Como e porque uma Igreja Batista deixa de ser Batista

Como e porque uma Igreja Batista deixa de ser Batista
10 anos sem o Pr. Ivo Veloso do Carmo, que mesmo
“depois de morto, ainda fala” (Hb. 11: 4).
Esta Matéria foi publicada pelo Jornal de Religião – Baixo Guandú – ES,
em junho de 1999. Escrita pelo saudoso Pr. Ivo Veloso do Carmo,
pouco antes do seu falecimento em 10 de Junho de 1999.

Ivo Veloso do Carmo (*)

No Preâmbulo das minhas ponderações sobre o tema proposto, cabe, aqui, mesmo que de
forma sucinta e simples, apresentar o que penso ser uma IGREJA BATISTA.
Antes de tudo, para ser uma IGREJA BATISTA, necessariamente, o grupo ou comunidade
tem que estar estribado em Cristo, sob a égide do Espírito Santo e guiado pela sábia
iluminação da Palavra de Deus. Para que, se torna indispensável o equilíbrio, a humildade, a
prudência, a dependência de Deus, a coerência, a sabedoria, a convicção, a verdade, a
defesa da ordem e da decência, como conseqüência da presença transformadora de Cristo,
rocha eterna, sobre a qual a IGREJA BATISTA está edificada. Outrossim, a aceitação das
Escrituras Sagradas como única regra de fé e prática, pela democracia e autonomia de um
grupo de pessoas regeneradas e biblicamente batizadas, pela separação entre Igreja e
Estado, absoluta liberdade de consciência, responsabilidade individual diante de Deus,
autenticidade e apostolicidade das igrejas e pela intensa e ativa cooperação entre si.
Isto posto, já podemos visualizar como uma IGREJA BATISTA pode ser minada e
desqualificada. O distanciamento dos princípios regentes e determinantes do que seja uma
IGREJA BATISTA, vai, gradativamente se configurando pela conseqüente ausência de zelo
pelos adjetivos qualificativos que caracterizam uma autêntica IGREJA BATISTA.
Esse descuido abre precedentes e se constitui em um dos pontos vulneráveis e sutis, através
do quais os inimigos penetram sorrateiramente e com lobos vestidos de cordeiros assumem
a liderança, mudam o rumo, maquilam os princípios, invertem os objetivos, apropriam
indebitamente do nome e muitas vezes dos bens materiais, e assim descaracterizam a igreja,
sem, todavia mudar o seu nome, com o objetivo de produzir confusão na mente do povo e
na perspectiva de levar vantagens, pois conhecem a honradez incontestável, a dignidade e o
respeito pelos quais notabilizam, através da história centenária, as verdadeiras IGREJAS
BATISTAS no Brasil.
Diante das sutilezas do inimigo que deseja minar, solapar e destruir as bases fundamentais
de uma IGREJA BATISTA, todo cuidado deve ser tomado com prudência, amor e
vigilância.
O relativismo aliado ao misticismo tem sido a arma poderosa nas mãos dos inimigos para
descaracterizar uma a IGREJA BATISTA.
A aceitação da filosofia do relativismo e das doutrinas do misticismo tem levado algumas
igrejas a abandonarem os seus fundamentos originais para seguirem as heresias do
secularismo relativista e místico, que apontam inversamente o Caminho de Deus,
valorizando mais a criatura do que o criador, colocando a criatura acima do

criador, e por outro lado, a valorização exagerada da quantidade em detrimento da
qualidade tem contribuído, de forma contundente, para abdicação de princípios
fundamentais e norteadores das IGREJAS BATISTAS e se constituído em objetivos
vaidosos, pretensiosos e diabólicos, que valorizam a troca do real pelo irreal, do verdadeiro
pelo falso, do certo pelo errado, do espiritual pelo material, do que é verdadeiro pelo que
parece verdadeiro. Assim tudo começa a se deteriorar e a igreja vai se acostumando com
práticas estranhas aos seus princípios originais e vergonhosamente vai se deteriorando a sua
qualificação como IGREJA BATISTA, apesar da permanência do nome.
Há um adágio popular que afirma: “diga-me com quem andas e te direi quem és”. Em tiago
no capítulo 3: 5 – 5, a Bíblia diz: “ Vede também as naus que, sendo tão grandes, é levadas
de impetuosos ventos, se viram com um bem pequeno leme para onde quer a vontade
daquele que as governa. Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de
grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia”.
O ecumenismo “evangélico” e até “religioso”, via intercâmbios, troca de púlpitos, encontros
de oração, troca de experiências etc, tem se tornando em um campo fértil para lançar sua
semente ou acender a sua centelha nociva aos princípios fundamentais da IGREJA
BATISTA e porque não dizer até da palavra de Deus.
Finalmente, fica registrada a minha convocação a todos os fiéis apologistas das verdades
límpidas da Palavra de Deus, dos fundamentos sobre os quais devemos construir o nosso
edifício espiritual, a que sejamos mordomos de Cristo na luta, na guerra contra as
artimanhas sagazes dos inimigos que pretendem secularizar, relativizar as verdades e
princípios de Deus, tornado-os igualitários e, conseqüentemente, ineficazes e vazios.
Lutemos com Cristo, pois com Ele somos mais que vencedores.

* O autor era Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul da Brasil
– RJ e quando faleceu em 10 de junho de 1999 era pastor da Igreja Batista Central de
Aimorés – MG.

Matéria enviada pelo Pr. Helio Cordeiro Volotão – 2º vice-presidente da Ordem do
Pastores Batistas do Brasil – Secção/MG e Coordenador da Associação das Igrejas
Batistas Leste da Mata – ABALEMA