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14/11/2009 Caio Fábio

Reflexões > CONSTANTINO, LACTÂNCIO E O CRISTIANISMO IRREFORMÁVEL...

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CONSTANTINO, LACTÂNCIO E O CRISTIANISMO


IRREFORMÁVEL...

Depois da Era Apostólica Original, a comunidade mais ampla dos


discípulos que permaneciam fiéis à Palavra dos Apóstolos já mortos,
estava cansada...; e as coisas somente pioravam...
Já tinham passado por dez grandes perseguições gerais, muitas outras
em regiões especificas, e infindas de natureza individual e pessoal.
Os Apóstolos haviam dito que “o tempo estava próximo”; mas eles
próprios haviam partido e o Senhor não voltava...
Enquanto isto [...] não sabiam se ficavam nas cidades ou se buscavam
refugio nos montes, covas, florestas, regiões distantes, em cidades
subterrâneas, ou nos infindos túneis que cavaram [...], como ainda
hoje se vê em muitos lugares, especialmente na Capadócia, na
Turquia.
Aos olhos deles todas as predições de Jesus e dos Apóstolos estavam
já cumpridas, pois, tudo o que tinham visto nos últimos 280 anos
eram guerra e rumores de guerra, revoluções, terremotos, vulcões
poderosos e devastadores, pragas, mortes em quantidade impensável,
pestes chacinadoras, como nos dias do Imperador Décio; além de que
não lhes faltaram [de Nero em diante] inúmeros candidatos perfeitos
ao posto de Besta e de Anti-Cristo na Roma/Babilônia, na Grande
Meretriz, na Cidade das Sete Colinas.
Entretanto, apesar de tudo, quanto mais sofriam, mais cresciam e se
espalhavam; de modo que a perseguição sempre foi o maior
espalhador das sementes do Evangelho pelo mundo, desde o tempo
dos Imperadores Romanos.
Todavia, o Senhor não voltava...; as perseguições não cessavam; e nem
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o Império se convertia...
Foi nesse tempo de cansaço de esperança, porém de crescimento pela perseguição,
que surgiu o Imperador Constantino.
O Império estava divido, enfraquecido, invadido, somente se impunha
pela força dos mercenários e das expansões feitas pela brutalidade;
enquanto Roma sucumbia à devassidão, à lassidão, à volúpia, a dês-
humanização...
Do mesmo que o Império estava enfraquecido [...] seus deuses também estavam;
posto que não impedissem as invasões bárbaras; nem as rebeliões de
escravos; nem as revoltas das nações conquistadas; nem os
terremotos, nem as pragas, nem os vulcões, nem dassem aos romanos
nada que não fosse por eles tomado no saque que faziam às nações
que submetiam..., ainda que nunca definitivamente...
O Senhor não voltava, mas Constantino aparecera... Aleluia!... Gritavam os
crentes!
Metido na sua corte, como seu escriba, estava um cristão chamado
Lactâncio. Foi Lactâncio o “profeta” de Constantino, sim, pois foi
dele a interpretação de que o meteoro caído diante deles antes do
ataque a Roma, para tomar o poder, era um sinal de Jesus de que
Constantino era o “escolhido”, o “cristo da história”, o Imperador
que, pela espada, imporia o Reino de Deus, ainda que a proposta fosse
a de que o império romano de Constantino não teria fim, sendo uma
espécie de “reino davídico dos cristãos” — o que se tornou
realidade/engano pelo fato de que a Igreja Católica Apostólica Romana
é a Roma de Constantino viva até aos dias de hoje...
Lactâncio teve um papel fundamental na construção do Constantino
Décimo Terceiro Apóstolo de Jesus, o apóstolo imperador, o apóstolo da
espada, o apóstolo das glórias terrenas e da Igreja Triunfante na Terra,
não nos céus.
Foi de Lactâncio a inspiração de que o “tamanho da igreja e sua presença
em todo o império”, seria de grande valor político para Constantino. Foi
dele a idéia de colocar a chamada Cruz de Constantino como novo
Emblema do Império, substituindo a Águia.
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Também foi dele a idéia de fazer da fé em Jesus uma Religião Oficial


no Império. Sim, o escriba Lactâncio foi um cristão cansado de ser
perseguido, e que estava próximo demais do poder para não tentar influenciar
em nome de Jesus...
Ora, Lactâncio começou apenas buscando mais tolerância para os
cristãos [...], mas depois de um tempo suscitou no Imperador a
certeza política de que o grupo dos escravos amantes de Jesus era a melhor
base de apoio que ele poderia ter no Império, dado ao tamanho e à
capilaridade da igreja dos discípulos de Jesus.
Foi dele também a idéia de que o Imperador agradaria aos cristãos
construindo Basílicas nos lugares mais históricos para a fé dos
cristãos...
Ele foi a peça fundamental também na construção dos elos entre o
Imperador e os bispos das igrejas locais, ainda escondidas e intimidadas.
Da noite para o dia os bispos viravam eminências pardas.
Depois Constantino aprendeu a andar com as próprias pernas,
manobrando os bispos na medida em que lhes dava poder...
Foi por tal poder que o antigo crescimento dos cristãos se perdeu,
virando inchaço e adesão... Logo surgiram os sincretismos... A seguir a
bruxaria tomou conta em nome de Jesus, de um lado; e, de outro lado,
surgiram os eruditos oficiais dos ditos de Deus, os teólogos; tudo sob
o patrocínio do Imperador.
Constantino continuou matando e sendo inclemente com muitos...
Foi ele quem primeiro invocou em “nome de Jesus” o principio
diabólico da guerra santa e da igreja de espada na mão.
As raízes do Cristianismo Constantiniano [aliás, o único Cristianismo,
posto que Jesus nunca tenha fundado nenhuma religião ou
Cristianismo] — determinam até hoje quase tudo aquilo que a
“igreja” chama de “Deus”, de “Jesus”, de “Igreja”, de “Doutrina”, de
“Poder”, de “Estado”, de “Direito”, de “Ciência Teológica”; e está
presente em todas as formas de governo e disciplina na “Igreja”.
Ora, como Jesus não voltara, mas Constantino aparecera como um ladrão
de noite, os crentes logo celebraram a vitória de Constantino como
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uma manifestação da vinda do Senhor de forma diferente; como reino glorioso feito
pelo poder de um império de trevas...
Em menos de trinta anos um grupo de milhões de discípulos de Jesus,
que viviam de modo singelo e hebreu no caminhar, se tornou o poder
dominante de um Império, do maior de todos os Impérios, do
Império Romano; e, assim, sem pestanejar, reinterpretaram Jesus e a Sua
vinda; e celebraram o reino de Deus nas garras da Meretriz
Oportunista, que agora apenas dava aos famintos a chance de
transformarem pedras em pães, de pularem do Pináculo do Templo
com a escolta de anjos imperiais, em troca de darem apenas apoio
político ao Imperador, enquanto eles, a agora não mais Igreja, mas
apenas “igreja” [...], ganhavam todos os reinos deste mundo...
Praticamente ninguém mais conseguiu ser cristão sem levar alguma
marca da Besta Constantiniana; sim, seja nos temas da vida; na idéia
acerca de quem é Deus; ou acerca da Trindade [esquartejada em
Nicéia]; ou da noção de influencia do Reino de Deus neste mundo; ou
de guerra santa e justa; ou de evangelização; ou de teologia; ou de
credo; ou de modo de governo; ou de importância humana e histórica;
e de um monte de outras coisas... — que não nos tenham vindo como
herança de Constantino; e que influenciaram toda a “Cristandade”; e
que deram forma ao Cristianismo, que fizeram uma Dieta no
Protestantismo, mas que nele não perderam o DNA; e que hoje estão
revividas com todas as forças entre os Evangélicos, todos eles, mas
especialmente entre os Neo-Pentecostais.
Hoje Constantino tem no Brasil a cara de um Macedino!...
Constantino é o Pai do Cristianismo!...
O Católico, ou Universal em Constantino, não são termos que têm o
sentido da catolicidade e da universalidade do espírito de tais termos
conforme o espírito do Evangelho.
Católico e Universal em Constantino são termos que significam
exatamente aquilo que os termos Católico e Universal se tornaram no
Cristianismo...
Sim, Constantino é o Pai do Cristianismo!... Somente ele; e Jesus
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esteve fora...; sempre...


Jesus esteve presente [...] como apenas sempre apenas nos corações
[...]; mas nada teve a ver com toda a História da Igreja [...] de
Constantino para cá.
Jesus teve a ver com a história de milhões de pessoas, mas não com a
História da Igreja de Constantino, que é todo o Cristianismo,
especialmente em sua manifestação ocidental, ainda que o fenômeno
tenha sido “católico” em sua influencia “universal” do reino imperial de
“Deus”...
Esta é a razão de a “igreja” ser tão diferente de Jesus e tão semelhante
a Constantino.
Sim, pois o espírito do Cristianismo sempre foi e será “romano” em
seu DNA; e tal espírito é anticristo em relação ao Evangelho de Jesus.
Somente o diabo faz de conta que não foi e não seja assim!
Sim, mano, olhe no espelho e veja que você é a cara do Imperador
Constantino; pois, se seu espírito é do Cristianismo, então, é de
Constantino que você é filho!
É por esta razão que eu creio que o Cristianismo é irreformável...

Nele, em Quem não tenho nenhuma dúvida acerca do que disse


acima,

Caio
10 de novembro de 2009
Lago Norte
Brasília
DF

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