Você está na página 1de 5

1.

Tratamento dos Nadis
o A forma de massagem indicada para os nadis, chama-se Abhyanga e insere-se habitualmente na
categoria de massagem geral. Esta massagem é também método terapêutico preventivo, ou seja,
um método de equilíbrio ou pacificação dos três doshas.
o Tratamentos
o 1. Sushumna - Aplicar óleo quente ao topo da cabeça com movimentos circulares leves no sentido
horário (óleo de Brahmi).
o 2. Alambusha - Não é correcto tratar esse nadi em outras pessoas. Para o auto tratamento, lavá-lo
diariamente e aplicar óleo de gergelim.
o 3. Kuhu - Não é correcto tratar este nadi em outras pessoas. Para o auto tratamento, lave-o
diariamente e aplique óleo de gergelim.
o 4. Varuna - Todas as técnicas de massagem contribuem para o tratamento deste nadi. A massagem
com óleo é a mais eficaz para o tratamento da pele enquanto órgão do sentido do tacto. A
quantidade e o tipo de óleo dependem da constituição (prakruti).
o 5. Yashasvati - Aplicar óleo quente nas palmas das mãos e nas solas dos pés diariamente. Use o
óleo de acordo com o prakruti.
2. Tratamento dos Nadis
o 6. Pusha - Humedecer um pouco algodão em triphala ghee, ou numa decocção de triphala, ou em
chá de camomila, e coloque a pouco de algodão molhado a pingar, sobre os olhos enquanto se faz
o resto da massagem. Ou então, aplicar um pouco de óleo e uma leve pressão aos pontos situados
acima dos olhos - nas sobrancelhas.
o 7. Payasvini - Usar um conta-gotas para pingar duas gotas de óleo no ouvido (óleo de Brahmi ou de
gergelim). Ou então, molhar o dedo no óleo e aplicar com cuidado dentro do ouvido. Massajar a
orelha toda também é bom.
o 8. Pingala - Use um conta-gotas para pingar duas gotas de óleo dentro na narina (óleo de Brahmi
ou de gergelim). Ou então, aplique um pouco de óleo e fazer uma leve pressão ao lado da narina.
o 9. Visvodhara - Fazer uma massagem de óleo quente na região do abdómen. Usar o óleo de acordo
com o prakruti da pessoa.
o 10. Hastijihva – Aplicar o óleo quente nas palmas das mãos e nas solas dos pés diariamente. Usar
o óleo de acordo com o prakruti da pessoa.
3. Tratamento dos Nadis
o 11. Saraswati - Aplicar um pouco de óleo na região da garganta e da mandíbula. Fazer uma
massagem leve nos lados da garganta e nos músculos do maxilar serve para tratar este nadi, bem
como a massagem na parte de trás do pescoço. No auto tratamento, convém limpar a lingua todos
os dias.
o 12. Gandhari - o mesmo que Pusha.
o 13. Shankhini - o mesmo que Payasvini.
o 14. Ida - o mesmo que Pingala.
o Um dos métodos mais importantes de tratamento dos nadis é a rotina diária de manutenção. Essa
rotina diz respeito principalmente a higiene e ao correcto uso dos sentidos. A sobrecarga dos
sentidos é uma das principais causas de doenças.
4. Os Marmas – Os pontos prânicos do corpo
o As portas que levam aos nadis são três: a mente, a respiração (o prana) e os marmas.
o Descrição c1ássica de um marma no Yoga. Marma significa secreto, oculto. Os marmas são certos
pontos do corpo que podem determinar a vida e a morte.
o “ Marma é aquele ponto que apresenta dor e latejamento incomuns quando apertado. Os marmas
(pontos vitais) são assim chamados porque causam a morte; e são os locais onde se encontram as
músculos, ossos, tendões, artérias, veias e articulações. A vida reside neles e na sua integridade
(qualquer ferimento num desses pontos pode custar a vida). São classificados pela estrutura
predominante que neles se encontra; sob este aspecto, existem seis tipos de marmas. Só são do
mesmo tipo no que diz respeito a este único factor: são 'centros de vida'."
5. Os Marmas – Os pontos prânicos do corpo
o As seis categorias, são as seguintes:
o 1. Mamsa marmas - predomina neles o tecido muscular.
o 2. Asthi marmas - predomina o tecido ósseo.
o 3. Snayu marmas - predominam os tendões e ligamentos.
o 4. Dhamani marmas - predominam as artérias.
o 5. Sira marmas - predominam as veias.
o 6. Sandhi marmas - predominam as articulações ósseas.
o Os marmas definem-se, ainda, pela sua localização no corpo e o seu número:
o Cabeça e pescoço: 37
o Frente do Corpo: 12
o Membros Superiores: 2
o Parte de Trás do Corpo: 2
o Membros Inferiores: 14
o Total: 107.
6. Os Marmas – Os pontos prânicos do corpo
o Os marmas são medidos em dedos. A unidade de medida e a largura do dedo do paciente, não a
do dedo do terapeuta. As localizações são especificadas dessa maneira porque cada pessoa tem
uma constituição física diferente, tem medidas e proporções diferentes. Em comparação com outros
sistemas, os marmas também são diferentes porque podem ter uma largura de um a oito dedos - ou
seja, muitas vezes indicam uma região do corpo, e não um simples ponto.
o Na terapia de massagem, os marmas podem ser usados de três maneiras:
o para tratar os nadis e, portanto, os pranas;
o para tratar um órgão ou um sistema orgânico especifico;
o para tratar um desequilíbrio especifico dos doshas.
7. Métodos de tratamento dos Marmas
o Os principais métodos de tratamento dos marmas são a pressão, a massagem circular e o uso de
óleo e de óleos essenciais. Também podem ser tratados pelo calor. São pontos extremamente
delicados e não devem ser estimulados com força nem de maneira agressiva. Do mesmo modo, a
pressão deve ser aplicada lentamente, com uma força crescente. A respiração é um elemento
crucial de todas as técnicas de massagem, mas especialmente na massagem dos marmas, pois
eles são um meio directo de acesso ao prana do paciente.
o A Respiração
o A respiração é o principal método de tratamento dos marma. É pela respiração, principalmente, que
o prana entra no corpo.
o
8. A respiração - como tratamento
o O prana entra no corpo na inalação (prana vayu) e sai do corpo na exalação do ar (apana vayu).
o Quando se executa uma massagem, o nadi predominante na hora da sessão também influencia a
natureza do prana - solar ou lunar - projectado pelo terapeuta. Quando o prana é projectado
conscientemente, este pode assumir as qualidades de outros pranas que não simplesmente o
apana vayu.
o Todas as expirações devem ser feitas pela boca. A exalação do ar pelo nariz não possibilita uma
melhor emissão de prana a quem estaremos a fazer a massagem, pois os nadis vão ficar fechados.
9. A pressão – como tratamento
o Aplica-se pressão sobre os marmas como se faz em qualquer outra terapia de pressão. Primeiro o
terapeuta encontra o marma, localizando um ponto ou pontos onde os tecidos estejam doloridos,
duros, delicados ou sensíveis. Aplica-se então a pressão em quantidade crescente. A respiração
crescente é importante. Deve-se expirar com a consciência de que o prana está a sair/fluir, e a
entrar no prana da pessoa que está a receber a terapia.

Subdoshas (Vayus)
Vata Vayus
Ampliando o estudo do dosha Vata, chegamos ao estudo dos sub-doshas de Vata,
chamados de Vayus, muito importantes na fisiologia da Medicina Ayurvédica.
1. Prana Vayu é a forma do ar em nosso organismo responssável pela inalação, o
movimento da mente, pensamentos, sentimentos, emoções e percepção. Tem o
movimento para dentro, introspectivo. Coordena os sentidos, a coerência de pensamento
a antenção e a estrada de conhecimento a nível superior do Eu. Quando praticamos
pranayama (exercícios respiratórios), estamos praticando o controle de prana que gera a
capacidade de desconectar a mente e os sentidos levando à introspecção. Estando Prana
em desequilíbrio, sinais como sinusite, desordens respiratórias, medo, raiva, asma,
enxaquecas, fadiga e doenças nervosas como parkinson e epilepsia podem se
manifestar.
2. Udana Vayu movimenta o ar para cima e para fora. Esta energia é responssável pela
exalação e faz a manutenção da saúde e vivacidade da pele e da compleição e está
relacionado com a tireóide e o quinto chakra (Vishuda), ligados a nossa expressão tanto
verbal quanto existencial. Problemas com Udana geram desequilibrios ligados também
a tireóide e a expressão, assim como bloqueio, sobreatividade ou infra-atividade da
circulação energética no chakra Vishuda. Um ótimo trtamento para os desequilíbrios de
Udana é cantar.
3. Samana Vayu pode ser encontrado no intestino delgado, e é considerado a
inteligência que controla tudo na digestão, a inteligência do intestino em separar o que é
alimento e o que será excretado pelo organismo. Em nível sutil samana, que também
significa equilíbrio, tem a função de converter o Não-Eu no Eu e faz a conexão entre a
parte superior e inferior do ser humano ou corpo e espírito. É responsável pela sensação
de fome e está intimamente conectado com agni (fogo digestivo), pois estimula a
secreção do suco e enzimas digestivas, assim comoa excreção da bile . O desequilíbrio
de samana provoca perda de apetite, indigestão, gases, assimilação inadequada de
nutrientes e alteração no peristaltismo.
4. Vyana Vayu é a forma de Vata que dispersa o ar, encontra-se no coração, no sistema
circulatório e governa a contração e dilatação dos vasos sanguíneos. Como espalha e
controla a energia que circula no corpo, Vyana comanda também a nutrição. Relaciona-
se com a capaciade de andar e se movimentar do corpo e sai pela palma dos pés e das
mãos. Varizes, estagnação de sangue, ciculação lenta, pernas inquietas, extremidades
frias e edema são alguns desequilíbrios deste sub-dosha.
5. Apana Vayu tem movimento para baixo e controla todo o processo de excreção de
urina, fezes e menstruação pelo corpo. Encontra-se nos testículos, próstata e uretra no
homem, no útero e vagina na mulher e principalmente no intestimo grosso. Regula a
função renal, a ovulação e movimento do espermatozóides sendo relacionado com
fecundação. Está ainda nos movimentos do nervo ciático na parte mais inferior do
corpo. Em desequilíbrio desenvolve problemas no trato urinário e genital como retenção
de urina, dor e dificuldade em menstruar, dor durante o ato sexual, ejaculação precoce e
orgasmo prematuro. Apana, é a força que é reponssável também pelo nascimento,
coordenando todo o processo do parto e a absorção de minerais pelo cólon (relação
também com os ossos e a osteoporose).
Os subdoshas de Pitta
1. Pachaka Pitta é a forma do fogo que digere as coisas, uma grande fornalha presente
em nosso corpo representada pelas enzimas digestivas, o ácido clorídrico, a pepsina e o
suco digestivo intestinal. Está localizado no estômago e também na saliva na forma de
ptialina. Pachaka Pitta é responsável pelo agni (fogo) central do nosso corpo (jathara
agni), governando a digestão no estômago.
2. Ranjaka Pitta é a forma do fogo que promove cor, está localizado no fígado e no
baço. Ranjaka promove a cor a todos os tecidos do corpo, pele, cabelos, olhos, sangue,
bile, fezes, urina etc. É também a inteligência que promove o equilibrio químico do
sangue e a distribuição de nutrientes pela corrente sanguínea, sendo relacionado com a
síntese de hemoglobina, com as células vermelhas e com a medula óssea. Desordens em
panchaka pitta incluem hepatite, anemia, fadiga crônica e colesterol alto. Podemos
observar o desequíbrio de Ranjaka Pitta também atravéz da esclera nos olhos – quando
está amarelada, pode indicar intoxicação no fígado assim como raiva excessiva, emoção
conectada a este subdosha.
3. Sadhaka Pitta significa aquilo que compleda e realisa (sad), está localizado no
cérebro, manifestando-se nos neurotransmissores e no coração como parte do plexo
cardíaco ou chakra do coração. É responssável por tranformar as sensações em emoções
e sentimentos, em acessar informações (memória, passado, experiências) e pela auto-
estima. Permite a realização do intelecto e da inteligência. Sadhaka Pitta é o fogo que
determina o que é verdade ou realidade sendo relacionado a nível inferior com a busca
do prazer e a nível superior com a busca da realização espiritual. Esta energia mental,
também é responsável pela digestão das impressões e idéias. Em desequilíbrio provoca
a perda da clareza, confusão e desilusão, perda da capacidade de distinguir realidade e
fantasia, perda de memória, indecisão e problemas cardíacos. A compreensão de
sadhaka pitta é a compreensão de todo o complexo neuro-químico de nosso corpo.
4. Alochaka Pitta está presente nos olhos. É a forma do fogo que governa a percepção
visual transforma a imagem óptica em sensação óptica. A expressão física de alochaka
pitta é chamada de rhodopsina no modelo biomédico ocidental, responsável por gerar
impulso visual. Promove a percepção e digestão da luz e a percepção clara da mente e
da alma. Está relacionado com as emoções através das lágrimas. Em desequilíbrio sinais
como conjuntivite, queimação nos olhos, fotofobia, e confusão na percepção das coisas
aparecem.
5. Bhrajaka Pitta tem sede na pele. É responsável pela compleição, o brilho e o lustro
da nossa pele, processando os óleos provenientes das glândulas cebáceas para nutrição
da mesma. Promove a sensação do toque, da dor e a regulação da temperatura do corpo.
Em desequilíbrio provoca eczema, dermatites, acne e perda da sensibilidade tátil.
Os subdoshas ou subfunções de Kapha
1. Tarpaka kapha significa a forma da água que produz contentamento, está presente
no cérebro, medula espinhal (fluidos), bainha de mielina e meninges. É responsável
pelas células cerebrais, pela proteção dos impulsos nervosos que transitam de um
neurônio para o outro, pela capacidade de gravar e reter informações e
consequentemente pela memória. Está presente nas moléculas de DNA na forma da
nossa memória biológica. Tarpaka kapha ainda pode ser conectado ao sentimento de
felicidade, ao contentamento a estabilidade e a busca pela felicidade interior. Lubrifica a
cavidade nasal e o sinus, forcene clareza sensorial, perceptiva e espiritual e a sensação
de unificação com o que é divino. Em desequilíbrio, provoca paralisias, mal de
parkinson, tumores cerebrais, perda de memória e desequilíbrios piquiátricos como
esquizofrenia.
2. Bodhaka Kapha eatá presente na boca, glândulas salivares e lígua. É responssável
pela produção de saliva e pela captação do sabor (paladar). Lubrifica as tonsílas, a
epiglote, as cordas vocais e boca. É o primeiro subdosha de kapha que se desequilibra.
Em níveis mais sutís, bodhaka kapha é responsável pelo conhecimento, pela capacidade
de se fazer compreender e pelo refinamento de sentir os prazeres da vida. Em
desequilíbrio provoca o enfraquecimento das papilas gustativas e da secreção de saliva
pelas glândulas salivares, enfraquece a captação dos sabores (por isso a necessidade de
comer mais) e aumenta o sentimento de apego.
3. Kledhaka Kapha é a forma de Kapha que promove o umedecimento ou lubrificação
no trato gastro intestinal, podendo ser representado pelo muco que reveste e protege as
paredes do estômago contra a corrosividade dos sucos digestivos. Kleda significa
hidratação, liquefação e promove a hidratação de todas as células e tecidos e
providencia energia para a pessoa após o consumo de alimentos. Em equilibrio, kledaka
promove contentamento, satisfação e a necessidade de pequenas quantidades de
alimentos. Em desequilíbrio, provoca ansiedade, insegurança, sentimento de solidão e
necessidade de ingerir grandes quantidades de alimentos.
4. Shleshaka Kapha presente nas articulações, é o líquido que promove proteção e
lubrificação nas articulações facilitando os movimentos. Promove força aos ligamentos
e suporte a todo o sistema esqulético. Artrites degenerativas, dores ciáticas, artrites
reumatóides e articulações rígidas e barulhentas são exemplos de desequilíbrios neste
subdosha.
5. Avalambaka kapha significa aquilo que dá suporte. Responsável pela integridade
funcional, este subdosha está presente no sitema cardiovascular e respiratório.
Representado pelas secreções brônquicas e pelo fluido pericardial, ajuda nas trocas
gasosas, protege os pulmões e os alvéolos (permeabilidade) e protege o músculo
cardíaco. Coragem, compaixão , confiança e amor são qualidades promovidos também
por este subdosha que em desequilíbrio provoca sensação de peso no peito, ansiedade,
apego, letargia, dores lombares, bronquite, asma, enfizema pulmonar e pneumonia.