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Curso Técnico em Eletrotécnica Eletricidade – Prof. Fábio Costa Pereira Trabalho desenvolvido para dar suporte

Curso Técnico em Eletrotécnica

Eletricidade Prof. Fábio Costa Pereira

Trabalho desenvolvido para dar suporte técnico e teórico à disciplina de Eletricidade, ministrada pelo Centro Técnico Lusíadas aos alunos do curso Técnico em Eletrotécnica.

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APRESENTAÇÃO

Este trabalho esta dividido em duas unidades com um total de dez capítulos. A primeira unidade faz uma pequena abordagem sobre os circuitos alimentados por fontes contínuas e discorre sobre conceitos básicos de eletricidade. A segunda fornecer trata dos os circuitos alimentados por fontes alternadas.

Recomendamos utilizado como referencial teórico, não dispensando outras fontes. A parte prática fica a cargo dos professores durante o desenvolvimento dos assuntos.

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UNIDADE I: ELETRICIDADE EM CORRENTE CONTÍNUA

1. INTRODUÇÃO

Os fenômenos elétricos tiveram suas primeiras descobertas na Grécia antiga. O filosofo e matemático Thales, que vivia em Mileto no século VI a.C., observou que um pedaço de âmbar (pedra amarelada, que se origina da fossilização de árvores de madeira macia), após ser atritado contra a pele de um animal, adquiria a propriedade de atrair corpos leves (pedaços de palha e sementes de grama).

Somente cerca de 2000 anos mais tarde é que começaram a ser feitas observações sistemáticas e cuidadosas. Daí surgiu muitos estudos, onde se destacaram alguns cientistas como o médico inglês William Gilbert (1544-1603), Gilbert observou que outros corpos ao serem atritados, se comportavam como o âmbar e que a atração exercida por eles se manifestava em qualquer corpo, mesmo que este não fosse leve. Como o termo grego correspondente a âmbar é eléctron, surgiram às expressões “eletrização” “eletricidade”.

Outros nomes importantes, destaque no campo da eletricidade, são os de:

Benjamin Franklin (1706-1790), Chalés Augustin de Coulomb (1736-1806), Michael Faraday (1791-1867), Alessandro Volta (1745-1827), André-Marie ampère (1775- 1836), Geord Simom Ohm (1781-1854), Robert J van de Graaff (1901 1967), Robert Andrews Millikan (1869 1953), Thomas Edison (1847-1931), entre outros.

(1869 – 1953), Thomas Edison (1847-1931), entre outros. Figura 1 – Thales de Mileto: o pioneiro

Figura 1 Thales de Mileto: o pioneiro pesquisador da eletricidade.

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2. ELETRICIDADE

2.1 CARGA ELÉTRICA

NÚCLEO

CONTENDO PRÓTONS E

2.1 CARGA ELÉTRICA NÚCLEO CONTENDO PRÓTONS E E ELETROSFERA COM SEUS ELÉTRONS . Figura 2 –

E

ELETROSFERA

COM SEUS ELÉTRONS.

Figura 2 A estrutura de um átomo.

Mesmos com muitos estudos sendo realizados como o objetivo de estudar mais a fundo a estrutura da matéria, vamos entender o átomo (figura 2) como a menor parte da matéria. Todos os átomos têm partículas chamadas elétrons, que descrevem uma órbita ao redor de um núcleo com prótons e nêutrons. Cada elemento tem sua própria estrutura atômica, porém cada átomo de um mesmo elemento tem igual número de prótons e elétrons.

Essas partículas têm determinadas cargas Prótons - cargas positivas (+) e Elétrons

- cargas negativas (-). Os prótons, no núcleo, atraem os elétrons, mantendo-os em

órbita. Desde que a carga positiva dos prótons seja igual à carga negativa dos elétrons, o átomo é eletricamente neutro. Entretanto, essa igualdade de cargas pode ser alterada; se elétrons são retirados do átomo, este se torna carregado positivamente (+), ou caso contrario, se forem acrescidos ele torna-se carregado negativamente (-).

Procurando uma explicação para este fato, Benjamin Franklin formulou a teoria, segundo a qual os fenômenos elétricos estariam presentes em todos os corpos e

que a eletrização consistia na transferência de um fluido elétrico entre os corpos que se atritam. Entretanto, esta transferência não era obtida através do fluido elétrico imaginado por ele, mas, sim, pela passagem de elétrons de um corpo para

o outro.

2.2 FORÇA ELÉTRICA

Já sabemos então que quando um corpo esta eletrizado, ele possui um excesso de prótons (carga positiva) ou um excesso de elétrons (carga negativa). O unidade de medida da carga de um corpo, no Sistema Internacional (S.I.), é denominada 1 Coulomb = 1 C . Quando dizemos que um corpo possui uma carga de 1 C, isto significa que este corpo perdeu (carga positiva) ou ganhou (carga negativa) 6,24 x

10 18 elétrons.

Na eletrostática, geralmente lidamos com cargas muito menores do que 1 C. Nesse caso, é comum expressarmos os valores das cargas em mC (1mC = 10 -3 C) ou em µC (1 µC = 10 -6 C) .

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Quando dois corpos eletrizados estão próximos um do outro vai haver entre eles uma força de atração ou repulsão. Caso a cargas sejam de mesmo sinal, haverá uma força de repulsão e se forem de sinais opostos haverá uma força de atração entre os corpos.

opostos haverá uma força de atração entre os corpos. Figura 3 – Cargas com sinais iguais
opostos haverá uma força de atração entre os corpos. Figura 3 – Cargas com sinais iguais

Figura 3 Cargas com sinais iguais se repelem

corpos. Figura 3 – Cargas com sinais iguais se repelem Figura 4 – Cargas com sinais
corpos. Figura 3 – Cargas com sinais iguais se repelem Figura 4 – Cargas com sinais

Figura 4 Cargas com sinais opostos se atraem

Chalés Augustin de Coulomb dedicou-se a pesquisas cientificas, tendo inventado a balança de Coulomb, dispositivo que lhe permitiu medir as forças elétricas com enorme precisão, levando-o a estabelecer sua celebre lei.

Lei de Coulomb

Duas cargas puntuais, Q 1 e Q 2 , separadas por uma distância r, situadas no vácuo, se atraem ou se repelem com uma força F dada por

F = (Q 1 Q 2 / r 2 )k 0 onde k 0 , no SI, tem o valor K 0 = 9,0x10 9 N.m 2 /C 2

Se estas cargas forem mergulhadas em um meio material, o valor das forças entre elas torna-se K vezes menor, onde K é a constante dielétrica deste meio.

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Centro Técnico Lusíadas Curso Técnico em Eletrotécnica Figura 5 – Representação da Lei de Coulomb 2.3

Figura 5 Representação da Lei de Coulomb

2.3 CAMPO ELÉTRICO Suponha que uma carga Q fixa (positiva) colocada no centro de uma mesa, como mostra a figura 06. Se colocarmos outra carga q (positiva) em um ponto qualquer da mesa, ponto P1, a uma certa distância de Q, uma força elétrica F, de repulsão, atuará sobre a carga q. Imagine que a carga q fosse retirada, mesmo sem a carga, em qualquer ponto do espaço em torno de Q existiria um campo elétrico criado por esta carga e quanto mais próximo de Q maior será a intensidade do campo elétrico.

próximo de Q maior será a intensidade do campo elétrico. Figura 6 – Campo Elétrico criado

Figura 6 Campo Elétrico criado por uma carga Q

Podemos resumir o que foi dito dizendo que:

Sendo F o módulo da força elétrica que atua sobre uma carga q, colocada em um ponto do espaço, o vetor campo elétrico E neste ponto tem uma intensidade obtida por:

E = F/q [N/C]

A direção e o sentido do campo elétrico E são dados pela direção e sentido da força que atua na carga positiva colocada naquele ponto.

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2.4 POTENCIAL ELÉTRICO OU TENSÃO ELÉTRICA Olhando para a figura 7, observamos o campo elétrico criado pela carga elétrica Q (positiva) em torno dela. Se nesse campo for colocada uma carga de prova q, positiva, no ponto A, sobre ela atuará uma força elétrica F de repulsão, visto que as cargas possuem a mesma polaridade que deslocará a carga q até o ponto B. Para que esse deslocamento acontecesse, a força elétrica precisou realizar um trabalho, T AB, para deslocar a carga q do ponto A até o ponto B.

O trabalho realizado, por um campo elétrico, no deslocamento de uma carga de um

ponto A para um ponto B é chamando de diferença de potencial (ou tensão elétrica) V AB (Ler-se: diferença de potencial entre o ponto A e o ponto B, representado também pela expressão: V AB = VA VB). Seu valor é obtido dividindo-se o trabalho realizado pelo valor da carga que foi deslocada, isto é:

T AB [J/C] V AB = q
T AB
[J/C]
V AB =
q

A unidade de tensão elétrica no S.I. é 1 J/C. Esta unidade é denominada 1 volt = 1

V, em homenagem ao físico italiano Alessandro Volta.

J 1 1V = C
J
1
1V
= C
ao físico italiano Alessandro Volta. J 1 1V = C Figura 7 – Trabalho realizado por

Figura 7 Trabalho realizado por um Campo Elétrico

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2.5 CORRENTE ELÉTRICA

2.5.1 CONCEITO DE CORRENTE ELÉTRICA

Quando um campo elétrico é estabelecido em um condutor qualquer, as cargas livres aí presentes entram em movimento sob a ação deste campo. Dizemos que este deslocamento de cargas constitui uma corrente elétrica. Nos metais, a corrente elétrica é constituída por elétrons livres em movimento. Nos líquidos, as cargas livres que se movimentam são íons positivos e íons negativos enquanto, nos gases, são íons positivos, íons negativos e também elétrons livres.

2.5.2 ESTABELECIMENTO DE UMA CORRENTE ELÉTRICA

Alguns materiais possuem encontrados na natureza, ou mesmo produzidos pelo homem, que se opõe mais ou menos a circulação de corrente elétrica. Aqueles com maior oposição são chamados de isolantes e de menor oposição são chamados de condutores.

O elemento cobre é muito empregado em sistemas elétricos, porque é um bom condutor de eletricidade. Possui 29 prótons e 29 elétrons. Os elétrons estão distribuídos em quatro camadas ou anéis. Deve-se notar, porém, que existe apenas um elétron na última camada, também chamada de camada de valência (anel exterior). Esse é o segredo de um bom condutor de eletricidade.

Os elétrons mais próximos do núcleo têm maior dificuldade de se desprenderem de suas órbitas, devido à atração exercida pelo núcleo. Já os elétrons mais distantes do núcleo (última camada) têm maior facilidade de se desprenderem de suas órbitas porque a atração exercida pelo núcleo é pequena; assim recebem o nome de elétrons livres. Portanto, os elétrons livres se deslocam de um átomo para outro de forma desordenada, nos materiais condutores.

Considerando-se que nos terminais do material da figura 8, aplicamos uma tensão elétrica proveniente de uma bateria, por exemplo. Assim, temos de lado um pólo positivo e de outro um pólo negativo, o movimento dos elétrons toma um determinado sentido, da seguinte maneira:

elétrons toma um determinado sentido, da seguinte maneira: Figura 8 – Fio de cobre ligado a

Figura 8 Fio de cobre ligado a uma fonte.

Um desses elétrons próximo ao pólo positivo seria atraído por essa carga e abandonaria seu átomo. Esse átomo se tornaria carregado positivamente e atrairia um elétron do próximo, que se carregaria positivamente e assim por toda a extensão do condutor. O resultado integrado é uma movimentação (fluxo) ordenado (em um único sentido) de elétrons através do condutor entre o pólo negativo (-) e o pólo positivo (+). A este movimento ordenado de elétrons damos o nome de CORRENTE ELÉTRICA.

Esse fluxo ou corrente de elétrons continuará, enquanto a diferença de potencial, tensão elétrica, for mantida nos extremos do fio.

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2.5.3 TIPOS DE CORRENTE ELÉTRICA

A corrente elétrica fornecida a um circuito consumidor pode ser contínua (C.C) ou

alternada (C.A), sendo que neste último caso ela ainda poderá ser monofásica (1 fase) ou trifásica (3 fases).

Pode-se observar, na figura 9, que a corrente contínua mantém sua polaridade constante (+ ou -) em relação ao tempo, enquanto que a corrente alternada é variável tanto na polaridade (+ ou -) quanto na intensidade (valores medidos).

polaridade (+ ou -) quanto na intensidade (valores medidos). Figura 9 – Tipos de corrente elétrica

Figura 9 Tipos de corrente elétrica

2.5.4 SENTIDO DA CORRENTE ELÉTRICA

Analisando a movimentação de uma carga elétrica negativa, os elétrons em nosso caso, em um campo elétrico, concluímos que o sentido real da corrente elétrica é do menor para o maior potencial. Porém se uma carga negativa movendo-se com certa velocidade dirigida, por exemplo, para a esquerda. Verifica-se que este movimento é equivalente ao movimento de uma carga positiva, de mesmo valor, deslocando-se com a mesma velocidade, porém em sentido contrário. Esta constatação levou os físicos a estabelecerem a convenção seguinte que iria facilitar o estudo das correntes elétricas: uma carga negativa em movimento será sempre imaginada como se fosse uma carga positiva movendo-se em sentido contrário. Em virtude desta convenção, em uma corrente elétrica qualquer, as cargas negativas em movimento deverão ser substituídas, em nossa imaginação, por cargas positivas movendo-se em sentido contrário. Então se pode supor que qualquer corrente elétrica seja constituída apenas por cargas positivas. Esta corrente imaginária, que é equivalente à corrente real, é denominada corrente convencional.

2.5.5 INTENSIDADE DA CORRENTE ELÉTRICA

A figura 9 está representando um fio condutor no qual foi estabelecida uma

corrente elétrica (na figura está representada a corrente convencional).

(na figura está representada a corrente convencional). Figura 9 – Quantidade de carga que passa, por

Figura 9 Quantidade de carga que passa, por unidade de tempo, através da secção de um condutor.

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Considere uma secção transversal S qualquer do condutor e suponha que durante um intervalo de tempo t, a quantidade de carga que passou através desta secção tenha sido Q. Denomina-se intensidade da corrente através da secção S a relação entre a quantidade de carga Q e o intervalo de tempo t. Designado por I esta grandeza temos que:

∆Q I = ∆t
∆Q
I =
∆t

3. CIRCUITOS ELÉTRICOS

3.1 DEFINIÇÃO Vimos anteriormente que a corrente elétrica é o movimento ordenado de elétrons num fio condutor. Entretanto para que haja corrente elétrica é necessário que uma diferença de potencial (tensão elétrica) seja aplicada entre os terminais de uma carga.

Vamos fazer uma analogia com a instalação hidráulica mostrada na figura 10. O reservatório A está mais cheio que o reservatório B, portanto o reservatório A tem maior pressão hidráulica. Ligando-se os reservatórios A e B com um cano, a pressão hidráulica de A ”empurra” a água para B, até que se igualem as pressões hidráulicas.

A B Figura 10 – Diferença de pressão entre A e B.
A
B
Figura 10 – Diferença de pressão entre A e B.

O mesmo efeito ocorre com a Eletricidade. Quando ligamos um aparelho na tomada de nossa casa uma tensão elétrica é exercida sobre os elétrons para que eles se movimentem através do fio e do aparelho (foi estabelecida uma corrente elétrica), e este entra em funcionamento. Para mantermos essa corrente elétrica e consequentemente o aparelho funcionando devemos manter também a diferença de potencial (tensão elétrica) nos terminais do aparelho. A figura 11 mostra um circuito elétrico simples, formado por fontes (de tensão ou corrente) e receptores (cargas) por onde circula uma corrente elétrica.

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Centro Técnico Lusíadas Curso Técnico em Eletrotécnica Figura 11 – Circuito elétrico simples. 3.2 NOMENCLATURA DE

Figura 11 Circuito elétrico simples.

3.2 NOMENCLATURA DE UM CIRCUITO ELÉTRICO

Através da figura 12, vamos definir algumas partes de um circuito:

Nó: representa o ponto de conexão entre três ou mais condutores de um circuito elétrico;

Ramo: representa o espaço compreendido entre dois nós consecutivos, sem derivação entre si, de modo que a corrente seja a mesma em todos os pontos;

Malha: conjunto de ramos que formam um circuito fechado.

 MALHAS: ABCEFDA; ABCDA; CEFDC.  RAMOS: DABC; CD; CEFD.  NÓS: C; D. Figura
 MALHAS: ABCEFDA; ABCDA; CEFDC.
 RAMOS: DABC; CD; CEFD.
 NÓS: C; D.
Figura 12 – Partes de um circuito

3.3 LEI DE OHM

Nascido na Bavária, o físico alemão Georg Simon Ohm publicou o resultado de seu trabalho mais importante “o circuito galvânico examinado matematicamente”. Nesta publicação ele apresentava a lei sobre a resistência dos condutores, que mais tarde foi denominada lei de Ohm.

A lei OHM determina a seguinte relação: ”A corrente elétrica num circuito é diretamente proporcional à tensão aplicada e inversamente proporcional à resistência do circuito”. E é expressa pela seguinte formula:

V = R x I

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3.3.1 RESISTÊNCIA ELÉTRICA

Um condutor ligado a uma bateria, como mostra a figura 13. Sabemos que a bateria estabelece uma diferença de potencial nas extremidades deste condutor

e, conseqüentemente, uma corrente I passará através dele.

conseqüentemente, uma corrente I passará através dele. Figura 13 – Resistência de um As cargas móveis

Figura 13 Resistência de um

As cargas móveis que constituem a corrente elétrica, aceleradas pela diferença de potencial V AB , realizarão colisões contra os átomos ou moléculas do condutor, havendo, então, uma oposição oferecida pelo fio á passagem da corrente elétrica através dele. Esta oposição poderá ser maior ou menor, dependendo da natureza do condutor que foi ligado entre pólos da bateria. Evidentemente, a corrente I no condutor será maior ou menor dependendo desta oposição. Para caracterizar a oposição que um condutor oferece a passagem de corrente através dele, define-se uma grandeza, denominada resistência elétrica, R, do condutor, da seguinte maneira:

V AB R = I
V
AB
R =
I

Para um dado valor de V AB , quanto menor for o valor da corrente I, maior será o valor de R, isto é, maior será a oposição que o condutor oferece a passagem de corrente através dele. Observando a definição de resistência, podemos concluir que a unidade desta grandeza, no S.I., será 1 volt/ampere = 1 V/A. Esta unidade é denominada 1 ohm( representa-se pela letra grega ), em homenagem ao físico alemão do século XIX, Georg Ohm, que colaborou no estudo de fenômenos relacionados com a corrente elétrica. Logo, temos:

V 1 = 1ohm = 1Ω m A
V
1
=
1ohm
= 1Ω
m
A

3.3.2 RESISTIVIDADE DE UM MATERIAL

Se tomarmos um fio condutor como o da figura 14, o valor de sua resistência dependerá de seu comprimento L e da área de sua secção reta A.

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L A
L
A

Figura 14 Resistência de um

Realizando medidas cuidadosas, verifica-se que a resistência, R, do fio é

diretamente proporcional ao seu comprimento L. Por outro lado, verifica-se que a resistência do fio é inversamente proporcional á área, A, de sua secção reta. Portanto, quanto mais grosso for o fio, menor será a sua resistência. Introduzindo uma constante de proporcionalidade apropriada, podemos transformar

a relação anterior em uma igualdade. Esta constante que se representa pela letra grega ρ, é denominada resistividade. Virá então;

L ρ R = [Ω] A
L
ρ
R
=
[Ω]
A

A resistividade é uma grandeza característica do material que constitui o fio, isto é,

cada substância possui um valor diferente para a resistividade ρ. Se consultarmos uma tabela de resistividade, encontramos que o cobre, na temperatura ambiente, possui uma resistividade de 1,72x10-8 Ω.m.

3.4 ENERGIA E POTÊNCIA ELÉTRICA Vamos imaginar dois motores elétricos. Os dois levantariam o mesmo peso a uma mesma altura. Um dos motores levanta com menor tempo a carga, então, dizemos que ele é mais potente, pois realiza um mesmo trabalho em um tempo menor.

Dessa forma conceituamos potência como: “capacidade de realizar trabalho na unidade de tempo”. Então:

potência como: “capacidade de realizar trabalho na unidade de tempo”. Então: www.colegiolusiadas.com.br 13

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Centro Técnico Lusíadas Curso Técnico em Eletrotécnica Como já vimos anteriormente, o trabalho para transportar uma

Como já vimos anteriormente, o trabalho para transportar uma carga q de um p

T AB = q(V A – V B ), como T AB = E =
T AB = q(V A – V B ), como
T AB = E = q(V AB )
e P = E/t,
logo
q V AB
P
=
t

Então,

P= V x I

Outras formulas relacionadas à potência:

P= R x I 2

2 V P = R
2
V
P =
R

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3.4.1 EFEITO JOULE

O efeito Joule consiste na transformação de energia elétrica em energia térmica em

uma resistência percorrida por uma corrente elétrica.

3.5 CIRCUITOS ELÉTRICOS COM UMA FONTE DE TENSÃO

3.5.1 ASSOCIAÇÃO DE RESISTORES EM SÉRIE

É aquela onde o terminal final de um resistor é conectado ao terminal inicial do seguinte, como mostra a figura 15.

ao terminal inicial do seguinte, como mostra a figura 15. Figura 15: Associação de resistores em

Figura 15: Associação de resistores em série

Esse tipo de circuito possui as seguintes características:

A corrente vai do maior para o menor potencial (sentido convencional). Então: V A > V B > V C > V D;

A corrente é a mesma em todos os resistores;

A tensão aplicada no circuito é igual à soma das quedas de tensão nos resistores (V = V 1 + V 2 + V 3 + V 4);

Circuito conhecido como divisor de tensão.

3.5.1.1 RESISTÊNCIA EQUIVALENTE

Cálculo da resistência equivalente:

A resistência equivalente de uma em série é igual á soma de todas as resistências

da associação.

Req = (R1 + R2 + R3 +

+ Rn)

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3.5.1.2 CIRCUITO EQUIVALENTE Dois circuitos são equivalentes quando sujeitos a mesma tensão, são percorridos por correntes iguais. A figura 16 mostra o circuito equivalente de associação em série.

16 mostra o circuito equivalente de associação em série. Figura 16: Circuito equivalente 3.5.2 ASSOCIAÇÃO DE

Figura 16: Circuito equivalente

3.5.2 ASSOCIAÇÃO DE RESISTORES EM PARALELO É aquela onde o terminal final de um resistor é conectado os mesmos dois pontos do circuito, como mostra a figura 17.

os mesmos dois pontos do circuito, como mostra a figura 17. Figura 17: Associação de resistores

Figura 17: Associação de resistores em paralelo.

Esse tipo de circuito possui as seguintes características:

diferença de potencial (tensão) é a mesma em todos os resistores. Então:

A

V = V 1 = V 2 ;

corrente total no circuito é igual a soma das correntes nos resistores que

A

compõe a associação (I = I 1 + I 2) ;

Circuito conhecido como divisor de corrente.

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3.5.2.1 RESISTÊNCIA EQUIVALENTE

Cálculo da resistência equivalente:

A resistência equivalente de uma em série é igual á soma de todas as resistências da associação.

1/Req = 1/R1 + 1/R2 + 1/R3 +

+ 1/Rn)

3.5.2.2 CIRCUITO EQUIVALENTE

Dois circuitos são equivalentes quando sujeitos a mesma tensão, são percorridos por correntes iguais. A figura 16 mostra o circuito equivalente de associação em série.

16 mostra o circuito equivalente de associação em série. Figura 18: Circuito equivalente 3.5.3 ASSOCIAÇÃO MISTA

Figura 18: Circuito equivalente

3.5.3 ASSOCIAÇÃO MISTA DE RESISTORES As associações mistas, figura que incluem ligações séries e paralelas em um mesmo circuito. Neste caso, a determinação da resistência equivalente é feita por etapas, divididas em trechos séries e paralelos.

feita por etapas, divididas em trechos séries e paralelos. Figura 19: Associação mista de resistores.

Figura 19: Associação mista de resistores.

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3.5.3.1 CIRCUITO EM ESTRELA (Y) E EM TRIANGULO (∆) Alguns circuitos não nos permitem reduzi-los a uma única resistência equivalente usando os métodos discutidos até agora para combinar resistores em série e em paralelo. Entretanto os resistores dos circuitos da figura 20 podem ser reduzidos a um único resistor equivalente através de uma transformação ∆-Y. Essas configurações recebem esses nomes porque lembram uma estrela e um triângulo.

esses nomes porque lembram uma estrela e um triângulo. Figura 20: Circuitos configurados em ∆ -Y.

Figura 20: Circuitos configurados em ∆-Y.

CONVERSÕES

a)

Conversão Delta em Y :

b)

em ∆ -Y. CONVERSÕES a) Conversão Delta em Y : b) b) Conversão Y em Delta

b) Conversão Y em Delta (D):

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Centro Técnico Lusíadas Curso Técnico em Eletrotécnica 3.6 CIRCUITOS ELÉTRICOS COM MAIS DE UMA FONTE DE

3.6 CIRCUITOS ELÉTRICOS COM MAIS DE UMA FONTE DE TENSÃO Neste capitulo serão consideradas algumas técnicas de resolução de circuitos alimentados por mais de uma fonte, seja de tensão ou corrente.

3.6.1 LEIS DE KIRCHHOFF

As leis de Kirchhoff, devidas ao físico alemão Gustav Robert Kirchhoff são à base do estudo de circuitos elétricos.

3.6.2 MÉTODO DAS CORRENTES DE MALHA.

A Lei de Kirchhoff das Tensões (LKT), ou Lei das Malhas, pode ser escrita como: "a tensão aplicada a um circuito fechado é igual à soma das quedas de tensão naquele circuito", isto é:

Tensão aplicada = soma das quedas de tensão.

Para o circuito da Figura 20, por exemplo, onde temos três resistores conectados em série, pode-se escrever, de acordo com a LKT:

temos três resistores conectados em série, pode-se escrever, de acordo com a LKT: onde : www.colegiolusiadas.com.br

onde :

temos três resistores conectados em série, pode-se escrever, de acordo com a LKT: onde : www.colegiolusiadas.com.br

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Escrita matematicamente, a LKT simplesmente é:

Escrita matematicamente, a LKT simplesmente é: 3.6.3 MÉTODO DAS TENSÕES DE NÓ. A Lei de Kirchhoff

3.6.3 MÉTODO DAS TENSÕES DE NÓ.

A Lei de Kirchhoff das Correntes (LKC) nos diz que "a soma das correntes que

entram em um nó deve ser igual à soma das correntes que saem deste mesmo nó".

Para o circuito da Figura 21, por exemplo, onde temos três resistores conectados em série, pode-se escrever, de acordo com a LKT:

onde :

I = I 1 + I 2

I é a corrente total no circuito e

I 1 e I 2 são as corrente em cada ramo do circuito.

I 1 e I 2 são as corrente em cada ramo do circuito. Figura 21: Corrente

Figura 21: Corrente em cada ramo do circuito

Escrita matematicamente, a LKC simplesmente é:

do circuito Escrita matematicamente, a LKC simplesmente é: I + I 1 + I 2 =

I + I 1 + I 2 = 0

4. OUTRAS TÉCNICAS GERAIS DE ANÁLISE DE CIRCUITOS

A Tabela 1 sintetiza as principais técnicas empregadas na análise e solução de

circuitos.

Tabela 1: Técnicas para análise de circuitos.

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1. Teorema de Thévenin

2. Teorema de Norton

 
1. Teorema de Thévenin 2. Teorema de Norton   Figura 4 Figura 5 R T H
1. Teorema de Thévenin 2. Teorema de Norton   Figura 4 Figura 5 R T H

Figura 4

Figura 5

R TH : é a resistência vista por trás dos terminais da carga quando todas as fontes são curto- circuitadas.

O teorema de Norton é utilizado para simplificar uma rede em

V TH : é a tensão que aparece nos terminais da carga (AB) quando se desconecta o resistor R L . É chamada também de tensão de circuito aberto.

termos de correntes tensões.

em vez

de

A

Resistência

R N

é

obtida

da

mesma forma que R TH .

 

4. Teorema da Superposição

"Numa rede com duas ou mais fontes, a corrente ou a tensão para qualquer componente é a soma algébrica dos efeitos produzidos por cada fonte atuando independentemente." A fim de se usar uma fonte de cada vez, todas as outras fontes são retiradas do circuito. Ao se retirar uma fonte de tensão, faz-se no seu lugar um curto-circuito; ao se retirar uma fonte de corrente, esta é substituída por um circuito aberto.

Passos (veja o circuito com duas malhas ao lado)

Passos (veja o circuito com duas malhas ao lado)

1) Calcule as correntes produzidas somente pela fonte de tensão V 1 ;

2) Calcule as correntes produzidas somente pela fonte de tensão V 2 ;

Figura 7

- Circuito com

duas

malhas

(aplicação

3) Some algebricamente as correntes individuais para determinar as correntes produzidas pelas duas fontes V 1 e V 2 .

Correntes:

do

Teorema

da

Superposição).

 
 
produzidas pelas duas fontes V 1 e V 2 . Correntes: do Teorema da Superposição).  

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UNIDADE II: ELETRICIDADE EM CORRENTE ALTERNADA

5. INTRODUÇÃO A energia elétrica que alimenta as indústrias, comércio e nossos lares é gerada principalmente em usinas hidrelétricas, onde a passagem da água por turbinas geradoras transformam a energia mecânica, originada pela queda d‘água, em energia elétrica.

No Brasil a GERAÇÃO de energia elétrica é 80% produzida a partir de hidrelétricas, 11% por termoelétricas e o restante por outros processos. A partir da usina a energia é transformada, em subestações elétricas, e elevada a níveis de tensão (69/88/138/240/440 kV) e transportada em corrente alternada (60 Hertz) através de cabos elétricos, até as subestações abaixadoras, delimitando a fase de Transmissão.

Já na fase de Distribuição (11,9 / 13,8 / 23 kV), nas proximidades dos centros de consumo, a energia elétrica é tratada nas subestações, com seu nível de tensão rebaixado e sua qualidade controlada, sendo transportada por redes elétricas aéreas ou subterrâneas, constituídas por estruturas (postes, torres, dutos subterrâneos e seus acessórios), cabos elétricos e transformadores para novos rebaixamentos (110 / 127 / 220 / 380 V), e finalmente entregue aos clientes industriais, comerciais, de serviços e residenciais em níveis de tensão variáveis, de acordo com a capacidade de consumo instalada de cada cliente.

com a capacidade de consumo instalada de cada cliente. Figura 22 – Sistema Elétrico Brasileiro. Quando

Figura 22 Sistema Elétrico Brasileiro.

Quando falamos em setor elétrico, referimo-nos normalmente ao Sistema Elétrico de Potência (SEP), definido como o conjunto de todas as instalações e equipamentos destinados à geração, transmissão e distribuição de energia elétrica até a medição inclusive, figura 22.

Com o objetivo de uniformizar o entendimento é importante informar que o SEP trabalha com vários níveis de tensão, classificadas em alta e baixa tensão e normalmente com corrente elétrica alternada (60 Hz).

Conforme definição dada pela ABNT através das NBR (Normas Brasileiras Regulamentadoras) considera-se baixa tensão, a tensão superior a 50 volts em corrente alternada ou 120 volts em corrente contínua e igual ou inferior a 1000 volts em corrente alternada ou 1500 volts em corrente contínua, entre fases ou entre fase e terra. Da mesma forma considera-se alta tensão, a tensão superior a 1000 volts em corrente alternada ou 1500 volts em corrente contínua, entre fases ou entre fase e terra.

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6.

CARACTERISTICAS DA ONDA ALTERNADA SENOIDAL

6.1

FORMAS DE ONDA

Uma tensão alternada (CA) é aquela cujo módulo varia continuamente e cuja polaridade é invertida periodicamente, tendo como referencia o eixo zero, que é uma linha horizontal que passa pelo centro do gráfico. As variações verticais na onda de tensão mostram as variações do módulo. As tensões acima do eixo horizontal têm polaridade positiva (+), enquanto as tensões abaixo do eixo horizontal têm polaridade negativa (-).

A figura 23 nos mostra algumas formas de onda alternada

(-). A figura 23 nos mostra algumas formas de onda alternada Figura 23: Formas de onda
(-). A figura 23 nos mostra algumas formas de onda alternada Figura 23: Formas de onda

Figura 23: Formas de onda - a) Triangular, b) quadrada, c) Senoidal

6.2 FONTES SENOIDAIS

Uma fonte de tensão senoidal (independente ou dependente) produz uma tensão que varia com o tempo. Uma fonte de corrente senoidal (independente ou dependente) produz uma corrente que varia senoidalmente com o tempo. O nosso estudo sobre circuitos senoidais vai tomar como referencia uma fonte de tensão senoidal, mas as mesmas observações também se aplicam as fontes de corrente senoidais.

6.3 GERAÇÃO DE UMA TENSÃO SENOIDAIS (CA)

Uma fonte de tensão CA pode ser produzida por um gerador, denominado de alternador. Considerando o gerador elementar da figura 24, a espira condutora gira através do campo magnético uniforme, cria pelos pólos norte e sul do imã permanente, interceptando suas linhas de força e conseqüentemente gerando uma tensão CA induzida em seus terminais.

gerando uma tensão CA induzida em seus terminais. Figura 24 – Gerador elementar.

Figura 24 Gerador elementar.

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A forma de onda da tensão gerada, figura 25, é chamada de onda senoidal, que se caracteriza por possuir módulo que varia com o tempo e a polaridade é invertida constantemente. O valor instantâneo da tensão em qualquer ponto da onda senoidal é dado pela equação:

V = V M senα

Onde:

V = valor instantâneo da tensão, em volt [V]

V M = valor máximo da tensão, em volt [V]

α = ângulo de rotação, graus.

da tensão, em volt [V] α = ângulo de rotação, graus. Figura 25 – Onda senoidal

Figura 25 Onda senoidal gerada.

6.4 EQUAÇÃO DA FUNÇÃO SENOIDAL Podemos expressar uma função senoidal através de uma função seno ou da função co-seno. Embora as duas funções sejam equivalentes, não podemos usá-las ao mesmo tempo. Para nossa discussão vamos analisar a função cosseno.

V(t) = V M cos(ωt +

Onde:

V M : é a amplitude da função senoidal, também chamada de valor de pico da tensão (valor máximo que a tensão). Como a função seno varia entre -1 e +1, a função da equação varia entre V M e + V M ;

ω: é a freqüência angular (em rad/s);

Ф: é o angulo de fase inicial, determina o valor da função em t = 0.

Para facilitar o entendimento, veja o gráfico de uma tensão em função do tempo, figura 26 (b). No instante t = 0 a função começa na origem do gráfico (Ф = 0) e como o passar do tempo o valor de v(t) cresce de 0V á +10V, sendo +10V o valor

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máximo positivo (+V M )da função. Depois de alcançar o valor máximo positivo a função decresce de + 10V, passa por 0V e chega a -10 V, que é o seu valor máximo negativo (-V M ), votando a crescer até retornar a 0V. Observe que uma função senoidal se repete a intervalos regulares. As funções com esta propriedade são chamadas de periódicas.

6.5 FREQUÊNCIA E PERÍODO Observamos que um dos parâmetros de interesse de uma função senoidal é o tempo necessário para que a função senoidal complete um ciclo, ou seja, passe uma vez por todos os valores possíveis. Este tempo é chamado de período (T) da função.

(a) (b)
(a)
(b)

Figura 26 Uma tensão senoidal em função do tempo.

A figura 26 (a) mostra um ciclo trigonométrico, cujo raio é o vetor AO. O módulo

desse vetor representa o valor máximo da tensão. Considere que o vetor AO gire

em velocidade constante no sentido anti-horário. O ângulo formado entre o vetor e

o eixo horizontal, varia com o tempo.

Ângulo por unidade de tempo representa a velocidade angular ou frequência angular, que representamos pela letra grega ω, a mesma da equação da tensão.

Sendo que:

α ω = t
α
ω =
t

α:

é o ângulo formado entre o vetor

radianos (rad);

e o eixo horizontal, expresso em

t: Tempo em segundos;

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Centro Técnico Lusíadas Curso Técnico em Eletrotécnica (ciclos) completados em um segundo (ciclos/segundos) é chamado

(ciclos) completados em um segundo (ciclos/segundos) é chamado de freqüência (f), sendo expresso em Hertz (Hz).

A relação entre período (T) e freqüência (f) é da por:

Nº DE CICLOS TEMPO (t) 1 T f 1 Logo, 1 1 f ou T
Nº DE CICLOS
TEMPO (t)
1
T
f
1
Logo,
1
1
f
ou
T =
=
T
f

Assim, para α = 2 rad, t = T. Teremos:

2  = ωT ;
2  =
ωT
;
2 
2 
ω =
ω =
T
T
ou
ou

ω =2 f

A equação da tensão pode ser descrita como:

V(t) = V M cos(2 ft + Ф)

6.6 VALORES CARATERÍSTICOS DE UMA ONDA SENOIDAL Uma onda senoidal CA de tensão ou de corrente possui vários valores instantâneos ao longo do ciclo, é conveniente especificar os módulos para efeito de comparação de uma onda com a outra.

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Centro Técnico Lusíadas Curso Técnico em Eletrotécnica Figura 27 – Valores de uma onda senoidal de

Figura 27 Valores de uma onda senoidal de tensão ou corrente.

Valor de pico (Vp): É o valor de máximo da onda (V M ou I M ). É aplicado tanto ao pico negativo (-V M ou - I M ) quanto ao positivo (+V M ou +I M );

Valor de pico a pico (Vpp): É o soma dos módulos do pico negativos e do pico positivo. Também pode corresponde ao dobro do valor de pico quando, os picos positivos e negativos são simétricos (Vpp = 2. V M ou Ipp = 2. I M ).

Valor eficaz ou valor rms: É o valor médio quadrático da função senoidal,

ou seja, é a raiz quadrada do valor médio do quadrado da função. Em

termos matemáticos pode ser obtido por meio de uma integral, não

demonstraremos os cálculos em nosso curso, mas essa é uma característica

importante de uma função senoidal.

Em termos de potência em circuitos senoidais, o valor eficaz de uma tensão alternada, é: o valor da intensidade da tensão alternada, que produz em uma resistência, a mesma dissipação de potência que uma tensão contínua produziria nessa mesma resistência, no mesmo intervalo de tempo.

Uma tensão alternada com um valor rms de 115 V, por exemplo, tem exatamente a mesma eficiência no aquecimento do filamento de uma lâmpada incandescente que os 115 V provenientes de uma fonte de tensão contínua fixa.

Para realçar a importância do valor eficaz, os voltímetros e amperímetros nos indicam, ao medirem grandezas senoidais, os valores eficazes da tensão ou da corrente que esta sendo medida. A expressão matemática que define o valor eficaz é:

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V EF =
V EF =

V M

√2
√2
ou
ou

V EF =0,707 V M

A mesma expressão aplicada para calcular o valor eficaz da tensão é aplicada para

corrente.

I EF =
I EF =

I M

√2
√2
ou
ou

I EF =0,707 V M

Valor Médio: Corresponde a média aritmética sobre todos os valores em uma onda senoidal para um meio ciclo. O meio ciclo é usado para a média, porque sobre um ciclo completo o valor médio seria zero. A expressão para determinar o valor médio é dada por:

V méd =
V
méd
=

2
2
ou V M
ou
V
M

V méd =0,637 V M

Para o caso de correntes alternadas senoidais:

I méd =
I méd =

2
2
ou I M
ou
I
M

I méd =0,637 I M

6.7 DIAGRAMA FASORIAL Consideremos uma corrente alternada senoidal. Esta terá uma frequência, um determinado período, além disso, existirá um valor máximo e em cada instante teremos um valor instantâneo. Se a onda senoidal não começar na origem do referencial, teremos de definir um ângulo Ф, que é o ângulo que a onda faz com a origem da contagem dos ângulos, no instante inicial. A esse ângulo, dá-se o nome de ângulo de fase. Deste modo, uma forma alternativa para representação de correntes e tensões alternadas senoidais é fazendo uso do fasor.

O

fasor é uma entidade com módulo e sentido. O comprimento do fasor representa

o

módulo da tensão/corrente alternada. O ângulo em relação ao eixo horizontal

indica ao ângulo de fase. Na figura 28 o vetor AO gira com velocidade angular ω no

sentido anti-horário. Quando o Ângulo α, entre o vetor AO e o eixo horizontal,

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vária, a projeção do vetor AO no eixo vertical, mostrará uma sucessão de valores instantâneos da grandeza senoidal. O lado esquerdo da figura é chamado de diagrama fasorial e o lado direito de onda senoidal correspondente.

O
O

Figura 28 Valores de uma onda senoidal de tensão ou corrente.

Imaginemos dois fasores, V A e V B . O fasor V A representa à onda de tensão A com ângulo de fase de 0º - tendo como referência o eixo horizontal e considerado como anti-horário o sentido de giro do fasor - e o fasor V B representa à onda de tensão B com ângulo de fase de 90º. A figura 29 mostra que o ângulo de fase entre as ondas B e A é de 90º, em outras palavras, podemos dizer que V B esta adiantada 90º em relação à V A.

que V B esta adiantada 90º em relação à V A . Figura 29 – Relação

Figura 29 Relação de fase entre as ondas V A e V B .

Para visualizarmos melhor estas posições, consideremos duas ainda as duas ondas V A e V B . Na figura abaixo 30, vemos que enquanto a onda A começa com seu valor máximo e cai para zero em 90º, a onda B atinge o seu valor máximo 90º na frente de A. Este ângulo de fase de 90º entre as ondas B e A é mantido durante o ciclo completo e todos os ciclos sucessivos.

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Centro Técnico Lusíadas Curso Técnico em Eletrotécnica Figura 30 – A onda B esta adiantada 90º

Figura 30 A onda B esta adiantada 90º da onda A

O ângulo de fase entre duas formas de onda de mesma freqüência é a diferença

angular num dado instante, no nosso caso 90º. Os pontos mais convenientes para

analisar o defasamento entre ondas são os pontos de máximo, os pontos de mínimo e dos zeros de cada onda.

7. ANÁLISE DE CIRCUITOS EM CORRENTE ALTERNADA

Se realizarmos a experiência de verificação da lei de Ohm, mas aplicando agora grandezas alternadas, chegaremos à conclusão que se mantém constante o quociente V/I. A este cociente chamaremos de impedância do circuito ao qual aplicamos a tensão alternada e que se representa por Z. A sua unidade é igualmente o Ω ohm.

lei

generalizada.

Assim, a

de Ohm

assume a

forma,

que é designada por

Lei

V = Z x I

de Ohm

A diferença entre Z e R deve-se ao fato de Z depender da frequência. Assim, em

corrente alternada, a relação entre a tensão e a corrente depende, para uma dada frequência, da impedância Z e ângulo de defasamento Ф. Por definição designar-se- á: Z cos (Ф) - por resistência R e Z sem (Ф) - por reatância X. Representação gráfica da resistência e reatância, figura 31.

gráfica da resistência e reatância, figura 31. Figura 31 – A onda B esta adiantada 90º

Figura 31 A onda B esta adiantada 90º da onda A

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Em seguida, estudaremos os circuitos em que surgem correntes alternadas senoidais, que são formadas por resistências, bobinas e capacitores.

7.1 CIRCUITO PURAMENTE RESISTIVO São circuitos em corrente alternada somente com resistência. A característica

principal é que a tensão e corrente neste circuito estão em fase. Esta relação entre

V e I em fase, significa que este circuito pode ser analisado pelos métodos usados

para os circuitos em corrente contínua. A impedância total do circuito vai ser Z = R = ρ(L/A). A Figura 32, mostra o comportamento da tensão e da corrente alternada

em um circuito puramente resistivo.

e da corrente alternada em um circuito puramente resistivo. Figura 32 – Circuito puramente resistivo. 7.2

Figura 32 Circuito puramente resistivo.

7.2 CIRCUITO PURAMENTE INDUTIVO

Neste tipo de circuito a tensão e corrente neste circuito não estão em fase. Observe

a figura 33 (a), se esse circuito fosse alimentando por uma fonte de tensão

contínua, a corrente surgiria de imediato. Mas se ele for alimentado por uma fonte

de tensão alternada, isso não acontece. Pela lei de Lenz, a corrente induzida no circuito tem um sentido cujos efeitos se opõem à causa que a originou, com isso a corrente surgirá com certo atraso, ou seja, um tempo depois que a tensão foi aplicada. O mesmo acontece quando o circuito é desenergizado, pelas mesmas razões, a corrente não cessa imediatamente. A diminuição da corrente é retardada.

imediatamente. A diminuição da corrente é retardada. Figura 33 – Curva da tensão e da corrente
imediatamente. A diminuição da corrente é retardada. Figura 33 – Curva da tensão e da corrente

Figura 33 Curva da tensão e da corrente sobre um indutor.

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A característica principal de um circuito puramente indutivo é que a corrente que passa pelo indutor (I L ), estará atrasada da tensão aplicado sobre o indutor (V L ), de 2radianos ou 90º, como podemos ver na figura 33 (b) e no diagrama fasorial, figura 33 (c). Esta oposição à circulação da corrente é feita pela força eletromotriz (f.e.m.) de auto-indução da bobina, também chamada de indutância, através da sua reatância indutiva (X L ) expressa em ohm (Ω). A reatância indutiva (X L ) dependerá da freqüência, com uma grande freqüência, logo um período pequeno, a corrente não tem tempo de atingir o seu valor máximo, pois a tensão aplicada inverte mais rapidamente a sua polaridade. Com uma freqüência menor, logo um período maior, a corrente atinge um valor mais elevado, já que o período da tensão aplicada é maior. Portanto, quanto maior a freqüência, menor será a corrente elétrica.

Dá Lei de Ohm virá:

V = X L x

Sendo o valor de X L dado por:

como:

X L = 2f L

ω = 2f

Podemos expressar X L também como:

Onde:

X L = ω L

X L - reatância indutiva -Ohm (Ω)

f - frequência - Hertz (Hz)

L - coeficiente de auto - indução ou indutância - Henry

7.3 CIRCUITO PURAMENTE CAPACITIVO Também neste tipo de circuito a tensão e corrente não estão em fase. Observe a figura 34. Um capacitor é um dispositivo elétrico formado por duas placas condutoras de metal separadas por um material isolante chamado dielétrico e que armazena carga elétrica, capacitância, no dielétrico.

Embora um capacitor bloqueie a corrente contínua, ele afeta um circuito de corrente alternada de maneira diferente, não permitindo que a tensão entre suas

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placas se iguale à tensão da fonte. Esse impedimento fará com que a corrente no circuito esteja adiantada da tensão de 2radianos ou 90º

esteja adiantada da tensão de 2  radianos ou 90º Figura 34 – Curva da tensão

Figura 34 Curva da tensão e da corrente sobre um capacitor.

A oposição à circulação da corrente alimentado por uma fonte alternada é feita pela capacitância do circuito, através da sua reatância capacitiva (X C ) expressa em ohm (Ω). A reatância indutiva (X C ) dependerá da frequência, oferecendo maior resistência às baixas frequências, e tendo menor resistência às altas frequências, permitindo a sua passagem com mais facilidade. Portanto, a reatância capacitiva é inversamente proporcional à frequência aplicada: quanto maior a frequência, menor a sua reatância (resistência).

Dá Lei de Ohm virá:

V = X C x

Sendo o valor de X C dado por:

como:

1 X C = 2 f C
1
X C =
2 f C

ω = 2f

Podemos expressar X C também como:

X C =
X C =
1
1

ω C

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Onde:

X C - reatância capacitiva -Ohm (Ω)

f - frequência - Hertz (Hz)

C - Capacitância -Farad (F)

8. ANÁLISE FASORIAL DE CIRCUITOS EM CORRENTE ALTERNADA

Os circuitos reais não são constituídos somente por resistências, bobinas ou condensadores. Na prática encontramos todos esses elementos conjugados em um circuito. Vamos analisar algumas combinações de componentes como: resistor e indutor (circuitos RL), resistor e capacitor (circuitos RC) e resistor, indutor e capacitor (circuitos RLC)

8.1 CIRCUITOS RL

8.1.1 CIRCUITO RL EM SÉRIE

A corrente em um circuito RL em séria, como o da figura 35 (a) encontra dois tipos

de oposição: a oferecida pela resistência e a oferecida pela reatância indutiva.

pela resistência e a oferecida pela reatância indutiva. Figura 35 – Relação entre tensões em um

Figura 35 Relação entre tensões em um circuito RL em série.

A resistência tende a colocar a tensão da fonte (V T ) em fase com a corrente (I),

enquanto a indutância tende a defasá-las de 90º. A corrente no circuito continua atrasada em relação à tensão, mas com um ângulo menor que 90º. Encontramos o

ângulo de defasamento entre corrente e tensão da fonte (V T ) através da soma vetorial da tensão sobre o resistor (V R ) e da tensão sobre o indutor (V L ), usualmente chamado de triângulo das tensões, figura 35 (c).

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Aplicando o teorema Pitágoras ao triângulo das tensões, temos:

V T 2 = V R 2 + V L

2

V T = V R 2 + V L

2

Do triângulo das tensões podemos obter o triângulo das impedâncias, dividindo todas as tensões por I, uma vez que V L = Z x I.

θ
θ

Figura 36 Triângulo das impedâncias.

V T 2 = V R 2 + V L

2

[(Z x I)/ I] 2 = [(R x I)/I] 2 + [(X L x I)/I] 2

Z 2 = R 2 + X L

2

Z = R 2 + X L

2

8.1.2 CIRCUITOS RL EM PARALELO Para circuitos com R e L em paralelo, figura 37 (a), a mesma tensão V T está aplicada a eles. Portanto esta tensão será usada como fasor de referência para analisarmos o comportamento da corrente.

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Centro Técnico Lusíadas Curso Técnico em Eletrotécnica Figura 37 – Relação entre correntes em um circuito
Centro Técnico Lusíadas Curso Técnico em Eletrotécnica Figura 37 – Relação entre correntes em um circuito
Centro Técnico Lusíadas Curso Técnico em Eletrotécnica Figura 37 – Relação entre correntes em um circuito

Figura 37 Relação entre correntes em um circuito RL em paralelo.

Aplicando o teorema Pitágoras ao triângulo das correntes, figura 37 (b), temos:

I T 2 = I R 2 + I L

2

I T = I R 2 + I L

2

Do triângulo das correntes podemos obter o triângulo das impedâncias, figura 38, dividindo todas as correntes por V T .

θ θ
θ
θ

Figura 38 Triângulo das impedâncias.

I T 2 = I R 2 + I L

2

(I T / V T ) 2 = (I R / V T ) 2 + (I L / V T ) 2

1/Z 2 = 1/R 2 + 1/X L

2

R . X L Z = 2 √ R 2 + X L
R .
X L
Z =
2
√ R 2 + X L

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8.1.3 POTÊNCIA EM CIRCUITOS RL. Num circuito alimentado por uma fonte alternada contendo resistência e reatância indutiva, a corrente está atrasada em relação à tensão aplicada. Por isso existem, neste caso, três tipos de potência: Potência ativa, Potência Reativa e a Potência Aparente ou Total.

Vamos voltar ao triângulo das tensões da figura 35 (c) e multiplicar todas as tensões por I.

da figura 35 (c) e multiplicar todas as tensões por I. V T 2 = V

V T 2 = V R 2 + V L

2

(V T x I) 2 = [(R x I) x I] 2 + [(X L x I) x I] 2

N 2 = P 2 + Q 2

Onde:

R x I 2 = P = Potência Ativa = Potência dissipada (W);

X L x I 2 = Potência Reativa = (VAr Volt-ampere-Reativo);

V L x I = Potência Aparente ou Total= é a potência fornecida ao circuito (VA Volt-ampere).

Ainda temos que:

N 2 = P 2 + Q 2 ;

P = N cos θ

P = N sen θ

A razão entre a Potência Ativa e a Potência Aparente é chamado de fator de potência (FP). FP = cos θ

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8.2 CIRCUITOS RC

8.2.1 CIRCUITO RC EM SÉRIE

A corrente em um circuito RC em séria, como o da figura 39 (a) encontra dois tipos

de oposição: a oferecida pela resistência e a oferecida pela reatância capacitiva.

pela resistência e a oferecida pela reatância capacitiva. Figura 39 – Relação entre tensões em um

Figura 39 Relação entre tensões em um circuito RC em série.

A resistência tende a colocar a tensão da fonte (V T ) em fase com a corrente (I),

enquanto a indutância tende a defasá-las de - 90º. A corrente no circuito continua

atrasada em relação à tensão, mas com um ângulo menor que 90º. Encontramos o ângulo de defasamento entre corrente e tensão da fonte (V T ) através da soma vetorial da tensão sobre o resistor (V R ) e da tensão sobre o capacitor (V C ), usualmente chamado de triângulo das tensões, figura 38 (c).

Aplicando o teorema Pitágoras ao triângulo das tensões, temos:

V T 2

= V R 2 + V C

2

V T = V R 2 + V C

2

Do triângulo das tensões podemos obter o triângulo das impedâncias, figura 40, dividindo todas as tensões por I, uma vez que V C = Z x I.

θ
θ

Figura 40 Triângulo das impedâncias.

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V T 2 = V R 2 +

V L

2

[(Z x I)/ I] 2 = [(R x I)/I] 2 + [(X C x I)/I] 2

Z 2 = R 2 + X C

2

Z = R 2 + X C

2

8.2.2 CIRCUITOS RC EM PARALELO. Para circuitos com R e C em paralelo, figura 41 (a), a mesma tensão V T está aplicada a eles. Portanto esta tensão será usada como fasor de referência para analisarmos o comportamento da corrente.

(b) (a)
(b)
(a)

Figura 41 Relação entre correntes em um circuito RC em paralelo.

Aplicando o teorema Pitágoras ao triângulo das correntes, figura 41 (b), temos:

I T 2 = I R 2 + I C

2

I T = I R 2 + I C

2

Do triângulo das correntes podemos obter o triângulo das impedâncias, figura 42, dividindo todas as correntes por V T .

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θ
θ

Figura 42 Triângulo das impedâncias.

I T 2 = I R 2 + I C

2

(I T / V T ) 2 = (I R / V T ) 2 + (I C / V T ) 2

1/Z 2 = 1/R 2 + 1/X C

2

R . X C Z = 2 √ R 2 + X C
R .
X C
Z =
2
√ R 2 + X C

8.2.3 POTÊNCIA EM CIRCUITOS RC Num circuito alimentado por uma fonte alternada contendo resistência e reatância capacitiva, a corrente está adiantada em relação à tensão aplicada. Por isso existem, no circuito RC, três tipos de potência: Potência ativa, Potência Reativa e a Potência Aparente ou Total.

Vamos voltar ao triângulo das tensões da figura 39 (c) e multiplicar todas as tensões por I.

da figura 39 (c) e multiplicar todas as tensões por I. V T 2 = V

V T 2 = V R 2 + V C

2

(V T x I) 2 = [(R x I) x I] 2 + [(X C
(V T x I) 2 = [(R x I) x I] 2 + [(X C x I) x I] 2
N 2 = P 2 + Q 2

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Onde:

R x I 2 = P = Potência Ativa = Potência dissipada (W);

X C x I 2 = Potência Reativa = (VAr Volt-ampere-Reativo);

V L x I = Potência Aparente ou Total= é a potência fornecida ao circuito (VA Volt-ampere).

Ainda temos que:

N 2 = P 2 + Q 2 ;

P = N cos θ

P = N sen θ

A razão entre a Potência Ativa e a Potência Aparente é chamado de fator de potência (FP). FP = cos θ

8.3 CIRCUITOS RLC

8.3.1 CIRCUITO RLC EM SÉRIE

A corrente em um circuito RLC em séria, como o da figura 43 (a) encontra três

tipos de oposição: a oferecida pela resistência, a oferecida pela reatância indutiva, e a oferecida pela reatância capacitiva.

V T (b) (a)
V T
(b)
(a)

Figura 43 Relação entre tensões em um circuito RLC em série.

A resistência tende a colocar a tensão da fonte (V T ) em fase com a corrente (I),

enquanto a indutância tende a defasá-las de + 90º e a indutância tende a defasá- las de - 90º. A corrente no circuito continua atrasada em relação à tensão, mas com um ângulo menor que 90º. Encontramos o ângulo de defasamento entre corrente e tensão da fonte (V T ) através da soma vetorial da tensão sobre o resistor (V R ), da tensão sobre o indutor (V L ) e da tensão sobre o indutor (V C ), figura 43 (b).

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Observe que na figura 43 (b) as tensões V L e V C estão defasadas de 180º. Para somar as três tensões primeiramente somamos V L com V C, como o defasamento de 180º a adição dos dois vetores é simplesmente V L - V C.

Aplicando o teorema Pitágoras ao triângulo das tensões, figura 44, temos:

θ
θ
θ
θ

Figura 44 Relação entre tensões em um circuito RLC em série.

V T 2

= V R 2 + (V C - V C ) 2

V T = V R 2 + (V C - V C ) 2

Da mesma forma demonstrada para encontrarmos as impedâncias nos circuitos RL e RC, servem para encontramos as impedâncias nos circuitos RLC.

Z = R 2 + (X L - X C ) 2

8.3.2 CIRCUITOS RLC EM PARALELO. Para circuitos com R, L e C em paralelo, figura 45 (a), a mesma tensão V T está aplicada a eles. Portanto esta tensão será usada como fasor de referência para analisarmos o comportamento da corrente.

Aplicando o teorema Pitágoras ao triângulo das correntes, figura 45 (b), temos:

(a) (b)
(a)
(b)

Figura 41 Relação entre correntes em um circuito RLC em paralelo.

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Aplicando o teorema Pitágoras ao triângulo das correntes, figura 37 (b), temos:

I T 2 = I R 2 + I C

2

I T = I R 2 + I C

2

Da mesma forma demonstrada para encontrarmos as impedâncias nos circuitos RL e RC, servem para encontramos as impedâncias nos circuitos RLC.

R . X C Z = √ R 2 + (X C - X C
R .
X C
Z =
√ R 2 + (X C - X C ) 2

8.3.3 FREQUÊNCIA DE RESSONÂNCIA EM CIRCUITOS RLC

Se

puramente resistivo sendo esta situação chamada de ressonância e isso ocorre na freqüência f 0 dada por:

na expressão da impedância obteremos Z=R, isto é, o circuito será

X L = X C

1 f 0 = 2 √ (LC)
1
f 0 =
2 √ (LC)

8.3.4 POTÊNCIA EM CIRCUITOS RLC

Onde:

N 2 = P 2 + Q 2

R x I 2 = P = Potência Ativa = Potência dissipada (W);

(X

L

-

X C ) x

Reativo);

I 2 =

Potência Reativa = (VAr

Volt-ampere-

V L x I = Potência Aparente ou Total= é a potência fornecida ao circuito (VA Volt-ampere).

Ainda temos que:

N 2 = P 2 + Q 2 ;

P = N cos θ

P = N sen θ

A razão entre a Potência Ativa e a Potência Aparente é chamado de fator de potência (FP). FP = cos θ

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9. REFERÊNCIAS

[1]

BARTKOWIAK, Robert A. Circuitos Elétricos. São Paulo: Makron Books,

1994.

[2]

MÁXIMO, Antônio. ALVARENGA, Beatriz. Curso de Física. 5ª ed. São Paulo:

Scipione, 2000. 432p.

[3] GUSSOW, Milton. Eletricidade Básica. Circuitos Elétricos. 2 a ed. rev. e ampl. São Paulo: Makron Books, 1996.

[4]

NILSSON, W. James, RIEDEL, Susan A. 6 a ed. Rio de Janeiro: LTC, 2003.

[5]

Apostila de Eletricidade I /IFES. Espírito Santo,2002.

[6]

Apostila de Eletricidade II /IFES. Espírito Santo,2002.

Curso Técnico em Eletrotécnica SMS – Segurança, Meio Ambiente e Saúde

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SMS Segurança, Meio Ambiente e Saúde

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Histórico

Quando estudamos documentos relacionados à Segurança do Trabalho vemos algumas referências aos riscos profissionais. Hipócrates, quatro séculos antes de Cristo, fez menção à existência de moléstias entre mineiros e metalúrgicos. Plínio, o Velho, no início da Era Cristã, descreveu moléstias do pulmão e envenenamento entre mineiros, pelo manuseio do enxofre e do zinco. Galeno, no século II, citou moléstias profissionais entre trabalhadores das ilhas do Mediterrâneo.

Georgius Agrícola (forma latina de Georg Bauer). Médico, era estudioso de todos os aspectos da mineralogia e da indústria metalúrgica e iniciou um estudo de 25 anos que culminou na sua obra-prima publicada postumamente: “De re metallica” (1556), um tratado de mineralogia e metalurgia. O tratado, com doze capítulos, inclui 292 gravuras em madeira cuidadosamente entalhadas e estuda problemas relacionados à extração e à fundição da prata e do ouro. A obra discute acidentes do trabalho e doenças comuns entre mineiros, destacando-se a “asma dos mineiros”, provocada por poeiras que Agrícola denominava “corrosivas”. A descrição dos sintomas indica que se tratava de silicose.

Ainda no século XVI, Paracelso escreveu a primeira monografia sobre a relação entre trabalho e doença: “Von Der Birgsucht Und Anderen Bergrank Heiten”. Nela foram mostrados os sintomas da intoxicação pelo mercúrio.

Em 1700 publicou-se na Itália “De Morbis Artificum Dia Triba” do médico Bernardino Ramazzini, “o pai da medicina do trabalho”. Nessa obra foram descritas cerca de cem profissões e os riscos específicos de cada uma delas. Descrições baseadas nas observações clínicas do autor que sempre perguntava aos pacientes: ”Qual a sua ocupação ?”.

Com a invenção da máquina de fiar, ocorreu na Inglaterra a Revolução Industrial. Até aí, o artesão era dono dos seus meios de produção. O alto custo das máquinas não mais permitiu que o artesão as possuísse. Quando os capitalistas viram as chances de lucro, decidiram comprar máquinas e empregar pessoas para fazê-las funcionar. Surgiram assim as primeiras fábricas de tecidos e, com elas, o Capital e o Trabalho.

Com o advento das máquinas a vapor, a indústria, que não precisava mais dos rios para fazer as máquinas movimentarem-se, veio para as cidades, onde havia farta mão-de-obra. No crescimento desenfreado das fábricas não havia cuidados quanto à saúde da mão-de-obra,

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constituída de homens, mulheres e crianças. Chegou-se ao cúmulo de se vender crianças para suprir a mão de obra. No final do século XVIII, a indústria inglesa ofereceu melhores salários mas causou problemas ocupacionais sérios: altos índices de acidentes e de moléstias profissionais eram causados pelo trabalho em máquinas sem proteção, pelo trabalho executado em ambientes fechados onde a ventilação era precária e o ruído atingia limites altíssimos e pela inexistência de limites de horas de trabalho.

Em 1802 o Parlamento Britânico aprovou a 1ª lei de proteção ao trabalhador: a “Lei de Saúde e Moral dos Aprendizes”, que estabeleceu o limite de 12 horas de trabalho por dia, proibiu o trabalho noturno, obrigou os empregadores a lavar as paredes das fábricas duas vezes por ano e tornou obrigatória a ventilação destas.

Três décadas mais tarde, uma comissão parlamentar de inquérito sobre doenças do trabalho elaborou um relatório que concluía: “Diante desta Comissão desfilou longa procissão de trabalhadores - homens e mulheres, meninas, abobalhados, doentes, deformados, degradados na sua qualidade humana. Cada um deles era a evidência de uma vida arruinada, um quadro vivo de uma crueldade humana do homem para com o homem, uma impiedosa condenação daqueles legisladores que, quando em suas mãos detinham poder imenso, abandonaram os fracos à capacidade dos fortes”.

A denúncia da Comissão fez com que, em 1833, surgisse a 1ª lei realmente eficiente de proteção ao trabalhador: a “Lei das Fábricas” (Factory Act). Criava restrições às empresas têxteis em que fosse usada a força hidráulica ou a vapor; proibia o trabalho noturno aos menores de 18 anos e limitava as horas de trabalho destes a 12 por dia e 60 por semana; as fábricas eram obrigadas a ter escolas, que seriam freqüentadas pelos trabalhadores menores de 13 anos; a idade mínima para o trabalho era de 9 anos, e um médico devia atestar que o desenvolvimento físico da criança correspondia à sua idade.

Em 1867 incluiu-se nesta lei mais moléstias e estipulou-se a proteção das máquinas e a ventilação mecânica para o controle de poeiras; proibiu-se a ingestão de alimentos nos ambientes sob atmosferas nocivas da fábrica. Foi na Grã-Bretanha onde primeiro foram registradas medidas em atenção à boa saúde do trabalhador. Lá foi criado o 1º órgão fiscalizador do Ministério do Trabalho para apurar doenças profissionais e realizar exames médicos pré-admissionais e periódicos.

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A evolução da Revolução Industrial resultou no aparecimento dos serviços de saúde

ocupacional em vários países europeus. Na França, em 1946, tornou-se obrigatória a existência

de serviços de saúde ocupacional em estabelecimentos, industriais ou comerciais, onde

trabalhassem mais de dez pessoas. Mais recentemente, na Espanha e em Portugal, outras leis

obrigaram à criação de serviços de saúde ocupacional em empresas com mais de quinhentos

trabalhadores.

Nos Estados Unidos os serviços de saúde ocupacional não existiam até a entrada em vigor de

leis sobre indenizações em casos de acidente de trabalho. Por isso, os empregadores

estabeleceram, no início deste século, os primeiros serviços de saúde ocupacional com o

principal objetivo de reduzir o custo das indenizações.

Em meados do século a importância da proteção dos trabalhadores atingiu a Organização

Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização Mundial de Saúde (OMS). Assim, a 43ª

Conferência Internacional do Trabalho estabeleceu a “Recomendação para os serviços de

saúde ocupacional, 1959” que determinava serem objetivos dos serviços de saúde ocupacional

instalados em um estabelecimento de trabalho, ou em suas proximidades:

1) Proteger os trabalhadores contra riscos à sua saúde, que possam decorrer do seu

trabalho ou das condições em que este é realizado.

2) Contribuir para o ajustamento físico e mental do trabalhador, obtido especialmente

pela adaptação do trabalho aos trabalhadores, e pela colocação destes em atividades

profissionais para as quais tenham aptidões.

Contribuir para o estabelecimento e a manutenção do mais alto grau possível de bem-

estar físico e mental dos trabalhadores.

3)

No Brasil as estatísticas sobre doenças profissionais e sobre acidentes do trabalho eram tão

alarmantes que o Governo Federal baixou a portaria 3.237, de 17 de julho de 1972, que tornou

obrigatória a existência de Serviços de Medicina do Trabalho e de Engenharia de Segurança do

Trabalho em todas as empresas com mais de cem trabalhadores. A Lei nº 6.514, de 22 de

dezembro de 1977 e as normas regulamentadoras aprovadas pela portaria nº 3.214, de 8 de

junho de 1978 dão continuidade à legislação de proteção ao trabalhador brasileiro.

Atualmente são trinta e cinco as normas regulamentadoras do trabalho:

NR

01 - Disposições GeraisNR 02 - Inspeção Prévia

NR

03 - Embargo ou interdição

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NR 04 - Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho SESMT NR 05 - Comissão Interna de Prevenção de Acidentes CIPA NR 06 - Equipamento de proteção Individual EPI NR 07 - Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional PCMSO NR 08 - Edificações NR 09 - Programa de prevenção de riscos ambientais PPRA NR 10 Segurança em instalações e serviços em eletricidade NR 11 - Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais NR 12 Segurança no trabalho em máquinas e equipamentos NR 13 - Caldeiras e vasos de pressão NR 14 - Fornos NR 15 - Atividades e operações insalubres NR 16 - Atividades e operações perigosas NR 17 - Ergonomia NR 18 - Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção. NR 19 - Explosivos NR 20 - Líquidos combustíveis e inflamáveis NR 21 - Trabalho a céu aberto NR 22 Segurança e saúde ocupacional na mineração NR 23 - Proteção contra incêndios NR 24 - Condições sanitárias e de conforto nos locais de trabalho NR 25 - Resíduos industriais NR 26 - Sinalização de segurança NR 27 - Registro profissional do técnico de segurança do trabalho no Ministério do Trabalho NR 28 - Fiscalização e penalidades NR 29 Segurança e saúde no trabalho portuário NR - 30 Segurança e saúde no trabalho aquaviário NR 31 Segurança e saúde no trabalho na agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e aquicultura NR 32 Segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde NR 33 Segurança e saúde nos trabalhos em espaços confinados NR 34 Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção civil e reparação naval NR 35 Trabalho em altura

ACIDENTES DO TRABALHO

2.1 - ACIDENTES DO TRABALHO

Os acidentes no trabalho causam, em qualquer comunidade, prejuízos que são um sério

obstáculo ao desenvolvimento sócio-econômico de um país porque debilitam o trabalhador,

restringem a sua capacidade de produção além de poderem causar danos às máquinas,

equipamentos e instalações de uma empresa.

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Para se determinar e combater as causas dos acidentes do trabalho é necessário, primeiramente, conhecermos as definições de acidente do trabalho.

2.1.1 - CONCEITO LEGAL

No Brasil, o Decreto nº 61.784 de 28 de novembro de 1967, em seu Art. 3º assim define acidente de trabalho:

2.1.2 - CONCEITO PREVENCIONISTA

De acordo com o conceito prevencionista: Ex.: A queda de um objeto do empilhamento mal feito, sem vítima. No conceito legal o legislador se interessou em definir o acidente para proteger o trabalhador acidentado garantindo-lhe o pagamento do salário enquanto estiver impossibilitado de trabalhar, ou indenizando-o quando houver lesão incapacitante permanente. O conceito prevencionista, alertanos que o ferimento é apenas uma das conseqüências do acidente, pois o acidente pode ocorrer sem provocar lesões.

Estatísticas mostram que em cada 300 acidentes do trabalho, 272 são acidentes sem lesões, 27 são acidentes que causam lesões leves e apenas 1 causa lesões graves.

Acidente do Trabalho será aquele que ocorrer pelo exercício do trabalho, a serviço da empresa, provocando lesão corporal, perturbação funcional ou doença que cause a morte ou a perda ou redução permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho.

Acidente do Trabalho é um fato inesperado, não planejado, que interrompe ou interfere num processo normal de trabalho, resultando em lesão e/ou danos materiais e/ou perda de tempo.

Como não podemos prever se de um acidente vai resultar, ou não, uma lesão no trabalhador, concluímos que devemos tentar evitar todo e qualquer tipo de acidente.

2.1.3 - CASOS CONSIDERADOS COMO ACIDENTES DO TRABALHO

O acidente sofrido no local e no horário do trabalho em consequência de:

ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiros ou companheiros de trabalho;

ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa relacionada ao trabalho;

ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiros ou de companheiro de trabalho;

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ato de pessoa privada do uso da razão;

desabamento, inundações, incêndio e outros casos fortuitos ou decorrentes de força maior;

A doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício de sua atividade;

O acidente sofrido pelo segurado, ainda que fora do local e horário de trabalho:

na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da empresa;

na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar prejuízo ou proporcionar proveito;

em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo quando financiada por estar dentro de seus planos para melhor capacitação da mão-de-obra, independentemente do meio de locomoção utilizado, inclusive veículo de propriedade do segurado;

no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela, qualquer que

seja o meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade do segurado.

Entende-se como percurso o trajeto usual da residência ou do local de refeição para o trabalho, ou deste para aqueles, locomovendo-se o empregado a pé ou valendo-se de transporte da empresa ou próprio ou da condução normal. O Decreto estabelece ainda, que no período destinado à refeição ou descanso, ou por ocasião de satisfação de outra necessidade fisiológica, no local ou durante o horário de trabalho, o empregado será considerado a serviço da empresa.

Para fins legais, equipara-se ainda ao acidente do trabalho:

doença profissional, assim entendida a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social.

doença do trabalho, assim entendida a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente.

Segundo a legislação em vigor, doença profissional é aquela inerente a determinado ramo de atividade. Podem ser relacionadas como doenças do trabalho, resultantes das condições especiais em que a atividade se realiza: a epilepsia, quando decorre de um acidente de trabalho; a lepra, quando o trabalho obriga o contato permanente com hansenianos; o câncer, quando o trabalhador está sujeito às poeiras ou trabalho em ambiente cancerígeno; a neurose,

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quando a sua manifestação ocorre ao tempo do trabalho ou é atribuída às condições em que ele se realiza.

A doença profissional ou do trabalho, para que se equipare a o acidente do trabalho, deverá

acarretar incapacidade temporária ou permanente para o trabalho.

Não são consideradas como doença do trabalho:

a doença degenerativa;

a inerente ao grupo etário;

a que não produza incapacidade laborativa;

a doença endêmica adquirida por segurado habitante de região em que ela se desenvolva salvo comprovação de que é resultante de exposição ou contato direto determinado pela natureza do trabalho.

IMPORTANTE: Todo o acidente do trabalho, por mais leve que seja, deverá ser comunicado à empresa, que providenciará a CAT - Comunicação de Acidente do Trabalho, até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato.

A CAT deverá ser preenchida em seis vias, com a seguinte destinação:

1ª via - ao INSS;

2ª via - à empresa;

3ª via - ao segurado ou dependente;

4ª via - ao sindicato de classe do trabalhador;

5ª via - ao Sistema Único de Saúde-SUS;

6ª via - à Delegacia Regional do Trabalho.

A entrega das vias da CAT compete ao emitente da mesma, cabendo a este comunicar ao

segurado ou seus dependentes em qual Agência da Previdência Social foi registrada. A Comunicação de Acidente do Trabalho deverá ser feita pela empresa, ou na falta desta o próprio acidentado, seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico assistente

ou qualquer autoridade pública.

No caso de doença profissional ou do trabalho, considera-se como dia do acidente a data da comunicação desta à empresa ou, na sua falta, a da entrada do pedido do benefício no INSS, a partir de quando serão devidas as prestações cabíveis.

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No final deste capítulo, você encontrará um formulário de CAT

2.1.3.1 - DIFERENÇA ENTRE DOENÇA E ACIDENTE DO TRABALHO

Entre o acidente do trabalho e a doença profissional há uma tênue diferença que, muitas vezes, é impossível descobrir.

acidente pode ser provocado intencionalmente pelo empregado.

acidente acontece de modo instantâneo e violento.

O

O

doença pode ser simulada mas não pode ser criada pelo empregado. Tem uma duração.

Não aparece num momento, provocando a lesão corporal, ou a perturbação funcional, ou

A

a

morte. Ela se apresenta internamente num processo silencioso.

causa do acidente-tipo é externa.

A

2.2 CAUSAS DOS ACIDENTES DO TRABALHO

Do ponto de vista prevencionista, causa de acidente é qualquer fator que, se fosse eliminado, teria evitado o acidente. As causas dos acidentes podem decorrer de fatores pessoais ou materiais.

O reconhecimento das causas pode ser fácil, como no caso de um degrau quebrado de uma escada, ou difícil, quando se precisa determinar as causas de uma sequência em cadeia que originaram o acidente. Pode-se dizer que a maioria dos acidentes tem mais de uma causa.

As causas fundamentais dos acidentes do trabalho são classificadas como atos inseguros, condições inseguras e fatores pessoais de insegurança.

2.2.1 ATOS INSEGUROS

Atos inseguros são as ações ou omissões, maneiras pelas quais o trabalhador se expõe, voluntariamente ou não, a riscos de acidentes.

Responsáveis por 80% dos acidentes, os atos inseguros mais comuns são:

Brincadeiras em serviço (ofender, distrair, assustar, discutir, jogar objetos, gritar, etc.);

Desconhecimento das regras de segurança ou dos métodos seguros de trabalho;

Emprego incorreto das ferramentas ou de ferramentas sabidamente defeituosas;

Excesso de confiança dos que se julgam imunes a acidentes;

Fadiga física ou mental, que pode prejudicar os reflexos normais do trabalhador.

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Falta de habilidade para o desempenho da atividade (pode ocorrer por treinamento insuficiente);

Levantamento de cargas de forma imprópria;

Negligência, como no caso do trabalhador que não usa os EPI’s recomendados;

Permanecer sob cargas suspensas ou em locais perigosos, junto a máquinas ou à passagem de veículos;

Remover dispositivos de proteção ou alterar o seu funcionamento, tornando-os ineficientes;

Realizar operações para as quais não esteja devidamente autorizado;

Trabalhar, sem necessidade, com equipamento em movimento ou perigoso (manutenção, reparo e lubrificação de máquinas em movimento e realização de trabalhos em equipamentos elétricos energizados);

Usar vestimentas inadequadas (salto alto, mangas compridas, gravatas soltas, cabelos compridos soltos, anéis, pulseiras, etc.);

Uso inadequado de equipamentos (sobrecarregar veículos, andaimes, etc.);

Velocidades perigosas (operar máquinas em suas velocidades limites ou em velocidades inseguras, pular de locais elevados, atirar materiais ao invés de transportá-los, etc.).

Não são considerados como atos inseguros os que emanarem da chefia ou as ações realizadas em obediência às instruções de superiores. Estes casos devem ser considerados como condições inseguras.

2.2.2 CONDIÇÕES INSEGURAS

São responsáveis por 18% dos acidentes.

Exemplos de condições inseguras:

Condições inseguras de um ambiente de trabalho são as falhas, defeitos, irregularidades técnicas, carências de dispositivos de segurança, e outras que põem em risco a integridade física ou a saúde do trabalhador ou a própria segurança das instalações e equipamentos.

Arranjos físicos e arrumações perigosas (empilhamento perigoso, armazenagem irregular ou perigosa, passagens obstruídas, etc.);

Condições defeituosas dos equipamentos (grosseiro, cortante, corroído, fraturado, de qualidade inferior, etc.);

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Condições precárias das instalações físicas (escadas, tubulações, rampas, instalações e pisos escorregadios, corroídos, sobrecarregados, mal conservados ou quebrados);

Construções ou projetos inseguros;

Equipamentos de proteção defeituosos ou mal sinalizados (extintores descarregados ou com a carga vencida);

Iluminação ou ventilação incorreta ou inadequada;

Má distribuição de horários e tarefas;

Material mal identificado ou não identificado;

Proteção mecânica ou elétrica inadequada (falta de aterramento em instalações elétricas);

Operações e processos perigosos;

Riscos naturais provenientes de irregularidades e instabilidades dos solos, intempéries, animais selvagens (nos trabalhos externos ou “a céu aberto”).

Importante: Não devemos confundir a condição insegura com o risco inerente de certas operações industriais. Por exemplo: a corrente elétrica é um risco inerente aos serviços que envolvem eletricidade. Instalações elétricas mal feitas ou improvisadas, fios expostos, etc., são condições inseguras.

2.2.3 FATOR PESSOAL DE INSEGURANÇA

A caracterização do fator pessoal de insegurança não é fácil, exigindo o exame apurado das circunstâncias em que ocorreu o acidente. O fator pessoal de insegurança, como o ato inseguro, não é necessariamente causado pelo trabalhador acidentado, podendo ser provocado por terceiros.

Os fatores pessoais de insegurança predominantes são:

Alcoolismo ou uso de substâncias tóxicas ou de drogas;

Conhecimento ou treinamento insuficiente;

Defeito físico ou incapacidade física para o serviço executado (principalmente órgãos do sentido);

Desconhecimento do risco ou de práticas seguras para a execução do serviço;

Desrespeito às instituições e normas de segurança;

Falta de interesse pela atividade que desempenha;

Má interpretação do perigo;

Nervosismo ou excesso de confiança;

Preocupação com outros problemas;

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Problemas de saúde não tratados (mentais e nervosos);

Problemas diversos de ordem social;

Problemas familiares.

Fator pessoal de insegurança é a característica mental ou física que leva o trabalhador à prática do ato inseguro.

2.3 - CONSEQÜÊNCIAS DOS ACIDENTES DO TRABALHO

Muitas vezes, pior que o próprio acidente são as suas consequências. Todos perdem. Perde o empregador, com a perda da mão-de-obra, de material, de equipamentos, de tempo, e, consequentemente, com a elevação dos custos operacionais. Perde o governo, com o número crescente de inválidos e dependentes da Previdência Social. Perde o empregado, que fica incapacitado temporária ou permanentemente para o trabalho, de forma total ou parcial, e a sua família que passa a ter o padrão de vida afetado pela falta dos ganhos normais.

Um acidente do trabalho pode levar o trabalhador a se ausentar da empresa por apenas algumas horas, quando é chamado de acidente sem afastamento. É o que ocorre, por exemplo, quando o acidente resulta num pequeno corte no dedo, e o trabalhador retorna em seguida. Outras vezes, um acidente pode deixar o trabalhador impedido de realizar suas atividades por dias seguidos, ou meses, ou de forma definitiva. Se o trabalhador não retornar ao trabalho imediatamente ou até a jornada seguinte temos o chamado acidente com afastamento, que pode resultar:

a) Na incapacidade temporária, que é a perda da capacidade para o trabalho por um período limitado de tempo, após o qual o trabalhador retorna às suas atividades normais.

b) Na incapacidade total e permanente, que é a invalidez para o trabalho.

c) Na incapacidade parcial permanente, que é a diminuição, para o resto da vida, da capacidade física total para o trabalho desenvolvido. É o que acontece, por exemplo, quando ocorre a perda de um dedo ou de uma vista.

2.3.1 - PREJUÍZOS IMEDIATOS PARA O GOVERNO

a) Pagamento, através do INSS, de benefícios previdenciários ao trabalhador acidentado ou a seus dependentes.

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b) pagamento de despesas médico-hospitalares no tratamento do acidentado, inclusive

com o fornecimento de próteses.

c) despesas com a reabilitação profissional do trabalhador acidentado.

d) assistência reeducativa e readaptativa profissional: Reeducativa quando, depois da

assistência, o funcionário retorna para a mesma função; Readaptativa quando, após a

assistência, o funcionário vai para outra função.

Os principais benefícios concedidos pela Previdência Social, através do INSS quando da ocorrência de acidentes do trabalho são: (Regulamento dos “Benefícios da Previdência Social” aprovado pelo decreto no. 2.172, de 05/03/97)

Reabilitação Profissional: Serviço que o INSS coloca à disposição de seus segurados, inclusive aposentados e dependentes. Tem como objetivo proporcionar aos segurados e dependentes incapacitados (parcial ou totalmente), os meios indicados para a (re)educação e (re)adaptação profissional e social, de modo que possam voltar a participar do mercado de trabalho. O atendimento é feito por uma equipe multidisciplinar, que envolve médicos, assistentes sociais, psicólogos, sociólogos, fisioterapeutas, entre outros.

O serviço é extensivo aos dependentes, de acordo com as disponibilidades técnico-

financeiras do INSS.

Auxílio-doença: Beneficio previdenciário devido ao segurado que ficar temporariamente incapacitado para o seu trabalho ou atividade habitual por mais de 15 dias consecutivos. A empresa paga os primeiros 15 dias de afastamento. O INSS paga a partir do 16° dia de afastamento. O valor do auxílio doença acidentário corresponde a 91% do salário de

benefício.

O auxílio-doença deixa de ser pago:

quando o segurado recupera a capacidade para o trabalho;

quando este benefício se transformar em aposentadoria por invalidez;

quando o segurado solicita e tem a concordância da perícia do INSS;

quando o segurado volta voluntariamente ao trabalho.

OBS.: Não são devidas as prestações relativas ao acidente do trabalho:

empregado doméstico;

contribuinte individual;

ao

ao

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ao facultativo.

Auxílio-acidente: benefício que é concedido, como indenização, ao segurado empregado, trabalhador avulso, segurado especial e ao médico residente que estiver recebendo auxílio-doença, quando a consolidação das lesões decorrentes de acidente de trabalho resultarem em sequela definitiva que implique redução da capacidade para o trabalho e/ou impossibilite o desempenho da atividade exercida na época do acidente. O auxílio- acidente será devido a partir do dia imediato ao da cessação do auxílio-doença. O seu valor corresponde a 50% do salário de benefício que deu origem ao auxílio doença do segurado, corrigido até o mês anterior ao do início do auxílio acidente e será devido até a véspera de início de qualquer aposentadoria ou até a data do óbito do segurado.

Aposentadoria por invalidez: É o benefício a que tem direito o segurado que, estando ou não recebendo auxílio-doença, for considerado incapaz para o trabalho e não sujeito à reabilitação para o exercício de atividade que lhe garanta a subsistência. Não é concedida aposentadoria por invalidez ao segurado que, ao filiar-se ao Regime Geral de Previdência Social, já era portador da doença ou da lesão que geraria o benefício, salvo quando a incapacidade decorreu de progressão ou agravamento dessa doença ou lesão.

A aposentadoria por invalidez começa a ser paga:

A contar do dia imediato ao da cessação do auxílio-doença, caso o segurado o esteja recebendo.

Para o segurado que não recebe auxílio-doença:

para o segurado empregado a partir do 16º dia de afastamento da atividade ou a partir da data da entrada do requerimento, se entre o afastamento e a entrada do requerimento decorrerem mais de 30 dias.

para os demais segurados a partir da data do início da incapacidade ou;

a partir da data da entrada do requerimento, quando requerido após o 30º dia do afastamento da atividade.

A aposentadoria por invalidez deixa de ser paga:

quando o segurado recupera a capacidade para o trabalho;

quando o segurado volta voluntariamente ao trabalho;

quando o segurado solicita e tem a concordância da perícia médica do INSS.

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O valor da aposentadoria por invalidez é 100% do salário de benefício, caso o segurado não

estivesse recebendo auxílio-doença. Se o segurado necessitar de assistência permanente de outra pessoa, a critério da perícia médica, o valor será aumentado em 25% a partir da data de

sua solicitação.

Aposentadoria especial - É o benefício a que tem direito o segurado, que tiver trabalhado durante 15, 20 ou 25 anos, conforme o caso, sujeito a condições especiais que prejudiquem a sua saúde ou integridade física. O segurado deverá comprovar, além do tempo de trabalho, efetiva exposição aos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais a saúde ou integridade física, pelo período equivalente ao exigido para a concessão do benefício.

Considera-se tempo de trabalho, os períodos correspondentes ao exercício de atividade

permanente e habitual (não ocasional nem intermitente), durante toda a jornada de trabalho.

A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita em formulário próprio do INSS, preenchido pela empresa ou seu preposto com base em laudo técnico de

condições ambientais de trabalho, expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho, nos termos da legislação trabalhista.

O INSS exige carência para este benefício:

180 contribuições mensais para o segurado inscrito a partir de 25.07.91;

Os inscritos até 24.07.91 devem obedecer a uma tabela progressiva de carência.

A aposentadoria especial começa a ser paga:

Para o segurado empregado:

a partir da data do desligamento do emprego, quando requerida até 90 dias após o desligamento.

a partir da data da entrada do requerimento, quando não houver desligamento do emprego ou quando for requerida após 90 dias do desligamento.

Para o trabalhador avulso:

a partir da data da entrada do requerimento.

O

valor da aposentadoria especial é 100% do salário de benefício. O aposentado por tempo de

contribuição, especial ou idade pelo Regime Geral de Previdência Social que permanecer ou

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retornar à atividade sujeita a este regime, não fará jus a prestação alguma da Previdência Social em decorrência do exercício dessa atividade, exceto ao salário família, salário maternidade e à reabilitação profissional.

Pensão por morte: É o benefício a que têm direito os dependentes do segurado que falecer.

Há três classes de dependentes:

Classe I: o cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 anos ou inválido;

Classe II: os pais;

Classe III: o irmão, não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 anos ou inválido.

Observações: Por determinação judicial proferida em Ação Civil Pública também fará jus a pensão por morte quando requerida por companheiro ou companheira homossexual.

A condição de invalidez do dependente maior de 21 anos deverá ser atestada pela perícia do

INSS. Enteados e tutelados equiparam-se a filhos. Havendo dependentes de uma classe, os dependentes da classe seguinte perdem o direito à pensão por morte. Também perde o direito

ao benefício o dependente que passar à condição de emancipado.

A

pensão por morte começa a ser paga:

a partir da data do óbito do segurado, se requerida até 30 dias do falecimento;

a partir da data do requerimento, se requerida após 30 dias do falecimento;

a partir da data da decisão judicial, quando se tratar de morte presumida.

A

pensão por morte deixa de ser paga:

Pelo falecimento do pensionista;

Pela extinção da cota do último pensionista;

Se quem recebe a pensão é o filho ou o irmão, o benefício deixa de ser pago quando esse dependente se torna emancipado, ou completa 21 anos (a menos que seja inválido);

Se quem recebe a pensão é inválido, o benefício deixa de ser pago cessar a invalidez.

O

valor da pensão por morte corresponde a 100% do valor da aposentadoria que o segurado

recebia quando faleceu ou 100% da aposentadoria por invalidez a que teria direito na data do

óbito.

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Todos os benefícios baseiam-se no salário-beneficio (SB) que é igual:

à média aritmética simples dos 80% maiores salários de contribuição, corrigidos monetariamente, a partir do mês 07/94 - para os inscritos até 28/11/99

à média aritmética simples dos maiores salários de contribuição correspondentes a 80% de todo o período contributivo - para os inscritos a partir de 29/11/99

Observação: O trabalhador que sofrer acidente de trabalho tem garantia da manutenção do contrato de trabalho até 12 meses após a cessação do acidente do trabalho.

2.3.1.1 A DOENÇA E O ACIDENTE DO TRABALHO NO CONTRATO DE

EXPERIÊNCIA E NO AVISO PRÉVIO

Se, durante o contrato de experiência o empregado adoecer, a empresa pagará os primeiros 15 dias e ele entrará em auxílio-doença no INSS, do qual não sairá antes de vencidos os 90 dias do contrato.

Se, a doença se aparecer no 80° dia do contrato, a empresa deverá pagar apenas os 10 dias que faltam para o contrato terminar. O doente desempregado deverá passar a receber, de imediato, o auxílio-doença.

De acordo com o Pleno do Tribunal Superior do Trabalho “O contrato por prazo determinado não tem seu termo prorrogado em virtude de licença médica do empregado, salvo se houver prévia estipulação das partes contratantes” (AC-TP 1975/85, DOU de 8/11/85).

Se, o empregado adoecer ou se acidentar no 20º dia do aviso prévio, a empresa deverá pagar- lhe os 10 dias restantes e o contrato ficará rescindido. O INSS deverá, de imediato, conceder- lhe o auxílio-doença. Porém, se a doença se apresentar no 10° dia do aviso prévio, a empresa pagará os primeiros 15 dias e o empregado entrará em auxílio-doença. No trigésimo dia do aviso prévio o contrato estará rescindido de acordo com o artigo 489 da CLT.

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RISCOS AMBIENTAIS

Como visto no capítulo anterior, os riscos de operação, como por exemplo, máquinas desprotegidas, pisos escorregadios e empilhamentos precários são chamados de condições inseguras.

As condições inseguras relativas ao ambiente de trabalho, como por exemplo, a presença de vapores tóxicos no processo de trabalho, o calor intenso ou o frio excessivo, são chamados de riscos ambientais. Assim, definimos:

Estes riscos podem afetar o trabalhador de imediato ou a longo prazo, provocando acidentes com lesões ou doenças do trabalho. A ocorrência das doenças do trabalho dependerá sempre da ação simultânea de fatores relativos ao agente ambiental, à atividade profissional e a susceptibilidade do indivíduo ao agente ambiental. Por causa disto, estes três fatores deverão ser sempre estudados em conjunto para uma análise real do risco que os agentes ambientais oferecem à saúde dos trabalhadores.

A legislação obriga que os riscos ambientais sejam eliminados ou minimizados em sua intensidade ou exposição e assegura aos trabalhadores a percepção de adicionais por insalubridade de até 40% sobre o salário mínimo sempre que a concentração, a intensidade ou a exposição aos agentes nocivos exceder os limites de tolerância determinados na NR-15- Atividades e Operações Insalubres.

3.1 AGENTES AMBIENTAIS

Os fatores que originam as doenças do trabalho são chamados agentes ambientais e são classificados, de acordo com a sua natureza e forma de atuação no organismo humano como agentes físicos, agentes químicos, agentes biológicos, agentes ergonômicos e os riscos de acidentes (mecânicos).

3.2 - RISCOS FÍSICOS

Os riscos físicos, causados pelos AGENTES FÍSICOS, normalmente estão relacionados com os equipamentos utilizados no processo produtivo. São

RISCOS AMBIENTAIS são os riscos existentes nos ambientes de trabalho capazes de causar danos à saúde do trabalhador em função de sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição.

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São eles: os ruídos, as vibrações mecânicas, as radiações ionizantes e as não ionizantes, o frio ou o calor extremo, as pressões anormais e a umidade.

3.2.1 - O Ruído

Embora seja o risco profissional mais freqüente na indústria, nem sempre recebe a atenção que merece. O ruído produz redução da capacidade auditiva do trabalhador e sua exposição intensa e prolongada atua desfavoravelmente sobre o estado emocional do indivíduo.

3.2.2 - As Vibrações Mecânicas

De relativa freqüência na indústria, a vibração mecânica é subdividida em duas categorias:

vibrações localizadas e vibrações de corpo inteiro. As vibrações localizadas são características de operações com ferramentas manuais elétricas ou pneumáticas e podem produzir, a longo prazo, alterações neuro-vasculares nas mãos dos trabalhadores, problemas nas articulações das mãos e braços além da osteoporose (perda da substância óssea).

As vibrações de corpo inteiro, a que estão sujeitos os operadores de grandes máquinas e motoristas de caminhões e tratores, podem produzir problemas na coluna vertebral, dores lombares, além de haver suspeita de causarem lesões nos rins.

3.2.3 - As Radiações ionizantes e não-ionizantes

As radiações são chamadas ionizantes porque produzem, nos materiais sobre os quais incidem,

a subdivisão de partículas inicialmente neutras em partículas eletricamente carregadas. São provenientes de materiais radioativos como os raios Alfa, Beta e Gama ou são produzidas artificialmente em equipamentos como o de raios X. A sua manipulação deve obedecer a rigorosas normas de segurança e de proteção individual.

Os raios Alfa e Beta possuem menor poder de penetração nos organismos e oferecem menor risco; mas os raios X e Gama, de natureza eletromagnética, possuem alto poder de penetração

e podem causar a anemia, a leucemia, o câncer e outras alterações genéticas que podem comprometer fisicamente gerações futuras.

As radiações não-ionizantes são as de natureza eletromagnética e os seus efeitos dependem de fatores como a duração, a intensidade de exposição, o comprimento de onda, etc.

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Como exemplo temos:

Radiação infravermelha, ou calor radiante. É encontrada em siderúrgicas, metalúrgicas, na fabricação do vidro e em trabalhos ao ar livre onde os operários ficam expostos à radiação solar. Além da sobrecarga térmica imposta ao trabalhador pode causar queimaduras e catarata.

A radiação ultravioleta é encontrada em operações com solda elétrica, fusão de metais e no controle de qualidade de peças com lâmpadas especiais. Além de estar relacionada ao câncer de pele, pode causar queimaduras, eritema e conjuntivite.

A radiação laser é utilizada largamente na indústria, nos trabalhos topográficos e geodésicos, na medicina e nas telecomunicações. Os principais efeitos são as queimaduras na pele e nos olhos que variam de gravidade de acordo com a intensidade e a duração da exposição.

As micro-ondas são produzidas em instalações de radio transmissão e de radar e utilizadas em telecomunicações, alguns processos de secagem de materiais. De acordo com a intensidade das estações de transmissão ou com a energia liberada nos processos de secagem, os operadores podem estar sujeitos à catarata, ao superaquecimento dos órgãos internos, hipertensão, alterações no sistema nervoso central, aumento da atividade da glândula tireoide, etc.

3.2.4 - Temperaturas extremas

São as condições térmicas rigorosas em que são realizadas diversas atividades profissionais.

O calor extremo é responsável por uma série de problemas que afetam a saúde e o

rendimento do trabalhador como a intermação ou insolação, a prostração térmica, a

desidratação e as câimbras de calor.

O frio intenso pode provocar o enregelamento dos membros, a hipotermia (queda da

temperatura do núcleo do corpo) além de lesões na epiderme do trabalhador, conhecidas

como ulcerações de frio.

3.2.5 - Pressões Anormais

Encontradas em trabalhos submersos ou realizados abaixo do nível do lençol freático. Dos problemas que mais comumente afetam os trabalhadores sujeitos a pressões elevadas, está a embolia. As principais medidas de controle aos riscos físicos são os Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC’s) e Individual (EPI’s) a sinalização eficiente.

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3.3 - RISCOS QUÍMICOS

Os riscos químicos são causados por AGENTES QUÍMICOS, encontrados nas formas sólida, líquida ou gasosa e que penetram no corpo humano por três vias básicas: a via respiratória, a cutânea e a digestória.

O grau de toxidade de um agente químico vai depender do seu estado físico, da sua solubilidade, do seu PH e da via de penetração no organismo. Algumas substâncias são inflamáveis ou apresentam risco de explosão quando em determinada proporção no ar atmosférico, ameaçando a integridade física do trabalhador.

Quanto ao seu estado físico, os agentes químicos podem ser:

Sólidos, como as poeiras, de origem mineral (a de sílica produz a silicose), vegetal (a fibra de algodão produz a bissinose) ou animal, como as provenientes do pelo ou do couro de animais.

Os agentes em estado líquido, constituídos por ácidos e solventes. Podem causar danos ao sistema respiratório quando em suspensão no ar, além de queimaduras e irritações quando em contato com a pele.

A maioria das exposições aos agentes químicos na indústria se dá quando estes se encontram na forma gasosa. Os agentes mais comuns são o dióxido de enxofre, os óxidos de nitrogênio, o monóxido de carbono e os vapores de solventes. De efeitos bastante diversos, chegam a causar a morte, mesmo em pequenas concentrações, como no caso do ácido cianídrico.

Quando em suspensão ou dispersão no ar, são chamados de contaminantes atmosféricos e são classificados em:

Aerodispersóides, como são chamadas as poeiras, os fumos, as fumaças, as névoas e as neblinas;

Gases;

Vapores.

Segundo a reação causada no organismo humano podemos dividir, a grosso modo, os contaminantes atmosféricos em:

1)

Irritantes, os que têm a propriedade de produzir inflamação nos tecidos com os quais entram em contato (amônia, ácido sulfídrico e cloro);

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2) Anestésicos, que apresentam ação depressiva no sistema nervoso central (acetona,

3)

éteres e álcoois); Asfixiantes, que podem provocar asfixia por reduzir a concentração de oxigênio no ar

4)

ou por interferir no processo de absorção de oxigênio no sangue ou tecidos (Metano, Hélio, Cianuretos, Hidrogênio e Nitrogênio); Intoxicantes Sistêmicos, que tanto causam as lesões agudas como as crônicas:

a. podem causar lesões nos órgãos (tetracloreto de carbono e cloreto de vinila),

b. lesões no sistema formador do sangue (benzeno, tolueno e xileno),

c. lesões no sistema nervoso (álcoois metílico e etílico);

5)

Compostos tóxicos inorgânicos, que são sais de não metais (cianureto de sódio ou de

potássio, compostos de arsênico, e fluoretos) e metais tóxicos, que podem produzir dermatoses, alterações no sistema nervoso central, câncer, além de intoxicações graves (chumbo, mercúrio, cádmio, manganês, cromo, etc).

6)

Material particulado, que são as poeiras, fumos e névoas que não foram classificadas como contaminantes sistêmicos. Podem ser classificadas como:

a. Poeiras produtoras de fibroses, que causam endurecimento e perda de flexibilidade dos tecidos pulmonares como a poeira de sílica, que causa a silicose, e a poeira de amianto, causadora de asbestose.

b. Poeiras inertes, as que ficam retidas nos pulmões e só apresentam problemas quando presentes em grandes concentrações, como a dos sais complexos de alumínio e a do carvão.

c. Partículas alergizantes e irritantes, podem atuar na pele, como a poeira da caviúna, de partículas de óleo de castanha de caju, de cromatos, etc., ou no sistema respiratório como pólens, e as poeiras das sementes de mamona.

Como principais medidas de controle temos a mudança de processo, a mudança de matérias- primas, o enclausuramento do processo, a ventilação local adequada, os exames médicos frequentes, os Equipamentos de Proteção Coletiva e Individual e a sinalização eficiente.

3.4 - RISCOS BIOLÓGICOS

Causadores dos riscos biológicos, os AGENTES BIOLÓGICOS são microrganismos invisíveis a olho nu que podem estar presentes na atmosfera do ambiente de trabalho ou podem ser transmitidos por outros seres vivos. Provocam doenças, mau cheiro, deterioração de alimentos, etc.

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São eles os Vírus, as Bactérias, os Protozoários, os Fungos, os Parasitas e os Bacilos.

Entre as doenças profissionais causadas por agentes biológicos estão a tuberculose, a brucelose, o tétano, a malária, a febre tifoide, a febre amarela e o carbúnculo.

As medidas de controle mais comuns nos ambientes onde há o risco biológico são a vacinação;

a esterilização; o confinamento do processo; a rigorosa higiene pessoal, das roupas e dos ambientes de trabalho; os Equipamentos de Proteção Coletiva; a ventilação adequada e o controle médico permanente.

3.5 - RISCOS ERGONÔMICOS

Os RISCOS ERGONÔMICOS são aqueles relacionados a fatores fisiológicos e psicológicos. Dentre eles destacamos o esforço físico intenso; o levantamento e o transporte manual de cargas; a necessidade de posturas inadequadas; a atenção, a preocupação e a responsabilidade; os controles rígidos de produtividade; os ritmos excessivos de trabalho; os trabalhos em turnos e os noturnos; as jornadas de trabalho prolongadas; a monotonia; a repetitividade além de outras situações causadoras de fadiga física e/ou psíquica.

Das medidas de controle no caso dos riscos ergonômicos citamos a conscientização dos riscos,

o projeto de máquinas e equipamentos perfeitamente adaptados ao operário, o treinamento

adequado, a assistência médico psicológica do empregado, a adoção de ritmos e posições adequadas de trabalho, as pausas durante a jornada de trabalho, etc.

3.6 - RISCOS DE ACIDENTES

Os RISCOS DE ACIDENTES (mecânicos) estão relacionados aos equipamentos utilizados e às condições físicas do local de trabalho, como por exemplo:

Arranjo físico inadequado,

A eletricidade,

Probabilidade de incêndio ou explosão,

Armazenamento inadequado,

Sinalização inadequada ou deficiente,

Animais peçonhentos e outras situações de risco que poderão contribuir para a ocorrência de acidentes.

Para controlar os riscos de acidentes devemos estudar arranjos físicos mais adequados, utilizar Equipamentos de Proteção Coletiva, só utilizar ferramentas na função para a qual elas foram

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projetadas e eliminá-las quando defeituosas, determinar os níveis ideais de iluminamento de cada ambiente de trabalho, treinar o pessoal no combate aos princípios de incêndio, além de manter uma sinalização de segurança eficiente.

além de manter uma sinalização de segurança eficiente. 4.5 – PPRA - PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE

4.5 PPRA - PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOS AMBIENTAIS

A NR-09 obriga a elaboração do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais PPRA, através da antecipação do reconhecimento, da avaliação e do controle da ocorrência de riscos ambientais existentes, ou que venham a existir, no ambiente de trabalho, considerando a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais.

O PPRA é desenvolvido sob a responsabilidade do empregador, com a participação dos

trabalhadores e sua profundidade depende das características dos riscos e das necessidades

de controle.

A NR-09 considera riscos ambientais os agentes físicos, químicos e biológicos, existentes nos ambientes de trabalho, que causam danos à saúde do trabalhador. Consideram-se agentes físicos as formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores, como vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, ruído, radiações ionizantes e não ionizantes, infra- som e ultra-som.

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Consideram-se agentes químicos as substâncias, compostos ou produtos que penetram no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que sejam absorvidos através da pele ou por ingestão.

Consideram-se agentes biológicos as bactérias, fungos, bacilos, parasitas, protozoários, vírus, entre outros. O PPRA deve conter a seguinte estrutura:

a) planejamento anual com metas, prioridades e cronograma indicando os prazos para desenvolvimento das etapas e cumprimento das suas metas;

b) estratégia e metodologia de ação;

c) forma de registro, manutenção e divulgação dos dados;

d) periodicidade e forma de avaliação do seu desenvolvimento.

Deve ser efetuada, pelo menos uma vez ao ano, uma análise global do PPRA para avaliação do desenvolvimento e estabelecimento de novas metas e prioridades.

O PPRA deve estar descrito num documento-base, cujas alterações e complementações são

discutidas na CIPA. O PPRA inclui as seguintes etapas:

a) antecipação e reconhecimento dos riscos;

b) estabelecimento de prioridades e metas de avaliação e controle;

c) avaliação dos riscos e da exposição dos trabalhadores;

d) implantação de medidas de controle e avaliação de sua eficácia;

e) monitoramento da exposição aos riscos;

f) registro e divulgação dos dados.

A elaboração, implementação, acompanhamento e avaliação do PPRA são feitas pelo SESMT

ou por pessoa ou equipe de pessoas capazes de desenvolver o disposto na NR-09. A antecipação envolve a análise dos métodos de trabalho das instalações novas ou da modificação dos existentes, identificando os riscos e introduzindo medidas para sua

eliminação.

O reconhecimento dos riscos ambientais consta de:

a) sua identificação;

b) determinação e localização das fontes geradoras;

c) identificação das trajetórias e dos meios de propagação dos agentes no ambiente de trabalho;

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d) identificação das funções e do número de trabalhadores expostos;

e) caracterização das atividades e do tipo de exposição;

f) obtenção de dados existentes na empresa, que indicam comprometimento da saúde decorrente do trabalho;

g) danos à saúde relacionados aos riscos identificados, disponíveis na literatura técnica;

h) descrição das medidas de controle existentes.

A avaliação quantitativa é realizada para:

a) comprovar o controle da exposição ou a inexistência dos riscos identificados na etapa de reconhecimento;

b) dimensionar a exposição dos trabalhadores;

c) subsidiar o equacionamento das medidas de controle.

São adotadas medidas para a eliminação ou a minimização dos riscos ambientais sempre que verificadas uma das seguintes situações:

a) identificação, na fase de antecipação, de risco potencial à saúde;

b) constatação, na fase de reconhecimento, de risco evidente à saúde