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AGÊNCIA O GLOBO

AGÊNCIA O GLOBO N os tempos do regime militar se pichava nos muros: “Abaixo a ditadura”.
AGÊNCIA O GLOBO N os tempos do regime militar se pichava nos muros: “Abaixo a ditadura”.

N os tempos do regime

militar se pichava

nos muros: “Abaixo a

ditadura”. Por que não há con- tradição entre a frase dos anos 60 e 70 e o título desta página? Alternativa A: porque nos dois casos se exalta a democracia. B: por causa da vírgula. C: am- bas as anteriores estão certas. Quem marcou C está afiado em História e Português. O Brasil é uma democracia plena desde 1990, com a posse do primeiro presidente eleito diretamente após a ditadura militar. E, quan- to à vírgula do título, inverte o sentido da frase, que passa a significar: abaixo do título, na foto, um flagrante de democra- cia. Este é o objetivo desta série de fascículos: inter-relacionar disciplinas para que você se prepare bem para o vestibular.

NESTA EDIÇÃO

A política, da

República Velha

a Lula PÁGs. 2 a 4

Os filmes que

reconstruíram

a ditadura PÁG. 5

5 questões para você treinar PÁGs. 5 a 7

Abaixo, a democracia

Apesar de consolidada, a democracia no Brasil ainda é tão jovem quanto os caras-pintadas em 1992

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Estudantes testam a democracia ao pedir o impeachment de Collor

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DIVULGAÇÃO ENTENDA O ASSUNTO Os percalços da jovem democracia brasileira A história da república do
DIVULGAÇÃO ENTENDA O ASSUNTO Os percalços da jovem democracia brasileira A história da república do
DIVULGAÇÃO ENTENDA O ASSUNTO Os percalços da jovem democracia brasileira A história da república do

DIVULGAÇÃO

ENTENDA O ASSUNTO

Os percalços da jovem democracia brasileira

A história da república do país mostra que o regime representativo vigorou plenamente em poucos anos, e quase sempre acompanhado de sobressaltos

POR OSCAR PILAGALLO

U ma tradição só está perfeitamente enraizada na sociedade quando sua própria existência deixa de ser assunto. Ninguém discute, por exemplo, a divisão do poder entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Não há hipótese de ser de outro

e Judiciário. Não há hipótese de ser de outro A luta armada e a repressão do
A luta armada e a repressão do final dos anos 60 e início dos 70
A luta armada e a repressão do
final dos anos 60 e início dos 70 ge-
raram farta literatura baseada em
depoimentos dos protagonistas.
Um dos melhores ainda é O Que É
Isso, Companheiro? (Companhia
das Letras), de Fernando Gabeira,
um dos seqüestradores do embai-
xador americano em 1969. O livro,
que também traça um panorama
dos grupos de esquerda da época,
deu origem ao filme homônimo que
se encontra em locadoras de DVD.

modo. O peso da tradição mata o assunto. Não é o que acontece, no entanto, com a democracia no Brasil – apesar de devidamente consolidada, ela ainda dá o que falar. A questão da democracia voltou à baila recentemente por conta da reação do presidente Lula às vaias que tem levado, a maior delas em julho, durante a abertura dos Jogos Pan-Americanos, no Maracanã. Ele também é vaiado, simbolicamente, pelo Cansei, movimento que reúne empresários, a seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, parentes de vítimas de acidentes aéreos, socialites, artistas e

críticos do governo em geral. Lula comentou, a propósito das vaias: “Se alguns quiseram brincar com a demo- cracia, eles sabem que neste país ninguém sabe colocar mais gente na rua do que eu”. Na imprensa e em círculos próximos do governo, ouviram-se vozes que identifi- caram uma intenção golpista na iniciativa da elite “cansada”. Há um inegável exagero nessa percepção. É claro que não há perigo à vista. Não é menos evidente que a democracia não está ameaçada. A menção a golpe parece produto de uma interpretação paranóica do processo histórico. E, no entanto, o assunto insinua uma volta à agenda política, com o próprio presidente vindo a público para defender a democracia. Países com forte tradição democrática não precisam vir em socorro da democracia a qualquer tropeço dos protagonistas

Vaiado,Lula recoloca a defesa da democracia em pauta, mas não há ameaçaàvista

Vaiado,Lula recoloca a defesa da democracia em pauta, mas não há ameaçaàvista

do espetáculo da política. O que aconteceu nos Estados Unidos na eleição de George W. Bush, em 2000, é exemplar. A eleição do republicano esteve cercada de controvérsia. Para começar, o candidato democrata, Al Gore, teve mais votos populares que Bush, ou seja, o resultado da eleição (votação indireta) não refletiu a vontade da maioria (votação direta). Esse é um desdobramento previsto na legislação, mas que ocorre raramente (apenas dois casos iguais haviam sido registrados

1889-1930 1930-1937 República Velha Governo Getúlio Vargas Washington Luís JK ao centro Floriano 2 |
1889-1930
1930-1937
República Velha
Governo
Getúlio Vargas
Washington Luís
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Getúlio
Getúlio
ARQUIVO AGÊNCIA O GLOBO
ARQUIVO AGÊNCIA O GLOBO

Jango discursa dias antes de ser deposto

antes). Naquela eleição, no

A RENÚNCIA DE JÂNIO > Uma das hipóteses para a nunca explicada renúncia de Jânio
A RENÚNCIA DE JÂNIO
> Uma das hipóteses para a
nunca explicada renúncia de
Jânio Quadros, em agosto de
1961, é que ele preparava um
golpe de Estado. Para tanto,
teria mandado seu vice, João
Goulart, à China comunista.
A ausência do sucessor legal,
que era combatido pelos con-
servadores, criaria um vácuo
que ele tinha esperança de
ocupar. Renunciou para voltar
nos braços do povo, com apoio
dos generais e sem o Congres-
so. Em outras palavras, com
mais poder. Mas a reação po-
pular não veio e o veto militar à
posse de Jango ficou concen-
trado nos ministros militares.
CEDOC

entanto, houve um agravante. Com a disputa muito apertada, houve necessidade de recon- tagem de votos na Flórida, que afinal acabou sendo suspensa por decisão da Suprema Corte, o que definiu o pleito. Derrotado duas vezes (pela minoria republicana e pela Justiça), Al Gore nunca aven- tou a possibilidade de risco para a democracia americana. No máximo, ao entregar os pontos, disse que aceitava a decisão em nome do fortalecimento do regime. No Brasil, em comparação, a história da democracia teve bem mais sobressaltos, o que talvez explique a tentação de incluir as vaias entre eles. Em primeiro lugar, é importante lembrar que se trata de uma história relativa- mente curta. Considerando-se o período republicano, o Brasil teve poucos anos consecutivos de uma democracia livre da sombra da ruptura política. É só fazer as contas. De saída, eliminem-se as quatro décadas da República Velha. Entre 1889

e

que se revezavam por meio de eleições nas quais votava uma pequena fração da sociedade. A legalidade não vinha acompa- nhada da legitimidade.

1930, quem detinha o poder eram as oligarquias agrícolas,

1930, quem detinha o poder eram as oligarquias agrícolas, Entre 1946 e 1964, a democracia foi
Entre 1946 e 1964, a democracia foi fragilizada pelo movimento golpista que teria êxito com

Entre 1946 e 1964, a democracia foi fragilizada pelo movimento golpista que teria êxito com os militares

Entre 1930 e 1937, o Brasil viveu numa zona cinzenta. Não era uma democracia, pois o principal mandatário, Getúlio Vargas, não fora eleito. Mas também não era uma ditadura

nasceria só em 1937, com o Estado Novo, que duraria até 1945. Os quase 20 anos seguintes foram de democracia. Ou talvez

pelo menos não havia, formalmente, um ditador. A ditadura

seja melhor dizer: de ameaça à democracia. O primeiro presi- dente, o general Eurico Dutra, foi ungido pelo ex-ditador. Ficou no poder até 1950. Na seqüência, seria a vez de o próprio ex-ditador voltar como presidente eleito.

Getúlio, conhecido como “o pai dos pobres”, enfrentou cerrada oposição conserva- dora que, com Carlos Lacerda à frente, era conspiradora em tempo integral. Vargas se matou em 1954, e seu mandato foi completado por Café Filho – um hiato de pouca expressão entre Vargas e seu herdeiro político, Juscelino Kubitschek. JK é hoje um paradigma de presidente. Mas na época era execrado pelos conser- vadores golpistas. Tanto que por pouco ele não foi impedido de tomar posse. Foi preciso um contragolpe preventivo para garantir o respeito à Constituição. Com seu sucessor, Jânio Quadros, os conservadores acharam que tinham final- mente chegado ao poder. Estavam enganados. Jânio renunciaria em menos de oito

Jânio, quando ainda desfrutava de grande popularidade

1946-1964 1964-1985 1985-1989 1990-2007 Hiato democrático Ditadura militar Transição Democracia democrática
1946-1964
1964-1985
1985-1989
1990-2007
Hiato democrático
Ditadura militar
Transição
Democracia
democrática
Figueiredo
FHC e Lula
Sarney
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O TESTE DO COLLORGATE Depois da redemocratização, a partir de 1985, o regime sofreu uma
O TESTE DO COLLORGATE Depois da redemocratização, a partir de 1985, o regime sofreu uma
O TESTE DO COLLORGATE Depois da redemocratização, a partir de 1985, o regime sofreu uma
O TESTE DO COLLORGATE Depois da redemocratização, a partir de 1985, o regime sofreu uma
O TESTE DO
COLLORGATE
Depois da redemocratização,
a partir de 1985, o regime sofreu
uma grande ameaça em 1992,
com o Collorgate – o processo
que culminou com o afastamento
do presidente, assim chamado
em referência ao Watergate, que
levou à renúncia do presidente
Richard Nixon, dos EUA, em 1974.
O Collorgate não teve a drama-
ticidade do suicídio de Getúlio,
em 1954. Nem a ação cinema-
tográfica do golpe preventivo
de 1955, que incluiu a fuga dos
protagonistas num navio que
zarpou do Rio. Tampouco o des-
dobramento da crise da posse de
Jango, em 1961. Mas, no Brasil
contemporâneo, foi o grande
teste da democracia.
Itamar Franco, vice de Collor,
enfrentava alguma resistência de
setores identificados com o então
PFL do senador Antônio Carlos
Magalhães. Dizia-se que ele não
tinha representatividade, uma
vez que não fora eleito. Tratava-
se de um raciocínio golpista, que
não levava em conta a própria
Constituição. Desde meados de
1992, à medida que o afastamen-
to de Collor se tornava uma pro-
babilidade cada vez maior, Itamar
trabalhou para neutralizar tal
resistência. Chegou a defender
uma “união nacional em torno da
legalidade” e senadores armaram
um “cinturão do Itamar” para
garantir a transição. Com sua
posse, venceu a democracia.
Passeata nos
anos 70, quando
segmentos
da sociedade
começaram
a se manifestar
contra a ditadura
meses, em agosto de 1961, acreditando, provavelmente, que seria chamado de volta,
com mais poderes. Também estava enganado.
O
episódio da posse de João Goulart, vice de Jânio, representou séria ameaça à
continuidade democrática. Os ministros militares não o aceitavam, e a crise só foi
contornada com um remendo parlamentarista que tolhia os movimentos de Jango.
Um plebiscito em 1963 restabeleceu o presidencialismo, mas àquela altura o golpe de
1964 já estava praticamente em curso.
Os militares ficaram pouco mais de 20 anos no poder, até 1985, quando, após a
derrota do movimento Diretas Já, o Colégio Eleitoral elegeu Tancredo Neves, civil
e
de oposição. Tecnicamente, a ditadura militar ficara para trás. Tancredo morreu
antes da posse e quem acabou assumindo foi seu vice, José Sarney, um político
que fizera carreira no partido governista durante a ditadura. De qualquer maneira,
Sarney levou a transição política até o fim.
A
primeira eleição direta depois dos militares se deu em 1989, com a vitória de
Fernando Collor. É a partir daí que a democracia medra de verdade. O primeiro gran-
de teste veio com o processo de impeachment em 1992. Estudantes caras-pintadas
saíram às ruas para protestar. O presidente foi afastado, e a democracia saiu ilesa,
com a posse do vice, Itamar Franco, como manda a Constituição.
Tudo somado, noves fora os intervalos em que esteve sob perigo iminente, a
democracia brasileira tem a idade de muitos candidatos ao vestibular deste ano.
Não é pouco. Mas não é muito também. É por ser tão jovem que ela ainda não tem
regras estáveis. Veja-se, a propósito, a duração do mandato presidencial. Sarney
assumiu com quatro anos e acabou ficando cinco. Fernando Henrique Cardoso
conseguiu mudar a regra no meio do jogo e arrancou do Congresso a possibilida-
de de reeleição. Agora, fala-se novamente em cinco anos, sem reeleição. Fala-se
também em terceiro mandato, mas sobre isso Lula disse que é “uma provocação
à
democracia”. Convém anotar a frase – just in case, como dizem os ingleses, um
povo acostumado às práticas democráticas.
O
“fora, Lula” não é antidemocrático. Da mesma maneira que não o era o “fora, FHC”. É
FHC,
apenas o exercício do direito de espernear. Como diria o poeta concretista: “Viva a vaia”.
em cujo
mandato se
permitiu a
reeleição
OSCAR PILAGALLO, jornalista, é autor
de A História do Brasil no Século 20
(em cinco volumes, pela Publifolha)
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SÉRGIO DUTTI / EDITORA GLOBO
ARQUIVO AGÊNCIA O GLOBO
A O Política na tela A e história do Brasil não se encontra apenas nos
A O
A
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Política na tela

A

e

história do Brasil não se encontra apenas nos livros; a resposta

o comentário da questão inédita estão no próximo fascículo

Cena de O Ano em Que Meus Pais

Saíram de Férias, ambientado durante a repressão

Batismo de Sangue e O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias, filmes recentes, retratam um tema que a his- tória oficial parece querer esquecer. Enquanto na Argentina o Estado se encarrega de fazer o país reencon- trar-se, por meio de investigações e punições àqueles que cometeram atrocidades, aqui o cinema é que cumpre esse papel. Os filmes citados tratam:

A) das ditaduras sul-americanas, como as da Argentina, do Brasil e do Uruguai, e da violenta repressão polí- tica praticada por elas, inclusive com ações conjuntas.

DIVULGAÇÃO
DIVULGAÇÃO

B) do Estado Novo (1937 a 1945) e abor-

dam a violenta perseguição ao Partido Comunista Brasileiro e a seus membros.

C) da ditadura militar no Brasil (1964

D) da grande crise econômica vivida

pelos países latino-americanos na década de 80 do século passado,

conhecida como a “década perdida”.

a

1985 ou, para alguns autores, 1989)

E)

dos problemas da juventude brasi-

e

enfocam questões como repressão,

leira no século XXI, sem perspectivas,

tortura e resistência armada.

sem sonhos ou utopias para buscar.

RESPOSTA DA QUESTÃO INÉDITA DO FASCÍCULO I

PPPs, investimentos sem gasto orçamentário

pergunta inédita do primeiro fas-

cículo foi sobre as Parcerias Público- Privadas. As PPPs são uma alternativa para o governo aumentar os investimen- tos em infra-estrutura sem aumentar os gastos orçamentários. Elas podem ocor- rer nas várias esferas de governo.

governo oferece uma concessão

ou solicita a execução de uma obra ao setor privado. Uma estrada, por

exemplo. A empresa que apresentar

a melhor proposta ganha o direito de

construí-la, investindo seu próprio capi- tal, e, depois de pronta, passará a rece- ber as tarifas dos usuários ou um valor estabelecido pelo governo. Alguns partidos políticos questionam essas parcerias, mostrando algumas

distorções, tais como o financiamento público, via BNDES, para a execução da obra. Assim, o espírito da idéia seria viola-

do, pois o capitalista não injetaria capital

próprio. Outros defendem a construção de um sistema de fiscalização para evitar que tentativas de redução de custos coloquem em risco a obra. Esse modelo já foi usado em países como Inglaterra, Espanha, Portugal, Irlanda e África do Sul. Gabarito: alternativa A. (Sobre as PPPs é correto afirmar que são uma alter- nativa que o governo encontrou para atrair investimentos privados para as obras de infra-estrutura necessárias ao país.)

nativa que o governo encontrou para atrair investimentos privados para as obras de infra-estrutura necessárias ao

CEDOC

CEDOC QUESTÕES RESPONDIDAS Ditadura, cidadania e tropicalismo Perguntas feitas em quatro vestibulares cobrem vários
CEDOC QUESTÕES RESPONDIDAS Ditadura, cidadania e tropicalismo Perguntas feitas em quatro vestibulares cobrem vários
CEDOC QUESTÕES RESPONDIDAS Ditadura, cidadania e tropicalismo Perguntas feitas em quatro vestibulares cobrem vários

QUESTÕES RESPONDIDAS

Ditadura, cidadania e tropicalismo

Perguntas feitas em quatro vestibulares cobrem vários aspectos da história contemporânea do Brasil a partir do governo civil derrubado pelo golpe militar de 1964

do Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) em Ibiúna.

D) o discurso a favor das ligas campo-

nesas e da reforma agrária feito por Francisco Julião na Central do Brasil, no Rio de Janeiro.

E) o seqüestro do embaixador norte-

americano por grupos de militantes que participavam da esquerda armada.

Ufam – 2006 (questão 45 da prova de História)

COMENTÁRIO Observe que o enunciado inicia-se com a conjunção subordinativa “embora”. Atenção: isso é apenas um comentário, que não interferirá decisivamente no que

lhe é perguntado na oração principal. Quanto ao conteúdo da questão, ajuda muito localizar no tempo os eventos mencionados nas alternativas. A mar- cha e o discurso de Julião ocorreram em 1964. O seqüestro data de 1969. Sabendo isso, você já elimina três alter- nativas. Para descobrir qual das duas restantes é a correta seria necessário ter conhecimento de que o AI-5, símbolo dos “anos de chumbo” da ditadura, teve um pretexto: a negativa da Câmara dos Deputados em conceder autorização para que o governo processasse um deputado oposicionista por um discurso considerado ofensivo pelos militares.

1ª questão

Embora a tendência a um contínuo

fechamento político já estivesse pre- sente nas ações governamentais desde

golpe militar de 1964, que aconte- cimento foi usado como argumento legitimador para a adoção do Ato Institucional Nº 5, em 1968:

o discurso do deputado Márcio

Moreira Alves no Congresso Nacional,

criticando o Regime Militar.

a marcha da “Família com Deus

Pela Liberdade”, que reuniu milhares de pessoas em São Paulo.

a realização, na clandestinidade,

os direitos sociais e políticos não foram garantidos na Constituição promulgada em 1988. A lei apresenta-se ainda omis- sa em relação aos direitos humanos, das crianças e das mulheres.

1 1 – cidadão é aquele que tem consciên-

cia de seus direitos e deveres e participa de todas as questões colocadas pela sociedade. É um indivíduo que se orienta segundo valores universais e, conseqüen- temente, defende os direitos humanos, sociais e políticos para todos.

2 2 – nos países democráticos, pelo seu

caráter liberal, o Estado não é respon- sável por realizar políticas públicas de

direitos humanos e sociais. Essas ações ficam a cargo da iniciativa privada e dos movimentos sociais.

3 3 – em países pobres e emergentes, a

política de promoção da igualdade tem se mostrado muito frágil. Os recursos para saúde, educação, moradia, emprego, meio ambiente saudável não são sufi-

cientes para eliminar as desigualdades. Nesses países, portanto, é importante a atuação das ONGs (Organizações Não- Governamentais). 4 4 – o movimento pela cidadania no Brasil desenvolveu-se durante os anos de 1980, com os processos de abertura polí- tica e reivindicações de direitos humanos. Um dos principais articuladores dessa luta foi o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho.

Ufal – 2002 (questão 27 da prova de Estudos Sociais)

COMENTÁRIO Esse tipo de enunciado apresenta uma visão histórica sobre determinado assunto. Na maioria desses casos, as alternativas podem reafirmar, ampliar ou mesmo negar o enunciado. É a partir dessas relações que você saberá se a assertiva é falsa ou verdadeira. Uma leitura atenta acaba por indicar a resposta correta. Repare, por exemplo, que as alternativas 0 0 e 2 2 negam o que é dito no enunciado.

2ª questão

A palavra cidadania assumiu vários significados através da História. Na Grécia Antiga, a palavra designava o direito de os homens livres decidirem os destinos da cidade. Atualmente, esse direito foi esten- dido a todos os homens e mulheres e, ainda mais, tornou-se uma condição para

democracia. Analise as afirmações

abaixo sobre o conceito de cidadania:

0 0 – no Brasil, a cidadania é, ainda, um projeto jurídico e uma luta política, porque

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é, ainda, um projeto jurídico e uma luta política, porque rev i s ta é p

ILUSTRAÇÃO: AKE ASTBURY

3ª questão

 
Jango sorve o chimarrão; ele tentou implementar as reformas de base CPDOC/Fundação Getúlio Vargas
Jango sorve
o chimarrão;
ele tentou
implementar
as reformas
de base
CPDOC/Fundação Getúlio Vargas

A) programa de reformas de João Goulart.

 

B) reforma constitucionalista.

 

As reformas de base eram um con- junto de medidas que previam grandes mudanças nas áreas administrativa, fiscal, eleitoral, tributária, educacional e agrária. Entre as medidas defendidas pelo presi- dente estavam a reforma agrária, o direito de voto aos analfabetos e aos militares de baixa patente, a nacionalização das empresas concessionárias de serviços públicos e o imposto progressivo. Tratava- se de um instrumento com o qual o gover- no buscava unir todas as forças paulistas mobilizadas e fazer crer à opinião pública a necessidade de mudanças institucionais na ordem política, social e econômica, como condição ao desenvolvimento nacio- nal. Este texto está relacionado com o período conhecido como:

 

C) milagre brasileiro.

 

D) Plano Salte.

 

E) Plano de Metas.

 

Cesama (AL) – 2007/2 (questão 47 da prova de Conhecimentos Gerais)

 

COMENTÁRIO Enunciados como esse fornecem muitas informações, o que facilita a recuperação do que você sabe sobre o assunto. Quanto ao conteúdo, as reformas de base come- çaram a ser discutidas ainda no governo JK, mas viraram plataforma política apenas no governo de Jango. As reformas agrária e urbana eram as principais metas, mas encontravam resistências dos con- servadores. O impasse em torno das refor- mas levou a uma radicalização política, que desembocou no golpe militar de 1964.

4ª questão

 

plano secundário a qualidade estética de suas canções.

o

moralismo vigente, à esquerda e à direi-

ta, com os experimentalismos radicais em relação a drogas, sexualidade e estética. A música, com Caetano, Gilberto Gil e Tom Zé, foi a maior vitrine, mas não podemos

 
   

D)

para o tropicalismo as transforma-

“Caminhando contra o vento / Sem lenço sem documento / No sol de

ções sociais precedem as mudanças ocorridas no plano subjetivo.

quase dezembro / Eu vou / [

entre fotos e nomes / Sem livro e

sem fuzil / Sem fome sem telefone

]

Por

E)

sociais e revela o engajamento do autor

a letra da canção enfatiza temas

o

esquecer do teatro, com o Grupo Oficina,

cinema, com Gláuber Rocha, e as artes plásticas, com Hélio Oiticica.

 

/

No coração do Brasil / Ela nem

 

na resistência política armada.

sabe até pensei / Em cantar na

 

televisão / O sol é tão bonito / Eu vou / Sem lenço sem documento

UEL – 2004 (questão 38 da prova de História)

COMENTÁRIO Diferentemente das questões que apresentam letras de músicas ou poe- mas que pouco interferem na resposta, esse trecho dá várias dicas sobre a alter- nativa correta. Repare nas metáforas “contra o vento”, “sem lenço sem documen- to”, “sem livro e sem fuzil”. A tropicália significou uma ruptura estética e também político-ideológica com o nacionalismo da esquerda ortodoxa de então. Desafiou

uma ruptura estética e também político-ideológica com o nacionalismo da esquerda ortodoxa de então. Desafiou

Nada no bolso ou nas mãos / Eu quero seguir vivendo amor.”

/

(Caetano Veloso, música “Alegria Alegria”)

 
 

Com base na letra da canção e nos conhecimentos sobre o

 

tropicalismo, é correto afirmar:

A)

ao criticar a sociedade por meio da

 

construção poética, a canção questiona determinada concepção de esquerda dos anos 1960.

B)

a letra da canção mostra que os tropi-

calistas usavam a arte como instrumento para a tomada do poder.

C)

ao valorizar a aproximação com a

 

mídia os tropicalistas colocaram num

 
 

4(A)3(A);Verdadeiro);Verdadeiro,Falso,Verdadeiro,2(Falso,(A);1GABARITO

 
 
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Vote no tema do 11º fascículo deste guia Basta entrar no site da revista e
Vote no tema do 11º fascículo deste guia Basta entrar no site da revista e
Vote no tema do 11º fascículo deste guia Basta entrar no site da revista e
Vote no tema do 11º fascículo deste guia Basta entrar no site da revista e
Vote no tema do 11º
fascículo deste guia
Basta entrar no site da revista e escolher um
dos quatro temas propostos pelos professores
O 11º fascículo do Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades é uma
espécie de faixa-bônus. Mas, ao contrário do que ocorre com os CDs,
no fascículo a escolha do conteúdo ficará a critério dos estudantes que vota-
Inicie a prova
pelas questões
que considerar mais
fáceis. Dessa forma,
você garante melhor
aproveitamento
do tempo e os
primeiros acertos,
o
que reforçará sua
disposição para
o
prosseguimento
do exame.
rem no site www.epoca.com.br. Esse fascículo extra terá a estrutura dos dez primeiros
que estão sendo encartados gratuitamente na revista semanal. Ou seja, haverá questões
comentadas, pinçadas de vestibulares já realizados.
Haverá também uma questão inédita. O assunto prin-
cipal será escolhido pelos estudantes, que poderão vo-
tar em um dos quatro temas propostos.
São eles: 1) Globalização e Organizações
Multilaterais, 2) União Européia, 3) Biotecnologia e
Células-Tronco e 4) Crime Organizado. O fascículo
terá a mesma apresentação da edição impressa.
Assim, aqueles que o desejarem, poderão fazer
cópias da versão eletrônica.
DIRETOR EXECUTIVO Juan Ocerin
DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira
DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto Corazza
DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar
DIRETOR DE ASSINATURAS Stavros Frangoulidis Neto
DIRETORA DE MARKETING Yara Grottera
DIRETOR DE REDAÇÃO Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br
REDATOR-CHEFE David Cohen
DIRETOR DE CRIAÇÃO Saulo Ribas
EDITORES-EXECUTIVOS André Fontenelle, David Friedlander
DIRETOR DE ARTE Marcos Marques
O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades é um projeto
editorial de 11 fascículos desenvolvido pelo UNO Sistema
de Ensino da Editora Moderna para a Editora Globo. © 2007
Editora Moderna e Editora Globo. Todos os direitos reserva-
dos. Nenhuma parte desta coleção pode ser reproduzida sem
autorização prévia da Editora Moderna e da Editora Globo.
COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO Ana Luisa Astiz
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Carlos Piatto (UNO)
COORDENAÇÃO DE TEXTOS Antonio Carlos da Silva (Prof.
Toni) e Venerando Santiago de Oliveira
COMENTÁRIOS AOS ENUNCIADOS E DICAS Jô Fortarel
EDIÇÃO DE TEXTO Oscar Pilagallo
EDIÇÃO DE ARTE Leonardo Nery Protti
ILUSTRAÇÕES AKE Astbury
REVISÃO Bel Ribeiro
SUPERVISORA DE INTERNET Adriana Isidio (UNO)
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Ilustração: AKE ASTBURY