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GUIA PARA ORGANIZAÇÕES E

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GUIA PARA ORGANIZAÇÕES E
GUIA PARA ORGANIZAÇÕES E

MOVIMENTOS SOCIAIS

GRANDES E PEQUENAS

CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

NA BACIA DO RIO URUGUAI

GUIA PARA ORGANIZAÇÕES E MOVIMENTOS SOCIAIS GRANDES E PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS NA BACIA DO RIO

GUIA PARA ORGANIZAÇÕES

E MOVIMENTOS SOCIAIS

GRANDES E PEQUENAS

CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

NA BACIA DO RIO URUGUAI

Coordenação e pesquisa Anelise Hüffner e Bruna Cristina Engel

Revisão Elisangela Soldatelli Paim e Lucia Ortiz

Textos autorais Anelise Hüffner – Amigos da Terra Brasil Eduardo Luis Ruppenthal – Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural (PGDR/UFRGS) Elisangela Soldatelli Paim – Universidade de Buenos Aires (UBA) Gilberto Cervisnki – Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) Lucia Ortiz – Amigos da Terra Brasil Paulo Brack – Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (InGá) Rosana Mendes – Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)

Colaboração/Créditos Elisangela Paim Carolina Lemos

Fotos

Acervo Nat e Adriano Becker

Design gráfico Clô Barcellos / Libretos

Ilustrações e mapa Ricardo Machado, Anelise Hüffner e Lucimara Schirmbeck

GUIA PARA ORGANIZAÇÕES E MOVIMENTOS SOCIAIS GRANDES E PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS NA BACIA DO RIO

GUIA PARA ORGANIZAÇÕES

E MOVIMENTOS SOCIAIS

GRANDES E PEQUENAS

CENTRAIS HIDRELÉTRICAS

NA BACIA DO RIO URUGUAI

Porto Alegre, março/2011

Realização

Parceiros

Apoio

Realização Parceiros Apoio
Realização Parceiros Apoio
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação:

Bibliotecária Daiane Schramm – CRB-10/1881

G751

Grandes e Pequenas Centrais Hidrelétricas na Bacia do

Rio

Sociais. / Coordenação e revisão Anelise Hüffner e Bruna Cristina Engel. – ed. atual. – Porto Alegre:

Amigos da Terra – NatBrasil, 2011.

116p.

Fotos: Anelise Hüffner.

Uruguai : Guias para ONGS e Movimentos

ISBN XXX-XX-XXXXX-XX-X

1. Hidrelétricas. 2. Bacia Hidrográfica. 3. Rio Uruguai. I. Hüffner, Anelise; Coord.; Rev. II. Engel, Bruna Cristina; Corrd.; Rev.

CDD 621

Índice

Apresentação

8

A

bacia hidrográfica do rio Uruguai

11

Hidrelétricas na bacia do rio Uruguai – para quê? para quem?

15

Os cinco anos de Barra Grande

24

Etapas do planejamento e licenciamento de empreendimentos hidrelétricos

27

Avaliação Ambiental Integrada (AAI)

31

A

situação dos empreendimentos hidrelétricos na bacia do rio Uruguai

34

Empreendimentos com Licenciamento Ambiental pelo Estado de Santa Catarina

35

Empreendimentos com Licenciamento Ambiental pelo Estado do Rio Grande do Sul

46

Empreendimentos com Licenciamento Ambiental Federal no Brasil

54

Empreendimentos Binacionais

55

Governos e empresas decidem sobre o Projeto Garabi

95

Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH) – Alternativa ou outro grande problema?

100

Desenvolvimento Regional sem barragens e o papel do BNDES

105

Lista de Siglas

109

Glossário

110

Sítios da internet

113

Bibliografia

114

EncartES

Sítios da internet 113 Bibliografia 114 EncartES • Mapa de Localização das Pequenas centrais

• Mapa de Localização das Pequenas centrais Hidrelétricas (PcHs) na Bacia do rio Uruguai – empreedimentos até 30 MW.

na Bacia do rio Uruguai – empreedimentos até 30 MW. • Mapa de localização das Usinas

• Mapa de localização das Usinas Hidrelétricas (UHEs) na Bacia do rio Uruguai – empreendimentos acima de 30 MW.

Floresta com araucárias no vale do rio Pelotas, derrubada para o enchimento do lago da

Floresta com araucárias no vale do rio Pelotas, derrubada para o enchimento do lago da UHE Barra Grande

Foto: adriano Becker

Apresentação

No Brasil, segundo dados da Comissão Mundial de Barragens – CMB (2000), as grandes hidrelétricas construídas no Brasil já teriam deslocado de suas terras mais de 1 milhão de pessoas e inundado mais de 34 mil km 2 de terras férteis, florestas e regiões ribeirinhas, destruindo paisagens únicas, culturas e espécies raras da nossa biodiversidade.

Na Bacia do Rio Uruguai, localizada ao

sul do país e que faz divisa com o Estado de Santa Catarina e fronteira com a Argentina e

o Uruguai, as barragens já expulsaram aproxi-

madamente 60 mil pessoas de suas terras, ala- gando uma área equivalente a 58.436 hectares

de terras agricultáveis e mata nativa. Esta é uma região onde ocorreram diversos conflitos socioambientais, onde o interesse econômico sempre prevaleceu e continua prevalecendo, com a exploração da hidroeletricidade im- posta sobre as demandas sociais, ambientais

e culturais da população que vive às margens

do Rio Uruguai e seus afluentes. Apesar destes conflitos, o setor elétrico continua a fazer projetos hidrelétricos que se

localizam em áreas de extrema fragilidade am- biental e social, focando somente no potencial que estes empreendimentos hão de gerar e no seu faturamento. De acordo com dados do SIPOT, o potencial ainda não aproveitado na Bacia do Rio Uruguai seria mais 10 GW de potência. Um grande obstáculo enfrentado pelas populações atingidas, assim como pelos mo- vimentos sociais e ONGs que acompanham o tema da geração de energia e seus impactos, é a dificuldade em obter informações sobre os empreendimentos, tanto os planejados quan- tos os que estão em construção, apesar de o direito de acesso à informação ambiental estar previsto na legislação nacional. É dever dos

 Margem do rio canoas/Sc. Foto: amigos da terra órgãos públicos, envolvidos no planejamento energético ou

Margem do rio canoas/Sc.

Foto: amigos da terra

órgãos públicos, envolvidos no planejamento energético ou no licenciamento ambiental, promover a transparência e dar publicidade a estas informações. É importante ressaltar também que os recursos para estas obras vêm de bancos públicos nacionais ou regionais, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco Intera- mericano de Desenvolvimento (BID) que tem deveres de transparência, além das empresas privadas que a cada ano batem recordes de lucratividade. O objetivo desta publicação é disponi- bilizar as informações compiladas sobre cada um dos empreendimentos hidrelétricos da bacia do rio Uruguai, reunindo dados rele- vantes para o processo de mobilização frente aos impactos socioambientais dos planos de expansão da oferta de energia projetados para a bacia. Nesta publicação, encontram-se em anexo dois mapas: um que contém a loca- lização das usinas hidrelétricas (UHEs) e outro contendo a localização das pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), bem como tabelas mos-

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trando a situação desses empreendimentos nos processos de planejamento, licenciamen- to ambiental, construção ou operação. Os textos autorais ao longo da publi- cação contextualizam a problemática das hi- drelétricas na bacia do rio Uruguai. O texto de Gilberto Cervinski traz um balanço da região onde originou-se o Movimento Nacional dos Atingidos por Barragens, após a construção de sete grandes hidrelétricas em território brasileiro que concentram lucro, terras e acesso à água nas mãos de menos de meia dúzia de empresas transnacionais eletroin- tensivas. Os textos de Eduardo Ruppenthal e Paulo Brack relatam que, após cinco anos do enchimento do lago da UHE Barra Grande - a partir de um licenciamento fraudulento - as lições aprendidas e os instrumentos então prometidos para uma gestão mais racional dos recursos da bacia, como a Avaliação Am- biental Integrada (AAI), não são capazes de evitar desastres ambientais semelhantes, nem ampliar o debate público sobre o futuro da bacia do rio Uruguai. O artigo de Elisangela

Paim apresenta a situação do Complexo Hi- drelétrico Garabi, integrado pelos dois maio- res projetos hidrelétricos da bacia, que estão em fase de licitação dos estudos técnicos e ambientais pelos governos da Argentina e do Brasil. Em seguida o texto de Anelise Hüffner questiona a construção de pequenas centrais hidrelétricas como alternativa às usinas hidre- létricas. Finalmente, o texto de Lucia Ortiz e Rosana Mendes “Desenvolvimento regional sem barragens e o papel do BNDES” encer- ra a publicação colocando em perspectiva o papel dos financiamentos públicos para o desenvolvimento ao destacar o pioneirismo dos movimentos sociais da região na propo- sição de outras formas de desenvolvimento local que respeite os anseios das populações ribeirinhas e dos municípios ameaçados pela construção de novas hidrelétricas.

Amigos da Terra Brasil

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A BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO URUGUAI Brasil 27º S Rio Grande do Sul 34º S
A BACIA HIDROGRÁFICA
DO RIO URUGUAI
Brasil
27º S
Rio Grande
do Sul
34º S
58º 15’W
49º 30’W

-

- - - -

Bacia do rio Uruguai

A bacia do rio Uruguai estende-se entre os Paralelos de 27º e 34º latitude Sul e os meridianos de 49º 30’ e 58º 15’ W. Abrange uma área de aproximadamente 384.000 km 2 , dos quais 174.494 km2 situam-se no Brasil, equivalente a 2% do território brasileiro. Sua porção brasileira encontra-se na região sul, compreendendo 46.000 Km 2 no Estado de Santa Catarina e 130.000Km 2 no Estado do Rio Grande do Sul. É delimitada ao norte e nordeste pela Serra Geral, ao sul pela fronteira com a República Oriental do Uruguai, a leste pela Depressão Central Riograndense e a oeste pela Argentina.

Entardecer às margens do rio canoas, em cerro negro/Sc. Foto: amigos da terra 12

Entardecer às margens do rio canoas, em cerro negro/Sc.

Foto: amigos da terra

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O rio Uruguai possui 2.200 km de ex- tensão, originando-se da confluência dos rios

Pelotas e do Peixe, onde divide os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Delimita

a fronteira entre o Brasil e a Argentina após

a sua confluência com o rio Peperi-Guaçu e,

depois de receber a afluência do rio Quaraí, que limita o Brasil e o Uruguai, marca a fron- teira entre a Argentina e o Uruguai até sua foz. Possui uma vazão média anual de 3.600m3/s

nas unidades hidrográficas de Chapecó, Ca-

noas, Ibicuí e Turvo. Entre as maiores cidades estão Lages e Chapecó, em Santa Catarina, e Erechim, Ijuí, Uruguaiana, Santana do Li- vramento e Bagé, no Rio Grande do Sul. A região concentra importantes atividades agro- industriais e apresenta reconhecido potencial hidrelétrico. O clima regional é sub-tropical com distribuição de chuvas ao longo de todo ano,

e

volume médio anual de 114 km3 de água.

mas

com maior concentração entre maio e

No Brasil seus principais afluentes são os rios Canoas, Pelotas, Passo Fundo, Chapecó, Ijuí,

setembro. Os meses que podem ser mais secos são os de novembro a fevereiro. As

Ibicuí e Quaraí. Na Argentina integram-se na

precipitações anuais variam de cerca de 1800

bacia do rio Uruguai os rios Aguapey, Miriñiay

mm

nas cabeceiras, no Planalto, para 1300

e

Gualeguaychu e no Uruguai os rios Daymán,

mm,

na fronteira com o Uruguai.

Queguay e Negro. Aproximadamente 3,8 milhões de pessoas vivem na parte brasileira da região hidrográfica do Uruguai, que possui um total de 384 municípios, com maior concentração

A composição da diversidade biológica da bacia é formada pelos principais Biomas do sul da América Latina: a Mata Atlântica e seus

ecossistemas associados (Floresta Ombrófila Mista, Floresta Estacional Decidual, Floresta

a Mata Atlântica e seus ecossistemas associados (Floresta Ombrófila Mista, Floresta Estacional Decidual, Floresta

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Estacional Semidecidual e campos naturais) e

o Pampa, os quais encontram-se em um pro-

cesso de fragmentação acelerado em razão dos diversos usos do solo e pelo impacto dos empreendimentos hidrelétricos. Apesar disso, as porções de floresta que ainda não foram desmatadas ou submersas pelos barramentos, comportam representativos componentes da

fauna e da flora regional. Por suas dimensões,

a bacia hidrográfica do rio Uruguai é um dos

mais importantes corredores de biodiversida- de do Cone Sul, apresentando em sua fauna diversas espécies endêmicas ou em vias de extinção. Em suas nascentes principais, nos rios Canoas e Pelotas, a bacia apresenta a exu- berância da Mata Atlântica, composta por palmitos, cabreúvas, canelas, figueiras e an-

gicos. As altas altitudes por onde passa o rio Uruguai é ambiente ideal para as formações de Floresta Atlântica com Araucaria angustifo- lia, o Pinheiro Brasileiro. Essa árvore produz o pinhão, essencial para a alimentação da fauna

e apreciado pelas pessoas que lá vivem, e está

ameaçada de extinção por sua exploração desenfreada. Outra formação importante da Mata Atlântica que ocorre nas porções mais altas da bacia são os Campos de Cima da Ser- ra, formações herbáceas nativas, impactadas

pelo fogo, pastejo, agricultura e atualmente pela crescente silvicultura de Pinus e Eucalip- to. Percorrendo o rio Uruguai, encontramos junto às encostas mais baixas e fundos de vale,

a exuberante mata ciliar desta bacia, também

denominada Floresta Estacional Decidual, pela perda das folhas de algumas espécies durante o inverno. É nesta porção que se en- contra o mais antigo Parque Estadual do Rio Grande do Sul, o Turvo, conhecido por abrigar os últimos exemplares de onça-pintada e anta, ambas ameaçadas de extinção. Nas porções mais ao sudoeste do Rio Grande do Sul, a me-

dida em que o rio se aproxima da Argentina

e do encontro com o rio Quaraí, a mata ciliar torna-se mais estreita, contrastando ainda mais com a paisagem pampeana, dominada pelas savanas e estepes.

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Hidrelétricas na Bacia do Rio Uruguai – para quê? para quem?

Este texto apresenta uma sistematização das questões centrais que envolvem a construção de hidrelétricas. Faz uma reflexão sobre a materialização do modelo energético brasileiro na bacia do rio Uruguai e suas conseqüências.

brasileiro na bacia do rio Uruguai e suas conseqüências. Buscamos desenvolver um balanço da construção de

Buscamos desenvolver um balanço da construção de hidrelétricas nesta região a par- tir das sete usinas já construídas. Estas obras de geração de energia foram anunciadas há 30 anos e paulatinamente estão sendo construí- das na região, além disto, várias outras estão planejadas. Nosso questionamento é: estas usinas estão a serviço de quê e para quem? Qual é de fato o resultado para o povo da região e para o país? A aceleração da construção de hidrelé- tricas está no centro da estratégia de desen- volvimento adotada em nosso país. Nestas últimas décadas, dezenas de hidrelétricas

foram construídas para atender a demanda de energia cada vez maior. Mais recentemente, com a crise do petróleo e com a crise eco- nômica que se estabeleceu a nível mundial, a construção de hidrelétricas ganha mais importância, e os principais investimentos em infra-estrutura do governo brasileiro estão direcionados para construção de grandes hi- drelétricas nas principais bacias hidrográficas de nosso país. A bacia do rio Uruguai (BRU) tem gran- de capacidade e potencial de geração hídrica. Desde o anuncio dos primeiros planos de barragens na região, o discurso oficial dos go-

rio Uruguai, fronteira com argentina: entre Porto Xavier (rS) e San Javier (arG) Foto: amigos

rio Uruguai, fronteira com argentina: entre Porto Xavier (rS) e San Javier (arG)

Foto: amigos da terra

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vernos e das empresas e de seus apoiadores, foi de que “as hidrelétricas trariam progresso e desenvolvimento para região”. Este discurso foi e tem sido a justificativa ideológica para concretização destes projetos. Geração de emprego, risco de ‘apagão’, diminuição das tarifas, melhoria de vida do povo da região, turismo, royalties, são algumas das propagan- das utilizadas publicamente para convencer a população.

Qual é o interesse real de construir tantas hidrelétricas?

A noção de energia é recente, surgiu no seio deste modelo de sociedade. Apesar de ser produto do trabalho humano e, portanto, produto dos trabalhadores e trabalhadoras, na atual forma de organização do setor elétrico brasileiro a produção de energia tem como objetivo principal aumentar a produtividade do trabalho dos trabalhadores para gerar mais “mais-valor”. Ou seja, a importância da ener- gia para o capitalismo, é que ela possibilita

aos capitalistas aumentar e extrair o máximo de lucro. Nada mais.

A hidroeletricidade tem se tornado o

principal foco de interesse das empresas pri- vadas porque é a tecnologia mais eficiente, com 92% de rendimento, enquanto as demais tecnologias giram em torno dos 30% de efici-

ência. Ou seja, quem controla a produção de hidroeletricidade tem lucros extraordinários, porque no Brasil, a partir dos anos 90, o setor elétrico foi privatizado e a mercadoria principal passou a ser a própria eletricidade. Passou ser o principal negócio dos empresários. Os potenciais hidroelétricos passam a ser o foco prioritário de disputa mundial na busca pelo seu controle.

A região é considerada estratégica na

geração de eletricidade e se torna um destes territórios brasileiros em disputa, que o capital internacional quer controlar. A bacia do rio Uruguai apresenta potencial de 12.816 MW, significando 5,1% do potencial nacional. Deste total, 5.182 MW já aproveitados, 6.482 MW inventariados e 1.152 MW estimados.

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1  Seminário sobre projetos de energia e suas consequencias, cerro negro/Sc, novembro de 2009. Foto:

Seminário sobre projetos de energia e suas consequencias, cerro negro/Sc, novembro de 2009. Foto: amigos da terra

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A partir dos anos oitenta, já foram construídas sete grandes hidrelétricas: Usina Hidrelétrica (UHE) de Passo Fundo, UHE Ita, UHE Machadinho, UHE Barra Grande, UHE Campos Novos, UHE Monjolinho e UHE Foz do Chapecó. As hidrelétricas, no atual modo de pro- dução, nada mais são que grandes fábricas de produzir eletricidade. As sete hidrelétricas já construídas geram 2.601 MWh médios de energia elétrica. A partir de uma análise deta- lhada em cada uma das usinas e seus contratos de comercialização, constata-se que a energia elétrica esta sendo vendida a preços que va- riam entre 130,00 reais a 140,00 por MWh. Se as usinas fossem poços de petróleo, é como se a energia estivesse sendo vendida a 125 dólares por barril. Significa que as sete hidre- létricas juntas (5.357 MW de potência) geram por ano 3,2 bilhões de reais e durante 30 anos vão gerar aos seus ‘donos’ nada menos que 95 bilhões de reais. No entanto a BRU possui um potencial total de 12.816 MW, isso significa que os de-

um potencial total de 12.816 MW, isso significa que os de- mais 7.459 MW que ainda

mais 7.459 MW que ainda não foram explora- dos, poderão gerar mais 4,57 bilhões de reais por ano ou 137 bilhões de reais em 30 anos, somente com o negócio da geração. Portanto, as empresas que controlam a energia na BRU, na verdade estão buscando se apropriar de um recurso estratégico que possui uma capacidade de gerar um valor em torno de R$ 7,5 bilhões de faturamento por ano ou 230 bilhões de reais nos próximos 30 anos. Além do negócio da geração de ener- gia seria necessário analisar o faturamento da distribuição e de transmissão, em que as sete usinas conseguem mais outros 2,75 bilhões de reais por ano. As sete hidrelétricas atingiram territó- rios e populações de 50 municípios, sendo

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que a população total em 2007 (IBGE), nestes municípios era de 730.261 habitantes. Em 2009, a transferência total de recur- sos do Governo Federal aos 50 municípios atingidos por estas usinas, foi de 479 milhões de reais e o repasse dos cofres estaduais mais 200 milhões. Ou seja, os municípios recebe- ram em 2009 da União e dos estados algo em torno de 680 milhões de reais, enquanto as sete hidrelétricas geram 3,2 bilhões de reais no mesmo ano. Podemos perguntar: a serviço de quem estão estas hidrelétricas? As compensações financeiras são insignificantes, porque repassam por ano aos municípios algo em torno de R$ 40 milhões. Ao mesmo tempo as sete hidrelétricas estão nas mãos de quatro transnacionais

hidrelétricas estão nas mãos de quatro transnacionais – Alcoa (EUA), GDF Suez Tractebel (França), Votorantim,

– Alcoa (EUA), GDF Suez Tractebel (França), Votorantim, Camargo Correa (brasileiras). Enquanto 730 mil habitantes recebem por ano algo em torno de R$ 720 milhões para seu desenvolvimento, quatro transnacionais garantem 3,2 bilhões anualmente, grande parte em forma de lucro líquido. A ALCOA é uma empresa estaduni- dense, uma das maiores empresas mundiais de alumínio. A Votorantim, tem sido um dos maiores grupos econômicos brasileiros. A Camargo Correa é também brasileira e uma das maiores empresas da construção civil e a GDF Suez é uma empresa francesa, e maior empresa privada de geração de energia no Brasil, possui 941 trabalhadores e possui em torno de 7.000 MW de potência instalada e uma das maiores no mundo. As sete hidrelétricas custaram algo em torno de R$ 8 bilhões para serem construídas, sendo que 5,5 bilhões vieram do BNDES – Ban- co Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, valores que chegam a 75% do total de cada investimento. Conclui-se que não são as

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empresas que vêm investir na região, é o povo brasileiro quem paga para que as empresas se instalem na região, explorem o povo brasilei- ro, se apropriem de bens naturais estratégicos e deixem como resultado o empobrecimento da região e a destruição da própria natureza. E não há dúvida nenhuma de que o BNDES tem sua contribuição neste processo. A con- clusão que se pode ter, diante destes fatos, é que o papel do Estado é justamente garantir os interesses dos setores que dominam a so- ciedade e, neste momento, tem servido aos interesses dos grandes grupos econômicos mundiais, para garantir as maiores taxas de lucro possíveis. E o BNDES é uma importante ferramenta desta lógica. As sete usinas expulsaram até o mo- mento 12.800 famílias, aproximadamente 60 mil pessoas. Além disso, na região ribeirinha

destes lagos permanecem ainda sem solução mais de 300 comunidades atingidas, desestru- turadas, onde vivem mais de 10.000 famílias, o equivalente a 40.000 pessoas. Ou seja, foram mais de 100.000 pessoas atingidas. As sete usinas alagaram 585,36 Km² de terras, isso equivale a 58.436 hectares de terras alagadas além de outros 24.460 hectares que foram apropriados pelas empresas nas mar- gens dos lagos. Significam 82.896 hectares de terras que foram apropriadas pelas empresas donas das hidrelétricas, antes de qualquer coisa, estavam sob controle dos camponeses e nessas terras havia produção de alimentos que sustentava no mínimo 60 mil pessoas.

Todos sabemos que os camponeses, atingidos por barragens, tem sido expropriados da forma mais violenta possível, muitos casos idênticos às formas de acumulação primitiva, usados na origem de acumulação do capital.

possível, muitos casos idênticos às formas de acumulação primitiva, usados na origem de acumulação do capital.

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22 Quantas famílias não tiveram suas casas queimadas para obrigá-las a abandonar seu lote? Em todas

Quantas famílias não tiveram suas casas queimadas para obrigá-las a abandonar seu lote? Em todas as usinas, no processo inicial de construção esta prática tem sido comum, inclusive na UHE Foz do Chapecó. Ou quan- tas sofreram processos de despejos judiciais? Quantas famílias receberam ameaças, pressão psicológica, repressão ou até prisões porque usaram a resistência como forma de conseguir seu direito? O processo de expropriação dos cam- poneses de forma violenta tem sido ampla- mente utilizado pelos donos do capital e, com a privatização e entrada das empresas transna- cionais, este processo tem se intensificado. Uma análise mais detalhada sobre as conseqüências ambientais das hidrelétricas também se faz necessária. É o caso de Barra

Grande, em que os estudos ambientais foram fraudados, tendo como conseqüência a des- truição de 6.000 hectares de mata atlântica nativa, em sua maioria, araucárias centenárias. Espécies de animais e vegetais destruídos,

emissão de gases de efeito estufa pelos lagos, tudo isso merece maior aprofundamento e é de enorme importância. De toda forma, esta é a realidade con- creta, em que o território passa a ser controlado por empresas transnacionais: As terras, a água

e a energia se tornaram propriedade privada às

custas de uma brutal exploração, expropriação

e destruição do povo e da natureza. De certa forma o resultado das sete hidrelétricas construídas até o momento po- deriam ser resumidos em sete conclusões:

1. Apropriação privada de sete hidre- létricas, ou seja, sete fábricas de eletricidade com capacidade instalada de 5.357 MWh, passaram ser controladas por quatro empresas transnacionais – Alcoa, GDF Suez, Camargo Correa e Votorantim.

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2. Apropriação privada de 6 bilhões de reais por ano - sendo no mínimo 3,2 bilhões de reais com a venda da eletricidade gerada nas sete hidrelétricas e mais 2,75 bilhões com os faturamentos no negócio da transmissão e distribuição - às custas de uma brutal explora- ção do povo brasileiro a partir das tarifas de energia elétrica.

3. Apropriação privada do dinheiro

público, onde o BNDES é a principal correia de repasse de dinheiro público aos interesses

transnacionais. Neste caso o BNDES repassou no mínimo 5 bilhões de reais.

4. Apropriação privada imperialista de 83 mil hectares de terras, que antes per- tenciam aos camponeses atingidos por estas hidrelétricas.

5. Expropriação de 60 mil campo-

neses que hoje vivem fora deste território e mais 40 mil que continuam vivendo em comunidades ribeirinhas, em sua maioria, desestruturadas.

6. Apropriação privada de um Rio – Rio Uruguai - ou seja, apropriação da água.

7. Destruição da natureza, especial- mente florestas de araucárias, como foi o caso dos seis mil hectares em Barra Grande. Tudo isso significa perda de soberania energética popular, pois nem o planejamento, nem a produção, nem a distribuição e muito menos o controle desta energia se encontra com os trabalhadores e muito menos a ser- viço destes. Pelo contrário, a energia gerada nestas usinas é controlada e está a serviço dos interesses imperialistas. Em suma, esta é a realidade. Mais do que compreendê-la, necessitamos da ação co- letiva e consciente para transformá-la, mesmo que exija, de muitos, grandes sacrifícios.

Gilberto Cervinski Movimentos dos Atingidos por Barragens – MAB

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Os cinco anos de Barra Grande

No dia 5 de julho de 2010, completaram-se 5 anos de fechamento das comportas da hidrelétrica de Barra Grande, e ainda continua viva a lembrança de um caso emblemático em relação às falhas nos processos de licenciamento que para muitos resultou no maior crime ambiental no último período no Brasil, e é sem dúvida o maior crime, quando tratamos do Bioma Mata Atlântica. Outros elementos podem ser elencados em todo o processo da construção, que não a distingue de outras hidrelétricas, como a violação dos direitos humanos, ambientais e de princípios morais e éticos.

humanos, ambientais e de princípios morais e éticos. Poderia-se imaginar que Barra Grande pudesse ser um

Poderia-se imaginar que Barra Grande pudesse ser um marco, mas infelizmente,

a lógica implementada pelo Setor Elétrico

(governos mais empresas estatais e privadas),

principalmente sobre a inviabilidade sócio- ambiental, se repete em todos os outros pro- cessos de construção de hidrelétricas, como podemos ver nos casos do Rio Madeira (Jirau

e

Santo Antônio), do Rio Xingu (Belo Monte)

e

na própria bacia do rio Uruguai (Foz do

Chapecó entrou em operação no dia 14 de outubro de 2010 e há outras propostas como as UHEs Pai Querê, Panambi, Garibaldi, Ga- rabi, iraí Infelizmente, passados estes cincos anos, muitas questões ainda não foram resol- vidas ou cumpridas por parte do consórcio

BAESA na própria região de Barra Grande, tanto na questão ambiental, como também na questão social, principalmente no que se refere aos atingidos pela barragem, em torno de 1.500 famílias. Existe também desconten- tamento por parte do poder público local (municípios atingidos), já que as promessas baseadas no discurso do “progresso e desen- volvimento” apregoado pelo Setor Elétrico antes da construção não se concretizaram. As famílias atingidas conseguiram ser reconhecidas graças a todo o processo de mobilização, que continua até hoje, para o cumprimento de medidas e promessas. As comunidades rurais foram desconstituídas do meio ambiente que, por gerações, mantiveram como bem material e simbólico, sofreram uma série de mudanças e adaptações necessárias, tanto nos reassentamentos coletivos (sete), como na compra de novos lotes individuais de terra ou na migração para o meio urbano. Este processo de desterritorialização das comuni- dades rurais em Barra Grande teve como uma

das conseqüências o êxodo rural, podendo ser verificado imediatamente após o enchimento da barragem ou nos anos seguintes, principal- mente das gerações mais novas. Outra conseqüência para os agricul- tores foi a mudança de modelo agrícola, passando da “agricultura do nativo” para a “agricultura convencional”. Antes, ha- bitavam os vales férteis da região, onde a agricultura possui características peculiares, principalmente na produção: utiliza a coivara (roçada e queimada), é de subsistência da família e seu excedente é vendido. Neste regime agrícola se produz muito, de forma orgânica, com sementes próprias e tração quase sempre animal. O deslocamento das

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famílias atingidas para áreas com caracterís- ticas diferentes (geografia, solo, clima, etc) fez com que houvesse mudança na produção agrícola, novos cultivos foram introduzidos, como milho e soja, demandados pelo mer- cado. Assim, também houve a introdução de insumos químicos, agrotóxicos, compra de sementes e mecanização. Sendo que é necessário a ajuda técnica e capacidade de conseguir administrar a nova propriedade rural, já que o crédito é disponibilizado acar- retando o endividamento, em muitos casos. Assim, muitas vezes, existe o abandono do campo e as famílias se instalam na área urba- na, no mesmo município ou cidades maiores. O subemprego é o destino da maioria dos trabalhadores e trabalhadoras que antes vi- viam da terra. Outra característica marcante, mesmo quando as medidas compensatórias são rea- lizadas, é a não fiscalização do cumprimento das mesmas pelos órgãos públicos compe- tentes. Em uma visita recente à região do entorno da hidrelétrica de Barra Grande, se

constatou várias irregularidades nas áreas que estão sendo reflorestadas. Assim, sem fiscalização, a BAESA apresenta seus relató- rios, demonstrando somente a quantidade de mudas plantadas, sem demonstrar a forma e

a qualidade do reflorestamento. Percebe-se que as veias interrompidas pela hidrelétrica de Barra Grande provocaram

feridas ainda não cicatrizadas (nem simbolica- mente nem como exemplo de aprendizado)

e que não cicatrizarão, ainda mais quando a

mesma lógica está presente na tentativa de instalação de novas hidrelétricas na bacia do rio Uruguai, como no caso da UHE Pai-Querê, localizada a montante de Barra Grande.

Eduardo Luis Ruppenthal Mestrando em Desenvolvimento Rural – UFRGS

27

Etapas de planejamento e licenciamento de empreendimentos hidrelétricos

e licenciamento de empreendimentos hidrelétricos ETAPAS DO PLANEJAMENTO Estimativa do potencial hidrelétrico

ETAPAS DO PLANEJAMENTO

Estimativa do potencial hidrelétrico

Primeira avaliação (feita em escritório) do potencial, número de locais barráveis e custo do aproveitamento desses potenciais. Definição de prazos e custos dos es tudos do inventário. Identificação das características ambientais gerais da bacia.

Inventário

Determinação do potencial energético da bacia, estabelecendo a melhor divisão de quedas e estimativa do custo de cada aproveitamento. Análise preliminar dos efeitos ambientais, tendo em vista as propostas de divisão de quedas e recomendações específicas para os estudos de viabilidade.

 

Viabilidade

Definição da concepção global de um dado aproveitamento, incluindo seu dimensionamento e obras de infra-estrutura para sua implantação.

 

ETAPAS DO PLANEJAMENTO

Licença Prévia (LP)

ETAPAS DO PLANEJAMENTO Licença Prévia (LP) Licença de Instalação (LI) Licença de Operação (LO) Concedida na

Licença de Instalação (LI)

Licença Prévia (LP) Licença de Instalação (LI) Licença de Operação (LO) Concedida na fase preliminar do

Licença de Operação (LO)

Concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento ou atividade, aprovando sua localização e concepção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de sua implementação. Esta fase contempla a elaboração e apresentação do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambienta (RIMA) e a realização de Audiências Públicas (APs). Com as normas de Novo Modelo do Setor Elétrico, a LP é necessária para a licitação de concessão de aproveitamento hidrelétrico do empreendimento.

Autoriza o início das obras ou instalação do empreendimento ou atividade de acordo com as especificações constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais condicionantes. Para hidrelétricas, nesta etapa deverão ser apresentados Relatório do Estudo de Viabilidade e cópia do Decreto de Outorga de Concessão de Aproveitamento Hidrelétrico concedida pela Agência Nacional de Águas. Também nesta fase é elaborado o Plano Básico Ambiental (PBA), o Plano de Controle Ambiental (PCA) e o Inventário Florestal, que subsidia a Autorização de Supressão de Vegetação a ser dada pelo órgão ambiental licenciador para a retirada da madeira antes do enchimento do reservatório.

Autoriza a operação da atividade ou empreendimento, após a verificação do efetivo cumprimento do que consta das licenças anteriores, com as medidas de controle ambiental e condicionantes determinados para a operação.

28

Adaptado de ELETROBRÁS (1986) e Resoluções 001/1986 e 006/1987 e 237/1997 do CONAMA. Ver também Instrução Normativa nº 65 do IBAMA, em http://www.ibama.gov.br/licenciamento/index.php

29

EIA

Documento técnico-científico compostos por diagnósticos ambientais, análise dos impactos ambientais do projeto e de suas alternativas, definição das medidas mitigadoras dos impactos negativos e de programas de acompanhamento e monitoramento.

RIMA

Documento público que reflete as informações e conclusões do EIA; é apresentado de forma objetiva e adequada à compreensão.

O direito ao acesso à informação

A Lei Federal nº 10.650, de 2003, co- nhecida como Lei da Informação Ambiental, determina que as informações relativas a pe- didos de licenciamento ambiental, licenças concedidas, autorizações de desmatamento e autos de infração administrativa, entre outros, devem estar disponíveis ao público em geral e em local de fácil acesso. Apesar da legislação já estar em vigor há alguns anos, os órgãos ambientais –estaduais e federal – responsáveis pelo licenciamento de grandes empreendi- mentos, como as hidrelétricas, nem sempre disponibilizam facilmente estas informações em suas sedes, a não ser nos casos de que estejam no prazo legal obrigatório após a pu-

blicação das datas das audiência públicas e, em muitos casos, não possibilitam seu acesso à distancia via internet. Pressionado pelas sociedade civil, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) está buscando viabilizar o acesso a estas informa- ções através do Portal Nacional do Licencia- mento (www.mma.gov.br/pnla), mas há ainda muito trabalho a ser feito. Redes da socieda- de civil como a Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais trabalham também para que as instituições financeiras, como o Banco Nacional para o Desenvolvimento Econômicos e Social (BNDES) e o Banco Inte- ramericano de Desenvolvimento (BID), sejam

30

transparentes na informação e responsáveis sobre sua participação no financiamento pú- blico destes empreendimentos. A Plataforma BNDES já disponibiliza um mapa interativo com os empreendimentos hidrelétricos e ou- tros projetos financiados pelo BNDES no Brasil (org.br” www.plataformabndes.org.br). No marco do Novo Modelo do Setor Elétrico, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), é responsável pela contratação de Ava- liações Ambientais Integradas (AAI) de bacias hidrográficas e também dos EIA-RIMAs dos empreendimentos ainda não licitados para aproveitamento hidrelétrico. Para a bacia do rio Uruguai, a EPE realizou a AAI com base no Termo de Referência efetuado pelo MMA, em 2005. Porém este estudo não oportunizou aos tomadores de decisão a possibilidade de assessorar a construção de diretrizes de licen- ciamento ambiental para a bacia hidrográfica do rio Uruguai. Então, foi encomendado pelo

MMA outro estudo, denominado FRAG-RIO (2009), que foi realizado pelas universidades do Pampa (UNIPAMPA) e de Santa Maria (UFSM), tendo como objetivo complementar os estudos realizados anteriormente. Este estudo é considerado de grande importân- cia, pois possibilita o acesso às informações referentes ao cenário atual e futuro da bacia, contemplando as hidrelétricas já existentes, as que estão sendo implantadas e aquelas que ainda estão somente em estudo de viabilida- de. Ainda não se tem previsão de quando este estudo será publicado oficialmente.

estão somente em estudo de viabilida- de. Ainda não se tem previsão de quando este estudo

31

Avaliação Ambiental Integrada (AAI)

A importância de AAIs encabeçadas pelo órgão ambiental e que respeitem os marcos legais na proteção da biodiversidade e dos direitos dos ribeirinhos

As Avaliações Ambientais Estratégicas (AEE) têm papel fundamental no planejamen- to não só de empreendimentos e atividades, mas para gestão econômica e ambiental que

possa garantir a proteção da biodiversidade

e dos direitos da sociedade como um todo.

As Avaliações Ambientais Integradas (AAI) desenvolvidas para avaliar os impactos con- juntos de empreendimentos hidrelétricos em bacias hidrográficas, são instrumentos

essenciais para consolidar diretrizes de cunho ambiental utilizadas, visando principalmente os licenciamentos, de forma integrada (toda

a bacia) e não simplesmente avaliar pontu- almente, cada empreendimento, como se costuma fazer.

A AAI do da bacia do rio Uruguai, em

sua primeira versão, realizada entre 2006 e 2007, acabou sendo coordenada e conso- lidada pela própria Empresa de Pesquisa Energética (EPE) do Ministério de Minas e Energia (MME). Tal avaliação, comprometida pelo vício de origem, pretendia atender, em tese, um Termo de Compromisso, assinado em setembro de 2004, entre os órgãos de meio

ambiente, a Justiça e o consórcio de empresas de produção de energia elétrica (BAESA). O objetivo era dar seqüência para a emissão da Licença de Operação da hidrelétrica de Barra Grande, fato concluído em julho de 2005.

A AAI da bacia do rio Uruguai foi an-

tecedida por um outro estudo denominado

32

de Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) da bacia do rio Taquari-Antas, no Rio Grande do Sul. Esta foi realizada em 2001 pela Fun- dação de Proteção Ambiental Luis Henrique Roessler (FEPAM), órgão da Secretaria Esta- dual de Meio Ambiente do Rio Grande do Sul (SEMA-RS), e deveria ter sido um modelo para as demais AAIs dos rios brasileiros, pois considerava a necessidade de áreas livres de barramentos. A AAI do rio Uruguai, entretanto, teve iniciativa, trajetória e resultados distintos e questionáveis. Seu termo de referência não respeitou o marco legal que consta, entre outros instrumentos, na Política Nacional do Meio Ambiente, descrita na Lei nº 6.938, de 1981, e nos critérios para o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), conforme o De- creto 4.297, de 2002. A lei garante espaço de participação democrática à sociedade civil, em todas suas etapas. Entre as mais fortes inconsistências no processo de elaboração desta AAI, destacam- se: (I) limitação da área territorial de abrangên-

cia do estudo, somente no trecho nacional da Bacia, quando existem aproveitamentos previstos para o trecho binacional, e ausên- cia previsão e construção das mais de uma cententa de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) previstas na bacia; e (II) a condução e coordenação do estudo pelo Ministério de Minas e Energia (MME), e não pelo Ministério de Meio Ambiente (MMA), órgão que possui atribuição e competência legal na área. Este último item demonstrou nítido conflito de interesses, pois a coordenação da avaliação esteve sob a responsabilidade do mesmo setor que planeja e promove a expansão da produção energética no Brasil. Ademais, foram contratados serviços técnicos de ava- liação por parte de empresas consultoras que já prestavam serviços para o setor elétrico, tanto da construção de hidrelétricas como da produção de energia na bacia do rio Uruguai. Desviou-se do principal propósito e tornou-se, muito mais, um instrumento de chancela a todo e qualquer empreendimento existente e previsto, há mais de três décadas, para a

33

região. Assim, comprometeu-se a necessária isenção para a realização de análises quanto às reais vulnerabilidades e os riscos ambientais da série de empreendimentos hidrelétricos previstos para a bacia. Infelizmente, este mo- delo vige de forma viciada, no Brasil, onde a questão dos impactos ambientais é sempre vista de forma cartorial e sempre depois dos inventários de produção, com critérios am- bientais pífios ou ausentes, feitos pelo próprio setor elétrico. Em 2008, o MMA reconheceu as falhas da AAI do rio Uruguai, coordenada pela EPE, e decidiu que os estudos tivessem que ser refeitos, sob a coordenação do órgão de atribuição, ou seja, o próprio Ministério do Meio Ambiente. Os novos estudos foram, então, apresentados à sociedade em 2009, no que se denominou de FRAG-RIO da bacia do Uruguai, em um estudo coordenado pelo professor Rafael Cabral Cruz, da UNIPAMPA. Entretanto, o Ministério de Minas e Energia e a Casa Civil da Presidência da

República contestaram o relatório do FRAG- RIO, com base em argumentos meramente econômicos, abstraindo o ponto de vista técnico, ambiental e dos direitos das popula- ções atingidas. A decisão do governo federal abortou, mais uma vez, o necessário diálogo e o avanço das políticas públicas em meio ambiente de forma integrada às chamadas políticas de desenvolvimento. Cabe a sociedade cobrar que se cum- pram os princípios constitucionais e os acordos internacionais que o Brasil assinou em relação à biodiversidade e os direitos dos ribeirinhos, resgatando as iniciativas inteligentes, como aquelas que foram capitaneadas pela FEPAM, em 2001, na bacia do rio Taquari-Antas, onde cerca de 1/3 de 54 empreendimentos hidrelé- tricos foram considerados inviáveis do ponto de vista socioambiental.

Paulo Brack Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (inGá)

34

A SITUAÇÃO DOS EMPREENDIMENTOS HIDRELÉTRICOS NA BACIA DO RIO URUGUAI
A SITUAÇÃO DOS
EMPREENDIMENTOS HIDRELÉTRICOS
NA BACIA DO RIO URUGUAI

35

Empreendimentos com Licenciamento Ambiental pelo Estado de Santa Catarina

com Licenciamento Ambiental pelo Estado de Santa Catarina Maiores informações: www.fatma.sc.gov.br ou telefone:

Maiores informações: www.fatma.sc.gov.br ou telefone: (48) 32161700

Usinas Hidrelétricas (UHEs): com mais de 30 MW de potência instalada

       

LP

LI

LO

Empreendimento

Inventário

Viabilidade

TR

EIA-RIMA

AP

UHE Barra do Pessegueiro

X

UHE São Roque

 

X

         

UHE Garibaldi

 

X

X

X

X

X

 

UHE Campos Novos

   

X

X

X

X

X

AHE Passo da Cadeia

X

           

AHE Aparecida

X

           

AHE Abelardo Luz

X

           

AHE São Domingos

X

           

UHE Quebra-Queixo

   

X

X

X

X

X

36

         

LP

 

LI

 

LO

Empreendimento

Inventário

Viabilidade

TR

EIA-RIMA

AP

   

AHE Guabiroba

X

           

AHE Bom Jesus

X

           

AHE Xanxerê

X

           

AHE Voltão Novo

X

           

AHE Foz Chapecozinho

X

           

AHE Nova Erexim

X

           

Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs): até 30 MW de potência instalada

 
     

Bacia

Potência

Protocolo

LP

LI

LO

Empreendimento

 

Rio

Hidrográfica

(MW)

LP

Mangueira de Pedra

Rio Chapeco

Bacia do

         

rio Chapecó

9,00

X

X

 

Rondinha

Rio Chapeco

Bacia do

         

rio Chapecó

9,60

37

   

Bacia

Potência

Protocolo

LP

LI

LO

Empreendimento

Rio

Hidrográfica

(MW)

LP

Abelardo Luz

Rio Chapeco

Bacia do

         

rio Chapecó

28,31

Salto do Passo Velho

Rio

Bacia do

         

Chapecozinho

rio Chapecó

1,8

X

X

X

Salto do Voltão

Rio

Bacia do

         

Chapecozinho

rio Chapecó

8,2

X

X

X

Santa Laura

Rio

Bacia do

 

FTMA

     

Chapecozinho

rio Chapecó

15,00

756/008

X

X

X

Ludesa

Rio

Bacia do

         

Chapecozinho

rio Chapecó

30,00

X

X

X

Cajú

Rio Xanxere

Bacia do

         

rio Irani

3,25

X

X

Alto Irani

Rio Irani

Bacia do

 

FTMA

     

rio Irani

21,00

426/016

X

X

Pesqueiro

Rio Pesqueiro

Bacia do

         

rio Chapecó

2,8

X

X

Celso Ramos

Rio

Bacia do

         

Chapecozinho

rio Chapecó

3667/065

38

   

Bacia

Potência

Protocolo

 

LP

LI

LO

Empreendimento

Rio

Hidrográfica

(MW)

LP

 

Prainha

Rio

Bacia do

 

FTMA

     

Chapecozinho

rio Chapecó

15,00

1523/07-4

MCH Prezzotto 1

Arroio Grande

Bacia do

         

rio Chapecó

0,32

 

X

X

Faxinal dos Guedes

Rio

Bacia do

         

Chapecozinho

rio Chapecó

4,00

 

X

Rodeio Bonito

Rio Irani

Bacia do

         

rio Irani

14,00

 

X

X

Passo Ferraz

Rio

Bacia do

         

Chapecozinho

rio Chapecó

4,00

 

X

X

Rio Tigre

Rio Tigre

Bacia do

         

rio Chapecó

2,8

 

X

X

Santa Rosa

Rio

Bacia do

         

Chapecó

rio Chapecó

8,1

251499/07

Barreiros

Rio

Bacia do

         

Chapecó

rio Chapecó

13,8

Xavantina

Rio Irani

Bacia do

         

rio Irani

6,00

X
X

39

   

Bacia

Potência

Protocolo

LP

LI

LO

Empreendimento

Rio

Hidrográfica

(MW)

LP

Lontras

Rio Xanxere

Bacia do

         

rio Irani

0,65

23355/06

X

X

Hervalzinho

Rio Lajeado

Bacia do

         

Hervalzinho

rio Chapecó

0,3

Aurora

Passo dos Indios

Bacia do

         

rio Chapecó

0,95

X

X

Indio Conda

Passo dos Indios

Bacia do

         

rio Chapecó

1,00

X

X

Pacheco

Rio Pacheco

Bacia do

         

rio Chapecó

1,6

X

X

Árvoredo

 

Bacia do

         

Rio Irani

rio Irani

11,00

2197/02

X

X

Santa Luzia Alto

Rio Chapeco

Bacia do

         

rio Chapecó

25,00

X

X

MCH Abelardo Luz

Rio Chapeco

Bacia do

         
 
   

rio Chapecó

1,00

X

Plano Alto

Rio Irani

Bacia do

 

FTMA

     

rio Irani

16,00

792/020

X

X

40

   

Bacia

Potência

Protocolo

LP

LI

LO

Empreendimento

Rio

Hidrográfica

(MW)

LP

Pery

 

Bacia do

         

Rio Canoas

Canoas

4,4

X

X

X

Rincão

Rio Pelotinhas

Bacia do

 

FTMA

     

rio Pelotas

12,00

3058/07-7

Penteado

Rio Pelotinhas

Bacia do

         

e Penteado

rio Pelotas

22,2

Capão Alto

Vacas Gordas

Bacia do

         

rio Pelotas

8,00

210712/07

Santo Cristo

Rio Pelotinhas

Bacia do

   
X
X
   

rio Pelotas

19,5

Portão

Rio Caveiras

Bacia do

   
X
X
   

rio Canoas

16,00

Invernadinha

Rio Invernadinha

Bacia do

         

rio Pelotas

2,25

X
X

São Mateus

Rio Lava Tudo

Bacia do

         

rio Pelotas

19,00

455

X

X

Antoninha

Rio Lava Tudo

Bacia do

         

rio Pelotas

13,00

X

X

41

   

Bacia

Potência

Protocolo

LP

LI

LO

Empreendimento

Rio

Hidrográfica

(MW)

LP

Micro

Rio Lava Tudo

Bacia do

         

rio Pelotas

Malacara

Rio Lava Tudo

Bacia do

         

rio Pelotas

9,2

668

X

X

(1) Gamba e (2) Morrinhos

Rio Lava Tudo

Bacia do

         

rio Pelotas

10,8

667

X

X

Coxilha Rica

Rio Pelotinhas

Bacia do

         

rio Pelotas

18,00

X

X

Itararé

Rio Caveiras

Bacia do

         

rio Canoas

9,00

X

X

João Borges

Rio Caveiras

Bacia do

         

rio Canoas

19,00

X

X

Caveiras

Rio Caveiras

Bacia do

         

rio Canoas

4,29

X

X

X

Pinheiro

Rio Caveiras

Bacia do

         

rio Canoas

10,00

X

X

Evangelista

Rio Chapecozinho

Bacia do

         

rio Chapeco

0,998

2759/047

42

   

Bacia

Potência

Protocolo

LP

LI

LO

Empreendimento

Rio

Hidrográfica

(MW)

LP

Contestado Energetica

Rio Chapeco

Bacia do

         

rio Chapeco

5,4

X

X

X

Coronel Araujo

Rio Chapeco

Bacia do

         

rio Chapecó

5,8

X

X

X

Ivo Silveira

Rio Santa Cruz

Bacia do

         

rio Canoas

X

X

X

Salto Góes

Rio do Peixe

Bacia do

         

rio do Peixe

15,00

Passos Maia

Rio Chapeco

Bacia do

 

FTMA

     

rio Chapecó

22,2

988/030

X

X

Flôr do Mato

Rio do Mato

Bacia do

         

rio Chapecó

5,39

São Luiz

Rio Irani

Bacia do

         

rio Irani

2,4

1986

X
X

Ibicaré

Rio do Peixe

Bacia do

         

rio do Peixe

7,00

Camboata

Rio do Leao

Bacia do

 

FTMA

X
X
   

rio do Peixe

2,00

2827/069

43

   

Bacia

Potência

Protocolo

LP

LI

LO

Empreendimento

Rio

Hidrográfica

(MW)

LP

Concórdia

Rio Jacutinga

Bacia do

         

rio Jacutinga

4,00

X

Tozzo

Rio Chapecozinho

Bacia do

         

rio Chapecó

1335

Sagrado Coração de Jesus

Rio Baia

Bacia do

         

rio Irani

0,7

X

Hidreletrica Tonet Ltda

Rio Roseira

Bacia do

         

rio Chapecó

0,748

X

X

Das Pedras

Rio Chapecó

Bacia do

         

rio Chapecó

Jacutinga

Rio Jacutinga

Bacia do

         

rio Jacutinga

4,00

X

Santo Expedito

Rio Leão

Bacia do

         

rio do Peixe

2,2

X

X

Barra do Leão

Rio Leão

Bacia do

         

rio do Peixe

2,35

X

X

Santa Sofia

Rio Leão

Bacia do

         

rio do Peixe

5,3

X

X

44

   

Bacia

Potência

Protocolo

LP

LI

LO

Empreendimento

Rio

Hidrográfica

(MW)

LP

Pira

Rio do Peixe

Bacia do

         

rio do Peixe

Sant’ana

Rio do Peixe

Bacia do

         

rio do Peixe

0,75

X

X

Amparo

Rio Chapecó

Bacia do

         

rio Chapecó

6,8

X

X

Barro Preto

Lageado Santa

Bacia do

         

Cruz

rio Canoas

Salto do Leão

Rio Leão

Bacia do

         

rio do Peixe

1,25

207

X

X

Avelino Bragagnolo

Chapecozinho

Bacia do

         

rio Chapecó

1,44

530

X

X

X

Cristo Rei

Rio Irani

Bacia do

         

rio Irani

2,36

X
X

Sebastião da Paz de Almeida

 

Bacia do

         

rio Canoas

Tupitinga

Santa Cruz

Bacia do

         

rio Canoas

24,00

em analise

45

   

Bacia

Potência

Protocolo

LP

LI

LO

Empreendimento

Rio

Hidrográfica

(MW)

LP

Ítalo Gastão Boff

Santa Cruz

Bacia do

         

rio Canoas

1,40

em analise

Salto Santo Antônio

Chapecó

Bacia do

         

rio Chapecó

2,16

em analise

X

X

Lageado Agudo I

Chapecó

Bacia do

         

rio Chapecó

2,16

X

X

Lageado Agudo II

 

Bacia do

         

Chapecó

rio Chapecó

2,16

X

X

Lageado Agudo II   Bacia do           Chapecó rio Chapecó 2,16 X

46

46 Empreendimentos com Licenciamento Ambiental pelo Estado do Rio Grande do Sul Maiores informações:

Empreendimentos com Licenciamento Ambiental pelo Estado do Rio Grande do Sul

Maiores informações: www.fepam.rs.gov.br ou telefone: (51) 3225-1588

Usinas Hidrelétricas (UHEs): com mais de 30 MW de potência instalada

       

LP

LI

LO

Empreendimento

Inventário

Viabilidade

TR

EIA-RIMA

AP

UHE Monjolinho

   

X

X

X

X

X

UHE Passo Fundo

   

X

X

X

X

X

UHE Passo de São João

   

X

X

X

X

 

UHE São José

   

X

X

X

X

 

47

Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs): até 30 MW de potência instalada

   

Bacia

Potência

LP

LI

LO

Empreendimento

Rio

Hidrográfica

(MW)

PCH Foz do Apuaê

Rio Apuaê

Apuaê-Inhandava

15,9

X

PCH Barracão

Rio Bernardo José

Apuaê-Inhandava

12

X

   

PCH Forquilha IV

Rio Forquilha

Apuaê-Inhandava

11,5

X

   

PCH Cerquinha II

Rio Cerquinha

Apuaê-Inhandava

9,5

X

   

PCH Forquilha I

Rio Forquilha

Apuaê-Inhandava

7,5

X

   

PCH Cerquinha III

Rio Cerquinha

Apuaê-Inhandava

7,2

X

   

PCH Nicole

Rio do Frade

Apuaê-Inhandava

7,1

X

   

PCH Bruna

Rio do Frade

Apuaê-Inhandava

5,9

X

   

PCH Forquilha II

Rio Forquilha

Apuaê-Inhandava

5,5

X

   

PCH Touros IV

Rio Touros

Apuaê-Inhandava

5,5

X

   

PCH bela Vista

Rio Socorro

Apuaê-Inhandava

5,5

X

   

PCH Despraiado

Rio Socorro

Apuaê-Inhandava

5

X
X
   

PCH Touros V

Rio Touros

Apuaê-Inhandava

3,3

X
X
   

PCH Passo do Buraco

Rio Socorro

Apuaê-Inhandava

3

X

   

48

   

Bacia

Potência

LP

LI

LO

Empreendimento

Rio

Hidrográfica

(MW)

PCH Ligueiro

Rio Ligeiro

Apuaê-Inhandava

2,4

X
X
   

PCH Leão

Rio Leão

Apuaê-Inhandava

2,2

X

   

PCH Três Marias

Rio Socorro

Apuaê-Inhandava

2,2

X

   

PCH Touros III

Rio Touros

Apuaê-Inhandava

2,1

X

   

PCH Touros II

Rio Touros

Apuaê-Inhandava

1,4

X

   

PCH Eliane

Rio do Frade

Apuaê-Inhandava

0,71

X

   

PCH Varzea do Sul

Rio da Várzea

Várzea

28,37

X

   

PCH Taquaruçu

Rio da Várzea

Várzea

18

X

   

PCH Salto Barroso

Rio da Várzea

Várzea

15

X

   

PCH Pinhalzinho

Rio da Várzea

Várzea

12

X

   

PCH Cabrito

Rio da Várzea

Várzea

12

X

   

PCH Linha São Paulo

Rio da Várzea

Várzea

6

X

   

PCH Edelweis

Rio Guarita

Várzea

6

X

   

PCH Bico de Pato

Rio Guarita

Várzea

4,6

X

   

PCH Santo Cristo

Santo Cristo

Turvo-Santa Rosa-

       

Santo Cristo

2,4

X
X

49

   

Bacia

Potência

LP

LI

LO

Empreendimento

Rio

Hidrográfica

(MW)

PCH Poersch

Rio Inhacorá

Turvo-Santa Rosa-

       

Santo Cristo

1

X

PCH Quebra Dentes

Rio Toropi

Ibicuí

23,29

X

   

PCH 5 Veados

Rio Toropi

Ibicuí

16,45

X

   

PCH Salto do Guassupi

Rio Guassupi

Ibicuí

12,707

X

   

PCH Rincao São Miguel

Rio Toropi

Ibicuí

9,75

X

   

PCH Ijuizinho II

Rio Ijuizinho

Ijuí

22

X

   

PCH Rincão

Rio Ijuizinho

Ijuí

10

X

   

PCH Palmeiras II

Rio Ijuí

Ijuí

4,5

X

   

PCH Buricá II

Rio Buricá

Ijuí

1,6

X

   

PCH Ramada

Arroio Divisa

Ijuí

1

X

   

PCH Divisa Jusante

Arroio Divisa

Ijuí

1

X

   

PCH Moinho

Rio Bernardo José

Apuaê-Inhandava

13,7

X

 

X

PCH Linha Aparecida

Rio da Várzea

Várzea

25

 

X

X

PCH Linha Jacinto

Rio da Várzea

Várzea

17,69

X

X

 

PCH Tambau

Rio Guarita

Várzea

8,8

X

X

 

50

   

Bacia

Potência

LP

LI

LO

Empreendimento

Rio

Hidrográfica

(MW)

PCH Rio dos Índios

Rio dos Índios

Passo Fundo

8

X

X

PCH Albano Machado

Rio do Lobo

Passo Fundo

3

X

X

 

PCH Ouro Verde

Rio Lajeado Henrique

Passo Fundo

0,55

X

X

 

PCH Marco Baldo

Rio Turvo

Turvo-Santa Rosa-

       

Santo Cristo

16

X

X

PCH Toca do Tigre

Rio Turvo

Turvo-Santa Rosa-

       

Santo Cristo

14

X

X

PCH Bela Uniao

Rio Santa Rosa

Turvo-Santa Rosa-

       

Santo Cristo

2,25

X

X

PCH Santo Cristo

Rio Santo Cristo

Turvo-Santa Rosa-

       

Santo Cristo

1,5

X

X

PCH Linha 11 Oeste

Rio Ijuí

Ijuí

12,5

X

X

 

PCH RS 155

Rio Ijuí

Ijuí

5,7

X

X

 

PCH Esmeralda

Rio Bernardo José

Apuaê-Inhandava

22,2

X

X

X

PCH Ouro

Rio Marmeleiro

Apuaê-Inhandava

16

X

X

X

PCH São Bernardo

Rio Bernardo José

Apuaê-Inhandava

15

X

X

X

PCH Forquilha

Rio Forquilha

Apuaê-Inhandava

1

X

X

X