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Laranja Mecânica (filme)

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Laranja Mecânica

A Clockwork Orange Laranja Mecânica (PT/BR)

Mecânica A Clockwork Orange Laranja Mecânica (PT/BR) Reino Unido 1971 • cor • 136 min Produção
Reino Unido 1971 • cor • 136 min

Reino Unido 1971 • cor • 136 min

Produção

Direção

Roteiro

Elenco original

• 136 min Produção Direção Roteiro Elenco original Género Idioma original Stanley Kubrick Stanley Kubrick

Género

Idioma original

Stanley Kubrick

Malcolm McDowell Patrick Magee Michael Bates

Página no IMDb (em inglês)

Laranja Mecânica (original: A Clockwork Orange) é um filme britânico de 1971, dirigido por Stanley Kubrick, adaptação do romance homônimo de 1962 do escritor inglês Anthony Burgess. Malcolm McDowell interpreta Alex, o protagonista.

Laranja Mecânica tornou-se um clássico do cinema mundial e um dos filmes mais famosos e influentes de Kubrick. O orçamento total do filme foi de apenas 2,2 milhões de dólares. 1

A linguagem utilizada pelo personagem Alex foi inventada pelo escritor Anthony

Burgess, que misturou palavras em inglês, russo e gírias. 2

Índice

1 Enredo

2 Elenco

Enredo

A viso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo .

Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

Ambientado numa Inglaterra num futuro indeterminado, o filme mostra a vida de um jovem, chamado Alexander DeLarge, cujos gostos variam de música clássica (Beethoven), a estupro e ultraviolência. Ele é o líder de uma gang de arruaceiros, aos quais se refere como "druguis" (palavra originária do russo Drug - Друг; amigo). Alex narra a maioria do filme em "Nadsat", um idioma que mistura o russo, o inglês e o cockney (por exemplo, rozzer é polícia, drugo é amigo, chavalco é homem, moloko é leite). Alex é irreverente e abusa dos demais; mente para seus pais para faltar na escola.

Alex leva seus droogs a invadir uma casa, golpeiam um escritor que vive nela e estupram a sua esposa, enquanto Alex canta Singin' in the Rain. Depois, lida com uma tentativa de golpe de um seus droogs subordinados.

Depois de faltar às aulas, seduz a duas adolescentes em uma loja de discos; apesar de não reconhecer o nome de suas estrelas favoritas, este as leva para sua casa e tem relações sexuais com ambas.

Posteriormente, Alex é capturado durante um assalto, traído por seus droogs (um ao qual Alex tinha cortado a parte superior da mão direita por ter desrespeitado sua autoridade na gang). Alex é golpeado no rosto com uma garrafa de leite e fica cego temporariamente na cena do crime. Essa cegueira permitira sua captura. Depois de ser preso, descobre que a vítima do roubo morreu: Alex revela-se um assassino. É sentenciado a 14 anos de prisão.

Depois de ter cumprido dois anos de prisão, ele é liberado na condição de se submeter ao tratamento Ludovico, uma terapia experimental de aversão, desenvolvida pelo governo como estratégia para deter o crime na sociedade. O tratamento consiste em presenciar formas extremas de violência sob a influência de um novo soro, como ver um filme muito violento. Alex é incapaz de parar de assistir, pois seus olhos estão presos por um par de ganchos. Também é drogado antes de ver os filmes, para que associe as ações violentas com a dor que estas lhe provocam.

O tratamento o torna incapaz de qualquer ato de violência (nem mesmo em defesa

própria), bem como de tocar uma mulher nua. Como efeito secundário, também não consegue ouvir a 9ª Sinfonia de Beethoven que era sua peça favorita.

Sem a capacidade de se defender, e de ter sido desalojado por seus pais (estes alugaram

o seu quarto a um hóspede, entregado o seu aparelho de som entre outros pertences, e

aparentemente mataram Basil, sua cobra de estimação), Alex deprimido, sentindo-se abandonado e desamparado, perambula pelas ruas de Londres. Ele encontra uma velha vítima - um idoso, morador de rua - e dois de seus antigos droogs (agora policiais) que o espancam e quase o matam afogado.

Alex vaga pelos bosques até chegar à casa do escritor cuja esposa havia estuprado. O escritor o deixa entrar antes de descobrir sua identidade; logo, droga a Alex através de uma garrafa de vinho que ele o faz beber e tenta fazê-lo se suicidar tocando uma versão eletrônica da Nona Sinfonia de Beethoven. Alex se joga de uma janela, mas sobrevive.

Depois de uma grande recuperação no hospital, Alex parece ser o de antes. No hospital, o Ministro de Interior (que havia antes selecionado Alex pessoalmente para o tratamento Ludovico) visita Alex, desculpando-se pelos efeitos do tratamento, dizendo que só seguia as recomendações de sua equipe. O governo oferece a Alex um trabalho muito bem remunerado se ele aceitar apoiar a eleição do partido político conservador, cuja imagem pública se viu seriamente danificada pela tentativa de suicídio de Alex e o polêmico tratamento ao qual foi submetido. Antecipando seu regresso, Alex narra o final do filme: "Definitivamente, estava curado" enquanto se vê uma fantasia surreal dele mesmo transando com uma mulher na neve, rodeado por damas e cavaleiros vitorianos aplaudindo, e pode-se escutar o último movimento da Nona Sinfonia ao fundo.

Aviso: Terminam aqui as revelações sobre o enredo .

Aviso: Terminam aqui as revelações sobre o enredo.

Elenco

Warren Clarke

Adrienne Corri

Alex DeLarge

Sr. Alexander

Chefe dos guardas

Dim

Senhora Alexander

Carl Duering

Paul Farrell

Clive Francis

Michael Glover

Michael Tarn

Dr. Brodski

Morador de rua

Lodger

Diretor da prisão

Pete

Nomeações

Indicações

Melhor Filme

Melhor Diretor

Melhor Roteiro Adaptado

Melhor Edição

Diretor  Melhor Roteiro Adaptado  Melhor Edição Globo de Ouro 1972 (EUA) Indicações  Melhor

Indicações

Melhor Filme - Drama

Melhor Diretor

Melhor Ator - Drama (Malcolm McDowell)

BAFTA 1973 (Reino Unido)

Indicações

Melhor Filme

Melhor Diretor

Melhor Roteiro

Melhor Fotografia

Melhor Direção de Arte

Melhor Edição

Melhor Trilha Sonora

Indicações

Melhor Filme

Melhor Diretor

Ver também

Referências

2. Adoro Cinema Página visitada em 21-06-2012.

A Wikipédia possui o Portal Cinema
A Wikipédia possui o Portal Cinema

A Wikipédia possui o

Ligações externas

Cinema UOL página visitada em 31 de maio de 2010

Análise, resenha e comentários sobre o filme Laranja Mecânica

Sáb, 04/12/2010 - 16h23 Por Mari seja a primeira a comentar

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Alex, muito bem interpretado por Malcom McDowell, é um jovem rebelde, dono de uma grande inteligência, mora com os pais e seu prazer é sair à noite com seus drugues para praticar a ultra-violência, que consiste em bater em mendigos, em velhos bêbados e invadindo casas. Admirador de Ludwic Van Beethoven, engana seus pais para não ir à escola. Demonstra grande desprezo pelos homens e pela sociedade, fato que fica claro através da violência que pratica e mais ainda por seu cinismo e deboche escrachados em seus atos e em sua face.

Em uma das invasões a casas, em que a gangue bate no escritor, dono da casa, e estupra

a esposa diante do mesmo, Alex demonstra grande prazer em praticar a violência e

canta e dança enquanto o faz. O fato que o levou à prisão foi a traição de seus colegas,

componentes da gangue, num ato de violência em que invade um ?SPA? e mata uma mulher. É preso e condenado a 14 anos de prisão. Na prisão ele fica sabendo de uma experiência que está sendo implementada por um médico com a finalidade de curar os presos, os quais teriam a possibilidade de sair de lá em 1 ano e nunca mais voltar. Com seu cinismo habitual, Alex apresenta-se como voluntário do Tratamento Ludovico. O Tratamento e método do condicionamento operante Este tratamento consiste em um método de condicionamento com finalidade de afastar a pessoa da violência numa perspectiva de controle social. No tratamento, Alex é obrigado a assistir diversos filmes de violência e sexo. Para auxiliar no tratamento, recebe medicamentos que o fazem sentir-se mal durante as exibições. Assim, ele associa

o mal-estar à violência, e toda vez que pensa ou tenta a prática de algum tipo de

violência, passa mal, sentindo fortes dores e ânsia de vômito. O tratamento é considerado um sucesso e Alex é devolvido à sociedade ? no entender do Estado ? totalmente curado. Penso que a idéia inicial do filme é tratar do tema que compreende o comportamento social e como ele pode -ou não - ser condicionado. A partir daí vemos cenas onde os

membros da antiga gangue se tornaram policiais e agora encontram Alex indefeso; têm

a oportunidade de ?ir à forra? ? e vão - vingando-se dos tempos em que foram

subjugados por ele enquanto líder da gangue; em outra cena, um mendigo que sofreu

violência o reconhece, partindo pro ataque da mesma forma em que foi agredido e várias outras cenas, onde ele sofre a violência sem poder reagir aos ataques. Embora antigo, o filme é ainda muito atual, mostrando os métodos e estratégias utilizados na política, em nome de ideologias de partido que benefeciam interesses próprios e não de uma sociedade, a guerra pelo poder, a manipulação de informação e a força da mídia, além do abuso de poder da força policial. Entendemos que Laranja Mecânica se refere à transformação do homem como ser natural, em uma criatura mecânica, condicionada conforme os interesses da sociedade. Comentário muito pessoal Vejo esse filme como uma crítica ao behaviorismo, onde busca mostrar os pontos fracos. A experiência com Alex, mantendo-o preso numa camisa de força, com ganchos nos olhos, sem a possibilidade de fechá-los, já é, por si só, uma forma de violência. Ainda fica o questionamento: Até onde podemos ir com o condicionamento do comportamento humano? Essa prática é ética ou moral? Onde a violência é maior? Nas atitudes dos jovens ou nas do Estado? Podemos, em nome de quê, combater violência com mais violência? É uma sátira, não só ao Behaviorismo, mas também à sociedade e seus segmentos familiar, religioso, político e social mesmo, com os seus comportamentos nem sempre éticos ou morais e sempre em nome de algo grandioso e nem sempre verdadeiro ou plausível. No final, Alex volta ao normal, mostrando a inviabilidade de tal projeto. Talvez, descartando-se a ética e a moral, se houvesse a continuidade do reforço, realmente o tratamento poderia ter sido um sucesso, mas o questionamento feito anteriormente permanece: Podemos combater violência com mais violência? De quem seria a violência maior?

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Resenha Crítica - Filme: Laranja Mecânica

Enviado por LittleMonster, nov. 2011 | 2 Páginas (260 Palavras) | 9 Consultas

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4.51

1

2

4

5

(1)

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SIMON DIZ, “CLIQUE ABAIXO."

Laranja Mecânica é um filme britânico de 1971, dirigido por Stanley Kubrick. Trata-se de um filme que mostra a vida de um jovem chamado Alexander DeLarge, adorador de musica clássica, violência e estupros. Após ser preso durante um de seus assaltos, é submetido a um tratamento experimental, desenvolvido pelo governo, na prisão. O tratamento consiste em uma punição psicológica, onde o jovem é drogado antes de assistir filmes extremamente violentos com musica clássica como trilha sonora, para que ligue as imagens às dores que elas provocam. Este tratamento faz com que Alex se torne incapaz de praticar qualquer ato de violência, e como efeito secundário, também não consegue escutar a Nona Sinfonia de Beethoven, que antes era sua preferida. É um filme bastante violento, fisicamente e psicologicamente, com linguajar próprio, e roupas da época, o que o torna interessante. As cenas de violência gratuita, assaltos e estupros chocam por serem feitos com muita “normalidade” e prendem a atenção de quem está assistindo, ainda mais por se encaixar com o que acontece na nossa sociedade, que por serem tantos casos, tantas vezes, acabam sendo deixados de lado, como se as pessoas apenas esperassem pela próxima tragédia. Também retrata a ação do governo na prisão, com um tratamento experimental, mostrando ser tão violento quanto às delinquências praticadas pelo personagem principal e sua gangue, por ser algo que tira o livre arbítrio, que tem o propósito de mudar e controlar. Após Alex ser solto, e a sociedade que o considerava violento, o recebe com a mesma violência.

Laranja Mecânica sob um olhar da psicologia

Nota: O texto que segue é resultado de um trabalho realizado no 3º período do

Nota: O texto que segue é resultado de um trabalho realizado no 3º período do meu curso de Psicologia. Talvez, se escrito hoje (em que me encontro indo para o 8º período), algumas das minhas posições fossem outras, mas creio ser interessante pensar o filme “Laranja mecânica” com base em teorias psicológicas, como a Psicanálise (fundada por Sigmund Freud) e o Behaviorismo (no presente caso, o Behaviorismo Clássico ou Metodológico, de Watson), mesmo que se firme em idéias superficiais (meu conhecimento sobre tais teorias, na época, não me permitiam grandes reflexões). Espero que aproveitem esse texto inicial e, que fique claro, essa seção não trará uma linearidade de temas, estilos, formas de escrever, afinal, o cinema nos permite o movimento, a inconstância, as inúmeras possibilidades, podendo estar presente desde um trabalho acadêmico até receitas culinárias.

Ao som de Beethoven e outros clássicos, deparamo-nos com as cenas do polêmico filme Laranja Mecânica (“A clockwork orange”, 1971), do diretor Stanley Kubrick. Um horrorshow, usando um próprio termo de Alex (Malcolm McDowell), ou uma realidade que preferimos taxar como inexistente, por ser tão difícil de admitir? Tentaremos abordar alguns de seus principais aspectos, sobre a ótica da psicanálise e do behaviorismo.

Um bêbado, quatro jovens e a noite silenciosa, importunada apenas pelos cantos do velho bêbado. “A lei e a ordem não existem mais”, podemos retirar de seu discurso contra a sociedade vigente (uma sociedade hipotética do século XXI), que “permite” que as gangues possam agir livremente, pois, como o velho diz, não existe mais ordem nem leis. Alex e seus “drugues” (gíria originada do russo ‘droogs’, que designa um grupo de jovens delinqüentes) agiam, então, como bem desejavam.

Vindo de uma família aparentemente de classe média, na qual os pais não sabiam do que se passava com ele ao cair da noite, julgavam estar ele trabalhando; um

rapaz com gostos excêntricos na arte e nas palavras; fanático por Ludwing Van, enfim, essa é uma parte do protagonista Alexander Delarge, que age sem escrúpulos até mais ou menos os 43 minutos de filme, que é quando é traído por seus “druguinhos” e se vê preso. A prisão significaria para ele deixar de cometer tais atos de violência, talvez não em pensamento, deixar de cometer a “velha ultraviolência” diária. Logo, usa de todos os meios para que sua pena seja reduzida: vira um adepto da Bíblia, o Bom Livro, não deixando de ter pensamentos perversos e violentos enquanto parecia rezar e refletir sobre seus erros.

Eis que surge a oportunidade de se ver novamente livre em menos de um mês, com o novo tratamento do Centro Médico Ludovico, que iria recrutar um dos prisioneiros para servir de cobaia no estudo da técnica Ludovico. Nessa técnica, o mal seria transformado em bem, política essa recentemente adotada pelo governo. Mas o padre da prisão não se vê muito convencido, pois de acordo com ele “a bondade vem de dentro, (…) quando um homem não pode escolher, deixa de ser homem”. O mal não poderia ser assim tão facilmente extirpado, pois estaria dentro da pessoa, agindo de acordo com suas vontades.

Alex é então levado para o Centro Médico, pois ao Ministro parecia ter as características necessárias para o tratamento. Alex, no entanto, não fazia idéia de como se realizaria o experimento.

O tratamento consistia na visualização de imagens que retratavam a violência de

todas as formas, passadas em um grande telão em cores e sons. O paciente era obrigado a olhar as cenas, pois seus olhos estavam impedidos de se fecharem. Como se pelo efeito das vitaminas (que na verdade não eram vitaminas, mas substâncias em fase de treinamento), Alex começa a passar mal ao assistir tais cenas. Foi acometido de um grande desconforto, e pedia que o deixassem vomitar, pois não passava bem. Essa era a intenção do tratamento, fazer com que o paciente tivesse a sensação de terror e desamparo, pois aí “fará as associações mais proveitosas entre o catastrófico ambiente da experiência e a violência que presencia”, de acordo com o Dr. Brodsky.

A partir daí, percebemos que o tratamento consistia em um condicionamento

behaviorista, no qual o paciente faria a associação da violência com o desconforto

que sentia, sendo impelido de agir violentamente, e até mesmo de revidar, caso alguém o atacasse. O padre, ainda repudiando a técnica, coloca que Alex “deixa de ser um malfeitor, mas deixa também de ser uma criatura capaz de escolhas morais”, pois agora estaria agindo de acordo com condicionamentos, deixando de agir por vontade própria.

Podemos supor então um controle da subjetividade, porém superficial, “pois o inconsciente de Alex permanece o mesmo de outrora, quando saía às ruas mascarado, acompanhado de seus drugues, assaltando, espancando, estuprando e matando pessoas”. O seu inconsciente não seria atingido, mas ele agiria em contradição com ele, pois agora fora condicionado.

Ao falar de inconsciente, poderíamos começar então a perceber alguns aspectos que poderiam ser trabalhados pela psicanálise no filme, tendo talvez como pontos principais a questão da agressividade, do sadismo, as alusões à sexualidade e o tratamento utilizado para reintegrar Alex na sociedade.

A partir de uma fala do agente correcional do jovem Alex, de que ele teria um bom lar, pais carinhosos, um cérebro bom, por isso não teria motivos

para usar de tais maneiras violentas, podemos pensar no porquê dele agir assim.

Pode-se supor que as atitudes de Alex revelam certa insatisfação dele para com a sociedade na qual se vê obrigado a estar, uma sociedade que se utiliza de métodos para “conter o indivíduo” e assim manter o equilíbrio social como um todo. Vemos em Freud (1931) que “a civilização tem de utilizar esforços supremos a fim de estabelecer limites para os instintos agressivos do homem”. Assim, o protagonista

poderia estar se dirigindo contra ela para conservar o próprio eu de uma autodestruição causada pelo instinto de agressividade quando este é restrito ou impedido de se manifestar para fora do organismo. Todos têm a agressividade dentro de si, mas a civilização utiliza meios que tentam transformar essa agressividade de forma que não afete sua estrutura e sua ordem.

Alex despejava toda a sua agressividade nos outros, naqueles que pouco lhe agradavam, pensando assim estar agindo contra a sociedade. Ao punir Alex, ou qualquer outro como ele, “espera-se impedir os excessos mais grosseiros da violência brutal por si mesma, supondo-se o direito de usar a violência contra os criminosos; no entanto, a lei não é capaz de deitar a mão sobre as manifestações mais cautelosas e refinadas da agressividade humana” (Freud, 1931), pois, como expomos anteriormente, a interferência será somente superficial, já que seu inconsciente permanecerá intocável.

Seria Alex, além disso, um sádico? Ao passo que ele sentia prazer no que fazia, prazer em ver as pessoas gritando de dor, em fazê-las sentir dor e também nas inúmeras referências ao sexo que ele próprio faz durante o filme quase sempre o ligando à violência, à dor, e Freud (1931) afirma ser o sadismo um instinto componente da sexualidade. Até mesmo em seu tratamento ele foi condicionado a sentir um horrível mal-estar não só ao expressar sua agressividade no outro como também ao próprio sexo, o que poderia nos fazer pensar ser este também uma forma de agressividade para Alex, já que era nesta que ele sentia prazer.

O fator “sexualidade” aparece, geralmente em forma de alusão, em algumas cenas do filme, estando presente de diversas formas na vida do protagonista. Reparamos, por exemplo, na cobra de estimação dele, que em uma das cenas se encontrava enquadrada como se nos órgão feminino de uma das pinturas do quarto de Alex.

Percebemos também os picolés em formato fálico que as garotas da loja de discos estavam chupando; a estátua de uma mulher que jorrava bebidas alucinógenas pelos seios, podendo ser uma comparação com a maternidade (“uma ‘mãe’ como fonte da violência, a violência como instinto natural?”), ou ainda as diversas obras de arte que fazem referência explícita à sexualidade, e as próprias máscaras usadas por Alex e seus companheiros de gangue, que também apresentavam um formato fálico. Daria muito pano para manga, se Freud pudesse analisar esses fatores na vida do “problemático” Alex.

Podemos usar o tratamento utilizado em Alex para fazer um paralelo com o tratamento que possivelmente a psicanálise se utilizaria. Em vez de um tratamento

que se apoiava na crença de ser o homem condicionável tal e como os animais, a psicanálise provavelmente iria em busca da história de vida desse homem, dos acontecimentos de sua infância, da sua relação com os

pais, da interpretação de seus sonhos e pensamentos, fatores totalmente ignorados no tratamento behaviorista, que se preocupa exclusivamente com o comportamento observável (o Behaviorismo Clássico), já que negam a introspecção como fator de estudo.

Com a psicanálise poderíamos acessar, mesmo que de forma superficial, uma parte do inconsciente de Alex, tentar encontrar ali as causas para sua personalidade transviada, ou ao menos descobrir as facetas de “suas personalidades”, pois ele não seria o mesmo em casa e na rua (utilizando-se até mesmo de máscaras para agir livremente em uma de suas personalidades). Talvez assim ele pudesse ser um pouco compreendido, ou não. Só podemos supor que, no tratamento psicanalítico, Alexander não seria visto como um ser domesticável, recebendo estímulos e respondendo satisfatoriamente a eles, como se tentou com o tratamento utilizado no Centro Médico Ludovico.

Pensamos que cada ser possui sua individualidade, e por mais que seus comportamentos sejam desprezíveis aos olhos da sociedade, não podemos tirar dele as suas opções de escolha, seu direito de exercer sua humanidade, pois ele não é feito somente de comportamentos observáveis, mas de complexidades que provavelmente ninguém possa explicar ao certo. Não seria através de condicionamentos que o “mal” daria lugar ao “bem” na sociedade, pois somos feitos de ambos os opostos.

Ana Clara Martins

Junho de 2010

1 Fonte: http://www.facom.ufba.br/com022/cyborg/pglrjmec.html

2 Fonte: http://artigos.com/artigos/artes-e-literatura/a-clockwork-orange-%10-

laranja-mecanica-de-burgess-e-kubrick-2003/artigo/

3 Fonte: http://artigos.com/artigos/artes-e-literatura/a-clockwork-orange-%10-

laranja-mecanica-de-burgess-e-kubrick-2003/artigo/

3 Fonte: http://artigos.com/artigos/artes-e-literatura/a-clockwork-

orange-%10-laranja-mecanica-de-burgess-e-kubrick-2003/artigo/

orange-%10-laranja-mecanica-de-burgess-e-kubrick-2003/artigo/   http://www.filmologia.com.br/?page_id=342

orange-%10-laranja-mecanica-de-burgess-e-kubrick-2003/artigo/   http://www.filmologia.com.br/?page_id=342

ESTAMOS PREPARADOS?

.

Orange), de Stanley Kubrick 1 set ESTAMOS PREPARADOS? . Laranja Mecânica é um filme de Stanley

Laranja Mecânica é um filme de Stanley Kubrick, lançado em 1971 e baseado no livro de Anthony Burgess. É uma obra original, extravagante e bastante crítica. Recebeu alguns prêmios como, Melhor Filme e Melhor Direção pela Associação dos Críticos de Cinema de Nova York e recebeu quatro indicações ao Oscar, entre elas, Melhor Filme.

Alex (Malcolm McDowell) é o líder de uma gangue de jovens. Suas atividades são roubar, espancar, estuprar, entre outras. Em uma das ações da gangue o líder, Alex, é pego pela polícia. Na cadeia ele descobre que há um novo método, ainda em teste, para eliminar intenções criminosas e sentimentos ruins de pessoas que estão na prisão por diversos motivos. Alex se candidata a ser cobaia desta nova experiência e, assim, começa sua jornada psicológica.

Após ser exposto a cenas de violência, com os olhos abertos por um equipamento e um médico colocando remédio em seus olhos, durante horas e dias seguidos, ele foi solto às ruas com o seguinte diagnóstico: curado. Mas apesar de sair notícias nos jornais sobre sua cura, ele percebeu que a sociedade não estava pronta para receber um assassino curado de volta às ruas.

pronta para receber um assassino curado de volta às ruas. A principal questão do filme é:

A principal questão do filme é: A sociedade é capaz de perdoar criminosos e aceitá-los de volta ao convívio? Ao repreender um assassino, que cumpriu sua pena e foi diagnosticado como uma pessoa curada, da mesma forma que este criminoso repreendia suas vítimas, não estaremos nos tornando o mesmo que o ex-prisioneiro foi um dia? Se o governo criar uma forma de reeducar assassinos, estupradores, bandidos, ou seja, criminosos em geral, que realmente funcione, seríamos capazes de aceitá-los de volta?

Enfim, é um filme brilhante que vale a pena assistir e refletir sobre os temas abordados. Sem falar que a atuação de Malcolm McDowell é perfeita. Não poderia deixar de citar que a linguagem

de Alex foi criada pelo autor Anthony Burgess e é uma mistura de inglês, russo e gírias. O filme é originalidade do início ao fim, em todos os detalhes.

O filme Laranja Mecânica é um clássico do cinema mundial, inspirado no livro A Laranja Mecânica do escritor Anthony Burgess. O filme causou grande polêmica na época, por causa da alta carga de violência presente no longa. Para os cinéfilos e adoradores do diretor Stanley Kubrick é um filme que precisa ser visto, por se tratar de um de seus melhores trabalhos.

Resumo

por se tratar de um de seus melhores trabalhos. Resumo A história se passa na Inglaterra,

A história se passa na Inglaterra, em um tempo não determinado, e conta a vida de Alexander DeLarge. Alex é um jovem amante de música clássica, em especial de Beethoven, e de violência. É também o líder de uma gang, que além de enfrentar outras gangues, roubam casas, cometem estupros e batem em mendigos. Durante um assalto, Alex é preso e sentenciado a 14 anos de prisão, porém é libertado com a condição de se submeter a uma terapia experimental desenvolvida pelo governo para recuperar criminosos. Tal tratamento o torna incapaz de qualquer ato de violência, mesmo que seja em defesa própria.

ato de violência, mesmo que seja em defesa própria. Direção O Diretor Stanley Kubrick é um

Direção

O Diretor Stanley Kubrick é um dos cineastas mais importantes de todos os tempos. Começou sua carreira aos 22 anos, e sempre prezou muito por sua liberdade criativa.

Sua filmografia não é tão grande, pois devido a seu conhecido perfeccionismo, suas produções demoravam muito a ser concluídas. Seu último trabalho foi “De olhos bem abertos”, do qual Stanley não teve tempo de ver a repercussão. Faleceu um pouco antes do lançamento, enquanto dormia.

Elenco e Premiações

O protagonista Alex é interpretado por Marcolm McDowell, em uma de suas melhores

performances no cinema. Os pais de Alex são interpretados por Patrick Magee e Adrienne Corri. Michael Glover, como diretor da prisão e Michael Bates como chefe dos guardas. O filme recebeu quatro indicações ao Oscar, três para o Globo de Ouro e 7 para o BAFTA.

O filme é ao mesmo tempo intrigante e divertido. Com uma fotografia impecável e

atuações idem. Impossível de passar despercebido, e de fato não passou.

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