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A SÍNDROME DA ALIENAÇÃO PARENTAL

O Bullying nas relações familiares e papel do Judiciário

MORAES,Givanilde Santos ( G/FINAN)

RESUMO: Evidenciar os resultados da síndrome de alienação parental sob a luz da Ciência Juridica. Identificar determinantes causas que desencadeiam o processo de alienação parental. Entende-se que há diferentes graus de extensão da alienação parental, entre eles leves, médios, e graves. Meios de identificar a alienação parental, e até mesmo como identificá-la, conseqüência da alienação parental, e o papel do judiciário na alienação parental.

INTRODUCÃO

Muitos de nós já ouvimos falar em conflitos familiares e da violência interpessoais quando da separações entre casais, sendo esta mais comum com a dissolução litigiosa, onde por vingança ou descontentamento com fim da união, um dos genitores seja ele o pai ou a mãe, normalmente o detentor da guarda, vê na criança ou adolescente uma forma de atingir o ex-cônjuge. Uns chamam de síndrome de alienação parental, outros, de bullying familiar, ou ainda implantação de falsas memórias.

CONCEITO

A alienação parental ocorre geralmente, após a separação do casal, e é praticada pelo cônjuge detentor da guarda, que passa a manipular o(a) filho(a), com intuito de despertar nele(a) o ódio pelo ex-parceiro, por conseguinte afastá-lo deste. A criança envolvida nesta situação passa a apresentar apego excessivo em relação ao alienante, afastando-se do outro genitor (alienado) com quem não deseja manter nenhum contato. Trata-se de um processo patológico, identificado pelo professor de Psiquiatria Infantil da Universidade de Columbia (EUA), Richard Gardner em 1985, que se desenvolve em três estágios: podendo ser leve, moderada e grave. Mas sem duvida, a alienação atinge seu ápice quando ocorrem tragédias como o assassinato

de um dos genitores pelo ex-cônjuge, do (a) filho (a), ou ainda, quando ocorre o suicídio.

ALIENAÇÃO PARENTAL E O CÔNJUGE DETENTOR DA GUARDA

Segundo Maria Berenice, o detentor da guarda, ao destruir a relação do filho como o outro, assume o controle total. Tornam-se unos, inseparáveis. O pai passa a ser considerado um invasor, um intruso a ser afastado a qualquer preço. Este conjunto de manobras confere prazer ao alienador em sua trajetória de promover a destruição do antigo parceiro.

Afirma ainda que: Neste jogo de manipulações, todas as armas são utilizadas, inclusive a assertiva de ter sido o (a) filho(a) vítima de abuso sexual. A narrativa de um episódio durante o período de visitas que possa configurar indícios de tentativa de aproximação incestuosa é o que basta. Extrai-se deste fato, verdadeiro ou não, denuncia de incesto. O filho é convencido da existência de um fato e levado a repetir o que lhe é afirmado como tendo realmente acontecido. Nem sempre a criança consegue discernir que está sendo manipulada e acaba acreditando naquilo que lhes foi dito de forma insistente e repetida. Com o tempo, nem a mãe consegue distinguir a diferença entre verdade e mentira. A sua verdade passa a ser verdade para o filho, que vivem como falsos personagens de uma falsa existência, implantando-se assim, falsas memórias.

Assim nessa trajetória, o alienante agressor acaba fazendo duas vítimas: a criança, que é constantemente colocada sob tensão e programada para odiar o outro genitor, sofrendo profundamente durante o processo; o ex-cônjuge, que sofre com os constantes ataques e que, ao ter sua imagem completamente destruída perante o filho, amarga sofrimento intenso.

O bullying familiar ou bullying nas relações familiares é uma das varias formas do bullying, fenômeno esse que consiste em agressões repetidas sem qualquer justificativa, visando colocar a vítima em constante estado de tensão.

Na lição de Lélio Braga Calhau, estudioso e combatente do fenômeno, o “bullying é um assédio moral que se manifesta em atos de desprezar, denegrir,

violentar, agredir e destruir a estrutura psíquica de outra pessoa, em motivação alguma e de forma repetida”.

A Síndrome da Alienação Parental nada mais é, portanto, que o bullying familiar ou bullying nas relações familiares, pois o agressor acaba colocando o filho e o ex-cônjuge em constante estado de tensão, imputando terrível sofrimento a ambos. Ainda que o agressor não tenha a intenção de atingir a criança, é inequívoco que, nesta prática abominável, ela é profundamente atingida.

São sinais de alerta aos pais que podem indicar ou identificar quando os filhos podem estar sendo vítimas da alienação parental, em menor ou maior grau o risco da rejeição paterna ou materna, quando o alienante:

risco da rejeição paterna ou materna, quando o alienante: Exclui o outro genitor da vida dos

Exclui o outro genitor da vida dos filhos

o

Não

comunica

ao

outro

genitor

fatos

importantes

relacionados à vida dos filhos (escola, médico, comemorações, etc.).

o Toma decisões importantes sobre a vida dos filhos, sem prévia consulta ao outro cônjuge (por exemplo: escolha ou mudança de escola, de pediatra, etc.).

o Transmite

seu

desagrado

diante

da

manifestação

de

contentamento externada pela criança em estar com o outro genitor.

Interfere nas visitasexternada pela criança em estar com o outro genitor. o Controla excessivamente os horários de visita.

o Controla excessivamente os horários de visita.

o Organiza diversas atividades para o dia de visitas, de modo a torná-las desinteressantes ou mesmo inibi-la.

o Não permite que a criança esteja com o genitor alienado em ocasiões outras que não aquelas prévia e expressamente estipuladas.

outras que não aquelas prévia e expressamente estipuladas. Ataca a relação entre filho e o outro

Ataca a relação entre filho e o outro genitor

o Recorda à criança, com insistência, motivos ou fatos ocorridos que levem ao estranhamento com o outro genitor.

o Obriga a criança a optar entre a mãe ou o pai, fazendo-a tomar partido no conflito.

o Transforma a criança em espiã da vida do ex-cônjuge.

o Quebra, esconde ou cuida mal dos presentes que o genitor alienado dá ao filho.

o Sugere à criança que o outro genitor é pessoa perigosa.

Denigre a imagem do outro genitorSugere à criança que o outro genitor é pessoa perigosa. o Faz comentários desairosos sobre presentes

o Faz comentários desairosos sobre presentes ou roupas compradas pelo outro genitor ou mesmo sobre o gênero do lazer que ele oferece ao filho.

o Critica a competência profissional e a situação financeira do ex-cônjuge.

o Emite falsas acusações de abuso sexual, uso de drogas e

álcool.

As consequências para a criança alienada:

Apresenta um sentimento constante de raiva e ódio contra o genitor alienado e sua família.e álcool. As consequências para a criança alienada : Se recusa a dar atenção, visitar, ou

Se recusa a dar atenção, visitar, ou se comunicar com o outrode raiva e ódio contra o genitor alienado e sua família. genitor. Guarda sentimentos e crenças

genitor.

Guarda sentimentos e crenças negativas sobre o outro genitor, que são inconsequentes, exageradas ou inverossímeis com a realidade.dar atenção, visitar, ou se comunicar com o outro genitor. Crianças Vítimas de SAP (Síndrome da

Crianças Vítimas de SAP (Síndrome da Alienação Parental) são mais propensas a:

Apresentar distúrbios psicológicos como depressão, ansiedade e(Síndrome da Alienação Parental) são mais propensas a: pânico. Utilizar drogas e álcool como forma de

pânico.

Utilizar drogas e álcool como forma de aliviar a dor e culpa dapsicológicos como depressão, ansiedade e pânico. alienação. Cometer suicídio. Apresentar baixa

alienação.

Cometer suicídio.álcool como forma de aliviar a dor e culpa da alienação. Apresentar baixa auto-estima. Não conseguir

Apresentar baixa auto-estima.forma de aliviar a dor e culpa da alienação. Cometer suicídio. Não conseguir uma relação estável,

Não conseguir uma relação estável, quando adultas.drogas e álcool como forma de aliviar a dor e culpa da alienação. Cometer suicídio. Apresentar

Possuir problemas de gênero, em função da desqualificação do genitor atacado. O que diz a

Possuir problemas de gênero, em função da desqualificação do genitor atacado.

O que diz a legislação a respeito?

Recentemente foi sancionada a Lei da Alienação Parental, datada de 26 de agosto de 2010, que alterou o art. 236 do ECA Estatuto da Criança e do Adolescente, pode se dizer que é o maior marco na história da luta pela Igualdade Parental no Brasil. A ONG APASE - Associação de Pais e Mães Separados, a primeira entidade, criada há 13 anos, para lutar pelas famílias brasileiras, é a Autora do Ante-projeto da Lei da Alienação Parental, assim como da Lei da Guarda Compartilhada.

O que é alienação parental a luz da nova lei?

A lei 12.318/2010 considera alienação parental "a interferência na formação psicológica" para que a criança "repudie genitor” ou “que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos".

O que a lei cita como exemplos de alienação parental?

- Realizar campanha de desqualificação do genitor

- Dificultar o exercício da autoridade parental

- Dificultar contato da criança ou adolescente com o genitor

- Dificultar a convivência familiar

- Omitir ao genitor informações relevantes sobre a criança ou adolescente (questões escolares ou endereço, por exemplo)

- Apresentar falsa denúncia contra o genitor para dificultar a convivência

- Mudar de domicílio sem justificativa para dificultar a convivência

O que muda caso haja constatação de alienação parental?

Se o juiz declarar indício de alienação parental a ação passa a ter tramitação prioritária e o juiz determinará medidas para preservação da integridade psicológica da criança. É preciso laudo de perito judicial ou equipe multidisciplinar que constate a alienação parental.

Quais as medidas que podem ser adotadas pelo juiz?

- Advertir o alienador

- Ampliar a convivência familiar em favor do genitor prejudicado

- Estipular multa ao alienador

- Determinar alteração para guarda compartilhada ou inverter a guarda

- Determinar a fixação do domicílio da criança ou adolescente

- Em casos extremos até declarar a perda do poder familiar.

Como se pode verificar, mesmo ante a publicação da nova lei, o judiciário atendendo aos princípios do Estatuto da Criança e Adolescente, vem dando guarita aos casos relevante, conforme as jurisprudências a seguir expostas:

REGULAMENTAÇÃO DE VISITAS. SÍNDROME DA ALIENAÇÃO PARENTAL- Evidenciada o elevadíssimo grau de beligerância existente entre os pais que não conseguem superar suas dificuldades sem envolver os filhos, bem como a existência de graves acusações perpetradas contra o genitor que se encontra afastado da prole há bastante tempo, revela-se mais adequada a realização das visitas em ambiente terapêutico. Tal forma de visitação também se recomenda por haver a possibilidade de se estar diante de quadro de síndrome da alienação parental. Apelo provido em parte. (SEGREDO DE JUSTIÇA) (Apelação Cível Nº 70016276735, Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator:

Maria Berenice Dias, Julgado em 18/10/2006) SAP - acórdão-2006_1117310.pdf.

GUARDA. SUPERIOR INTERESSE DA CRIANÇA. SÍNDROME DA ALIENAÇÃO PARENTAL - Havendo na postura da genitora indícios da presença da síndrome da alienação parental, o que pode comprometer a integridade psicológica da filha, atende melhor ao interesse da infante, mantê-la sob a guarda provisória da avó paterna. Negado provimento ao agravo. SAP acórdão 006_517544.pdf

APELAÇÃO CÍVEL. MÃE FALECIDA. GUARDA DISPUTADA PELO PAI E AVÓS MATERNOS. SÍNDROME DE ALIENAÇÃO PARENTAL DESENCADEADA PELOS AVÓS. DEFERIMENTO DA GUARDA AO PAI. 1. Não merece reparos a sentença que, após o falecimento da mãe, deferiu a guarda da criança ao pai, que demonstra reunir todas as condições necessárias para proporcionar a filha um ambiente familiar com amor e limites, necessários ao seu saudável crescimento. 2. A tentativa de invalidar a figura paterna, geradora da síndrome de alienação parental, só milita em desfavor da criança e pode ensejar, caso persista, suspensão das visitas aos avós, a ser postulada em processo próprio. NEGARAM PROVIMENTO. UNÂNIME. (Apelação Cível Nº 70017390972, Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Luiz Felipe Brasil Santos, Julgado em 13/06/2007) SAP -

acórdão-2007_704585.pdf

AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE EXECUÇÃO DE FAZER. IMPOSIÇÃO À MÃE/GUARDIÃ DE CONDUZIR O FILHO À VISITAÇÃO PATERNA, COMO ACORDADO, SOB PENA DE MULTA DIÁRIA. INDÍCIOS DE SÍNDROME DE ALIENAÇÃO PARENTAL POR PARTE DA GUARDIÃ QUE RESPALDA A PENA IMPOSTA. RECURSO CONHECIDO EM PARTE E DESPROVIDO. (SEGREDO DE JUSTIÇA) (Agravo de Instrumento Nº 70023276330, Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Ricardo Raupp Ruschel, Julgado em 18/06/2008) SAP - acórdão-2008_774798.pdf

DESTITUIÇÃO DO PODER FAMILIAR. ABUSO SEXUAL. SÍNDROME DA ALIENAÇÃO PARENTAL - Estando as visitas do genitor à filha sendo realizadas junto a serviço especializado, não há justificativa para que se proceda a destituição do poder familiar. A denúncia de abuso sexual levada a efeito pela genitora, não está evidenciada, havendo a possibilidade de se estar frente à hipótese da chamada síndrome da alienação parental. Negado provimento. (SEGREDO DE JUSTIÇA) (Agravo de Instrumento Nº 70015224140, Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça

do RS, Relator: Maria Berenice Dias, Julgado em 12/07/2006)

acórdão-2006_669362.pdf

SAP FDAS -

Diante das gravíssimas conseqüência dessa pratica nefasta, portanto cabe ao judiciário, quando identificados os elementos que caracterizam, determinar medidas que se fizerem necessárias para assegurar à criança um desenvolvimento saudável, valendo-se agora da legislação já regulamentada para punir a interferência promovida por um dos genitores na formação psicológica da criança por prejudicar sua com relação com o seu pai ou mãe, privando-o do direito ao amor e carinho deste.

Como se pode perceber os efeitos dessa abominável pratica provoca profundo danos psíquicos na criança, que dependendo da sua formação pode ser até irreparáveis, o fato as crianças manipuladas não conhecerem a teoria da alienação parental não evita as marcas profunda que esta questão deixa sobre eles para toda a vida, infelizmente a criança é levada a odiar ou a rejeitar o pai ou a mães que ele tanto amava, devido a estas acusações infundadas. Já se sabe que a depressão crônica e a incapacidade de adaptação social pode ser fardo a carregar por toda uma vida por estas crianças. Elas perdem os interesse nas aulas, afastam- se dos coleguinhas, alguns fogem de casa, em caso mais extremos e não raros pode levá-los para as drogas e a exploração sexual.

CONCLUSÃO

Conclui-se, portanto, o que evita que tenhamos crianças exposta a esta situação é a consciência dos pais, este é o fator principal, porém, nem sempre é isso o que ocorre, pois os responsáveis que praticam a alienação nem sempre tem consciência dos prejuízos que estão causando a estas crianças, talvez, quando passarem a ter essa consciência pode ser muito tarde, pois as vidas dos filhos já foram atingidas.

Referências:

http://www.apase.org.br/- acesso em: 23 out. 2010.

Lei nº 12.318, de 26 de agosto de 2010. Dispõe sobre a alienação parental e altera o art. 236 da Lei n o 8.069, de 13 de julho de 1990.

DIAS, Maria Berenice. Síndrome da alienação parental, o que é isso? . Jus Navigandi, Teresina, ano 10, n. 1119, 25 jul. 2006. Disponível em:

<http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=8690>. Acesso em: 24 out. 2010.

DIAS, Arlene Mara de Souza, Alienação parental e o papel do judiciário, revista jurídica consulex, Brasília, ano XIV, nº 321, p. 46 47, Jun. 2010.

SEGUNDO, Luiz Carlos Furkim Vieira, Síndrome da alienação: o bullying nas

relações familiares, revista jurídica consulex, Brasília, ano XIV, nº 314, p. 66, fev.

2010.

CALHAU, Lélio Braga. Bullying: o que você precisa saber. Rio de Janeiro:

Impetus, 2009, p.6.