ÉTICA E EDUCAÇÃO: O AGIR MORAL ENQUANTO

PROCESSO DE APRENDIZAGEM
Irene Mônica Knapp
1


Amarildo Luiz Trevisan
2


Resumo:
Este artigo tem a pretensão de provocar uma reflexão sore situa!"es #ue $o%e se colocam
envolvendo a responsailidade da a!ão $umana no mundo fazendo a rela!ão da &tica com a
educa!ão no contexto $odierno' retomando aspectos importantes #ue fizeram e ainda fazem
parte das preocupa!"es sore a forma!ão do ser $umano( )um primeiro momento' pretende*
se retomar aspectos conceituais sore a &tica e sua rela!ão com a forma!ão' apontando alguns
conceitos sore a &tica no campo filos+fico( )o segundo momento' pretende*se fazer uma
leitura da &tica do dever e da &tica do discurso e sua rela!ão com a educa!ão( ,ara tanto' as
id&ias de Kant e -aermas colocam*se como aporte te+rico nesta leitura' como possiilidade
de provocar algumas reflex"es sore concep!"es e pr.ticas #ue permeiam o amiente
pedag+gico atualmente' evidenciando a necessidade de se refletir sore a proposta de uma
&tica fundamentada pelo discurso argumentativo no atual contexto $ist+rico(
Palavras!"ave: /tica( Educa!ão( Agir moral(
Co#s$%era&'es $#(ro%u()r$as
/tica e educa!ão camin$am %untas desde os fil+sofos gregos( 0egundo -ermann' a
reflexão a partir dos costumes de vida dos gregos torna*se a tematiza!ão 1da#uilo #ue
c$amamos de bem viver ou bem agir2 32441' p( 156( A &tica en#uanto fundamento do agir
moral $umano' interpreta' discute e prolematiza as normas necess.rias para o conv7vio na
sociedade( A educa!ão' por sua vez' elaora os camin$os para esta forma!ão' conduzindo o
ser $umano para uma vida social virtuosa en#uanto cidadão respons.vel no conv7vio com o
outro( ,ortanto' a &tica' en#uanto princ7pio formativo' uscou fundamentar as id&ias de
lierdade e %usti!a como forma de orienta!ão para o agir $umano dentro da sociedade(
8onforme -ermann 324416' a &tica representa' desde a sua origem grega' a id&ia de forma!ão
1
,edagoga' Especialista em 9estão Educacional' mestranda em educa!ão pela :niversidade ;ederal de 0anta
Maria 3:;0M6( m<nap=ol(com(r
2
,rof( >r( >o ,rograma de ,+s*9radua!ão do 8ento de Educa!ão?,,9E pela :;0M' pes#uisador do 8),# e
co*autor do artigo( amarildoluiz=terra(com(r
do $omem no sentido de conter seus impulsos e paix"es' na possiilidade de estaelecer
normas capazes de regular a conviv@ncia $umana não apenas so o ponto de vista particular'
mas no conv7vio social( A partir de tal pensamento' a educa!ão identifica*se com a &tica no
intuito de educar o indiv7duo para sua rela!ão em uma comunidade' articulada com a id&ia de
bem.
>iante da possiilidade de uma educa!ão voltada para princ7pios &ticos' cae a
#uestãoA & poss7vel * diante da diversidade cultural' de referenciais gloalizados e da
dissolu!ão de parBmetros tradicionais C resgatar valores &ticos #ue se podem estaelecer
como universais' tal como prop"e -aermas' criando uma expectativa de maior solidariedade'
tolerBncia e respeito mDtuo no cen.rio atualE F escola cae repensar suas ases de
%ustifica!ão da atual pr.tica pedag+gica' como tam&m' se posicionar diante da prolem.tica
colocada e assumir seu papel na forma!ão pDlica' não apenas cr7tica' mas tam&m &tica(
É($!a e e%u!a&*o: a $%+$a %e ,em !omo -r$#!.-$o /orma($vo %o ser "uma#o
>e um modo geral' &tica refere*se a princ7pios #ue regem a conduta $umana(
8onforme o >icion.rio de ;ilosofia de Aagnano 324446 $. duas concep!"es #ue se colocam
como fundamentais para o conceito de &tica( A concep!ão de &tica como ci@ncia #ue orienta
para um fim e para os meios necess.rios para atend@*lo' tendo a natureza $umana como
refer@ncia tanto para o fim #uanto para os meios( A concep!ão de &tica en#uanto ci@ncia do
móvel 3motivo6 do agir $umano' procurando determinar tal m+vel com vistas a dirigir ou
disciplinar essa conduta( >e acordo com o autor' emora as duas concep!"es falem de coisas
diferentes' tanto na Antiguidade #uanto no mundo moderno' ocorreu uma mescla em seus
usos' provocando algumas confus"es' principalmente' por#ue amas traziam uma id&ia'
aparentemente' id@ntica de bem.
G voc.ulo bem' segundo Aagnano' & a palavra tradicional #ue' na linguagem
moderna' & sustitu7da pela palavra valor e pode referir*se tanto a um valor material #uanto a
um sentimento' a!ão ou comportamento do car.ter' identificando*se tam&m' com o ad%etivo
bom( )o sentido de bem moral' a &tica passa a ser o estudo sore seus diferentes significados
$ist+ricos #ue' na filosofia' podem*se destacar duas lin$as te+ricas importantes #ue' conforme
o autor' são a metafísica C identificando o em como realidade suprema e asoluta C e a
subjetivista * #ue identifica o em como o%eto da vontade e do dese%o $umano( A partir do
entendimento do #ue seria o bem' decorrem normas voltadas H forma de agir e de viver de
acordo com crit&rios morais(
2
A palavra grega ethiké foi traduzida a partir do termo latim moralis 3moral6' tendo
como raiz o sustantivo mos, 1#ue significa modo de proceder segundo usos e costumes2
3iid(' p( 1I6( A identifica!ão do termo moral com a palavra &tica & produto de modifica!"es
ocorridas ao longo da $ist+ria( 8onforme -ermann 324416' H &tica pertence o papel de' so o
ponto de vista filos+fico' discutir e prolematizar os valores morais e a fundamenta!ão do agir
moral nessa perspectiva do #ue se%a o em viver e em agir( ,ara Arist+teles 3244J6' a
felicidade como sumo em deveria ser compartil$ada pelo maior nDmero de pessoas( ,ara o
fil+sofo' a atua!ão pol7tica na pólis era a culminBncia do indiv7duo en#uanto pessoa' en#uanto
cidadão #ue compartil$a as suas virtudes 3areté6 C intelectuais e morais * e constr+i sua
identidade social( As virtudes &ticas' necess.rias para se c$egar H felicidade' são constru7das
atrav&s do $.ito' da experi@ncia e do ensino' num esfor!o cont7nuo da oa vontade do
indiv7duo(
,ara Tugend$at 31KKL6 não $. como eximir*se de %u7zos morais sore o #ue se %ulga
ser bom ou mau no conv7vio em sociedade( Gs %u7zos entre #ue & %ulgado bom ou mau são
caracterizados pelos diferentes conceitos de bem' o #ue por sua vez orientou as diferentes
concep!"es morais sore o agir do $omem na sociedade( Emora a id&ia de em' no decorrer
dos tempos' modifica*se' na educa!ão permanece a preocupa!ão em desenvolver no $omem
atitudes #ue consideram o agir correto' voltado para a %usti!a' para a coopera!ão e para a
solidariedade no conv7vio com os demais( A educa!ão' so tais princ7pios' mostra' no seu
percurso $ist+rico' seus paradoxos entre educar para autonomia e a lierdade e o educar como
forma de controle dos instintos e paix"es individuais( >ecidir sore #uais as atitudes mais
apropriadas' fazer escol$as entre o #ue %ulga ser certo ou errado' são manifesta!"es
especificamente $umanas decorrentes de um processo de forma!ão( G entender*se um com o
outro' recon$ecendo as diferen!as a partir de sua identidade' torna*se um desafio constante no
fazer pedag+gico(
0a#(: a ,oa vo#(a%e e o %ever e#1ua#(o ma#$/es(a&*o %o ,em
G pro%eto moderno implicou' no campo da educa!ão' em uma &tica fundamentada na
id&ia de razão $umana( Estaeleceu um ideal de forma!ão na cren!a sore o agir racional
capaz de escol$er entre a!"es corretas e incorretas' morais e imorais( ,or&m' este su%eito
universal da razão demonstrou' tam&m' sua fra#ueza diante das possiilidades de escol$a'
deixando*se levar pela ganBncia' pelo individualismo e Bnsia de poder pelo controle da
natureza e sore o pr+prio $omem( Tal prolem.tica implica em um processo de reflexão
M
sore as possiilidades de uma rela!ão entre a &tica e o processo pedag+gico serem pensadas
sore outras premissas' levando em conta as lacunas deixadas pela fundamenta!ão racional da
&tica' considerando o car.ter faliilista do pensamento $umano e da presente pluralidade
sociocultural e filos+fica(
:m ilustre representante da &tica moderna & Immanuel Kant 31I2J C 1N4J6( A ética
do dever' iniciada por Kant fundamenta*se por a#uilo #ue o fil+sofo denominou de
imperativos categóricos * a a!ão moral & v.lida se a regra #ue a orienta' puder tornar*se uma
regra universal( Em seu livro Fundamentação da metafísica dos costumes e outros escritos
324456' Kant usca apresentar uma fundamenta!ão para uma id&ia de em estaelecida de
acordo com a#uilo #ue definiu como uma 1oa vontade2( 8om Kant a id&ia de felicidade
como sumo em & sustitu7da pela id&ia do dever*ser' orientado por princ7pios de uma razão
o%etiva e não por inclina!"es pessoais como acontecia com a id&ia aristot&lica de felicidade(
,ara o fil+sofo' somente as determina!"es de uma oa vontade podem orientar as escol$as
mais acertadas( Essa vontade 3digna6 s+ pode ser determinada pelo uso da razão' pois' outras
inclina!"es $umanas' como as paix"es' dese%os e outras emo!"es podem tender tanto para o
em como para o mal(
>esta forma' torna*se moralmente v.lido a#uilo #ue pode ser determinado sem
outras inten!"es' mas' como um fim em si mesmo' pelo 1conceito de dever #ue cont&m em si
o de oa vontade2 32445' p( 2J6 e #ue restringe as inclina!"es su%etivas' uma vez #ue estas
conduzem a uma id&ia e#uivocada de em moral( 8onforme o autor' nossas atitudes cont@m
um princ7pio moral #uando praticadas sem interesses pessoais' mas pelo #uerer' pelo dever
em si( A m.xima <antiana C princ7pio su%etivo do #uerer C & o pressuposto para o princ7pio
da lei pr.tica' da razão pr.tica o%etiva de forma #ue possa ser aceita por todos' isto &' em
forma de lei' o #ue Kant denomina de imperativo categórico( ,ois' 1o dever & a necessidade
de uma a!ão por respeito H lei2' e sendo assim' 1devo agir sempre de modo #ue possa #uerer
tam&m #ue min$a m.xima se converta em lei universal2 3Kant' 2445' p( 2N*2K6( Emora o
pr+prio autor 324456 admita as dificuldades do ser $umano agir por puro dever 3sollen6'
acredita na disposi!ão do esp7rito para esta forma!ão do car.ter( G ideal da razão' como
pressuposto para o agir moral' volta*se para a importBncia do processo educativo do su%eito(
0egundo o autor 3244J6' o $omem & o Dnico animal a necessitar de educa!ão e forma!ão' pois'
& singularmente ele #ue tem a lierdade de escol$a(
Tal capacidade exige o uso da razão para o recon$ecimento dos princ7pios da lei #ue
devem orientar as escol$as' desta forma' para Kant' a vontade & a pr+pria razão pr.tica( Gs
imperativos categ+ricos de Kant serviriam como um dispositivo para regular as imperfei!"es
J
$umanas 3su%etivas6 da vontade' para uma vontade considerada oa' necess.ria por si
mesma' governada so leis o%etivas 3do em6( 0omente os imperativos categ+ricos t@m a
validade de uma lei' pois' são formulados a priori' livre das influ@ncias $umanas
condicionadas pelos motivos e leis emp7ricas( G cumprimento da lei estaria assegurado pela
rela!ão de todo ser $umano com um conceito de vontade' o%eto de estudo de uma 1metaf7sica
dos costumes2 3Kant' 2445' p( 5I6' de uma filosofia pr.tica #ue usca con$ecer e investigar os
princ7pios e leis da#uilo #ue deve ser' não considerando crit&rios sore o #ue agrada ou
desagrada(
A forma!ão do ser $umano em conformidade com os imperativos categ+ricos deve
ser vista como um fim' ou se%a' a educa!ão deve elevar o $omem a um outro n7vel de
moralidade' para uma outra natureza' a natureza &tica( ,ara Kant 3244J6' o $omem & fruto de
sua educa!ão #ue deve ser aperfei!oada com o passar das gera!"es no sentido de desenvolver
no $omem suas disposi!"es para o em( 0endo assim' em Kant' a educa!ão est. voltada para
uma id&ia de futuro' a#uilo #ue pode vir *a*ser( 1A educa!ão' portanto' & o maior e o mais
.rduo prolema proposto aos $omens2 3p(246( A pedagogia fundamentada em princ7pios
voltados para uma forma!ão #ue contriua para um futuro mel$or' para mel$orar as condi!"es
da vida $umana' permanece como um pressuposto da educa!ão atual( G pro%eto do
Iluminismo 3Aufklrung6' de emancipa!ão do $omem atrav&s da razão' creditou na educa!ão a
confian!a de sua efetividade' modificando as cren!as e o agir $umano não mais orientado pela
fundamenta!ão religiosa( 8onforme -ermann 324416' o uso da razão passa a orientar a ci@ncia
e a conduta &tica atrav&s da interven!ão educativa' na id&ia ut+pica de um mundo mel$or( A
#uera de tais convic!"es se deu pelas dificuldades o%etivas encontradas para desenvolver os
princ7pios &ticos propostos pelo Iluminismo( G indiv7duo <antiano da razão autônoma e livre
voltou*se para seu individualismo' movido por interesses particulares e utilizando o pr+prio
$omem como meio para alcan!ar seus prop+sitos( A viol@ncia social gerada pelas in%usti!as
cometidas em nome do poder pol7tico*econômico e do controle tecnol+gico' desvelou as
outras potencialidades do agir $umano em enef7cio pr+prio' ferindo os princ7pios &ticos para
uma conduta moral voltada para o em' tanto individual #uanto coletivo(
G progresso da $umanidade restringiu*se H dimensão econômica' Hs apar@ncias do
1poder*ter2( A vontade do consumo material tornou*se o valor a ser dese%ado( A natureza'
en#uanto em material a ser utilizado para a mel$oria da #ualidade de vida de todos' passa a
ser explorada e devastada inescrupulosamente como um em particular' com fins estrat&gicos(
A educa!ão' fundamentada na cren!a do desenvolvimento $umano em todas as dimens"es'
v@*se ref&m de um contexto #ue invade o meio pedag+gico' uma vez #ue' exp"e a sua
5
fragilidade em estaelecer outros discursos diante de uma realidade #ue l$e parece inusitada(
Este estran$amento revela um certo romantismo pedag+gico diante do #ue se pressup"e
constituir o ser $umano(
A &tica <antiana' de um su%eito universal #ue se volta para o progresso de um mundo
moralizado' encontra*se presente o ideal pedag+gico atual' mas' #ue revela suas lacunas
diante da realidade o%etiva( >e acordo com -ermann a 1id&ia predominante da tradi!ão &tica'
de #ue s+ temos uma Dnica posi!ão v.lida' atua como expectativa em toda a teoria da
educa!ão2 32441' p( LI6( A complexidade das culturas atuais' a pluralidade de concep!"es
presentes' fica sutra7da diante de uma razão asoluta e reela*se diante de um pensamento
unificador( As conting@ncias exigem seu espa!o no campo educativo( Emora o
estaelecimento de parBmetros universais não possa ser prescindido' as conting@ncias
envolvidas necessitam ser consideradas( )ão se trata de excluir as m.ximas do imperativo
categ+rico <antiano' mas de reconstru7*los sem prescindir da necess.ria rela!ão com o mundo
da vida' como aponta -aermas(
2a,ermas: a É($!a %o %$s!urso !omo l$m$ar %a 3us($&a e %a sol$%ar$e%a%e
-aermas 31KNKO1KK4O1KK1O244J6 usca reconstruir a &tica <antiana
fundamentando*a na ase do discurso argumentativo' tendo como refer@ncia a teoria de Apel(
0egundo Apel 31KKJ6 somente o discurso argumentativo seria capaz de validar normas e
%u7zos #ue tornam*se prolem.ticos no mundo da vida( ,ara Apel a situa!ão atual da
$umanidade * os riscos impostos pelo pr+prio $omem sore sua soreviv@ncia C exigem' por
si' um posicionamento moral( 0egundo o autor' 1por primeira vez na $ist+ria mundial
transcorrida at& agora' se torna vis7vel uma situa!ão' na #ual os $omens' em face do perigo
comum' são desafiados a assumir uma responsailidade moral2 3Apel' 244J' p(1KM6( 0endo
assim' a situa!ão na #ual o $omem' $o%e' se encontra C perigo da guerra nuclearO devasta!ão
da iosferaO viol@ncia socialO corrup!ão pol7tica((( C %. se coloca como um prolema &tico(
Apel considera as possiilidades de se retomar um discurso &tico voltado para a
reconstru!ão da situa!ão $umana( G autor usca resgatar o su%eito concreto' contingente'
sutra7do da &tica moderna( ,or&m' assinala #ue toda norma individual pode ser criticada' via
argumenta!ão' por uma norma .sica' a #ual deve estar conectada( )este sentido' a &tica #ue
$o%e se torna necess.ria' conforme Apel' refere*se a responsailidade moral assumida por
cada indiv7duo pelo seu outroO a responsailidade pol7tica en#uanto participa!ão na sociedadeO
e uma responsailidade da $umanidade para com o planeta( A motiva!ão por uma postura
L
&tico*moral em uma sociedade ou grupo' dar*se*ia pelo recon$ecimento da alteridade'
pressuposto .sico para o conv7vio na pluralidade presente no mundo( A alteridade traz a
possiilidade do recon$ecimento do outro' na sua identidade e na sua diferen!a( Gu se%a' a
rela!ão entre o !ue é e o #ue é possível' traz a expectativa de se uscar acordos consensuais
universais' emora não asolutos' transpondo o relativismo individualista' por&m' sem negar a
individualidade da#uele #ue participa do acordo(
A cren!a na possiilidade de se estaelecer uma comunidade de comunica!ão
pressup"e a possiilidade de se retomar valores &ticos importantes' at& então' no atual
contexto mundial( ,ara -aermas' no conv7vio social * mediado pelo agir comunicativo C
colocam*se as expectativas de supera!ão do egocentrismo' pautado pelo interesse apenas
individual' para sumeter*se a crit&rios pDlicos de uma racionalidade voltada para o
entendimento mDtuo( Tal processo de entendimento' para o autor' re#uer #ue o interesse se%a
compartil$ado' uma vez #ue' passa pelo vi&s da linguagem' pressupondo uma rela!ão
intersu%etiva( Gs participantes do di.logo comprometem*se mutuamente com os resultados
do processo( )esta perspectiva' & #ue -aermas #ualifica sua /tica do >iscurso(
A constitui!ão do indiv7duo est. entrela!ada com a intera!ão s+cio*cultural( ,ara
-aermas 31KK16' o indiv7duo isolado' 1por si s+' não consegue afirmar sua identidade2 3p(
1K6' necessitando do compartil$amento com os outros como refer@ncia aos seus pr+prios atos(
0egundo o autor' a moral coloca*se como um dispositivo de prote!ão nas rela!"es
interpessoais C constru7das sore uma ase comunicativa * como forma de orienta!ão e
prote!ão 1H extrema vulnerailidade dos indiv7duos2 3Iid(' p(1N6( :ma vez #ue a
individualiza!ão se constitui na socializa!ão' para -aermas' a moral tem duas tarefas a
cumprirA exige o respeito H dignidade de cada um 3%usti!a6O e' da mesma forma' em
recon$ecimento mDtuo' exige a reciprocidade desse respeito ao outro como memro do grupo
3solidariedade6(
A &tica do discurso disp"e do potencial de estaelecer uma estreita rela!ão entre
%usti!a e em*estar 3solidariedade6( Tais princ7pios &ticos' tradicionalmente' colocavam*se em
posi!"es excludentesA as &ticas do dever voltaram*se para o princ7pio de %usti!a e as &ticas do
em' para o em*estar geral( ,ara -aermas' esta rela!ão entre %usti!a e solidariedade
destacada na &tica do discurso' torna*se poss7vel #uando orientada por uma forma de
comunica!ão mais exigente' como no caso da $ermen@utica' garantindo 1uma forma!ão
inteligente da vontade ao contemplar os interesses de cada indiv7duo' sem #ue o elo social #ue
o liga o%etivamente a todos indiv7duos se%a #uerado2 31KK1' p(256(
I
)o discurso argumentativo pela usca do consenso' cada participante' por um lado'
opta pelo 1sim2 ou pelo 1não2' e por outro lado' estende a mesma igualdade de direitos aos
outros' necessitando sair de uma posi!ão egoc@ntrica de seu ponto de vista particular' para um
ponto de vista cooperativo( 8om isso' -aermas usca retomar e ampliar a &tica <antiana' de
princ7pios universais' incluindo aspectos do mundo vivido' mas capaz de construir consensos
astra7dos de formas particulares de vida( G processo de aprendizagem via socializa!ão
comunicativa' are $orizontes para #ue a forma!ão &tica e est&tica se%am retomadas como
dimensão essencial no conv7vio com o outro e a natureza( )a pr.tica pedag+gica' a &tica do
discurso provoca para um outro ol$ar sore as rela!"es professor*aluno*conteDdo' pontos
fundamentais do processo educativo( G conteDdo formal' ponto de c$egada da a!ão
pedag+gica' necessita estaelecer uma rala!ão $ermen@utica com o mundo pr.tico' numa
permanente ressignifica!ão do sentido educativo' considerado toda a complexidade e
inconstBncia #ue envolvem o comportamento $umano(
Co#s$%era&'es /$#a$s
A escola envolve*se' diariamente' com um pDlico diversificado o #ual se encontra
em um per7odo de forma!ão pleno' com ampla capacidade de assimila!ão dos modelos
oferecidos' tanto no seu contexto local #uanto gloal' considerando o f.cil acesso Hs
tecnologias de comunica!ão( Tal realidade implica em situar a escola como espa!o de
forma!ão importante na vida da crian!a e do adolescente no #ue se refere Hs #uest"es &ticas
#ue permeiam a sociedade( Levantar #uest"es sore &tica e educa!ão torna*se pertinente por
edificar expectativas para uma forma!ão capaz de recolocar em pauta a importBncia da
sensiilidade diante das situa!"es desumanas e inescrupulosas estampadas diariamente no
mundo' ou se%a' & comprometer*se com a recusa diante da analiza!ão de #ual#uer tipo de
viol@nciaO comprometer*se com a necessidade do processo de $umaniza!ão #ue cae ao
indiv7duo na sua rela!ão com os outros e a naturezaO enfim' uma forma!ão com princ7pios
&ticos traz' tam&m' a possiilidade de #ue outras dimens"es' como a est&tica e a
responsailidade ecol+gica' ven$am a fazer parte do compromisso $umano(
As id&ias de Kant e -aermas' no campo da educa!ão' são provocativas no sentido
de se uscar alternativas mais solid.rias no trato entre as pessoas e o meio' comprometendo*se
com o #ue vai al&m de seu mundo privado( A preserva!ão da natureza e o respeito H dignidade
$umana ainda necessitam ser pensadas como valores necess.rios H $umanidade' H
soreviv@ncia da pr+pria ra!a $umana( A %usti!a e a solidariedade são valores #ue ultrapassam
N
o local' tornando*se o%etivos comuns( G campo educativo torna*se um forte aliado nesta
forma!ão &tica uma vez #ue' trata diariamente com um consider.vel pDlico em pleno per7odo
de forma!ão( A sa7da para o egocentrismo moral passa por processos de aprendizagem #ue a
escola' na suas especificidades' tem muito a contriuir na forma!ão de um cidadão
respons.vel por seus atos no conv7vio com seu outro e a natureza(
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