chefiada por Francisco Villa, foi a Escola Lombarda; a segunda, a Escola Toscana, chefiada por Giusepe Cerboni; e a terceira, a Escola Veneziana, por Fábio Besta.

4.5.1.1. Primeira Escola – Escola Lombarda chefiada por Francisco Villa

A Escola Lombarda, também chamada de Escola Administrativa, surgiu em 1840, com a

publicação do livro La contabilità applicata alle amministrazioni private e pubbliche, de

Francesco Villa, que era o principal representante desta escola de contabilidade, junto com Antonio Tonzig.

O principal interesse da Escola Lombarda era o estudo da administração das empresas. Com

isto, a Contabilidade deixou de ser apenas escrituração, passando também a controlar a

gestão das empresas. Não se limitando somente às cifras, passando a abranger também idéias

e operações mais abstratas. Uma grande inovação desta escola foi a avaliação de ativos permanentes por preços correntes.

4.5.1.2. Segunda Escola - Escola Toscana, chefiada por Giusepe Cerboni

Giuseppe Cerboni distinguiu-se principalmente em 1873, através de sua tese Primi Saggi de Logismografia, que foi enviada para a o XI congresso de cientistas em Roma. Cerboni partiu do raciocínio que tudo o que ocorre na empresa, motiva direitos e obrigações. Por esta razão, os personalistas definem o patrimônio como um conjunto de direitos e obrigações. Cerboni tinha convicção que as contas se referiam sempre a fatos que se ligavam às pessoas e como tal, deveriam ser estudados. Considerou-se como indicação que cada conta com direitos e obrigações, estabelecendo uma doutrina de responsabilidade pessoal entre as pessoas que participam da administração econômica da administração das aziendas.

4.5.1.3. Terceira Escola - Escola Veneziana, chefiada por Fábio Bésta

Em 1880, quando da abertura do ano acadêmico 1880-1881, apresentou a ciência contábil como aquela que trazia como objeto de estudo o “controle econômico das aziendas”, dividindo este em três funções a saber: controle antecedente, controle concomitante e controle subseqüente. Um dos grandes pontos de divergências entre as escolas de Besta e Cerboni era quanto à delimitação do patrimônio aziendal. Como já dito, para Cerboni o patrimônio não era apenas os Bens, somando-se a estes os Direitos e as Obrigações; para Besta, o patrimônio é o agregado de valores atribuíveis aos bens, negando o conjunto de direitos e obrigações. As idéias de Besta, apesar de seus seguidores, dentre eles Vittorio Alfieri, Pietro Rigobon, Francesco de Gobbis, Vincenzo Vianelo, Pietro D’Alvise e o mais importante de todos, Carlo Ghidiglia, não encontraram grandes repercussões na Itália, berço de todas suas argumentações, nem em outros países.

4.5.1.4. Escola Norte-Americana

As escolas norte-americanas floresceram devido às suas teorias e práticas contábeis,

favorecidas devido a uma ampla estrutura econômica e política e também pela pesquisa e trabalho sério dos órgãos associativos.

O surgimento do American Institut of Certield Public Accountants teve extrema importância no

desenvolvimento da Contabilidade e dos princípios contábeis hoje aceitos; diversas associações e entidades empreenderam esforços e grandes somas em pesquisas nos Estados Unidos, com grande integração entre acadêmicos e profissionais da Contabilidade, fato que não se verificava nas escolas européias, onde as universidades foram decrescendo em nível e em importância.

A causa principal do estabelecimento das teorias e práticas contábeis é devido à criação de

grandes empresas, como as multinacionais ou transnacionais, por exemplo, com grandes capitais, diversos acionistas, passaram a requerer uma correta interpretação das informações,

por qualquer dos acionistas ou outro interessado, em qualquer parte do mundo.

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Comparação das Escolas Européia e Americana

Algumas razões da Queda da Escola Européia (especialmente italiana)

1. Excessivo Culto à Personalidade:

grandes mestres e pensadores da Contabilidade ganharam tanta notoriedade que passaram a ser vistos como “oráculos” da verdade Contábil.

2. Ênfase a uma Contabilidade Teórica:

as mentes privilegiadas produziam trabalhos excessivamente teóricos, apenas pelo gosto de serem teóricos, difundindo-se idéias com pouca aplicação prática.

3. Pouca Importância à Auditoria:

principalmente na legislação italiana, o grau de confiabilidade e a importância da auditagem não eram enfatizados.

4. Queda do nível das principais

faculdades:

principalmente as faculdades italianas, superpovoadas de alunos.

Algumas razões da Ascensão da Escola Norte-Americana

1. Ênfase ao Usuário da Informação

Contábil:

a Contabilidade é apresentada como algo útil para a tomada de decisões, evitando-se endeusar demasiadamente a Contabilidade; atender os usuários é o grande objetivo.

2. Ênfase à Contabilidade Aplicada:

principalmente à Contabilidade Gerencial. Ao contrário dos europeus, não havia uma preocupação com a teoria das contas, ou querer provar que a Contabilidade é uma ciência.

3. Bastante Importância à Auditoria:

como herança dos ingleses e transparência para os investidores das Sociedades Anônimas (e outros usuários) nos relatórios contábeis, a auditoria é muito enfatizada.

4. Universidades em busca de qualidade:

grandes quantias para as pesquisas no campo contábil, o professor em dedicação exclusiva, o aluno em período integral valorizaram o ensino nos Estados Unidos.

FONTE: IUDICÍBUS, Sérgio de, MARION, José Carlos. Introdução à teoria da contabilidade. São Paulo: Atlas, 1999, p. 36.

4.6. A Contabilidade no Brasil

A Contabilidade no Brasil é historicamente iniciada na época colonial e vem ao decorrer dos anos evoluindo burocrática e cientificamente. Sob novas normas, códigos no procedimento contábil, e mudanças desde a Escola Politécnica do Rio de Janeiro, em 1890 até as Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Ciências Contábeis instituído em 2004.

A Influência das escolas do pensamento contábil no Brasil tem enorme influência da escola Italiana. Com a vinda da Família Real Portuguesa incrementou a atividade colonial, exigindo – devido ao aumento dos gastos públicos e também da renda nos Estados – um melhor aparato fiscal. Para tanto, constituiu-se o Erário Régio ou o Tesouro Nacional e Público, juntamente com o Banco do Brasil.

Embora já existissem formas de Contabilidade no Brasil, a primeira manifestação oficial data de 1808, com a vinda da Família Real ao Brasil. Dom João VI publicou um alvará que obrigava a adoção do método das partidas dobradas.

Para que o método de escrituração e fórmulas de contabilidade de minha real fazenda não fique arbitrário à maneira de pensar de cada um dos contadores gerais, que sou servidor criar para o referido Erário:

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- ordeno que a escrituração seja mercantil por partidas dobradas, por ser a única seguida por nações mais civilizadas, assim pela sua brevidade para o manejo de grandes somas, como por ser mais clara e que menos lugar dá a erros e subterfúgios, onde se esconde a malícia e a fraude dos prevaricadores.

Para atender as determinações do alvará, a contabilidade foi organizada pelo contador Alves Branco, no período de 1830 a 1840, com base no método das partidas dobradas.

Em 1964 o método norte-americano, que apontava para a contabilidade mais pratica, assim a padronizando, com o apoio de varias associações de classe contábil para discussão de padronização e regulamentação contábil, com grande destaque para a doutrina italiana Patrimonialista, e norte-americana.

Em 1770, surge a primeira regulamentação da profissão contábil no Brasil, quando Dom José, expede a carta de lei a todos os domínios. Nela, fica estabelecida a necessidade de matrícula de todos os guarda-livros na Junta do Comércio, em livros específicos, ficando claro que a não inclusão do profissional no referido livro o tornaria inapto a obter empregos públicos, impedindo-o também de realizar escriturações, contas ou laudos.

A lei proibia que os escritórios das casas de negócios contratassem guarda-livros sem

matrícula e ainda exigia que, na Contadoria Pública, só fossem aceitos profissionais que tivessem cursado as aulas de comércio.

Desde aquela época se podia verificar a íntima relação e a forte influência da educação no mercado de trabalho, na medida em que a freqüência às aulas de comércio garantia melhores condições e status profissional.

Atualmente as funções do contabilista não se restringem meramente ao âmbito fiscal, tornando-se, devido ao mercado complexo de economia, peça vital para empresas em relação

ao oferecimento de informações mais precisas possíveis para tomada de decisões.

5. SIMBOLOGIAS DA CONTABILIDADE

5.1. O Caduceu – Símbolo da Ciência Contábil

O Símbolo da Contabilidade é representado por um bastão entrelaçado com duas serpentes,

que na parte superior tem duas pequenas asas ou um elmo alado. Sua origem se explica racional e historicamente pela suposta intervenção de Mercúrio diante de duas serpentes que lutavam, as quais se enroscavam em seu bastão. Os romanos utilizaram o caduceu como símbolo do equilíbrio moral e da boa conduta; o bastão expressa o poder; as duas serpentes, a sabedoria; as asas, a diligência; o elmo é emblemático de pensamentos elevados. O caduceu é na atualidade a insígnia do bispo católico ucraniano. Do ponto de vista dos elementos, o caduceu representa sua integração, correspondendo o bastão à terra, as asas, ao ar; as serpentes à água e ao fogo (movimento ondulante da onda e da chama). A antigüidade do

símbolo é muito grande e encontra-se na Índia gravado nas lápides de pedra denominadas "nagakals", uma espécie de ex-votos que aparecem à entrada dos templos. Erich Zimmer deriva o caduceu da Mesopotâmia, onde o vê no desenho da taça sacrifical do rei Gudea de Lagash (2.600 a.C.). Apesar da longínqua data, o autor mencionado diz que o símbolo é provavelmente anterior, considerando os mesopotâmicos as duas serpentes entrelaçadas como símbolo do Deus que cura as enfermidades, sentido que passou à Grécia e aos emblemas de nossos dias. Do ponto de vista esotérico, a vara do caduceu corresponde ao eixo do mundo e suas serpentes aludem à força Kundalini que, segundo os ensinos tântricos, permanece adormecida e enroscada sobre si mesma na base da coluna vertebral (símbolo da faculdade evolutiva da energia pura).

Segundo Schneider, os dois S formados pelas serpentes correspondem à doença e à convalescença. Em realidade, o que define a essência do caduceu é menos a natureza e o

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sentido de seus elementos que sua composição. A organização por exata simetria bilateral, como a balança de Libra, ou na triunidade da heráldica (escudo entre dois suportes) expressa sempre a mesma idéia de equilíbrio ativo, de forças adversárias que se contrapõem para dar lugar a uma forma estática e superior. No caduceu, este caráter binário equilibrado é duplo: há

serpentes e asas, pelo que ratifica esse estado supremo de força e autodomínio (e, conseqüentemente, de saúde) no plano inferior (serpentes, instintos) e no superior (asas, espírito). A Antigüidade, inclusive a grega, atribuiu poder mágico ao caduceu. Há lendas que se referem à transformação em ouro de tudo o que era tocado pelo caduceu de Mercúrio (observe-se a antecipação que a associação dos nomes determina, com respeito à alquimia) e

a seu poder de atrair as almas dos mortos. Mesmo as trevas podiam ser convertidas em luz por virtude desse símbolo da força suprema cedida a seu mensageiro pelo pai dos deuses.

força suprema cedida a seu mensageiro pelo pai dos deuses. 5.2. Anel do Contabilista Caduceu Pedra:

5.2. Anel do Contabilista

Caduceu

Pedra: Turmalina Rosa Clara, ladeada de Diamantes.

Aro: De um lado, o Caduceu de Mercúrio, que é a insígnia do Deus do Comércio (bastão que representa o poder, com duas Serpentes entrelaçadas, simbolizando a sabedoria; e o capacete com duas Asas que representam Atividade e Diligência); do outro, as Tábuas da Lei, com a legenda "LEX".

Essa escolha decorre da influência do Direito sobre a Contabilidade, que foi muito grande nos séculos passados; sendo a pedra do advogado vermelha, a do Contador deveria ter a mesma coloração, em outra tonalidade, pois entendia-se a profissão mais atada ao ramo do

conhecimento jurídico (até hoje as legislações fiscal, previdenciária, trabalhista, comercial, civil

e administrativa muito ocupam a ação profissional quotidiana e prática dos Contabilistas).

Essa hipótese é relacionada com a própria tábua da lei que se inseriu também como símbolo em nosso anel.

Só a partir das idéias da doutrina contábil materialista é que se entendeu que a Contabilidade e

o Direito possuem, bem distintos, métodos e finalidade de estudos, justificando, pois, também, simbologias distintas.

O CFC, ao adotar como recomendável o uso da pedra rosada para o anel, prendeu-se às

origens, fato que se entende compatível com o que é simbólico, pois, em realidade, as cores,

as

figuras, como associação de fatos, estão todas atadas a uma tradição.

O

importante era que se definisse a questão e isso foi feito pelo CFC com respeito à ética e a

uma história muito própria.

Fonte: Conselho Federal de Contabilidade. Mensagem a um futuro contabilista. - 6.ed. - Brasilia: CFC, 2002.

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5.2.1. A Simbologia do Anel de Grau

Símbolos são lembranças de conceitos. Diz um antigo ditado que um símbolo vale mais que cem palavras. Nas profissões os anéis representam os graus que conseguimos, ou seja, evidenciam que nos qualificamos em determinado campo do conhecimento. Como a aliança representa a constituição matrimonial, e os escudos representam as agremiações ou entidades, da mesma forma, os anéis são peças representativas, e enquanto "anéis de grau", eles identificam as profissões que dependem de estudos.

Atuando em uma das mais antigas profissões do mundo (a Contabilidade já era exercida na Suméria há quase 6.000 anos), o contabilista também criou o seu anel. No Brasil, ele vem desde o tempo dos "peritos-contadores" (há mais de 50 anos), e desde seu aparecimento possui as seguintes características:

desde seu aparecimento possui as seguintes características: a. estrutura em ouro; b. pedra principal cor de

a. estrutura em ouro;

b. pedra principal cor de rosa forte (rubislite);

c. ladeando a pedra principal, dois brilhantes, um

em cada flanco;

d. em uma lateral a tábua da lei em platina ou ouro

branco;

e. em outra lateral o caduceu estilizado em platina

ou ouro branco.

Todos esses componentes formam um agregado e possuem um significado, ou seja, eles são simbólicos. As interpretações variam, mas as que conhecemos e admitimos, passam a prevalecer. Em verdade tudo vem de uma tradição, de um costume, e não de um dever ou obrigação. Símbolos não são normas compulsórias, a não ser, quando integrantes de um complexo interpretativo como os idiomas e os teoremas.

5.3. Padroeiro dos Contabilistas

O evangelista São Mateus, nascido em Cafarnaum, foi autor de Evangelho de Mateus, era arrendatário de tributos assim sendo um contabilista da área da contabilidade pública em Cafarnaum. Ele escriturava e auditava e levava má fama pelo fato de ser um cobrador e arrecadador de tributos. Os cobradores eram conhecidos como publicanos e por este motivo não era bem visto pela sociedade, sendo considerado um pecador. O local onde se efetivava o pagamento dos tributos chamava-se telônio e onde também se trocava moeda estrangeira, portanto se tratava de um misto de casa de câmbio e de pagamento dos tributos. Dia 21 de setembro é comemorado o Dia de São Mateus, Padroeiro dos Contabilistas.

Dia 21 de setembro é comemorado o Dia de São Mateus, Padroeiro dos Contabilistas. Oração em

Oração em louvor a São Mateus:

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Oração a São Mateus

São Mateus que deixastes a riqueza para seguir com entusiasmo o chamado do Mestre, fazendo da pobreza um hino de louvor a Jesus, intercedei por mim, que me encontro em aflição.

Vós que ouvistes do Mestre as palavras: "Não ajunteis para vós os tesouros da terra, a onde a traça e o caruncho os destroem, e onde os ladrões arrombam e roubam, mas ajuntai para vós os tesouros dos céus!".

Ensinai-me ó São Mateus o verdadeiro valor das coisas terrenas e não permiti que a ganância e a soberba dirijam meus atos.

Protegei o que é meu e de minha família da ganância e do alcance alheio, para que as minhas posses não lhes causem cobiça nem ensejem atos ilícitos desvairados.

Ensinai-me por fim, a ajuntar tesouros no céu e a servir a Deus e não ao dinheiro.

Amém.

5.4. Datas Comemorativas da Classe

- 12 de Janeiro - Dia do Empresário Contábil

- 25 de Abril - Dia do Contabilista

- 22 de Setembro - Dia do Contador

6. Exercícios de fixação

1. O que podemos definir como fatos primordiais para o surgimento da conta Contabilidade?

2. Quantas e quais foram as escolas do pensamento contábil que contribuíram para o

desenvolvimento da Ciência Contábil na Itália?

3. Quais fatos fizeram com que a Escola Norte Americana superasse a Escola Italiana no

desenvolvimento do Pensamento Contábil?

4.

Quais fatos permeiam o inicio da Contabilidade no Brasil?

5.

Quais são as três simbologias mais conhecidas da Contabilidade?

7.

A CONTABILIDADE NA TOMADA DE DECISÃO

A

Contabilidade existirá em qualquer lugar onde existam transações econômicas a serem

mensuradas para a obtenção da medida do lucro e também do desempenho da organização. Tem como objetivo ou principal preocupação produzir informações adequadas para a tomada de decisão. Nos dias atuais, no mundo dos negócios existe uma freqüente mudança e com ela surgem Contabilidade Estratégica, Orçamentária, Ambiental, entre outras. Também observamos a Contabilidade Gerencial, tendo como variação a Controladoria.

A Contabilidade está inserida em um grande dinamismo, passando por transformações

constantes. Neste ponto, existe a necessidade de atentar-se aos aspectos relevantes de uma

organização, que deve passar por questionamentos e troca das idéias convencionais por atitudes cada vez mais práticas.

O mercado busca administradores práticos, dinâmicos e bem estruturados. Pois as fontes de

decisões muitas vezes são descentralizadas exigindo muito mais coerência nas tomadas de decisões. As mudanças nos sistemas e na estrutura empresarial fazem com que o profissional desta área não seja um mero historiador passivo, sendo visto como um consultor, um analista e até mesmo um fornecedor de informações acertadas para a correta tomada de decisões.

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A Contabilidade até o advento da Controladoria tinha como finalidade principal, apenas a

geração de relatórios financeiros, que têm uso limitado, pois as informações geradas eram feitas a partir de fatos já ocorridos. Com a sistematização da Contabilidade em relação à Controladoria, passou-se a fornecer informações sobre a performance da empresa no mercado, tais como produtividade, liderança do produto, desenvolvimento de pessoal, entre outras, passando então a Contabilidade, ser um participante importante nos resultados da empresa e impacto direto na sociedade. As novas responsabilidades assumidas pela Contabilidade podem ser conceituadas como o conjunto de princípios, procedimentos e métodos oriundos das Ciências de Administração, Economia, Psicologia, Estatística e principalmente da Contabilidade, que se ocupam da Gestão Econômica das empresas, com o fim de orientá-las para a eficácia.

Nessa eficácia nos negócios cabe a Controladoria que é um dos braços da Contabilidade Gerencial, propor e assegurar por meio de instrumentos capazes que irão controlar, informar, influenciar, de maneira ativa a eficiência das ações administrativas. A Contabilidade Gerencial lastreia-se na escrituração regular dos documentos legais bem como, outros fatos que influenciam o patrimônio empresarial.

Dentre as ferramentas utilizadas pela contabilidade, para fins gerenciais, destacam-se, entre

outros:

Projeção do Fluxo de Caixa

Análise de Indicadores

Cálculo do Ponto de Equilíbrio

Determinação de Custos Padrões

Planejamento Tributário

Elaboração do Orçamento e Controle Orçamentário

8. FUNÇÃO DO CONTADOR

A principal função do contador é desenvolver e prover dados para mensurar a performance da

empresa, avaliando sua posição financeira perante os impostos, contabilizando todo seu

patrimônio, elaborando suas demonstrações, reconhecendo as receitas no momento em que são incorridos os gastos - este é o chamado regime de competência.

O que diferencia as atividades financeiras das atividades contábeis prende-se no sentido da

administração financeira enfatizar o fluxo de caixa, que nada mais é do que a entrada e saída de dinheiro, que demonstrará realmente a situação e capacidade financeira para satisfazer suas obrigações e adquirir novos ativos classificados como bens ou direitos de curto ou longo prazo a fim de atingir as metas da empresa.

Já os contadores admitem a extrema importância do fluxo de caixa, assim como o administrador financeiro se utiliza do regime de competência, mas cada um tem formas diferentes de interpretar os dados, bem como diferentes maneiras de descrever a situação da empresa.

9. OBJETIVOS E FINALIDADES DA CONTABILIDADE

A Contabilidade tem no patrimônio das empresas seu objeto de estudos. O foco principal é

revelar como se encontra e quais os fatores que proporcionaram mutações neste patrimônio, fornecendo assim, informações úteis à tomada de decisões. Nos Estados Unidos, por exemplo, as informações contábeis são produzidas principalmente para os pequenos e médios investidores, enquanto que no Brasil, na maioria dos casos, são destinadas principalmente ao Fisco.

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FINALIDADES DA CONTABILIDADE

Controle patrimonial

Informações
Informações

Composição e variações patrimoniais

Resultado da atividade econômica

Iudicibus leciona que:

“ o estabelecimento dos objetivos da contabilidade pode ser feito na base de duas

abordagens distintas: ou consideramos que o objetivo da contabilidade é fornecer aos usuários, independentemente de sua natureza, um conjunto básico de informações que, presumivelmente, deveria atender igualmente bem a todos os tipos de usuários, ou a contabilidade deveria ser capaz e responsável pela a apresentação de cadastros de informações totalmente diferenciados, para cada tipo de usuário”.

A Contabilidade é, objetivamente, um sistema de informação e avaliação destinado a prover seus usuários com demonstrações e análises de natureza econômica, financeira, física e de produtividade, com relação à entidade objeto de contabilização.

Compreende-se por sistema de informação um conjunto articulado de dados, técnicas de acumulação, ajustes e edição de relatórios que venham a permitir:

a) tratar as informações de natureza repetitiva com o máximo possível de relevância e o

mínimo de custo;

b) ter condições, através da utilização de informações primárias constantes do arquivo básico,

juntamente com técnicas derivadas da própria Contabilidade, contando ainda com o auxilio de outras disciplinas, fornecer relatórios de exceção para finalidades específicas, em oportunidades definidas ou não.

O dever de demonstrar a situação do patrimônio e o resultado do exercício de forma clara e precisa, e rigorosamente de acordo com os conceitos, princípios e normas básicas é da contabilidade, que norteiam a profissão. Este resultado apurado deve ser economicamente exato, sendo o objetivo básico dos demonstrativos financeiros, proverem o usuário de informações úteis para a tomada coerente de decisões econômicas.

Observe a matéria publicada no jornal O POVO, publicado em 10 de junho de 2005, tratando da importância da profissão do contador face às mudanças que ocorreram nas últimas décadas.

PRINCIPAL OBJETIVO DA CONTABILIDADE: INFORMAÇÕES CONTÁBEIS

A Contabilidade, desde a mais remota existência, vincula-se à sociedade e evoluem juntas à medida que a

sociedade demanda da Contabilidade as mais variadas informações, o que importa em se afirmar que, sem quaisquer dúvidas, a Contabilidade é um componente social. Por ser uma ciência social, a Contabilidade sofre influências do meio em que opera e deve ser adaptada ao contexto das mudanças sociais, políticas e econômicas, sem prejudicar seu propósito de atender bem a todos os vários usuários da informação contábil.

Tem, portanto, o compromisso e a necessidade de bem informar. Trata-se de uma ciência tão antiga quanto

a civilização. Tem passado por fases de progresso, literário e doutrinário, como mostra o passado, a história.

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Não obstante, apenas no Século XX, pressionada pela necessidade de bem informar, os estudiosos e pesquisadores preocuparam-se em identificar e formalizar, de uma maneira prática e objetiva, os Princípios que a regem e fixar normas e regras para a efetiva aplicação. Tal acontecimento ocorreu em face da exigência dos usuários das informações contábeis e representa um grande avanço no estudo e na aplicação dos conhecimentos técnicos-contábeis, possibilitando a identificação e fixação de normas. Tem sido, portanto, preocupação universal e generalizada por doutrinadores, pesquisadores ou líderes da classe contábil.

O trabalho pioneiro, editado pelo American Institute Certified Public Accountants - AICPA, em 1934, General

Accepeted Accounting Principles – GAAPs, bem como o trabalho do Professor William Paton, da Universidade de Michigan, nos Estados, Unidos, de 1922, sob o título Teoria Contábil, demonstram a preocupação de pesquisadores com a Teoria Contábil e com os Princípios.

O Brasil foi dos primeiros países a reconhecer oficialmente os Princípios Fundamentais de Contabilidade,

tendo o Conselho Federal de Contabilidade, em 1981, através da Resolução CFC nº. 530-81, identificado dezesseis Princípios, atualmente reduzidos, pela Resolução CFC nº. 750-93, a seis. Os Princípios Contábeis são inerentes à própria Ciência Contábil e existem independentemente do desejo ou da escolha por parte daqueles estudiosos. Precisam ser identificados e respeitados para que a Contabilidade possa atingir os objetivos colocando à disposição dos usuários informações contábeis úteis e relevantes, capazes de suprir as necessidades dos que delas têm carência. As Informações e Demonstrações Contábeis devem ser elaboradas rigorosamente de acordo com as legislações e normas vigentes subordinadas aos Princípios Contábeis, de forma sintética e, para um melhor entendimento, deverão ser divulgadas de forma analítica, através de notas explicativas que deverão prestar esclarecimentos contemplando, no mínimo, os princípios, legislações e normas adotadas; eventuais mudanças de critérios, que alterem a uniformidade da aplicação das normas, em relação ao exercício

anterior, justificando-as.

A Contabilidade realiza os seus objetivos por meio de informações aos usuários das Demonstrações

Contábeis. Tais informações possuem características próprias, que as definem e as tornam úteis as reais

finalidades de informar. Para tanto, tais características devem assemelhar-se às dos Princípios e normas contábeis sendo, portanto, componentes que tornam útil a informação no momento de se fazer a opção quanto a divulgação de um fato contábil.

O principal objetivo da Contabilidade é o seu usuário, interno e externo quer sejam acionistas, sócios,

proprietários, credores, financiadores, investidores, fornecedores, governos, empregados quer seja a

sociedade. Pouca importância terá uma informação contábil se a utilidade a que se destina é nula. A informação contábil é um instrumento para a tomada de decisões, portanto, deve atender a todos os objetivos a que se destina.

A moderna Contabilidade deve ser estruturada visando ser um instrumento de informação, decisão e

controle, fornecendo informações capazes de atender plenamente os objetivos dos usuários. Vale pela necessidade de prover o usuário de forma tempestiva com informação correta e útil. Para que a característica de utilidade seja mantida ao longo do tempo nas mais diversas práticas, torna-se necessário que todos os envolvidos com a ciência contábil tenham em mente a figura do usuário como o grande objetivo. (matéria escrita por Teresinha Maria Cavalcanti Cochrane - Mestre em Controladoria e Contabilidade pela USP - Contadora, Advogada e Professora da UFC )

Publicado no Jornal O POVO, de 10 de junho de 2005.

Um conceito bastante usado sobre contabilidade é ser um sistema de informação capaz de orientar aos donos de empresas, acionistas ou investidores de uma empresa a tomarem decisões apoiados em números que venham a mensurar ou até antever, a título de planejamento, a situação financeira e patrimonial do seu negócio.

O objetivo principal da contabilidade é o de CAPTAR todos os fatos que estão ocorrendo na empresa, REGISTRAR estes fatos em um sistema de informação, ACUMULAR OS FATOS nesse sistema, RESUMIR os acontecimentos relativos a certo período de tempo, criando e emitir um resumo – nomeado de Balanço - que servirá de suporte para INTERPRETAR todo o processo e resultados.

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10. CENÁRIOS CONTÁBEIS

Sistema Contábil CAPTAR REGISTRAR Informação de apoio à tomada de decisão ACUMULAR
Sistema
Contábil
CAPTAR
REGISTRAR
Informação de
apoio à tomada
de decisão
ACUMULAR
Informação de apoio à tomada de decisão ACUMULAR RESUMIR INTERPRETAR A competitividade empresarial é assunto

RESUMIR

de apoio à tomada de decisão ACUMULAR RESUMIR INTERPRETAR A competitividade empresarial é assunto
INTERPRETAR

INTERPRETAR

INTERPRETAR
INTERPRETAR
INTERPRETAR
INTERPRETAR

A competitividade empresarial é assunto bastante comum nos dias atuais. De maneira geral, existe grande preocupação por parte das empresas na permanência ou na inserção nesse mercado competitivo, que é cada vez mais competitivo. Toda a empresa precisa de informações em tempo real para o seu bom gerenciamento. Quando falamos em empresas, falamos no sentido geral de organização. Ainda não separamos as categorias, mas entenda o conceito de empresa como qualquer tipo de organização de pessoas ou grupos de pessoas que queiram explorar uma atividade econômica.

10.1. Contabilidade Como Profissão

As sociedades, em se tratando de empresários e investidores, concentram sua atenção em um novo recurso - a informação. Neste ponto a Contabilidade, por excelência, sendo a ciência da informação traz grandes perspectivas para o profissional contábil, considerando que as empresas sempre se interessam por profissionais com boa experiência principalmente na área fiscal, custos, auditoria etc. Além disso, por ser um profissional liberal ele pode prestar serviços às pequenas empresas. Observa-se que não há um limite de idade para o exercício desta profissão, sendo apenas um requisito necessário ao bom profissional, a constante aprimoração de seus conhecimentos. Podemos contar, cerca de aproximadamente 30 especializações para a profissão contábil, onde se abre um leque bastante amplo, conforme o dom de cada profissional. Além de contador, o formado em contabilidade, pode ser auditor interno, perito, consultor, controller, planejador tributário, auditor independente, analista financeiro, empresário contábil, investigador de fraudes, professor, pesquisador, conferencista, agente fiscal de renda, arbitragem, dentre outras profissões.

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ORGANOGRAMA DE DISTRIBUIÇÃO DAS POSSÍVEIS PROFISSÕES DO CONTADOR

Contador Em Empresas Independente No Ensino Órgão Público Planejador Auditoria Professor Contador Público
Contador
Em Empresas
Independente
No Ensino
Órgão Público
Planejador
Auditoria
Professor
Contador Público
Tributário
Consultor
Pesquisador
Analista
Agente Fiscal de
Rendas
Empresário
Escritor
Contador Geral
Concursos
Públicos
Perito Contábil
Parecerista
Cargos
Administrativos
Tribunal de Contas
Investigador de
Conferencista
Fraudes
Auditor Interno
Oficial Contador
Contador de
Custos
Contador
Atuário

10.2. Áreas Emergentes e Novas Perspectivas

Além das áreas citadas anteriormente é importante destacar algumas áreas emergentes onde existe uma grande perspectiva de crescimento profissional.

Estas áreas poderão vir a ser um grande campo de trabalho para o novo contador.

• Contabilidade Atuarial – responsável pela contabilidade de fundos de pensão e empresas

de previdência privada. Trabalha no estudo dos regimes de capitalização que possibilitam a cobertura de sinistros e o pagamento de aposentadorias e pensões. Investiga o processo evolutivo das distribuições etárias, salariais e de ocorrência de sinistros, visando o estabelecimento dos prêmios médios - preço de contribuição ou pagamento de seguro - que ofereça cobertura aos beneficiários dos planos.

• Contabilidade Ambiental – responsável por informações sobre o impacto ambiental da

empresa no meio-ambiente. A Contabilidade Ambiental tem se convertido em uma ferramenta chave para as empresas com políticas ecológicas avançadas. Objetivando a transparência e oferecendo maiores informações ao investidor. A necessidade de conservação do meio

ambiente obriga a contabilidade a assumir alguns controles em torno de fornecimentos de recursos mínimos e uso extensivo de materiais reciclados ou renováveis, processos produtivos

e investimentos em imobilizado, promovendo o mínimo consumo de água e energia, mínima

emissão de poluentes na atmosfera e mínima quantidade de resíduos. Trabalha também nas características do produto, diminuindo vasilhames e embalagens, melhorando a reciclagem e reutilização.

A aplicação da Contabilidade Ambiental pode potencializar grandes poupanças de custos na

gestão de resíduos, dado que os custos de manuseio e de deposição de resíduos são

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relativamente fáceis de definir e de imputar a produtos específicos. A informação da Contabilidade Ambiental é utilizada internamente pela empresa nas suas tomadas de decisão. A nível interno, os procedimentos incluem medições físicas do consumo de materiais e energia, fluxos de deposição e deposição final, avaliação monetária de custos, poupanças e receitas relacionadas com atividades que apresentam potenciais impactos ambientais.

• Contabilidade Social – necessidade da empresa na busca de informações para a tomada de

decisões inteligentes, relacionados a gestão social, medindo o impacto da entidade na sociedade. sendo necessário por parte da entidade a adoção de gestão participativa, envolvente e comprometida com todas as camadas que formão o sistema social e organizacional, dimensionando o impacto social da empresa, com sua agregação de riqueza e seus custos sociais, profundidade, distribuição da riqueza etc.

• Contabilidade de Empresas Transnacionais – As perspectivas são as melhores possíveis.

A informática contribuiu, contribui e contribuirá muito na velocidade, qualidade e apresentação dos informativos contábeis, gerenciais e de auditoria. Os softwares contábeis estão cada vez mais integrados e facilitando a operacionalidade dos registros contábeis, destaca-se também a internet, na qual os órgãos governamentais disponibilizam aplicativos tributários e toda a legislação pertinente, além de facilitar o cumprimento das obrigações das empresas – cadastros, informações, guias, declarações, etc. São ferramentas alavancadoras no processo de qualidade.

10.3. Principais interessados nas Informações Contábeis

Sócios, Acionistas e Proprietários de Participações Societárias em Geral: Necessitam de informações acerca da Rentabilidade e Segurança de seus investimentos.

Administradores, Diretores e Executivos dos Mais Variados Escalões: Preocupam-se com as informações concernentes a gestão financeira para a tomada de decisão.

Bancos Capitalistas e Emprestadores de Dinheiro: De maneira análoga aos sócios, acionistas, e proprietários, necessitam de informações que visem à rentabilidade e segurança de seus investimentos, diferenciando-se destes quanto a razões de natureza sentimentais.

Governo e Economistas Governamentais: Necessitam de informações concernentes à arrecadação de Tributos e dados que permitam análises globais e setoriais das diversas unidades Microeconômicas (Empresas), os quais convenientemente agregados e tratados estatisticamente, podem fornecer bases para análises Macroeconômicas.

11. Exercícios de fixação

1. Quais argumentos você utilizaria para definir que a Contabilidade é importante na tomada de

decisão para uma empresa?

2. Conceitualmente, qual seria a principal função do contador?

3. Sabemos que a Contabilidade tem no patrimônio das empresas seu objeto de estudos. Qual

seria o foco principal dos estudos contábeis?

4. Qual seria o principal objetivo da Contabilidade, de maneira conceitual?

5. O que faz com que o profissional formado em contabilidade venha a ter grandes chances no

mercado de trabalho?

6. Existem áreas emergentes em Contabilidade? Se sim, cite alguns exemplos.

21

7.

Quais seriam os principais interessados nas informações contábeis?

8. Com base na pergunta anterior indique quais fatores fariam com que estes interessados

queiram as informações contábeis.

12. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE CONTABILIDADE NO BRASIL

Os Princípios de Contabilidade são os preceitos resultantes do desenvolvimento da aplicação prática dos princípios técnicos emanados da Contabilidade, de uso predominante no meio em que se aplicam, proporcionando interpretação uniforme das demonstrações financeiras. Em relação à observância dos princípios, constituem Princípios de Contabilidade (PC) os princípios enunciados pela Resolução CFC nº. 750 de 1993, sendo que a observância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade é obrigatória no exercício da profissão contábil e constitui condição de legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC)

Para aplicação dos Princípios Fundamentais de Contabilidade a situações concretas, a essência das transações deve prevalecer sobre seus aspectos formais.

Conforme o CFC, a conceituação, amplitude e enumeração dos princípios, podemos entender que os Princípios Fundamentais de Contabilidade representam a essência das doutrinas e teorias relativas à Ciência da Contabilidade, consoante o entendimento predominante nos universos científico e profissional de nosso País. Concernem, pois, à Contabilidade no seu sentido mais amplo de ciência social, cujo objeto é o Patrimônio das Entidades.

Os princípios fundamentais de contabilidade que trata a Resolução CFC nº. 750 de 1993, sofreu algumas alterações pela Resolução CFC nº. 1.282 de 28.05.2010, publicada no Diário Oficial de 02.06.2010 que Atualiza e consolida dispositivos da Resolução CFC nº. 750/93, que dispõe sobre os Princípios Fundamentais de Contabilidade.

São Princípios Fundamentais de Contabilidade:

I - o da ENTIDADE;

II - o da CONTINUIDADE;

III - o da OPORTUNIDADE;

IV - o do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL;

V - Revogado pela Resolução CFC nº. 1.282 (02.06.2010) vigência a partir de 02.06.2010

VI - o da COMPETÊNCIA e

VII - o da PRUDÊNCIA.

Nota: No item V deste princípio, constava o princípio da Atualização Monetária.

12.1. Principio da Entidade

O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a

autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo

dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição.

O PATRIMÔNIO pertence à ENTIDADE, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não resulta em nova ENTIDADE, mas numa unidade de natureza econômico-contábil.

12.2. Principio da Continuidade

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O Princípio da Continuidade pressupõe que a Entidade continuará em operação no futuro e,

portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância.

12.3. Principio da Oportunidade

O Princípio da Oportunidade refere-se ao processo de mensuração e apresentação dos

componentes patrimoniais para produzir informações íntegras e tempestivas.

A falta de integridade e tempestividade na produção e na divulgação da informação contábil

pode ocasionar a perda de sua relevância, por isso é necessário ponderar a relação entre a oportunidade e a confiabilidade da informação.

12.4. Principio do Registro Pelo Valor Original

O Princípio do Registro pelo Valor Original determina que os componentes do patrimônio

devem ser inicialmente registrados pelos valores originais das transações, expressos em

moeda nacional.

As seguintes bases de mensuração devem ser utilizadas em graus distintos e combinadas, ao longo do tempo, de diferentes formas:

I - Custo histórico. Os ativos são registrados pelos valores pagos ou a serem pagos em caixa ou equivalentes de caixa ou pelo valor justo dos recursos que são entregues para adquiri-los na data da aquisição. Os passivos são registrados pelos valores dos recursos que foram recebidos em troca da obrigação ou, em algumas circunstâncias, pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, os quais serão necessários para liquidar o passivo no curso normal das operações; e

II - Variação do custo histórico. Uma vez integrado ao patrimônio, os componentes patrimoniais, ativos e passivos, podem sofrer variações decorrentes dos seguintes fatores:

a) Custo corrente. Os ativos são reconhecidos pelos valores em caixa ou

equivalentes de caixa, os quais teriam de ser pagos se esses ativos ou ativos equivalentes fossem adquiridos na data ou no período das demonstrações contábeis. Os passivos são reconhecidos pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, não descontados, que seriam necessários para liquidar a obrigação na data ou no período das demonstrações contábeis;

b) Valor realizável. Os ativos são mantidos pelos valores em caixa ou

equivalentes de caixa, os quais poderiam ser obtidos pela venda em uma forma ordenada. Os passivos são mantidos pelos valores em caixa e equivalentes de caixa, não descontados, que se espera seriam pagos para liquidar as correspondentes obrigações no curso normal das operações da Entidade;

c) Valor presente. Os ativos são mantidos pelo valor presente, descontado do

fluxo futuro de entrada líquida de caixa que se espera seja gerado pelo item no curso normal das operações da Entidade. Os passivos são mantidos pelo valor presente, descontado do fluxo futuro de saída líquida de caixa que se espera seja necessário para liquidar o passivo no curso normal das operações da

Entidade;

d) Valor justo. É o valor pelo qual um ativo pode ser trocado, ou um passivo

liquidado, entre partes conhecedoras, dispostas a isso, em uma transação sem favorecimentos; e

e) Atualização monetária. Os efeitos da alteração do poder aquisitivo da moeda

nacional devem ser reconhecidos nos registros contábeis mediante o ajustamento da expressão formal dos valores dos componentes patrimoniais.

São resultantes da adoção da atualização monetária:

I - a moeda, embora aceita universalmente como medida de valor, não representa unidade constante em termos do poder aquisitivo;

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II - para que a avaliação do patrimônio possa manter os valores das transações originais, é necessário atualizar sua expressão formal em moeda nacional, a fim de que permaneçam substantivamente corretos os valores dos componentes patrimoniais e, por consequência, o do Patrimônio Líquido; e

III - a atualização monetária não representa nova avaliação, mas tão somente o ajustamento dos valores originais para determinada data, mediante a aplicação de indexadores ou outros elementos aptos a traduzir a variação do poder aquisitivo da moeda nacional em um dado período.

12.5. Principio da Competência

O Princípio da Competência determina que os efeitos das transações e outros eventos sejam

reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento.

O Princípio da Competência pressupõe a simultaneidade da confrontação de receitas e de

despesas correlatas.

12.6. Principio da Prudência

O Princípio da PRUDÊNCIA determina a adoção do menor valor para os componentes do

ATIVO e do maior para os do PASSIVO, sempre que se apresentem alternativas igualmente

válidas para a quantificação das mutações patrimoniais que alterem o patrimônio líquido.

O Princípio da Prudência pressupõe o emprego de certo grau de precaução no exercício dos

julgamentos necessários às estimativas em certas condições de incerteza, no sentido de que ativos e receitas não sejam superestimados e que passivos e despesas não sejam subestimados, atribuindo maior confiabilidade ao processo de mensuração e apresentação dos componentes patrimoniais.

A inobservância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade constitui infração às alíneas "c",

"d" e "e" do art. 27 do Decreto-Lei n° 9.295, de 27 de maio de 1946 e, quando aplicável, ao Código de Ética Profissional do Contabilista.

) (

DECRETO LEI Nº. 9.295, DE 27 DE MAIO DE 1946.

Cria o Conselho Federal de Contabilidade, define as atribuições do Contador e do Guarda- livros, e dá outras providências.

O Presidente da República, usando da atribuição que lhe confere o artigo 180 da Constituição,

DECRETA:

) (

CAPÍTULO V DAS PENALIDADES

Art. 27. As penalidades aplicáveis por infração do exercício legal da profissão serão as

seguintes:

) (

c) multa de Cr$ 200,00 a Cr$ 500,00 aos infratores de dispositivos não mencionados nas alíneas precedentes ou para os quais não haja indicação de penalidade especial;

d) suspensão do exercício da profissão aos profissionais que, dentro do âmbito de sua atuação

e no que se referia à parte técnica, forem responsáveis por qualquer falsidade de documentos que assinarem e peIas irregularidades de escrituração praticadas no sentido de fraudar as rendas publicas (Decreto-lei nº. 5.844, de 23-9-1943, artigo 39, parágrafo primeiro);

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e) suspensão do exercício da profissão, pelo prazo de seis meses a um ano, ao profissional que demonstrar incapacidade técnica no desempenho de suas funções, a critério do Conselho Regional de Contabilidade a que estiver sujeito, facultada, porém, ao interessado a mais ampla defesa por si ou pelo Sindicato a que pertencer.

(

)

13. PATRIMÔNIO DA EMPRESA

Patrimônio é um conjunto de Bens, Direitos e Obrigação, mensurável em dinheiro, pertencentes a uma pessoa física ou jurídica. Independente de sua finalidade, podendo ou não incluir o lucro. Especificamente, o patrimônio instituído, deve ter independência dos demais patrimônios existentes, podendo a empresa ou instituição, dispor dele livremente, sempre na busca de benefícios para a entidade.

O patrimônio busca além de vivenciar e relatar os processos de contabilização de uma

azienda, sendo considerado azienda, o patrimônio sofrendo constantes ações, de natureza econômica, do elemento humano. Procura transformar os dados em informações, mediante procedimentos próprios, originando toda ênfase dos procedimentos contábeis, que depois de

compilados, são apresentados aos usuários por intermédio de relatórios. Um dos objetivos principais do patrimônio, é buscar a partir de fatos, dados que nos dêem suporte para avaliação

de seus Bens, Direitos e Obrigações, os quais são processados mediante técnica própria e

transformados em informações para os usuários, visando atender seus interesses.

O Patrimônio é a parte impessoal da azienda, tendo como consistência, seus dois aspectos

principais, sendo:

Aspecto quantitativo, visto como um fundo de valores, ou seja, consiste em atribuir aos seus respectivos elementos. Aspecto qualitativo, reunindo um conjunto de bens, créditos, débitos, ou seja, consiste em qualificar, dar nomes aos elementos componentes.

O patrimônio é um elemento rico em itens que o compõe, absorve praticamente todos os atos,

fatos integrantes da azienda. Ele relata desde a sua constituição até o encerramento de uma

entidade, em seus componentes patrimoniais.

Nota: O principal campo de aplicação da Contabilidade são as Aziendas. Azienda é o patrimônio somado à pessoa que tem sobre ele poderes de administração e disponibilidade.

O conceito de azienda reúne o patrimônio mais a pessoa que o administra, sofrendo este

patrimônio constante mutação por parte da pessoa que o administra:

Azienda = Patrimônio + Gestão

Gestão seria o ato de administrar, de gerir os bens, direitos e obrigações, além dos recursos humanos.

Considerando o patrimônio de uma determinada empresa, a partir do momento em que passe

a ser administrado, com o objetivo de lucro, ele irá sofrer modificações significativas. Surge, então, a figura da Contabilidade, como instrumento necessário ao controle das informação e dos efeitos provocados pelos fatos decorrentes da gestão patrimonial.

O patrimônio da empresa é composto por capital, que pode ser próprio ou de terceiros.

13.1. Capital próprio

Podemos entender como Capital Próprio, o dinheiro que é de propriedade dos sócios ou de determinada pessoa que a abriram determinada empresa. Por exemplo: se uma pessoa tem

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R$ 100.000,00 e pretende iniciar um negócio, o Capital Próprio desta pessoa é de R$ 100.000,00. Considerando que esta seja a quantia necessária para começar as atividades.

13.2. Capital de terceiros

Como Capital de Terceiros, a definição mais comum é a que o dinheiro emprestado para abrir uma empresa ou para aplicar nesta empresa algum recurso para melhoria de sua estrutura. Como exemplo, temos: A pessoa tem R$ 50.000,00 para iniciar um negócio. Porém, este valor não é suficiente para a concretização do sonho, sendo necessário recorrer ao um empréstimo para iniciar o negócio. Se a pessoa toma esta quantia através de um empréstimo bancário, por exemplo, diz-se que tal quantia é o Capital de Terceiros. Podemos assim, interpretar que a pessoa “pegou” o dinheiro de terceiros.

Mas o que é melhor para o empresário. Capital próprio ou capital de terceiros?

Depois de conceituado os dois termos, surge uma questão interessante: o que é melhor para o empresário? Capital Próprio ou Capital de Terceiros?

Ambos são importantes e necessários para o desenvolvimento uma empresa ou para quem a administre, tornando-se relevante saber a melhor ocasião para se adquirir o empréstimo ou

para usar o recurso próprio. Nem sempre a utilização de Capital de Terceiros será ruim, principalmente se esta aquisição ocorrer através de uma boa negociação, onde a taxa de juros aplicada venha a compensar este empréstimo. Observe o exemplo de um empresário que recebe uma oferta de desconto de 15% se pagar a mercadoria à vista. Caso o empresário tome um empréstimo com taxa de 2%, dependendo do prazo estipulado para a quitação do empréstimo, torna-se bastante viável o empréstimo.

O capital de Terceiros é bastante utilizado no caso de investimento em estrutura,

equipamentos, aquisição de outros bens, na ampliação e incremento de atividades, pois esta aplicação bem planejada terá retorno garantido.

A utilização do Capital de Terceiros deve ser evitada quando em freqüência ou se tiver finalidade de pagamento de outras dívidas.

O Capital Próprio, por sua vez, é de suma importante sendo encarado também como

investimento por parte do empresário, a partir do momento que ele possa fomentar o

crescimento da empresa através de uma nova integralização de capital, por exemplo.

É necessário salientar importância dos dois tipos de recursos, devendo atentar-se para o momento adequado de usar um ou outro, sendo indicada a prudência na análise dos dados

envolvidos, antes das negociações para que o capital próprio não seja perdido ou a empresa venha a se atolar em dívidas, seguindo uma doce ilusão de um bom negócio quando adquirir

um empréstimo.

14. Exercícios de fixação

1. Assinale “V” para Verdadeiro e “F” para Falso nas assertivas abaixo.

( ) São cinco os princípios fundamentais de contabilidade, conforme a Resolução CFC nº. 1.282 de 28.05.2010.

( ) O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e

afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no

universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas.

( ) O Princípio do Registro pelo Valor Original determina que os componentes do

patrimônio devem ser inicialmente registrados pelos valores originais das transações,

expressos em moeda nacional.

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(

) O Princípio da Competência determina que os efeitos das transações e outros

eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem. Caso o pagamento ocorra em data posterior poderá ser postergado o reconhecimento.

( ) O Princípio da PRUDÊNCIA determina a adoção do menor valor para os

componentes do ATIVO e do maior para os do PASSIVO, sempre que se apresentem alternativas igualmente válidas para a quantificação das mutações patrimoniais que alterem o

patrimônio líquido.

( ) Não há penalidades legais quando não se observa os Princípios Fundamentais de Contabilidade.

2. Responda aos questionamentos

a) O que podemos entender como patrimônio de uma empresa?

b) O que você entendeu por Azieda?

c) Conceitue Capital Próprio e Capital de Terceiros.

15. CONTAS CONTÁBEIS

A finalidade destas contas é de registrar as movimentações a serem transcritas no livro diário (que será tratado em momento oportuno), com expressão monetária. No diário, cada fato contábil será transportado para as respectivas contas, com sua data, histórico e valor.

Como exemplo de contas contábeis, temos: Contas de Ativo, Contas de Passivo, de Contas de Resultado e Contas de Compensação.

Sucintamente, as contas contábeis registram:

Contas Ativas: registram bens e direitos, por exemplo, numerário (caixa), valores depositados em banco (contas de movimento), bens para revenda (estoque de mercadorias), imóveis de utilização (terrenos e edificações), entre outros.

Contas Passivas: registram as obrigações da entidade e os recursos de capital desta entidade, por exemplo: contas a pagar e obrigações (fornecedores, impostos), empréstimos de terceiros (instituições financeiras), capital social, lucros acumulados, reserva de lucros, entre outros.

Contas de Resultado: São contas que registram contrapartidas das mutações patrimoniais, são as contas de receita (venda de mercadorias) e as contas de custos e despesas (CMV, despesas de vendas).

Contas de Compensação: as Contas de Compensação são utilizadas exclusivamente para controle, sem fazer parte do Patrimônio, as contas estão alocadas abaixo do grupo do ATIVO e abaixo do grupo do PASSIVO e englobam o sistema patrimonial. Assim, as contas de compensação nada têm a ver com o sistema de contas patrimoniais, sendo um conjunto de contas de uso optativo e destinado a finalidades internas da empresa, podendo servir, como fonte de dados para transmitir determinadas informações a terceiros.

O uso das contas de compensação é recomendável, para as finalidades de controle interno, para registro de possíveis alterações patrimoniais futuras e como fonte de dados para a elaboração de notas explicativas.

Estas Contas Contábeis são expressas com títulos que devem estar em concordância com os atos e fatos administrativos provocados, devendo figurar num Plano de Contas de acordo com as características individuais, similaridades com demais contas ou eventos econômicos

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produzidos. Dizemos que a conta contábil deve representar facilmente cada operação realizada por uma entidade.

Diversas correntes de pensamentos sobre a doutrina ou teoria da Contabilidade colaboraram para a definição do que hoje é aceito em relação às contas contábeis. A caracterização das doutrinas é feita de acordo com os objetos e fins que se atribuem à Contabilidade. Dentre as principais doutrinas, encontram-se:

Conforme ensina Antonio Lopes de SÁ, em Dicionário de Contabilidade. Na edição nº. 09 do

ano de 1995 editado pela editora Atlas, temos:

Patrimonialismo: a mais importante escola nas Américas; corrente de pensamento contábil

que considera o patrimônio Aziendal como objeto da Contabilidade, observado sob o aspecto

da finalidade Aziendal; é criador e chefe desta corrente o Prof. Vincenzo Masi.

Aziendalismo: corrente doutrinária que tem por base a economia Aziendal. De acordo com os

seus adeptos, os fenômenos a estudar são os Aziendais, admitindo a Contabilidade apenas como levantamento de fatos patrimoniais, restringindo-lhe o campo. Foi chefe desta escola, na Itália, o Prof. Pietro Onida, Prof. Cralo Masini, Prof. Cuddini, Prof. Mazzini etc.; o aziendalismo

tem as suas raízes em estudos desenvolvidos há alguns decênios por Sombart, Gromberg,

Schmalenbach, Nicklish, Hoffmann e outros.

Controlismo: doutrina da Contabilidade que teve a sua origem na segunda metade do século

XIX e que considera como objeto da Contabilidade o controle da riqueza administrada. O

método seguido no desenvolvimento da doutrina foi o histórico. Classificou as funções do controle em: Antecedentes, Concomitantes e Subseqüentes. Esta escola serviu de base a toda doutrina contábil de nossos dias e às mais vigorosas correntes do pensamento contábil: o Aziendalismo e o Patrimonialismo.Teve ilustres seguidores, como: Alfieri, Rigobon, Ghidiglia, Vianello, Gobbis e muitos outros estudiosos.

Personalismo: corrente do pensamento contábil que adota como teoria fundamental a personificação das contas, o patrimônio como conjunto de direitos e obrigações e as relações dos fatos contábeis apenas sob o prisma de direitos e obrigações.

Contismo: doutrina da Contabilidade que reconhecia esta ciência como tendo por objeto as contas. Definiam a Contabilidade como a “ciência das contas”. O Contismo deu origem ao Personalismo, pois, segundo, o Prof. Vincenzo mais os esforços de Vannier e de Marchi se fizeram sentir na direção de teorizar sobre contas. Grande foi a repercussão do contismo na literatura mundial de Contabilidade, e até hoje, por incrível que pareça, ainda encontramos autores que definem a Contabilidade sob as influências contistas. O contismo foi uma das formas inconscientes do patrimonialismo. Grandes contistas foram: Parmetler, Massa, Gitti, que formam o trio forte dessa corrente doutrinária.

Neocontismo: doutrina do pensamento contábil que teve o seu máximo vigor nos fins do

século XIX e no início do século XX, trazendo com novos coloridos a velha doutrina que considerava a Contabilidade como “ciência das contas”. Surgiu com características um pouco mais aprimoradas, pois, nas “contas” o que se observava não era apenas seu aspecto formal,

mas sim o Valor. O três expoentes mais importantes da época do contismo foi Fabio Besta,

Giuseppe Cerboni e Giuseppe Rossi. Universalismo: foi a única escola nascida nas Américas; doutrina que apresenta a Sistemologia e que foi criada pelo Prof. Francisco D'Auria. Doutrina que visa a universalizar o objeto da Contabilidade fazendo-o extensivo a todos os sistemas.

Reditualismo: corrente do pensamento contábil que considera o rédito como objeto central de estudo da ciência da Contabilidade. De acordo com tal corrente, o objeto de estudo da Contabilidade é conhecer a perda ou o lucro de uma empresa ou de uma entidade. Tais pensadores estribam seus estudos: em teorias de rédito, desejando proclamá-la como a teoria de toda a doutrina contábil.

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16. EXEMPLOS DE CONTAS CONTÁBEIS

As Contas Contábeis constituem a essência da Contabilidade devido ao fato de ser através delas que controlamos as movimentações na entidade e constituem representações escrituradas dos bens, dos direitos, das obrigações, do capital, da entidade. A contabilidade já foi chamada de "Ciência das Contas", pela doutrina Contista, doutrina da Contabilidade que reconhecia esta ciência como tendo por objeto as contas. Estas contas, são preferencialmente organizadas na forma cartesiana ou racional (entende-se por organização cartesiana aquela que tem idéias claras e modo de proceder rigoroso) sendo escrituradas pelo método das partidas.

As contas contábeis são indispensáveis para que se possam efetuar os lançamentos contábeis e são classificadas em dois tipos, a saber:

Contas patrimoniais

Contas de resultados

Contas patrimoniais - Como o próprio nome indica, são contas destinadas a representar o patrimônio da empresa, ou seja, o conjunto de bens, direitos, obrigações e patrimônio líquido, reunidas em dois grandes grupos: Grupo do Ativo e Grupo do Passivo.

Contas de resultado - São as contas destinadas ao registro das despesas e receitas realizadas pela empresa durante um período, sendo também reunidas em dois grandes grupos:

Grupo das Receitas e Grupo das Despesas.

16.1. Contas Patrimoniais

Caixa: esta conta registrará a movimentação de numerário na tesouraria da entidade.

Banco Conta Movimento: esta conta registrará a movimentação de cheques, depósitos e deemais transações e movimentos na conta corrente bancária da entidade.

Duplicatas a Receber: esta conta registrará valores relativos à contrapartida dos créditos de vendas.

Estoque de Mercadorias: esta conta registrará a movimentação de mercadorias em estoque.

Duplicatas a Pagar: esta conta registrará valores devidos a terceiros devido a compras efetuadas pela empresa.

Empréstimos e Financiamentos: esta conta registrará valores devidos pela empresa mediante empréstimos e financiamentos.

Capital Social: esta conta registrará o montante aportado pelo titular, sócios ou acionistas de uma entidade, para formação do respectivo capital.

Lucros Acumulados: esta conta registrará os valores acumulados dos lucros apurados pela empresa.

16.2. Contas de Resultado

Receita de Vendas: esta conta registrará os valores havidos pelo faturamento de vendas da empresa.

Despesas de Propaganda: esta conta registrará as despesas gastas em marketing e propaganda.

Salários: esta conta registrará as remunerações de empregados da empresa.

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Os exemplos acima citados não são exaustivos. As contas contábeis serão analisadas no decorrer do tempo nas demonstrações da contabilidade.

17. BALANÇO PATRIMONIAL - GRUPOS DE CONTAS

Balanço Patrimonial é a demonstração que apresenta todos os bens e direitos da empresa (Ativo), assim como as obrigações (Passivo), em determinada data. As diferenças entre Ativo e Passivo é chamada Patrimônio Líquido e representa o capital

investido pelos proprietários da empresa, quer através de recursos trazidos de fora da empresa (capital próprio ou de terceiros), quer gerado por esta em suas operações e retidos internamente.

O balanço apresenta a posição patrimonial e financeira de uma empresa em dado momento. A

informação que esse demonstrativo fornece é totalmente estática e, muito provavelmente, sua estrutura se apresentará relativamente diferente algum tempo após seu encerramento.

Balanço Patrimonial é a demonstração contábil destinada a evidenciar, qualitativa e quantitativamente, numa determinada data, a posição patrimonial e financeira da Entidade. No balanço patrimonial, as contas deverão ser classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da empresa. De acordo com o § 1º do artigo 176 da Lei 6.404/76, as demonstrações de cada exercício serão publicadas com a indicação dos valores correspondentes das demonstrações do exercício anterior, para fins de comparação.

18. NOÇÕES INTRODUTÓRIAS SOBRE BALANÇO PATRIMONIAL

18.1. Grupos de Contas

Conforme previsto no art. 179 da Lei 6.404 de 1976, no balanço, as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem, e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da companhia.

18.1.1. Ativo

O Ativo compreende os bens e os direitos da entidade, expressos em moeda: Caixa, Bancos

(ambos constituem disponibilidades financeiras imediatas), Imóveis, Veículos, Máquinas e Equipamentos, Estoques de Mercadorias, Tributos a Receber e Clientes – devedores da entidade em virtude de transações de crédito ou vendas a prazo - Esses são alguns bens e direitos que a maioria das empresas normalmente possui.

Os elementos do Ativo são discriminados do lado esquerdo do Balanço Patrimonial.

No ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez dos elementos nelas registrados, nos seguintes grupos:

I - ativo circulante; e

II - ativo não circulante, composto por ativo realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível.

As contas serão classificadas do seguinte modo:

I - no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte;

II - no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades

30

coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia;

III - em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de

qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção

da

atividade da companhia ou da empresa;

IV

- no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à

manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens;

V – no intangível: os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à

manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido.

Observação: Em relação às sociedades anônimas, na companhia em que o ciclo operacional da empresa tiver duração maior que o exercício social, a classificação no circulante ou longo prazo terá por base o prazo desse ciclo.

18.1.2. Passivo

Passivo representa as origens dos capitais, que são representadas por direitos dos proprietários da empresa (patrimônio líquido) e direitos de terceiros tanto em curto prazo como a longo prazo.

Os elementos do Passivo são discriminados do lado direito do Balanço Patrimonial.

No Passivo registramos as obrigações perante terceiros, tanto as conhecidas como as

estimadas. Sendo no Passivo, o controle de todas as obrigações (dívidas e outros encargos)

da empresa, assumidas, devendo ser pagas pela empresa ou instituição.

Obrigações – são dívidas ou compromissos de qualquer espécie ou natureza assumidos perante terceiros ou bens de terceiros que se encontram em posse (uso da entidade). Ex. Duplicatas a pagar, fornecedores, impostos a recolher, contas a pagar, etc.

O passivo é composto em três grandes grupos, como segue:

No passivo, as contas serão classificadas nos seguintes grupos, em ordem decrescente de grau de exigibilidade:

I - passivo circulante;

II - passivo não circulante;

III - patrimônio líquido, dividido em capital social, reservas de capital, ajustes de avaliação patrimonial, reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos acumulados.

Observação: Os saldos devedores e credores que a companhia não tiver direito de compensar serão classificados separadamente.

As contas serão classificadas do seguinte modo:

As obrigações da companhia, inclusive financiamentos para aquisição de direitos do ativo não circulante, serão classificadas no passivo circulante, quando se vencerem no exercício seguinte, e no passivo não circulante, se tiverem vencimento em prazo maior.

31

Capital Social: A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada.

Reservas: Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem:

a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de

emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do

capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias;

b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição;

Será ainda registrado como reserva de capital o resultado da correção monetária do capital realizado, enquanto não-capitalizado.

Serão classificadas como ajustes de avaliação patrimonial, enquanto não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de competência, as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuídos a elementos do ativo e do passivo, em decorrência da sua avaliação a valor justo, nos casos previstos nesta Lei ou, em normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários. Serão classificados como reservas de lucros as contas constituídas pela apropriação de lucros da companhia.

As ações em tesouraria deverão ser destacadas no balanço como dedução da conta do patrimônio líquido que registrar a origem dos recursos aplicados na sua aquisição.

REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DO PATRIMÔNIO

BALANÇO PATRIMONIAL

Ativo

Passivo

GRÁFICA DO PATRIMÔNIO BALANÇO PATRIMONIAL Ativo Passivo Lado Esquerdo Lado Direito 19. Exercícios de fixação 1.
GRÁFICA DO PATRIMÔNIO BALANÇO PATRIMONIAL Ativo Passivo Lado Esquerdo Lado Direito 19. Exercícios de fixação 1.
GRÁFICA DO PATRIMÔNIO BALANÇO PATRIMONIAL Ativo Passivo Lado Esquerdo Lado Direito 19. Exercícios de fixação 1.
GRÁFICA DO PATRIMÔNIO BALANÇO PATRIMONIAL Ativo Passivo Lado Esquerdo Lado Direito 19. Exercícios de fixação 1.

Lado Esquerdo

PATRIMÔNIO BALANÇO PATRIMONIAL Ativo Passivo Lado Esquerdo Lado Direito 19. Exercícios de fixação 1. Responda aos
PATRIMÔNIO BALANÇO PATRIMONIAL Ativo Passivo Lado Esquerdo Lado Direito 19. Exercícios de fixação 1. Responda aos
PATRIMÔNIO BALANÇO PATRIMONIAL Ativo Passivo Lado Esquerdo Lado Direito 19. Exercícios de fixação 1. Responda aos
PATRIMÔNIO BALANÇO PATRIMONIAL Ativo Passivo Lado Esquerdo Lado Direito 19. Exercícios de fixação 1. Responda aos

Lado Direito

19. Exercícios de fixação

1. Responda aos questionamentos:

Qual a finalidade das Contas Contábeis?

Defina Contas Patrimoniais e Conta de Resultado.

O que seria Balanço Patrimonial?

Quais são os grupos de contas que compõe o Balanço Patrimonial?

2. Assinale “V” para Verdadeiro e “F” para Falso nas assertivas abaixo.

32

) As Contas Ativas registram bens e direitos, por exemplo, numerário (caixa), valores depositados em banco (contas de movimento), dentre outros.

(

(

) As Contas de Resultado registram que a empresa deve para terceiros.

(

) O uso das contas de compensação é recomendável, para as finalidades de controle

interno, para registro de possíveis alterações patrimoniais futuras e como fonte de dados para

a elaboração de notas explicativas.

(

) As contas contábeis dividem-se em contas patrimoniais e contas de resultados .

(

) A conta Lucros Acumulados está elencada dentre as contas patrimoniais.

( ) Balanço Patrimonial é a demonstração que apresenta todos os bens e direitos da empresa (Ativo), assim como as obrigações (Passivo), em determinada data.

( ) No ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez dos elementos nelas registrados.

(

) No passivo, as contas serão classificadas nos seguintes grupos, em ordem crescente

de

grau de exigibilidade.

(

) As obrigações da companhia, inclusive financiamentos para aquisição de direitos do

ativo não circulante, serão classificadas no passivo circulante, quando se vencerem no

exercício seguinte, e no passivo não circulante, se tiverem vencimento em prazo maior.

20. ORIGENS E APLICAÇÕES DE RECURSOS

A estrutura contábil está construída partindo de dois princípios fundamentais que são as Origens e as Aplicações de Recursos.

O investimento em uma entidade (empresa) pelos sócios será chamado de Capital Inicial,

sendo denominado como Origem de Recurso. Este capital inicial e as variações ocorridas

durante um certo período de tempo, é chamado de Patrimônio da Entidade.

Para que o patrimônio de uma entidade cresça, serão necessárias algumas situações favoráveis de equilíbrio entre os ingressos dos recursos e as aplicações de tais recursos.

A empresa deverá captar recursos e aplicar esses recursos de forma positiva, tanto em

eficiência quanto em valor. Para o conjunto de aplicações de recursos, que são todos os bens e direitos que a empresa possui, podemos denominar de ativo a origem de recursos de terceiros. Este é o ingresso de recursos que num determinado prazo devem ser devolvidos aos seus detentores do capital (por exemplo fornecedores, empréstimos), ou seja, nos prazos de vencimentos estipulados, os valores deverão ser liquidados a estes terceiros. Neste caso a empresa assume um conjunto de obrigações, que chamamos de Passivo.

REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DAS ORIGENS E APLICAÇÕES DE RECURSOS

ATIVO

Bens

e

Direitos

PASSIVO

Obrigações

DE RECURSOS ATIVO Bens e Direitos PASSIVO Obrigações PATRIMÔNIO LIQUIDO Capital Social e suas Variações

PATRIMÔNIO LIQUIDO Capital Social e suas Variações

Origens de

Recursos de

Terceiros

Origens de Recursos PrópriosPATRIMÔNIO LIQUIDO Capital Social e suas Variações Origens de Recursos de Terceiros Aplicações de Recursos 33

Aplicações de

Recursos

33

21. ALTERAÇÕES OCORRIDAS A FORMA DE APRESENTAÇÃO DO BALANÇO

Até o ano de 2007 o Balanço Patrimonial tinha uma composição diferente da que conhecemos hoje. A Lei 11.638 de 2007 alterou a Lei 6.404 de 1976, mudando a forma de apresentar o Balanço.

A Lei 11638/07 apresenta em seu texto mudanças bastante comentadas para a época, mas

com diversas dificuldades em suas redações não sendo em muitos casos plenamente compreendida em seu todo pelo empresariado, pelos contabilistas e correlatos. A transição de uma contabilidade meramente fiscal muda seu objetivo para uma contabilidade voltada ao mercado, onde os gestores deverão usar o amparo legal para suas decisões, fortalecendo assim a classe contábil.

As novas regras de classificação contábil são de fato muito diferentes, devendo ser fortemente estudadas para que todos os profissionais compreendam exatamente o que são as normas internacionais de contabilidade. Devemos saber qual sua funcionalidade e seu desenvolvimento com base na Lei 11638/07, nos Pronunciamentos Contábeis emitidos pelo CPC Comitê de Pronunciamentos Contábeis e nas normas emitidas pela CVM - Comissão de Valores Mobiliários, bem como o CFC - Conselho Federal de Contabilidade.

Diante do exposto, a Lei 6.404 de 1976, antes das alterações produzidas pela Lei 11.638 de 2007, determinava, em seu artigo 178 que os grupos de contas deveriam estar determinados

pelo grande grupo Ativo, e seus grupos Ativo Circulante, Ativo Realizável a Longo Prazo, Ativo Permanente. O Permanente seria dividido em subgrupos denominados: Investimentos, Imobilizado e Diferido. Do outro lado o grande grupo Passivo, com os grupos Passivo Circulante, Passivo Exigível a Longo Prazo, Resultados de Exercícios Futuros e Patrimônio Líquido dividido em Capital Social, Reservas de Capital, Reservas de Reavaliação, Reservas de Lucros e Lucros ou Prejuízos Acumulados e com critérios contábeis regrados aos Princípios Fundamentais de Contabilidade e diversas normas tributárias.

A Lei 11638/07 inovou estes conceitos, instituindo a adoção das normas internacionais de

contabilidade, precisamente o IFRS - International Financial Reporting Standards, que são utilizados nos países da União Européia e vários outros.

Forma simplificada da demonstração para comparação de como era na Lei 6404/76 e como ficou com a Lei 11638/07:

Lei 6404/76

Lei 6404/76 após Lei 11638/07 Balanço Patrimonial

Balanço Patrimonial

Ativo

Passivo

Ativo

Passivo

 

Passivo Circulante Passivo Exigível a Longo Prazo

 

Passivo Circulante Passivo Exigível a Longo Prazo

Ativo Circulante Ativo realizável a Longo Prazo

Resultados de

Ativo Circulante Ativo realizável a Longo Prazo

Exercícios Futuros

Resultados de

Exercícios Futuros

 

Patrimônio Líquido Capital social Reservas de Capital Reservas de reavaliação Reservas de lucros Lucros ou prejuízos acumulados

Ativo Permanente

Ativo Permanente

Investimentos

Imobilizado

Diferido

Investimentos

Imobilizado

Intangível

Diferido

Patrimônio Líquido Capital social Reservas de Capital Ajustes de avaliação patrimonial Reservas de lucros Ações em tesouraria Prejuízos acumulados

A Medida Provisória 449 de 2008, publicada no Diário Oficial da União em 04/12/2008, em seu

art. 36, altera o art. 178, da Lei 6404/76 e em conseqüência a Lei 11.638 2007 – (A MP 449 de 2008 posteriormente foi convertida na Lei 11.941 de 2008), trouxe algumas alterações no disposto pela Lei 11.638 de 2007, mais precisamente nos grupos do Ativo e Passivo passando a figurar assim: Grande grupo Ativo dividido nos seguintes grupos: Ativo Circulante e Ativo não Circulante, contendo neste os valores a Longo Prazo, os Investimentos, Imobilizado e

34

Intangível, desaparecendo as figuras do Ativo Realizável a longo prazo e Ativo Permanente como grupo, sendo agora subgrupo do Ativo não Circulante, sendo que o termo Ativo Permanente não figurará mais no Balanço Patrimonial. O subgrupo ativo diferido de fato desaparece deste relatório, porém vale ressaltar que a Medida Provisória 449/08 traz previsão que poderá amortizar o saldo do mesmo até seu findar, caso a pessoa jurídica não tenha onde alocar o valor diferido. Já o grande grupo Passivo, também teve modificações em sua estética conforme determina a Medida Provisória 449/08, sendo o grupo Passivo Circulante e Passivo Não Circulante, desaparecendo os grupos do Passivo exigível a Longo Prazo, e Resultado de Exercícios Futuros. Já o Patrimônio Líquido continua sendo considerado grupo conforme determina a Lei 11638/07. Assim, para uma comparação segue:

Após Lei 11638/07 Balanço Patrimonial

Lei 6404/76 após Lei 1.941/2008 Balanço Patrimonial

Ativo

Passivo

Ativo

Passivo

 

Passivo Circulante Passivo Exigível a Longo Prazo

 

Passivo Circulante Passivo Não Circulante Passivo Exigível a Longo Prazo Resultados de Exercícios Futuros

Ativo Circulante Ativo realizável a Longo Prazo

Resultados de Exercícios Futuros

Ativo Circulante Ativo não circulante Ativo realizável a Longo Prazo Investimentos Imobilizado Intangível

Ativo Permanente

 

Investimentos

Patrimônio Líquido Capital social Reservas de Capital Ajustes de avaliação patrimonial Reservas de lucros Prejuízos acumulados

Patrimônio Líquido

Imobilizado

Intangível

Capital social Reservas de Capital Ajustes de avaliação patrimonial Reservas de lucros Prejuízos acumulados

Diferido

 

A MP 449 de 2008 foi convertida na Lei 11.941 de 2009. Nesta lei foi consolidada a forma de apresentação do balanço que trata o art. 178 da Lei 6.404 de 1976. A Resolução CFC nº. 1.157 de 2009 no item 143, traz a forma de balanço atualmente utilizada, com uma divisão maior em itens na parte do Patrimônio Líquido.

REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DO BALANÇO PATRIMONIAL Modelo da Resolução CFC nº. 1.157 de 2009

ATIVO

PASSIVO + PATRIMÔNIO LIQUIDO

Ativo Circulado

Passivo Circulante

Ativo não Circulado

Passivo não circulante

Realizável a longo prazo

Patrimônio Liquido

Investimento

Capital Social

Imobilizado

(-) Gastos com Emissão de ações

Intangível

Reservas de capital

 

Opções outorgadas reconhecidas

 

Reservas de lucros

 

(-) Ações em tesouraria

 

Ajustes e avaliação patrimonial

 

Ajustes acumulados de conversão

 

Prejuízos acumulados

22. RELATÓRIOS CONTÁBEIS – NOÇÕES INTRODUTÓRIAS

22.1. Objetivos dos Relatórios Contábeis

35

Os Relatórios Contábeis traduzem a informação proveniente dos dados colhidos pela contabilidade, expressa de maneira previamente acertada, de forma resumida e ordenada, com

o objetivo de informar aos usuários internos e externos da empresa, sobre os fatos registrados em determinado período. As demonstrações e os relatórios contábeis constituem a fase de saída do sistema de informações contábeis. Compreende as demonstrações contábeis, exigidas pela lei comercial vigente a Lei nº. 6.404 de 1976 para as sociedades anônimas e o Decreto nº. 3.708 de 1919 para as sociedades limitadas.

22.2. Exemplos de Relatórios Contábeis

Balanço Patrimonial: Representa a posição patrimonial e financeira da empresa em dado momento segundo uma visão estática.

Demonstração de Resultado: Demonstra a formação do resultado do período levando em consideração o tipo de receita e despesa.

Demonstração das Origens e Aplicação de Recursos: Demonstra a variação do capital circulante liquido (capital de giro da empresa) pela diferença entre as origens e aplicação de recursos.

Demonstração de Mutação do Patrimônio Líquido: Evidencia as contas do movimentadas no patrimônio liquido – PL da empresa. A demonstração identifica os fluxos ocorridos entre as contas e as variações nos saldos de um período para o outro.

Demonstração dos Fluxos de Caixa: Demonstra a variação de caixa e equivalentes de caixa pela diferença das entradas e saídas de recursos.

Balanço Social: Esta demonstração evidencia informações de natureza sócio ambientais, pois indica a responsabilidade social da empresa.

Demonstração do Valor Adicionado: Esta demonstração evidencia de forma individualizada

a participação na formação participação distribuição do valor adicionado pela entidade.

Notas explicativas: Traz esclarecimentos ou detalhamentos das informações contábeis que não tenham ficado claras.

Relatórios da Administração ou Diretoria: Informações de caráter gerencial em relação a empresa e seu desempenho.

Parecer de Auditoria: Documentação que revela se as demonstrações da empresa espelham

a realidade dos fatos contabilizados.

22.3. Relatórios Contábeis Obrigatórios

Conforme previsto artigo 176 da Lei 6.404 de 1976, as demonstrações financeiras obrigatórias pelas Leis das S.A. são:

Balanço Patrimonial - BP

Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados - DLPA

Demonstração de Resultado do Exercício - DRE

Demonstração dos Fluxos de Caixa – DFC

Se companhia aberta, Demonstração do Valor Adicionado – DVA.

36

Nota: Demonstração das Origens e Aplicações dos Recursos – DOAR. A partir de 01.01.2008,

a DOAR foi extinta, por força da Lei 11.638 de 2007, sendo obrigatória para apresentação das demonstrações contábeis encerradas até 31.12.2007. Em seu lugar, está figurando a DFC.

Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido - DMPL - é facultativa (art. 186, § 2º) e poderá ser incluída na Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados.

Nota: Conforme no § 4º e § 5º do art. 176 da Lei 6.404 de 1976, as Notas Explicativas deverão fazer parte das Demonstrações Contábeis, mencionando que as demonstrações serão complementadas por notas explicativas e outros quadros analíticos ou demonstrações contábeis necessários para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício. Assim, a função principal das notas explicativa é de elucidar qualquer fato ocorrido no decorrer do exercício que não tenha ficado claramente interpretado nos lançamentos contábeis e nas demonstrações.

22.4. Relatórios Contábeis Facultativos

No início, quando da idéia de revisão da Lei das Sociedades por Ações, por volta da década de 80, as discussões em torno da importância de relatórios como a demonstração de fluxos de caixa, a demonstração do valor adicionado e também o balanço social, ganharam corpo entre

os profissionais de Contabilidade. Daquela época em diante, apesar de não serem exigidos por

qualquer dispositivo legal, empresas de diferentes setores empreenderam esforços no sentido

de divulgá-los de forma voluntária.

Atualmente a Demonstração dos Fluxos de Caixa, substituíram a Demonstração de Origens e Aplicação de Recursos em relação à obrigatoriedade.

22.4.1 Demonstração do Valor Adicionado - DVA

Demonstração que muda a configuração da DRE, dando um formato diferenciado no seu conteúdo e uma interpretação social aos seus dados.

Nota: A DVA deve ser elaborada obrigatoriamente caso a entidade em questão seja Sociedade Anônima de capital aberto.

A Demonstração do Valor Adicionado tem por finalidade apresentar as variações das riquezas

produzidas pelas empresas. São utilizados como comparativos econômico de valores atuais e

valores correspondente a períodos anteriores, obrigatoriamente ele segue o Principio Contábil

de Competência.

A demonstração fornece uma visão bem abrangente sobre a real capacidade de uma

sociedade produzir riqueza.

A Demonstração do Valor Adicionado tem uma semelhança com o DRE - Demonstração de Resultados de Exercícios, porem eles tem objetivos diferentes:

- DRE - Demonstração de Resultados de Exercícios apresenta parcialmente as riquezas da

empresa demonstrando as receitas, despesas, custos com propósito de mostrar o lucro para os sócios ou acionistas.

- DVA - Demonstração do Valor Adicionado mostra os demais geradores de riquezas os considerados valores adicionados ou agregados.

O que é importante compreender é que a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) tem como

principal objetivo informar o valor da riqueza gerada pela empresa e a forma de distribuí-la e

que não deve ser confundida com a demonstração de resultado do exercício.

Enquanto essas duas últimas têm suas informações quase que exclusivamente voltadas para os sócios e acionistas, a DVA é muito menos egoísta e oferecem informações relativas à

37

riqueza gerada pela empresa e a forma com que essa riqueza é distribuída entre o governo, funcionários, fornecedores externos de capital e os próprios sócios e acionistas.

22.4.2. Balanço Social – BS

O Balanço Social é um demonstrativo publicado anualmente pela empresa reunindo um

conjunto de informações sobre os projetos, benefícios e ações sociais dirigidas os empregados, investidores, analistas de mercado, acionistas e à comunidade. É também um instrumento estratégico para avaliar e multiplicar o exercício da responsabilidade social corporativa.

Observação Importante!!!

As demonstrações contábeis são apresentadas em moeda corrente do país;

Os elementos que compõem o BP e a DRE são representados por saldos, que decorrem da diferença entre o movimento de “débitos” e “créditos” no período;

A DOAR focaliza sua direção no capital de giro da empresa, demonstrando as causas de suas

alterações.

A Resolução CFC nº. 1.003 de 2004, estabelece procedimentos para evidenciação de

informações de natureza social e ambiental, com o objetivo de demonstrar à sociedade a participação e a responsabilidade social da entidade.

23. REQUISITOS DO BALANÇO PATRIMONIAL

Balanço Patrimonial é uma demonstração contábil destinada a evidenciar de forma qualitativa e quantitativa, em uma determinada data, a posição patrimonial e financeira da Entidade.

No balanço patrimonial, as contas deverão ser classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem e devem ser agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da empresa.

Conforme o § 1º do artigo 176 da Lei 6.404/76, as demonstrações de cada exercício serão publicadas com a indicação dos valores correspondentes das demonstrações do exercício anterior, para fins de comparação.

O Balanço Patrimonial é parte integrante de um conjunto de relatórios que compõem as

demonstrações contábeis de uma entidade.

O Balanço patrimonial é a demonstração contábil que evidencia, de forma resumida, o

patrimônio da empresa, quantitativa e qualitativamente.

O

artigo 178 da Lei nº. 6.404/1976 - Lei das Sociedades por Ações, alterada pela Lei 11.638/07

e

MP 449/08, estabelece o seguinte:

Art. 178. No Balanço, as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a analise da situação financeira da companhia.

§1º No Ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez dos elementos nelas registrados, nos seguintes grupos:

a)

Ativo circulante;

b)

Ativo não circulante;

1)

Ativo realizável a longo prazo;

38

2)

Ativo permanente, dividido em Investimentos, Ativo imobilizado, o Ativo Intangível.

Nota: Em certos casos o Ativo diferido, ainda aparece em certas empresas que não tiveram como realocar estes valores em outras contas de destino.

A partir da alteração da legislação societária promovida pela Lei 11.638/07, o Ativo intangível

deve figurar no Balanço Patrimonial das empresas como subgrupo de Ativo Permanente, cujo objeto é os bens intangíveis anteriormente classificados no Ativo Imobilizado.

§ 2º No Passivo, as contas serão classificadas segundo a ordem decrescente de exigibilidade, nos seguintes grupos:

a)

Passivo circulante;

b)

Passivo não circulante;

1)

Passivo exigível a longo prazo;

Nota: O Resultado de Exercícios Futuros deixou de existir.

c) Patrimônio líquido, dividido em Capital Social, Reservas de Capital, Reserva de Lucros e

Lucros ou Prejuízos Acumulados.

§ 3º Os saldos devedores e credores que a companhia não tiver direito de compensar serão classificados separadamente.

Nota: A partir da alteração da legislação societária promovida pela Lei 11.638/07, foi suprimido

o grupo de contas intitulado Reserva de Reavaliação no Balanço Patrimonial.

As contas do Ativo sujeitas à depreciação, à amortização, à exaustão e à provisão para créditos de liquidação duvidosa e outras provisões aparecerão, no Balanço Patrimonial, deduzidas das respectivas depreciações, amortizações, exaustões ou provisões para créditos de liquidação duvidosa e outras provisões.

23.1. Composição do Balanço

Conforme Lei 6.404/76 (artigos 176 a 182 e artigo 187) e NBC T.3, o Balanço Patrimonial é constituído pelo Ativo, pelo Passivo e pelo Patrimônio Líquido.

- Ativo compreende os bens, os direitos e as demais aplicações de recursos controlados pela

entidade, capazes de gerar benefícios econômicos futuros, originados de eventos ocorridos.

- Passivo compreende as origens de recursos representados pelas obrigações para com

terceiros, resultantes de eventos ocorridos que exigirão ativos para a sua liquidação.

- Patrimônio Líquido compreende os recursos próprios da Entidade, e seu valor é a diferença

positiva entre o valor do Ativo e o valor do Passivo. Quando o valor do Passivo for maior que o

valor do Ativo, o resultado é denominado Passivo a Descoberto. Portanto, a expressão Patrimônio Líquido deve ser substituída por Passivo a Descoberto.

23.2. Agrupamento das Contas

Os elementos da mesma natureza e os saldos de reduzido valor quando agrupados, e desde que seja indicada a sua natureza e nunca devem ultrapassar, no total, um décimo do valor do respectivo grupo de contas, sendo vedada a utilização de títulos genéricos como "diversas contas" ou "contas correntes".

23.3. Procedimentos Para Elaboração do Balanço

39

Ao término do exercício, como se faz em todos os meses, procede-se ao levantamento do balancete de verificação, com o objetivo de conhecer os saldos das contas do razão e conferir sua exatidão.

No balancete são relacionadas todas as contas utilizadas pela empresa, sejam elas patrimoniais ou de resultado, demonstrando seus débitos, créditos e saldos.

As contas do balancete, no fim do exercício, sejam patrimoniais ou de resultado, nem sempre representam, entretanto, os valores reais do patrimônio, naquela data, nem as variações patrimoniais do exercício, porque os registros contábeis não acompanham a dinâmica patrimonial no mesmo ritmo em que ela se desenvolve.

Desta forma, muitos dos componentes patrimoniais aumentam ou diminuem de valor, sem que

a contabilidade registre tais variações, bem como muitas das receitas e despesas, recebidas ou pagas durante o exercício, não correspondem realmente aos ingressos e ao custo do período.

Daí a necessidade de se proceder ao ajuste das contas patrimoniais e de resultado, na data do levantamento do balanço, para que elas representem, em realidade, os componentes do patrimônio nessa data, bem como suas variações no exercício.

23.4. Conciliação dos Saldos Contábeis

A conciliação consiste, basicamente, na comparação do saldo de uma conta com uma informação externa à contabilidade, de maneira que se possa ter certeza quanto à exatidão do saldo em análise.

As fontes de informações mais usuais para verificação dos registros contábeis são os livros fiscais, os extratos bancários, as posições de financiamentos e carteiras de cobranças, as folhas de pagamento, os controles de caixa, etc.

23.5. Ajustes e Reclassificações Patrimoniais

Para elaboração do balanço devem ser efetuados vários ajustes e reclassificações nas contas patrimoniais, como estoques, empréstimos, etc.

Calcula-se também a provisão para o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, de acordo com as normas tributárias vigentes, fazendo-se a respectiva contabilização.

Para elaboração do balanço devem ser efetuados vários ajustes e reclassificações nas contas patrimoniais, entre os mais comuns são:

1 - na data da elaboração do balanço (geralmente 31 de dezembro), prepara-se o balancete de verificação, da mesma forma ao que se faz mensalmente;

2 - confronta-se o saldo de cada conta do razão com os livros auxiliares tais como: livro caixa,

contas correntes, registro de duplicatas, fichas de estoques de mercadorias, fichas de controle do ativo imobilizado;

3 - elabora-se o inventário dos materiais, de mercadorias, dos produtos manufaturados, dos

produtos em elaboração, dos móveis e utensílios, das máquinas e equipamentos, das duplicatas a receber e a pagar, dos devedores e credores em contas correntes, e de outros componentes patrimoniais suscetíveis de serem inventariados;

4 - após elaborar o inventário, confrontam-se seus totais com os saldos das respectivas contas

e dos registros específicos de cada bem. Caso sejam constatadas divergências, e apuradas suas causas, deve-se proceder aos ajustes;

40

5 - efetua-se os cálculos de depreciação dos bens, procedendo-se aos respectivos lançamentos. Nas empresas que apuram custos mensais, as depreciações são apropriadas

mensalmente;

6 - procede-se à regularização das contas de despesas dos exercícios seguintes (seguros a apropriar, assinaturas de periódicos, etc.)

7 - apura-se o resultado da conta de mercadorias, transferindo-o para a conta de resultados;

8 - ajusta-se outras contas patrimoniais, como os investimentos (cálculo da Equivalência

Patrimonial), transferência das parcelas a vencer no exercício seguinte do exigível a longo

prazo para o circulante, variações cambiais e monetárias sobre os valores a receber e pagar (do tipo empréstimos bancários), apropriação dos juros sobre aplicações financeiras, etc.

23.6. Lançamentos de Encerramento do Exercício

Para apuração do resultado do exercício, faz-se os lançamentos de encerramento, debitando- se as contas de receitas e creditando-se uma conta transitória, chamada de "apuração do resultado do exercício".

O inverso é efetuado nas contas de despesas e custos, debitando-se a conta "Apuração do

Resultado do Exercício" e creditando-se as contas de custos ou despesas.

O saldo da conta "Apuração do Resultado do Exercício" será então transferido para a conta de

"Resultados a Destinar", sendo esta distribuída para outras contas patrimoniais, conforme

proposta da administração.

23.7. Classificação das Contas Patrimoniais

Após os ajustes pertinentes e lançamentos de encerramento das contas de resultado, as contas remanescentes são apenas as contas patrimoniais, que devem ser separadas e classificadas em grupos para elaboração do balanço patrimonial, sendo que o saldo do ativo deve ser igual ao do passivo.

24. CONTAS DO BALANÇO PATRIMONIAL

A empresa deve manter escrituração contábil com base na legislação comercial e com

observância das Normas Brasileiras de Contabilidade.

O balanço patrimonial é uma das demonstrações contábeis que visa a evidenciar, de forma

sintética, a situação patrimonial da empresa e dos atos e fatos consignados na escrituração contábil.

Essa demonstração deve ser estruturada de acordo com os preceitos da Lei 6.404/76 (chamada "Lei das S/A") e segundo os Princípios Fundamentais de Contabilidade.

Tal estrutura de contas, dentro do conceito legal da própria Lei 6.404/76 (artigos 176 a 182 e artigo 187), em síntese, se compõe de:

ATIVO

PASSIVO

CIRCULANTE

CIRCULANTE NÃO CIRCULANTE PATRIMÔNIO LÍQUIDO

NÃO CIRCULANTE REALIZÁVEL A LONGO PRAZO

INVESTIMENTOS

 

IMOBILIZADO

INTANGÍVEL

41

24.1.

Estrutura e Classificação das Contas Patrimoniais

A estrutura básica das contas patrimoniais e de resultados deve ser a seguinte:

1. Ativo;

2. Passivo;

3. Receitas;

4. Despesas.

De acordo com a Lei nº. 6.404/76, as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem, e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da companhia.

No ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente do grau de liquidez dos elementos nelas registrados, nos seguintes grupos:

1.1 ATIVO CIRCULANTE

1.2 ATIVO NÃO CIRCULANTE

1.3 Realizável a Longo Prazo

1.4 Investimentos

1.5 Imobilizado

1.6 Intangível

No passivo, por sua vez, as contas serão dispostas em ordem decrescente de exigibilidade, apresentando o seguinte grupamento:

2.1 PASSIVO CIRCULANTE

2.2 PASSIVO NÃO CIRCULANTE

2.3 PATRIMÔNIO LÍQUIDO

2.3.1 Capital Social

2.3.2 Reservas de Capital

2.3.3 Ajustes de Avaliação Patrimonial

2.3.4 Reservas de Lucros

2.3.4.01 Reserva Legal

2.3.4.02 Reserva de Incentivos Fiscais

2.3.5 (-) Ações em Tesouraria

2.3.6 (-) Prejuízos Acumulados

Como exemplo, temos a conta "Caixa", que registrará o dinheiro em espécie (papel-moeda) disponível na tesouraria da empresa. Trata-se de uma conta do Ativo Circulante, subgrupo Disponibilidades.

24.2. Níveis do Plano de Contas

Como sugestão, o Plano de Contas deve conter no mínimo, 4 (quatro) níveis:

Nível 1:

Ativo, Passivo, Patrimônio Líquido, Receitas, Custos e Despesas.

Nível 2:

Ativo: Circulante, Não Circulante / Passivo e Patrimônio Líquido: Circulante, Não Circulante e Patrimônio Líquido. / Receitas: Receita Bruta, Deduções da Receita Bruta, Outras Receitas Operacionais / Custos e Despesas Operacionais.

42

Nível 3: Contas que evidenciem os grupos a que se referem, como por exemplo:

Nível 1 - Ativo Nível 2 - Ativo Circulante Nível 3 - Bancos Conta Movimento Nível 4: Sub-contas que evidenciem o tipo de registro contabilizado, como por exemplo:

Nível 1 - Ativo Nível 2 - Ativo Circulante Nível 3 - Bancos Conta Movimento Nível 4 - Banco A

Abaixo, segue um exemplo simplificado de uma estrutura de plano de contas em 4 níveis:

1. ATIVO

1.1 ATIVO CIRCULANTE

1.1.1 Caixa

1.1.1.01 Caixa Geral

1.1.2 Bancos C/Movimento

1.1.2.01 Banco Alfa

1.1.3 Contas a Receber

1.1.3.01

Clientes

1.1.3.02

Outras Contas a Receber

1.1.3.09

(-) Duplicatas Descontadas

1.1.4 Estoques

1.1.4.01 Mercadorias

1.1.4.02 Produtos Acabados

1.1.4.03 Insumos

1.1.4.04 Outros

1.2 NÃO CIRCULANTE

1.2.1 Contas a Receber

1.2.1.01 Clientes

1.2.1.02 Outras Contas

1.2.2 INVESTIMENTOS

1.2.2.01 Participações Societárias

1.2.3 IMOBILIZADO

1.2.3.01

Terrenos

1.2.3.02

Construções e Benfeitorias

1.2.3.03

Máquinas e Ferramentas

1.2.3.04

Veículos

1.2.3.05

Móveis

1.2.3.98

(-) Depreciação Acumulada

1.2.3.99

(-) Amortização Acumulada

1.2.4 INTANGÍVEL

1.2.4.01

Marcas

1.2.4.02

Softwares

1.2.4.99

(-) Amortização Acumulada

2.

PASSIVO

2.1

CIRCULANTE

2.1.1 Impostos e Contribuições a Recolher

2.1.1.01 Simples a Recolher

2.1.1.02 INSS

2.1.1.03 FGTS

2.1.2 Contas a Pagar

2.1.2.01 Fornecedores

2.1.2.02 Outras Contas

2.1.3 Empréstimos Bancários

2.1.3.01 Banco A - Operação X

2.2 NÃO CIRCULANTE

2.2.1 Empréstimos Bancários

43

2.2.1.01

Banco A - Operação X

2.2.2. Resultados Diferidos

2.2.2.01 (-) Custos Diferidos

2.3 PATRIMÔNIO LÍQUIDO

2.3.1 Capital Social

2.3.2.01 Capital Social Subscrito

2.3.2.02 Capital Social a Realizar

2.3.2. Reservas

2.3.2.01 Reservas de Capital

2.3.2.02 Reservas de Lucros

2.3.3 Prejuízos Acumulados

2.3.3.01 Prejuízos Acumulados de Exercícios Anteriores

2.3.3.02 Prejuízos do Exercício Atual

3. CUSTOS E DESPESAS

3.1 Custos dos Produtos Vendidos

3.1.1 Custos dos Materiais

3.1.1.01 Custos dos Materiais Aplicados

3.1.2 Custos da Mão-de-Obra

3.1.2.01 Salários

3.1.2.02 Encargos Sociais

3.2 Custo das Mercadorias Vendidas

3.2.1 Custo das Mercadorias

3.2.1.01 Custo das Mercadorias Vendidas

3.3 Custo dos Serviços Prestados

3.3.1 Custo dos Serviços

3.3.1.01 Materiais Aplicados

3.3.1.02 Mão-de-Obra

3.3.1.03 Encargos Sociais

3.4 Despesas Operacionais

3.4.1 Despesas Gerais

3. 4.1.01 Mão-de-Obra

3.4.1.02 Encargos Sociais

3.4.1.03 Aluguéis

3.5 Perdas de Capital

3.5.1 Baixa de Bens do Ativo Não Circulante

3.5.1.01 Custos de Alienação de Investimentos

3.5.1.02 Custos de Alienação do Imobilizado

4.

RECEITAS

4.1

Receita Líquida

4.1.1 Receita Bruta de Vendas

4.1.1.01 De Mercadorias

4.1.1.02 De Produtos

4.1.1.03 De Serviços Prestados

4.1.2 Deduções da Receita Bruta

4.1.2.01 Devoluções

4.1.2.02 Serviços Cancelados

4.2 Outras Receitas Operacionais

4.2.1 Vendas de Ativos Não Circulantes

4.2.1.01 Receitas de Alienação de Investimentos

4.2.1.02 Receitas de Alienação do Imobilizado

MODELO BÁSICO DE PLANO DE CONTAS

O modelo abaixo apresentado está voltado a atividade industrial, podendo ser adaptado às diversas situações empresariais.

44

1

 

ATIVO

1.1

ATIVO CIRCULANTE

1.1.1

Disponível

1.1.1.01

Caixa Geral

1.1.1.01.001

Caixa Matriz

1.1.1.01.002

Caixa Filial 1

1.1.1.01.100

Fundo Fixo de Caixa – Matriz

1.1.1.02

Bancos Conta Movimento

1.1.1.02.001

Banco Nacional S.A.

1.1.1.03

Aplicações Financeiras de Liquidez Imediata

1.1.1.03.001

Banco Nacional S.A.

 

Natureza: Devedora, sempre.

1.1.2

Créditos (Valores a Receber)

1.1.2.01

Duplicatas a Receber

1.1.2.01.001

Cia. ECP Ltda.

1.1.2.02

(

- ) Duplicatas Descontadas

1.1.2.02.001

(

- ) Cia. ECP Ltda.

1.1.2.03

(

- ) Créditos Vencidos e não Liquidados *

1.1.2.03.001

(

- ) Cia. ECP Ltda.

1.1.2.04.001

(

- ) Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa

1.1.2.05.001

(

- ) P.D.D.

1.1.2.10

Outros Créditos

1.1.2.10

Títulos a Receber

1.1.2.10.001

Promissárias a receber

1.1.2.20

Cheques em Cobrança

1.1.2.20.001

 

1.1.2.30

Adiantamentos a Fornecedores

1.1.2.30.001

Cia. Fornecedora de Produtos S.A.

1.1.2.40

Adiantamentos a Empregados

1.2.1.40.001

 

Salários

1.1.2.40.002

13º Salário

1.1.2.50

Empréstimos a Empregados

1.1.2.50.001

 

1.1.2.60

Tributos a Recuperar/Compensar

1.1.2.60.001

IPI a Recuperar

1.1.2.60.002

ICMs a Recuperar

1.1.2.60.003

Imposto de Renda Retido na Fonte

1.1.2.70

Aplicações Financeiras

1.1.2.70.001

Banco Nacional S.A.

45

1.1.2.80

 

Ações

1.1.2.80.001

Aplicações em Ações

1.1.3

Estoques

1.1.3.01

Mercadorias, Produtos e Insumos.

1.1.3.01.001

Mercadorias para Revenda

1.1.3.01.002

Matérias-Primas

1.1.3.01.003

Material de Embalagem.

1.1.3.01.004

Materiais auxiliares de Produção.

1.1.3.01.005

Produtos em Elaboração

1.1.3.01.006

Produtos Acabados para venda

1.1.3.02

Almoxarifado

1.1.3.02.001

Almoxarifado de Manutenção

1.1.3.02.002

Almoxarifado Administrativo

1.1.3.03

(

- ) Provisão para Ajuste do Estoque ao Valor de Mercado

1.1.3.03.001

(

- )

1.1.4

Despesas Pagas Antecipadamente

1.1.4.01

Despesas de Exercícios Seguintes

1.1.4.01.001

Prêmios de Seguros a Apropriar

1.1.4.01.002

Assinaturas e Anuidades

1.1.4.01.003

 

1.2.

ATIVO NÃO CIRCULANTE

1.2.1

ATIVO REALIZÁVEL A LONGO PRAZO

1.2.1.01

Duplicatas a Receber

1.2.1.01.001

 

1.2.1.02

(

- ) Duplicatas Descontadas

1.2.1.02.001

(

- )

1.2.1.03

(

- ) Créditos Vencidos e não Liquidados *

1.2.1.03.001

(

- )

1.2.2

Outros Créditos

1.2.2.01

Títulos a Receber

1.2.2.01.001

 

1.2.2.02

Aplicações Financeiras

1.2.2.02.001

Banco Nacional S.A.

1.3

ATIVO PERMANENTE

1.3.1

Investimentos

1.3.1.01

Controladas e Coligadas – Equivalência Patrimonial

1.3.1.01.001

Controlada “A” – Valor Patrimonial

1.3.1.01.002

Controlada “A” – Ágio na Aquisição

1.3.1.01.003

Controlada “A” – Amortização Acumulada do Ágio

1.3.1.01.004

Controlada “A” – Deságio na Aquisição

1.3.1.01.005

Controlada “A” – Deságio na Aquisição

1.3.1.02

 

46

1.3.1.03

Outras Participações Societárias

1.3.1.03.001

 

1.3.1.04

Participações por Incentivos Fiscais

1.3.1.04.001

 

Finor

1.3.1.04.002

 

Finam

1.3.1.04.003

 

Funres

1.3.1.05

Imóveis não destinados ao uso

1.3.1.05.001

 

1.3.1.06

Outros Investimentos Permanentes

1.3.1.06.004

Objeto de Arte

1.3.1.06.006

 

1.3.1.07

Provisão para Perdas Permanentes

1.3.1.07.001

(

- ) Controladas e Coligadas – Equivalência Patrimonial

1.3.1.07.002

(

- ) Controladas e Coligadas – Custo Corrigido

1.3.1.07.003

(

- ) Outras Participações Societárias

1.3.1.07.004

(

- ) Participações por Incentivos Fiscais

1.3.1.07.005

(

- ) Imóveis não destinados ao Uso

1.3.1.07.006

(

- ) Outros Investimentos Permanentes

1.3.1.07.007

(

- )

1.3.2

Imobilizado

1.3.2.01

 

Imóveis

1.3.2.01.001

 

Terrenos

1.3.2.01.002

 

Edifícios

1.3.2.01.003

Construções

1.3.2.01.004

 

1.3.2.02

Móveis e Utensílios

1.3.2.02.001

 

1.3.2.03

Máquinas e Equipamentos

1.3.2.03.001

 

1.3.2.04

 

Veículos

1.3.2.04.001

 

1.3.2.05

Ferramentas

47

1.3.2.05.001

 

1.3.2.07

Benfeitorias em Propriedades de Terceiros

1.3.2.07.001

 

1.3.2.09

( - ) Depreciações, Amortizações e Exaustões Acumuladas

1.3.2.09.001

(

- ) Depreciações de Edifícios

1.3.2.09.002

(

- ) Depreciações de Móveis e Utensílios

1.3.2.09.003

(

- ) Depreciações de Máquinas e Equipamentos

1.3.2.09.004

(

- ) Depreciações de Veículos

1.3.2.09.005

(

- ) Depreciações de Ferramentas

1.3.2.09.006

(

- ) Amortizações e Depreciações de Benfeitorias em Propriedades de Terceiros

1.3.2.09.007

(

- )

1.3.3

Ativo Intangível

1.3.3.01

Marcas e Patentes

2

PASSIVO

2.1.

PASSIVO CIRCULANTE

2.1.1

Fornecedores

2.1.1.01

Fornecedores Nacionais

2.1.1.01.001

 

2.1.2

Empréstimos e Financiamentos

2.1.2.01

Empréstimos e Financiamentos Bancários

2.1.2.01.001

Banco Tal S.A.

2.1.2.02

Empréstimos de pessoas ligadas

2.1.2.02.001

 

2.1.3

Obrigações Trabalhistas

2.1.3.01

Folha de Pagamento de Empregados

2.1.3.01.001

Salários a Pagar

2.1.3.01.002

Férias a Pagar

2.1.3.01.003

Rescisões de Empregados a Pagar

2.1.3.01.004

13º Salário e Encargos a Pagar

2.1.3.02

Folha de Pagamento de Autônomos

2.1.3.02.001

Rendimentos a Pagar

2.1.3.03

Folha de Pagamento de Dirigentes

48

2.1.3.03.001

Pró-Labore a Pagar

2.1.3.04

Encargos Sociais a Pagar

2.1.3.04.001

INSS – Empregados a Recolher

2.1.3.04.002

INSS – Empresa a Pagar

2.1.3.04.003

FGTS a pagar

2.1.3.04.004

Contribuição Sindical a Recolher

2.1.4

Obrigações Tributárias

2.1.4.01

Impostos Retidos a Recolher

2.1.4.01.001

IRF a Recolher (retido de PF)

2.1.3.01.002

IRF a Recolher (retido de PJ)

2.1.4.01.003

ISS Retido a Recolher.

2.1.4.01.004

ICMS Retido a Recolher

2.1.4.02

Impostos e Contribuições sobre o Lucro

2.1.4.02.001

IRPJ a pagar

2.1.4.02.002

Contribuição Social a Pagar

2.1.4.03.002

IPI a Pagar

2.1.4.03.003

COFINS a Pagar

2.1.4.03.003

PIS a Pagar

2.1.5

Contas a Pagar

2.1.5.01

Tarifas a Pagar

2.1.5.01.001

Brasil Telecom a Pagar

2.1.5.01.002

GVT a Pagar

2.1.5.01.003

Correios a Pagar

2.1.5.01.004

 

2.1.5.02

Contas Várias a Pagar

2.1.0.02.001

Seguros a Pagar

2.1.0.02.002

Aluguel a Pagar

2.1.0.02.003

Consórcios a Pagar

2.1.0.02.004

Comissões sobre Vendas a Pagar

2.1.0.02.005

 

2.1.6

Adiantamentos

2.1.6.01

Adiantamentos de Clientes

49

2.1.6.01.001

 

2.2

PASSIVO NÃO CIRCULANTE

2.2.1

Passivo Exigível A Longo Prazo

2.2.1.01

Empréstimos e Financiamentos Bancários

2.2.1.01.001

Banco Tal S.A.

2.4

PATRIMÔNIO LÍQUIDO

2.4.1

Capital Social

2.4.1.01

Capital Subscrito

2.4.1.01.001

Capital Social

2.4.1.02

( - ) Capital a Integralizar

2.4.1.02.001

(

- )

2.4.2

Reservas

2.4.2.01

Reservas de Capital

2.4.2.01.001

Correção Monetária do Capital Integralizado *

2.4.2.01.002

Ágio na Emissão de Ações

2.4.2.01.003

Doações e Subvenções para Investimentos

2.4.2.01.004

(

- ) Ações/Quotas em Tesouraria

2.4.2.01.005

 

2.4.2.02

Reservas de Reavaliação

2.4.2.03

Reservas de Lucros

2.4.2.03.001

Reserva Legal

2.4.2.03.002

Reserva Estatutária

2.4.2.03.003

Reserva para Contingências

2.4.2.03.004

Reserva de Lucros a Realizar

2.4.2.03.005

Reserva Especial

2.4.2.03.006

(

- ) Ações/Quotas em Tesouraria

2.4.2.03.007

Reserva de Incentivos Fiscais

2.4.3

Prejuízos Acumulados

2.4.3.01

Prejuízos Acumulados

2.4.3.01.001

(

- ) Prejuízos Acumulados

<