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O planeta água pede socorro

Estudos apontam que o fm da água potável é uma possibilidade real,e para
piorar, estopim para guerras.
D
iversos Geólogos e Geógrafos divulgam
estudos onde chamam a atenção para
o desperdício desenfreado que poderá
acarretar em um fm prematuro da água doce que
conhecemos no planeta. Atualmente, este perigo
é real. É uma questão de guerra e de paz, segundo
Ismail Serageldin, chefe da Comissão Mundial de
Água para o Século 21 e vice-presidente de pro-
gramas especiais do Banco Mundial, que afrma:
“Guerras do século 21 serão travadas por causa
de água.” Nessa perspectiva, a ONU (Organização
das Nações Unidas) divulgou uma nota com uma
previsão de que até 2050, aproximadamente 45%
da população não terá a quantidade mínima de
água necessária para a vida. Segundo João Lotufo,
diretor da Agência Nacional de Águas, “A água
vai fcar cada vez mais cara”. A tendência é buscar
cada vez mais longe, o que vai demandar mais
recursos para atender uma população crescente.
Apoiada nesta pesquisa, a ONU revelou que cerca
de um bilhão de pessoas não têm acesso à água
potável e outros dois bilhões não conseguem água
adequada para beber, lavar-se e comer, ou seja,
vitais a vida. Pelos cálculos, cada pessoa necessita
de cinco litros diários de água para sobreviver em
um clima moderado, e no mínimo 50 litros por dia
para beber, cozinhar, banhar-se e usar em higiene.
É considerado “escassez de água” a disponibi-
lidade de menos de mil metros cúbicos anuais
de água doce para cada pessoa. Essa medida
põe cerca de metade da população mundial em
países nesta situação. O consumo doméstico
representa 9% do consumo total, as indústrias
consomem 22% e a agricultura, 69%. Alem disso
2/3 deste total vivem na verdadeira miséria, reve-
lando que a renda per capita tem relação direta.
Foi apontado também que a escassez é respon-
sável pela morte, a cada ano, de 11 milhões de
crianças com menos de cinco anos, causada por
doenças e má nutrição, pela fome crônica de
cerca de 1 bilhão de pessoas, pela “insegurança
alimentar” que, segundo a FAO (Organização das
Nações Unidas para Agricultura e Alimentação),
acomete 2 bilhões de pessoas, cuja nutrição não
é considerada adequada para uma “vida ativa e
saudável”, e por fm, ajudar a manter mais de 60
milhões de crianças longe da escola. Especial-
istas anteveem que, se nada for feito, bilhões
de indivíduos se juntarão aos que já sofrem
com a falta d’água. Só para atender à produção
de alimentos, o Banco Mundial estima que o
consumo aumentará 50% por volta de 2030.
O Combustvel do
século XXI
É curiosa uma matéria vinculada ao site
da revista Veja e assinada por Jones
Rossi, citando o bilionário empresário
americano T. Boone Pickens, dono de
uma imensa quantidade de terra situa-
da sobre o maior aquífero da América
do Norte, no Texas, que resolveu abas-
tecer Dallas e sua região metropolitana
com a água de sua fazenda (no Texas,
a lei que gere os recursos hídricos de-
termina que somente a água localiza-
da na superfície seja propriedade do
estado; o que está abaixo pertence ao
dono do terreno). O projeto previa um
investimento de 1,5 bilhão de dólares para a con-
strução de uma tubulação que levasse a água até
Dallas. “A água é o novo petróleo”, declarou Pick-
ens. “Em 2008, o projeto foi suspenso pelo alto
custo da tubulação, mas este ano Pickens fechou
um acordo vendendo o direito sobre as águas
por 103 milhões de dólares.” (http://veja.abril.
com.br/noticia/ciencia/as-batalhas-da-agua).
“A água é o novo
petróleo”
T. Boone Pickens
A má gestão preocupa
Diversos fatores tornam a situação pior, como o
crescimento populacional, aliado a necessidade de
abastecer as pessoas, no qual o aquecimento global
só vem agravar, pois fzeram o consumo de água
subir cerca de seis vezes nas últimas cinco décadas.
A questão da má gestão da água também preocupa.
A maioria das pessoas tem uma crença de que a
água é um “bem comum” e não pertence a ninguém
em especial. Quando um agricultor desvia parte do
fuxo do rio próximo para irrigar sua plantação, o
cidadão quando vai lavar a calçada com mangueira
ou deixar a torneira aberta enquanto escova os den-
tes, pode não ter uma noção da gravidade da situa-
ção, porque não vai pagar nada ou pouco por isso.
A grande questão é que o baixo custo do serviço incenti-
va o desperdício e desestimula investimentos na área.
Terceira guerra mundial?
Por fm, existe a ameaça cada vez maior de con-
fitos pela posse de água. Segundo o secretário-
geral da ONU, Ban Ki-Moon, a guerra em Darfur
(Sudão), que já levou à morte mais de 200 mil
pessoas, começou com uma “crise ecológica pro-
vocada por uma alteração climática”. Um estudo
publicado na revista Nature pelo Instituto da
Terra da Universidade de Columbia, nos Esta-
dos Unidos, mostra a relação entre a escassez de
água e guerra. Analisando o fenômeno El Niño,
que em ciclos de três a sete anos provoca au-
mento na temperatura e diminuição no volume
de chuvas, os pesquisadores descobriram que,
nos 90 países tropicais afetados pelo fenôme-
no climático entre 1950 e 2004, o risco de uma
guerra civil dobrou, passando de 3% para 6%.
“Claro que, sozinha, a falta de água não causa as
guerras. Há fatores sociais, políticos e econômi-
cos que devem ser levados em conta”, diz Mark
Cane, cientista especializado em clima da Co-
lumbia. “Mas onde há tensões latentes, o cli-
ma pode ser a fagulha que faltava”, completa.
Um estudo publicado na revista Nature pelo In-
stituto da Terra da Universidade de Columbia,
nos Estados Unidos, mostra a relação entre a
escassez de água e guerra. Analisando o fenô-
meno El Niño, que em ciclos de três a sete anos
provoca aumento na temperatura e diminuição
no volume de chuvas, os pesquisadores desco-
briram que, nos 90 países tropicais afetados pelo
fenômeno climático entre 1950 e 2004, o risco
de uma guerra civil dobrou, passando de 3%
para 6%. “Claro que, sozinha, a falta de água não
causa as guerras. Há fatores sociais, políticos e
econômicos que devem ser levados em conta”,
diz Mark Cane, cientista especializado em clima
da Columbia. “Mas onde há tensões latentes, o
clima pode ser a fagulha que faltava”, completa.
A desigualdade social
Se a água adquiriu tamanho valor, por que conti-
nua a ser desperdiçado? O primeiro motivo é ób-
vio: quem tem dinheiro consegue a preferência.
Países ricos em petróleo no Golfo Pérsico possuem
usinas de dessalinização, enquanto os palestinos
sofrem com a água escassa. O rico sul da Califór-
nia e Las Vegas estão em áreas desérticas, mas
ostentam inúmeras piscinas e fontes. Enquanto a
população de Amã sofre com o racionamento de
água, os turistas hospedados nos principais hotéis
_________________________
Eduardo Leonel
secos e salga-
dos, melhorar
o desempenho
da irrigação e
trocar culturas,
plantando veg-
etais mais com-
patíveis com
o atual estado
da terra e do
clima. Outra
solução seria o reaproveitamento: O potencial
do reaproveitamento de água é gigantesco. Para
se ter uma ideia, é possível até tornar potável
a água poluída por dejetos. Um grande exem-
plo são os moradores do rico condado de Or-
ange, no sul da Califórnia que consomem água
reaproveitada de esgoto desde a década de 1970.
Uma forma que gera alto custo, mas muito efcaz
é a dessalinização. Essa alternativa onerosa fca
viável em países com estoques de água precários.
Por fm, podemos seguir algumas técnicas tradi-
cionais. Alguns métodos usados antigamente
permanecem atualíssimos: replantar árvores, em
especial perto de mananciais; arrancar árvores
exóticas cuja sobrevivência exija muita água;
coletar água da chuva com lagos e tanques;
erguer muros de pedra para conter a erosão.
Os Direitos da
Água
A ONU redigiu um documento inttulado Declaração
Universal dos Direitos da Água. Logo abaixo, você vai
ler os seus principais tópicos:
1. A água não é uma doação gratuita da nature-
za; ela tem um valor econômico: é rara e dispendi-
osa e pode escassear em qualquer região do mundo.
2. A utlização da água implica respeito à lei.
Sua proteção consttui uma obrigação jurídica para
todo homem ou grupo social que a utliza.
3. O equilíbrio e o futuro de nosso planeta
dependem da preservação da água e de seus ciclos.
Estes devem permanecer intactos e funcionando
normalmente para garantr a contnuidade da vida
sobre a Terra. Este equilíbrio depende da preser-
vação dos mares e oceanos, por onde os ciclos
começam.
4. Os recursos naturais de transformação da
água em água potável são lentos, frágeis e muito
limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada
com racionalidade e precaução.
5. A água não é somente herança de nossos
predecessores; ela é, sobretudo, um empréstmo
a nossos sucessores. Sua proteção consttui uma
necessidade vital, assim como a obrigação moral do
homem para com as gerações presentes e futuras.
6. A água faz parte do patrimônio do planeta.
Cada contnente, cada povo, cada nação, cada
região, cada cidade, cada cidadão é plenamente
responsável pela água da Terra.
7. A água não deve ser desperdiçada, nem
poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua ut-
lização deve ser feita com consciência para que não
se chegue a uma situação de esgotamento ou de
deterioração da qualidade das reservas atualmente
disponíveis.
8. A água é a seiva de nosso planeta. Ela é
condição essencial de vida de todo vegetal, animal
ou ser humano. Dela dependem a atmosfera, o
clima, a vegetação e a agricultura.
9. O planejamento da gestão da água deve levar
em conta a solidariedade e o consenso em razão de
sua distribuição desigual sobre a Terra.
10. A gestão da água impõe um equilíbrio entre a
sua proteção e as necessidades econômica, sanitária
e social.
A esperança existe
Pelo menos parte dessas alternativas está sendo
adotada ao redor do mundo. Mas há obstáculos
ainda consideráveis a superar. A pobreza é um
deles. A visão da água como um bem barato ou
gratuito ainda está arraigada em muitos lugares,
e vários agricultores relutam em rever suas cul-
turas e métodos de plantio. Assim, forma-se um
cenário de certo modo similar ao do aquecimen-
to global: o diagnóstico existe e está bem-feito,
mas as medidas para resolver o problema tar-
dam a ser tomadas – e a demora pode nos custar
muito caro. O biogeógrafo norte-americano Jar-
ed Diamond, autor de Colapso – como as socie-
dades escolhem o sucesso ou o fracasso (Editora
Record), afrma que as sociedades que perdura-
ram tinham uma visão de longo prazo e mostra-
vam fexibilidade e força de vontade para mudar
seus valores quando eles não lhes serviam mais.
Fonte: http://www.terra.com.br/revista-
Como economizar
água
• Não demore muito tempo no chuveiro. Em
média, um banho consome 70 litros de água em
apenas 5 minutos, ou seja, 25.550 litros por ano.
• Preste atenção ao consumo mensal da conta
de água. Você poderá descobrir vazamentos que
signifcam enorme desperdício de água. Faça um
teste; feche todas as torneiras e os registros de casa
e verifque se o hidrômetro - aparelho que mede
o consumo de água - sofre alguma alteração. Se
alterar, o vazamento está comprovado.
• Você pode economizar 16.425 litros de água
por ano ao escovar os dentes, basta molhar a escova
e depois fechar a torneira. Volte a abri-la somente
para enxaguar a boca e a escova.
• Prefra lavar o carro com balde em lugar
da mangueira. O esguicho aberto gasta aproxima-
damente 600 litros de água. Se você usar balde, o
consumo cairá para 60 litros.
• Cuidado: Nada de “varrer” quintais e calça-
das com esguicho; use a vassoura!
da cidade não têm restrição alguma de consumo.
O terceiro motivo está nos subsídios dos países
ricos a seus agricultores, cuja produção de grãos,
assim impulsionada, origina estoques gigantes-
cos a preços mais baixos. Por fm, há uma evidente
desproporção entre o que é extraído e o volume
de reposição disponível, sobretudo a partir do sé-
culo passado. O surgimento de poderosas bom-
bas de sucção, na segunda metade do século 20,
piorou ainda mais a situação. O resultado disso
é a queda substancial dos estoques de água em
importantes regiões agrícolas. Segundo a ONU,
o número de peixes de água doce caiu 50% en-
tre 1970 e 2000. De acordo com especialistas, a
quantidade de água doce na Terra que não está
presa nas geleiras da Antártida e da Groenlândia
é de cerca de 10 milhões de quilômetros cúbicos,
transitando entre a atmosfera e a terra, em ciclos
de evaporação e precipitação, e encontráveis em
depósitos como rios, lagos, glaciares, aquíferos
subterrâneos e pântanos e essa pequena fração
do todo é mais do que sufciente para abas-
tecer os 6,5 bilhões de habitantes do planeta.
“Todos os terrestres pre-
cisam de apenas 8.000
km3 de água anual-
mente para a sobre-
vivência”
A água em
números
O nosso planeta tem uma superfcie total de 510,3
milhões de km², sendo 1.360.000.000 km³ de água,
que equivale um total de 71% da extensão total. Se
levarmos em conta que apenas 2,493% deste total
é doce, ou seja, considerado potável, onde 68,7%
vem das calotas polares, 29,7% dos aquíferos, 0,9%
de outros reservatórios (nuvens, vapor d’água, etc.)
e 0,5% exclusivamente de rios e lagos, teremos
uma noção exata da importância para a vida. Desse
restrito percentual, uma grande parcela encontra-se
poluída, diminuindo ainda mais as reservas dis-
poníveis.
Soluções possíveis
No meio de tanto caos, surgem algumas soluções.
Precifcar adequadamente a água e torna-la aces-
sível, uma maior efciência doméstica, onde me-
didas simples ajudam bastante na redução do
consumo é um grande exemplo. Uma torneira
gotejando desperdiça 1.380 litros por mês. Um bu-
raco de dois milímetros no encanamento causa
o vazamento de 3.200 litros por dia. Podemos
citar também a efciência na agricultura. Há três
caminhos principais a seguir: conseguir versões
de sementes aptas a crescer em ambientes mais
O Dia Mundial da Água foi criado pela Assembléia
Geral da Organização das Nações Unidas através
da resolução A/RES/47/193 de 21 de Fevereiro de
1993, declarando todo o dia 22 de Março de cada
ano como sendo o Dia Mundial das Águas (DMA),
para ser observado a partir de 1993, de acordo com as
recomendações da Conferência das Nações Unidas
sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento contidas
no capítulo 18 (Recursos hídricos) da Agenda 21.
Fonte: ONU