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Distritos municipais como híbridos rurais-urbanos: o caso do Distrito de Uvaia – Ponta Grossa - PR

Marcia Alves Soares da Silva Mestranda em Geografia na Universidade Federal Fluminense (mah.geo@live.com) Leonel Brizolla Monastirsky Prof. Dr. da Universidade Estadual de Ponta Grossa (leonel@uepg.br)

Resumo: Com a escassa produção acadêmica sobre “distritos municipais”, há dificuldades de perceber os sujeitos envolvidos nesse contexto, o que legitima a emergência de estudos que deem visibilidade aos atores sociais incorporados nesse processo de hibridismo cultural. A presente pesquisa foi iniciada em um Projeto de Iniciação Científica e defesa de Monografia na UEPG e teve como metodologia, além de análises bibliográficas, entrevistas e questionários com os moradores do Distrito de Uvaia, em Ponta Grossa – PR, buscando compreender como os mesmos se percebem nesse contexto híbrido. Contudo as entrevistas não serão abordadas no presente trabalho, já que o objetivo é discutir a questão conceitual sobre distritos municipais, tendo como exemplo o Distrito de Uvaia, além de ser pertinente a discussão sobre o que é rural e urbano, ou campo e cidade, dentro da Geografia e ciências afins.

Palavras-chave: distritos municipais; rural-urbano; campo-cidade; hibridismo cultural;

Uvaia.

Introdução

A temática “distritos municipais”, atualmente é pouco discutida, principalmente no

âmbito da Geografia, na qual há restritas produções acadêmicas sobre a questão,

dificultando assim os estudos e a visibilidade dos sujeitos envolvidos nesse contexto.

Dessa maneira, é relevante analisar e discutir os distritos municipais a partir de

estudos que contemplem abordagens acerca da relação dialética entre o campo-cidade e

rural-urbano, já que os distritos podem ser considerados como híbridos rurais-urbanos, ou

seja, locais de transição, já que mantém em seu contexto relações presentes tanto no

campo quanto na cidade.

Além da questão locacional, o modo de vida dos moradores distritais (hábitos,

anseios, cotidiano, ideologias) transitam nesses dois espaços geográficos (campo e

cidade), principalmente pela falta de infraestrutura nos distritos, onde os moradores

necessitam ir aos distritos sedes para usufruir de serviços básicos. Essa interação com o

cotidiano urbano os aproximam das “modernidades” da cidade, sejam elas materiais

(equipamentos eletrônicos, informática, comunicação, etc), quanto imateriais (serviços,

moda, comportamento, valores, interesses). O anseio e interesses em possuir essas

“modernidades” também é veiculada pelos meios midiáticos, como televisão e internet,

que na visão dos moradores distritais representam uma melhor qualidade de vida

(MONASTIRSKY et al, 2009).

Nesse viés, a mídia, a publicidade, as informações possuem um relevante papel

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frente às mudanças culturais contemporâneas. Dentro da dinâmica e da lógica capitalista, as culturas e as relações sociais, são influenciadas a todo o momento pela indústria do consumo e pela propagação de informações através da mídia.

A mídia hegemônica é uma forte e eficaz estratégia na difusão de novos hábitos,

valores, interesses e gostos aos indivíduos, onde uma cultura tradicionalmente rural, como no caso do Distrito de Uvaia (Ponta Grossa – PR), sentem essa imposição de forma

distinta, já que estão numa situação de dualidade entre cidade e campo ou rural e urbano.

A atuação da mídia faz parte de um ideologia impulsionada pelo processo de

globalização, que hoje é um fenômeno que abrange a escala global, e de forma mais perversa a escala local, porque age sem considerar as particularidades dos indivíduos e

da coletividade. Mediante a circulação do capital e das informações, dentro do contexto da globalização, a cultura está em constante mutação, tendo que se adaptar aos novos contextos (im)postos para que se mantenha viva.

Sobre isso, Harvey (1993) pensa que uma característica relevante do contexto pós- moderno é que a produção flexível permitiu uma aceleração do ritmo de inovação do produto, havendo assim uma transformação de aspectos culturais, impulsionada pelo poder da mídia sobre o consumidor, já que a aceleração do tempo de giro na produção teria sido inútil sem a redução do tempo de giro no consumo. Essa condição pós-moderna privilegia o efêmero, a moda, a diferença e a mercadificação de formas culturais (HARVEY, 1993).

Na atual conjuntura, a busca pela preservação das tradições, das culturas, acontece para atender a indústria cultural, ou seja, muitas vezes não há o intuito de se preservar a identidade e a memória coletiva que não seja para gerar lucro. A ideia de preservação da singularidade num mundo globalizado que tende a homogeneização dos gostos e interesses, parte da premissa da cultura como mercadoria e não como um patrimônio relevante para os indivíduos e para a sociedade como um todo.

O Distrito de Uvaia, sente a influência do processo de globalização através do

acesso às modernidades advindas do espaço urbano de Ponta Grossa - PR, seja por estar próxima espacialmente de Ponta Grossa ou pelas relações constantes que os moradores do distrito mantém com os citadinos. Isso provoca nos indivíduos uma espécie de confusão identitária, percebida ao longo das entrevistas e questionários, já que os moradores do distrito de Uvaia localizam-se e possuem hábitos de vida rural, contudo são considerados pelo Poder Público como urbanos, além de terem anseios em usufruir da materialidade e do modo de vida urbano.

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As relações que os moradores distritais mantém com os citadinos acontecem principalmente quando há o deslocamento para o distrito sede (Ponta Grossa) para usufruir da infraestrutura da sede, ausente em Uvaia, como mercados, postos de saúde, bancos, farmácias, Correio, comércio em geral, além dos shoppings, que além de centros comerciais, também são utilizado como lazer. O que se percebe então, não só na realidade distrital, mas também em outras realidades rurais, é que os imperativos da vida urbana (rapidez dos fluxos, prazos, horários, racionalidade) estão cada vez mais invadindo o campo modernizado, onde as consequências da globalização impõem práticas estritamente ritmadas (SANTOS, 2006). Dessa maneira, essa relação dos moradores com o cotidiano urbano além dos aspectos culturais materiais (aquisição de “modernidades”, também há a imaterialidade provinda dos valores, tradições, hábitos, histórias da comunidade distrital e que hoje são influenciados pelo modo de vida urbano, graças à proximidade e a interação que mantém com Ponta Grossa (pela falta de infraestrutura no Distrito), a relação que mantém com os moradores esporádicos, e também por influência da mídia no contexto da globalização.

1. Conceituação e relação dialética entre campo-cidade, rural-urbano

No Brasil, os distritos são subdivisões municipais, que tem como o intuito uma melhor administração, principalmente com relação ao direcionamento de políticas públicas. Assim, eles pertencem a uma esfera de dominação municipal, ou seja, estão ligados diretamente com o município sede. Para analisar a questão distrital, é pertinente analisar este espaço a partir de estudos que contemplem abordagens acerca da relação dialética entre o campo e a cidade, ou seja, o rural e o urbano (BAUCHROWITZ, 2009). A discussão no campo da geografia sobre o rural e o urbano ou o campo e a cidade não tem sido consensual e é bastante amplo. Os geógrafos analisam essa relação dialética sob diversas óticas, partindo geralmente do viés espacial. O Poder Público, através do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tem sua própria definição do rural e do urbano, sendo que para alguns essa definição não propriamente condiz com a realidade. Alguns teóricos analisam esses dois espaços a partir de definições demográficas, outros a partir das relações sociais historicamente produzidas e ainda alguns pensam esses dois espaços através de delimitações territoriais. Embora a dicotomia entre campo e cidade, rural e urbano, tenha aparentemente se amenizado, com a inserção de tecnologias no campo, chamada por alguns teóricos como

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“urbanização do campo”, ainda não foi superada, principalmente dentro do senso comum, que ainda pensa o campo como culturalmente atrasado. Nessa perspectiva a cidade é vista como inovadora, moderna, tecnológica, em constante evolução, e influenciada pela rapidez dos fluxos, informações e comunicação, graças a aliança entre técnica e redes. Em 1938 foi criado o Decreto-Lei 311, definindo que no Brasil toda sede de município é cidade (definição esta utilizada pelo IBGE), seja quais forem suas características demográficas e funcionais, embora não tenha enunciado claramente o que é cidade. Contudo, em 1988 é criado o Estatuto da Cidade, onde cabe as Prefeituras Municipais definirem o que é rural e urbano nos limites de seus municípios (VEIGA, 2002). O IBGE aponta como urbanos “todos os cidadãos que residem nos distritos-sedes dos municípios ou nas sedes dos demais distritos, independentemente do porte da cidade” (CAIADO, 1995 apud SANTOS, 2001). O Instituto considera como rural a população e os domicílios que se encontram em toda área fora dos limites urbanos (incluindo os aglomerados rurais de extensão urbana, os povoados e os núcleos), e como urbanos as pessoas e os domicílios recenseados nas áreas urbanizadas ou não, correspondentes às cidades (sedes municipais), às vilas (sedes distritais) ou as áreas urbanas isoladas (MONTES, 2005 apud LEMES et al, 2009). Em 1991, o IBGE definiu três categorias de áreas urbanas (urbanizadas, não urbanizadas, e urbanas-isoladas) e quatro tipos de aglomerados rurais (extensão urbana, povoado, núcleo e outros). À partir dessa visão, ficou consolidada a ideia de que toda sede de município é necessariamente espaço urbano, seja qual for a sua função, dimensão ou situação (VEIGA, 2002).

Veiga (2002) afirma que o Brasil considera urbana toda sede de município (cidade)

e de distrito (vila), sejam quais forem suas características, ou seja, todas as pessoas que residem em sedes, inclusive em sedes distritais, são oficialmente contadas como urbanas, sustentando a ideia de que o grau de urbanização no Brasil atingiu 81% no ano 2000. Para o autor, essa porcentagem é equivocada e cria “cidades imaginárias”, e além disso, algumas políticas públicas direcionadas ao rural não são aplicadas em sedes de minúsculos municípios, sendo que as atividades dessas sedes, bem como sua população

é consideravelmente rural. Essa questão é notável no distrito de Uvaia, em que falta

infraestrutura básica, mesmo sendo considerados pertencentes a malha urbana de Ponta Grossa, porém mantém relações tipicamente rurais, impregnadas na paisagem e nas relações sociais dos indivíduos no Distrito. Para Veiga (2002), a densidade demográfica é o critério decisivo para analisar quais municípios são rurais e quais estão no “meio de campo”, pois é um indicador

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importante para analisar a influência antrópica sobre o meio natural. Desse modo, a pressão antrópica seria o melhor indicador do grau de artificialização dos ecossistemas e, portanto, o efetivo grau de urbanização dos territórios. Assim, acredita que cidades com menos de 20 mil habitantes não deveriam ser consideradas como urbanas, porque além do critério populacional, deve-se considerar ainda a densidade demográfica e a sua localização territorial. Em suma, 70% dos municípios brasileiros possuem uma densidade demográfica de 40 hab/km², enquanto o parâmetro da Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico 1 para que uma localidade seja considerada urbana é de 150 hab/km². Por esse critério, apenas 411 dos 5.507 municípios brasileiros seriam considerados urbanos (VEIGA, 2002). Dessa maneira, Veiga (2002) propõe novos parâmetros quantitativos para se definir o que é o rural e o urbano, para que políticas públicas de desenvolvimento regional sejam aplicadas de forma correta e que privilegiem os contextos rurais esquecidos. Fajardo (2009), ao analisar essa discussão da relação entre campo-cidade, afirma que dentro da Geografia essa questão é vista sob viés espacial e mesmo que se leve em consideração os aspectos relacionados a dinâmica desses espaços, o fator determinante no recorte do campo e da cidade é a questão locacional. Adotando essa postura cuja delimitação do rural e do urbano é feita a partir de sua condição locacional, a permanência de elementos rurais e urbanos combinando entre si no espaço é inevitável e instiga uma maior aproximação conceitual (FAJARDO, 2009). À partir dessa visão de combinações entre os elementos rurais e urbanos, é relevante pensar a influência visível da globalização e das “modernidades” da cidade para tal condição, já que se difunde vários hábitos e consumos urbanos, e esse fenômeno da globalização é visto mais claramente no espaço urbano. Assim, a ideia é que o campo assimilou a cidade, por isso Fajardo, bem como outros teóricos, pensam se haveria no espaço geográfico atual uma separação entre os espaços urbanos e rurais ou um continuum urbano-rural. Essa assimilação do campo é o que Henri Lefebvre chamou de “tecido urbano”. O autor acredita que trazidas pelo tecido urbano, a sociedade e a vida urbana adentram no campo, sendo que o modo de viver urbano comporta sistemas de objetos e sistemas de valores distintos da vida rural. Segundo o autor, os mais conhecidos sistemas de objetos do urbano são a água, a eletricidade, o gás, o carro, a televisão, utensílios de plástico e mobiliário “moderno”:

1 Organização internacional, com sede na França (Organisation de Coopération et de Développement Économiques, OCDE).

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“O tecido urbano prolifera, estende-se, corrói os resíduos de vida agrária. Estas palavras, ‘o tecido urbano’, não designam, de maneira restrita, o domínio edificado nas cidades, mas o conjunto das manifestações do predomínio da cidade sobre o campo. Nessa acepção, uma segunda residência, uma rodovia, um supermercado em pleno campo, fazem parte do tecido urbano.” (LEFEBVRE, 1999, p.17 )

Com as inovações tecnológicas chegando ao campo principalmente devido a agricultura, outras modernidades urbanas vão se alastrando no espaço rural, onde os camponeses buscam através dessa materialidade/modernidade, melhorar sua qualidade de vida e incluir-se nesse novo mundo tecnológico. Assim, a televisão, a internet, o celular, o computador, eletrodomésticos vão invadindo a vida dos camponeses, onde ao mesmo tempo em que anseiam por essas modernidades, ainda lutam para manterem suas especificidades que o modo de vida urbana tenta modificar, já que não condiz com o sistema. Boff e Pasuch (s/d, s/p.) pensam que:

“A interferência de informações, de intercâmbios sócio-culturais, de produtos de consumo, de valores, de concepções de desenvolvimento, principalmente veiculados por meios de comunicação de massa, em especial a televisão, e de pacotes de propagandas desenvolvimentistas, produz nos sujeitos do campo problematizações e conflitos relativos às suas identidades e aos modos de estar no campo, mas também de possibilidades de um outro modo de desenvolvimento regional, valorizando as riquezas das diferenças culturais, de recursos naturais e de potencialidades, muitas vezes, equivocadamente exploradas, outras vezes pouco valorizadas ou mesmo desconsideradas” (BOFF e PASUCH, s/d, s/p.).

Sabe-se que nas relações sociais no campo, há algumas dimensões simbólicas e culturais bem características, como o sentimento de coletividade e cooperação, além do desapego à materialidade. Assim, dentro desse novo contexto influenciado pela vida urbana, algumas dessas dimensões simbólicas vão se enfraquecendo, devido aos conflitos e problematizações relativos às suas identidades. Percebe-se em muitas realidades rurais um enfraquecimento dos laços sociais, debilitando suas solidariedades coletivas devido à própria competitividade econômica imposta pelo mercado (PONTE,

2004).

Entre os elementos do sistema de valores da sociedade urbana que penetram no campo, estão os lazeres do modo urbano, os costumes, a rápida adoção dos modismos que vem da cidade, como música, modos de se vestir, agir ou falar, ou seja, uma racionalidade divulgada pela vida urbana, geralmente assimilada de forma mais rápida pelos jovens, muitas vezes dentro do ambiente escolar. Contudo, dentro desse tecido urbano, ainda persistem ilhas de ruralidade “pura”, constituída por povoados de camponeses mal ou não adaptados a essa nova realidade, sendo então que a relação “urbanidade-ruralidade” não desaparece, pelo contrário,

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intensifica-se, mesmo nos países mais industrializados, pois interfere com outras representações e com outras relações reais: cidade e campo, natureza e facticidade, etc. (LEFEBVRE, 2008). Sobre essa inserção de elementos da vida urbano no contexto rural, Cândido (1992, apud Villa Verde, 2010) acredita que:

graças aos recursos modernos de comunicação, ao aumento da densidade

demográfica e à generalização das necessidades complementares, acham-se agora frente a frente homens do campo e da cidade, sitiantes e fazendeiros, assalariados agrícolas e operários – bruscamente reaproximados no espaço geográfico e social, participando de um universo que desvenda dolorosamente as discrepâncias econômicas e culturais. Nesse diálogo, em que se empenham todas as vozes, a mais fraca e menos ouvida é certamente a do caipira que permanece no seu torrão (CÂNDIDO, 1982).

] [

Para Villa Verde (2010), os critérios de urbano e rural adotados pelas estatísticas são demasiadamente administrativos, não se levando em consideração principalmente os aspectos socioculturais. Além disso, ainda há no Brasil os que acreditam que o ruris abriga somente as atividades ligados ao setor primário, sendo que hoje o espaço rural abriga também atividades ligadas ao setor secundário e terciário, como o turismo, lazer, como uma alternativa econômica, em tempos cada vez mais instáveis. Essa é a realidade do Distrito de Uvaia, que possui muitas casas de veraneio, não ligada diretamente ao turismo, mas sendo uma forma de fuga do ambiente urbano, onde busca-se desfrutar da tranquilidade da vida no campo. De acordo com Silva (2004), pode-se verificar duas perspectivas distintas sobre os novos acontecimentos presentes no rural: uma delas acredita na extinção do rural, sendo este um continuum do urbano (processo de urbanização do campo) e a outra corrente pensa na predominância do rural, que mantendo suas especificidades, reafirma sua importância. Nessa segunda visão, Wanderley (2000) defende que as diferenças espaciais e sociais não apontam para o fim do rural e sim uma emergência de uma nova ruralidade. A primeira perspectiva, parte da suposição que o espaço social rural se sujeitaria à hegemonia da industrialização e urbanização, retomando assim a teoria do continuum, destacando que os processo rurais contemporâneos são uma continuidade espacial dos processo urbanos (SILVA, 2004). Silva é um dos principais defensores da teoria do continuum (novo rural brasileiro), marcado fundamentalmente pela urbanização. O autor acredita num novo rural com novas atividades agrícolas e não agrícolas, como (lazer, turismo, hotel-fazenda), agronegócio, sendo que o processo de industrialização da agricultura redundou na urbanização do campo. Ou seja, no seu ponto de vista, o meio rural brasileiro não pode ser caracterizado

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somente como agrário, sendo que hoje só pode ser entendido como um “continuum” do urbano do ponto de vista espacial. Pode-se dizer que o meio rural brasileiro se urbanizou nas duas últimas décadas, como resultado do processo de industrialização da agricultura, de um lado, e, de outro, do transbordamento do mundo urbano naquele espaço que tradicionalmente era definido como rural (SILVA, 1997) A segunda ideia do rural, parte do pressuposto que ocorrem sim transformações profundas no campo, contudo o rural não se perde nesse processo, pois reafirma sua importância, mantendo assim suas peculiaridades. Alentejano (2000), defende que embora tenha havido transformações sociais, econômicas, culturais e espaciais no campo, resultantes do desenvolvimento urbano, o rural não deixará de existir. O geógrafo acredita que:

“A modernização do campo, entendida como a difusão de tecnologias e relações de trabalho e produção baseadas na racionalidade técnica e na divisão do trabalho, em alguns locais foi inclusive mais acentuada que nas cidades, onde muitas vezes predominam técnicas e relações de trabalho arcaicas” (ALENTEJANO, 2000)

Alentejano distinguiria o “rural” do “urbano” a partir da relação dos mesmos com a terra e a intensidade da territorialidade, ou seja, o urbano representa relações mais deslocadas do território, enquanto o rural reflete uma maior territorialidade, uma vinculação mais intensa com a terra, tanto em termos econômicos como sociais e culturais. A partir das análises até então apresentadas sobre a relação dialética entre campo- cidade e rural e urbano, a relação entre os distritos de Ponta Grossa com a sede do município é ainda mais complexa de ser analisada, já que os distritos podem ser considerados como espaços híbridos, pertencentes juridicamente ao espaço urbano, mas possuindo vínculos identitários com a terra, mantendo relações sociais rurais. Além dessas relações sociais, é visível a presença da paisagem rural no distrito (fig. 1, 2, 3). Essa situação de dualidade causa uma certa confusão identitária, já que os envolvidos nesse contexto se percebem como rurais, seja pelo seu cotidiano, pelas vivências e modos de vida, mas também como urbanos, porque o Poder Público os percebe assim e os condiz a pagar impostos referentes a vida urbana, tal como IPTU e iluminação pública. Os traços rurais e urbanos não se restringem a questões materiais, mas principalmente aos hábitos, valores, cultura, ideologias e identidade que os moradores distritais mantêm com o seu território vivido.

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Software http://www.foxitsoftware.com For evaluation only. Fig. 1: Distrito de Uvaia (jun 2011) Fonte: arquivo da

Fig. 1: Distrito de Uvaia (jun 2011) Fonte: arquivo da autora

1: Distrito de Uvaia (jun 2011) Fonte: arquivo da autora Fig. 2: Intensas chuvas no inverno

Fig. 2: Intensas chuvas no inverno de 2011 transbordaram o Rio Tibagi, que permeia a Vila do Distrito de Uvaia, alagando as ruas e atingindo algumas casas (set 2011) Fonte: arquivo da autora

atingindo algumas casas (set 2011) Fonte: arquivo da autora Fig. 3: Paisagem do Distrito de Uvaia

Fig. 3: Paisagem do Distrito de Uvaia (set 2011) Fonte: arquivo da autora

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2. A complexidade da definição de distritos municipais

Com a pouca abordagem sobre “distritos municipais”, percebe-se uma negligência do poder público com a população, no que diz respeito a políticas públicas básicas como saúde e educação, por não reconhecer ou identificar quais são as verdadeiras necessidades dos indivíduos envolvidos nesse contexto de hibridismo. Essas demandas estão relacionadas com a construção de infraestrutura básica e aquisição e aproximação de “modernidades” (MONASTIRSKY et al, 2009). Bauchrowitz (2009) analisa os distritos como sendo uma divisão territorial, de natureza administrativa, com características predominantemente rurais (áreas de campo) com indícios de urbanidade, porém mantendo as características rurais, ligadas às atividades do setor primário. Os mesmos são contextualizados em escala local, com forte relação ao distrito sede, onde a população se aproxima de equipamentos indispensáveis para “melhorar’’ a sua qualidade de vida. Juntamente com Monastirsky (2009) compartilha a opinião com relação aos anseios por “modernidades’’ e infra-estrutura básica nessas comunidades distritais. Considerados como híbridos rurais-urbanos, Pinto (2003) apud Araujo (2008) define distritos como:

“Uma subdivisão do município que tem como sede a vila, que é o povoado de maior concentração populacional. Ele não tem autonomia administrativa. Funciona como um local de organização da pequena produção e atendimento das primeiras necessidades da população residente em seu entorno, cujo comando fica a cargo da sede do município [a cidade]. O distrito tem a mesma denominação de sua vila e, somente pode ser criado por meio de lei municipal. No entanto, os requisitos exigidos para a criação de um distrito são estabelecidos por meio de lei estadual. O município não pode, por si só, instalar distritos adotando critérios próprios. Faz- se necessário que um povoado atenda todas as exigências determinadas pela legislação estadual para que o município, por meio de uma lei municipal aprovada pela Câmara de Vereadores local, o eleve à categoria de distrito”. (PINTO, 2003, p.57 apud ARAUJO, 2008, p.38).

Embora estejam localizados na zona rural do município, a sede dos distritos é considerada parte integrante da zona urbana, e sua população é contada em censos e dados populacionais oficiais como sendo população urbana, levando várias sedes de Distritos que possuem algumas dezenas ou centenas de casas serem definidas como urbanas, ignorando outros critérios de diferenciação, como a questão de ocupação, traços culturais, raízes históricas, etc. Assim, a relevância maior não está na questão do rural ou urbano, e sim na dinâmica que se processa nessa localidade, a maneira como os indivíduos sobrevivem e as relações (sociais, políticas e econômicas) que tecem entre si e como se relacionam com o mundo (LEMES et al, 2009). De acordo com a Constituição de 1989, os municípios gozam de autonomia, e que

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eles competem, de acordo com o artigo 17, inciso IV, criar, organizar e suprimir distritos, sendo que essa medida na teoria visa uma melhor administração, já que descentraliza as ações. No Estado do Paraná, a lei que determina as exigências e regulamenta sobre a criação de distritos é a Lei Complementar Estadual n o 64, de 16 de julho de 1992. Dos artigos 1 o ao 5 o , dispõe da criação, organização e supressão de distritos de competência dos municípios:

a

Art. 1 o A criação, organização e supressão de distritos é competência dos municípios, observada esta lei complementar. Art. 2 o Os distritos são subdivisões administrativas dos municípios. Art. 3 o A criação, organização e supressão de distritos, alteração do nome, bem como a mudança da sede do distrito, far-se-á por lei municipal, garantida a participação popular e respeitando delimitação da área, com a descrição das respectivas divisas, definidas segundo linhas geodésicas entre pontos bem identificados ou acompanhando acidentes naturais, de acordo com cadastro próprio da prefeitura municipal. Art. 4 o Na denominação dos distritos é vedada a repetição de nomes de cidades ou vilas brasileiras, bem como a designação de datas, nomes de pessoas vivas e expressões compostas por mais de três palavras, excluídas as particulares gramaticais Art. 5 o Os requisitos para criação de distrito, tais como: número de habitantes, número de eleitores residentes no distrito ou número de casas existentes na sua respectiva sede obedecerão critérios próprios de acordo com a realidade de cada município sem confrontar a Lei Orgânica Municipal. (LEI COMPLEMENTAR DO ESTADO DO PARANÁ, 1992).

O município de Ponta Grossa também prevê em lei algumas diretrizes relacionadas aos distritos. Na Lei Orgânica de 2005 afirma que compete ao município criar, organizar e

suprimir distritos, observando a legislação pertinente. Cabe ainda aos serviços municipais

a expansão do transporte coletivo às áreas suburbanas e aos distritos administrativos.

Além disso, as propostas de diretrizes do Plano Diretor deverão ser aplicadas também nos Distritos e adequadas às peculiaridades e necessidades locais. Sobre educação prevê a construção de escolas nos distritos quando houver clientela mínima de quinze alunos e também a criação de bibliotecas públicas. Embora essas ações constem em lei, muitas delas não são aplicadas ao Distrito de Uvaia, já que os alunos necessitam ir ao distrito vizinho (Periquitos), para estudar, o transporte coletivo é feito por empresa privada, não há biblioteca pública em Uvaia, além de não contar com atendimento médico. A criação dos distritos além de obedecer aos critérios municipais e estaduais, geralmente acontece de acordo com os interesses do município sede, cabendo aos municípios a administração destes. Nesse viés, distritos são considerados como simples áreas administrativas, com alguns serviços públicos estaduais ou municipais destinados ao melhor atendimento dos usuários (Meirelles, 1997, p. 70 apud Barreto, 2010, p. 25). Embora previsto em lei, em Uvaia, não há esses serviços, já que não conta com

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escolas e o hospital presente no distrito não possui atendimento médico, somente odontológico e apenas uma vez por semana. Um dos moradores entrevistados, o senhor Paulo Henrique Weiber informou que o Distrito possuía um cartório, mas que hoje o

cartório de Uvaia fica no bairro Sabará. Na sua visão, alguns problemas de serviços e infraestrutura em Uvaia estão relacionados com o fato de que é considerada como sede

do Distrito o bairro Sabará, que fica em Ponta Grossa: “[

como sendo Sabará, veja a distância, nós estamos a 20 km do Sabará aqui. […] Nós aqui ”

não temos nada, o pessoal do Sabará tem, a gente não tem o mínimo

setembro 2011). O que se busca nessa pesquisa é identificar os distritos, em especial o caso de Uvaia, não como “simples áreas administrativas”, mas perceber que há o sentimento de pertencimento dos moradores do local, que geralmente é muito mais consolidado do que os moradores da área urbana. As relações sociais em âmbito urbano, ou os fluxos como abordaria Santos (2006) são cada vez mais rápidos, dinâmicos, numerosos e são resultados indiretos ou diretos das ações, modificando seu valor e significado. O que se percebe então, não só na realidade distrital, mas também em outras realidades rurais, é que os imperativos da vida urbana (rapidez dos fluxos, prazos, horários, racionalidade) estão cada vez mais invadindo o campo modernizado, onde as consequências da globalização impõem práticas estritamente ritmadas (SANTOS, 2006). Com essa modernização que invade o campo, percebe-se que os moradores anseiam por modernidades advindas do contexto urbano, apresentado assim traços rurais e urbanos, este principalmente pela influência do município sede. Alentejano (2003) afirma que:

“Enquanto a dinâmica urbana pouco depende de relações com a terra, tanto do ponto de vista econômico, como social ou espacial, o rural está diretamente

associado a terra, embora as formas como estas relações se dão sejam diversas

]

porque a sede do Distrito ficou

(Entrevista, 26

e complexas. (

menor que a terra tem como elemento de produção, reprodução ou valorização. As relações sociais incluem as dimensões simbólica, afetiva, cultural, bem como os processos de herança e sucessão. As relações espaciais estão vinculadas aos arranjos espaciais de ocupação da terra, distribuição da infra-estrutura e das moradias. Assim, independente das atividades desenvolvidas, sejam elas industriais, agrícolas, artesanais ou de serviços, das relações de trabalho existentes, sejam, assalariadas, pré-capitalistas ou familiares e do maior ou menor desenvolvimento tecnológico, temos a terra como elemento que perpassa e dá unidade a todas essas relações, muito diferente do que acontece nas cidades, onde a importância econômica, social e espacial da terra é muito reduzida” (Alentejano, 2003, p.32).

As relações econômicas passam pela importância maior ou

)

Estes traços urbanos estão relacionados com os anseios e interesses dessas comunidades às modernidades advindas do contexto urbano. Nesse caminho, adotou-se o termo “modernidades” a partir da perspectiva de Monastirsky et al (2009, p. 3) que o

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utiliza para “indicar a aquisição e/ou aproximação de produtos e serviços que apresentam a simbologia das inovações tecnológicas que permeia as mudanças constantes, rápidas e permanentes da sociedade capitalista industrial”. Dessa maneira, entende-se por modernidades os bens materiais como eletroeletrônicos, celulares, televisão, computador e também a internet, antes não pertencentes ao contexto rural, além dos hábitos e ideologias da vida urbana. As características culturais e sociais que se estabelecem nesses espaços, se encontram influenciados pelas modernidades oferecidas graças à proximidade com os núcleos urbanos - facilitado pela infraestrutura de transporte e comunicação – e aos acessos que os moradores distritais tem aos meios midiáticos. Os indivíduos sentem esse fenômeno da modernidade, como no caso dos moradores dos distritos de Ponta Grossa, de forma distinta, devido sua situação de dualidade, possuindo, características culturais tanto do espaço rural como do urbano. Sabe-se que as relações sociais dentro do âmbito urbano são bem mais dinâmicas e intensas do que no rural, principalmente em função das infraestruturas encontradas na zona urbana. Vemos assim uma relação dialética entre manter a tradição e a qualidade de vida (convívio com a natureza, sossego, segurança, ritmo de vida mais lento) com a aproximação dos equipamentos, serviços e produtos oferecidos pela mídia e presentes nos centros urbanos. Essas trocas culturais acontecem principalmente devido a comunicação, seja entre os moradores distritais e os moradores de Ponta Grossa, ou seja, pela influência da mídia na vida dos moradores de Uvaia. Claval (2001) pensa que o contato entre os povos de culturas distintas resulta em enriquecimento mútuo, ou seja, a comunicação é um fator essencial para que esse contato ocorra e para que haja trocas culturais. Assim, percebe- se que a relação que Uvaia mantém com a cidade de Ponta Grossa em primeiro momento acontece a partir da comunicação e consequentemente ocorrem as trocas culturais (ideologias, valores, hábitos), sendo que as trocas culturais urbanas acontecem de forma muito mais forte e incisiva no contexto rural de Uvaia.

Considerações finais

Considerando o rural também como um espaço dinâmico, percebe-se que as transformações advindas do espaço urbano acontecem a partir das trocas, principalmente de informações e comunicações. A transformação do espaço, bem como das relações sociais acontece ao longo do tempo, ganhando novas formas e percepções no decorrer

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da história. Nesse trabalho, a abordagem da cultura material e imaterial foi a mais relevante, no sentido que essa condição tem forte influência no espaço geográfico, já que expressa valores, sentidos, afetividades, representações, tanto individuais quanto coletivas. Por isso a emergência na abordagem cultural, porque os indivíduos que mantém relações dentro do ambiente rural, mas com influências urbanas, buscam ainda sim manter suas especificidades culturais rurais, haja vista nas entrevistas, em que ainda mantém em seu cotidiano o paiol, a estrebaria, o galinheiro, o pomar, a horta, elementos típicos do modo de vida rural. É relevante pensar e destacar que as relações entre os indivíduos da sociedade urbana e rural contribuem para a formação dos espaços, ao mesmo tempo em que os sujeitos envolvidos nesse processo buscam o reforço de suas identidades. Assim, mesmo que haja influências, não há perdas culturais e sim novas resignificações. Essas influências, dentro do contexto rural, é uma busca por se adaptar a realidade da vida moderna, além da busca por uma melhor qualidade de vida, com a introdução de elementos que facilitam a vida cotidiana. Além da aquisição de bens, o distrito mantém vínculos expressivos com o distrito sede para suprir necessidades básicas, devido à falta de infra-estrutura. Por isso a constante necessidade de ir a “cidade grande” para usufruir de serviços essenciais tais como saúde, educação, alimentação, vestimenta. Foi interessante notar, que embora os moradores necessitem ir a Ponta Grossa ou ainda haja o anseio na aquisição de bens materiais, ainda há a manutenção do sentimento de pertencimento, bem como a identificação com a vida no Distrito, já que muitos revelaram que não querem ir morar na cidade e também muitos moradores da cidade buscaram no sossego do campo, uma nova vida, longe do caos e do estresse urbano. Como uma transição entre o espaço rural e urbano, percebe-se entre os moradores que há esse sentimento, pelo menos nos mais velhos, que ao terem acesso a uma cultura distinta da sua realidade, buscam adaptá-la ao seu contexto. Porém, a problemática é no fato dos mais jovens buscarem muitas vezes não a adaptação e sim a substituição da sua cultura tradicional, em favor de uma cultura alienante, massificada e consumista. Dessa maneira, políticas públicas de preservação da cultura local rural mostram-se importantes, como as escolas rurais, já que buscam preservar as especificidades da vida no campo, aliada com os anseios da escala global. A questão em pauta não é a influência dessas “modernidades” nos sujeitos

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distritais, e sim um possível desaparecimento dos elementos mais tradicionais em nome

de uma vida moderna e urbana, o que não condiz com a realidade no campo. A partir da

participação dos sujeitos envolvidos nesse processo, percebeu-se que essa influência é

eminente, já que os dados quantitativos mostraram a aquisição desses bens materiais. É

evidente que esses traços rurais e urbanos não se restringem a questões materiais, mas

principalmente aos hábitos, valores, cultura, ideologias e identidade que os moradores

distritais mantêm com o seu território vivido.

O problema é como uma sociedade capitalista de consumo age nessas culturas

mais tradicionais, onde segundo Milton Santos 2 , o homem deixou de ser o centro do

mundo, hoje o centro do mundo é o dinheiro em estado puro, proposto pelos economistas

e imposto pela mídia. Nessa visão, a mídia como uma intermediação, que propaga o

poder de um pequeno número de agências internacionais, estreitamente ligadas ao

mundo da produção material, das finanças, que controla de maneira eficaz a interpretação

do que se está passando no mundo.

Santos afirma que vivemos num mundo em que propaganda nos faz crer que ele é

algo esperançoso, mas na realidade vivemos num mundo que todo dia se cria mais fontes

de perversidade. Dentro disso as grandes empresas possuem um faro aperfeiçoado com

as armas das ciências, da técnica e da informação, onde utilizam essa técnica como

algum tipo de dominação, que é indispensável para que sobrevivam.

O que se buscou discutir é como essa influência da globalização age nas culturas

mais tradicionais, onde Santos afirma que é a primeira vez na história da humanidade em

que a técnica central é a técnica da informação e o que se percebe é o “assassinato da

solidariedade”. Nesse sentido, buscou-se mostrar a necessidade de estudos que deem

visibilidade aos atores sociais incorporados nesse processo dialético, de hibridismo

cultural, buscando a preservação de suas raízes culturais, históricas e geográficas e a

sobrevivência face ao processo de globalização, que privilegia a efemeridade e a

fragmentação das relações sociais.

Referências Bibliográficas

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BARRETO, V. M; MONASTIRSKY, L.B. A dialética entre território e cultura na formação histórico-geográfico do Distrito de Guaragi - Ponta Grossa (PR): uma

discussão teórica. IX Encontro de Pesquisa e III Simpósio de Pós-Graduação – UEPG,

2010.

2 No documentário “Encontro com Milton Santos: O mundo global visto do lado de cá” (2001)

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BOFF, Leonir Amantino; PASUCH, Jaqueline. A questão do rural e do urbano – a realidade do campo na Região Centro Oeste: perspectivas educacionais. Disponível em <www.medsonjaner.com.br>. Acesso em 18 mai 2011.

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de

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VILLA VERDE, Valéria; BAZZOTI, Angelita. Ruralidade, agricultura familiar e desenvolvimento. Curitiba: Nota Técnica Ipardes, 2010, 45 p.

Fontes orais pesquisadas

Paulo Henrique Weiber, 42, comerciante. Nasceu em Ponta Grossa, mas mora em Uvaia desde criança.