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Resumo Aula-tema 04: A Macroeconomia do Setor Externo: Uma Introdução

Vimos até agora o quanto a globalização mudou os rumos dos negócios

internacionais, promovendo o aumento das transações comerciais entre os países.

Vimos também que as teorias do comércio internacional, baseadas no custo de

oportunidade e nas vantagens comparativas de cada país, interferem diretamente na

competitividade de cada nação.

Aprendemos ainda que o crescimento do comércio internacional trouxe

consigo alguns problemas e, para que fossem sanados, fez-se necessária a criação

de um órgão regulamentador – a OMC (Organização Mundial do Comércio) – para

fortalecer as trocas comerciais entre os países e trazer transparência às

negociações, protegendo os países envolvidos da competição desleal cometida

nessas negociações. Diante disso, as indústrias necessitam se aperfeiçoar

tecnologicamente para não perder mercado, pois as vantagens comparativas de

cada país, transformadas em capital, proporcionam a acumulação desse capital e o

investimento em inovações.

Tudo o que aprendemos até agora nos permitiu um primeiro contato com o

mundo dos negócios internacionais, para que compreendêssemos a origem das

relações comerciais entre os países. Mas, para que possamos entender melhor essa

relação, precisamos saber sobre o funcionamento da macroeconomia e sobre como

ela interfere diretamente nas negociações internacionais. Mas, então, o que é

macroeconomia? A macroeconomia estuda a economia nacional como um todo,

analisando as taxas de câmbio e sua relação com a inflação, os fatores financeiros e

a política econômica. Para isso, faz-se necessário compreender a política cambial e

os regimes cambiais.

Começaremos, então, pelo conceito de Taxa de Câmbio. Segundo

Vasconcellos (2010, p. 86), os países possuem moedas diferentes, com valores

diferentes entre elas, sendo necessário fazer a conversão entre as moedas em uma

negociação internacional. Essa medida de conversão entre diferentes moedas é o

que chamamos de “taxa de câmbio”, ou seja, o preço que se paga para cambiar ou

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trocar uma moeda pela outra. Então, quando vamos comprar um produto em dólar, precisamos saber quantos reais serão necessários para pagar o preço do bem adquirido.

A taxa de câmbio pode ser determinada pelos governos dos países (fixando

periodicamente um preço para as taxas) ou pelo funcionamento do mercado (através da lei de oferta e demanda). Quando ela é fixada pelos governos, dizemos que foi adotada a política de taxas fixas de câmbio; já quando ela é determinada pelo mercado, adota-se a política de taxas flutuantes de câmbio.

O mercado comercial necessita de estabilidade monetária para comercializar

seu fluxo de excedente produtivo com o resto do mundo. Para as trocas comerciais em geral existirem, é necessário que o país possua reservas de moeda forte como o Dólar ou o Euro, mas, para que essa “poupança internacional” aconteça, os países necessitam intensificar as trocas comerciais, o que ocorre por conta das EXPORTAÇÕES E DAS IMPORTAÇÕES em um volume e frequência maiores, ou seja: os países necessitam de uma moeda forte, como o Dólar, para realizar suas transações / trocas comerciais. Para que qualquer país obtenha uma moeda forte, é necessário exportar produtos para receber essas moedas (Dólar, Euro, Yen, Libra Esterlina).

Toda essa demanda ou oferta por moedas estrangeiras pode provocar o que chamamos de valorização e desvalorização da moeda nacional. Uma valorização da nossa moeda significa que o preço pago por ela será maior, e ela terá mais valor perante o resto do mundo.

Em uma desvalorização, é exatamente o contrário, ou seja, a moeda passará a valer menos para o resto do mundo. Assim, quando temos uma valorização da moeda nacional, há um aumento das importações, pois nosso dinheiro valerá mais para o resto do mundo e, consequentemente, conseguiremos comprar mais. Já quando há uma desvalorização da moeda nacional, há um aumento das exportações, pois como nossa moeda terá menos valor, nossos produtos se tornarão mais baratos, incentivando as vendas para outros países.

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Com base nesses conceitos, podemos perceber que a taxa de câmbio interfere diretamente na inflação de um país, pois, conforme vimos, quando há uma valorização da moeda nacional, as importações tendem a aumentar, e quando há muitos produtos importados entrando no país, consequentemente os preços dos produtos nacionais ficam “inibidos” de sofrer aumento (podendo até mesmo cair), já que não poderão competir com os produtos estrangeiros.

Quando temos preços controlados dentro de um país (ou mesmo um incentivo para a diminuição do valor do produto para torná-lo competitivo), significa que a taxa de inflação está sendo controlada ou está forçando o governo a tomar medidas para que se estabilize. O mesmo acontece quando há desvalorização da moeda: sem concorrentes estrangeiros com preços menores que os praticados dentro do país, a tendência é que haja um aumento da taxa de inflação.

Já o conceito de taxas de juros implica um controle da inflação e, consequentemente, a busca por capital internacional. O Brasil possui como referência a taxa Selic Selic é a sigla para Sistema Especial de Liquidação e Custódia – que foi criada em 1979 com o objetivo de tornar mais transparente e segura a negociação de títulos públicos pelo Banco Central e pela Andima (Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto). Isso provoca uma entrada de moeda estrangeira, aumentando a reserva do país. Se há aumento de reserva, há mais oferta e, assim, uma desvalorização da moeda nacional, e, por sua vez, aumentam as exportações.

Por regime cambial, entende-se o modelo que um país adota para sua taxa de câmbio. Ainda segundo Vasconcellos (2010, p. 87), os regimes classificam-se em três: regime de taxa de câmbio flutuante; fixa e de bandas cambiais. No regime de taxa de câmbio flutuante, não há interferência do governo, e essa taxa é determinada pela lei da oferta e demanda; no regime de taxa de câmbio fixa, quem “fixa” essa taxa é o próprio governo; e, no regime de bandas cambiais, o governo determina um limite mínimo e máximo para a taxa de câmbio, podendo ela flutuar livremente dentro desse limite.

Com tudo isso que aprendemos, podemos concluir como é complexo para um país trabalhar sua política cambial, pois é evidente como as taxas de câmbio

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interferem e sofrem interferências das ações de interesse do governo, que precisa controlar a inflação sem deixar de exportar.

Conceitos Fundamentais

Andima – A Andima (Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro)

é uma entidade civil sem fins lucrativos que reúne instituições financeiras de

diversos segmentos. Além de ser um importante instrumento de representação do setor financeiro, a Associação se destaca como prestadora de serviços, oferecendo suporte técnico e operacional às instituições, fomentando novos mercados e

trabalhando pelo desenvolvimento do Sistema Financeiro Nacional. Em 21/10/2009,

a Andima integrou suas atividades às da Anbid, passando ambas a constituir

a Anbima – Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais.

Banco Central – entidade ligada ao Estado com a intenção de fazer a gestão da política econômica de um país, controlando o sistema financeiro como um todo.

Inflação – aumento generalizado no valor dos preços de bens e serviços de um país.

Política Cambial – ações do governo para equilibrar o funcionamento da economia através de alterações e controle das taxas de câmbio.

Regime Cambial – modelo político adotado por um país para direcionar sua taxa de câmbio.

Reserva de Moeda – estoque de moeda.

Taxa Interna de Juros – mecanismo que o governo utiliza para controlar a política econômica do país. A taxa de juros utilizada no Brasil é a Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia).

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Referências

ANDIMA. Associação das Instituições do Mercado Financeiro. Disponível em:

<http://www.andima.com.br/>. Acesso em: 15 ago. 2011.

CARVALHO, M. A. SILVA, C. R. L. Economia internacional. 4. ed. São Paulo:

Saraiva, 2007.

CAVES, R. E.; FRANKEL, J. A.; JONES, R. W. Economia internacional. São Paulo: Saraiva, 2001.

LANZANA, A. E. T. [et al]; VASCONCELLOS, M. A. S.; LIMA, M., SILBER, S. (Orgs.). Gestão de negócios internacionais. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2010.

PRIBERAM. Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Disponível em:

<http://www.priberam.pt/dlpo/>. Acesso em: 12 ago. 2011.

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