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FACULDADE BRASILEIRA

Credenciada pela Portaria/MEC N o 259 de 11.02.1999 D.O.U. de 17.02.1999

N o 259 de 11.02.1999 – D.O.U. de 17.02.1999 DIREITO Exercício - 1º Bimestre Nome do

DIREITO

Exercício - 1º Bimestre

Nome do aluno: PEDRO PAULO MERSCHER MACHADO

Matrícula: 13200597

Disciplina: Direito Penal II

Professor: Larissa Jaretta

Turma: Dependência

Valor:

3,0

Nota obtida:

Data: 13/04/2014

1) O que é sanção penal? Quais as suas espécies? Explique. Pena é a medida aflitiva imposta pelo estado, por meio da ação penal, ao autor de infração penal, como retribuição de seu ato ilícito. Existem duas espécies de sanção penal, sendo elas: a PENA que é a sanção penal aplicada a agente imputáveis; e a MEDIDA DE SEGURANÇA que é a sanção penal aplicada aos agentes inimputáveis por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado. Os semi-imputáveis poderão receber pena reduzida ou medida de segurança.

2) Quais as finalidades das penas? Explique abordando suas teorias. Qual delas foi adotada pelo Código Penal Brasileiro? A teoria Absoluta onde, a pena é a consequência natural imposta pelo Estado quando alguém pratica uma infração penal. Quando o agente comete um fato típico, ilícito e culpável, abre-se a possibilidade para o Estado de fazer valer o seu “Ius Puniendi”. A teoria Relativa onde, a pena tem aspecto de retribuição ou de castigo pelo mal praticado punitur quia peccatum. A retribuição tem razão de ser, pois, o injusto cometido pelo agente precisa ser reprimido com rigor pelo Estado, de forma que o delinquente não venha mais à delinquir. E também um aspecto de prevenção. A prevenção geral visa ao desestímulo de todos da prática de um crime. A prevenção especial dirige-se à recuperação do condenado. O código penal brasileiro adota a teoria mista em razão do art. 59 do CP, que traz que o direito penal brasileira precisa de punir o mal causado e mostrar que caso outro fizer também será punido, sendo assim necessita das duas teorias abordadas acima.

3) Explique a chamada função social da pena. A criação das penas possui como função precípua equilibrar uma situação rompida pela prática de um delito, neste contexto, percebe-se que o Direito Penal não é um mero aplicador desordenado de sanções, mas sim um garantidor de liberdades e direitos.A pena, por muitos anos, possuiu a finalidade de repressão, passando, posteriormente, a ocupar uma função de prevenção. Atualmente, utiliza-se a reprovação conjugada com a prevenção social, de forma que se tenta fazer com que o delinquente não volte a delinquir.

4) Quais os fundamentos da pena? Explique.

Temos três correntes Doutrinárias, que nos explicam o fundamento de punir e os fins da pena, são elas: as absolutistas, as relativas ou utilitárias e as mistas.

As teorias absolutistas baseiam-se numa exigência de justiça, ou seja, ao mal do crime, deve-se aplicar o mal da pena, imperante entre eles a igualdade. "Só o que é igual é justo". Negam os fins utilitários da pena defendendo a aplicação de um mal justo oposto ao mal injusto do crime.

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N o 259 de 11.02.1999 – D.O.U. de 17.02.1999 As teorias relativas atribuem à pena um

As teorias relativas atribuem à pena um fim prático; a prevenção. Esta seria a aplicação da pena para a intimidação de todos para que não cometam o crime. A pena é considerada um mal para o indivíduo, que a sofre, e para a coletividade, que lhe suporta o ônus. Entretanto, justifica-se, por sua utilidade.

Por fim, as teorias mistas, estas sustentam o caráter retributivo da pena, mas agregam os fins da reeducação e da prevenção do delinquente.

5) Quais são as espécies de penas?

Penas privativas de liberdade (arts. 33 e seguintes - CP): previstas em abstrato nos respectivos tipos penais, devem ser aplicadas diretamente.

Penas restritivas de direitos (arts. 43 e seguintes - CP): têm caráter substitutivo, sendo aplicadas posteriormente às penas privativas de liberdade, desde que presentes os requisitos legais para tanto.

Penas de multa (ou pecuniárias) (arts. 49 e seguintes - CP): conforme o caput, 1ª parte, do artigo 49 do CP, a pena de multa "consiste no pagamento ao fundo penitenciário da quantia fixada na sentença e calculada em dias-multa".

6) Quais as modalidades de cominação das penas? Explique.

A primeira diferença entre as duas modalidades de penas, que seria o regime de seu cumprimento, não existe, pois tanto a pena de reclusão, quanto a de detenção, podem ser cumpridas em quaisquer dos três regimes, cujas regras serão estudadas adiante. Sim, pois dentro do sistema progressivo brasileiro, mesmo o condenado à pena de reclusão poderá, em dado momento, cumprir parte dela no regime aberto, e o condenado à pena de detenção poderá, se necessário, cumprir parte dela em regime fechado.

Estaria a diferença das penas relacionadas com a gravidade dos crimes a que correspondem? A de reclusão seria para crime mais grave e a de detenção para crime menos grave?

Tomem-se dois exemplos: para o crime de induzimento, instigação ou auxílio a suicídio, definido no art. 122 do Código Penal (induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça), a pena cominada é de reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma, ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave. Já para o crime de infanticídio, tipificado no art. 123 do Código Penal (matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após), a pena é de detenção, de dois a seis anos.

Nos dois crimes, havendo morte, a quantidade da pena é idêntica, de dois a seis anos, mas na participação em suicídio a pena é de reclusão, ao passo que no infanticídio a pena é de detenção. Qual dos crimes é o mais grave, se o bem jurídico é o mesmo, a vida? Igual pena, de detenção por dois a seis anos, é cominada ao abandono de recémnascido, seguido de morte (“expor ou abandonar recém-nascido, para ocultar desonra própria”).

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N o 259 de 11.02.1999 – D.O.U. de 17.02.1999 Difícil afirmar qual dos crimes é o

Difícil afirmar qual dos crimes é o mais grave, qual comportamento merece maior censura, maior reprovação. Discutindo-os, encontrar-se-iam as mais diversas razões em todos os sentidos e muito provavelmente não se encontraria uma solução pacífica, extreme de dúvidas.

7) Quais as espécies de penas privativas de liberdade? Explique.

Reclusão: cumprimento da pena em regime fechado, semiaberto ou aberto;

Detenção: cumprimento da pena em regime semiaberto ou aberto, exceto quando houver necessidade de transferência a regime fechado;

Prisão Simples: cumprimento da pena em regime semiaberto ou aberto, apenas para os casos de contravenção penal.

8) O que é regime penitenciário? Quais as espécies trazidas pelo Código Penal?

Regime são todas as características que envolvem o cumprimento da pena de prisão, como

a possibilidade ou não de trabalho externo, o tipo de estabelecimento penitenciário que abrigará

o condenado, a maior ou menor liberdade de ir e vir e de contato com a sociedade. A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado, semiaberto ou aberto.

Regime Fechado - execução de pena em estabelecimento de segurança máxima ou média. Isolado da sociedade. Para condenado a pena superior a oito anos. O trabalho externo é admissível em serviços ou obras públicas ou entidades privadas (empreiteira que executa obra pública) desde que o detento tenha cumprido 1/6 (um sexto) da pena. Não é possível em obras privadas. Haverá a passagem para o regime semiaberto, se não houver praticado falta grave.

Regime Semiaberto execução da pena em colônia agrícola, industrial, ou estabelecimento similar. Para condenado não reincidente, cuja pena seja superior a quatro anos e não exceda oito anos. O condenado fica sujeito a trabalho em comum durante o período diurno, em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar. O trabalho externo é admissível, bem como a freqüência a cursos profissionalizantes, de instrução de segundo grau (ensino médio) ou superior. O trabalho externo pode ser autorizado pelo juiz ou pela direção do estabelecimento após o cumprimento de um sexto da pena, se o condenado for primário, e 1/4 (um quarto), se reincidente e demonstre compatibilidade do benefício com os objetivos da pena. Admite-se o

empresas privadas.

trabalho externo

em

sair

Tem direito o preso que cumpriu 1/6 da pena a qual foi condenado. Os presos têm direito a

do expediente.

para

trabalhar,

tendo

que

voltar

ao

final

O regime semiaberto hoje nada mais é do que um artifício de esvaziamento carcerário e uma chance de reincidência para os que conseguiram ultrapassar incólumes (ao menos

fisicamente) as agruras do regime fechado. No regime semiaberto, o que se tem, ao contrário do que a lei preconiza, é uma quase liberdade. O interno dorme na penitenciária e durante o dia

trabalha

liberdade.

em

Regime Aberto execução em casa de albergado ou a própria residência. Para condenados não reincidentes, cuja pena seja igual ou inferior a quatro anos. O regime aberto dá ao preso a oportunidade de apenas dormir na cadeia, podendo trabalhar onde desejar. Baseia-se na autodisciplina e senso de responsabilidade do condenado. O condenado poderá sem vigilância, trabalhar, frequentar curso ou exercer outra atividade autorizada, permanecendo recolhido

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durante

o

período

noturno

e

– D.O.U. de 17.02.1999 durante o período noturno e nos dias de folga. O trabalho é

nos

dias

de

folga.

O trabalho é elemento basilar, sendo condição para o deferimento da progressão a esse regime menos gravoso. O preso tem total liberdade para sair, fazer cursos supletivos, desde que

noite.

a

atividade

seja

lícita

e

voltar

à

O regime aberto é quase uma absolvição por falta de estrutura para o cumprimento da pena,

mas tem efeitos penais por causa da inscrição do réu no rol dos culpados, o que implica na

perda

réu.

da

condição

de

primariedade

do

No Regime Aberto o preso deve ter cumprido metade da pena e ter um bom comportamento ele fica na condicional, com várias condições: horários, lugares etc. e deve comparecer mensalmente para assinar um controle no Conselho Penitenciário.

9) Como é fixado o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade? Explique, abordando, inclusive, sobre os crimes hediondos e equiparados.

O juiz, ao prolatar a sentença condenatória, deverá fixar o regime no qual o condenado

iniciará o cumprimento da pena privativa de liberdade.

A isso se dá o nome de fixação do regime inicial.

Os critérios para essa fixação estão previstos no art. 33 do Código Penal.

O juiz, quando vai fixar o regime inicial do cumprimento da pena privativa de liberdade,

deve observar quatro fatores:

a) O tipo de pena aplicada: se reclusão ou detenção;

b) O quantum da pena definitiva;

c) Se o condenado é reincidente ou não;

d) As circunstâncias judiciais (art. 59 do CP);

Crimes hediondos: São crimes que o legislador considerou especialmente repulsivos e que, por essa razão, recebem tratamento penal e processual penal mais gravoso que os demais delitos.

A CF/88 menciona que os crimes hediondos são inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou

anistia, não definindo, contudo, quais são os delitos hediondos.

O Brasil adotou o sistema legal de definição dos crimes hediondos. Isso significa que é a lei

quem define, de forma exaustiva (taxativa, numerus clausus), quais são os crimes hediondos.

Esta lei é a n.° 8.072/90, conhecida como Lei dos crimes hediondos.

10) Quais as regras do regime fechado? Explique.

Art. 34 d LEP Lei de Execução Penal O condenado será submetido, no início do cumprimento da pena, a exame criminológico de classificação para individualização da execução.

§ 1º O condenado fica sujeito a trabalho no período diurno e a isolamento durante o repouso noturno.

§ 2º O trabalho será em comum dentro do estabelecimento, na conformidade das

aptidões ou ocupações anteriores do condenado, desde que compatíveis com a execução da

pena.

§ 3º O trabalho externo é admissível, no regime fechado, em serviços ou obras públicas.

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N o 259 de 11.02.1999 – D.O.U. de 17.02.1999 O condenado ao cumprimento de pena no

O condenado ao cumprimento de pena no regime inicial fechado será obrigatoriamente

submetido a exame criminológico, nos termos do artigo 8.º da Lei de Execução Penal (LEP). Constituiu-se, então, uma presunção legal de maior periculosidade deste apenado, que deve sofrer avaliação mais acurada da Comissão Técnica de Classificação da casa prisional, para sua

adequada classificação, com vistas à individualização da pena.

De outo lado, o exame criminológico do condenado ao regime semiaberto é uma faculdade, por força do parágrafo único do artigo 8.º da LEP.

O trabalho do preso é disciplinado na Lei de Execução Penal, regendo-se pelos artigos 28

a 37 da Lei n.º 7.210/84, e no regime fechado ocorrerá dentro do estabelecimento prisional.

Excepcionalmente, pode ser prestado em ambiente externo, desde que em serviços ou obras públicas. Em qualquer hipótese, ele não é amparado pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho. No trabalho do preso devem ser consideradas suas aptidões, que devem compatíveis com as tarefas a ele atribuídas.

11) Quais as regras do regime semiaberto? Explique.

Art. 35 - Aplica-se a norma do art. 34 deste Código, caput, ao condenado que inicie o cumprimento da pena em regime semi-aberto.

§ 1º - O condenado fica sujeito a trabalho em comum durante o período diurno, em

colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar.

§ 2º - O trabalho externo é admissível, bem como a frequência a cursos supletivos

profissionalizantes, de instrução de segundo grau ou superior.

A realização de exame criminológico no condenado ao regime inicial regime semiaberto é uma faculdade da Comissão Técnica de Avaliação, por força do artigo 8.º, parágrafo único, da Lei de Execução Penal, tratando-se, nessa hipótese, de aplicação de norma mais favorável ao condenado.

O trabalho do preso no regime semiaberto será prestado em colônia agrícola, industrial ou

estabelecimento similar. O tempo de pena mínimo para o trabalho é disciplinado na LEP, devendo o condenado ter cumprido no mínimo de 1/6 da pena (art. 37 da LEP).

A frequência a cursos supletivos profissionalizantes de instrução também é direito do

preso no regime semiaberto.

12)Quais as regras do regime aberto? Explique.

Art. 36 - O regime aberto baseia-se na autodisciplina e senso de responsabilidade do condenado.

§ 1º - O condenado deverá, fora do estabelecimento e sem vigilância, trabalhar,

freqüentar curso ou exercer outra atividade autorizada, permanecendo recolhido durante o

período

folga.

noturno

e

nos

dias

de

§ 2º - O condenado será transferido do regime aberto, se praticar fato definido como crime doloso, se frustrar os fins da execução ou se, podendo, não pagar a multa cumulativamente aplicada.

Uma das premissas para o cumprimento da pena no regime aberto é o senso de disciplina

e responsabilidade do condenado, que permanecerá fora do estabelecimento prisional e sem

vigilância, mantendo-se recolhido apenas no período noturno e nos dias de folga. Quando solto,

deverá trabalhar, frequentar cursos ou exercer atividade autorizada.

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N o 259 de 11.02.1999 – D.O.U. de 17.02.1999 O § 2.º do art. 36 prevê

O § 2.º do art. 36 prevê hipóteses de regressão de regime ao condenado que inicia o

cumprimento da pena no regime aberto e pratica fato definido como crime doloso ou falta grave,

frustra o objetivo da execução ou sofre condenação por crime anterior, cuja pena, somada ao restante da que está sendo executada, torne incabível o regime.

A falta de pagamento da pena de multa aplicada cumulativamente, salvo melhor

entendimento, não pode mais ser motivo à regressão de regime, posto que a inadimplência da pena de multa que é cominada isoladamente também não autoriza mais tal regressão.

13) Explique a progressão e a regressão de regime.

Progressão é a passagem de um regime mais agrave para outro mais ameno. É proibida a progressão por salto, que seria ir do mais grave para o mais ameno, por exemplo. Continua explicando que são requisitos para a progressão o cumprimento de parcela da pena, sendo que nos crimes comuns, deve-se cumprir pelo menos 1/6 da pena; nos crimes hediondos ou equiparados (tráfico, terrorismo e tortura), exige-se o cumprimento de 2/5 da pena, sendo o sujeito for primário e 3/5 se for reincidente. Ensina que regressão é a passagem do regime mais ameno para o mais grave e pode ocorrer por salto, com hipóteses previstas no art. 118 da LEP, na prática de falta grave ou crime doloso. É pacífico o entendimento da desnecessidade de condenação pela prática do crime doloso para a regressão, bastando somente outra prova.

14) Há algum regime especial de pena para determinadas pessoas? Explique.

Sim. Conforme art. 37, CP, as mulheres cumprem pena pena em estabelecimento próprio, observando-se os deveres e direitos inerentes à sua condição pessoal, bem como, no que couber, o disposto neste Capítulo.

A expressão "estabelecimento próprio" deve dar a entender que se trata de uma

especialidade, uma adequação voltada ao sexo feminino, a esta condição pessoal da mulher.

Não podendo ela ser colocada em estabelecimento prisional masculino.

A LEP, por sua vez, determina tratamento diferenciado à gestante, à parturiente e à

lactante, assim como ensino profissional específico à mulher.

15) Quais os direitos do preso?

Os presos possuem direito a um tratamento digno, direito de não sofrer violência física e moral. A Constituição do Brasil assegura ao preso um tratamento humano. Não se pode esquecer que hoje torturar pessoa presa é crime. Sendo eles:

a) Direito à alimentação e vestimenta fornecidos pelo Estado.

b) Direito a uma ala arejada e higiênica.

c) Direito à visita da família e amigos.

d) Direito de escrever e receber cartas.

e) Direito a ser chamado pelo nome, sem nenhuma discriminação.

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N o 259 de 11.02.1999 – D.O.U. de 17.02.1999 f) Direito ao trabalho remunerado em, no

f) Direito ao trabalho remunerado em, no mínimo, 3/4 do salário mínimo.

g) Direito à assistência médica.

h) Direito à assistência educacional: estudos de 1º grau e cursos técnicos.

i)

Direito

à

assistência

social:

para

propor

atividades

recreativas

e

de

integração no presídio, fazendo ligação com a família e amigos do preso.

 

j)

Direito

à

assistência

religiosa:

todo

preso,

se

quiser,

pode

seguir

a

religião que preferir, e o presídio tem que ter local para cultos.

 

l)

Direito

à

assistência

judiciária

e

contato

com

advogado:

todo

preso

pode

conversar

em

particular

com

seu

advogado

e

se

não

puder

contratar um o Estado tem o dever de lhe fornecer gratuitamente.

16) O que é remição de pena? Explique.

Remição de pena é no direito penal o abatimento dos dias e horas trabalhadas do preso que cumpre pena em regime fechado ou semi-aberto, diminuindo dessa forma a condenação que o mesmo foi sentenciado. Esse tempo remido contará para seu livramento condicional.

No Brasil, este é um dos direitos assegurados na Lei de Execução Penal conforme os Artigos 31 E 41 II DA LEP, servindo dessa forma para diminuição da pena de prisão.

17) O que é detração? Explique.

Detração é abater ou computar na pena privativa de liberdade o tempo de prisão preventiva ou provisória, e o de internação em hospital ou manicômio. Esse "desconto" se dá na pena definitiva aplicada.

A detração está prevista no artigo 42 do Código Penal Brasileiro. Incluem-se para fins de "dedução"da pena a cumprir, apena de prisão provisória no Brasil e no estrangeiro e de prisão administrativa. Do mesmo modo da medida de segurança , o tempo de internação em qualquer dos estabelecimentos do art. 41. É regra do artigo 42.

É o desconto do total da pena definitivamente imposta ao sentenciado, do período em que este cumpriu pena privativa de liberdade ou medida de segurança no país ou no exterior.

18) Explique os casos de prisão especial.

Prisão especial é só para quem estiver cumprindo prisão provisória e preventiva, não sendo deferida para quem seja condenado definitivamente com sentença com trânsito em julgado. O artigo 295 do Código de Processo Penal é quem disciplina o instituto da prisão especial.

Na parte final do caput do artigo supracitado fica claro que o privilégio da prisão especial só é cabível quando as pessoas elencadas no mesmo artigo forem recolhidas a prisão antes de sentença condenatória definitiva, o que, em sentido contrário, significa que após o trânsito em julgado da sentença condenatória tais pessoas serão presas nos mesmos estabelecimentos prisionais dos considerados presos comuns, salvo as exceções legais. Além disso, a prisão especial consiste simplesmente em recolhimento em local diverso da prisão comum ou em cela distinta dos demais presos, caso não haja local específico para presos especiais. Poderá ser coletiva, que contará, evidentemente, só com presos especiais.

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N o 259 de 11.02.1999 – D.O.U. de 17.02.1999 Para algumas autoridades ou classes de trabalhadores,

Para algumas autoridades ou classes de trabalhadores, inclusive elencadas nesse artigo 295 do CPP, como os advogados, defensores públicos, membros do Ministério Público e do Judiciário, a prisão provisória deverá ser efetivada em sala de Estado-maior, por disposição de lei específica, que difere da prisão especial geral, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, já que possui ainda como vantagens adicionais ser uma verdadeira sala, e não cela ou cadeia, devidamente instalada no Comando das Forças Armadas ou de outras instituições militares e, ainda sendo, um tipo heterodoxo de prisão, pois destituída de grades ou de portas fechadas pelo lado de fora.

Cabe enfatizar ainda que, os ocupantes de alguns cargos que mexem diretamente com o combate ao crime, entre eles os de membros do Ministério Público e Judiciário, gozarão do privilégio do recolhimento em separado mesmo após a sentença condenatória com trânsito em julgado, por disposição expressa em lei.

19) O que é a chamada prisão-albergue domiciliar?

A vertente que acoberta a possibilidade de prisão albergue domiciliar, em virtude de faltar estabelecimento penal apropriado ou vaga nele, inobstante minoritária, a nosso juízo, assiste melhor razão. Isso porque, à luz do princípio da proporcionalidade[x], os interesses jurídicos conflitantes devem ser sopesados, a fim de se sacrificar aquele que, no caso concreto, se mostrar menos importante. Desta feita, infere-se que manter alguém preso em uma dependência penitenciária desconectada com o regime, no qual se cumpre a execução da reprimenda, afigura-se desarrazoável, uma vez que o Estado deveria se ocupar muito mais em conferir oportunidades de inserção social do que de expiação indevida. Afora isso, exigir do cidadão-recluso um comportamento afinado aos dogmas sociais, sem lhe propiciar o mínimo de condições dignas para o exercício da cidadania, faz nascer um sentimento de abandono e de exclusão que o incentiva à reincidência.

20) Explique sobre o monitoramento eletrônico.

O monitoramento eletrônico é um método de controle e observação que pode ser aplicado tanto a seres humanos quanto a coisas, visando conhecer a exata localização, percurso e deslocamento do objeto monitorado. Dessa forma, é de se perceber que a vigilância eletrônica é um meio de monitorar o indivíduo ou uma coisa, averiguando a sua localização, consistindo em um eficiente instrumento de controle.

No entanto, há de se reconhecer que o principal benefício que pode ser alcançado pelo monitoramento eletrônico de presos é o afastamento dos efeitos das diferentes mazelas que são produzidas pela inclusão do homem no carcomido sistema penitenciário: a superpopulação carcerária; o contágio criminal; a transmissão de doenças; e, entre outros efeitos negativos, a destruição de valores éticos.

Assim, é de se ter em conta que, por afastar o indivíduo do cárcere, o uso da vigilância eletrônica pode acarretar benefícios tanto para o Estado quanto, como é evidente, para o próprio monitorado.

21) Explique sobre as autorizações de saída do estabelecimento prisional.

As autorizações de saída encontram-se na categoria normal dos direitos dos presos, mas constituem ora aspectos de assistência em favor de todos os presidiários, ora etapa na progressão em favor dos condenados que satisfaçam a determinados requisitos e condições.

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N o 259 de 11.02.1999 – D.O.U. de 17.02.1999 Na primeira hipótese, estão as permissões de

Na primeira hipótese, estão as permissões de saída, que se fundam em razões humanitárias (arts. 120 e 121) e na segunda as saídas temporárias, referentes à progressividade na concessão de maiores favores para incentivar melhor relacionamento do preso com o exterior (arts. 122 a 125). Prevêem as Regras Mínimas da ONU a notificação do preso a respeito de falecimento ou enfermidade grave de parente próximo e autorização para que visite o doente quando as circunstâncias o permitirem. Ampliando essa orientação, concede a Lei de Execução Penal a permissão de saída, mediante escolta, do condenado que cumpre pena em regime fechado ou semi-aberto, além do preso provisório, em caso de falecimento ou doença grave do cônjuge, companheira, ascendente, descendente ou irmão e de necessidade de tratamento médico externo Em suma, podem ter esta autorização os presos condenados ao regime fechado e ao semi-aberto e os presos provisórios. Pode o preso permanecer fora do estabelecimento, nas hipóteses do art. 120, I, até que o enfermo apresente melhoras significativas que indiquem não haver mais risco de vida, bem como durante os funerais e pelo tempo necessário para que possa tomar as providências indispensáveis a fim de restaurar, na medida do possível, as condições para a normalização da vida dos demais familiares, se tais providências não forem ou não puderem ser tomadas por terceiros ou pela assistência social. Enfim, a permanência corresponde ao tempo necessário para o que deu causa à

saída.

As saídas temporárias servem para estimular o preso a observar boa conduta e, sobretudo, para fazer-lhe adquirir um sentido mais profundo de sua própria Essas saídas temporárias consistem na liberdade do preso para visitar a família, frequentar cursos profissionalizantes, de segundo grau ou superior e participar de atividades que concorram para o retorno ao convívio social. Ao contrário do que ocorre com as permissões, as saídas temporárias são restritas aos condenados que cumprem pena em regime semi-aberto. Não se admite a medida para o preso provisório, já que este está em situação incompatível com o benefício.

Nas saídas temporárias, o condenado não está submetido a escolta ou vigilância direta, confiando-se exclusivamente no seu senso de responsabilidade quanto à sua conduta durante a visita, a frequência a curso ou desempenho de qualquer atividade autorizada e ao seu retorno ao estabelecimento penal ao fim do prazo da autorização. Só pode ser concedida ao regime semi-aberto. Não precisa de vigilância direta.

22) Quais as espécies de penas restritivas de direito? Explique.

Penas restritivas de direitos (arts. 43 e seguintes - CP): têm caráter substitutivo, sendo aplicadas posteriormente às penas privativas de liberdade, desde que presentes os requisitos legais para tanto.

Classificação:

a) prestação pecuniária (art. 45, §1º - CP): conforme sua previsão legal consiste no pagamento em dinheiro de valor fixado pelo juiz à vítima, a seus dependentes ou a entidade pública ou privada com destinação social. O juiz também pode, mediante aceitação do beneficiário, substituir a prestação em dinheiro por prestação de natureza diversa como, por exemplo, entrega de cestas básicas;

b) perda de bens e valores (art. 45, §3º - CP): consiste no confisco de bens e valores (títulos, ações) pertencentes ao condenado, revertido ao Fundo Penitenciário Nacional, na quantia referente ao montante do prejuízo causado ou do provento (vantagem financeira) obtido

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N o 259 de 11.02.1999 – D.O.U. de 17.02.1999 pelo agente ou por terceiro em consequência

pelo agente ou por terceiro em consequência do crime praticado, prevalecendo a de maior

valor;

c) prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas (art. 46 - CP): consiste na atribuição de tarefas gratuitas ao condenado junto a entidades sociais, hospitais, orfanatos, escolas e outros estabelecimentos congêneres, em programas comunitários ou estatais

(conforme o §2º deste artigo). Para haver a concessão da substituição da pena é necessário que

o réu tenha sido condenado a cumprir pena privativa de liberdade superior a 6 meses e, ainda, que as tarefas não prejudiquem sua jornada normal de trabalho. As tarefas deverão ser estabelecidas de acordo com a aptidão do condenado e cumpridas em razão de 1 hora por dia;

d) interdição temporária de direitos (art. 47 - CP): as penas de interdição temporária de direitos consistem em:

e) limitação de fim de semana (art. 48 - CP): consiste na obrigação do condenado de permanecer, aos sábados e domingos, por 5 horas diárias, em casa de albergado ou outro estabelecimento adequado e, durante a sua permanência, poderão ser ministrados cursos e palestras ou atribuídas atividades alternativas (art. 48, § único - CP).

23)Quais os requisitos para a substituição da pena privativa de liberdade pela restritiva de direitos? Explique-os.

Pode ocorrer tal conversão na medida em que o condenado não cumprir as condições impostas pelo juiz da condenação, de modo que o réu pode perder o beneficio da pena restritiva de direitos, reingressando, assim, na sanção penal original. 24) Qual a duração das penas restritivas de direitos?

A duração da pena restritiva de direito é a mesma da pena privativa de liberdade fixada inicialmente pelo juiz podendo ser substituída (art. 55).

25) O que é prestação pecuniária?

O Código Penal prevê a pena de prestação pecuniária como uma das penas restritivas de direitos, comumente chamadas de penas alternativas, justamente porque representam uma alternativa à prisão. São penas que os apenados cumprem em liberdade, dando um retorno social em contrapartida ao delito em que se viram envolvidos. Elas são aplicadas por sentença

condenatória após o devido processo legal, ou mesmo na transação penal, que é um acordo feito antes do processo pelo qual o autor do fato, possuindo bons antecedentes, aceita cumprir uma pena antecipada em favor da sociedade, resolvendo seu caso com a justiça sem sequer a necessidade de instauração de um processo. Nas condenações essas penas restritivas de direitos são aplicadas em substituição às penas privativas de liberdade, naqueles casos de menor gravidade, desde que sejam adequadas

à situação e o apenado reúna condições de recebê-las. Assim, se o crime for praticado com

violência, ou caso o apenado apresente antecedentes criminais desabonadores, não terá direito

a esse tipo de pena, e ser-lhe-á imposta a tradicional pena de prisão. Segundo a lei, a prestação pecuniáriaconsiste no pagamento em dinheiro à vítima, a seus dependentes ou a entidade pública ou privada com destinação social, de importância fixada pelo juiz, não inferior a 1 (um) salário mínimo nem superior a 360 (trezentos e sessenta) salários mínimos. O valor pago será deduzido do montante de eventual condenação em ação de reparação civil, se coincidentes os beneficiários.

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26) Explique sobre a perda de bens e valores.

de 17.02.1999 26) Explique sobre a perda de bens e valores. A perda de bens e

A perda de bens e valores visa impedir que o Réu obtenha qualquer benefício em razão da prática do crime. Deve-se distinguir o confisco efeito da condenação do confisco pena: o primeiro se refere a instrumentos e produtos do crime (art. 91, II, a e b), enquanto o segundo relaciona-se com o patrimônio do condenado, indo para o Fundo Penitenciário Nacional, motivo pelo que se questiona sua constitucionalidade.

A perda de bens incidirá sobre o maior dos valores:

o montante do prejuízo causado o provento obtido pelo agente ou por terceiro pela prática do crime.

27) Como ocorre a prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas?

De acordo com o art.150, da LEP, “A entidade beneficiada com a prestação de serviços encaminhará mensalmente, ao Juiz da execução, relatório circunstanciado das atividades do condenado, bem como, a qualquer tempo, comunicação sobre ausência ou falta disciplinar”. Deve-se interpretar e expressão “entidades públicas” em sentido amplo, para englobar tanto as publicas em sentido estrito (Administração Pública direta ou indireta), como também as privadas com destinação social, (vide em anexo questionário respondido por Damásio E. de Jesus).

As tarefas serão atribuídas conforme as aptidões do condenado (art. 45, §3.º do CP), dessa

forma, veda-se, atividade cruel, ociosa, vexatória ou humilhante, que não se compatibilizam com

a finalidade da pena. Exemplo: determinar quem um Advogado, condenado pela prática de

desacato contra um Delegado de Policia, seja condenada a prestação de serviços de limpeza das salas da Delegacia, em que trabalha a pessoa que foi atingida pela sua conduta criminosa, isso seria inadequado e ilegal, além de colocar o condenado em uma situação humilhante.

28) O que é a interdição temporária de direitos? Explique.

Interdição Temporária de Direitos também consiste em pena alternativa à prisão, que consubstancia-se na proibição dada ao condenado, de em tempo igual ao da pena restritiva de liberdade decretada em sentença, ser privado de exercer atividade pública, assim como mandado eletivo; exercício de atividade ou profissão que necessite de habilidade específica; suspensão do direito de dirigir e proibição de frequentar determinados lugares, conforme previsto no artigo 47 do Código Penal.

A proibição do exercício de cargo, função, atividade pública ou mandado eletivo inibe que

o condenado continue no exercício de sua atividade. O tempo da interdição não poderá ser

inferior ao da pena privativa de liberdade substituída. E, havendo o cumprimento da interdição o condenado volta a exercer o cargo, função, atividade ou mandado. Se, o condenado estava em vias de assumir a atividade, este será investido na posse do cargo, todavia, só o exercerá após cumprida a interdição de direitos.

A proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício são aplicados para aqueles crimes relacionados com a inobservância às práticas profissionais e, por isso, nega ao condenado realizar determinada conduta laborativa, pelo tempo que lhe fora estipulado na pena privativa de liberdade. Entretanto, deverão ser objeto desta proibição aquelas atividades que careçam de habilidade especial, licença ou autorização do Poder Público, como por exemplo, cargos que exijam cursos técnicos ou profissionalizantes.

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29) Explique a limitação de fim de semana.

de 17.02.1999 29) Explique a limitação de fim de semana. A reforma penal brasileira de 1984,

A reforma penal brasileira de 1984, instituiu a limitação de fim de semana, que consiste na obrigação de o condenado permanecer aos sábados e domingos, por cinco horas diárias, em casa de albergado ou em estabelecimento adequado, de modo a permitir que a sanção penal seja cumprida em dias normalmente dedicados ao descanso, sem prejudicar as atividades laborais do condenado, bem como a sua relação sócio-familiar.

A finalidade desta, é impedir que os efeitos diretos e indiretos recaiam sobre a família do condenado, particularmente as consequências econômicas e sociais tem produzido grandes reflexos em pessoas que não devem sofre os efeitos da condenação ou seja, busca-se garantir o sagrado princípio da personalidade da pena.

30) É possível a conversão da pena restritiva de direito em privativa de liberdade? Explique.

Conversão de penas restritivas de direitos em privativas de liberdade (art. 44, §4º - CP):

consiste na perda do benefício que foi concedido ao condenado quando houver o descumprimento injustificado das condições impostas pelo juiz da condenação. Desta forma, a pena restritiva de direitos retornará à sua pena original, a pena privativa de liberdade. Deve-se lembrar que, "no cálculo da pena privativa de liberdade a executar será deduzido o tempo cumprido da pena restritiva de direitos, respeitado o saldo mínimo de trinta dias de detenção ou reclusão" (art, 44, §4º, do CP).

31) Discorra sobre a pena de multa.

A pena de multa consiste no pagamento ao Fundo Penitenciário Nacional (FPN) de quantia fixada na sentença penal condenatória. É a sentença, arbitrada pelo juiz, quem vai dizer quanto o individuo está condenado à pagar. A multa é uma espécie de pena que tem natureza pecuniária, isso porque acarreta na diminuição do patrimônio do condenado. Pelo fato de o valor da condenação ser destinado ao FPN (Fundo Penitenciário Nacional) está espécie de pena diferencia-se da prestação pecuniária, que consiste, preferencialmente, no pagamento à vitima como uma forma de amenizar o dano sofrido.

32) Quais os sistemas ou critérios para aplicação da pena? Qual o adotada pelo Código Penal?

O Código Penal adotou o critério trifásico para a fixação da pena, ou seja, o juiz, ao apreciar o caso concreto, quando for decidir a pena a ser imposta ao réu, deverá passar por 03 (três) fases: a primeira, em que se incumbirá de fixar a pena-base; a segunda, em que fará a apuração das circunstâncias atenuantes e agravantes; e, por fim, a terceira e última fase, que se encarregará da aplicação das causas de aumento e diminuição da pena para que, ao final, chegue ao total de pena que deverá ser cumprida pelo réu.

A fixação do quantum da pena servirá para o juiz fixar o regime inicial de seu cumprimento obedecendo as regras do artigo 33 do CP (regimes fechado, semi-aberto e aberto) bem como para decidir sobre a concessão do sursis e sobre a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos ou multa.

33) Como ocorre o cálculo da pena?

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N o 259 de 11.02.1999 – D.O.U. de 17.02.1999 A dosimetria ( cálculo ) da pena

A dosimetria (cálculo) da pena é o momento em que o Estado detentor do direito de

punir (jus puniendi) através do Poder Judiciário, comina ao indivíduo que delinque a sanção

que reflete a reprovação estatal do crime cometido.

O Código Penal Brasileiro, em sua parte especial, estabelece a chamada pena em

abstrato, que nada mais é do que um limite mínimo e um limite máximo para a pena de um crime (Exemplo: Artigo 121. Matar Alguém: Pena: Reclusão de seis a vinte anos).

A dosimetria da pena se dá somente mediante sentença condenatória.

A dosimetria atende ao sistema trifásico estabelecido no artigo 68 do Código Penal, ou

seja, atendendo a três fases:

1. Fixação da Pena Base;

2. Análise das circunstâncias atenuantes e agravantes;

3. Análise das causas de diminuição e de aumento;

A primeira fase consiste na fixação da pena base; Isso se dá pela análise e valoração

subjetiva de oito circunstâncias judiciais. São elas:

Culpabilidade (valoração da culpa ou dolo do agente);

Antecedentes criminais ( Análise da vida regressa do indivíduo- se ele já possui uma condenação com trânsito em julgado - Esta análise é feita através da Certidão de antecedentes criminais, emitida pelo juiz; ou pela Folha de antecedentes criminais, emitida pela Polícia civil);

Conduta social (Relacionamento do indivíduo com a família, trabalho e sociedade . Pode se presumir pela FAC ou pela CAC);

Personalidade do agente (Se o indivíduo possui personalidade voltada para o crime);

Motivos (Motivo mediato);

Circunstâncias do crime (modo pelo qual o crime se deu);

Consequências (além do fato contido na lei);

Comportamento da vítima (Esta nem sempre é valorada, pois na maioria das vezes a vítima não contribui para o crime).

Nesta análise, quanto maior o número de circunstâncias judiciais desfavoráveis ao réu, mais a pena se afasta do mínimo. O juiz irá estabelecer uma pena base, para que nela se possa atenuar, agravar, aumentar ou diminuir.

Na segunda fase da dosimetria se analisa as circunstâncias atenuantes e agravantes. Atenuantes são circunstâncias que sempre atenuam a pena, o artigo 65 do CP elenca as circunstâncias atenuantes (Ex: Artigo 65, I: Ser o agente menor de vinte e um, na data do fato, ou maior de setenta, na data da sentença.).

A terceira fase da dosimetria consiste nas causas especiais de diminuição ou aumento de

pena, aplicadas sobre o resultado a que se chegou na segunda fase, estas ora vêm elencadas na parte especial, ora na parte geral.

34) O que são as chamadas circunstâncias judiciais? Explique cada uma delas.

As circunstâncias judiciais se refletem também na concessão do sursis e na suspensão condicional do processo, posto que a lei preceitua que tais benefícios somente serão concedidos se estas circunstâncias assim o permitirem, ou seja, quando estas forem favoráveis ao acusado.

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São circunstâncias judiciais:

– D.O.U. de 17.02.1999 São circunstâncias judiciais: a) Culpabilidade: é o grau de reprovação da conduta

a) Culpabilidade: é o grau de reprovação da conduta em face das características pessoais

do agente e do crime;

b) Antecedentes: são as boas e as más condutas da vida do agente; até 05 (cinco) anos

após o término do cumprimento da pena ocorrerá a reincidência e, após esse lapso, as condenações por este havidas serão tidas como maus antecedentes;

c)

Conduta social: é a conduta do agente no meio em que vive (família, trabalho, etc.);

 

d)

Personalidade:

são

as

características

pessoais

do

agente,

a

sua

índole

e

periculosidade. Nada mais é que o perfil psicológico e moral;

e) Motivos do crime: são os fatores que levaram o agente a praticar o delito, sendo certo

que se o motivo constituir agravante ou atenuante, qualificadora, causa de aumento ou diminuição não será analisada nesta fase, sob pena de configuração do bis in idem;

f) Circunstâncias do crime: refere-se à maior ou menor gravidade do delito em razão

domodus operandi (instrumentos do crime, tempo de sua duração, objeto material, local da

infração, etc.);

g) Consequências do crime: é a intensidade da lesão produzida no bem jurídico protegido

em decorrência da prática delituosa;

h) Comportamento da vítima: é analisado se a vítima de alguma forma estimulou ou influenciou negativamente a conduta do agente, caso em que a pena será abrandada.

35) Explique sobre as circunstâncias atenuantes e agravantes.

São previstas pela lei vigente as circunstâncias atenuantes, que são aquelas que permitirão ao magistrado reduzir a pena-base já fixada na fase anterior, e as circunstâncias agravantes, as quais, ao contrário das atenuantes, permitirão ao juiz aumentar a pena-base, ressaltando que nessa fase o magistrado não poderá ultrapassar os limites do mínimo e do máximo legal. As circunstâncias agravantes somente serão aplicadas quando não constituem elementar do crime ou os qualifiquem.

- Circunstâncias atenuantes:

a) ser o agente menor de 21 (vinte e um), na data do fato, ou maior de 70 (setenta) anos,

na data da sentença de 1° grau;

b) o desconhecimento da lei: não ocorre a isenção da pena, mas seu abrandamento;

c) ter o agente cometido o crime por motivo de relevante valor social ou moral: valor moral

é o que se refere aos sentimentos relevantes do próprio agente e valor social é o que interessa

ao grupo social, à coletividade;

d) ter o agente procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo após o

crime, evitar-lhe ou minorar-lhe as consequências, ou ter, antes do julgamento, reparado o dano:

não se confunde com o instituto do arrependimento eficaz (artigo 15 do CP), nesse caso ocorre

a consumação e, posteriormente, o agente evita ou diminui suas consequências;

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N o 259 de 11.02.1999 – D.O.U. de 17.02.1999 e) ter o agente cometido o crime

e) ter o agente cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou em cumprimento de

ordem de autoridade superior, ou sob influência de violenta emoção, provocada por ato injusto da vitima: observa-se as regras do artigo 22 do CP (coação irresistível e ordem hierárquica);

f) ter o agente confessado espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do crime: se o agente confessa perante a Autoridade Policial porém se retrata em juízo tal atenuante não é aplicada;

g) ter o agente cometido o crime sob influência de multidão em tumulto, se não o provocou: é aplicada desde que o tumulto não tenha sido provocado por ele mesmo.

De acordo com o artigo 66, do CP, "a pena poderá ser ainda atenuada em razão de circunstância relevante, anterior ou posterior ao crime, embora não prevista expressamente em lei", razão pela qual pode-se concluir que o rol das atenuantes do artigo 65 é exemplificativo.

- Circunstâncias agravantes:

a) reincidência: dispõe o artigo 63, do CP, que "verifica-se a reincidência quando o agente

comete novo crime, depois de transitar em julgado a sentença que, no País ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior";

b) ter o agente cometido o crime por motivo fútil ou torpe: motivo fútil é aquele de pouca

importância e motivo torpe é aquele vil, repugnante;

c) ter o agente cometido o crime para facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a

impunidade ou vantagem de outro crime: nessa circunstância tem que existir conexão entre os dois crimes;

d) ter o agente cometido o crime à traição, por emboscada, ou mediante dissimulação, ou

outro recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa do ofendido: essa circunstância será aplicada quando a vítima for pega de surpresa; a traição ocorre quando o agente usa de

confiança nele depositada pela vitima para praticar o delito; a emboscada é a tocaia, ocorre quando o agente aguarda escondido para praticar o delito e, por fim, a dissimulação ocorre quando o agente utiliza-se de artifícios para aproximar-se da vítima;

e) ter o agente cometido o crime com emprego de veneno, fogo, explosivo, tortura ou

outro meio insidioso ou cruel, ou de que podia resultar perigo comum: essa circunstância se refere ao meio empregado para a prática delituosa; tortura ou meio cruel é aquele que causa imenso sofrimento físico e moral à vítima; meio insidioso é aquele que usa de fraude ou armadilha e, por fim, perigo comum é o que coloca em risco um número indeterminado de pessoas;

f) ter o agente cometido o crime contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge:

abrange qualquer forma de parentesco, independente de ser legítimo, ilegítimo, consanguíneo ou civil;

g) ter o agente cometido o crime com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade, ou com violência contra a mulher na forma da lei específica: o abuso de autoridade refere-se a relações privadas; relações domésticas são as existentes entre os membros de uma família; e coabitação significa que tanto autor quanto vítima residem sob o mesmo teto;

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N o 259 de 11.02.1999 – D.O.U. de 17.02.1999 h) ter o agente cometido o crime

h) ter o agente cometido o crime com abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício, ministério ou profissão: o abuso de poder se dá quando o crime é praticado por agente público, não se aplicando se o delito constituir em crime de abuso de autoridade; as demais hipóteses referem-se quando o agente utilizar-se de sua profissão para praticar o crime (atividade exercida por alguém como meio de vida);

i) ter o agente cometido o crime contra criança, contra maior de 60 (sessenta) anos, ou

contra enfermo ou mulher grávida: são pessoas mais vulneráveis, por isso ganham maior

proteção da lei; criança é o que possui idade inferior a 12 (doze) anos da idade;

j) ter o agente cometido o crime quando o ofendido estava sob imediata proteção da

autoridade: aumenta-se a pena pela audácia do agente em não respeitar à autoridade;

k) ter o agente cometido o crime em ocasião de incêndio, naufrágio, inundação ou qualquer calamidade pública, ou de desgraça particular do ofendido: se dá pela insensibilidade do agente que se aproveita de uma situação de desgraça, pública ou particular, para praticar o delito;

l) ter o agente cometido o crime em estado de embriaguez preordenada: ocorre quando o agente se embriaga para ter coragem para praticar o delito.