Você está na página 1de 4

DICAS DE ECONOMIA TRIBUTÁRIA

Por Júlio César Zanluca
Verifique se as dicas se aplicam ou não a sua empresa, pois pode haver restrições quanto a aplicabilidade, de acordo
com a forma de tributação escolhida (Lucro Real, Presumido, Simples) e outras características específicas que
restrinjam o uso do planejamento.
LOJA VIRTUAL – DISTRIBUIÇÃO VIA ESTADO COM MENOR ICMS
Ao lançar sua loja virtual, verifique se não há possibilidade de operar a distribuição de seus produtos através de
operação em estado com menor alíquota do ICMS para o consumidor final. Caso seu produto tenha substituição
tributária, verifique as normas do estado para viabilizar a não cobrança do imposto, ou o ressarcimento da diferença do
ICMS pago anteriormente sobre a base de cálculo maior. São planejamentos deste tipo que viabilizam um preço mais
competitivo.
Atenção: com a publicação do Protocolo ICMS 21/2011, as vendas não presenciais para os Estados que aderiram ao
Protocolo estão sendo duplamente oneradas, pois deverá ser recolhido, a favor da unidade federada de destino da
mercadoria ou bem, a parcela do ICMS – devida na operação interestadual em que o consumidor final adquire
mercadoria ou bem de forma não presencial por meio de internet, telemarketing ou showroom.
BENS DE CONSUMO EVENTUAL: ECONOMIA DE IRPJ E CSLL - LUCRO REAL
A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a 5% do custo total dos produtos vendidos no
exercício social anterior, poderá ser registrada diretamente como custo (parágrafo único do artigo 290 do Regulamento
do Imposto de Renda). Como regra geral, toda a matéria-prima em estoque, no final do período, deveria ser
inventariada e mantida em conta do Ativo. Porém, com relação aos materiais de consumo esporádico cujo valor não
tenha sido superior a 5% do custo total dos produtos vendidos no exercício social anterior, as eventuais sobras não
necessitam ser inventariadas, podendo ser levadas integralmente para custos. Desta forma, economiza-se IRPJ e
CSLL devidos sobre o Lucro Real.
DESCONTOS FINANCEIROS X COMERCIAIS: ECONOMIA PARA FORNECEDOR E CLIENTE
O desconto financeiro, condicionando a sua existência a evento definido (pagamento no prazo, fidelidade, etc.) é uma
prática muito cara, em termos tributários. Recomendamos as empresas que o praticam, a reverem seus
procedimentos, adotando, em princípio, sua substituição pelo desconto comercial.
Desta forma, por exemplo, se desejar premiar os clientes que pagam pontualmente, bastaria conceder desconto
relativo ao evento no próximo pedido de compra, como desconto comercial. A economia de tributos, para uma empresa
comercial, optante pelo Lucro Presumido, pode chegar até 24,73% do valor do desconto concedido. O cálculo é o
seguinte:
até 18% a título de ICMS
3% a título de COFINS (alíquota do lucro presumido)
0,65% a título de PIS (alíquota do lucro presumido)
até 2% a título de IRPJ/Lucro Presumido (8% x até 25% de alíquota do IRPJ) e
até 1,08% a título de CSLL/Lucro Presumido (12% x alíquota de 9% da CSLL)
Interessante observar que, para o cliente, o desconto comercial também pode ser menos oneroso, já que, quando for
tributado pelo Lucro Presumido, o custo tributário pode chegar a 37,65 % do desconto financeiro obtido (IRPJ até 25%,
CSLL até 9%, PIS e COFINS 3,65%). Como desconto comercial, este custo não existe.
REDUZINDO O IRPJ A PAGAR COM COMPENSAÇÕES NA FONTE
Podem ser compensados, mediante dedução do IRPJ devido pelas empresas, os valores retidos na fonte, como: a)
remuneração de serviços profissionais, comissões, propaganda e publicidade, limpeza, conservação de imóveis,
segurança, vigilância e locação de mão de obra; b) rendimentos de aplicações financeiras; c) importâncias recebi das
de entidades de administração pública federal, pelo fornecimento de bens e serviços; d) juros do capital próprio pago
ou creditado por empresa da qual tenha participação societária. Base: Regulamento do Imposto de Renda (artigos 229
e 231).
ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - DEDUÇÃO DO EXCESSO DE GASTOS
Os valores aplicados pelas empresas optantes pelo Lucro Real no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) que
excederem ao limite legal de dedução, poderão ser deduzidos em até 2 (dois) exercícios subsequentes. Basta controlar
estes valores na Parte "B" do Livro de Apuração do Lucro Real e deduzi-los de acordo com sua efetiva utilização. Base:
artigo 582 do Regulamento do Imposto de Renda.
GASTOS COM VEÍCULOS - NÃO TRIBUTAÇÃO (INSS E FGTS)
O valor pago pelas empresas para ressarcimento dos gastos dos empregados que utilizam seus veículos a serviço da
empresa não sofrerá incidência de INSS ou FGTS, desde que devidamente comprovada a despesa (notas fiscais).
Base: artigo 214, parágrafo 9, item XVIII do Regulamento da Previdência Social.
GANHO DE CAPITAL E TRIBUTAÇÃO
O ganho de capital apurado na venda de bens do imobilizado deverá ser apurado por qualquer empresa,
independentemente de ser optante pelo SIMPLES, Lucro Presumido ou Real, para fins de tributação do Imposto de
Renda.
O ganho de capital é a diferença positiva entre o valor de venda e o custo contábil. No caso das empresas optantes
pelo SIMPLES, o custo contábil é o valor corrigido do bem até 31.12.1995 (utilizando-se a UFIR de 0,8287). Nas
aquisições de 1996 em diante, não há mais correção do custo. Assim, a venda de um bem adquirido em 30.12.1994,
por exemplo, terá uma correção de 25,219%, reduzindo assim o eventual ganho de capital e o respectivo pagamento
do Imposto de Renda. Em relação as demais empresas, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o
valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração e diminuído, se for o caso, da
depreciação, amortização ou exaustão acumulada (artigo 418 do Regulamento do IR).
O contribuinte poderá diferir a tributação do ganho de capital obtido na desapropriação de bens, desde que:
I – transfira o ganho de capital para reserva especial de lucros;
II – aplique, no prazo máximo de dois anos do recebimento da indenização, na aquisição de outros bens do ativo
permanente, importância igual ao ganho de capital;
III – discrimine, na reserva de lucros, os bens objeto da aplicação de que trata o inciso anterior, em condições que
permitam a determinação do valor realizado em cada período de apuração (artigo 422 do Regulamento do Imposto de
Renda).
Está isento do imposto o ganho obtido nas operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma
agrária (Constituição Federal, artigo 184, § 5º).
IPI - APROVEITAMENTO DE TODOS OS CRÉDITOS
Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditar-se do IPI em diversas hipóteses
previstas no Regulamento do respectivo imposto, dentre as quais destacamos:
1. IPI pago na aquisição de materiais, inclusive os consumidos, destinados ao processo de industrialização,
inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero (artigo 11 da Lei 9.779/1999). Nota: não confundir o
crédito do IPI na aquisição de insumos (quando destacado o respectivo imposto) com os créditos de insumos
com alíquota zero ou naquelas não tributadas (ou seja, quando não há destaque do imposto na nota fiscal).
Os primeiros são créditos admissíveis, por Lei, enquanto os últimos não se constituem créditos - conforme
julgado do STF.
2. do imposto pago no desembaraço aduaneiro;
3. do imposto mencionado na nota fiscal que acompanhar produtos estrangeiros, diretamente da
repartição que o liberou;
4. sobre produtos adquiridos com imunidade, isenção ou suspensão, quando descumprida a condição, em
operação que dê direito ao crédito;
5. destacado nas notas fiscais relativas a entregas ou transferências simbólicas do produto, permitidas pelo
Regulamento do IPI;
6. de 50% do valor dos materiais adquiridos de comerciante atacadista não contribuinte, mediante
aplicação da alíquota correspondente, para os estabelecimentos industriais.
CUSTO UNITÁRIO DE AQUISIÇÃO DO IMOBILIZADO
O Regulamento do Imposto de Renda (artigo 301) permite que se deduza como despesa operacional, o custo unitário
de bem imobilizado no valor de até R$ 326,61 – desde que para sua utilização não se exija um conjunto desses bens.
Assim, ao invés de imobilizar o bem (débito a Ativo Imobilizado), efetua-se o lançamento a uma conta de resultado,
reduzindo o montante tributável, no caso de empresa tributada pelo Lucro Real, com redução do Imposto de Renda e
da Contribuição Social sobre o Lucro.
DEPRECIAÇÃO ACELERADA CONTÁBIL - EM FUNÇÃO DOS TURNOS
Em relação aos bens móveis, poderão ser adotados, em função do número de horas diárias de operação, os seguintes
coeficientes de depreciação acelerada (Lei 3.470/1958, artigo 69):
I – um turno de oito horas................................ 1,0
II – dois turnos de oito horas........................... 1,5
III – três turnos de oito horas........................... 2,0
Portanto, a utilização da aceleração da depreciação contábil, quando há mais de um turno diário de operação, poderá
permitir uma contabilização maior de encargos dedutíveis na apuração do resultado tributável.
Base: artigo 312 do Regulamento do Imposto de Renda.
DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA – PESSOA JURÍDICA (DIPJ)
Por ocasião da entrega da DIPJ, observe os seguintes procedimentos:
1. Não deixe atrasar a entrega, pois isto gera multa.
2. Verifique se todo o Imposto de Renda Retido na Fonte (aplicações financeiras, serviços, etc.) foi
compensado. Caso tenha esquecido de compensar, efetue a compensação e utilize o valor pago a maior
para abater o IRPJ no próximo recolhimento deste imposto. O mesmo procedimento é válido para CSLL, PIS
e COFINS retidos por órgãos públicos ou outras retenções previstas pelo artigo 30 da Lei 10.833/2003. Caso
haja crédito a utilizar, não esquecer de elaborar a PER/DCOMP e, se for o caso, retificar DCTF/ DACON.
3. Cheque se todas as aplicações em benefícios fiscais no Lucro Real foram procedidas, como exemplo:
Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT.
4. Antes de entregar a declaração, faça a confrontação entre os cálculos de tributos a recolher, gerados pelo
programa, e os DARF efetivamente recolhidos. Verifique especialmente as exclusões/deduções permitidas,
que podem gerar valores recolhidos a maior e compensáveis (corrigidos pela SELIC) com recolhimentos
futuros de tributos federais arrecadados pela SRF.
5. Cruze os valores informados na DCTF, com os informados no Imposto de Renda (PIS, COFINS, IRPJ, CSL),
com o objetivo de identificar possíveis divergências.

ICAS DE ECONOMIA TRIBUTÁRIA PARA A PESSOA FÍSICA
Por Júlio César Zanluca
DEDUÇÕES PARA A FONTE PAGADORA
Para não sofrer retenção excessiva do imposto na fonte, apresente à fonte pagadora os seguintes documentos e
informações, que constituem-se deduções da base de cálculo:
1. Declaração de dependentes, por escrito.
2. O INSS retido deduz da base de cálculo, tanto para o autônomo quando para o assalariado.
3. Contribuição de previdência privada, para os assalariados e dirigentes de empresa, desde que o valor seja
encargo da pessoa física, no limite de 12% da renda tributável do contribuinte.
4. Pensão alimentícia judicial, quando a fonte pagadora tiver a obrigação de reter.
DEDUÇÃO DE DESPESAS PROFISSIONAIS
Para os profissionais liberais é admissível a dedução, no livro caixa, das despesas decorrentes de tais atividades.
Desta forma, o recolhimento do imposto mensal (carne-leão ou mensalão) pode ser minimizado, pois a base de cálculo
compreenderá as receitas auferidas na atividade profissional menos as despesas escrituradas em livro caixa (como
água, luz, telefone, aluguel de consultório, salários e encargos pagos aos empregados, etc.).
DEDUÇÕES ANUAIS
Ao longo do ano, vá guardando os recibos (ou cópias dos cheques nominais emitidos, que também são comprovantes
válidos) com despesas médicas, odontológicas e pagamentos de seguro-saúde e planos médicos. Estes valores são
dedutíveis na apuração anual do imposto, desde que os mesmos tenham sido ônus da pessoa física declarante.
Também podem ser deduzidos as despesas de educação, tanto do contribuinte quanto de seus dependentes.
ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS DE PEQUENO VALOR
A partir de 16.06.2005, fica isento do imposto de renda o ganho de capital auferido na alienação de bens e direitos de
pequeno valor, cujo preço unitário de alienação, no mês em que esta se realizar, seja igual ou inferior a:
I - R$ 20.000,00 (vinte mil reais), no caso de alienação de ações negociadas no mercado de balcão;
II - R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil reais), nos demais casos.
Base: Lei 9.250/1995, artigo 22, na redação dada pelo artigo 35 da MP 252/2005 (período de 16.06.2005 a 13.10.2005)
e artigo 38 da Lei 11.196/2005 (a partir de 14.10.2005).
ALIENAÇÃO DO ÚNICO IMÓVEL
Também é isento o ganho de capital auferido na alienação do único imóvel que o titular possua, cujo valor de alienação
seja de até R$ 440.000,00 (quatrocentos e quarenta mil reais), desde que não tenha sido realizada qualquer outra
alienação nos últimos cinco anos (Lei 9.250/1995, artigo 23).
SIMPLES NACIONAL – DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS
Consideram-se isentos do imposto de renda, na fonte e na declaração de ajuste do beneficiário, os valores
efetivamente pagos ou distribuídos ao titular ou sócio da microempresa ou empresa de pequeno optantes pelo Simples
Nacional, salvo os que corresponderem a pro labore, aluguéis ou serviços prestados.
Limite de Isenção
A isenção fica limitada ao valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o artigo 15 da Lei 9.249/1995,
sobre a receita bruta mensal, no caso de antecipação de fonte, ou da receita bruta total anual, tratando-se de
declaração de ajuste, subtraído do valor devido na forma do Simples Nacional no período, relativo ao IRPJ.
Entretanto, conforme disposto no § 2º do artigo 14 da Lei Complementar 123/2006, a mencionada limitação não se
aplica na hipótese de a pessoa jurídica manter escrituração contábil e evidenciar lucro superior ao limite.

Ou seja, provado através da contabilidade que o lucro apurado é superior ao determinado pela regra geral de isenção,
poderá este lucro ser distribuído com a isenção do imposto de renda.
Base: § 1° do artigo 6º da Resolução CGSN 4/2007 (na redação dada pela Resolução CGSN 14/2007).
VENDA DE IMÓVEIS RESIDENCIAIS
A PARTIR DE 14.10.2005
A partir de 14.10.2005, fica isento do imposto de renda o ganho auferido por pessoa física residente no País na venda
de imóveis residenciais, desde que o alienante, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias contado da celebração do
contrato, aplique o produto da venda na aquisição de imóveis residenciais localizados no País.
No caso de venda de mais de 1 (um) imóvel, o prazo referido será contado a partir da data de celebração do contrato
relativo à 1
a
(primeira) operação.
A aplicação parcial do produto da venda implicará tributação do ganho proporcionalmente ao valor da parcela não
aplicada.
No caso de aquisição de mais de um imóvel, a isenção aplicar-se-á ao ganho de capital correspondente apenas à
parcela empregada na aquisição de imóveis residenciais.
O contribuinte somente poderá usufruir do benefício de que trata este artigo 1 (uma) vez a cada 5 (cinco) anos.
Base: artigo 39 da Lei 11.196/2005.