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Teoria das Estruturas I ESTRUTURAS ASSOCIADAS E ARCOS TRI ARTICULADOS
Teoria das Estruturas I ESTRUTURAS ASSOCIADAS E ARCOS TRI ARTICULADOS

Teoria das

Teoria das Estruturas I

Estruturas I

Teoria das Estruturas I ESTRUTURAS ASSOCIADAS E ARCOS TRI ARTICULADOS
Teoria das Estruturas I ESTRUTURAS ASSOCIADAS E ARCOS TRI ARTICULADOS

ESTRUTURAS ASSOCIADAS E ARCOS TRI ARTICULADOS

Teoria das Estruturas I ESTRUTURAS ASSOCIADAS E ARCOS TRI ARTICULADOS

APRESENTAÇÃO

B em vindo aluno(a)! Vamos estudar nesse módulo as estruturas associadas. São estruturas aparentemente complexas e sua análise consiste em desmembrar uma

determinada estrutura em duas ou mais estruturas simples, que sejam isostáticas.

Uma vez desmembradas é preciso resolvê-las separadamente, apoiando uma na outra até

o último membro, tornando assim um cálculo simples e fácil de ser resolvido.

Também estudaremos um caso particular das estruturas associadas, que são as Vigas Gerber, que formam um conjunto de vigas articuladas, uma apoiando na outra sucessiva-

mente. Esse tipo de solução é muito utilizada na prática em projetos estruturais e por isso

é importante a sua compreensão.

Bons estudos.

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

Ao final deste módulo, você deverá ser capaz de:

Resolver problemas de estruturas mais complexas através dos conceitos de estruturas associadas;

Identificar se uma determinada estrutura associada possui sujeição completa ou parcial;

Determinar as reações de apoio e esforços solicitantes das estruturas associadas;

Traçar os diagramas dos esforços solicitantes;

Fazer análises de casos particulares das estruturas associadas, como as Vigas Gerber;

Analisar os arcos tri articulados.

FUMEC VIRTUAL - SETOR DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Produção de Design Multimídia Coordenação Rodrigo Tito
FUMEC VIRTUAL - SETOR DE
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Produção de
Design Multimídia
Coordenação
Rodrigo Tito M. Valadares
Design Multimídia
Paulo Roberto Rosa Junior
Raphael Gonçalves Porto Nascimento
Infra-Estrututura e Suporte
Coordenação
Anderson Peixoto da Silva
Gestão Pedagógica
Coordenação
Gabrielle Nunes P. Araújo
Transposição Pedagógica
Ediane Cardoso
AUTORIA
Prof. Antônio Carlos Viana
FICHA TÉCNICA

BELO HORIZONTE - 2013

ESTRUTURAS ASSOCIADAS E ARCOS TRI ARTICULADOS

Considerações gerais

O que é uma estrutura associada? Como resolver esses tipos de estruturas? Isso é que
O que é uma estrutura associada? Como resolver esses
tipos de estruturas?
Isso é que vamos aprender nesse módulo.

Muitas vezes, deparamos com estruturas mais complicadas e complexas, que aparente- mente apresentam soluções difíceis para serem resolvidas, como por exemplo, a estrutura representada na figura 1.

D E F A B C
D E
F
A B
C

Figura 1 - Estrutura associada Fonte: próprio autor.

A

princípio, podemos pensar que a estrutura da figura 1 é hiperestática, pois apresen-

ta

3 apoios fixos articulados, ou seja, 6 reações de apoio para serem determinadas,

com equações de equilíbrio. Na verdade sua solução fica fácil de ser resolvida, quan- do desmembramos em outras duas soluções cujas estruturas são isostáticas, conforme mostra a figura 2.

D E

são isostáticas, conforme mostra a figura 2. D E A B (a) E F C (b)

A B

(a)

E F C (b)
E
F
C
(b)

Figura 2- Estruturas desmembradas Fonte: próprio autor

Observamos que a estrutura (a) é um pórtico triarticulado, portanto uma estrutura isostá- tica, concluindo o mesmo sobre a estrutura (b).

estrutura isostá- tica, concluindo o mesmo sobre a estrutura (b). Estruturas Associadas e Arcos Tri articulados

Estruturas Associadas e Arcos Tri articulados

157

A estrutura da figura 1 resulta das outras duas mostradas na figura 2. A essa
A estrutura da figura 1 resulta das outras duas mostradas na
figura 2. A essa solução denominamos de estrutura associada.
Podemos ter várias estruturas isostáticas uma ligada a outra,
formando uma estrutura mais complexa.

Quando duas ou mais estruturas, numa associação, apoiam-se uma na outra no mesmo ponto, essa ligação que articula três ou mais barras é denominada de articulação múltipla, como por exemplo, o ponto E da estrutura associada da figura 1.

Se associarmos mais uma estrutura naquela da figura 1 teremos uma estrutura associada semelhante a representada na figura 3.

G H D E F
G
H
D
E
F

A

B

C

Figura 3 - Estrutura associada Fonte: próprio autor

Podemos perceber que três barras concorrem no ponto D, porém duas delas não se articu- lam (ou seja, as barras DE e AD não estão articuladas no nó D). Nesse caso a articulação no ponto D não é múltipla.

No caso das estruturas associadas, as estruturas são ligadas umas nas outras através de articulações, o que permite uma simples identificação.

ARTICULAÇÕES INTERNAS MÓVEIS

Vamos considerar agora duas estruturas isostáticas conforme mostradas na figura 4. A estrutura da figura 4a é uma viga em balanço e a da figura 4b é uma viga bi apoiada com um apoio fixo e outro móvel. Associando as duas estruturas obteremos uma estrutura como a representada na figura 4c. No ponto B existe uma articulação em que é permiti- do o deslocamento horizontal. Nesse ponto podemos dizer que ocorre uma articulação móvel. Observe a figura e veja.

158

Estruturas Associadas e Arcos Tri articulados

dizer que ocorre uma articulação móvel . Observe a figura e veja. 158 Estruturas Associadas e
A B (a)
A
B
(a)
B C
B
C

(b)

A B C
A
B
C

(c)

Figura 4 - Estrutura associada com articulação móvel Fonte: próprio autor

SUJEIÇÃO PARCIAL

Às vezes podemos associar duas estruturas com um número de vínculos igual ou supe- rior ao mínimo necessário, porém não são distribuídos de maneira adequada, tornando o conjunto instável estruturalmente.

Essa situação é exemplificada na figura 5. As duas soluções apresentadas tem a mesma quantidade de vínculos e tipos de apoios, porém a representada pela figura 5a possui uma distribuição adequada enquanto que a representada na figura 5b é uma sujeição parcial, com a viga AB sendo hiperestática e o trecho BC hipostático, tornando-se uma solução inadequada.

   

C

    C A B (a)       C A B (b)  

A B     C (a)       C A B (b)  

A B

(a)

 
   

C

    C A B (a)       C A B (b)  

A B     C A B (a)       C (b)  

A B

(b)

 

Figura 5 - Sujeição parcial Fonte: próprio autor

ASSOCIAÇÕES SIMPLES E ESPECIAIS

Quando ocorre uma associação simples? Nas estruturas associadas, quando existe uma dependência simples entre as
Quando ocorre uma associação simples? Nas estruturas
associadas, quando existe uma dependência simples
entre as partes que se associam, como, por exemplo,
um conjunto de barras com sujeição parcial, ligada a uma
estrutura com sujeição completa, servindo de apoio,
denominamos que ocorreu uma associação simples.
de apoio, denominamos que ocorreu uma associação simples. Estruturas Associadas e Arcos Tri articulados 1 5

Estruturas Associadas e Arcos Tri articulados

159

Entretanto, podemos observar em algumas estruturas, que se analisarmos isoladamente cada parte associada, elas se apresentam como estruturas instáveis ou hipostáticas, mas ao analisar o conjunto esse se torna isostático. Como assim? O que ocorre nessa situação é que o vínculo que falta em uma das partes é fornecido pela outra e vice-versa. Podemos dizer que ocorre uma dependência recíproca. A esse tipo de estrutura associada denominamos associação especial, conforme mostra a figura 6.

A

B

C

D

E

 
 
conforme mostra a figura 6. A B C D E   Figura 6 - Associação especial
conforme mostra a figura 6. A B C D E   Figura 6 - Associação especial
conforme mostra a figura 6. A B C D E   Figura 6 - Associação especial

Figura 6 - Associação especial Fonte: próprio autor

ATENÇÃO

Na figura 6, quando analisamos isoladamente a viga AB e o trecho BCDE, concluímos que se tratam de estruturas hipostáticas. Entretanto o conjunto é isostático. A viga AB apoia verticalmente na estrutura BCDE, enquanto essa apoia horizontalmente na viga AB, tornando o conjunto estável.

AB apoia verticalmente na estrutura BCDE, enquanto essa apoia horizontalmente na viga AB, tornando o conjunto

RESOLUÇÃO DAS ESTRUTURAS ASSOCIADAS SIMPLES

A figura 7 mostra uma estrutura associada e nós iremos resolvê-la passo a passo.

A B 5 0 kN 1 0 kN m C 4 0 kN D E
A
B
5
0 kN
1 0 kN m
C
4
0 kN
D
E
F
G
H
4, 0 m
2, 0 m
2, 0 m
4, 0 m
4, 0 m

Figura 7 - Resolução de uma estrutura associada Fonte: próprio autor

Por onde começamos? A primeira coisa a ser feita é desmembrar a estrutura completa em estruturas isoladas e que sejam isostáticas. Na figura 8, mostramos os diagramas de corpo livre das três estruturas isoladas (I, II, III) que associadas formam a estrutura mostrada na figura 7.

160

Estruturas Associadas e Arcos Tri articulados

(I, II, III) que associadas formam a estrutura mostrada na figura 7. 160 Estruturas Associadas e

H

F

H

D1

A B D E V V D1 E
A
B
D
E
V
V
D1
E

(I)

H D 2

H F H D 1 A B D E V V D1 E (I) H D

5 0 kN

H

E

+ V V D1 D 2 1 0 kN m C D + H H
+ V
V D1
D 2
1 0 kN m
C
D
+ H
H D1
D 2
F
G
H
G
V
V
F
G
4 0 kN V E H E D E V D 2 H H H
4
0 kN
V
E
H
E
D
E
V D 2
H
H
H
V
H

(III)

(II)

Figura 8 - Estruturas isoladas Fonte: próprio autor

Em seguida vamos determinar as reações de apoio da estrutura (I), V D1 , H D1 , V E e H E , da seguinte forma:

∑M D = 0

4,0 V E + 4,0 × 50 = 0

∑V = 0

V E + V D1 = 0

→ V D1 =

V E

∑M A(AE) = 0

4,0 V E + 4,0 H E = 0

V E = 200/4

V D1 = 50 kN

H E = + 200/4

V E = 50 kN

H E = +50 kN

∑H = 0

H D1 + H E 50 = 0

H D1 = H E + 50

H D1 = 0 kN

Uma vez determinados os valores de V E e H E , calcularemos agora as reações da estrutura (II).

∑M E(EH) = 0

4,0 H H = 0

H H = 0 kN

∑M D = 0

4,0 V H 4,0 H H 4,0 V E 40 × 2 = 0

V H = [0 + 4,0 × (-50) + 80]/4

V H = 30 kN

[0 + 4,0 × (-50) + 80]/4 → V H = − 30 kN ∑V =

∑V = 0

∑H = 0

V H + V D2

V D2 = 30 + 40 50

40 V E = 0

V D2 = 20 kN

H D2 H E H H = 0

H D2 = 50 0

H D2 = 50kN

Estruturas Associadas e Arcos Tri articulados

161

Finalmente, conhecidos os valores de H D1 , H D2 , V D1 e V D2 , determinaremos as reações de apoio da estrutura (III).

∑M F = 0

4,0 V G + 4,0 (H D1 + H D2 ) 4,0 (VD 1 + VD 2 ) 10 × 4,0 × 2,0 = 0

V G = [4,0 (0+ 50) + 4,0 (50 + 20) + 80]/4

V G = 40 kN

∑V = 0

V F +

V G (V D1 + V D2 ) 10 x 4,0 = 0

 

V F = 40 + (50 + 20) + 40

V F = 70 kN

∑M D(DG) = 0

4,0 H G = 0

H G = 0 kN

∑H = 0

H F H G (H D1 + H D2 ) = 0

H F = 0 + (0 + 50)

HF = 50 kN

Definidas todas as reações e cargas na estrutura, calcularemos os esforços solicitantes nas seções de cada trecho (que é imediato) e em seguida traçaremos os diagramas em um único esquema, conforme está representado nas figuras 9,10 e 11.

162

N ( kN ) (T r a çã o +)

Q ( kN )

7 0

0 A B 5 0 (−) (+) C 5 0 D 5 0 E (−)
0
A
B
5
0
(−)
(+)
C
5
0
D
5
0
E
(−)
(−)
4
0
3
0
(−)
(−)
(+)
F
G
H

5 0

Figura 9- Diagrama de esforço normal (N). Fonte: próprio autor

5

5 0

(+) A B 0 (−) C 5 0 D 7 0 (+) 3 0 (+)
(+)
A
B
0
(−)
C
5
0
D
7
0
(+)
3
0
(+)
2
0
E
(−)
2
0
(−)
0
0
0
0
F
G
H

Figura 10 - Diagrama de esforço cortante (Q). Fonte: próprio autor

Estruturas Associadas e Arcos Tri articulados

F G H Figura 10 - Diagrama de esforço cortante (Q). Fonte: próprio autor Estruturas Associadas

M ( kN m )

2 0 0

2 0 0 B A (+) 2 0 0 (+) 0 2 0 0 (−)
2 0 0
B
A
(+)
2
0 0
(+)
0
2
0 0
(−)
D
E
C
(+)
40
(−)
0
0
F
G
H

Figura 11 - Diagrama de momento fletor (M). Fonte: próprio autor

VIGAS GERBER

As vigas Gerber são casos particulares das estruturas associadas. As figuras 4, 5, e 6 exemplifica esse tipo de estrutura.

Portanto podemos afirmar que as vigas Gerber resultam da associação de estruturas isostáticas de eixo reto, interligadas pelas extremidades por intermédio de articulações.

Sua resolução é feita da mesma forma que são feitas as outras estruturas associadas.

Veja na figura 12 uma viga Gerber com sua decomposição logo abaixo, apresentando em seguida
Veja na figura 12 uma viga Gerber com sua decomposição logo abaixo, apresentando em
seguida o processo de resolução da estrutura.
2
0 0 kN
1
0 0 kN
2 0 kN m
5 0 kN m
C
G
B
D
F
H
A
E
I
1 0 kN
2, 0 m
4, 0 m
2, 0 m
3, 0 m
3, 0 m
1, 0 m
4, 0 m
2, 0 m
1
0 0 kN
2 0 kN m
5 0 kN m
1 0 kN
H
H
V
V
V
V
B
C
G
H
(I)
2
0 0 kN
(II)
V
V
C
G
2 0 kN m
5 0 kN m
V
V
D
F
(III)
Figura 12 - Viga Gerber
Fonte: próprio autor
Estruturas Associadas e Arcos Tri articulados
163

Primeiro vamos determinar as reações de apoio (V B e V C ) do trecho (I):

∑M B = 0

4,0 V C 20 × 6,0 × 1,0 = 0

V C = 120/4

V C = 30 kN

∑V = 0

V B +V C 20 × 6,0

= 0

V B = 120 30

V B = 90 kN

∑H = 0

H C = 0

Da mesma forma calcularemos o trecho (II):

∑M G = 0 4,0 V H 100 x 6 50 × 4,0 × 2,0 = 0 → V H = 1000/4 V H = 250 kN

∑V = 0

V G +V H 100 50 × 4,0 = 0

V G = 300 250

V G =

50 kN

∑H = 0

H H 10 = 0

H H = 10 kN

Uma vez conhecidos os valores V C e V G , iremos determinar as reações de apoio do trecho (III), V D e V F , da seguinte forma:

∑M D = 0 6,0 V F 7,0 V G - 50 × 1,0 × 6,5 200 × 3,0 + 20 × 2,0 × 1,0 + 2,0 V C =0

 

6,0 V F = 7,0 × 50 + 325 + 600 40 2,0 x 30

 

V F = 1175/6,0

V F = 195,83 kN

∑V = 0

V D +V F V C V G 200 50 × 1,0 20 × 2,0 = 0

V D = 195,83 + 30 + 50 + 200 + 50 +40

V D = 174,17 kN

∑H = 0

H D = 0 kN

Após determinar todas as reações de apoio, iremos calcular facilmente os esforços soli- citantes das seções dos três trechos e traçar os diagramas de cada esforço num único esquema, conforme mostrado nas figuras 13,14 e 15.

N ( kN ) (T r a çã o +)

A B C D E F G H I (−)
A B
C
D
E
F G
H
I
(−)

164

5 0

Figura 13 - Diagrama de esforço normal ( N ) Fonte: próprio autor

Estruturas Associadas e Arcos Tri articulados

164 5 0 Figura 13 - Diagrama de esforço normal ( N ) Fonte: próprio autor
1 0 4,1 7 Q ( kN ) 1 0 0 5 0 1 0
1
0 4,1 7
Q ( kN )
1
0 0
5
0
1
0 0
5
0
(+)
A
B
C
F
D
E
G
H
I
(−)
4
0
3
0
1, 0 m
2, 5 m
7
0
9
5, 8 3
1
5
0
Figura 14 - Diagrama de esforço cortante (Q)
Fonte: próprio autor
2
0
0
1 0 0 M ( kN m ) 7 4, 9 8 4 0 (−)
1
0 0
M
( kN m )
7 4, 9 8
4 0
(−)
C
E
A
B
D
F G
H
I
(+)
2 2, 5
2 2, 5
2, 5 m
1, 5 m

2 1 2, 5 1

Figura 15 - Diagrama de momento fletor (M) Fonte: próprio autor

Agora que você aprendeu a traçar os diagramas de esforços solicitantes de uma estrutura associada
Agora que você aprendeu a traçar os diagramas de
esforços solicitantes de uma estrutura associada e de
uma viga Gerber, sugiro que faça vários exercícios. No
livro Estruturas Isostáticas 7ª edição, de Otávio Campos
do Amaral, capítulo III, páginas 184 a 199, você encontrará
uma série de exercícios resolvidos.
184 a 199, você encontrará uma série de exercícios resolvidos. Estruturas Associadas e Arcos Tri articulados

Estruturas Associadas e Arcos Tri articulados

165

Estudo do arco triarticulado

Os arcos são estruturas bastante utilizadas na vida prática, apresentando resultados muito econômicos. Geralmente ao compará-los com uma viga bi apoiada reta de mesmo vão e carregamento, podemos perceber que os esforços solicitantes de momento fletor e esforço cortante são bem menores que aqueles obtidos na viga.

Podemos até fixar o eixo do arco de forma a obter para os esforços cortantes e para o momento fletor, valores nulos em todas as seções do arco, solicitado exclusivamente por forças normais. Para esse eixo denominamos linha de pressões.

TOME NOTA

Quando um determinado arco for solicitado somente por forças verticais, as componentes horizontais das reações de apoio serão iguais e contrárias (H), que denominamos de empuxo.

iguais e contrárias (H), que denominamos de empuxo . A figura 16 mostra um arco tri

A figura 16 mostra um arco tri articulado e uma viga reta com o mesmo carregamento e mesmo vão.

H

α C y = f ( x ) D y f A B H V
α
C
y = f ( x )
D
y
f
A
B
H
V
A
x
c V
B
L

(a)

A B D C V x V A c B L
A
B
D
C
V
x
V
A
c
B
L

166

(b)

Figura 16 - Arco tri articulado e viga correspondente Fonte: próprio autor

Estruturas Associadas e Arcos Tri articulados

Figura 16 - Arco tri articulado e viga correspondente Fonte: próprio autor Estruturas Associadas e Arcos

As reações verticais do arco e da viga são iguais e deverão ser obtidas por intermédio das equações de equilíbrio ∑M B = 0 e ∑V = 0.

A determinação dos esforços solicitantes em uma seção D (genérica) do arco da figura 16a (M D , Q D e N D ) será em função dos esforços solicitantes da viga (M OD e Q OD )na mesma seção correspondente (figura 16b).

Qual a diferença entre elas? A diferença básica entre as duas estruturas é o angulo α no arco que a normal da seção faz com a horizontal, que na viga é igual a zero e a existência do empuxo H que na viga não existe.

Portanto, podemos dizer:

M D = M OD H y, onde y é a ordenada do ponto em questão (D).

O valor do esforço cortante do arco (Q D ) é obtido da seguinte forma:

Q D = Q OD cos α H sen α

De forma semelhante obtém-se o valor do esforço normal do arco (N D ):

N D = Q OD sen α + H cos α

Utilizando essas fórmulas, podemos determinar todos os esforços solicitantes em qual- quer seção do arco, observando que no trecho descendente o angulo será negativo.

Na seção C, onde ocorre a rótula, o momento fletor é zero. Podemos concluir que:

0 = M OC H y , portanto determinamos o valor do empuxo (H) da seguinte forma:

H = M OC /f

Os valores trigonométricos (sen α, cos α, α), necessários para utilizarmos no cálculo dos esforços solicitantes, determinam-se em função de tg α, da seguinte forma:

tg α

= dy / dx ,

em que y = f(x) é a equação do eixo do arco.

Para traçar os diagramas dos esforços solicitantes escolha os pontos que você acha necessário para representá-los, calcule os esforços em cada um desses pontos e poste- riormente determine os diagramas.

Agora que você conhece os procedimentos de cálculo para determinação de esforços e diagramas de
Agora que você conhece os procedimentos de cálculo
para determinação de esforços e diagramas de um arco
tri articulado, vamos praticar através de um exemplo,
para um melhor entendimento.
vamos praticar através de um exemplo, para um melhor entendimento. Estruturas Associadas e Arcos Tri articulados

Estruturas Associadas e Arcos Tri articulados

167

Exemplo:

Determine os diagramas dos esforços solicitantes do arco tri articulado da figura 17, considerando que a equação do arco é y = x 0,025 x 2 .

(considerar 10 seções ao longo do comprimento do arco, ou seja, um ponto a cada 4,0 m)

Solução:

Determinamos as reações de apoio de imediato:

∑M A = 0 ∑V = 0

40 V B 30 × 40 × 20 1000 × 8 = 0

V B = 800 kN

V A + V B 30 × 40 1000 = 0

V A = 1400 kN

Para calcular o empuxo, determinamos a expressão abaixo:

H =M OC /f

Em que:

M OC = 1400 × 24 30 × 24 × 12 1000 × 16 = 8960 kNm

Para determinar f, basta utilizar a função do arco para x = 24 m

f = x 0,025 x 2 f = 24 0,025 (24) 2 = 9,60 m

Portanto:

H = 8960/9,60 = 933 kN

3 0 kN m
3 0 kN m

168

H

1 0 0 0 kN α C 2 y = x − 0, 0 2
1
0 0 0 kN
α
C
2
y
= x − 0, 0 2 5 x
D
f
A y
B
x
H
V
V
A
B
8
m
1
6 m
1
6 m

( a r co )

Estruturas Associadas e Arcos Tri articulados

0 2 5 x D f A y B x H V V A B 8

1 0 0 0 kN

 
3 0 kN m

3 0 kN m

 
 
 
 
 
 
 
 
 

D

C

B

V B
V
B
V
V

A

A

 
 

8

m

1

6 m

 

1

6 m

 
 
 
   
   
   

( vi g a )

Figura 17 - Exemplo Fonte: próprio autor

Para determinar os esforços solicitantes do arco, podemos montar uma tabela, conforme mostrado a seguir, facilitando bastante o nosso cálculo.

Precisamos antes de tudo determinar α, em função da expressão abaixo:

y = x 0,025 x 2

dy/dx = y’ = tgα = 1 0,05 x

Determinando o esforço cortante na viga auxiliar:

Para

0

x

8

Q(x) = 1400 30 x

Para

8

x

40

Q(x) = 1400 30 x 1000

Determinando o momento fletor na viga auxiliar:

Para

0

x

8

M(x) = 1400 x 30 x 2 /2

Para

8

x

40

M(x) = 1400 x 30 x 2 /2 1000 (x - 8)

N D = Q OD sen α + H cosα

Q D = Q OD cos α H senα

M D = M OD - H y

O D ⋅ cos α − H senα M D = M O D - H

Estruturas Associadas e Arcos Tri articulados

169

TABELA 1 - CÁLCULO DOS ESFORÇOS SOLICITANTES

x(m)

0

4,0

 

8,0

12,0

16,0

20,0

24,0

28,0

32,0

36,0

40,0

y(m)

0

3,60

 

6,40

8,40

9,60

10,00

9,60

8,40

6,40

3,60

0

tg

α

1,00

0,80

 

0,60

0,40

0,20

0

0,20

0,40

0,60

0,80

1,00

α

45

38,66

 

30,96

21,80

11,31

0

11.31

21,80

30,96

38,66

45

sen α

0,707

0,625

 

0,514

0,371

0,196

0

0,196

0,371

0,514

0,625

0,707

cos α

0,707

0,781

 

0,858

0,928

0,981

1,000

0,981

0,928

0,858

0,781

0,707

Q

0 (k)

1400

1280

 

1160

40

80

200

320

440

560

680

800

 

160

M

0 (kNm)

0

5360

 

10240

10640

10560

10000

8960

7440

5440

2960

0

Q

0 senα

990

800

 

204

15

16

0

63

163

350

425

566

 

82

Q

0 cosα

990

1000

 

995

37

78

200

314

408

480

531

566

 

137

H

sen α

660

583

 

480

346

183

0

183

346

480

583

660

H

cos α

660

729

 

801

866

915

933

915

866

801

729

660

H y

0

3359

 

5971

7837

8956

9330

8956

7837

5971

3359

0

N

(kN)

1650

4159

 

6175

7852

8940

9330

9019

8000

6321

3789

566

 

6053

Q

(kN)

330

417

 

515

309

261

200

131

62

0

52

94

 

343

M(kNm)

0

2001

 

4269

2803

1604

670

0

397

531

399

0

 

Fonte: próprio autor

 
 

Após a determinação de todos os esforços solicitantes em todas as seções, traçamos os diagramas de esforço normal, esforço cortante e de momento fletor do arco, conforme a figura 18.

 
 

N

( kN ) T r a çã o (+)

 
 

1

2

3

4

5

6

7

8

9

 

A

D

 

C

B

5 1 6 5 0 4 1 5 9 (−) 3 7 8 9 6
5
1
6 5 0
4 1 5 9
(−)
3 7 8 9
6
1 7 5
6 0 5 3
6 3 2 1
7 8 5 2
8 0 0 0
8 9 4 0

9 3 3 0

9 0 1 9

6 6

Q ( kN ) 5 1 5 4 1 7 (+) 3 3 0 9
Q ( kN )
5 1 5
4 1 7
(+)
3
3 0
9 4
5 2
C
A
D
6 2
1 3 1
2 0 0
(−)
2 6 1
3 0 9
3 4 3

B

170

Estruturas Associadas e Arcos Tri articulados

3 0 9 4 5 2 C A D 6 2 1 3 1 2 0
5 3 1 M ( kN ⋅ m ) 3 9 7 3 9 9
5 3 1
M
( kN ⋅ m )
3 9 7
3 9 9
(−)
C
A
D
(+)
6 7 0
1 6 0 4
2 0 0 1
2 8 0 3
4 2 6 9

B

Figura 18 - Diagramas de esforços solicitantes do arco tri articulado Fonte: próprio autor

solicitantes do arco tri articulado Fonte: próprio autor ATIVIDADE Acesse a(s) Atividade(s) de Fixação no

ATIVIDADE

Acesse a(s) Atividade(s) de Fixação no material didático online da disciplina.

de Fixação no material didático online da disciplina. Estruturas Associadas e Arcos Tri articulados 1 7

Estruturas Associadas e Arcos Tri articulados

171

Síntese

Nesse módulo você reviu como determinar as reações de apoio, os esforços solicitantes, esforço normal, esforço cortante e momento fletor de estruturas associadas .

Agora você também é capaz de analisar estruturas como as Vigas Gerber, que são casos particulares de estruturas associadas. Assim como fazer a análise dos arcos tri articulados.

Assim, você está apto a traçar os diagramas utilizando as convenções de sinais conside- radas universalmente das estruturas acima mencionadas.

Referências

AMARAL, Otávio Campos do. Estruturas Isostáticas. 7ª Edição; Belo Horizonte, 2003. 473 p.

BEER, Ferdinand Pierre; JOHNSTON, E. Russell. Mecânica vetoril para engenheiros: vol.1: estática. 5ª ed. rev São Paulo: Makron Books, c1991. 793 p.

KRIPKA, Moacir. Análise estrutural para engenharia civil e arquitetura - Estruturas isóstáticas. São Paulo. 2ª edição, Editora PINI, 2011. 240 p.

FONSECA, Adhemar; MOREIRA, Domício Falcão. Estática das construções: estruturas isostáticas: problemas e exercícios: vol1. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1966. 312p.

HIBBELER, R. C. Estática: mecânica para engenharia. 10ª ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall. c2005, 540p.

MACHADO JR, E. F. Introdução à isostática. São Carlos: EESC-USP, 1999.

ROCHA, Anderson Moreira da. Teoria e práticas das estruturas: vol.1 : isostática. Rio de Janeiro: LIVRARIA CIENTÍFICA. 1973. 300p.

SUSSEKIND, José Carlos. Curso de análise estrutural: vol1 : estruturas isostáticas. 6ª ed 1983. 259 p.

Porto Alegre: Globo,

172