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CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES BÁSICAS DE SISTEMA DE POTÊNCIA Edição 2 - 2008 1

CURSO DE PROTEÇÃO

NOÇÕES BÁSICAS DE SISTEMA DE POTÊNCIA

Edição 2 - 2008

CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

Eng. Paulo Koiti Maezono

Formação

SOBRE O AUTOR

Graduado em engenharia elétrica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo em 1969. Mestre em Engenharia em 1978, pela Escola Federal de Engenharia de Itajubá, com os créditos obtidos em 1974 através do Power Technology Course do P.T.I – em Schenectady, USA. Estágio em Sistemas Digitais de Supervisão, Controle e Proteção em 1997, na Toshiba Co. e EPDC – Electric Power Development Co. de Tokyo – Japão.

Engenharia Elétrica

Foi empregado da CESP – Companhia Energética de São Paulo no período de 1970 a 1997, com atividades de operação e manutenção nas áreas de Proteção de Sistemas Elétricos, Supervisão e Automação de Subestações, Supervisão e Controle de Centros de Operação e Medição de Controle e Faturamento. Participou de atividades de grupos de trabalho do ex GCOI, na área de proteção, com ênfase em análise de perturbações e metodologias estatísticas de avaliação de desempenho.

Atualmente é consultor e sócio gerente da Virtus Consultoria e Serviços Ltda. em São Paulo – SP. A Virtus tem como clientes empresas concessionárias no Brasil e na América do Sul, empresas projetistas na área de Transmissão de Energia, fabricantes e fornecedores de sistemas de proteção, controle e supervisão, Departamento de Engenharia de Energia e Automação Elétricas da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, CEDIS – Instituto Presbiteriano Mackenzie.

Área Acadêmica

Foi professor na Escola de Engenharia e na Faculdade de Tecnologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie no período de 1972 a 1987. É colaborador na área de educação continuada da mesma universidade, de 1972 até a presente data.

É colaborador do Departamento de Engenharia de Energia e Automação Elétricas da EPUSP – Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, desde 1999 até o presente, com participação no atendimento a projetos especiais da Aneel, Eletrobrás e Concessionárias de Serviços de Eletricidade.

Introdução e Índice

Página

2

CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

INDICE

1. NOÇÕES DE TRANSFORMADORES

5

1.1 CONCEITO BÁSICO

5

1.2 O

TRANSFORMADOR

5

1.3 A SATURAÇÃO. FORMA DE ONDA DA CORRENTE DE MAGNETIZAÇÃO

7

1.4 MODELO DA MAGNETIZAÇÃO

8

1.5 F.E.M. INDUZIDA NO SECUNDÁRIO

9

1.6 CORRENTES DE CARGA. COMPENSAÇÃO DE AMPÈRES - ESPIRAS

9

1.7 DISPERSÕES DE

FLUXO

10

1.8 MODELO DE TRANSFORMADOR

11

1.9 POLARIDADE

11

1.10 CONEXÃO TRIÂNGULO – ESTRELA DE TRANSFORMADOR TRIFÁSICO OU DE BANCO DE

TRANSFORMADORES

12

2. ATERRAMENTO DE SISTEMA

14

2.1 CLASSIFICAÇÃO

14

2.2 CURTO CIRCUITO A TERRA EM SISTEMA ATERRADO E EM SISTEMA ISOLADO

15

2.3 TRANSFORMANDO UM SISTEMA ISOLADO EM SISTEMA ATERRADO

19

3. TRANSFORMADOR DE ATERRAMENTO

20

4. REPRESENTAÇÃO DE SISTEMAS DE POTÊNCIA

22

4.1 DIAGRAMA

UNIFILAR

22

4.2 DIAGRAMA

DE IMPEDÂNCIAS

24

4.2.1 Finalidade

24

4.2.2 Fundamento

24

4.2.3 Circuito Equivalente para Transformador de 2 enrolamentos

25

4.2.4 Circuito Equivalente para Transformador de 3 enrolamentos

28

4.2.5 Circuito Equivalente para Geradores e Motores Síncronos

29

4.2.6 Circuito Equivalente para Motores de Indução

30

4.2.7 O Diagrama de Impedâncias do Sistema

31

5. DESLIGAMENTO FORÇADO DE LINHA OU COMPONENTE DO SISTEMA

32

5.1 TERMINOLOGIA

32

5.2 CAUSA DO DESLIGAMENTO

33

5.2.1 Fenômenos Naturais

33

5.2.2 Meio Ambiente

33

5.2.3 Corpos Estranhos e Objetos

33

5.2.4 Humanos da Própria Empresa

34

5.2.5 Fiação AC/DC

34

5.2.6 Equipamentos e Acessórios

34

5.2.7 Proteção, Supervisão e Controle

35

5.2.8 Sistema Elétrico

35

5.2.9 Outros Sistemas

Elétricos

36

5.2.10 Diversos

36

5.3

NATUREZA ELÉTRICA

36

6. NOÇÕES DE CURTO-CIRCUITO

38

6.1 TIPOS DE CURTO-CIRCUITO

38

6.2 CAUSAS DO CURTO-CIRCUITO

39

Introdução e Índice

Página

3

CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

44

6.4 DESLOCAMENTO DE EIXO DA CORRENTE DE CURTO-CIRCUITO 46

6.3 CURTO-CIRCUITO DE ALTA IMPEDÂNCIA

6.5 CURTO-CIRCUITO ENVOLVENTO TRANSFORMADOR DELTA ESTRELA

47

6.5.1 Fase-Terra

47

6.5.2 Bifásico

47

6.6 TENSÕES E CORRENTES DURANTE UM CURTO CIRCUITO 48

6.6.1 Correntes

48

6.6.2 Tensões

49

6.7

EXEMPLOS DE REGISTROS GRÁFICOS

53

6.7.1 Curto-circuito

Fase-Terra

53

6.7.2 Curto-circuito Bifásico

54

6.7.3 Gráficos de Tensão e Corrente em Subestação 69 kV

55

6.8 OS RELÉS DE PROTEÇÃO E O CURTO-CIRCUITO 57

 

6.8.1 Modos de Proteção

57

6.8.2 Funções de Proteção

57

7.

EXEMPLOS DE SAÍDAS DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR

61

7.1

EXEMPLO PARA ANAFAS

61

7.1.1 Estrutura do Arquivo .ana

61

7.1.2 Processamento

64

7.1.3 Resultado na Tela

65

7.2

EXEMPLO PARA CAPE

68

7.2.1

Processamento

68

Introdução e Índice

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4

CURSO DE PROTEÇÃO PARA OPERAÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA, CURTO- CIRCUITO E OUTRAS ANOMALIAS

CURSO DE PROTEÇÃO PARA OPERAÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA, CURTO-CIRCUITO E OUTRAS ANOMALIAS

1.

1.1

NOÇÕES DE TRANSFORMADORES

CONCEITO BÁSICO

Lei de Faraday:

φ = Fluxo (Weber)

e

=−

N

φ

d

λ

d

=−

dt dt

Volts

λ = Fluxo Acoplado (Weber-espira)

Isto é, a Força Eletromotriz Induzida (F.E.M.) corresponde à taxa de variação do fluxo acoplado, no tempo.

E eficaz = 2π .f.N.φ eficaz = 4,44.f.N.φ máximo

1.2

O TRANSFORMADOR

Pode-se esquematicamente representar um transformador através da figura a seguir:

V 1

i mag Φ e 1 e 2 N 1 N 2
i
mag
Φ
e 1
e 2
N 1
N 2

Figura 1-1 – Representação Esquemática de Transformador

Ao se aplicar a tensão V 1 , impõe-se e 1 = V 1 (aproximadamente)

Ao se impor e 1 , impõe-se o fluxo φ

O

fluxo

φ

(webers)

l (metros) e secção

S

flui

efetivo

no

núcleo

(circuito

= S

físico

xK

e

m

2

magnético)

de

comprimento

médio

5

5

Noções de Transformadores

Página

CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

O fluxo acopla os dois enrolamentos com N 1 e N 2 espiras respectivamente.

A Indução Magnética B imposta no núcleo é:

B =

φ

S efetivo

webers / m 2

O material de que é feito o núcleo impõe a característica B-H conforme se segue:

B Webers / m 2 H Amperes-espiras / m
B
Webers / m 2
H
Amperes-espiras / m

Figura 1-2 – Característica B-H do Núcleo do Transformador

Assim, se impõe a Intensidade do Campo Magnético H (ampères-espiras / m).

Daí, tem-se a Força Magneto-Motriz F imposta no enrolamento

F mag _1

= H .l

ampères-espiras

E a Corrente de Magnetização requerida da fonte (sistema) será então:

i

mag _1

F mag _1

=

N

1

ampères

Conclui-se, para o lado da tensão aplicada, que:

O fluxo no núcleo depende da tensão aplicada (imposta).

Dadas as características físicas e magnéticas do núcleo, para que o fluxo se desenvolva, há necessidade de uma corrente de magnetização.

Noções de Transformadores

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6

CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

A corrente de magnetização (para formar o campo magnético) depende, então de:

- Número de espiras do enrolamento 1 (N 1 )

- Comprimento do caminho do fluxo l

- Característica B-H do material do núcleo

- Seção do núcleo

- Tensão aplicada. Lembrar que E eficaz = 2π .f.N.φ eficaz = 4,44.f.N.φ máximo

1.3 A SATURAÇÃO. FORMA DE ONDA DA CORRENTE DE MAGNETIZAÇÃO

Quando o valor instantâneo da indução B ultrapassa o joelho da característica B-H, o valor

da intensidade do campo H é maior do que haveria se não houvesse o joelho (isto é, se

não houvesse saturação, com a característica B-H linear).

B

t
t

V, B, Φ

com a característica B-H linear). B t V, B, Φ H H, F, imag t 0
com a característica B-H linear). B t V, B, Φ H H, F, imag t 0

H

H, F,

imag

t 0
t
0

Figura 1-3 – Forma de Onda da Corrente de Magnetização em função da Característica B-H

A tensão

consequentemente a indução B também.

e 1

sendo

senoidal,

o

fluxo

φ

será

senoidal

(pela

lei

de

Faraday)

e

Noções de Transformadores

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7

CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

Se a indução máxima ultrapassa o valor do joelho (saturação) da característica B-H do núcleo, a intensidade do campo H será deformada (senóide deformada) e consequentemente a força magneto-motriz e a corrente de magnetização também serão deformadas.

Pela teoria de Fourier, diz-se que a corrente de magnetização é composta de uma senóide fundamental somada a senóides harmônicas (predominância da terceira harmônica, se a indução máxima estiver ligeiramente acima do joelho).

Nota: caso, se de algum modo, não for possível para a fonte suprir tal corrente harmônica (não for possível fornecer corrente deformada), então o fluxo no campo se deformará e aparecerá no transformador, tensões harmônicas.

1.4 MODELO DA MAGNETIZAÇÃO

A reatância do circuito de magnetização será:

N .

1

φ eficaz

X

mag

=

2.

π

.

f . L

1

=

2.

e

1 =

X

mag

.i

mag

e

1

=

X

mag

.i

mag

=

 

π

.

2.π. f .L

1

.

e 1

f

i mag

i mag

  π . 2. π . f . L 1 . e 1 f i mag
  π . 2. π . f . L 1 . e 1 f i mag
  π . 2. π . f . L 1 . e 1 f i mag

jX mag

Figura 1-4 – Modelo do Circuito Magnético

=

2.π.f .N .φ

1

eficaz

Noções de Transformadores

Página

8

CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

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1.5 F.E.M. INDUZIDA NO SECUNDÁRIO

O fluxo no núcleo acopla também o enrolamento secundário ou outros enrolamentos que existirem no mesmo circuito magnético.

Esse acoplamento induzirá tensão no enrolamento secundário:

e 2 = 2π .f.N 2 .φ eficaz = 4,44.f. N 2 .φ máximo

Essa tensão induzida é conseqüência do fluxo no núcleo e do número de espiras acopladas no lado secundário.

Daí, sendo:

e 1 = 2π .f.N 1 .φ eficaz = 4,44.f. N 2 .φ máximo

Tem-se:

e N 1 1 = e 2 N 2
e
N
1
1
=
e 2
N 2

que é válido para transformador ideal, sem perdas e sem dispersões de fluxo.

1.6 CORRENTES DE CARGA. COMPENSAÇÃO DE AMPÈRES - ESPIRAS

No secundário, tem-se uma tensão induzida. Pode-se alimentar uma carga através desse enrolamento secundário.

V 1

+ i 1 i mag i Φ 2 mútuo V e e 1 2 2
+
i 1
i mag
i
Φ
2
mútuo
V
e
e 1
2
2
N 1
N 2

carga

Figura 1-5 – Enrolamento Secundário Alimentando Carga

A corrente I 2 de carga em N 2 espiras, gera uma força magneto-motriz de:

F

2

= N

2

.I

2

ampères-espiras

Essa FMM estaria associada a uma intensidade de campo H 2 , indução B 2 e fluxo

φ

2

Noções de Transformadores

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9

CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

Mas o fluxo mútuo φ depende da tensão aplicada (Lei de Faraday) e supõe-se que

não pode ser alterado com a

mutuo

essa tensão é constante (não muda). Isto é, o presença da carga.

φ mutuo

Consequentemente, no outro enrolamento (primário) aparecerá simultaneamente uma força magneto-motriz de:

F

1

= N .I

1

1

ampères-espiras de modo que

F

1

+ F

2

= 0

Isto é, sem saldo de FMM para alterar o fluxo mútuo que só depende da tensão aplicada.

Conclusão: a toda corrente de carga I 2 , haverá uma corrente no outro enrolamento I 1 , de modo que haja compensação de ampères-espiras (compensação de FMM), com:

N 1 .I 1 = N 2 .I 2

1.7 DISPERSÕES DE FLUXO

Foi verificado que no enrolamento 1 tem-se:

F = N .I

1

1

1

(devido a carga)

e

F

1_

mag

=

N

1

.

i

1_

mag

E que no enrolamento 2 tem-se:

F

2

= N

2

.I

2

(devido a carga)

Essas FMM, produzem fluxos que se fecham pelo ar ou por outro caminho que não seja o núcleo do transformador, que são os chamados fluxos dispersos.

V 1

+ i 1 i mag i Φ 2 mútuo Φ 1 V e e 1
+
i 1
i mag
i
Φ
2
mútuo
Φ
1
V
e
e 1
2
2
Φ
2
N 1
N 2

carga

Figura 1-6 – Fluxos Dispersos no Transformador

A “queda de tensão” (FEM) no enrolamento 1, devido à dispersão de fluxo será:

Noções de Transformadores

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10

CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

V

Disp

1

= X

1

.

(

I

1

+i

mag

)

Volts

A “queda de tensão” (FEM) no enrolamento 2, devido à dispersão de fluxo será:

V Disp 2

= X

2

(

. I

2

)

Volts

1.8 MODELO DE TRANSFORMADOR

Pode-se agora montar o modelo matemático do transformador, considerando todos os aspectos vistos até agora, mais as perdas por calor.

V 1

R 1

j X 1

R 2

j X 2

I 1

I

2

i exc +I 1 i perda i mag j X m R p e 1
i exc +I 1
i perda
i mag
j X m
R p
e 1
e 2
e 2

N1:N2

Ideal

V 2

Figura 1-7 – Modelo de Transformador

R 1 = representa as perdas por calor no enrolamento 1

R 2 = representa as perdas por calor no enrolamento 2

R p = representa as perdas por calor no núcleo

j.X m = representa o circuito magnético mútuo

j.X 1 = representa o fluxo disperso no enrolamento primário

j.X 2 = representa o fluxo disperso no enrolamento secundário

1.9 POLARIDADE

É a marcação (uma marca ou uma identificação padronizada) que mostra a referência

(modo de enrolar) daquele enrolamento. Por exemplo:

Noções de Transformadores

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11

CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

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CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA H1 Y1 Y2 H2 Figura 1-8 – Exemplos de identificação
CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA H1 Y1 Y2 H2 Figura 1-8 – Exemplos de identificação
CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA H1 Y1 Y2 H2 Figura 1-8 – Exemplos de identificação
H1 Y1 Y2 H2
H1
Y1
Y2
H2

Figura 1-8 – Exemplos de identificação de polaridades

Considerando uma condição de carga, se a corrente em um dado instante entra pela polaridade do enrolamento do lado da fonte, nesse mesmo instante a corrente do enrolamento do lado da carga estará saindo pela polaridade. É a tradução prática do conceito visto de compensação de ampères - espiras.

1.10

CONEXÃO TRIÂNGULO – ESTRELA DE TRANSFORMADOR TRIFÁSICO OU DE BANCO DE TRANSFORMADORES

Exemplo com defasamento de + 30 graus, com o lado estrela adiantado com relação ao lado delta (conexão Dy1 ou Yd11). Fisicamente as fases são conectadas conforme a figura a seguir.

b

c

a

A B C Esquematicamente:
A
B
C
Esquematicamente:
A a = (A - C) B b = (B - A) C c =
A
a = (A - C)
B
b = (B - A)
C
c = (C - B)
Figura 1-9 – Conexão estrela - triângulo

Noções de Transformadores

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12

CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

Com base nas conexões físicas mostradas, pode-se compor o diagrama vetorial das tensões de linha de ambos os lados:

a A +30 o c B C b
a
A
+30 o
c
B
C
b

Figura 1-10 – Vetores de tensões de linha para conexão estrela – triângulo

Noções de Transformadores

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CURSO DE PROTEÇÃO PARA OPERAÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA, CURTO- CIRCUITO E OUTRAS ANOMALIAS

CURSO DE PROTEÇÃO PARA OPERAÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA, CURTO-CIRCUITO E OUTRAS ANOMALIAS

2.

ATERRAMENTO DE SISTEMA

2.1

CLASSIFICAÇÃO

A seguinte classificação se aplica à parte do sistema elétrico cuja característica é o modo

de

aterramento de neutro de transformadores e máquinas rotatórias desta parte:

Sistema Solidamente Aterrado

Sistema Aterrado Através de Resistência

Sistema Aterrado Através de Reatância

Sistema Isolado

As

figuras a seguir mostram esquematicamente os conceitos de aterramento.

Sist. Solidadamente Aterrado Sist. Aterrado por Resistência Sist. Aterrado por Reeatância

Sist. Solidadamente Aterrado

Sist. Aterrado por Resistência

Sist. Aterrado por Reeatância

Sist. Isolado

Sist. Isolado

Sist. Isolado

Sist. Isolado

Figura 2-1 Sistemas Aterrados e Sistemas Isolados

O

ponto de aterramento pode ser provido por um gerador, um transformador ou um

transformador de aterramento. A tabela a seguir mostra a diferença entre esses sistemas.

Aterramento do Sistema

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CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

Sistema

Corrente de Curto Circuito à Terra em % da Corrente de Curto Circuito Trifásico

Sobretensões

Segregação Automática do Ponto de Curto Circuito

Pára-raios

Obs.

Transitórias

Solidamente

Pode ser 100%, com variações para mais ou menos

Não Excessivo

Sim. Permite

Tipo

Geralmente

Aterrado

Seletividade

Neutro

usado em

para

Aterrado

tensões

sobrecorrente

(tensão

primárias de

 

.

Distribuição e

nominal

Fase –

Acima.

Neutro)

Também para

circuitos

secundários de

600

V e abaixo.

Aterrado por

25 a 100% para reatores de baixa reatância

Não

Sim. Permite

Tipo

Geralmente

Reatância

Excessivas

Seletividade.

neutro

usado em

aterrado

tensões

(Baixa

Reatância)

 

se

corrente

primárias de

Distribuição e

Essencialmente

superior a

Acima.

Solidamente

60%

Aterrado

Também para

circuitos

secundários de

600

V e abaixo.

Aterrado por

5

a 25% para

Muito Altas

Permite

Tipo

Não usado

Reatância

reatores de alta

Seletividade

neutro não

devido às

reatância.

com

aterrado

excessivas

(Alta Reatância)

dificuldade.

sobretensões

(tensão de

linha)

transitórias

Aterrado por

5

a 20%

Não

Permite

Tipo

Geralmente usado para sistemas

Resistência

 

Excessivas

Seletividade

neutro não

com

aterrado

dificuldade.

(tensão de

industriais de 2,4 a 15 kV.

linha)

Isolado

Menor que 1%

Muito Altas

Não.

Tipo

Usado apenas

neutro não

em ambientes

aterrado

restritos, com

baixa

(tensão de

linha)

possibilidade

de

sobretensões

transitórias.

2.2 CURTO CIRCUITO A TERRA EM SISTEMA ATERRADO E EM SISTEMA ISOLADO

Curto-circuito Fase-Terra em Sistema Sólidamente Aterrado

Aterramento do Sistema

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15

CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

Na ocorrência de curto-circuito de uma fase à terra, num sistema solidamente aterrado não há, praticamente, deslocamento do ponto de terra do neutro para a terra, conforme mostra a figura a seguir para um curto circuito da fase A para a terra:

Vb Vb N VaN =0 Va Vc Vc N
Vb
Vb
N
VaN
=0
Va
Vc
Vc
N

Curto Fase-Terra num Sistema Solidamente Aterrado

Não há (praticamente) deslocamento de neutro

Figura 2-2 Curto Fase-Terra num Sistema Solidamente Aterrado

Isto é, o potencial da fase em curto-circuito vai para o nível de potencial da terra que estará no nível de potencial do ponto neutro do sistema elétrico.

Neste caso, a corrente de curto-circuito Fase-Terra é relativamente grande, dependendo do ponto de curto-circuito, com condições de fundir elos fusíveis de proteção ou atuar relés de proteção.

É o que ocorre numa rede de subtransmissão ou de distribuição de uma empresa concessionária de serviços de eletricidade.

Curto-circuito Fase-Terra em Sistema Aterrado por Resitência (sistema industrial)

Na ocorrência de curto-circuito de uma fase à terra, num sistema aterrado por resistência (como num sistema industrial em média tensão), há deslocamento parcial do ponto de terra do neutro para a terra, conforme mostra a figura a seguir para um curto circuito da fase A para a terra:

Aterramento do Sistema

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16

CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

Curto Fase-Terra num Sistema Aterrado por Resistência Vb N Vb Deslocamento de Neutro parcial VaN
Curto Fase-Terra num
Sistema Aterrado por
Resistência
Vb
N
Vb
Deslocamento de
Neutro parcial
VaN
=0
Vc
Va
Vc
N

Figura 2-3 Curto Fase-Terra num Sistema Aterrado por Resistência

Isto é, o potencial da fase em curto-circuito estará com potencial da terra, mas deslocado do ponto de neutro do sistema elétrico.

Neste caso, a corrente de curto-circuito Fase-Terra é menor do que aquele para sistema solidamente aterrado (dependendo do valor da resistência de aterramento do neutro do transformador) dependendo, também, do ponto de curto-circuito. Ainda pode haver condição de fundir elos fusíveis de proteção ou atuar relés de proteção.

É o que ocorre num ramal / circuito em média tensão de uma instalação industrial.

Curto-circuito Fase-Terra em Sistema Isolado

Na ocorrência de curto-circuito de uma fase à terra, num sistema isolado, a fase em curto estará no potencial da terra, mas há deslocamento total do ponto neutro para esse

potencial da terra, conforme mostra a figura a seguir para um curto circuito da fase A para

a terra:

VaN

=0

Há total deslocamento de neutro Vab Vbc Vb Vb N Va Vc Vca Vc N
Há total deslocamento
de neutro
Vab
Vbc
Vb
Vb
N
Va
Vc
Vca
Vc
N

Figura 2-4 Curto Fase-Terra em um Sistema Isolado

Aterramento do Sistema

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Neste caso, a corrente de curto-circuito Fase-Terra é desprezível de ponto de vista de proteção (não detectado por relé ou elo fusível). Mas há corrente suficiente para causar danos em animais ou humanos.

É o que ocorre num ramal / circuito em média tensão de uma instalação industrial.

As tensões fase-neutro passarão a valer:

Va = 0 (esta fase estará no potencial da terra)

Vb = Vab (tensão de linha, 3 vezes maior que a tensão de fase-neutro)

Vc = -Vca (tensão de linha, 3 vezes maior que a tensão de fase-neutro)

As tensões de linha, Vba, Vcb, Vac continuarão as mesmas, sendo que as cargas trifásicas alimentadas por este sistema não percebem o aterramento. Isto é, o sistema continua a operar normalmente.

Duas das tensões de fase terão um aumento de 73,2%. É porisso que os pára-raios para sistemas isolados são especificados para tensão de linha e não para tensão de fase.

O risco existe na possibilidade de um segundo aterramento, seja por curto circuito ou por

acidente (humano) em outra fase. Nessas condições se caracterizaria um curto circuito Bifásico com alta corrente. Assim, torna-se essencial um circuito que detecte quando uma fase vai à terra e emita o alarme correspondente. O problema é que não se sabe em que ponto do sistema o curto circuito se encontra.

A corrente de curto circuito existirá em quantidade pequena, devido às capacitâncias do

sistema, conforme ilustra a figura a seguir.

do sistema, conforme ilustra a figura a seguir. Figura 2-5 Curto Fase-Terra em um Sistema Isolado.

Figura 2-5 Curto Fase-Terra em um Sistema Isolado. Influência das capacitâncias.

Tanto maior a corrente, quanto maior a capacitância do circuito, por exemplo constituído de cabos isolados.

A

corrente é pequena, não detectado por relés de proteção, mas perigosos para humanos

e

animais. Portanto um sistema isolado só é recomendado para ambientes controlados

Aterramento do Sistema

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(serviço auxiliar de subestação ou sistema industrial), onde a interrupção por um curto fase-terra simples é indesejado para se manter a continuidade do suprimento.

Em termos de grandezas senoidais, haverá alteração das tensões medidas pelo registrador oscilográfico caso essas tensões forem Fase-Neutro.

Tensões Fase - Neutro de um Sistema Isolado com Curto-Circuito da fase A à Terra
Tensões Fase - Neutro de um Sistema Isolado
com Curto-Circuito da fase A à Terra
Va
Vb
Vc

Figura 2-6 Curto Fase-Terra em um Sistema Isolado. Tensões fase-terra.

O ângulo entre as fases b e c passará de 120 graus para 60 graus.

2.3 TRANSFORMANDO UM SISTEMA ISOLADO EM SISTEMA ATERRADO

Para transformar um sistema isolado (por exemplo, alimentado por um enrolamento Delta de um transformador de transmissão), há necessidade de prover um ponto de terra que possa servir de caminho para corrente de curto-circuito para terra.

de caminho para corrente de curto-circuito para terra. Lado sem ponto de terra (Isolado) Sistema Aterrado
de caminho para corrente de curto-circuito para terra. Lado sem ponto de terra (Isolado) Sistema Aterrado

Lado sem ponto de terra (Isolado)

curto-circuito para terra. Lado sem ponto de terra (Isolado) Sistema Aterrado (através de TR de Aterramento)
Sistema Aterrado (através de TR de Aterramento) TR Aterramento Conexão Zig-Zag
Sistema Aterrado (através de TR de Aterramento)
TR Aterramento
Conexão Zig-Zag

Figura 2-7 Sistema Isolado que passa a Aterrado através do TR de Aterramento

Aterramento do Sistema

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3. TRANSFORMADOR DE ATERRAMENTO

Trata-se de um transformador que tem a finalidade de prover ponto de terra para um sistema que era isolado e passa a ser aterrado.

Se o transformador de aterramento não tiver resistência no seu neutro, então o sistema resultante será “solidamente aterrado”. Se o transformador de aterramento tiver resistência de aterramento no seu neutro, então o sistema resultante será “aterrado por resistência”.

Há dois tipos de transformador de aterramento:

- O tranformador “Zig-Zag”

- O transformador “Estrela – Delta”

Tanto um como outro providencia o ponto de terra, através do aterramento do seu neutro. Mas o essencial, tanto para um como para o outro, é que haja sempre uma “compensação de Ampères x Espiras” para a corrente de terra que irá passar pelo transformador de aterramento.

Isto é, não pode haver corrente no enrolamento primário de um transformador, sem a correspondente compensação (corrente) no secundário da mesma fase, de tal modo que N1.I1 = N2.I2.

Como se sabe, a corrente de terra (a que passa no neutro) é subdividida em 3 correntes iguais (em módulo e ângulo) nas três fases do sistema. Essa corrente que passa na fase é a chamada corrente de “seqüência zero”. Ou melhor:

I Terra = 3. I 0

A figura a seguir mostra a compensação num TR Zig Zag:

0 A figura a seguir mostra a compensação num TR Zig Zag: I 0 I 0
I 0 I 0 I 0 N I 0 Em cada fase: +N.I 0 -
I 0
I 0
I 0
N
I
0
Em cada fase:
+N.I 0 - N.I 0 =0
TR Aterramento
I 0
Conexão Zig-Zag
N
I Terra = 3.I 0

Figura 3-1 Esquema Trifilar de um TR Zig Zag

Aterramento do Sistema

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A figura a seguir mostra uma outra representação de TR Zig Zag:

I 0 I 0
I 0
I 0

I Terra = 3.I 0

I 0

Figura 3-2 Outra Representação de TR Zig Zag

A figura a seguir mostra a compensação num TR Estrela – Delta:

I 0 I 0 I 0 I 0 I 0 I 0 I Terra =
I 0
I 0
I
0
I
0
I
0
I
0
I Terra = 3.I 0

Figura 3-3 TR de Aterramento Estrela / Delta

Aterramento do Sistema

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CURSO DE PROTEÇÃO PARA OPERAÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA, CURTO- CIRCUITO E OUTRAS ANOMALIAS

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4.

REPRESENTAÇÃO DE SISTEMAS DE POTÊNCIA

4.1

DIAGRAMA UNIFILAR

A finalidade de um diagrama unifilar é fornecer, de maneira concisa, os dados significativos de um sistema elétrico de potência. Deve apresentar informações na quantidade e qualidade necessárias, sempre orientadas para o estudo ou o problema em análise.

TIPO DE ESTUDO

INFORMAÇÕES NO DIAGRAMA

FLUXO DE POTÊNCIA

- Identificação das barras

- Impedâncias das linhas e transformadores (seq. +)

- Admitância shunt de linhas longas

- Taps dos transformadores

- Potências ativas e reativas, ou potência ativa em barras determinadas

- Dados para cálculo de valores por unidade

CURTO-CIRCUITO

- Identificação das barras

- Impedâncias das linhas e transformadores (seq. + e seq. 0)

- Admitância shunt de linhas longas (seq. + e seq. 0)

- Tipos de conexão de transformadores

- Impedâncias de geradores (subtransitórias e seq. 0)

- Dados para cálculo de valores por unidade (potências, tensões nominais, etc.) de impedâncias de linhas, transformadores, geradores, reatores, etc.

ESTABILIDADE

- Identificação das barras

- Impedâncias das linhas e transformadores (seq. + )

- Admitância shunt de linhas longas (seq. +)

- Impedâncias de geradores (transitórias)

- Dados para cálculo de valores por unidade

- Constantes de inércia de máquinas

- Características dos sistemas de excitação e reguladores de velocidade de máquinas

- Informações sobre disjuntores e relés de proteção

Representação do Sistema

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CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

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PROTEÇÃO

- Relações de transformação e classe de exatidão de TC’s e TP’s

- Impedâncias de seqüência positiva e zero de linhas

- Impedâncias de seqüência positiva e zero de transformadores e suas conexões

- Tipos básicos de proteção

- TC’s auxiliares

- Disjuntores

- Etc.

Evidentemente, existe uma grande variação entre diagramas unifilares, dependendo da finalidade dos mesmos. Mesmo dentro de uma única finalidade, a quantidade e qualidade das informações variam muito, dependendo do estudo e do autor. Porém, a regra é única:

máximo de informações com máximo de simplicidade.

TR1 TR4 Transmissão G1 M 1 5 7 TR5 8 4 6 2 G2 TR2
TR1
TR4
Transmissão
G1
M
1
5
7
TR5
8
4
6
2
G2
TR2
3
TR3
Subtransmissão
TR_Aterramento
9
10

TR Distribuição

Figura 4-1 – Exemplo de Diagrama Unifilar para Estudo de Curto-Circuito

Dados:

Geradores / Motores: potência nominal, tensão nominal, X” d , X 0

Transformadores: potência nominal, tensões nominais, reatâncias de dispersão, de seqüência positiva e zero.

Linhas: Impedâncias (R + j.X) e Admitâncias capacitivas (Y c ), de seqüência positiva e zero.

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23

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4.2

DIAGRAMA DE IMPEDÂNCIAS

4.2.1

Finalidade

A análise do comportamento de um sistema de potência é baseado em cálculos, atualmente com ampla utilização de computadores digitais. Para possibilitar o cálculo matemático há necessidade de modelos, ou melhor, de circuitos equivalentes de sistemas que possam representar, da melhor maneira possível, o comportamento desses sistemas ou parte desses sistemas.

O diagrama de impedâncias, com os valores p.u. (por unidade) das impedâncias é básico para esses cálculos.

4.2.2

Fundamento

No estudo de circuitos elétricos polifásicos através de circuitos equivalentes, a consideração inicial é supor o sistema equilibrado. Nessas condições, pode-se fazer a modelagem e o estudo de apenas uma das fases, sabendo-se implicitamente que as condições nas outras fases são as mesmas, a menos do defasamento angular constante entre fases, considerando ainda uma situação de regime permanente com freqüência constante.

Nos sistemas trifásicos representa-se, então, apenas uma das fases, com o retorno através de um fio neutro (ideal). Como num sistema trifásico equilibrado:

Ia + Ib + Ic = 0

Observa-se, que na realidade, não há corrente pelo citado “fio neutro”. Assim, a eventual impedância deste retorno não é representada.

Assim, os circuitos equivalentes são representações monofásicas de circuitos trifásicos.

R j X

monofásicas de circuitos trifásicos. R j X Z = R + j.X Figura 4-2 – Linhas

Z = R + j.X

Figura 4-2 – Linhas Curtas (Até aproximadamente 80 km)

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R j X - 2.j X C - 2.j X C
R j X
- 2.j X C
- 2.j X C

Figura 4-3 – Linhas Médias (Até aproximadamente 200 km) – Modelo Pi

Z

= R + j.X

X

c = reatância capacitiva (shunt) total da linha

X

C

1 1

=

=

2.

π

.

f . C

Y

C

Para Linhas de Transmissão Longas

Para as linhas longas, a representação torna-se mais complexa. Pode-se, entretanto, fazer um modelo Π equivalente (como para as linhas médias) com os valores Z e Yc corrigidos:

Onde,

Z

'(

corrigido

)

= Z

Yc corrigido = Y

'(

)

C

senh( γ . l ) . γ . l l tanh( . γ 2 )
senh(
γ .
l )
.
γ
. l
l
tanh( .
γ
2 )
l
γ
. 2

l = comprimento da linha de transmissão (km)

γ =

y.z
y.z

y = Admitância shunt por km

z = Impedância série por km (r + jx)

4.2.3 Circuito Equivalente para Transformador de 2 enrolamentos

Uma representação relativamente completa para um transformador de dois enrolamentos é mostrada na figura a seguir.

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j X 1 R 1 j X 2 R 2 j X M R p
j X 1
R 1
j X 2
R 2
j X M
R p

N1:N2

Ideal

Figura 4-4 – Circuito Equivalente de um Transformador de Dois Enrolamentos

Onde:

R 1 , R 2 = Resistências representando as perdas nos enrolamentos 1 e 2 (perdas no cobre), em ohms.

X 1 , X 2 = Reatâncias representando os fluxos dispersos nos enrolamentos 1 e 2, em ohms.

X m = Reatância de magnetização (representando o fluxo no núcleo), em ohms.

R p = Resistência representando as perdas no núcleo (perdas no ferro), em ohms.

Essas resistências e reatâncias indutivas (em ohms) podem ser representadas em um dos lados do transformador:

R1+[N1/N2] 2 .R 2 j (X 1 +[N1/N2] 2 .X 2 ) j X M
R1+[N1/N2] 2 .R 2
j (X 1 +[N1/N2] 2 .X 2 )
j X M
R p

N1:N2

Ideal

Figura 4-5 – Circuito Equivalente visto do Lado Primário

Esta representação, entretanto, é demasiadamente complicada para aplicação nos cálculos para o sistema de potência. É de senso comum e tecnicamente aceitável e desejável a simplificação deste modelo.

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Representação Simplificada

R 1 , R 2 e R p = desprezados, para transformadores de potência

X m = considerado infinito (corrente de magnetização desprezível com relação à corrente de carga.

j (X 1 +[N1/N2] 2 .X 2 )

à corrente de carga. j (X 1 + [N1/N2] 2 .X 2 ) N1:N2 Ideal Figura
à corrente de carga. j (X 1 + [N1/N2] 2 .X 2 ) N1:N2 Ideal Figura
à corrente de carga. j (X 1 + [N1/N2] 2 .X 2 ) N1:N2 Ideal Figura
à corrente de carga. j (X 1 + [N1/N2] 2 .X 2 ) N1:N2 Ideal Figura

N1:N2

Ideal

Figura 4-6 – Circuito Equivalente Simplificado, visto do Lado Primário

Ou, visto do outro lado:

j (X 2 +[N2/N1] 2 .X 1 )

visto do outro lado: j (X 2 + [N2/N1] 2 .X 1 ) N1:N2 Ideal Figura
visto do outro lado: j (X 2 + [N2/N1] 2 .X 1 ) N1:N2 Ideal Figura
visto do outro lado: j (X 2 + [N2/N1] 2 .X 1 ) N1:N2 Ideal Figura
visto do outro lado: j (X 2 + [N2/N1] 2 .X 1 ) N1:N2 Ideal Figura

N1:N2

Ideal

Figura 4-7 – Circuito Equivalente Simplificado, visto do Lado Secundário

Mesmo assim, este modelo não é, ainda, aquele que é utilizado nos cálculos. Isto porque, o cálculo envolvendo relações de transformação (N1/N2) é demasiadamente trabalhoso (não prático).

Assim

valores

PERCENTUAIS (%).

sendo,

trabalha-se

com

valores

em

POR

UNIDADE

(p.u.)

ou

Diagrama de Impedância do Transformador em p.u.

Pode-se representar um transformador de dois enrolamentos através da sua impedância percentual (ou p.u. = % / 100). Nessa representação, o valor em “p.u.” ou o valor percentual é o mesmo, qualquer que seja o lado do TR:

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j X (% ou pu)

CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA j X (% ou pu) Figura 4-8 – Circuito Equivalente

Figura 4-8 – Circuito Equivalente de Transformador de Potência de Dois Enrolamentos

O modelo anterior vale para transformadores de potência.

Para transformadores de menor potência (transformadores industriais e de distribuição), não se pode desprezar o valor da resistência. Então, o modelo será:

R (pu ou %) j X (pu ou %)
R (pu ou %)
j X
(pu ou %)

Figura 4-9 – Circuito Equivalente de Transformador de Distribuição de Dois Enrolamentos

4.2.4 Circuito Equivalente para Transformador de 3 enrolamentos

Um transformador de 3 enrolamentos apresenta tem 3 enrolamentos por fase, com 3 níveis de tensão:

Lado p

3 enrolamentos por fase, com 3 níveis de tensão: Lado p Lado t Lado s Neste

Lado t

Lado s

Neste caso é como se existissem três transformadores de dois enrolamentos cada:

Lado p Lado s X ps (pu ou %)
Lado p
Lado s
X ps (pu ou %)
+ Lado p Lado t + X pt (pu ou %)
+
Lado p
Lado t
+
X pt (pu ou %)
Lado s Lado t X st (pu ou %)
Lado s
Lado t
X st (pu ou %)

Figura 4-10 – Unifilar de Transformador de Três Enrolamentos

Os valores Xps, Xpt e Xst são determinados através de ensaios de curto-circuito, par a par.

E a representação deste transformador de 3 enrolamentos será:

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j X p j X s p s t j Xt X p + X
j X p
j X s
p
s
t
j Xt
X p + X t = X pt
X s + X t = X st
X p + X s = X ps

Figura 4-11 – Circuito Equivalente de Transformador de Três Enrolamentos

Ou:

X p = ½ (X ps + X pt – X st )

X s = ½ (X ps + X st – X pt )

X t = ½ (X pt + X st – X ps )

4.2.5 Circuito Equivalente para Geradores e Motores Síncronos

Um problema importante na determinação das impedâncias seqüenciais de um sistema de potência refere-se às impedâncias de máquinas. O problema é especialmente difícil pois as máquinas rotativas são dispositivos bastante complexos para serem descritos matematicamente, com muitos aspectos a considerar como: velocidade, grau de saturação, linearidade do circuito magnético e outros fenômenos.

Para fins do presente curso, o que importa é que, quando ocorre curto-circuito nos terminais de uma máquina síncrona, a corrente de curto circuito comporta-se como o mostrado na figura a seguir.

i

c b a tempo
c
b
a
tempo

Figura 4-12 – Componente AC de corrente de curto circuito aplicado aos terminais de uma máquina síncrona – Períodos subtransitório e transitório

Períodos transitório e subtransitório:

Se um curto circuito é aplicado a uma máquina em vazio, aparece uma corrente como o mostrado na figura. A corrente tem um alto valor inicial (0 – c) que decai em alguns ciclos

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para uma outra faixa com menor taxa de queda (0 – b). Com o tempo a corrente se estabiliza num valor (0-a) – em regime de curto.

O período inicial é denominado subtransitório e o período a seguir é denominado

transitório. Uma máquina síncrona pode, então, ser representada por:

j X d ” ou j X d ’
j X d ”
ou
j X d ’

Figura 4-13 – Circuito Equivalente de uma Máquina Síncrona

Onde os valores X” d e X’ d são as reatâncias subtransitória e transitória respectivamente. Um ou outro valor deve ser utilizado, dependendo do tipo de cálculo que se deseja. Para curto-circuito utiliza-se X” d . Para estudos de estabilidade, X’ d .

O diagrama acima está desprezando a resistência, o que normalmente é feito para

máquinas síncronas.

4.2.6 Circuito Equivalente para Motores de Indução

Quando se aplica um curto-circuito nos terminais de um motor de indução há a remoção da fonte de alimentação e seu campo decai muito rapidamente. A literatura mostra que essa queda ocorre com uma constante de tempo aproximada de:

( X + X ) τ = s r R ω . R 1 X
(
X
+
X
)
τ
=
s
r
R
ω
. R
1
X s = reatância do estator.

R

Onde:

X r = reatância do rotor (com o rotor bloqueado)

R r = resistência do rotor.

w 1 = velocidade síncrona em radianos por segundo.

Esta constante de tempo é, em geral muito pequena (menor que 1 ciclo em 60 Hz).

Então o motor de indução pode e deve ser considerado no período subtransitório, através

do modelo:

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j (Xs + Xr)

CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA j (Xs + Xr) E m Figura 4-14 – Circuito

E m

Figura 4-14 – Circuito Equivalente de um Motor de Indução

4.2.7 O Diagrama de Impedâncias do Sistema

Baseado no diagrama unifilar e conhecendo os circuitos equivalentes de cada elemento do Sistema de Potência, pode-se montar o chamado diagrama de impedâncias. Por exemplo, para o sistema a seguir:

E A Sistema TR C B TR LT
E
A
Sistema
TR
C
B TR
LT
A B C j Xd” E j X R j X j Xb Figura 4-15
A
B C
j Xd”
E j X
R
j X
j Xb
Figura 4-15 – Diagrama Unifilar e respectivo Diagrama de Impedâncias
O diagrama de impedâncias mostrado é para condições equilibradas. Por exemplo, é
usado para cálculo de curto-cicuito.

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CURSO DE PROTEÇÃO PARA OPERAÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA, CURTO-CIRCUITO E OUTRAS ANOMALIAS

5.

DESLIGAMENTO FORÇADO DE LINHA OU COMPONENTE DO SISTEMA

5.1

TERMINOLOGIA

Desligamento

Desligamento é o ato de abertura de dispositivo(s) que interliga(m) circuitos de potência, interrompendo a continuidade elétrica através de um componente.

Desligamento Forçado

É o tipo de desligamento que ocorre em condição não programada, resultando em pronta ou imediata interrupção da continuidade elétrica através de um componente, sem que sejam avaliadas as conseqüências associadas ao fato.

Um desligamento forçado resulta, geralmente, de condição de emergência inerente ao componente cuja continuidade elétrica foi interrompida, ou inerente ao sistema elétrico ao qual pertence o componente, necessitando que ocorra tal desligamento de modo imediato, automática ou manualmente.

Os demais casos de desligamentos forçados decorrem de causas acidentais, quando a continuidade elétrica é interrompida de modo involunt rio ou indevido.

Como exemplos de desligamentos forçados podem ser citadas ocorrências resultantes de atuações de relés ou dispositivos de proteção, quando de FALTA ou outra ANORMALIDADE no SISTEMA ELÉTRICO DE POTENCIA. São desligamentos geralmente de caráter DESEJÁVEL, podendo porém ter, às vezes, caráter indesejável por atuação incorreta da proteção.

Outros casos são aqueles que ocorrem SEM FALTA OU OUTRA ANORMALIDADE NO SISTEMA ELÉTRICO DE POTENCIA PROTEGIDO, resultantes de atuações de relés ou dispositivos de proteção, de problemas nos circuitos entre as proteções e os disjuntores, de problemas nos circuitos de comandos dos disjuntores, de problemas nos disjuntores em si, de ações humanas acidentais involunt rias, etc. Estes casos têm, sempre, caráter INDESEJÁVEL e INESPERADO.

Desligamento Forçado por Causa Fugitiva

Quando o retorno ao serviço é feito automaticamente ou tão logo operações de manobra sejam executadas, sem correção, reparo ou reposição de peças, equipamentos ou instalações. A simples inspeção do componente, onde nada é constatado, deve ser enquadrado neste caso.

Desligamento Forçado por Causa Permanente

Quando o retorno ao serviço é feito somente após a intervenção da manutenção, para correção, reparo ou reposição.

Desligamento Forçado Manual (DFM)

Desligamento Forçado

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É aquele resultante de COMANDO DE DESLIGAMENTO MANUAL através da chave de

comando, seja para problemas no Sistema Elétrico de Potência, seja para problemas no terminal de linha de transmissão em questão, seja ainda para problemas nos paineis, fiações e disjuntores.

É geralmente de caráter DESEJÁVEL, em condições de emergência, quando relés de

proteção não têm condições de atuação ou há recusas de atuação. ãs vezes, entretanto, pode ter caráter indesejável, por ERRO ou ENGANO do operador da subestação.

5.2

CAUSA DO DESLIGAMENTO

(*) – Causas que podem provocar curto-circuito

5.2.1

Fenômenos Naturais

- DESCARGA ATMOSFÉRICA (*)

- VENTO FORTE (*)

- OUTROS FENÔMENOS NATURAIS (*)

5.2.2

Meio Ambiente

- ÁGUA (*)

- FOGO (*)

- UMIDADE

- QUEIMADA / FOGO SOB A LT (*)

- POLUIÇÃO / CONTAMINAÇÃO AMBIENTAL (*)

- DEPÓSITO SALINO (*)

- OUTROS - MEIO AMBIENTE

5.2.3

Corpos Estranhos e Objetos

- ÁRVORE (*)

- ACIDENTE COM SER HUMANO (*)

- VEÍCULOS (*)

- AERONAVES (*)

- OBJETOS ESTRANHOS (*)

- ANIMAIS, PÁSSAROS, INSETOS (*)

- CRUZAMENTO DE CABOS (OUTRA LT) (*)

- OUTROS - CORPOS ESTR & OBJETOS (*)

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5.2.4 Humanos da Própria Empresa

- ACIDENTAL - SERVIÇOS/TESTES

- MANOBRA INDEVIDA (*)

- FECHAMENTO FORA DE SINCRONISMO (*)(*)

- ERRO DE RELAÇÃO

- ERRO DE FIAÇAO DC - EXECUÇÃO

- ERRO DE FIAÇÃO DC - PROJETO

- ERRO DE FIAÇÃO AC – EXECUÇÃO

- ERRO DE FIAÇÃO AC – PROJETO

- DIRECIONALIDADE INVERTIDA-PLUG

- ERRO DE AJUSTE - CÁLCULO

- ERRO DE AJUSTE - EXECUÇÃO

- OUTROS - HUMANOS

5.2.5 Fiação AC/DC

- SECUND. AC - CURTO CIRCUITO

- SECUND. AC - CIRCUITO ABERTO

- SECUND. AC - TRANSITÓRIO / OSCILACÃO

- SECUND. AC - FUSÍVEL QUEIMADO (CAUSA IGN)

- SECUND. DC - CURTO CIRCUITO

- SECUND. DC - CIRCUITO ABERTO

- SECUND. DC - FUSÍVEL QUEIMADO (CAUSA IGN)

- CIRCUITO DC - DIODO DANIFICADO

- CIRCUITO DC – SOBRETENSÃO DINÂMICA

- CIRCUITO DC - SUBTENSÃO

- OUTRAS - FIAÇÃO AC / DC

5.2.6 Equipamentos e Acessórios

- DEFEITO

- FALHA (*)

- QUEIMA (*)

- EXPLOSÃO (*)

- QUEDA (*)

- ROMPIMENTO / DESCONEXÃO (*)

Representação do Sistema

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- ENLAÇAMENTO (CABOS) (*)

- - NÍVEL BAIXO

ÓLEO

ÓLEO

- - BAIXA PRESSÃO

- AR / SF6 - BAIXA PRESSÃO

- COMAN/CONTR ELÉTRICO - FALH/DEFEITO

- COMAN/CONTR MECÂNICO - FALH/DEFEITO

- CÂMARA OU POLOS - FALH/DEFEITO (*)

- BUCHA

- ISOLACAO

- SATURAÇÃO (TC OU NÚCLEO DE TR)

- FERRORESSONÂNCIA - REDE

- OUTROS - EQUIPAMENTOS & ACESSORIOS

- FALH/DEFEITO (*)

- FALH/DEFEITO (*)

5.2.7 Proteção, Supervisão e Controle

- RELÉ DE PROTEÇÃO - FALH/DEFEITO

- DISPOS/PROTEÇÃO MECÂNICA - FALH/DEFEITO

- INSTRUMENTO MEDIÇÃO - FALH/DEFEITO

- RELÉ AUXILIAR AC - FALH/DEFEITO

- RELÉ AUXILIAR DC - FALH/DEFEITO

- RELÉ DE PROTEÇÃO DESCALIBRADO

- RUÍDO/DEF/FALHA - TELEPROTEÇÃO

- HARMONICA /RUIDO SUPORTÁVEL NA LT

- FERRORESSONÂNCIA NO SECUNDÁRIO

- RUÍDO NA FIAÇÃO SECUNDÁRIA

- FALHA DE PROTEÇÃO DE OUTRO COMPONENTE

- ESQUEMA INADEQUADO DE PROTEÇÃO

- ATUAÇÃO DIRETA DE PROTEÇÃO DE OUTRO COMPONENTE

- TC AUXILIAR * SATURAÇÃO

- FALHA DE AUTOMATISMO

- OUTRAS - PROTEÇÃO & SUP & CONTR

- S / DADOS - PROTEÇÃO & SUP & CONTR

5.2.8 Sistema Elétrico

- CONDIÇÕES ANORMAIS DE OPERAÇÃO

Representação do Sistema

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- MANOBR OPERACIONAL AUTOMÁTICA FORÇADA

- TENTATIVA DE RESTABELECIMENTO C/ FALHA/DEFEITO

- OCORRÊNCIA EM OUTRO COMPOMPONENTE DA CIA.

- ATUAÇÃO DE ESQUEMA ESPECIAL

- HARMONICOS EM EXCESSO

- OUTRAS CAUSAS - OPERACIONAL NO PRÓPRIO SISTEMA

- SEM DADOS - OPERACIONAL NO PRÓPRIO SISTEMA

- FALTA DE TENSÃO -C/ OU S/ DESLIGAMENTO

5.2.9

Outros Sistemas Elétricos

- PERTURBAÇÃO EM SUPRIDORA

- PERTURBAÇÃO EM CONSUMIDOR

- PERTURBAÇÃO EM CONCESS REG/MUNI

5.2.10

Diversos

- OUTRAS - SEM CLASSIFICAÇÃO

- IGNORADA - SEM DADOS

5.3

NATUREZA ELÉTRICA

Não é causa. É a característica elétrica da falta ocorrida no sistema.

Para curto-circuito

- CC Trifásico

- CC Bifásico

- CC Fase-Terra

- CC Bifásico-Terra

- CC entre Espiras

- CC Evolutivo Fase Terra – Bifásico Terra

- CC Evolutivo Fase Terra – Bifásico

- CC Evolutivo Fase Terra – Trifásico

- CC Evolutivo Fase Terra – Bifásico Terra - Trifásico

- CC Evolutivo Bifásico – Fase Terra

- CC Evolutivo Bifásico – Bifásico Terra

- Etc.

Para fase aberta

Representação do Sistema

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- Duas fases abertas

- Uma fase aberta

Para Tensão

-

Sobretensão Dinâmica

-

Subtensão

-

Sobretensão Transitória

-

Falta de tensão

Para Sobrecarga

- Sobrecarga

- Sobrecarga com subtensão

Para Freqüência

- Sobrefreqüência

- Subfreqüência

Para Transitórios

- Corrente de Magnetização Transitória (“Inrush”)

- Corrente de Partida de Motor

Para Distorções

- Corrente Harmônica

- Corrente de Saturação

Para Desequilíbrios

- Desbalanço com 3.I0 (Terra)

- Desbalanço com Seq. Negativa

Para Sistema

- Corrente Capacitiva

- Oscilação de Potência

- Retorno de Energia

- Absorção de Reativo

Nota: Há causas de desligamentos forçados “sem natureza elétrica”. Por exemplo, um desligamento causado por erro de fiação.

Representação do Sistema

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CURSO DE PROTEÇÃO PARA OPERAÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA, CURTO- CIRCUITO E OUTRAS ANOMALIAS

CURSO DE PROTEÇÃO PARA OPERAÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA, CURTO-CIRCUITO E OUTRAS ANOMALIAS

6.

NOÇÕES DE CURTO-CIRCUITO

Pode-se definir um curto-circuito como a conexão anormal entre partes energizadas de uma instalação, com ou sem envolvimento de terra, isto é, aquela parte não energizada com potencial equivalente ao do solo.

Na ocorrência de curto-circuito, a corrente associada pode ser muito grande ou quase insignificante, dependendo da configuração da instalação ou do seu tipo.Pode ocorrer

caso em que não há corrente ou as correntes de curto-circuito são inferiores a valores detectáveis por dispositivos de proteção.

6.1

TIPOS DE CURTO-CIRCUITO

Há vários tipos de curto-circuito que podem ocorrer:

Fase - Terra

Bifásico - Terra

Trifásico - Terra (com desequilíbrio)

Bifásico

Trifásico

Evolutivos, de fase-terra para bifásico-terra, de bifásico para bifásico-terra, etc.

Para a Proteção, a existência ou não de terra, na situação de curto-circuito, importa muito. Para curtos-circuitos à terra, que são os mais freqüentes, existem proteções específicas, com cuidados especiais.

O relatório ONS / DPP-GPE 33/2000 de abril de 2000 que efetua a análise estatística dos dados de 1998 mostra, por exemplo, a seguinte distribuição dos tipos de falhas em linhas de transmissão:

Natureza Elétrica

% das ocorrências

 

138 kV

230 kV

345 kV

440 kV

500 kV

750 kV

Todos

CC

Fase – Terra

68,0

85,3

81,4

85,3

91,6

87,3

76,4

CC

Bifásico

8,0

4,7

4,3

4,9

3,3

2,9

6,4

CC

Trifásico

3,1

1,4

0,4

1,0

0,6

2,9

2,2

CC

Bifásico - Terra

12,8

4,8

9,0

1,0

2,3

5,9

9,0

CC

Trifásico – Terra

3,1

1,0

1,1

0,3

0,5

0

2,1

Sem Natureza Elétrica

1,1

1,1

3,4

4,4

1,2

1,0

1,2

Observa-se que a incidência de curtos-circuitos à terra é sempre maior.

Outras Anormalidades

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CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

6.2 CAUSAS DO CURTO-CIRCUITO

Os itens mencionados no capítulo anterior de “desligamentos forçados” mostram as diversas causas que podem estar associados ao curto-circuito. Alguns podem ser minimizados. Mas é impossível evitar, probabilisticamente falando, que ocorram.

Linhas de transmissão e alimentadores aéreos são os componentes mais expostos ao ambiente e às intempéries. Chuva, vento, descargas atmosféricas, fogo, objetos carregados pelo vento, pássaros, aeronaves estão entre os eventos que podem afetar a operação de um circuito de distribuição ou linha de transmissão.

Em subestações ocorrem curtos-circuitos envolvendo barramentos, conexões, equipamentos de manobra e auxiliares, transformadores de instrumentos, transformadores, reatores, bancos de capacitores e outros equipamentos.

Descarga Atmosférica

Dos eventos mencionados, o que com maior freqüência pode causar curto-circuito numa rede aérea é a descarga atmosférica. A descarga em si provoca direta ou indiretamente surtos de carga elétrica no cabo pára-raios ou nas fases condutoras que, por sua vez, causam diferenças de potencial que desencadeiam aberturas de arco elétrico entre partes energizadas da linha e a terra, culminando em curto-circuito à freqüência industrial. Numa subestação, é muito rara a ocorrência de curto-circuito em instalações energizadas de potência devido à descarga atmosférica, devido à blindagem (pára raios) existente.

Mecanismo de Abertura de Arco em Isoladores de Linhas devido à Descarga Atmosférica

Quando um raio atinge um condutor, uma estrutura de linha de transmissão, um poste ou cabo terra (descarga direta), ou quando atinge um ponto nas proximidades da linha (raio indireto), aparecem sobretensões na linha. Em ambos os casos as tensões são do tipo impulsivo, aperiódico, como já mostrado.

Do mesmo modo que se acumulam cargas na superfície terrestre (incluindo aí o cabo terra), são acumuladas cargas nas linhas de transmissão, em cabos condutores. A figura a seguir mostra o campo elétrico sobre uma linha de transmissão LT criado por uma nuvem carregada. O campo consiste de uma região A entre a nuvem e a terra, e a região B entre a nuvem e a linha isolada.

Curto-Circuito

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Nuvem Carregada B A LT Terra - Inclui Cabo Terra
Nuvem Carregada
B
A
LT
Terra - Inclui Cabo Terra

Figura 6-1 – Campo Elétrico de Condutor e Terra para a Nuvem

Quando a nuvem se descarrega para a terra (raio indireto), o campo A desaparece e o campo B se transforma. A parte principal da energia fica no campo ente a LT e a terra pois para a nuvem se dirigem poucas linhas de campo, como mostra a figura a seguir.

Nuvem Carregada B LT
Nuvem Carregada
B
LT

T erra - Inclui C abo T erra

Figura 6-2 – Campo Elétrico após descarga indireta

A intensidade deste campo entre a linha e a terra e por conseguinte a tensão induzida

depende da altura da linha sobre a terra, da intensidade do campo antes do raio indireto e da rapidez da descarga da nuvem.

A intensidade da tensão induzida pelo raio indireto tem, relativamente, uma velocidade de

crescimento pequena e o valor de pico encontra-se, geralmente, abaixo dos 100 kV.

o valor de pico encontra-se, geralmente, abaixo dos 100 kV. Frente de Onda pouco inclinada Figura

Frente de Onda pouco inclinada

Figura 6-3 – Frente de onda suave

Curto-Circuito

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CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA

Estas sobretensões causadas por raios indiretos desenvolvem-se em todas as fases da LT. As descargas indiretas são inofensivas na maior parte dos casos, para linhas de transmissão com isolamento para tensão nominal superior a 33 kV.

Por outro lado, o raio direto na LT tem uma severidade maior, caracterizada por uma velocidade de crescimento do surto bem maior da ordem de 100 a 1000 kV por microsegundo (frente de onda pouco inclinada). A Linha recebe uma carga muito elevada que cria, em correspondência, uma tensão muito elevada.

Assim, dependendo da intensidade de corrente de descarga atmosférica (valor estatístico), a tensão de descarga dos isoladores da linha é alcançada rapidamente.

Para uma descarga direta em condutor de LT, as cargas se movimentam em ambas as direções.

de LT , as cargas se movimentam em ambas as direções. Figura 6-4 – Descarga Direta

Figura 6-4 – Descarga Direta em Condutor

Há diferença de potencial elevada (por algumas dezenas de microsegundos) através do isolador da linha. Dependendo dessa diferença e dependendo do nível de isolação, há descarga da energia.

Para uma descarga no cabo terra, haverá também diferença de potencial entre o condutor e a terra e poderá haver descarga de energia para o condutor, caracterizando uma situação que é chamada de descarga em “marcha a ré”.

Curto-Circuito

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CURSO DE PROTEÇÃO NOÇÕES DE SISTEMA Figura 6-5 – Descarga Direta em Cabo-Guarda Em virtude da

Figura 6-5 – Descarga Direta em Cabo-Guarda

Em virtude da descarga, há ionização do ar no caminho da descarga. O ar, tornando-se condutor, provoca curto-circuito em 60 Hz.

1) Descarga (surto) 2) Ionização do ar 3) curto-circuito fase-terra em 60 Hz.
1) Descarga (surto)
2) Ionização do ar
3) curto-circuito fase-terra em 60 Hz.
2) Ionização do ar 3) curto-circuito fase-terra em 60 Hz. Figura 6-6 – Arco após Ionização

Figura 6-6 – Arco após Ionização do ar através da cadeia de isoladores

Quanto menor a isolação, maior a facilidade de abertura de arco devido à descarga atmosférica. Por exemplo, numa linha de transmissão de 138 kV, há uma média anual de 5 a 6 ocorrências de curto-circuito por cada 100 km de exposição. Já numa linha de 69 kV, espera-se 25 ocorrências de curto devido a descarga por ano, para 100 km de exposição.

Curto-Circuito

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Fogo sob a linha de transmissão

Também o fogo sob a linha de transmissão, geralmente devido a queimadas, ioniza o ar entre condutores ou entre condutor e a terra, facilitando a abertura de arco elétrico, provoca curtos-circuitos.

1) Fogo sob a linha 2) Ionização do ar 3) curto-circuito
1) Fogo sob a linha
2) Ionização do ar
3) curto-circuito

FOGO

Figura 6-7 – Fogo sob a LT

Objetos estranhos, Árvores

Materiais carregados pelo vento, aeronaves, árvores, etc. podem também de modo acidental, provocar curtos-circuitos de modo direto, sejam em linhas ou em instalações de subestações. Neste caso, pode haver também rompimento de cabos.

Equipamentos e cabos são especificados e aplicados para suportarem as esperadas correntes de curto-circuito por um tempo limitado e definido. Após o que, haverá danos.

Uma proteção deve, portanto, ser adequada para detectar de modo rápido e preciso a natureza elétrica da anormalidade. No caso de curtos-circuitos, deve detectar aqueles entre fases e entre fase(s) e terra.

Falhas em Cabos Subterrâneos

Para redes subterrâneas, pode também ocorrer curto-circuito, quando de perfuração ou deterioração da isolação do cabo condutor. Terceiros com escovadeiras ou outras máquinas , podem causar perfuração de cabos. Pelo fato de os cabos serem isolados, ocorre, em geral, curtos-circuitos do tipo fase-terra.

A probabilidade de curtos bifásicos ou trifásicos, nos cabos é menor. Tais curtos podem ocorrer com maior probabilidade em conectores destes cabos a outros dispositivos como reguladores ou transformadores.

Curto-Circuito

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Falha Hidráulica em Linha de Cabos

Caracteriza-se principalmente por problemas relativos à pressão do óleo isolante ao longo do cabo, em virtude de falhas de montagem, defeitos de fabricação, falhas de operação, ação do meio e de terceiros sobre acessórios.

São objetos de atenção especial os pontos de conexão existentes entre o cabo subterrâneo e barramento de subestações, bem como, as capas metálicas e os pontos de aterramento das mesmas.

Há sistema de Proteção para detecção das anomalias. A manutenção corretiva caracteriza- se pela retirada em operação do cabo, seja imediatamente após o desligamento do mesmo pela proteção, seja quanto de sinalização de anomalia no circuito de óleo.

Arcos Internos em Transformadores e Reatores

É possível a ocorrência de arcos internos envolvendo a isolação e conectores. Tais arcos são caracterizados por pequenas correntes com alto grau de ruídos (conjunto de sinais de alta frequência) queimando a isolação e o óleo isolante, com possível alteração da característica desse último.

Caso não seja detectado a tempo, o defeito pode evoluir para uma situação mais grave, com curto- circuito pleno, com maiores danos.

Falhas em Buchas de Equipamentos (Trafos, Reatores, TP’s, TC’s)

Não muito freqüentes porém possíveis. Danos nas porcelanas e / ou vazamentos de óleo isolante reduzem a isolação o provocam curtos. Quando ocorrem, são severos, provocando, às vezes, explosões.

Falhas em Comutadores

Comutadores de taps em transformadores possuem partes móveis que operam sob carga. Evidentemente este é um fator de desgaste e risco. Portanto, curtos-circuitos podem ocorrer.

Falhas em Conexões

Conexões são pontos fracos em qualquer circuito elétrico. Aspectos mecânicos estão envolvidos em conjunto, às vezes, com correntes elevadas com grande potencial de aquecimento. Eventuais rompimentos e consequentes curtos-circuitos podem ocorrer.

6.3 CURTO-CIRCUITO DE ALTA IMPEDÂNCIA

Curtos-circuitos de alta impedância (alta resistência no caminho da corrente de curto- circuito) devem merecer atenção especial. Geralmente são curtos entre fase e terra através de uma árvore, ou queda de cabo em em solo específico. Há o contato com a terra, porém com baixíssima corrente, sem queda acentuada de tensão. Proteções devem obrigatoriamente considerar a probabilidade de ocorrências desses curtos, dentro do possível.

Curto-Circuito

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DISTRIBUIÇÃO

Na rede de Distribuição aérea, curtos-circuitos decorrentes da queda de cabos energizados ao solo geralmente são de alta impedância (areia, asfalto, paralelepípedo, etc.). O que pode ser relativamente freqüente numa rede com problemas de instalação.

A intensidade do curto-circuito depende do tipo de solo ou do contato do cabo com o solo.

Pode se iniciar com corrente elevada mas em seguida pode sofrer redução acentuada, por exemplo, devido a vitrificação com a sílica contida na areia. É um problema que deve ser considerado com atenção, tendo em vista os problemas de segurança envolvidos.

NÃO SE TRATA APENAS DE PROBLEMA DE PROTEÇÃO

Como é impossível para a proteção detectar correntes abaixo de um certo nível, a proteção (relés, fusíveis, religadores) servem apenas parcialmente para detectar o curto- circuito. Então, a providência maior é no sentido de:

MINIMIZAR A PROBABILIDADE DE QUEDA DE CABOS

e

IMPLANTAR, CASO SEJA VIÁVEL, MODOS DE DETECTAR QUEDA DE CABOS SEM A MEDIÇÃO DE CORRENTE.

Assim sendo, uma empresa concessionária deve considerar:

Engenharia e Projetos

Uma rede deve ser planejada e implantada visando minimizar essa probabilidade de queda de cabos (traçados, localização de estruturas, técnicas de emendas ou conexões, etc.).

Para a proteção, deve-se buscar a utilização de relés que possibilitem ajustes sensíveis e eventualmente, tecnologias distintas para detecção de quedas de cabos.

Engenharia de Manutenção de Rede

Pesquisa de defeitos, de ocorrências e técnicas de reparos devem ser ferramentas rotineiras para buscar a minimização da probabilidade de queda de cabos.

Materiais e Ferramentas para Manutenção

Os materiais de ferramentas contribuem para introdução de pontos fracos na rede.

Operação

O ajuste dos elementos de terra de religadores e relés devem ser sensíveis, no limite do

desbalanço natural da rede. Deve-se também buscar a utilização de relés que possibilitem

ajustes sensíveis e eventualmente, tecnologias distintas para detecção de quedas de cabos.

Curto-Circuito

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i (t)

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TRANSMISSÃO

Por outro lado num Sistema de Transmissão também ocorrem curtos-circuitos com altíssima resistência de falta, como por exemplo causados por árvores. Há casos onde a resistência de falta chega a 500 ohms primários ou até mais.

Neste caso, não há condição de atuação de função de distância e deve-se confiar na proteção de sobrecorrente direcional de terra, com teleproteção. Alternativamente, pode-se confiar numa função diferencial de linha ou de comparação de fases.

6.4 DESLOCAMENTO DE EIXO DA CORRENTE DE CURTO-CIRCUITO

Todo chaveamento ou curto-circuito em circuito indutivo ou capacitivo em corrente alternada está associado ao aparecimento do chamado “componente dc”.

Essas parcelas são mostradas na figura a seguir:

t (s) t (s) i (t) i (t)
t (s)
t (s)
i (t)
i (t)

Figura 6-8 – Componente DC e Componente AC de um Chaveamento de Circuito LR

A figura a seguir mostra o resultante dessas duas componentes:

figura a seguir mostra o resultante dessas duas componentes: t (s) Figura 6-9- Corrente de Chaveamento

t (s)

Figura 6-9- Corrente de Chaveamento de Circuito RL

Na ocorrência de curtos-circuitos no sistema elétrico, os componentes DC sempre aparecerão. Com mais intensidade em partes do sistema próximas à geração.

Curto-Circuito

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6.5 CURTO-CIRCUITO ENVOLVENTO TRANSFORMADOR DELTA ESTRELA 6.5.1 Fase-Terra Vamos supor um curto circuito fase-terra no
6.5
CURTO-CIRCUITO ENVOLVENTO TRANSFORMADOR DELTA ESTRELA
6.5.1
Fase-Terra
Vamos supor um curto circuito fase-terra no lado da baixa tensão de um transformador em
derivação, conforme figura a seguir.
Lado
Fonte
Figura 6-10 – Curto fase-terra no lado da BT de um transformador triângulo-estrela
Haverá corrente em uma fase do lado estrela aterrado e corrente em duas fases do lado da
linha, fora do triângulo. A compensação de ampères espiras (princípio de funcionamento
do transformador) explica este fato.
6.5.2
Bifásico

Vamos supor um curto circuito bifásico no lado da baixa tensão de um transformador em derivação, conforme figura a seguir.

um transformador em derivação, conforme figura a seguir. Figura 6-11 – Curto bifásico no lado da

Figura 6-11 – Curto bifásico no lado da BT de um transformador delta - estrela

Haverá corrente em DUAS fases do lado estrela aterrado e corrente nas três fases do lado da linha, fora do triângulo, sendo que em uma delas a corrente é o dobro das outras duas. A compensação de ampères espiras (princípio de funcionamento do transformador) explica este fato.

Curto-Circuito

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6.6

TENSÕES E CORRENTES DURANTE UM CURTO CIRCUITO

6.6.1

Correntes

Em geral a corrente de curto-circuito é maior que a corrente de carga (corrente que havia antes do curto circuito, portanto chamada de corrente de “pré falta”).

A corrente resultante durante o curto-circuito é a soma da corrente de falta com a corrente de pré falta.

Assim sendo, em geral as correntes serão maiores nas fases afetadas.

Tipo de curto

Corrente

na

Fase

Corrente

de

Terra

Observação

Afetada

(residual)

Fase - Terra

Em geral, aumenta na fase em curto-circuito.

Aparece corrente de terra, quando antes não havia (sistema equilibrado).

Pode existir curto que a corrente é pequena e pode não ser percebido

Bifásico - Terra

Em geral, aumenta nas duas fases em curto- circuito.

Ou o desequilíbrio original sobre alteração devido ao curto-circuito.

o aumento.

 

A corrente de curto se

soma à corrente de carga que havia antes (soma vetorial).

Bifásico

Aumenta nas duas fases em curto-circuito.

Não há ou o desequilíbrio original permanece.

Trifásico

Aumenta nas fases.

   

Local de Medição da Corrente de Curto-Circuito

A medição de corrente de curto circuito é feita sempre nos terminais da própria linha, instalação ou equipamento onde ocorreu a falta.

Correntes medidas em outras linhas, ramais ou equipamentos serão apenas uma parcela do total.

Sinalização das Proteções

Haverá sinalização das proteções nas fases afetadas desde que as proteções detectem o curto-circuito. Se não houver detecção, não haverá sinalização.

Devem ser consideradas, sempre, as proteções do circuito, do ramal, da instalação ou do equipamento onde houve o curto-circuito.

As proteções de outros circuitos ou equipamentos, mesmo que próximos da ocorrência apresentam apenas informações complementares.

Curto-Circuito

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Nem sempre a proteção detecta o curto-circuito. Assim sendo, utilizar apenas a sinalização

da proteção para tentar determinar o tipo de curto-circuito é temerário.

Oscilografia

Os registros oscilográficos (dos relés de proteção e dos registradores oscilográficos) são

os melhores meios de se determinar a natureza elétrica.

No caso de curto-circuito, a oscilografia é o único meio realmente confiável para determinar

a natureza elétrica da falta. E mesmo assim, há casos onde há dificuldade para diagnosticar.

Eles medem as correntes com uma resolução grande ou seja, num intervalo de tempo

pequeno (de alguns ciclos a 0,5 s por exemplo). É possível discriminar eventos com até ¼

de ciclo (4 ms) de precisão.

Registradores de Corrente (Gráficos de Corrente) nas subestações

Os registradores gráficos de corrente digitais utilizados nas subestações e nos sistemas de supervisão têm a finalidade de registrar correntes em condição de operação. Entretanto há registradores que têm resolução com escala em ms, o que também é conveniente para medir correntes durante um curto-circuito e sua duração, se não for instantâneo.

Outros registradores convencionais, geralmente de tinta e pena, não têm resolução nem velocidade para registrar correntes de falta.

6.6.2

Tensões

Em geral a tensão (fase-neutro) da fase afetada pelo curto-circuito é menor que a tensão

de pré falta (que havia antes do curto-circuito). E uma boa indicação de que o curto-circuito

afetou essa fase.

A(s) fase(s) não afetada(s) podem permanecer com o valor de pré falta mas também podem aumentar de módulo, dependendo do nível de aterramento do sistema. Um sistema solidamente aterrado não apresenta sobretensão apreciável nas fases boas, mas um sistema aterrado ou um sistema isolado pode apresentar sobretensões apreciáveis.

Curto-Circuito

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Tipo de curto

Tensão na fase afetada

Tensão nas fase boa

Observação

Fase – Terra

Geralmente cai.

Iguais ou superiores à tensão de pré falta.

Quando o curto é com alta impedância, a tensão afetada pode não cair sensivelmente.

Bifásico

As duas tensões das fases afetadas não caem a zero, mas juntam (módulo e ângulo) num valor menor que a nominal, no ponto de curto circuito.

Mais ou menos igual à tensão de pré falta.

 

Bifásico - Terra

As duas tensões das fases afetadas caem a zero no ponto de curto circuito.

Igual ou superior à tensão de pré falta.

 

Trifásico

A tensão cai nas três fases.

   

Local de Medição da Tensão

A medição da tensão é feita nos terminais da linha ou instalação afetada, através dos TP’s de linha, caso existam. Ou, pode haver TP’s de barra que medem a tensão na subestação.

Quanto mais distante é o ponto de curto-circuito, menor é a corrente. Isto é, quanto mais se afasta do ponto, a tensão vai aumentando. A figura a seguir mostra o nível de tensão ao longo do sistema para faltas fase-terra, trifásicas e bifásicas – terra.