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VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: HÁ O QUE FAZER?

Lúcia Cavalcanti de Albuquerque Williams

Resumo

A violência contra a mulher é um dos delitos mais freqüentes do mundo, sendo

responsável por seqüelas nocivas ao desenvolvimento dela e de seus filhos. Desde 1998 o

LAPREV (Laboratório de Análise e Prevenção da Violência) da UFSCar vem

desenvolvendo atividades de intervenção e pesquisa na Delegacia da Mulher de São Carlos

e no Conselho Tutelar do Município. É oferecido atendimento clínico a vítimas e agressores

em uma sala especial da delegacia ou do conselho tanto para casos de crise quanto de

psicoterapia. Argumenta-se que a terapia com a mulher vítima de violência doméstica deve

centrar-se no desenvolvimento de técnicas de autoconhecimento e contra-controle de forma

a eliminar ou minimizar a posição de vítima passiva de acontecimentos aversivos. Técnicas

utilizadas com o agressor para conter ou eliminar seu comportamento agressivo são

brevemente discutidas e são dados exemplos ilustrativos de consultoria a policiais e à

comunidade em geral. Finalmente, são exemplificados esforços de conduzir projetos de

pesquisa na área de violência intrafamiliar. O trabalho se encerra argumentando que há

muito a fazer na área de intervenção e prevenção da violência doméstica sendo que a

Análise do Comportamento nos dá um referencial útil para o desenvolvimento de projetos

relevantes.

Violência doméstica – violência intrafamiliar – violência de gênero – agressão.

Abstract

Violence against women is one of the most frequent crimes in the world, being

responsible for harmful side effects in the development of women and children.

Universidade Federal de São Carlos’ Laprev (Laboratory for Analysis and Violence

Prevention) has been developing intervention and research activities in the local Women’s

Police Station and Children Support Agency since 1998. Clinical intervention to victims

and aggressors is offered at a special room in a women'spolice station (or children agency)

in terms of crisis intervention and psychotherapy. It is argued that therapy with women who

are victims of domestic violence should center in the development of techniques of self-

knowledge and counter-control so as to eliminate or minimize the position of being a

passive victim of aversive acts. Techniques utilized with aggressors to contain or eliminate

their violent behaviors are briefly discussed as well as examples that illustrate consultation

to the police and to the general community. Finally, attempts to exemplify efforts of

conducting research projects in the area of familiar violence are given. The paper ends with

the statement that there is much to be done in the area of domestic violence intervention

and prevention and Behaviour Analysis offers a useful framework for the development of

relevant projects.

Domestic violence – family violence – gender violence – aggression.

Violência Doméstica: Há o que fazer?

Lúcia Cavalcanti de Albuquerque Williams (Universidade Federal de São Carlos,

Departamento de Psicologia, LAPREV – Laboratório de Análise e Prevenção da Violência)

Não lhe lembra nunca a possibilidade de um pontapé ou de um tabefe.

Tem o sentimento de confiança, e muito curta a memória das pancadas.” (p. 35).

Machado de Assis, Quincas Borba.

Machado de Assis refere-se neste trecho ao cão de Quincas Borba que tinha o

mesmo nome do que o dono. Infelizmente sabemos o quanto a violência física é nociva ao

ser humano. A “memória das pancadas”, em nosso caso, não é nada “curta” sendo

responsável por efeitos, em nosso desenvolvimento, que são nocivos a curto, médio e longo

prazo. (Possivelmente esta afirmação também e válida para cachorros mas a comparação

foge ao escopo do presente trabalho, que vai se ater à violência entre humanos e, mais

especificamente à violência intrafamiliar.)

Estima-se que a violência contra a mulher tenha proporções epidêmicas no

mundo todo. Na verdade, em 1989 o Worldwatch Institute declarou a violência contra a

mulher como sendo o tipo de crime mais freqüente do mundo (Meichenbaum, 1994).

“Nos Estados Unidos, a violência no lar é a maior causa isolada de ferimentos em

mulheres, responsável por mais internações hospitalares do que estupros, assaltos e

acidentes de trânsitos juntos”. (Grant, 1995, p.25 ). Embora tenhamos que ser cuidadosos

com os resultados de pesquisas epidemiológicas por diversas razões metodológicas (dentre

as quais a própria a dificuldade de coleta de dados deste tipo), estima-se que um quarto das

mulheres de todo o mundo sejam vítimas de violência em seus próprios lares. Dados

específicos de cada país apresentam índices bem mais altos – até 50% na Tailândia, 60%

em Papua Nova Guiné e Coréia e 80% no Paquistão e no Chile (Grant, 1995). No Brasil

ainda não temos dados a respeito da incidência do fenômeno, mas suspeita-se que os

índices sejam assustadoramente altos.

Dentre as seqüelas apontadas na literatura por mulheres agredidas pelo

parceiro encontram-se: alto nível de depressão, ideação suicida, dependência de álcool ou

drogas, sintomas de transtorno de estresse pós-traumático, ansiedade crônica, sensação de

perigo iminente, distúrbios do sono e/ou alimentação, freqüentes queixas somáticas, baixa

auto-estima, dificuldade de tomada de decisão e dependência em extremo (Meichenbaum,

1994). O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) estima que uma em cada cinco

mulheres que faltam ao trabalho o fazem por terem sofrido agressão física (Folha de São

Paulo, 22/7/1998).

Calcula-se que 40 % das mulheres assassinadas no Canadá foram vítimas de

homicídio pelo parceiro (The Toronto Star, 23/3/1996). Nos Estados Unidos esta

porcentagem salta para 52% (Meichenbaum, 1994) sendo que no Brasil, como poderia ser

esperado, a incidência de homicídios femininos pelo parceiro é mais alta ainda, sendo cerca

de 66 % (Machado, 1998). Curiosamente a porcentagem de mulheres assassinadas pelo

companheiro na cidade de São Paulo no ano de 1995 foi menor do que a incidência

nacional, sendo equivalente a taxa do Canadá, em torno de 40 %, segundo o pesquisador

Renato Lima da Fundação SEADE (Folha de São Paulo, 27/08/2000).

Cabe ressaltar que companheiro é definido por “parceiro de relações amorosas e

sexuais com alguma presumida estabilidade” embarcando “esposos, companheiros,

amantes, namorados, noivos, ex-esposos, ex-companheiros, ex-amantes e ex-namorados”

(Machado, 1998, p.113-114). O índice assustadoramente alto da violência conjugal faz com

que a casa da mulher seja o local em que ela mais corre perigo – “É de senso comum o fato

de que os homens morrem nas ruas e as mulheres morrem em casa” (Bandeira, 1998, p.68).

O quanto a violência contra a mulher é corriqueira é ilustrado pela freqüência com

que as pessoas se aproximam para narrar episódios sofridos na família ao saberem que atuo

nesta área. Sendo assim, já tive muitas auto-revelações: uma aluna que foi vítima de

agressão física pelo ex-namorado, outras que foram vítimas de agressão física por parte de

pais e avós, uma colega cuja mãe sofria agressão física pelo marido, e uma profissional da

área de saúde que quando eu estava em seu consultório, ao saber que eu atuava na área de

violência doméstica disse-me que costumava dormir com uma faca debaixo do travesseiro

para se proteger do ex-marido que é professor universitário. Eu mesma tive um caso de

violência doméstica fatal na família, razão pela qual talvez eu tenha tanto interesse pelo

assunto.

No momento que escrevo esta palestra, o noticiário da imprensa volta-se para mais

um caso fatal – um jornalista diretor de um dos principais jornais do país matou sua ex-

namorada, também jornalista, com dois tiros. Tal acontecimento trágico tem sido peculiar

por três razões: a) repele mais uma vez o estereótipo de que apenas o homem pobre e com

baixa escolaridade se engaja em tal tipo de violência, b) força a imprensa a analisar a

cobertura que dá a este tipo de fatalidade, que muitas vezes apenas culpa a vítima e justifica

o comportamento do agressor e, finalmente c) alerta para a questão da impunidade e do

despreparo de profissionais para identificarem sinais de perigo, uma vez que o jornalista

culpado já havia agredido a vítima anteriormente, sendo que tal agressão em nada resultara.

Mas as repercussões daninhas da violência conjugal não se esgotam na mulher.

Recentemente os pesquisadores começaram a atentar para os efeitos que a violência

conjugal acarreta em crianças. Straus (1991) calcula que a cada ano, 10 milhões de crianças

nos Estados Unidos fiquem expostas à violência conjugal. Dentre os efeitos nocivos

associados a tal exposição, encontram-se elencados na literatura os seguintes problemas:

agressão, uso de drogas e/ou álcool, problemas comportamentais, distúrbios de atenção,

ansiedade, depressão, medo, baixa auto-estima, passividade, isolamento, transtorno de

estresse pós-traumático, capacidade de solução de problemas limitada, problemas

acadêmicos, evasão escolar e problemas somáticos (Barnett, Miller-Perrin e Perrin, 1997;

Holden, Geffner e Jouriles, 1998).

O projeto de combate e prevenção à violência doméstica de São Carlos

Em 1998 tivemos a oportunidade de iniciar um programa de intervenção na área de

violência doméstica em que estagiários do curso de graduação em psicologia prestam

atendimento psicológico a vítimas e agressores em uma sala cedida à Universidade dentro

da própria Delegacia em Defesa da Mulher de São Carlos (DDM). Até o final do ano 2000

atendemos cerca de 250 clientes em nosso programa, sendo a população atendida assim

distribuída: cerca de 60% dos casos atendidos eram de mulheres, sendo a maioria vítimas

de agressão física por parte do parceiro, 30% dos clientes eram crianças ou adolescentes,

geralmente vítimas direta ou indiretamente de algum tipo de violência sendo esta

caracterizada por intrafamiliar, na maioria dos casos e, finalmente cerca de 10% dos casos

atendidos referiam-se a homens que eram, via de regra, agressores.

O atendimento clínico divide-se em dois tipos de atuação: a) atendimento a crise ou

emergência, quando a vítima chega até a delegacia em estado abalado por ter sido vítima de

estupro, por exemplo. Neste caso nosso objetivo consiste na “normalização” de seu

comportamento por meio de técnicas de relaxamento e escuta empática, auxiliando-a na

tomada de decisões a curto prazo e prestando esclarecimentos quanto à atuação da polícia e

do sistema judiciário; e b) atendimento psicoterapêutico. Este último é mais freqüentemente

conduzido de forma individual, porém, iniciamos no semestre passado atendimento em

grupo a mulheres e crianças. Para este ano planejamos conduzir nosso primeiro

atendimento em grupo de homens que agridem fisicamente suas parceiras.

Quais seriam os objetivos da atuação clínica com mulheres vítimas de violência

doméstica? Contrário ao que dita o senso comum ou ao que é sugerido, por vezes, como

observamos, por alguns policiais e advogados, não compete ao terapeuta recomendar à

cliente que ela deveria sair deste relacionamento conturbado, separando-se do marido, por

mais violento que este seja. Afirmo isto por três razões: em primeiro lugar não seria ético

tomar uma decisão para a cliente em se tratando de um assunto tão íntimo quanto a escolha

de seu parceiro. Em segundo lugar, porque o fato de o terapeuta sugerir não irá tornar a

separação do marido mais provável. O que controla a decisão da mulher de ficar ou não

com o companheiro são variáveis múltiplas e complexas ilustradas na seguinte situação de

ambivalência – muitas vezes a mulher relata que gosta do marido, embora não goste de seu

comportamento agressivo. Do contrário, a sugestão do terapeuta, como se diz popularmente

“entraria em um ouvido e sairia pelo outro”, servindo apenas para abalar a confiança do

cliente no terapeuta ou mesmo, torná-lo aversivo.

Finalmente, mesmo que a mulher concorde, em tese, com o terapeuta e queira

terminar o relacionamento com o parceiro, muitas vezes ela não consegue por uma série de

razões poderosas - seja por temer retaliação do marido, por não conseguir ser auto-

suficiente financeiramente, por não ter onde morar, etc. Sabemos que na época em que

ocorre a separação a mulher torna-se mais vulnerável a uma agressão fatal de um marido

possessivo e violento. Neste sentido, seria irresponsável, por parte do terapeuta, encaminhá-

la para uma situação de maior perigo, a não ser que esta decisão tenha sido tomada pela

cliente após uma análise criteriosa das contingências envolvidas na separação, análise feita

com o devido apoio do terapeuta.

O fato do psicólogo não dizer à mulher que ela deva separar-se do marido não

significa que não deva recomendar à mulher que ela se separe deste temporariamente,

quando a situação de periculosidade for tal que apresente risco de vida. Em nossa atuação

estamos constantemente auxiliando a cliente a analisar e identificar situações de risco. Há

situações de emergências em que a mulher não pode voltar para a própria casa e, sendo

assim, o trabalho na área é facilitado quando existe na comunidade uma Casa Abrigo com o

objetivo de esconder a vítima por um curto período de tempo.

A primeira Casa-Abrigo de São Carlos para mulheres e crianças correndo risco fatal

de violência somente será criada este ano, após diversas articulações da Universidade com a

atual administração e a sociedade civil como um todo. No passado, para solucionar tal

lacuna, tínhamos um acordo informal com a Secretaria de Bem Estar e Promoção Social da

Prefeitura, que nos fornecia estadia em curto prazo em um hotel modesto da cidade quando

uma situação de perigo aparecesse. Felizmente, só precisamos nos utilizar deste recurso em

duas ocasiões nestes dois anos e meio de intervenção na área. A propósito, a Prefeitura

também nos fornece passes gratuitos mensais para que nossos clientes venham à terapia, já

que a sua maior parte são pessoas de baixo poder aquisitivo que vivem na periferia da

cidade.

Se não cabe ao terapeuta recomendar separações conjugais permanentes o que lhe

resta fazer? Cabe ao terapeuta atuar com sua cliente de forma que ela chegue a conclusão

que a violência é inaceitável e insustentável em qualquer tipo de relacionamento. Cabe ao

terapeuta ensinar a sua cliente técnicas de contra-controle para que ela assuma as rédeas da

situação e não seja mais uma vítima passiva de um parceiro violento. A palavra da moda é

empoderamento, termo que no meu ver é compatível com a proposta de Skinner, de longa

data, de o indivíduo ser sujeito de sua própria história. (Skinner, 1994).

Neste sentido, a terapia é um terreno fértil para a aprendizagem de técnicas que

aumentarão a segurança e proteção da mulher. Um dos primeiros passos consiste na auto-

observação pela mulher de seu comportamento e de sua interação com o agressor. Quais os

comportamentos emitidos por ela que desencadeiam comportamentos violentos no marido?

Por exemplo, se o marido chega bêbado em casa e se fica agressivo quando bebe, qual o

sentido de ela agredi-lo verbalmente se isto, via de regra, resulta em violência?

Analisar os antecedentes do comportamento violento desencadeados pela própria

vítima de modo objetivo é muito diferente de reforçar a tese de que a mulher provocou a

agressão ou que merecia ser punida e, é preciso que isto seja esclarecido na terapia de modo

enfático, atribuindo-se ao agressor total responsabilidade pelo ato agressivo, ato que é

considerado um delito pelo Código Penal Brasileiro.

Paralelamente, a mulher precisa aprender sobre coerção e os efeitos da punição no

comportamento humano, além de analisar as seqüelas observadas em crianças de lares

violentos. Há muito que trabalhar em terapia para livrá-la dos sintomas da depressão que

freqüentemente evidencia. Há também um trabalho de recuperação de auto-estima à medida

que aprende técnicas saudáveis de enfrentamento e torna seu repertório comportamental

mais resiliente. Finalmente, a mulher se beneficia da aprendizagem de técnicas de

relaxamento e controle de estresse, além do ensino de procedimentos eficazes de resolução

de problemas e do treino de assertividade.

Em relação ao agressor, o objetivo da intervenção consiste em ensiná-lo a interagir

de forma não agressiva em seu relacionamento conjugal, o que convenhamos, não é uma

tarefa fácil. Temos usado para isto técnicas de auto-observação, análise de seu histórico de

vida e das contingências associadas à aprendizagem de seu modo violento de ser,

discutindo alternativas não violentas de enfrentamento de problemas, como por exemplo, a

auto-aplicação de time-out quando o indivíduo se percebe em uma situação de risco para a

violência. Em poucas palavras, nosso trabalho consiste em ensinar homens violentos a

terem um estopim mais longo. Para isto é preciso também conduzir treino de assertividade,

aumento da comunicação entre o casal, ensinar técnicas de relaxamento, dentre várias

outras técnicas.

A propósito da palavra estopim, um de nossos clientes, casado há mais de vinte

anos - tempo em que constantemente agredia a mulher - ilustrou, apropriadamente, seu

problema de agressividade e impulsividade, quando nos disse: “Todos se queixam de terem

um estopim ou pavio curto. Eu queria mesmo é ter um estopim

Felizmente o comportamento violento do agressor conjugal é bastante suscetível ao

controle de estímulos. Sendo assim, ele agride a mulher, mas não agride, por exemplo, seu

vizinho ou chefe no trabalho. Agride a mulher em casa, mas raramente o faz em lugar

público. Quando isto acontece nossa tarefa é facilitada. Por exemplo, em relação ao referido

cliente de “pavio inexistente”, como ele tinha um bom nível sócio econômico sendo

inclusive, um profissional da área de saúde, sugerimos dentre outras táticas, que

conversasse com a mulher sobre assuntos difíceis (como finanças, por exemplo) em um

restaurante ou em seu consultório, para minimizar a probabilidade de agressões.

Consultoria a profissionais que atuam na área de violência

Além do objetivo de prestar atendimento psicológico a vítimas e/ou agressores

na área de violência doméstica, nosso segundo objetivo consiste em fornecer assessoria a

profissionais da área. No início de 1999 oferecemos uma oficina intitulada “Aspectos

Psicológicos da Violência” às policiais da DDM de São Carlos. (Williams, Gallo, Basso,

Maldonado e Brino, no prelo).

As razões para o oferecimento da oficina foram derivadas de nossa interação

com as policiais, quando constatamos a queixa freqüente de que a Academia da Polícia não

as havia preparado para um adequado atendimento às vítimas de violência, impedindo-as de

realizar um atendimento ideal. Assim, planejamos uma oficina, inicialmente obtendo uma

entrevista individual com cada policial. Com base nas entrevistas foi elaborado um

questionário sobre crenças a respeito da violência doméstica, com 30 questões de afirmação

seguidas por verdadeiro ou falso. Os objetivos da oficina foram: a) reconhecer o direito do

ser humano e, especificamente da mulher, de não sofrer agressão, b) rever crenças que

perpetuam a violência contra a mulher, redefinindo-as e c) analisar as crenças subjacentes

à sua atuação na DDM. A oficina foi conduzida na Universidade em duas noites

consecutivas, com um total de 8 horas de duração. Os resultados demonstraram que quatro

das cinco policiais apresentaram um aumento na porcentagem de respostas corretas ao

questionário.

No final do ano passado, oferecemos uma segunda oficina na Universidade sobre

“Abuso Sexual Infantil”, desta vez aberta a um público mais amplo. Neste ano, oferecemos

um curso de extensão com 60 horas de duração intitulado “Direitos Humanos: a questão

sobre a violência contra a mulher”, que recebeu apoio financeiro da Secretaria de Estado de

Direitos Humanos. Uma das vantagens de oferecer tal tipo de curso foi a oportunidade de

ter como alunos da disciplina, profissionais da área de Direito do município que têm como

clientes a mulher vítima de violência doméstica, sendo que, após o curso, alguns destes

profissionais tem atendido voluntariamente algumas de nossas clientes. O curso teve

desdobramentos adicionais, dentre eles algumas reuniões na Câmara Municipal e na

Prefeitura do Município que foram estratégicas para a concretização da Casa Abrigo de São

Carlos.

Fomos recentemente convidados a contribuir para o treinamento de novos

Conselheiros Tutelares, fornecendo palestra sobre violência conjugal fatal. Quanto a isto,

fomos solicitados, no ano passado, a expandir nosso projeto de intervenção e estágio para

as dependências do Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente de São Carlos. Desde

março temos oferecido atendimento em tal local, projeto que por se encontrar no início não

será analisado no momento.

A formação do futuro psicólogo apto a intervir na área de violência doméstica

Além da atividade práticas de estágio supervisionado na Delegacia da Mulher e no

Conselho Tutelar, o aluno de graduação em Psicologia da UFSCar tem a oportunidade de se

inscrever em um curso optativo teórico-prático intitulado “Intervenção a Vítimas de

Violência.”, com o objetivo de rever a literatura pertinente à área de combate e prevenção à

violência.

Dentre os temas discutidos no curso encontram-se: o conceito de violência e de

violência doméstica, violência de gênero e suas modalidades explicativas, perfil psicológico

do homem violento, técnicas de intervenção com vítimas e agressores, o impacto da

violência conjugal em crianças, a legislação brasileira sobre violência doméstica, transtorno

de estresse pós-traumático, abuso sexual infantil, a criança vítima de maus tratos e

negligência, intervenção com pais agressores e o indivíduo portador de deficiência e a

questão da violência, intervenção à crise e suicídio, prevenção de violência doméstica. O

que se espera em longo prazo é que o curso seja uma oportunidade para elaboração de um

livro-texto na área, uma vez que existe no Brasil uma grande carência de material útil à área

de intervenção e prevenção de violência doméstica.

A pesquisa na área de violência doméstica

Nosso objetivo em pesquisar foi facilitado com a inauguração no início do ano do

LAPREV (Laboratório de Análise e Prevenção da Violência) vinculado ao Departamento

de Psicologia, da UFSCar, que pretende ser um núcleo gerador de estudos que contribuam

para uma melhor compreensão do fenômeno da violência em geral, e em específico da

violência doméstica.

As atividades do LAPREV estão associadas (mas não se restringem) ao “Programa

de Intervenção a Vítimas de Violência Doméstica” em andamento na DDM de São Carlos,

há dois anos, sendo responsável pela apresentação de mais de duas dezenas de trabalhos

em Congressos Científicos, em diversas cidades do Brasil.

Adicionalmente, o LAPREV está vinculado ao Programa de Pós-Graduação em

Educação Especial, dentro da linha de Pesquisa “Atenção primária e secundária em

Educação Especial: prevenção de deficiências.” Pretende-se nesta área: a) avaliar o

impacto que a violência produz no desenvolvimento infantil, gerando metodologia

específica e desenvolvendo técnicas, de maneira a prevenir eventuais efeitos prejudiciais; b)

analisar e prevenir o abuso físico, sexual e psicológico do indivíduo portador de deficiência

e c) atuar com pais e familiares portadores de atraso global no desenvolvimento, de forma a

minimizar o risco de negligência e/ou maus tratos em seus filhos. É interessante notar que o

indivíduo portador de um atraso global de desenvolvimento corre o risco duplo tanto de ser

vítima de violência quanto de ser agressor – por exemplo a mulher portadora de deficiência

mental tem risco de sofrer violência sexual e/ou de maltratar e negligenciar o filho.

Nossas primeiras tentativas de pesquisa na área foram de natureza descritiva,

envolvendo um mapeamento da violência denunciada na Delegacia da Mulher. Neste

sentido, Basso, Souza e Williams (1999) fizeram um levantamento da violência

denunciada na cidade de São Carlos durante o ano de 1997. Os resultados apoiaram a

tendência encontrada por outros autores (Saffioti e Almeida, 1995; Camargo, Dagostin e

Coutinho, 1991; Azevedo, 1985 ) de que 58,3% dos casos de agressão registrados na DDM

de São Carlos correspondiam a um relacionamento amoroso entre vítima e agressor, sendo

apenas 5,8% dos agressores desconhecidos da vítima. Além disso, tal como os demais

autores, Basso, Souza e Williams (1999) constataram que dentre todas as modalidades

delituosas registradas na delegacia, as mais freqüentes eram casos de lesão corporal dolosa

(LCD) e ameaças.

Dando continuidade a este trabalho, Williams e cols. (1999) fizeram um

mapeamento completo de todos os tipos de delitos registrados na DDM de São Carlos (não

só envolvendo violência contra a mulher, mas contra menores de idade também) no período

de janeiro a abril de 1999. Assim como em estudos anteriores, verificou-se que a maioria

das ocorrências (48,37%) referia-se a casos de LCD, seguidos de 22,30 % de casos de

ameaça, sendo a ameaça de morte a mais freqüente (69,2%), seguida de ameaça de agressão

(18,4%). Confirmando a literatura, constatou-se que 61,25% dos agressores, nos casos de

LCD, mantém ou já mantiveram um relacionamento amoroso de ordem heterossexual com

a vítima.

Atualmente, existem duas dissertações de mestrado em andamento vinculadas ao

LAPREV: Brino (2000) que pretende capacitar professores da rede pública de ensino a

lidarem com o problema de abuso sexual de crianças, Santos (1999) que está conduzindo

um programa de intervenção com pais que agridem fisicamente seus filhos. Dois novos

projetos terão início neste ano (Maldonado, 2001 e Brancalhone, 2001). Além disto,

existem oito projetos de iniciação científica em andamento, todos dentro do tema de

combate e/ou prevenção à violência doméstica envolvendo populações diversas como o

menor infrator, adolescentes grávidas, etc.

Algumas das perguntas que pretendemos responder em nossos projetos são

derivadas de nossa prática de intervenção com as vítimas. As perguntas de natureza

descritiva são relativamente fáceis de serem respondidas, servindo como indicadores da

situação de violência doméstica denunciada em São Carlos.

Contrário ao que é por vezes preconizado pela imprensa local verificamos que o

número de denúncias de agressão da mulher não tem aumentado ao longo dos anos na

cidade. Desde 1989, primeiro ano da DDM na cidade até o ano 2000, a média anual de

delitos registrados tem sido em torno de 1411, sendo que no ano passado foram registrados

1516 delitos. Destes delitos, a média anual de casos de LCD foi de 465 casos, sendo que o

ano de 2000 registrou 586 delitos desta natureza, valor máximo já obtido. Se o número de

delitos de LCD tem oscilado, o número de ameaças vem aumentando ao longo dos anos

(média anual igual a 222, total de 2000 igual a 345 casos).

Esta tendência também tem sido observada por outros pesquisadores. A este

respeito, Saffioti (1999) afirma que: “

em 1988, 85% das denúncias registradas na

primeira e terceira DDM de São Paulo foram de agressão e 4,17% de ameaças. Em 1992,

nas mesmas delegacias, as denúncias de agressão caíram para 68% dos casos, com as

ameaças subindo para 21,3%. Essa alteração é um indicador de que, em alguns casos, a

mera apresentação da queixa numa delegacia é uma advertência de que a autoridade

policial consegue cessar a violência” (p. 23).

Em nossa experiência clínica atuando com mulheres vítimas de agressão física por

parte do parceiro, observamos dois fatos que mereceriam ser investigados com maior

detalhe. Em primeiro lugar, notamos uma nítida diminuição na freqüência de episódios

violentos no lar após a mulher ter prestado queixa na delegacia. Poderia ser argumentado

que o parceiro não mais agredia a mulher, pois o casal veio a separar-se após a denúncia

formal. Não era este, entretanto, o caso observado em nossos clientes que, tal como os

dados da literatura indicam, após a queixa, apenas 40% dos casais se separam, sendo que a

maioria (60%), continua a viver conjugalmente (Saffioti, 1999). A impressão decorrente

era de que, após a denúncia, o agressor havia recebido uma mensagem forte e clara de que a

agressão física à mulher não era aceita pela comunidade. Tal postura é adotada pela DDM

que, em tese, encoraja a prestação de queixa como forma de deter o comportamento

violento do agressor. O impacto que a queixa policial tem sobre o comportamento violento

do agressor, embora não demonstrado de forma conclusiva, é inferido por pesquisadores da

área de violência doméstica.

Quando o parceiro passa a apresentar menos agressões físicas à sua companheira,

mas faz ameaças com maior freqüência, nota-se que houve uma alteração na topografia do

comportamento violento. Isto nos remete à segunda constatação provinda de nossa

experiência no atendimento a vítimas: após a formalização da queixa, o companheiro

diminuía, no geral, as agressões físicas à mulher, mas, também, em alguns casos,

aumentava a freqüência de violência psicológica à mesma. Ou seja, em alguns casos, o

agressor aprendia que a comunidade não tolerava a agressão física, passando, então, a

utilizar formas de agressão mais sutis, como é o caso da agressão psicológica. Caberia,

portanto, analisar se, mesmo nos casos de diminuição da agressão física, haveria mudanças

topográficas no comportamento violento do parceiro.

Sendo assim, no momento estamos empenhados em responder a seguinte pergunta:

o que acontece com a freqüência e topografia do comportamento violento do parceiro após

a mulher ter prestado queixa na DDM?

Caso fique demonstrado que o comportamento de prestar queixa à polícia por parte

da mulher vítima de agressão física do parceiro tem o efeito de diminuir a freqüência e

intensidade da violência, tal constatação teria relevância social à pelo menos dois grupos de

pessoas: em primeiro lugar, as mulheres vítimas de violência doméstica poderiam ser

encorajadas mais veementemente à prestação de queixa. Como afirma Leal (1998), “A

denúncia do parceiro à polícia parece significar para as vítimas um certo rompimento, de

sua parte, com a reciprocidade familiar. Quando as mulheres procuram ajuda da policia não

buscam uma proteção específica àquele delito denunciado, mas a restauração de toda uma

ordem que confere sentido social, não só naquela relação, mas à sua existência social”

(p.31-32).

Em segundo lugar, os resultados se confirmados, contribuiriam para a validação

social do trabalho das policiais da DDM. Este último aspecto é importante dado a pouca

relevância que a polícia dá a DDM – considerada hierarquicamente seu bloco secundário –

aliada à percepção das policiais da DDM, de que seu trabalho é infrutífero, uma vez que o

“índice de condenações beira ao ridículo: apenas 2% dos 178 processos resultantes de

inquéritos instaurados em 1992 pela 3ª DDM de São Paulo” (Saffioti, 1999, p.22).

No momento estamos conduzindo um pequeno estudo piloto para avaliar os efeitos

da denúncia no comportamento violento do parceiro para dois grupos de mulheres-aquelas

que prestaram queixas e aquelas que não prestaram. Os dados coletados até o momento são

encorajadores: para as dez mulheres que prestaram uma queixa formal, em nove casos o

companheiro não voltou a cometer qualquer tipo de agressão, transcorridos três meses da

denúncia, apesar dos respectivos processos terem sido arquivados. Em contraste, para as

três mulheres que não quiseram prestar queixa, o comportamento violento do parceiro

persistiu.

Se a denúncia da violência não tem aumentado em São Carlos, lamentavelmente

temos observado um aumento no número de tentativas frustradas de suicídio por parte de

mulheres na cidade. Os casos de tentativa de suicídio são encaminhados a DDM, não

porque o atentado à própria vida seja um delito, mas porque tais casos necessitam de uma

investigação policial, uma vez que trata-se de um delito induzir alguém a cometer suicídio.

No momento, estamos empenhados em coletar tais dados, mas uma análise

preliminar revela que não só os casos de tentativa de suicídio parecem estar mais

freqüentes, quanto à maneira escolhida para se suicidar parece ser mais grave ou letal (por

exemplo, veneno de rato ao invés de excesso de medicamentos) e a idade das vítimas

parece estar diminuindo. Por exemplo, atendemos este ano pela primeira vez uma vítima de

12 anos e recentemente atendemos uma menina de oito anos que estava fazendo ameaça de

suicídio aos pais. Um comentário pertinente: em todos os casos de tentativa frustrada de

suicídio que atendemos não encontramos, até o momento, um só caso que não apresentasse

um histórico de violência.

Comentários finais

Gostaria de concluir respondendo afirmativamente à pergunta inicial: há muito que

fazer na área de intervenção e prevenção de violência doméstica. A questão que se coloca,

em seguida, não é o que fazer, mas como fazê-lo?

Dadas as desigualdades da população brasileira, a falta de recursos sociais e nossa

carência de infra-estrutura, tudo leva a crer que não dá para intervir nesta área sem uma

certa dose de militância política, seja lutando por Casa Abrigo na Câmara de Vereadores,

seja instruindo o público, em geral, sobre casos em que os direitos das pessoas, sejam elas

mulheres, homens ou crianças sejam desrespeitados.

Do ponto de vista metodológico o que mais sinto falta é de um corpo de pesquisa

sólido que incorpore os diversos conhecimentos pertinentes à área. O pesquisador nesta

área muitas vezes trabalha sozinho tendo poucos modelos para a se orientar.

A formação do psicólogo comportamental na área de violência é privilegiada, seja

devido ao otimismo gerado por seus pressupostos teóricos ( i.e. grande parte do

comportamento violento é aprendido), seja devido a aplicabilidade de técnicas validadas em

uma experiência clínica rigorosa, com resultados encorajadores. Curiosamente, os trabalhos

de analistas comportamentais na área de intervenção de violência doméstica são quase

inexistentes, possivelmente devido a dificuldades metodológicas de se estudar um

comportamento geralmente inacessível a observação direta.

Em 1995, Myers publicou um artigo no Journal of Applied Behavior Analysis

conclamando analistas do comportamento a contribuírem para a redução da agressão do

homem à mulher, seja desenvolvendo e analisando componentes de programas, seja

aplicando o manejo de contingências e da tecnologia de treinamento comportamental.

De lá para cá os trabalhos têm sido esparsos. Entretanto, quando eles surgem (ver O’Leary,

Heyman e Neidig, 1999) o esforço tem sido, como sempre, recompensador.

A sociedade contemporânea tem sido constantemente criticada por sua dificuldade

em combater o problema da violência. A relação entre a violência que ocorre na rua e a

violência que ocorre no lar tem sido muito pouco pesquisada. Imagino que seja somente

uma questão de tempo.

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