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TERCEIRIZAÇÃO: vantagens e desvantagens para as organizações empresariais1

Auristela Carvalho Campos2


Gerisval Alves Pessoa (Orientador)

RESUMO

O presente artigo versa sobre a terceirização nas organizações empresariais. Apresenta-se a


história da terceirização, seus conceitos e fundamentos. Destaca os conceitos e características
da terceirização nas organizações empresariais. Enfim, aborda-se as vantagens e desvantagens
do processo de terceirização, pontos importantes que envolvem este estudo, focalizando,
sobremaneira, os efeitos desse processo para as organizações empresariais. O processo de
terceirização é uma ação administrativa coesa com a realidade do mercado, assim, deve ter em
mente o correto conceito do que é terceirizar, e o que deve ser terceirizado dentro de uma
empresa Nesta perspectiva, o presente estudo tem por objetivo apresentar uma revisão
bibliográfica acerca das vantagens e desvantagens da terceirização para as organizações
empresariais. A proposta metodológica que colaborou com este estudo foi uma pesquisa
bibliográfica, onde foram coletados através de leituras de livros que abordem o tema, bem
como sites em internet, monografias, dissertações, artigos de revistas especializadas, etc.

Palavras-chave: Terceirização. Vantagens. Desvantagens. Organizações Empresariais.

1 INTRODUÇÃO

Sobre terceirização e todo o assunto que ronda a atual economia global, cabe
salientar a sua retrospectiva, seu nascimento histórico, bem como toda a evolução da
economia mundial que gerou um grande processo de transformação do pensamento
organizacional das instituições públicas e privadas.
Uma nova visão trabalhista surgiu, distanciando cada vez mais o trabalhador do
produto final, devido à produção em larga escala e dividida em etapas. Essa divisão foi um
dos fatores contribuintes para despertar a economia aos novos rumos e novas estratégias de
mercado, fazendo com que os dirigentes almejassem por uma mudança nas estruturas das

1
Artigo apresentado ao Curso de Pós- Graduação em Gestão Estratégica de Pessoa da Faculdade Atenas
Maranhense – FAMA, tendo como orientador Prof. Gerisvaldo Alves Pessoa.
2
Bacharel em Administração Pública na Faculdade São Luís e Pós-Graduada em Gestão Estratégica de Pessoas
da Faculdade Atenas Maranhense – FAMA, e-mail: stelaa5@hotmail.com
relações trabalhistas. O outro fator que legitima e induz o empresariado a se adequar ao
mercado é a globalização da economia, que impulsiona toda e qualquer organização a tornar-
se mais ágil, mais propensa a tomadas de decisões precisas.
Contudo, os dirigentes observando modificações econômicas e visando manter-se
no mercado competitivo, encontra na terceirização, um alicerce para suas estratégias
empresariais, consubstanciadas em parcerias, que hoje fazem parte da engrenagem de toda e
qualquer atividade gerencial.
A terceirização é importante para deixar a empresa mais ágil, voltada para sua
missão e competitividade, mas traz alguns riscos quando os processos são implantados de
modo incorreto.
O bom atendimento ao cliente é outra estratégia gerencial que não deve fugir dos
objetivos da empresa. E nisso observa-se que a prática da terceirização, desde que bem
difundida, oferece em todos os âmbitos, desde a implantação até os resultados, uma
abrangência na satisfação de gestores, como redução de custos, dinamismo na produção, não
relação trabalhista e na satisfação do cliente como excelência no atendimento, oferta de
produtos de qualidade, entre outros.
Sabendo que a globalização é fator predominante para a economia, surge a
terceirização como “Técnica de administração do 3º milênio” (QUEIROZ, 1998, p.23), ou
como um “processo de gestão pelo qual se repassa alguma atividade para terceiros – com os
quais se estabelece uma relação de parceria – ficando a empresa concentrada apenas em
tarefas essencialmente ligadas ao negócio que atua” (GIOSA, 1999, p.14.), diante do discurso,
amplamente, debatido sentiu-se necessidade de estudar o tema abordado para que fosse
possível um maior conhecimento das vantagens e desvantagens da terceirização para as
organizações.
Nesta perspectiva, o presente estudo tem por objetivo apresentar uma revisão
bibliográfica acerca das vantagens e desvantagens da terceirização para as organizações
empresariais.
A proposta metodológica que colaborou com este estudo foi uma pesquisa
bibliográfica que “[...] constitui o ato de ler, selecionar, fichar, arquivar tópicos de interesse
para a pesquisa em pauta” (ARANTES apud FACHIN, 2002, p.125), onde foram coletados
em livros, mídias impressas especializadas e documentos eletrônicos.
2 TERCEIRIZAÇÃO: HISTÓRIA, CONCEITOS E FUNDAMENTOS

2.1 Evolução histórica da terceirização

Em um período de rápidas transformações tecnológicas, sociais, políticas e


econômicas surgem novas relações trabalhistas nas empresas; estratégias que aguçam a
competitividade do mercado, bem como diversos fatores que fluem, de forma que a
organização estática acaba sendo atropelada pela avalanche de acontecimentos que
impulsionam uma dada organização a se sobrepor a outras, gerando assim, a falência de
diversas empresas, decorrente da não adaptação ao novo estilo de mercado globalizado,
terceirizado e tecnológico.
No mundo, a terceirização obteve um rápido crescimento, a melhora do ambiente
econômico internacional reflete-se positivamente no comércio internacional que favorece a
economia, dobrando o Produto Interno Bruto (PIB), impulsionado pelos acordos regionais de
comércio, pelas estratégias de terceirização, pela busca da competitividade e pela conquista da
unificação de mercado, através da globalização (LACERDA, 2004).
Para Moraes (2003), essa prática já difundida desde os séculos XVIII e XIX, tem
raízes bem mais profundas na História, do escambo ao surgimento da moeda que a idéia de
segmentar as atividades encontrou plenitude. Outro fator preponderante para a inserção da
terceirização na economia, foi o desenvolvimento natural das relações trabalhistas, que gerou
uma nova divisão do trabalho que não tinha em si a busca pela eficiência e ampliação de
mercado e deram lugar à comodidade e exploração, onde as relações mantidas pelo capital e
pelo trabalho eram caracterizadas por um mercantilismo, e mais tarde por um capitalismo
predatório ao trabalhador.
Em meados da década de 40, esta técnica foi largamente utilizada pelos países
europeus que participaram da Segunda Guerra Mundial, para a produção de armamentos.
Assim, por estar sobrecarregada e sem condições de atender à demanda, a indústria bélica
iniciou o processo de transferência de serviços a terceiros, que seriam contratados para dar
suporte ao aumento da produção de uniformes militares, armas leves e pesadas, munição,
navios, aviões e tanques de guerra (NASCIMENTO FILHO, 2001).
No Brasil, imperava o regime militar que impossibilitava inovações no setor da
tecnologia da informação. O mercado nacional manteve-se fechado no início do século XIX
nas décadas de 1960, 1970 e 1980, o que ocasionou um tardio desenvolvimento econômico,
tecnológico, político, cultural e social da indústria de tecnologia da informação interna ao
limitar drasticamente a competição estrangeira no setor (MORAES, 2003).
Mesmo chegando aos poucos, em território brasileiro, a terceirização ganhou ares
e aspectos que, gradativamente, ganhava força, com o passar do tempo. Empresas que antes
produziam até parafusos como é o caso da Ford, passaram a terceirizar seus serviços,
cuidando, apenas, da montagem da produção.
Nascimento Filho (2001) relata que a discussão sobre terceirização ganhou
importância no início da década de 1990, quando a economia brasileira passava por uma
abertura comercial e por um processo de privatização, o que levou as empresas brasileiras a
diminuírem a defasagem tecnológica e sofrerem grande concorrência de empresas
estrangeiras, as chamadas multinacionais que foram gradativamente implantadas no Brasil,
principalmente as automobilísticas.
Dessa forma, a terceirização foi inserida nas empresas brasileiras, tendo como
significado apenas a contratação de outras pessoas ou empresas para a realização de
atividades não fins em qualquer organização. As pequenas e médias empresas foram as
primeiras a entrar neste novo processo, por serem mais flexíveis e por terem percebido a
gradativa mudança que vinha ocorrendo nas relações de trabalho, conquistando assim seu
espaço no mercado.

2.2 Conceitos e fundamentos

O processo de terceirização é uma ação administrativa coesa com a realidade do


mercado, assim, deve-se ter em mente o correto conceito do que é terceirizar, e o que deve ser
terceirizado dentro de uma empresa. De maneira simplificada Cavalcanti Júnior (1996, p. 11)
define a palavra terceirização como:
Um neologismo cunhado a partir da palavra ‘terceiro’, entendido como
intermediário, interveniente, que, na linguagem empresarial, caracteriza-se como
uma técnica de administração através da qual se interpõe um terceiro, geralmente
uma empresa, na relação típica de trabalho (empregado versus empregador).

Hoje, percebe-se que terceirizar é muito mais que contratar mão-de-obra ou


serviços, terceirizar é uma estratégia, uma ferramenta administrativa que deve ser vista dentro
de uma organização como a contratação de soluções, visando a competitividade, boa
qualidade e a permanência de uma empresa no mercado atual.
Todo o processo evolutivo que o mercado vem passando, gera inovações em
diversos aspectos. Os gestores de empresas incorporam em suas atividades o que segundo
Halevi (apud WOLFF, 2001), é uma nova “filosofia de gerenciamento”, um novo olhar para
as relações empresariais, deixando de lado a situação tradicional da “empreiterização” que
tem em suas características a não parceria, a desconfiança, o fato de querer levar vantagem em
tudo e a contratação de mão-de-obra.
Assim, Oliveira (1994, p. 43) afirma que:
Terceirizar é buscar racionalmente os melhores resultados em escala de produção, a
maior flexibilidade operacional e uma adequada redução de custos administrativos,
juntamente com a concentração e a maximização de oportunidades para enfrentar o
mercado.

E agindo como uma empresa inovadora contrapondo a “empreiterização” à


“terceirização” que busca parceria, confiança, e não contrata mão-de-obra e sim soluções para
a empresa.
Finalmente, Queiroz (1998, p. 53) engloba todos os conceitos citados acima,
quando refere que terceirização é:
Uma técnica administrativa, uma metodologia e um processo. A técnica
administrativa possibilita o estabelecimento de um processo gerenciado de
transferência, a terceiros, das atividades acessórias das empresas, permitindo a estas
se concentrarem no seu negócio, ou seja, no objetivo final. A metodologia incentiva
motivação e fomento à criação de novas empresas, que proporciona o surgimento de
mais empregos. E por fim o processo busca parcerias, determinado pela visão
empresarial moderna e pelas imposições do mercado.

A terceirização é a trilha para modernizar e especializar as empresas. Utilizada


atualmente pelos gestores como ferramenta estratégica, renova e amplia suas participações no
mercado e proporciona redução de custos e aumento de qualidade.
Alguns estudiosos norteiam o estudo sobre terceirização, abordando duas
definições: o correto conceito de terceirização e quais são as suas modalidades básicas
(KARDECK; CARVALHO, 2002). Outros já demarcam suas pesquisas abordando aspectos
como características e atividades desenvolvidas por tal prática.
Há os que dizem ser um neologismo, para uma nova relação trabalhista ou até
uma “filosofia de gerenciamento”.
Logo, mediante os conceitos citados pelos autores, entende-se que a terceirização
é a trilha para modernizar e especializar as empresas. Utilizada atualmente pelos gestores
como ferramenta estratégica, renova e amplia suas participações no mercado e proporciona
redução de custos e aumento de qualidade.
3 CARACTERÍSTICAS DA TERCEIRIZAÇÃO

Favorecendo um crescente número de pessoas empregadas, a terceirização,


abrange mais que nova relação trabalhista cuida também de promover à empresa contratante
mobilidade e eficiência quanto aos serviços prestados. Cada vez mais as empresas estão
preocupadas com o fator - satisfação de seus clientes, e isso a terceirização proporciona, em
forma de parcerias especializadas (QUEIROZ, 1998).
Favorecendo um crescente número de pessoas empregadas, a terceirização,
abrange mais que nova relação trabalhista cuida também de promover à empresa contratante
mobilidade e eficiência quanto aos serviços prestados. Cada vez mais as empresas estão
preocupadas com o fator - satisfação de seus clientes, e isso a terceirização proporciona, em
forma de parcerias especializadas.
Se anteriormente, quando do surgimento da terceirização no Brasil suas
características básicas eram, conforme Queiroz (1998) a contratação de serviços de terceiros,
a busca da redução de custos de mão-de-obra, hoje, suas características estão voltadas para a
satisfação dos seus clientes, de seus fornecedores, da sociedade em geral, essas peculiaridades
estão na forma como o gestor aplica a terceirização, visando não somente lucros, mas também
soluções inteligentes para a empresa e para os empregados. Outra particularidade da
terceirização, além da parceria já citada, que vem chamando atenção é a da não relação
empregatícia, mas esse fator deve-se à estrutura econômica que não suportava tamanhos
encargos sociais advindos da relação trabalhista.

4 ORGANIZAÇÃO EMPRESARIAL: CONSIDERAÇÕES GERAIS

As organizações empresariais passaram a ser instituições que permeiam os


aspectos da vida moderna envolvendo a participação de todos na sociedade. Entre as
organizações e as pessoas estão ocorrendo várias mudanças no mundo atual afetando as
relações sociais, econômicas e políticas entre países.
O ambiente organizacional compreende tanto o ambiente interno quanto o ambiente
externo à empresa. O ambiente externo é formado por fornecedores, concorrentes,
clientes ou usuários, parcerias com outras pessoas, instituições governamentais
locais, nacionais e internacionais; onde as organizações empresariais convivem e se
influenciam. O ambiente interno caracteriza-se pelo desenvolvimento das
potencialidades da instituição, abrangendo seus sistemas e estruturas, recursos
humanos, materiais, físicos e financeiros (ROCHA et al., 1998, p. 9-13)
As organizações modernas estão pautadas na flexibilidade, na liderança, no
empreendedorismo, e no aprendizado promovendo assim o seu crescimento tanto no ambiente
externo como o interno. Não basta apenas adequar somente seus colaboradores a essa nova
visão, contudo seus parceiros precisam estar sincronizados e acompanhando as tendências que
contribuem para alcançar o sucesso empresarial.
Drucker (1997, p. 95) afirma que “uma organização bem-sucedida no século XXI
é aquela que abordará a solução de problemas e a tomada de decisão com uma busca universal
de aprendizado além das fronteiras internas e externas.”
O ambiente empresarial é bastante complexo, pois envolve pessoas, operações e
conhecimentos, e por ser um assunto tão interessante não podemos limitá-lo a uma abordagem
superficial. É imprescindível que se aborde este tema de maneira clara e concisa, destacando
seu conceito e suas particularidades.
Tachizawa (2002) define organização como sendo um conjunto de partes em
constante interação, constituindo-se um todo orientado para determinados fins, em
permanente relação de interdependência com o ambiente externo. A adoção do enfoque
sistêmico encarando a organização como um macro-sistema aberto, interagindo com o meio
ambiente, pode ser entendida como um processo que procura converter recursos em produtos
– bens e serviços, em consonância com seu modelo de gestão de negócios e objetivos
corporativo.
A prática da terceirização que vem sendo desenvolvida no âmbito empresarial
consiste em transferir atividades, serviços e funções acessórias a terceiros, visando, deste
modo, diminuir custos, agilizar processos e métodos, aumentar a produtividade, melhorar a
qualidade e aperfeiçoar as técnicas de gestão, deixando a empresa livre para desenvolver as
finalidades a que se presta.
Com essa visão do enfoque sistêmico observa-se que o ambiente externo ou
mercado é um fator contigencial para a organização estabelecer parâmetros, limites, propostas
e desafios que serão interpretados e realizados de acordo com os valores e crenças das
organizações tendendo a constituir centros de resultados independentes dentro do todo maior
da organização. Estes parâmetros e desafios adquirem significado e estruturam as decisões e
ações na organização, estabelecendo assim condições de competitividade no mercado e
alcance da satisfação das necessidades dos clientes, colaboradores da organização como um
todo.
5 VANTAGENS E DESVANTAGENS DA TERCEIRIZAÇÃO PARA AS
ORGANIZAÇÕES EMPRESARIAIS

Inúmeras vantagens vêm sendo associadas às empresas devido a adoção da


terceirização, tais como: o acesso a novos recursos tecnológicos e inovações, previsibilidade
dos gastos e redução destes com encargos trabalhistas, recrutamento, seleção e treinamento de
pessoas e imediata reposição de trabalho não adaptado, sem custo adicional, prazos e acesso a
pessoal qualificado (QUEIROZ, 1998).
Logo, é sabido dizer que os benefícios na terceirização para as empresas de forma
geral vão além de valores econômicos, qualificando também os serviços, levando os
funcionários da empresa a dedicar-se com mais ênfase às atividades fim, eliminando assim a
ociosidade e aumentado a produção.
No entanto, para manter essas vantagens é preciso se estabelecer uma verdadeira
relação de parceria que, segundo Queiroz (1998, p. 55): “[...] é a essência da terceirização. A
atividade participativa deve ser sempre uma constante na relação entre o tomador e o
prestador de serviços”.
Cabe lembrar que a parceria busca a qualidade dos serviços terceirizados e para
que isso aconteça, a empresa contratante deve começar pela maneira como selecionam seus
futuros parceiros. Segundo Queiroz (1998), outro ponto importante inovador é ouvir os
empregados do futuro parceiro, conversar com empresas que já utilizam os seus serviços,
conhecer os planejamentos a curto e longo prazo e, principalmente, a filosofia central da
empresa.
Como qualquer técnica gerencial, a terceirização apresenta também desvantagens,
que devem ser consideradas no momento da decisão. Como desvantagens, podemos citar:
dificuldade de se encontrar parceiros que possa atender às condições de qualidade e
produtividade e com isso gera uma possibilidade de queda de qualidade dos serviços que
ficam a cargo da empresa, exigidas - para determinada operação; contratação involuntária de
pessoas inadequadas (GIOSA, 1999).
Seguindo esses quesitos, as vantagens da terceirização para as organizações,
segundo Giosa (1999) são:
a) desenvolvimento econômico
A terceirização surgiu frente a uma necessidade de subdividir as grandes
corporações em pequenas unidades de negócios sob pena de sucumbir frente aos diversos
problemas ocasionados pelos “gigantismos” das empresas, ou seja, empresas com estruturas
burocráticas dificultando a tomada de decisões.
Assim, surgiram novas empresas, nas quais as grandes corporações passaram a
contratar seus serviços como parte do processo de produção. Elevando a receita do Estado
ocasionando benefícios econômicos e aumentando o nível de emprego.
b) especialização de serviços
Atualmente com o consumidor mais consciente de seu papel, a empresa para
manter seu cliente cativo deve ater-se à especialização dos serviços oferecidos. Buscando o
aprimoramento operacional das empresas, a terceirização oferece serviços especializados e
enquadrados nos critérios internos que garantem a obtenção de lucros, bem como a satisfação
do cliente.
c) competitividade das empresas
Com o aprimoramento dos serviços, o mercado abriu-se para novas
oportunidades, estimulando a concorrência gerando qualidade para o consumidor. Leiria e
Saratt (1995) abordam, a terceirização como o mais curto e democrático caminho para
alcançar a modernidade e competitividade.
d) busca de qualidade
Na atual estrutura do mercado a busca constante por qualidade, é o diferencial
dentre as empresas que primam por manter seus clientes fiéis, assim a empresa tem na
terceirização serviços e produtos qualificados uma vez que a atividade desenvolvida
pressupõe excelência.
e) aprimoramento do sistema de custeio
Em concordância com Giosa (1999), Queiroz (1998) afirma que uma empresa
contratante não consegue implantar e nem desenvolver um processo de terceirização eficaz e
eficiente, e não obterá os ganhos esperados de qualidade e principalmente na redução de
custos, se não avaliar e comparar, previamente cada atividade internamente desenvolvida.
f) diminuição do desperdício
A aplicabilidade da terceirização permite canalizar capitais próprios da empresa
para investimentos estratégicos, bem como para sua atividade principal, o que reduz a
diminuição dos desperdícios.
g) valorização dos talentos humanos
Devido à alta competitividade e à busca de aprimoramento no mercado, os
profissionais são continuamente aperfeiçoados com o intuito de manterem-se capacitados
perante a atividade que almejam desenvolver.
Assim, toda a mão-de-obra torna-se qualificada surgindo, valorização bem como a
especialização dos profissionais gerando satisfação da empresa contratante, empresa
contratada, funcionários e, por conseguinte clientes.
h) agilidade das decisões
A redução de níveis hierárquicos ocasionou em uma descentralização de
atividades melhorando e agilizando o processo produtivo da empresa, dando mais leveza á
empresa contratante.
i) menor custo
Uma das vantagens mais citadas, e utilizadas pelas empresas que buscam a
terceirização é a de redução dos custos, uma vez que é a empresa prestadora de serviço ou
mão-de-obra que se responsabiliza pelas relações trabalhistas.
j) maior lucratividade e crescimento
Uma vez que a empresa concentra-se em sua atividade principal; fica leve e
dinâmica para se sobressair em relação às outras empresas podendo tomar decisões mais
rápidas e de benefício imediato, assim, há um aumento da lucratividade e possível
crescimento econômico.
Em termos gerais a maioria das empresas que utilizam a técnica da terceirização
estão satisfeitas com os resultados obtidos, pesquisas apontam que no Brasil 91% das
empresas, apontam o foco maior na atividade principal da empresa, outros 86% afirmam que
houve redução dos custos Operacionais dos fatores primordiais que caracterizam a atividade
de terceirizar dentro de uma dada organização (CALLCENTER, 2009).
Mesmo com todo esse processo evolutivo e ainda que venha sendo utilizada por
alguns anos, a terceirização, no Brasil encontra certos fatores restritivos. As restrições
apontadas por Giosa (1999) são:
a) desconhecimento sobre o assunto
Por ser uma nova estratégia de gestão ainda encontra alguns entraves no tocante a
disposições trabalhistas, o que gera um receio na implantação da atividade da empresa.
b) as resistências
Outro fator de entrave é a resistência por parte dos dirigentes conservadores da
empresa. Alguns dirigentes por completo desconhecimento, ou por falta de conscientização e
de planejamento, resistem à uma estratégia que vem dando certo em muitas empresas, muitos
desses dirigentes preferem resultados imediatos e a curto prazo do que resultados que
requeiram um pouco mais de tempo mas, que retornem com soluções e resultados positivos,
lucrativos e duradouros.
c) dificuldade de se encontrar parceiros
Toda a estrutura balizadora da terceirização está sobre a ótica do planejamento
prévio, e da busca por parceiros ideais; e nisso o dirigente não deve atribuir custos baixos e
sim a obtenção de resultados favoráveis, buscar serviços ou mão-de-obra especializadas,
buscar parceiros especializados e responsáveis para com seus profissionais, assim terá uma
boa parceria.
d) risco da coordenação de atividades
Antes da busca pelo serviço da terceirização o dirigente deve ter em mente qual
serviço irá terceirizar, evitando assim um possível descontrole no que se refere a coordenação
de atividades entre seus próprios funcionários e os terceirizados. Assim, cabe à empresa
contratada a boa coordenação dos seus funcionários bem como delimitar e fiscalizar suas
atividades com vistas a executar com primazia o trabalho ao qual foi indicada.
e) ausência de parâmetros de custos internos
Uma falta de estrutura às vezes gera certo empecilho no tocante a atividade
desenvolvida por terceiros, o dirigente deve ter em mente a exatidão dos custos de cada
atividade interna para em seguida poder compará-las; assim, obterá um máximo de
informações pertinentes às atividades a que se desejam terceirizar bem como seus custos e
provavelmente poderá perceber com mais exatidão os lucros almejados.
f) custo com demissões iniciais
Quando há um planejamento prévio, a implantação da terceirização não requer
gastos tão onerosos, isso acontece quando inevitavelmente o dirigente busca parcerias não
qualificadas, que ocasiona a demissão gerando assim novo ciclo de licitações para a
contratação de terceirizadas. Outra forma de gastos indevidos é o gerado pela demissão de
seus próprios funcionários que antes executavam as atividades que agora são pertinentes aos
terceirizados requerendo assim, um pagamento de todas as verbas rescisórias.
g) relação de conflito com os sindicatos
Devido à demissão por motivos de aplicabilidade estratégica da terceirização, os
sindicatos entram em conflito com a empresa enfraquecendo a entidade perante decisões
referentes aos outros funcionários e dificultando a implantação da terceirização.
h) o desconhecimento da legislação trabalhista
O conhecimento prévio da legislação trabalhista dá ao dirigente embasamento
para vislumbrar esse novo modelo de gestão dentro da regularidade exigida pelas leis
trabalhistas, uma vez que por ser novo ainda não foi regulamentado, e para não cair em
ilicitude, o dirigente precisa estar atento às normas que regulam os contratos.
Enfim, acompanhando a mudança do mercado e se adequando aqui e ali, toda
empresa comprometida com a manutenção da qualidade de seus serviços e produtos aplicará a
terceirização. Não esquecendo que bem como uma estratégia gerencial, assim como toda
estratégia, deve-se ter em mente vantagens e desvantagens que ocorrem no decorrer da
execução de suas atividades.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Cabe ressaltar, entretanto que, com base no que foi traçado no estudo inicial desta
pesquisa, verificou-se de diversas maneiras o traço inovador e estratégico da terceirização.
Essa nova ferramenta administrativa que gera vantagens financeiras, podendo também causar
certas restrições ao gestor, assim, levando o mesmo a se adequar aos parâmetros que rege uma
boa terceirização.
E esses parâmetros, são partes nobres que constituem uma terceirização favorável
para os envolvidos no processo; a principal delas, é a parceria responsável. O gestor encontra
em seus parceiros um aliado para o crescimento do negócio no mercado competitivo, mais
que isso, são partes indissolúveis que juntos, são unos e que trabalham em conjunto para a
melhoria dos serviços prestados.
De fato, as vantagens encontradas em terceirizar a mão-de-obra nas organizações
só são possíveis devido à aplicabilidade de todo o processo que antecede essa atividade,
processo esse, que funciona como regulador dessa nova estratégia gerencial.
Cuidados como procurar por parceiros responsáveis, antever quais as atividades
devem ser terceirizadas, comparar os custos da atividade a ser terceirizada; analisar se a
terceirização não irá ocasionar em aumentos de custos de atividades para outros setores da
empresa; entre outros fatores que se observados geram as vantagens previstas.
Mas, assim como se observam vantagens, as desvantagens também são fatos que
acompanham a atividade de terceirização e isso ocorre, caso o gestor não se adapte aos
moldes pré-estabelecidos da estratégia gerencial - terceirização.
Para além de problemas gerados pelo não seguimento dos parâmetros sugeridos, a
terceirização encontra dificuldades quando do momento de sua ilicitude, ainda não há lei que
a regulamente, alguns gestores, por isso, andam cometendo uma série de erros, causados pelo
desconhecimento das cláusulas que regem essa atividade.
OUTSOURCING: advantages and disadvantages for business organizations

ABSTRACT

This paper focuses on outsourcing in business organizations. It presents the history of


outsourcing, its concepts and fundamentals. Highlights the concepts and characteristics of
outsourcing in business organizations. Finally, we discuss the advantages and disadvantages
of the outsourcing process, important issues involving this study, focusing greatly in the
effects of this process for business organizations. The outsourcing process is an administrative
action coherent with the market reality, so it must be borne in mind the correct concept of
what is to outsource, and what should be outsourced to a company in this perspective, this
study aims to present a literature review concerning the advantages and disadvantages of
outsourcing to business organizations. A methodological proposal for cooperating with this
study was a literature, which were collected by reading the books that address the topic as
well as internet sites, monographs, dissertations, articles, journals, etc.

Keywords: Outsourcing. Advantages. Disadvantages. Business Organizations.


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