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Miguel Etinger de Araújo Junior Coordenador

Ciclo de Visões Críticas do Direito

Londrina

2014

REITORA Nadina Aparecida Moreno VICE-REITORA Berenice Quinzani Jordão REALIZAÇÃO LUTAS Londrina – Projeto integrado

REITORA

Nadina Aparecida Moreno

VICE-REITORA

Berenice Quinzani Jordão

REALIZAÇÃO

LUTAS Londrina – Projeto integrado de extensão, pesquisa e ensino nº 1680 Pró-Reitoria de Extensão – PROEX/UEL

Centro de Estudos Sociais Aplicados – CESA

Universidade Estadual de Londrina – UEL

COORDENAÇÃO

Miguel Etinger de Araújo Junior

COMISSÃO CIENTÍFICA

Erika Juliana Dmitruk

Miguel Etinger de Araújo Junior

Reginaldo Melhado

Renato Lima Barbosa

COMISSÃO ORGANIZADORA

Amanda Barana Conceição

Ana Luísa Ruffino

André Vilaças Bizerra

Baruana Calado dos Santos

Bianca Louise Blanco

Bruno Calciolari de Godoy

Carolina Teshima

Deíse Camargo Maito

Diogo Ribeiro dos Santos

Eduardo Monteiro Bürkle

Fernanda Pietrobon Deparis

Fernanda Verruck de Moraes

Flaviane Lulu Minto

Gabriel Miaki Sobreira

Gabriel Rufini Galvão

Gabriela Müller Santana

Giovana Virginio Cruz

Guilherme Cavicchioli Uchimura

Guilherme Duarte Ferreira Barbosa

Julia Abreu Rodrigues

Layane Marques Joaquim

Ludymila Aparecida Rizzo Cardoso

Luiz Otávio Ribas

Maria Carolina Silvestre de Barros

Marinno Arthur Gonçalves do Carmo Silva Berno

Nader Naves Suleiman Hamida

Rodolfo Carvalho Neves dos Santos

Thaís Caroline de Moraes Sebastião

Verônica Akemi Gomes Choyama

William FernandesPreencher

PROGRAMAÇÃO

15 A 16 DE MARÇO DE 2014

Curso: Como Funciona a Sociedade

Monitor: Cássius Marcelus Tales Marcusso Bernardes de Brito (UEM)

10 A 11 DE ABRIL DE 2014

Direito do Trabalho e Movimentos Sociais: o direito de trabalhar e o trabalho do direito

Palestrantes: Alexandre Mandl e Jorge Luiz Souto Maior (USP)

Debatedores: Reginaldo Melhado (UEL), Miguel Etinger de Araújo Junior (UEL), Érika Juliana Dmitruk (UEL), Renato Lima Barbosa (UEL), Evaristo Colman (UEL), Heiler Ivens de Souza Natali (MPT), César Bessa (UEL)

23 DE ABRIL DE 2014

Direito que se ensina errado: reflexões e encaminhamentos sobre nossa grade curricular

Palestrante: Luiz Otávio Ribas

a P O i O

Sindicato dos Bancários De Londrina e Região
Sindicato dos Bancários
De Londrina e Região

Ciclo de Visões Críticas do Direito Universidade Estadual de Londrina – 2014

APRESENTAÇÃO

Lutas londrina
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Historicamente, predomina no Curso de Direito da UEL a visão legalista do fenômeno jurídico, ou seja, os estudos são mais focados no direito positivo. Com isso, acaba ocorrendo o distanciamento do outro lado do direito, que é a percepção da relação direta entre os anseios populares e a própria ontologia do fenômeno jurídico.

O grupo de estudantes e professores LUTAS LONDRINA 1 é hoje, no âmbito do

curso de direito, referência da busca pelo alargamento das visões que se podem ter acerca

do Direito 2 .

O “Ciclo de visões críticas do Direito: aprendendo para lutar” foi um evento

que o grupo se propôs a realizar justamente para difundir algumas questões mais críticas entre a comunidade discente e docente.

O evento foi dividido em três etapas:

a) Curso “Como Funciona a Sociedade”: voltado aos ingressantes do Curso de Direito em 2014, propicia uma reflexão crítica das estruturas sociais.

b) Mesas de discussão: “Direito do Trabalho e Movimentos Sociais: o direito de trabalhar e o trabalho do direito”

c) Mesa de discussão: “Direito que se ensina errado: reflexões e encaminhamentos sobre nossa grade curricular”.

Trata-se de temáticas não abordadas em geral por outros eventos realizados no âmbito do Curso de Direito. O evento representou, portanto, a oportunidade de apresentar outra forma de pensar o direito, alternativa à tradicional, abrangendo como público desde os alunos do 1º ano, até alunos mais experientes e o próprio corpo docente.

Destaca-se, ainda, que a proposta foi a de se realizar não apenas a exposição por parte dos palestrantes, mas o efetivo debate com os componentes da mesa e também com os participantes do evento em geral.

O nome “Ciclo de visões críticas do Direito: aprendendo para lutar” é por

demais sugestivo: nossa proposta foi a de propiciar aos participantes do evento a reflexão

1 Projeto integrado de pesquisa, ensino e extensão nº1680 – ProEx/UEL.

2 O Lutas Londrina é formado por discentes, docentes e colaboradores externos, como advogados e membros da sociedade. Nosso objetivo é formar práticas de Assessoria Jurídica Popular, consistentes em buscar as demandas das comunidades e dos movimentos sociais e, por meio da metodologia freireana, criar diálogos e ações co-implicativas que possam resolvê-las. Mais informações podem ser obtidas em nosso site:

http://lutas-londrina.blogspot.com.br/.

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que, em regra, não existe nas salas de aula. Nesse aspecto, o objetivo foi complementar o conteúdo programático com uma visão menos reducionista do Direito e, portanto, mais transformadora e envolvida com a realidade social.

O LUTAS, não por acaso, buscou a contribuição do professor Luiz Otávio Ribas para o evento. A grade curricular do nosso curso encontra-se hoje em discussão no colegiado de professores. Conforme proposto no dia do evento, será montada uma comissão a partir de alunos que manifestaram ou venham a manifestar interesse em discutir propostas de alteração na grade curricular, a partir da qual encaminharemos um documento ao colegiado manifestando o ponto de vista dos estudantes do Direito UEL.

Como avaliação final, nós, do LUTAS, temos a segurança de afirmar a satisfação por muitos estudantes terem prestigiado esse evento, o que representa, para nós, um pequeno passo no sentido de efetivar melhorias em nosso curso. Os palestrantes demonstraram que existe uma perspectiva de estudo e prática do Direito que dialoga com a realidade e é capaz de alterá-la, mesmo que de forma limitada. Como disse Souto Maior, o Direito não é só aquele que está de acordo com as jurisprudências, súmulas ou entendimentos. O Direito é um instrumento amplo, que pode sim ser utilizado no sentido de luta.

Por fim, antes de iniciarmos uma breve exposição sobre como foi o andamento das atividades do evento, agradecemos, pela disposição e pelo efetivo envolvimento com os participantes do evento, os palestrantes Cassius Marcelus Brito, Alexandre Mandl, Jorge Luiz Souto Maior e Luiz Otávio Ribas.

Agradecemos também as instituições e profissionais sem as quais a realização do evento não seria possível: Fundação Araucária, Universidade Estadual de Londrina, Pró- Reitoria de Extensão, Sindicato dos Bancários de Londrina e Região e funcionários responsáveis pelo anfiteatro do PDE.

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COMO FUNCIONA A SOCIEDADE

Um fim de semana. Dois dias, das 8h00 ás 18h00. Vinte e sete calouros, uma integrante da Filosofia e nós, lutantes. Esses são alguns dos dados do Curso “Como funciona a Sociedade” do qual participamos nos dias 15 e 16 de março deste ano. A partir das palavras de Cassius Marcelus, participamos de dinâmicas e discussões práticas para responder á instigante pergunta: como, afinal, funciona a sociedade?

É claro que, para responder tal pergunta, deve-se levar em conta inúmeros fatores e um bom tanto de dedicação. A experiência que tivemos, no entanto, foi como descobrir que cada um de nós tem uma lanterna em meio ao breu escuro das dúvidas. A sociedade não é como é por acaso. E tampouco deixará de ser.

Ainda que muitos aleguem o imenso descontentamento com a sociedade em que vivemos e o desejo constante de transformá-la, muitas vezes acaba esquecida, em meio a tanta aflição, a questão “simples” e prática de que só poderemos transformá-la quando compreendermos como chegou a ser o que é, como se mantém assim e quais são os valores que nela e com ela sustentamos a cada dia. A cada compra, a cada jornada de trabalho.

Precisamos nos sentir parte da sociedade, e ao começar a entendê-la e criticá-la estamos também criticando a nós mesmos. Nossas críticas são, assim, tanto uma autorreflexão quanto uma inspiração consoladora: somos muitos, e nada é estático. Teremos abertas as portas que decidirmos destrancar e é com essas que devemos contar, não com as que se abrem casualmente com um vento forte.

Ao entardecer o domingo, nos despedimos do Cassius e dos calouros de maneira diferente da que nos cumprimentamos sábado de manhã. Despedimos-nos com uma carga de conhecimento muito maior, com uma integração muito maior e, acima de tudo, com muito mais clareza e esperança. É com essa impressão que nós do LUTAS Londrina voltamos para a casa. Cansados fisicamente do esforço que toda organização de evento demanda, mas espiritualmente renovados. Gratos.

Por fim, agradecemos ao Núcleo 13 de Maio, e ao monitor Cassius Marcelus, assim como aos calouros do lutas, recém ingressados no curso de Direito, que possibilitaram a construção desse evento.

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DIREITO DO TRABALHO E MOVIMENTOS SOCIAIS:

O DIREITO DE TRABALHAR E O TRABALHO DO DIREITO

PRIMEIRO DIA

O evento, realizado no anfiteatro do PDE (Universidade Estadual de Londrina), teve

início por volta das 20h. Guilherme Uchimura deu início ao evento apresentando os componentes da mesa: Reginaldo Melhado (professor da UEL), Cesar Bessa (professor da

UEL), Evaristo Colman (professor da UEL, membro do Sindprol e da Aduel), Alexandre Mandl (advogado da fábrica Flaskô); Miguel Etinger (professor da UEL);

Alexandre Mandl, conforme explicou, veio representando o conselho de fábrica da Flaskô, que ,em julho deste ano, completa 11 anos. Foi designado para apresentar a história da Flaskô e realizar uma apresentação a respeito do movimento da fábricas ocupadas e a relação que estabelece com o Direito.

O conferencista iniciou sua fala realizando um resgate da história do movimento

das fábricas ocupadas. O fenômeno da ocupação de fábricas pelos trabalhadores se faz presente em vários capítulos da História. Na Comuna de Paris, na trajetória dos trabalhadores mineiros na Bolívia e principalmente na Argentina, na virada dos ano 2000, quando 400 fábricas foram ocupadas em um intervalo de apenas 6 meses. A Argentina considerada referência para o movimento das fábricas ocupadas.

Quanto à trajetória da fábrica Flaskô, Alexandre buscou incialmente desmistificar a ideia de que os trabalhadores, de maneira espontânea e idealizada, teriam tomado a iniciativa de ocupar a fábrica. Em verdade, a adoção desse modelo de gestão foi incentivada por uma conjuntura desfavorável para os trabalhadores, que já sequer recebiam seus vencimentos, realidade diante da qual passaram a considerar a hipótese como alternativa.

Relatou, ainda, como após a adoção do modelo de gestão dos trabalhadores, através do processo de discussão e construção conjunta, os moradores, a partir do questionamento das condições de trabalho, passaram também a problematizar a propriedade privada dos meios de produção.

No Brasil, o movimento das fábricas ocupadas ganhou força nos anos 2000, quanto a crise econômica, as greves e as ocupações de terras ganhavam força. Esse cenário culminou na ocorrência de uma greve que extrapolou o limite convencional, os trabalhadores se uniram para evitar o fechamento da fábrica onde trabalhavam.

O passo seguinte dado pelo movimento foi a tomada do controle da produção para

as mãos dos trabalhadores. Os trabalhadores realizam uma importante greve em Joinville, na fábrica CIPLA, do ramo plástico. O sucateamento das fábricas da empresa culminou em

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greves, onde foi reconsiderada a possibilidade do controle da produção por parte dos trabalhadores.

O sindicato que deveria representar os trabalhadores na ocasião era patronal e não

apoiou a greve. A empresa posicionou-se no sentido de fechamento da fábrica e dispensa maciça. Sendo interessante ressaltar que o empresário em questão esteve envolvido com diversas querelas judiciais criminais ao longo dos anos.

Houve um acordo coletivo de trabalho onde foram apontadas as possibilidades de a fábrica passar a ser controlada pelos trabalhadores. Naquele momento, os trabalhadores eram credores de dívidas trabalhistas e não havia perspectiva de realização do pagamento por parte da empresa.

Com a realização da ocupação, a partir do acesso aos livros contábeis, descobriram-se inúmeras fraudes realizadas pelos anteriores gestores da empresa. Diante desse novo elemento e tendo em vista o bom funcionamento da fábrica sob o controle dos trabalhadores, o acordo coletivo teve seu prazo estendido. Alexandre explicou ainda que há reuniões semanais entre os trabalhadores para conduzir o gerenciamento da fábrica (com base no instrumento de procuração).

A Flaskô, antes da gestão dos trabalhadores, era uma empresa com maquinário

obsoleto, sucateada e com poucos trabalhadores, de forma que havia dois cominhos possíveis a serem tomados: concordata e processo de falência ou a forma jurídica da cooperativa, sob o contexto da economia solidária – essa segunda opção foi a escolhida.

Em outubro de 2002, o então presidente Lula recebeu os trabalhadores de Joinville (CIPLA). A principal reivindicação do movimento das fábricas ocupadas, naquele momento e até hoje, é de que haja estatização das fábricas sob controle dos trabalhadores, uma vez que os trabalhadores não têm interesse em tornarem-se proprietários da fábrica (acarretaria a perda das garantias trabalhistas que lhe são devidas). Lula , no entanto, deixou claro que essa reivindicação não seria atendida, alegando que essa concessão do governo incentivaria a proliferação do movimento de ocupação de fábricas (embora o BNDS tenha feito um estudo indicando que a viabilidade da estatização das fábricas).

Há 12 anos a Flaskô reúne-se com os mais diversos órgãos governamentais para buscar o atendimento de suas demandas, sendo que uma outra importante bandeira é o combate à terceirização da mão-de-obra.

Tanto na CIPLA quanto na Flaskô os trabalhadores decidiram coletivamente pela diminuição da jornada de trabalho de 48 para 40 horas semanais. Houve também o achatamento de salários, de forma a diminuir a desproporção entre o mais alto e o mais baixo pagos pela fábrica, além de outras alterações na rotina de trabalho. Um reflexo importante dessas alterações foi a diminuição do número de acidentes de trabalho.

De 2002 até hoje houve atuação do movimento das fábricas ocupadas em muitas localidades do Brasil, geralmente ensejando imediata reintegração de posse, o que não se repetiu no caso da Flaskô porquanto o juiz entendeu que se tratou de abandono patronal.

O movimento não visa substituir a atuação do sindicato, que é considerado instrumento importante para a reivindicação das classes trabalhadora – não consideram o

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movimento das fábricas ocupadas uma cisão da classe trabalhadora, mas parte integrante dela.

Embora a experiência da Flaskô seja de fato paradigmática e contra hegemônica, Alexandre lembra que, embora não haja um “patrão” individualizado, existe a classe patronal e o mercado competitivo que impõe uma série de limitações sobre a empresa, que continua dependendo de competitividade para se manter.

No que se trata do dia-a-dia dos trabalhadores da Flaskô, houve ocupação do movimento sem terra e do movimento sem teto dentro da própria fábrica, onde há uma vila operária, onde são realizadas uma série de atividades sociais. Hoje os moradores da vila operária lutam por sua regularização (reivindicação de desapropriação por interesse social).

O conferencista fez uma análise crítica interessante: O Direito tributário é

organizado de forma a possibilitar o prosseguimento do funcionamento da fábrica, mesmo

sem o pagamento dos tributos de forma devida, assim como o Direito do Trabalho, tem grande tolerância com o não pagamento dos deveres trabalhistas. Isso demonstra a priorização do interesse das empresas em detrimento do cumprimento de seus próprios deveres perante a sociedade e o próprio Estado.

A grande disputa travada pela Flaskô em juízo gira em torno da seguinte discussão:

as dívidas acumuladas pela fábrica são de responsabilidade de quem criou o fato gerador da dívida ou de quem está em posse da fábrica? Em geral, o entendimento tem sido no sentido de responsabilização dos trabalhadores que estão em posso da fábrica, embora tenham conseguido um excepcional entendimento no sentido de realizar a destituição da personalidade jurídica e atingir o patrimônio dos sócios da empresa em sua configuração anterior.

É importante ressaltar, no entanto, conforme frisou Alexandre, que tal entendimento

minoritário só se concretizou graças a uma investigação realizada pela própria advocacia da Flaskô, que revelou o conteúdo do patrimônio dos sócios. Em geral, as decisões vinham determinando a penhora dos bens da fábrica ou, ainda mais alarmante, a desconstituição da personalidade jurídica como forma de atingir o patrimônio dos trabalhadores, que é absolutamente irrisório. Através da análise desse posicionamento do judiciário, que sequer buscou averiguar o patrimônio dos antigos empresários e que fez uso da Lei 4132/62 (Desapropriação por interesse social) em favor do interesse do grande capital, fica evidente que, nas palavras de Alexandre Mandl: “o cardápio é diferente para um e para outro” que recorre ao judiciário.

Comumente os trabalhadores ficam diante de duas possibilidades: o pagamento da dívida ou a nomeação de bens a serem leiloados. Sempre que é realizado o leilão dos patrimônios da Flaskô, no entanto, há manifestação dos trabalhadores, que logram impedir a compra do bem. Judicialmente, a medida a que têm recorrido é o princípio da execução menos gravosa (direito tributário), tendo em vista o papel social da empresa.

No âmbito da Justiça do Trabalho, houve contínuas mobilizações pelo pagamento

das dívidas trabalhistas dos ex-trabalhadores (trabalhadores do período anterior à gestão dos trabalhadores). Esse pagamento, no entanto, ficou a cargo da própria Flaskô, que o

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realiza através de porcentagem do faturamento. Além disso, também passou a ser realizada penhora do faturamento (manobra de execução).

Há 10 processos exigindo pagamentos, porém, evidentemente, não é possível manter os funcionamento da fábrica e a ampla realização dos pagamentos, já que a fábrica que precisa do valor do faturamento a se manter, de forma que o conflito no terreno do poder judiciário se estende.

Por fim, quando se trata de querelas judiciais, os trabalhadores estão sendo processados por formação de quadrilha (criminalização dos movimentos sociais por parte do judiciário).

A CIPLA desenvolveu um projeto de casas de plástico, com baixo custo e bom custo benefício que foi apresentado ao então presidente Lula. No entanto, apesar das qualidades da proposta, o Presidente se posicionou contrariamente a implantação do projeto (Lula nega e lança o minha casa, minha vida), sendo bastante explícito a respeito da motivação de sua atitude, o favorecimento das empresas construtoras civis. Conforme relatou Alexandre, na sequência foi implantado pelo Governo Federal o Programa Minha Casa Minha Vida.

Alexandre realizou viagem à Venezuela, onde o governo de Chavez apresentou uma postura bastante diversa da brasileira, que pode ser resumida em duas frases: “fábrica fechada é fábrica ocupada” e “fábrica ocupada é fábrica estatizada sob o controle dos trabalhadores”. Além disso, quanto ao projeto das casas de plástico (PetroCasa), Chavez realizou sua implantação, e tornou-se um dos maiores empreendimentos imobiliários do mundo (está em Cuba também, por meio da Venezuela).

Sentindo-se ameaçada pelos avanços do movimento das fábricas ocupadas, a Abiplástico, apoiada por outras empresas, lançou campanha “contra o avanço da ditadura do proletariado”. O poder judiciário, então, entrou em cena, o que levou à invasão da CIPLA por parte da polícia federal sob o respaldo da Lei de Segurança Nacional. O resultado foi o fim do controle operário, nomeação de um interventor (cujo salário é de 85.000 reais) pelo judiciário e muitas demissões (por justa causa) na CIPLA. O interventor reduziu a competitividade da fábrica frete ao mercado e houve, inclusive, um episódio em que a fábrica ficou por um longo período sem energia elétrica.

(O conferencista, então, apresentou um documentário que retrata a realidade do Movimento das fábricas ocupadas).

Com a notícia, os trabalhadores da Flaskô organizaram barricada como forma de protesto e organizou-se a resistência. Durante 1 ano foi realizada uma campanha (que culminou no documentário exibido anteriormente por Alexandre) na tentativa de denunciar a medida judicial, porém, esta não logrou êxito. Pleiteou-se junto ao judiciário, ainda, a reintegração dos trabalhadores demitidos, mas o juiz não concedeu (Justiça Federal de Santa Catarina).

Diante do novo quadro, o movimento das fábricas ocupadas foi obrigado a restringir-se à atuação na Flaskô, enquanto a CIPLA permanece sob o controle do interventor.

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Observação: em algumas faculdades de Direito, o Direito Cooperativo constitui disciplina autônoma.

Houve um ato com 5 mil pessoas na Avenida Paulista para reivindicar reunião com

o Gilberto de Carvalho. O atual ministro-chefe da secretaria-geral da Presidência da

República, no entanto, pronunciou-se dizendo que considera o caso da Flaskô indiscutível,

já que “se a moda pega” , causaria problemas. Outros temas levantados junto a Gilberto de

Carvalho na oportunidade foram a ocupação Pinheirinho e o assentamento Milton Santos. Gilberto, a respeito desses tópicos, disse que as querelas que os envolviam já estavam

pacificadas (pouco tempo após essa reunião houve o despejo truculento e desastroso no Pinheirinho).

No momento o movimento está realizando uma campanha para angariar assinaturas com o objetivo de garantir a realização de uma audiência pública a respeito da situação da fábrica Flaskô (10.000 assinaturas são necessárias para isso).

Alexandre Mandl finalizou sua conferência levantando algumas indagações: Como podemos agir, utilizando o Direito, no sentido de defender esses movimentos sociais, o pleno emprego e a função social do trabalho? Até onde um Juiz tem poder para mudar isso essa realidade?

Após a pausa de 15 minutos para descanso, os alunos integrantes do Lutas realizaram uma intervenção “quebrando o muro”. Em seguida, deu-se início às perguntas;

DEBATE

MARINNO (estudante do quarto ano): Qual setor de fábricas mais apresenta esse tipo de movimentação?

ALEXANDRE: Química, metalúrgica, calçados, automobilística, entre outros.

MARINNO: Houve trabalhadores na fábrica Flaskô que foram contrários à adoção do modelo coletivo de gestão?

ALEXANDRE: Sempre há resistência. Inclusive porque sempre aparecem propostas de investidores externos que parecem milagrosas aos olhos de alguns trabalhadores.

MARINNO: Como era a gestão da Vila operária?

ALEXANDRE: Quando houve a ocupação, a ideia era instaurar a propriedade coletiva, mas a compreensão em relação aos bens acaba sendo individualizada, como é característica da nossa cultura. Com a ajuda de um arquiteto ativista, a área deixou de ser considerada favelizada. Houve luta para conseguir água e coleta de lixo.

MARINNO: Existe um projeto de educação política junto aos trabalhadores?

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ALEXANDRE: Nós defendemos sim a educação formal. Houve incentivo para que concluíssem os estudos. Houve muitos cursos (Sesi e etc) voltados para o mercado de trabalho, afinal, não sabemos até quando haverá esse estrutura, por isso, devemos aproveitá-la ao máximo. São disponibilizados filmes e outras atividades de formação, atividades com os trabalhadores da Venezuela e da Bolívia, gerando uma rica de troca de experiências. Houve ainda atividades de educação popular que trataram do tema da luta de classes. Ex: O curso “Como funciona a sociedade” – utilizado pelo Lutas na formação dos calouros no ano de 2014.

LUIZ FELIPE (quinto ano): Durante a ocupação, houve dispensa por justa causa? Se houve, de que forma foi tomada essa decisão?

ALEXANDRE: Houve alguns casos. Em um o trabalhador ameaçou de morte o outro e teve a demissão referendada por Assembleia, em outro houve abandono de emprego e nos outros casos os trabalhadores queriam ser demitidos (realizaram acordo).

PROFESSOR

REGINALDO

MELHADO:

Existe

um

estatuto

consensual

entre

os

trabalhadores?

ALEXANDRE:

Não há

um

estatuto político consolidado, o que

pode culminar em

problemas.

EVARISTO: A questão da estatização também é discutida por vocês em relação a outras demandas sociais, como o transporte público?

ALEXANDRE: Sim, somos favoráveis a estatização do transporte público. Inclusive apoiamos a Campanha “Público, gratuito e para todos”

KAYAN (quinto ano): Nas eleições vocês apoiaram o Lula. Quem irão apoiar agora?

ALEXANDRE: Nunca, enquanto fábrica ocupada, realizamos um apoio político. O que fazemos é análise de conjuntura antes das eleições, sendo que nos 2 mandatos votamos, em maioria, no Lula. Porém, nas eleições estaduais, muitos trabalhadores votaram no PSDB, enquanto minha posição não foi essa, por exemplo. Em termos partidários temos boas relações com as mais diversas linhas partidárias

GUILHERME UCHIMURA (quinto ano): No início do movimento, havia relação com a esquerda marxista?

ALEXANDRE: Na segunda greve da Flaskô a Corrente do Trabalho (esquerda do PT), teve importante papel no apoio ao movimento. Depois, houve uma cisão e formaram-se a Frente Marxista e a Corrente do Trabalho. A primeira continua sendo muito atuante junto ao movimento.

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HENRIQUE MORITA (estudante egresso): Quanto à questão do “cardápio”, o que fica muito claro é que as iniciativas que vêm das classes desfavorecidas são barradas pelo judiciário. Como furar esse bloqueio promíscuo entre a política e o capital?

PROFESSOR CESAR BESSA: Não existe um caminho exato, podem existir apenas melhores escolhas.

PROFESSOR REGINALDO MELHADO: Karl Marx tem uma passagem básica: o concreto é síntese de muitas determinações (não tem um momento em que sua experiência de vida não depende de muitas contingências). Estamos em disputa constante por respostas e caminhos, mas sempre chegamos a um momento em que enxergamos que o problema está no bojo do sistema capitalista.

EVARISTO:

Essa é uma resposta política, logo, baseia-se, inevitavelmente, em uma

perspectiva.

PROFESSOR MIGUEL ETINGER: Esse processo se inicia com o indivíduo buscando conhecer a si próprio. Em um processo de alteridade, nos influenciamos e construímos mutuamente.

ALEXANDRE: Sofremos com angústias no curso de Direito. É possível, no direito, provocar contradições. Mas, existe uma questão central que extrapola o jurídico (Alexandre leu um poema cuja frase central é: “Quando os trabalhadores perderem a paciência ”)

Alexandre finalizou se comprometeu a fazer outras atividades junto ao Lutas, nessa nova oportunidade, com a presença dos trabalhadores e disse que a fábrica Flaskô está aberta a visitas. Haverá um festival realizado pela Flaskô no mês de agosto e, em 12 de junho, a Flaskô completa 12 anos. Além disso, no final de setembro haverá o CEMOP.

SEGUNDO DIA

O evento teve início por volta das 20h. Compunham a mesa o Professor Doutor

Jorge Luiz Souto Maior (livre-docente na Universidade de São Paulo), o Procurador do Trabalho Dr. Heiler Ivens de Souza Natali e o Professor Renato Lima Barbosa (Universidade

Estadual de Londrina).

Jorge Luiz Souto Maior iniciou sua fala com a célebre ideia de que a história da humanidade é a história da luta de classes e acrescentou que a historia da humanidade é identificada pela sucessão das formas de divisão do trabalho: “Quem trabalha x para quem se trabalha”.

A humanidade evolui em função da luta de classes (tentativa de os oprimidos não

mais o serem). Historicamente, a manutenção da estrutura de clasees se dá através do uso da força, o que é facilmente verificável do ponto de vista da escravidão (o escravizado é o vencido).

O trabalho livre sugere liberdade, mas o que temos é a opressão em uma ideia de

liberdade, através de formas criadas para ocultar a existência da dominação. Sendo uma

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dessas formas: o Estado e o Direito. Por conta dessa aparência temos a tendência de seguir utilizando o Direito no sentido de reproduzir a lógica do sistema.

O Direito tem o papel muito importante de manter o sistema tal como se apresenta.

Essa dominação se dá por via de meios institucionalizados, o que fica muito claro na figura jurídica do contrato, afinal, do ponto de vista jurídico, existe a liberdade de adesão ou não ao contrato. Porém, isso não corresponde com a realidade, pois muitas pessoas são forçadas

a venderem sua força de trabalho, além de serem submetidas à prática da exploração e capitalização com base na mais-valia.

A questão é que o capitalismo começou a gerar problemas, por isso o Direito

passou a atuar no sentido de contenção das manifestações das classes oprimidas.

Não existe ordem jurídica que, diante da luta de classes, busque amenizar suas injustiças. Um exemplo: se um trabalhador perde o braço o direito alega que ele firmou o contrato por livre vontade, portanto, cabe averiguar se no contrato há cláusula que confira responsabilidade ao empregador. No campo da responsabilidade civil, por sua vez, existe a análise do elemento culpa por parte do empregador. O Direito não dá resposta às demandas sociais.

Nas faculdades, nós estudamos muito pouco o direito do século XIX (século que culminou nas guerras mundiais, pois não soubemos lidar, naquele momento, com os conflitos gerados pelo capitalismo),estudamos também o Direito do século XX, com seus ideais de liberdade e igualdade.

No final do século XX, dado que não aprendemos na faculdade, ocorre o surgimento das teorias marxistas. Naquele momento, os que queriam manter o modelo capitalista não encontravam uma racionalidade que pudesse manter o modelo e eliminar conflitos. Nem o artificialismo do direito, nem a repressão cumpriam esse papel. Ali surge o caráter de resolução de conflito por parte do Direito – surge a ideia de direito social, que busca amenizar os conflitos que nascem em uma sociedade “antissocial” e individualista.

O ensino jurídico enquanto pura memorização de códigos e exaltação de uma

suposta “hermenêutica” que seria capaz de encontrar a “essência” das leis por elas mesmas

é muito criticável. Isso não é ciência. Exemplo: Ex: 3 aulas ministradas para a explicação do cálculo da hora extra e mais 3 sobre como não pagá-la, enquanto poderíamos problematizar como a hora extra, na realidade, revela um desequilíbrio do capitalismo, o que gera uma

série de reflexos sociais.

Precisamos compreender os fatos e analisá-los pela perspectiva histórica. Além disso, se não enxergarmos problemas na lógica consumista do capitalismo, tendemos a não enxergar problemas nas relações de dominação entre as pessoas e naturalizá-las. Além disso, nós reproduzimos as opressões que em nossas relações pessoais e defendemos, enquanto operadores do Direito, valores que sequer percebermos, pois nos escondemos atrás da fantasia jurídica.

O que podemos fazer: não permitir que essas incoerências passem despercebidas

e continuar mostrando as inconsistências racionais do sistema. Além disso, buscar fazer o

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Estado cumprir aquilo que prometeu quando positivou direitos que diferiram dos puramente liberais e nos permitir enxergar o Direito como forma de interagir com a realidade e buscar mudá-la.

Houve intervalo, ao final do qual Marinno leu uma poesia de sua autoria, a qual segue na íntegra:

Embebido

Embebido ao cheiro forte das máquinas funcionando, o operário pensa no que produz.

Olha para a máquina. Se vê refletido num pedaço do metal reluzente. Se vê. Seguindo a boa lei ele usa touca que cobre cada parte do couro cabeludo. Mascara branca. Luvas. Oculos de proteção. Então percebe que não consegue mal ver seus olhos, quiçá se ver na máquina.

Então olha para a bolacha. Olha ao seu redor. Vê todo o maquinário em puro funcionamento. Vê o material entrando nas maquinas de forma enxotada. Vê os materiais químicos sendo despejados em cima da massa original. Vê as máquinas formando bolachas. Vê o recheio sendo introduzido no meio das mesmas.

Sente o cheiro da fornada.

Senteo cheiro da bolacha.

sendo

empacotado. Encaixotado.

Tenta sentir o gosto da bolacha.

Não consegue,

Em um momento de desespero ao perceber que, de fato, nao conseguia se lembrar do gosto daquilo que passava diariamente pela suas mãos.

Desespero de perceber que seu produto não era pra si.

Como poderia?

todo

aquele

material

Ele fez aquela massa. Ele fez aquele procedimento.

E então percebeu algo mais chocante.

OS materiais químicos não entravam nas máquinas.

Eram postos por alguém nelas.

Viu que alguém guiava o recheiro.

Viu que alguém empacotava.

Nesse momento percebeu.

Que esta rodeado.

E que a máquina ainda estava correndo.

Sem ele.

Todo o material sendo despejado para todo lado.

A máquina não funcionava sem ele.

E então

Ele não se viu na máquina.

Mas viu a máquina nele

pedindo

atenção.

Pedindo o alimento.

Viu

os

olhos

famintos

dela

O alimento que ELE não tinha.

Que ELE não lembrava.

Deixou seu posto e partiu para o do lado.

Perguntou pelo gosto do produto.

Mais um não se lembrara.

Mais um que se indagava

"Por que alimentar a máquina, se ela não me alimenta?"

O do lado também não mais lembrava

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O do outro lado da esteira também não

lembrava

Como poderia? Uma máquina sentindo o sabor que eles não sentiam?

Como poderia? Uma fábrica de pessoas sem paladar?

tomado para si seu

paladar?

Saíram pedindo explicações.

Mais amnésia.

Ao gerente perguntaram. Ele lembra do gosto. Mas não sabe por que os outros não sentem. Como não era seu problema, voltou para sua sala.

Ou teria a fábrica

Ao diretor perguntaram. Ele sabia muito bem do gosto. Mas não sabe por que os

outros não sentem. Mandou todos de volta aos seus postos se não eram despedidos

e nunca teriam a chance de poderem se

esforçar o máximo que podiam e voltarem

a sentir o gosto do biscoito. E então voltou

para a sua sala.

Então voltaram aos seus postos. Queriam todos ali voltarem a sentir o gosto.

Se entreolharam. E começaram a deixar

as máquinas cuspirem.

Cuspiram.

Escarraram. Gritaram.

Choraram.

E eles se levantaram.

Aquele que não eram alimentados e nem sentiam o gosto se levantaram.

Se puseram de pé.

E foram novamente atrás do diretor.

Deixaram claro que não iam voltar. Não iam deixar como estava.

Queriam de novo o gosto.

Queriam que eles fossem alimentados. Não as máquinas.

O diretor ameaçou de novo. E então levado ao impulso contou o que todos já sabiam: quem lhes roubara o gosto foram

o Presidente da Empresa.

Ah. A Empresa. A boa e velha Empresa. Aquela que os abrigara por tanto tempo. Fizera deles HOMENS de verdade. Empregados. Sejam homens ou mulheres, enfim, eram HOMENS e DIGNOS por terem este emprego.

E que disse o Presidente: como podem

estes homens se tornarem contra aquilo

que os fazem dignos?

E os empregados disseram: Dignos? As

máquinas são mais dignas! Os uniformes

que vocês tomam são mais dignos. De nada há digno em alimentar a máquina que nos rouba o alimento.

Tomados pelo cheiro em que ainda estavam embebidos, afastaram o ar cheiroso de suas narinas, clarearam seus olhos do vapor das máquinas de

bolachas,

Viram que quem fazia o gosto das bolachas eram eles.

Mas quem os tinha era o Presidente.

O

presidente.

o

presidente.

Não suportando a falta de gosto, tomaram para si o presidente. Vestiram nele a roupa branca. Fez com que ele encarasse

a

máquina.

E

ele olhou a máquina.

E

a máquina olhou para ele.

Disse ter aprendido sua lição. Voltou para sua sala.

Os trabalhadores se entreolharam. Nada mudara. Ele continuava com o sabor e eles apenas com o trabalho e a dor.

Voltaram ao presidente e pediram o sabor.

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presidente negou e ameaçou a tomar a dignidade deles

Os Trabalhadores então se tomaram de si. E resolveram retomar o sabor.

E fizeram do presidente mera lembrança pendurada numa parede da memória.

DEBATE

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Da falta de sabor, sobrou sabor. Sobrou sabor DEMAIS! Mais Trabalhadores se tomaram na Fábrica.

E as bolachas nunca foram tão deliciosas.

Marinno Arhur

GUILHERME UCHIMURA (quinto ano): Será que os movimentos sociais seriam uma via para ruptura do capital?

SOUTO MAIOR: Tenho uma visão marxista da história e me pauto na questão das classes sociais. Acho que uma mudança concreta só pode se dar a partir da mobilização da classe trabalhadora, o que não representa desprezo aos movimentos sociais, que geram tensões importantes. No entanto, por si só, os movimentos sociais não podem fazer isso. O que o direito deve fazer é permitir a luta dos movimentos sociais. Mas, sem a questão do trabalho, o tema central do nosso modelo de sociedade não será atingido.

ALEXANDRE (segundo ano): Se decidir seguindo a equidade em uma posição contra hegemônica enquanto juiz, qual é a probabilidade de essa decisão ser mantida em segunda instância?

SOUTO: O direito não é só norma, também é uma questão cultural e possui um complexo principiológico, que permite argumentações diversas. Utilizando esse espaço passamos a buscar a alteração e evolução do Direito (reconstruir o direito a partir dele mesmo). Se se o tribunal reformar? Essa não deve ser a preocupação, pois essa visão inibe uma evolução da humanidade.

GIOVANA (segundo ano): Qual é o papel dos sindicatos, no momento histórico atual, no processo de emancipação dos trabalhadores?

PROFESSOR RENATO: Participo do sindicato e vejo a grande dificuldade de sindicalização dos colegas. Assim como o sindicato foi criado pelo Direito, também limitou sua atuação – modelo muito mais assistencialista que de luta. Além disso, muitos dizem que o problema está na não pluralidade de sindicatos. Mas, talvez a questão seja naturalização da opressão. Ex: eufemismos da legislação. Como: “pedido” de demissão.

PROCURADOR HEILER: (em sua fala o procurador demostrou a descrença em relação a atuação dos sindicatos hoje o Brasil, como a CUT, que se demostrar sem ação frente ‘as demandas dos trabalhadores).

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PROFESSOR RENATO: os sindicatos não foram criados para luta, foram criados para serem assistencialistas e são frequentemente confundidos com uma associação.

ALEXANDRE MANDL: Na Flaskô sempre apresentamos a pauta de ocupação como pauta sindical, por compreender que trata-se de uma pauta da classe dos trabalhadores. Na Flaskô houve apoio do sindicato, ao contrario do caso da CIPLA (sindicato entendeu que ocupação era medida apenas cabível em um momento revolucionário). As manifestações de junho demonstraram a demora dos sindicatos em reagir e o descompasso com a relação com os trabalhadores e a capacidade do movimento operário supera o próprio movimento sindical. Os sindicatos enfrentam dificuldades para entender que não precisamos ficar completamente vinculados às estruturas.

JOYCE BUENO (quarto ano): Acham que uma reforma do currículo poderia provocar alguma mudança?

SOUTO: Possibilidade de outros crédito e matérias optativas.

RAFAEL VANZAN (quarto ano): Acreditam na aplicabilidade do dano moral coletivo trabalhista?

ALEXANDRE: (citou uma decisão de Souto que afasta o proprietário e recomenda a passagem do controle para os trabalhadores –existem posições de esquerda, embora não majoritárias).

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DIREITO QUE SE ENSINA ERRADO:

REFLEXÕES E ENCAMINHAMENTOS SOBRE NOSSA GRADE CURRICULAR

Na sequência, apresentaremos o teor da palestra proferida por Luiz Otávio Ribas.

“Será um sintoma a presença de pessoas interessadas no auditório?” O palestrante apresentou-se como pesquisador do tema ensino jurídico há dez anos.

Objetivo: trazer mensagem sobre outro ensino do direito, que leva em conta a vida concreta das pessoas, o ser humano, com toda a complexidade e necessidades.

O conhecimento produzido hoje na universidade serve para quê? Essa reflexão

será dividida em três momentos:

a) Olhar sobre o próprio ensino;

b) Olhar sobre o direito;

c) Olhar sobre a advocacia ou prática jurídica.

Tentativa de respostada pergunta formulada. O conhecimento serve para produção de um ensino jurídico que tenha usabilidade. Essa usabilidade, na faculdade de direito, é voltada à conformação. As pessoas tendem a se revoltar, e o direito serve para que o homem encontre uma possibilidade de liberdade (essa é basicamente a ideia de Kant). Esse ensino é baseado na lógica de conformação.

A atitude crítica é se perguntar “por que é deste jeito, e não de outro?”. Aí reside o

sentido de indagar, perguntar.

Há um tempo, essa história vem se desenrolando, e surgiram os inconformados. O caminho apresentado é o de senso crítico. Não há nada em desacordo com todos os PPPs do Brasil. A reflexão crítica é fundamental. Mas o que é a crítica do direito?

Algumas respostas que os inconformados podem ter são: tornar-se professor, a extensão, a pesquisa, a extensão popular (envolve diálogo).

O que tem a ver a educação popular com o direito?

É estranho imaginar que o profissional do direito pode também ouvir os problemas

das pessoas.

A extensão pode também seguir um caminho da utilização do direito como

ferramenta em seu modelo tradicional, porém, esse não é o único uso que podemos fazer do direito. A experiência concreta dos assessores jurídicos universitários, através do contato com os coletivos organizados sugerem uma nova maneira de lidar com o direito.

Quando nos deparamos, por exemplo, com a realidade do movimento das fábricas ocupadas, o advogado segue no sentido de adequar o direito à demanda que se apresenta, no sentido da justiça social.

Será que na faculdade, esse advogado da Flaskô teve um ensino jurídico tradicional? As faculdades de Direito no Brasil hoje projetam práticas como essas? Que tipo

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de grade curricular, formação complementar, é adequada para que esse modelo de profissional possa florescer?

Esse é o ponto do qual partiremos para discutir toda a grade político-pedagógica.

Se o ensino do Direito está voltado para a conformação, e tendo em vista a forma como o Direito é praticado hoje no Brasil, tendemos a um Direito que busca manter a ordem como se apresenta. O Direito é ensinado como um instrumento de pacificação, tendendo a negar os conflitos de classes e realidades.

Temos no Brasil uma sociedade que muitas vezes se confunde. As pesquisas têm apontados que a sociedade é a favor da repressão das manifestações e dos protestos. A ideia arraigada no ideário da população é que os movimentos sociais são contrários à ordem

e que funcionam como certa forma de conspiração. No entanto, em uma sociedade

democrática, sempre haverá grupos organizados. O tema de estudo de Ribas é justamente

o reflexo da forma como o Estado lida com os movimentos sociais. Houve, inclusive, um evento em que o ministério público levou à extinção de movimento agrário.

Mas porque na faculdade não aprendemos sobre essa realidade da sociedade? Afinal, temos muitos docentes que atuam na área prática do Direito. Nasce aí preocupação pedagógica em relação ao Direito. O professor de Direito dificilmente se preocupa com didática ou em dialogar e passar o conhecimento. Sendo que essa é uma ruptura entre o ensino básico e o universitário.

E os estudantes dos projetos de extensão? Os estudantes do Brasil, desde os anos

90, têm se destacado com a auto-organização em projetos de extensão. Essa formação contribui para a formação de professores na área, à medida que trabalham com educação popular.

A interpretação é uma dimensão da prática. Uma metodologia forte para estudar a

prática jurídica é a discussão de casos concretos. Houve quem propusesse esse método de estudo do Direito para ser aplicado no Brasil. Isso é uma ótima ferramenta principalmente

para o estudo de matérias dogmáticas, como processos civil. Na prática, seria possível que

os professores trouxessem exemplos interessantes e a partir deles trouxesse conceitos.

Estudem muito a História do Brasil e seu Direito, de forma a identificar que na conjuntura latino-americana a teoria do Direito é fraca. Não há uma estabilidade constitucional, algo pode mudar no plano político-econômico e tudo poderia mudar. E porque não estudamos isso? Isso não é um uso do Direito Porque o Direito é assim e não de outro jeito? Os mesmos intelectuais que apoiaram o Golpe Militar de 64 foram os que se apresentaram como democratas posteriormente.

Há muitos movimentos sociais que entendem que o Direito é uma ferramenta puramente opressora que não merece atenção. Porém, a história já comprovou a falta que fazem os assessores jurídicos populares.

A advocacia é uma atividade voltada para a representação de interesses individuais

ou coletivos. Mas essa representação se dá de uma forma um pouco diversa. Falamos

normalmente perante o Estado.

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Resposta: serve para que as demandas sociais sejam levadas ao Estado pela via oficial. A maioria dos advogados atua com base em um binômio de legalidade/ilegalidade, em uma linha de pacificação. Porém, temos advogados rebeldes e indignados, seja pela morosidade da justiça, o número de dias de férias do judiciário.

Hoje a universidade tem seu modelo formado tendo em vista formar advogados, afinal, não podemos buscar treinar outras habilidades como a comunicação oral, as provas discursivas e a capacidade de fazer pesquisa jurisprudencial (que é muito mais complexa do que costumamos pensar).

Para finalizar, a extensão confere aos estudantes uma formação fundamental para todo profissional do Direito, principalmente no que diz respeito a capacidade de diálogo.

Rodolfo, membro do Lutas, por fim, revelou uma das intenções do evento, convidando os participantes a participarem de um grupo de discussão sobre a grade curricular.

DEBATE:

MIGUEL: O professor faz uma colocação sobre ter sido coordenador de colegiado no ano de 2006 e durante dois anos participou como coordenador. Tempo em que já estava presente a discussão da modificação da grade. Nós precisamos conhecer o mínimo do procedimento. A proposta passa por uma série de órgãos colegiados, o curso por ser considerado elitista sofre um certo preconceito. O PPP veio sofrendo “remendos” visando acomodar um ou outro interesse. Faz uma crítica no sentido que os alunos não tem interesse. Além do altruísmo, como foi referido pelo professor Melhado, é uma questão de cidadania. E afirma que os professores não estão contra os alunos. A proposta do curso era formar juristas. Alterar a forma de ensino e aprendizado. Podemos fazer isso sem alterar a grade curricular.

ANA LUÍSA: Afirmou que nós participamos do circulo vicioso. Desde a escola o ensino fundamental e médio. Passando pelo vestibular. Como diante desse circulo vicioso, como modificar isso? Seria possível apenas pela modificação da grade?

RIBAS: As perguntas levam a questão ao ponto interessante. Será que ao modificar a grade modificaremos o ensino. O fundamental é a mudança de atitude. A extensão mostra como ser protagonista num processo de conhecimento. Nós somos condicionados a nos portar como telespectador no ensino. Uma comunicação unilateral. Isso nos leva a um processo mais complexo que é a domesticação do corpo. Um comportamento passivo fundamental para a manutenção da ordem. Desde o ensino primário as escolas cumprem essa função. Hoje o mercado de trabalho passou por uma mudança grande. Exige-se um protagonismo. Há uma preferencia por colocar os filhos da elite na universidade pública, quando do ensino superior. Observando o movimento de usar a universidade pública para formar concursados. Proletarização. O Fragalho fala da proletarização. O ensino deve seguir esse pedido. Ribas afirma que defende a mudança e ela vem de se dar conta de tal situação, e o projeto de

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extensão é formado por pessoas que se enxergam nesta situação. Não deixar que aquilo que te desagrada na Universidade levem a um desestimulo. Ribas fala que as mudanças são precisas também, concorrendo com outras mudanças. É mais fácil fazer uma mudança

por aqueles também que são atingidos pelo ensino jurídico. Responde a segunda pergunta:

a mudança na grade demonstra uma mudança crítica. Ele dá o exemplo da antropologia

jurídica que foi adicionada a grade, a disciplina é de uma área tão coesa e bem resolvida na academia que se observa que muitos dos professores que são dessa área conseguiram dar

as aulas porque foi obrigatória a disciplina. Se forem voltadas para um equilíbrio entre teoria

e prática proporcionariam uma reflexão crítica. Como aliar métodos de ensino para derrubar

o circulo vicioso do desinteresse? A Deise Ventura afirma que a aula deve ser prazerosa. Como professor coloca esta pergunta a si mesmo. Tornar uma aula de direito prazerosa é algo difícil. Os estudantes tem mais coragem para inovar, pois são protagonistas do processo de ensino e aprendizagem. Utilização de elementos. Como professor de filosofia acredita que provocar reflexão é algo prazeroso.

THAÍS: Como lida com os trabalhos populares? Como lida com tornar o “tornar humano”? A questão de lidar com as pessoas.

BARUANA: A pesquisa jurisprudencial como deve ser feita?

ZAQUEU: Adianta fazer alguma mudança no currículo tirando e colocando disciplinas enquanto o discurso do professor continua distante do que o aluno pode receber? A disciplina pode ser o mais importante que for, se o discurso for inadequado e não conseguir chegar ao aluno não adianta.

RIBAS: Exemplos concretos: trabalho popular. A assessoria jurídica popular é fundamental. As praticas podem ser citados. Começou a se interessar pela assessoria quando trabalhava como conciliador no juizado especial cível. Participou de todas as etapas. Balcão, inicial e conciliador. Foi enriquecedor. Uma série de coisas aconteciam e não se resolvia. Uma série de relações afetivas, de classe, de gênero, raça e etnia que o direito não dá conta de resolver. Percebe-se uma insuficiência no direito. Pode, contudo, ser resolvido de outra forma. Na experiência que teve na conciliação, tentava resolver de outra forma que não o Judiciário. No Rio é comum a detenção para a averiguação. O advogado popular diz que é ilegal. Atuando nas ruas, nas manifestações, ficam na retaguarda e ao perceber a ilegalidade atuam no momento do conflito. Percebendo a ilegalidade deve atuar. A frase do policial: “Lugar de advogado é na delegacia, aqui não, aqui sou eu quem manda”. Revogando uma prerrogativa do advogado, que é estar com o seu cliente. Transmitia o policial toda uma política de Estado, reproduzida por este. Exemplos: conciliação ou pro-atividade. Quanto à pesquisa jurisprudencial, trata-se de uma pesquisa dogmática. Há um objetivo específico de fundamentar uma decisão ou uma tese. Não será alimentada por objetividade. No meio acadêmico é raríssima, são poucos os pesquisadores que trabalham com esse tipo de pesquisa. O advogado utilizou o método

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jurisprudencial para defender uma tese e foi reprovado. Na universidade, se utiliza outro tipo de tese. A pesquisa jurisprudencial é algo difícil. A informática nos ajuda, mas há barreiras que não se transpuseram. Por exemplo, as decisões no tribunal de justiça do rio de janeiro sobre as decisões envolvendo pessoas negras. Qual o número as envolve? Destacou a população negra. Quer descobrir em qual número os negros aparecem como parte ativa ou passiva nas ações. Só 30% está digitalizado. Já chegou a uma conclusão que revela que no estado do Rio de Janeiro, das decisões analisadas a grande maioria da população participa como réu. Agora estuda apenas a população negra. Qual o numero de condenações¿ Compara com a população não negra. O tema da pesquisa é a de que existe racismo na sociedade brasileira e isto pode ser observado nas decisões judiciais. Isso é um exemplo de pesquisa jurisprudencial. A distancia entre o discurso do professor e o entendimento do aluno. Falta de dialogo e compreensão. Um caminho de se libertar do circulo vicioso é a escuta. Para se dar conta de certas considerações.

IZABELA: Fala sobre o equivoco no ensino do Direito. Escreveu seu TCC sobre isso. A analise estrutural quanto a mudança do currículo. Fez o passo a passo histórico até chegar nos dias de hoje. Algumas mudanças para melhor surgiram de mudanças feitas pelo método. É algo que deve ser feito no âmbito da UEL ou numa abrangência um tanto maior. Algumas mudanças estão sendo discutidas, pela OAB, por exemplo. A neutralidade no ensino e no curso, na leitura de Paulo Freire. O ser humano não é neutro em nenhum ato da sua vida, quanto mais na educação.

RIBAS: Discussão de um projeto de educação no Brasil. O debate da neutralidade é difícil de se fundamentar na teoria do Direito. Os professores tem dificuldade para argumentar sobre isso. Questionar os professores sobre a neutralidade. E qual o seu fundamento na teoria do direito. Professor da Universidade de São Carlos chamado Antonio Gouveia, fez um trabalho fantástico para a discussão do PPP e os projetos de extensão. Paulo Freire foi advogado e desistiu de sua primeira causa pois se comoveu a ter que cobrar uma dívida. Carlos Rodrigues Brandão discípulo de Paulo Freire. Se ele tivesse conhecido em vida a assessoria jurídica popular em vida, poderia ter continuado na advocacia. Tinha um projeto de pesquisa sobre os problemas da América Latina. O Paulo Freire apresentou o passo a passo da alfabetização. Deixou princípios, orientações. Mas não se preocupou especificamente com o passo a passo. O Paulo Gouveia criou um método chamado Dialogo Problematizador. O livro se chama “Em busca do tema gerador”. Processo de escuta e falas significativas. Método utilizado pelo NAJUP do Rio. A partir dos temas surgem os contra temas. Monta o contra tema e pensa uma ação. Exemplo: um estudante de ensino primário, que repetia as falas: por mais que eu estude, os de fora sempre são melhores. O desafio era montar um contra-tema para torna o ensino melhor. Portaria 1886. Há uma disputa MEC e OAB. Qual o projeto? Qual a proposta?

Finalizando a sua fala, Ribas convidou a todos para conhecerem o IPDMS, onde se discute no GT de ensino jurídico sobre o PPP. Já há textos, cursos. Como exemplo: curso da UFG,

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onde funciona uma turma para assentados da reforma agrária, dialogando movimentos com a universidade.

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