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COMPETÊNCIA EM EDUCAÇÃO PÚBLICA PROFISSIONAL Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza GOVERNO DO ESTADO

COMPETÊNCIA EM EDUCAÇÃO PÚBLICA PROFISSIONAL

Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

A P O S T I L A

ANÁLISE E PRODUÇÃO DE TEXTOS TÉCNICOS REVISÃO GRAMATICAL

E PRODUÇÃO DE TEXTOS TÉCNICOS REVISÃO GRAMATICAL DISCIPLINAS Linguagem, Trabalho e Tecnologia Cursos

DISCIPLINAS Linguagem, Trabalho e Tecnologia

Cursos Técnicos: Química, Mecatrônica, Eletrônica, Eletroeletrônica, Administração, Informática, Informática para Internet, Contabilidade, Administração, Automação Industrial e Logística

Representação e Comunicação em Língua Portuguesa Representação e Comunicação Organizacional

Curso Técnico: Secretariado

Autora: Professora Lucivânia A. S. Perico

SÃO BERNARDO DO CAMPO AGOSTO - 2011

2

SUMÁRIO

1.

A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO

3

1.1

VOCABULÁRIO E ADEQUAÇÃO LINGUÍSTICA

4

2.

NOÇÕES DE VARIAÇÃO LINGUÍSTICA

6

2.1

LÍNGUA CULTA

X

LÍNGUA COLOQUIAL

7

EXERCÍCIOS

 

7

3.

CONTEXTO: CONSIDERAÇÕES SOBRE A NOÇÃO DE TEXTO

9

3.1

COMPREENDENDO O CONTEXTO

11

QUESTIONÁRIO

 

11

4.

INTERTEXTUALIDADE: AS RELAÇÕES ENTRE TEXTOS

12

EXERCÍCIOS

 

16

5.

O TEXTO E SUAS RELAÇÕES COM A HISTÓRIA

17

5.1

OS LIMITES DA RETÓRICA DE MERCADO

20

QUESTIONÁRIO

 

23

6.

RESUMO

24

ATIVIDADE

25

7.

RESENHA

26

7.1

DIFERENCIANDO: RESUMO X RESENHA

27

REDAÇÃO

 

28

8. FILME “TEMPOS MODERNOS”

 

29

9. REDAÇÃO TÉCNICA E COMERCIAL

30

 

9.1 CURRÍCULO

 

30

9.2 CARTA COMERCIAL

 

32

9.3 MENSAGEM ELETRÔNICA (E-MAIL)

33

9.4 RELATÓRIO

 

34

9.5 ATA

35

9.6 REQUERIMENTO

 

35

9.7 DECLARAÇÃO

 

36

9.8 OFÍCIO

37

9.9 MEMORANDO

38

9.10

CIRCULAR

38

9.11

PROTOCOLO

39

9.12

RECIBO

40

9.13 ATESTADO

 

40

9.14 AVISO

41

9.15 EXPRESSÕES ESTRANGEIRAS MAIS UTILIZADAS

41

9.16 CARTA PESSOAL

 

42

10. MORFOLOGIA – REVISÃO

43

EXERCÍCIOS

45

 

10.1

SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS

46

11. SINTAXE – REVISÃO

 

47

EXERCÍCIOS

48

12. REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL – REVISÃO

49

13. CRASE – REVISÃO

53

EXERCÍCIOS – REGÊNCIA E CRASE

54

14. CONCORDÂNCIA NOMINAL – REVISÃO

55

EXERCÍCIOS

56

15. CONCORDÂNCIA VERBAL – REVISÃO

57

EXERCÍCIOS

58

16. ACENTUAÇÃO – REVISÃO

 

59

EXERCÍCIOS

60

17. COESÃO, COERÊNCIA E CLAREZA TEXTUAL

61

 

17.1

PONTUAÇÃO – REVISÃO

 

61

EXERCÍCIOS

 

63

BIBLIOGRAFIA

65

3

1 A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO

Nós, seres humanos, temos um nível de sofisticação que nos diferencia de outros seres vivos, que é a capacidade de comunicação. A comunicação é a transmissão e a compreensão de informações entre as pessoas. Comunicar equivale a tornar uma ideia comum entre o emissor e o receptor da mensagem. É chamada de emissor a pessoa que emite a informação e o receptor é a pessoa que a recebe.

Para que o processo de comunicação efetiva aconteça, são necessárias oito etapas. Tendo como ponto de partida o emissor, consideram-se três etapas: elaborar uma ideia, codificar e transmitir a mensagem. As cinco etapas seguintes, que envolvem o receptor, são: receber, decodificar, aceitar, usar a informação recebida e dar uma resposta. Durante esse processo podem ocorrer barreiras, que são ruídos ou interferências que podem causar distorção na comunicação. Essas barreiras podem ser: físicas, semânticas ou de ordem pessoal. As barreiras físicas são as que decorrem do ambiente físico, como barulho e distância. As barreiras semânticas são aquelas que limitam a compreensão das palavras e ações, como o uso de uma linguagem que não seja comum ao emissor e ao receptor. As barreiras de ordem pessoal decorrem da falta de sintonia emocional entre as pessoas que se comunicam. Vejamos o caso abaixo:

o forró “tava comendo solto”! A moça preparou-se

toda para ir ao baile, que era o único evento da cidade depois de muito tempo. Esperava encontrar o

seu “príncipe encantado” no tal baile. Lá chegando, um rapaz franzino, meio “desengonçado”, que transpirava muito, aproximou-se dela e convidou-a para dançar. Ela não achou o rapaz muito interessante, porém, para não arrumar confusão, pois na cidade

isso era considerado “indelicado, acabou aceitando. Mas o rapaz realmente suava tanto, mas tanto, que ela, já não suportando mais, disse:

Numa cidadezinha pequena do interior

- Você sua, hein?

Diante disso, o rapaz sorriu, apertou-a com força e respondeu:

- Também vô sê seu, minha princesa!

Refletindo sobre o texto, que ruído interferiu na comunicação? É importante considerarmos que há dois de tipos de comunicação: verbal e não-verbal. A comunicação verbal falada realiza-se através da fala, como no caso de palestras. A comunicação verbal escrita ocorre por meio da escrita, como ocorre nas mensagens trocadas por e- mails. A comunicação não-verbal ocorre por intermédio de ações como gestos, expressões faciais, posturas e movimentos corporais. Saber comunicar-se efetivamente, iniciar e encerrar uma conversação, fazer e responder perguntas, gratificar e elogiar, dar e receber feedback são algumas das principais habilidades de comunicação, e elas são muito valorizadas no mundo do trabalho. As habilidades de fazer e responder perguntas envolvem entonação, volume de voz, expressão facial e gesticulação. As habilidades de gratificar e elogiar referem-se a recompensar emocionalmente alguém para que o outro se sinta valorizado, reconhecido e respeitado, como ocorre quando o elogio é percebido como verdadeiro e adequado. As habilidades de dar e receber feedback fazem parte das principais habilidades de comunicação. O feedback pode ser compreendido como crítica construtiva ou como crítica destrutiva. Como crítica construtiva traz consequências positivas e, como crítica destrutiva faz o contrário, causando dor, tristeza e sofrimento a quem o recebe. Sabedores de que é possível promover o desenvolvimento pessoal e profissional através da nossa forma de comunicação, torna-se fundamental planejá-la adequadamente, de forma ética e responsável. Somos seres sociais, devemos cuidar de nossas relações interpessoais em todos os momentos, a fim de criar, manter e melhorar esses relacionamentos. Certamente, podemos entender a comunicação como parte disso. Conceitualmente, o feedback é “uma forma de comunicação pela qual o receptor da mensagem original transmite ao emissor a maneira como ela foi recebida. Em consequência, a pessoa saberá o efeito de seu comportamento sobre os outros”. Oferecer feedback pode ser um fator que alavanca a modificação interna para o desenvolvimento pessoal, desde que o emissor (a pessoa que faz a crítica)

4

saiba realmente fazer a crítica e o receptor (a pessoa que a recebe) esteja aberto a recebê-la como algo construtivo. Para fazer a crítica construtiva recomenda-se que o emissor descubra a razão de fazê-la, comunique-se diretamente com a pessoa, seja específico, descreva os fatos, assuma seu ponto de vista, observe a contingência, faça referência aos efeitos, crie um clima favorável, vá diretamente ao assunto, escute compreensivamente, foque o objetivo a ser alcançado, resuma ao final. Para receber a crítica de forma construtiva, recomenda-se que o emissor: escute compreensivamente, aceite-a como crítica construtiva, faça perguntas ao emissor, agradeça-lhe e, sempre que possível, solicite a crítica. A ética também deve pautar o ato de fazer e receber críticas, sob pena de, com críticas mal elaboradas e baseadas em objetivos escusos, gerar prejuízos não só para as relações interpessoais, mas sofrimento físico e mental a quem as recebe. Assim, observamos que o domínio da comunicação eficaz é fundamental para o sucesso pessoal e profissional, para tanto é importante nos comunicarmos com clareza e de maneira apropriada ao ambiente.

1.1 VOCABULÁRIO E ADEQUAÇÃO LINGUÍSTICA

O texto a seguir circulou pela Internet como

uma piada. Utilize-o como base para responder

as questões dos exercícios 1 e 2 .

Correção ortográfica

“O gerente de vendas recebeu o seguinte fax

de um dos seus novos vendedores:

Seo Gomis, O criente de belzonte pidiu mais cuatrucenta pessa. Faz favor toma as providenssa.

Abrasso,

Nirso

Aproximadamente uma hora depois recebeu outro fax:

Seo Gomis, Os relatório di venda vai xega atrazado proque to fexando umas venda. Temo que

manda treiz miu pessa. Amanhã to xegando.

Abrasso,

Nirso

No dia seguinte, outro fax:

Seo Gomis, Num xeguei pucausa de que vendi maiz deis miu em Beraba.To indo pra Brazilha.

No próximo fax:

Seo Gomis, Brazilha fexo 20 miu. Vo pra Frolinopolis e de lá pra Sum Paulo no vinhão das cete hora.

E assim foi o mês inteiro. O gerente, muito preocupado com a imagem da empresa, levou ao presidente as mensagens que recebeu do vendedor. O presidente, um homem muito

preocupado com o desenvolvimento da empresa

e com a cultura dos funcionários, escutou atentamente o gerente e disse:

- Deixa comigo que eu tomarei as providências necessárias. E tomou. Redigiu de próprio punho um aviso que afixou no mural da empresa, juntamente como os faxes do vendedor:

‘A partir de oje nois tudo vamo fazê feito o Nirso. Si pricupá menos em iscrevê serto mod a vendê maiz.’

Acinado, O Prezidenti’”

(Português Língua e Literatura – pág. 145 e 146)

1. Geralmente, as piadas manifestam uma postura preconceituosa e nos permitem refletir sobre como são avaliadas as pessoas a partir do uso que fazem da língua, seja na sua forma oral ou escrita.

a) Embora os “erros” ortográficos chamem

imediatamente a atenção de quem lê o texto, o

problema percebido pelo gerente nos textos do “Nirso” pode ser entendido de outra maneira. Explique.

b) Por que a piada reflete uma visão linguística

preconceituosa?

2. O comportamento do gerente deixa implícita sua opinião sobre diferentes variantes da Língua Portuguesa.

a) Que opinião é essa?

b) De que maneira a atitude tomada pelo

presidente da empresa demonstra que o uso de

uma variante não pode ser associado ao modo de avaliar o falante que a utiliza?

5

Leia o texto e responda as questões que o seguem:

Quem não se comunica

Havia no Rio de Janeiro nos anos 1920 um gramático famoso, professor do Pedro II, inimigo dos galicismos, dos pronomes malcolocados e da linguagem descuidada. Falava empolado e exigia correção de linguagem até em casa com a família. Uma vez, esse gramático foi passar férias em um hotel- fazenda de Teresópolis. Lá, um dia, decidiu dar um passeio a cavalo pelos terrenos da fazenda. Por segurança, ia acompanhado de um cavalariço montado em um burrinho. Pelas tantas, o cavalo do gramático disparou. O cavalariço foi atrás em seu burrinho, gritando:

“Doutor, puxe a rédea! Doutor, puxe a rédea!” Nada aconteceu, até que o cavalo saltou um valado e jogou o gramático numa moita de urtiga. Finalmente o cavalariço o alcançou, levantou-o e ajudou-o a se livrar de uns espinhos que se grudaram nele. “Doutor, por que o senhor não puxou a rédea? Eu vinha gritando atrás, doutor, puxe a rédea, doutor, puxe a rédea!” O gramático, já senhor de si, perguntou: “E o que é puxar a rédea?” “É fazer isso, ó”, e fez o gesto explicativo. “Ah! Dissesses sofreia o corcel, eu teria entendido.”

(VEIGA, J. J. O Almanach de Piumhy. RJ: Record, 1998.)

(Português Língua e Literatura – pág. 154)

3. No texto transcrito, foram utilizadas duas

variedades linguísticas. Quais são elas? Justifique sua resposta com elementos do texto.

4. Falar e escrever bem significa, além de

conhecer o padrão formal da Língua Portuguesa, saber adequar o uso da linguagem ao contexto discursivo. O texto transcrito mostra uma situação em que a linguagem usada é inadequada ao contexto. Em que consiste essa inadequação?

5. Você considera que a postura rígida do

gramático em relação à “correção da linguagem” a ser utilizada pelos falantes é

adequada? Justifique sua resposta.

Artigo: A carreira nas alturas Revista Língua Portuguesa – Ano 5 – nº 63 – Janeiro de 2011

Língua Portuguesa – Ano 5 – nº 63 – Janeiro de 2011 QUESTIONÁRIO 1. Segundo o

QUESTIONÁRIO

1. Segundo o texto, por que há necessidade do domínio da norma culta da Língua Portuguesa? Justifique.

2. Quais as principais mudanças no mercado de trabalho que “exigem” um novo perfil profissional?

3. A Língua é um instrumento de prestígio e marginalização. Explique.

4. Na sua opinião, qual é o principal fator que implica na falta de domínio da norma culta da Língua Portuguesa?

5. De que maneira a leitura deste artigo pode auxiliar na sua formação profissional?

6

2 NOÇÕES DE VARIAÇÃO LINGUÍSTICA

Todas as pessoas que falam em determinada língua conhecem as estruturas gerais, básicas, de funcionamento dessa língua. Embora sejam mais ou menos constantes dentro do idioma, essas estruturas básicas podem sofrer variações devido à influência de inúmeros fatores. Tais variações, que às vezes são pouco perceptíveis e outras vezes bastante evidentes, recebem o nome genérico de variedades ou variações linguísticas. Entre as causas que mais claramente determinam o surgimento das variações linguísticas destacam- se: o grupo social a que o falante pertence (variação sócio-cultural), o lugar em que ele nasceu ou vive (variação geográfica) e a época (variação histórica).

Variação Sócio-Cultural

Esse tipo de variação pode ser percebido com certa facilidade: por exemplo, alguém diz:

“Ta na cara que eles não teve peito de encará os ladrão.” (frase 1) Que tipo de pessoa comumente fala dessa maneira? Vamos caracterizá-lo, por exemplo, pela sua

profissão: um advogado? Um trabalhador braçal da construção civil? Um médico? Um garimpeiro? Um repórter de tv?

E quem usaria a frase abaixo?

“Obviamente faltou-lhes coragem para enfrentar os ladrões.” (frase 2) Sem dúvida, associamos à frase 1 os falantes pertencentes a grupos sociais economicamente mais pobres. Pessoas que, muitas vezes, não frequentaram nem a escola primária, ou, quando muito, fizeram-no em condições não adequadas. Por outro lado, a frase 2 é mais comum aos falantes que tiveram possibilidades sócio-econômicas melhores e puderam, por isso, ter um contato mais duradouro com a escola, com a leitura, com pessoas de um nível cultural mais elevado e, dessa forma, “aperfeiçoaram” o seu modo de utilização da língua. Convém ficar claro, no entanto, que a diferenciação feita acima está bastante simplificada, uma vez que há diversos outros fatores que interferem na maneira como o falante escolhe as palavras e constrói as frases. Por exemplo, a situação de uso da língua: um advogado, num tribunal de júri, jamais usaria a expressão “ta na cara”, mas isso não significa que ele não possa usá-la numa situação informal (conversando com alguns amigos, por exemplo).

Variação geográfica

A variação geográfica é, no Brasil, bastante grande e pode ser facilmente notada. Ela se caracteriza

pelo acento linguístico, que é o conjunto das qualidades fisiológicas do som (altura, timbre, intensidade), por isso é uma variante cujas marcas se notam principalmente na pronúncia. Ao conjunto das características da pronúncia de uma determinada região dá-se o nome de sotaque: sotaque mineiro, sotaque nordestino, sotaque gaúcho etc.

A variação geográfica, além de ocorrer na pronúncia, pode também ser percebida no vocabulário,

em certas estruturas de frases e nos sentidos diferentes que algumas palavras podem assumir em diferentes regiões do país.

Leia, como exemplo, o trecho abaixo, de Guimarães Rosa, no conto “São Marcos”, no qual recria a fala de um típico sertanejo do centro-norte de Minas:

[de um feiticeiro chamado Mangolô]

De

primeiro, quando eu era moço, isso sim!

fora d’hora, em cemitério

Quando a gente é novo, gosta de fazer bonito, gosta de se ”

“- Mas você tem medo dele

- Há-de-o!

Agora, abusar e arrastar mala, não faço. Não faço, porque não paga a pena

(

)

Já fui gente! Gente. Para ganhar aposta, já fui, de noite,

comparecer. Hoje, não: estou percurando é sossego

Variação histórica

As línguas não são estáticas, fixas, imutáveis. Elas se alteram com o passar do tempo e com o uso.

Muda a forma de falar, mudam as palavras, a grafia e o sentido delas. Essas alterações recebem o nome de variação histórica.

O trecho abaixo, de Carlos Drummond de Andrade, exemplifica a mudança da língua ao longo do

tempo:

7

Antigamente

“Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas mimosas e muito prendadas.

Não faziam anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo não sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio.

Os

E se levavam tábua, o remédio era tirar o cavalo da chuva e ir pregar em outra freguesia. (

mais idosos, depois da janta, faziam o quilo, saindo para tomar fresca; e também tomavam cautela de não apanhar sereno. Os mais jovens, esses iam ao animatógrafo, e mais tarde ao cinematógrafo,

chupando balas de altéia. Ou sonhavam em andar de aeroplano; os quais, de pouco siso, se metiam em camisa de onze varas, e até em calças pardas; não admira que dessem com os burros n’água.”

)

2.1 LÍNGUA CULTA

X

LÍNGUA COLOQUIAL

Convencionalmente, costumamos como “correta” a língua utilizada pelo grupo de maior prestígio social. Essa é a chamada língua culta, falada e escrita, em situações formais, pelas pessoas de maior instrução. A língua culta é nivelada, padronizada, principalmente pela escola e obedece à gramática da língua –padrão. A língua coloquial, por outro lado, é uma variante espontânea, do cotidiano, sem muita preocupação com as normas. O falante, ao utilizá-la, comete deslizes gramaticais com frequência considerável. Outra característica da língua coloquial é o uso constante de expressões populares, frases feitas, gírias etc. No quadro a seguir, estão resumidas as diferenças que mais facilmente podem ser observadas entre língua culta e língua coloquial:

USO COLOQUIAL / POPULAR

USO CULTO

Pronúncia mais descuidada de certas palavras e expressões: nóis, num vô, num qué, cê ta bem?

Maior cuidado com a pronúncia: nós, não vou, não quer, você está bem?

Não utilização das marcas de concordância. Ex.: Os menino vai bem.

Utilização dessas marcas. Ex.: Os meninos vão bem.

Uso constante de a gente no lugar de nós.

Uso regular da forma nós.

Emprego de expressões do tipo: né, então, aí, pois é.

Raro uso dessas expressões.

Mistura de pessoas gramaticais. Ex.: Você sabe que te enganam.

Uniformidade no uso das pessoas gramaticais. Ex.: Você sabe que o enganam. Tu sabes que te enganam.

Uso “livre” da flexão dos verbos. Ex.: Se ele fazer, se ele por Eu truxe o seu presente.

Utilização da flexão verbal conforme as normas gramaticais. Ex.: Se ele fizer, se ele puser Eu trouxe o seu presente.

Uso de gírias.

Não utilização de gírias.

EXERCÍCIOS

1.Leia o texto abaixo:

“Cedo ou tarde, uma dúvida cruel pinta na sua cabeça: ‘Que profissão escolher?’ Ou ainda:

‘Em que faculdade entrar?’ E é justamente nessas horas que aparece uma porção de gente

pra dar os palpites mais infelizes. (

É por isso que a Editora Abril está lançando o

Guia do Estudante. Porque o que ele mais tem

é exatamente o que você mais precisa saber:

tudo sobre todas as profissões universitárias e técnicas, o mercado de trabalho, os cursos e o nível de todas as faculdades brasileiras, onde e

)

como conseguir bolsas de estudos e muitas dicas de profissionais bem-sucedidos. Uma verdadeira luz pra você acertar na escolha da profissão que mais faz sua cabeça. O melhor de tudo é que a decisão será sua e de mais ninguém. Com os pés no chão. Sentindo firmeza. Pode contar com o Guia do Estudante pra encarar essa parada. Ele vai dar a maior força pra você.”

(Veja, nº 976)

(Aprender e praticar gramática – pág. 47)

8

a) A

consumidor que o anúncio pretende atingir?

b) Transcreva alguns trechos do texto que

confirmem sua resposta à questão anterior.

c) Transcreva do texto um trecho onde se

utiliza uma linguagem mais formal.

o

que

grupo

social

faz

parte

2.Suponha que você seja um criador de textos de campanhas publicitárias e que tenha sido contratado por uma indústria de calçados para produzir os textos de propaganda de uma nova linha de sapatos. Levando em conta as características próprias da linguagem de cada grupo social, escreva um pequeno texto dirigido a cada um dos seguintes tipos de público consumidor do produto:

a) jovens adolescentes urbanos

b) homens

de

elevado

padrão

sócio-

econômico

c) crianças de 5 a 8 anos de idade

 

d) mulheres idosas

3.(Univ.Metodista-SP)

Leia

o

trecho

abaixo:

“Os nossos salário, cum relação ao que nóis fazemo e o lucro que os outros tem, é insignificante. Por que acontece isso? Eu tenho que trabaiá trezentos e sessenta e cinco dias por ano. O outro num trabaia

nem

nem cem dias, ganha muito mais.

Por que eu sô a máquina que dô descanso pra ele.”

(Luiz Flávio, Os peões do Grande ABC)

Transponha a linguagem coloquial para o padrão escrito da linguagem formal.

4.(Unicamp-SP) O jornal “Folha de São Paulo” introduziu com o seguinte comentário uma entrevista com o professor Paulo Freire:

“’A gente cheguemos’ não será uma construção errada na gestão do Partido dos Trabalhadores em São Paulo.” Os trechos da entrevista nos quais a “Folha de São Paulo” se baseou para fazer tal comentário foram os seguintes:

“A criança terá uma escola na qual a sua

linguagem seja respeitada (

em que a criança aprenda a sintaxe dominante, mas sem desprezo pela sua ( ) Esses oito milhões de meninos vêm da

Uma escola

)

Precisamos respeitar a (sua)

sintaxe mostrando que sua linguagem é bonita e gostosa, às vezes é mais bonita que a minha. E, mostrando tudo isso, dizer a ele: ‘Mas para a tua própria vida tu precisas dizer ‘agente chegou’ em vez de ‘a gente chegamos’. Isso é diferente, ‘a abordagem’ é diferente. É assim que queremos trabalhar, com abertura, mas dizendo a verdade.”

periferia do Brasil (

)

Responda:

a) Qual a posição defendida pelo professor Paulo Freire com relação à correção dos erros gramaticais na escola? b) O comentário do jornal faz justiça ao pensamento do educador? Justifique sua resposta.

5.Provocou polêmica o fato de um livro recomendado pelo Ministério da Educação endossar um erro de português. Na página 15 de “Por uma vida melhor”, o texto afirma: "Você pode estar se perguntando: 'Mas eu posso falar os livro?'. Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico". Muita gente viu aí um erro do livro e do próprio Ministério da Educação. Há, porém, quem pense e diga o contrário, como o próprio MEC e a autora da obra, Heloísa Ramos. Do ponto de vista linguístico, de fato, não há sentido em dizer que alguém fala errado apenas porque não obedece à chamada norma culta. Se alguém diz "nós pesca os peixe", será compreendido por seu interlocutor. Para a linguística, o resultado é o que importa. Ao advertir seus leitores-estudantes do risco de "preconceito linguístico", a autora está apontando para o fato de que esse tipo de uso da língua, desconsiderando a norma culta, é mais comum entre pessoas com menos instrução e, portanto, em geral, em posição inferior na escala social. A autora e o MEC defendem o livro com o argumento de que reconhecem as variedades da língua portuguesa e a linguagem dos diversos grupos sociais. ( )

(Fábio Santos, Jornal Destak. Disponível em:

http://www.destakjornal.com.br/readContent.aspx?id=18,96935

consultado em 20/07/2011)

Com base nos nossos estudos sobre variação linguística, produza um artigo de opinião, assumindo um posicionamento sobre a polêmica apontada no artigo acima. Imagine que seu artigo será publicado no editorial de um jornal de grande circulação. Seu texto deve ter, no mínimo, 15 linhas. Não esqueça do título!

9

3 CONTEXTO: CONSIDERAÇÕES SOBRE A NOÇÃO DE TEXTO

Sem dúvida alguma, a palavra texto é familiar a qualquer pessoa ligada à prática escolar. Ela aparece com alta frequência no linguajar cotidiano tanto no interior da escola quanto fora de seus limi- tes. Não são estranhas a ninguém expressões como as que seguem: "redija um texto", "texto bem elaborado", "o texto constitucional não está suficientemente claro", "os atores da peça são bons mas o texto é ruim", "o redator produziu um bom texto", etc. Por causa exatamente dessa alta frequência de uso, todo estudante tem algumas noções sobre o que significa texto. Dentre essas noções, algumas ganham importância especial para redação, que se propõe ensinar a ler e a escrever textos. Nesta lição introdutória, vamos fazer duas considerações fundamentais sobre a natureza do

texto:

Primeira consideração: o texto não é um aglomerado de frases.

A revista Veja de 1º de junho de 1988, em matéria publicada nas páginas 90 e 91, traz uma

reportagem sobre um caso de corrupção que envolvia, como suspeitos, membros ligados à administração do governo do Estado de São Paulo e dois cidadãos portugueses dispostos a lançar um novo tipo de jogo lotérico, designado pelo nome de "Raspadinha". Entre os suspeitos figurava o nome

de Otávio Ceccato, que, no momento, ocupava o cargo de secretário de Indústria e Comércio e que negava sua participação na negociata.

O fragmento que vem a seguir, extraído da parte final da referida reportagem, relata a resposta

de Ceccato aos jornalistas nos seguintes termos:

Na sua posse como secretário de Indústria e Comércio, Ceccato, nervoso, foi infeliz ao rebater as denúncias. "Como São Pedro, nego, nego, nego", disse a um grupo de repórteres, referindo-se à conhecida passagem em que São Pedro negou conhecer Jesus Cristo três vezes na mesma noite. Esqueceu-se de que São Pedro, naquele episódio, disse talvez a única mentira de sua vida. (Ano 20. 22:91.)

Como se pode notar, a defesa do secretário foi infeliz e desastrosa, produzindo efeito contrário ao que ele tinha em mente.

A citação, no caso, ao invés de inocentá-lo, acabou por comprometê-lo.

Sob o ponto de vista da análise do texto, qual teria sido a razão do equívoco lamentável cometido pelo secretário? Sem dúvida, a resposta é esta: ao citar a passagem bíblica, o acusado esqueceu-se de que ela faz parte de um texto e, em qualquer texto, o significado das frases não é autônomo. Desse modo, não se pode isolar frase alguma do texto e tentar conferir-lhe o significado que se deseja. Como bem observou o repórter, no episódio bíblico citado pelo secretário, São Pedro, enquanto Cristo estava preso, foi reconhecido como um de seus companheiros e, ao ser indagado pelo soldado, negou três vezes seguidas conhecer aquele homem. Segundo a mesma Bíblia, posteriormente Pedro arrependeu-se da mentira e chorou copiosamente. Esse relato serve para demonstrar de maneira simples e clara que uma mesma frase pode ter significados distintos dependendo do contexto dentro do qual está inserida. O grande equívoco do secretário, para sua infelicidade, foi o de desprezar o texto de onde ele extraiu a frase, sem se dar conta de que, no texto, o significado das partes depende das correlações que elas mantêm entre si. Isso nos leva à conclusão de que, para entender qualquer passagem de um texto, é necessário confrontá-la com as demais partes que o compõem sob pena de dar-lhe um significado oposto ao que ela de fato tem. Em outros termos, é necessário considerar que, para fazer uma boa leitura, deve-se sempre levar em conta o contexto em que está inserida a passagem a ser lida. Entende-se por contexto uma unidade linguística maior onde se encaixa uma unidade linguística menor. Assim, a frase encaixa-se no contexto do parágrafo, o parágrafo encaixa-se no contexto do capítulo, o capítulo encaixa-se no contexto da obra toda. Uma observação importante a fazer é que nem sempre o contexto vem explicitado linguisticamente. O texto mais amplo dentro do qual se encaixa uma passagem menor pode vir

implícito: os elementos da situação em que se produz o texto podem dispensar maiores escla- recimentos e dar como pressuposto o contexto em que ele se situa.

10

Para exemplificar o que acaba de ser dito, observe-se um minúsculo texto como este:

A nossa cozinheira está sem paladar.

Podem-se imaginar dois significados completamente diferentes para esse texto dependendo da situação concreta em que é produzido. Dito durante o jantar, após ter-se experimentado a primeira colher de sopa, esse texto pode significar que a sopa está sem sal; dito para o médico no consultório, pode significar que a empregada pode estar acometida de alguma doença. Para finalizar esta primeira consideração, convém enfatizar que toda leitura, para não ser equivocada, deve necessariamente levar em conta o contexto que envolve a passagem que está sendo lida, lembrando que esse contexto pode vir manifestado explicitamente por palavras ou pode estar implícito na situação concreta em que é produzido. Segunda consideração: todo texto contém um pronunciamento dentro de um debate de escala mais ampla. Nenhum texto é uma peça isolada, nem a manifestação da individualidade de quem o produziu. De uma forma ou de outra, constrói-se um texto para, através dele, marcar uma posição ou participar de um debate de escala mais ampla que está sendo travado na sociedade. Até mesmo uma simples notícia jornalística, sob a aparência de neutralidade, tem sempre alguma intenção por trás.

Observe-se, a título de exemplo, a passagem que segue, extraída da revista Veja do dia 1º de junho de 1988, página 54.

CRIME: TIRO CERTEIRO Estado americano limita porte de armas.

No começo de 1981, um jovem de 25 anos chamado John Hinckley Jr. entrou numa loja de armas de Dallas, no Texas, preencheu um formulário do governo com endereço falso e, poucos mi- nutos depois, saiu com um Saturday Night Special - nome criado na década de 60 para chamar um tipo de revólver pequeno, barato e de baixa qualidade. Foi com essa arma que Hinckley, no dia 30 de março daquele ano, acertou uma bala no pulmão do presidente Ronald Reagan e outra na cabeça de seu porta-voz, James Brady. Reagan recuperou-se totalmente, mas Brady desde então está preso a uma cadeira de rodas. ( )

Seguramente, por trás da notícia, existe, como pressuposto, um pronunciamento contra o risco de vender arma para qualquer pessoa, indiscriminadamente. Para comprovar essa constatação, basta pensar que os fabricantes de revólveres, se pudessem, não permitiriam a veiculação dessa notícia. O exemplo escolhido deixa claro que qualquer texto, por mais objetivo e neutro que pareça, manifesta sempre um posicionamento frente a uma questão qualquer posta em debate. Ao final desta lição, devem ficar bem plantadas as seguintes conclusões:

a) Uma boa leitura nunca pode basear-se em fragmentos isolados do texto, já que o significado das partes sempre é determinado pelo contexto dentro do qual se encaixam;

b) Uma boa leitura nunca pode deixar de apreender o pronunciamento contido por trás do texto, já que sempre se produz um texto para marcar posição frente a uma questão qualquer.

(SAVIOLI, F.P. & FIORIN, J.L. Para entender o texto: leitura e redação. 17ª ed. São Paulo: Ática, 2007 – pág. 11 a 14)

11

3.1 COMPREENDENDO O CONTEXTO

REFINE SEU VOCABULÁRIO CORPORATIVO

No último 28 de março, o jornalista William Bonner recebeu o prêmio “Melhores do Ano”, da TV Globo, na categoria jornalismo. Ao ser perguntado sobre qual era o sabor daquele troféu, especialmente após substituir um dos maiores ícones do jornalismo brasileiro − o apresentador Cid Moreira −, Bonner respondeu enfaticamente: “Eu não substituí o Cid, eu o sucedi. Seria impossível substituí-lo”. Os verbos “substituir” e “suceder” podem, a princípio, parecer quase sinônimos. No entanto, para Bonner, a opção por “suceder” foi muito mais feliz. “Suceder” soa mais natural que “substituir”, enquanto “substituir” é muito mais apropriado para uma lâmpada do que para uma pessoa. Pequenas sutilezas como essa fazem toda a diferença na comunicação. Muita leitura e um dicionário sempre à mão na hora de escrever são as principais dicas para quem deseja refinar o vocabulário. É importante ressaltar a diferença entre “refinar” e “rebuscar”. O primeiro conceito está muito mais próximo de “lapidar”, trabalhar para escolher as palavras que melhor exprimem a mensagem desejada. Já o segundo significa “florear, sofisticar sem necessidade”. Não faz sentido em um jantar familiar dizer “Por obséquio, passe-me o sal”. Note que no exemplo de William Bonner, ele não usa nenhum rebuscamento. No entanto, ele procura a palavra exata para exprimir sua mensagem. O refinamento assemelha-se a um trabalho mais artesanal. Em entrevista a Folha de São Paulo, Marina Silva também constrói com palavras a sua posição na campanha eleitoral para presidente. “O Brasil precisa de um sucessor, e não de um continuador ou de um opositor. O opositor tende a jogar tudo na lata do lixo, e o continuador acha que já está tudo pronto.” Escolher as palavras certas pode ser um diferencial positivo na carreira de um profissional. Por isso, mãos à obra.

(Disponível em: http://www.scrittaonline.com.br/artigos/refine-seu-vocabulario-corporativo, consultado em 29/07/10)

, consultado em 29/07/10) QUESTIONÁRIO 1. Por que para o jornalista William Bonner

QUESTIONÁRIO

, consultado em 29/07/10) QUESTIONÁRIO 1. Por que para o jornalista William Bonner seria

1. Por que para o jornalista William Bonner seria impossível substituir Cid Moreira?

2. O profissional deve buscar um vocabulário refinado ou rebuscado? Explique.

3. Para a análise de um texto é necessário que se considere o contexto (relação entre o texto e a situação em que ele ocorre). Em que contexto está inserida a fala de Marina Silva?

4. Considerando o contexto, para Marina Silva, quem é o “continuador” e quem é o “opositor” (cite nomes)? Justifique sua resposta.

5. Trace um paralelo entre os discursos de William Bonner e Marina Silva justificando a razão de optarem pelo verbo “suceder”.

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4 INTERTEXTUALIDADE: AS RELAÇÕES ENTRE TEXTOS

Observe os trechos que seguem:

Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores. Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores.

(DIAS, Gonçalves. Canção do exílio)

Do que a terra mais garrida Teus risonhos, lindos campos têm mais flores; “Nossos bosques têm mais vida” “Nossa vida”, no teu seio, “mais amores”.

(Hino Nacional Brasileiro)

Nossas flores são mais bonitas nossas frutas mais gostosas mas custam cem mil réis a dúzia.

(MENDES, Murilo. Canção do exílio)

Os três textos são semelhantes. Como o de Gonçalves Dias é anterior aos dois primeiros, o que ocorre é que estes fazem alusão àquele. Os dois primeiros citam o texto de Gonçalves Dias. Com muita frequência um texto retoma passagens de outro. Quando um texto de caráter científico cita outros textos, isso é feito de maneira explícita. O texto citado vem entre aspas e em nota indica-se o autor e o livro donde se extraiu a citação. Num texto literário, a citação de outros textos é implícita, ou seja, um poeta ou romancista não indica o autor e a obra donde retira as passagens citadas, pois pressupõe que o leitor compartilhe com ele um mesmo conjunto de informações a respeito das obras que o compõem um determinado universo cultural. Os dados a respeito dos textos literários, mitológicos, históricos são necessários, muitas vezes, para compreensão global de um texto. A essa citação de um texto por outro, a esse diálogo entre textos dá-se o nome de intertextualidade. Compreender um texto implica também acessar conhecimentos prévios, adquiridos em experiências anteriores a que tenhamos sido expostos em nosso convívio social: leituras, filmes, aulas, palestras, sermões, conversas. A intertextualidade acontece quando utilizamos esses conhecimentos para elaborar um novo texto. Essa utilização pode ser em explícita ou implícita.

Voltemos aos três textos colocados no princípio desta lição. O poema de Gonçalves Dias possui muitas virtualidades de sentido. Entre elas, a exaltação ufanista da natureza brasileira. Para ele, nossa pátria é sempre mais e melhor do que os outros lugares. Os versos do Hino Nacional retomam o texto de Gonçalves Dias para reafirmar esse sentido de exaltação da natureza brasileira. Já os versos de Murilo Mendes citam Gonçalves Dias com intenção oposta, pois pretendem ridicularizar o nacionalismo exaltado que pode ser lido no poema gonçalvino. Um texto cita outro com, basicamente, duas finalidades distintas:

a) para reafirmar alguns dos sentidos do texto citado;

b) para inverter, contestar e deformar alguns dos sentidos do texto citado; para polemizar com ele. Em relação ao texto de Gonçalves Dias, o Hino Nacional enquadra-se no primeiro caso, enquanto o

de Murilo Mendes encaixa-se no segundo. Quando um texto cita outro invertendo seu sentido, temos uma paródia. Os versos do Hino Nacional parafraseiam versos de Gonçalves Dias; os de Murilo Mendes parodiam-no. Compare agora estas duas estrofes, de dois poemas:

Meus oito anos

Oh! Que saudade que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais Que amor, que sonhos, que flores Naquelas tardes fagueiras À sombra das bananeiras, Debaixo dos laranjais! [ ]

(Casimiro de Abreu)

Meus oito anos

Oh que saudades que eu tenho Da aurora de minha vida, De minha infância querida Que os anos não trazem mais Naquele quintal de terra Da Rua de Santo Antônio Debaixo da bananeira Sem nenhum laranjais! [ ]

(Oswald de Andrade)

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O texto de Casimiro de Abreu foi escrito no século XIX, o texto de Oswald de Andrade foi escrito

no século XX. As semelhanças entre os textos são evidentes, pois o assunto deles é o mesmo e há versos inteiros que se repetem. Portanto, o texto de Oswald cita o texto de Casimiro, estabelecendo com ele uma relação intertextual. Observe, porém, que o 2º texto tem uma visão diferente da apresentada pelo 1º. No 1º texto, tudo na infância parece perfeito, rodeado por “amor”, “sonhos” e “flores”; já no 2º texto, esses elementos são substituídos por um simples “quintal de terra”, um espaço concreto e comum, se idealização. Além disso, com o verso “sem nenhum laranjais”, Oswald ironiza Casimiro, como que dizendo: na minha infância também havia bananeiras, mas não havia os tais

“laranjais” que o Casimiro cita em seu poema. Observe que Oswald, com seu poema, não apenas cita o poema de Casimiro, ele também critica esse poema, pois considera irreal a visão que Casimiro tem da infância. Certamente, na visão de Oswald, infância de verdade, no Brasil, se faz com crianças brincando no quintal de terra, embaixo das bananeiras, e não com crianças sonhando embaixo de laranjais. Podemos dizer que o texto de Oswald é uma paródia do texto de Casimiro.

A percepção das relações intertextuais, das referências de um texto a outro, depende do repertório

do leitor, do seu acervo de conhecimentos literários e de outras manifestações culturais. Daí a importância da leitura, principalmente daquelas obras que constituem as grandes fontes da literatura universal. Quanto mais se lê, mais se amplia a competência para apreender o diálogo que os textos travam entre si por meio de referências, citações e alusões. Por isso, cada livro que se lê torna maior a capacidade de apreender, de maneira mais completa, o sentido dos textos. Vamos analisar o poema de Murilo Mendes:

Canção do exílio

Minha terra tem macieiras da Califórnia onde cantam gaturamos de Veneza. Os poetas da minha terra são pretos que vivem em torres de ametista,

os sargentos do exército são monistas, cubistas,

os filósofos são polacos vendendo a prestações.

A gente não pode dormir

com os oradores e os pernilongos. Os sururus em família têm por testemunha [a Gioconda.

Eu morro sufocado em terra estrangeira. Nossas flores são mais bonitas nossas frutas mais gostosas mas custam cem mil réis a dúzia.

Ai quem me dera chupar uma carambola de [verdade

e ouvir um sabiá com certidão de idade!

(MENDES, Murilo. Poemas. In: --. Poesias (1925-1955). Rio de Janeiro, J. Olympio, 1959. p.5)

Observe a seguir o poema de Gonçalves Dias:

Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá.

Canção do exílio

Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar –sozinho, à noite– Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu'inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá.

(DIAS, Gonçalves. Gonçalves Dias: poesia. Por Manuel Bandeira. Rio de Janeiro, Agir, 1975. p. 11-2)

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Você leu duas canções do exílio diferentes. A de Gonçalves Dias enaltece a pátria, considera-a superior à terra do exílio. Murilo critica, com mordacidade, o Brasil e julga-se exilado em sua própria terra por não compartilhar dos valores nela vigentes. Cada texto é um pronunciamento sobre dada realidade; cada texto revela a visão de mundo de quem o produz. Mas não é só na literatura que isto acontece! A intertextualidade é uma forma de diálogo entre textos, que pode se dar de forma mais implícita ou mais explícita e em diversos gêneros textuais. O intertexto serve para ilustrar a importância do conhecimento de mundo e como este interfere no nível de compreensão do texto. Ao relacionar um texto com outro, o leitor entenderá que a intertextualidade é uma das estratégias utilizadas para a construção dos mesmos.

das estratégias utilizadas para a construção dos mesmos. Chico Tirando Palha de Milho,2000,acrílica sobre tela

Chico Tirando Palha de Milho,2000,acrílica sobre tela 164x125 cm

Tirando Palha de Milho,2000,acrílica sobre tela 164x125 cm Caipira Picando Fumo, 1893, Almeida Júnior(1850-99), óleo

Caipira Picando Fumo, 1893, Almeida Júnior(1850-99), óleo sobre tela,202x141cm.Pinacoteca de São Paulo, SP, Brasil

No caso específico do anúncio publicitário, por exemplo, o intertexto, quando usado, é uma forma diferente de persuasão, com o objetivo de levar o leitor a consumir um produto e também difundir a cultura. A televisão, muitas vezes, divulga sua programação e estimula sua audiência através de seus próprios produtos comunicacionais fazendo referências uns aos outros. Em alguns episódios de desenhos animados, como os Simpsons, por exemplo, nota-se esta referência. Os desenhos animados também são direcionados, e em alguns casos, principalmente, aos adultos. Prova disto está na utilização de obras da arte (clássica, surrealista, etc.) como elementos que compõem seus argumentos. A maioria das crianças não faz ideia da existência da "Capela Cistina". (É bem verdade que muitos adultos também estão na mesma situação!). Mas tudo isso para dizer que a intertextualidade só faz sentido e, só é percebida, quando o público e/ou audiência a que destinam-se, tem um conhecimento prévio acerca do assunto.

destinam-se, tem um conhecimento prévio acerca do assunto. Quanto à intertextualidade na publicidade, pode-se dizer
destinam-se, tem um conhecimento prévio acerca do assunto. Quanto à intertextualidade na publicidade, pode-se dizer

Quanto à intertextualidade na publicidade, pode-se dizer que ela assume a função não só de persuadir o leitor como também de difundir a cultura, uma vez que se trata de uma relação com a arte (pintura, escultura, literatura etc). Assim, quando há a utilização deste recurso, boa parte do efeito de uma propaganda ou do título de uma reportagem é proveniente da referência feita a textos pré- existentes. Esses textos ora são retomados de forma direta, ora de forma indireta, levando o destinatário a reconhecer no enunciado o texto citado. Veja a seguir outros intertextos:

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15 Clichê : é o enunciado que se transformou em uma unidade linguística estereotipada por ser

Clichê: é o enunciado que se transformou em uma unidade linguística estereotipada por ser muito proferido pelas pessoas. Num jornal sobre esportes foi criada uma charge com o enunciado: “Por trás de todo grande time há um grande treinador”. Tal enunciado remete a outro pertencente ao patrimônio social “Por trás de todo grande homem há uma grande mulher”. O enunciado do jornal, na época, pretendia elogiar a conduta do treinador pelo fato do time Vasco ter ganhado o campeonato. Outro exemplo destacado foi o da publicidade do SESI a respeito de um concurso de empresas sobre a qualidade no trabalho. O slogan da publicidade era: “Se o trabalho dignifica o homem, o trabalho em equipe o torna um vencedor”. Observa-se que a partir de um clichê “O trabalho dignifica

ressalta-se em seguida a

importância do trabalho em equipe “

o homem”, utilizado numa estrutura com valor condicional “Se o trabalho

”,

o trabalho em equipe o torna um vencedor”.

Proverbial: é um enunciado popular que expressa de forma sucinta uma mensagem. O título de uma reportagem sobre funcionários e ações trabalhistas: “Depois do suor, o desamparo” que remete ao provérbio “Depois da tempestade vem a bonança”. Sendo que ao contrário desse (depois dos fatos negativos vem o positivo), o título da reportagem sugere que depois de todo esforço “suor”, os funcionários não obtiveram o que almejavam: o reconhecimento. Foram vítimas do desemprego, o “desamparo”.

Palavrão: é o enunciado que apresenta uma palavra grosseira ou obscena. O jornalista Agamenon, responsável por uma matéria do Segundo Caderno do jornal “O Dia”, cuja característica é o humor, nomeou uma de suas matérias de “Cuba se Fidel”. No mesmo, observa-se a alusão ao palavrão “se ”

e um jogo entre este e o nome do presidente de Cuba, Fidel Castro, por causa da semelhança

fonética “Fidel e fo”.

fo

Bíblico: quando o enunciado menciona uma passagem da Bíblia. O título de uma reportagem sobre

o turismo na Ilha Grande “A fé move turistas nas trilhas da Ilha Grande” se referindo à passagem bíblica que diz: “A fé move montanha”.

Literário: quando o enunciado refere-se a verso(s), a passagem(ns) ou a título(s) de obra.

- Exemplo de título de obra: A publicidade da marca Ceramidas usa como slogan o seguinte

enunciado: “Dona Flor e seus dois produtos”, que, por sua vez, se reporta a uma das obras de Jorge Amado intitulada “Dona Flor e seus dois maridos”. Observa-se assim que na publicidade Dona Flor é representada pela marca Ceramidas e os dois produtos pelo xampu e pelo condicionador. Uma matéria da revista “Isto É” intitulada: “E o vento levou” sobre produtos para cabelo é o título de uma obra de Margaret Mitchell. Essa matéria mostra como os produtos mencionados deixam os cabelos leves e soltos. - Exemplo de verso: O título de uma reportagem: “Infinito, mas enquanto durou” se referindo ao verso de Vinícius de Moraes “que seja infinito enquanto dure” que, por sua vez, faz alusão ao pensamento de Sofocleto: “O amor é eterno enquanto dura”.

Musical: quando a letra de uma música se reporta a outra letra já existente. Num trecho do rap

me cansei de lero-lero / dá licença mas eu

“Sem saúde”, de Gabriel O Pensador, o compositor diz: “ ”

vou sair do sério

mencionando uma das músicas de Rita Lee.

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Com base em tudo o que vimos a respeito de intertextualidade, podemos destacar a importância do conhecimento de mundo e como esse fator interfere no nível de compreensão do texto. Pois, embora o aluno-leitor não identifique o intertexto, vai entendê-lo. Mas ao relacionar um texto com outro, compreenderá o texto lido na sua profundidade e por consequência será capaz de refletir sobre o recurso adotado pelo autor para quando for compor textos. Dessa forma, na aula de Português, por exemplo, o aluno compreenderá que a intertextualidade é um das estratégias utilizadas para a construção de um texto. No caso específico da publicidade, quando utiliza a intertextualidade é uma forma diferente de persuasão cuja intenção é de levar o leitor a consumir um produto e de também difundir a cultura. A intertextualidade deve fazer parte do planejamento de texto daquele que escreve, pois, afinal, é a cultura do país e do mundo que estão em movimento. Cabe a ele, então, reconhecer intertextos e a redigir utilizando também esse recurso.

EXERCÍCIOS

Leia este anúncio:

também esse recurso. EXERCÍCIOS Leia este anúncio: 1. Que tipo de linguagem é utilizado na construção

1.Que tipo de linguagem é utilizado na construção do texto: a verbal, a visual ou ambas?

2.Leia apenas a frase situada na parte inferior do anúncio. Qual é o seu sentido?

3.Observe a figura central do anuncio: a roupa,

os cabelos, o meio-sorriso da pessoa fotografada

e o cenário de fundo. Por esse conjunto de elementos, notamos que não se trata de um anúncio comum, pois há nele a voz de outro texto bastante conhecido. Que texto é esse?

4.Ao lançar mão desta intertextualidade, o anunciante pode correr alguns riscos, pois o leitor pode não conhecer a obra de Leonardo da Vinci.

a) Levando em conta que o produto anunciado é um amaciante de roupas (portanto algo refinado, que

nem todos utilizam) e que o anúncio foi publicado numa revista de público predominantemente

feminino e de classe média, é provável que a maior parte dos leitores perceba o recurso de intertextualidade empregado ou não? Por quê?

b) Quanto aos leitores que não conhecem Da Vinci, eles poderiam, mesmo assim, ser atingidos pelo

apelo do anúncio, de modo que seu objetivo principal – promover o produto – fosse alcançado? Por

quê?

e

compare ao anúncio lido. Levante hipóteses: que vantagens há, para o anunciante, em criar um anúncio com esse tipo de inovação?

(Português: Linguagens–pág.111, 112 e 113)

5.Imagine como seria um anúncio tradicional desse produto (“compre

”,

“use

”,

“experimente

”)

6.Retome os poemas “Canção do exílio”. Observe que quando você redige um texto, você elabora seu pronunciamento sobre uma determinada realidade. Por isso, num texto, você deve fazer uma reflexão pessoal e não repetir “lugares-comuns”. Escreva agora sua canção do exílio mostrando como você vê sua pátria. Seu texto deve ser em verso, mas não precisa ter rima. É importante que nele você arrole imagens que indiquem a concepção que você tem de seu país. Sua produção deve ter um título e, no mínimo, 20 linhas.

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5 O TEXTO E SUAS RELAÇÕES COM A HISTÓRIA

Todos conhecem as aventuras do Super-homem. Ele não é um terráqueo, mas chegou à Terra, ainda criança, numa nave espacial, vindo de Crípton, planeta que estava para ser destruído por uma grande catástrofe. É dotado de poderes sobre-humanos; seus olhos de raio X permitem ver através de quaisquer corpos, a uma distância infinita; sua força é ilimitada, possibilitando-lhe escorar pontes prestes a desabar e levantar transatlânticos; a pressão de suas mãos submete o carbono a temperaturas tão altas que o transforma em diamante; sua apurada audição permite-lhe escutar o que se fala em qualquer ponto. Pode voar a uma velocidade igual à da luz e, quando ultrapassa essa velocidade, atravessa a barreira do tempo e transfere-se para outras épocas; pode perfurar montanhas com o próprio corpo; pode fundir metais com o olhar. Além disso, tem uma série de qualidades: beleza, bondade, humildade. Sua vida é dedicada à causa do bem. O Super-homem vive entre os homens sob a aparência do jornalista Clark Kent, que é um tipo medroso, tímido, pouco inteligente, míope. Clark Kent é apaixonado por Lois Lane (quando os quadrinhos vieram para o Brasil, o nome dela era Miriam Lane, depois passou a ser Lois), sua colega, que, na verdade, ama loucamente o Super-homem. Já vimos que todo texto é um pronunciamento sobre uma dada realidade. Ao fazer esse pronunciamento, o produtor do texto trabalha com as ideias de seu tempo e da sociedade em que vive. Com efeito, as concepções, as ideias, as crenças, os valores não são tirados do nada, mas surgem das condições de existência. As concepções racistas, por exemplo, aparecem numa época em que certos países, necessitando de mão de obra, iniciam a escravização de negros. A ideia de que certas raças são inferiores a outras não é uma maldade dos brancos, mas uma justificativa apaziguadora da consciência dos senhores de escravos. Essas concepções ganham um impulso maior quando os países europeus, precisando de matérias-primas, iniciam o processo de colonização da África e da Ásia. A colonização é, assim justificada por um belo ideal: expandir a civilização. Todo texto assimila as ideias da sociedade e da época em que foi produzido. Neste momento, você poderia estar dizendo que o texto do Super-homem prova exatamente o contrário, pois nada tem ele a ver com a realidade histórica, na qual não existem super-homens. Quando se afirma que os textos se relacionam com a história, não se quer dizer que eles narram fatos históricos de um país, mas que revelam os ideais, as concepções, os anseios e os temores de um povo numa determinada época. Nesse sentido, a narrativa do Super-homem mostra os anseios dos homens das camadas médias das sociedades industrializadas do século XX, massacrados por um trabalho monótono e por uma vida sem qualquer heroísmo. Esse homem, mediocrizado e inferiorizado, nutre a esperança de tornar-se um ser todo-poderoso assim como Clark Kent, que se transforma em Super-homem. As condições de impotência do homem diante das pressões sociais geram um ideal de onipotência refletido na narrativa do Super-homem. Além disso, as concepções de sociedade em que esse texto foi produzido estão presentes na ideia de Bem. Como nota Umberto Eco, famoso autor italiano, um indivíduo dotado dos poderes do Super- homem poderia acabar com a fome, a miséria e as injustiças do mundo. No entanto, ela não faz nada disso. Ao contrário, o bem que pratica é a caridade, e o mal que combate é o atentado à propriedade privada. Lutar contra o mal é assim combater ladrões. Dedica sua vida a isso. Como se vê, as ideias produzidas num determinado tempo, numa dada época estão presentes no texto. Cabe lembrar, no entanto, que uma sociedade não produz uma única forma de ver a realidade. Como ela é dividida pelos interesses antagônicos dos diferentes grupos sociais, produz ideias contrárias entre si. A mesma sociedade que gera as ideias racistas produz ideias antirracistas. Por isso, controem-se nessa sociedade textos que fazem pronunciamentos antagônicos com relação aos mesmos dados da realidade. Há algumas ideias que predominam sobre suas contrárias numa dada época. Elas refletem os interesses dos grupos sociais dominantes. Fazer uma reflexão pessoal é analisar essas ideias de maneira crítica, verificando até que ponto elas têm apoio na realidade. Para entender com mais eficácia o sentido de um texto, é preciso verificar as concepções correntes na época e na sociedade em que foi produzido. Assim, não se corre o risco de considerar, por exemplo, como pronunciamentos idênticos um texto sobre a democracia ateniense e um sobre a democracia nas sociedades capitalistas modernas, que, na verdade, tratam de concepções distintas. As ideias de uma época estão presentes nos significados dos textos. Observe a figura a seguir: quais mudanças discursivas ocorreram ao longo da história?

Autora: Lucivânia A. S. Perico

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18 Cabe lembrar ainda que as ideias de uma época são veiculadas por textos, uma vez

Cabe lembrar ainda que as ideias de uma época são veiculadas por textos, uma vez que não existem ideias puras, ou seja, não transmitidas linguisticamente. Assim, analisar as ideias de um texto é estudar o diálogo entre textos, em que um assimila e registra as ideias presentes nos outros. Vamos fazer agora a análise de dois textos cujo discurso mudou ao longo da história.

A CARTEIRA PROFISSIONAL

(1976)

Por menos que pareça e por mais trabalho que dê ao interessado, a carteira profissional é um documento indispensável à proteção do trabalhador. Elemento de qualificação civil e de habilitação profissional, a carteira representa também título originário para a colocação, para a inscrição sindical e, ainda, um instrumento prático do contrato individual de trabalho. A carteira, pelos lançamentos que recebe, configura a história de uma vida. Quem a examina, logo verá se o portador é um temperamento aquietado ou versátil; se ama a profissão escolhida ou ainda não encontrou a própria vocação; se andou de fábrica em fábrica, como uma abelha, ou permaneceu no mesmo estabelecimento, subindo a escala profissional. Pode ser um padrão de honra. Pode ser uma advertência.

MENSAGEM DO SENHOR MINISTRO

(1988)

Alexandre Marcondes Filho

Criada em 1932, a Carteira de Trabalho e Previdência Social resistiu ao passar dos anos, assimilando com muita presteza as profundas modificações que se registraram, nestas décadas, na composição, distribuição e qualificação da nossa força de trabalho.

Sem nenhum exagero, pode-se afirmar que este documento, por muitos ainda hoje conhecido como “carteira profissional”, converteu-se num dos mais importantes instrumentos à disposição do trabalhador, fazendo as vezes de cédula de identidade, título de crédito, atestado de antecedentes, de boa conduta e de residência, para citar apenas algumas de suas múltiplas utilidades.

Em sua simplicidade, a CTPS reflete a carreira do trabalhador e sua evolução profissional. Cabe- lhe, pois, protegê-la atenta e cuidadosamente, porque enquanto pelos seus aspectos externos essa Carteira revela traços importantes da personalidade e da formação do seu possuidor, os registros internos, habitualmente insubstituíveis, se constituem nas melhores garantias da preservação e da efetivação dos seus direitos trabalhistas e previdenciários.

Almir Pazzianotto Pinto

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Instituída na década de 1930, a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) apresentava uma dupla função, mantida até hoje: além de resguardar os direitos do trabalhador funcionava também como um tipo de condensação das atividades profissionais deste, servindo de alerta aos empregadores:

“Quem a examina, logo verá se o portador é um temperamento aquietado ou versátil; se ama a profissão escolhida ou ainda não encontrou a própria vocação; se andou de fábrica em fábrica, como uma abelha, ou permaneceu no mesmo estabelecimento, subindo a escala profissional. Pode ser um padrão de honra. Pode ser uma advertência.” Atendendo às orientações da CTPS de 1976, um funcionário admitido na LIGHT – nome da

empresa estadual de energia elétrica na época – designado para o setor de pessoal da empresa, recebeu

a seguinte orientação do seu chefe: “Fique atento à carteira profissional do candidato e ao número de

anos que permaneceu em cada empresa; entreviste-o bem próximo, para ver se ele não cheira a cachaça. Conte uma boa piada para fazê-lo rir e avaliar a sua saúde, a partir da qualidade dos seus dentes”. Era esta a postura da empresa diante do trabalhador. O discurso escrito na CTPS foi reformulado e, em 1988, ela passou a ser “atestado de antecedentes, de boa conduta e de residência, para citar apenas algumas de suas múltiplas utilidades”. Permanecia o discurso anterior, agora aprimorado. Atualmente, a CTPS possui nas páginas iniciais quatro itens do Art.XXIII, da Declaração Universal dos Direitos do Homem, absolutamente utópicos para o momento atual: dizendo que “Todo homem tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.” Mas será que isso é verdade? Em seguida, há um trecho do Decreto-Lei nº229, de 28 de fevereiro de 1967, e na sequência um texto dirigido ao trabalhador, que diz assim:

TRABALHADOR

Esta é a sua Carteira de Trabalho e Previdência Social, instituída pelo Decreto nº 22.035, de 29 de outubro de 1932, e posteriormente reformulada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. É o documento obrigatório para o exercício de qualquer emprego, seja de natureza urbana, rural, de caráter temporário, permanente, ou mesmo em atividade profissional exercida por conta própria. Nela são registrados os salários e todos os elementos básicos para o reconhecimento de seus direitos perante a Justiça do Trabalho, bem como para a obtenção da aposentadoria e demais benefícios da Previdência Social, tanto para você como para seus dependentes. Além de registrar todas as relações de trabalho de seu portador, comprovando o vínculo que mantém com o empregador, a CTPS garante-lhe também o direito ao Seguro-Desemprego. Além de valer, também, como prova de identidade, conforme dispõe o artigo 40 da Consolidação das Leis do Trabalho, o conjunto de anotações da CTPS e seu estado de conservação espelham a conduta, a formação e o passado do trabalhador. Pelo conjunto das informações que encerra, serve, ao mesmo tempo, como documento de crédito e atestado de antecedentes, tornando-se instrumento de múltiplas utilidades ao seu portador. Pela sua importância, é seu dever protegê-la e cuidá-la. É o registro de toda a sua vida profissional

e a garantia da preservação e validade de seus direitos como trabalhador e cidadão, contribuindo para assegurar o seu futuro e de seus dependentes.

(sem assinatura)

Observamos a mudança no discurso escrito, porém a CTPS permanece sendo, intrinsicamente, um “atestado” de conduta pessoal e profissional, uma vez que “o conjunto de anotações da CTPS e seu

estado de conservação espelham a conduta, a formação e o passado do trabalhador. Pelo conjunto das informações que encerra, serve, ao mesmo tempo, como documento de crédito e atestado de

ou seja, as palavras mudaram, mas os conceitos não. Ao contrário do discurso

percebido na figura relacionada ao ensino (1969-2009).

antecedentes (

)”,

O artigo a seguir, extraído da revista Língua Portuguesa, dá conta da análise de campanhas publicitárias e sua relação com o contexto e a história.

20

5.1 OS LIMITES DA RETÓRICA DE MERCADO

Polêmica mundial envolvendo campanha de agência brasileira mostra a dificuldade em controlar a interpretação dos consumidores

dificuldade em controlar a interpretação dos consumidores O anúncio Aviões, da WWF, provocou reações indignadas

O anúncio Aviões, da WWF, provocou reações indignadas nos EUA contra a agência DM9DDB: texto insensível

Uma das mais tarimbadas agências do país, com vinte anos de janela, a DM9DDB se meteu num vespeiro, mês passado, com a repercussão mundial de uma campanha publicitária criada para a WWF, organização não governamental dedicada à conservação da natureza. A peça, composta pelo impresso Aviões e pelo filme Tsunami, lança uma centena de aviões contra o World Trade Center. No filme, a cena escurece para dar lugar a letreiros com a premissa retórica que sustenta o anúncio: "O tsunami matou 100 vezes mais pessoas do que o 11 de setembro". Em seguida, o apelo à reflexão: "Nosso planeta é poderoso. Respeite e preserve". Além do erro conceitual (tsunamis são fenômenos geológicos, não relacionados à destruição da natureza pelo homem) e da premissa controversa (o paralelo entre ato terrorista e mudança ambiental), a campanha pôs em xeque um dos pilares da retórica publicitária desde a era dos reclames: a interpretação (programada) das mensagens que veicula. Difícil localizar quem interpretou o anúncio da WWF, conforme o planejado pela DM9, como um alerta à devastação. Nos EUA, ela foi recebida antes como afronta ao sofrimento norte-americano no aniversário de oito anos do atentado. Foi condenada não só pela mídia especializada, como a revista nova-iorquina Advertising Age, mas por programas da rede NBC e pelo tradicional New York Times. Na primeira semana de setembro, o caso virou um jogo de empurra entre a agência e o braço local da ONG. Em nota, a DM9DDB alegou que o anúncio foi "fruto somente da inexperiência" dos profissionais envolvidos "de ambas as partes". Por sua vez, o braço brasileiro do WWF divulgou que a peça havia sido rejeitada. Depois, em nota conjunta, ambos admitiram que o anúncio foi aprovado em dezembro de 2008, "equivocadamente". Nenhum reparo prévio, no entanto, impediu que a peça fosse divulgada à imprensa por release da própria DM9, publicada num jornal de São Paulo antes de ter sua veiculação suspensa, inscrita no festival de Cannes e premiada com um diploma Merit pelo One Show, competição internacional da propaganda, o que deu lenha à repercussão mundial do caso. O prêmio foi cancelado, a pedido da agência, mas o estrago já havia sido potencializado por sites e blogs de todo o mundo. Na era da internet, com blogs bisbilhoteiros e repercussão em escala, de site a site, a possibilidade de interpretação indesejada de mensagens publicitárias tem crescido exponencialmente. No início de setembro, a Unimed Porto Alegre viu um anúncio seu virar alvo de blogs de estudantes e publicitários. A campanha "Cuidar", desenvolvida pela agência Escala desde o início do ano, partia do conceito de que, para uma cooperativa de médicos, não mero plano de saúde, cuidar é tão importante quanto curar. Daí desenvolver a série de anúncios em que letras de palavras, como "trabalho", "respeito" e "amor", fossem substituídas pelo corpo humano. No caso de "cuidar", no entanto, a letra i deu lugar a uma modelo esguia e ereta, o suficiente para que blogueiros a vissem como um muro a separar um verbo de um substantivo indesejado.

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21 A campanha da Unimed-RS, em que uma modelo substitui a letra i, dividindo a palavra

A campanha da Unimed-RS, em que uma modelo substitui a letra i, dividindo a palavra "cuidar" em um verbo e um substantivo indesejado

Fora de contexto

A infeliz coincidência, no entanto, de circulação restrita pois publicada num caderno especial do jornal Zero

Hora em 1º de setembro, para comemorar um prêmio recebido pela empresa, espalhou-se pela blogosfera, mas não teve repercussão negativa junto aos 450 mil usuários da Unimed, garante Eduardo Axelrud, diretor de criação da agência gaúcha.

- Tirada do contexto, a leitura inadvertida é de fato plausível. Mas para o consumidor, a palavra "cuidar" foi

parte de uma sequência de outras palavras que integraram uma campanha de longa duração, que traduz a ideia de que "nossa vida é cuidar da sua", com a qual as pessoas têm familiaridade e entendimento já consolidado ao longo dos anos. Por isso, não teria havido margem a duplo sentido, nem a interpretações escatológicas ou pornográficas - afirma Axelrud. A peça, lida isoladamente, descontextualizada, autorizaria a leitura indesejada. Mas, integrante de um

conjunto de ações de marketing e de propaganda, o tropeço se "contamina" pela lógica interna das outras peças que integram a rede de mensagens de uma campanha. O que reduziria, diz Axelrud, a possibilidade de interpretação dúbia.

- O anúncio não nos constrangeu. Muito pouca gente que o viu deu atenção ao fato porque ele está num

contexto maior de uma campanha que se prolongou no tempo - diz Gerson Luís Silva, gerente de marketing da Unimed Porto Alegre.

Funerária A leitura de duplo sentido, porém, pode ser um efeito proposital de certas campanhas. Maior empresa funerária do Rio de Janeiro, com 10% do mercado carioca, a seguradora Sinaf criou uma tradição de humor negro publicitário. Para promover a empresa, a Comunicação Carioca criou uma campanha em 2003 com slogans de duplo sentido:

"Cremação: uma novidade quentinha da Sinaf." "Nossos clientes nunca voltaram para reclamar." "O seguro de vida que você vai dar graças a Deus. Pessoalmente." "Como planejar a morte da sua sogra." Apesar de produzir mensagens no limite entre a eficiência comunicativa e o mau gosto, o que poderia afugentar os interessados nos serviços da empresa, o tom inusitado dos anúncios subvertia a dificuldade de as pessoas lidarem com a morte. O sucesso da campanha aumentou a procura pelos serviços funerários e facilitou a abordagem dos vendedores da empresa. Passado o impacto inicial, a atual agência da empresa, a Script, atenuou o tom escancarado dos anúncios da seguradora, mas ainda mantém a ironia de antes:

"O melhor plano é viver. Mas vai que dá errado." "Reforme sua casa de olhos fechados." "Se beber, não dirija. Se dirigir, Sinaf." "Um dia você não acorda e está rico." "Sinaf, 25 anos. Incrível chegar onde chegamos perdendo um cliente atrás do outro." Podemos qualificar as campanhas da funerária Sinaf como um humor negro, mas com resultados.

Café com leite

O mais comum, no entanto, é ver mensagens publicitárias que permitem dupla interpretação botarem a perder

todo um esforço comunicativo. A Parmalat lançou em 1998 uma campanha para promover sua marca de café solúvel. A ideia era transferir para o café a bem-sucedida imagem da empresa de laticínios, num casamento que reproduzisse a combinação clássica do café-com-leite. A campanha materializou a combinação numa metáfora

visual, em que brancos e negros formavam casais. A “azeitona da empada”, no entanto, foi a construção do texto, com involuntária invocação racista: "Um café à altura do leite".

- Dizer que o café está à altura do leite é partir da premissa de discriminação ética, de apresentação alegórica

que reforça a crença na superioridade do leite, branco, sobre o café, que se toma por metáfora do negro - entende

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Clóvis de Barros, professor de ética da ECA-USP, da Escola Superior de Propaganda e Marketing, e coordenador do Espaço Ética. Dar orientação argumentativa a uma ideia é um desafio que extrapola o meio publicitário, explica o professor Francisco Platão Savioli, da USP e do sistema Anglo de Ensino.

- Bom texto é o que atinge o resultado programado. Bom escritor não é o que escreve correto, mas o que sabe

escolher para o seu texto os recursos que obedecem à sua intenção. O controle da forma mais funcional para atingir o efeito desejado é um dos ingredientes da construção textual, mas há outros a controlar, como o respeito por crenças e valores do interlocutor, a adequação à competência interpretativa dos leitores etc. - escreveu ele à Língua.

Exemplum

A busca do ouro na criação de certas peças publicitárias passa muitas vezes por inverter expectativas, ser

provocativo e imprevisível, com o que se define o sucesso ou o fracasso de uma comunicação. Controlar o efeito

de suas mensagens virou, por isso, o desafio retórico do mundo da propaganda.

Não por acaso, a publicidade bebe na fonte da retórica antiga. A peça criada pela DM9, por exemplo, usou o manjado recurso persuasivo do exemplum, episódio ou caso exemplar apresentado para ilustrar um ponto forte do debate. A recomposição da mecânica discursiva mostraria que a DM9 tinha a tarefa de criar a imagem da devastação da natureza na mente do público-alvo da WWF. Nada parece mais eficiente para dar dimensão de algo do que compará-lo a exemplo palpável e familiar.

Efeitos sociais Pensemos num primeiro termo de comparação: o que foi devastador e está fresquinho no imaginário popular?

O tsunami, que matou mais de 280 mil pessoas desde 2006. Eureka! Mas o que poderia dar dimensão da

magnitude de tal cifra? Compará-lo a uma outra devastação que tenha tido ainda maior impacto na memória

coletiva, mas saldo de vítimas bem menor. Que tal o World Trade Center? A sacada parecia genial. Até alguém notar que o rei estava nu.

- A publicidade nunca vale por ela mesma mas pelos efeitos que provoca na sociedade. Muito de

suas consequências são produzidas em cadeia para além dos resultados mais imediatos no consumo - diz o

professor Clóvis de Barros Filho.

O mundo da propaganda, diz Barros Filho, provoca efeitos sociais que envolvem três níveis de leitura

esperados num consumidor de mensagens comerciais. O primeiro grande efeito procurado é a conversão da mensagem em práticas de consumo. A segunda leitura desejada é a representação simbólica do anunciante, a referência a que a marca passou a ser associada após dada campanha. Mas os publicitários não raro ignoram uma terceira dimensão da interpretação de anúncios, avalia o professor da USP: o da cultura ética.

Para o professor, uma mensagem publicitária não só pode alterar o ritmo de vendas e consolidar uma imagem que agrada ao anunciante, como tende a participar de uma determinada maneira de interpretar o mundo e atribuir valor às coisas, que permitem escolhas relativas não só ao consumo.

- É possível conceber uma mensagem que se converta em ganho de consumo e, num segundo momento, em

construção positiva da marca, mas se inscreva no mundo social de modo a contribuir para a defesa de valores discriminatórios, xenófobos ou que apequenam a existência humana. Esse cuidado deve ser tomado - diz Barros Filho.

Valores Foi-se a época em que um anúncio demonstrava a capacidade do produto. Um refrigerante mata a sede, um carro nos leva a um lugar, o sapólio limpa mais. Um dia, veio a sacada e o refri passou a espantar os males da vida, uma cervejinha virou afrodisíaco e um singelo sanduíche, sinônimo de realizações. Até fumante virou atleta nos tempos em que anúncios de cigarro eram parte da paisagem.

O mundo sob o prisma da publicidade é sem nódoas ou crises, pois o menor sinal negativo termina anulado

pela exibição triunfal do produto. Quando Coca-Cola dá vida a tudo e o primeiro sutiã resume a puberdade, um

sinal é dado e consumido. Mas sempre algo trai a dimensão retórica, o fato de a mensagem ser feita para nos convencer a comprar um peixe. Casos como o dos cem aviões, do café à altura do leite ou do humor funerário mostram que o ruído ocorre quando a publicidade tenta vender seu peixe a qualquer preço.

Internet estimula sátira a agências e anunciantes Embora recebendo interpretações distintas por parte das pessoas que tiveram contato com seus anúncios, tanto a WWF como a Unimed-RS atribuem a repercussão de suas recentes peças publicitárias ao que consideram

uma terra de ninguém: a internet. Veiculadas uma única vez cada um, em jornais locais, as peças "Aviões" e "Cuidar" se multiplicaram em blogs e no twitter.

O presidente da DDB Brasil, Sérgio Valente, admitiu o impacto da difusão global de tropeços localizados ao

divulgar em setembro um constrangido pedido de desculpas pelos anúncios da campanha "Aviões".

- Essas peças publicitárias, ainda que veiculadas uma única vez em veículos locais, acabaram por gerar consequências globais que mostram que o alcance de uma peça publicitária já não é mais apenas local. Eduardo Axelrude, da agência Etapa, que detém a conta da Unimed-RS, também acusa o golpe on-line.

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- A repercussão de casos assim mostra a capacidade da internet de "viralizar", replicar comentários sob pseudônimo, extrapolando a incidência do caso um a um - diz ele.

A internet virou um celeiro de sátiras a anúncios, para além dos comerciais de mentirinha criados pelo grupo

Desencannes, famoso por inventar paródias publicitárias, como a que simula Ronaldo Fenômeno num anúncio do Santander: "Eu nunca fico no Banco do Brasil".

A divertida iniciativa do Desencannes restringe-se à homenagem paródica. Não é o que foi feito por piratas da

publicidade que criaram, por exemplo, um site de vídeos para a marca GM, como se a própria montadora

apontasse seus produtos como poluidores e recriminasse sua política de distribuição de bônus para executivos. Em outra ação viral, o logotipo do banco Bradesco foi redesenhado para a inserção de aviões colidindo com as torres gêmeas, no 11 de setembro.

O comercial das motos Dafra com o ator Wagner Moura foi redublado para desmentir todas as qualidades que

a peça publicitária original anunciava sobre a marca.

que a peça publicitária original anunciava sobre a marca. Ronaldo na paródia do site Desencannes e

Ronaldo na paródia do site Desencannes e o logotipo do Bradesco premonitório do 11 de setembro: ação viral

(JUNIOR, Luiz Costa Pereira. Os limites da retórica de mercado. Língua Portuguesa. São Paulo, Ano IV, nº 48, p. 46 – 50. Out. 2009)

QUESTIONÁRIO

1. Considerando a campanha publicitária “Aviões”, da WWF, o que provocou reações indignadas nos

EUA contra a agência DM9DDB? Por que o público reagiu assim?

2. Para Eduardo Axelrud, diretor de criação da agência gaúcha Escala, a campanha da Unimed-RS

“não teve repercussão negativa junto aos 450 mil usuários da Unimed”. Por que ele alega isso? Você concorda com ele?

3. Analise o sucesso das campanhas publicitárias da seguradora Sinaf, maior empresa funerária do Rio

de Janeiro, promovido pela agência Comunicação Carioca. Você acredita que a empresa correu o risco

de ser prejudicada pela campanha publicitária? Justifique sua resposta.

4. Comente a fala do professor Francisco Platão Savioli a respeito da construção textual.

5. Estudamos um recurso chamado intertextualidade e a importância de se considerar o conhecimento

prévio do leitor (o seu repertório) sobre o assunto. Qual a intertextualidade estabelecida pelo trecho a

seguir: “A sacada parecia genial. Até alguém notar que o rei estava nu.”?

6. Percebe-se que a Internet tem um importante papel na divulgação das campanhas publicitárias.

Comente-o.

7. O grupo Desencannes ficou famoso por inventar paródias publicitárias, ou seja, comerciais de

mentirinha na Internet, a intenção era uma homenagem paródica. Porém, piratas da publicidade criaram propagandas desagradáveis. Quais foram estas propagandas e que prejuízos você acredita que possam trazer para as empresas citadas?

você acredita que possam trazer para as empresas citadas? Para a próxima aula, trazer dicionário. Autora:

Para a próxima aula, trazer dicionário.

Autora: Lucivânia A. S. Perico

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6 RESUMO

Resumo é uma condensação fiel das ideias ou dos fatos contidos no texto. Resumir um texto significa reduzi-lo ao seu esqueleto essencial sem perder de vista três elementos:

a) cada uma das partes essenciais do texto;

b) a progressão em que elas se sucedem;

c) a correlação que o texto estabelece entre cada uma dessas partes.

O resumo é, pois, uma redução do texto original, procurando captar suas ideias essenciais, na progressão e no encadeamento em que aparecem no texto. Quem resume deve exprimir, em estilo objetivo, os elementos essenciais do texto. Por isso não cabem, num resumo, comentários ou julgamentos ao que está sendo condensado. Muitas pessoas julgam que resumir é reproduzir frases ou partes de frases do texto original, construindo uma espécie de "colagem". Essa "colagem" de fragmentos do texto original não é um resumo. Resumir é apresentar, com as próprias palavras, os pontos relevantes de um texto. A reprodução de frases do texto, em geral, atesta que ele não foi compreendido. Para elaborar um bom resumo, é necessário compreender antes o conteúdo global do texto. Não é possível ir resumindo à medida que se vai fazendo a primeira leitura. É evidente que o grau de dificuldade para resumir um texto depende basicamente de dois fatores:

a) da complexidade do próprio texto (seu vocabulário, sua estruturação sintético-semântica, suas relações lógicas, o tipo de assunto tratado etc.);

b) da competência do leitor (seu grau de amadurecimento intelectual, o repertório de informações que

possui, a familiaridade com os temas explorados).

Alguns procedimentos para diminuir as dificuldades de elaboração do resumo:

1. Ler uma vez o texto, ininterruptamente, do começo até o fim: sem a noção do conjunto, é mais

difícil entender o significado preciso de cada uma das partes. Essa primeira leitura deve ser feita com a preocupação de responder à seguinte pergunta: do que trata o texto?

2. Uma segunda leitura é sempre necessária. Mas esta, com interrupções, com o lápis na mão, para

compreender melhor o significado de palavras difíceis (se preciso, recorra ao dicionário) e para captar

o sentido de frases mais complexas (longas, com inversões, com elementos ocultos), bem como as conexões entre elas.

3. Num terceiro momento, tentar fazer uma segmentação do texto em blocos de ideias que tenham

alguma unidade de significação. Em um texto pequeno, normalmente pode-se adotar como critério de segmentação a divisão em parágrafos. Quando se trata de um texto maior (o capítulo de um livro, por exemplo) é conveniente adotar um critério de segmentação mais funcional, o que vai depender de cada texto. Em seguida, com palavras abstratas e mais abrangentes, tenta-se resumir a ideia ou as ideias centrais de cada fragmento.

4. Dar a redação final com suas palavras, procurando não só condensar os segmentos mas encadeá-los

na progressão em que se sucedem no texto e estabelecer as relações entre eles.

(SAVIOLI, F.P. & FIORIN, J.L. Para entender o texto: leitura e redação. 17ª ed. São Paulo: Ática, 2007 – pág. 420 e 421)

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Exemplo:

A Receita Federal brasileira vai iniciar um processo de integração com o fisco dos demais países do

Mercosul (Argentina, Uruguai e Paraguai) para combater as fraudes fiscais que estão ocorrendo nas operações comerciais feitas entre empresas do bloco econômico. Com a globalização, os chamados "preços de transferência" se transformaram no principal alvo das administrações tributárias dos países filiados ao Centro Interamericano de Administradores Tributários (CIAT). Por esse mecanismo, as empresas conseguem fraudar o fisco realizando operações de compra e venda com preços que não correspondem ao valor real dos produtos ou serviços negociados. Em todos os casos, é sempre necessário utilizar um paraíso fiscal - país que apresenta vantagens e isenções tributárias. No caso de uma exportação, a empresa vende seu produto por um preço muito baixo, o que caracteriza uma operação não-lucrativa (portanto, sem incidência de Imposto de Renda). A venda é intermediada por uma empresa localizada em um paraíso fiscal, que recoloca o preço em seu patamar real e conclui a venda ao comprador. O lucro realizado por essa empresa retorna ao exportador sem ônus fiscal. Na importação, a operação é inversa. O produto é comprado a um preço elevado, reajustado em um paraíso fiscal antes de chegar ao seu destino. O importador alega prejuízo na operação e escapa ao fisco. "A globalização, que agilizou e sofisticou os negócios entre as empresas, criou modernas doenças fiscais. Temos que combatê-las", disse o Secretário da Receita Federal do Brasil, Everardo Maciel, à Folha. Apenas um trabalho conjunto entre os diversos países do Mercosul poderá extinguir ou, pelo menos, neutralizar as fraudes fiscais internacionais.

Resumo

(Folha de S. Paulo - 18.5.97, com adaptações)

A globalização da economia, embora tenha agilizado e sofisticado os negócios entre as empresas,

também criou algumas "doenças", como fraudes fiscais que estão ocorrendo nas operações comerciais entre empresas do Mercosul. Assim, o Brasil e os países do Mercosul devem trabalhar em conjunto a

fim de extinguir, ou ao menos neutralizar, essas fraudes fiscais internacionais.

ao menos neutralizar, essas fraudes fiscais internacionais. ATIVIDADE 1º Retome o artigo “Os limites da retórica

ATIVIDADE

Retome o artigo “Os limites da retórica de mercado”, extraído da revista Língua Portuguesa.

fizemos anteriormente uma primeira leitura ininterrupta, agora é importante fazer uma segunda

leitura e destacar as palavras que você desconhece; logo após, procurar o seu significado no

dicionário;

3º Na terceira leitura, grife em cada parágrafo a ideia central (tópico frasal);

4º Por fim, escreva o resumo, com suas próprias palavras, utilizando o menor número de linhas possível.

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7 RESENHA

Resenhar significa fazer uma relação das propriedades de um objeto, enumerar cuidadosamente seus aspectos relevantes, descrever as circunstâncias que o envolvem. O objeto resenhado pode ser um acontecimento qualquer da realidade (um jogo de futebol, uma comemoração solene, uma feira de livros) ou textos e obras culturais (um romance, uma peça de teatro, um filme).

A resenha, como qualquer modalidade de discurso descritivo, nunca pode ser completa e exaustiva,

já que são infinitas as propriedades e circunstâncias que envolvem o objeto descrito. O resenhador deve proceder seletivamente, filtrando apenas os aspectos pertinentes do objeto, isto é, apenas aquilo que é funcional em vista de uma intenção previamente definida. Imaginemos duas resenhas distintas sobre o mesmo objeto, o treinamento dos atletas para uma copa mundial de futebol: uma resenha destina-se aos leitores de uma coluna esportiva de um jornal; outra, ao departamento médico que integra a comissão de treinamento. O jornalista, na sua resenha, vai relatar que um certo atleta marcou, durante o treino, um gol olímpico, fez duas coloridas jogadas de calcanhar, encantou a plateia presente e deu vários autógrafos. Esses dados, na resenha destinada ao departamento médico, são simplesmente desprezíveis. Com efeito, a importância do que se vai relatar numa resenha depende da finalidade a que ela se presta. Numa resenha de livros para o grande público leitor de jornal, não tem o menor sentido descrever com pormenores os custos de cada etapa de produção do livro, o percentual de direito autoral que caberá ao escritor e coisas do tipo. A resenha pode ser puramente descritiva, isto é, sem nenhum julgamento ou apreciação do resenhador, ou crítica, pontuada de apreciações, notas e correlações estabelecidas pelo juízo crítico de quem a elaborou.

A resenha descritiva consta de:

a) uma parte descritiva em que se dão informações sobre o texto:

- nome do autor (ou dos autores);

- título completo e exato da obra (ou do artigo);

- nome da editora e, se for o caso, da coleção de que faz parte a obra;

- lugar e data da publicação;

- número de volumes e páginas.

Pode-se fazer, nesta parte, uma descrição sumária da estrutura da obra (divisão em capítulos, assunto dos capítulos, índices, etc.). No caso de uma obra estrangeira, é útil informar também a língua da versão original e o nome do tradutor (se tratar de tradução).

b) uma parte com o resumo do conteúdo da obra:

- indicação sucinta do assunto global da obra (assunto tratado) e do ponto de vista adotado pelo autor (perspectiva teórica, gênero, método, tom, etc.);

- resumo que apresenta os pontos essenciais do texto e seu plano geral.

Na

resenha

crítica,

além

dos

elementos

mencionados,

entram

também

comentários

e

julgamentos do resenhador sobre as ideias do autor, o valor da obra, etc.

Para melhor compreensão da estrutura da resenha, observe a resenha abaixo:

MEMÓRIA - ricas lembranças de um precioso modo de vida

O Diário de uma garota (Record, Maria Julieta Drummond de Andrade) é um texto que comove de

tão bonito. Nele o leitor encontra o registro amoroso e miúdo dos pequenos nadas que preencheram os dias de uma adolescente em férias, no verão antigo de 41 para 42. Acabados os exames, Maria Julieta começa seu diário, anotado em um caderno de capa dura que ela ganha já usado até a página 49. É a partir daí que o espaço é todo da menina, que se propõe a registrar nele os principais acontecimentos destas férias para mais tarde recordar coisas já esquecidas.

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O resultado final dá conta plena do recado e ultrapassa em muito a proclamada modéstia do texto

que, ao ser concebido, tinha como destinatária única a mãe da autora, a quem o caderno deveria ser entregue quando acabado.

E quais foram os afazeres de Maria Julieta naquele longínquo verão? Foram muitos, pontilhados de

muita comilança e de muita leitura: cinema, doce-de-leite, novena, o Tico-Tico, doce-de-banana, teatrinho, visita, picolés, missa, rosca, cinema de novo, sapatos novos de camurça branca, o Cruzeiro, bem-casados, romances franceses, comunhão, recorte de gravuras, Fon-Fon, espiar casamentos, bolinho de legumes, festas de aniversário, Missa do galo, carta para a família, dor-de-barriga, desenho

Tudo parecia pouco para encher os dias de uma garota carioca em

férias mineiras, das quais regressa sozinha, de avião. Tantas e tão preciosas evocações resgatam do esquecimento um modo de vida que é hoje apenas um dolorido retrato na parede. Retrato, entretanto, que, graças à arte de Julieta, escapa da moldura, ganha movimentos, cheiros, risos e vida.

O livro, no entanto, guarda ainda outras riquezas: por exemplo, o tom autêntico de sua linguagem,

que, se, como prometeu sua autora, evita as pompas, guarda, não obstante, o sotaque antigo do tempo em que os adolescentes que faziam diários dominavam os pronomes cujo / a / os / as, conheciam a impessoalidade do verbo haver no sentido de existir e empregavam, sem pestanejar, o mais-que- perfeito do indicativo quando de direito Outra e não menor riqueza do livro é o acerto de seu projeto gráfico, aos cuidados de Raquel Braga. Aproveitando para ilustração recortes que Maria Julieta pregava em seu diário e reproduzindo na capa do livro a capa marmorizada do caderno, com sua lombada e cantoneiras imitando couro, o resultado é um trabalho em que forma e conteúdo se casam tão bem casados que este Diário de uma garota acaba constituindo uma grande festa para seus leitores.

Marisa Lajolo - Jornal da Tarde, 18 jan. 1986.

de aquarela, mingau, indigestão

O texto é uma resenha crítica, pois nele a resenhadora apresenta um breve resumo da obra, mas

também faz uma apreciação do seu valor (exemplo, 1º período do 1º parágrafo, 3º parágrafo). Ao comentar a linguagem do livro (6º parágrafo), emite um juízo de valor sobre ela, estabelecendo um paralelo entre os adolescentes da década de 40 e os de hoje do ponto de vista da capacidade de se expressar por escrito. No último parágrafo comenta o projeto gráfico da obra e faz uma apreciação a respeito dele. No resumo da obra, a resenhadora faz uma indicação sucinta do conteúdo global da obra ("registro amoroso e miúdo dos pequenos nadas que preencheram os dias de uma adolescente em férias, no verão antigo de 41 para 42"), mostra o gênero utilizado pela autora (diário) e, depois, relata os pontos essenciais do livro (um rol dos pequenos acontecimentos da vida da adolescente em férias). A parte descritiva é reduzida ao mínimo indispensável. Apenas o título completo da obra, a editora e o nome da autora são indicados. Estamos diante de uma resenha muito bem-feita, pois se atém apenas aos elementos pertinentes para a finalidade a que se destina: informar o público leitor sobre a existência e as qualificações do livro.

(SAVIOLI, F.P. & FIORIN, J.L. Para entender o texto: leitura e redação. 17ª ed. São Paulo: Ática, 2007 – pág. 426 a 429)

7.1 DIFERENCIANDO: RESUMO X RESENHA

Leia o texto abaixo:

Durante toda sua carreira como psicólogo, Maslow interessou-se profundamente pelo estudo do crescimento e desenvolvimento pessoais e pelo estudo da psicologia como um instrumento de promoção do bem-estar social e psicológico. Insistiu que uma teoria da personalidade precisa e viável deveria incluir não somente as profundezas, mas também os pontos que cada indivíduo é capaz de atingir. Maslow é um dos fundadores da teoria humanista. Forneceu considerável incentivo teórico e prático para os fundamentos de uma alternativa para o behaviorismo e a psicanálise, correntes estas que tendem a ignorar ou deixar de explicar a criatividade, o amor, o altruísmo e os grandes feitos culturais, sociais e individuais da humanidade. Maslow estava principalmente interessado em explorar novas saídas, novos campos. Seu trabalho é mais uma coleção de pensamentos, opiniões e hipóteses do que um sistema teórico plenamente desenvolvido. Sua abordagem em psicologia pode ser resumida pela frase de introdução de seu livro mais influente, Introdução é psicologia do ser. (Fadiman, James et alii 1986:280).

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"Está surgindo agora no horizonte uma nova concepção da doença humana e saúde humana, psicologia que acho tão emocionante e tão cheia de maravilhosas possibilidades que cedi à tentação de apresentá-la publicamente mesmo antes de ser verificada e confirmada e antes de poder ser denominada conhecimento científico idôneo." (Maslow, 1968, 27) Agora, observe que o resumo e a resenha são textos diferentes na sua estrutura:

RESUMO Maslow sempre se interessou pelo estudo do crescimento e desenvolvimento pessoais e pelo uso da psicologia como um instrumento de promoção do bem-estar social e psicológico. Forneceu incentivo para os fundamentos de uma alternativa para o behaviorismo e a psicanálise, correntes estas que deixam de explicar a criatividade, o amor, o altruísmo e os outros grandes feitos culturais da humanidade. É um dos fundadores da teoria humanista.

RESENHA

Obra: Teorias da personalidade. Autor: Fadiman, James et alii in Cap.9 Abraham Maslow e a Psicologia da Auto-Atualização, p. 260 SP Harbra, 1986, 7 e 8.

Trata-se de um capítulo que interessa a todos os estudantes que desejam conhecer desde os dados biográficos do autor, como a sua metodologia fundada no humanismo e no crédito de que o ser humano não é tão mau como se pensa. Demonstra interesse pela antropologia social, interessando-se pelo trabalho dos antropólogos sociais, tais como Malinowsky, Mead, Benedict e Linton. Interessou-se pela gestalt e pela teoria e conceitos de auto-atualização. Lidando com questões ligadas a valores, amor de deficiência e do ser, bem como a psicologia transpessoal, afirma que " Sem o transcendente e o transpessoal, ficamos doentes, violentos e niilistas ou então vazios de esperança e apáticos." (Maslow, 1968:12)

(BARROS, A. J. da Silveira & LEHFELD, N. A. de Souza. Fundamentos de metodologia científica. SP. MAKRON. 2000)

REDAÇÃO

de metodologia científica. SP. MAKRON. 2000) REDAÇÃO Elabore uma resenha crítica do primeiro livro lido por

Elabore uma resenha crítica do primeiro livro lido por nós neste semestre. Seu texto deve ter no mínimo 25 linhas, escrito no padrão culto da língua. Não esqueça do título.

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8 FILME “TEMPOS MODERNOS”

29 8 FILME “TEMPOS MODERNOS” “Tempos Modernos” é o último filme mudo de Chaplin, que focaliza
29 8 FILME “TEMPOS MODERNOS” “Tempos Modernos” é o último filme mudo de Chaplin, que focaliza
29 8 FILME “TEMPOS MODERNOS” “Tempos Modernos” é o último filme mudo de Chaplin, que focaliza
29 8 FILME “TEMPOS MODERNOS” “Tempos Modernos” é o último filme mudo de Chaplin, que focaliza
29 8 FILME “TEMPOS MODERNOS” “Tempos Modernos” é o último filme mudo de Chaplin, que focaliza

“Tempos Modernos” é o último filme mudo de Chaplin, que focaliza a vida urbana nos Estados Unidos nos anos 30, imediatamente após a crise de 1929, quando a depressão atingiu toda sociedade norte-americana, levando grande parte da população ao desemprego e à fome. A figura central do filme é Carlitos, o personagem clássico de Chaplin, que ao conseguir emprego numa grande indústria, transforma-se em líder grevista conhecendo uma jovem, por quem se apaixona. O filme focaliza a vida na sociedade industrial caracterizada pela produção com base no sistema de linha de montagem e especialização do trabalho. É uma crítica à "modernidade" e ao capitalismo representado pelo modelo de industrialização, no qual o operário é engolido pelo poder do capital e perseguido por suas idéias "subversivas". Em sua segunda parte, o filme trata das desigualdades entre a vida dos pobres e das camadas mais abastadas, sem representar contudo, diferenças nas perspectivas de vida de cada grupo. Mostra ainda que a mesma sociedade capitalista, que explora o proletariado, alimenta todo o conforto e diversão para a burguesia. Cenas como a que Carlitos e a menina órfã conversam no jardim de uma casa, ou aquela em que Carlitos e sua namorada encontram-se numa loja de departamento, ilustram bem essas questões. Se inicialmente o lançamento do filme chegou a dar prejuízo, mais tarde tornou-se um clássico na história do cinema. Chegou a ser proibido na Alemanha de Hilter e na Itália de Mussolini por ser considerado "socialista". Juntamente com O Garoto e O Grande Ditador, Tempos Modernos está entre os filmes mais conhecidos do ator e diretor Charles Chaplin, sendo considerado um marco na história do cinema.

(Disponível em http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=181 , consultado em 11 ago 2011)

ATIVIDADE

Reúna-se com seu grupo para debater e responder às seguintes questões, baseando-se nas cenas do filme “Tempos Modernos”:

1. Quais as três questões abordadas no filme?

2. Como o funcionário é tratado na fábrica?

3. Ele tem consciência sobre o que está produzindo?

4. Qual a posição do patrão (presidente da fábrica) em relação aos funcionários?

5. Quando Carlitos fica louco e acaba entrando nas engrenagens da fábrica, o que isso representa?

6. Quais são as características da tecnologia (máquinas, ferramentas) utilizadas?

7. Quem decide a maneira (e o tempo) como o trabalho é realizado?

8. Quais questões trabalhistas e sociais mostradas no filme estão presentes na nossa realidade atual?

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9 REDAÇÃO TÉCNICA E COMERCIAL

O que é redação técnica?

Primeiramente, vejamos esses dois termos separadamente:

Redação é o ato de redigir, ou seja, de escrever, de exprimir pensamentos e ideias através da escrita. Técnica é o conjunto de métodos para execução de um trabalho, a fim de se obter um resultado. Logo, para que você escreva uma redação técnica é necessário que certos processos sejam seguidos, como o tipo de linguagem, a estrutura do texto, o espaçamento, a forma de iniciar e finalizar o texto, dentre outros.

Desta forma, a necessidade de certa habilidade e de se ter os conhecimentos prévios para se fazer uma redação técnica é imprescindível!

A redação técnica engloba textos como: ata, circular, certificado, contrato, memorando, parecer, procuração, recibo, relatório, currículo. Veremos cada um deles na aula de hoje. Mas antes de chegarmos ao ponto, vamos refletir sobre o que é a correspondência.

Correspondência é um ato que se evidencia pelo traço de informações e se caracteriza pela emissão e recepção de mensagens. É um meio de comunicação escrita entre pessoas. É o ato ou estado de corresponder, adaptar, relatar. É uma comunicação efetiva por meio de papéis, cartas ou documentos. Por ampliação de sentido, passou a designar todo o conjunto de instrumentos de comunicação escrita: bilhetes, cartas, circulares, memorandos, ofícios, requerimentos etc.

A redação de textos administrativos inclui a necessidade de dinamizar o texto (por isso, o uso

de verbos próprios, substituindo expressões com verbo auxiliar, exemplo: “foi feito um levantamento” pode ser substituído por “realizou-se um levantamento”), evitar palavras desnecessárias, ampliar o vocabulário, optar pelo simples em lugar do complexo, utilizar frase curta, usar vocabulários conhecidos pelo receptor, aproximar-se da coloquialidade sem desrespeitar a gramática, procurar a inteligibilidade do texto.

São exigências modernas a objetividade e a rapidez na exposição do pensamento. Por isso, mais do que nunca, é preciso buscar clareza de pensamento, expressão objetiva de ideias, vocabulário exato. A linguagem utilizada nas relações comerciais exige o conhecimento de certas fórmulas e praxes em que se deve exercitar o redator comercial. Observem-se sempre as qualidades da redação como: exatidão, coerência de ideias, clareza e concisão.

9.1 CURRÍCULO

Quando uma pessoa precisa comprar algum produto, ela vai ao mercado. Quando uma pessoa

precisa vender seu trabalho ou uma empresa precisa encontrar um profissional para atender às suas necessidades, recorre ao mercado de trabalho. Isso quer dizer que, quando um candidato envia um currículo para o mercado de trabalho, ele se expõe como se fosse um produto de uma vitrine.

O currículo é a forma abreviada e aportuguesada da expressão latina “curriculum vitae”, e

significa “carreira de vida”. É um documento em que uma pessoa revela sua formação, trajetória profissional e aspectos da personalidade. Por isso, são necessários cuidados éticos na sua elaboração, a fim de vender a imagem do profissional competente que você é. O objetivo do currículo é atrair a atenção do selecionador para que você seja chamado para uma entrevista. Um dos desafios do currículo é saber comunicar com poucas palavras o máximo de informações. Portanto, é importante usar palavras que agreguem valor. Geralmente o currículo é composto pelos seguintes itens: dados pessoais, objetivo, qualificações ou resumo profissional, experiência ou histórico profissional, formação, formação complementar e outras informações relevantes. Vamos explicar cada um desses componentes.

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Em dados pessoais, os itens mais importantes são: nome, endereço, números de telefone convencional e/ou celular, endereço eletrônico, nacionalidade, estado civil e idade e/ou data de nascimento.

É importante você mencionar o objetivo, isto é, o cargo ou a área em que quer trabalhar. Na

parte de qualificações ou resumo profissional é importante fazer um resumo das informações mais importantes nas atividades exercidas e também nas almejadas; podem ser citados: experiência, conhecimentos, formação e aspectos da personalidade. No item destinado à experiência ou histórico profissional, deve-se citar o nome da empresa, período de admissão e demissão, cargos assumidos, breve sumário das principais atribuições ou resultados e conquistas em decorrência das atividades. Se você decidir pelo currículo cronológico- funcional, não se esqueça de que as datas devem estar dispostas em ordem decrescente. Em relação à formação, mencionam-se os cursos técnicos e/ou universitários, incluindo nome da instituição de ensino e ano de conclusão. Na parte de formação complementar, relacionam-se os cursos de idioma, extensão ou especialização relevantes para a formação ou complementação profissional e cultural. Outras informações relevantes são aquelas que possam representar importante diferencial do candidato e que não foram citadas em nenhum dos itens anteriores, como trabalho voluntário, participação em associações, viagens internacionais que tenham contribuído na evolução da carreira profissional. Juntamente com o currículo, é interessante enviar a carta de intenção ou carta de apresentação, que é um documento em que o candidato pode declarar sua intenção em relação ao cargo pretendido e/ou complementar alguma informação importante que não teve espaço de ser mencionada no currículo. Redigi-los adequadamente poderá ser um diferencial. Quais itens o currículo deve conter?

1. Nome completo (sem abreviações);

2. Estado civil, nacionalidade e idade (data de nascimento), se tiver filhos, informar quantos;

3. Endereço completo (incluindo o CEP);

4. Telefones para contato e endereço de e-mail;

5. Objetivo (informar apenas um ou especificar em que área deseja atuar);

6. Qualificações (características comportamentais e conhecimentos que permitam a você ocupar

o cargo pretendido);

7. Formação (constando nome do curso, nome da instituição, previsão de término (mês/ano) ou informar quando concluiu. Não informar o Ensino Fundamental.);

8. Experiência Profissional (da mais recente para a anterior): informar a razão social da empresa,

o cargo ocupado (conforme registro na CTPS), ano de ingresso e ano de saída (ou “atual”,

caso não tenha se desligado da empresa), se quiser, pode informar brevemente as atividades desenvolvidas (Atenção: se não tiver experiência, não cite este item no currículo);

9. Cursos Extracurriculares (sempre do mais recente para o mais antigo, não esqueça de informar

o nome do curso, o nome da instituição, a carga horária (quantidade de horas (ou meses) total),

a previsão de término (mês/ano) ou informar quando concluiu o curso (mês/ano))

10. Outras informações (experiências vivenciadas por você, viagens, trabalho voluntário etc.)

Proposta 1 – CURRÍCULO

Após orientações sobre elaboração de currículo, redija o seu, encaminhando-o à vaga de seu interesse.

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9.2 CARTA COMERCIAL

Entre os documentos abarcados pela correspondência, destaca-se a carta comercial.

pela correspondência, destaca-se a carta comercial. Os elementos de uma carta comercial são: timbre, índice e

Os elementos de uma carta comercial são: timbre, índice e número, local e data, referência, vocativo, texto, cumprimento final, assinatura, anexo iniciais do redator e do digitador (secretária, datilógrafo), cópia.

Veja o exemplo a seguir:

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33 TIMBRE ÍNDICE E NÚMERO LOCAL E DATA REFERÊNCIA VOCATIVO TEXTO CUMPRIMENTO FINAL ASSINATURA ANEXO

TIMBRE

ÍNDICE E NÚMERO

LOCAL E DATA

REFERÊNCIA

VOCATIVO

TEXTO

CUMPRIMENTO FINAL

ASSINATURA

ANEXO

INICIAIS DO REDATOR E DATILÓGRAFO

CÓPIA

Atualmente, o que podemos notar, é que cada vez mais a carta vem sendo substituída pelo e- mail. Portanto, podemos considerar que a mensagem eletrônica passou a ser adotada também como uma redação oficial.

Proposta 2 – CARTA COMERCIAL

Suponha que você trabalha na empresa Eletron S.A., especializada em artigos eletrônicos. Foi solicitado a você que redigisse uma carga à empresa À Jato Ltda.(responsável pelos serviços de entrega prestados a sua empresa) agradecendo pelos serviços prestados. Espera-se que você utilize linguagem formal e os elementos: local e data, nome da empresa (ou pessoa) a quem a carta se destina, desenvolvimento do assunto, fecho e assinatura do remetente.

9.3 MENSAGEM ELETRÔNICA (e-mail)

A mensagem eletrônica é como outra qualquer mensagem escrita. Requer os mesmos cuidados de clareza, simplicidade, coerência, coesão entre as ideias, precisão. Ao redigir um e-mail, o redator ocupa-se em dar resposta aos seguintes elementos: o que (o objeto do texto, da comunicação), para quem (quem receberá a mensagem), para que (objetivo da comunicação), quando ocorreu o fato, ou

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a data em que deve ficar pronto um produto, por exemplo, como o leitor deve proceder, como foram realizados os trabalhos, por exemplo, e por que se está comunicado, por que ocorreu determinado fato, por exemplo.

Além desse cuidado com a precisão da informação, o redator deve considerar aspectos relativos à persuasão: com gentileza poderá alcançar melhores resultados do que com rispidez. Assim, nunca é demais um por favor, por gentileza, queira por gentileza, muito obrigado, obrigado por sua

atenção, desculpe-nos por

A preocupação em escrever abreviadamente nos e-mails não se justifica, e deve ser evitada.

Muitas pessoas que escrevem e-mail acreditam que o efeito de sua mensagem está no número de abreviaturas que utiliza (vc = você; rs = risos; bjs = beijos; msg = mensagem; p.s. = pós-escrito, pq = porque; tb ou tbm = também). A tela está toda à frente do redator. Não deve, porém, escrever 30 linhas se a mensagem suficiente comporta apenas 3 para que as ideias fiquem claras. Ao final do texto, é recomendável colocar o nome e sobrenome, para que o interlocutor possa identificar quem escreveu o e-mail.

queira por gentileza desculpar

Proposta 3 – E-MAIL

Imagine que você, sem perceber, comprou um produto defeituoso. Elabore um e-mail queixando-se ao fabricante e requerendo a substituição do produto. É importante fornecer todas as informações sobre o produto (local onde comprou, quando comprou, modelo do produto, defeito apresentado, etc.). A linguagem deve ser formal. Lembre-se de empregar corretamente os pronomes de tratamento e bons argumentos para conseguir convencer o seu interlocutor. Seu texto deve ter, no mínimo, 15 linhas.

9.4 RELATÓRIO

O relatório é um documento em que são registrados os resultados de uma experiência, de um

procedimento ou de uma ocorrência. Pode ser mais simples ou mais complexo, dependendo do que vai

ser registrado ou da sua intenção. A linguagem é clara, objetiva e concisa e, em geral, segue os padrões da norma culta. O relatório pode ser usado em ambientes de estudo e também de trabalho. Um relatório pode apresentar as seguintes partes:

- Título: objetivo e sintético

- Remetente / Destinatário

- Objetivo: introdução ao tema, ao objetivo do trabalho

- Referências (obras, sites, fontes consultadas)

- Texto principal: desenvolvimento do relatório

- Conclusões: resumo, resultados, constatações

- Assinatura Veja o exemplo abaixo:

Reprodução Assexuada

De: Grupo 5 Para: Professora de Química Objetivo: Registro de experiência para comprovação de reprodução assexuada Referências: CANTO, Eduardo Leite de. Ciências Naturais – aprendendo com o cotidiano. São Paulo: Moderna, 1999. Experimento:

1º Em 24 de abril de 2011, selecionamos uma batata com várias gemas. 2º Cortamos pedaços dessa batata, com uma gema em cada um deles, e os enterramos separadamente em terra fértil e regada. 3º Após algumas semanas, um pé de batata desenvolveu-se a partir de cada pedaço plantado. Conclusão: Constatamos a reprodução assexuada caracterizada por divisões celulares a partir de um único “indivíduo” e pela formação de descendentes geneticamente idênticos àquele que os originou.

Grupo 5

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Proposta 4 – RELATÓRIO

Examine a sua sala de aula e verifique se há consertos a serem realizados ou a necessidade de alguma reforma. Elabore um relatório, com no mínimo 25 linhas, registrando os resultados da inspeção. Justifique com explicações a requisição de conserto ou sugestão de reforma. Lembre-se de seguir a norma culta e criar um título. Observe o modelo acima.

9.5 ATA

A Ata é um registro em que se relata pormenorizadamente o que se passou em uma reunião, assembleia ou convenção. Uma de suas características é que a ata deve ser assinada pelos participantes da reunião em alguns casos (conforme estatuto da empresa), pelo presidente ou secretário, sempre. Logo após, a ata deve ser lavrada.

ou secretário, sempre. Logo após, a ata deve ser lavrada. Proposta 5 – ATA DE REUNIÃO

Proposta 5 – ATA DE REUNIÃO

Reúna-se com alguns colegas para redigir uma ata de reunião. Imaginem que vocês trabalham em uma empresa que tem grande número de acidentes causados pelas péssimas condições de trabalho e pela falta de uso dos equipamentos de proteção individual (EPI) por parte dos funcionários. Redija uma ata informando os problemas apresentados e as medidas adotadas para mudar a postura da empresa, conscientizar os funcionários e solucionar a situação.

9.6 REQUERIMENTO

Antes de nos inteirarmos mais do assunto em questão, seria interessante analisarmos literalmente a palavra requerimento: Requerimento deriva-se do verbo requerer, que, de acordo com seu sentido significa solicitar, pedir, estar em busca de algo. E principalmente, que o pedido seja deferido, ou seja, aprovado. Podemos fazer um requerimento a um órgão público, a um colégio e a uma infinidade de outros destinatários.

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Ilmo. Sr. Diretor da ETEC Lauro Gomes

(Nome da pessoa que solicita o requerimento), aluna regularmente matriculada no segundo semestre do ensino técnico, no curso Técnico em Secretariado, vem respeitosamente solicitar a V. Sª a expedição dos documentos necessários à sua transferência para outro estabelecimento de ensino. Nestes termos, pede deferimento.

(Local e data) (Assinatura)

Proposta 6 – REQUERIMENTO

Imagine que você ingressou em uma faculdade particular muito conceituada, porém não pode arcar com o valor da mensalidade. Redija um requerimento ao Serviço Social solicitando uma bolsa de estudos parcial ou integral. Não esqueça de fornecer seus dados.

9.7 DECLARAÇÃO

Declaração é prova escrita, documento, depoimento, explicação. Nela se manifesta opinião, conceito, resolução ou observação.

Nela se manifesta opinião, conceito, resolução ou observação. LTR/REP/RCP - Apostila de Redação Técnica
Nela se manifesta opinião, conceito, resolução ou observação. LTR/REP/RCP - Apostila de Redação Técnica

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Proposta 7 – DECLARAÇÃO

Imagine que um colega de curso conseguiu um estágio técnico em uma empresa, e esta pediu uma declaração da ETEC informando que este aluno está regularmente matriculado no curso. Como a secretaria redigiria esta declaração?

9.8 OFÍCIO

É a forma de correspondência oficial trocada entre chefes ou dirigentes de hierarquia equivalente ou enviada a alguém de hierarquia superior à daquele que assina. Tem como finalidade o tratamento de assuntos oficiais pelos órgãos da Administração Pública entre si e também com particulares. Circula entre Agentes Públicos ou entre um Agente Público e um Particular. A linguagem deve ser formal sem ser rebuscada, pois a finalidade é informar com o máximo de clareza e precisão, utilizando-se o padrão culto da língua.

e precisão, utilizando-se o padrão culto da língua. Quando o ofício tiver mais que uma página,

Quando o ofício tiver mais que uma página, como este, a continuação se dará na página seguinte, com o fecho e a assinatura. O destinatário e o endereçamento ficam sempre na primeira página.

fecho e a assinatura. O destinatário e o endereçamento ficam sempre na primeira página. Autora: Lucivânia

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Proposta 8 – OFÍCIO

Suponha que a organização onde você trabalha promoverá uma SIPAT (Semana Interna de Prevenção de Acidentes no Trabalho), com palestras para conscientização dos funcionários visando à prevenção de acidentes, porém o espaço disponível na empresa não comporta todos os funcionários. Redija um ofício à Prefeitura de São Bernardo do Campo solicitando um espaço para a realização das palestras.

9.9 MEMORANDO

Na linguagem comercial, significa a nota ou comunicação ligeira entre departamentos de uma mesma empresa, ou entre a matriz e suas filiais e vice-versa, ou entre as filiais. É conhecido também como Comunicado Interno (CI). O memorando pode ainda indicar um livro de apontamentos, ou notas, com a finalidade de registrar fatos ou lembretes.

ou notas, com a finalidade de registrar fatos ou lembretes. Proposta 9 – MEMORANDO O chefe

Proposta 9 – MEMORANDO

O chefe do Departamento Pessoal de uma empresa precisa redigir um memorando que comunique a decisão da diretoria de suspender as horas extras dos funcionários da linha de produção (horistas). Como este memorando deverá ser redigido? Escreva-o.

9.10 CIRCULAR

A circular caracteriza-se como uma comunicação (carta, manifesto ou ofício) que, reproduzida em muitos exemplares, é dirigida a várias pessoas ou a um órgão. Serve para transmitir avisos, ordens ou instruções. Em geral, contém assunto de interesse geral. Tratando-se de carta-circular, o redator deve escrever de maneira que o receptor tenha a impressão de que foi redigida especialmente para ele.

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39 Proposta 10 – CIRCULAR Imagine que você é síndico de um condomínio e está recebendo

Proposta 10 – CIRCULAR

Imagine que você é síndico de um condomínio e está recebendo muitas reclamações dos condôminos a respeito dos moradores que têm animal de estimação e fazem barulho e suas necessidades dentro do condomínio. Escreva uma circular informando as medidas tomadas por você para solucionar o problema.

9.11 PROTOCOLO

Protocolo, na Antiguidade, significava a primeira folha que se colocava aos rolos de papiro, com um resumo do conteúdo do texto manuscrito. Hoje, comercialmente, é assim denominado um livro de registro da correspondência de uma empresa, ou um formulário em que se registra saída ou entrada de objetos / documentos.

empresa, ou um formulário em que se registra saída ou entrada de objetos / documentos. Autora:

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Proposta 11 – PROTOCOLO

Pense que você foi admitido numa empresa e o RH solicitou uma série de cópias de documentos pessoais seus para a admissão. Redija um protocolo dos documentos entregues por você ao gerente de RH da empresa.

9.12 RECIBO

Significa o documento em que se confessa ou se declara o recebimento de algo. Normalmente, é um escrito particular. Alguns tipos de recibo: recibo de pagamento (indica quitação do pagamento de uma dívida, em sua totalidade ou parcialmente); recibo por conta (sempre parcial); recibo por saldo (indica uma quitação referente a todas as transações até sua data).

quitação referente a todas as transações até sua data). Proposta 12 – RECIBO Se você fosse

Proposta 12 – RECIBO

Se você fosse o gerente de RH da empresa da proposta anterior, como escreveria o recibo das cópias dos documentos?

9.13 ATESTADO

Atestado é a declaração, o documento firmado por uma autoridade em favor de alguém ou algum fato de que se tenha conhecimento. É um documento oficial com que se certifica, afirma, assegura, demonstra alguma coisa que interessa a outrem.

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41 Proposta 13 – ATESTADO Imagine que você é encarregado em uma empresa e um dos

Proposta 13 – ATESTADO

Imagine que você é encarregado em uma empresa e um dos seus funcionários será promovido e ocupará um cargo em outra área. Redija um atestado informando que o funcionário está apto a exercer a função.

9.14 AVISO

O aviso caracteriza-se como informação, comunicado de uma pessoa para outra(s). É empregado no comércio, na indústria, no serviço público e na rede bancária. Serve para ordenar, cientificar, prevenir, noticiar, convidar. Uma forma conhecida de aviso é aquele em que o empregado ou empregador comunica a rescisão do contrato de trabalho e que se constitui no chamado aviso prévio.

Como uma das principais funções do aviso é comunicar com eficácia, advindo daí economia de tempo, favorecem a consecução desse objetivo o texto breve e a linguagem clara.

Proposta 14 – AVISO

A empresa onde você trabalha dará férias coletivas a todos os funcionários. Como esse aviso deverá ser redigido? Escreva-o.

9.15 EXPRESSÕES ESTRANGEIRAS MAIS UTILIZADAS

Expressão

 

Significado

Expressão

Significado

A PRIORI

O

que precede

A POSTERIORI

O que vem depois

ASAP (As Soon As Possible)

O

mais rápido possível

BREAK-EVEN-

Ponto de equilíbrio do custo de um determinado produto

 

POINT

BRAINSTORM

Tempestade de ideias

BREAK DOWN

Parada / quebra

BUSINESS

Negócio

BUY OFF

Controle de entrada, controle interno, controle de produtos

CASE

Caso exemplar

FEEDBACK

Retorno / resposta

FEELING

Tato, faro

FOLLOW-UP

Acompanhamento

FULL TIME

O

tempo todo

GAP

Intervalo, defasagem

IN LOCO

No local

JOINT VENTURE

Associação de empresas

KNOW HOW

Tecnologia / conhecimento

MARKET SHARE

Participação de mercado

técnico

MIX

Conjunto de itens

STAND BY

Dar apoio / esperar

SUPLLY CHAIN

Rede de fornecedores

TARGET

Meta, limite, parâmetro

TURN OVER

Rotatividade de mão de obra

TRADE

Comércio, negócio

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Proposta 15 – EXPRESSÕES ESTRANGEIRAS UTILIZADAS

Imagine que você é gerente de uma empresa. Escreva aos seus clientes um e-mail falando a respeito dos serviços (ou produtos) oferecidos pela empresa, enfocando as vantagens do cliente ao optar pelos serviços (ou produtos) oferecidos por ela. Utilize no seu texto pelo menos cinco expressões estrangeiras.

9.16 CARTA PESSOAL

A carta é um gênero textual que visa à comunicação escrita e pode ser de diversos tipos: carta familiar, carta pessoal, de agradecimento, de reclamação, de amor etc. Em todas, o que se pretende é estabelecer um diálogo entre o remetente e o destinatário. Compõem a carta os seguintes elementos:

local e data, vocativo, texto, desfecho, despedida, assinatura.

Proposta 16 – CARTA PESSOAL

Redija uma carta pessoal à sua professora, comentando o desempenho do semestre, sugerindo melhorias, apontando aspectos positivos e negativos, o que poderia ser melhorado, o que favoreceu seu aprendizado, o que dificultou o andamento das aulas, enfim: avalie este semestre. Entregue-a à professora!

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10 MORFOLOGIA - REVISÃO

Dependendo de estar sozinha ou constituindo frases, a palavra pode ser estudada quanto à sua classe gramatical (morfologia) e quanto à sua função sintática.

Classe gramatical (ou classificação morfológica): quando se considera a palavra isoladamente, fora da frase, fora de um contexto. Exemplo: crianças = classe gramatical – substantivo

não

= classe gramatical – advérbio

Função sintática: quando se considera a palavra na frase, isto é, relacionada a outras palavras, formando um todo significativo.

Exemplo:

Crianças não brincaram na rua hoje.

crianças = função sintática – sujeito

não =

função sintática – adjunto adverbial de negação

Note que quando a palavra está sozinha, isolada, ela só tem classe gramatical, mas na frase ela apresenta, ao mesmo tempo, classe gramatical e função sintática. As possíveis classes gramaticais e funções sintáticas de uma palavra são:

CLASSES GRAMATICAIS

FUNÇÕES SINTÁTICAS

Substantivo

Verbo

Sujeito

Adjunto adnominal

Artigo

Advérbio

Objeto direto

Predicativo

Adjetivo

Preposição

Objeto indireto

Complemento nominal

Pronome

Conjunção

Adjunto adverbial

Aposto

Numeral

Interjeição

Agente da passiva

vocativo

Vamos ver, resumidamente, as dez classes gramaticais:

SUBSTANTIVO – é a palavra com que damos nomes aos seres em geral.

- Concretos (lua, Ceará, alma) e abstratos (vida, fome, medo)

- Comuns (rio, menino) e próprios (Campinas, Sônia)

- Coletivos (arquipélago – ilhas, legião – soldados, matilha – cães de caça)

- Primitivos (mal) e derivados (maldade)

- Simples (campo, guarda) e compostos (pontapé, guarda-noturno)

Ex.: Aquelas duas cidades pequenas serão inundadas. (substantivo concreto e comum) O rebanho está sendo cuidado pelo pastor. (substantivo concreto e coletivo (bois, ovelhas etc.)) O substantivo varia em gênero (masculino e feminino), número (singular e plural) e grau (aumentativo e diminutivo).

ARTIGO – é a palavra que se coloca antes de substantivos para defini-los ou indefini-los.

- Definidos: o, a, os, as

- Indefinidos: um, uma, uns, umas

Ex.: Entre o viver e o morrer existe uma imensa porta.

ADJETIVO – é a palavra que tem por função expressar características, qualidades, estados etc. do substantivo. Ex.: Nesta cidade pequena há um barco antigo. O adjetivo varia em gênero (masculino e feminino), número (singular e plural) e grau (comparativo e superlativo).

NUMERAL – é toda palavra que indica quantidade, posição numa série, múltiplo ou fração.

- Cardinal: um, dois, três, mil

- Ordinal: segundo, quarto, décimo

- Multiplicativo: dobro, triplo

- Fracionário: metade, dois quintos

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PRONOME – é a palavra que serve para substituir um substantivo (nome) ou acompanhar o substantivo, definindo-lhe os limites de significação. Ex.: Meu irmão comprou um livro, mas não o leu. meu = pronome que acompanha o substantivo irmão o = pronome que substitui o substantivo livro

   

Pessoais

 

Caso Reto

Caso Oblíquo

Possessivos

eu

me, mim, comigo

meu(s), minha(s)

tu

te, ti, contigo

teu(s), tua(s)

ele(a)

se, si, consigo, o, a, lhe

seu(s), sua(s)

nós

nos, conosco

nosso(s), nossa(s)

vós

vos, convosco

vosso(s), vossa(s)

eles(as)

se, si, consigo, os, as, lhes

seu(s), sua(s)

- Tratamento: são determinadas palavras que equivalem a pronomes pessoais. Os pronomes de tratamento mais usados são:

Pronome

Abreviatura

Tratamento usado para:

Vossa Alteza

V.

A.

Príncipes, duques

Vossa Eminência

V.

Ema.

Cardeais

Vossa Excelência

V.

Exa.

Altas autoridades civis e militares

Vossa Majestade

V.

M.

Reis, imperadores

Vossa Santidade

V.

S.

Papas

Vossa Senhoria

V.

Sa.

Pessoas graduadas em geral

- Demonstrativos:

este(s), esta(s) – indicam o que está perto de quem fala esse(s), essa(s) – indicam o que está perto de quem ouve aquele(s), aquela(s) – indicam o que está longe de quem fala e ouve

- Indefinidos: algum(a), nenhum(a), todo(a), outro(a), muito(a), pouco(a), certo(a), qualquer, alguém, ninguém, algo.

- Relativos: que, qual, quem, onde, cujo

Os relativos referem-se a um substantivo anterior a eles, substituindo-o na oração seguinte, e devem ser usados adequadamente. Onde – refere-se apenas a lugares Quando – refere-se a tempo Quanto – refere-se a valores, números, quantidades

- Interrogativos: que, quem, qual, quanto

VERBO – é a palavra que, por si só, indica um fato (em geral, ação, estado ou fenômeno da natureza) e situa-o no tempo. Ex.: O animal ficará furioso nessa jaula. Naquela região chove diariamente.

ADVÉRBIO – é a palavra que modifica o verbo, o adjetivo ou outro advérbio. Advérbio de tempo (hoje, ontem, sempre, brevemente, agora), de lugar (aqui, longe, perto, acima, abaixo, lá), de modo (rapidamente, lentamente, mal), de dúvida (talvez, possivelmente, acaso), de intensidade (muito, pouco, tão, bastante, demais), de negação (não, jamais), de afirmação (sim, certamente).

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PREPOSIÇÃO – é a palavra que liga outras, estabelecendo entre elas certas relações de sentido e de dependência:

- Essenciais – só funcionam como preposição: a, com, em, por, ante, contra, entre, sem, após, de, para, sob, trás, desde, perante, sobre, - Acidentais – palavras de outras classes gramaticais que, em certas frases, funcionam como preposição: conforme, como, mediante, segundo, durante, visto etc. Ex.: A praça foi enfeitada para a festa.

CONJUNÇÃO – é a palavra que tem por função básica ligar duas orações: e, mas, que etc. Ex.: Faz sol, mas está frio. Ninguém sabe que ele está doente.

INTERJEIÇÃO – é toda palavra ou expressão usada para exprimir, de forma intensa, viva e instantânea, nossos estados emocionais: Ah! Oh! Viva! Ai! Oi! Olá! Alô! etc.

EXERCÍCIOS

(Aprender e praticar gramática–pág.83,84,93,105,132,179)

1.Considerando que há substantivos que têm um sentido no singular e outro, diferente, no plural, explique essa diferença em relação às palavras destacadas na frase abaixo:

“Onde não se preza a honra se desprezam as honras.” (Marquês de Maricá)

2.Analise a seguinte frase de propaganda:

“Para entrar na faculdade que você escolheu, não faça um cursinho. Faça um cursão. Matricule-se no ( )” Fazendo uma interpretação comparativa do emprego de “cursinho” e “cursão”, explique a intenção do criador da frase ao usar essas duas formas.

3.Leia o trecho abaixo, retirado do romance “O retrato”, de Érico Veríssimo:

) (

espelho. Ele viu que eu estava olhando e perguntou: “Sabe quem sou eu?” Respondi que não. E o homem: “Me chamo Silvino Neves, mas me tratam por Dente Seco”.

- E tu, que disseste? [perguntou Rodrigo]

Comecei a examinar a cara do homem pelo

- Ora, eu fiquei mais pra lá que mais pra cá,

e achei melhor dizer que já conhecia ele de nome. Ensaboei a cara e indaguei assim com ar de quem não quer nada: “Ainda que mal

pergunte, que é que o patrício anda fazendo por estas bandas?” E tu sabes o que foi que ele respondeu: “Vim fazer um servicinho por coronel Trindade”. Comecei a passar a navalha no assentador. “Que servicinho?” E ele, mais que depressa: “Dar um susto nuns mocinhos bonitos”. E meio que riu. Quando eu já estava

barbeando o bandido (

)

Explique qual foi a intenção de Dente Seco ao usar os diminutivos “servicinho” e “mocinhos”.

4.(E.E. Mauá-SP) A manhã era linda. (A borboleta) veio por ali, modesta e negra, espairecendo as suas borboletices, sob a vasta cúpula de um céu azul, que é azul para todas as asas. Passa pela minha cabeça, entra e dá comigo. Suponho que nunca teria visto um homem, não sabia, portanto, o que era o homem; descreveu infinitas voltas

(Machado de Assis)

Qual a diferença de sentido da palavra “homem” na frase destacada acima?

5.(Esc.Fed. Eng. Itajubá-MG) Dê os adjetivos correspondentes a cada substantivo abaixo:

 

Exemplo:

céu – celeste

a)

sorriso

b)

alegria

c)

mão

d)

rito

e)

vida

e)

dedo

6.Considerando que certos adjetivos têm sentidos diferentes se colocados antes ou depois do substantivo, explique a diferença de sentido entre as frases:

a) Ele é um falso advogado. Ele é um advogado falso.

b) Aquele goleiro é um grande jogador. Aquele goleiro é um jogador grande.

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7.Na frase: “Seu amigo, apesar de rico, só almoça em restaurantes de segunda classe.” A palavra destacada, embora tenha forma de um numeral ordinal, perde, no contexto da frase, o sentido ordinal. Procure explicar qual foi a intenção do falante ao utilizar a referida palavra.

8.Classifique os pronomes destacados nos versos abaixo:

“Do Caeté a Vila Rica, tudo ouro e cobre!

10.1 SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS

Completando nossos estudos morfológicos, vale comentar a respeito da significação das palavras. O falante que tem domínio da língua deve ter um vocabulário amplo.

SINÔNIMOS: palavras que apresentam, entre si, significados iguais ou aproximadamente iguais. Ex.: surgir = aparecer / língua = idioma

o

que é nosso, vão levando

ANTÔNIMOS: palavras que apresentam, entre

E

o povo aqui sempre pobre!”

si, significados opostos.

a) tudo

b) que

(Cecília Meireles)

c) o

9.Reúna cada par de frase abaixo em um único período, substituindo por um pronome relativo o termo destacado na segunda oração.

a) Eu assisti ao filme. Você gosta do filme.

b) Eu irei à cidade. Você nasceu nessa cidade.

c) Você confia em muitas pessoas. Eu não

concordo com essas pessoas.

d) Este é o escritor. Os livros desse escritor

fazem muito sucesso.

e) Não mataram a cobra. Por essa cobra o

garoto foi picado.

10.(Unicamp) No texto abaixo, ocorre uma forma que é inadequada em contextos mais formais, especialmente na escrita. “Lula e Meneguelli divergem sobre o pacto. Concordam em negociar, mas Lula só aprova um acordo se o governo retirar a medida provisória dos salários, suspender os vetos à lei da Previdência e repor perdas salariais.”

(Folha de São Paulo, 21/09/90)

Indique a forma inadequada e reescreva o trecho em que ocorre, de modo à adequá-lo à modalidade escrita.

11.Observe as frases abaixo:

I-Os visitantes devem ser conduzidos ao ônibus. II-Os visitantes devem ser conduzidos no ônibus.

a)Explique a diferença de sentidos entre as frases.

b) Que termo empregado estabelece esta

diferença de sentido?

Ex.: começar x terminar

/

falso x verdadeiro

HOMÔNIMOS:

(pronúncia ou grafia), mas diferentes no significado. Os homônimos podem ser:

- Homônimos Homógrafos: iguais na grafia, mas diferentes na pronúncia e no significado. Ex.: governo (/ê/ substantivo) / (/é/ verbo) O seu governo é justo. /ê/ Eu governo com justiça. /é/ No tempo da seca /ê/, o rio seca /é/. - Homônimos Homófonos: iguais na pronúncia, mas diferentes na grafia e no significado. Ex.: cheque (de banco)-xeque (lance do xadrez) concerto (de música)-conserto (de manutenção)

forma

palavras

iguais

na

PARÔNIMOS: palavras semelhantes na forma (pronuncia e grafia), mas diferentes no significado. Ex.: mandado (ordem judicial) mandato (tempo de um político no cargo) diferir (diferenciar) - deferir (aceitar) emergir (vir à tona) - imergir (afundar) sessão (reunião) seção (departamento, setor, área, divisão) cessão (ceder)

E para finalizar, uma historinha que dizem ser verdadeira:

“Um certo comerciante (não importa a nacionalidade) escreveu um cartaz e afixou na porta da sua padaria:

‘AOS MEUS EMPREGADOS. A PARTIR DE HOJE, QUERO AS NOSSAS PORTAS SERRADAS ÀS 18h’. Foi atendido. No dia seguinte, ao chegar à loja, encontrou todas as portas pela metade.”

12.O que estava errado na mensagem? 13.Qual a importância de escrever corretamente as palavras?

47

11 SINTAXE – REVISÃO

CONSTITUINTES BÁSICOS DA ORAÇÃO

SUJEITO

Simples: é aquele que tem um único núcleo. Ex.: As meninas sorriram. Composto: é aquele que apresenta mais de um núcleo. Ex.: O prazer e o sofrer são riscos do amor. Indeterminado: ocorre quando não é possível identificar quem praticou a ação (identifica-se por verbo na 3ª pessoa do plural ou verbo na 3ª pessoa do singular +se) Ex.: Roubaram a bolsa daquela mulher. Precisa-se de mão de obra especializada. Oculto (sujeito elíptico ou desinencial): é determinado pela desinência verbal e não aparece explícito na frase. Ex.: Estamos sempre alertas para com os aumentos abusivos de preços. (sujeito: nós) Inexistente (oração sem sujeito): é designado por verbos que não correspondem a fenômeno da natureza, haver no sentido de existir, fazer indicando tempo ou clima. Ex.: Choveu na Argentina e fez sol no Brasil. Houve um grave acidente na avenida principal. Faz meses que não a vejo.

PREDICADO

Verbal: é aquele que tem como núcleo significativo um verbo. Ex.: A noite esfriou. Nominal: é aquele que tem como núcleo um nome, que constitui um predicativo do sujeito. Funciona como elemento de ligação (verbo de ligação) entre sujeito e predicado. Ex.: Ele parece uma estátua. Verbo-nominal: é aquele que apresenta dois núcleos significativos: um verbo e um nome. Ex.: Joaquim voltou machucado. O juiz declarou o réu inocente.

TERMOS COMPLEMENTARES E AUXILIARES RELACIONADOS A UM NÚCLEO NOMINAL

Adjunto adnominal: é o termo que determina, especifica ou delimita o significado de um substantivo. Ex.: A quente tarde despencava no horizonte.

Aposto: é o termo da oração que se relaciona a um nome para explicá-lo ou esclarecê-lo. Ex.: Recife, terra do frevo, está quente.

Complemento nominal: é o termo que completa o sentido de um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio). O complemento nominal vem sempre regido por preposição. Ex.: A água é necessária à vida.

TERMOS COMPLEMENTARES E AUXILIARES RELACIONADOS A UM NÚCLEO VERBAL

Objeto direto: é o complemento do verbo transitivo direto. Na voz ativa, é o ser sobre o qual recai a ação verbal. Geralmente, o objeto direto não vem regido por preposição. Ex.: Comprou um lindo chapéu. Eu a conheci no baile.

Objeto indireto: é o complemento do verbo transitivo indireto. Vem sempre regido por preposição. Ex.: Gosto de cinema. Pediram-lhe explicações.

Agente da passiva: designa o ser que pratica a ação. O agente da passiva vem sempre regido por preposição. Ex.: A natureza foi desprezada pelo homem.

Adjunto Adverbial: é o termo que indica uma circunstância do verbo, ou intensifica o sentido de um adjetivo, verbo ou outro advérbio. Ex.: Domingo, brincaremos na cidade. É um filme muito interessante!

VOCATIVO

Vocativo: É um termo independente que serve para chamar, invocar, interpelar um ouvinte real ou hipotético. Ex.: Quantos anos você tem, Janaína?

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EXERCÍCIOS

1. Observe atentamente as frases abaixo:

I – Cantavam harmoniosamente as crianças.

II – As crianças brincavam felizes.

a) Indique a função sintática exercida pelos termos

destacados nas duas frases.

b) Identifique o tipo de predicado presente em cada

uma delas.

2. Observe o verbo destacado nas duas frases:

I – Ando muito distraída ultimamente.

II – Nunca andei tanto para chegar a algum lugar.

a) O verbo destacado classifica-se da mesma forma

nas duas orações? Justifique sua resposta.

b) Considerando a classificação do verbo em

destaque nas duas orações, identifique o tipo de

predicado existente em cada uma delas.

3. Dê a função sintática dos termos destacados.

a) Os dois estavam lá dentro conversando

longamente.

b) Na hora de pagar a conta foi que dei por falta da

minha carteira.

c) Pela minha cabeça passavam, em retrocesso, os

acontecimentos do dia.

d) O famoso cantor via-se, agora, completamente

esquecido pelos fãs.

4. Observe as orações abaixo:

I – Naquela época já não lhe restavam esperanças. II – Tirou da bolsa um pãozinho e cortou-o em dois.

III – Pouco nos importa que ele vá embora.

IV – Tenho certeza de que ela ainda te ama.

Os pronomes oblíquos destacados são:

a. (

Indireto

b. (

Direto

c. (

Obj. Direto

d. (

Indireto

e. (

) Obj. Indireto / Obj. Direto / Obj. Direto / Obj.

) Obj. Direto / Obj. Direto / Obj. Indireto / Obj.

) Obj. Indireto / Obj. Direto / Obj. Indireto /

) Obj. Direto / Obj. Direto / Obj. Indireto / Obj.

) Nenhuma das respostas acima

5.

alternativa em que o verbo destacado não é de

ligação:

(Fac. Med. Pouso Alegre-MG) Assinale a

a) A criança estava com fome.

b) Pedro parece adoentado.

c) Ele tem andado confuso.

d) Ficou em casa o dia todo.

e) A jovem continua sonhadora.

O homem que se endereçou

(NICOLA, José de. Português: Ensino Médio – Volume 3. 1ª edição. São Paulo, Scipione, 2005.- pág.48 a 51)

Apanhou o envelope e na sua letra cuidadosa subscritou a si mesmo: Narciso, rua Treze, nº21. Passou cola nas bordas do papel, mergulhou no envelope e fechou-se. Horas mais tarde a empregada colocou-o no correio. Um dia depois sentiu-se na mala do carteiro. Diante de uma casa, percebeu que o funcionário tinha parado indeciso, consultara o envelope e prosseguira. Voltou ao DCT, foi colocado numa prateleira. Dias depois, um novo carteiro procurou seu endereço. Não achou, devia ter saído algo errado. A carta voltou à prateleira, no meio de muitas outras, amareladas, empoeiradas. Sentiu, então, com terror, que a carta se extraviara. E Narciso nunca mais encontrou a si mesmo.

(BRANDÃO, Ignácio de Loyola. O homem do furo na mão & outras histórias) Na mitologia, Narciso é o nome do belo personagem que morre por não conseguir afastar os olhos da própria imagem refletida na água.

6.Considere a oração: “Apanhou o envelope”.

a) Aponte o sujeito e o predicado. Classifique-os.

b) Qual a função sintática de “o envelope”? Analise a função de cada palavra.

7.Considere a frase: “Narciso, rua Treze, nº21.” Temos, acima, um exemplo de aposto de especificação (o aposto aparece ligado ao substantivo diretamente, sem pontuação indicando pausa). Aponte-o. 8.Considere a seguinte frase: “Diante de uma casa, percebeu que o funcionário tinha parado indeciso

a) Dê a função sintática de “Diante de uma casa”.

b) Aponte o sujeito. Classifique-o.

c) Classifique a forma verbal percebeu quanto a sua transitividade. No caso de pedir um complemento, aponte-o.

9.Classifique o predicado da oração: “O funcionário parou indeciso”. 10.Analise todos os termos da oração: “Entregou a carta empoeirada”. 11.Analise todos os termos da oração: “A carta ficou empoeirada”. 12.Passe para a voz passiva: “O carteiro colocou a carta na prateleira”.

49

12 REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL - REVISÃO

Regência Nominal é a denominação que se dá à relação particular que se estabelece entre substantivos, adjetivos e determinados advérbios e seus respectivos complementos nominais. Essa relação, em geral, vem marcada por uma preposição. Leia a frase abaixo, observando o que há de inadequado nela. Ele tem medo fantasmas.

É fácil notar que nela está faltando a preposição de. Essa preposição é regida, ou seja, exigida pela

palavra medo (ter medo de) e estabelece a relação entre medo e fantasmas.

A frase correta é: Ele tem medo de fantasmas.

Como a palavra medo é um nome, dizemos que aí está ocorrendo um caso de regência nominal. Abaixo temos uma lista de nomes que costumam vir acompanhados de um complemento nominal e que exigem o uso de determinadas preposições. Muitos dos nomes aqui apresentados têm exatamente a mesma regência dos verbos dos quais são derivados. Nesses casos, quando você aprender a regência do verbo, estará automaticamente aprendendo a regência do nome cognato. É o que ocorre, por exemplo, com “obedecer” e “obediência”. Na lista a seguir, você encontrará, relacionada ao nome “obediência”, a preposição a. A preposição é a mesma exigida pelo verbo “obedecer”.

adepto a

contente com, por, de

inofensivo a, para

simpatia a, por

alheio a

desprezo a, por

junto a, de, com

tendência a, para

ansioso para, por, de

digno de

livre de

união com, entre, a

apto a, para

favorável a

paralelo a

vazio de

aversão a, por

feliz de, por, em, com

próximo a, de

vizinho a, com, de

ciente de

imune a, de

referente a

 

composto por, de

indiferente a

relativo a

 

Mais alguns nomes e as preposições que comumente eles exigem:

acessível, adequado, desfavorável, equivalente, insensível, obediente: a

capaz, incapaz, digno, indigno, passível, contemporâneo: de

amoroso, compatível, cruel, cuidadoso, descontente: com

entendido, indeciso, lento, morador, hábil: em

inútil, incapaz, bom: para

responsável: por

Regência Verbal é a denominação que se dá à relação particular que se estabelece entre verbos e

seus respectivos complementos (objetos diretos e indiretos). Essa relação vem sempre marcada por uma preposição, no caso dos objetos indiretos.

A regência verbal estuda a relação correta (no sentido prescritivo) que se estabelece entre o verbo

(termo regente) e seu complemento ou seu adjunto (termo regido). Exemplo: Todos criticam o projeto

VTD

OD

O verbo criticar exige (rege) objeto direto (OD).

Exemplo:

Todos desconfiam de você.

VTI

OI

Neste segundo exemplo, o verbo desconfiar exige (rege) objeto indireto (OI) iniciado pela preposição de. Para o estudo da regência verbal é conveniente lembrar:

1.Objeto direto: complemento verbal sem preposição. 2.Objeto indireto: complemento verbal com preposição. 3.Pronome oblíquos o(s), a(s): funcionam somente como objeto direto. Ex.: Critiquei sua atitude. Critiquei-a. 4.Pronome oblíquo lhe(s): funciona sempre como objeto indireto. Ex.: O filme agradou ao críticos. O filme agradou-lhes.

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Regência de alguns verbos

(Com algumas modificações, a presente tabela foi extraída do livro Língua Portuguesa: noções básicas para cursos superiores, de Maria Margarida de Andrade e Antônio Henriques, São Paulo: Atlas Editora, 1991.)

1. Verbos com variação de regência e sem variação de significado

Verbos - exemplos

sentido

regência

Casar "Vai casar?" ( Machado de Assis)

Desposar / unir-se / ligar-se / harmonizar-se

intransitivo

"

minha

ideia é que os homens deviam

idem

transitivo indireto

casar com senhoras viúvas." (Machado de

Assis)

Titia não quer casar antes dos vinte." (Machado de Assis)

"

idem

transitivo indireto

"

vertigem das cargas

o

seu temperamento casava-se bem à "

(Euclides da Cunha )

idem

transitivo direto e indireto

Esquecer

perder a lembrança / abandonar / deixar / elegar

transitivo

Mas a mãe nunca pudera esquecer a tribo , e chorava." (Cecília Meireles)

"

direto

"Seja franco, doutor, tenho ou não tenho razão de me esquecer de que me lembro das coisas?" (Leon Eliachar - humorista )

idem

transitivo direto e indireto

Obs.: Vale o mesmo para os verbos recordar e lembrar. Estamos assinalando apenas os casos de regência mais comuns.

Informar "Informa-os do andamento dos "

trabalhos

(Euclides da Cunha)

Comunicar / avisar / noticiar

transitivo direto e indireto

Lamento informar-lhe, doutor , que agora só consigo dormir no seu divã." (Leon Eliachar - humorista )

"

idem

transitivo direto e indireto

Obs.: Vale o mesmo para os verbos certificar e cientificar.

 

Perdoar "Se perdoou ao filho foi por causa do padre." ( Machado de Assis)

Absolver / desculpar / escusar

transitivo indireto

Deus perdoa os pecados.

idem

transitivo direto

"Você me perdoa a falta de palavra." (Pedro Calmon)

idem

transitivo direto e indireto

Obs.: Vale o mesmo para o verbo pagar.

Responder "Interrompo o diálogo na fazenda para responder ao bilhete que acabo de receber

Corresponder / comunicar-se

transitivo indireto

"

(Carlos Drummond de Andrade)

"Não sabia respondê-los." (Euclides da Cunha )

idem

transitivo direto

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2. Verbos com variação de regência e significado.

Verbos - exemplos

 

sentido

regência

Aspirar "A felicidade perfeita a que aspirei

"

(Graciliano Ramos)

Desejar / querer anelar / pretender

transitivo indireto

"Aspirou seu indescritível odor de Tempo e História ." (Érico Veríssimo)

Respirar / inalar cheirar / sorver

transitivo direto

“Na manhã sadia, o homem de barbas poentas, entronado na carrocinha, aspirou forte.” (João Alphonsus)

soprar

intransitivo

Assistir “Assistimos ao final do jantar (mineiros e precavidos, já tínhamos jantado).” (C.D.A.)

Presenciar / ver

transitivo

indireto

“sendo enviado a Carlos V, que então assistia em ”

Bruxelas

(M. Bernardes)

 

Morar / residir

intransitivo

“Somente minha mão assiste o filho enfermo.” (Josué Montello)

socorrer / ajudar atender / assessorar

transitivo direto

“Leonor assistiu-lhe na enfermidade

(Camilo)

 

idem

transitivo indireto

“Ao dono da loja assiste razão de gabar-se

(C.D.A.)

Competir / caber

Transitivo indireto

Atender “As mucamas faziam prodígios, atendendo a um e a outro.” (Coelho Neto)

servir

transitivo indireto

O juiz não atendeu o pedido.

Deferir / aceitar

transitivo direto

Custar “Não custava nada levá-lo.” (Fernando Sabino)

 

Valer / importar

transitivo direto

Custa-me dizer que acendeu um cigarro.” (Machado de Assis)

ser penoso / ser difícil

transitivo indireto

Declinar “Eram dadas cinco da tarde, a calma declinava Garrett)

(Almeida

Baixar / desaparecer / pôr-se

intransitivo

“Eleito governador, ao volver da campanha, em 1834, ”

declinou da honra

(Rui Barbosa)

recusar

transitivo indireto

“O Latim, declinando tanto, só podia acabar.” (Dirceu – humorista)

flexionar

intransitivo

"E declinando o seu nome , apertou pela primeira vez a mão

Dizer / relatar / referir

transitivo direto

do diretor

"

(Josué Montello)

Deparar "E foi quando surpreendidos deparamos com a mesa." (Clarice Lispector)

Encontrar / ver / cruzar

transitivo indireto

Não deparou solução ao problema.

idem

transitivo direto e indireto

Depararam-se várias oportunidades de fuga ao preso.

Oferecer / aparecer

transitivo indireto

Obs.: Não se diz: deparar- se com.

Entender Entendi o raciocínio.

Compreender / captar

transitivo direto

Entende de algebra.

estar a par / conhecer

transitivo indireto

Entende-se bem com a esposa.

comunicar-se / concordar / harmonizar-se

transitivo direto e indireto

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Gostar "De quem você gosta mais, do papai ou da mamãe?" (Fernando Sabino)

Apreciar / amar / ter afeto

Transitivo indireto

Repeli o vinho depois que o gostei.

 

Experimentar / provar

transitivo direto

Precisar "Precisa-se de secretária. Pega-se bem. Perdão, paga-se bem." (Leon Eliachar)

Necessitar / carecer

transitivo indireto

Convém precisar os fatos.

 

Esclarecer / especificar / determinar

transitivo direto

Proceder

 

comportar-se / agir

Intransitivo

"

procedeu,

no ponto de vista em que se colocava, com uma

lógica cruel." (Machado de Assis)

 

"procedeu-se a eleições gerais no país." (Afonso Celso )

Convocar / marcar / estabelecer

transitivo indireto

A

água procede da montanha.

origina-se / vir de

intransitivo

O

argumento não procede.

Valer / ter base / ter fundamento

intransitivo

Querer "As crianças querem mimo." (Caldas Aulete)

 

desejar

transitivo direto

aspirar a

"Querendo com amor ao idioma

"

(Rui Barbosa)

Amar / ter afeto / gostar / prezar

transitivo indireto

Visar

 

Almejar / pretender / querer

transitivo indireto

"

visamos

ao mesmo norte ." (Machado de Assis)

O

soldado visou o alvo.

Mirar / apontar

transitivo direto

O

gerente visou o cheque.

Assinar / dar o visto