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A teoria síncrono-ativa do desenvolvimento e o

aleitamento materno em prematuros.
• A teoria síncrono-ativa do desenvolvimento, criada pela
Dra. Hildelise Als em 1980, entende o bebê prematuro
como um somatório de cinco fontes de energia.
• Sistemas : interação, tônus, vigília, autônomo e regulador.
• A utilização excessiva de uma dessas fontes ocasionará um
desvio de carga das fontes restantes de modo a manter o
equilíbrio da biologia neonatal.
• Fatores estressantes como toque, dor, som e luz excessivos
desviam para suas respostas o quantitativo de energia que
deveria estar sendo reservado para a recuperação clinica e,
do mesmo modo, para a atividade de sucção.
O som
• A intensidade do ruído na Unidade Neonatal é na maioria das vezes
muito superior àquela suportada pelos bebês e necessária para
preservar sua organização.
• Funciona como estimulo incessante a exigir reação e resposta do
bebê, ainda quando ele da sinais de necessidade de retraimento.
• Esta estimulação ininterrupta e por tempo prolongado que pode
durar semanas e meses desorganiza cronicamente o bebê e
prejudica as ações clinicas de recuperação em curso.
• O estabelecimento de níveis adequados de ruído ao bebê,
compatíveis com a sua capacidade de assimilação, é importante
para a prevenção do stress e para otimizar o rendimento e o
aproveitamento deste bebê no momento da pega.
A luz
• A luz intensa, continua e ininterrupta elimina das Unidades
Neonatais o ciclo noite-dia, fisiológico.
• Estimulo visual desproporcional para os olhos de bebês de qualquer
peso e idade gestacional.
• Os efeitos mais desastrosos e estressantes são tanto maiores
quanto mais prematuro é o bebê.
• Tentativas de cobrir incubadoras com retalhos de tecido opaco nem
sempre surgem efeito.
• A adoção de lâmpadas de cortesia em cada leito em associação com
a diminuição global da luz ambiente podem reduzir o stress
luminoso e visual nesses dias de internação e conduzir o bebê ao
momento da mamada mais calmo e mais tranquilo
O toque
• Durante o periodo de 24 horas o bebê é tocado
de modo efetivo por mais de uma centena de
vezes, na sua maioria.
• A UTI Neo deveria economizar (e não incentivar)
rotinas de otimização do toque, promovendo
manipulações agrupadas e sempre
acompanhadas de tentativas de redução de
outros estímulos estressantes como dor, luz e
som.
A dor
• A dor é inevitável, mas não é sinonimo de sofrimento.
• O cuidado respeitoso com a dor inibe a carga de
intensas reações de medo e pânico decorrentes dos
eventos dolorosos ligados ao manejo do bebê.
• Medidas como enrolamento, contenção facilitada,
redução da luz e dos estímulos sonoros e oferecimento
de um dedo enluvado molhado com algumas gotas de
glicose a 10% tornam suportáveis as intervenções
dolorosas, contribuindo para a prevenção do stress, e
por isso mesmo torna esse bebê mais preparado para a
mamada.
O banho
• O banho diário, excessivo e desnecessário, representa
muitas vezes um momento de grande terror,
desorganização e amedrontamento desse bebê.
• O banho numa Unidade Neonatal pode ser amigável e
respeitoso. A cada 2 ou 3 dias.
• Banho enrolado: bebê acordado suavemente, conduzido à
sua banheirinha enrolado num pequeno lençol que
somente é retirado após sua imersão na agua morna
• Modelo de banho respeitoso e relaxante que evita o stress
repetido diariamente e que contribui negativamente para o
momento da pega.
O sono
• O sono: período de recuperação da organização
cerebral.
• O ciclo de sono de um bebê dura em media 40 a
50 minutos.
• Interromper este momento de reorganização sob
o pretexto de realizar procedimentos rotineiros e
contornáveis é uma pratica que leva em conta as
necessidades da equipe e não as do bebê.
• Os resultados desse comportamento vão
repercutir negativamente no momento da
sucção, seguramente.
Agrupando rotinas
• A intensa manipulação aplicada aos RNPT numa
unidade neonatal contribui de modo impar para a
sua condição de stress.
• Pode-se dizer da manipulação: um mal
necessário.
• O agrupamento de rotinas garante uma
otimização dessas intervenções e reduz a um
nível mínimo a carga estressante desses
procedimentos.
• Agrupar rotina é barato e relativamente simples.
Agrupando rotinas
 Estabilização do bebê: contenção, posicionamento, redução de luz e som
 Com o bebê organizado, trocam-se as fraldas e o bebê se desorganiza.
 Nova estabilização: contenção, posicionamento, mantendo reduzidos os
estímulos de luz e som
 Higieniza-se o bebê, causando o mínimo de desconforto e desorganização
 Estabelece-se nova etapa de estabilização: contenção, posicionamento,
preservando reduzidos os estímulos de luz e som
 Trocam-se as roupas de cama. O bebê se desorganiza um pouco.
 Nova rotina de reorganização
 Coleta de sangue, com o cuidado de utilizar recursos não farmacológicos
para prevenção da dor. Desorganização mínima do bebê.
 Rotina de reorganização.
 Manipulação encerrada, restando ao bebê um período de descanso e
repouso protetivos e necessários.
Posicionamento no leito
• RNPT: estrutura muscular frágil, dificuldade em assumir a posição
de flexão dos 4 membros
• Posicionamento aleatório: extremamente lesivo para a harmonia do
RNPT
• Tentativas de reorganização: andar de bicicleta no ar, abrir os braços
em asa e afastar os dedinhos das mãos em sinal de stress, sensação
de estar em queda livre.
• Ninho
• Enrolamento
• Redinha
• Posicionamento de braços e pernas fletidas
• Facilitação para a sucção das próprias mãozinhas,
Ofuroterapia
• Banho de balde, ou ofuroterapia
• Mais relaxado, o bebê mama melhor, ganha mais
peso, resiste mais ao afastamento materno e às
intervenções sucessivas do cuidado
• O ambiente aquoso na temperatura semelhante à
intrauterina, a postura de flexão dos 4 membros
e a redução de estímulos nocivos de luz e som:
altamente favorecedores do sucesso para o
momento da pega
Metodologia Mãe Canguru
Eliminação dos fatores estressantes da Unidade sobre
o RN: som, luz, toque, stress, isolamento
Eliminação da distancia entre a mãe e o bebê
Maior interação em tempo integral entre mãe filho,
possibilitando a um responder às necessidades do
outro.
Maior possibilidade bilateral de confiança nas
capacidades maternais e neonatais emergentes,
proporcionando maior chance de êxito nas ações
ligadas ao aleitamento materno e como consequência,
maior possibilidade de permanência.
Héctor Martínez
Héctor Martínez
A presença materna e familiar
• A proximidade materna e familiar, visitas de
avós e irmãos : vinculo com seu ambiente
familiar.
• Possivelmente há lacunas na literatura para
mensurar a importância e a diferença causada
pela proximidade materna e familiar junto ao
bebê.
• Verdade empírica: o contato familiar favorece
as ações ligadas ao aleitamento
Intervenções voltadas para a estimulação e
proteção da sucção
• SNG x SOG
• Chupetas especiais para prematuros
• Colostroterapia oral
• Translactação
• Mama vazia
• Estimulando o contato com o seio
• O uso do copinho
SNG x SOG
SNG:
• Minimização de estímulos orais contínuos
• Redução da desorganização oral causada pela
utilização da sonda orogástrica
• Liberação da cavidade oral para a realização dos
exercícios de sucção ou avaliação da sua
funcionalidade.
Chupetas para RNPT
• IHAC preconiza a não utilização de chupetas para os
Hospitais Amigos da Criança
• Prematuridade não faz parte do escopo da IHAC
• Não existe um consenso em relação à aplicação da IHAC
para os RNPT
• Que modelo usar?
• Em quem usar?
• Quando usar?
• Por quanto tempo cada aplicação?
• Até quando?
• Sob que supervisão?
• Aguardando que resultados?
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Colostroterapia oral
• Administração desde as primeiras horas de
vida de volumes menores que 1 ml de colostro
colhido da mãe prematura e administrados na
cavidade oral destes pretermos, mesmo em
condições clinicas desfavoráveis ou
entubados, favorecendo a estimulação
imunológica desses bebês e valorizando a
maternagem
Estimular o contato como seio
• Contato com seio não significa sucção
• Contato é visual, olfativo, tátil e mesmo
auditivo (o som da respiração e do coração
materno)
• Contato não tem contra indicação, não tem
peso mínimo, IG ideal
• Contato é vinculo
• Contato é favorecedor da pega
Intervenções voltadas para o preparo
materno para o momento da amamentação
• AMenvolve mãe e bebê.
• AMemRNPT envolve o RNPT e sua mãe prematura.
• Prematuridade interfere na desorganização neuro-
endócrino-emocional da mãe prematura
• Necessidade de identificação e intervenção de ajuste
Os três níveis de cuidado materno
• Primeiro nível: iniciativa individual, subjetiva,
aleatória, não sequencial, não institucional
• Segundo nível: iniciativa institucional, embora
subjetiva, aleatória e não sequencial
• Terceiro nível: iniciativa institucional,
sequencial, objetiva, organizada e sequencial
Mãe 24 horas
• A presença da mãe 24 horas ao lado de seu
filho recupera a maternagemperdida pelos
dias de UTI
• Favorece o vinculo
• Permite o desenvolvimento das capacidades
emergentes
• Favorece a amamentação
Inclusão da mãe no cuidado
neonatal ampliado
• Aprendizado materno
• Treinamento materno
• Permite reconhecer as habilidades e as
fragilidades maternas
• Aumenta segurança materna (e clinica) da alta
Visita familiar
• Distensiona o ambiente familiar fragmentado
• Mãe, pai, irmãos, avós
• O bebê prematuro ao nascer gera uma familia
prematura que necessita de cuidados da
mesma grandeza, embora de outra ordem.
Manual instrucional
• Mapa do lugar desconhecido
• Linguagem materna
• Dicionário amigável
• Conhecimento elimina fantasmas e ruídos da
comunicação
• Favorece o apego e as técnicas da
amamentação
Encontros das famílias
• Familias se conhecem, confrontam
experiências, dividemr angustias, medos,
culpas e principalmente aprendem umas com
as experiências das outras
• Uma imensa usina da experiência humana,
composta de dor, superação, enfrentamentos,
solidariedades, catarses e marca o nascimento
de uma grande família que se apoia porque
sente as mesmas fragilidades
A orientação para a ordenha
continuada
• Ordenha seriada a cada 2 horas
• Garantir o esvaziamento mamário
• Pode ser manual, mecânica ou hibrida, associando o trabalho
das mãos à ação da máquina com resultados estatisticamente
melhores
• Sempre que houver disponibilidade, o BLH deve ser acionado
• Material de apoio: folhetos, vídeos ilustrativos e manuais
instrucionais, reuniões de lactantes
• Criar expectativas é fundamental